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O Dinossauro - Ordem Livre

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131desenvolvimento

131desenvolvimento industrial requer a repressão do sentimento, o esclerosamento da simpatia,a preocupação com as Coisas materiais em detrimento das Pessoas, e a atenção aos Fatosobjetivos em detrimento das reações emocionais que esses fatos possam provocar. OHomem cordial não coincide com o Homo economicus. Nem costuma o Homo ludens levara sério as regras draconianas de trabalho e os fatos agrestes que exigem a administraçãoeficiente de uma nação economicamente poderosa. Há uma contradição abissal entre ohomem de pensamento racional e o homem cordial, o homem "de coração", o homemafetivo que Bernanos chamava o "homem da amizade".Em outras palavras: a Grande Família patriarcal estaria condenada a perecer noprocesso de desenvolvimento, se não for encontrada uma solução conciliatória. Seria este,no meu entender, um dos motivos secretos em virtude dos quais o clero brasileiro, querdefendendo reacionariamente os interesses tradicionais da sociedade patriarcal condenada,quer promovendo revolucionariamente ideias socialistas, ditas "avançadas" e"progressistas", estaria, na realidade, em oposição de princípio à racionalização, implícitaem qualquer modelo econômico neocapitalista, tão radicalmente refratário a qualquersentimento. A Igreja sente, instintivamente, que o problema consiste em saber até que pontonossa fé será afetada pelo desenvolvimento ou poderá, por sua vez, afetar odesenvolvimento, no sentido de sua humanização. Isso quer dizer que, na realidade, a Igrejanão está fazendo opção preferencial pelos pobres. Está fazendo opção pela pobreza. Nãodeseja que os pobres enriqueçam, pois o enriquecimento geral determinará a redução de seuprestígio e poder. A apostasia. Que o problema não é insignificante, a prova a podemoscolher no triste fato de que tantos padres e até mesmo bispos e cardeais se tenhamdesgarrado para o marxismo. Do mesmo modo, podemos propor a tese de que o poderadquirido pelos militares nos últimos vinte anos se prende à crença dos mesmos de haveremconstituído o único segmento da sociedade que possui virtudes de organização, disciplina eracionalidade, suscetíveis de permitir a condução do desenvolvimento através do Estado.O que está ocorrendo no mundo é que o espírito profissional e racional daeconomia de mercado tornou-se parte integrante do conjunto de atitudes e da própriamentalidade da civilização ocidental. As virtudes calvinistas tornaram-se as virtudes doOcidente do mesmo modo como os trajes masculinos sóbrios e escuros, calça, jaquetão,gravata e colete, a barba raspada e o cabelo cortado, introduzidos pelos puritanos ingleses(os round-heads) no século XVII, são ainda os que usamos em nossas atividadesprofissionais. Tais virtudes são as virtudes "modernas". Elas valorizam o trabalho.Retribuem a eficiência, a performance e a organização profissional de equipe (a empresa).

132São aquelas virtudes também que, curiosamente, invadem a outros títulos todo o mundonão-europeu que, consciente ou inconscientemente, lhe procura imitar o modelo.O nosso desafio é precisamente o de conciliar as exigências do desenvolvimentoem termos racionais (a Entzauberung der Welt), conforme as leis draconianas da economiamoderna, com o mínimo de abandono dos lados aprazíveis, mais cordiais, mais calorosos esimpáticos de nossa forma de viver. Conciliar, em suma, a atividade da Avenida Paulistacom o lazer da praia do Pepino... Se acreditamos que, por uma lei fatal de psicologia, tudoque na consciência se alevanta, de modo unilateral, alto demais ou exclusivo, é compensadopela mobilização inconsciente (na Sombra) de conteúdos de natureza antitética, inferiores etraiçoeiros; e se sabemos que, historicamente, tal fenômeno se registrou na Europa após aidade da Razão, então não ficaremos surpreendidos com as contradições de nossa situação.Trata-se de um desafio monstruoso — e não estou absolutamente seguro que o saibamosenfrentar.Como Descartes, devemos começar duvidando (de omnibus dubitandum).Duvidando de nossa vocação desenvolvimentista e de nossa capacidade de organização einstitucionalização política. Como Bacon, devemos também derrubar os ídolos, no início denossa tarefa. É a partir de um saudável e construtivo ceticismo analítico que podemos partirpara a aceitação de nossas transformações; para a consolidação do planejamento serenocomo método administrativo (sem prejuízo da iniciativa privada); para a criação de umaverdadeira ciência política — ciência que, talvez de todas, seja aquela de que maiscareçamos; e para a redução do poder do Estado num regime de verdadeiro liberalismoconservador.Descartes acreditava que l'âme pense toujours...Hélàs! Lançou a psicologiamoderna dúvidas atrozes sobre esse triunfante asserto da Razão, ao descobrir asconfigurações sombrias e abissais da alma humana cuja liberdade de raciocínio é, afinal,muito aleatória. A filosofia existencial estremeceu ainda mais fortemente a correlação eharmonia necessárias, propostas pelo cartesianismo, entre a Razão, como sistema de ideiasclaras e definidas, e o Mundo, como totalidade dos seres criados. Essa correlação só éadmissível se levarmos em consideração os mistérios insondáveis e os transcendentesdesígnios de Deus.Na realidade, há muita gente que não pensa, gente que pensa raramente. Ou genteque pensa de maneira defeituosa. A política é o terreno eminente das paixões, dos mitos edo carisma quando pouco se pensa. É o reino maravilhoso do irracional, do emocional e doimprevisto. Nela não se pensa, senão na oportunidade. Nela a força atuante é a dos

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