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Tradução de Ana Biscaia Tradução de Manuel Alberto Vieira

Tradução de Ana Biscaia Tradução de Manuel Alberto Vieira

— Tem razão, senhor.

— Tem razão, senhor. Não podemos derrotar Bonaparte se continuarmoscom as nossas estratégias atuais. As colónias da França são paraele um mero detalhe, e mesmo que as capturemos ou lhes arruinemos ocomércio, ele continuará a ser senhor do continente. Para o derrubar, temosde lhe impor a derrota em terra, e, mais importante, em solo francês.Esta é uma guerra que teremos de levar até ao coração de Paris. Num dadomomento, a Grã-Bretanha terá de reunir um exército suficientemente poderosopara defrontar o próprio Bonaparte. Isso não será possível durantealguns anos. Os homens que derrotarem a França terão de ser devidamentetreinados, para além de completamente equipados e aprovisionados. Terãode adquirir uma imensa experiência de campanha e também serem convencidosde que estão mais do que à altura de qualquer homem do exércitofrancês. — Arthur suspendeu a fala por um momento. — E precisarão deser liderados pelos melhores oficiais disponíveis. Precisarão de um comandanteque permaneça ao lado deles seja qual for o perigo com que deparem,um comandante que seja flexível nos seus métodos e resolutamente firmeno seu objetivo.— E esse homem seria você? — perguntou Pitt com uma expressãoalegre.— Seria. Mas há outros igualmente capazes.— E muitos que não o são.Arthur não respondeu ao comentário e retomou a sua linha de raciocínio.— Depois há a questão do sítio onde esse exército poderá adquirir aexperiência requerida para derrotar Bonaparte. Com demasiada frequência,a Grã-Bretanha tem enviado as suas forças aos poucos para o continentecom o propósito de auxiliar os nossos aliados, com escasso benefíciotangível para os nossos objetivos de guerra. Senhor, precisamos de concentraras nossas forças numa área da periferia da Europa, onde os homens sepossam transformar numa poderosa arma.— Qual o sítio que tem em mente, Sir Arthur?— A Península Ibérica.— Espanha?— Portugal, numa fase inicial. Funcionaria como uma bela base deoperações para levar a guerra para Espanha, e, finalmente, França.— Uma rota um tanto ou quanto indireta até Paris, diria.— É aí que está a beleza da coisa, senhor. Esticaria os recursos de Bonaparteao limite. Em virtude da posição da França no continente, ele possuilinhas de comunicação internas para todas as suas incursões no Norte deItália, na Áustria e nos Estados germânicos. Porém, Espanha e Portugal estãonum limbo. Quaisquer tropas que envie para apoiar a Espanha serão extraí-98

das dos exércitos que se opõem à Rússia, à Áustria e à Prússia. Nem mesmoBonaparte é capaz de resistir se se empenhar completamente no combateem duas frentes. Ver-se-á forçado a dividir a sua atenção, e os seus homens,entre as duas. E existe uma terceira frente a considerar, senhor. A frente interna,por assim dizer. Enquanto Bonaparte se deslocar a grande velocidadede um extremo do seu Império para o outro, haverá uma ampla margempara a instigação do descontentamento no seio do seu próprio povo.Arthur calou-se de a modo conceder ao Primeiro-Ministro tempopara assimilar os pormenores, e depois prosseguiu num tom mais deliberado:— É evidente que haverá riscos. Se o nosso exército for derrotadona Península, estou certo de que não existirá apoio público à guerra. Issosignifica que quem quer que esteja a comandar o exército deverá ter comoprioridade máxima o acautelamento da sua segurança. Para além disso, ogoverno precisará de aceitar que isto não se trata de uma mera incursãopara causar desconforto aos nossos inimigos. Necessitarão de enviar homense recursos para o exército peninsular numa escala nunca antes vista.Também precisarão de estar preparados para o manter no terreno durantealguns anos. Não vejo isto como uma questão de desferir um golpe mortalao inimigo, mas antes como uma destruição metódica e progressiva da suavontade para continuar a lutar. A princípio, o nosso exército ver-se-á forçadoa combater na defensiva, mas, à medida que for adquirindo experiênciae confiança, poderá atacar no momento em que as circunstâncias forempropícias. Vi os nossos homens lutar na Índia e não tenho dúvidas praticamentenenhumas de que a nossa infantaria, em linha, é capaz de ceifar ascolunas francesas à medida que estas avançarem para atacar.— Então porquê a necessidade de tempo para fortalecer o nosso exército,se os homens estão prontos?Arthur esboçou um sorriso ligeiro.— Eu falei na infantaria, senhor. A nossa cavalaria, infelizmente, élastimável quanto baste em termos de qualidade e disciplina. Precisam deser enrijecidos. Deveriam existir em maior número e têm de compreendero seu papel, tanto em campanha como no campo de batalha. Possuímos amatéria-prima não trabalhada de um belo exército, senhor. Apenas precisamosde tempo para associar os diferentes elementos.— Estou a ver. — Pitt meditou durante algum tempo, reclinando-sedepois no assento com o corpo um pouco aos sacões enquanto a carruagemrodava ao longo da estrada. Depois acenou afirmativamente com acabeça. — Os seus argumentos fazem todo o sentido, Sir Arthur. Tratarei deanalisar o assunto com toda a minúcia. A Espanha será, então, o sítio ondeo Império de Bonaparte se começará a desintegrar…99

Tradução de: J. Espadeiro Martins, Ana Silva e Teresa Damásio
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