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CONTRA-REFORMA - Martinsvianna.net

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"'!"....,...ção. Entretanto, em 13 de maio, a conferência entrouem desacordo quanto à transubstanciação, ou seja, acrença de que o pão e o vinho transformam-se no corpoe no sangue de Cristo durante a eucaristia, doutrinadefinida oficialmente no Quarto Concíiio de Latrão em 1215. A conferência de Ratisbona deixou claroque, em 1541, os protestantes já haviam ido muitoalém da ortodoxia católica, embora a justificação, teoricamente,ainda fosse uma questão em aberto. Tambémficou claro que os protestantes não estavam dispostosa acolher com simpatia quaisquer propostas deuma futura reunião.o concílio católico convocado para Trento pelopapa Paulo Il l , reunido pela primeira vez em 1545, nãotinha, portanto, a intenção de chegar à reconciliaçãocom os protestantes. Como afirmou em 1547 PietroBertano, bispo de Fano, "se não ajudar os que já estãoperdidos para a Igreja, pelo menos ajudará os queainda correm o perigo de se perder" (Buschbell, i916,p. 762). O principal objetivo do Concílio era fortalecero catolicismo em áreas onde o protestantismo aindanão se estabelecera com firmeza ..como a itália. Seupropósito doutrinal era óbvio: esclarecer os ensinamentosda Igreja sobre a justificação, c manifestar-se SOebre outros assuntos em que os prütestantes haviam seafastado da ortodoxia católica. Com efeito, a pautados debates limitava-se às crenças postas em dúvidapelos protestantes. Segundo Hunert i edin, o Concíliodevia' 'distinguir a doutrina católica dos ensinamentosdos reformadores" (Jedin, 1947, p. 179). Mas, comonão fora emitida nenhuma fOL11ulação doutrina,inequívoca sobre essas questões antes de 1545, haviapouca concordância entre os prelados que se reuniramem Trento quanto aos ensinamentos alternativos quedeveriam ser declarados ortodoxos. Assim, os debatesmantidos durante o Concílio revelam parte da ex-10.,,\III·tensão e da variedade do pensamento católico dos finaisda Idade Média e do início do século XVI.Quatro principais tendências teológicas podem ser'identificadas em Trento. A primeira, que por vezes recebedos historiadores a denominação um tanto quantoobscura de "evangelismo", era representada por umgrupo conhecido como os spirituali, Estes compartilhavammuitos dos pontos de vista psicológicos e religiososdos protestantes,e alguns podem até mesmo tersofrido a influência de livros protestantes da Europasetentrional; mas, ao contrário de Lutero, eles renunciaramàs conseqüências de suas convicções pela crençª.nopapelde uma Igreja visível. Em Trento, as opiniõesdo grupo foram expressadas de maneira maisfranca pelo inglês Richard Pate, bispo de Worcester,e pelo italiano Tommaso Sanfelice, bispo de La Cava.A segunda tendência, denominada "agostiniana",tinha como representante principal Girolamo Seripando,e, embora não tão próxima da posição luterana,também acreditava que os esforços humanos para asuperação do pecado são deficientes. Um terceiro grupo,que incluía ° teólogo franciscano Cornélio Musso,bispo de Bitonto, seguia os ensinamentos de DunsScotus, filósofo do final do século XIII e início do XIV;este grupo também argumentava que o esforço hurna-Q.9 desempenha apenas um papel limitado na justific_,!çãoena santificação. Contudo, o quarto - e maisimportante - grupo era constituído pelos tomistas, seguidoresde outro teólogo do século X.II!: Tomás deAquino; em Trento, eram representados principalmentepelos dominicanos. Os tomistas argumentavam que oindivíduo pode se preparar para a justificação, e queas boas obras são, aos olhos de Deus, um valor emsi mesmas. As declarações finais do Concílio de Trentosobre esses problemas doutrinais evitaram deliberadamenteo vocabulário específico da teologia medieval,mas, como resultado da contribuição tomista, com-11

~prometeram a Igreja com a crença de que o indivíduodeve cooperar com Deus no processo da justificaçãoe da santificação. A iniciativa pertence ao homem ea Deus, e não, como na postura de Lutero, exclusivamentea Deus. A fé e as obras são ambas nec.ess"ª,.ܪs,e ambas dignas de recompensa.A opinião dos to mistas acabou por prevalecer, entreoutras coisas, por agradar aos vários bispos italianospresentes, que dominaram as primeiras sessões doutrinaisdo Concílio. Entre 1545 e 1547, mais de doisterços dos que estavam habilitados a votar em Trentoeram italianos. Esses bispos queriam garantir uma definiçãodoutrina! que pudesse ser prontamente ensinadae compreendida pelos seus rebanhos da Itália, onde osensinamentos da Reforma já haviam sido bem recebidos;eles estavam ansiosos por evitar qualquer declaraçãoque aparentemente reduzisse a importância doesforço humano, temendo que uma afirmação que depreciasseo valor das obras pudesse minar a ordem.moral.Os motivos por eles expostos em Trento eramantespastorais que intelectuais.Em abril de 1546, o Concílio declarou que a 1}~_-dição - o ensinamento ininterrupto da Igreja, do primeiroséculo até o presente - e a Bíblia possuíam igualautoridade, rejeitando, portanto, os ensinamentos deLutero sobre a revelação. Em junho, o Concílio declarouque o sacramento do batismo redime inteiramenteo pecado original, tornando-nos "inocentes,imaculados, puros ... e amados por Deus ... de modoque não existe nada que possa retardar a [nossa] entradano céu"(Alberigo et ai., 1962, p. 643). A concupiscência- que Trento definiu como "um incentivo"ao pecado - não é em si mesma um obstáculo intransponível.Assim, (9) condenada a doutrina de Luterosobre o pecado original e preparado o terreno para odecreto· sobre a justificação de janeiro de 1547, que enfatizavaa capacidade do indivíduo de cooperar com124\.I .a obra de Deus. O homem pode, e deve, preparar-separa a justificação: "Embora Deus toque o coraçãodo homem pela inspiração do Espírito Santo, 9 homemnão realiza absolutamente nada ao receber essa inspiração"(p.648). Essa preparação é conseguida pela jus-•tificação, "através da qual o homem, antes injusto,torna-se justo, antes inimigo, torna-se amigo" (p. 649).E as obras se fazem necessárias depois da justificação:"ninguém deve se contentar apenas com a sua fé" (p.651). A graça divina e o esforço humano devem operarem conjunto; a fé e as obras devem oferecer a suacontribuição. Essa declaração finalmente completavaa separação de protestantes e católicos da herança teol.Ógicamedieval compartilhada, e criava uma nova ortodoxiadoutrinária católica. Os resultados dos últimosdebates do Concílio, referentes aos sacramentos, aopurgatório, à oração aos santos, às imagens e às indulgências,foram publicados entre março de 1547 enovembro de 1563 e simplesmente confirmaram as implicaçõesdessas primeiras decisões.- Este longo exame das discussões levadas a cabo·em Trento poderia fazer-nos supor que todo o debateintelectual dentro da Igreja teve fim com o encerramentodo Concílio. Mas os prelados de Trento deixarammuitos pontos pendentes. Na verdade, suas declaraçõesforam cuidadosamente elaboradas a fim deevitar a condenação de qualquer pessoa que ainda não.houvesse aderido aos ensinamentos protestantes; co-)mo resultado disso, observou Hubert Jedin, "em todosos casos dúbios, as opiniões teológicas previamenteprofessadas [poderiam] continuar a ser observadas",(Jedin, 1961, p. 309). E os debates certamente prosseguiramcom o mesmo vigor depois de 1563: a IgrejaCatólica não era o deserto intelectual sugerido por críticoscontemporâneos como John Milton. A tradicionalrotina de cáusticas discussões acadêmicas foi retomadaapós o Concílio, em sua maior parte sem o ris-13

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