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independentemente das

independentemente das diferenças sociais que caracterizam os grupos. Os autores sustentama hipótese de que existe um efeito significativo da filiação religiosa na definição do voto,constituindo numa das principais motivações para as escolhas políticas de seus adeptos. Asconclusões a que chegaram estiveram baseadas nas intenções de voto para a presidência daRepública no pleito de 1994.Machado, similarmente, sugere que a identidade religiosa cumpre função tão ou maisdeterminante que as identidades partidárias. Os êxitos nas disputas eleitorais atestam essaevidência; a isso se deve atribuir a alta competitividade e a grande capacidade das diferentesdenominações religiosas de transformar “capital religioso” em capital político. SegundoMachado, “esse sucesso nas disputas eleitorais é resultado, entre outras coisas, de um rápidoprocesso de formação de lideranças e uma intensa socialização dos fiéis, e expressa, semdúvida, uma revisão na concepção de política e de cidadania de parte dos grupospentecostais” (MACHADO, 2006, p. 22). Esses fatores permitiram que o evangelismo(particularmente o de viés pentecostal) adquirisse uma plasticidade e uma dinâmica quecontrastavam com a rigidez moral e o alheamento político vigentes até o final de década de70.As mudanças mencionadas acima resultam no aparecimento de um novo tipo depolítico evangélico. Campos (2006), buscando identificar essa transformação, contrapõeesses dois momentos apresentando dois tipos de políticos protestantes no Brasil: os políticosevangélicos e os políticos de Cristo. O primeiro, personificado nos protestantes pioneiros napolítica brasileira, é representado por aqueles que se identificam com a igreja de origem,mas que foram eleitos, principalmente, por eleitores cujas motivações não eramnecessariamente religiosas. Para esse caso, o principal mecanismo de afirmação política estána transformação do capital econômico em capital político, não recorrendo apenas ao apeloreligioso. Os políticos de Cristo, por sua vez, seriam aqueles que têm sua carreira vinculadaà igreja de onde são oriundos, de tal modo que a função pública que ocupam é determinadapelas orientações da denominação religiosa a que dizem representar. Para esse caso, o graude autonomia do candidato eleito é eminentemente reduzido, ficando circunscrito àsdemandas da estrutura eclesiástica. Estes seriam os candidatos “oficiais” das Igrejas.Grande parte dos evangélicos que hoje ocupam uma cadeira na Câmara Federal e emoutras instâncias legislativas do país pertence a esta última categoria. O exemplo maisparadigmático desse tipo está nos políticos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).Segundo Oro (2003), a IURD é responsável por um “efeito mimético” no campo religiosoevangélico, isto é, suas práticas políticas se tornaram o modelo a ser imitado por outrasigrejas evangélicas na busca do mesmo sucesso alcançado na conquista de cargos eletivosem todo o país. Suas práticas políticas exibem os traços mais importantes do evangelismopolítico brasileiro, a saber: o carisma, o corporativismo, a candidatura oficial e o uso doscultos e da mídia para promover seus candidatos, além das características peculiaresapontadas por Oro, tais como a existência de um conselho político - que teve no BispoCarlos Rodrigues seu principal dirigente e idealizador -, através do qual se delibera sobrequais e quantos serão os candidatos para cada cargo, levando-se em conta o potencial

eleitoral que dispõem, representado pelo número de fiéis habilitados a votar 6 . Oro (2003)chama ainda atenção para o fato da IURD apresentar um carisma institucional dotado demaior influência nas práticas políticas que as qualidades individuais de seus candidatos.A leitura de Simone Bohn (2007) assemelha-se com a desses autores por constatar aimportância da filiação religiosa na definição do voto dos evangélicos. A autora, no entanto,pondera sua análise destacando que a clivagem religiosa no comportamento eleitoral variaconforme o contexto político peculiar a cada pleito, pouco ou nada se relacionando com aspreferências partidárias e/ou candidaturas específicas. No caso, o que exerceria papelprimordial na capacidade de mobilizar a filiação religiosa como variável interveniente seriaa presença ou ausência de candidatos publicamente identificados como pertencentes aoevangelismo, como pôde ser verificado nas eleições presidenciais de 2002, tendo AnthonyGarotinho como o “candidato dos evangélicos”. Trata-se, portanto, de atribuir ao eleitoradoevangélico o status de identidade religiosa que eventualmente é despertada pelo contextopolítico, ao contrário do que se poderia verificar no comportamento eleitoral de grupos deinteresses com plataformas de ação claramente definidas (BOHN, 2007). Para a sua análise,a autora fez uso dos dados para os pleitos presidenciais de 2002 e 2006, o que se configuracomo uma limitação na medida em que a lógica eleitoral de eleições proporcionais ébastante diferente dessa trabalhada pela autora. Uma identificação mais robusta da relaçãonecessitaria de estudos que incluíssem as escolhas de eleitores evangélicos também emeleições legislativas.Partindo de premissas diferentes do que foi apresentado agora, Leandro PiquetCarneiro (1998) argumenta a favor de uma análise do comportamento político dosevangélicos que leve em conta a variável contexto denominacional, isto é, considerando (i)o processo de socialização política dos indivíduos e (ii) a produção de efeitos ambientaisdecorrentes do tipo de estrutura eclesial da igreja. O seu modelo parte da constatação de queas diferentes denominações apresentam tipos distintos de organização eclesial 7 , o queimplicaria em diferenças quanto à capacidade do apelo religioso intervir no comportamentopolítico dos evangélicos. Para classificar os efeitos contextuais, o autor lança mão de umaadaptação da análise de Fernandes (1994), que tem por base as seguintes dimensões: (i) ograu de autonomia das igrejas locais 8 e (ii) a centralidade do carisma na vida da igreja 96 Freston (1999) aponta a IURD como a principal representante dessa nova política evangélica no Brasil. Parao autor, a IURD polarizara o campo evangélico e assusta pelo tamanho que adquiriu rapidamente. Em apenas30 anos de existência, a Universal aglomera cerca de 15 milhões de fiéis espalhados por mais de 40 países, édona de uma das maiores redes de televisão do país (Tv Record) e tem um poder financeiro muito superioràquele apresentado por outras igrejas.7 De acordo com Carneiro, “em algumas igrejas, os fiéis participam ativamente da escolha do pastor, decidemsobre as finanças da igreja e participam de associações de vários tipos (jovens, mulheres, casais, etc.), emoutras, o carisma e a vontade da liderança é o principal elemento organizador das relações no espaço eclesial,substituindo o apelo à participação e à tradição” (CARNEIRO 1998, p.182).8 Trata-se do “tipo de relação que a comunidade eclesial local mantém com organizações nacionais einternacionais”. Existiriam comunidades religiosas locais mais autônomas, mas também comunidadesdiretamente sujeitas ao controle da organização central (regional, nacional e/ou internacional). Existiriamainda as comunidades que, embora mantenham certa sujeição às instâncias superiores, apresentam elevadograu de autonomia para definirem os rumos da própria igreja.9 Trata-se de uma forma peculiar de poder: a autoridade não está baseada na tradição ou na racionalidade legal,mas antes na capacidade extraordinária conferida por dons excepcionais a certos agentes da igreja.

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