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O Dinossauro - Ordem Livre

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7como uma vaga, os

7como uma vaga, os Estados Unidos e a Europa.Sustentando o ponto de vista de seu compatriota, numa conferência quepronunciou em São Paulo em julho de 85, no auditório da Federação do Comércio, Jean-François Revel referiu-se à "grande reviravolta cultural da década". Segundo o ilustrejornalista e escritor francês foi por volta de 1980-81 que o "estoque" de ideias que se haviaacumulado após a segunda guerra mundial e reforçado na década dos 60 — passou a sercontestado e liquidado. Nossa meditação neste livro gira sobre esse tema.Na realidade, creio que o ano crucial foi o "ano louco" de 1968 — o ano da GrandeRevolução Cultural, dos hippies, do chienlit de Paris, das aberrações de Marcuse, darevolução sexual e das badernas universais de estudantes. Foi esse o momento de apogeu deum fluxo ideológico romântico que, na falta de melhor expressão, qualificaríamos de "NovaEsquerda". O movimento coincidiu com a política de détente em relação à URSS; com adescolonização afro-asiática e a criação do conceito de Terceiro-Mundo, "não-alinhado", afavor do comunismo nacionalista; com o processo de integração racial nos Estados Unidose a catástrofe do Vietnã; e, finalmente, com o aparente triunfo da ideia igualitarista segundoa qual o poder do Estado devia ser identificado com o interesse geral — eis que tudo aquiloque participasse do domínio da iniciativa privada refletiria o egoísmo, a concorrênciaselvagem e a decadência do "capitalismo tardio".Um dos mais curiosos paradoxos do neoliberalismo é, justamente, essa suaconexão com o movimento da Nova Esquerda de 1968 e a Revolução Cultural chinesa.Lembremos que a Revolução Cultural foi desencadeada contra a burocracia do PCC e oestranho paradoxo se descobre no fato de que o burocrata-mor, o mandarim-tipo, o herdeirofiel de Chou Enlai, a vítima milagrosamente sobrevivida da violência dos GuardasVermelhos é Deng Xiaoping, aquele que hoje dirige o processo de modernização da China eencabeça a luta contra o poder excessivo do Estado.Na Europa também muitos dos principais pioneiros do pensamento neoliberal sãoegressos dos événements de maio de 1968. Foram os Nouveaux-Philosophes que primeirodenunciaram os campos de concentração comunistas e retiraram o Marxismo da prateleirados livros de sucesso. É de 1970 o livro de Benoist, Marx est mort... Afinal de contas, atéum dos gurus do Ano Louco foi Marcuse, uma de cujas obras influentes consistiu emdenunciar como burocrático o comunismo soviético. Assim, uma forte dose de destemperoanárquico que caracterizou a Nova Esquerda passou para os libertários dos anos oitenta,tidos hoje como de direita. Mas de qualquer forma, no decorrer da década dos 70,lentamente o pêndulo balançou para o outro lado.

8Os liberais sentem, de certo modo, nos Estados Unidos, na Inglaterra, em França enos demais países avançados da Europa, que o futuro lhes pertence. A esquerda marxista esocialista tornou-se cética, cínica, pessimista. Na França de Mitterrand, podemos assinalarque a vitória da coligação socialista-comunista em 1981, aliás já desfeita, teve a virtude delançar na oposição a chamada "direita", com todo o glamour que a postura oposicionistaadquire nos meios intelectuais franceses. O fato é que o pensamento marxista em Françaesgotou-se, fenômeno perfeitamente simbolizado na cuca doente de um Althusser ou de umLacan. Os Novos Filósofos gozam do atrativo adicional de haverem, na juventude, fumadoo ópio dos intelectuais. Escrevem, por isso, com o fervor paulínico de novos conversos,denunciando os horrores do totalitarismo. Surgiu ao mesmo tempo uma nouvelle-droiteradical e ardente, não sendo de espantar que a reversão das expectativas ideológicas tenhalevado o partido do Front National do Sr. Le Pen a receber mais votos que o PCF.Na Europa ocidental, a virada de 180° foi marcada pela vitória eleitoral de Kohl naAlemanha e de Mrs. Thatcher na Grã-Bretanha. A Dama de Ferro foi aquela que, commaior tenacidade e coragem, se propôs liquidar com o monstruoso edifício do Welfare e dosindicalismo, que havia sido montado desde 1945 e marcou a decadência do Reino Unido.O propósito da grande líder conservadora é reverter essas expectativas — mas a questãoainda permanece em aberto. Em quase todo o resto da Europa Ocidental, inclusive naEscandinávia, Áustria e Países Baixos a tendência é no sentido de superação do socialestatismo,muito embora o liberalismo esquerdizante e populista da linha de Rousseaucontinue, do mesmo modo como nos Estados Unidos, a controlar os pilares doestablishment cultural.O social-estatismo populista mantém-se como alternativa dominante nos países daEuropa meridional, isto é, justamente nos mais atrasados e naqueles que, por mais tempo,foram afetados por ditadores direitistas estatizantes: a Espanha, Portugal e a Grécia.Podemos salientar que, na Espanha, os excessos do estatismo são atribuídos a Franco, o queinduziu o socialista Gonzalez a defender paradoxalmente um regime de mais livreiniciativa. Essa cínica postura "neocapitalista" dos partidos marxistas ou paramarxistas é agrande novidade da década dos 80 — uma novidade com repercussões surpreendentes nãoapenas no Ocidente, mas na Europa oriental (o caso da Hungria) e no Extremo-Oriente. AChina de Deng Xiaoping é o mais clamoroso e mundialmente influente exemplo dodesprestígio em que está caindo o profetismo do velho economista barbudo do século XIX.Resta o problema do pacifismo, da détente e da dezinformatsiya conduzida pelaUnião Soviética. Traço comum das novas tendências liberal-conservadoras é recolocar em

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