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Tradução de Ana Biscaia Tradução de Manuel Alberto Vieira

Tradução de Ana Biscaia Tradução de Manuel Alberto Vieira

— E terei. A Josefina

— E terei. A Josefina deu à luz duas crianças saudáveis…— Isso foi há muito tempo.— E irá gerar mais.— Quando? — perguntou Letizia bruscamente.— Quando chegar a altura certa, minha mãe.— E se isso não acontecer?— Acontecerá — contradisse Napoleão ferozmente, embora no seuíntimo soubesse que havia poucas hipóteses de isso acontecer.— Terá de acontecer, se ela quiser justificar o facto de ser a mulher doimperador da França.— Basta! — Josefina bateu estrondosamente com a mão na mesa, assustandoas restantes pessoas, que se calaram. — Não permito que se fale demim dessa maneira. Compreende? Não permito. Diz-lhe, Napoleão.Napoleão retribuiu-lhe o olhar, e depois fixou a atenção na sua mãe.Os lábios de Josefina tremeram.— Não tolerarei isto! Que direito tem ela de me falar deste modo?— Que direito? — Letizia endireitou o magro corpo na cadeira. — Odireito que me foi conferido por ter trazido treze filhos a este mundo, oitodos quais sobreviveram. Não apenas dois.Josefina lançou-lhe um olhar rancoroso, após o que se levantouabruptamente.— Vá para o diabo! Vão para o diabo todos vocês, corsos!Rodou sobre si mesma e encaminhou-se a passos largos para a portaenquanto as lágrimas lhe estrangulavam o peito. Abriu a porta de parem par e fechou-a com um estrondo atrás de si. Fez-se um silêncio perplexo,interrompido pelo som dos seus passos afastando-se ao longo docorredor.Caroline percorreu a mesa com os olhos e murmurou por entre os dentes:— Sempre disse que ela não era suficientemente boa para o Napoleão.— Silêncio! — disparou Napoleão na sua direção. — Não sabes doque estás a falar, minha tonta. A tua memória é assim tão curta? Quandochegámos a França, éramos fugitivos sem casa, sem dinheiro, sem influência.Josefina era a mulher de um conde, a confidente dos mais poderosospolíticos da capital, e os homens andavam de beiço caído por ela. No entanto,foi a mim que escolheu como marido. Numa altura em que mal tinha dinheiropara o uniforme que vestia e vivia numa espelunca em ruínas. Fazesa mais pequena ideia do que isso significa para mim? Eu adorava-a. Aindaadoro — acrescentou rapidamente. — Com Josefina posso ser eu próprio.Quando me vejo rodeado de homens menores e bajuladores, só Josefiname garante honestidade e compreensão. Devo-lhe a minha lealdade. E omeu amor. Por isso não ouses tentar interpor-te entre nós.30

Caroline encolheu os ombros.— Tudo isso está muito certo, mas em troca ela deve-te um herdeiro,Napoleão. Onde está o teu filho?A expressão de Napoleão ficou lúgubre, porém, antes de poder responder,a mãe dele interveio.— E isso tem importância? Aquela mulher é claramente velha de maispara a maternidade. Só existe uma solução para o problema e quanto maiscedo aceitares isso, melhor será, meu filho.Napoleão abanou a cabeça.— Não farei isso. Não farei.— Talvez não agora. Mas independentemente dos teus sentimentospor ela, tens uma obrigação para com o teu povo. Tem de existir um sucessorimperial. — Letizia fez-lhe um sinal de advertência com o dedo. — Maiscedo ou mais tarde, terás de oferecer à França um herdeiro para o trono.Especialmente se partires novamente para a guerra e te colocares numa situaçãode perigo.— Perigo? — Napoleão riu-se. — A minha mãe não sabe? A minhavida é bafejada pela sorte.— A tua sorte não durará para sempre.— Porque não?Letizia encolheu os ombros.— Nenhuma sorte de nenhum homem dura. Já vivi o tempo suficientepara o saber. E, portanto, tens de ter um herdeiro.— Haverá tempo que chegue para isso. — Napoleão esvaziou o copoe afastou a cadeira da mesa, indicando que a refeição havia chegado ao fim.— Mas antes há a pequena questão de esmagar a Grã-Bretanha, de uma vezpor todas.Capítulo 4ArthurLondres, setembro de 1805Para Sir Arthur Wellesley, a visão de Londres era bem-vinda e familiar apósseis meses no mar em viagem desde a Índia. Haviam passado quase noveanos desde a última vez em que pusera os pés na capital, e não conseguiuevitar erguer-se do lugar e debruçar-se na janela enquanto a carruagem subiaruidosamente uma pequena colina, a partir da qual se tinha uma bela31

Tradução de: J. Espadeiro Martins, Ana Silva e Teresa Damásio
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