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O Dinossauro - Ordem Livre

O Dinossauro - Ordem Livre

11edifício da liberdade

11edifício da liberdade individual. As virtudes democráticas, afirma Midge Decter, asecretária do Comitê pelo Mundo Livre (Committee for the Free World de N. York) enotável ativista neoconservadora, as virtudes democráticas são a modéstia, a humildade e acastidade.Talvez tenhamos dificuldade, nós latinos, em entender que o liberalismo não é aporta aberta para a libertinagem, e que a "ordem liberal" só poderá ser construída com ofortalecimento da autonomia da consciência moral. O Estado legal implica não apenas agarantia dos direitos humanos mas a coerção e punição dos transgressores. O dever doscidadãos. Não nos esqueçamos de que a ordem liberal e uma economia de mercado sófuncionam a contento nos Estados Unidos e na Europa quando leva o Estado a sério a suafunção precípua de fazer respeitar o Direito.Em suma, o liberalismo-conservador está em ascensão. Não é só que o programaliberal comporta a luta contra o "social-estatismo" — e que, no Brasil, poderíamos tambémdenunciar como o nacional -socialismo do monstruoso Estado burocrático. Mas o que eleoferece, sob inspiração das velhas doutrinas de Locke, Montesquieu, Adam Smith, Burke,os militaristas britânicos, Tocqueville e os Pais da Pátria americanos, é uma nova versãosocioeconômica, única suscetível de carregar de enxurrada a ideologia totalitária quedesgraçou nosso século — inclusive neste país. O tema liberal tem que ser ventilado. Comosempre, permanecemos no Brasil com vinte ou trinta anos de atraso e ainda estamosvivendo a Grande Revolução Cultural, ainda estamos experimentando a rebordosadesvairada de 1968, quando o problema é restaurar a Ordem, sendo isso, exatamente comoacentuam os liberais-conservadores, a ambição liberal. Festivais de rock, aberraçõesantinômicas, contestação geral, greves, avalancha pornográfica e o esplendor da EsquerdaFestiva que, controlando as universidades, os meios de comunicação de massa e aEsquerdigreja, subiu arrogantemente ao Planalto na aparente ignorância do que se passa noresto do mundo, nada disso mudará a realidade. Mas nem tudo o que podemos fazer éesperar que o festival de tolice se esgote por si mesmo, antes que um aventureiro populistapossa empolgar o poder vacante.Há vários pontos, entretanto, que de fato não me satisfazem e que, inclusive, achoobscuros na obra de Mises, Hayek, Aron, Friedman e outros. Razão pela qual acredito nanecessidade de debate intenso e esclarecimento, pois não podemos importar a ideologia(mais uma!) sem sabermos precisamente qual seu conteúdo, numa nação emdesenvolvimento ou em plena revolução industrial. O neoliberalismo é bem-vindo em nossaterra e oxalá tenha algum efeito nos programas da Nova República Velha, isso na medida

12exata em que estamos oprimidos pela velha Nova Classe burocrática, a qual começou a seapossar das alavancas de comando muito antes de 1964, muito embora o agravamento dofenômeno se haja processado mais nitidamente a partir das presidências Médici e Geisel.Na verdade, o social-estatismo no Brasil é herdado da velha estrutura paternalistaou patrimonialista, autoritária, mercantilista e clientelista dos tempos de Pombal e dacolônia. É uma paradoxal combinação de nacional-socialismo do século XX e absolutismomodernizante de fins do século XVIII. As circunstâncias do Brasil ainda estão longe decorresponderem às dos países avançados da Europa ocidental e América do Norte, onderedesponta a estrela liberal depois de um século de eclipse. Contrariando as teses do ilustresenador Fernando Henrique Cardoso, não creio que jamais tenhamos sofrido umaverdadeira revolução burguesa liberal. Terá chegado o momento? Uma vez que já noselevamos pelo take off do desenvolvimento industrial, podemos porventura avançar para oneoliberalismo sem antes sobrepujar o pesado handicap social do analfabetismo t da falta desaúde, da pobreza rural, da criminalidade, da explosão demográfica? Tais as questões quemerecem ser levantadas no amplo debate. Tocqueville falava no conflito entre os doisprincípios democráticos, o de liberdade e o de igualdade. Foi o segundo que alimentou omovimento socialista estatizante mas, no mundo ocidental, se impõe novamente o retornoao primeiro. À luz dessas considerações, a pergunta que permanece é: que fazer no Brasil?Nosso país atrasa-se. Como sempre, mentalmente subdesenvolvido. Ainda quecompartilhando do pessimismo de Revel quanto aos perigos mortais que cercam ademocracia ocidental e que ele expõe em sua última obra — sou otimista num outrosentido. Acredito que a crise de patologia ideológica — melancólica acompanhante daNova República — se poderá dissolver à medida que os melhores autores do novopensamento ocidental forem sendo traduzidos e lidos. Oxalá isso em breve se manifeste.Meu propósito é oferecer uma análise das origens filosóficas do social-estatismo, apartir da dialética do Racionalismo de Hobbes e do Romantismo de Rousseau. A crítica doDinossauro burocrático será necessariamente seguida de uma tentativa de caracterização doque tem geralmente sido descrito como a Nova Classe. Quem constitui a velhíssima "NovaClasse", os intelectuais ou os burocratas? Minha intenção é destacar claramente o papel quedesempenha na sociedade moderna, e de modo particularmente conspícuo na nossa, atensão dialética entre esses dois setores da elite da nação, notáveis por seu poder einfluência nos últimos anos.Brasília, outubro de 1986

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O Livro dos Espíritos
pedreiros livres ill