que preparar? - Associação Empresarial do Concelho de Cascais

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Opinião

A Importância das PME’ S

N

o passado mês de Maio, abriu neste nosso Portugal,

o maior Centro Comercial do País. Salvo erro,

com 294 lojas, 30 restaurantes, 9.000 mil lugares

de estacionamento e um edifício de escritórios

de 15 mil metros quadrados. E outros números

que impressionam. Ainda mais porque, segundo dizem os

“Especialistas”, estamos no centro de uma crise financeira,

económica e - digo eu - de valores.

Digo de valores, porque no Orçamento de Estado para 2009,

é publicitado a importância e necessidade de revitalização

das pequenas e médias empresas. Pois as PME’ s têm uma

importância fundamental na estrutura económica nacional,

senão vejamos, segundo dados do INE:

• 255 mil empresas = 99,6% das empresas nacionais.

• 2 milhões de postos de trabalho = 3/4 do emprego

criado.

• 58% do volume de negócios em Portugal.

Contudo, e ao fim de 5 meses, a afirmação do OE 2009 não

traduz a realidade, sendo enganosa e meramente publicitária.

PROMESSAS.

É reconhecida a importância das PME’ s e a valorização do

empreendorismo, para a resolução da crise que atravessamos,

mas a contradição dos sucessivos governos é “gritante”.

Exemplo maior

dessa patente

contradição é

o contínuo florescimento

de

grandes superfícies

comerciais.

Há muito tempo

que os “Especialistas”referem

e afirmam

que o sector

terciário está

asfixiado pelas grandes d superfícies, fí i e após ó continuadas i d

demonstrações suportadas por estudos que denunciam as

consequências ao nível económico, social e urbano, nada

faz parar o apoio dos nossos governantes e das instituições

do Estado aos grandes grupos que monopolizam o sector

da distribuição e venda a retalho.

Por actos os nossos governantes, demonstram a sua (in)

competência ao não reconhecer o papel insubstituível do

comércio de proximidade na criação e manutenção de

empregos estáveis que trazem qualidade de vida, e por

consequência na preservação e revitalização dos centros

urbanos.

Defender um grupo restrito de operadores do grande capital,

faz-me reconhecer semelhanças gritantes com o que se passou

(e passa) com a gestão do sistema bancário.

Para cabal conhecimento de como isto acontece, vou tentar

expor de forma sucinta em que condições são concedidas autorizações

para a construção de grandes unidade comerciais

– UCDR’s (superfícies com área de 3.000m 2 ou superior):

1. O Ministério da Economia reúne Comissões Municipais

pedindo pareceres às Câmaras Municipais, DGAE e

CCDR, mas não às Associações Empresariais.

2. O Ministério da Economia analisa a relação de concorrência

entre o grupo dos grandes operadores do

grande capital – excluindo as PME’s.

3. O Ministério da Economia, permite-se a garantir a “sã

concorrência” entre os grandes e tapa-nos os olhos

com exigências de que sejam celebrados contratos de

compra em território nacional, com a duração de 24

meses. Construídas que estejam as grandes superfícies

e decorridos dois anos, as ditas exigências caem

por terra, mas as catedrais continuam de pé, livres de

compromissos.

4. O Ministério da Economia, avalia o número de empregos

que as novas unidades irão criar. Mas, convenientemente,

não avalia o número de postos de trabalho

que por via desta autorização irão desaparecer.

5. Os intervenientes nas Comissões, doutos vereadores

e directores administrativos, avaliam se a dita mega

superfície cabe no seu PDM, se vai ter impacto ambiental

negativo, e se está assegurado o estacionamento

e acessibilidade.

6. Ao aprovar, efectua-se o ritual da votação em que o

único elemento que se preocupa verdadeiramente com

as PME’ s – as Associações empresariais – faz apenas

papel de corpo presente.

E assim se decide sobre o futuro de milhares de PME’ s no

nosso país, leviana e irresponsavelmente, contribuindo de

uma forma eficaz para o desmoronar da nossa Economia.

E se me permitem o desabafo... o problema das nossas

PME´s não é falta de vontade de trabalhar, ou de paragem

no tempo, ou de pessoal sem formação é sim um confronto

de valores, basta observar como os grandes “gurus”, que

escrevem best sellers, efectuam a má gestão do grande

capital, com base na especulação e passeiam-se impávidos

e serenos, pela crise em que nos remeteram. E os

que os tutelam demonstram estar bem ao nível dos seus

“compinchas.

Texto de: Miguel Lima

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