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maio 2013 - Câmara Municipal de Cascais

maio 2013 - Câmara Municipal de Cascais

14CASCAISDESTAQUEEDUCAÇÃOAMBIENTE DESPORTO CULTURA AGENDADESTAQUEHANS ROSLINGMédico, académico e conferencista,Hans Rosling é professorno Instituto Karolinska.Enquanto co-fundador e presidenteda Fundação Gapminder,desenvolveu o Trendalizer Software,tornando-se mundialmentefamoso devido à utilização dedados estatísticos animados.Em 2009, foi considerado pelaForeign Policy um dos 100principais pensadores mundiaise em 2012, pela revista TIME,uma das 100 pessoas maisinfluentes do mundo. Fomosfalar, em português, com estesueco genial.Qual a pertinência de recorrer aexemplos simples para explicarrelações que poderiam parecercomplicadas, como economia ecrescimento demográfico?Quando usamos gráficos naescola ou na universidade, muitaspessoas não gostam, pensam:“Eles acham que eu compreendo,mas não estou a perceber nada”.Por isso é melhor explicar acoisas como fazemos na vida real.Se formos discutir como vamosconstruir uma garagem em casa,não fazemos powerpoints. Vamospara o local e discutimos onde sevai construir. Temos que fazer ascoisas como se fosse em nossacasa ou escritório. As criançasfuncionam assim.Se tivesse de explicar a situaçãoatual de Portugal com recurso aesses exemplos simples, comofaria?Para explicar teria, primeiro, quecompreender, e confesso que todaa situação da Europa Ocidental édifícil de compreender. Nuncavimos isto antes. Houve umaaltura em que as fábricas quefaziam roupa na Suécia vierampara Portugal. Depois foramde Portugal para a Ásia. Osindustriais que faziam naviossaíram da Suécia para Portugal,e depois de Portugal foram paraa Coreia. Hoje em dia todossão capazes de criar produtosindustriais. Por sua vez, outrosserviços, como as atividadescriativas, dificilmente trazem omesmo crescimento económico.Ou seja, acho que não seremoscapazes de atingir crescimentosde 5 ou 6%, mas também nãopodemos viver dos empréstimosde outros países. A China, aArábia Saudita, a Indonésia, oMéxico e o Brasil emprestaramdinheiro aos EUA nos últimosanos. São os países menos ricosque emprestam dinheiro aosmais ricos.Então como Portugal poderiaultrapassar este momento?Angola está a ajudar muito.Esta é uma nova relação, e alíngua está a unir os países. Omais importante para o futurode Portugal é o facto de Angolae o Brasil falarem português: éuma colaboração criativa ondecada país entra com as suascapacidades. LC“A línguaportuguesa estáa unir os países”SANJIT “BUNKER” ROYA Barefoot College - “faculdadedos pés descalços” - é umaacademia para pessoas iliteratas,que ganham menos de 1 dólar pordia. Foi criada na Índia por Sanjit“Bunker” Roy e já mudou a vidade milhares de pessoas: atravésdeste programa, foi possívelinstalar energia solar em maisde 36 mil casas de 1024 vilas depaíses africanos e asiáticos. Aparticularidade: foram avós semqualquer tipo de conhecimentosem engenharia que fizeramessas instalações. Estivemos àconversa com “Bunker” Roy paratentar perceber como funcionaeste modelo, e descobrimos queparte do sucesso está em apostarnos mais velhos.Porquê Barefoot College?Simbolicamente, muitos homense mulheres andam descalçosna Índia. Isso simbolizaconhecimento e capacidadestradicionais, mas que muitasvezes não são respeitadas.É uma faculdade porque éum local de aprendizagem e“desaprendizagem”. É umafaculdade onde o professor éo aluno e o aluno é o professor.É uma faculdade diferenteporque não oferecemos qualquercertificado ou diploma. É acomunidade que deve certificaro que se aprendeu. Eu acho queé esta abordagem que torna aBarefoot College única.Acha que é possível trazeressa abordagem para os paísesocidentais?Não, porque estão muito presosàs qualificações, apesar de estasesconderem, muitas vezes,incompetência. Mesmo depoisde qualificadas, há pessoasdesempregadas em muitaspartes do mundo. Acho que omodelo barefoot é muito maisnecessário nos países do Terceiroe Quarto Mundos, já que esteslocais estão a ser destruídospelos investimentos ocidentais.O modelo barefoot demonstraque é possível mudar atravésde recursos mais baratos, maiseficientes e mais transparentes.O Barefoot College investe eacredita fortemente nos idosos.Qual é o potencial destaspessoas?Os idosos são a trave mestra deuma sociedade. Se for a aldeias emqualquer lado do mundo, são osmuito velhos ou os muitos novosque lá estão. O nível intermédiodesapareceu para ir à procura detrabalho. Por isso aposto neles,nos idosos, porque sei que assuas competências ficam lá e sãotransferidas. Tornam-se exemplosperfeitos para as pessoas. Averdade é que nunca pensamosque uma avó possa tornar-se umexemplo numa aldeia, parece-nosimpossível. Pelo menos na Índiaou em África podemos mostrarque isso é possível.Se em Portugal quiséssemosaplicar um dos princípios doBarefoot College, deveria seratravés da aposta nos maisvelhos? Seria uma maneira demudar as coisas?Claro, devem começar pelascoisas mais simples. Mas sejamconsistentes. Não desistamapenas porque falham uma vez.Tendemos a desistir depressa.Quanto mais longe chegamosnas nossas qualificações, menoscoragem temos para tentar coisasnovas, porque ninguém gosta demostrar que falhou. LC“Não desistamapenas porquefalham uma vez”

QUINTA-FEIRA, 23 MAIO 2013 15DESTAQUECHRISTOPHER PISSARIDESCipriota de 65 anos, académicode excelência com carreira naLondon School of Economics,foi Prémio Nobel de Economiaem 2010. Esteve em Cascaisonde abordou uma das questõesmacroeconómicas em que éespecialista, o “Crescimentoe emprego”, com uma adendaespecial: “Uma agenda para aEuropa”.Integrar a União Europeia foiuma boa opção para o Chipre?Foi. A União Europeia tem muitopara oferecer, quer ao nível dobenefício para os seus membroscomo um todo, quer tambémao nível do posicionamento dobloco na economia mundial, ondeganha dimensão. O comérciolivre ajudou-nos muito. Masagora faz falta sentarmo-nos ediscutirmos sobre o que faltapara fazer do Euro uma melhormoeda; para lhe dar mais força;criar instituições para a próximafase de desenvolvimento damoeda e restaurar a confiança noprojeto Europeu como um todo.Foi isto que perdemos no Chipre:a confiança nos líderes europeusenquanto tal.Esta crise é uma oportunidadepara que o Norte e o Sul deChipre se reconciliem?Seguramente vai ajudar. Nãodigo que a crise seja boa, masnesse sentido ajuda. Um dos subprodutosdesta má situação podeser a reaproximação do nortee sul da ilha, sendo que temosde ter presente que as últimasnegociações falharam devido aogrande fosso entre os dois lados.Há muito trabalho a fazer e aTurquia desempenha um papelfundamental nisso.Sente-se otimista?Sou otimista por natureza e gostode ver o lado positivo em tudo,mas infelizmente a difícil situaçãopolítica no Chipre tem duradotantos anos que até um otimistadirá que é preciso muito trabalho.Vamos tentar.Tendo em conta as dificuldadespor que muitos países estão aatravessar, diria que a Europaestá prestes a entrar numa novaera de pobreza?Não diria tanto. A Europa perdeualgum do seu crescimento masisso era inevitável dado queparte deste crescimento nãotinha uma base sustentável.Precisamos repensar as nossasestruturas económicas. O maisimportante na Europa é o nossocapital humano. Por isso só há umcaminho a seguir se quisermos:em frente!As Conferências do Estoril estãobem posicionadas nos fórunsde debate internacionais ou háainda muito para aprender?Claro que podemos sempremelhorar porque se pensarmosque não podemos melhorar sópodemos piorar! As CE estãobem posicionadas no circuito deconferências e esta é uma boaépoca do ano. Acontecem numpaís do sul da Europa o que,dadas as atuais circunstâncias, ébom porque nos ajudam a focarnos problemas. Temos de vir aquipara discutir os problemas porquetemos de os ter à nossa volta.“Na Europasó há umcaminho aseguir: emfrente!”Como avalia o facto de estasconferências serem organizadaspor uma Câmara Municipal?É bom porque temos acessoà comunidade e sentimo-nosparte dela. Eu senti-me. Opresidente e o vice-presidenteda Câmara estiveram aqui e foipossível visitar Cascais e os seusequipamentos. Gostei realmentedo envolvimento da comunidade.Vai regressar a Cascais?Espero bem que sim. É um lugarmuito agradável para passarférias. FHESTELA BARBOTJá foi conselheira do FMI econhece como poucos o plano deresgate a Portugal. De regressoà vida de empresária no sectorprivado, a portuense EstelaBarbot é acérrima defensorado Euro e de uma Europa unidae com dimensão. E acreditaque os sacrifícios impostos aosportugueses valem a pena.O que é que fizemos assim detão errado para chegarmosonde chegámos?Infelizmente, por mais que noscuste, temos de fazer reformasestruturais para conseguirmosseguir em frente. São reformasmuito penosas. Preocupa--me que muitas vezes esteja ojusto a pagar pelo pecador. Seformos ver o último relatóriode competitividade, entre144 países, Portugal está no49.º lugar no plano geral eestá muito bem colocado, porexemplo, em infraestruturas(11.º) e ao nível do ensino, dosjovens com ensino superior.Mas depois, no que realmenteinteressa para o investimentoe crescimento, estamos muitoabaixo dos 100. Por exemplo,no ambiente macroeconómicoe no sistema bancário. A nossaquestão resulta da maneiracomo aplicámos os fundos querecebemos… e que não fizemoscomo deveríamos ter feito noaumento da competitividade eno investimento no sector dosbens transacionáveis.Com tanta austeridade odesemprego tem disparado.Para quando podemos estimaro regresso do crescimentoeconómico?Espero que estejamos quase a dara volta. A austeridade é demais.É uma palavra que já não apeteceouvir. Mas temos de continuar acriar condições para dar a volta.Neste período em que é precisocortar mais de seis mil milhõesde euros até 2017, onde é queesses cortes podem ser feitos?É muito difícil fazer isso porquetodos os cortes têm repercussões.Mas, como dizia Ghandi, quantomais tempo demorarmos ainiciar esse processo mais tardelá chegamos. Vejamos o exemploda Irlanda que está quase aconseguir ir ao mercado. Temosde pensar no copo meio cheio.Que luz podemos ter ao fundo dotúnel para contrariar a espiralrecessiva?Se pensarmos qual é ocrescimento mundial nestemomento, não é com bomgrado que vemos que a Europae o Japão (por ouras razões)são os blocos mundiais com aprevisão de menor crescimento.Repare: o crescimento mundialfoi previsto para 2013 parapouco mais de 3% por cento epara 2014 anda na ordem dos4% e tem muito mais a ver comos BRIC’s (Brasil, Rússia, Índiae China) enquanto economiasemergentes. É assustador, mas éuma lição para a Europa: no seuprojeto de globalização é precisodimensão, é preciso acertarvetores comuns de interesse atodos os países. Pensar no bemcomum é uma coisa que se fazpouco. FH“A austeridade édemais. Já nemapetece ouvir.”

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