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Tradução de Ana Biscaia Tradução de Manuel Alberto Vieira

Tradução de Ana Biscaia Tradução de Manuel Alberto Vieira

Os meus planos

Os meus planos de invasão foram-se. Temos de arranjar outra maneira dederrotar a Grã-Bretanha. Se não somos capazes de derrotá-los no campo debatalha, temos de lhes estrangular a economia. — Os seus olhos cintilaramcruelmente. — Temos de arruiná-los, e quando o dinheiro deles se tiveresgotado e o povo estiver a morrer à fome, vão implorar-nos a paz em vezde lidarem com uma revolução interna.Fez-se um breve silêncio enquanto a carruagem emitia um ruído contínuoe deslizava ao longo da estrada lamacenta, e depois Berthier perguntou:— O que fazemos agora, sire?— Agora? — Napoleão acenou com a cabeça na direção para a qualseguia a carruagem. — Agora concentramos todos os esforços na tarefa deesmagar os nossos amigos austríacos e russos da forma mais implacável ecategórica possível.Nessa noite, à medida que a notícia da derrota de Villeneuve se alastravapelo exército, uma atmosfera taciturna abatia-se sobre o acampamento.Napoleão não teve como evitar a percepção disso durante o período emque caminhava através dos renques de tendas e tentava levantar a moraldos homens, parando para falar com eles enquanto se reuniam em tornodas fogueiras. A temperatura havia descido ainda mais e de quando em vezuma ligeira descarga de flocos de neve surgia em redemoinho do céu negro.As saudações habituais eram mais contidas e Napoleão estava consciente dainterrupção das conversas no momento em que os homens se apercebiamda sua aproximação. O seu humor sombrio ocasionado pela derrota pioroucom o mais recente relatório de Murat.O seu comandante de cavalaria mal conseguira conter a excitaçãoquando escrevera a Napoleão para lhe contar que o caminho para Vienaestava desimpedido. Murat dera ordens ao seu corpo militar para avançarrumo à capital austríaca. Como resultado disso, Kutusov já não estava a serperseguido, e, de acordo com relatórios que se seguiram, os russos haviamatravessado o Danúbio e estavam a ser bem-sucedidos na sua fuga ao longoda margem norte. Agora disporiam de tempo para recobrar energias emanobrar mais perto dos seus aliados austríacos para combinarem forças eenfrentarem Napoleão em pé de igualdade.Não restava nada a não ser recuperar qualquer eventual vantagempolítica que a tomada da capital inimiga pudesse comportar. Isso pelo menoshumilharia a Áustria aos olhos das restantes nações da Europa, e obrigá-las-iaa pensar aturadamente sobre como desafiar Napoleão. O Imperadorcarregou o cenho ao refletir sobre a confrontação iminente com Murat,que havia sido chamado ao quartel-general para lhe apresentar um rela-116

tório em pessoa. À semelhança de todo o bom comandante de cavalaria,Murat era destemido ao ataque e resoluto à defesa, mas os da sua espécietendiam a sofrer de orgulho, arrogância e impetuosidade em demasia. EmMurat, estes atributos, tanto os bons como os maus, haviam sido refinadosa um grau incomum. Era chegada a altura de pôr um freio a Murat, meditouNapoleão sem centelha de humor.Quando regressou à ampla casa de campo requisitada para fins militarespelo estado-maior, Napoleão escutou uma ruidosa gargalhada vindado interior. Acenou com a cabeça à sentinela, que fez continência, e emseguida abriu a porta da casa. Deteve o passo na soleira ao ouvir a voz deMurat provocar regozijo aos seus oficiais do estado-maior e membros doquartel-general imperial. Napoleão retirou o chapéu e entrou silenciosamente,colocando-se num dos lados do vestíbulo, na escuridão, enquantoobservava Murat a assumir o papel de centro das atenções. O brilho dafogueira e as velas a bruxulear em redor do compartimento realçavam oelaborado galão de ouro e as condecorações cobertas de joias que revestiama túnica do comandante de cavalaria.— Vocês haviam de ter visto! — continuou Murat. — Os filhos damãe estavam no lado oposto da ponte, com peças de artilharia a protegê-lae uma brigada de infantaria formada em linha ao longo da margem maisdistante. Os austríacos também a tinham minado, por via das dúvidas.Qualquer tentativa de atravessá-la teria acabado num banho de sangue.Portanto, ali estamos nós, o Marechal Lannes e eu próprio, a olhar para ooutro lado do Danúbio e Lannes chama os granadeiros às fileiras e diz-lhespara se manterem escondidos no nosso lado do rio e esperarem pelo sinaldele. Depois Lannes e eu começamos a caminhar através da ponte para olado austríaco. Só ele eu. Sozinhos. — Murat pausou, alimentando a expectativae saboreando cada momento, e passado algum tempo prosseguiu:— Bom, assim que nos veem, os austríacos levantam os mosquetes, e os artilheiroserguem os bota-fogos, e põem-se à espera da ordem para abriremfogo. Depois Lannes e eu levantamos os braços e acenamos-lhes e começamosa gritar «Armistício! Armistício!» com toda nossa energia. — Muratacompanhava as palavras de grandes movimentos circulares com o braçopara dramatizar a descrição. — Deviam ter visto as caras deles! O coronelque comandava as defesas limitou-se a ficar ali parado enquanto nós caminhávamos.— Murat adotou um falsete aristocrático. «Armistício?», diz ele.«Que armistício? Ninguém me falou de nada.»Este relato provocou uma nova gargalhada na assistência, e ele levantouas mãos para a silenciar.— Portanto eu avanço e começo a dar uma desanda no filho da mãeemproado por não ter ali os superiores dele para negociar. Entretanto, Lan-117

Tradução de: J. Espadeiro Martins, Ana Silva e Teresa Damásio
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