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Tradução de Ana Biscaia Tradução de Manuel Alberto Vieira

Tradução de Ana Biscaia Tradução de Manuel Alberto Vieira

Dos longos meses

Dos longos meses de duras escaramuças com as colunas de bandidos lideradaspelo sanguinário Dhoondiah Waugh. Claramente, as proezas deArthur e dos seus homens haviam passado despercebidas na sua pátria, aGrã-Bretanha. Quase como se fossem um exército esquecido conduzidopor um general esquecido. Suspirou.— Posso garantir-lhe que as tropas que tive a honra de comandarna Índia enfrentaram inimigos tão perigosos quanto os franceses.Quando chegar a altura de os nossos soldados enfrentarem Bonaparteem batalha campal, estarão mais do que à altura dele e dos seus homens.— Com certeza, senhor. Com certeza — assentiu Jardine numtom conciliador. — Estou certo de que é bom no que faz. Contudo, doponto de vista do leigo informado, onde me incluo, parece que a nossaprincipal esperança de derrotar os franceses reside na Marinha RealBritânica.— Por Deus, está equivocado, senhor. Absolutamente equivocado— disse Arthur rudemente. — Como pode a marinha derrotar Bonaparte?Sem dúvida que o Almirante Nelson é capaz de derrotar os seus naviosde guerra, mas apenas pode perseguir os franceses até à sua costa. E apartir daí, onde houver terreno sólido, Bonaparte poderá opor-se aos seusinimigos. Daqui se segue que a guerra entre a Grã-Bretanha e a Françaapenas pode ser decidida em terra. Quando chegar a altura certa, os nossossoldados irão combater no solo europeu e aí provarão que estão maisdo que à altura dos melhores homens de Napoleão. Preste bem atenção aoque lhe digo, senhor. Testemunhará esse dia.— Assim espero, senhor. Sinceramente espero. Mas disso dependea preparação do nosso governo para utilizar uma força militar suficientementenumerosa de modo a fazer a diferença.Arthur anuiu com um aceno.— E para a manter adequadamente abastecida e reforçada quandonecessário. Tem razão, senhor. Até ao momento, o governo escusou-se aaplicar esse investimento na sua força militar. Mas isso vai mudar. Existemhomens com visão em Westminster. Homens que podem ser persuadidosa enveredarem pelo caminho audacioso.— Quem irá persuadi-los, senhor? A maioria dos nossos generaisparece ser a fonte primordial da cautela e, ousaria dizer, da indecisão.— Então caberá aos homens como eu próprio arranjar argumentosconvincentes para promover a ação.Jardine sorriu.— Perdoar-me-á, senhor, mas o que é que o leva a crer que jovensoficiais terão um peso significativo nesta matéria?— Porque falarei a verdade. Apresentarei os factos clara e logicamente36

de modo a que não possa restar qualquer dúvida quanto ao caminho certoa seguir.— Ah, mas você fala como um soldado. Aqueles que estão em Westminstertendem a falar e ouvir como políticos. Nas suas cabeças, factos elógica são como argila; moles e infinitamente maleáveis. Receio que sobrestimea influência da razão em tais homens.Arthur ficou silencioso e quieto por um momento, antes de encolheros ombros.— Veremos. — Pegou novamente no jornal. — Agora, se não se importasse,senhor, gostaria de terminar a leitura antes do final da viagem.Jardine assentiu brevemente com a cabeça e virou-se para olhar atravésda janela com um ligeiro beicinho de reprovação desagradada.Pouco tempo depois, a carruagem emergiu das árvores e entrou naprimeira das aldeias que estavam a ser lentamente engolidas e dominadaspela capital que crescia descontroladamente. As casas de campo e pequenaslojas davam gradualmente lugar a um denso aglomerado de habitações quese erguia em ambos os lados, enchendo as estradas calcetadas de pessoas.Ocasionalmente, a carruagem passava por albergues e por instalaçõesde pequenas indústrias de cujas chaminés era expelido fumo contra o céu,contribuindo para o manto castanho que pairava sobre Londres. Finalmentechegaram ao recinto da estação de carruagens em Chelsea, e depois de sedespedir secamente do Sr. Jardine, Arthur deu uma gorjeta a um carrejãopara que este transportasse a sua mala de viagem até um dos cabriolés quese encontravam à espera na rua. O resto da sua bagagem estava no porãodo Indiaman e seria enviada para Londres assim que fosse descarregada.— Cavendish Square, por favor — anunciou Arthur ao cocheiro nomomento em que subia a bordo e fechava a porta, puxando-a.— Sim, senhor! — aquiesceu o cocheiro, após o que agitou as rédeas,espicaçando o cavalo a seguir caminho. O cabriolé enfiou-se, ruidoso, notrânsito, circulando através da via pública apinhada de gente. De súbito, Arthurfoi como que acometido pela consciência da diferença absoluta entreas ruas de Londres e aquelas a que se habituara na Índia. Aquando da suameninice, a família dele vivera sobretudo na zona rural da Irlanda, e Arthurhavia ficado horrorizado com a esqualidez e os odores a fumo e suor deDublin e, posteriormente, de Londres. Mas rapidamente se habituara a eles,do mesmo modo que se habituara à chocante pobreza e ao cheiro nauseabundodos primitivos bairros degradados das cidades indianas. Agora avaliavaLondres com base num novo critério e maravilhava-se diante da óbviariqueza da capital e das esplêndidas fachadas que apresentava às estradaspavimentadas e calcetadas.No momento em que o cabriolé virava para a Cavendish Square, Ar-37

Tradução de: J. Espadeiro Martins, Ana Silva e Teresa Damásio
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