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O Dinossauro - Ordem Livre

O Dinossauro - Ordem Livre

25consistiam apenas em

25consistiam apenas em "ornamentos", sem valor intrínseco. Não escondiam outro propósitosenão o de dar vida às pedras, significado à vegetação, enchendo as águas, as florestas, asgrutas e as clareiras de Versalhes com uma nova população de seres fantásticos. Seriamescapadas românticas para o sonho. Ilusões estupendas a inflamar com sensualidade odomínio frio dos espaços e as abstrações geométricas da "arquitetura da inteligência".Entretanto, uma vez reduzida a linguagem dos símbolos a algo que só pode sercompreendido quando externalizado em arte, perde inteiramente seu poder sobre o espíritohumano: torna-se artificial e morre. O Romantismo representa uma tentativa fracassada dedar nova vida aos símbolos. Os românticos são, no fundo, reacionários que apenas agravama dissociação entre o Logos e o Eros, o aspecto mais alarmante do modernismo. Por outrolado, a tentativa intelectualista de "explicar" o mito solar conduz ao absurdo completo,como quando escreveu Renan: "...antes que tenha a religião conseguido proclamar a Deusno absoluto e no ideal, isto é, fora do mundo, um só culto foi racional e científico, o cultodo sol". Com a lógica de tal argumento, o animismo da mitologia primitiva é declarado"científico e racional"! É essa a atitude paradoxal dos positivistas.O fato é que a simbolização cosmológica pagã era um sinal portentoso dos novostempos. O indício da nova religião civil estatal. Na medida em que o culto da personalidadecobria uma divinização real do Homo Sapiens, na pessoa do rei, correspondia a uma perdasensível do poder dos símbolos cristãos sobre a alma coletiva. Ouçamos La Bruyère, queescrevia: "Quem quer que considere a fisionomia do rei como a felicidade suprema docortesão, e passe a vida olhando para ela e a mantenha no âmbito de sua vista, poderá atécerto ponto compreender como constitui a visão de Deus a glória e a felicidade dos santos."Neste ponto, citemos as observações de Jung concernentes aos fenômenos neuróticos quecoincidem com a inflação psicológica, na situação anormal resultante da emergência deconteúdos inconscientes. Um sinal infalível, escreve Jung em Dois ensaios de PsicologiaAnalítica, "parece ser o aparecimento do elemento 'cósmico', isto é, as imagens nos sonhose nas fantasias ficam relacionadas com qualidades cósmicas tais como infinidade temporalou espacial, velocidades enormes ou extensão do movimento, associações 'astrológicas',analogias telúricas, lunares ou solares, mudanças nas proporções do corpo, etc... Oelemento coletivo é muito frequentemente anunciado por sintomas peculiares como, porexemplo, sonhos onde o sujeito se vê ou se sente voando pelos espaços como um cometa,ou pensa que é a Terra, ou o Sol, ou uma estrela".A inflação provocada pelo absolutismo monárquico estendeu-se da política para aaparência pessoal, que se tornou tão artificial quanto possível. Todo o mundo e todas as

26coisas passaram a usar uma máscara fantástica. Criou-se uma Persona fenomenal. Oscortesãos vestiram cabeleiras de tamanho enorme e roupas extravagantes, usando make-upfeminino. As árvores foram cortadas em formas geométricas. Os interiores se carregaram depesadas decorações douradas. As fachadas dos palácios transformaram-se em décors paracenário de óperas heroicas e tragédias racinianas. Luís XIV fez-se chamar de Rei-Sol,considerando-se talvez uma reencarnação de Apoio. A identificação do Rei-Estado com aPersona produziu um sentimento de elevação vertiginosa. Foi um desenvolvimento fatalpois acarretou uma consciência de semelhança a Deus, como se Deus não passasse de umLogos cartesiano cuja existência pudesse ser comprovada por um raciocínio matemático,não importando se o modelo para a corte, como esfera celeste, fosse simplesmente o novocéu "racional" e mecânico, inventado por Copérnico, Kepler e Newton. A Razão,God-like reason...that noble and most sovereign reason...essa razão tão nobre, tão soberana, tão igual à divindade, matutada pelo Hamletshakespeareano, procurava uma localização espacial no cérebro humano enquanto,coletivamente, já encontrava a sua representação adequada no sistema de governo doDéspota Esclarecido e sua monarquia absoluta. Descartes postulou, enfaticamente, quetodas as ações de valor emanam de grandes personalidades. E assim a supremacia da"Razão de Estado" passou a constituir um corolário do L'Etat, c'est moi, configurando,precisamente, a gravidade do processo pelo qual o símbolo do Estado nacional pretendeuconfigurar uma manifestação do Logos Divino. Ouçam estas palavras de Bossuet: "O tronoreal não é o trono de um homem, mas o trono de Deus!" Exaltando a personificação doEstado como um instrumento secularizado da providência divina, passou essa concepçãofalaz a dominar progressivamente a vida coletiva dos povos ocidentais, gerando a novareligião estatal do nacionalismo. Por toda parte fórmulas sacrílegas foram inventadas ouressuscitadas: Gesta Dei per Francos, Gott mit uns, Dieu et mon Droit, Deutschland überalles...Um Logos desse tipo é um falso ídolo, um demônio, um fantasma, o Leviatã queperdeu suas raízes no verdadeiro Centro da alma. Culpado da soberba absolutista, isto é, daprópria Falta Original de Satanás, esse Logos dissolve a consciência pela corrupção fatal davontade de poder. No palácio do Rei-Sol descobrimos apenas os primórdios do processo.Mas logo que foram os conteúdos irracionais ativados pela autonomização do intelecto,

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