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O Dinossauro - Ordem Livre

O Dinossauro - Ordem Livre

279uma "nova classe" de

279uma "nova classe" de intelectuais, tese oriunda geralmente de pensadores de tendênciaconservadora.* * *Weber definia as ideologias como "superestruturas fictícias". Apontava para aincongruência entre as afirmativas verbais e as intenções reais. Com aspereza e entusiasmoatacou as frases bombásticas dos litterati, neles incluindo os ultranacionalistas e osrevolucionários. Sua obra consistiu numa crítica racional à pieguice e preguiça dosideólogos. Desse modo procurou demonstrar contra Marx que o capitalismo, ao contráriodo que este pensava, não é irracional mas a própria materialização da racionalidade —precisamente porque o capitalismo é mais eficiente, mais pragmático e mais natural; e nãoestá contaminado pelas preocupações igualitárias teóricas e utópicas do socialismo. Numagrande empresa privada o objetivo é o lucro, a eficiência, é o propósito racional, acontinuidade da operação, a velocidade, precisão e cálculo do resultado do ponto de vistados interesses do consumo. A prova empírica pode ser tirada pela enorme superioridade daeconomia americana, em termos de produtividade e do bem-estar que concede, sobre aeconomia soviética, muito embora esteja esta, há 70 anos, proclamando o seu sempre futurotriunfo e a sempre vindoura inauguração do Paraíso. O fato é que o movimento neoliberalprocura, precisamente, reatar com a tradição de liberdade, de iniciativa privada e deconcorrência estimulante, não perseguida pelo imposto e o regulamento.O domínio da ideologia marxista sobre os intelectuais latinos em geral e osbrasileiros, em especial, representa o resultado final, lamentável, de um longo e complicadoprocesso de contaminação que não é aqui o momento de discutir*. No Brasil, a palavra"intelectual" tem sido utilizada sem grande critério e frugalidade. Certa vez houve uma"manifestação de intelectuais" na avenida Rio Branco, quatro mil deles — uma verdadeirabaderna! Para um país onde quase não se lê e onde pouco se pensa, foi realmente espantoso!O intelectual, no sentido que damos ao termo, tem uma vocação incontestável para adissidência, a contestação, o não-conformismo, a utopia. O que podemos apenas esperar éque essa vocação cesse de se dirigir contra a tradição cultural e espiritual do Ocidente, e selimite à crítica do que de distorcido, brutal e desumanizante se possa eventualmentemanifestar nas tendências da civilização industrial burocrática em sua maturidade atual;assim como ao julgamento dos abusos de poder pelo burocrata. De qualquer forma, é lícito* Meus livros O Brasil na Idade da Razão e A Ideologia do Século XX.

280esperar que o setor burocrático da Nova Classe permaneça em suas posturas conservadoras,enquanto o setor intelectual persevere em seu pendor progressista em nome da Justiça. Masde uma Justiça liberal e universal, e não meramente socialista ou nacionalista.* * *Uma crítica recente e interessante do conceito de Nova Classe em nosso país seencontra na obra Trabalhadores, sindicatos e industrialização (1985), de Leôncio MartinsRodrigues. Esse professor da USP argumenta que nos países capitalistas dedesenvolvimento liberal, como na Inglaterra e nos EUA, os intelectuais, em primeiro lugar,não tiveram muita importância política e social. Mas nos países de "tradição burocrática",de Estado forte e burguesia fraca, como na Rússia czarista, a intelligentsia desde muitocedo constituiu uma camada social importante, um agente de modernização ou derevolução. No Brasil, durante os 20 anos de autoritarismo militar, a expansão econômicafortaleceu socialmente a camada dos trabalhadores intelectuais enquanto, politicamente,excluía-se a sua participação política aberta. O resultado foi que seus setores mais jovens eradicais aderiram à luta armada, enquanto seus estratos superiores, mais moderados,associaram-se ao PMDB ou ao Partidão. No caso, trata-se, mais especificamente, da"vanguarda" da "nova classe", politicamente mais atuante: sociólogos, economistas,antropólogos, advogados, jornalistas, cientistas políticos. Estes são os setores capazes deelaborar, teoricamente, os valores, ideologias e interesses da "nova classe" que administra aeconomia e o aparelho estatal.O titular de Ciências Políticas da Universidade de São Paulo salienta que o temaque apaixona é o desejo de conquista do poder pelo que chama de "burguesia intelectual".Ele cita dois autores húngaros, G. Konrad e I. Szelenyi, que trataram desse aspecto numlivro que considera muito interessante: A marcha dos intelectuais para o poder. Umindustrial que usa seu capital intelectual para ampliar os lucros de sua empresa não pode serconsiderado um intelectual. É o capital econômico que lhe dá renda, poder, prestígio, etc.Como notam os dois autores citados, no caso de um intelectual, o "monopólio (relativo) deum saber complexo é o meio pelo qual a intelligentsia procura obter um poder social eretribuições importantes". A libertação do saber, e consequentemente dos intelectuais, dodomínio do capital econômico, só pode realmente ocorrer quando o único critério legítimode poder for o próprio saber. Se pensássemos em uma economia capitalista liberal, tal comoMarx imaginou em O Capital, fora dos quadros de um sistema político e de um Estado, ofundamento de toda riqueza e poder será sempre a propriedade e o capital econômico.

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O Livro dos Espíritos
Ordem dos Arquitectos
Livro-Che