Arquivo PDF - Associação Brasileira da Batata (ABBA)

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Arquivo PDF - Associação Brasileira da Batata (ABBA)

SEÇÕESEditorialSatisfação e Segurança Alimentar ...............................4CurtasErratas ....................................................................6CelebridadesDr. Sérgio Mário Regina ............................................7Pragas x VirosesViroses de batata transmitidas por Tripes .................08Novo Problema na Cultura de BatataNova virose desastrosa para a bataticultura ...........11Produção de MinitubérculosMinitubérculos de semente pré-básica de batata ......14VariedadesBatata Markies .......................................................16Marabel Chega ao Brasil ........................................18Empresas ParceirasSobre a Juta e Malva Brasileiras ................................21FMC lança fungicida preventivo ..............................23Efeito do Aminoagro na Cultura da Batata ...............26Produtor ABBAVá plantar batata ....................................................27Pequena empresa familiar que deu certo ..................28Legislação Batata-SementeA entidade certificadora - Parte III ...........................29ABBAPublicações Técnicas e Curiosidades .......................30Outras Cadeias ProdutivasA ABPM e o desenvolvimento da Indústria Brasileirada Maçã ................................................................31Beneficiamento Batata frescaChega ao Brasil a última palavra em tecnologia para aseleção de batatas ..................................................32IndústriaRancho da Batata ..................................................33Comercialização Batata FrescaComercialização de batata fresca na CEAGESP ......34Entrevista Margarete Boteon ..................................36Viagens TécnicasViagem Técnica ABBA - 2005 .................................37Visita técnica Dakota do Norte e Minnessota ...........38InstituiçõesIAC - Instituto Agronômico de Campinas ...............39MelhoramentoBatata Inglesa ou Andina? ........................................40Pragas em BatataManejo Integrado de Pragas na batata ....................42NutriçãoEscolha de modelo na definição da dose ótima deNitrogênio na cultura da batata ...............................44CulináriaBardo batata .........................................................46Carta ao LeitorA atual crise da agriculturabrasileira é conseqüência defatores externos e internos. Depoisde um espetacular ano agrícolaem 2004, faltando apenas doismeses para terminar 2005,podemos concluir que foi umpéssimo ano para a maioria dosagricultores do Brasil, inclusivepara os produtores de batata.Em nível mundial, percebemosnitidamente que os acordosglobais são cada vez mais difíceis,pois os interesses de pessoas,empresas e países prevalecemsobre as necessidades dahumanidade. Ao invés dedistribuição de renda e melhoriadas condições de vida, na práticaa globalização estáproporcionando a concentraçãode renda e a exclusão social. Essedesequilíbrio está causandograndes mudanças e poderáprovocar conseqüênciascatastróficas ao mundo.Nos acordos globais, o comérciode produtos agrícolas tem sido umdos principais entraves, poismuitos países desenvolvidos nãoencontram solução para competirde igual para igual com países emdesenvolvimento como osgigantes: Brasil, China, Índia,Rússia, etc.Perante esta desvantagem, ospaíses desenvolvidos adotammedidas de proteção ou inventamdesculpas absurdas. Estasatitudes dificultam e reduzem asexportações de muitos produtosagrícolas do Brasil, contribuindo,Índicedessa forma, para a crise daagricultura em 2005.Em nível nacional, o crescimentodefinitivo e sustentável daagricultura brasileira deve-se àeterna ausência de políticasagrícolas modernas eprofissionais. Esta inadmissívelsituação é conseqüência tambémdos interesses de pessoas,empresas e governantes quedefendem seus interesses própriosem detrimento da populaçãobrasileira.As condições climáticasadversas, a seriíssima crise políticaque assola o país e os elevados ecrescentes índices de desempregossão os principais fatores quecontribuem para a crise brasileirada agricultura.Podemos afirmar que 2005 foium dos piores anos para algunsdos segmentos da CadeiaBrasileira da Batata. Além dosfatores acima citados, podemosacrescentar que contribuíram paraesta crise a inadimplência, asimportações de batata fresca depéssima qualidade, as elevadasagregações de valores pelasgrandes redes de varejo, a faltade modernização de legislações,a disseminação de pragas edoenças, etc.A melhoria ou a solução para aAgricultura Mundial, AgriculturaBrasileira e para a CadeiaBrasileira da Batata ocorreráquando os valores coletivosprevalecerem sobre os individuais- milagres acontecem...3EXPEDIENTEBatata Show é uma revista da ABBAAssociação Brasileira da Batata.Rua Virgílio de Rezende, 705Itapetininga/SP - Brasil - 18201-030Fone/Fax: (15) 3272.4988batata.show@uol.com.brwww.abbabatatabrasileira.com.brDiretor Presidente:Marcelo Balerini de CarvalhoDiretor Administrativo:Edson AsanoDiretor Financeiro:Emílio Kenji OkamuraDiretor de Marketing:Paulo Roberto DzierwaDiretor Batata Consumo e Indústria:Celso Carlos RoquetoDiretor Batata Semente:Albanez Souza de SáDiretor Pesquisa e Tecnologia:Shigueo ShimadaGerente Geral da ABBA:Natalino ShimoyamaCoordenadora de Marketing eEventos ABBA:Daniela Cristiane A. de OliveiraJornalista Responsável:Aparecida Haddad - MTB: 030718Criação e Editoração:Projeta Propaganda e Marketingprojetap@terra.com.br(15) 3232-8000


6 CurtasErratasANÚNCIO BASFInformamos que na ediçãonúmero 12 - ano 5 - agosto/2005 da revista Batata Show,cuja capa está ao lado, oanúncio da BASF (página 5)foi publicado com a marcacomercial do produto errado.O produto correto para acultura da batata é FORUM enão FORUM PLUS, comopublicado.A BASF se coloca àdisposição para esclarecerquaisquer dúvidas atravésdo fone:(11) 4343.3328 ou e-mail:atendimento-agro@basf-sa.com.br.Ao lado oanúnciocorretoSEÇÃOFOTOSNa 12ª edição da Revista BatataShow (agosto/2005), na seçãoFotos, página 10, o autor dasfotos “ARTE EM BATATA” é FabianoRicardo Soares Murta,cooperado da Unicampo aServiço da BASF/SA na ChapadaDiamantina.


Dr. Sérgio Mário ReginaJoaquim Gonçalves de PáduaEng.º Agr., Pesquisador EPAMIG/CTSM/FECDpadua@epamigcaldas.gov.brDr. Sérgio Mário Regina é um dos Profissionais dasCiências Agrárias que mais contribuiu para odesenvolvimento da Olericultura Nacional.Natural de Varginha - MG, onde nasceu em 03/06/1932, graduou-se em Agronomia pela Escola Superiorde Agricultura “Luiz de Queiroz”, em Piracicaba, ecursou pós-graduação em nível de mestrado naUniversidade Federal de Viçosa. Participou de Cursosde Extensão e Desenvolvimento Rural pelaOrganização dos Estados Americanos (OEA), na Itália,e de Organização da Produção de Sementes pelaUniversidade de Mississipi, nos EUA. Participou demissões no exterior como viagens de estudos eintercâmbios técnicos, representando o Brasil naEspanha, Portugal, Itália, França, Suécia, Alemanha,Canadá, Estados Unidos, México e Argentina. NoMéxico, representou o Brasil no Seminário da FAOsobre “Agricultura do Trópico Úmido”, com o trabalho“HORTIAMA – Horticultura na Amazônia”.Iniciou sua carreira como extensionista na EMATERMG, onde exerceu diversos cargos de CoordenadorEstadual de vários Programas como Horticultura,Olericultura, PROHORT, PROVÁRZEAS, ProjetosAlho, Batata e Cebola, dentre outros. Foi Assessor daSecretaria de Estado de Minas Gerais, daRURALMINAS PLANOROESTE e do PRODEMATA.Em nível nacional, foi Gerente Nacional deHorticultura do Ministério da Agricultura, no períodode 1978 a 1982; Coordenador e Executor dosProgramas Nacionais de Alho, Batata, Cebola e Maçãe Criador e Presidente das Comissões Nacionais deBatata-Semente e de Semente de Cebola, no períodode 1979 a 1982. Foi Assessor deHorticultura da EMBRATER, doPROVÁRZEAS Nacional e Profir,e Consultor do MA-SHAB paraalho, batata e cebola. Sóciofundadore honorário da Sociedadede Olericultura do Brasil (SOB),hoje Associação Brasileira deHorticultura (ABH).Fez grandes contribuições parao desenvolvimento da cultura dabatata em nível nacional. Nocampo da pesquisa, enviava batatasementede diversas variedadespara ensaios no Norte e Nordeste,contribuindo assim para aDr. Sérgio Regina comalgumas de suas premiaçõesrecebidasintrodução dessa cultura em muitas áreas dessasregiões, como Vilhena, em Rondônia e Rio Branco,no Acre. Foi um lutador em prol da batata-sementenacional. Criou o Programa de contingenciamentode restrição progressiva para importação de batatasemente,quando Gerente Nacional de Horticultura,e pregava, freqüentemente, em suas apresentaçõeso uso de áreas específicas para a produção de batatasemente,elegendo como prioritárias aquelas regiõescom altitudes mais elevadas, temperaturas maisbaixas e disponibilidade de água de boa qualidade,que ele chamava de “santuário”, pois nestas nãopoderia ser cultivada batata para consumo. Participoutambém da criação de Câmaras Frigoríficas paraarmazenamento de batata-semente, dentre elas aCâmara Frigorífica de Passa Quatro (MG) e de SãoJoão da Boa Vista (SP).Na parte do manejo, foi sempre um defensor daspráticas que visavam o uso racional de insumos, aprodução de alimentos saudáveis (livre de resíduosde natureza química e biológica) e a preservaçãoambiental. Era bastante enfático em suas palestrasCelebridadeao condenar as práticas abusivas adotadaspor alguns produtores e beneficiadoresde batata.No setor de comercialização eorganização do mercado, também deugrande contribuição, trabalhandoarduamente para inserir o produtordentro da CEASA em Minas Gerais.Adepto do associativismo participou eincentivou a criação de diversasassociações de produtores, tendoparticipado também da criação daCOBATA em Maria da Fé (MG). Paraincentivar a adoção de tecnologias pelosprodutores, idealizava e promoviaeventos como Feiras e Concursos para expor osmelhores produtos e premiar os melhoresprodutores. Ainda na área da difusão, idealizou ecoordenou inúmeros eventos, entre eles o 2ºEncontro Nacional da Produção de Batata emCambuquira-MG, no ano de 1988.Ocupou o cargo de assessor técnico na EPAMIGdedicando-se às questões ambientais, atuando comomembro e/ou representante de grandes programasde Minas Gerais e do Brasil.Coleciona uma infinidade de Comendas, Medalhas,Prêmios, Troféus, Placas, Certificados, Pergaminhos,Diplomas de Honra ao Mérito e Títulos de CidadãoHonorário, como reconhecimento público pelosrelevantes trabalhos desenvolvidos.Mesmo aposentado, Dr. Sérgio mantém-se sempreatualizado, sendo muito procurado para intercâmbiode experiências e reportagens. Todo este dinamismoe comprometimento com as causas que abraçou,deixa para nós, companheiros de classe, um exemplode coragem e de profissionalismo a ser seguido.7


8Pragas x VirosesViroses de batatatransmitidas por tripesAlice Kazuko Inoue Nagata, Pesquisadora da Embrapa Hortaliças - Km 09, BR060,C.P. 218, Cep 70.359-970, Brasília, DF - fone: (61) 3385.9053, (61) 3556.5744alicenag@cnph.embrapa.brTatsuya Nagata - Professor da Universidade Católica de Brasília - SGAN 916, AsaNorte, Cep 70.790-160, Brasília, DF - fone: (61) 3448.7169, (61) 3347.4797tatsuya@pos.ucb.brA cultura da batata é susceptívela inúmeras infecções causadas porvírus, que podem ocasionar perdassubstanciais na produtividade.Atualmente, houve um grandeaumento de relatos de ocorrênciade infestação da cultura por tripes.Ao contrário de que muitosimaginam, os recentes ataques detripes podem não resultar noaumento de doenças. A espécie detripes mais problemática em batataé provavelmente o Thrips palmi eainda não se tem nenhum registrono Brasil de vírus que sãotransmitidos por esta espécie.Os tripes transmitem os víruscausadores do vira-cabeça dotomateiro. Estes vírus sãoconhecidos como tospovírus. NoBrasil, seis espécies de Tospovirussão conhecidas e quatro dessasseis representam uma ameaça paraa bataticultura: Tomato spotted wiltvirus (TSWV), Tomato chlorotic spotvirus (TCSV), Groundnut ringspotvirus (GRSV) e Chrysanthemum stemnecrosis virus (CSNV). Dentre estas,TSWV e GRSV predominam nasvárias regiões de produção dehortaliças, principalmente o GRSV.Não é possível distinguir asespécies pelos sintomasBatata infectada com tospovírusfoto: Dr. J.A. Caram Souza-Dias (IAC)apresentados pelas plantas infectadas.Os sintomas mais característicos dovira-cabeça são o aparecimento depontos ou manchas necróticas (de cormarrom palha, como se tivesse sidoqueimado) nas folhas ou caule,principalmente no topo da planta. Estessintomas podem evoluir e paralisar ocrescimento ou mesmo matar a planta,mas também podem ficar restritos auma rama sem atingir a planta inteira.Os tripes não têm asas verdadeiras enão são capazes de voar a uma longadistância. Os principais gênerosimportantes para a agricultura sãoThrips e Frankliniella. Estes insetosconstituem-se em pragas sérias epodem causar grandes prejuízos àcultura se não forem tomadas medidasde controle eficientes. As fêmeas sãomaiores que os machos e têm maioratividade, principalmente durante o seuprocesso de produção de ovos. Osprincipais problemas do seu ataque sãoos danos provocados nas folhas pelaescarificação da epiderme, impedindoo crescimento normal da planta e osferimentos provocados nos frutos. Aidentificação dos insetos é difícil e hápoucos especialistas no Mundo comexperiência na sua classificação. Adiferenciação entre Thrips e Frankliniellae suas espécies só pode ser feita a partirde análise em microscópio óptico deinsetos montados em lâminas. Portanto,a simples observação dos insetos nocampo não permite a sua classificação.A transmissão dos tospovírus ocorrede maneira circulativa-propagativa, istoé, o vírus é ingerido pelo inseto, circulano seu corpo, multiplica-se e étransmitido às plantas durante aalimentação do tripes. Somente osadultos que se alimentaram em plantasdoentes durante a fase de ninfa podemse tornar transmissores dos vírus. Atéhoje nove espécies foram relatadas noMundo como transmissoras detospovírus. Dentre estas espécies,Tripes transmissores de tospovírusfoto: Tatsuya NagataFrankliniella occidentalis, F. schultzei, F.zucchini e Thrips tabaci já foramrelatadas no Brasil comotransmissores dos tospovírus. Apesarda ocorrência de T. palmi aqui, não hánenhuma evidência que seja vetora detospovírus brasileiros. Esta espécie foirelatada como vetora de algumasespécies asiáticas de tospovírus, quediferem consideravelmente dasespécies brasileiras.O controle dos tospovírus deve serrealizado de modo preventivo. Nãohá evidências de transmissão pelabatata-semente. Não se deve realizaro plantio escalonado e em locais comcomprovada presença de tripestransmissores. O plantio deve sempreser antecedido de eliminaçãocompleta dos restos culturais, pelomenos com duas semanas até oplantio. Quando disponível, utilizarvariedades resistentes. O controle dostripes deve ser feito de maneiraintegrada com a seleção dosinseticidas apropriados aplicados demaneira adequada. Quando possível,retirar da lavoura as plantas infectadaspara não servir de fonte de vírus paraas outras plantas sadias.


Novo Problema na Cultura de BatataPoderia, a bataticultura brasileira, estar de frentea uma nova virose desastrosa, como a do PVYntn?José Alberto Caram de Souza-Dias (Eng. Agr. PhD) - APTA-Instituto Agronômico Campinas (IAC)/CPD Fitossanidadee-mail: jcaram@iac.sp.gov.br – fone: 19-32415188Sobre a constatação do PVYntn no BrasilEm 11 de Setembro de 1997, os Engs. Agrs.Hilário da Silva Miranda Fo. (Pesquisador Científicoda APTA-IAC, Centro de Horticultura) e Arari Pintode Oliveira Fo. (então responsável técnico daEmpresa Terra Viva), nos consultaram com algunstubérculos da cv. Atlantic (cuja batata-semente era,até então, importada exclusivamente do Canadá)apresentando sintomas de arcos e anéis necróticossuperficiais. Havia retornado a poucos dias dos EUA,após um ano de ausência para realização de pósdoutoradocom o grupo de pesquisa do Dr. StevenSlack, na Cornell University, estando, portanto cominformações e conhecimentos que não deixavamdúvidas quanto à possível infecção daquelestubérculos da cv. Atlantic pela então temida e alertada(Souza-Dias, 1996. Informativo Agropecuário,EPAMIG) variante “ntn” do vírus Y da batata (Potatovírus Y – PVYntn), já que havia relatos da presençadessa virose e países exportadores de batatasementepara o Brasil, inclusive no Canadá.Em colaboração com a Dra. Haiko E. Sawasaki(APTA-IAC/ Genética Molecular), essa exótica equarentenária raça do PVY foi confirmada em 1999via PCR, com Kit da ADGEN (Escócia). Após aconfirmação molecular do PVYntn naquelas amostrasda variedade Atlantic de origem, posteriormentetambém na variedade Monalisa (que já ocupava maisde 80% da área de cultivo da batata no Brasil), sempreem áreas associadas com a variedade Atlantic, fomosexpressamente instruídos pela diretoria doDepartamento de Defesa e Inspeção (DDIV-Ministério da Agricultura), e não publicarmos essaconstatação, devendo assim continuarmoscumprindo as normas da PI 290 de 15/04/1996, atéque um levantamento mais amplo fosse realizado.Essa decisão oficial de não autorização da divulgaçãoda introdução e disseminação do PVYntn no Brasilfoi tomada pelo DDIV após consulta a outrosvirologistas e especialistas da batata no Brasil, osquais se prontificaram a colaborar na realização deum levantamento amplo para saber a extensão dadisseminação e possível erradicação daquela entãoexótica e quarentenária virose na bataticulturabrasileira.As raças do PVY são todas pertencentes à famíliaPotyviridae, transmitidos em questão de segundospor diversas espécies de pulgões (afídeos), mesmoaquelas que não se alimentam nem se hospedamem plantas de batata, mas apenas visitam, depassagem, os batatais durante seus vôos migratórios.Por esse razão, a rápida disseminaçãodo PVYntn havia sido prevista ealertada (Souza-Dias, SummaPhytopat. Fev. 2000; 2002). Entretanto,a autorização para publicação daconstatação do PVYntn em batatais noBrasil só foi expressamente concedidaao autor em fins de 2002, quando oPVYntn já estava presente em pelomenos 5 estados produtores (Souza-Dias et al, Summa Phytopat. Fev. 2004).Sobre a recente constatação doPVY associado a plantas deMonalisa com severo sintomas deencrespamento foliar generalizadoe má-formação dos tubérculos.Na revista Batata Show, ano 1, No. 2 de 2001apresentamos informações detalhadas sobre aspectossintomatológicos e epidemiológicos das raças maiscomuns do PVY. Nota-se, porém, que não há nessarevisão, nem em outra revisão mais recente (Manualde Fitopatologia – ESALQ, Editora Ceres. 2005) adescrição de sintomas do tipo encrespamento foliar;topo crespo ou aparência de plantas com aspecto derepolho, apresentando folhas de verde mais intenso elimbo mais espesso, associados a alguma raça do PVYem batatais no Brasil.Entretanto, em meados de Junho deste ano de 2005,o Eng. Agr. Fábio Oliveira (COPERBATATA, VargemGrande do Sul-SP) nos consultou sobre a possível causaviral de plantas de batata da cv. Monalisa as quaisapresentavam sintomas do tipo “repolhuda”,encrespada, sem queda de folhas e sintomas de mosaicoleve, mas sem necroses. Os folíolos com margensonduladas, retorcidas, eram, mais “suculentas”, comtonalidade de verde mais intenso e tubérculosmalformados (menores que os de plantas normais;próximos à haste e aspecto de concha de amendoim),se comparados com plantas normais.Em visita a dois produtores com plantaçõesindependentes e distantes uma da outra, localizadosna região de Casa Branca, SP, constatamos mais de40% de plantas com esses sintomas de encrespamento(repolhudas), sugestivos da perpetuação pelostubérculos utilizados como batata-semente (veja asfotos) . Em visita ao campos, notava-se em alguns casos,a presença de apenas uma haste com desenvolvimentoaparentemente normal dentre outras 2 ou 3 comsintomas de encrespamento severo, emergidas deuma mesma batata-semente (batata-mãe).A batata-semente utilizada por esses doisprodutores era própria, originada de uma segundamultiplicação de lote de batata-semente adquirida daregião sul do Brasil. A utilização de parte da produçãocomo batata-semente foi dita ter sido feita por não tersido observado problema semelhante no ciclo anterior.Até o presente, as análises realizadas via testesbiológicos: inoculação mecânica de extratos de folhasde plantas sintomáticas (encrespamento),transplantadas do campo para casa de vegetação; testesde imunodiagnose (ELISA) e testes moleculares (PCR),apresentaram os seguintes resultados:1- Testes biológicos com plantas-testes dasindicadoras: Nicotiana tabacum (fumo, cv. Turkish),sintomas de necrose severa das nervuras, típicos dainfecção pelo PVYn; Datura metel , sintomas declareamento das nervuras e enrugamento do limboDetalhe da não transmissão mecânica paraplantas testes de Datura stramonium(esquerda) mas sim para Datura metel (direita)do vírus causador de encrespamento a partirde extrato tamponado de folhas sintomáticasde plantas de batata Monalisa (campo emCasa Branca-SP)Detalhe da planta de batata cv. Monalisacom aspecto “repolhuda”, folhas espessas,retorcidas e encrespadas de formageneralizada, sem perda de folhas, mas comparalisação de crescimento. Região de CasaBranca-SPdas folhas apicais, típicos para infecção por PVY; eDatura stramonium, ausência de sintomas, tantoquando inoculadas mecanicamente como quando porenxertia de haste da planta de batata sintomáticacomo da Datura metel infectada via inoculaçãomecânica. Essa resposta de não infecção da D.stramonium (confirmada posteriormente viainoculação mecânica em plantas de fumo; ELISA comanticorpos policlonais para PVY; e molecularmentevia PCR com primers para PVY) é indicativo dapresença de PVY e ausência de outros vírus como oPVX, bem como o Tomato yellow vein streak vírus(ToYVSV) geminivirus, este último sendo um doscausadores de mosaico deformante da batata; ePlantas de batata das cvs Bintje e Cupido foramenxertadas com hastes de batata encrespada; mas,apesar de manifestação dos sintomas de mosaico eligeiro encrespamento das folhas apicais, estes nãoeram do tipo encrespado, conforme observado emcampo, na cv. Monalisa. Acompanhamento daprogênie (tubérculos filhas) estão em andamentopara saber se haverá ou não reprodução daquelessintomas na perpetuação pela batata-semente.2- Testes com antissoros policlonais utilizadosna rotina para diagnose dos vírus PLRV,PVY, PVS,PVM, TRV, PMTV, foram, exceto para PVY,consistentemente negativos, tanto em extratos defolhas de plantas de batata sintomáticas, coletada nocampo, como das plantas testes inoculadas einfectadas. O ELISA tem confirmado, entretanto,reação antigênica com anticorpos do PVY apenas.Mais recentemente, adquirimos do Dr. Colin Jeffries(SASA, Escócia) antissoros policlonais e monoclonaispara diagnose do Potato vírus P (PVP). Testes comamostras de tubérculos produzidos pelas amostrasde plantas de batata sintomáticas, bem como deplantas de fumo, D. metel e D. stramonium, foramtodos negativos. O PVP foi inicialmente identificadopelo Dr. Julio Daniels (EMBRAPA, Clima Temperado),em batatais no Rio Grande do Sul, causando sintomasde mosaico rugoso e semelhantes aos que aquidescrevemos como encrespamento.3- Teste via PCR, realizados pela Dra. Haiko E.Sawasaki (APTA-IAC C.Genética Molecular)apresentaram os seguintes resultados: PVYo, PVYne PVYntn, positivos (ácido nucleico viral amplificado)apenas para PVYn, confirmando os resultadosobservados com plantas indicadoras; Testes paraGeminiviroses transmitidas por mosca brancatambém se mostraram negativos (amostra de folhasde plantas de batata com sintoma).4- Também foram negativos os testesmoleculares realizados pelo Prof. Dr. IvanBedendo (ESALQ-USP), na pesquisa defitoplasmas.5- Dr. Elliot W. Kitajima, do Laboratóriode Microscopia Eletrônica da ESAQ-USP,também relatou observação apenas dePotyvirus até o momento.Conclusões que se tem até o momentoe prosseguimentos nos estudos dediagnose, disseminação e controle dasíndrome do encrespamento da batataMonalisa.Os resultados obtidos até o presenteconvergem para a conclusão de queapenas o PVY esteja presente como11


12 Novo Problema na Cultura de Batataagente causado dos sintomas de encrespamento(“folhagem do tipo repolhuda”), conforme observadono plantio de inverno, em dois campos da cv.Monalisa, na região de Casa Branca, SP.Pode ser que o fato de apenas a cv. Monalisa estarexpressando esses sintomas de encrespamentosevero seja uma resposta de sensibilidade dessavariedade a uma possível nova variante do PVY. Nessecaso, as outras cvs. de maior área cultivada naquelaregião, tais como Ágata, Cupido e Atlantic, poderiamestar também infectadas, mas de forma latente ouassintomática, pois havia plantação de outrasvariedades, como Ágata, que não expressavamsintomas semelhantes naquelas duas plantações.Portanto, não se pode sugerir de forma simplista,como já foi cogitado, a eliminação do cultivo da ´Monalisa´ no Brasil, por ser essa variedade uma dasque mais vem sofrendo perdas associadas a Potyvirus.Pois pode ser que a cv. Monalisa esteja apenas sendovítima (infectada) por alguma outra variedade quenão expressa tão nitidamente os sintomas deencrespamento. Estudos de transmissão e avaliaçãode perdas em planta de outras variedades estão emandamento.Por ocasião do III Seminário Álvaro Santos Costasobre Viroses da Batata, realizado no InstitutoAgronômico de Campinas (IAC) em 26-28 deOutubro de 2005, tivemos oportunidade deapresentar os estudos e resultados obtidos até opresente na identificação desse novo problemavirológico ao ilustre virologista Dr. Luis Salazar (CIP-Peru), o qual nos sugeriu que considerássemos acoleta de insetos, particularmente psilideos ecigarrinhas para avaliar a possibilidade de umCurtovirus presente nessa síndrome doencrespamento da ´Monalisa´ na região de CasaBranca.O colega Hilário da Silva Miranda Fo. (APTA-IAC, Horticultura) vem fazendo levantamento deperdas causadas na produção na área onde ossintomas se manifestaram. Também efetuo coletade amostras de tubérculos de plantas sintomáticas(D) e das aparentemente sadias (S), em mais de 50posições do campo onde essa composição [S-D-S]estava presente nos campos afetados. Testes deimunodiagnose (ELISA) que estaremos realizandocom essas amostras, poderão revelar aspectos dadisseminação do PVY na estação corrente. Essesestudos estão sendo realizados com o apoio daCOPERBATATA e da Associação dos Bataticultoresde Vargem Grande do Sul (ABVGS).A fim de conscientizar as autoridades do Estadode São Paulo sobre esse novo problema fitossanitáriona bataticultura paulista e obtermos maior rapidezno apoio financeiro para esses estudos, foi solicitadoe coordenado pelo colega H.S. Miranda Fo umaReunião entre pesquisadores, produtores erepresentantes da COPERBATA e da Associação dosBataticultores da região de Vargem Grande do Sul,com técnicos da Secretaria da Agricultura eAbastecimento, os quais já se encontram analisandouma proposta de pesquisa para financiar estudossobre disseminação e controle dessa nova virose.Pode ser que o fato de apenas a cv. Monalisa estarexpressando esses sintomas de encrespamentosevero seja uma resposta de sensibilidade dessavariedade a uma possível nova variante do PVY. Nessecaso, as outras cvs. de maior área cultivada naquelaregião, tais como Ágata, Cupido e Atlantic, poderiamestar também infectadas, mas de forma latente ouassintomática, pois havia plantação de outrasvariedades, como Ágata, que não expressavamsintomas semelhantes naquelas duas plantações.Portanto, não se pode sugerir de forma simplista,como já foi cogitado, a eliminação do cultivo da´Monalisa´ no Brasil, por ser essa variedade umadas que mais vem sofrendo perdas associadas aPotyvirus. Pois pode ser que a cv. Monalisa estejaapenas sendo vítima (infectada) por alguma outravariedade que não expressa tão nitidamente ossintomas de encrespamento. Estudos detransmissão e avaliação de perdas em planta deoutras variedades estão em andamento.Sendo um possível novo Potyvirus (portantotransmitido eficientemente por diferentes espéciesde pulgões, em alimentação de experimentaçãoque podem durar segundos apenas) a bataticulturapaulista vem a público para divulgar e alertar, deforma ética, consciente e responsável, uma possívelnova e agressiva virose (aparentemente aindalimitado às áreas da região de Casa Branca-SP).Constatar e buscar meios de combate a umproblema fitossanitário novo ou re-emergente nãoé desmerecedor, feio, humilhante ou outro adjetivodesqualificativo para qualquer região produtora.Ao contrário, essa atitude de busca de informação esolução com pesquisadores, extensionistas,representantes oficiais da defesa sanitária elideranças dos produtores, revela a alta qualificaçãoe responsabilidade técnica da região.Evitar que essa e outras viroses exóticas sealastrem na bataticultura nacional é demonstraçãode responsabilidade com o econômico, como osocial e com tudo de bom que significa a produçãodesse alimento para o povo brasileiro.O exemplo do PVYntn basta!.


14Produção de MinitubérculosProdução de minitubérculos de semente prébásicade batata em sistema hidropônico DFT** Parte da Tese de Doutorado do primeiro autor, Pós-Graduando em Produção Vegetal, UNESP-Jaboticabal.Engº Agrº Ms.Thiago Leandro Factor & Prof. Dr. Jairo Augusto Campos de Araújo - Depto de Engenharia Rural, UNESP - Campus de JaboticabalVia acesso Prof. Paulo Donato Castellane, Km 5, 14884-900, Jaboticabal/SP - factor@fcav.unesp.br - jaca@fcav.unesp.brA produção de batata-semente constitui umadas fases mais importantes da cadeia produtivada batata e movimenta milhões de dólares noBrasil e no mundo. Isto se deve pelo fato de que,no processo de produção da cultura, o materialde plantio encontra-se permanentemente sujeitoà infecção por patógenos como fungos, bactériase, principalmente, vírus que, a cada ciclovegetativo, são transmitidos para a próximageração, contribuindo para o processo dedegenerescência da cultura.É nesse contexto que a utilização de materialde propagação de alta qualidade genética efitossanitária é indispensável na cultura da batata.Por estarem diretamente relacionados com aprodutividade e qualidade dos tubérculos e porconstituírem-se componente mais alto do custode produção, cerca de 30%, é de grandeimportância a utilização de sementes de altopadrão de qualidade para a instalação da lavoura.Por conta disso, a introdução de técnicas demicropropagação e indexação de plantas, por meioda utilização de métodos de cultivo in vitro e testesrápidos e sensíveis na detecção de vírus, temproporcionado notáveis avanços na produção debatata-semente de alta qualidade no país.Entretanto, o sucesso da limpeza clonal pormeio da técnica da cultura de meristemas comoestratégia de controle de doenças sementetransmitidas,depende de sistemas eficientes demultiplicação do material desinfectado, demaneira a não comprometer a rápidadisponibilização da semente dele originada(Medeiros, 2003). Além disso, os métodostradicionais de produção de tubérculos-semente,em matriz sólida, normalmente solo ou substrato,apresentam como principal desvantagem a baixaeficiência produtiva, associada aos riscos inerentesquando se utiliza solo não esterilizado. SegundoDaniels et. al. (2000), são produzidos em médiade 3 a 5 tubérculos por planta, o que contribui,sobremaneira, para elevar ainda mais os custosde produção da batata-semente.Dentre os métodos empregados em diferentespaíses, como forma de substituir aquelesconvencionais de produção de tubérculossementes,em solo ou substratos, destacam-seos sistemas hidropônicos (Muro et. al., 1997;Ritter et.al. 2001; Medeiros et. al., 2002; Corrêaet. al, 2005). Entretanto, segundo Furlani (1999),muitos dos cultivos hidropônicos não obtêmsucesso nos primeiros anos de implantação,principalmente em função do desconhecimentodos aspectos nutricionais desse sistema deprodução que requer formulação e manejoadequado da solução nutritiva. Outro aspecto queinterfere significativamente nos resultados estárelacionado ao sistema de cultivo, que requerconhecimento detalhado da estrutura básica queo compõe.Diante do exposto e de maneira a contribuirpara o desenvolvimento de novas opções decultivos em sistemas hidropônicos no Brasil, foiconduzida esta pesquisa no Setor de Plasticulturado Departamento Eng. Rural, UNESP-Jaboticabal,cujo objetivo foi o de avaliar o comportamentoprodutivo de minitubérculos de batata-sementepré-básica em diferentes sistemas hidropônicos.Destaque para os sistemas que utilizam osprincípios hidropônicos DFT e Aeropônico. Maisdetalhes do sistema aeropônico ou aeroponiapodem ser observados na edição nº 12, ano 5,Agosto/2005 desta mesma revista. Neste artigomaior ênfase será dada ao sistema de cultivo queutiliza o princípio hidropônico DFT (Deep FlowTechnique) ou Técnica do Fluxo Profundo.O desenvolvimento do sistema DFT baseou-sena utilização de duas canaletas de fibrocimentotrapezoidais interpoladas, com as seguintesdimensões: 0,18 m; 0,40 m e 0,18 m de base menor,base maior e altura, respectivamente. As canaletasforam revestidas com um filme de polietileno pretode 30 mm e colocadas sobre uma estrutura metálicade 2 m de comprimento e 1,0 m de altura e emnível (Figura 1). No interior destas canaletas, foicolocado um suporte com uma tela depolipropileno preta, de modo a permitir que partedo sistema radicular atinja a camada de soluçãonutritiva (6 cm limitada pelo sistema de drenagem),mas não a maioria dos estolões, facilitando comisso a colheita escalonada sobre a tela (Figuras 2 e3), permitindo com isso a colheita dosminitubérculos tão logo atinjam o tamanhodesejado. Essa prática, segundo Medeiros et. al.(2002), estimula a diferenciação e formação deoutros tubérculos e, ainda, os fotoassimilados queseriam normalmente utilizados para o aumentodo tamanho dos mesmos, com a eliminação dessademanda são carreados para a formação de novostubérculos, propiciando maiores taxas demultiplicação. Sobre a tela de polipropileno foicolocado um filme de polietileno dupla face, de 50mm, com a face branca para a parte externa visandoevitar a entrada de luz no sistema radicular, bemcomo o aquecimento no interior do sistema. Asmudas de batata foram transplantas em orifíciosna forma de X feitos no filme de polietilenosuperior, no espaçamento de 15 x 15 cm. (Figura4). Para a oxigenação da camada de solução nutritivaforam adaptados injetores do tipo “venturi” naprópria tubulação de distribuição de soluçãonutritiva, aproveitando a pressão e vazão doconjunto moto-bomba e evitando com isso ainstalação de um sistema de injeção de ar. O tempode funcionamento do sistema foi de 15 minutos acada hora, de maneira a permitir a renovação eoxigenação da solução nutritiva. Este sistema éfechado, ou seja, a solução retorna para o tanquede armazenamento de solução.As variedades utilizadas no experimento forama Ágata e Monalisa. As plântulas (mudas) foramadquiridas no Laboratório de Biotecnologia(Biovitrus), Campinas – SP, originadas a partir demeristemas e indexadas através de testes paravírus, garantindo sanidade total do material a sermultiplicado. A solução nutritiva utilizada seguiurecomendações de Medeiros et. al. (2002) commodificações.Dentre as principais vantagens desse sistemaem relação aos diferentes sistemas hidropônicosestudados está o menor gasto com energia elétrica,haja vista que trabalha 1/4 do tempo ligado/desligado, respectivamente, e alto poder tampãopela utilização de um volume muito grande desolução nutritiva por planta e a menor possibilidadede perda total da produção devido a problemas nosistema de alimentação ou falta de energia elétricaquando o produtor não possuir um gerador, emfunção da constante camada de solução nutritivaque fica a disposição das plantas.Os resultados preliminares obtidos mostramuma elevada taxa de multiplicação nesse sistemade cultivo, da ordem de 38,6 e 44,7 minitubérculos/planta para as variedades Agata e Monalisa,respectivamente. O peso médio dosminitubérculos variou de 5,7 e 7,0 g para a mesmaordem de variedades citadas. Em relação ao calibredos tubérculos, para ambas as variedades situaramsena faixa de 20 mm. Não podemos afirmar, noentanto, que este ou outro sistema hidropônicoseja ideal, pois no processo de adoção de umsistema pelo produtor devem ser levados emconsideração o clima da região, a disponibilidade ecusto do material de construção, a possibilidadede falta de energia elétrica e/ou gerador, aprodutividade e, conseqüentemente, a relaçãocusto/benefício do sistema. Acreditamos, todavia,que os produtores poderão contar com mais umaopção promissora para a produção deminitubérculos de batata-semente pré-básica noBrasil.Bibliografia Citada: Consulte o autor.Fig. 1 - Fase de montagem do sistema DFTFig. 2 - Colheita sobre a tela. Produção deminitubérculos aos 35 D.A.T.Fig. 3 - Detalhe do sistema radicular e maioria dosestolões abaixo e acima da tela, respectivamenteFig. 4 - Sistema hidropônico de produção deminitubérculos baseado no princípio hidropônico DFT


16 VariedadesBatata MarkiesUma cultivar versátil no campo e na MesaJoaquim Gonçalves de PáduaEng.º Agr., Pesquisador EPAMIG/CTSM/FECDpadua@epamigcaldas.gov.brBatata Cv. Markies após lavagem.Empresa S.M. Comercial Agrícola.Monte Mor/SP.Num momento em que abataticultura nacional vematravessando uma grande crise,principalmente pela baixaremuneração do produto, oanúncio de uma nova cultivartraz um novo alento. Sabemosque a solução dessa crise passapor mudanças comportamentaisde todos os setores,começando pela organizaçãodos produtores e planejamentoda produção, para evitarexcessos na oferta do produto.A escolha correta da cultivar, emfunção das exigências domercado e das condiçõesambientais e estruturais, podepermitir um manejo adequadoe a obtenção de um produtomais competitivo.Na escolha da cultivar éimportante que o produtorconsidere o potencial produtivoe a redução do custo daprodução, não esquecendo,porém, da qualidade póscolheitae da finalidade de usoque visa atender àsnecessidades do consumidor.A Empresa de PesquisaAgropecuária de Minas Gerais– EPAMIG, em parceria com aAGRICO BA, da Holanda, e aMargossian Sementes Ltda.,representante oficial da AGRICOBA no Brasil, vemdesenvolvendo ensaios comcultivares introduzidas da Holanda, nasdiferentes regiões produtoras de batata emMinas Gerais, visando selecionar aquelas quemelhor atendam às necessidades do Estadoe do país. Dos materiais já selecionados,ressalta-se a cultivar Markies, pelaversatilidade que apresenta, tanto nosaspectos de manejo como de consumo.Numa rede de ensaios conduzidos em 16ambientes diferentes, envolvendo variáveiscomo relevo, solo, época de plantio e nívelde tecnologia, a cultivar Markies sobressaiuentre as cultivares introduzidas em todos osensaios, sobrepondo ou igualando, noaspecto de produção, a cultivar Ágata,utilizada como testemunha. Apresenta umaboa tolerância à ‘Requeima’ (Phytophthorainfestans), doença responsável por grandesperdas na cultura e pela elevação do custode produção, e aos vírus do enrolamento eY n . As plantas são bastante vigorosas eapresentam porte ereto, que facilita arealização das práticas culturais. Na colheitadeve-se respeitar o ciclo de 90 a 100 diaspara o completo desenvolvimento dostubérculos e concentração da matéria seca.Predominam os tubérculos graúdos, comformato alongado cheio, olhos rasos, peleamarela clara e lisa, atendendo,perfeitamente, às exigências do mercadoconsumidor. Os tubérculos apresentam umbom teor de matéria seca e equilíbrio entreaçúcares redutores e amido, que lhesconferem dupla aptidão de uso, ou seja, boaqualidade após o preparo, tanto na forma decozimento como na de fritura.A cultivar Markies vem despertando aatenção de muitos bataticultores nosprincipais estados produtores. O Sr. ManuelPeral Silvantos, um grande produtor debatatas em Botelhos, no Sul de Minas, e osprodutores Sr. Gilson João Müller e Sr. PedroCv. Markiesprocessada na formade chipsCv. Markiesprocessada na formade palitosLavoura aos 90 dias após plantioBotelhos/MGDonizette Stuani, da Empresa S.M.Comercial Agrícola, em Monte Mor– SP, não poupam elogios ao falar dasatisfação que sentiram quandoplantaram a cv. Markies pela primeiravez, enfatizando que esta será acultivar escolhida para os próximosplantios. Segundo eles, o empregodessa cultivar implica em economiade agrotóxicos e ganhos no volume ena qualidade de produção, além daboa aceitação que a Markies tem tidono mercado.Entretanto, é bom frisar que, alémda escolha correta da cultivar, éimportante que o produtor utilizebatata-semente certificada e adote omanejo mais adequado para a suaregião.Mais informações podem serobtidas com o autor ou com orepresentante legal da AGRICO B.A.no Brasil: MARGOSSIAN SEMENTESLTDA. Telefax (19) 3894.5325Celular: (11) 9985.2475. Correioeletrônico: margossian@uol.com.br.Sr. Manuel Peral Silvantos e AbrahamMargossian. Colheita Cv. Markies.Botelhos/MG


Variedades19Em 2005, houve a introdução de sementede MARABEL que foi distribuída para algunsprodutores das regiões de Vargem Grande,São João da Boa Vista, Sul e Oeste de MinasGerais. Todos os produtores foramunânimes: é uma boa variedade, produtiva ede bom aspecto de pele.As principais características agronômicasda variedade são:Nestes anos de observação, pudemosindicar algumas recomendações técnicasas quais determinarão o sucesso doprodutor com o cultivo de MARABEL:· Evitar plantio de sementes muitoesgotadas.· É uma variedade de vegetação etuberização abundante, plantar comespaçamentos maiores.· Forma ramas abundantes, de portebaixo com tendência ao acamamentoe muito boa resistência aos ventos.· Responde bem a maiores dosagensde nutrientes (N = 120-150 kg/ha,P 2O 5= 600-800 kg/ha e K 2O = 280-350 kg/ha), em função da análise dosolo.· Produz tubérculos de formabastante regular, uniformes e compouco descarte.· Não apresenta dificuldade dequebra de dormência e brotaçãoplena.· Exige bons cuidados no manejo dasemente para evitar apodrecimentos.MARABEL já se encontra noRegistro Nacional de Cultivares debatata aprovada pelo Ministério daAgricultura para importação,produção e comercialização desementes.A experiência leva aoaprimoramento da aplicação dastécnicas de plantio e a garantia desucesso com o plantio de MARABEL,uma nova variedade, de fácil manejo eadaptação, enfim, mais uma novaopção.


Sobre a juta e malva brasileirasCom sacaria de juta todos ganhamCompanhia Têxtil de Castanhal - (11) 2121-4922vendas@castanhal.com.br / www.castanhal.com.brA Companhia Têxtil deCastanhal está sempre presentenos acontecimentos ligados àbataticultura, não só fornecendosacaria de juta 100% ecológica,como também colaborando noseventos onde a batata é fonte dediscussão.Gostaríamos, nos dirigindodiretamente aos produtores, decomentar que diante dasexigências cada vez maiores dequalidade e segurança dasembalagens e conseqüentementedo produto ensacado, estamossempre procurando aperfeiçoarnossos produtos aplicando o quede melhor existe em máquinas eequipamentos industriais, parapoder continuar merecendo suaprestigiosa preferência.Após a aquisição e instalação degrande número de máquinas noperíodo 2004/2005 estamos agoratotalmente equipados para atendera todos com segurança, eficiênciae qualidade, a qualquer tempoou quantidade.Ressaltamos que apesar dosaltos custos de modernizaçãoe tecnologia aplicada,procuramos manter os preçosda sacaria, dentro do possível,num patamar que não afete o produtorde batata, dentro, contudo, danormalidade de uma safra. Dessa forma,aliamos, segurança, qualidade e preçopara que possamos continuar a merecera sua irrestrita colaboração.A Castanhal se orgulha em poder aoslongos dos anos e das crises queporventura afetam todos os setoresultrapassar todos os obstáculos econtinuar a fornecer um produto cadavez melhor.A batata e a sacaria de juta andam ladoa lado, pois se fundem formando umconjunto estrutural onde a qualidade dabatata se alia à natureza da embalagem.Esta, por ser feita de uma fibra natural,ajuda a conservar melhor o produto atéseu destino final. Por ter uma estruturaEmpresas Parceirasde tela bem regular e coloração claramelhora a aparência da batata,permite uma maior proteção de suapele e absorve a umidade, agregandovalor ao produto.Quando uma empresa se instala emdeterminada comunidade está criandouma série de relações, não apenascom o mercado a que se destinam seusprodutos e serviços ou com osempregados envolvidos na produção.Empresas criam relações comfornecedores, com os vizinhos, comos consumidores, com os governos, ecom setores diversos da sociedade,especialmente num país que tem tantose reconhecidos problemas deexclusão social. As ações ligadas aeducação, saúde, integração social,21


22 Empresas Parceirasesportes e cultura revelam como acidadania empresarial exercida nasociedade começa no dever cumpridoem casa. A Castanhal tem sido umagrande construtora de relações aolongo dos seus 39 anos, e entendeudesde cedo que faz parte da vida dascomunidades em que está presente,fato este que pode também serpercebido através da grandecontribuição para a região.Embora não muito representativasno cenário agrícola como um todo, asfibras de juta e malva são de granderelevância para a região Amazônica,particularmente para os Estados doAmazonas e Pará. Culturas quedemandam grande mão-de-obra,contribuem muito para a região,principalmente para fixação dohomem no interior. Dessa atividadedependem, só na Amazônia, cerca de20 mil famílias.A juta e malva na região Amazônicasão cultivadas em pequena escala, emáreas que variam de 01 a 04 hectares,e o nível da tecnologia correspondeao de uma exploração familiar. Ossistemas de produção difundidos entreos juticultores através dos órgãos deassistência técnica atuantes na regiãovisam melhorar a qualidade dotrabalho e a produtividade doprodutor.A cidade de Castanhal está a 70 kmde Belém do Pará. Desta forma há emuma das regiões menos favorecidas dopaís agregação de valor em função dafabricação de sacaria de juta: umproduto 100% biodegradável,fabricado de forma limpa a partir deuma fibra perfeitamente integrada aobioma amazônico.A malva (Urena Lobata) é uma ervasublenhosa nativa da amazônia erepresenta atualmente mais de 90% dasafra brasileira, sendo portanto a juta(Corchorus Capsularis) minoria, e sãoutilizadas conjunta e indistintamente noprocesso industrial. Ambas sãoextensamente plantadas nas calhas dosrios da região durante a baixa,aproveitando o humus ali depositado,para que quando da época da cheia emfunção das chuvas e do degelo anual nosAndes a planta possa ser afogada nopróprio local, facilitando a retirada dafibra de seu caule. Desta forma a culturada juta/malva não utiliza queimadas,defensivos nem fertilizantes, tendo umciclo totalmente natural, assim como noseu processo de industrialização.A Castanhal renova anualmente suaLicença Ambiental junto à Secretaria deTecnologia e Meio Ambiente, e adisponibiliza para vários de seusclientes que trabalham comcertificação.Na fabricação de nossasembalagens em geral, entre elas o sacode batata, a preocupação ecológica étambém com o intuito de nãotransferir ao produto ensacado ou aomeio ambiente substancias nocivas ouprejudiciais à saúde.O problema ambiental decorrentedo uso indiscriminado de produtos depolipropileno tem levado países atentar soluções alternativas ouconcomitantes para resolver adestinação final desses petroquímicos.De forma contrastante com asmatérias plásticas – e em algunsaspectos até com o extrativismo - asfibras amazônicas constituem umrecurso renovável e auto-sustentável,promovendo uma inter-relação entreas questões ambiental e social.Pelo acima exposto podemosconcluir que nos tempos atuais aembalagem de juta é fundamental parao Brasil, e mais ainda se olharmospara o nosso futuro.


FMC lança fungicidapreventivo para aRequeima da BatataAlfapress ComunicaçõesCid Luis O. Pinto (19) 9183.3545 - Rafael Tonon(19) 9606.1514 - Central de Atendimento aoJornalista - Marcela Alessandri - (19) 3232.0050alfapress@alfapress.com.brO Ranman 400 SC age na prevenção deuma doença conhecida como requeima dabatata e do tomate, que pode trazer aperda total das lavourasA FMC Agricultural Products - umadas maiores empresas de agroquímicosdo País, lança o Ranman 400 SC, umnovo fungicida contra fungos da classedos Oomicetos, fungoresponsáveisl peladoença conhecidacomo requeima dabatata e do tomate(Phytophthora infestans)na batata e do tomate,que causa sérios danose pode trazerRanman - PlantaçãoRanman – Batatassignificativas as perdas totais de produçãodas lavouras, dependendo do nível dainfestação.O Ranman, cujo princípio ativo é oCyazofamid, é uma nova opção para omanejo preventivo desta poderosa doença,pois faz parte de um novo grupo químico emecanismo de ação, o qual age inibindo arespiração mitocondrialdos fungos, impedindo aprodução de energia.”,“O Ranman é uminovador fungicidaprotetor,pois éaltamente eficaz embaixas concentraçõesde ingrediente ativo”,Empresas Parceirasexplica Luiz Micelli, gerente de Herbicidase Fungicidas da FMC.Outro ponto forte do produto é o fatode apresentar alta ação lipofílica e baixasolubilidade, o que resulta em maior tempode aderência nas folhas e pouco lavadopela chuva, conseqüentemente,apresentando maior período residual decontrole do fungo entre os fungicidasprotetores. Além disto, Ranman é umfungicida específico de baixa toxicidade ecom baixo impacto ambiental. “É umproduto que age em várias fases dodesenvolvimento do fungo, com baixorisco de desenvolvimento de resistênciacomparado com outros fungicidas”,acrescenta Micelli.23


26Empresas ParceirasEfeito do Tratamento Aminoagrona Cultura da BatataSAAN Quadra 01, nº 980 – Cep. 70632-100 – Brasília-DFPabx: (61) 3361-0311 - e-mail: aminoagro@aminoagro.agr.brhttp: www.aminoagro.agr.brObjetivoAvaliar resultados dos tratamentos realizados com os produtos Lombrico MOL 75,Biocksil, Aminolom Foliar e Aminolom Floración no cultivo da batata-inglesa.Descrição GeralLocal: Fazenda Progresso IITratamento - Tratamento Aminoagro– Mucugê/BAProprietário: Pedro HugoBorréCultura: Batata, variedademundial Tipo 3 e Tipo 4Data de Plantio: Fevereiro /2003Pivô: número 2, área de 12ha.Data de colheita: 19 de maiode 2003ResultadosDiscussãoCom a utilização do tratamento Aminoagro foi possível obter um acréscimo na produção de 62 sc/ha utilizando, somente, sementesdo tipo 3 e tipo 4.Acompanhamento: Hercílio de Assis Pereira (Gerente de Produção da Fazenda Progresso II) e Harrisson Ridale Neves (Revenda Campo Novo deVitória da Conquista-BA)


VÁ PLANTAR BATATA!Albanez Souza de Sá(49)3277-0283 / (49)9983-8484Produtor ABBA27No tumultuado movimento de 1964meu pai estava escutando rádio para seatualizar das notícias vindas de Brasília,quando brincando fui imitar como se faziapara bater o sino da igreja puxando osfios da antena do rádio. Meu paienfurecido, pois o rádio saiu de sintonia,me disse “ALBANEZ VAI PLANTARBATATA”, e eu levei isso a sério.Aos 8 anos, comecei a trabalharpuxando os bois para arar a terra para oplantio de batata de meu irmão mais velhoe, em troca, ele me deu meia caixa debatata para plantar e cuidar. Fizemos issopor vários anos, só parei quando decidiestudar e fazer o ginásio agrícola (5ª à 8ªsérie), o técnico agrícola e finalmente ocurso de agronomia.Logo depois de graduado, fui trabalharna CIDASC (Companhia Integrada deDesenvolvimento Agrícola de SantaCatarina) com a função de inspetor debatata semente, só que nunca desisti daidéia de ser produtor. Fiquei 5 anos comesse cargo e depois disso passei a serprodutor de batata semente, lutando,desde então para defender a cadeiaprodutiva da batata, fazendo parte dafundação e primeiro presidente da AssociaçãoSerrana de Produtores de Batata SementeCertificada (Asseprobasc). Há 9 anos,participei da fundação da AssociaçãoBrasileira da Batata (ABBA), onde atualmenteocupo o cargo de Diretor de Batata Semente.Sempre em busca de inovaçõestecnológicas, participei de praticamentetodos os eventos ligado à cadeia da batatano país (Congressos, Seminários, ReuniõesTécnicas, Encontros Nacionais e Regionais)como também participei de viagens técnicasa diversos países como, Alemanha, Holanda,França, África do Sul, Chile, Argentina e EUA.Na EMBRAPA sou cooperado e produtorlicenciado para a produção de semente básicabuscando sempre produzir semente dasprimeiras gerações, mantendo assim asqualidades ideais da batata semente.Meu plantio vai de Agosto a Fevereiro,iniciando a colheita em Dezembro tendosemente disponível de Dezembro a Julhocom brotação natural. Atualmente produzono município de Bom Retiro-SC, esperandoreceber visita nos campos de produção apartir de outubro, onde os interessadospossam ver a qualidade do materialdisponível.As variedades que produzo atualmentesão: Ágata, Monalisa, Asterix, Baraka, Cupidoe Atlantic.Em virtude da instabilidade do Brasil, meupai, hoje com 90 anos, visita minhas lavourase com as mãos na cabeça diz: “ALBANEZPELO AMOR DE DEUS, PARE DE PLANTARBATATA”.


28 Produtor ABBAPequena empresa familiar que deu certoJéferson Luiz Suzin - Sócio-diretor da Agro Suzin - R. Juiz Fonseca Nunes, 379 - CP 192Cep 88600-000 - São Joaquim - SC - agrosuzin@brturbo.com.brA Agro Suzin é uma empresainovadora do setor debataticultura (semente básicae certificada), fruticultura(maçã, pêssego, pêra, ameixae kiwi em pequena escala),vitivinicultura (iniciando) esilvicultura (iniciando), tendosua origem em 1977, quandocomeçou o primeiro plantio debatata, desde então vemprocurando se adaptar àsexigências e necessidades domercado.Está localizada na Europabrasileira, São Joaquim/SC,conhecida mundialmente pelofrio do seu inverno,conseqüência esta que resultaem bons frutos e de excelentequalidade.Sua estrutura administrativaé composta pelos sóciodiretoresSr. Zelindo MelciSuzin, Jéferson Luiz Suzin eEverson Fernando Suzin, (o pai e dois filhos),uma família que permanece unida.Hoje, a empresa produz cerca de 1.500toneladas de maçã, 20 toneladas de pêra,40 toneladas de uva vinífera, variedadecabernet sauvignon (sendo vinificada em SãoJoaquim), 70.000 caixas de batata-sementebásica e certificada, variedades Monalisa,Ágata, Cupido, Asterix, Vivald, Caesar, quepara a região é uma produção expressiva.Sua produção é comercializada em todoo Brasil e até exportada (maçã). Éreconhecida pela idoneidade e qualidadedos produtos.A empresa tem como objetivo atenderde melhor forma aos seus clientes, por issoprima pela qualidade máxima em seusprodutos e, para que isso aconteça, estásempre em busca de novas tecnologias.Possui um quadro técnico formado por umEng. Agrônomo, quatro técnicos agrícolasque são responsáveis pela assistênciatécnica, conta com a produção de batatasementegenética própria, através daparticipação em uma empresa formada porprodutores da região (Sementop).Conta com o apoio de seus funcionárioscolaboradores, com o suporte de duascooperativas, rede bancária e também dealguns órgãos municipais, estaduais e atéfederais.Tem por objetivo uma melhor qualidadede vida própria, mas também para todasas pessoas que estão ligadas à ela direta ouindiretamente.


LegislaçãoA entidade certificadoraparte IIIEng. Agrônomo JoséMarcos Bernardibatata@solanex.com.brtelefone: 19-3623-2445Legislação Batata-Semente29Dando prosseguimento a seriereferente à Legislação de Sementes,continuaremos dando destaque paraaqueles tópicos da Lei 10.711 de 05de Agosto de 2003 os quaisconsideramos essenciais para amanutenção, prosseguimento, créditoe razão da Produção de sementes emuito mais para o caso de batatasemente, que ao contrario de sementesde outras espécies muito mais bemorganizadas, como grãos, hortaliçasetc. tem sido conduzida e praticadada forma mais amadora possível edesleixada. Estimativas não oficiaisrelatam que de toda a batata sementeplantada no Brasil, está perto de 5 % àárea de batata semente certificada. Anosso ver, o percentual é muito menor.E entre os vários fatores deficientes,incompetentes, obsoletos etc. aEntidade Certificadora, que é um dospilares de sustentação do Sistema deProdução de Sementes, será o temacentral da matéria. Universalmentereconhecido, o Sistema deCertificação, funciona porque em todomundo, como o próprio nome diz éum Sistema, e foi feito para defenderinteresses coletivos, sério, respeitado.Concebido por necessidade dacomunidade produtora e não impostopor aqueles que defendem seu própriointeresse.A extinta Entidade Certificadora emSão Paulo, que por convenio com oMinistério da Agricultura era aSecretaria da Agricultura de Estado, eque tanto serviço prestou com sucessopara tantas espécies, não emplacoupara o caso da batata.Agia mas não convencia. E nãoconvencia na sua parte maisimportante que era sua exeqüibilidade.O que se viu foi um modelo parecidocom o do imposto de renda: o Estadofinge que se cobra, e o usuário fingeque se paga. Ou seja, o pacote deburocracia substituindo a execução doSistema de certificação, contaminadopor programas e decisões vindas degabinetes de Brasília, em todas as suasfases, travava, e piorava a qualidadedos poucos que, muito mais porrespeito às autoridades profissionaisque estavam engajados na Entidade, pois estessim, formavam o mais nobre e impagávelpatrimônio da nossa bataticultura. Dizemospoucos, porque a grande maioria, sequer sabiado que se tratava a Certificação.Decadente, e irremediavelmente moribunda,vítima das decisões irresponsáveis dos muitospolíticos que passaram pelo governo de SãoPaulo, hoje, mesmo após a extinção doconvênio, é possível se ouvir a todo canto asinaceitáveis vaidades de funcionários públicosque não sabem administrá-las e pormesquinharia agridem se e emperram odesenvolvimento de outros projetos econvênios, como se fossem donos da agriculturae da sorte dos milhões de produtoresenvolvidos. Esta briga entre governo Federal eEstadual não é novidade.“Então mais uma vez, se cria uma nova Lei,com previsão de uma Entidade Certificadora,tanto na Lei 10.711 de 05/08/03, quanto noDecreto 5.153 de 23/07/2004 e também naIN nº. 09 de 02/06/05, chamam-na agora de“Certificador” ou” Entidade de Certificação”.E mais uma vez o produtor respeita, acredita,se dedica , participa e esta disponível paracontribuir como sempre fez. Como está fazendoagora. Pois em menos de dois meses, uma dasprincipais responsáveis pela nova legislação, aDoutora Rosangele Balloni Romeiro Gomes.,antiga funcionária da Secretaria da Agriculturae atual profissional do Ministério da Agricultura,que a toda àquela baixaria das vaidades citadasacima presenciou, foi designada pelo Dr.Francisco Sérgio Ferreira Jardim,Superintendente Federal de Agricultura em SãoPaulo, órgão que representa o Ministério daAgricultura no estado, para explicitar e orientaro processo de Constituição de uma entidadeCertificadora , a pedido dos produtores debatata semente de São Paulo. Nas duasoportunidades o que se viu foi o empenho dosprodutores de batata semente, em se organizare ter um órgão seria para uma indústria sériade sementes. Tal necessidade se deve a quesempre São Paulo saiu na frente para cumpriras determinações do Ministério da Agricultura.Para ter regras claras, transparentes e eficazes,e não como outrora em que cada estado fazia àsua maneira a própria certificação, e comofensas e acusações mútuas nas intermináveisreuniões que, quando havia , em Brasília.Nas duas oportunidades, a nobre profissionaldeve ter sentido que por parte dos produtores,ou de seus representantes,Que não é preciso fazer campanha nem apelo.A consciência dos mesmos para a necessidadede se ter uma Entidade que se normatize, erealize o processo de produção desementes executado mediante o controlede qualidade em todas as etapas de seuciclo, incluindo o conhecimento da origemgenética e o controle de gerações,conforme previsto na Lei de Sementes.Como já mencionado de outras vezes, e deantemão sabendo se que a lei foi feita parasementes em geral, muitos itens da Lei e doDecreto Regulamentar terão de ter uma“regulamentação” própria para a batatasemente. A possibilidade de se produzirsemente não certificada e em alguns casos sema comprovação da origem genética, colocaem risco o cerne da legislação que mal acabade sair do forno. Mesmo sendo estes, inscritosno Renasem, como pede a legislação, isto nãogarante em nada a garantia da manutenção daqualidade, pois claro o trânsito será livre e osinúmeros problemas fitossanitários estariamsendo esparramados pelos quatro cantos. Sim,pois, reiteramos, com a falta de estrutura dosórgãos governamentais, esta brecha, para ocaso de batata semente, propiciará um transitode alto risco para matérias sem controle,porque não haverá fiscalização do comerciode tais produtos nem por parte dos governosestadual nem federal.O MAPA, por enquanto é quem realizará aCertificação da Produção até que algumapessoa jurídica se credencie na forma da Leipara fazer este trabalho, conforme Art. 27 daLei de Sementes, mas como visto é anseio dosprodutores participarem e terem um órgãocertificador para orientá-los e para dar lhessegurança quando recorrerem ao mercadopor sementes.Esperamos que, o MAPA, através de seusórgãos competentes, esteja pronto e acessívelpara quem se interessar a contribuir para oprosseguimento e execução das legislaçõesrecentes e pertinentes sobre o assunto e paramoralizar e dar crédito ao novo sistema. Poisde nada adianta, se criar uma lei se os usuáriosnão se utilizam ou não lhe dêem o mínimocortejo. Pois se o mal fosse à apenas elespróprios, não haveria tanta preocupação, maso que esta em risco novamente, é a indústriade batata semente e a bataticultura de maneirageral, visto que as sementes trafegam de umlado para o outro dentro de regiões e mesmodo próprio país.


30 ABBAPUBLICAÇÕES TÉCNICAS ABBAA ABBA- Associação Brasileira da Batata,lançou no mês de novembro/2005, duasPublicações Técnicas:Murchadeira daBatataEditora:ABBA AssociaçãoBrasileira da BatataAutor:Dr. Carlos AlbertoLopesEmbrapa HortaliçasA batata e seusbenefíciosnutricionaisEditora:EDUFU - Editora daUniversidade Federalde UberlândiaAutores:Dra. Estefânia M. S. Pereira - UNITRIJosé Magno Queiroz Luz - ICIAG-UFU,Cinthia Cunha Moura - graduanda UNITRIInformações sobre as Publicações devem ser solicitadas através do e-mail:publicacoes.abba@terra.com.brCuriosidadesMASCOTESYNGENTA HOLANDAEMBALAGENS BATATA FRESCAFLOR DE BATATAMELHORAMENTO - HOLANDAVARIEDADES


Outras Cadeias Produtivas31Foto: Moisés Lopes de AlbuquerqueA ABPM e o Desenvolvimento da Indústria Brasileira da MaçãMoisés Lopes de Albuquerque - Gerente Executivo - ABPM - Associação Brasileira de Produtores de MaçãRua Arnoldo Frey, 313 - Centro. CEP 89.580-000 – Fraiburgo-SC - (49) 32462686/2912 - abpmmaca@abpm.org.brA grande arrancada comercial da IndústriaBrasileira da Maçã aconteceu em 1976. Poucodepois, em 31 de janeiro de 1978, era fundadaa ABPM – Associação Brasileira de Produtoresde Maçã, com um objetivo muito saliente:estabelecer e executar ações estratégicassetoriais voltadas à produção e promoção doconsumo da maçã no Brasil.Na época, praticamente toda a maçãconsumida no País era importada, e portanto,pouco acessível ao brasileiro de renda média.O grande volume desta fruta era da variedadeRed Delicious, que até hoje constitui o grossoda oferta da Argentina, origem de mais de 90%das importações brasileiras de maçã. Estavariedade apresenta ótima aparência, noentanto é “farinhenta” como popularmente sediz, ou seja, com pouca consistência, oferecendoquase que nenhuma sensação de suculência,crocância e sabor ao consumidor.Então, almejando executar o fimanteriormente exposto, o foco dos produtoresvia ABPM voltou-se ao estabelecimento deações que viessem a conferir ao brasileiro umamelhor qualidade de consumo que aquelaoferecida pela fruta importada, e democratizaro consumo do produto.O primeiro passo para a conquista das metasfoi a pesquisa de variedades que ao mesmotempo se adaptassem às condições climáticasdo Sul do Brasil, e oferecessem sensaçãoprazerosa ao paladar. Neste ponto, foi brilhantea escolha das variedades Gala, de origemneozelandesa e Fuji, proveniente do Japão, queconstituem cerca de 95% da produção nacional.A Gala é a variedade mais demandadamundialmente, e a Fuji é de saborextremamente doce.A partir do estabelecimento das citadasvariedades, o trabalho da ABPM focou-se emvários outros objetivos específicos. Mantemosuma comissão técnica de definição eacompanhamento de pesquisas voltadas aodesenvolvimento da qualidade e produtividadede nossos pomares. Temos executado no Brasile no exterior campanhas promocionais da maçãbrasileira, comunicando ao consumidor oprazer de saborear uma maçã e os benefícios àsaúde inerentes à fruta. Através de pesquisasquantitativas e qualitativas, temos abordadonossos consumidores buscando conhecê-los eassim prestar o produto que melhor lhesagrade, da forma que lhesseja mais conveniente.Somos a voz do produtorbrasileiro junto ao governovisando sempre odesenvolvimento de nossosegmento, bem como dariqueza sócio-econômicaque proporciona.Os números refletemos resultados destesesforços. Na Safra 1977/78, o Brasil importou190.217 toneladas contrauma produção de apenas 14.218 toneladas. NaSafra 2003/04, a produção brasileira subiu para990.000 t e a importação caiu para 42.000toneladas. Atualmente, o segmento da maçãemprega direta e indiretamente em nosso Paíscerca de 135.000 pessoas, e o produto éconsumido de uma extremidade a outra doBrasil.A perspicácia e tecnificação do produtorbrasileiro foram fundamentais para estecrescimento. Trouxeram eficiência à produção,instigaram investimentos em complexos deúltima geração para a classificação, embalageme armazenagem da fruta, e possibilitaram aadequação da pomicultura nacional aos maisexigentes protocolos nacionais e internacionaisMoisés Lopes de Albuquerquede certificação, com destaque para o Eurepgap,Produção Integrada de Maçã e APPCC. Por isto,além de referência em sabor, a maçã brasileiratornou-se símbolo de excelência em qualidade,segurança alimentar, respeito ao meioambiente,responsabilidade social,comprometimento com o bem-estar doscolaboradores e com a saúde do consumidor.Uma conquista recente da ABPM a serdestacada foi a isenção do ICMS nos Estados deSanta Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul,que se uniram aosestados de Minas Geraise Goiás onde a fruta jáestava livre do imposto,graças a trabalhosconjuntos desenvolvidospela ABPM ecomerciantes locais. Asatividades seguirão como intuito de alargarmos aconquista para outrosestados, retificando umainjustiça: a maçã é a únicafruta de cultivorepresentativo no Brasil a pagar ICMS.Muitas outras ações permanecem comodesafios à ABPM. A conquista de crédito comvolume de recursos e taxas que atendam asnecessidades e realidade do Setor é umexemplo. Ademais, estamos constantementealertando às autoridades brasileiras acerca dequão equivocada é a possibilidade de importaçãode maçã chinesa sob os pontos de vista sócioeconômico,ou seja, é uma ameaça enorme aogrande volume de empregos aqui gerados, derisco à saúde do consumidor, de perigo deintrodução de novas pragas e de oferta de umproduto de qualidade de consumo duvidosa,representando o caminho oposto daquele quedeu ensejo à criação da ABPM pelos produtoresnacionais.


32 Beneficiamento Batata FrescaChega ao Brasil última palavra emtecnologia para seleção de batatasKORIMA Equipamentos Industriais, fone (11) 5594.2003,www.korima.com.br - best@korima.com.brA empresa BEST, de origem belga(Belgian Electronic Sorting Technology),através de sua representante brasileira,Korima Equipamentos Industriais, anunciao lançamento no mercado nacional detecnologia inovadora para a seleção debatata. Baseia-se em um sistema capaz devisualizar os objetos de forma simultâneapor laser e câmeras, o que implica napossibilidade de seleção por cor,estrutura e forma das batatas,conferindo diferenciais competitivos àsetapas do beneficiamento.Conforme explica Rodrigo deGarcia, gerente de vendas da Korima,o princípio tecnológico utilizado dosequipamentos BEST é o da simplicidadeoperacional e excelência em eficiência. ABEST possui todas as possíveis tecnologiaspara sistemas de visão, quais sejam: raios-X, câmeras e lasers. “Para as batatas,apenas o raio-X não possui aplicabilidade”,avalia Rodrigo. Além disso, possui tambéma possibilidade de o equipamentoprovocar queda livre aos produtos (emum processo exclusivo), enquanto osanalisa e os seleciona para modelostotalmente a lasers, ou por esteira paramodelos combinados. “Vamos considerarum exemplo, como o equipamentoGENIUS – que utiliza esteira paraencaminhamento das batatas. Este modeloapresenta câmeras especificamenteposicionadas para ver todos os lados doproduto que está sendo analisado, inclusivepor baixo, e então poder contar com umaexcelente seleção, por observar asdiferenças de colorações”, informa.Três etapas em umaO grande diferencial do GENIUS éque, além das câmeras específicas paraChips natural ruimChips natural boaFrita ruimFrita boaseleção por cores, “uma plataformaexclusiva pode também ser instalada, parapermitir seleção por formas e tamanhos”,informa de Garcia. “E, na versão maiscompleta, lasers analisam a presença demateriais/ objetos estranhos ao produto.São três etapas em uma só: seleção porcores, forma e materiais estranhos”,finaliza.Lasers – Remoção de Objetos Estranhos“Com o laser, a identificação de materiaisestranhos à batata torna-se extremamentefácil. Uma combinação de lasers, sendo que oque prevalece é o infravermelho, é capaz deidentificar o que é a batata e o que são osobjetos estranhos, por exemplo madeira,metal, pedra, plástico, tecido, insetos, dandolheso devido destino – a rejeição, mesmo queestes sejam da mesma cor que os produtosbons”, explica. Outra vantagem é que estatecnologia permite a detecção e seleção devidro, principalmente vidros transparentes,junto a todos os outros materiais estranhos.Para estes objetos estranhos, a eficiência deseleção é de 99%.Simplicidade OperacionalConforme mostra Rodrigo, osequipamentos BEST são de simplesoperação, não necessitando deoperadores especializados paratrabalharem os equipamentos, além debaixíssima manutenção, dada àsurpreendente simplicidade construtiva.Máquina Genius 640“Quando a BEST decidiu investir no mercadomundial, tiveram de desenvolver um sistemaque fosse eficaz de forma global, partindosempre de sua matriz na Bélgica”, avalia.“Assim, criaram seus equipamentos cujaplataforma permite que até um simplesoperário funcione e ajuste o equipamento comapenas um dia de treinamento”, finaliza. Nomais, a simplicidade construtiva contribui paraa baixíssima necessidade de assistência técnicae, quando esta é necessária, é fácil de selocalizar o defeito.A experiência da BEST também mostra suaexcelência. Fundada em 1996, em menos de10 anos, já conta com, ao redor de, 2000equipamentos por todo o mundo, em que, aoredor de, 400 são para batatas. “Certamentequem cresce dessa maneira não é oferecendoequipamentos que funcionem menos do que oque se divulga”, finaliza Rodrigo.Para a tecnologia de seleção por esteira,BEST dispõe do equipamento GENIUS em trêsversões: o GENIUS 640 (foto), que ofereceseleção a uma velocidade máxima (de produtoentrante) de 3~3,5 toneladas/ hora, o GENIUS1200, para 8~10 toneladas/ hora, e o GENIUS1600, para quem necessita de até 16 toneladas/hora.Mais informações sobre a BEST podem serobtidas com seus agentes no Brasil: KORIMAEquipamentos Industriais.Batata ruim


RANCHO DA BATATAO Rancho da Batata Indústria e Comércio deAlimentos Ltda está localizado na Br 277 km 124,no Bairro de São Caetano na Cidade de BalsaNova - Paraná.Iniciou suas atividades em 1998 de maneirainformal, numa pequena casa (quase que umrancho). Daí o nome Rancho da Batata. Nãotínhamos estrutura nenhuma, nem idéia de comofuncionava uma indústria, mas, percebemos queera um mercado promissor e que teria futuro.Procuramos então o SEBRAE, que nos orientouem todos os sentidos. A partir daí, começamos a(41) 3399.4251 - 3399.2027 - 9115.9607 -9115.8114 - ranchodabatata@hotmail.cominvestir no negócio e, hoje, já temos nossa sedeprópria e contamos com 23 funcionários.Industrializamos a batata palha e a chips e, dentreas variedades de batata in natura disponíveis nomercado, utilizamos as marcas: Atlantic, César,Panda, Asterix, Baraka e Bintje, que são as maisindicadas para fritura.A produção da batata frita segue os seguintespassos: primeiramente, é adquirida a batata “innatura”, ou seja, a matéria-prima. A seguir, é feita alavagem da batata para retirar excesso de impurezas.Após, é colocada em uma máquina onde é retirada apele da batata por meio de lâminas rotatórias quegiram a 360 graus. Em seguida, a batata é colocadaem uma máquina para que a cortem na formadesejada (palha ou chips). Depois de cortada, é feitauma nova lavagem para retirar o excesso de amidoe, então, é colocada em uma mesa para que escorratoda a água da lavagem.Neste estágio a batata está pronta para ir à fritura,isto, a altas temperaturas. Após, a batata já frita ésalgada e deixada descansar por um período, e, sódepois, vai para empacotamento.Além da batata frita, hoje estamos tambémfabricando “Canudinhos para rechear”, pois tambémtem um mercado garantido.O Rancho da Batata preocupa-se muito com aqualidade do produto (o que é nosso diferencial),por isso, só usamos matéria-prima de melhorqualidade, além de termos uma preocupação com ahigiene, o manuseio, dando a nossos funcionáriospalestras e treinamentos neste sentido.Estamos dentro de todas as Leis que a Anvisa exige.Possuímos nutricionista, químico responsável,Indústriaengenheiro e médico do trabalho queorientam nossos funcionários fazendo, comisso, que o produto final tenha cada vez maisqualidade. Toda essa preocupação é devidoao respeito que temos pelos nossosconsumidores.Hoje, em média, temos uma produção de80 a 100 sacos diários de batata “in natura” oque equivale a 30 mil toneladas/mês de batatafrita.“Qualidade não se diz - se produz”33


34Comercialização de Batata FrescaComercialização de Batata naCEAGESPMarcia Yuriko Iuamoto - myuriko@gmail.com - Engenharia Agronômica - ESALQ/USP - (11) 7449.5429 / 3643.3827Parceria do Centro de Qualidade em Horticultura da CEAGESP e SYNGENTA Proteção de Cultivos Ltda.A comercialização da batata no EntrepostoTerminal de São Paulo (ETSP) da Central deEntrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo(CEAGESP) cresceu 26% em volume, de 2000 a2003. Em 2004, o volume comercializado no ETSPfoi de 223.660 toneladas e apresentou umapequena queda de 3% em relação ao ano anterior.No ano passado, cerca de 15% da produçãopaulista foi comercializada no ETSP.Pouco mais da metade do volume totalcomercializado no mercado da CEAGESP éproveniente do estado de São Paulo. Em segundolugar, com 30% da participação, está o estado deMinas Gerais, em seguida oParaná, com 14% do volumetotal. O restante é divididoentre os estados de SantaCatarina, Goiás, Rio Grande doSul e outros.As principais variedadesencontradas hoje no mercadode São Paulo da CEAGESP são:Ágata, Monalisa, Baraka,Cupido, Caesar e Asterix. Avariedade mais comercializadahoje é a Ágata. Algunspermissionários afirmam queacima de 90% do volumeVista dos boxes de batata no ETSPda CEAGESPcomercializado são da variedade Ágata e outrosafirmam que são acima de 50%.Os termos utilizados para definir os diferentescalibres da batata variam de acordo com a regiãode comercialização. Foi realizada umaharmonização entre os termos utilizados nomercado de São Paulo da CEAGESP e as classesdas normas de classificação de batata do ProgramaBrasileiro para a Modernização da Agricultura.A Seção de Economia e Desenvolvimento daCEAGESP monitora diariamente os preços devenda do atacado para o varejo: Batata Comum,Batata Beneficiada Comum e Batata BeneficiadaLisa. São consideradasBatata Comum e BatataBeneficiada Comum, asvariedades Ágata,Monalisa, Caesar, Asterixe Baraka. A diferençaentre os dois termos sedeve ao processo debeneficiamento da batata.A Batata Comum ésomente escovada e aBatata BeneficiadaComum é lavada. Já otermo Batata BeneficiadaLisa refere-se àsvariedades Bintje e Cupido, que apresentam maiorvalor comercial.Em relação ao tamanho, os termos utilizadossão Especial, Especialzinha, 1ª e 2ª. O termoEspecial refere-se à Classe II do ProgramaBrasileiro para a Modernização da Agricultura, otermo Especialzinha, à Classe III e os termos 1ª e2ª, às classes IV e V, respectivamente.O Valor da BatataFoi realizado um estudo sobre a valoração dabatata na comercialização, considerando-se asvariedades e as classificações encontradas nomercado. Para comparação, foi atribuído o índice100 ao maior valor e índices proporcionais paraos outros preços. A comparação entre asvariedades foi feita dentro da mesma classe detamanho. A comparação entre as classificações foifeita com a mesma variedade.As variedades com índice 100 foram Cupido eBintje. A Bintje, praticamente, não é mais


encontrada no mercado da CEAGESP, pois osprodutores alegam que o investimento para o cultivodesta variedade não é compensado pelo preço decomercialização. Mas ainda apresenta um valor alto,pela sua reconhecida qualidade culinária. A Cupidoapresenta alto valor no mercado por apresentar umaaparência muito boa, com a casca lisa, muitobrilhante, “parece um sabonete”, disse um vendedor.As variedades Ágata e Asterix empatam emsegundo lugar com índice 98. A Ágata por apresentaruma ótima aparência, e a Asterix pela qualidadeculinária, porém esta não é uma variedade muitodifundida no estado de São Paulo.Em seguida, encontram-se a Monalisa, com índiceum pouco acima do índice atribuído a Caesar, comíndice 92. A Monalisa também já foi a mais valorizadapela aparência, porém perdeu espaço para a Ágata,e a Caesar é comercializada em baixos volumes.A variedade Baraka ficou em último lugar comíndice 65, na pesquisa de valoração. Apesar de suaótima qualidade culinária, ela apresenta um baixovalor por ser comercializada somente escovada enão apresentar uma boa aparência.Existe pequena diferença de valor entrevariedades de grande diferença de qualidadeculinária. O que é preciso descobrir é a sua relaçãocom a diminuição do consumo per capita de batatain natura e o aumento do consumo per capita debatata industrializada (na sua maior parte importada),registrados pela POF – Pesquisa de OrçamentoFamiliar – do IBGE.No mercado paulistano, a classificação maisvalorizada é a Especial, que varia entre 42 e 70mmde diâmetro. Em seguida, encontra-se a Florão(acima de 70mm), com índice 85, que é procuradaprincipalmente pelos restaurantes. A classificaçãoSegundinha ou Bolinha (abaixo de 33mm), apresentauma valoração de 60% em relação à Especial e édestinada principalmente ao preparo de conservas.As classificações Primeirinha e Boneca apresentarammenor valor, índice 45; a Primeirinha por apresentarum tamanho inadequado para os supermercados,restaurantes e indústria, e a Boneca apresenta umagrande mistura de calibres e grande quantidade dedefeitos.O estudo mostrou uma variação de valor entreos diferentes tamanhos de batata de até 55%, adesvalorização da batata escovada e a valorizaçãodas variedades de melhor aparência.Perfil do Comprador de Batata do Mercadoda CEAGESP, Redes de Supermercados eDistribuidorasUm levantamento foi realizado com oscompradores de batata dentro e fora do ETSP everificou-se que, atualmente, a importância davariedade somente é relevante para os feirantesque, ao realizar a venda, mantêm um contato diretocom o consumidor final, podendo instruí-lo sobrea melhor finalidade culinária de cada variedade.O preço do produto tem grandes variaçõesdurante o ano, o que é considerado uma dificuldadena comercialização. O preço varia mais devido àoferta e, não somente, pela qualidade da batataoferecida. Em momentos em que a oferta é poucae a demanda é alta, a exigência do padrão dequalidade cai bastante. A variação do preço tambémé devido ao calibre, porém essa variação éconstante durante o ano.Para estabelecimentos que comercializam abatata in natura (feiras, sacolões, varejões esupermercados), a aparência e o calibre dotubérculo são de extrema importância. O padrãodos atributos de qualidade varia conforme o nichode mercado que é atendido.Para os estabelecimentos que preparamrefeições coletivas, e que a batata será apresentadapreparada para o consumidor final, a aparêncianão tem grande importância, já o calibre éimportante conforme o prato que será preparadoe os defeitos não aceitáveis são, principalmente,podridões e esverdeamento do tubérculo.Cozinhas industriais que possuem descascadoresautomáticos também não aceitam tubérculosdeformados, devido à grande perda. Em relação àvariedade, também não há preocupação por essesestabelecimentos. Os funcionários dasdistribuidoras não sabem reconhecer as variedadesque recebem e os responsáveis pelas escolhas decardápio, em geral nutricionistas, pouco ou nadasabem a respeito das qualidades e diferenças entreas batatas. Com a tendência à mecanização dascozinhas industriais, a batata classificadacomo Boneca acabará perdendo seu espaçono mercado.Perfil do Consumidor de BatataO IBGE mostra a diminuição do consumoper capita de batata in natura de 13,04kg em1987 para 9,22kg em 1996 e chegou a 5,27kgem 2003, um decréscimo de mais de 40%de 1987 a 2003. O consumo da batata innatura no Brasil está diminuindo com o passardos anos. O consumidor, que busca acomodidade e praticidade, está trocando as feiraslivres e varejões pelos supermercados ondepodem encontrar, além de frutas e hortaliças,outros produtos necessários para o seu dia-a-dia.Porém, nas gôndolas dos supermercados em queencontramos batatas à venda, cartazes só indicamo produto como “batata”, sem a indicação davariedade. Os consumidores compram o produtopela sua aparência, de cor clara, casca lisa, sempresença de defeitos, etc. e quando fazem opreparo do prato, reclamam que a batata encharcaquando frita, que não cozinha bem e fica“borrachuda”, que o purê fica aguado, que a massaficou “pesada”, entre outras reclamações. Mas nãosabem que existem diferentes variedades que sãoadequadas para cada tipo de preparo.A falta de informação disponível sobre a utilidadeculinária de cada variedade, faz com que osconsumidores mostrem-se cada vez maisdecepcionados ao realizar o preparo de um pratoComercialização de Batata Frescaque inclui a batata. Desse modo, os mercadosde batata chips, batata palha, e batata pré-fritacongelada estão em expansão.Além da falta de conhecimento, a falta deopções de variedades é outro problema. Ossupermercados não oferecem muitas opçõesaos consumidores. Somente os consumidoresfreqüentadores de feiras livres, onde possuemcontato direto com o vendedor, conseguemcomprar as variedades certas para os pratos aserem confeccionados.Rotulagem e EmbalagemA portaria nº 69 do MAPA reforça aobrigatoriedade da rotulagem, porém nemtodos os produtores atendem a essa exigênciadevido à falta de fiscalização. Para atender àexigência, muitas vezes, são encontradosprodutos com rótulos reaproveitados de outrosprodutores, uma vez que as sacarias sãoreutilizadas, ou ainda, os rótulos sãopertencentes às empresas atacadistas quecolocam o rótulo somente na carga à vista emcima dos caminhões.A reutilização das embalagens descartáveiscom marca, além de infringir a InstruçãoNormativa Conjunta 09 de 17/11/2002 da SARC,IPEM e ANVISA, que proíbe a reutilização deembalagens descartáveis, é crime segundo oCódigo Penal (artigo 171) e o Código de Defesado Consumidor (artigo 37).Embalagens de BatataA rotulagem dá ao produtor a oportunidadede ser reconhecido no processo decomercialização e de construir a sua marca,sendo passo imprescindível para a garantia darastreabilidade. Com a rotulagem, aidentificação da variedade das batatas pode serlevada até o consumidor final com informaçõessobre suas qualidades culinárias e utilizações,incentivando o consumo da batata in natura.Exemplos de Rotulagem35


36 Comercialização de Batata FrescaEntrevistaMargarete Boteonhorcepea@esalq.usp.brA Dra. Margarete Boteon é pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em EconomiaAplicada (Cepea), da ESALQ/USP, e responsável pelo projeto de inteligência de mercado docentro na área de frutas e hortaliças. Desde 2001, o Cepea acompanha e estuda o mercado debatata in natura.à esquerda, encontra-se a Rafaela C. daSilva, no meio, João Paulo Deleo e àdireita, Margarete BoteonBatata Show: Qual é a relação doCepea com a Esalq? Como sãorealizados os estudos a respeito domercado de batata pelo Centro?Margarete Boteon: O Cepea é o centrode economia da ESALQ, ligado aoDepartamento de Economia, Administraçãoe Sociologia Rural. A sua atividade principalé o desenvolvimento da área de inteligênciade mercado das cadeias agroindustriais maisrelevantes do país. No caso da batata,diariamente consultamos os produtores,beneficiadores e atacadistas a respeito doplantio, colheita e comercialização dotubérculo. Paralelamente, temos umaequipe de pesquisadores que estudam essasinformações e realizam análises econômicasa respeito do mercado de batata.Batata Show: Como os produtorespodem ter acesso a essas pesquisas?Boteon: Nós temos uma publicaçãomensal, a Revista Hortifruti Brasil, na qualdivulgamos informações de mercado, preçose perspectivas do mercado de batata e deoutros oito produtos: cebola, tomate, manga,melão, mamão, banana, uva e citros. O acessoé gratuito e encontra-se disponível no nossosite (http://cepea.esalq.usp.br/hfbrasil). Osprodutores de batata também podemsolicitar um exemplar gratuitamente.Batata Show: Após quatro anos deestudos a respeito da comercializaçãoda batata no país, quais são as principaiscaracterísticas da comercialização dessetubérculo na visão do Cepea?Boteon: No geral, a comercialização debatata apresenta fortes oscilações de preçosem resposta à variação da oferta. Essavariação de volume está correlacionadadiretamente com a capacidade deinvestimento do produtor na área de plantio.Ampliação da área, como a que ocorreu emVargem Grande e do Sul de Minas nestasafra de inverno, em função da capitalizaçãodos produtores da safra anterior, deprimemos preços a níveis muito abaixo do seu custode produção. Por outro lado, a redução deárea, como na safra das águas 2004/05,impulsiona os preços a patamares muitosuperiores ao custo unitário, mas a poucaoferta não garante uma boa lucratividade.Isto é, a cadeia da batata enfrentainelasticidade da demanda a preço e renda.Isso significa que a demanda pouca altera,porque o preço encontra-se mais atrativo eum aumento no poder de compra doconsumidor não representaránecessariamente um estímulo ao aumento dasvendas do tubérculo. Além disso, o setor é bastantepulverizado em número de produtores, masencontra-se cada vez mais concentrado na pontacompradora e a demanda por batata não cresce.Isso faz com que o produtor apresente margens decomercialização muito restrita.Batata Show: Qual sua sugestão paramelhorar a rentabilidade do produtor debatata?Boteon: Não há uma saída fácil, a dificuldade nacomercialização do produto não é um problemarestrito dos bataticultores, mas de todos osprodutores de frutas e hortaliças. A percepção delesé que a maior barreira na expansão da área decultivo atualmente não é por restrições agronômicase sim pela dificuldade de comercialização do produto.Há uma urgência em modernizar a estruturacomercial do setor de frutas e hortaliças nacional,priorizando a regularidade, qualidade, segurança einformação a respeito do produto para o consumidorfinal. O setor produtivo não vai agregar valor ao seutubérculo, por melhor que seja sua qualidade e assuas características culinárias, se o comprador nãovalorizar esse produto para o consumidor final. Omodelo atual de gestão das propriedades de batata,baseado em produtividade e escala, não serásuficiente para garantir a lucratividade das lavourasno futuro. O conceito deve ser mais amplo, aprodução deve ser planejada de acordo com asnecessidades do consumidor final e o grandefacilitador dessa integração (campo e consumidor)é uma estrutura atacadista/varejista mais moderna.Batata Show: Quais são as principaismudanças que precisam ser realizadas para amelhoria da comercializaçao de batata noBrasil?Boteon: É preciso colocar em prática um planoestratégico de modernização para o setor como umtodo. Temos que focar em três ações: choque degestão das propriedades, modernização dos canaisde comercialização e promoção do consumo dotubérculo. Quanto à gestão das propriedades, o setordeve sempre buscar a eficiência produtiva eadministrativa das propriedades, principalmenteadotando práticas agrícolas que se adequem dentrodos conceito das Boas Práticas Agrícolas, produzindoum produto seguro e adequado às necessidadesdos consumidores. Para agregar valor à produção,os compradores devem se preocupar mais ematender às necessidades dos consumidores erepassarem essa tendência para os produtores,estabelecendo uma parceira com o bataticultor paraproduzir um produto diferenciado. Aliado a estasduas ações, que priorizará um produto seguro, dequalidade e adequado às exigências dosconsumidores, é vital o consumidor receber maisinformações a respeito do produto quanto suaversatilidade culinária e seus benefícios nutricionais.Batata Show: Como tem sido o consumo debatata no Brasil? Qual a perspectiva?Boteon: O consumo de batata in natura nos laresreduziu em algumas metrópoles como em São Paulo,nestes últimos 30 anos. A razão é que os hábitos deconsumo, principalmente nas grandes metrópolesnacionais, estão, cada vez mais, similares aos padrõesde consumo dos países desenvolvidos, como o norteamericano.Isto é, as famílias buscam praticidade nahora de preparar os alimentos e, cada vez mais,realizam sua alimentação fora do lar. Avaliandoespecificamente o consumo da batata nos laresbrasileiros, pode-se observar que o consumo dotubérculo nos lares reduziu mais de 40% entre 1975e 2003, nas principais regiões metropolitanas. Poroutro lado, é cada vez mais presente nos lares produtosprontos, alimentos derivados do tubérculo, como abatata pré-congelada. Nas camadas de maior poderaquisitivo do Brasil, com faturamento mensal familiaracima de 15 salários mínimos, o que representa 15%da população (ou 26 milhões de pessoas), o gasto mensalcom batata nos lares era cerca de R$ 10,00 com oproduto in natura e já aproximava-se de R$ 3,00 coma batata pré-congelada, em 2003, especificamente parao consumo nos lares. Essa tendência de praticidade nofuturo tende acentuar e a participação relativa da batatain natura deve reduzir nos lares em detrimento doproduto minimamente processado e industrializado.Batata Show: Como será a produção de batatanos próximos anos no Brasil?Boteon: Se as regiões produtoras, cada vez mais,adotarem poucas variedades e altamente produtivas,como a Ágata, a tendência é um aumento da oferta porcausa dos ganhos de produtividade nas lavouras. Poroutro lado, se o consumo per capita do tubérculo nãoaumentar, mesmo com o aumento da população noBrasil, o ganho de produtividade é mais do que suficientepara atendê-los, sem a necessidade de ampliação daárea. O custo provalvemente reduzirá do tubérculo eos preços continuarão a se pressionados,principalmente se mantivermos a atual estruturacomercial. Com isso, a receita de lucratividade dosetor vai ser como a de outras commodities agrícolas,isto é, a permanência do produtor no campo só seráviável com o aumento de escala da produção, para cadavez mais, ter um produto competitivo no mercado.Aliado a isso, a concentração e o elevado poder debarganha das grandes redes varejistas continuarãopressionando significativamente as margens decomercialização do produtor. Isto pode gerar umaredução no número de produtores. Por isso, desde já,é importante o setor mudar sua estratégia de produção,indo além do ganho agronômico para agregar valor aoseu produto.


Viagens Técnicas37grupo ABBAVIAGEM TÉCNICA ABBA - 2005A ABBA organizou uma viagem técnica eturística à França e Holanda, de 03 a 11 desetembro de 2005.O grupo foi composto por55 pessoas - Bahia (09), Goiás(07), Minas Gerais (09), SãoPaulo (18), Paraná (10) e RioGrande do Sul (02).A viagem teve comoobjetivos conhecer a CadeiaFrancesa da Batata, participardo Potato 2005 emEmmeloord - Holanda - eaproveitar para realização deatividades turísticas eculturais.Como atividades turísticase culturais, o grupo visitoulocais históricos tais comopalácios, museus, igrejas,monumentos, shoppings,restaurantes, etc.batata consumoinformações culináriasbatata processadacozida e sem cascaFeira Emmeloord - Visão GeralComo atividadestécnicas, o grupo teveoportunidade deconhecer pessoas,empresas eorganizações que jáforam modernizadaspara seremcompetitivas aomundo globalizado.Na França,visitamos o RungisMarche International,o maior e maismoderno centro dedistribuição dealimentos frescos daEuropa; a F.N.P.P.T -Federation Nationaledês Producteurs dePlants de Pomme deTerre e o Comitê Nord - organizaçõesprofissionais dos produtores franceses; aempresa Parmentine – empresa especializadano fornecimento de batata frescaàs grandes redes de varejo e umaloja do Carrefour onde pudemosobservar a diversidade de batataspara atender às demandas dosconsumidores.Na Holanda, participamos dafeira qüinqüenal de Emmeloord– uma das maiores feiras dacadeia da batata; visitamos aAgrico – uma das maioresprodutoras de batata-sementedo mundo; a Tolsma Techniek –empresa que produz modernasmáquinas de beneficiamento debatata, cebola e cenoura.Também visitamos as empresasBejo Sementes e Enza Zanten,especializadas na produção desementes de cenoura e cebola.Pudemos observar nestes países, em plenofuncionamento, diversas atividades que,infelizmente, continuam como problemas noBrasil.Destacamos as modernas legislaçõesinerentes à batata-consumo, semente,ambiental – são exeqüíveis e proporcionamresultados práticos; a organização das cadeiasprodutivas - altamente profissionalizadas,sustentáveis e competitivas; os mecanismos deagregação de valores – rastreabilidade,embalagens, variedades; a defesa comercial efitossanitária – inexistência de inadimplência euso obrigatório de batata-semente certificada;a abundância de tecnologia - mecanização,transporte, beneficiamento, embalagens,nutrição, variedades, etc; a satisfação e orespeito aos consumidores – classificaçãomoderna e informações culinárias.Sem dúvida, estas mudanças só forampossíveis porque houve a integraçãoprofissional das pessoas, empresas, segmentose governo e as decisões atenderam aosinteresses coletivos em detrimento doindividual.oferta de batata frescaCarrefour - FrançaVisita à Agrico - Holanda


38 Viagens TécnicasVisita Técnica - Dakota doNorte e MinnessotaEng. Agrônomo José Marcos Bernardi - batata@solanex.com.br - telefone: 19-3623-2445Neste ano, o Conselho de Produtoresde Batata dos Estados Unidos USPBpatrocinou mais uma viagem técnica paraos Estados Unidos. Na última semana dejulho, como já faz há quatro anos, foi avez dos convidados brasileiros viajarem,primeiramente, para o Colorado e depoispara Dakota do Norte e Minnesota.O início do tour técnico se deu comum Seminário Internacional de Batata-Semente, realizado em Denver, no BrownPalace Hotel, com a presença dedelegações internacionais comoVenezuela, Honduras e RepublicaDominicana, além da Brasileira.A abertura foi feita por Leah Cochrane John Toaspern, responsáveis peloUnited States Potato Board, e logo apóso Senhor Bud Middaugh da FundaçãoNacional da Batata USA, anunciou oCongresso Mundial da Batata que serárealizado em Boise, Idaho no ano quevem.A palestra sobre Certificação deBatata-Semente nos Estados Unidos,Europa e Canadá foi proferida pelo Dr.Willem Schrage, da Secretaria daAgricultura de Minnesota, que,brilhantemente, explanou os principais eimportantes fatores a se considerar como Sistema de Produção de Sementes desua região.De Denver CO , cruzamos os EstadosUnidos até alcançar o Aeroporto de StPaul/ Minneapolis e de lá para GrandForks, na Dakota do Norte tudo de pertoacompanhado por Ed Missiaen consultordo USPB que fala Português fluentemente.Antes de sairmos a campo, visitamos oescritório de Certificação em East GrandForks, dirigido pelo brilhante técnicoWillem Schrage, americano de origemholandesa, já trabalhou e viveu por váriosanos no Canadá e, atualmente, trabalhanos Estados Unidos, que nos mostrou otrabalho de sua equipe de inspetores deCertificação bem como as classes desementes e os índices de tolerância decada uma.Mais uma vez, a surpreendente eexcelente localização dos dois estados,propiciam favoráveis e adequadascondições para o cultivo da batataconsumoe batata-semente.Na divisa com o Canadá, que apenas oRainy River (Rio Chuvoso) estabelecia afronteira com o território canadense,mais precisamente com a província deOntario, região onde o inverno chega amarcar temperaturas de 22 graus negativos, oque definitivamente quase que elimina qualquerchance de sobrevivência de patógenos emtubérculos muito menos no solo.A organização dos produtores é um exemplopara nós em vários sentidos: primeiro que, aocontrário do Brasil, em vez da concorrência etroca de acusações, os estados se uniram parafazer uma única Associação e defender osinteresses de ambos. Criaram a Associaçãode Bataticultores dos Campos Nortenhos,responsável em defender os interesses dosprodutores dos dois estados.Como na maioria dos estados produtoresde sementes, um estreito relacionamento como governo e as universidades é mantido e, destaforma, se estabelece um modelo que envolvemuitos profissionais capacitados para definiras melhores variedades, pois as universidadestambém estabelecem um programa deatendimento ao que a população tambémdeseja.Em Fargo, visitamos o DepartamentoEstadual de Sementes de Dakota do Norte,onde encontramos a Dra. Susie Thompson ecom uma pesquisadora brasileira, MilaRomanelli, que sob orientação da Dra. Susie,colabora na obtenção das variedadesdesenvolvidas e criadas por ela.Os produtores recebem estes materiaisdesenvolvidos pelos centros de pesquisase iniciam a multiplicação das mesmas,que, quando o mercado (de produtoresque irão plantar para consumo) procurar,estas já estarão disponíveis de imediatopara serem plantadas.Coisa que no caso brasileiro houve umretrocesso muito grande depois da IN 05, járevogada, que, por sua vez, revogava aresolução da Comissão Técnica de BatataSemente, de 15 de Agosto de 1996, quepermitia a importação de até 60 caixas porcultivar e por produtor, de cultivares aindanão recomendados. A explicação maisplausível para isto é que com os ensaios deVCU, não havia mais necessidade de sepermitir tal procedimento. Mas está claro quequalquer bom produtor quer e deseja poderacompanhar o desempenho de tais cultivaresem uma área de no mínimo 01 hectare. Daí, as60 caixas. Se nenhum material entra sem queo MAPA saiba onde ele está, não há porque seproibir, se fizer quarentena, identificando ondese encontra os campos.Em segundo lugar, o marketing quedesenvolvem e a necessidade de chegaremcom uma novidade e na frente dos demaisparticipantes do conselho Americano, mostranosporque e como deveria ser tratado aindústria de batata-semente aqui no Brasil.Quanto às variedades, foramintencionalmente dirigidas às visitas aoscampos, pois tínhamos em mente a orientaçãodos brasileiros para os seguintes aspectos: ode ver as novidades em variedades para chips,pois estamos na dependência de pouquíssimasvariedades aqui no Brasil como foi o caso davisita à propriedade de Jerry Larson para veros campos de Dakota Pearl. E depois, para seabrir os olhos para um leque bastante amplode variedades com outras características,dando, desta forma, outras preferências parao consumidor, que a nosso ver é uma dassoluções para alavancar o mercado doconsumo hoje muito concentrado. Tambémintencionalmente, foram as opções dasvariedades de pele vermelha por elesoferecidas ao mercado.Campo de semente em Fargo - Dakota do Norte.Foto: Tadashi TakakuEm pé: Proprietários da companhia Tri Campbell deNorth DakotaAgachados: Alair Rezende, Tadashi Takaku, MarcosBernardi, Ivar Guadagnin. Foto: Tadashi TakakuIvar Guadagnin, Marcos Bernardi, Ed Missiaen,Tadashi Takaku, Alair Rezende. Foto: Tadashi Takaku


Instituições39IACInstituto Agronômico de CampinasJosé Alberto Caram de Souza DiasEngº Agrônomo (PhD) - Pesquisador CientíficoVI - Virologista - Agência Paulista de Tecnologiados Agronegóciosjcaram@iac.sp.gov.br(19) 3241.5188 ou (19) 9105.50571. IAC - Considerações Gerais:• Data de Fundação: Junho de 1892;• Número de Unidades: 2 sedes (Central eFazenda Sta. Elisa), além de 4 CentrosAvançados;• Número de funcionários:170 pesquisadores e total de 350 funcionários.2. Quais são as principais atividadesdesenvolvidas pelo IAC atualmente?A Instituição tem como missão Gerar eTransferir Ciência e Tecnologia para o NegócioAgrícola, visando à otimização dos sistemas deprodução vegetal e ao desenvolvimento sócioeconômicocom qualidade ambiental. Suaatuação garante, ainda, a oferta de alimentos àpopulação e matéria-prima à indústria,cooperando para a segurança alimentar e paraa competitividade dos produtos no mercadointerno e externo.3. Quais foram as principais contribuiçõesdo IAC para a Cadeia Brasileira da Batata?Desde os trabalhos do Dr. Olavo José Boock,com avaliação de produtividade, qualidadesculinárias e aspectos fitotécnicos de cultivaresde batata importada e nacional. Dr. Boock foi oprincipal responsável pela criação de diversasvariedades nacionais de batata, entre elas, acv. Aracy tem sido uma das que ainda se destacapelo interesse no agronegócio da agriculturafamiliar e orgânica.Seguindo a linha de melhoramento genéticodo Dr. Boock, com vistas à criação de variedadescom resistência às principais moléstias e baixanecessidade de tratos culturais, o Pesq.Científico Hilário da Silva Miranda Fo. vematuando como pesquisador principal emtrabalhos científicos na área de fitotecnia emelhoramento genético da cultura da batata.Foi o principal responsável pela criação de,entre outras, a cv. Itararé que tem sido muitorequisitada para plantio nas regiões demicroclima do Nordeste Brasileiro, bem comono segmento da agricultura orgânica. Temtambém colaborado na caracterização ereconhecimento de anomalias bióticas eabióticas das diferentes variedades de batata;exemplo dessa atuação foi a constatação daintrodução do então exótico e quarentenáriopatógenos causador da sarna pulverulenta(Spongospora subterranea), em regiõesPrédio Administrativo Centralprodutoras do Estado de São Paulo, através detubérculos/batata-semente importados.Na área de estudos de diagnose,epidemiologia e técnicas de controle de virosesda batata-semente, os trabalhos desenvolvidossob atuação direta ou indireta do Dr. ÁlvaroSantos Costa, mesmo após seu falecimento em18/08/1998, continuam sendo aplicados edeixaram discípulos com expressivas esignificantes contribuições para a produção debatata-semente livre de vírus. Entre estes oDr. Francisco P. Cupertino, Dra. Profa. MariaLucia R.Z. Costa Lima e o próprio signatário(Dr. José Alberto Caram de Souza Dias), o qual,desde 1978, vem desenvolvendo e avançandonos estudos sobre técnicas de diagnose, ciclode hospedeira, epidemiologia, controle dadegenerescência da batata-semente causadapor vírus, tais como o do enrolamento das folhas(PLRV) e os de sintomas de mosaico, tais comomosaico Y (PVYo; PVYn, e, mais recentemente,a exótica raça PVYntn), Alfafa mosaic virus(AMV), Tobacco rattle vírus (TRV). Caberessaltar que, quando da constatação pioneirada introdução do PVYntn no Brasil (fins de1997), a rápida e abrangente atuação dospesquisadores do IAC, permitiu acaracterização, elucidação de aspectosmoleculares (em colaboração com a Dra. HaikoE, Sawasaki, do Centro de Genética Moleculardo IAC) e orientação às agências oficiais dedefesa vegetal, bem como aos produtores, naprevenção e controle do PVYntn.Contribuições do signatário em colaboraçãocom colegas do IAC e outras instituições sederam também como outros vírus exóticos oure-emergentes no Brasil, tais como Tobaccorattle vírus (TRV), Potato vírus S (PVS), Tomatoyellow vein streak vírus (ToYVSV). Portanto,contribuições do IAC nos procedimentos dediagnose e caracterização de viroses da batatavêm sendo feitas, desde a década de 1930,utilizando procedimentos de identificaçãobiológica, imunológica e molecular.Lamentavelmente, desde 1993, está paralisadono IAC, um importante equipamento de uso nadiagnose de vírus e outros patógenos, que é omicroscópio eletrônico. Essa não utilizaçãodecorre do fato de não estar havendosensibilidade para a urgente contratação depesquisador especialista no IAC. É inestimávelo prejuízo que um equipamento desses (preçode mercado supera a US$ 1.000.000,00 - ummilhão de dólares) causa às pesquisa e diagnosefitossanitária para o agronegócio da batata e deoutras culturas.Outra contribuição que o IAC vemoferecendo, mais recentemente, à cadeia dabatata tem sido a da idéia inovadora de substituira importação anual de tubérculos para apenasos brotos de batata-semente básica, livre devírus, para produção de minitubérculos debatata-semente básica ,dentro de telados, noBrasil.Primeiro prédio do IAC, fundado na época do Império4. Quais são as principais atividades que oIAC está desenvolvendo atualmente paraa Cadeia Brasileira da Batata?a) Demonstrando em nível nacional einternacional a possibilidade de fazer comque os brotos destacados de batata-sementelivre de vírus venham a se tornar umaoportunidade de negócio no mercado deexportação/importação de batata-semente.b) Atendimento a produtores, associaçõese prestação de serviços de análises de virosesem tubérculos dormentes de batatadestinados ao uso como semente.c) Estudos de diagnose, monitoramentoem campo, epidemiologia e controle deviroses causadoras de mosaico deformanteda folhagem da batateira e que sãotransmitidos por mosca branca emplantações de batata.d) Caracterização de um possível nova raçado PVY, associada de forma isolada, até opresente, ao PVYn, e não PVYntn. Suaprimeira manifestação ocorreu em níveis de40% em campos de batata da variedadeMonalisa, na região de Vargem Grande doSul. Os sintomas eram de perpetuação pelabatata-semente e do tipo mosaico rugoso;severo encrespamento foliar; aspecto derepolho. A virose não está associada àinteração com nenhum outro vírus conhecidoe já testado: PVX, PVS, PVM, TRV, PMTV,nem com o Potato virus P (PVP). Não houveevidência de fitoplasma, (segundo Dr. IvanBedendo) e nem mesmo de outro tipo devírus em exame ao microscópio eletrônico(Dr. Elliot W. Kitajima – ESALQ-USP),confirmando exclusivamente Potyvirus, ouPVY.5. Como a ABBA poderia desenvolveruma parceria e/ou sinergia com o IAC,visando ao fortalecimento e amodernização da Cadeia Brasileira daBatata?Através de financiamento de projetos depesquisa a curto e médio prazo, comorecentemente foi dado início a estudos commosca branca (praga e vetora de viroses).Buscar solução de problemas pontuais, quedemandam experimentação local ou regionalpara uma rápida solução.


40 MelhoramentoBATATA INGLESA OU ANDINA?Fernando Antonio Reis Filgueira, M.Sc., Dr. - Professor de Olericultura e Coordenador de Agronomia na Universidade Estadual deGoiás, Unidade Universitária de Ipameri - GO - 330, Km 241, s/n Anel Viário Ipameri, GO, Cep. 75780-000.1. DOS ANDES PARA OMUNDOQuando os conquistadoresespanhóis invadiram o Império Incaem busca de riquezas, ao final doséculo XVI, jamais poderiamimaginar que levariam para aEuropa e o resto do mundo um bemmuito mais precioso: a batataandina. Esta foi disseminada pelosnavegadores espanhóis e inglesespara as colônias – origem dadenominação de “batata inglesa”.Entretanto, foram os incas e outrospovos indígenas que, durante oitomilênios, desenvolveram abataticultura, utilizando espéciesandinas. Técnicas eficientes deprodução tornaram a batata oprincipal produto agrícola, bemcomo a base da alimentação naCivilização Inca. Assim, foramselecionados tipos variados para osdiversos usos na alimentação,alguns ainda hoje encontrados empaíses andinos.Na Região Andina há mais de duascentenas de espécies silvestrestuberíferas, além de dez ou maisespécies cultivadas, sendo a batataque tornou-se cosmopolita umadessas. Entretanto, os espanhóislevaram para a Espanha, em 1570,uma única espécie: Solanumtuberosum ssp. andigena; há relatosde uma segunda introdução, em1590, na Inglaterra. Contudo,somente cerca de 200 anos após, abatata tornou-se um alimentobásico na Europa, sendo, a partir deentão, introduzida em todos oscontinentes. Para europeus, norteamericanose latino-americanos,exceto os brasileiros, a batataconstitui a base da dieta alimentardiária; em outros países, como noBrasil, é utilizada em menor escala,como hortaliça.A batateira é originária da regiãopróxima ao equador terrestre, nasproximidades do lago Titicaca,próximo à fronteira entre Peru eBolívia. Nessa região, dias e noitestêm duração igual, de 12 horas aolongo do ano. Entretanto oseuropeus adaptaram a cultura parafotoperíodos longos de 16 até 18horas, sendo que as plantas que nãotuberizaram foram eliminadas. Assim, como tempo, ocorreu a adaptação aos diaslongos do verão europeu, que foicompletada no início do século XIX.Paralelamente houve acentuada erosãogenética, perdendo-se preciosos genesresponsáveis pela resistência a doenças epragas – razão da elevada suscetibilidadedas cultivares européias.Portanto, as cultivares européiaspertencem à espécie hoje cosmopolitaSolanum tuberosum ssp. tuberosumoriginária da subespécie andigena, após aadaptação às condições da Europa. Taiscondições favorecem a produtividade, emculturas de primavera-verão, sob diasacentuadamente longos, seguindo-se uminverno rigoroso, o que limita asobrevivência de fitopatógenos e insetospragas.Contrariamente, nos novos nichosecológicos conquistados, as cultivareseuropéias não manifestam adaptaçãoótima, resultando em que a culturaapresenta produtividade elevada e custoreduzido, na Europa, e produtividademenor, a um custo mais elevado, emregiões tropicais.Nada mais simbólico da origem andinada batata do que a prece cerimonial pelasafra, em tempos pré-colombianos,quando o Filho do Sol reunia osrepresentantes das províncias do imensoImpério Inca na capital Cuzco. Essa oraçãofoi traduzida da língua original para oespanhol pelo agrônomo MarcosReinstein, sendo aqui apresentada emportuguês, incluída como homenagem aosindígenas andinos – os primeirosbataticultores.“Ó Criador! Senhor dos confins do mundo,misericordioso, que dás vida às coisase que neste mundo criastes os homenspara que comessem e bebessem,multiplicai os frutos da terra,as batatas e os demais alimentos quecriastes,multiplicai-os para que os homensnão padeçam de fome nem de miséria,para que todos se criem,não haja geada nem granizo;guardai-os em paz e a salvo!”2. A BATATICULTURA BRASILEIRANo Brasil, a batata se destaca como acultura olerácea de maior relevânciaeconômica para o País – cerca de 140mil hectares/ano e quase 3 milhões detoneladas, em 2004. Contudo, muito háque fazer para a expansão e oaprimoramento dessa cultura, o queenvolve empresários rurais eautoridades.São utilizadas cultivares européias,predominantemente, as quais vêm sendointroduzidas a partir da década de1940. Contudo, poucas delaspermanecem em cultivo ao longo dotempo, sendo uma exceção a cultivarholandesa Bintje. Assim, ao invés deutilizar o rico germoplasma andino paraa criação de cultivares melhoradaptadas às condições tropicais,incluindo resistência a doenças epragas, são utilizadas cultivaresdesenvolvidas para as condiçõeseuropéias. Estas são plantadas sobfotoperíodos de 11 a 13 horas, nocentro-sul, portanto em condiçõesdiferenciadas em relação à Europa. Poroutro lado, é muito menor a áreaplantada com as poucas cultivaresnacionais disponíveis.Assim, devido à utilização decultivares pouco adaptadas àscondições edafoclimáticas brasileiras,não é de se admirar que a médiabrasileira de produtividade seja depouco mais que 20 t/ha, enquanto quepaíses europeus, mais avançados nacultura, apresentem média superior a 40t/ha. Inclusive a produtividade potencialda cultura atinge 100 t/ha, segundopesquisadores, sendo obtida porprodutores norte-americanos.A bataticultura vem se desenvolvendoem regiões climaticamente maispropícias, em Minas Gerais, Paraná, SãoPaulo, Santa Catarina e Rio Grande doSul, também em Goiás, Distrito Federale Bahia, mais recentemente, quer sejapela altitude ou pela latitude favoráveis.No Brasil, o calor é o fator climáticolimitante, sendo que a cultura prosperamelhor quando há cerca de 10 grausCelsius de diferença entre a média dastemperaturas diurnas e noturnas, sendoideais 25 e 15 graus, respectivamente.Além dos aspectos agronômicos,notadamente a elevada incidência dedoenças e pragas e a exigência deadubação mineral pesada, o custo deprodução é um dos mais elevados do


Melhoramento41mundo: de três a cinco mil dólares porhectare. Assim a produção nacional perdeem competitividade com outros países,resultando em que produtosindustrializados de batata,principalmente, sejam importados. Alémdisso, impede que a batata-consumobrasileira se torne um artigo deexportação, ao lado da soja e do algodão,por exemplo.Embora considerada a quarta fontealimentar da humanidade, situando-selogo após o arroz, o trigo e o milho, abatata não constitui um alimento básicopara os brasileiros. Assim, enquanto hápaíses europeus nos quais o consumo anualmédio por pessoa ultrapassa 100 kg, noBrasil não atinge 15 kg. Uma das razõespara esse baixo consumo é o preçoelevado pago pelo consumidor,decorrente do custo elevado de produçãono campo e por deficiências noabastecimento e na comercialização.Seguramente, em se tornandodisponíveis cultivares, nacionais ouimportadas, melhor adaptadas, maisprodutivas e mais resistentes aos fatoresdeletérios (bióticos ou abióticos) ocorreráa desejável evolução da cultura, a exemplodo que vem ocorrendo com soja, algodãoe outras culturas. E a resposta para esseproblema é simples e complexa ao mesmotempo: o fitomelhoramento genético.3. O FITOMELHORAMENTOGENÉTICOUma cultivar de batata é uma coleçãode plantas genotipicamente idênticas,literalmente, originárias da propagaçãovegetativa de uma única planta matriz. Aolongo do tempo, a identidade genotípicadas plantas será mantida, geralmente.Entretanto, o comportamento de umacultivar em um determinado ambiente seráa resultante do exclusivo efeito genotípico,do efeito ambiental e da interação entreambos, razão pela qual uma cultivar emambientes diversificados sofre interaçãocom os mesmos, resultando emcomportamento agronômico diferenciado.Por essa razão, uma cultivar desenvolvidapara condições edafoclimáticas européias,provavelmente, não manifestará todo o seupotencial nas condições brasileiras.A solução para os problemasagronômicos envolve a criação decultivares melhor adaptadas às condiçõesde clima e solo das regiões produtoras,inclusive resistência às doenças e pragas.Lamentavelmente, enquanto que um paíscomo a Holanda se empenha na criaçãode cultivares melhoradas e produção debatata-semente, há muitas décadas, osesforços nesse sentido são tímidos, poraqui. Não se nota – e venhoacompanhando o problema há 44 anos deatuação como agrônomo – empenhogovernamental no sentido doaprimoramento da bataticultura. Assim éque são pouquíssimos os agrônomosatuando nas instituições oficiais commelhoramento genético de batata – umaatividade que ainda não atraiu a iniciativaparticular. Apenas um punhado depesquisadores abnegados vem atuandocom fitomelhormento em instituiçõesoficiais localizadas em Pelotas, Campinas,Brasília, Lavras e em poucas outraslocalidades, com severas restrições deverbas, instalações, equipamentos epessoal habilitado.Numa época em que tanto se fala em“parceria-público-privada” uma parceriade relevante interesse seria entre entidadesoficiais brasileiras, como a EMBRAPA, eorganizações oficiais e particulareseuropéias, notadamente de países comtradição no melhoramento genético dabatata e tradicionais fornecedores debatata-semente. Há que considerartambém o Peru – pátria de origem dabatata – e que abriga o “CentroInternacional de la Papa” – notávelinstituição responsável pela coleta epreservação do precioso germoplasmaandino. Essa organização se dispõe,inclusive, a auxiliar países que pretendamdesenvolver o melhoramento genético dabatata.As características ideais de uma cultivarpara mesa seriam as seguintes, na opiniãode pesquisadores e bataticultoresconsultados:· Ciclo em torno de 100 dias até osecamento natural das plantas, permitindodois plantios ao ano utilizando-se a batatasementecertificada introduzida e a “filhade caixa”, como opção;· Planta vigorosa e produtiva capaz decobrir rapidamente o solo, competindovantajosamente com plantas invasoras;· Nível elevado de resistência às principaisdoenças fúngicas (notadamente, pintapretae requeima), bacterioses e viroses;também ao nematóide-de-galha.· Ausência ou resistência a anomalias deorigem fisiológica, especialmente,esverdecimento, embonecamento,coração-oco, rachadura e chocolate;· Produtividade elevada (acima de 30 t/ha), com alta incidência de tubérculoscomerciáveis, exigindo menor aplicaçãode fertilizantes e defensivos, em relaçãoàs cultivares atualmente plantadas;· Tubérculos de bom aspecto, com formatoalongado, uniforme, película lisa, olhossuperficiais e coloração amarelada(externa e interna) ou, película rosada epolpa branca, como nova opção para osconsumidores;· Boas propriedades culinárias nopreparo doméstico, inclusive boaadequação ao preparo de batata-frita –forma mais popular de uso da batata;· Curto período de dormência das gemas,viabilizando dois plantios ao ano a partirde batata-semente básica ou certificadaintroduzida, dispensando a induçãoartificial da brotação.Utopia? Não creio. Inegavelmente, oque vem ocorrendo é o desinteresse dasautoridades superiores pelos problemasenfrentados pelos bataticultores.Inegavelmente, além da falta de decisãopolítica para enfrentá-los, há que tambémmelhorar a organização do agronegócioda batata no Brasil. Seria ideal um PlanoNacional de Incentivo e Aprimoramentoda Bataticultura, que englobasse açõesefetivas de pesquisa, extensão rural,assistência técnica, crédito rural etambém de ensino técnico e universitário.E note-se que pesquisadores, professorese extensionistas de alto nível existem nopaís, mas falta-lhes maioresoportunidades de trabalho.Organizações de bataticultoresexistem, e algumas são bem atuantes,como a Associação Brasileira da Batata(ABBA), que vem envidando esforços nosentido do aprimoramento não apenasda produção, mas também dacomercialização e industrialização dabatata. Contudo, muito ainda necessitaser feito, o que implica em entrosarentidades públicas e privadas, noprocesso.4. CONCLUSÃOElevado potencial para a bataticultura,em termos edafoclimáticos, quer seja nasregiões meridionais ou naquelas dealtitude no centro-sul e no nordesteexiste, sendo ainda precariamenteaproveitado. Com a introdução de novascultivares melhor adaptadas,racionalização no uso da adubação, naaplicação de defensivos e na irrigaçãocertamente correrá aumento na eficiênciaagronômica e econômica do agronegócioda baticultura.Há razões ponderáveis para seacreditar no potencial da cultura, demodo que a produção do tubérculoandino seja aprimorada. Comoconseqüência, a batata poderá vir aocupar um lugar proeminente naalimentação popular. E não apenas abatata para preparo culinário doméstico,mas também os produtosindustrializados, deverão popularizar-seainda mais, com inegáveis benefíciostambém de ordem nutricional.


42 Pragas em BatataMANEJO INTEGRADO DE PRAGAS NACULTURA DA BATATAPedro Hayashi - Sócio proprietário(Engenheiro Agrônomo) Pirassu AgrícolaRua José Bonifácio, 530 - Centro- Sala 6 AVargem Grande do Sul/SP - 13880-000(19) 3641.6201 - jarril @uol.com.brescritório-pirassu@rantac.com.brA cultura da batata é tida como a mais“envenenada” de todas. Ainda é possívelencontrar pessoas que dizem que não comembatata por medo da grande quantidade dedefensivos que são aplicados sobre a lavoura.Na verdade, a grande maioria dos nossosprodutores aplica os produtos de acordo comas recomendações dos fabricantes, obedecendoàs dosagens e formas de aplicação. Assim,respeitando o período de carência, o produtofinal, a batata, não oferece perigo a quemconsome. Os tubérculos, não são atingidospelos defensivos exceto os granulados de solo.Os produtos sistêmicos aplicados na folhagemtêm um deslocamento ascendente, ou seja, nãodescem para os tubérculos. Também comoargumento em favor do consumo de batata, nãocomemos batata crua, e ainda se tira a casca.Portanto, comer batata não oferece risco àsaúde.Nenhum agricultor gosta de aplicar produtosem sua lavoura. Cada vez que aplica algumacoisa, significa acréscimo de custo. Quando donosso produto está com preço baixo, umaaplicação de produto torna representativo. Abusca por utilização menor de agroquímicoslevou o nosso agricultor a optar pela sojatransgênica, que usam menos defensivos que aconvencional e menor custo de produção.Uma prática muito comum em citrus e emcereais é o manejo integrado de pragas. Ométodo consiste em monitorar a lavoura,contando as pragas e os inimigos naturais. Aintervenção com inseticidas é feita somentequando as pragas atingirem o inicio de danoeconômico. Este acompanhamento é feito poruma pessoa treinada em identificar cada pragae seus inimigos naturais. São conhecidos por“pragueiros”. Estes profissionais têm umarotina pré - determinada. Com uma cadernetade campo, na qual são anotados todos os dadosde cada amostragem, é possível estabelecer osníveis de danos e aplicar os produtos senecessário.Este sistema funcionaria para batata? Semdúvida. O fundamental seria ter pesquisa econhecimento do ecossistema da nossa lavoura.Quando implantamos uma lavoura, seja ela qualfor já estamos provocando um desequilíbrio.Pela pouca diversidade de plantas, é um convitea tudo que passa pela sua proximidade. Quandohá alguma coisa para ser comida, aparece quemcoma. Nossa lavoura não foge a esta regra.Então para não correr risco, todo bom“batateiro” não deixa de colocar junto com osfungicidas preventivos algum inseticida,independente se há ou não insetos, e poucoimporta se o inseto é praga ou não.Insetos trabalhando para o agricultorÉ bom lembrar que um dos principais insetospraga que ataca nossa lavoura é nativo do Brasil,a mosca minadora (Liriomiza huidrobriensis).Ela começou a ser problema quando osinseticidas piretróides começaram a serutilizados em larga escala. A razão é simples:os inseticidas são mais eficientes contra osinimigos naturais do que com a praga.MONITORAMENTOSe observarmos uma lavoura com detalhe,veremos uma infinidade de insetos. Temosinsetos pragas, lagartas, besouros (vaquinhas)moscas minadora, que conhecemos bem e umainfinidade de insetos que não damosimportância. Entre estes insetos estão algunsque estão na lavoura por acaso, e outros agemcomo inimigos naturais das pragas. Estesinsetos podem ser da ordem díptera (moscas),coleóptero (joaninha), percevejos predadorese um grupo muito eficientes chamados de microheminóptero (mesmo ordem das vespas). Estesúltimos são vespas muito pequenas quelembram pequenas formigas aladas. Todosestes insetos estão trabalhando intensamentea nosso favor, até que uma pulverização acabecom todos eles.Quando estes insetos são eliminados, aspopulações das pragas passam a níveis quepodem atingir rapidamente danos econômicos.Para que uma população de predadoresaumente é necessário que haja o insetoforrageiro (praga) como base alimentar. Aspragas necessitam apenas das plantas pararestabelecerem.A base do monitoramento seria oconhecimento dos insetos que vivem em nossaslavouras e os níveis das populações dos insetospraga. Uma lavoura bem conduzida é comumcontar, por exemplo, um adulto de moscaminadora para quatro ou cinco inimigosnaturais de diferentes ordens. Neste caso, édispensável o uso de qualquer tipo de inseticida.Também alta população de adultos, não significadanos, pois, muitas vezes, às condiçõesclimáticas e a pressão de inimigos naturais, estesinsetos tendem a desaparecer sem anecessidade de aplicação de inseticidas.A escolha das moléculas também é muitoimportante. Nunca usar “biocidas” ouinseticidas que matam tudo. Não podemos tera visão de exterminar tudo, devemos trabalharpara dentro das possibilidades para estabelecerum equilíbrio. Optar por produtos específicospara que somente o inseto alvo seja controlado,sem interferir na população de inimigosnaturais. Está sendo comum o aparecimentode lagartas em final de ciclo, caso não sejamcontroladas, podem causar perda de folhagemprejudicando o tamanho dos tubérculos e aprodutividade e ainda abrir galerias quando nãohouver mais folhagem. Neste caso, optar porinseticidas fisiológicos logo no inicio deinfestação, evitando assim um tratamento dechoque quando já há grande desfolha.OUTROS CUIDADOSOutras medidas podem ajudar no manejointegrado de pragas:- Em campos de batata-semente, o uso deaficidas é obrigatório. Utilizar produtosespecíficos e com garantia de seletividade.- Escolha de variedades, cada variedaderesponde de maneira diferente a determinadapraga.- Escolher as melhores épocas. Certas pragas(também doenças) seguem um calendário, ouseja, para cada região é possível prever qualépoca o ataque de determinada praga é maisintenso.- Usar semente de qualidade, tanto do aspectode sanidade, como também na idade fisiológicaadequada.- Ter um solo bem corrigido, e adubarcorretamente. Uma planta bem nutrida é maistolerante ao ataque de pragas e doenças.- Locais próximo de matas, normalmentepossuem uma grande população de insetospredadores, facilitando a aplicação do método.- Como advertência, este método deve sermonitorado por pessoa que possui experiênciae saiba identificar cada inseto dentro da lavoura.- Quando houver ameaça de dano econômico,a aplicação de inseticida é obrigatória, porémutilizar sempre os específicos para a praga alvo.CONCLUSÃOTodos nós sabemos que o custo de qualquerproduto que aplicamos em nossa lavoura ésempre alto. Se economizarmos duas ou trêsaplicações já terá um ganho econômico semfalar no benefício que estamos fazendo ànatureza, à saúde dos operários econsumidores.Este seria um bom assunto para pósgraduação.Desenvolver um trabalho paraidentificar a ampla gama de insetos predadoresque estão trabalhando para nós.Insetos trabalhando para o agricultor


44 NutriçãoEscolha de modelo na definição da dose ótima deNitrogênio na cultura da batata.INTRODUÇÃO. Alguns pontosconexos são destacados antes daabordagem específica do tema: 1) semadubar com nitrogênio (N) dificilmentehaverá lucro com a cultura da batata,2) o solo pode conter razoávelquantidade de N; 3) a resposta à adiçãode N obedece à lei do mínimo para osoutros fatores de produção; 4) ofertilizante nitrogenado é consideradouma fonte de potencial contaminaçãode nitrato das águas subterrâneas, lagose rios, principalmente em solo arenosode área intensamente cultivada; 5)teorias e princípios são passivos degeneralização, mas não é recomendávela generalização de quantidade fixa; 6)é necessário exercitar a resposta paraa pergunta: quanto posso e devo gastarcom o adubo nitrogenado; 7) aprodutividade de tubérculos de batatasegue a lei dos rendimentosdecrescentes para uma faixa ampla dedoses de N; 8) a adequada escolha domodelo estatístico é determinante dadose recomendada de N.Para decrescer o potencial depoluição do excesso de N, a solução éaumentar a eficiência no uso do adubonitrogenado. Apesar do conhecimentoexistente, não oportuno de sermencionado no momento, ainda é difícilrecomendar uma dose de N que seja aexata quantidade que a cultura dabatata “retira” do solo. O residual, seem pequena quantidade, nãonecessariamente será fonte de poluição.Processos biológicos comodecomposição, imobilização edenitrificação alteram constantementea disponibilidade de nitrato no solopossível de ser lixiviado.Normalmente, a recomendação dadose de N tem sido feita de maneirageneralista, quase sempre utilizadapara os mais diversos sistemas deprodução. Contudo, em todas asatividades humanas, tem sido verificadoque receita geral tem utilidade geral.Procedimentos generalistasproporcionarão resultados medianospodendo implicar em lucro reduzidoou mesmo prejuízo e falta decompetitividade no mercado. Estamosna era do “personal”: “computer”,“trainer”, “manager”. Em analogia, énecessário um “personal EngenheiroAgrônomo” (PEA) para planejar,Paulo Cezar Rezende FontesProf. da Universidade Federalde Viçosa. Bolsista do CNPq.36570-000 – Viçosa/MG -pacerefo@ufv.br.Marcelo Cleón de Castro SilvaEngenheiro Agrônomo,Estudante de DS. DFT/UFV -mdecastro70@yahoo.com.br.Glauco Vieira MirandaProf. da Universidade Federalde Viçosa, 36570-000Viçosa/MG -glaucovmiranda@ufv.br.detalhar, treinar, acompanhar, avaliar,modificar, enfim “engenhar” a sintonia finados procedimentos executados napropriedade, evitando-se a generalização eobjetivando-se a obtenção de elevadosrendimentos culturais e eficiênciaeconômica. Assim, tem sido feito porindustriais, comerciantes e agricultoresatualizados.Para realizar a sintonia fina nabataticultura, é necessário considerar nãosomente a forte interação existente entregenótipo x ambiente x homens(conhecimento e experiência doproprietário e do técnico), mas também ocurto período de tempo da cultura nocampo. É atividade diária, trabalhosa e quenecessita da dedicação de profissionalestudioso, com capacidade derelacionamento social, conhecimentotécnico-financeiro e entendimento global detoda a cadeia produtiva da batata. É tarefaincompatível com grande número depropriedades assistidas. Na sintonia fina ouengenharia do processo de produção, énecessário responder quanto posso e devogastar com o adubo nitrogenado. É umadecisão alternativa de alocação de recursofinanceiro que deve ser entendido comoescasso e o mais limitante no processoprodutivo. Na economia vigente, não há maisespaço para gastar e no final verificar sehouve lucro ou prejuízo. Decisões à priorisão essenciais. Isso é trabalho para o PEA.A definição precisa da dose de N poderáser conseguida com testes adequadamenteprogramados e conduzidos na propriedadeonde ocorrem complexas interações entregenótipo x ambiente x homem x práticasculturais. Posteriormente, os resultadosdevem ser analisados, interpretados eescolhido um modelo matemático paradescrever a relação existente entre as dosesDa esquerda para a direita estão na sequência o professorGlauco Miranda, professor Paulo Fontes e o doutorando da UFVMarcelo de Castro.de N e a produção de tubérculos debatata. Decisão a respeito da melhordose de adubo envolve o ajuste demodelo que descreva, adequadamente,os dados obtidos no campo. Algunsmodelos são possíveis de serem usados,sendo que a escolha afeta sensivelmenteo valor da dose ótima do fertilizante(Cerrato e Blackmer, 1990; Fontes eRonchi, 2002). A escolha do modelopode ser baseado em critérios, sendoesse o tema específico do texto.MATERIAL E MÉTODOS. Foramutilizados os dados do experimentorealizado na Horta de Pesquisa do DFT/UFV em Podzólico Vermelho-AmareloCâmbico não adubado com N nosúltimos três anos e intensamentecultivado com milho. Foram estudadoscinco tratamentos, no delineamento emblocos completos casualizados, comquatro repetições. Os tratamentos foramcinco doses de N (0, 50, 100, 200 e 300kg ha -1 de N), na forma de sulfato deamônio, aplicadas em sulco,imediatamente antes do plantio. Cadaparcela media 4,5 m x 2,0 m em cadabloco, sendo compostas de 6 fileiras deplantas, espaçadas 0,75 m entre si e 0,25m entre plantas. As 2 fileiras laterais e asduas plantas das extremidades dasfileiras foram bordaduras.A cultivar foi a Monalisa sendo que otubérculo-semente estava em início debrotação e massa de 70 g. O plantio foirealizado em 14/05. O manejo da culturaseguiu as normas recomendadas(Fontes, 2005) incluindo-se a utilizaçãode arado de aiveca e irrigação poraspersão. Uma semana após o totalsecamento da parte aérea, em 13/09, ostubérculos foram colhidos e


Nutrição45selecionados, permanecendo no campoem torno de uma hora e, em seguida, foideterminada a produtividade. Os dadosde produtividade de tubérculos foramsubmetidos às análises de variância e deregressões linear e não linear utilizandoos programas SAS e SAEG. A escolhado modelo foi baseada nos critérios: 1-lógica biológica; 2- significância doquadrado médio da regressão; 3- nãosignificância do F ao ser testada a faltade ajustamento; 4- alto valor docoeficiente de determinação (R 2 ) e,quando possível, significância dosparâmetros da equação de regressão (T’e T”).Para os cálculos foram adotados: R$3,30/kg de N (pagamento a prazo); R$0,60 (cenário desfavorável) ou R$ 1,20/kg de batata (cenário favorável) econsiderou-se que o preço da aplicaçãoé igual para qualquer quantidade de N.RESULTADOS. Os modelos Linearplateau, Quadrático plateau,Mitscherlich, Sigmoidal, Raiz quadradae Quadrático (Tabela 1) preencheramos critérios estabelecidos embora osmodelos Mitscherlich, e Sigmoidalapresentem apenas razoável lógicabiológica. Os diversos modelos levam adose de N variando de 29 a 178 kg.ha -1, ao gasto de 96 a 586 R$.ha -1 e aprodutividade de 33,5 a 40,7 t.ha -1(Tabela 2). Qual modelo escolher ?Após a venda da batata e o pagamentodo adubo, sobraria mais dinheiro ao serescolhido o modelo quadrático (Tabela3). Além disto, a maior quantidade de Npoderia ser um seguro contra eventuaisperdas de N, o que provavelmente nãoocorreu, pois, a fonte foi o sulfato deamônio aplicado em sulco, em soloargiloso, no período da seca e irrigaçãobem manejada.Escolhido o modelo quadrático, surgea pergunta: qual a dose de N deve seraplicada? Aquela que propicia a máximaprodução física (DFN) ou a máximaprodução econômica (DEN)?Apropriadamente calculadas, a DFN foi178 kg.ha -1 (R$ 587,00) e as doseseconômicas foram 163 kg.ha -1 (R$538,00) ou 171 kg.ha -1 (R$ 564,00), noscenários desfavorável ou favorável,respectivamente. A decisão de escolherDEN ao invés de DFN implica emdespesa menor de R$ 24,00/ha.Somente com essa decisão, mínima emrelação às outras necessárias na cadeiaprodutiva da batata, são economizadosR$ 36.000,00 em 1.500 ha de batata(4-5 meses), suficientes para pagar um PEAdurante 12 meses.CONCLUSÃO/SUGESTÃO. Além daescolha do modelo apropriado, imagine aimplicação técnico-financeira das decisõessobre os outros nutrientes, insumos, práticasculturais e tecnologias que necessitam serajustadas a cada local. Acreditamos que umPEA competente é capaz de tal tarefa e degerar lucro para o produtor de batata,principalmente em ambiente desfavorável.LITERATURA.BELANGER, G.; WALSH, J. R.;RICHARDS, J. E.; MILBURN, P. H.; ZIADI,N. Comparison of three statistical modelsdescribing potato yield response to nitrogenfertilizer. Agronomy Journal, v.92, p.902-908, 2000.BULLOCK, D. G.; BULLOCK, D. S.Quadratic and quadratic-plus-plateaumodels for predicting optimal nitrogenrate of corn: a comparison. AgronomyJournal, v.86, p.191-195, 1994.CERRATO, M. E.; BLACKMER, A. M.Comparison of models for describingcorn yield response to nitrogenfertilizer. Agronomy Journal, v.82,p.138-143, 1990.FONTES, P. C. R. Olericultura:Teoria e Prática. UniversidadeFederal de Viçosa, M.G., 2005, 486p.FONTES, P.C.R.; RONCHI, C.P.Critical values of nitrogen indices intomato plants grown in soil and nutrientsolution determined by differentstatistical procedures. PesquisaAgropecuária Brasileira, v.37, n.10p.1421-1429. 2002.


46 CulináriaBardo Batata une gastronomia e cultura, no bairro dos Jardins - SPContato Comunicação & Marketing - R. 13 de Maio, 743 - 2º andar - Bela Vista, São Paulo/SP - 01327-000Fone: (11) 3288.8424 / 2377 - contato@contato.ppg.brBardo Batata - Gastronomia eCulturaRua Bela Cintra, 1.333 - JardinsSão Paulo/SPFone: (11) 3068.9852www.bardobatata.com.brHorário de funcionamento:Segunda a sexta, das 12h às 15h e das18h à 1h - Sábados, das 12h à 1h -Domingos, das 15h às 23hEstacionamento: convênio Estapar - R$ 6(em frente)Cartões: MasterCard, Visa e AmexCartões de débito: Mastercard, VisaEléctron, Rede ShopTíquetes: no almoço aceita todos; nojantar: Visa Vale, Smart e SodexhoReservas de segunda a sábado, das 10hàs 22hCapacidade: 80 pessoasFamosa no mundo todo, a batata podeser frita, assada, cozida ou gratinada. Sejaqual for a forma de preparo dessa hortaliçamuito versátil e utilizada em umainfinidade de pratos, que vão bem aqualquer hora do dia, é difícil resistir aessa tentação. No Bardo Batata, que aliagastronomia à cultura, na Bela Cintra,Jardins, zona sul de São Paulo, a batata rösttiou suíça é o carro-chefe da casa.A batata röstti é uma espécie de tortafrita na frigideira feita com batata précozida,ralada e recheada com ingredientesvariados. O prato é típico da região deBerna, capital da Suíça. Leva este nomeporque é um termo usado a tudo que ficadourado e crocante. No Brasil, o prato foiadaptado com criatividade, já que a receitatradicional não leva recheio.O projeto da casa foi idealizado pelossócios Adelir da Veiga, Adriana Consenzae Leocir Costa Rosa. As receitas foramelaboradas pela culinarista Adalgiza daReceitaCasa dos Carneiros (carne seca desfiadacom cebola dourada, mussarela debúfala e tomate seco)Carne seca, charque, carne de sol. De nortea sul do país, na caatinga, nos pampas, nocerrado, este tipo de carne é sempreencontrado com viajantes, errantes ou não.A fazenda Casa dos Carneiros simboliza aalma rural brasileira, repleta de acordes esonoridades inigualáveis. De lá, ElomarFigueira de Melo compôs a maioria de suascanções, influenciado pela música medievale pelo dialeto sertanejo.Ingredientes:280gr de batata cozida e ralada (4 batatasgrandes do tipo Baraka)Silva e pela chef Valéria Telles, quem comandaa cozinha. As rösttis são apreciadas nacompanhia de um recipiente de azeiteextravirgem e moedor de pimenta, o queconferem um charme todo especial à mesa.São mais de 27 sabores decantados emverso e prosa no cardápio - cada batata ébatizada com nomes de personalidadesartísticas ou manifestos culturais, com relatoshistóricos no Brasil e no mundo. Servida emversões individuais e grandes que servem duaspessoas, a röstti de estrogonofe, por exemplo,ganhou a alcunha de “Dostoievski”, emhomenagem ao escritor russo do século 19 etambém em alusão à origem do prato. Já a“Paulicéia Desvairada” (frango desfiado, ervasfinas e requeijão cremoso) destaca a Semanade Arte Moderna, que sacudiu o Brasil em1922. A “Casa dos Carneiros” (carne secadesfiada com cebola dourada, mussarela debúfala e tomate seco), simboliza a alma ruralbrasileira.De acordo com o sócio-proprietário Adelirda Veiga, “O bardo deve levar cultura esabedoria aos seus seguidores. A proposta éque as atividades lúdicas e artísticas comoexposições, mostras, lançamentos de livros eeventos em geral, sejam acompanhadas com oprazer de degustar receitas incomuns eunânimes”.O chope é o cremoso Brahma e a linha decervejas Bohemia também não poderia faltarpor conta do mote da casa. Além das batatas,há no cardápio opções de saladas como a decogumelos diversos, além de petiscos como aporção do bardo que traz mussarela de búfala,tomate seco, azeitonas pretas e especiarias. Acarta de vinhos traz sugestões brasileiras,portuguesas, francesas, argentinas, chilenas eitalianas. Destaque para o nacional Miolo Seleçãoe o chileno Carmenere Special Reserv Concha YToro.O estilo clean e romântico reflete a propostade um lugar tranqüilo, onde se aprecia arte e80gr de carne seca desfiada25gr de mussarela de búfala bem picada25gr de tomate seco20gr de cebola dourada (finas rodelas de cebolapassadas ligeiramente na frigideira com erva-doceou douradas com manteiga)Modo de preparo:Lave bem as batatas e descasque-as. Em seguida,coloque-as em uma panela média com água semsal. Deixar cozinhando por, aproximadamente,40 minutos em fogo baixo, ou até levantar fervura.Desligue o fogo, retire as batatas da panela eespere esfriar. Após este processo, rale as batatasem um ralador grosso – reserve.Montagem da batata:Em fogo alto, coloque metade da quantidade dasbatatas raladas em uma frigideira antiaderente.Logo em seguida coloque a carne seca desfiada, amussarela de búfala, o tomate seco e a cebola.boa comida. A decoração leva a assinatura doarquiteto Luis Navarro, com ambientesmodernos e ecléticos. O hall de entradaassemelha-se a um café parisiense - mesa ecadeiras de madeira, mural com postais,revisteiro rústico com jornais e revistas quefazem contraste com o balcão do bar elaboradocom vidro espesso.Nos espaços intermediários, um corredorcomprido com mesinhas situadas nas lateraise que podem ter noção do céu por umaclarabóia - de lá, avista-se uma sala com adegade vidro, como se fosse uma vitrine decoradacom rolhas dos vinhos abertos na casa, comgarrafas dispostas na horizontal, emprateleiras de acrílico. A iluminação tênue eaconchegante recebe uma atmosferapermitida pela mistura de texturas e coresnas paredes e que mudam periodicamente,conforme os eventos culturais.No andar superior, três ambientesinusitados: um living de espera que oferta umavitrola de armário dos anos 50/60 e toca discosde 78 rotações. Lá se pode ouvir VicenteCelestino ou um bom blues norte-americanoacomodado em uma namoradeira ou emcadeiras com design diferenciado quecomplementam o clima retrô; os outros espaçosremetem às típicas salas de jantar, como seestivéssemos em casa e foram, especialmente,dedicados a eventos culturais como exposiçõespermanentes de obras de arte.fachadaComo uma panqueca, feche com a outrametade das batatas raladas. Despeje um fiode óleo de Canola por toda beirada da frigideira.Deixe por aproximadamente 7 minutos. Apóseste tempo, com o auxílio de outra frigideira,vire o lado da batata e deixe também por 7minutos. Sirva quente.

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