Procura por seguros contra sinistros diversos vem crescendo no ...

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Procura por seguros contra sinistros diversos vem crescendo no ...

Financiamento agrícolaRecursos em caixa,máquinas no campoções do Finame Agrícola. Pequenas e médiasempresas, por meio do programa, conseguemfinanciar 100% do valor solicitado, enquantopara grandes empresas o valor máximo definanciamento é de 90%, implicando em umaentrada de 10%. A taxa cobrada para projetoscadastrados até 31 de julho deste ano é de3% ao ano e, após esta data, será de 3,5% aoano. O prazo total para o financiamento podeser de até 120 dias, incluindo prazo máximode carência de 24 meses.O consultor sênior da Case IH, LeandroMarsili, diz que na hora de financiar, geralmente,produtores possuem dúvidas relacionadasa prazos, taxas, documentos sobre asituação fiscal da empresa e garantias. Eleexplica que o ideal é acessar o site do BNDES.“O portal revela de forma clara e completa asopções de financiamento disponíveis, considerandose o interessado é pessoa física oujurídica, faturamento anual, ramos de atividadeetc”, enfatiza.Já para o gerente corporativo da Casa doPica Pau, Davidson Mauriz, a principal dúvidaé em relação ao momento exato que justificaa aquisição e não o aluguel de máquinas eequipamentos agrícolas. “É justificável quandoo aluguel passa a significar o valor daparcela anual do bem a ser adquirido”, acrescenta.Posteriormente a essa preocupaçãovêm a carência para pagamento, valores deparcelas, entre outros.ApoioAlém dos agentes financeiros, os produtoresrurais possuem a opção de empresas, tambémcredenciadas, que colaboram com a estruturaçãode projetos econômicos para viabilizar osfinanciamentos de máquinas e equipamentosagrícolas junto às principais agências de fomentonacionais e multilaterais. É o caso da J.A.Rubiano, que está nesse mercado desde 1978. Aempresa tem como clientes BancoInteramericano de Desenvolvimento (IADB),Energias do Brasil, Grupo Colombo, ÁguaBonita, Agropéu, Jalles Machado, UzinasChimicas Brazileiras, Pullmer, ZBN, entre outros.Segundo um dos diretores da empresa, JoséRubiano, o mercado de financiamento agrícolaagrega evolução tecnológica, colaborando paraque o Brasil tenha um dos melhores índices deprodutividade agrícola. “Com as oscilações presentesem qualquer negócio, é um mercado emexpansão”, destaca. Ele, inclusive, repassa dicaspara o produtor que precisa efetuar o financiamentode máquinas e equipamentos. “Se ofinanciamento referir-se somente à compra deequipamentos, a empresa deve procurar umbanco agente do BNDES. No entanto, se oinvestimento for mais amplo, envolvendo projetos,obras civis, montagens, instalações, capitalde giro, treinamento, o certo é buscar umaagência de assessoria agrícola, como a J.A.Rubiano, que pode prestar o serviço de consultoria”,reforça.DocumentaçãoQue documentos apresentarPessoa Física• Ficha Cadastral• Cópia CPF e RG• Cópia CPF e RG da cônjugue• Comprovante Residência• Comprovante de rendimento/Imposto deRenda• Informação comercial e bancaria• DAP (Produtor Rural)Pessoa Jurídica• Ficha Cadastral• Contrato Social e alterações contratuais• Cartão do CNPJ• Comprovante de endereço• Relação Faturamento dos ultimos 12 meses• Relação de endividamento• Informação Comercial e Bancária• Relação de frota detalhada(modelo/ano/placa)• Imposto de renda PJ ou Balancete• Documentação pessoal dossocios(CPF,RG,Imposto de renda, Certidão deCasamento, CIC/RG cônjuge)Fonte: BCCODados da AssociaçãoNacional dosFabricantes de VeículosAutomotores (Anfavea)mostram que, em2012, o setor tevecrescimento de 6,2%em relação a 2011FinanciamentosFinanciamentos disponíveis nomercado para as máquinas agrícolas• Financeiras (CDC)• Parcelado pela própria DCCO• Leasing• Proger Urbano• Cartão Agronegócio• Carta de Crédito (Consórcio)Fernando DantasAs tecnologias invadiram o campo. Noplantio, colheita, tratos culturais,enfim, em qualquer situação, equipamentose máquinas agrícolas têmocupado espaço nas lavouras brasileiras. Sãoferramentas que, manuseadas de forma correta,têm garantido ganho em produtividade erentabilidade nas diversas culturas. Como oprodutor rural não abre ‘mão’ dessas facilidadestrabalhando a seu favor, o resultado é oestímulo, ano após ano, ao mercado de vendasde máquinas agrícolas. Dados da AssociaçãoNacional dos Fabricantes de VeículosAutomotores (Anfavea) mostram que, em 2012,o setor teve crescimento de 6,2%, em relaçãoa 2011. No acumulado do ano passado, foramvendidas 69.374 unidades. A alta nas vendastêm sido puxadas pelo acréscimo nos preçosdas commodities agrícolas e pela redução dejuros de financiamento agrícola no Programade Sustentação do Investimento (PSI).Para ter as novidades em campo, é precisodispor de recursos financeiros, pois existemmáquinas, como colhedoras, que extrapolam ovalor de R$ 1 milhão. Só mesmo recorrendoaos financiamentos agrícolas para colocar osequipamentos operando nas propriedadesrurais. Com aumento de 44% em apenas ummês nos financiamentos adquiridos para aquisiçãode máquinas agrícolas, equipamentos deirrigação e estruturas de armazenagem, oPrograma de Sustentação do Investimento(PSI-BK) registrou recorde entre julho e novembrode 2012 de R$ 3,6 bilhões. De acordo como Departamento de Economia Agrícola doMinistério da Agricultura, Pecuária eAbastecimento (Mapa), ao todo os produtorescontrataram no período 60,3% dos R$ 6bilhões previstos para a atual safra, que terminaem junho de 2013. Para este ano, a altaestimada nas vendas é de 4% a 5%, segundo aAnfavea – o que equivale a um montante entre72,7 mil e 72,9 mil unidades – e de 3,1% naprodução, para 86,2 mil veículos.Para o gerente corporativo da Casa do PicaPau, Davidson Mauriz, o processo de financiamentode equipamentos agrícolas se assemelhaa uma consulta médica. “É preciso analisar oambiente do paciente comprador, condiçõesgerais, status atual, o que ele espera ou imaginater”, reforça. Davidson destaca ainda que, apósanálises e verificação do que existe de maisatualizado para determinada realidade específica,deve ser indicada a ferramenta ou conjuntode ferramentas para o cliente/paciente.Hoje, o que não faltam são agentes financeirospara oferecer linhas de financiamentovoltadas para o mercado de máquinas agrícolas.Entretanto, a indicação de quem atua nosegmento é procurar instituições financeirascredenciadas pelo Banco Nacional doDesenvolvimento (BNDES). As linhas de créditosdisponíveis, atualmente, são oferecidasdentro do portfólio BNDES – Finame (AgênciaEspecial de Financiamento Industrial).Segundo Davidson, a melhor linha de créditodisponível é a do PSI (Programa deSustentação de Investimento), uma das varia-8 • CANAL, Jornal da BioenergiaMarço de 2013 • 9


Setor sucroenergéticoBaixa exposição dos funcionários a riscos operacionaisBP Biocombustíveis consolidaatuação no Brasil e amplia operaçõesCom novosinvestimentosprevistos para dobrara capacidade total deunidade no Estadode Goiás, empresaconquista certificaçõesinternacionaisMario Lindenhayn, presidente da BPBiocombustíveisABP Biocombustíveis (divisão de biocombustíveisda companhia global de energia BP)opera três unidades de processamento decana-de-açúcar para produção de etanol eaçúcar, das quais duas estão no Estado de Goiás:Tropical, localizada na cidade de Edéia (GO); Itumbiara(GO); e Ituiutaba (MG). Juntas, as unidades têm capacidadepara moer 7,5 milhões de toneladas de canapor ano.Os planos de expansão das atividades da empresano Brasil preveem investimentos em novas tecnologias,pesquisa, modernização de máquinas, renovaçãode canaviais e capacitação de funcionários. Emlinha com este planejamento, a BP Biocombustíveisreforça seu compromisso com os locais onde estãoconcentradas as áreas de atuação da companhia,como o estado de Goiás, que abriga as unidadesTropical e Itumbiara.No fim de 2012, a empresa anunciou um investimentode R$ 716 milhões para a ampliação daTropical. Com isso, a unidade terá a capacidade deprocessamento total dobrada: dos 2,5 milhões atuaispara 5 milhões de toneladas por ano. Após a expansão,a Tropical produzirá cerca de 480 milhões delitros de etanol por ano e comercializará aproximadamente340 GWh de energia elétrica para o SIN(Sistema Integrado Nacional). Além disso, tambémforam realizados investimentos nas outras Unidades,resultando em aumento expressivo do canavial disponívele também em melhorias na indústria.Mario Lindenhayn, presidente da BPBiocombustíveis no Brasil, afirmou que a ampliaçãoé um marco significativo para a estratégia da companhia.“Desde que assumimos como operadores, emmaio de 2011, trabalhamos fortemente na melhoriada eficiência operacional e em novas oportunidadesde crescimento”, explica. Para o executivo, os investimentose projetos realizados, somados a um planejamentode longo prazo, reforçam o trabalho da BP noBrasil. “Nossas ações e metas demonstram nossocompromisso com o setor sucroenergético do País”,diz Lindenhayn.O projeto de expansão da unidade localizada emEdéia teve início neste ano. Segundo estimativas daBP, a ampliação deve gerar cerca de 7.650 empregosdiretos e indiretos, considerando implantação e operaçãocom a capacidade ampliada. A meta da companhiaé concluir a ampliação e iniciar a produçãocom a nova capacidade a partir de 2014/2015.Práticas certificadasOs investimentos da BP prezam pelo aumento daprodução sem menosprezar a importância de atingira excelência em produção e em práticas sociais etrabalhistas nas três unidades. No início de 2013, aTropical conquistou a certificação Bonsucro, padrãoglobal da indústria de biocombustíveis que garanteuma produção alinhada às melhores práticas sociaise ambientais.A Bonsucro é o único selo internacional que avaliaa qualidade e o padrão da cana-de-açúcar. Paraexportar etanol aos países da Europa, é necessárioconquistar a certificação. Nick Goodall, ChefeExecutivo da instituição, ressaltou a importância doetanol no cenário, um “combustível renovável, quereduz emissões de gases do efeito estufa em mais de70%”. O executivo parabenizou o trabalho da BP e abusca por um aumento da qualidade da cana-deaçúcar:“A certificação da Unidade Tropical demonstrao comprometimento com a sustentabilidade e dágarantias de que critérios rígidos de performanceambiental e social estão sendo seguidos”.Para a obtenção do selo de qualidade, as unidadesprodutoras do biocombustível devem estar de acordocom cinco áreas-chave analisadas pela instituição:direitos humanos, processamento e produção, biodiversidadee ecossistemas, conformidade legal emelhoria constante. A avaliação é contínua e questõesambientais, consumo de energia e água, uso de terrae emissão de gases do efeito estufa são monitoradosde forma permanente pela equipe da Bonsucro.“A BP apoia desde o início os debates para odesenvolvimento dos critérios da certificação, umademonstração de nossa crença de que é possívelproduzir etanol de forma sustentável, com práticasque fomentem a economia de baixo carbono e odesenvolvimento social das comunidades em queatuamos”, reforça o presidente da BP Biocombustíveis,Mario Lindenhayn.No momento, há um plano de ação em andamentopara que as unidades de Ituiutaba e Itumbiaratambém obtenham a certificação. O objetivo daempresa é conquistar o selo para todas as unidadesem um curto período.A BP também recebeu reconhecimentointernacional pela atenção dada à segurança.Em 2012, a Tropical recebeu o selo SA 8000,que atesta a qualidade do trabalho realizadona unidade, uma garantia de que a empresaoferece todas as condições necessárias parauma atuação eficiente, com baixa exposição deseus funcionários a riscos operacionais.Criada pela SAI (Social AccountabilityInternational) e baseada em oito convençõesda OIT (Organização Internacional do Trabalho),a SA 8000 foca na melhoria contínua da gestãodas relações de trabalho da empresa e buscaaprimorar o diálogo entre gestores, sindicatose colaboradores.O objetivo da BP, segundo Mario Lindenhayn,é continuar o trabalho e a evolução em todasas áreas de atuação da companhia. “Nossoobjetivo é melhorar ainda mais as boas práticasde Saúde, Segurança e Meio Ambiente paraque nossas unidades continuem sendo referênciano setor”, explica o executivo.A conquista da certificação foi elogiada porBeat Grüninger, então sócio-diretor da BSDConsulting, representante autorizado da SAIno Brasil. O executivo ressaltou a dificuldadeque o setor costuma encontrar para garantirsegurança ao trabalhador e ressaltou o esforçoda BP Biocombustíveis: “A obtenção desta certificaçãopela Tropical é um marco no agronegócio,área na qual as condições de trabalhonormalmente são consideradas críticas e altamentesensíveis às violações dos direitos trabalhistasbásicos”, explicou.A BP Biocombustíveis também conquistououtras certificações, com destaque para EPA eCARB, válidas nos Estados Unidos. Com estesselos, a BP está autorizada pelo governo norteamericanoa exportar etanol para aquele país,um dos maiores mercados para biocombustíveisdo mundo.Parceria com as comunidadesA BP mantém projetos para benefício dascomunidades que residem no entorno das operaçõese aplica pesquisas com o intuito deconhecer melhor as necessidades locais e planejariniciativas que possam contribuir para oseu desenvolvimento. Por meio desse tipo delevantamento junto à população surgiu o programaEdéia Digital, que oferece cursos decomputação a jovens da cidade de Edéia (GO).O programa, realizado em parceria com oComitê para a Democratização da Informáticade Goiás (CDI GO) e a Associação EdeenseTransformando Vidas (AETV), teve início nestemês e oferece aulas de informática básica. Umasérie de oficinas é realizada para ensinar montageme manutenção de computadores, alémde uso de programas presentes no MicrosoftOffice. Os idosos também têm a oportunidadede aprender com o workshop Vovó Online, voltadoespecialmente para eles.O intuito da iniciativa, segundo a BP, é promovera qualidade de vida por meio da tecnologia,mobilizar as pessoas, incentivar a cidadaniae ampliar o senso crítico dos participantespara atuarem em benefício de suas comunidades.Com isso, os líderes adquirem conhecimentoe repassam aos outros habitantes dacidade, ampliando o acesso à informação.Como parte deste compromisso, a BP realizouem 2012 o Projeto Agorinha, que usa ametodologia do Estudo Municípios Canavieirosdo projeto AGORA. O projeto atendeu professorese alunos da primeira à quinta série doEnsino Fundamental em escolas públicas dascidades que estão no entorno da unidadeTropical, Ituiutaba e Itumbiara.O trabalho é uma iniciativa da BPBiocombustíveis do Brasil em parceria com oProjeto AGORA, uma das principais ações decomunicação e marketing do setor sucroenergéticobrasileiro.10 • CANAL, Jornal da BioenergiaMarço de 2013 • 11


SustentabilidadeEnergia solar é bomnegócio para mineradorasRecém inaugurado,projeto de energiasolar em mineradoralocalizada em Goiáspode se tornar exemplopara o setorEder Luiz Santo, diretor de Meio Ambiente da Yamana GoldIgor Augusto PereiraAluz do sol ganhou um valor aindamaior em Pilar de Goiás, municípiolocalizado a cerca de 250 quilômetrosda capital do Estado. Desde fevereiro,um sistema de geração fotovoltaica com tecnologiasilício monocristalino e potência de 25,65kWh tem incrementado as operações em umamineradora da cidade. São 135 painéis instaladosem um terreno em declive, que abastecem aárea administrativa da Yamana Gold.A empresa canadense inaugurou, em fevereiro,um sistema de geração de energia solar capazde abastecer toda sua área administrativa,gerando uma economia estimada em 39 milkWh ao mês. A iniciativa integra um projetodenominado Mina do Futuro, que busca desenvolverideias sustentáveis para a atividade.A mineradora trabalha na extração de ouro evem ampliado seus negócios na América Latinanos últimos anos. Só em Goiás, esse é o segundoprojeto. A empresa também tem uma unidadeno município de Alto Horizonte, onde produzouro e sulfeto de cobre. O sistema é tratado pelaYamana Gold como a ponta de lança para oestabelecimento de outras ações em prol dageração de energia limpa.“O sistema solar fotovoltaico recém inauguradoé um projeto em escala piloto, que podepossibilitar novos investimentos na área ouexpansão da iniciativa para outros empreendimentosou operações da empresa”, explica odiretor de Meio Ambiente da Yamana Gold, EderLuiz Santo.“Esse é um projeto que servirá como um tubode ensaio para outros maiores e mais ousados.Além de atuarmos na busca por fontes alternativasde energia limpa em distintas localidades,fomentamos a utilização mais eficiente dorecurso em nossas operações”, completa.O projeto ficou por conta da Renova Energia,empresa reconhecida pela atuação na geraçãoeólica, que há dois anos vem investindo nodesenvolvimento de tecnologias fotovoltaicas.Segundo a companhia, a participação nessemercado visa atender à demanda crescente porenergia limpa.“Nesse modelo de geração, uma das vantagensé a redução dos custos com a transmissão,um serviço caro no Brasil”, avalia o diretor-presidente,Mathias Becker. Para isso, a empresapretende desenvolver tecnologias que barateiemo acesso. “Queremos ser competitivos em todasas fontes renováveis e já temos outros projetosem desenvolvimento”, adianta.Segundo o executivo, algumas iniciativasgovernamentais podem ajudar a aceleraresse processo. A liberação de R$ 410 milhõespela Agência Nacional de Energia Elétrica(Aneel) para estimular a micro e minigeraçãoé uma delas. Por outro lado, a empresa apostana realização de um leilão específico paraa fonte solar como estratégia de consolidaçãodessa energia.De acordo com Eder Luiz Santo, da YamanaGold, o destaque do Brasil no cenário internacionaldeve ajudar a tornar os sistemas de energiasolar mais competitivos no País. “Algumasempresas especializadas estão investindo noBrasil e a tendência é de queda nos preços dessetipo de geração. Aliada aos benefícios ambientais,(a vinda de multinacionais) faz com que seprojete um crescimento no setor”, completaSanto.Localizados geralmente em regiões distantesdos grandes centros urbanos, os projetos de mineraçãono Brasil se desenvolvem em meio a umacadeia estruturante particular no setor industrial.Por gerar um alto impacto ambiental, financeiro esocial, esses negócios geralmente demandam umlongo e contínuo planejamento para o equilíbriosustentável em suas operações.“Algumas operações de mineração, como é ocaso da produção de alumínio e níquel, são o quedenominamos de eletrointensivas, tamanha adependência de energia para sua realização”,explica o diretor de Assuntos Ambientais doInstituto Brasileiro de Mineração (Ibram), RicardoMancin.“É praticamente impossível a implantação deum projeto mineral sem a oferta de energia, poisela é um elemento fundamental para a extraçãode minérios, o processamento e tratamento, arefrigeração de uma mina subterrânea, o transporte,entre outros”, complementa.Diante desse cenário, Mancin aponta uma tendênciaa investimentos cada vez maiores emautogeração no setor. “Não somente para garantirsuprimentos, mas principalmente para reduzircustos”, assinala. No caso da energia solar, um dosprincipais problemas está em como equacionar osaltos custos – com prazos de retorno que podemse estender por décadas – e a finitude dos recur-Ricardo Mancin, diretor de Assuntos Ambientais do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram)sos minerais em cada região.Para Mancin, o segredo está na visão estratégicaem todo o processo. “A maturação de um projetomineral toma, em média, 10 anos entre oinício das pesquisas geológicas e a extração dosminérios. Além disso, a vida útil de uma mina é,em média, de 40 anos”, defende. “É uma interaçãolonga e intensa com as comunidades locais”.Com dinheiro em caixaO bom desempenho financeiro registrado nosúltimos anos foi um dos fatores que ajudaram aRenova Energia a diversificar sua atuação. Areceita operacional líquida da empresa cresceu216,3% em 2012, fechando em R$ 115.639,00.Segundo comunicado divulgado à imprensa, oresultado se deve à entrega de um grande complexoeólico durante o ano. O projeto Alto SertãoI, que integra 14 parques na Bahia, nasceu comoo maior conglomerado dessa natureza em toda aAmérica Latina.A Renova Energia é a primeira companhia brasileiradedicada à energia renovável incluída naBM&FBOVESPA. Hoje, detém 28% do montante deenergia contratada em operação e já iniciou asobras para outro complexo na mesma região.12 • CANAL, Jornal da BioenergiaMarço de 2013 • 13


BiodieselPesquisa propõemelhorar colheitae extração de óleoda macaúbaA macaúba (Acrocomia aculeata) tem potencialpara se tornar matéria-prima para a produção debiodiesel, biocombustíveis de aviação, cosméticos ealimentos para consumo humano e animal. AEmbrapa inicia este ano um novo projeto de pesquisaque busca soluções para problemas relacionadosprincipalmente à colheita e à extração do óleo dapolpa de macaúba. A pesquisadora Simone PalmaFavaro, da Embrapa Agroenergia (Brasília/DF), contaque, atualmente, os frutos da macaúba são colhidosprincipalmente do chão, depois de se desprenderemdos cachos. Ela explica que, por isso, boa parte daprodução chega às indústrias já em processo dedeterioração. A equipe de pesquisa vai testar duasestratégias de colheita. A primeira é cortar o cachointeiro, como se faz com o dendê; a segunda, instalarum coletor junto às palmeiras para captar os frutosque caem dos cachos.Uma das perguntas que os pesquisadores queremresponder é se o corte do cacho inteiro resultana colheita de frutos verdes junto com os maduros- ou seja, se os frutos amadurecem igualmente nocacho. A viabilidade técnica e econômica de realizarPesquisa também desenvolverá métodos físicos de extração do óleo da polpaesse tipo de coleta em uma planta de porte altocomo a macaúba também será avaliada. No sistemacom o coletor, a equipe precisará verificar quantotempo os frutos podem ficar no recipiente semperder qualidade e teor de óleo.A pesquisa também desenvolverá métodos físicosde extração do óleo da polpa da macaúba. A pesquisainiciada na Embrapa vai avaliar também característicasdo óleo importantes para o uso industrial, taiscomo estabilidade oxidativa e comportamento frenteao aquecimento. Será objeto de estudo, ainda, oprocesso de refino, com base nos parâmetros estabelecidospelo Ministério da Agricultura, Pecuária eDaniela CollaresAbastecimento para outros óleos.Outra atividade do projeto será a caracterizaçãodos produtos e coprodutos da macaúba:folhas, diferentes partes do fruto e tortas de polpae amêndoa. Serão avaliadas características químicascomo teor de carboidratos, proteínas e, especialmentefibras. “Nosso objetivo é aprofundar oconhecimento sobre os componentes da macaúba,pensando tanto em atender ao mercado deração animal quanto em identificar compostosque possam ser utilizados pela indústria química”,afirma a pesquisadora da Embrapa Agroenergia.(Canal com dados da Embrapa Agroenergia)Senar em AçãoFotos: Divulgação/SenarCurso integra lições teóricas e práticas para manejo de equipamentosObjetivo é incrementar prática de irrigação nas lavouras de cana-de-açúcar de GoiásOperadores recebem treinamento em irrigaçãoA irrigação vem ganhando, há algumassafras, um lugar de destaque no rolde investimentos do setor sucroenergético.O segmento aproveita a demandapor níveis maiores de produtividadepara desenvolver tecnologias quegarantam uma relação positiva entrecusto e benefício, dos pontos de vistafinanceiro, social e ambiental. Paraacompanhar esse processo, muitos produtorestêm apostado na qualificaçãode colaboradores para operar equipamentosde irrigação por aspersão e pivôcentral.“A irrigação tem se mostrado umaimportante aliada para aumentar a vidaútil dos canaviais. Por isso mesmo, oprodutor rural entende que é precisocapacitar pessoas que atuam diretamentecom esses equipamentos, ensinandoboas práticas de operação emanutenção”, afirma o engenheiroagrícola Anderson Alves Brasileiro, instrutorda regional goiana do ServiçoNacional de Aprendizagem Rural (SenarGoiás).De olho nisso, a instituição desenvolveuum projeto de capacitação paramanejo da irrigação nas lavouras. Otreinamento foi customizado para osetor sucroenergético e integra liçõesteóricas e práticas em 16 horas-aula.“O curso tem foco no conjunto motor--bomba e nos equipamentos de aspersão”,explica o instrutor, que conta,ainda que recentemente o Senar Goiásotimizou a carga-horária e o conteúdodo treinamento.“São repassados fundamentos sobrea utilização de recursos hídricos nalavoura. O aluno passa a entender quala demanda nesta cultura, como a águase movimenta no solo e penetra naplanta, entre outros aspectos”, completa.A fertirrigação (aplicação de vinhaça,resíduo da destilação da cana-de--açúcar) também tem destaque nocurso.Segundo o instrutor, as equipes doSenar Goiás têm encontrado um cenáriobastante heterogêneo nas usinas doEstado. “Algumas turmas já estão emum nível de profissionalização maior,outras ainda têm noções mais básicas”,avalia Brasileiro. “O que não muda é aconsciência delas. As empresas estãoexpandindo a área irrigada sem ampliarsuas áreas plantadas e sabem que é precisocapacitar pessoas para um maiorequilíbrio nessa relação”, finaliza.14 • CANAL, Jornal da BioenergiaMarço de 2013 • 15


TocantinsÁlvaro MottaLiderança naRegião NorteProduçãosucroenergética noTocantins ganha corpocom desenvolvimentode projeto pioneiro.Estado já registrao terceiro maiorcrescimento do setor noBrasilDivulgação/Beto MonteiroPrimeiro parque agroindustrial do setorsucroenergético no Tocantins recebeuinvestimentos de R$ 600 milhõesIgor Augusto PereiraAimplantação de um projeto inédito paraprocessamento de etanol em Tocantinsem 2011 pegou o mercado brasileiro desurpresa. Não era para menos: até então,o Estado não contava com qualquer iniciativa deprodução em escala nesses termos. A iniciativadeu certo e, já na terceira safra, mostra umdesempenho que vem atraindo os olhares deoutros investidores. A responsável pela ideia é amultinacional norte-americana Bunge, que incluiem seu portfólio operações com fertilizantes, alimentose bioenergia.Localizada em Pedro Afonso, há 180 quilômetrosda capital Palmas, a usina greenfield daBunge registrou um crescimento de produção de35% na safra 2012/2013. No último ano, foramproduzidos 218 milhões de litros de etanol noEstado, posicionando a cultura de cana-de-açúcarcomo a segunda mais expressiva no Tocantins,perdendo apenas para a soja. Além disso, segundolevantamento da Companhia Nacional deAbastecimento, o Estado já figura como líder naprodução sucroenergética do Norte do País – decada cinco pés plantados na região, pelo menostrês estão em solo tocantinense.Para o diretor de Agroenergia da Secretaria daAgricultura, Pecuária e Desenvolvimento Agráriodo Tocantins (Seagro-TO), Luiz Eduardo BorgesLeal, o crescimento da atividade sucroenergéticano Estado é reflexo da expansão dos canaviaisrumo às regiões centrais do Brasil. “Foi um movimentoque passou pelo Oeste Paulista, TriânguloMineiro e Goiás, que chega agora ao Tocantins”,avalia. Embora ainda não haja outros projetosanunciados, o órgão acredita que a tendência sejade expansão.“Hoje, cultivamos cerca de 30 mil hectares decana-de-açúcar. Segundo levantamentos daEmbrapa, podemos estender essas culturas paraaté 1,2 milhão”, explica Leal. Além dos incentivosà produção agrícola, o Estado têm intensificadoRicardo Santos, da Bunge: empresaplaneja investir R$ 2,5 bilhões no setorsucroenergético até 2016esforços para atrair investimentos na estruturaçãodo parque industrial. O projeto da Bunge em PedroAfonso custou cerca de R$ 600 milhões, revelou aempresa. A iniciativa integra as políticas corporativaspara abertura de novas frentes de produçãono País.“Há uma vantagem competitiva muito grandeem se produzir etanol na região, pois o custologístico é menor quando comparado à alternativade transportar o combustível de São Paulo”,afirma o vice-presidente de Açúcar e Bioenergiada Bunge Brasil, Ricardo Santos. Inaugurado emum momento em que se discute a importânciaestratégica das novas tecnologias para a sustentaçãoda atividade agrícola, o projeto no Tocantinsnasceu com um aparato técnico grandioso para ospadrões da atividade canavieira.Para adequar-se ao solo e ao clima da região, aempresa, que já contava com sete outras usinasno Brasil, buscou parcerias com centros de pesquisapara o desenvolvimento de variedades específicasde cana-de-açúcar. Além disso, investiu noplantio e colheita totalmente mecanizados. Umadas novidades é a instalação de um pivô de 1,3 milmetros de extensão, considerado o maior domundo.Hoje, a planta opera exclusivamente com aprodução de etanol para mercado interno eexportação, de acordo com a operação daferrovia Norte-Sul. A segunda fase do projeto,quando a usina começa a produzir açúcar ebioeletricidade, deve ser implantada até 2016e tem o objetivo de dobrar a capacidade deprodução. Para isso, devem ser cultivados mais36 mil hectares. Para este ano de 2013, estãoprevistos investimentos de R$ 55 milhões.O executivo acredita que a experiênciapossa funcionar como um parâmetro paranovos investimentos da companhia no setorsucroenergético. “Há pouco mais de um ano,o presidente mundial da Bunge, AlbertoWeisser, e o presidente da Bunge Brasil,Pedro Parente, anunciaram em encontrocom a presidente Dilma Rousseff um planode investmentos expressivo no segmento,com aporte de R$ 2,5 bilhões para o períodode 2012 a 2013”, explica. Boa parte dessesrecursos deve ser alocada na expansão decanaviais e no incremento da capacidadeindustrial das usinas já instaladas.Sem adiantar nomes, a Seagro-TO avisaque outros projetos para investimentos nosetor sucroenergético estão sendo avaliados.A produtividade acima da média nacional,proporcionada também pela alta taxa deinsolação, mostra que o Tocantins deverá serencarado como a próxima grande fronteiraagroindustrial para a atividade sucroenergética.A julgar pelo exemplo da usina de PedroAfonso, os novos horizontes da atividadecanavieira parecem se desenhar com o climade otimismo na região.Luiz Eduardo Borges Leal, da Seagro-TO:produção de cana no Tocantins é a maisexpressiva na Região NorteDivulgação/Seagro-TO16 • CANAL, Jornal da BioenergiaMarço de 2013 • 17


SegurosNo campo ou na indústria,precaução acima de tudoSetor sucroenergéticoé um dos segmentosque têm registradomaior crescimentona procura porseguro ruralFernando DantasOperíodo de chuvas é aguardadopelo homem do campo,porque representa a chegadadas águas, importante para oflorescimento e o crescimento da planta,além do desenvolvimento da atividadeagrícola. Mas também significauma época perigosa e de atenção paraa área rural, pois é quando aumenta aincidência de descargas atmosféricas,os tão tenebrosos raios. E no campo aatenção deve ser redobrada, pois a probabilidadede receber uma descarga édez vezes maior que nas cidades.A história sempre se repete, já quetodo ano são vários os registros deprodutores rurais em diversas regiõesdo Brasil que perderam centenas decabeças de gado em suas propriedadesou até mesmo de incêndios em galpões,plantações e unidades industriaiscausados por queda de raios. Em janeirodeste ano, por exemplo, um incêndiodestruiu um tanque de etanol da UsinaRio Claro, unidade da OdebrechtAgroindustrial, localizada em Caçu(GO). O incidente foi provocado por umraio e resultou na queima total docombustível do tanque, que possuicapacidade para 20 milhões de litros deetanol. Controlado pelo Corpo deBombeiros e Brigada de Incêndio daunidade, o fogo poderia ter representadoprejuízo de mais de R$ 20 milhões,caso toda a unidade da OdebrechtAgroindustrial não fosse segurada.Essa situação, que envolve fator climático,é apenas uma da lista deadversidades e imprevistos que podemacontecer na atividade agrícola e causarprejuízos ao produtor. Mostra aindaa importância do seguro rural para aeconomia nacional, já que, ao protegera agricultura contra fenômenos climáticosadversos, o produtor garanteainda a estabilidade da renda, geraçãode emprego, desenvolvimento tecnológicoe tranquilidade ao produtor e aomercado.A quantidade de produtores eempresários brasileiros que se preocupamem fazer o seguro de suas propriedades,bens e capital tem crescidoano após ano. Porém, se forem consideradastodas as culturas, o númeroainda é incipiente, se comparado aoutros países. Apenas 8,64% das áreasagricultáveis – cerca de cinco milhõesde hectares –, são seguradas no Brasil(enquanto 91,36% não possuem seguro),segundo dados da Allianz Seguros.Já em países como Canadá, EstadosUnidos e China, o número ultrapassa50% das áreas de cultivo. “Temos muitoa desenvolver, mas estamos no caminho”,revela o supervisor deAgronegócio da Allianz, Luiz CarlosMeleiro.As últimas informações apresentadas peloMinistério da Agricultura, Pecuária eAbastecimento (Mapa) mostram que o setorsucroenergético é um dos segmentos que têmregistrado crescimento na procura por segurorural. Os dados são de 2011, integram relatóriodo Programa de Subvenção ao Prêmio doSeguro Rural e revelam que houve acréscimo de17,2% nas contratações de seguro rural se comparadoa 2010. As principais coberturas oferecidaspara as lavouras de cana-de-açúcar sãocontra incêndio, geada, seca e granizo. Tambémfoi registrado incremento na área segurada, quepassou de 133.603 hectares para 902.210 hectares,representando 10,8% da área plantada decana no País. De acordo com o relatório, o crescimentose deve à expansão considerável dasáreas de cultivo, explicada, principalmente, peloaumento na produção de etanol.OpçõesCanavial, unidade industrial, máquinas eimplementos agrícolas, e até crédito rural sãopassíveis de ser segurados. Especialistas atéorientam que o ideal é mesmo se precaver,segurar toda a propriedade rural e, com isso,ajudar a mudar a realidade de que 91,36% dasáreas agricultáveis não são seguradas no País.Porém, antes de assinar qualquer contrato, oprodutor precisa se ‘assegurar’ que está indopelo caminho correto, conhecer as formas deseguro, entender o que difere um do outro ecomo proceder no momento da contratação eLuiz Carlos Meleiro, supervisor deAgronegócio da Allianzaté do resgate – se necessário.De acordo com o diretor geral de SegurosRurais do Banco do Brasil/Mapfre, Luís CarlosGuedes, existe diferença entre seguro rural eseguro agrícola. “O primeiro é o genérico,Luís Carlos Guedes, diretor geral de SegurosRurais do Banco do Brasil/Mapfreengloba outras opções, enquanto o segundo éespecífico”, destaca. Utilizando a forma genérica,o rural possui três típos básicos de seguro– da produção agrícola, patrimonial e do créditorural.18 • CANAL, Jornal da BioenergiaMarço de 2013 • 19


Seguro da produção agrícolaCom mais de 13 anos de experiência de mercadona área de seguro rural, sendo que há três passarama atuar juntos, e respondendo por 70% doseguro rural no Brasil, o BB/Mapfre possui dadosque mostram que, somente em 2012, 55 mil contratosde seguro agrícola foram realizados. Paraessas situações, o agricultor busca garantir proteçãopara a culturas como cana-de-açúcar, café,trigo, arroz, soja, milho etc. Atualmente, é consideradauma opção cara, o que talvez explique o motivode apenas um número reduzido de produtoresutilizá-la para proteção de suas lavouras. Tambémé a razão pela qual o governo federal lançou, em2005, subsídio que chegam a 70% do valor totalavaliado (ver quadro).De acordo com relatórios de sinistros da BB/Mapfre, os riscos principais são seca, geada, granizo,ventos fortes, trombas d´água e outros problemasclimáticos. No entanto, o diretor da empresa, LuísCarlos Guedes, informa que a cana é uma culturabastante resistente, por isso o risco é relativamentebaixo para a cultura. “Mesmo assim, podem aconteceradversidades. Em 2012, tivemos uma área de 10 milhectares, no Mato Grosso do Sul, que sofreu comenorme geada, resultando na queima de todo o canavial.Foi a maior indenização paga no ano passado,com valores próximos de 9 milhões de reais”, exemplifica.Luís Carlos Guedes explica, ainda, que nos casosdo seguro da produção agrícola o valor da coberturaé, em média, de 70%. “Claro, o produtor pode contratarmais, até 100%. Porém, o custo é elevado.”Antes de efetuar o contrato de seguro da produçãoagrícola, profissionais da seguradora vão até apropriedade, realizam inspeção para verificar se oprodutor realmente plantou o que indicou na proposta,isso porque é preciso seguir normas técnicasdo Mapa. “Existem épocas e regiões certas para seplantar. Ninguém cultiva café na região Sul do Paíspor causa das geadas em certas épocas do ano.Então, se algum produtor quer fazer seguro paracafeicultura na região, não será aprovado. Em qualquercultura, tem que seguir os procedimentos técnicosadequados, sementes melhoradas, enfim, atenderaos normativos básicos para a cobertura doseguro”, reforça Luís Carlos Guedes. Cabe ainda aoprodutor informar à seguradora a expectativa decolheita, ou seja, quantas toneladas por hectarepretende colher para determinada cultura segurada.Em caso de sinistro, que é a materialização doIncentivo que vem do poder públicoNo Brasil, o seguro rural ganhou impulso a partirde 2005 e busca a sua consolidação como ummecanismo para o desenvolvimento do setor. Ogoverno federal reconhece a importância dessemercado e tem buscado incentivar produtores aaderirem ao procedimento, como forma tambémde fortalecer a agropecuária brasileira. Asubvenção ao prêmio de seguro rural, comumtambém em vários países, é hoje o incentivoprincipal aos produtores na aquisição de umseguro rural. Trata-se de uma maneira de auxiliaro produtor na contratação de um seguro, pormeio do pagamento de parte do valor da apólice,que pode chegar a até 70% do valor do seguro.O Programa de Subvenção ao Prêmio do SeguroRural (PSR), instituído pela Lei nº 10.823/2003,risco, o produtor precisa acionar a seguradora imediatamente.O BB/Mapfre, por exemplo, possui umacentral telefônica que funciona 24 horas por dia, oano todo, para atender essas situações. Assim queacionada, a seguradora já inicia o processo de averiguação,por meio da coleta de informações e visitatécnica ao local. Tudo é feito para verificar o grau deseveridade na cultura. “Com isso, é feito um laudo,que resgata até mesmo a expectativa de colheitainformada no contrato”, orienta.iniciou-se em 2005, com a preocupação de darinício ao processo de massificação dascontratações de seguro rural, ofertar essamodalidade de garantia em todas as regiõesprodutoras e despertar o interesse do produtorem sua contratação. Em 2011, foram gastos R$253,5 milhões com o pagamento da subvençãoao prêmio do seguro rural, valor 28% superior aoalocado em 2010, o que permitiu a aquisição de57.885 apólices de seguro rural por 40.109produtores, garantindo capitais da ordem de R$7,3 bilhões e proporcionando coberturasecuritária para 5,6 milhões de hectares, entrelavouras de grãos, frutas, legumes e verduras,fibras, cana-de-açúcar, além de florestas epecuária.O diretor do BB/Mapfre, Luís Carlos Guedes, citauma situação hipotética para explicar, de formaprática, como são feitos os procedimentos de sinistroe cobertura da produção agrícola. “Se a expectativaé colher 100 toneladas por hectare de cana-de- açúcar,houve o comunicado de geada, que prejudicou30% do canavial, e mesmo assim a propriedade vaicolher 70 toneladas por hectare, então não é feita aindenização. Agora, se colher menos, a gente paga adiferença”, afirma.Seguro patrimoniale de crédito ruralO seguro patrimonial engloba tratores,colhedoras, armazéns, estábulos, galpões,construções rurais. Só não inclui a unidadeindustrial (que possui seguro específico). Noano passado, foram 250 mil contratos firmadospara máquinas no País, sendo que de 5% a8% apresentam algum tipo de sinistro, deacordo com a média do setor. Na hora de efetuaro contrato, a seguradora solicita documentospessoais e certificados de propriedade.Nos casos de sinistros, que normalmente sãoacidentes, capotagem, incêndio, batidas etc, acobertura é total. Para máquinas, tratores ecolhedoras é preciso pagar franquia, comoocorre com automóveis. O procedimento adotadopara verificar o risco é também idênticoao dos veículos. O perito vai até o local paraavaliar se configura perda total ou se é possívelrecuperar em oficina especializada. Emsituações de roubo, a orientação é para que oprodutor faça o Boletim de Ocorrência (BO).O seguro do crédito rural é aplicado, principalmente,em casos de empréstimo para aatividade agrícola. A cobertura também éRiscos e mercadoAssim como canaviais, plantações,unidades industriais, máquinas eoutros itens podem ser segurados, aspróprias seguradoras também recorrema esse procedimento para reduzirriscos – as resseguradoras. “Imaginatodo mundo tendo problema aomesmo tempo e precisando de cobertura,do prêmio, as seguradoras nãoteriam como pagar”, informa LuísCarlos Guedes. Por isso, explica odiretor, as seguradoras tentam diversificaras opções de seguro. “De vezem quando tem um evento que dáum prejuízo danado, mas se dilui nomeio dos outros. O conjunto do segurorural nos permite obter ganho. Noseguro agrícola, tem ano que a gentepaga menos do que recebe”, enfatiza.Também foi por este motivo quefoi criado pelo governo federal oFundo de Catástrofe, reserva derecursos para garantir a atuação dascompanhias de seguro rural e quepoderá ser usado para bancar partedas perdas, evitar falência de seguradorase permitir o crescimento donúmero de apólices.O diretor do BB/Mapfre, Luís CarlosGuedes, avalia que, apesar do crescimentoincipiente, dos riscos, o mercadode seguros é positivo. “Nós trabalhamoscom margens para tornaresse seguro atraente para o cliente eao mesmo tempo para as seguradoras.Vai se tornar cada vez mais atraentequando mais gente optar peloseguro. É um mercado atraente, mastotal. Se o produtor rural faz empréstimo no valorde R$ 500 mil, oferece a propriedade rural comogarantia e por alguma situação vem a óbito, onós precisamos ampliá-lo e diversificá-lo”,relata.Seguro como ferramenta de garantiaCom mais de 40 clientes entreprodutores de açúcar e etanol, totalizandocarteira de R$ 5 milhões, aAllianz Seguros tem ampliado suacobertura para empresas do setorsucroenergético. A empresa possui12% do mercado da cana- de-açúcarcom a oferta de produtos que cobremdesde o canavial até problemas commáquinas e equipamentos e danosprovocados por vendavais ou acidentes,como a explosão de uma caldeira.Voltado para o canavial, a Allianzoferece seguro que garante coberturacontra incêndio e outras intempériesda natureza. A empresa possui, desdea cobertura básica – incêndio acidental-, como adicionais – chuva excessiva,ventos fortes, granizo, geada,seca e inundação. Na área de unidadesindustriais, a Allianz tem em seuportfólio, à disposição dos produtores,cobertura para usinas de açúcar.O seguro protege instalações, edificaçõese construções, com coberturabásica ampliada para incêndio, quedade raio e explosão de gás de usodoméstico, explosão de qualquernatureza, incêndio resultante dequeimadas em zonas rurais, além decoberturas opcionais para alagamento,danos elétricos, demolição edesentulho, desmoronamento, quebrade vidros, entre outros.banco credor pode ‘tomar’ a área como pagamento.Com o seguro do crédito rural, a seguradoraarca com o pagamento.20 • CANAL, Jornal da BioenergiaMarço de 2013 • 21


CogeraçãoMercado aquecidopara as térmicasSubsídio do governobusca atenderexigências do setorprodutivo e evitar querepasses ao consumidorfinal anulem descontosna tarifaIgor Augusto PereiraOcupando a vice-liderança na matriz energéticabrasileira, as termelétricas devemganhar uma importância estratégica aindamaior no setor em 2013. O novo cenário éresultado de critérios ambientais cada vez maisrigorosos para a geração de energia a partir dashidroelétricas, das dificuldades em fazer escala apartir das fontes eólica e solar, além de uma conjunturasociopolítica, em que o acionamento dessasusinas é cada vez mais frequente.Até então, uma das maiores preocupações domercado era em relação ao repasse dos custos deprodução, maiores que no caso das hidrelétricas. Orecuo do governo federal em adotar o sistema debandeira tarifária, anunciado no início de março,trouxe mais alívio ao consumidor, que não terá quearcar com os valores adicionais de operação dastérmicas.Pela proposta anterior, o consumidor seria avisadoem sua conta sobre as condições do sistemanacional. Assim, uma alerta nas cores verde, amarelaou vermelha indicaria o impacto que o acionamentoteria sobre as tarifas seguintes.O receio era de que essa iniciativa anulasse aredução nas contas viabilizada recentemente emesfera federal. A partir de agora, a conta vai serdividida entre grandes indústrias que adquiremenergia no mercado livre, usinas, cujas obras estãoatrasadas, empresas geradoras, distribuidoras econsumidores domésticos.Um fundo chamado de Conta de DesenvolvimentoEnergético, porém, será responsável por bancareventuais reajustes, de forma a impedir variaçõesbruscas na conta de luz. A medida foi tomada apósas térmicas reivindicarem um maior aporte econômico,alegando dificuldades financeiras em virtudedos altos custos de produção.Segundo o diretor da Trade Energy, Luis Gameiro,o custo mensal para a operação dessas empresaschega a R$ 700 milhões. A geração de eletricidadea partir da combustão representa, hoje, cerca de28% do abastecimento nacional.De acordo com levantamento da AgênciaNacional de Energia Elétrica, são 1.642 empreendimentosdesse tipo em operação, 24 em construçãoe outros 134 já outorgados, maior número entretodos os setores de geração.Do total das usinas termelétricas em operação,364 geram energia a partir da queima de bagaço dacana-de-açúcar, antigo subproduto que vem sendoelevado ao status de estrela do setor sucroenergético.Um dos projetos mais recentes é o da SJCBioenergia em Goiás, que começou a operar noinício deste ano.Localizada em Cachoeira Dourada, municípiohá 240 quilômetros da capital Goiânia, a usinaplaneja produzir energia suficiente para abasteceruma cidade de 300 mil habitantes. A operaçãona empresa começou antes mesmo da primeiramoagem.“A biomassa que utilizamos vem de outra usinada SJC Bioenergia, em Quirinópolis, e empresas daregião”, explica o gerente de Elétrica e Cogeraçãode Energia Fábio de Faria Pereira.Hoje, a capacidade instalada na empresa é de 40megawatts/hora, dos quais 13 são consumidos pelaprópria usina e o excedente é aplicado ao sistemaelétrico nacional. Após a inauguração da plantapara processamento de etanol, agendada parajunho, a empresa deve contar com um potencial degeração ainda maior.“A capacidade dessa usina será de 2,5 milhões detoneladas de cana, produzindo 200 milhões delitros de etanol e gerando até 160 mil megawatts/hora durante um ano”, explica o gerente industrialMarcelo Cavalli. O projeto foi retomado em setembrode 2011, após a joint venture entre o Grupo USJe a Cargill.Outra novidade é a utilização da palha da cana--de-açúcar na produção de energia, tendênciaapontada pelo especialista agroindustrial do Centrode Tecnologia Canavieira (CTC), Marcelo Pierossi.“A quantidade de palha deixada nos canaviaisapós a colheita varia de 10 a 12 toneladas, dependendoda produtividade. Metade desse materialpode ser recolhido através de enfardamento”,explica.A palha apresenta menos umidade que o bagaço,o que propicia uma geração de energia 1,7vezes maior que a obtida com a mesma massa doproduto. “Em valores médios, considerando-se caldeirasde 65 bar com condensação, é possívelexportar 0,7 megawatts/hora por tonelada depalha”, argumenta.A instituição desenvolve, em parceria com aNew Holland, um projeto para tornar mais acessíveisas tecnologias de recolhimento da palha apósa colheita mecanizada. “Até 70% do material podeser retirado, de acordo com as condições edafoclimáticasde cada região”, explica o coordenador deMarketing da empresa, Samir de Azevedo Fagundes.O projeto é dividido em três fases. Na primeira, alavoura é avaliada por agrônomos para que se descubraquanta palha pode ser retirada sem que asustentabilidade da produção seja afetada. Emseguida, vem o processo de recolhimento emcampo e o enfardamento.Por último, os fardos são recebidos na unidadeindustrial e processados para adequálos às condiçõesdas cadeiras. O programa foi incluído no Planode Apoio à Inovação dos Setores Sucroenergético eSucroquímico (Paiss), do Banco Nacional deDesenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e daFinanciadora de Estudos e Projetos (Finep).Marcelo Pierossi, especialista agroindustrialdo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC)22 • CANAL, Jornal da BioenergiaMarço de 2013 • 23


PesquisaBiodiesel pode ter novo aliadoAditivo natural foiproduzido para reduzircustos e melhoraro desempenho docombustível, evitandodanos no motor dosveículosRodrigo Alves de Mattos, responsável pela pesquisa no Instituto de Química da Universidade de CampinasUm aditivo natural capaz de melhorar odesempenho e reduzir o custo do biodieselutilizado na frota brasileira foidesenvolvido pelo Instituto deQuímica da Unicamp. A grande vantagem damistura produzida durante o doutorado doquímico Rodrigo Alves de Mattos é que eladiminui a possibilidade de entupimento docombustível no motor. Sendo assim, é possívela utilização de matérias-primas mais baratas- como a gordura animal – na produção dobiodiesel. Para a fabricação do aditivo, sãoutilizados resíduos de casca de cítricos e deresinas de árvores utilizadas na indústria depapel e celulose.A falta de fluidez dos combustíveis podedesencadear problemas no motor do veículo,impedindo seu escoamento do tanque até acâmara de combustão. Caso isso ocorra, omotor pode apresentar pequenas falhas oumesmo danos mais graves. A fluidez é determinadapela matéria-prima utilizada na produçãodo biodiesel, além das condições de temperaturae pressão atmosférica.O biodiesel pode ser produzido por gordurasanimais ou por outras fontes renováveis, comoóleos vegetais. Quando utilizados os óleos deorigem animal, a possibilidade de entupimentodo motor é ainda maior. A produção com óleosvegetais é mais apropriada, apesar de se tratarde uma matéria-prima mais cara, por ser utilizadatambém como produto alimentício.Rodrigo de Mattos diz que não é comum ocomércio de biodiesel puro nos postos de combustívelbrasileiros. Atualmente, o dieselcomercializado possui 5% de biodiesel e 95%de diesel, devido à preocupação com o risco deentupimento. Ele é vendido pela Petrobras econhecido como B5 (Biodiesel 5%).O motivo principal do não aumento percentualde biodiesel no diesel está ligado ao custodo combustível. Se utilizado um biodiesel demenor valor na mistura, a probabilidade deentupimento aumenta, o que inviabiliza o uso.“Nós desenvolvemos um aditivo natural debaixo custo justamente para resolver este problema”,explica Rodrigo.ResultadosO aditivo desenvolvido na pesquisa deRodrigo de Mattos apresentou melhoria de80% na redução do ponto de entupimento dobiodiesel analisado. O pesquisador afirma queas principais vantagens do aditivo, que já podeser produzido comercialmente pelas industriasinteressadas, são a redução de consumo dematérias-primas nobres para produção de biodiesel,aumento significativo da quantidade dobiodiesel ao diesel e o consumo de materiaisprovenientes de fontes naturais. Esses fatoresreduzem a competição entre alimentos e combustíveis,diminuem o uso de derivados dopetróleo e tornam o combustível do País maisverde.Além desses pontos, o autor do trabalho citaoutras vantagens. Segundo ele, a utilização doaditivo promove um incentivo à química verdee ao uso de produtos naturais na indústriapetroquímica, além de valorizar os resíduos daindústria de cítricos e de papel. Isso acontecedevido à formulação do aditivo, que misturaresíduos da casca de laranja e da indústria depapel e celulose (foram utilizados o limonenoe a terebintina). Rodrigo esclarece que osmateriais são resíduos de produção industrial.“Um exemplo é a extração do suco de laranja,cujas sobras são a casca e o bagaço. Da cascase extrai um óleo, que tem basicamente trêscomponentes: algum resíduo polimérico; óleosessenciais, usados para perfumaria; e as substânciasmais básicas, como o limoneno. Hoje,ele é usado para algumas poucas aplicações delimpeza, como solvente. Outra substância utilizadaé a terebintina. Ela é aplicada, principalmente,na indústria de tinta, como removedor.Terebintina é um subproduto, uma resinaoriunda de árvores utilizadas na indústria depapel e celulose”.Produto pode viabilizar maior utilização de gordura animalSegundo Rodrigo de Mattos, quanto maisbaixa a temperatura, maior a possibilidade deentupimento do biodiesel no filtro de óleo.Isso porque, com a queda da temperatura, agordura animal solidifica primeiro que os óleosvegetais. Mesmo com esse fator negativo, ouso de gordura animal ainda é grande, por setratar de um material barato e abundante noBrasil. “Nossa cultura é baseada em consumode carne. Hoje a gordura é um produto debaixo custo. Ao mesmo tempo, existe o dilema:não dá para substituir o petróleo porque nãohá nada mais competitivo”, afirma.O entupimento nos motores dos veículosnão é tão grande devido à baixa quantidade debiodiesel acrescido ao diesel. Os estudos deRodrigo mostram que o B5 gerado de biodieselde gordura suína apresentou ponto de entupimentoao redor de 7°C. “A intenção do governoé aumentar esta quantidade de biodiesel,chegar, por exemplo, num B10 (acrescentando10% de biodiesel ao diesel), até passar por umB20, um momento em que não seria necessárianenhuma mudança mecânica nos veículos.De acordo com nossos resultados, o ponto deentupimento do B10 esteve próximo de 14ºC.E o B20 chegou a 20ºC, inviabilizando o seuuso devido à nossa temperatura tropical”,compara.Com a utilização do aditivo natural, o pontode entupimento do B20, obtido a partir degordura suína, apresentou redução de 20°C,para 10°C. “Conseguimos reduzir até mesmo oponto de entupimento do B5 para o mesmoponto de entupimento do diesel padrão, que éde 5ºC. No geral, as formulações patenteadastrouxeram melhoria de 80% na redução doponto de entupimento”, comemora.ConsumoSegundo os dados de Rodrigo, são consumidoscerca de 800 bilhões de litros de diesel porano em todo o planeta. No Brasil, o dieselrepresenta 50% do consumo de combustívelcomercializado. Em 2011, foram comercializados52 bilhões de litros do derivado do petróleo,ou seja, cerca de 6% da demanda global.Já o biodiesel representa uma produção de16 bilhões de litros anualmente, sendo 50%dela na Europa. Em 2011, o Brasil produziu 3,2bilhões de litros, o que equivale a 20% do biodieselcomercializado globalmente. “A capacidadede produção brasileira possibilitaria oinício imediato da mistura diesel-biodieselB10, com 10% de biodiesel. Entretanto, se obiodiesel for produzido com gordura animalcomo matéria-prima de baixo custo, o pontode entupimento do combustível será um problema.Assim, o uso dos aditivos naturaispoderia ser uma solução viável”, acreditaRodrigo.Nesse contexto, o aditivo proposto porRodrigo de Mattos seria um alternativa aomodelo existente. Com a utilização de um aditivonatural, seria possível a introdução do B10e o uso de matéria-prima que não seja nobrena produção do biodiesel. Gordura suína, bovinaou restos de cozinha industrial poderiamser transformados em biodiesel. Ao mesmotempo, seria uma alternativa para proteçãoambiental e aumentaria a vida útil das reservasde petróleo. Rodrigo explica que “o aditivopoderia ser utilizado, no contexto atual, no Sule Sudeste do País, regiões mais frias, onde aquestão do entupimento poderia ser minimizada”.(Ana Flávia Marinho, estagiária doCANAL-Jornal da Bioenergia, com dados daUnicamp).24 • CANAL, Jornal da BioenergiaMarço de 2013 • 25


Empresas e MercadoNova Tec Diesel Perimetral NorteCom a demanda cada vez maior pordiagnósticos qualificados e os sistemas deveículos mais complexos, A Tec Diesel,especialista em turbina e sistema dieselmecânico e eletrônico, há mais de 40 anos nomercado, recentemente inaugurou sua novafilial, própria para serviços da linha Diesel.Localizada na Avenida Perimetral Norte cominstalações modernas e adequadas àsnecessidades do meio ambiente, o novoespaço conta com equipamentos Bosch deúltima geração e tecnologias parareaproveitamento de água da chuva erenovação de ar.Entre as inovações do novo espaçodestacam-se o Clean Room, laboratório limpoe climatizado utilizado no processo dereparação dos injetores Common Rail, queexige elevado grau de limpeza, e a bancadaEPS 200, responsável pela avaliação final dobico injetor.Toda essa tecnologia, aliada a umaestrutura de primeira já é disponibilizado nanova sede Tec Diesel, localizada na Av.Perimetral Norte, 4799 - Setor Maria Dilce,Goiânia (Go).Diesel renovável, à base de microalgas da Solazyme, é bemaceito por consumidores da rede de postos na Califórnia (EUA)A americana Propel Fuels, do setor decombustíveis renováveis, e a Solazyme, Inc.,fabricante de óleos renováveis e bioprodutos,anunciaram os resultados de vendas e pesquisaque avaliam os 30 primeiros dias do projetopilotoque levou, pela primeira vez, combustívelrenovável à base de microalgas às bombas dospostos norte-americanos.Os resultados mostram que consumidorespreferem os benefícios ambientais doscombustíveis renováveis; comprariam mais, sehouvesse maior disponibilidade, e estão dispostosaté mesmo a pagar um preço maior. O projetolevou às Estações de Combustível Limpo da PropelFuels o combustível à base de microalgasSoladiesel em mistura com o B20, para osconsumidores das cidades de Redwood, San Jose,Berkeley e Oakland, todas na Califórnia. Apesquisa revelou que 92% dos participantesdisseram estar mais propensos a comprarcombustível derivado de microalgas; 70%indicaram que comprariam combustível com maisfrequência, se ele fosse derivado de microalgas, eaproximadamente 40% estão dispostos a pagarum preço maior por combustível que gerebenefícios ambientais.BP oferece oficina deinformática em GoiásA BP Biocombustíveis fechou uma parceriacom o Comitê para a Democratização daInformática de Goiás (CDI-GO) e a AssociaçãoEdeense Transformando Vidas (AETV) paraoferecer cursos de computação às comunidadesde Edéia (GO), município que abriga a unidadede processamento de cana-de-açúcar Tropical.O projeto, que teve início no mês de março,oferece aulas de Informática Básica e uma sériede workshops para ensinar desde a montagem emanutenção de computadores até o uso deprogramas presentes no Microsoft Office.Também haverá uma oficina de ensino especialvoltada para os idosos, denominada VovóOnline.A parceria visa promover a qualidade de vidapor meio da tecnologia, mobilizar as pessoas,incentivar a cidadania e ampliar o senso críticodos participantes para atuarem em benefício desuas comunidades.FONE: (62)3933-6500A MAESTRI ATUA NADISTRIBUIÇÃO DEPEÇAS NAS LINHAS( LEVE, PESADA EAGRÍCOLA) NOSEGMENTO ELÉTRICOE ACESSÓRIOS.Rua das Espatodias Qd 1 A Lt 17 H Bairro: Jardim da Luz Goiânia GO.Email: maestri@maestridistribuidora.com.brSite: www.maestridistribuidora.com.brUsina Santa Isabelaumenta eficiência cominvestimentos em gestãoCom o objetivo de obter mudanças na culturado trabalho e implantar melhorias de gestão eprocessos para ganhar eficiência na gestão, em2012 a Usina Santa Isabel (USI), que possui duasunidades industriais no interior de São Paulo,uma em Novo Horizonte e outra em Mendonça,passou a contar com o PlanejamentoOperacional com Grupos Operativos (PO-GO),desenvolvido pela Intelligentsia CompetitividadeIntegrada em parceria com a Veratis.O projeto-piloto foi implantado inicialmentenas áreas de Manutenção e Suprimentos e jáforam obtidos benefícios qualitativos equantitativos, como a percepção da importânciade cada colaborador dentro da usina e aredução do atraso na entrega de pedidos. Antesdo projeto, a empresa tinha 86 páginas deentregas em atraso, após a implantação estenúmero caiu para 10.Valtra em movimentoPreocupada com a atualização do produtorsobre as tecnologias disponíveis para buscar osresultados na colheita, a Valtra desenvolveu oprograma de demonstração “Valtra emMovimento”, que leva às propriedades do Brasilinformações, dinâmicas e test-drives decolheitadeiras para os produtoresacompanharem e analisarem a eficiência dasmáquinas Valtra durante a colheita de grãos,com muita tecnologia, rentabilidade emodernidade.Em Joviânia (GO), o evento foi realizado pelaconcessionária PlanaltoTratores nos dias 20 e 21de fevereiro, na Fazenda Sitio Santa Amélia, docliente Manassés Malaquias Mendes. O eventoVENDE-SE PLANTADORAS DE CANA USADAS:01SMI 10.000SERMAGTROPICANA01 AUTO-MOTRIZ SERMAGPTX 700001 TRACANCONTATO PELOSTELEFONES:(16) 9785-6315(16) 9785-8597(16) 9788-8208representou uma ótima oportunidade para osprodutores conhecerem todo o portfólio Valtraque, além da BC4500 convencional, possui ascolheitadeiras axiais BC 6500 e BC7500,equipadas com o novo rotor HiTech Threshing(HTT). Além do avançado acionamentohidrostático, o rotor possui agora um novo canalalimentador que recebe e direciona o materialcolhido já no sentido de giro do rotor. “Oresultado desta evolução na engenharia é umaoperação simplificada. A trilha torna-se maissuave e constante, privilegiando a qualidade dosgrãos colhidos e a economia de combustível”,ressalta Douglas Vincensi, gerente de marketingde produto colheitadeiras da AGCO.32 • CANAL, Jornal da BioenergiaMarço de 2013 • 33


Palavra do especialistaCenários para ospróximos anosA notícia auspiciosa é que, nos últimos cinco anos,o Brasil foi o país que mais bem utilizou os resultadosdo crescimento econômico para elevar o padrão de vidae o bem-estar da população, graças principalmenteà melhor distribuição de renda: os ganhos sociaisequivalem a um país com expansão do Produto InternoBruto (PIB) da ordem de 13%, mais do dobro dos5,1% da média anual registrada no período de 2006 a2011. A constatação é do estudo Da riqueza para obem-estar, elaborado pela consultoria internacionalBoston Consulting Group a partir de dados sobre 150países coletados em diversas fontes, entre as quais oBanco Mundial, o FMI e a ONU. Mas, como acontececom quase todos os estudos desse tipo, antes de se comemorara boa nova é importante ampliar a análisepara além dos frios números e até mesmo fazer algunscruzamentos com outras pesquisas.Como alerta Christian Orglmeister,diretor do escritório daconsultoria em São Paulo, quandose parte de uma base muito baixa,é mais fácil avançar, segundo declarouem entrevista ao Estadão.Ou seja, embora a situação sejamelhor, ainda há muito o que fazer.Ele ainda aponta, com precisão,o desafio: manter esse ritmode crescimento e de distribuiçãoda riqueza e seus benefícios. Paraisso, é necessário melhorar a qualidadeda educação, modernizar ainfraestrutura, flexibilizar o mercadode trabalho e reduzir os entravesburocráticos que atrapalham a realização denegócios.Seguindo a recomendação de ampliar a análise, valelançar um olhar atento sobre a Síntese de IndicadoresSociais, elaborado pelo IBGE, que foca as condiçõesde vida da população em 2012. O primeiro aspecto quechama a atenção é o marcante crescimento do númerode pessoas com 60 anos ou mais, que saltou 9% dototal de brasileiros (15,5 milhões) em 2001 para 12,1%(23,5 milhões) em 2011. Enquanto isso, no mesmo período,o grupo de até 24 anos caiu de 48,2% em 2001para 40,2% (78,5 milhões) em 2011. E a tendência dequeda deve se manter, considerando que, no mesmoperíodo, o número de pessoas com até 14 anos de idadesofreu uma redução de 45,9% para 36%, na relaçãocom a faixa de 15 a 59 anos.Um dos significados desse cenário é que será cadavez menor o contingente de pessoas ativas no mercadode trabalho na comparação com os inativos. Ou seja,menos pessoas para produzir a riqueza a ser distribuídapara maior número de brasileiros. Para os jovensem início de carreira, há um obstáculo adicional: provavelmente,mais profissionais permanecerão no mercadode trabalho durante um tempo maior, com impactona oferta de oportunidades. Nesse ponto, valeconsiderar outro indicador social apontado pelo estudodo IBGE: mais da metade dos jovens com menos de25 anos está concentrada na base da pirâmide, ou seja,nas duas faixas de menor renda per capita familiar(menos de um quarto do salário mínimo e de um quartoaté a metade desse valor de referência). Já entre osidosos, esse percentual cai para algo em torno de 18%-- efeito de políticas sociais e previdenciárias que garantembenefício de pelo menos um mínimo a idososcarentes, independentemente da contribuição. Aquicabem, logo de início, duas perguntas, nada retóricas.A primeira: até quando os cofres do INSS suportarãoesse descompasso, entre receita e despesa? A segunda:será justo adiar esse problema para que as geraçõesfuturas o resolvam?Dois dados apresentados pela Síntese, que sinalizampara uma maior dificuldade na manutenção doritmo de melhora do padrão de vida, são as taxas denatalidade e de fertilidade – esta última chegou a 1,9filho por mulher em 2010, a menor da última década.Ambas guardam relação com o aumento da escolaridade,que vem numa curvaascendente desde o inícioOs empresários confiamnum 2013 maispromissor, com ummaior aumento do PIB emelhora de importantesindicadores daatividade econômica.”dos anos 1990 e agora seacelera com a universalizaçãodo acesso ao ensinofundamental e a expansãodas matrículas no ensinosuperior. Na faixa etária dos15 a 19 anos e com seteanos de estudo, 18,3% têmfilhos. Quando a escolaridadesobe para oito ou maisanos de estudos, esse percentualcai para 7%.Os números da Síntese deIndicadores Sociais apenasreforçam a urgência do enfrentamentodos gargalos da educação, infraestrutura,burocracia e falta de flexibilidade, com excessivosencargos nas relações trabalhistas apontados pelo diretordo Boston Consulting Group. Não será tarefa fácil,considerando o impacto negativo da crise internacionalnos resultados das empresas. Por exemplo, apesquisa Panorama Empresarial 2013, realizada pelaconsultoria Deloitte, revela que 71% das empresascom receita líquida superior a 500 milhões de reais foramafetadas pelo cenário internacional adverso, peloaumento dos salários e benefícios dos funcionários epelos custos com fornecedores.Mesmo com o balanço de um 2012 pouco animador,os empresários confiam num 2013 mais promissor,com um maior aumento do PIB e melhora de importantesindicadores da atividade econômica. E nãohesitam em divulgar suas metas. Além de um já tradicionalpropósito de reduzir custo anunciado por 63%das empresas, os principais focos a serem perseguidoseste ano pelas empresas participantes do estudo sãofortalecimento da marca (59%), investimento em capitalhumano (53%) e em inovação (49%), assim comoem ações de retenção de profissionais (39%). Nessalistagem, nota-se um ponto altamente positivo, quandoas empresas incluem no item investimento – e nãomais em custos – o capital humano e a retenção detalentos. Para os profissionais, novos e veteranos, émais uma comprovação de que, em certos aspectos, acrise pode ser sinônimo de oportunidade... desde quese esteja bem preparado para aproveitá-la.Ruy Martins Altenfelder Silva épresidente do Conselho de Administraçãodo CIEE e do Conselho Superior de EstudosAvançados – IRS/Fiesp.34 • CANAL, Jornal da Bioenergia

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