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o Artigo em PDF - SPECO - Universidade de Lisboa

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Ecologi@ 4: 31-42 (2012)

Ecologi@ 4: 31-42 (2012) Artigos de Revisão1. IntroduçãoAs florestas no século XII eram dominadaspor plantas da família das Fagaceae comopor exemplo algumas espécies dosgéneros Quercus spp, Castanea spp, paraalém de espécies do género Pinus spp.ocorrendo ainda elementos da antigaLaurisilva que dominou a paisagemdurante o clima tropical, sub-tropical noMiocénico e do Pliocénico superior.Evidências dessa flora, estão bemdocumentadas no nosso país (Pais, 1986;1987; 1989; Vieira, 2009). Em Portugal,florestas de Lauráceas luxuriosas aindaocorrem na Ilha da Madeira tendo sidoclassificadas em 1999 pela UNESCO, comoPatrimónio Mundial Natural (World NaturalHeritage).Desde o início do Pliocénico superior até àfundação do estado (século XII) muitosacontecimentos moldaram a evolução daflora no continente em especial a descidade humidade e de temperatura e ainstalação do regime mediterrânico bemcomo diversas glaciações das quais, a deWürm é a melhor conhecida.Nos séculos XII e XIII as terraspertenciam ao Rei e por doação à nobrezae ordens religiosas, algo comum naEuropa da época. Durante o decorrer daIdade Média, os reis foram perdendoprogressivamente o controlo exclusivo dassuas florestas em favor dos nobres, daigreja, dos mosteiros e posteriormentedas comunidades locais e comunas(Wickham, 1990). No nosso caso, éinteressante salientar que o rei D. Dinis sópela Concordata de 1290 terminou asdisputas que mantinha com a Santa Sédevido à usurpação de terras pelo Clero. Aeconomia medieval foi, em grande parte,de subsistência e a riqueza, medida emterras para cultivo e pastoreio estavarestringida ao clero e à nobreza.Durante a Idade Moderna (meados séculoXV (1) XVI e XVII) particularmente nasáreas planas da Europa assistiu-se a umprogressivo aumento da economia agrícolaatravés da diminuição da área nãocultivada e da redução da área florestal ede pântanos (Paletto et al., 2008).Semelhanças com o que se passounalgumas áreas do país são bemevidentes na descrição de Magalhães(1970): “A pressão da procura alimentarleva ao alargamento do cultivo para terrasmarginais. Em finais do século XV nota-setambém um avanço para pauis que seprocuram drenar, secar e aproveitar”. Adesflorestação, pela necessidade dealargar a área de terras cultivadas paraalimentar mais gente, aumentava aerosão.A política de expansão marítima que seacentuou no século XV e se prolongoupelo século XVI fez florescer a construçãonaval ao longo do litoral Português comconsequências desastrosas a nível daarborização e em última análise, nopróprio comércio marítimo. Por exemplo, ouso de madeiras verdes e a multiplicaçãode juntas nas naus fez com que a duraçãodos navios da Rota do Cabo fossedrasticamente reduzida de uma média deoito anos para uma média de dois, trêsanos (Costa, 1997).O fim da Idade Moderna coincide com oinício da Revolução Industrial; a procurade matérias-primas aumentousubstancialmente, em particular demadeira, de carvão e do ferro. EmPortugal, o desenvolvimento dos vinhos daMadeira e do Porto estimulou aimportação de madeira de aduelas para ostonéis e para a marcenaria que foram osgrandes responsáveis pelo deficitacumulado no comércio de madeira(Tabela 1) entre 1870 e 1929 (DHP,1992d). Dada a vocação Atlântica, aconstrução naval continuou a efectuar-sesendo os estaleiros da região norte osgrandes impulsionadores da actividadeentre 1860-1865. Lisboa aparece emterceiro lugar em termos de m3produzidos após Vila do Conde e Porto(Amândio, 1998). Por outro lado,aumentou substancialmente a áreacultivada e a área florestal entre 1867 e1902 (Lains, 1995) a que não deve seralheio a explosão demográfica entretantoocorrida (ver Tabela 2). As velhasflorestas da Europa há muito haviamdeixado de existir precisamente devido aodesenvolvimento industrial, à demografia,à construção civil e naval. O que existehoje, são monoculturas para alimentar oconsumo desenfreado, que aumentaram13 M ha nos últimos quinze anos, ou sejao equivalente à superfície da Grécia(MCPFE, 2007). Por outro lado, seexcluirmos a Federação Russa apenas 5%das florestas europeias são naturais o quesignifica que as restantes têm sidoclaramente influenciadas pelo homem.ISSN: 1647-2829 32

Ecologi@ 4: 31-42 (2012) Artigos de RevisãoTabela 1. Importação ou exportação de madeira bruta ou trabalhada.ImportaçõesExportaçõesValores declarados em escudos1870-79 805 420 200 0501880-89 1084 930 161 1301890-99 1326 820 258 4101900-09 1843 446 816 8871910-19 2325 857 1347 5391920-29 29 340 095 13 603 564Fonte: DHP (1992d)Tabela 2. Evolução demográfica de Portugal Continental.AnoPopulação1527 1,100 000 – 1,400 0001636 1,100 0001732 2,143 3681768 2,408 6981801 2,931 9301821 3,026 4501835 3,061 6841838 3,224 4741841 3,396 9721854 3,499 1211858 3,584 6771861 3,693 3621864 3,829 6181878 4,160 3151890 4,660 0951900 5,016 2671911 5,547 7081920 5,621 977Fonte: DHP (1992b)ISSN: 1647-2829 33

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