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O Dinossauro - Ordem Livre

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211O mal, infelizmente,

211O mal, infelizmente, não é apenas federal. É também estadual e, sobretudo,municipal. Ele está profundamente enraizado nos hábitos do governo e do povo, penetrandopor todos os poros da administração ao nível mais regional e local. No Estado de São Paulo,unidade da federação que é a mais avançada e progressista do país, haveria cerca de800.000 funcionários em fins de 1985, segundo revelou a Secretaria da Fazenda do Estado.Isso representaria 120.000 a mais do que em dezembro de 1982, quando eram pouco maisde 640.000. Foi um crescimento de 18% em 3 anos, ou 6% ao ano — crescimento muitomais rápido que o aumento demográfico e o do produto interno bruto do Estado. A maiorparte das nomeações dos 120.000 teria ocorrido na administração Montoro, mas tambémgrande quantidade no final do governo anterior — explicando-se o exagero por motivaçõesindiscutivelmente eleitoreiras.Os abusos do empreguismo, dos privilégios e da ociosidade parecem ser tantomaiores quanto mais pobre ou atrasado é o estado ou o município. Vejam o caso deAlagoas, que adquiriu uma triste notoriedade. A Assembleia Legislativa alagoana encerrousuas atividades, em 1985, criando 240 cargos de assessores para cada um dos 24 deputados.O diretor da Assembleia, Edvaldo Meira Barbosa, recebe um salário mensal equivalente adez mil dólares, salário do mais bem remunerado executive americano, com a diferença queo diretor brasileiro não paga imposto de renda. O chefe da consultoria jurídica ganhaCz$200.000 mensais. Dessa multidão de assessores (580), pelo menos 400 nãotrabalhavam, por falta de espaço físico. Alguém se espanta com a pobreza de Alagoas?Serão as multinacionais, o capitalismo industrial, a dívida externa ou os bancos estrangeirosresponsáveis pela situação? Não parece claro qual o motivo local do subdesenvolvimento?Qual a justificativa para que um diretor da Sudene, cujo ofício consiste precisamente emtentar subrepujar a miséria e o atraso do Nordeste, ganhe três vezes mais que um ministrode Estado (40 milhões em novembro de 1985) e, inclusive, mais que o próprio presidente daRepública? Em Maceió, a prefeitura está completamente falida (JB, 10-1-86). Aadministração arrecada 10 milhões mensais e gasta 15 milhões com seu funcionalismo, queé maior que o da cidade de Paris. Concentrado em manter a mamãezada, o município nãopaga conta de luz há sete anos e já perdeu uma escola arrematada em leilão. E quejustificativa para os onze mil funcionários da prefeitura de São Luís do Maranhão, outroestado entre os mais pobres da União, funcionários ociosos que foram demitidos pelaprefeita da cidade, dona Gardênia, ao tomar posse em princípios de 1986? Essesfuncionários demitidos protestaram contra sua justa sorte e, em repetidas arruaças dirigidas

212pelos líderes da oposição, queimaram a prefeitura. No próprio Maranhão, aliás, o marido dedona Gardênia, quando governador do Estado, teria feito no mínimo 50 mil nomeações, oque prova que o mal do empreguismo desvairado independe totalmente do partido no poder.É uma perversão geral.Pelo menos a proporção de empregados excedentes não é tão grande em SãoPaulo. O prefeito Jânio Quadros ao tomar posse na mesma data demitiu quinze mil, quinzemil de um total que, segundo parece, ultrapassa 140.000! Um empreguismo desse estiloimpera na maior parte dos quatro mil e tantos municípios do país, e o pior é que não existedado estatístico algum para comprovar o imenso rombo que essa massa gigantesca deociosos abre no Produto Nacional Bruto do país. A incapacidade da população local para oself-government é demonstrada pela irracionalidade da conduta dos eleitores que são,teoricamente, os contribuintes, não se esforçam por reduzir os gastos das prefeituras compessoal, a fim de preservar sua renda, mas procuram cada um por seu lado concorrer para apartilha do bolo empreguista. Onde fica nisso o princípio que deu origem à democraciarepresentativa: "não há taxação sem representação"? A versão brasileira é "não hárepresentação sem empregação"...A nomeação de parentes próximos para funções de marajás já se tornou uma rotinanos estados. É a explicação da permanência indefinida do Estado patrimonialista. Vá lá queo presidente Tancredo Neves tenha seu filho como secretário particular: é natural elegítimo, pois o secretário particular é pessoa da inteira confiança do governante. Mas o quedizer do governador Montoro que colocou toda a família? E o governador Jader Barbalho,do Pará, o grande demagogo que nomeou sua irmã Maria Lúcia, duas cunhadas, ElcioneZalut e outra, além de uma prima para os cargos de procuradores e auditores do Estado?Indiferente aos comentários de que estaria praticando atos ilegais ao nomear essas pessoassem concurso, informa a imprensa que o governador contestou a acusação de nepotismocom a alegação de que seus adversários sofrem de "puritanismo udenista"...Alguns exemplos de empreguismo são hilariantes. Vejam o caso de um vendedorde picolé de Fortaleza que, pela prefeita, foi contratado como técnico de Raios X; e de umdeputado desse mesmo Estado do Ceará que se sentiu no direito de acumular o mandatolegislativo com o emprego de motorista do principal hospital local. Dos 29.764 funcionáriosmunicipais, 31% estão na Secretaria de Educação porque a prefeita do PT,presumivelmente, quer fazer demonstração de interesse pela educação popular. Dessesfuncionários, que pouco têm a fazer, 13% auferem mais de 40% das despesas em salários,gratificações e mordomias várias. Outras maravilhas do Ceará, contrariando a velha canção

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