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Tradução de Ana Biscaia Tradução de Manuel Alberto Vieira

Tradução de Ana Biscaia Tradução de Manuel Alberto Vieira

— Muito bem, tome

— Muito bem, tome diligências para que os feridos sejam levadospara Viena. Os prisioneiros podem ir atrás. Podem ser mantidos lá até aofinal da campanha. Agora quero que dê ordens para que o exército se voltea formar e esteja pronto a marchar ao meio-dia.Berthier assentiu com um aceno e tomou uma nota. Lá fora, os primeirosraios de Sol da manhã atravessaram as janelas da igreja em feixesde luz laranja-esbatido. Napoleão estava grato pelo céu limpo e pelo ar frio,que ajudariam à sua perseguição aos russos. Estava determinado a forçá-losa seguir para leste antes que as forças austríacas sobreviventes se pudessemconcentrar e voltar a reunir os seus aliados.Do lado de fora da igreja veio o som de cascos contra pedras calcetadase escutou-se uma excitada intimação de um dos oficiais da GuardaImperial que protegia o quartel-general. Napoleão olhou de esguelha paraum dos empregados de Berthier.— Vá ver o que se passa.Enquanto o homem saía a correr para cumprir a ordem do Imperador,Napoleão sentou-se num dos bancos fixos que se alinhavam nas paredesda igreja e enterrou a face nas mãos para dar descanso aos olhos por ummomento. Houve uma breve troca de vozes na rua, após o que o empregadoregressou, acompanhado por outro homem.— Sire?Napoleão respirou fundo e encheu as bochechas de ar ao mesmo tempoque erguia as costas e se fixava no empregado. Atrás deles estava postadoo Conde Diebnitz. O austríaco já não estava escrupulosamente asseado. Asua face estava coberta de barba e o seu uniforme estava salpicado de lama ehavia um rasgão numa das mangas. Encarou Napoleão com uma expressãocarrancuda e amarga.— Ora, Conde Diebnitz, fico contente por saber que sobreviveu à batalhade ontem. O mesmo não sucedeu a muitos dos seus compatriotas,lamentavelmente.As narinas de Diebnitz dilataram-se iradamente mas manteve-se deboca calada e lançou a mão ao interior do casaco, sacando de um documentodobrado e selado.Napoleão ergueu uma sobrancelha.— O que é isso?— Uma mensagem, senhor. Do Imperador da Áustria.— Diga-me o que ele diz — continuou Napoleão com lassidão. —Sou um homem ocupado, Conde. Poupe-me a leitura do documento.Diebnitz engoliu o orgulho e pousou o documento no banco, junto deNapoleão, antes de falar.— Sua Majestade imperial deseja discutir um armistício.144

— Um armistício? — Napoleão sorriu tenuemente. — E porque haveriaeu de concordar com um armistício agora, numa altura em que todasas vantagens estão do meu lado? A menos, claro está, que isto se trate apenasde um passo preparatório…Esperou que o nobre austríaco ultrapassasse o seu desconforto e fossedireto ao assunto.Diebnitz falou num tom monocórdico.— Sua Majestade imperial solicita um armistício de modo a negociarum acordo de paz.— Ah! Bem me queria parecer. — Napoleão sorriu triunfantemente.— Nesse caso poderá dizer ao Imperador que teria todo o gosto em discutira paz, de acordo com os termos por mim definidos.— Sim, senhor. — Diebnitz inclinou a cabeça rigidamente. — Informá-lo-eiprontamente.— Espere. — Napoleão semicerrou os olhos enquanto fitava o austríaco.— Antes de partir, tenho a dizer-lhe que não poderá haver paz enquantoa Rússia continuar a ser um aliado vosso.— Aliado? — Diebnitz soltou um riso escarninho. — O nosso aliadobateu em retirada, em direção à Rússia, senhor. O Czar abandonou a Áustriapara fugir, esconder-se e lamber as feridas. Não temos qualquer aliado,senhor. Não mais. Parece que a sua vitória é completa.Napoleão acenou afirmativamente com a cabeça.— Sim, parece. Pode ir, Conde Diebnitz.O austríaco inclinou a cabeça e rodou sobre si mesmo, marchandopara o exterior da igreja. Napoleão esperou até que ele estivesse fora do alcancedo ouvido e depois pôs-se de pé num pulo e apressou-se ao encontrode Berthier para lhe apertar a mão de alegria.— Então acabou. A guerra acabou. A coligação foi humilhada.— Sim. — Berthier devolveu-lhe o sorriso rasgado. — Um triunfopara si, sire.— Deveras, meu amigo. Esmagámos os nossos inimigos — disse Napoleãocom satisfação. — Daria uma pequena fortuna para ver a cara doPrimeiro-Ministro Pitt quando receber a notícia de Austerlitz.145

Tradução de: J. Espadeiro Martins, Ana Silva e Teresa Damásio
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