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CONTRA-REFORMA - Martinsvianna.net

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......,..L'() dl' heresia. Contudo, duas controvérsias de grandeimport ância puseram em risco o catolicismo surgidoelo Concílio, normalmente conhecido como catolicismotridentino: a primeira referia-se ao jansenismo; asegunda, às ciências naturais.O termo jansenismo derivaç!o nome de CornélioJansen (1585-1638), bispo de Ypres, nos Países Bai--.xos, durante o século XVII. Jansen dedicou os dez últimosanos de sua vida à formulação de um tratadointitulado Augustinus, publicado em Louvain em 1640,dois anos após sua morte. Mas o debate já se iniciaraantes do seu nascimento. O Concílio havia confirmadoo papel tanto da fé como das obras para anular asteorias protestantes sobre a justificação e a santificação;contudo, não se pronunciara detalhadamente sobreanatureza da relação entre o livre-arbítrio e a graça.Em 1567, as opiniões de um professor universitárioflamengo chamado Michel Baius (15]3-1589) foramcondenadas pelo papado; alegou-se que Baius eu:sinavaque o homem não pode realizar boas obras a~r.:ªvésdo uso do livre-arbítrio se não contar com a graça.Baius estivera presente no Concílio e alegou em suadefesa que seus escritos na verdade não contradiziam,_as declarações de Trento. Cerca de vinte anos depois,suas teorias foram novamente atacadas pelo jesuíta espanholLuis de Molina (1535-1600), na obra Concordialiberi arbitrii cum gratiae donis, datada de ] 588.Molina tentou cuidadosamente contrabalançar o livrearbítriocom a graça, ao sugerir que Deus concede suagraça apenas aos que Ele sabe que optarão livrementepor aceitá-Ia. Não estava claro até que ponto Baius ouMolina haviam se afastado dos ensinamentos de Trento;assim, estabeleceu-se em Roma uma congregaçãoespecial que discutiu o problema mais detalhadamente,entre 1597 e 1606, sem contudo chegar a uma conclusão.Tudo isso aconteceu bem antes da publicaçãodo A ugustinus, e alguns dos envolvidos na controvérsia1404.)'.'') ,Ijansenista já estavam sob suspeita antes de 1640. Em1633, por exemplo, foi feita uma acusação de heresiacontra as freiras do convento parisiense de Port-Royal,que mais tarde se converteu em um célebre centro jansenista.O teor dos ensinamentos de J ansen sempre foi mo- itivo de controvérsias, e o Augustinus não é um livro .de leitura fácil. Em sua essência, porém, parece reduziro papel do livre-arbítrio humano através da argumentaçãode que Deus não concede a graça a todosos seres humanos; portanto, é Deus quem determinaque indivíduos terão a oportunidade de cooperar comEle e, portanto, de experimentar a justificação. Obviamente,essa teoria fazia eco à tendência religiosa dofinal- da Idade Média que atribuía a Deus a iniciativan9 relacionamento com o homem. Ela também pareciaincentivar o desejo de renúncia às atividades mUI1- ,danas em favor da contemplação: o diretor espiritual'de Port-Royal, Jean Duvergier de Hauranne, abade deSaint-Cyran, acreditava que "Deus reduziu toda a religiãoa uma adoração simples e interior, centrada noespírito e na verdade" (Duvergier, 1962, p. 298). Muitosdos chamados "jansenistas" realmente se afastavamdo mundo, criticando clérigos como o Cardeal deRichelieu, envolvido com as sórdidas exigências do governoe da diplomacia. Isso não significava que rejeiiassema instituição da Igreja: pelo contrário, tinhamuma visão muito elevada da importância dos sacramentos.Os jansenistas insistiam que somente a contriçãobaseada no arrependimento, e não no temor da punição,era digna do confessionário; e mostravam-se hostisà prática da comunhão freqüente, pois acreditavam quecada ocasião requer uma preparação extensa e cuidadosa.Seus padrões morais estavam de acordo com essasinflexíveis exigências devocionais, Eles viam a simesmos como uma elite espiritual e condenavam seusoponentes, que consideravam uma súcia de pecadores:15

~~ .----------------Saint-Cyran afirmava que "mesmo entre os cristãos,apenas um número muito pequeno é salvo após a morte"(Sedgwick , 1977, p. 196). Talvez não seja de surpreenderque o jansenismo, pelo menos no séculoXVII, geralmente atraísse os que tinham condições dese isolar do mundo para evitar o risco de comprometerseus padrões com os imperativos da vida em sociedade.Uma ênfase similar na iniciativa de Deus e na necessidadede isolamento do mundo também pode serpercebida nos escritos dos místicos católicos. A Subidaao Monte Carmelo, escrita entre 1578 e 1584 pelocarmelita espanhol João da Cruz (1542-1591), foi colocadasob suspeita em 1618 por causa dos seus ensinamentossobre a passividade das faculdades humanas;os textos de João da Cruz foram novamente investigadosno final do século XVII, bem corno no séculoseguinte, sob a acusação de quictismo, doutrina(condenada pelo papa Inocência XI em 1687) que advogavao completo abandono à vontade de Deus comomaneira de se chegar à perfeição. Levada às últimasconseqüências, essa tendência à depreciação doesforço humano poderia conduzir ao repúdio de todaa atividade mundana, ao desprezo da ação como distraçãoincompatível com a vida contemplativa. No iníciodo século XVII, esse desejo de se livrar do mundomanifestou-se ocasionalmente até mesmo entre os iesuítas.Mas tais objetivos eram obviamente impraticáveispara a maioria dos cristãos, que tinham de ganharavida e sustentar a família. Francisco de Sales (1567-1622), bispo de Genebra, muito antes do aparecimentodo Augustinus, já havia criticado essas tendênciasdos jansenistas e místicos. Na Introduction à/a vie dévote,publicada pela primeira vez em Lião em 1608,Francisco reconhecia o valor da vida mundana: seriaridículo, argumentava ele, se todos os maridos fossemAo,pobres como um capuchinho , ou se todos os artesãospassassem o dia inteiro na igreja. "É um erro, c atémesmo uma heresia, desejar impedir o acesso à vidadevota aos soldados, aos artesãos, aos príncipes e àsfamílias" (Francisco, 1609, p. 16). Alguns anos maistarde Francisco de Sales desenvolveu o mesmo temano Traité de l'amour de Dieu: "Os corações piedosos,quando se dedicam às suas necessidades exteriores, nãoamam menos o amor divino que quando se dedicamà oração. Seu silêncio, sua fala, suas ações, sua contemplação,suas labutas e seus repousos, tudo isso entoaigualmente o Hino de seu Amor" (Francisco, 1617,p. 727). Uma opinião semelhante orientava o pensamentodos mais ferrenhos opositores dos jansenistas,ou seja, os defensores do sistema teológico moral conhecidocomo probabilismo, que tentavam tornar o desenvolvimentoreligioso possível e atraente para os leigosinsistindo apenas, e não com demasiada freqüência,nos padrões mais flexíveis da devoção e do comportamento.Os probabilistas rejeitavam a pressuposiçãojansenista de que apenas a vida perfeita é aceitávelaos olhos de Deus: eles temiam que a insistêncianesse ideal viesse a destruir a devoção e solapar o esforçomoral dos fiéis que viviam em circunstâncias quetornavam possível a vida contemplativa.O jansenismo, portanto, fazia parte de um debatemuito mais amplo dentro da Igreja tridentina, e foipor isso que provocou uma controvérsia tão acalorada.A ironia é que os jansenistas, que reduziram o pa-., pel do esforço humano na teoria, exigiam os mais elevadospadrões de devoção na prática; por outro lado,seus oponentes, que maximizavam o esforço na teoria,estavam preparados para transigir e conciliar seus.padrões com as necessidades práticas. Em certo sentido,a controvérsia era quanto à natureza de Deus; Eleé um Deus de Justiça ou um Deus de Misericórdia?16 17

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