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Tradução de Ana Biscaia Tradução de Manuel Alberto Vieira

Tradução de Ana Biscaia Tradução de Manuel Alberto Vieira

Capítulo 12Os estados

Capítulo 12Os estados de ânimo na capital dividiam-se. A notícia da grande vitóriaconquistada em Trafalgar fomentara grande excitação e contentamento entreas pessoas de todas as classes. Mas a sensação de triunfo era abafada pelopesar público em torno da morte de Nelson, e enquanto Arthur calcorreavaas ruas e via os retratos do Almirante guarnecidos de fitas pretas nas janelasdas lojas, das repartições e das casas, não pôde deixar de sentir espantoperante a circunstância. Aqui estava um homem que, aos olhos da vastamaioria da Grã-Bretanha, era conhecido apenas pela sua reputação, e todaviaas pessoas choravam a sua morte como se se tratasse de um elementoda sua própria família. Apesar da irracionalidade de tal reação aparentementeuniversal, Arthur sentiu-se comovido com o facto de um homempoder exercer semelhante impacto sobre as emoções de todos os britânicos.Perguntou-se se, quando a sua altura chegasse, haveria uma efusão de doridêntica, e depois abanou a cabeça com um sorriso amargo. As proezas dosirmãos Wellesley na Índia eram de importância menor para o povo britânico.Se um soldado almejasse qualquer tipo de reputação neste mundo, teriade ser conseguida nos campos de batalha do continente.Arthur não esquecera a menção de Lorde Buckingham a uma forçaexpedicionária a enviar para auxílio aos exércitos da coligação que marchavamcontra Bonaparte, e estava determinado a fazer parte dela. Imediatamenteapós o regresso a Londres, requerera uma nomeação e esperavaansiosamente uma resposta.Entrementes, os seus pensamentos voltaram-se para Kitty, e para ainsistência de Olivia Sparrow no facto de os seus sentimentos por ele nãoterem serenado. Tal não parecia sequer crível após tanto tempo de afastamento.E todavia sentia uma dor quente no coração ao imaginá-la tal comoera, e como seria agora. Murmurou inutilmente o nome dela de si para siao entrar no café. A atmosfera no interior estava carregada com os aromasdo fumo do tabaco e do café, e uma fogueira brilhava no centro do estabelecimento.Não havia mesas livres e Arthur perguntou se poderia partilharuma junto da janela saliente sobranceira à rua. O outro cliente à mesa, umhomem com peruca que aparentava ser mais jovem do que Arthur, malretirou os olhos do jornal para consentir com um aceno de cabeça, e depoiscontinuou a sua leitura.Arthur pediu chá, sentou-se e pôs-se a olhar através do vidro acabadode limpar. Lá fora, os transeuntes, agasalhados e encolhidos dentro dasgolas, passavam em passo veloz, alheios à sua contemplação. A vida pros-100

seguia de forma igual, portanto. Apesar da guerra no continente, do triunfoem Trafalgar e da morte de Nelson. Que pensaria Kitty de tudo isto?,perguntou-se. O constante desfile de oficiais em uniformes garridos pelasruas de Dublin impressioná-la-ia, ou dar-se-ia o caso de a redução dos seusantigos conhecimentos lhe ter deprimido o ânimo? E seria agora suficientementecrescida para ter posto de parte as imprudentes buscas da juventude?Teria ela mudado assim tanto?O seu chá estava servido, e Arthur ergueu a chávena e inalou suavementeo vapor que subia em espiral do líquido castanho-claro que evocavamemórias vagas da Índia. Manteve os olhos fitos na chávena durantealgum tempo, franzindo ligeiramente o sobrolho. Depois pousou-a comuma pancada aguda e recostou-se. Remexendo desajeitadamente os bolsosà procura de moedas para pagar a bebida, levantou-se e abandonouo estabelecimento. No exterior, virou-se deliberadamente na direção damorada que Olivia Sparrow lhe havia enviado aquando do seu regressoa Londres.— Sir Arthur! Que surpresa maravilhosa! — A Sra. Sparrow exibiu um sorrisoamplo no momento em que entrou na sala de estar e estendeu a mão.Arthur pegou-a e beijou-a ao de leve, esperando que ela se sentasse para,em seguida, proceder do mesmo modo.— Bom, na verdade não é uma surpresa assim tão grande — continuoua Sra. Sparrow, com uma cintilação maliciosa nos olhos. — Presumoque isto não se limite a uma visita de passagem.— É verdade. Existe uma coisa que me será porventura muito cara esobre a qual gostaria de saber mais.— Uma coisa? Certamente que quer dizer uma pessoa?— Sim. Kitty. — Agora que o tinha dito, não cederia a acanhamentos.— Disse-me que ela lhe tinha escrito sobre mim. Ficar-lhe-ia muito gratose me contasse o que ela disse.A Sra. Sparrow sorriu.— Com certeza. Mas antes, Arthur, há umas quantas coisas que lhedeveria contar acerca do que aconteceu desde que partiu para a Índia.— Oh? — Arthur experimentou uma sensação de enjoo na boca doestômago. — Continue, por favor.— Tem consciência de que ela o amava antes de ter partido?— Ela declarou-mo — respondeu Arthur cuidadosamente. — E osentimento era recíproco. No entanto, isso não era suficiente para o seuirmão mais velho. Teve a amabilidade de realçar que nenhum homem comalguma integridade permitiria que a sua irmã desposasse um oficial doexército de condição humilde com poucas perspetivas.101

Tradução de: J. Espadeiro Martins, Ana Silva e Teresa Damásio
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