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C:\SEF\Viver, Aprender 4\CapaE. - Ministério da Educação

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Viver,<strong>Aprender</strong>Educação deJovens e Adultos4Guia do Educador


Presidente <strong>da</strong> República Federativa do BrasilFernando Henrique CardosoMinistro <strong>da</strong> EducaçãoPaulo Renato SouzaSecretário ExecutivoLuciano Oliva PatrícioSecretária de Educação Fun<strong>da</strong>mentalIara Glória Areias PradoDiretor do Departamento de Política <strong>da</strong> Educação Fun<strong>da</strong>mentalWalter K. TakemotoCoordenadora Geral de Educação de Jovens e AdultosLe<strong>da</strong> Maria Seffrin


Ministério <strong>da</strong> EducaçãoSecretaria de Educação Fun<strong>da</strong>mentalViver,<strong>Aprender</strong>Educação deJovens e Adultos4Guia do EducadorBrasília, 2001


Ação Educativa Assessoria, Pesquisa e InformaçãoAv. Higienópolis, 901 CEP 01238-001 São Paulo - SP BrasilTel. (11) 825-5544 Fax (11) 3666-1082 E-mail: acaoeduca@originet.com.br http://www.acaoeducativa.orgDiretoria: Marilia Pontes Sposito, Luiz Eduardo W. Wanderley, Pedro Pontual, Nilton Bueno Fischer, Vicente RodriguezSecretário Executivo: Sérgio Had<strong>da</strong>dEdição: Cláudia Lemos Vóvio (coordenadora), Mayra Patrícia Moura e Vera Masagão RibeiroAutores: Conceição Cabrini, Ger<strong>da</strong> Maisa Jensen, Hugo Luiz de M. Montenegro, Katsue Hama<strong>da</strong> e Zenun, Luciana Marques Ferraz,Margarete A.A. Mendes, Maria Amábile Mansutti, Maria Suely de Oliveira, Roberto GiansantiApoio: Maria Elena Roman de Oliveira Toledo (aplicação experimental do material)© Ação Educativa Assessoria, Pesquisa e Informação, 1999Projeto gráfico e diagramação: Bracher & MaltaIlustrações: Cecília EstevesPreparação de originais e revisão: Opera EditorialFotolitos: Bureau 34Agradecimentos:Consultora: Maria do Carmo MartinsEducadores que aplicaram o livro: Adriana N. Moreni, Alessandra D. Moreira, Antonia M. Vieira, Arnaldo P. do Nascimento, CelesteA.B. Cardoso, Cleide T. Mendes, Dalva Kubinek, Darcy A.C. Moschetti, Dulcinéia B.B. Santos, Eliane D’Antonio, Elizabeth S. <strong>da</strong>Silva, Francisco F. dos Santos, Irene A.V. <strong>da</strong> Silva, José V. de Carvalho, Juanice R. Marques, Lucia P.F. <strong>da</strong> Silva, Maria P.S.L. Matos,Marta R. de Souza, Patrícia B. Damasio, Soraia V. dos Santos e Vera M. ZanardiDireção e coordenação <strong>da</strong> Escola Municipal de 1º Grau “Solano Trin<strong>da</strong>de” - Curso de Suplência IServiço de Informação e Documentação de Ação Educativa - SPBiblioteca do Colégio Santa Cruz - SPDepartamento de Documentação <strong>da</strong> Editora Abril - SPDados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)Viver, aprender: educação de jovens e adultos(Livro 4) / Cláudia Lemos Vóvio (coordenação);[ilustrações de Cecília Esteves]. — São Paulo: AçãoEducativa; Brasília: MEC, 1999.Vários autores.ISBN 85-86382-05-11. Educação - Brasil. 2. Ensino de 1º grau -Brasil. 3. Ensino de 1º grau - Livros didáticos.I. Vóvio, Cláudia Lemos.98-0555 CDD - 371.32Índices para catálogo sistemático:1. Livros didáticos - Ensino de 1º grau. 371.32Esta publicação foi financia<strong>da</strong> pelo MEC – Ministério <strong>da</strong> Educação,dentro do Programa de Educação de Jovens e Adultos.Apoio:IAF – Fun<strong>da</strong>ção InteramericanaICCO – Organização Intereclesiástica para Cooperação ao DesenvolvimentoEZE – Associação Evangélica de Cooperação e Desenvolvimento


ApresentaçãoProfessor,Este livro que você está recebendo faz parte de uma coleção de materiais didáticospara Educação de Jovens e Adultos, composta de quatro livros para osestu<strong>da</strong>ntes e guias para o educador. Abrange as áreas de Língua Portuguesa,Matemática e Estudos <strong>da</strong> Socie<strong>da</strong>de e <strong>da</strong> Natureza.Com o apoio e financiamento do Ministério <strong>da</strong> Educação – MEC, no âmbitodo Programa de Educação de Jovens e Adultos, esse material foi produzido porAção Educativa Assessoria, Pesquisa e Informação. Baseado na Proposta curricularpara o 1 o segmento do ensino fun<strong>da</strong>mental, elabora<strong>da</strong> pela mesma instituição,este trabalho tem a intenção de contribuir para a melhoria do processode aprendizagem nessa mo<strong>da</strong>li<strong>da</strong>de de ensino.Com essa iniciativa, decorrente <strong>da</strong> necessi<strong>da</strong>de de material didático específico,aponta<strong>da</strong> pelos professores que atuam na área, e também do empenho políticoque vem reduzindo as taxas de analfabetismo no País, o MEC pretende queseja colocado à disposição <strong>da</strong>s Secretarias Estaduais e Municipais de Educação,ONGs e demais instituições que atendem a esse alunado mais um importanteinstrumento de apoio ao trabalho dos professores em salas de aula.Secretaria de Educação Fun<strong>da</strong>mentalMinistério <strong>da</strong> Educação


Nota dos elaboradoresEste material didático foi produzido por Ação Educativa, como mais umacontribuição para o campo <strong>da</strong> Educação de Jovens e Adultos. Desde 1980, aequipe que integra essa instituição vem dedicando-se a produzir subsídios pe<strong>da</strong>gógicose materiais didáticos para programas de educação popular e escolarizaçãode jovens e adultos, sempre respondendo a deman<strong>da</strong>s de movimentos sociais epopulares, sindicatos e sistemas públicos de ensino. Nessa produção incluemse,por exemplo, os materiais didáticos Poronga (1981) e O ribeirinho (1984),que integraram projetos educativos de grupos populares <strong>da</strong> Amazônia; Ler, escrever,contar (1988), que reportou a experiência leva<strong>da</strong> a cabo junto a movimentosde saúde em Diadema – SP; ou Educação ambiental (1992), produzidoe utilizado no âmbito do Movimento de Atingidos por Barragens em Santa Catarinae Rio Grande do Sul. Em to<strong>da</strong>s essas experiências, constatamos que tais materiaispuderam transcender o contexto dos grupos que os deman<strong>da</strong>ram originalmente,servindo de diversas maneiras a outros grupos com projetos educativosafins. Todos esses materiais tiveram sua história e, por meio delas, pudemosaprender tanto a importância de que haja disponível uma multiplici<strong>da</strong>de de materiaisde referência apoiando a prática dos educadores, como o valor dos muitostrabalhos nessa linha que nos influenciaram diretamente, impulsionando oaperfeiçoamento de nossas propostas pe<strong>da</strong>gógicas.A coleção Viver, aprender, que ora apresentamos, <strong>da</strong> mesma forma respondea uma deman<strong>da</strong>, que foi gera<strong>da</strong> pela divulgação <strong>da</strong>s orientações expressas napublicação Educação de jovens e adultos: proposta curricular para o 1 o segmentodo ensino fun<strong>da</strong>mental, desenvolvi<strong>da</strong> por Ação Educativa no ano de 1996 e distribuí<strong>da</strong>nacionalmente numa publicação co-edita<strong>da</strong> com o Ministério <strong>da</strong> Educaçãoe Cultura e apoia<strong>da</strong> pela UNESCO. Diversos grupos que vêm utilizandoa Proposta Curricular como uma referência em suas práticas educativas junto a


jovens e adultos expressaram interesse em dispor de materiais didáticos que osapoiassem nesse sentido. Especialmente junto a grupos comunitários que atuamnas zonas Leste e Sul <strong>da</strong> ci<strong>da</strong>de de São Paulo, tivemos a oportuni<strong>da</strong>de de desenvolverum trabalho de cooperação mais próximo, oferecendo materiais didáticosque foram sendo elaborados experimentalmente e aperfeiçoados a partir <strong>da</strong>ssugestões <strong>da</strong>s educadoras que os utilizaram em suas salas de aula. Desse modo,além de o trabalho dos autores e editores envolvidos na elaboração dos livros edos consultores que analisaram suas versões preliminares, essa coleção contoucom a colaboração insubstituível dessas educadoras que muito nos aju<strong>da</strong>ram naadequação do material à reali<strong>da</strong>de de seu trabalho educativo com jovens e adultosdos setores populares.Essa soma de esforços para que esta coleção respondesse, de maneira competentee inovadora, às necessi<strong>da</strong>des de educadores e alunos jovens e adultos sófoi possível graças aos recursos obtidos por Ação Educativa por meio de convêniocom o Fundo Nacional do Desenvolvimento <strong>da</strong> Educação do MEC. Contamos,também, com o apoio complementar de agências de cooperação internacionais,particularmente <strong>da</strong> ICCO (Holan<strong>da</strong>), EZE (Alemanha) e IAF (EUA), quejá vinham apoiando projetos de Ação Educativa.Entendemos que esse material didático assim como a proposta curricular emque se baseia possam ser utilizados como insumos para a melhoria de programaseducativos dirigidos aos jovens e adultos, somando-se a outros materiais epropostas já elaborados por equipes pe<strong>da</strong>gógicas que atuam nesse campo nasmais diversas regiões do país. Nosso desejo é que a coleção Viver, aprender sejatambém estímulo à elaboração de novos materiais, que deverão enriquecer ahistória <strong>da</strong> educação de jovens e adultos no Brasil e, dessa forma, aju<strong>da</strong>r-nostambém a continuamente nos aperfeiçoar e, no futuro, estarmos aptos a superaras limitações que esse material certamente encerra, a despeito <strong>da</strong>s intençõese reais esforços de todos os agentes que se envolveram em sua elaboração.Ação Educativa Assessoria, Pesquisa e Informação


Acredito que há tanta miséria e pobreza no Brasil porquea imensa maioria <strong>da</strong> população não tem consciênciadessa dominação ou não exerce essa consciência.Aqui, não se exige ser tratado como igual, e não comodominado. E isso resulta <strong>da</strong> nossa história, uma históriamarca<strong>da</strong> pela casa-grande e pela senzala, pelosenhor e pelo escravo. O senhor virou empresário,dono do poder, e o escravo virou trabalhador, campesino,negro, mulher.Herbert de Souza (Betinho), Ética e ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia (1994)SumárioIntrodução........................................................................................................ 1Dicas de como usar este livro ............................................................... 1Os objetivos de aprendizagem.............................................................. 4Orientações didáticas para o trabalho com a Língua Portuguesa.... 9Orientações didáticas para o trabalho com a Matemática ............... 20Mais dicas para o educador .................................................................. 22Módulo 1: Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia e participação ............................................................... 31Uni<strong>da</strong>de 1: Escravidão........................................................................... 36Uni<strong>da</strong>de 2: Direito ao trabalho ............................................................ 43Uni<strong>da</strong>de 3: Direito ao bem-estar .......................................................... 48Uni<strong>da</strong>de 4: Participação política .......................................................... 56Uni<strong>da</strong>de 5: Um pouco mais de Língua Portuguesa ............................ 62Uni<strong>da</strong>de 6: Um pouco mais de Matemática ........................................ 77


IntroduçãoDicas de como usar este livroO que é este livro?Este é o quarto livro <strong>da</strong> coleção Viver, aprender, série didática elabora<strong>da</strong> especialmentepara a educação de jovens e adultos correspondente ao primeirosegmento do ensino fun<strong>da</strong>mental (1ª a 4ª série). A coleção contém quatro livrospara os alunos, acompanhados, ca<strong>da</strong> um deles, por um guia para o educador;tem como referência a Proposta curricular para educação de jovens e adultos,edita<strong>da</strong> pelo MEC e por Ação Educativa. A coleção abarca as áreas de LínguaPortuguesa, Matemática e Estudos <strong>da</strong> Socie<strong>da</strong>de e <strong>da</strong> Natureza.Este guia corresponde ao livro 4, que se destina aos alunos que estão concluindoo 1º segmento do ensino fun<strong>da</strong>mental ou para uma revisão, no iníciodo 2º segmento do ensino fun<strong>da</strong>mental, de conteúdos e habili<strong>da</strong>des básicos essenciaispara o prosseguimento <strong>da</strong> escolarização. As ativi<strong>da</strong>des foram organiza<strong>da</strong>stendo em vista o enriquecimento <strong>da</strong> visão de mundo dos jovens e adultospor meio do estudo de temas sociais relevantes. Espera-se também que desenvolvamsuas habili<strong>da</strong>des de leitura e escrita de modo que possam ler e escrevercom autonomia diferentes tipos de texto e, principalmente, que se tornem capa-Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 1


zes de usar a linguagem escrita como meio para continuar aprendendo. Conteúdosrelacionados aos números (especialmente a introdução aos números racionais),às operações (principalmente divisão e multiplicação), às medi<strong>da</strong>s, à geometriae à introdução à estatística são retomados e ampliados.Este livro contém apenas um módulo temático, abor<strong>da</strong>ndo diferentes dimensõesdo tema Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia e participação e tópicos específicos de Língua Portuguesae Matemática, diferentemente dos outros livros desta coleção. Ca<strong>da</strong> uni<strong>da</strong>decontém ativi<strong>da</strong>des varia<strong>da</strong>s, que podem ser reconheci<strong>da</strong>s por símbolos que aparecemna lateral <strong>da</strong>s páginas:1. Textos para leiturae estudo.2. Textos complementares paraler, sorrir, refletir, sonhar etc.3. Textos com informaçõesúteis ou relevantes parao tema em estudo.4. Fotos, ilustrações, mapasou gráficos para estudo.5. Roteirode estudo.6. Ativi<strong>da</strong>des ouexercícios escritos.7. Produçãode textos.8. Ativi<strong>da</strong>dede desenho.9. Questõespara debate.10. Propostade experiência.11. Propostade pesquisa.2 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


A ordem <strong>da</strong>s uni<strong>da</strong>des e <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>des propostas não é rígi<strong>da</strong>. O educadorpoderá intercalar ativi<strong>da</strong>des de várias uni<strong>da</strong>des ou inverter a ordem de apresentaçãode um tema, com o objetivo de adequar a abor<strong>da</strong>gem aos interesses e necessi<strong>da</strong>desde seu grupo de alunos ou ain<strong>da</strong> para tornar mais dinâmica a rotinade sala de aula. Também podem ser intercala<strong>da</strong>s as uni<strong>da</strong>des temáticas e as queabor<strong>da</strong>m conteúdos específicos de Língua Portuguesa e Matemática.Que temas são tratados neste livro?O objetivo fun<strong>da</strong>mental <strong>da</strong> abor<strong>da</strong>gem temática neste livro é propiciar aosjovens e adultos o reconhecimento de seus direitos sociais, civis e políticos e areflexão sobre o conceito de ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia. Para tanto, parte-se do estudo sobre aescravidão no Brasil e os movimentos de luta e resistência dos escravos em buscade liber<strong>da</strong>de e de igual<strong>da</strong>de de direitos. Dessa forma, os alunos terão oportuni<strong>da</strong>dede refletir, a partir de uma situação histórica, sobre o significado social eindividual <strong>da</strong> manutenção e garantia dos direitos humanos. A seguir, é abor<strong>da</strong>doo trabalho livre, a partir <strong>da</strong> história <strong>da</strong> luta dos trabalhadores por seus direitostrabalhistas e por condições dignas de trabalho. Em to<strong>da</strong>s as uni<strong>da</strong>des osalunos poderão conhecer e refletir sobre a Declaração universal dos direitoshumanos e como esses direitos concretizam-se ou não na reali<strong>da</strong>de nacional. Porfim, estu<strong>da</strong>-se a organização política do país, o papel do Estado e dos ci<strong>da</strong>dãosna construção de uma socie<strong>da</strong>de mais justa e democrática.Muitos dos temas tratados nos livros anteriores dessa coleção abor<strong>da</strong>m assuntospertinentes a essa temática e você pode recorrer a eles para complementaras ativi<strong>da</strong>des desenvolvi<strong>da</strong>s a partir desse volume. O conjunto 1 abor<strong>da</strong> diversasdimensões <strong>da</strong> identi<strong>da</strong>de do educando, sua história de vi<strong>da</strong>, seus espaçosde vivência e o próprio corpo; contém também informações sobre direitos trabalhistase a situação educacional brasileira. O conjunto 2 abor<strong>da</strong> as diversasfases <strong>da</strong> vi<strong>da</strong> e focaliza os direitos <strong>da</strong>s crianças, dos adolescentes e dos idosos,além de problemas específicos <strong>da</strong>s mulheres e sua luta pela igual<strong>da</strong>de. No conjunto 3 otema central é o meio ambiente que remete a muitos problemas que envolvem responsabili<strong>da</strong>dedos poderes públicos e dos ci<strong>da</strong>dãos.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 3


Os objetivos de aprendizagemNeste livro preocupamo-nos em propiciar aprendizagens essenciais para queos alunos continuem seu processo de escolarização em séries mais avança<strong>da</strong>s doensino fun<strong>da</strong>mental. As ativi<strong>da</strong>des podem servir tanto para alunos que estãoconcluindo o primeiro segmento quanto os que estão iniciando o segundo (correspondenteàs séries <strong>da</strong> 5ª à 8ª). Por esse motivo, nesse guia do educador expressamosuma preocupação maior com a observação dos resultados de aprendizagense com o domínio de conhecimentos e de procedimentos necessários paraque os alunos possam ser incorporados em cursos que correspon<strong>da</strong>m às sériesfinais do ensino fun<strong>da</strong>mental e para que possam continuar a aprender e buscarinformações e conhecimentos necessários para resolver situações em diferentesâmbitos de suas vi<strong>da</strong>s, como no trabalho, em casa, na comuni<strong>da</strong>de etc.Abaixo, listamos algumas habili<strong>da</strong>des e conteúdos que seria desejável queos alunos dominassem nessa fase <strong>da</strong> escolarização no que se refere aos Estudos<strong>da</strong> Socie<strong>da</strong>de e <strong>da</strong> Natureza e a tópicos de Língua Portuguesa e Matemática:Estudos <strong>da</strong> Socie<strong>da</strong>de e <strong>da</strong> Natureza• Identificar e descrever semelhanças e diferenças entre o próprio espaçode vivência e o de outras coletivi<strong>da</strong>des de outros tempos e lugares, nosseus aspectos sociais, econômicos, políticos, administrativos e culturais.• Identificar semelhanças, diferenças, mu<strong>da</strong>nças e permanências no modode vi<strong>da</strong> de algumas populações em diferentes períodos históricos e regiões.• Reconhecer e comparar os elementos sociais e naturais que compõempaisagens brasileiras, explicando alguns dos processos de interação existentesentre elas.• Estabelecer algumas relações entre as transformações <strong>da</strong> natureza e a açãohumana.• Compreender as relações que os homens estabelecem entre si no âmbito<strong>da</strong> ativi<strong>da</strong>de produtiva e o valor <strong>da</strong> tecnologia como meio de satisfazernecessi<strong>da</strong>des humanas.4 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


• Ler, interpretar e representar o espaço por meio de mapas simples.• Conhecer aspectos básicos <strong>da</strong> organização política do Brasil, os direitose deveres do ci<strong>da</strong>dão, identificando formas de consoli<strong>da</strong>r e aprofun<strong>da</strong>r ademocracia no país.• Valorizar a vi<strong>da</strong> e sua quali<strong>da</strong>de com bens pessoais e coletivos, desenvolveratitudes responsáveis com relação à saúde, à sexuali<strong>da</strong>de e à educação<strong>da</strong>s gerações mais novas.Linguagem oral• Li<strong>da</strong>r com situações comunicativas que deman<strong>da</strong>m o planejamento dodiscurso, a exposição objetiva e a defesa de idéias e argumentos, bem comoa atenção ao discurso dos colegas e a compreensão de pontos de vista eargumentos alheios.• Narrar histórias, experiências pessoais e acontecimentos, organizando seudiscurso a partir de um eixo cronológico, seqüenciando fatos e estabelecendorelações entre eles e considerando as necessi<strong>da</strong>des de informaçõesde seus interlocutores.• Demonstrar compreensão de textos lidos ou apresentações proferi<strong>da</strong>s poroutras pessoas, por meio <strong>da</strong> reprodução oral <strong>da</strong>s idéias principais.Leitura• Ler com autonomia os diferentes tipos de textos trabalhados, neste livroe nos livros anteriores (contos, fábulas, histórias, poemas, histórias emquadrinhos, notícias, textos informativos, cartazes, receitas, regras de jogo,instruções de uso, rótulos etc.), sendo capaz de:– compreender o sentido global <strong>da</strong>s mensagens escritas e de expressá-looralmente ou por escrito;– localizar informações;– inferir o sentido de uma palavra ou expressão a partir do contexto emque se apresenta;– utilizar glossários e dicionários para pesquisar o significado de palavrasdesconheci<strong>da</strong>s;Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 5


– estabelecer relações entre o texto lido e seus conhecimentos prévios eoutras leituras que tenha realizado;– posicionar-se criticamente em relação à intenção de seus autores.• Distinguir e utilizar como fonte de informação os elementos que compõemca<strong>da</strong> tipo de texto (ilustrações, títulos, configurações de páginas, tamanhosde letras etc.).• Utilizar a leitura com diferentes objetivos: ler para estu<strong>da</strong>r, para buscarinformações, ler para orientar a ação, para se distrair, por prazer etc.• Usar estratégias de leitura adequa<strong>da</strong>s ao texto a ser lido e à intenção <strong>da</strong>leitura (criar hipóteses sobre o tema geral, conteúdo do texto e intencionali<strong>da</strong>dedo autor e verificar suas hipóteses).• Reconhecer e manusear os diversos suportes, nos quais aparecem os textosestu<strong>da</strong>dos (livros, enciclopédias, jornais, cartazes, revistas etc.).Escrita• Produzir textos com coerência, ajustando-o a um objetivo, preocupando-secom seus interlocutores, disponibilizando informações necessáriasa sua compreensão, tomando como modelos de escrita os tipos de textosestu<strong>da</strong>dos e diferentes estilos.• Escrever demonstrando conhecimentos em relação à ortografia (percebendoregulari<strong>da</strong>des e irregulari<strong>da</strong>des, pautando-se pelas regras ortográficasmais comuns etc.), ao uso de sinais de pontuação (usando o ponto paradividir o texto em frases, as vírgulas em listas e enumerações, os sinaisque pontuam o diálogo em textos narrativos etc.) e à organização do textoem parágrafos.• Desenvolver atitudes relaciona<strong>da</strong>s à produção de seus textos como planejaro desenvolvimento do que pretendem escrever, elaborar uma primeiraversão e submetê-la à leitura de alguns interlocutores e revisá-loscom a aju<strong>da</strong> do professor até que sua produção esteja adequa<strong>da</strong> a suaintenção comunicativa.6 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Números e operações• Ler, escrever, interpretar e comparar números naturais com vários dígitos,evidenciando a compreensão de seus diferentes significados e <strong>da</strong>sregras do Sistema de Numeração Decimal.• Reconhecer números racionais na forma fracionária e decimal, demonstrandocompreensão de alguns de seus significados (relação parte/todo,quociente e razão), estabelecer relações entre a representação fracionáriae a representação decimal e empregar esses conhecimentos na interpretaçãode porcentagens.• Compreender os diferentes significados <strong>da</strong>s operações: adição, subtração,multiplicação e divisão, em situações-problema que envolvam númerosnaturais e números racionais na forma fracionária e decimal.• Utilizar diferentes procedimentos de cálculo mental, estimativas, técnicasoperatórias convencionais, para obter resultados de adições, subtrações,multiplicações e divisões, com números naturais adequados às situaçõesproblemaenvolvi<strong>da</strong>s e dispor de estratégias para verificar se esses resultados,inclusive aquelas que se referem ao uso <strong>da</strong> calculadora.• Efetuar cálculos de adição, subtração, envolvendo números racionais naforma decimal, por meio de procedimentos pessoais e técnicas operatóriasconvencionais.• Efetuar cálculos simples de porcentagem, em situações-problema.Medi<strong>da</strong>s• Identificar uni<strong>da</strong>des usuais de medi<strong>da</strong> de comprimento, superfície, massa,capaci<strong>da</strong>de e volume.• Estabelecer relações entre uni<strong>da</strong>des usuais de medi<strong>da</strong> de uma mesma grandeza.• Ler, escrever e interpretar medi<strong>da</strong>s representa<strong>da</strong>s por meio de númerosracionais na forma decimal.• Calcular o perímetro e a área de algumas figuras geométricas.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 7


• Identificar o valor e estabelecer relações entre cédulas e moe<strong>da</strong>s do SistemaMonetário Brasileiro.• Ler, escrever e interpretar medi<strong>da</strong>s de tempo e de temperatura.• Obter medi<strong>da</strong>s com precisão fazendo uso de instrumentos como fita métrica,balanças, termômetros.Geometria• Ler e interpretar a posição de pontos em mapas e plantas por meio derepresentações num sistema cartesiano.• Identificar paralelismo e perpendicularismo nos lados de figuras planas.• Identificar ângulo reto.Introdução à estatística• Ler <strong>da</strong>dos apresentados em tabelas e gráficos.• Elaborar argumentos orais e escritos a partir de informações obti<strong>da</strong>s emgráficos e tabelas.• Desenvolver a noção de média aritmética.• Calcular e interpretar a média aritmética para a compreensão de informações.Procedimentos e atitudes relaciona<strong>da</strong>s à Matemática• Interpretar, resolver e propor problemas.• Relacionar situações matemáticas com problemas <strong>da</strong> vi<strong>da</strong> diária.• <strong>Aprender</strong> a verbalizar seus raciocínios.• Desenvolver flexibili<strong>da</strong>de no trabalho matemático, admitindo distintosprocedimentos ou mesmo diferentes respostas para um único problema.• Perseverança no enfrentamento de situações desafiadoras.8 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


• Disponibili<strong>da</strong>de para refletir sobre as próprias idéias e as dos colegas.• Reconhecer o valor <strong>da</strong> aplicação <strong>da</strong> Matemática no cotidiano.Orientações didáticas para o trabalhocom a Língua PortuguesaLinguagem oralPara que os alunos alcancem os objetivos delineados para essa etapa doprocesso de escolarização, em todos os livros dessa coleção, de maneira progressiva,propusemos situações de fala e escuta nas quais tiveram que utilizar a linguagemoral com diferentes objetivos e que os desafiaram a participar ativamente,falando ou ouvindo, desses momentos de interação. Essas aprendizagens realiza<strong>da</strong>sno ambiente escolar são muito importantes para que possam li<strong>da</strong>r comsituações comunicativas que se dão fora desse contexto: no trabalho, na comuni<strong>da</strong>de,no sindicato e outros espaços de participação política, ou até mesmo,em situações como consultas médicas, requisição de informações ou documentose informações em repartições públicas etc.Neste livro, as ativi<strong>da</strong>des de linguagem oral abarcam situações de fala, nasquais os alunos deverão preparar previamente seus discursos para fazer apresentaçõesorais aos colegas de turma ou para outras pessoas pertencentes ao centroeducativo ou à comuni<strong>da</strong>de. Em muitas ocasiões, eles serão desafiados tambéma expor e negociar seus pontos de vista e argumentos, participando em debatese conversas coletivas. Também são propostas leituras em voz alta uma leituradramatiza<strong>da</strong>, que exige a incorporação de características de linguagem própriasdos personagens e <strong>da</strong>s condições de fala propostas nos textos.Essas situações desafiam os alunos a refletirem antecipa<strong>da</strong>mente sobre o quee como dizem, exigindo que preparem seus discursos com antecedência, utilizandocomo recurso a linguagem escrita para elaborar esquemas e organizar as idéiasprincipais que pretendem apresentar, redigir os textos que irão falar, consultar eestu<strong>da</strong>r textos que serão dramatizados ou que servirão como fontes para a pesquisade temas. Além disso, especialmente em seminários e debates, deverão li<strong>da</strong>rcom conhecimentos e informações recém-adquiridos e organizá-los de modoa expressá-los com clareza para outras pessoas que não compartilham dessesViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 9


mesmos conhecimentos e informações, criando estratégias para apoiar sua fala,como o uso de recursos audiovisuais (apresentação de esquemas, cartazes, vídeosetc.) e torná-la compreensível por seus interlocutores.Para realizar essas ativi<strong>da</strong>des é preciso que você preveja em seu plano de aulamomentos para que os alunos possam se preparar e que contem com você paraapoiá-los e orientá-los. Nesses momentos, é importante que você ajude-os a refletirsobre sua própria performance, se estão conseguindo planejar o que vãodizer, se refletem sobre o modo como irão falar, se prevêem informações essenciaisque devem ser explicita<strong>da</strong>s a seus interlocutores, se a<strong>da</strong>ptam a linguagem(vocabulário e estruturas sintáticas) ao tipo de discurso que irão realizar e assimpor diante. Contando com orientações desse tipo, seus alunos poderão, aospoucos, distinguir as situações discursivas, levando em conta os objetivos, oconteúdo e os interlocutores; aprenderão ain<strong>da</strong> a regular seus discursos a partirde um plano preestabelecido, que podem ajustar à medi<strong>da</strong> que falam e observama reação de seus interlocutores. Lembre-se de que as situações propostasnesse livro são muito diferentes <strong>da</strong>quelas vivi<strong>da</strong>s em ambientes familiares, ondeprevalece a conversa informal sobre assuntos familiares. Ao realizar as tarefaspropostas eles terão de enfrentar situações de monólogos, nos quais os interlocutoresparticipam apenas de maneira indireta do discurso, o que deman<strong>da</strong> umdomínio maior do tema e <strong>da</strong> seqüência de informação por parte do locutor. Poressas e outras razões são situações que desafiam alunos e que promovem novasaprendizagens.LeituraEm ca<strong>da</strong> um dos livros desta coleção propusemos ativi<strong>da</strong>des com diferentestipos de textos e diferentes objetivos de leitura. Nesse livro retomamos o estudodos textos jornalísticos como as notícias e as chama<strong>da</strong>s e incorporamosoutros como as entrevistas, os editoriais e os artigos de opinião. Os artigos eeditoriais são textos que impõem alguns obstáculos aos alunos, pois exigem umaatitude crítica do leitor que deve, além de compreender sua mensagem, desvelaras intenções de seu autor, buscar informações sobre os assuntos abor<strong>da</strong>dos eestabelecer relações entre o que está sendo dito, a reali<strong>da</strong>de que observam e ocontexto social mais amplo.Os textos informativos que compõem as uni<strong>da</strong>des temáticas, como os relatoshistóricos, textos científicos, depoimentos, ensaios e reportagens, também10 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


podem impor dificul<strong>da</strong>des aos alunos, pois são tipos de textos utilizados compouca freqüência no cotidiano e, geralmente, desconhecidos por eles. Por outrolado, são esses os textos mais freqüentes no contexto escolar. São textos quedefinem, explicam, analisam, relatam e tecem comentários a respeito de temasinvestigados pelas ciências sociais e naturais, e têm como características lingüísticasa clareza, a objetivi<strong>da</strong>de na comunicação <strong>da</strong>s idéias e informações e a precisãode termos.O que queremos apontar é que a abor<strong>da</strong>gem desses textos em sala de aulademan<strong>da</strong> muito mais dos alunos do que o simples fato de saberem decodificarletras, sílabas e palavras. Decodificar simplesmente os leva, muitas vezes, a umaleitura fragmenta<strong>da</strong>, na qual atribuem significados a partes do texto sem alcançarseu sentido global.De modo geral, o ato de ler exige uma série de ações mentais para que oleitor possa atribuir sentido ao que leu. Uma primeira ação, antes mesmo de iniciara leitura propriamente dita, é a de recorrer aos conhecimentos prévios e às experiênciasde leitura pelas quais os leitores já passaram, seja em relação ao temae assunto ou ao tipo de texto que deve ser lido. A segun<strong>da</strong> ação, diz respeito àcapaci<strong>da</strong>de do leitor de usar estratégias para otimizar sua leitura, procurandoantecipar os conteúdos de que o texto vai tratando, levantando hipóteses, confirmando-asou corrigindo-as ao longo <strong>da</strong> leitura.Outra estratégia importante do leitor é a tentativa de reconstruir para si opercurso percorrido pelo autor do texto, tomando consciência <strong>da</strong> forma comoas informações foram dispostas. À medi<strong>da</strong> que a pessoa coordena essas açõesmentais durante a leitura, consegue estabelecer relações entre aquilo que já sabiae o que está escrito no texto, atribuindo significado à leitura.Nessa etapa do processo de escolarização, a mediação do professor deve serintensa orientando os alunos nessas operações envolvi<strong>da</strong>s na leitura. Para tanto,sugerimos um conjunto de etapas 1 que você pode seguir para conduzir ativi<strong>da</strong>desde leitura de textos informativos, de modo a aju<strong>da</strong>r seus alunos na compreensãode textos informativos e promover sua crescente autonomia como leitorese estu<strong>da</strong>ntes.1 Angela B. Kleiman organizou num artigo aspectos essenciais para que o educador planeje a leiturade textos informativos em sala de aula. Ver: KLEIMAN, A. B., MORAES, S. E. Leitura e interdisciplinari<strong>da</strong>de:tecendo redes nos projetos <strong>da</strong> escola. Campinas: Mercado de Letras, 1999.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 11


1. Contextualização dos textosTrata-se <strong>da</strong> ação de colocar a atenção, antes de iniciar a leitura propriamentedita, nos elementos que contextualizam os textos. Os títulos de textos informativoscostumam ser mais objetivos que os de textos literários, oferecendo ao leitorinformações sobre o tema e assunto que serão tratados. Essa mesma objetivi<strong>da</strong>depode ser observa<strong>da</strong> nas ilustrações que o acompanham, como desenhos,obras de arte, fotografias, mapas, gráficos e tabelas, que têm como função complementaras informações dispostas nos textos. Assim, o primeiro passo numaativi<strong>da</strong>de de leitura de textos informativos deve ser a leitura do título, subtítulose chama<strong>da</strong>s ou resumos (quando os textos apresentarem esses últimos), quepodem ser copiados no quadro de giz por você e lido pelos alunos. Um segundopasso é a observação de características gráficas do texto — tamanho de letras,distribuição do texto na página, ilustrações e fotografias, mapas, gráficos etc.— que trazem informações complementares sobre o que será tratado no texto.A partir dessas observações você poderá levantar com os alunos qual o tema dotexto que irão ler.Ao realizar esses passos com seus alunos você já os iniciou na leitura, preparando-ospara a elaboração de previsões sobre o que irão encontrar pela frente,suas mentes já se ativaram em busca de informações que aju<strong>da</strong>rão os alunos aprever o que está escrito e a estabelecer relações entre o que sabem e novos conhecimentosoferecidos pelo texto.2. Ativação do conhecimento prévioPara realizar a leitura de textos o leitor ativa de maneira articula<strong>da</strong> váriostipos de conhecimentos, aqueles que se referem ao conteúdo, ao tipo de texto,ao autor e a suas intenções etc. Para um leitor com pouca experiência e contatocom textos escritos é possível ativar conhecimentos sobre o conteúdo, enquantoleitores proficientes conseguem ativar conhecimentos sobre o tipo de texto,autor, estilo, tipo de linguagem etc. Isto ocorre porque leitores proficientes, geralmente,lêem mais e têm maior contato com textos escritos. Assim, nesta etapado aprendizado, devemos incentivar os alunos a mobilizarem seus conhecimentosde mundo, enquanto complementamos esses conhecimentos com informaçõessobre o tipo de texto, o autor, a linguagem e o estilo etc.Portanto, é preciso que você conheça bem o texto a ser estu<strong>da</strong>do e prevejao tipo de dificul<strong>da</strong>de que pode impor ao aluno. Por exemplo, no caso de um texto12 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


sobre a escravidão no Brasil, talvez seja necessário chamar a atenção dos alunospara o fato de que o texto trata de um período longo (no caso a escravidão duroumais de trezentos anos), que os modos de vi<strong>da</strong> naquele tempo eram distintosetc. Provavelmente, para que os alunos enten<strong>da</strong>m o texto é preciso que vocêforneça mais informações sobre o período a que corresponde, o contexto econômico,político, religioso etc. Para isso você pode recorrer a recursos pictóricosou audiovisuais, que complementem sua apresentação, como mapas, vídeos,ilustrações etc. Nessa etapa, portanto, recomen<strong>da</strong>mos que você levante o que osalunos sabem sobre o tema, que faça perguntas sobre o conteúdo do texto paraque respon<strong>da</strong>m oralmente e dê informações mais gerais necessárias a compreensãodo que irão ler.3. Construção de um mapa textualColetivamente, você e seus alunos podem elaborar um conjunto de referênciaspara facilitar a posterior entra<strong>da</strong> no texto. Este é o momento para umaabor<strong>da</strong>gem mais analítica do texto, abor<strong>da</strong>ndo as características textuais maisespecíficas. Para tanto, você precisa ter lido o texto e elaborado um quadro decomo o autor construiu o texto, isto é, de como a mensagem está disposta. Umprimeiro passo é hierarquizar as principais informações conti<strong>da</strong>s no texto: o quede fun<strong>da</strong>mental é apresentado em ca<strong>da</strong> um dos parágrafos. Elabore um esquemaou um resumo do que seus alunos irão ler.A seguir, verifique quais palavras ou conceitos podem ser desconhecidos pelosalunos e podem tornar-se obstáculos à leitura, busque seu significado no contextodo texto e consulte um dicionário. Caso seja necessário busque outras fontespara esclarecer conceitos e buscar informações complementares. A partir de seuestudo sobre o texto, elabore um conjunto de questões que devem ser respondi<strong>da</strong>spelos alunos antes de lerem o texto e que os guiarão na leitura. Registre suasrespostas no quadro de giz, preferencialmente organizando-as com o vocabulárioque os alunos irão encontrar no texto. Se no texto que irão ler é usa<strong>da</strong> a palavraabolição que você considera desconheci<strong>da</strong> pelos alunos, ao responderempor exemplo que o tema do texto é a libertação dos escravos, você deve transcreversuas respostas usando o termo abolição. Dessa forma, eles já terão se aproximadodessa palavra que encontrarão no texto e criaram uma representaçãosobre seu significado. Você também pode criar glossários para o texto que podemser apresentados antes <strong>da</strong> leitura, ou realizar em sala de aula consultas co-Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 13


letivas ao dicionário em busca dos significados de palavras desconheci<strong>da</strong>s queaparecem nos textos que irão ler.4. Leitura individual dirigi<strong>da</strong> por um objetivoÉ preciso que na escola, assim como em situações cotidianas, a leitura cumpracom algum objetivo. Esses objetivos podem ser os mais diversos. No casodos textos informativos a leitura tem como objetivo o estudo e a descoberta dealgo, lemos esses textos para saber razões e motivações de alguém, para relacionarfatos e analisar suas conseqüências, para compreender um fenômeno etc. Apósa leitura de um texto informativo, geralmente, temos a sensação de que acrescentamosalgo ao conjunto de informações e conhecimentos que possuíamos oude que modificamos a maneira como pensávamos. Na escola, porém, nem sempreos alunos têm essa sensação; muitas vezes a leitura é proposta de formaburocrática, desconecta<strong>da</strong> <strong>da</strong> possibili<strong>da</strong>de <strong>da</strong> descoberta — o aluno lê pararesponder a questionários e não para obter informações, para compreender fenômenossociais, físicos, políticos etc.A articulação temática <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>des do livro, assim como algumas ativi<strong>da</strong>despropostas especialmente com o intuito de problematizar um fato, podemaju<strong>da</strong>r a romper essa visão burocrática do estudo por meio de textos. Mesmoassim, antes que os alunos iniciem a leitura do texto, você precisa explicitar omotivo de o fazerem, traçando um objetivo comum. Esse objetivo irá guiar aatenção dos alunos no texto, eles podem ler um texto para saber como foi a escravidãoe descobrir que relações esses fatos têm com a reali<strong>da</strong>de brasileira atual.Estabelecido o objetivo <strong>da</strong> leitura, é chegado o momento <strong>da</strong> interação solitáriado aluno com o texto. Caso você tenha trabalhado as etapas anteriores, osalunos terão menos obstáculos para construir significados e atribuir sentido aoque estão lendo. Assim, to<strong>da</strong>s as predições que os alunos fizeram anteriormenteà leitura colaborarão nesse processo, eles irão testá-las e a leitura então passa aser, como num jogo de adivinhação, um exercício contínuo de previsão e verificação<strong>da</strong>s previsões com base na informação textual. Ao ler, nossos olhos realizammovimentos lineares e contínuos, eles saltam entre conjuntos de letras oupalavras, a partir dos quais deduzimos o que vem mais a frente e o significadodo conjunto; algumas vezes, os olhos realizam breves retoma<strong>da</strong>s, quando é precisoconferir ou revisar algum elemento que está escapando do sentido geral <strong>da</strong>mensagem. Além de prever palavras, nossas mentes funcionam ativamente pre-14 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


vendo o que pode vir na seqüência, como irá terminar uma linha do texto, umafrase, um parágrafo e o texto. Portanto, quanto mais sabemos sobre o que iremosler, mais fácil torna-se a leitura.5. Verificação <strong>da</strong>s hipótesesAo final <strong>da</strong> leitura silenciosa, você ou um voluntário pode realizar uma leituraem voz alta do texto. Agora, vale a pena ler o texto dividindo-o em partessignificativas, isto é, ler o texto por parágrafos e levantar oralmente com os alunosquais as idéias fun<strong>da</strong>mentais de ca<strong>da</strong> um deles e compará-las com as hipótesesregistra<strong>da</strong>s no quadro. Trata-se de um momento necessário não só paraverificar as hipóteses construí<strong>da</strong>s coletivamente na etapa 1 e 2 como também paraque os alunos revejam as hipóteses, sentidos e significados construídos individualmentena leitura silenciosa.Ao realizar conversas coletivas sobre os textos que os alunos leram, vocêpermite que possam expor suas visões de mundo, abrindo a possibili<strong>da</strong>de paraque ca<strong>da</strong> leitor crie representações diferentes para os textos que lêem. Lembresede que não existe apenas uma possibili<strong>da</strong>de de interpretação dos textos escritos,mesmo em textos informativos que, geralmente, tendem a ser mais objetivosno tratamento que dão aos temas.Neste e nos outros livros, muitos textos estão acompanhados por roteirosde estudo e ativi<strong>da</strong>des complementares como pesquisas, entrevistas, elaboraçãode trabalhos coletivos, seminários etc. Essas ativi<strong>da</strong>des podem aju<strong>da</strong>r você a criarum plano para abor<strong>da</strong>r a leitura dos textos, por exemplo: você pode utilizar asperguntas dos roteiros de estudo para levantar hipóteses sobre o conteúdo dotexto e pode propor que a elaboração de pesquisas e seminários tornem-se objetivosde leitura. Esses roteiros e ativi<strong>da</strong>des complementares também servem paraque você verifique a compreensão dos alunos sobre os temas e assuntos dos textos,porém não devem de modo algum serem transformados em único objetivode leitura. Os alunos devem estar mobilizados para a descoberta de novas informaçõesque os aju<strong>da</strong>rão a li<strong>da</strong>r com as problematizações e temas abor<strong>da</strong>dos emca<strong>da</strong> uma <strong>da</strong>s uni<strong>da</strong>des do livro. Cabe a você também selecionar outras fontesde informação (vídeos, artigos, textos literários, letras de música, convi<strong>da</strong>r pessoaspara proferir depoimentos e conferências para os alunos etc.) e <strong>da</strong>r um toquetodo seu às aulas, levando em conta as necessi<strong>da</strong>des de aprendizagem de seugrupo e as características locais do centro educativo em que atua.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 15


Produção de textosNessa etapa do processo de escolarização os alunos já devem possuir umcerto domínio sobre o mecanismo de escrita e sobre os recursos lingüísticos envolvidosna produção de textos. Assim como nos outros livros, neste tambémas propostas de produção de escrita tomam por base mo<strong>da</strong>li<strong>da</strong>des textuais queestão sendo estu<strong>da</strong><strong>da</strong>s e que servem como modelos de escrita para os alunos. Nosoutros livros, as mo<strong>da</strong>li<strong>da</strong>des textuais que focalizamos foram as histórias ficcionais,relatos de experiências pessoais, textos epistolares (cartas pessoais eformais), textos instrucionais simples (receitas e procedimentos para utilizaçãode aparelhos e localização etc.), textos para estudo (resumos e esquemas) entreoutros. As propostas de produção neste livro focalizam a elaboração de textosjornalísticos como as notícias entrevistas e os textos argumentativos (para a defesade opinião e exposição de argumentos).Apesar de considerarmos que os alunos já possuem maior autonomia paraproduzirem seus textos, recomen<strong>da</strong>mos que você continue apoiando-os nessassituações, especialmente quanto ao estabelecimento de um plano de escrita queantece<strong>da</strong> a produção de texto propriamente dita. Os alunos devem ser capazes,antes mesmo de iniciarem suas produções, de responder às seguintes questões:• O que vou escrever?• Como vou escrever?• Quem será meu leitor?• Por onde devo começar?• Quais informações são fun<strong>da</strong>mentais para o desenvolvimento do textoque vou escrever?• Onde quero chegar, o que deve concluir?• Que tamanho e formato meu texto irá ter?Tendo respondido essas questões, os alunos já possuem um plano de escrita,o passo seguinte é iniciar a produção do texto que deve contar também com suaparticipação. Leia partes de seus textos no momento em que estão produzindo,dê opiniões sobre o estilo e a linguagem que devem usar, ofereça informações sobreos sinais de pontuação, a escrita correta de palavras e a concordância verbal e16 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


nominal, discuta com eles a coerência de seus textos. Feita a primeira versão, ca<strong>da</strong>aluno deve ser capaz de avaliar sua produção observando, individualmente:• Se sua letra pode ser li<strong>da</strong> por outra pessoa.• Se respeitou as margens e distribuiu seu texto de maneira organiza<strong>da</strong> nafolha.• Se usou a letra maiúscula no início dos parágrafos e após os pontos.• Se usou outros sinais de pontuação como a vírgula nas enumerações e listase, quando necessário, os sinais que pontuam o diálogo (travessão, doispontos, ponto de exclamação, ponto de interrogação, aspas etc.).• Se organizou seu texto em parágrafos e qual a idéia principal que expressouem ca<strong>da</strong> um deles.• Se identifica palavras que escreveu de maneira erra<strong>da</strong>.• Se identifica alguma passagem que precisa ser modifica<strong>da</strong> em seu texto.Caso considere necessário, deve refazer o texto a partir de suas observações.A última etapa desse processo é a revisão do texto com aju<strong>da</strong> de outraspessoas. Os alunos podem revisar seus textos a partir de sugestões de seus colegas<strong>da</strong> correção coletiva de um texto realiza<strong>da</strong> no quadro de giz sob sua orientaçãoou ain<strong>da</strong> de uma revisão feita por você posteriormente ao momento <strong>da</strong>escrita. A revisão coletiva tende a oferecer aos alunos um número maior de informaçõessobre os recursos que devem ser considerados ao escrever textos, já arevisão individual deve oferecer informações de acordo com as possibili<strong>da</strong>des deassimilação de ca<strong>da</strong> aluno. Essa última exige que você tenha informações sobreo processo de aprendizagem de ca<strong>da</strong> um deles, especificamente sobre suas principaisdificul<strong>da</strong>des, sua capaci<strong>da</strong>de de perceber e assimilar suas sugestões parao aperfeiçoamento do texto. Muitas vezes é preciso priorizar um aspecto paraapontar correções, por exemplo, a ortografia, a pontuação, a concordância, ouain<strong>da</strong> a seqüência <strong>da</strong>s idéias, a adequação do vocabulário etc.OrtografiaA aprendizagem <strong>da</strong> ortografia depende em grande medi<strong>da</strong> <strong>da</strong> toma<strong>da</strong> deconsciência por parte dos alunos <strong>da</strong>s regulari<strong>da</strong>des e irregulari<strong>da</strong>des do sistemaViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 17


de escrita, o que faz com que reflitam sobre a forma correta de escrever as palavrase que busquem informações para sanar dúvi<strong>da</strong>s. Nessa etapa do processode escolarização, os alunos já devem ter sido introduzidos em regras ortográficas(abor<strong>da</strong><strong>da</strong>s no livro 3 desta coleção), usando-as como apoio para escrever,bem como ter memorizado a escrita correta de palavras usuais e saber consultarfontes para sanar dúvi<strong>da</strong>s, como observar a grafia <strong>da</strong>s palavras em textos escritos,consultar dicionários.Ain<strong>da</strong> assim, é esperado que os alunos cometam alguns erros ortográficosque deverão ser sanados ao longo de to<strong>da</strong> escolari<strong>da</strong>de e, provavelmente, enquantoproduzirem textos escritos durante suas vi<strong>da</strong>s. Sugerimos algumas estratégiaspara abor<strong>da</strong>r esse tópico de conteúdo de Língua Portuguesa. A primeira delas,consiste em diagnosticar os erros mais recorrentes cometidos por seus alunos ea partir desse diagnóstico agrupá-los e apresentar regras e informações que osajudem na hora de escrever. Uma outra estratégia adequa<strong>da</strong> para esta etapa deensino é a correção coletiva de textos redigidos pelos alunos, em que erros sãocomentados coletivamente e os alunos incentivados a elaborar hipóteses sobrea maneira correta de grafar as palavras. As regras ortográficas devem ser retoma<strong>da</strong>sà medi<strong>da</strong> que seus alunos expressem suas dúvi<strong>da</strong>s, para que tenham maischances de atribuir um significado para essas regras e memorizá-las. Nosso objetivoé fazer que os alunos reflitam sobre o sistema de escrita e possam reconhecersuas dificul<strong>da</strong>des e dúvi<strong>da</strong>s recorrentes, questionando-se sobre o modo comoescrevem.Outra ativi<strong>da</strong>de que favorece o domínio <strong>da</strong> ortografia é a leitura regular.Além de acumular um repertório sobre as características lingüísticas de diferentestipos de texto, a leitura sistemática favorece a memorização <strong>da</strong> grafia <strong>da</strong>spalavras. A possibili<strong>da</strong>de de recorrer à memória visual é essencial para que possamosescrever ortograficamente. As regras ortográficas são muitas, conseguimosmemorizar apenas algumas, e ain<strong>da</strong> restam uma infini<strong>da</strong>de de casos em que nãohá regra para decidir que letra utilizar. Portanto, ler e escrever constantementesão condições necessárias para que os alunos dominem os mecanismos de escrita.PontuaçãoNa linguagem oral as modulações vocais e gestuais — os silêncios, as pausas,as expressões faciais, a mu<strong>da</strong>nça de tom de voz — são recursos que colaboramna transmissão do que se quer dizer. Na linguagem escrita é preciso lançar18 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


mão de outros recursos que organizam logicamente o discurso e dão pistas sobrea intenção de quem fala: a paragrafação e a pontuação. Os sinais de pontuaçãonão têm correspondentes diretos na linguagem oral e seu aprendizado dependeem grande medi<strong>da</strong> <strong>da</strong> reflexão sobre aspectos sintáticos e sobre o sentido globaldo que se pretende escrever. Muitas pessoas acham que a vírgula serve para marcarpausas que correspondem exatamente às pausas <strong>da</strong> fala; porém, a maior parte<strong>da</strong>s regras que regem o uso de vírgulas referem-se às funções sintáticas dos termos<strong>da</strong> oração; por exemplo, usa-se a vírgula em orações adverbiais antepostas,ou orações adjetivas explicativas, pois estas atuam como uma espécie decomentário adicional. Tais vírgulas não correspondem necessariamente a nenhumapausa na fala, servem apenas para esclarecer nexos sintáticos sobre os quais,provavelmente, os alunos ain<strong>da</strong> não têm consciência.Nessa etapa do processo de escolarização, esperamos que os alunos utilizemcorretamente apenas os sinais de pontuação que não dependem de análiseslingüísticas tão aprofun<strong>da</strong><strong>da</strong>s. Devemos concentrar nossa atenção na utilizaçãocorreta do ponto final e no emprego <strong>da</strong> letra maiúscula, delimitando o início e ofinal <strong>da</strong>s frases; o ponto de interrogação, o ponto de exclamação, o sinal de reticências,os dois pontos e o travessão na representação do discurso direto e <strong>da</strong>saspas indicando transcrição literal <strong>da</strong> enunciação de outro. Com relação ao uso<strong>da</strong> vírgula, podemos nos concentrar nos casos de enumeração. Além disso, valea pena também insistir para que os alunos percebam a função dos parágrafosna organização temática do texto.Devemos orientar os alunos na observação <strong>da</strong> pontuação dos textos queestu<strong>da</strong>m, além de insistir que observem sua organização em parágrafos, identificandoo tema de ca<strong>da</strong> um deles. Entretanto, é somente quando está produzindotextos é que o aluno tem condições de realmente refletir sobre a importânciados sinais de pontuação e <strong>da</strong> paragrafação na organização <strong>da</strong>s próprias idéias.Ain<strong>da</strong> assim, sua reflexão sobre esse tópico ain<strong>da</strong> dependerá muito <strong>da</strong> aju<strong>da</strong> deum leitor experiente, capaz de apontar as dificul<strong>da</strong>des de compreensão que podeprovocar um texto em que a pontuação não é utiliza<strong>da</strong> corretamente. É muitoimportante, portanto, que esse tópico seja abor<strong>da</strong>do nas correções individuais ecoletivas dos textos produzidos pelos alunos.Além <strong>da</strong>s situações de produção de textos, você pode também recorrer aosexercícios de pontuação que foram reunidos nesse livro, no qual são apresenta<strong>da</strong>salgumas regras e exercícios de aplicação. Essas ativi<strong>da</strong>des também podemViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 19


colaborar para que você junto com seus alunos depreen<strong>da</strong>m regras e registremnasem cartazes para que sirvam de referência para os momentos de produçãode seus alunos. Lembre-se que não basta realizar esses exercícios para que osalunos apren<strong>da</strong>m a usar os sinais de pontuação, você deve propor ativi<strong>da</strong>des deprodução de textos e tomá-los como tópicos a serem abor<strong>da</strong>dos em momentosde correção, revisão e até mesmo em produções coletivas de texto.Análise lingüísticaEsse tópico de conteúdo refere-se ao domínio de certos elementos lingüísticosque garantem a coerência (desenvolvimento temático) e <strong>da</strong> coesão (relações entreas partes) nos textos, por exemplo, a concordância nominal e verbo-nominal,o uso dos tempos verbais etc. O estudo de diferentes mo<strong>da</strong>li<strong>da</strong>des de textoe a reflexão sobre a produção escrita dos próprios alunos são as melhores oportuni<strong>da</strong>despara que eles reflitam sobre tais elementos lingüísticos e sua funçãonos textos. Além disso, nesse livro há ativi<strong>da</strong>des que problematizam a aplicaçãode regras relativas à flexão e à substituição de palavras.Retomamos também nesse livro o exercício de inferir significados de palavrasnos textos em que aparecem, bem como o uso do dicionário.Orientações didáticas para o trabalhocom a MatemáticaA aplicação dos conteúdos a diferentes contextosNeste último livro procuramos <strong>da</strong>r continui<strong>da</strong>de à apresentação de ativi<strong>da</strong>desque propiciem aprendizagens significativas de conteúdos matemáticos, promovendoa aquisição de conhecimentos de modo que possam compreendê-los eaplicá-los em situações práticas. Esperamos com isso que os alunos relacionemconhecimentos adquiridos em situações práticas com aqueles apresentados nasativi<strong>da</strong>des e que, simultaneamente, possam ampliar e desenvolver capaci<strong>da</strong>desintelectuais.Outro aspecto que enfatizamos na abor<strong>da</strong>gem metodológica e de conteúdosnessa coleção é a utilização de aprendizagens matemáticas para compreendere interpretar conhecimentos e informações de outras áreas e para resolver20 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


problemas cotidianos. Especialmente, aquelas veicula<strong>da</strong>s em textos informativose jornalísticos, que dependem em grande medi<strong>da</strong> de interpretação de valoresnuméricos organizados em quadros, tabelas e gráficos.Ao educador cabe tomar como ponto de parti<strong>da</strong> os conhecimentos préviosdos alunos e estabelecer relações entre estes e os conhecimentos matemáticosapresentados nas ativi<strong>da</strong>des. Para isso, deve realizar propostas coletivas de resoluçãode situações-problema, nas quais os alunos tenham que explicar e justificaras estratégias usa<strong>da</strong>s para resolvê-las, comparando-as com aquelas utiliza<strong>da</strong>spor seus colegas. A utilização de situações-problema em sala de aula tem comoobjetivo que os alunos possam utilizar aprendizagens anteriores e avaliá-las comosuficientes ou não para <strong>da</strong>r conta dos desafios impostos pela tarefa, levando-osà reorganização de seus conhecimentos e informações e à busca de novas aprendizagens.Por fim, cabe ain<strong>da</strong> ao educador organizar as ativi<strong>da</strong>des em sala deaula de modo que possa sistematizar conhecimentos, regras, informações apreendi<strong>da</strong>spelos alunos.O estudo dos números racionais na forma decimal e fracionáriaNesse livro, além de conteúdos que serão revisados, como o estudo do sistemade numeração decimal, operações e técnicas operatórias, sistemas de medi<strong>da</strong>,geometria e introdução à estatística, serão abor<strong>da</strong>dos novos conteúdos: aintrodução aos números racionais na forma fracionária e decimal e as operaçõescom esses números.Em relação à introdução aos números racionais na forma fracionária e decimalindica-se como abor<strong>da</strong>gem mais adequa<strong>da</strong> a essa etapa do processo deescolarização a opção de reconhecê-los no contexto diário, isto é, observar comoeles aparecem nas situações cotidianas. Mas é preciso atentar-se para o fato deque esses números aparecem com maior freqüência em sua representação decimal(números com vírgulas) do que na forma fracionária e, por isso, nas ativi<strong>da</strong>despropostas nesse livro há uma ênfase maior na exploração de númerosracionais em sua representação decimal.Para li<strong>da</strong>r com os números racionais em sua representação decimal nesse livroutilizamos ativi<strong>da</strong>des nas quais os alunos realizam divisões com e sem apoio <strong>da</strong>calculadora, realizando cálculos cujos resultados sejam números decimais. Essasativi<strong>da</strong>des promovem a reflexão sobre a forma como esses números são representadose possibilitam o estabelecimento de relações com as representaçõesViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 21


eferentes ao sistema monetário e aos sistemas de medi<strong>da</strong>. Já para os númerosracionais em sua representação fracionária optou-se apenas por uma breve introduçãoa noção de fração, li<strong>da</strong>ndo com as ativi<strong>da</strong>des que li<strong>da</strong>m com seus diferentessignificados — como a relação parte/todo em grandezas discretas e contínuas;como quociente de uma divisão entre números naturais e como índicecomparativo entre duas quanti<strong>da</strong>des de uma mesma grandeza.Em relação às operações com números racionais em sua representação decimale fracionária indica-se que as propostas estejam sempre relaciona<strong>da</strong>s asituações práticas para as quais os alunos possam realizar estimativas e aproximaçõespara obter o resultado.Mais dicas para o educadorA avaliaçãoA avaliação, durante muito tempo, restringiu-se ao levantamento de informaçõessobre os resultados de aprendizagem obtidos pelos alunos, que eram tidoscomo únicos responsáveis pelo sucesso ou fracasso escolar. Hoje sabe-se queo ato de avaliar pode servir a outros fins que não só saber se o aluno alcançouou não certos objetivos de aprendizagem. A avaliação engloba diferentes sujeitose objetos e possui diversas funções, especialmente quando é concebi<strong>da</strong> comoum elemento do planejamento e como uma prática que integra o processo deensino e aprendizagem.As práticas pe<strong>da</strong>gógicas englobam sempre mais que um sujeito: os alunos eos educadores. Assim, devemos considerar que a avaliação deve focalizar tantoo processo de aprendizagem dos alunos quanto o tipo de ensino que o educadorestá promovendo. Quando focalizamos a avaliação no aluno, analisamos seuprocesso de aprendizagem, procuramos verificar o desenvolvimento de capaci<strong>da</strong>des,habili<strong>da</strong>des e atitudes, a aquisição de conhecimentos e sua capaci<strong>da</strong>de deaplicá-los em diferentes situações. Quando focalizamos a avaliação no educador,o que merece ser analisado é o processo ensino planejado e executado porele, suas expectativas em relação ao grupo ou a ca<strong>da</strong> aluno, a adequação dosconteúdos e estratégias didáticas. Nessa perspectiva a avaliação é toma<strong>da</strong> comoinstrumento de acompanhamento do processo de aprendizagem de ca<strong>da</strong> alunoe do grupo de alunos e, ao mesmo tempo, instrumento de acompanhamento do22 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


processo de ensino, de regulação do planejamento e verificação de sua adequaçãoàs necessi<strong>da</strong>des de aprendizagem dos alunos.Quando avaliarOutro equívoco freqüente relativo à avaliação é a visão de que é algo quedeve ser realizado apenas no final de alguma etapa do processo de ensino e aprendizagem.Na ver<strong>da</strong>de, a avaliação só terá um valor educativo para o aluno e parao educador se for encara<strong>da</strong> como algo processual, que integra a prática educativado início ao fim. Muitos autores, procurando enfatizar essa dimensão processual,distinguem três mo<strong>da</strong>li<strong>da</strong>des de avaliação, de acordo com o momento emque ocorrem.Avaliação diagnóstica ou inicialComo já discutido anteriormente, o ponto de parti<strong>da</strong> para a aprendizagemdos alunos são seus conhecimentos prévios sobre determinado tema, conceito,procedimento etc. Uma avaliação diagnóstica ou inicial é essencial para que sesaiba o que os alunos já sabem, quais procedimentos dominam, que atitudes ospredispõem ou indispõem para realizar a aprendizagem do conteúdo em pauta.Tendo essas informações, o educador pode ajustar seu plano de intervençãope<strong>da</strong>gógica, adequando-o às condições em que seus alunos se encontram.Avaliação formativa ou de processoEssa mo<strong>da</strong>li<strong>da</strong>de de avaliação permite acompanhar o processo de aprendizagemdos alunos, e saber de que modo as ativi<strong>da</strong>des didáticas estão colaborandoou não para que os alunos atinjam os objetivos previstos. Com base nessasinformações, o educador pode também realizar ajustes no plano, visando respondera necessi<strong>da</strong>des manifesta<strong>da</strong>s pela turma ou por alguns alunos especificamente,para os quais deverá propor trabalhos diferenciados.Avaliação somativa ou de resultadosEssa mo<strong>da</strong>li<strong>da</strong>de tem como objeto, de um lado, os resultados obtidos pelosalunos e, de outro, o ponto de chega<strong>da</strong> promovido pelo educador por meio deseu plano de ensino. É a partir desse ponto que ele poderá prever e planejar novasaprendizagens e rever seu plano e estratégias de trabalho para uma próxima etapaou uma próxima turma.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 23


No quadro que segue há uma síntese dos principais tipos e instrumentos deavaliação do qual você pode lançar mão a ca<strong>da</strong> etapa do processo de ensinoaprendizagem.Avaliação inicialAvaliação formativaAvaliação somativaou diagnósticaou de processoou de resultadosInstru-Diagnóstico deRegistro do educadorAuto-avaliação do aluno ementosconhecimentos prévios,sobre o desempenho doseducador.anteriores ao que a escolaalunos e sobre aAvaliação do alcance dospretende oferecer.adequação <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>des eobjetivos traçados epropostas.domínio sobre osFicha com <strong>da</strong>dos sobreconteúdostrabalhados.comportamento em face deobjetivos de ativi<strong>da</strong>destraça<strong>da</strong>s.Dossiê ou pasta comativi<strong>da</strong>des dos alunos eanotações do educador.Entrevista com os alunos eanotações individuais.Hipóteses, estratégias,Os progressos, asOs tipos e os graus deO quedefinições e esquemas dedificul<strong>da</strong>des, asaprendizagemestipuladosavaliar?conhecimento pertinentesaprendizagensefetua<strong>da</strong>scomo fun<strong>da</strong>mentais para aao novo conteúdo oupor aluno e grupo aocontinui<strong>da</strong>de do processosituação de aprendizagem.longo do período letivo.de aprendizagem dosAs ativi<strong>da</strong>des e propostasalunos.planeja<strong>da</strong>s para o ensino.ComoProposição de problemasObservaçãosistemáticaObservação, registro eavaliar?que façam que os alunospauta<strong>da</strong> pelos objetivosinterpretação <strong>da</strong>susem conhecimentos edefinidos para asproduções e atitudes dosestratégias e apliquemativi<strong>da</strong>des desenvolvi<strong>da</strong>s.alunos diante de situações-hipóteses para resolvê-los.Registro <strong>da</strong>s observaçõesproblema que exijam aRegistro e interpretação deem relatórios, contendoutilização de noções eproduções e atitudes dosinterpretações do educadorhabili<strong>da</strong>des(conteúdos)alunos.sobre o desempenho dotrabalha<strong>da</strong>s durante oaluno e sobre a adequaçãoperíodo.de ativi<strong>da</strong>des e propostas.QuandoNo início de uma novaDurante o processo deAo final de uma etapa deavaliar?fase de aprendizagem,ensino e aprendizagem.aprendizagem (tempouni<strong>da</strong>de de plano didáticoprevisto no plano ensino).etc.24 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


O que e como avaliarOutra dimensão a considerar quando pensamos na avaliação é o tipo deconteúdo envolvido no processo de ensino e aprendizagem. Há diferentes formasde fazer uma avaliação e a adequação delas depende em grande parte dotipo de conteúdo de aprendizagem que se quer verificar. No quadro abaixo, vocêpode encontrar algumas sugestões a respeito.Tipos de conteúdosInstrumentosConteúdos que dizem respeito a fatos einformações que precisam ser memorizados eestão relacionados a conceitos e processos, porexemplo <strong>da</strong>tas, nomes de lugares, elementos quefazem parte de processos etc.Questionários, provas escritas, chama<strong>da</strong> oral.Conteúdos que dizem respeito a aprendizagem ecompreensão de conceitos e processos, porexemplo, compreender os diversos significados <strong>da</strong>adição, tomar consciência <strong>da</strong>s regulari<strong>da</strong>des eirregulari<strong>da</strong>des do sistema de escrita etc.Ativi<strong>da</strong>des que promovam explicações ejustificativas como seminários, debates eexposição de idéias.Resolução de situações-problema, nas quaisdevam aplicar conhecimentos recém-adquiridos eaqueles que já possuíam.Conteúdos que dizem respeito ao fato do alunosaber cumprir procedimentos, seguir etapas, porexemplo saber a técnica operatória <strong>da</strong> adição,localizar ruas em plantas e guias, observar aconfiguração dos textos e levantar hipóteses sobreseu conteúdo etc.Trabalhos em grupo, projetos, realização depesquisas, debates e outras ativi<strong>da</strong>des nas quais oeducador possa observar a utilização deprocedimentos e a capaci<strong>da</strong>de de seguir etapas eutilizar instrumentos para realização de algumaação.Conteúdos que dizem respeito a comportamentose atitudes ante o processo de aprendizagem, porexemplo, disposição para trabalhar em grupo,interesse por buscar novas fontes de informação,desinibição para expressar suas opiniões diante dogrupo.Auto-avaliação, avaliação coletiva.Formas de registroHá diversas formas de registrar as informações obti<strong>da</strong>s por meio dessas váriasformas de avaliação. A seguir, apresentamos algumas delas e alguns modelos quepodem ser a<strong>da</strong>ptados de acordo com suas preferências.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 25


Registro de observação do educador ou diários de aulaEsta forma de registrar informações caracteriza-se pela narração de ativi<strong>da</strong>desrealiza<strong>da</strong>s em sala de aula e do comportamento dos alunos diante delas.Normalmente, os educadores escrevem como se fosse um diário, no qual anotamsuas expectativas sobre a aprendizagem de seu grupo ou de um aluno especificamente,as estratégias que planejou e aquelas que tiveram que ser modifica<strong>da</strong>sdurante a execução <strong>da</strong> ativi<strong>da</strong>de, os resultados obtidos por um aluno, algunsou todo o grupo etc. No livro 1, há exemplos de registros de educadorescaso você queira conhecê-los melhor.Diários prestam-se a acompanhar o processo de aprendizagem dos alunose, ao mesmo tempo, servem de base para a reflexão sobre a prática pe<strong>da</strong>gógica,bem como sistematiza estratégias e ativi<strong>da</strong>des de sucesso realiza<strong>da</strong>s pelo educador.Registros dessa natureza também servem para promover a troca de experiênciasentre os educadores.Pastas e portifóliosAs pastas e os portifólios são instrumentos que se prestam para arquivar informaçõesobti<strong>da</strong>s em avaliações diagnósticas, de processo e de resultados. Essesinstrumentos consistem em arquivar ativi<strong>da</strong>des acompanha<strong>da</strong>s do registrode seus objetivos e de observações feitas pelo educador durante sua realização.Ca<strong>da</strong> aluno deve ter sua pasta, na qual arquiva, depois que o educador tenharegistrado suas observações, as ativi<strong>da</strong>des, provas ou trabalhos que realizou emsala de aula.Ao final de uma etapa de ensino, o educador pode utilizá-las para obterinformações sobre o processo de aprendizagem dos alunos e quais resultadosforam obtidos. O conteúdo dessas pastas retratam todo percurso do aluno: oponto de parti<strong>da</strong>, suas dificul<strong>da</strong>des e seus avanços e prestam-se também para queos alunos realizem auto-avaliações sobre aprendizagem que realizaram num <strong>da</strong>doperíodo.Ficha de observação do alunoTrata-se de uma tabela que deve ser preenchi<strong>da</strong> pelo educador em algunsperíodos do processo de aprendizagem. Há várias maneiras de organizar essesquadros, que podem ser individuais (uma ficha para ca<strong>da</strong> aluno) ou grupais (umaficha para a turma to<strong>da</strong>), podem ser organizados por objetivos finais de avalia-26 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


ção de uma <strong>da</strong><strong>da</strong> série ou etapa escolar, por capaci<strong>da</strong>des e habili<strong>da</strong>des ou conhecimentosadquiridos.Vejam os exemplos que seguem:FICHA DE OBSERVAÇÃO DO ALUNOPOR OBJETIVOS DE APRENDIZAGEMAluno: Raimundo Pereira Período: 10/02 a 10/05Área: Língua PortuguesaConseguiu atingir os objetivos pautados de modoObjetivos Pleno Parcial InsatisfatórioLer com autonomia osdiferentes tipos de textostrabalhados, sendo capaz de:X– localizar informações; X– compreender o sentido global X<strong>da</strong>s mensagens escritas e deexpressá-lo oralmente oupor escrito;– inferir o sentido de uma palavra Xou expressão a partir docontexto em que se apresenta;– utilizar glossários e verbetes de Xdicionário para pesquisar o(não sabe utilizarsignificado de palavras o dicionário)desconheci<strong>da</strong>s;– estabelecer relações entre o Xtexto lido e seus conhecimentos(necessita de aju<strong>da</strong>prévios e outras leituraspara estabelecerque tenha realizado;essas relações)– posicionar-se criticamente Xem relação à intenção de(dificul<strong>da</strong>deseus autores.em defenderposições próprias)Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 27


FICHA DE OBSERVAÇÃONome: Aurélia Marques SouzaMarço Junho NovembroÉ capaz de: Sim Com Não Sim Com Não Sim Com Nãoaju<strong>da</strong> aju<strong>da</strong> aju<strong>da</strong>– Ao produzir textos, procura X X Xutilizar-se de estruturas própriasdo discurso escrito, sem marcasde orali<strong>da</strong>de?– Dividir seu texto em parágrafos, X X Xseguindo uma ordem lógica?– Revisar o próprio texto com X X Xvistas a aprimorá-lo?– Ler, interpretar e representar X X XO espaço por meio de mapassimples?Observações do educador:Observações do aluno:<strong>Aprender</strong> a aprenderHá ain<strong>da</strong> outras formas de organizar informações que subsidiem a avaliação,além de ativi<strong>da</strong>des especialmente destina<strong>da</strong>s a esse fim, como provas, trabalhos,pesquisas etc. O fun<strong>da</strong>mental é contar com alguma forma de registro,28 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


que retrate o an<strong>da</strong>mento do processo de ensino e aprendizagem, para que tantoos alunos quanto o educador tenham referências para aperfeiçoar seu trabalho.Ganhar consciência sobre seu próprio processo de aprendizagem, saber seuspontos fortes e fracos, reconhecer as lacunas de conhecimento que precisa sanar,essas são habili<strong>da</strong>des básicas que constituem aquilo que chamamos “aprendera aprender”. Certamente, essa é a principal aprendizagem que os alunos podemfazer no processo de escolarização, possibilitando que sigam aprendendo ao longo<strong>da</strong> vi<strong>da</strong>, de maneira autônoma. A avaliação, portanto, não é apenas um instrumentoque aju<strong>da</strong> a regular a prática pe<strong>da</strong>gógica, ela é também um conteúdoessencial: todos, educadores e alunos, precisam aprender a avaliar ca<strong>da</strong> vez melhorsua prática e seu processo de aquisição de conhecimentos.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 29


Módulo 1:Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia e participaçãoViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 31


O conceito de ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia é amplo, por isso, muitos aspectos a ele relacionadosjá foram abor<strong>da</strong>dos nos outros livros dessa coleção. Podemos dizer quequalquer tema relacionado ao convívio social e a decisões políticas, ou seja,aquelas que dizem respeito aos destinos <strong>da</strong> coletivi<strong>da</strong>de, está relacionado à idéiade ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia.O que caracteriza as ativi<strong>da</strong>des propostas nesse módulo é que procuramosenfatizar essa dimensão, associando o conceito de ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia com o de participação.Isso quer dizer que não estamos falando apenas de direitos como algoque as pessoas ganham de presente, ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia diz respeito a direitos conquistadosgraças à participação de pessoas ou grupos de pessoas na construção <strong>da</strong>socie<strong>da</strong>de que se considera desejável.Na primeira uni<strong>da</strong>de, abor<strong>da</strong>-se o tema <strong>da</strong> escravidão, que podemos entendercomo a situação oposta à do ci<strong>da</strong>dão, a negação mais absoluta dos direitosbásicos <strong>da</strong> pessoa. O estudo de períodos históricos em que vigorou o trabalhoescravo no Brasil pode aju<strong>da</strong>r os alunos a compreender as origens <strong>da</strong>s desigual<strong>da</strong>dese injustiças sociais que perduram até a atuali<strong>da</strong>de em nosso país. Procurasetambém mostrar como as ações dos próprios escravos e de outras pessoascontrárias à escravidão aos poucos foram modificando a visão que as pessoastinham sobre essa reali<strong>da</strong>de e também a própria reali<strong>da</strong>de.Na segun<strong>da</strong> uni<strong>da</strong>de, abor<strong>da</strong>-se o direito ao trabalho. Propõe-se o estudodo fim <strong>da</strong> escravidão concomitante ao início <strong>da</strong> industrialização do Brasil, <strong>da</strong>situação dos operários e camponeses no início do século. Propõe-se também queos alunos reflitam sobre os direitos que os trabalhadores foram conquistandoao longo <strong>da</strong> história e os processos que levaram a essas conquistas. A uni<strong>da</strong>deinclui ain<strong>da</strong> sugestões de ativi<strong>da</strong>des que abor<strong>da</strong>m a questão do desemprego e domercado informal.A terceira uni<strong>da</strong>de reúne <strong>da</strong>dos sobre condições de habitação, saúde e educaçãodo povo brasileiro. O objetivo é que os alunos possam analisar essas questõescruciais relaciona<strong>da</strong>s à ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia, analisando informações estatísticas queofereçam um quadro <strong>da</strong> situação geral. Procuramos também reunir exemplossignificativos de iniciativas de grupos que agem para modificar essa situação.A quarta uni<strong>da</strong>de focaliza o sistema de governo e as formas de participaçãonuma democracia representativa. Trabalha-se, de forma muito introdutória, oconceito de regime político democrático, contrapondo-o ao de regime autoritárioou ditadura.32 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


No final <strong>da</strong> uni<strong>da</strong>de 4, no livro do aluno, encontra-se um texto de GilbertoDimenstein em que são retoma<strong>da</strong>s, de forma sintética, as diversas dimensõesrelaciona<strong>da</strong>s à ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia.Sugerimos que você leia esse texto, que pode ajudá-lo a formar uma visãoampla e integra<strong>da</strong> dos subtemas propostos nesse módulo. Também o texto quereproduzimos a seguir pode ajudá-lo nesse sentido.O QUE É CIDADANIACi<strong>da</strong><strong>da</strong>nia não deve ser algo abstrato, teórico e afastado <strong>da</strong> reali<strong>da</strong>de doindivíduo. Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia é acima de tudo o direito à convivência. E convivência significarespeito mútuo, segurança, soli<strong>da</strong>rie<strong>da</strong>de, amizade, proteção, autori<strong>da</strong>de,liber<strong>da</strong>de e, enfim, o direito de exercitar a democracia na sua essência.O conceito mais moderno de ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia traz em sua base a noção de que àdimensão civil — poder que as pessoas têm de manifestar-se para afirmar compromissosde natureza priva<strong>da</strong> como negociar, contratar ou fazer testamento etc.— e à dimensão política — poder pessoal de manifestar-se para a condução dosnegócios públicos como votar e ser votado deve ser incorpora<strong>da</strong> uma terceiradimensão, a social — a possibili<strong>da</strong>de de que as pessoas tenham suas necessi<strong>da</strong>desbásicas atendi<strong>da</strong>s e o poder de manifestar-se para que isso aconteça.A primeira afirmação <strong>da</strong> condição de ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia ocorre quando a pessoa temassegurados os seus diretos humanos fun<strong>da</strong>mentais. Para tanto, precisa viver emuma socie<strong>da</strong>de que tem como propósito desenvolver-se econômica, política, sociale culturalmente de forma democrática, visando o cumprimento de algumasmetas básicas:Justiça socialCorreção <strong>da</strong>s desigual<strong>da</strong>des e <strong>da</strong>s injustiças sociais e a facilitação do acessode todo ci<strong>da</strong>dão a bens e serviços necessários para sua realização como ser humano.Redistribuição <strong>da</strong> ren<strong>da</strong>, criação de empregos, garantia de educação, desaúde, de moradia e de proteção ao meio ambiente também contribuem para amaior justiça social. Somente desse modo o ci<strong>da</strong>dão terá condição de exercer suaci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia como consumidor e também como produtor de bens e de serviços.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 33


ParticipaçãoA participação efetiva <strong>da</strong>s pessoas nos processos de decisão é fun<strong>da</strong>mentalna construção <strong>da</strong> democracia. Faz-se necessário ca<strong>da</strong> vez mais criar mecanismosde envolvimento dos setores organizados <strong>da</strong> socie<strong>da</strong>de civil, rompendo de vezcom a cultura do centralismo, do descompromisso <strong>da</strong>s pessoas e <strong>da</strong> subalterni<strong>da</strong>de<strong>da</strong>s classes empobreci<strong>da</strong>s. O ci<strong>da</strong>dão é aquele que exerce o papel político departicipação, que pressupõe descentralização, respeito à comuni<strong>da</strong>de, ao poderlocal e ao microespaço como lugares privilegiados de desenvolvimento <strong>da</strong> coresponsabili<strong>da</strong>de.PluralismoO respeito às diferenças constitui um eixo fun<strong>da</strong>mental <strong>da</strong> democracia noscampos social, político, intelectual e religioso. A participação decorre <strong>da</strong> liber<strong>da</strong>dede expor idéias e do reconhecimento de quem ninguém possui a ver<strong>da</strong>deabsoluta. Saber respeitar as diferenças, talvez seja a tarefa mais difícil para umasocie<strong>da</strong>de acostuma<strong>da</strong> à dominação e ao centralismo. É, no entanto, no exercíciodo diálogo, <strong>da</strong> mediação e <strong>da</strong> incorporação de atitudes não violentas dentro<strong>da</strong> casa e no espaço público que poderemos melhorar a convivência.Soli<strong>da</strong>rie<strong>da</strong>deExigência <strong>da</strong> democracia moderna, a soli<strong>da</strong>rie<strong>da</strong>de supõe a identificação <strong>da</strong>spessoas com o grupo em que estão inseri<strong>da</strong>s e a criação de laços com este mesmogrupo. É uma relação de responsabili<strong>da</strong>des entre pessoas uni<strong>da</strong>s por interessescomuns, cuja base está no fato de ca<strong>da</strong> elemento do grupo sentir-se social emoralmente compromissado a apoiar os outros.Desenvolvimento sustentadoSignifica crescimento econômico, com justiça social e respeito ao meio ambiente.É necessário que todos participem dos benefícios do desenvolvimentotecnológico com igual<strong>da</strong>de de oportuni<strong>da</strong>des. Desenvolvimento sustentado querdizer também investimento planejado, busca de alternativas no campo produtivoe melhoria <strong>da</strong> quali<strong>da</strong>de de vi<strong>da</strong>.Fonte: Guia Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia e Comuni<strong>da</strong>de. São Paulo: CIC/CONDEPE/SENAC, 199734 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Na uni<strong>da</strong>de dedica<strong>da</strong> ao aprofun<strong>da</strong>mento do estudo <strong>da</strong> Língua Portuguesa,foram reuni<strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>des que retomam o trabalho com o jornal, abor<strong>da</strong>ndodiferentes mo<strong>da</strong>li<strong>da</strong>des de textos nele presentes. Enquanto nos livros anterioreso estudo do jornal focalizou as notícias, nestes se privilegiam os textosargumentativos (editoriais e artigos de opinião). Nessa uni<strong>da</strong>de são ain<strong>da</strong> revistasregras de pontuação e concordância nominal e verbal.Na uni<strong>da</strong>de, dedica<strong>da</strong> ao aprofun<strong>da</strong>mento de conteúdos matemáticos, objetiva-seconsoli<strong>da</strong>r as aprendizagens relativas ao Sistema de Numeração Decimal,às operações, aos sistemas de medi<strong>da</strong>s, à geometria e à estatística. Introduz-seo estudo dos números racionais, em suas representações fracionária edecimal.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 35


Uni<strong>da</strong>de 1:EscravidãoAs ativi<strong>da</strong>des dessa uni<strong>da</strong>de se concentram no tema escravidão, tanto sobuma perspectiva histórica quanto de reconhecimento <strong>da</strong> atuali<strong>da</strong>de <strong>da</strong> questão.Destacando a escravização dos povos africanos no Brasil, objetiva-se ain<strong>da</strong> focalizarespecificamente a questão <strong>da</strong> discriminação de raça na nossa socie<strong>da</strong>de,assim como as práticas discriminatórias de maneira geral. O estudo <strong>da</strong> condiçãodo escravo serve também como contraponto para a construção do conceitode ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia. O texto a seguir abarca algumas dessas questões e pode auxiliá-lona condução <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>des desta uni<strong>da</strong>de.20 DE NOVEMBRO:DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRAO dia 20 de novembro, morte de Zumbi — o líder guerreiro do Quilombodos Palmares —, é dia especial, de reverência, para uma boa parcela dos afro-36 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


asileiros. Embora a História oficial não o reconheça, há mais de uma déca<strong>da</strong>a <strong>da</strong>ta vem sendo lembra<strong>da</strong> e comemora<strong>da</strong> como o Dia Nacional <strong>da</strong> ConsciênciaNegra.Em vez de festa, alegria e comilança, como era de se esperar numa comemoração,o 20 de novembro é marcado por uma série de atos de protesto, debatese reflexões, que se reproduzem em diferentes pontos do Brasil, animados porenti<strong>da</strong>des do movimento negro organizado no país. De acordo com elas, taismanifestações objetivam despertar o conjunto <strong>da</strong> socie<strong>da</strong>de para a situação deexclusão e marginali<strong>da</strong>de em que vive a maioria dos brasileiros de raízes africanas— uma reali<strong>da</strong>de que só mu<strong>da</strong>rá quando for conheci<strong>da</strong> e reconheci<strong>da</strong> emto<strong>da</strong>s as suas nuanças.Perversa, tal reali<strong>da</strong>de é também antiga. Começou a ser traça<strong>da</strong> mais oumenos entre 1530 e 1534, época em que Portugal partiu para a colonização eexploração organiza<strong>da</strong> de suas colônias no além-mar, principiando por trazeros primeiros africanos escravizados para a Terra de Santa Cruz, Brasil. Daí emdiante, e por mais de 350 anos, os escravos negros tornaram-se “as mãos e ospés” <strong>da</strong> nossa terra e de algumas de suas vizinhas americanas, reavivando-se,assim, um sistema de trabalho que já fora abolido há séculos no território europeu.Em 1830, <strong>da</strong>ta em que o tráfico negreiro foi oficialmente proibido no país,o Brasil já havia recebido cerca de 3,7 milhões de negros escravizados, o correspondentea 35% do total tangido para as Américas e Ilhas do Caribe, nos mesmosséculos.Aqui, apesar <strong>da</strong>s condições desumanas de vi<strong>da</strong> e trabalho — <strong>da</strong> destruição<strong>da</strong>s relações familiares, incentiva<strong>da</strong> pelos senhores, e <strong>da</strong>s altas taxas de mortali<strong>da</strong>deinfantil —, a população negra cresceu e se multiplicou a ponto de representar,em 1888, cerca de 80% dos habitantes de províncias importantes comoa Bahia e o Rio de janeiro.Última nação do mundo a suprimir o regime escravista, o Brasil é hoje apontadopor pesquisadores como a região que, fora a África, concentra a maiorpopulação negra e conserva suas tradições culturais milenares. Mas é também opaís onde os afro-brasileiros permanecem, com raras exceções, ocupando o maisbaixo degrau <strong>da</strong> pirâmide social, como lembram as enti<strong>da</strong>des do movimento negronas discussões abertas no dia de Zumbi.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 37


As estatísticas oficiais atestam tais afirmações. Segundo <strong>da</strong>dos do IBGE, porexemplo, dentre os brasileiros que trabalhavam com carteira assina<strong>da</strong> em 1990,58% eram brancos, 34% eram pardos e apenas 7% eram negros. De ca<strong>da</strong> 100negros empregados, 51 diziam viver com cerca de um salário mínimo. Além disso,enquanto 79% dos patrões brasileiros estavam entre os brancos e 16% entre ospardos, somente 1% dos negros se declaravam nesta condição. Os números sobreescolarização são igualmente significativos. Eles registram que, dos 18,8%de analfabetos do país, em 1990, um quarto era de brancos e metade de negros.Valoriza<strong>da</strong> apenas pelo seu lado “exótico” ou “folclórico”, a maioria dosafro-brasileiros desanima, terminando por renegar sua origem étnico-cultural,o que promove um “embranquecimento” <strong>da</strong> população nas estatísticas governamentais:enquanto no Censo de 1940 14,6% <strong>da</strong> população do país se declaravanegra, em 1990 somente 5% dos brasileiros se reconheciam como negros.Fonte: OLIVEIRA, Elvira. Revista Nova Escola.São Paulo: Abril, nº 71, novembro de 1993Sugestões para odesenvolvimento <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>desVendem-se(p. 3)Esta ativi<strong>da</strong>de introdutória tem como objetivo promover uma reflexão porparte dos alunos, motivando-os a aprofun<strong>da</strong>r seus conhecimentos sobre o temacentral <strong>da</strong> uni<strong>da</strong>de, a escravidão. Faça uma leitura em voz alta <strong>da</strong> nota explicativa,que traz a <strong>da</strong>ta e o local em que ocorreu essa publicação, e do texto. Apósa leitura, pergunte se eles já conheciam esse tipo de texto e o que acham do fatode seres humanos serem vendidos por meio de anúncios de jornal do mesmo modoque os móveis e os utensílios de uma casa.Você pode aproveitar a oportuni<strong>da</strong>de para averiguar que conhecimentos seusalunos têm sobre os anúncios classificados, sessão do jornal que desperta o in-38 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


teresse de muitos alunos. Caso haja interesse, você pode articular essa ativi<strong>da</strong>decom um estudo mais aprofun<strong>da</strong>do sobre os anúncios classificados, propondoalgumas <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>des que se encontram na uni<strong>da</strong>de 5.Declaração Universaldos Direitos Humanos(p. 4)Apresentamos nessa ativi<strong>da</strong>de a Declaração Universal dos Direitos Humanoscomo um documento de referência no estudo do tema ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia. Ela foideclara<strong>da</strong> pela Assembléia Geral <strong>da</strong>s Nações Uni<strong>da</strong>s em 1948 e assina<strong>da</strong> porvários países, inclusive o Brasil. Ao assinar este documento, os representantesdo Brasil estavam assumindo o compromisso de promover o respeito a direitose liber<strong>da</strong>des fun<strong>da</strong>mentais <strong>da</strong> pessoa humana, o progresso social, melhores condiçõesde vi<strong>da</strong> e uma liber<strong>da</strong>de mais plena. Leia o texto para os alunos e chamea atenção deles para o estilo que caracteriza os textos legais (ca<strong>da</strong> tópico <strong>da</strong>declaração é chama<strong>da</strong> de artigo e estes são numerados com algarismos romanos).Depois, você pode pedir que a classe se organize para ler o texto em vozalta, na forma de um jogral, destinando ca<strong>da</strong> artigo para um grupo.Ao discutir o conteúdo do texto, sugira que os alunos comparem a <strong>da</strong>ta emque foi publicado o anúncio e a <strong>da</strong>ta em que a Declaração foi proclama<strong>da</strong>. Evidencieo fato de que, no período histórico em que foi publicado o anúncio o séculoXVIII, a prática <strong>da</strong> escravidão era legal e encara<strong>da</strong> por muitos como algo “normal”,enquanto em meados do século XX temos uma declaração internacionalque repudia a escravidão em todos os sentidos. Finalmente, é importante destacartambém que o fato de que, apesar de atualmente haver um consenso amplode que a escravidão é uma prática condenável, podem ocorrer ain<strong>da</strong> fatos quese caracterizam como crimes contra a liber<strong>da</strong>de e a digni<strong>da</strong>de humana.A escravidão no Brasil(p. 5)Este é um texto informativo bastante característico dos livros escolares dehistória. Na introdução deste livro reunimos várias sugestões de como aju<strong>da</strong>rViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 39


os alunos a ler esse tipo de texto e utilizá-lo para estu<strong>da</strong>r. Com relação a este,que é bastante breve e cuja temática será retoma<strong>da</strong> nas ativi<strong>da</strong>des subseqüentes,sugerimos que você proponha aos alunos que, antes <strong>da</strong> leitura, procurem anteciparo conteúdo do texto com base no título e na ilustração de Rugen<strong>da</strong>s. Vocêpode ajudá-los com perguntas do tipo: Vocês acham que o texto vai falar sobreo passado ou sobre coisas atuais? Vocês conhecem histórias sobre a escravidão?Em segui<strong>da</strong>, você pode sugerir que os alunos façam uma leitura silenciosado texto. Peça que alguns alunos digam quais as idéias principais de ca<strong>da</strong> parágrafoe se há passagens que não entederam.Finalmente, sugira que elaborem uma legen<strong>da</strong> para o quadro de Rugen<strong>da</strong>s,utilizando as informações do texto. Lembre-os de que uma legen<strong>da</strong> é uma fraseque explica uma ilustração, contextualizando os personagens e outros elementosretratados.A viagem(p. 7)A partir do relato de um ex-escravo, esta ativi<strong>da</strong>de abor<strong>da</strong> o tráfico negreiro,salientando que o negro escravo não era visto pelos brancos como um serhumano: era capturado, transportado e comercializado como uma mercadoria.Leia o parágrafo introdutório e proponha que os alunos realizem uma leiturasilenciosa do texto. Sugira que realizem a tarefa proposta no roteiro de estudoem duplas e, ao final, faça uma retoma<strong>da</strong> coletiva.Tráfico negreiro(p. 8)Essa ativi<strong>da</strong>de visa evidenciar o fato de que a utilização de mão-de-obraescrava não ocorreu só no Brasil, mas foi um fenômeno mais amplo, que caracterizouuma época. Aproveite a oportuni<strong>da</strong>de para retomar ou apresentar aosalunos o mapa-múndi. Caso seja possível, traga para a sala um mapa-múndigrande e colorido. Verifique se os alunos identificam as partes que representamos oceanos e os continentes. Destaque a localização <strong>da</strong> África e <strong>da</strong> América. Emsegui<strong>da</strong>, peça que eles observem o mapa do livro e identifiquem os continentese, neles, as regiões de destino dos escravos.40 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


O trabalho escravo nas fazen<strong>da</strong>s(p. 9)Primeiramente, incentive os alunos a contarem histórias ou len<strong>da</strong>s relativasao período em que vigorou o trabalho escravo no Brasil. Caso não conheçammuitas histórias, incentive-os a perguntar a pessoas mais velhas ou qualquerpessoa que tenha informação sobre o tema. Sugira também que busquem fontesescritas onde podem achar informação sobre o tema, livros diversos, enciclopédiasetc. Traga você também os materiais que conseguir. Peça que os alunos seorganizem em grupos para explorar os materiais, procurando localizar informaçõessobre a vi<strong>da</strong> dos escravos nas fazen<strong>da</strong>s. Depois garanta um espaço para queas informações pesquisa<strong>da</strong>s possam ser compartilha<strong>da</strong>s com todos <strong>da</strong> classe.Escravos urbanos(p. 9)Com esta ativi<strong>da</strong>de complementar os alunos poderão conhecer um desdobramentodo trabalho escravo, característico <strong>da</strong>s áreas urbanas: os escravos deganho ou aluguel. A tarefa escrita proposta cria a oportuni<strong>da</strong>de de retomar comos alunos algumas características do texto descritivo. Dê algumas orientações,sugerindo que os alunos planejem como farão a descrição, por exemplo, sugiraque, inicialmente, dêem uma visão geral <strong>da</strong> cena para depois descrever algunsdetalhes.Resistência e luta(p. 10)Esse texto traz informações sobre a resistência e luta dos negros contra aescravidão, trazendo elementos para que os alunos percebam que os escravos nãoaceitavam passivamente a escravidão; eles resistiram de várias maneiras a seremsubjugados. O texto traz informações gerais sobre esse tema e abor<strong>da</strong> especialmentea história do Quilombo de Palmares, como exemplo importante dessa luta.Para auxiliar os alunos na compreensão do texto, explore inicialmente o título<strong>da</strong> ativi<strong>da</strong>de, as imagens que o ilustram e suas legen<strong>da</strong>s, incentivando os alunosa contar histórias que conheçam sobre esses personagens.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 41


Em segui<strong>da</strong>, solicite que os alunos façam uma leitura silenciosa do texto.Retome-o fazendo uma leitura em voz alta e detendo-se em ca<strong>da</strong> parágrafo, afim de solucionar as dúvi<strong>da</strong>s dos alunos e destacar as idéias principais.O roteiro de estudo traz perguntas que visam chamar a atenção do alunopara a organização temática do texto e seus parágrafos. Peça que os alunos respon<strong>da</strong>mas perguntas em grupo e depois verifique, numa correção coletiva, seos alunos conseguiram apreender as idéias principais dos parágrafos.O que dizem os números(p. 12)O objetivo <strong>da</strong> ativi<strong>da</strong>de é levar os alunos a refletir sobre desigual<strong>da</strong>des sociaisque existem hoje e que podem ser relaciona<strong>da</strong>s com a história <strong>da</strong> escravidãono Brasil. Por meio <strong>da</strong> informação sobre a distribuição <strong>da</strong> população brasileiraquando a cor ou raça, deve-se chamar a atenção dos alunos para o fato deque a população negra e par<strong>da</strong> (resultante <strong>da</strong> miscigenação entre negros e brancos)representam quase a metade <strong>da</strong> população total. O <strong>da</strong>do sobre a mortali<strong>da</strong>deinfantil deve ser explorado a fim de mostrar que a desigual<strong>da</strong>de racial estáassocia<strong>da</strong> a uma desigual<strong>da</strong>de econômica e social. Deve-se convi<strong>da</strong>r os alunos arefletir sobre como tais desigual<strong>da</strong>des podem ser supera<strong>da</strong>s.Ilê Aiyê(p. 14)Como fechamento <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>des desta uni<strong>da</strong>de, propomos um texto querevela a luta dos negros contra a discriminação, por meio <strong>da</strong> valorização de suaidenti<strong>da</strong>de e cultura. Tal como o Ilê Aiyê, diversos grupos, movimentos e instituiçõesbuscam o mesmo objetivo. Procure se informar sobre a existência dessasorganizações na região onde você vive. Se possível, traga novos materiais paraa classe ou convide alguém para <strong>da</strong>r uma palestra.42 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Uni<strong>da</strong>de 2:Direito ao trabalhoO objetivo dessa uni<strong>da</strong>de é refletir temas relacionados ao trabalho a partirdo estudo do período <strong>da</strong> história do Brasil caracterizado pelo fim do regimeescravista e o início <strong>da</strong> industrialização.Dá-se destaque às péssimas condições de trabalho que os operários ou camponesesenfrentavam no início do século, assim como suas lutas para modificaressa situação e para que fossem reconhecidos seus direitos como trabalhadores.A partir desse estudo, espera-se que os alunos possam refletir sobre as condiçõesdos trabalhadores na atuali<strong>da</strong>de, assim como de suas lutas pela manutençãoou ampliação de direitos. Discute-se também o impacto do uso de novastecnologias na produção, o desemprego e o trabalho informal.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 43


Sugestões para odesenvolvimento <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>desRumo à liber<strong>da</strong>de(p. 15)A Abolição <strong>da</strong> Escravatura não foi uma decisão individual nem foi um acontecimentoque ocorreu <strong>da</strong> noite para o dia. Transformações sociais, econômicase no modo de pensar ocorreram lentamente, ao longo do século XIX, resultandono fim <strong>da</strong> escravidão. Assim, o objetivo desta ativi<strong>da</strong>de é levar os alunos aperceber que houve um processo, marcado pela luta entre interesses contra e afavor <strong>da</strong> escravidão, que culminou na libertação dos escravos no Brasil.Proponha uma leitura silenciosa do texto. Em segui<strong>da</strong>, para certificar-se queos alunos compreenderam as idéias principais do texto, faça as seguintes perguntaspara a classe: Segundo o texto, em que época os escravos ganharam aliados naluta contra o cativeiro? Quais exemplos do texto mostram que a escravidão nãoera mais consenso entre os homens brancos? Quais resultados <strong>da</strong>s pressões contraa escravidão são citados pelo texto? Por que o título do texto é “Rumo à liber<strong>da</strong>de”?Qual a idéia principal do texto?Você pode copiar uma pergunta de ca<strong>da</strong> vez no quadro de giz para que osalunos construam uma resposta coletiva. Auxilie-os na organização <strong>da</strong>s idéias ena escrita <strong>da</strong> resposta, fazendo as anotações no quadro de giz. Por fim, sugiraque todos copiem as questões no caderno.A expressão do olhar(p. 16)Esta série de fotografias é um bom exemplo de que, no século XIX, ain<strong>da</strong>existiam homens brancos que viam os negros como simples mercadorias, enquantooutros já lutavam pelo fim <strong>da</strong> escravidão, afirmando a igual<strong>da</strong>de entre os sereshumanos. Leia o texto introdutório em voz alta e auxilie os alunos na observaçãodetalha<strong>da</strong> <strong>da</strong>s imagens.Um aspecto interessante que pode ser destacado é o fato de que os escravosretratados estão sem sapatos: na época, os pés descalços eram um sinal que iden-44 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


tificava o escravo; assim aqueles que se alforriavam tratavam logo de comprarsapatos para mostrar sua nova condição.Alguns estudiosos, ao analisar essas imagens, destacam o fato de que osnegros eram retratados não como pessoas, mas como mão-de-obra, por isso odestaque às suas ocupações como trabalhadores. Os estudiosos também observamque, mesmo retratados pelos brancos, os negros demonstram, por meio doolhar, uma reação à escravidão: olhar frontal de desafio, de afirmação <strong>da</strong> digni<strong>da</strong>de,olhar inquiridor ou até mesmo olhar ausente.Você pode sugerir essas interpretações para os alunos, entretanto, é interessanteque eles possam primeiro expressar livremente o que as imagens lhes transmitem,pois as impressões provoca<strong>da</strong>s por uma fotografia podem variar muito.O trabalho livre nas ci<strong>da</strong>des(p. 18)O texto inicial desta ativi<strong>da</strong>de traz informações sobre o trabalho não-escravonas ci<strong>da</strong>des, destacando a formação do operariado brasileiro. Proponha umaleitura silenciosa do texto. Depois, retome-o, esclarecendo as dúvi<strong>da</strong>s dos alunose enfatizando as idéias principais.A ativi<strong>da</strong>de de escrita propõe duas tarefas para os alunos. Na primeira,deverão escrever manchetes de jornal, a partir <strong>da</strong>s características apresenta<strong>da</strong>ssobre a vi<strong>da</strong> operária brasileira no início do século XX. Na segun<strong>da</strong>, deverãopesquisar manchetes atuais sobre a vi<strong>da</strong> dos operários e organizar um mural.Ao final <strong>da</strong>s tarefas, reserve um momento <strong>da</strong> aula e peça que os alunos comparema vi<strong>da</strong> operária no início do século XX com a vi<strong>da</strong> operária atual, destacandosemelhanças e diferenças.O trabalho livre nos campos(p. 20)Esta ativi<strong>da</strong>de complementa a anterior na medi<strong>da</strong> em que traz informaçõessobre o trabalho livre nos campos no início do século XX. Proponha uma leiturasilenciosa do texto. Depois, sugira que as perguntas 1 e 2 do roteiro de estudosejam respondi<strong>da</strong>s em duplas e corrija-as coletivamente. Com relação aoexercício 3, os alunos devem escrever um rascunho <strong>da</strong> carta, revisá-la com o seuViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 45


auxílio e passar a limpo. Por fim, peça para três alunos voluntários lerem suasproduções para a classe.Trabalhadores em greve(p. 21)Inicie esta ativi<strong>da</strong>de lendo o texto introdutório em voz alta. Depois, peçapara um bom leitor <strong>da</strong> classe fazer uma leitura em voz alta do texto. Anime umaconversa sobre o tema, sugerindo as questões para debate propostas no livro doaluno.Taxas de desemprego(p. 23)Inicie esta ativi<strong>da</strong>de questionando os alunos sobre o que eles sabem sobreo desemprego atual: se é grande ou pequeno o número de desempregados, seestá mais difícil conseguir trabalho, se ocorreram mu<strong>da</strong>nças ou se sempre foiassim etc.Analise então a tabela, evidenciando o fato de que as taxas de desempregoforam aumentando no período de 1989 a 1999.Direito ao trabalho(p. 23)Nessa ativi<strong>da</strong>de retoma-se a Declaração Universal dos Direitos Humanos,já trabalha<strong>da</strong> na primeira uni<strong>da</strong>de desse módulo.Destaque o fato de que, internacionalmente, são reconhecidos alguns direitosdos trabalhadores e que ca<strong>da</strong> país cria suas leis visando garantir esses direitose punir aqueles que não os respeitam.Os próprios alunos devem fazer um levantamento dos principais direitosgarantidos pela legislação brasileira aos trabalhadores. Caso seja preciso, ajude-osa pesquisar sobre o tema ou traga algum especialista do tema, juiz ou advogadopara ser entrevistado pelos alunos.46 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Painel do desemprego(p. 24)A partir do tema desemprego, é proposta uma ativi<strong>da</strong>de de pesquisa queinclui desde a elaboração de um questionário para a coleta dos <strong>da</strong>dos até a organizaçãoe análise <strong>da</strong>s informações obti<strong>da</strong>s.Oriente os alunos em ca<strong>da</strong> uma <strong>da</strong>s etapas dessa pesquisa, reservando ummomento <strong>da</strong>s aulas para o acompanhamento dos grupos de trabalho.O desemprego tecnológico eBrasileiro usa criativi<strong>da</strong>depara driblar a crise(p. 28 e 29)Para trabalhar esses dois textos, os alunos podem ser divididos em grupos.Metade dos grupos lê o primeiro texto e monta o cartaz e a outra metade lê osegundo texto debate as questões propostas no roteiro de estudo. Depois, ca<strong>da</strong>grupo apresenta para classe os principais resultados do seu trabalho, seja a colagem,seja o debate sobre questões do roteiro de estudos.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 47


Uni<strong>da</strong>de 3:Direito ao bem-estarO conceito atual de ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia é amplo e polêmico. Entretanto, o direito aobem-estar aparece com freqüência nas discussões que envolvem esse tema. Oci<strong>da</strong>dão tem direito a uma vi<strong>da</strong> digna, ou seja, direito ao bem-estar. Esse direitose consoli<strong>da</strong> tanto por meio de garantias previstas em leis quanto por meio <strong>da</strong>participação ci<strong>da</strong>dã: práticas individuais e coletivas que objetivam efetivar eestender tais garantias. Esta uni<strong>da</strong>de foi organiza<strong>da</strong> a partir dessas considerações,abarcando temas diretamente relacionados ao bem-estar, tais como saúdee educação, entre outros.48 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Sugestões para odesenvolvimento <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>desCi<strong>da</strong><strong>da</strong>nia(p. 31)Esta ativi<strong>da</strong>de introdutória, composta de um fragmento de texto do livroCi<strong>da</strong>dão de papel, de Gilberto Dimenstein, tem por objetivo proporcionar umareflexão dos alunos sobre o tema central <strong>da</strong> uni<strong>da</strong>de, direito ao bem-estar.Você pode introduzir o trabalho perguntando aos alunos o que quer dizera palavra constituição: segundo o Dicionário Aurélio, é a lei fun<strong>da</strong>mental e supremadum Estado, que contém normas sobre a formação dos poderes públicos,formas de governo, distribuição de competências, direitos e deveres dosci<strong>da</strong>dãos etc.Se possível, leve um exemplar <strong>da</strong> Constituição Brasileira de 1988 para a salade aula. Ou então, prepare cartazes com os artigos abaixo retirados <strong>da</strong> Constituição,que abrangem alguns temas tratados nesta uni<strong>da</strong>de.CONSTITUIÇÃO DAREPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, 1988Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-seaos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabili<strong>da</strong>de dodireito à vi<strong>da</strong>, à liber<strong>da</strong>de, à igual<strong>da</strong>de, à segurança e à proprie<strong>da</strong>de. (artigo 5º)A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticassociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravose ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteçãoe recuperação. (artigo 196)A educação, direito de todos e dever do Estado e <strong>da</strong> família, será promovi<strong>da</strong>e incentiva<strong>da</strong> com a colaboração <strong>da</strong> socie<strong>da</strong>de, visando ao pleno desenvolvi-Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 49


mento <strong>da</strong> pessoa, seu preparo para o exercício <strong>da</strong> ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia e sua qualificaçãopara o trabalho. (artigo 205)Por fim, peça que os alunos leiam o pequeno fragmento. Questione-os sobreo sentido <strong>da</strong> última frase: “No futuro, o menino de rua será visto como hojevemos os escravos”. Pergunte se eles concor<strong>da</strong>m com a opinião do autor, quechama a atenção para o fato de que hoje a maioria <strong>da</strong>s pessoas considera a escravidãoinadmissível, enquanto no passado, ela era vista como algo natural ouinevitável; provavelmente, no futuro, a maioria <strong>da</strong>s pessoas também achará quea existência de crianças de rua é algo bárbaro e inadmissível, enquanto hoje,muitos aceitam essa situação ou a consideram inevitável.Crianças e adolescentesvivem nos lixões(p. 32)Inicie propondo uma leitura silenciosa do texto e dos <strong>da</strong>dos apresentados.Em segui<strong>da</strong>, retome-os esclarecendo as dúvi<strong>da</strong>s dos alunos e anotando no quadrode giz as principais informações numéricas menciona<strong>da</strong>s. Após a discussãoem duplas, reserve um momento <strong>da</strong> aula para a socialização <strong>da</strong>s anotações feitaspelos alunos.Taxa de mortali<strong>da</strong>de infantil(p. 33)O roteiro de estudo desta ativi<strong>da</strong>de exige que os alunos dominem o nomedos estados e as regiões do Brasil. Assim, aproveite para fazer uma revisão: peçapara os alunos copiarem o mapa do livro para o caderno, usando, por exemplo,papel de se<strong>da</strong>. Mostre para eles que as linhas finas do mapa contornam os estadosenquanto as linhas grossas contornam as regiões do país. Providencie e levepara a classe um grande mapa do Brasil, onde possam ser identifica<strong>da</strong>s as regiõese estados. Você também pode recorrer ao mapa do Brasil que consta do50 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Viver, <strong>Aprender</strong> 3, módulo 1, uni<strong>da</strong>de 1, onde os estados e as regiões estão identificados.Então, proponha que nomeiem os estados de seu próprio mapa de acordocom o modelo apresentado. Acompanhe o trabalho de ca<strong>da</strong> aluno, auxiliando-oem suas dificul<strong>da</strong>des.Após essa ativi<strong>da</strong>de de revisão, faça uma leitura em voz alta do texto introdutório.Em segui<strong>da</strong>, peça que os alunos observem atentamente o mapa e alegen<strong>da</strong> apresentados. Por fim, sugira que o roteiro de estudo seja feito em duplase corrija-o coletivamente. Quanto à última questão, propicie um momentopara que os alunos possam expressar suas opiniões.O texto a seguir pode auxiliá-lo na condução <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>des relaciona<strong>da</strong>s àquestão <strong>da</strong> saúde.SAÚDEA população brasileira vive mais. A esperança de vi<strong>da</strong> ao nascer, que em 1970era de 52,7 anos, aumenta para 67,9 anos em 1998, segundo estimativa do IBGE.Contudo, é nas desigual<strong>da</strong>des que residem os maiores problemas <strong>da</strong> saúde noBrasil. A esperança de vi<strong>da</strong> entre as mulheres <strong>da</strong> Região Sul, por exemplo, chegaa 73,2 anos, enquanto no Sudeste, entre os homens, é de 59,7 anos. A mortali<strong>da</strong>deinfantil é alta no Nordeste, enquanto o Sul e o Sudeste já apresentam índicesinferiores ao recomen<strong>da</strong>do pela Organização Mundial de Saúde (OMS).O Brasil ain<strong>da</strong> investe pouco em saúde. De acordo com estimativas de especialistase técnicos <strong>da</strong> área de saúde de vários países, para que um sistema desaúde funcione bem, os gastos devem oscilar entre US$ 600 e US$ 1.800 por habitanteao ano. Em 1999, o Brasil investia, incluindo os setores federal, estaduale municipal e os gastos privados, US$ 280.O atendimento à saúde no Brasil é prestado por provedores e financiadorespúblicos e privados. Em 1999, a maior parte dos brasileiros (68%) utiliza-se doSistema Único de Saúde (SUS), gerenciado pelo Ministério <strong>da</strong> Saúde e complementadopor serviços privados contratados pelo governo. A rede priva<strong>da</strong> — queinclui os planos e convênios de saúde — atende 25% <strong>da</strong> população, enquanto osserviços particulares, como consultas médicas e internações hospitalares, pagosdiretamente por pessoas, são utilizados por apenas 1% dos brasileiros. ExistemViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 51


ain<strong>da</strong> cerca de 10 milhões de pessoas, ou seja, 6% <strong>da</strong> população, que não têmacesso a nenhum tipo de assistência médica, segundo o Ministério. A maioria dessaspessoas vive em zonas rurais, onde os recursos e os serviços médicos são escassos.O SUS foi criado pela Constituição de 1988 e regulamentado em 1990 paragarantir acesso universal, igualitário e gratuito a todos. É integrado por todosos hospitais públicos, além dos hospitais universitários e privados credenciadospelo governo. Os serviços prestados pela rede do SUS são pagos mensalmenteaos estados e municípios pelo Ministério <strong>da</strong> Saúde, por meio do Fundo Nacionalde Saúde (FNS), que é alimentado por verbas do Tesouro, <strong>da</strong> Previdência e deimpostos, como a CPMF (contribuição provisória sobre movimentação financeira)e a contribuição sobre o lucro líquido (Cofins). Estados e municípios repassama verba aos hospitais e outros prestadores de serviços. Como o repasse muitasvezes é feito com atraso, ocorrem paralisações no atendimento e descredenciamentode instituições particulares. Para agilizar os repasses e aumentar ocontrole sobre os serviços prestados, o SUS está promovendo a descentralização,ou seja, os municípios passam a receber e a administrar diretamente os recursosfinanceiros sem a mediação dos estados. Implantado lentamente, o novo sistemaabrange até outubro de 1998, apenas 449 dos 5.507 municípios brasileiros.Fonte: Almanaque Abril 99, São Paulo: Abril, 1999Condições de moradia(p. 34)Inicie esta ativi<strong>da</strong>de propondo que os alunos observem atentamente o gráficoapresentado. Verifique se os alunos sabem ler o símbolo <strong>da</strong> porcentagem (%)e se sabem o que ele significa. Por exemplo, 20% é vinte em ca<strong>da</strong> cem ou, trabalhandocom frações, 20/100. Se achar conveniente, retome o conceito de porcentagemapresentado no Livro 3, módulo 2, uni<strong>da</strong>de 6. Depois, elabore perguntaspara a classe (Qual a porcentagem de moradias com coleta de esgoto em1992? E em 1997? Qual a porcentagem de moradias com televisão em 1992? Eem 1997? etc.) até se certificar de que os alunos compreenderam a estrutura dográfico. Por fim, solicite que façam o roteiro de estudo, auxiliando-os na escrita52 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


<strong>da</strong>s respostas. Proponha duplas para apresentar esse exercício em que um alunolê suas respostas e o outro faz um comentário, acrescentando suas opiniões.Direito à saúde eAssociação de Saúde <strong>da</strong>Periferia de São Luís(p. 34 e 35)Esses dois textos também podem ser trabalhados na forma de seminário,dividindo-se a classe em grupos, que se responsabilizam por ler e estu<strong>da</strong>r um ououtro texto. O grupo prepara um de seus integrantes para expor para o grupoas principais informações do texto. No final, você pode conduzir um debatecoletivo, retomando as questões propostas no livro do aluno.Observatório <strong>da</strong> educação(p. 36)Esta ativi<strong>da</strong>de abarca o tema direito à educação. Você pode fazer uma leituraem voz alta <strong>da</strong> parte introdutória, que conta <strong>da</strong>s metas <strong>da</strong> ConferênciaMundial Educação para Todos. A seguir, oriente-os no trabalho de levantamentode informações sobre ca<strong>da</strong> uma <strong>da</strong>s metas. Você pode dividir a classe em seisgrupos e atribuir uma meta para ca<strong>da</strong> um deles. Primeiro, peça que os gruposprocurem responder as perguntas propostas com as informações que já possuem.Depois, ajude-os a buscar outras fontes de informação.O texto a seguir pode auxiliá-lo na compreensão <strong>da</strong>s questões referentes aoatendimento escolar no Brasil.EDUCAÇÃOO sistema educacional brasileiro está organizado em educação básica e ensinosuperior. A primeira é forma<strong>da</strong> pela educação infantil (constituí<strong>da</strong> de crechespara crianças de até 3 anos e pré-escolas para as de 4 a 6 anos); pelo ensinoViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 53


fun<strong>da</strong>mental de 8 anos; e ensino médio de no mínimo 3 anos. Há ain<strong>da</strong> a educaçãode jovens e adulto, a educação profissional e a educação especial para osportadores de necessi<strong>da</strong>des especiais.O direito e a obrigatorie<strong>da</strong>de à escola primária (ou às séries iniciais) por meio<strong>da</strong> oferta pública de ensino estão estabelecidos desde os primeiros anos de nossaindependência, com a primeira Constituição em 1824. Nela, sob forte influênciaeuropéia, firmou-se garantia de uma “instrução primária e gratuita para todosos ci<strong>da</strong>dãos”. Este direito foi sendo gra<strong>da</strong>tivamente estendido através <strong>da</strong>svárias Constituições e Leis <strong>da</strong> Educação. A Constituição de 1988 e a Lei de Diretrizese Bases <strong>da</strong> Educação nacional, vota<strong>da</strong> em dezembro de 1996, reafirmamno<strong>da</strong> seguinte forma:Artigo 4º <strong>da</strong> Lei de Diretrizes e Bases<strong>da</strong> Educação Nacional“O dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado mediantea garantia de:I. ensino fun<strong>da</strong>mental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que não tiveramacesso a ele na i<strong>da</strong>de própria;II. progressiva extensão <strong>da</strong> obrigatorie<strong>da</strong>de e gratui<strong>da</strong>de ao ensino médio;III. atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessi<strong>da</strong>desespeciais, preferencialmente na rede regular de ensino;IV. atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de 0 a 6 anosde i<strong>da</strong>de;V. acesso aos níveis mais elevados de ensino, <strong>da</strong> pesquisa e <strong>da</strong> criação artística,segundo a capaci<strong>da</strong>de de ca<strong>da</strong> um;VI. oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;VII. oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com característicase mo<strong>da</strong>li<strong>da</strong>des adequa<strong>da</strong>s as suas necessi<strong>da</strong>des e disponibili<strong>da</strong>des, garantindo-seaos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanênciana escola;VIII. atendimento ao educando no ensino fun<strong>da</strong>mental público, por meio deprogramas suplementares de material didático escolar, transporte, alimentaçãoe assistência à saúde;54 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


IX. padrões mínimos de quali<strong>da</strong>de de ensino, definidos como a varie<strong>da</strong>de equanti<strong>da</strong>de mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimentodo processo de ensino-aprendizagem.”Fonte: HADDAD, Sérgio. “Educação escolar no Brasil”. In: As faces <strong>da</strong> pobrezano Brasil: programa de trabalho (Actionaid, Brasil). Rio de Janeiro: Arte Maior, 1999Educação, faça valer esse direito(p. 39)Mais uma vez, é importante enfatizar para os alunos que a conquista ougarantia de direitos depende sempre do envolvimento <strong>da</strong> população, de gruposcapazes de pressionar as autori<strong>da</strong>des para que façam cumprir a lei.Concentração de ren<strong>da</strong>(p. 40)O Brasil, apesar de ser um país com uma economia forte, é um dos campeõesmundiais em má distribuição de ren<strong>da</strong>. Certamente, este é um fator determinantede outras desigual<strong>da</strong>des sociais. Dificilmente uma socie<strong>da</strong>de consegueviver em harmonia quando as diferenças entre ricos e pobres são tão brutais epor isso é fun<strong>da</strong>mental que os alunos tomem consciência sobre esse problema.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 55


Uni<strong>da</strong>de 4:Participação políticaUma efetiva participação política pressupõe o conhecimento <strong>da</strong> estruturapolítico-administrativa do país, assim como o reconhecimento do voto enquantodireito e dever do ci<strong>da</strong>dão. O objetivo desta uni<strong>da</strong>de é que os alunos sejamcapazes de analisar, questionar e participar de forma mais consciente <strong>da</strong> vi<strong>da</strong>pública brasileira.Sugestões para odesenvolvimento <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>desVotar e acompanhar(p. 42)Inicie esta ativi<strong>da</strong>de copiando o título do texto e o nome do autor no quadrode giz. Pergunte aos alunos o que sabem sobre Herbert de Souza, o Betinho.56 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Para complementar as informações levanta<strong>da</strong>s por eles, prepare-se lendo a ativi<strong>da</strong>de“Uma campanha contra a fome” proposta para o aluno na uni<strong>da</strong>de 1 doLivro 3. Depois, sugira uma leitura silenciosa do texto. Em segui<strong>da</strong>, pergunteaos alunos o que mais chamou a atenção deles nessa leitura e por quê. Estimuleca<strong>da</strong> um deles a tecer comentários sobre o texto, revelando suas opiniões.O difícil acesso às urnas(p. 43)O objetivo dessa ativi<strong>da</strong>de é mostrar para os alunos que o direito ao votonão foi sempre garantido para todos. As sucessivas constituições foram consagrandodireitos conquistados por grupos sociais ca<strong>da</strong> vez mais amplos. No livro2, módulo 3, dessa coleção você encontra informações sobre a vi<strong>da</strong> de mulheresque lutaram para ter reconhecido legalmente seu direito ao voto.Peça aos alunos que analisem o quadro e, depois, vá fazendo perguntas paraverificar se eles compreenderam as informações, por exemplo: Na Constituiçãode 1824, era reconhecido o direito <strong>da</strong>s mulheres ao voto? Em que constituiçãoo direito ao voto foi estendido às mulheres? Que constituição estendeu o direitoao voto também aos analfabetos?Votar é um direitoe um dever do ci<strong>da</strong>dão(p. 44)Faça uma leitura em voz alta do texto introdutório. Em segui<strong>da</strong>, explore aimagem do título de eleitor. Pergunte quais alunos possuem esse documento ecomo fizeram para obtê-lo. Escreva essas informações no quadro de giz. Depois,explore a imagem do formulário utilizado para se justificar perante a JustiçaEleitoral. Ao planejar esta ativi<strong>da</strong>de, peça que os alunos tragam para a aula seustítulos de eleitor e providencie cópias do formulário, a fim de trabalhar o seupreenchimento. Sugira aos alunos que não possuírem o título, que utilizem omodelo impresso no livro para obter os <strong>da</strong>dos necessários.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 57


O que é política?(p. 45)Copie no quadro de giz a questão que orienta esta ativi<strong>da</strong>de e faça uma leituraem voz alta do boxe explicativo “O que é política?”. Depois, inicie o debate.Conduza esta parte <strong>da</strong> ativi<strong>da</strong>de de maneira que ca<strong>da</strong> aluno possa se expressar eseja respeitado em sua opinião, enquanto os demais aguar<strong>da</strong>m o turno <strong>da</strong> palavra.Ditadura x Democracia(p. 45)Divi<strong>da</strong> o quadro de giz em duas partes: Ditadura e Democracia. Leia em vozalta o texto introdutório e esclareça as dúvi<strong>da</strong>s dos alunos. Depois, peça que ditemos conteúdos do quadro explicativo, enquanto você anota as informações nas partescorrespondentes do quadro de giz. Releia as informações, esclarecendo as dúvi<strong>da</strong>sdos alunos. Em segui<strong>da</strong>, apresente o exercício do roteiro de estudos. Desenvolva-oitem por item, lendo o primeiro em voz alta e perguntando aos alunos seeles acham que tal fato caracteriza uma ditadura ou uma democracia. Retome asinformações do quadro de giz, a fim de auxiliá-los nas respostas. É importanteque os alunos consigam perceber que censura, suspensão dos direitos políticos,prisões, torturas e eleições indiretas caracterizam uma ditadura; enquanto livreorganização de movimentos sociais e sindicatos, eleições diretas e impeachmentde um presidente acusado de corrupção são características de uma democracia.Os fatos relacionados à ditadura destacados neste exercício ocorreram apartir de 1964 no Brasil. Leia o texto a seguir que traz informações sobre esseperíodo recente <strong>da</strong> nossa história.POR QUE A DITADURA MILITAR DE 1964?O movimento político que ocorreu no Brasil em 1964, quando se estabeleceuuma ditadura militar, teve por objetivo promover o desenvolvimento docapitalismo e reprimir qualquer idéia socialista, bem dentro <strong>da</strong>s idéias impostaspela OEA (Organização dos Estados Americanos).58 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Este período, que se estendeu desde 1964 até meados dos anos oitenta, foimarcado pela ausência do Estado de Direito. O mesmo acabou acontecendo emmuitos países <strong>da</strong> América Latina.Ao mesmo tempo em que o Brasil viveu um regime político ditatorial, suaeconomia teve um forte e acelerado crescimento na déca<strong>da</strong> de 70. Este colocouo país entre aqueles que mais cresceram no mundo capitalista, tanto que foidenominado do “O milagre brasileiro”. O Brasil tornou-se, então, a oitava economiamais forte do mundo. Criou-se a expectativa do país passar a fazer partedo mundo capitalista desenvolvido. É que este “milagre” aconteceu às custas deum grande endivi<strong>da</strong>mento do Brasil com os grandes bancos internacionais, àscustas de uma forte repressão aos movimentos <strong>da</strong> classe trabalhadora contraqualquer reivindicação salarial. Muitos agentes políticos e militares americanosvieram ao Brasil para treinar nossa polícia no esquema <strong>da</strong> repressão interna <strong>da</strong>nossa socie<strong>da</strong>de. Daí, o porquê <strong>da</strong> ausência do Estado de Direito.A partir dos anos 80, o “milagre brasileiro” chegou ao seu fim e o grandecrescimento econômico caiu vertiginosamente. Deixou como herança uma socie<strong>da</strong>defortemente dividi<strong>da</strong> entre classes ricas e pobres, regiões fortemente industrializa<strong>da</strong>scomo Sul e Sudeste, e alguma industrialização nas áreas metropolitanasno Nordeste e regiões muito pobres.A crise brasileira esteve liga<strong>da</strong> a uma grande crise do mundo capitalista nosanos 70, ocasiona<strong>da</strong> pela elevação dos preços e boicote no fornecimento dopetróleo nos mercados mundiais pela OPEP (Organização dos Países Exportadoresde Petróleo) forma<strong>da</strong> pelos países árabes e Venezuela.A redução do crescimento econômico brasileiro e o aumento dos juros <strong>da</strong>nossa dívi<strong>da</strong>, que não podia ser paga, acabaram desgastando a ditadura no Brasil.Os militares, sob pressão <strong>da</strong> socie<strong>da</strong>de brasileira e dos governos de paísesdesenvolvidos, tiveram que abrir-se à democratização.Nesse mesmo momento, a subi<strong>da</strong> de Gorbatchev ao governo soviético e ofim <strong>da</strong> Guerra Fria entre os dois blocos — capitalista e socialista — estimulavamum clima internacional favorável ao processo de democratização no mundoe, conseqüentemente, no Brasil.Fonte: SCARLATO, F. C. e FURLAN, S. A.Aldeia global: Geografia verso e reverso. São Paulo: Editora NacionalViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 59


O governo brasileiro(p. 47)Antes de propor a leitura desse texto, faça um levantamento <strong>da</strong>quilo que osalunos já sabem sobre esse tema. Você pode iniciar perguntando que cargosocupam os candi<strong>da</strong>tos nos quais votamos numa eleição. Vá listando os cargosmencionados e depois pergunte se sabem quais são as atribuições de ca<strong>da</strong> um.Vá observando se os alunos estabelecem distinções entre os cargos executivos elegislativos. Observe que noções têm a respeito dos níveis de governo (federal,estadual, municipal). Esse é um bom momento para você retomar o mapa doBrasil, facilitando a visualização <strong>da</strong> hierarquia territorial que corresponde aosníveis de governo. É importante citar exemplos de prefeitos e governadores <strong>da</strong>região, comentando a distribuição de atribuições. Você pode identificar serviçospúblicos prestados pelo estado e pelo município.Em segui<strong>da</strong>, proponha uma leitura em voz alta do texto, esclarecendo asdúvi<strong>da</strong>s. Depois, apresente o roteiro de estudos e resolva os itens coletivamente,uma vez que as questões de múltipla escolha envolvem certas regras que podemser desconheci<strong>da</strong>s pelos alunos. Ressalte que o enunciado impõe a escolha de umaúnica alternativa correta; explique que o item “To<strong>da</strong>s as anteriores” será utilizadonos casos em que to<strong>da</strong>s as respostas forem corretas, já que não é permitidoassinalar mais de uma alternativa; explique também que o item “Nenhuma<strong>da</strong>s anteriores” é utilizado no caso inverso: quando to<strong>da</strong>s as respostas foremincorretas e for necessário assinalar pelo menos uma <strong>da</strong>s alternativas, caso contrárioa questão fica sem resposta.Enfim, faça um a um os exercícios com os alunos, a fim de que eles se familiarizemcom tais questões que freqüentemente são utiliza<strong>da</strong>s em pesquisas, grandesavaliações e concursos.Por dentro do município(p. 48)O texto desta ativi<strong>da</strong>de apresenta a estrutura governamental do município,destacando suas funções, assim como as de seus representantes (prefeito, viceprefeito,vereadores), e salientando a participação <strong>da</strong> comuni<strong>da</strong>de na administraçãomunicipal.60 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Inicie esta ativi<strong>da</strong>de propondo a leitura silenciosa do texto. Depois, retome-oesclarecendo as dúvi<strong>da</strong>s dos alunos e ressaltando as idéias principais. Emsegui<strong>da</strong>, sugira que os alunos respon<strong>da</strong>m as questões do roteiro de estudos individualmente.Circule pela classe, identificando as dificul<strong>da</strong>des dos alunos e auxiliando-os.Por fim, faça uma correção coletiva do exercício, com o objetivode socializar as respostas.É importante que os alunos reflitam sobre a memória que possuem <strong>da</strong> históriapolítica do município. Lembre-os do texto do Betinho que introduz estauni<strong>da</strong>de “Votar e acompanhar” e sugira uma nova leitura dele. Enfim, peça aosalunos que comentem esse exercício, relatando o que aprenderam.Justiça para todos(p. 51)Você pode ler esses quadros informativos para os alunos visando provocaruma discussão sobre o funcionamento <strong>da</strong> justiça e o acesso <strong>da</strong> população a ela.Pergunte se alguém no grupo já moveu algum processo ou acionou o poder judiciáriopor algum motivo. Como se trata de uma assunto complexo e de grandeimportância, seria interessante convi<strong>da</strong>r um juiz, um promotor, um advogado,um sindicalista, enfim, alguém que possa conversar com a turma sobre oassunto.Direito de ter direitos(p. 52)Esta ativi<strong>da</strong>de de fechamento tem como objetivo retomar questões trabalha<strong>da</strong>sao longo do módulo. Ao planejá-la, providencie materiais para a confecçãode cartazes. Divi<strong>da</strong> a classe em pequenos grupos e sugira que leiam o textosilenciosamente, depois em voz alta, parágrafo por parágrafo, discutindo ca<strong>da</strong>um com os colegas do grupo. Em segui<strong>da</strong>, proponha que ca<strong>da</strong> grupo elabore umcartaz sobre o tema <strong>da</strong> ativi<strong>da</strong>de, “Direito de Ter direitos”. Por fim, sugira aorganização de um mural na escola.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 61


Uni<strong>da</strong>de 5:Um pouco mais de Língua PortuguesaNesse livro retomamos o trabalho com textos jornalísticos, veiculados emrevistas e jornais, por considerá-los fun<strong>da</strong>mentais para o acesso a informaçõessobre acontecimentos atuais que, em muitos casos, vinculam-se à compreensãode suas próprias condições de vi<strong>da</strong>, trabalho, saúde etc.Consideramos ain<strong>da</strong> que os jornais e as revistas são recursos didáticos queapoiam de diversas maneiras a aprendizagem de conteúdos relativos a diferentesáreas do conhecimento e também possibilitam, a partir de sua leitura e análise,um estudo aprofun<strong>da</strong>do dos recursos lingüísticos usados para escrever. Amaior parte dos textos selecionados nessa uni<strong>da</strong>de está relaciona<strong>da</strong> aos temasabor<strong>da</strong>dos nas uni<strong>da</strong>des anteriores.Serão revistas as características básicas <strong>da</strong>s notícias, manchetes, lides e classificados.Também introduz-se o estudo de artigos de opinião, editoriais e entrevistas.Propomos que os alunos percebam as posições e as idéias defendi<strong>da</strong>spor diferentes jornais, o tipo de linguagem usa<strong>da</strong> e a intenção de jornalistas earticulistas ao utilizar certos recursos lingüísticos. O objetivo é levar os alunos62 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


a perceber a importância de relacionar o que observam no dia-a-dia e as informaçõesconti<strong>da</strong>s nos noticiários; eles precisam ter uma postura crítica ante o quelêem. Assim, priorizamos ativi<strong>da</strong>des que favorecem o aprendizado de estratégiasde leitura visando a localização de informações, o estabelecimento de relaçõesentre o que lêem e o que já sabem e a identificação <strong>da</strong>s intenções do autor pormeio dos recursos lingüísticos que utiliza.Em relação à produção de textos, esperamos que os alunos sejam introduzidosna elaboração de textos argumentativos. São propostas ativi<strong>da</strong>des de produçãonas quais os alunos têm que expor suas opiniões e defendê-las. Tambémhá propostas de elaboração de textos narrativos, especialmente notícias, anedotase histórias. Esses textos, já conhecidos pelos alunos, poderão colaborar paraa consoli<strong>da</strong>ção de aprendizagens relativas ao uso dos sinais de pontuação e àdivisão do texto em parágrafos.Além disso, há ativi<strong>da</strong>des que retomam regras para o uso dos sinais de pontuaçãoe que promovem a análise sobre tópicos como concordância e ortografia.Sugestões para odesenvolvimento <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>desOs jornais(p. 54)A crônica utiliza<strong>da</strong> na abertura dessa uni<strong>da</strong>de apresenta uma questão interessantepara se introduzir o trabalho com jornais em sala de aula: Qual é amatéria-prima dos jornais? O autor, Rubem Braga, ironiza a seleção dos fatosque a imprensa noticia e o modo como são narrados os fatos pelos jornalistas.O papel desse veículo de comunicação em nossa socie<strong>da</strong>de e a forma como transmiteminformações são aspectos importantes para serem analisados pelos alunos.Por se tratar de um texto reflexivo, que contém muitas palavras provavelmentedesconheci<strong>da</strong>s pelos alunos, sugerimos que, inicialmente, o educador promovauma conversa com a turma sobre os jornais (se sabem como são organizados,se têm o hábito de ler, quais suas preferências etc.). Depois, o texto podeser apresentado por meio de uma leitura oral feita pelo professor.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 63


Organize uma conversa coletiva sobre o texto, observando se seus alunosapreenderam o sentido global do texto (se reconhecem que esta crônica faz umacrítica aos jornais e às notícias veiculados nos jornais). Uma exploração maisdetalha<strong>da</strong> dessa crônica pode então ser feita a partir do roteiro de estudo quesegue no livro do aluno. Organize sua turma em duplas e recomende aos alunosque façam uma leitura silenciosa do texto e, a seguir, respon<strong>da</strong>m as questões. Seconsiderar necessário, leia ca<strong>da</strong> uma <strong>da</strong>s perguntas e explique aquelas que seusalunos não compreenderam. Providencie antecipa<strong>da</strong>mente dicionários para quepossam realizar os exercícios 3 e 6, que os desafiam a buscar o significado depalavras desconheci<strong>da</strong>s. Lembre-se de que, antes de consultar o dicionário, osalunos devem tentar refletir sobre os possíveis significados dessas palavras nocontexto em que são usa<strong>da</strong>s. Essa estratégia é importante para que consigamescolher qual o sentido que corresponde àquele texto, caso o dicionário forneçamais de um.Corrija as respostas coletivamente, compare a produção dos alunos e, aofinal, formule coletivamente respostas completas para ca<strong>da</strong> uma <strong>da</strong>s perguntas.Atenção às perguntas que pedem a opinião dos alunos, nesses casos não há certoou errado, pois o que está sendo pedido é que se posicionem a respeito de umtema ou parte do texto. Uma boa estratégia em relação às opiniões dos alunos épropiciar um debate entre posições distintas. Após a realização dos exercícios,você pode explorar um pouco mais o texto propondo aos alunos que discutama seguinte questão:O que o personagem do texto quis dizer com essa afirmação: “o jornalfalsifica a imagem do mundo”. Vocês concor<strong>da</strong>m com ela?Trata-se de uma questão um tanto difícil, já que não cabe uma interpretaçãorestrita do tipo “tudo que está no jornal é mentira”, trata-se sim de reconhecerque a seleção do que merece ser notícia é sempre feita de um determinadoponto de vista que também define o modo como os fatos são narrados, dispostosnas páginas etc. Nas crônicas, há muitos sentidos sutis e, nem sempre, osalunos que têm pouco contato com esses textos conseguem captar as intençõesdo autor. Organize as respostas dos alunos, colocando-as lado a lado no quadrode giz, cuide para que ca<strong>da</strong> um possa <strong>da</strong>r sua opinião e ouvir a de seus colegas.Caso essa discussão seja produtiva, elabore um texto coletivo com os alunossobre a função dos jornais em nossa socie<strong>da</strong>de.64 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Para finalizar esse conjunto de ativi<strong>da</strong>des, solicite aos alunos que façam umaleitura silenciosa do texto Jornal. Explore as principais informações conti<strong>da</strong>s emca<strong>da</strong> um dos parágrafos, pedindo que indiquem aquelas informações que maischamaram a atenção deles. Ao final, coloque no quadro de giz a estrutura dotexto e peça que completem com as informações que leram, para tanto faça umatabela como a abaixo:1º Para que servem osparágrafojornais?2º Como os jornaisparágrafo mostram a reali<strong>da</strong>de?3º Qual deve ser a atitudeparágrafode um leitor de jornal?Chame voluntários para colocar as respostas na última coluna <strong>da</strong> tabela,solicitando aos outros que os ajudem. Essa ativi<strong>da</strong>de colabora para que os alunosapren<strong>da</strong>m estratégias para o estudo de textos informativos, você pode estimulá-losa estu<strong>da</strong>r outros textos dessa mesma maneira.Manchetes(p. 58)Nos livros anteriores dessa coleção já propusemos várias ativi<strong>da</strong>des com asmanchetes de jornal. Nesse momento faremos apenas uma breve retoma<strong>da</strong> desseelemento característico dos jornais. É bom apresentar aos alunos a definiçãode manchete que consta do livro, pois, muitos deles podem ter noções sobre essapalavra que não correspon<strong>da</strong>m ao seu significado e à sua função nos jornais.Coloque no quadro de giz as manchetes que aparecem no livro do aluno.Algumas podem ser conheci<strong>da</strong>s, apesar de não serem atuais. Explore com eles alinguagem utiliza<strong>da</strong>, a maior parte delas usa a ordem direta, isto é, os termos <strong>da</strong>oração estão dispostos <strong>da</strong> seguinte maneira:Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 65


Sujeito + verboouSujeito + verbo + objeto direto + objeto indiretoouSujeito + verbo + predicativoEssa forma de escrita facilita a apreensão rápi<strong>da</strong> <strong>da</strong> mensagem, por isso éusa<strong>da</strong> nas manchetes. Feitas para atingir o leitor e persuadi-lo a comprar o jornal,as manchetes não devem impor nenhum obstáculo para a compreensãoimediata. Você não precisa explicar os termos relativos às funções sintáticas,apenas chame a atenção dos alunos para o fato de que nessas frases identificamoscom facili<strong>da</strong>de o que está sendo comunicado.Além <strong>da</strong> ordem direta, existem outros elementos recorrentes nas manchetes:os verbos, na maior parte dos casos, estão no tempo presente. Mesmo noticiandofatos já ocorridos (no dia anterior), as manchetes usam desse artifício,<strong>da</strong>ndo um tom de atuali<strong>da</strong>de à informação veicula<strong>da</strong>. O uso de nomes de pessoas,de instituições ou empresas envolvi<strong>da</strong>s nos fatos só são citados nas manchetesse forem amplamente conheci<strong>da</strong>s, caso contrário, faz-se outro tipo dereferência a esses nomes, por exemplo, ao invés de “João dos Santos morre emacidente rodoviário”, “Vereador de Rio Manso morre em acidente rodoviário”.Para que percebam essa característica compare as manchetes.Depois de ter comentado oralmente algumas características <strong>da</strong>s manchetes,oriente os alunos na resolução do roteiro de estudo e faça uma correção coletiva.O item 4 deve ser feito em casa, podendo resultar num mural com as manchetesanalisa<strong>da</strong>s pelos alunos.Notícias(p. 59)Nesse conjunto de ativi<strong>da</strong>des com as notícias, pretende-se chamar a atençãodos alunos sobre os diferentes modos de utilizar a linguagem, produzindoefeitos diferentes. Pode-se dizer que as notícias têm como função primordialinformar, isto é, transmitir a informação de maneira clara, objetiva, sem distorção.Porém, não se pode deixar de observar que até mesmo os jornais mais preocu-66 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


pados com a imparciali<strong>da</strong>de, acabam por imprimir suas posições por trás de umasuposta objetivi<strong>da</strong>de.É comum ouvir de alguns leitores que tal jornal é de oposição, enquanto outroé governista, ou seja, apóia os atos do governo. Nem sempre todos concor<strong>da</strong>ma respeito. Há também jornais que delibera<strong>da</strong>mente optam por uma abor<strong>da</strong>gemmais apelativa e emotiva. São jornais conhecidos como sensacionalistas, queapelam para as emoções do leitor, expondo os fatos de maneira exagera<strong>da</strong> e espalhafatosa.Por isso, optamos por elaborar exercícios, nos quais os alunos possamrefletir sobre esses aspectos. Propositalmente, escolhemos duas versões deum mesmo fato publica<strong>da</strong>s por jornais com características bem distintas.Além <strong>da</strong> linguagem e função <strong>da</strong>s notícias, as ativi<strong>da</strong>des exploram sua estrutura,especialmente o modo como as informações são dispostas em parágrafos.Retomamos o trabalho com o título e o lide (primeiro parágrafo que deve oferecer,de maneira resumi<strong>da</strong>, as principais informações sobre o fato noticiado).Na primeira ativi<strong>da</strong>de, os alunos devem ler um texto que tece explicaçõessobre as notícias. Uma boa forma de utilizá-lo é propor uma conversa com osalunos sobre a confiabili<strong>da</strong>de <strong>da</strong>s notícias de jornal e a forma como são redigi<strong>da</strong>s.A seguir, peça que leiam as duas notícias e, logo a seguir, solicite que dois voluntáriosleiam-nas em voz alta. Coloque os dois títulos (<strong>da</strong> notícia I e II) no quadrode giz e explore-os oralmente, pedindo aos alunos que falem sobre suas impressõesa respeito de ca<strong>da</strong> um deles. Organize uma conversa sobre as duas notíciassolicitando que respon<strong>da</strong>m: em qual delas conseguiram obter o maiornúmero de informações dispostas de maneira objetiva; se tivessem que comprarum dos jornais, qual deles comprariam e por que etc. Oriente-os na elaboraçãodo roteiro de estudo e corrija-o coletivamente, explorando as opiniões dos alunose destacando o caráter sensacionalista <strong>da</strong> notícia I e o caráter mais objetivo<strong>da</strong> notícia II. Explore os diferentes estilos: a notícia I apresenta uma linguagemmais coloquial, na qual são freqüentes as gírias. Dessa forma, o jornal em quese publicou a notícia I espera atingir pessoas que usam e que se sentem atraídospor esse tipo de linguagem, enquanto o outro busca leitores que identificam umalinguagem mais formal com credibili<strong>da</strong>de.A seguir, os alunos serão desafiados a ler um conto de Manuel Bandeira e,a partir <strong>da</strong> história narra<strong>da</strong>, deverão elaborar um título de notícia e um lide.Incentive-os a inventar informações que complementem os fatos narrados noconto. O roteiro de estudo também aju<strong>da</strong>rá na elaboração desses textos, corri-Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 67


ja-os coletivamente antes de solicitar que realizem o exercício e. Uma boa estratégiaé corrigir duas produções de alunos no quadro de giz e verificar coletivamentese:• usaram a linguagem jornalística;• dispuseram as informações que compõem o lide (o que, com quem, quando,como, onde e por que).O texto Violência contra a mulher brasileira propicia aos alunos a obtençãode mais informações sobre o tema central <strong>da</strong>s notícias que elaboraram. Éimportante que eles percebam que quanto mais informação tiverem sobre o assuntomaior a possibili<strong>da</strong>de de reflexão e compreensão sobre o tema ou assunto.Antes de iniciar a leitura propriamente dita, siga as etapas de leitura apresenta<strong>da</strong>sna introdução do livro:1. Informe-os de que o texto que irão ler é um texto informativo, não-ficcional,composto por <strong>da</strong>dos coletados por pesquisadores. Quem o redigiufoi um jornalista paulista chamado Gilberto Dimenstein, que escrevemuitos artigos e livros sobre os direitos humanos. Também comente queesse texto foi retirado de um livro intitulado Democracia em pe<strong>da</strong>ços:direitos humanos no Brasil, no qual faz um retrato <strong>da</strong> negação de direitoshumanos no Brasil.2. Levante as hipóteses sobre o tema geral do texto a partir de seu título eregistre-as no quadro de giz;3. Faça um mapa textual, explique o que é uma Comissão Parlamentar deInquérito — CPI (pode ser que muitos alunos já tenham ouvido falar sobreessas comissões, comuns para investigar escân<strong>da</strong>los políticos do final dosanos 90), pergunte o que sabem sobre a violência cometi<strong>da</strong> contra asmulheres, se conhecem casos em que os agressores saíram impunes etc.Leia o texto com antecedência e observe se é necessário elaborar um vocabuláriopara o texto, contendo palavras que considera desconheci<strong>da</strong>spelos alunos e que podem ser obstáculos de leitura e compreensão.4. Peça então que leiam esse texto, comentando que seu conteúdo os apoiarána elaboração de uma continui<strong>da</strong>de para o texto Tragédia brasileira,68 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


no qual irão traçar o destino de Misael. Comente também que o textotraz informações importantes sobre a situação <strong>da</strong>s mulheres, e como muitosagressores conseguem sair impunes de delitos cometidos contra elas.5. Leia o texto em voz alta e explore as informações dispostas em ca<strong>da</strong> um dos parágrafos.Agora o desafio dos alunos é voltar ao conto Tragédia brasileira e criar umacontinui<strong>da</strong>de, traçando o destino de Misael. Espera-se que o texto informativoinfluencie-os no debate e na decisão sobre como continuar a história.Remexendo as notícias(p. 66)Nesse conjunto de exercícios são abor<strong>da</strong>dos aspectos relacionados à estrutura<strong>da</strong>s notícias (parágrafo, títulos etc.), criando-se mais oportuni<strong>da</strong>des de análisedesses textos por parte dos alunos. Nos exercícios 4 e 5, eles irão li<strong>da</strong>r com aspectosrelativos a concordância nominal e verbal; esperamos que notem que aspalavras podem ser flexiona<strong>da</strong>s em número e gênero e que é preciso fazer queelas concordem quando estão relaciona<strong>da</strong>s nas frases ou nos períodos. Os exercícioslevam a essa constatação por parte dos alunos, porém nem sempre elessabem como fazê-lo, especialmente se tomarem por base a linguagem oral, poisos falantes, dependendo <strong>da</strong> situação de fala <strong>da</strong> qual participam, não costumamfazer essas correspondências de maneira adequa<strong>da</strong>. Isso ocorre porque a linguagemoral é mais flexível e a<strong>da</strong>pta-se às situações discursivas em que é utiliza<strong>da</strong>.Também porque ao falarmos não temos o mesmo tempo que os escritores possuempara refletir e rever suas construções. Geralmente, os falantes cometemalguns erros de concordância, pois têm pouco tempo para elaborar e rever o quedizem. Sugerimos que esses exercícios sejam corrigidos coletivamente e que vocêaproveite esse momento para discutir as respostas dos alunos e fazer que reflitamsobre as diferenças entre fala e escrita. Mostre em ca<strong>da</strong> um deles as palavrasque foram modifica<strong>da</strong>s, você pode reescrever coletivamente os textos esublinhá-las, discutindo com os alunos essas mu<strong>da</strong>nças.No exercício 4a os alunos terão como desafio li<strong>da</strong>r com a concordância verbal,irão passar uma parte do texto elabora<strong>da</strong> no plural para o singular, o quedeve resultar em:Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 69


Ladrão tenta levar cofre de supermercadoUm homem foi preso ontem de manhã acusado de tentar levar o cofrede um supermercado, no Centro. Os clientes foram obrigados a aju<strong>da</strong>r acarregar o cofre.Os alunos precisam perceber que o sujeito (quem faz a ação) precisa sempreconcor<strong>da</strong>r com o verbo e com outras palavras a ele relaciona<strong>da</strong>s. Isso significaque verbo e sujeito devem concor<strong>da</strong>r em número e pessoa. No exercício, modificamosno título: Ladrões tentam... por Ladrão tenta... Além disso, na frase inicialtivemos que modificar to<strong>da</strong>s as outras palavras que se relacionavam ao sujeito,assim em vez de presos (que se referia aos três homens que tentaram roubar osupermercado) usamos preso, o mesmo em acusados que mu<strong>da</strong>mos para acusado.Aponte para os alunos as palavras que foram modifica<strong>da</strong>s e explique quequando reescreveram a notícia tiveram que passar algumas palavras que estavamno plural (substantivo, verbos, adjetivo, numeral) que se referiam a maisde uma pessoa, para o singular, referindo-se somente a uma pessoa. Comparecom a frase que vem logo a seguir e desafie-os a dizer como a frase deveria ficarse somente um cliente tivesse aju<strong>da</strong>do o ladrão a carregar o cofre.No exercício 4b os alunos terão que li<strong>da</strong>r com a concordância nominal, porém,nesse caso, salientamos a concordância de gênero. Assim, os alunos deverãomu<strong>da</strong>r as palavras flexiona<strong>da</strong>s no feminino para o masculino, além de teremque inventar um nome diferente para o personagem <strong>da</strong> notícia.Professor se queixa de carro novoFrancisco <strong>da</strong> Silva comprou um carro, em abril de 98. Segundo ele,desde então o veículo vem apresentando problema. Ele se queixa tambémdo atendimento recebido pelo fabricante de seu automóvel. O carro doprofessor ain<strong>da</strong> está na garantia e já teve de ser guinchado duas vezes.Nesse exercício, modificou-se o substantivo em gênero (feminino para omasculino) e to<strong>da</strong>s as palavras que se referiam a esse substantivo foram troca<strong>da</strong>s,70 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


como, os pronomes e preposição. Nesse caso não foi necessário modificar osverbos, compare a resposta desse exercício com a do anterior.No exercício 4c os alunos irão li<strong>da</strong>r novamente com a concordância verbal,esse caso é mais complexo que o do exercício a, pois a expressão a maior partesegui<strong>da</strong> de um substantivo ou pronome no plural o verbo pode ficar no singular,concor<strong>da</strong>ndo com a expressão que indica parte, ou no plural, concor<strong>da</strong>ndocom o substantivo ou pronome. Essa regra vale para os casos nos quais o sujeitoé formado por expressões como: uma porção de, metade de, grande número,a maioria de, o grosso de. Portanto, há duas respostas para esse exercício e devemser apresenta<strong>da</strong>s aos alunos.Fornecimento de água volta ao normalA maior parte dos moradores de Americanópolis que estava com astorneiras completamente secas há uma semana, já voltou a receber água.A empresa de abastecimento de água prevê que até hoje todos esses consumidoresterão o sistema normatizado.Nesse caso o verbo concordou com a expressão a maior parte, isto é, enfatizouo conjunto.Fornecimento de água volta ao normalA maior parte dos moradores de Americanópolis que estavam com astorneiras completamente secas há uma semana, já voltaram a receber água.A empresa de abastecimento de água prevê que até hoje todos esses consumidoresterão o sistema normatizado.Nesse caso o verbo concordou com o substantivo moradores, isto é, enfatizouos elementos que forma esse conjunto.No exercício 4d os alunos terão que usar o plural. Observe que a expressãopolícia espanhola refere-se ao conjunto de policiais espanhóis, porém não éflexiona<strong>da</strong>, ao trocá-la por policiais os alunos terão que flexionar as palavrasViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 71


em número, passando a frase para o plural. O mesmo será feito em relação àpalavra traficante que dever ser substituí<strong>da</strong> por traficantes, assim to<strong>da</strong>s as outraspalavras que relacionam-se a esta terão que ser flexiona<strong>da</strong>s em número.Policiais espanhóis prendem traficantesPoliciais espanhóis prenderam traficantes colombianos acusados detráfico de entorpecentes que, supostamente, utilizavam cartas decora<strong>da</strong>scom motivos infantis para esconder cocaína em seu interior. Os traficantesforam detidos portando uma lista com endereços e várias chaves.No exercício 5 os alunos continuarão a exercitar a concordância nominal everbal. Pode ser difícil para eles perceberem que ao construir frases, usando ossubstantivos coletivos povo, multidão, turma, torci<strong>da</strong>, que indicam um conjuntode pessoas, terão que usar o verbo no singular, pois essas palavras referem-sea um conjunto e não aos elementos que compõem esse conjunto, por exemplo:As pessoas cercaram o estádio para assistir o clássico...masA multidão cercou o estádio para assistir o clássico Esporte Recife e Vitória.Nossos alunos gostaram <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>des no fim de semanamasNossa turma gostou <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>des nesse ano.Férias, por exemplo, é substantivo feminino flexionado no plural, portantoos alunos deverão usar o plural em to<strong>da</strong>s as palavras que se referirem a essesubstantivo, como:Minhas férias foramdeliciosas.Esperei muito tempo por essas férias.Como já indicamos anteriormente, os alunos poderão flexionar os verbosno singular ou plural quando construírem frases com maioria e metade:72 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


A metade <strong>da</strong>s pessoas trabalha o dia todoouA metade <strong>da</strong>s pessoas trabalham o dia todo.Faça correções coletivas <strong>da</strong>s frases que elaboraram e discuta o modo corretode escrevê-las. Nos exercícios 6 e 7 os alunos terão que li<strong>da</strong>r com a flexão detempo dos verbos. Ao falarmos ou escrevermos os verbos podem indicar algoque está ocorrendo, que já ocorreu ou que vai ocorrer, essas possibili<strong>da</strong>des sãoexpressas pelos tempos verbais: presente, pretérito (pretérito perfeito, imperfeitoe mais que perfeito) e futuro (futuro do presente e do pretérito). Não é precisoensiná-los a conjugar os verbos, esperamos que percebam que essas palavrasmodificam-se de acordo com a referência de tempo <strong>da</strong>s frases <strong>da</strong>s quais fazemparte. Esses exercícios também devem ser corrigidos coletivamente para que vocêpossa tirar dúvi<strong>da</strong>s e discuti-las com os alunos.Conto vira notícia de jornal(p. 71)Os alunos serão desafiados a elaborar uma notícia de jornal a partir de umconto de Carlos Drummond de Andrade. Suas produções podem ser usa<strong>da</strong>s paraobservar seu domínio sobre esse tipo de texto, o uso <strong>da</strong> pontuação e paragrafação,bem como a coerência do texto. Dessa forma, você poderá obter informaçõesque o ajude numa avaliação de seus alunos.Classificados(p. 73)A seção de classificados do jornal tem por objetivo prestar serviço à população.Dispondo anúncios de empregos, ven<strong>da</strong>s e oferta de serviços, oferece àspessoas a possibili<strong>da</strong>de de encontrar com maior facili<strong>da</strong>de ofertas que lhes interessam.Explore as ativi<strong>da</strong>des apresenta<strong>da</strong>s no livro, destacando a organizaçãodessas seções (tipos de produtos anunciados, ordem alfabética etc.) e a linguagem(uso de abreviaturas, frases curtas etc.). Você pode também organizar ummural de anúncios em sua sala de aula, onde seus alunos poderão oferecer objetos,móveis, serviços ou empregos para os colegas.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 73


Entrevistas(p. 74)As entrevistas são uma mo<strong>da</strong>li<strong>da</strong>de de texto jornalístico bastante apreciado,pois trazem elementos de conversação que tornam a leitura agradável. Asentrevistas permitem que o leitor conheça as opiniões, idéias e observações depessoas que tomam parte de fatos noticiados ou que são especialistas em algo.Explore com os alunos a forma como foi diagrama<strong>da</strong> a entrevista com o prefeitoAntônio, do município de Quixaba (PE); destaque o modo como foram registra<strong>da</strong>sas perguntas do entrevistador e as falas do entrevistado, além <strong>da</strong> introdução,na qual o jornalista apresenta o entrevistado.Além de solicitar a eles que realizem os exercícios que compõem essa ativi<strong>da</strong>de,você pode sugerir que seus alunos elaborem entrevistas, abor<strong>da</strong>ndo temasque constam do livro ou outros que considerar interessante.O exercício Debatendo opiniões serve não só para finalizar a ativi<strong>da</strong>de comopara introduzir a que segue. É importante garantir que todos os alunos participemde alguma maneira desse exercício, como expositores ou colaborando naelaboração <strong>da</strong> linha de argumentação de seu grupo. Ajude-os na organização dosturnos de fala de ca<strong>da</strong> grupo e, caso considere adequado, faça um texto coletivotratando do resultado desse debate, isto é, a que conclusão a maior parte dosalunos chegou.Artigos e editorial(p. 80)Os editoriais são artigos elaborados por pessoas que expressam posiçõesassumi<strong>da</strong>s oficialmente pelo jornal. Na maior parte dos casos, os editoriais têmrelação com fatos que estão sendo notícia no período. Há também artigos deopinião elaborados por articulistas que colaboram com os jornais, assinam asmatérias que escrevem expressando idéias que podem concor<strong>da</strong>r ou não com asassumi<strong>da</strong>s oficialmente pelo jornal. A leitura desses textos implica a compreensãodo tema abor<strong>da</strong>do e <strong>da</strong> posição defendi<strong>da</strong> pelo articulista. A estrutura dessetexto também impõe algumas dificul<strong>da</strong>des, pois trata-se de um texto argumentativo,diferente <strong>da</strong>s notícias que são textos narrativos, gênero mais conhecido.A linguagem tende a ser mais formal e muitas vezes são utilizados conceitos74 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


abstratos, referências históricas etc. A ativi<strong>da</strong>de que propomos servirá para introduziresse tipo de texto para os alunos, mas não será suficiente para queleiam e compreen<strong>da</strong>m esses textos com autonomia. Inicie a ativi<strong>da</strong>de, solicitandoa um aluno para ler o texto Artigos e editorial e, a seguir, organize as duplasde trabalho. Quando todos já tiverem registrado suas opiniões sobre as frasesapresenta<strong>da</strong>s no livro, leia em voz alta o texto O produto chamado livro. Vocêpode pedir que as duplas exponham suas opiniões, elabora<strong>da</strong>s anteriormente àleitura, promovendo uma conversa coletiva. Em segui<strong>da</strong>, oriente-os na elaboraçãodos exercícios 2 ao 11 e corrija-os coletivamente.Pontuação(p. 82)Quanto ao estudo sobre pontuação, são retomados os sinais cujo empregonão depende de um conhecimento mais aprofun<strong>da</strong>do <strong>da</strong> sintaxe. Retomamos ouso do ponto ao final de frases declarativas, o ponto de interrogação, o pontode exclamação, a vírgula em casos de enumeração e repetição e os sinais usadosna representação escrita do diálogo (dois pontos e travessão).O pagador de promessas(p. 88)Uma outra mo<strong>da</strong>li<strong>da</strong>de textual abor<strong>da</strong><strong>da</strong> neste livro é a obra de teatro, aoescolhermos um trecho <strong>da</strong> peça O pagador de promessas tínhamos várias intenções.A primeira foi a de introduzir este tipo de texto para os alunos (dificilmenteas obras teatrais são veicula<strong>da</strong>s, diferentemente dos romances, contos e histórias)e analisá-lo em suas características: na organização dos turnos de fala de ca<strong>da</strong>personagem, na descrição de cenários e situações discursivas etc. A segun<strong>da</strong> intençãoestá relaciona<strong>da</strong> ao fato dos alunos poderem experimentar a dramatizaçãodirigi<strong>da</strong> por um texto escrito. Normalmente, há situações em sala de aula nasquais os alunos colocam-se no lugar de personagens, representam papéis e dramatizampequenos esquetes (pequenas cenas) criados oralmente. No caso <strong>da</strong> peçateatral, o autor guia, a partir <strong>da</strong> descrição de cenários, indicações de comportamentodos personagens e marcas textuais (sinais de pontuação e linguagem utiliza<strong>da</strong>),como ca<strong>da</strong> personagem deve atuar. Esperamos que a leitura dramatiza-Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 75


<strong>da</strong> que propomos permita que os alunos tomem consciência desses recursos utilizadosnesse tipo de texto e que estes os orientem na leitura. Você pode ampliara ativi<strong>da</strong>de, promovendo a produção de uma peça de teatro na qual os alunosdeverão confeccionar cenários, figurinos etc. e apresentá-la à comuni<strong>da</strong>de oualunos de outras turmas. Também pode apresentar aos alunos o filme O pagadorde promessas (produção nacional dos anos 60; há também a minissérie paratelevisão) e analisar como os atores representaram seus papéis, observar as roupasque utilizam, o cenário em que ca<strong>da</strong> cena se passa, que tipo de ator foi escolhidopara representar ca<strong>da</strong> personagem, suas características etc.Por fim, essa obra permite retomar o debate em torno dos direitos humanos.A partir <strong>da</strong> situação vivi<strong>da</strong> por Zé do Burro ao tentar cumprir sua promessa,pode-se entabular um debate sobre o artigo XVIII <strong>da</strong> Declaração universaldos direitos humanos, apresentado no livro do aluno. Promova um amplo debateem torno <strong>da</strong>s questões coloca<strong>da</strong>s no livro e, caso considere adequado, peçaaos alunos que elaborem um texto argumentativo a partir <strong>da</strong>s conclusões a quechegaram. Durante o debate, não se esqueça de procurar fazer que todos respeitemo próprio espírito desse artigo <strong>da</strong> declaração, incentivando o respeito àscrenças e opiniões alheias.Usando vírgulas e Ortografia(p. 94 e 96)Na primeira ativi<strong>da</strong>de, destaca-se o uso <strong>da</strong>s vírgulas em enumerações e repetições.Forme duplas e proponha a resolução dos exercícios. Por fim, faça umacorreção coletiva.A segun<strong>da</strong> ativi<strong>da</strong>de abor<strong>da</strong> aspectos ortográficos. Nessa etapa do processode aprendizagem, o trabalho com ortografia pode-se basear na apresentaçãode algumas regras. Optamos por desenvolver uma ativi<strong>da</strong>de diagnóstica, em queos alunos, após um ditado, possam observar e classificar suas dúvi<strong>da</strong>s de escrita.Você pode reutilizar as ativi<strong>da</strong>des e regras ortográficas apresenta<strong>da</strong>s no livro3 ou fazer uma pesquisa em livros de gramática, selecionando os casos que seusalunos precisam retomar. As ativi<strong>da</strong>des com e e é, esta e está, por que e porqueapresentam algumas regras e exercícios para os alunos. Como são palavras deuso muito comum e sobre as quais os alunos freqüentemente têm dúvi<strong>da</strong>s, consideramosadequado a proposição de exercícios específicos sobre elas.76 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Uni<strong>da</strong>de 6:Um pouco mais de MatemáticaNesta uni<strong>da</strong>de, buscamos consoli<strong>da</strong>r e ampliar a aprendizagem de conteúdosrelacionados aos significados dos números, ao sistema de numeração decimal,às operações e aos procedimentos de cálculo, que foram amplamente explora<strong>da</strong>snos livros anteriores. Além de aprofun<strong>da</strong>r os conteúdos já estu<strong>da</strong>dos,grande parte <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong>des propostas nesse livro são dedica<strong>da</strong>s à exploração <strong>da</strong>noção de número racional, nas suas representações fracionária e decimal, <strong>da</strong>smedi<strong>da</strong>s, <strong>da</strong>s noções de retas paralelas e perpendiculares, ângulos e círculo.Com relação ao estudo dos números racionais, busca-se por meio de situações-problemalevar os alunos a perceberem a necessi<strong>da</strong>de desses números, umavez que os números naturais são insuficientes para resolver determinados problemas,como, por exemplo, os que envolvem medi<strong>da</strong> de uma grandeza ou determina<strong>da</strong>ssituações de divisão.Ao desenvolver esse assunto, é importante que o professor considere que aaprendizagem dos números racionais implica alguns obstáculos cognitivos queos alunos deverão vencer, por exemplo:Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 77


• Ca<strong>da</strong> número racional pode ser representado por infinitas escritas fracionárias.Por exemplo: 1/2, 2/4, 3/6, 4/8 são diferentes representaçõesde um mesmo número.• Habituados a comparar números naturais e reconhecer que, por exemplo,4 é maior que 2, os alunos podem achar contraditória a comparação1/4 é menor que 1/2.• Ain<strong>da</strong> em relação à comparação entre números naturais, os alunos observamque o maior número é aquele que for escrito com mais dígitos, jáno caso dos números racionais isso não acontece, por exemplo: 0,185 émenor que 0,2.• Ao construir seqüências de números naturais, o aluno pensa em sucessore antecessor, entretanto, essas relações não aparecem nos racionais. Assim,eles deverão perceber, por exemplo, que entre 0,2 e 0,3 existem outrosnúmeros como: 0,21 — 0,25 — 0,215 etc.Ao propor o estudo dos números racionais é importante considerar que nassituações do cotidiano eles aparecem mais na representação decimal do que nafracionária, que, por sua vez, limita-se mais ao uso de metades, terços, quartos.Além disso, aparecem com maior freqüência em situações orais do que representadospor escrito. Por essas razões, as ativi<strong>da</strong>des desta uni<strong>da</strong>de priorizam aexploração dos racionais na forma decimal, introduzindo apenas a noção defração, considerando que o assunto pode ser aprofun<strong>da</strong>do em outras etapas <strong>da</strong>escolarização.IBGE(p. 101)Nesta ativi<strong>da</strong>de apresenta-se, para a análise dos alunos, um conjunto de<strong>da</strong>dos sobre a reali<strong>da</strong>de brasileira, pesquisados pelo IBGE. Essa análise é oportunapara que o professor certifique-se sobre as capaci<strong>da</strong>des dos alunos de localizarinformações numa tabela de dupla entra<strong>da</strong>, ler e interpretar números comvários dígitos, interpretar informações numéricas para resolver problemas, construirprocedimentos de cálculo, uma vez que esses conteúdos foram amplamenteexplorados nos livros anteriores.78 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Antes de iniciar a ativi<strong>da</strong>de propriamente dita, pergunte aos alunos:• o que significa a sigla IBGE;• o que sabem ou se já ouviram falar ou participaram do Censo Demográfico;• como são obtidos o número que indica o total <strong>da</strong> população brasileira, onúmero de crianças em i<strong>da</strong>de escolar do município em que vivem, o númerode jovens e adultos que nunca estu<strong>da</strong>ram etc.Escreva suas respostas no quadro de giz e então peça que leiam o texto“IBGE” e, logo a seguir, converse sobre as novas informações que puderam obterna leitura do texto, comparando-as com as respostas registra<strong>da</strong>s no quadro.Se for necessário releia o texto em voz alta e coloque no quadro de giz a tabelaque indica como o IBGE realizou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicíliosem 1997.A seguir, coloque num cartaz ou no quadro de giz a tabela Brasil: pessoasde 15 anos ou mais de i<strong>da</strong>de, por anos de estudo, segundo grupos de i<strong>da</strong>de. Inicialmentechame a atenção dos alunos para o título <strong>da</strong> tabela e quais informaçõespodem obter nela, faça que percebam que a partir do título, redigido demaneira objetiva, eles podem saber o que está contido na tabela. O passo seguinteé explicar como a tabela está organiza<strong>da</strong> (linhas e colunas) e como devem lê-lapara obter as respostas para o roteiro de perguntas.Para ajudá-los a realizar o questionário, especialmente a leitura, escrita ecálculo de números <strong>da</strong> ordem dos milhares e milhões, pode-se fazer uso <strong>da</strong> tabela<strong>da</strong> numeração ou tabela valor de lugar:Centena Dezena Uni<strong>da</strong>de Centena Dezena Uni<strong>da</strong>de Centena Dezena Uni<strong>da</strong>dede milhões de milhões de milhões de milhar de milhar de milharNo decorrer <strong>da</strong> ativi<strong>da</strong>de é importante fazer que eles estabeleçam relaçõesentre os valores <strong>da</strong>s diferentes ordens que formam um número, por exemplo,identificar quantos agrupamentos de dez são necessários para construir o milhar:Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 79


um milhar é formado por dez centenas, que, por sua vez, é forma<strong>da</strong> por dez dezenas,que, por sua vez, é composta por dez uni<strong>da</strong>des. Solicite que respon<strong>da</strong>mas perguntas individualmente e, depois, corrija-as coletivamente, pedindo aosalunos que descrevam os procedimentos que usaram para chegar às respostas.Multiplicação e divisão(p. 103)Neste bloco de ativi<strong>da</strong>des busca-se retomar o estudo <strong>da</strong>s técnicas operatóriasconvencionais <strong>da</strong> multiplicação e <strong>da</strong> divisão que foram introduzi<strong>da</strong>s no livro 3.A idéia de multiplicação como configuração retangular é um bom apoio paraexplicar a técnica operatória. Assim, 37 x 129 pode ser apresentado como:307100 20 93000 600 270700 140 6330 x 100 = 300030 x 20 = 60030 x 9 = 2707 x 100 = 7007 x 20 = 1407 x 9 = 634773Neste caso é preciso efetuar algumas multiplicações e somá-las para se obtero resultado final. É importante mostrar aos alunos que ao usar a técnicaoperatória convencional, eles também vão obter produtos parciais e farão algumassomas até obter o produto final.No caso <strong>da</strong> divisão, pode-se utilizar o recurso <strong>da</strong>s estimativas para que osalunos compreen<strong>da</strong>m a técnica pela obtenção de quocientes parciais. Embora oregistro dessa técnica seja longo, ela é de fácil compreensão e, além disso, permiteque eles exercitem estimativas.Antes de realizar as ativi<strong>da</strong>des propostas no livro, pergunte quantos gruposde 7 são necessários para formar 236 e anote as respostas estima<strong>da</strong>s dos alunosno quadro de giz. É possível que eles, pensando em grupos de 10 para as estimativasiniciais (neste momento <strong>da</strong> aprendizagem os alunos costumam ter disponíveisna memória muitos resultados de multiplicações por 10), apresentemsoluções como esta:80 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


236 7- 70 10166- 70 1096 +- 70 1026- 21 35 __33Para terminar a divisão, adicione os quocientes parciais obtendo assim oquociente total que no caso é 33.Quando o quociente é um número maior que 9, opera-se <strong>da</strong> mesma forma.Por exemplo:1235 59- 590 10645 +- 590 105 5 __20Solicite a eles que tentem interpretar o procedimento apresentado no livroe paralelamente vá explicando-o no quadro de giz; compare com a ativi<strong>da</strong>deintrodutória que acabou de fazer coletivamente.Outro recurso interessante para explorar a técnica operatória <strong>da</strong> divisão éfazer a estimativa do número de ordens do quociente antes de realizar os cálculos.Esse recurso foi apresentado no livro 3.Exemplo:C D U D U2 3 6 7 2 3 6 7D U• ao dividir duas centenas por 7 não será possível encontrar centenas nodivisor, por isso, é preciso transformar a centena em dezenas para iniciarViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 81


a divisão. Assim, o quociente será um número com dois dígitos (dezena euni<strong>da</strong>de).Evidentemente os exercícios apresentados no livro são insuficientes para queos alunos desenvolvam uma boa habili<strong>da</strong>de no cálculo <strong>da</strong> multiplicação e divisão,portanto, é preciso propor ativi<strong>da</strong>des complementares no caderno.Ao propor o estudo <strong>da</strong>s técnicas operatórias <strong>da</strong> multiplicação e divisão, éoportuno retomar com os alunos o cálculo mental, exato ou aproximado, emostrar a eles que os procedimentos de cálculo escrito e de cálculo mental relacionam-see complementam-se, uma vez que o cálculo escrito é apoiado em estratégiasde cálculo mental, em estimativas e aproximações e, por sua vez, o cálculomental pode ser um procedimento limitado quando as operações envolvemnúmeros com muitos dígitos. Assim, nesse momento <strong>da</strong> aprendizagem, é esperadoque o aluno seja capaz de escolher o procedimento mais adequado em função<strong>da</strong> situação-problema, dos números, <strong>da</strong>s operações envolvi<strong>da</strong>s e do grau deexatidão exigido pela resposta.Na resolução de situações-problema, permita que os alunos escolham oprocedimento mais adequado para ca<strong>da</strong> situação e expliquem seu funcionamento.Também é desejável que eles sejam estimulados a “inventar”, explicar e compararprocedimentos de cálculo mental e escrito, pois, assim, terão melhorescondições de compreender os procedimentos convencionais e estarão exercitandoa capaci<strong>da</strong>de de memorização, de análise e síntese, de generalização e dededução.Frações e números com vírgulas(p. 106)O objetivo deste conjunto de ativi<strong>da</strong>des é verificar quais são os conhecimentosdominados pelos alunos sobre frações e decimais, conteúdos que foram brevementeintroduzidos no livro 3, retomando-os e ampliando-os.Para tanto, realize a ativi<strong>da</strong>de coletivamente. Mesmo já tendo tido contatocom os números racionais e sendo capazes de resolver, no dia a dia, muitas situaçõesem que esses números aparecem, é provável que os alunos apresentemalguma dificul<strong>da</strong>de para compreender que para um único número (racional) existemduas representações: a fracionária e a decimal. Por isso, é importante anali-82 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


sar com a classe as sugestões dos alunos, procurando mostrar o significado deca<strong>da</strong> uma delas, e fazer que eles pensem qual delas é a mais adequa<strong>da</strong> para representarca<strong>da</strong> uma <strong>da</strong>s situações. Por exemplo, para representar metade de umapizza pode-se usar um desenho, a representação fracionária 1/2 ou a representaçãodecimal 0,5.Nesse início <strong>da</strong> aprendizagem pode-se recorrer à construção de desenhos paraauxiliar os alunos a entenderem o significado do número racional associado àrelação parte/todo. A relação parte/todo acontece quando um todo (discreto oucontínuo) é dividido em partes equivalentes. A fração indica a relação que existeentre um número de partes e o total <strong>da</strong>s partes.Situação que envolve grandeza contínuaSituação que envolve grandeza discretaMeu filho comeu 3/4 de uma pizza.João percorreu 3/4 de uma estra<strong>da</strong> que mede200 km. Quantos km João percorreu?Para realizar o exercício 2, você precisará providenciar folhas de papel quadriculadoe réguas para sua turma. É importante que os alunos cumpram ca<strong>da</strong>etapa dessa ativi<strong>da</strong>de. Você pode apoiá-los escrevendo no quadro de giz ca<strong>da</strong>uma delas e, antes que façam individualmente em suas folhas, pergunte comovocê deve proceder para obter as representações do livro. A etapa 4 é muitocomplica<strong>da</strong>, pois os alunos terão que li<strong>da</strong>r com uma medi<strong>da</strong> muito pequena, porisso, basta que observem o quadradinho no livro. Na etapa 5 temos como objetivoque os alunos compreen<strong>da</strong>m essas novas ordens do Sistema de NumeraçãoDecimal; pode-se desenhar no quadro de giz uma tabela como esta, semelhantea que encontraram no livro:x 10 x 10 x 10 x 10 x 10 x 10 x 10 x 10Centena Dezena Uni<strong>da</strong>de Centena Dezena Uni<strong>da</strong>de Décimo Centésimo Milésimode milhar de milhar de milhar: 10 : 10 : 10 : 10 : 10 : 10 : 10 : 10Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 83


É interessante usar essa tabela para evidenciar para os alunos as relaçõesque existem entre décimos, centésimos e milésimos e para explorar a multiplicaçãoe a divisão de números por 10, 100 ou 1000. Assim, por exemplo, sepensarmos no número 5, ao dividi-lo por 10 o resultado será 5 décimos, ou0,5; ao dividi-lo por 100 o resultado será 5 centésimos ou 0,05 e ao dividi-lopor 1000 o resultado será 5 milésimos ou 0,005. Mostre para os alunos que avírgula na escrita numérica é utiliza<strong>da</strong> para separar a parte inteira <strong>da</strong> parte nãointeira do número. Depois de explicar como funciona essa tabela, solicite aosalunos que, em duplas, desenhem-na no caderno para que possam realizar aativi<strong>da</strong>de 3.No exercício 7, os alunos irão identificar partes de figuras e indicá-las pormeio de representação fracionária e decimal. Nos próximos exercícios (8, 9, 10e 11) eles irão comparar, localizar e construir seqüências de números racionaisindicados na forma decimal. Para auxiliá-los na realização destes exercícios, podeserecorrer novamente à representação dos números na tabela <strong>da</strong> numeração.Na última sequência de exercícios, os alunos terão que li<strong>da</strong>r com a análisede números representados na forma decimal, especialmente compará-los com arepresentação do número inteiro e verificar a posição do zero e seu valor nessasduas formas de representação (do número inteiro e decimal).Sugerimos que essas ativi<strong>da</strong>des sejam corrigi<strong>da</strong>s coletivamente e que os alunostenham a oportuni<strong>da</strong>de de explicar e comparar suas respostas e procedimentos.Analisando divisões(p. 110)Esta ativi<strong>da</strong>de, além de retomar o estudo <strong>da</strong> divisão, também tem o objetivode evidenciar mais uma vez para os alunos a necessi<strong>da</strong>de de utilizar os númerosracionais para resolver algumas situações-problema.Proponha as perguntas que aparecem no livro e deixe que eles respon<strong>da</strong>me debatam as questões livremente. Isso possibilita a você identificar os conhecimentossobre a divisão dominados pelos alunos e a autonomia que possuempara tratar <strong>da</strong>s questões matemáticas. É desejável que eles reconheçam que asdecisões a serem toma<strong>da</strong>s dependem <strong>da</strong>s situações-problema e que, portanto,as respostas não podem ser padroniza<strong>da</strong>s.84 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Na seqüência, explore alguns dos significados <strong>da</strong> divisão e estabeleça relaçõesentre multiplicação e divisão. Nos livros anteriores, os alunos tiveram oportuni<strong>da</strong>dede observar que a divisão pode ser associa<strong>da</strong> às ações de:• Repartição ou distribuição eqüitativa, por exemplo: Quero repartir igualmente47 cartas entre 6 pessoas, <strong>da</strong>ndo a ca<strong>da</strong> uma o maior número decartas possível. Quantas cartas ca<strong>da</strong> pessoa receberá?• Determinação do número de elementos de um grupo, por exemplo: Deuma barra de madeira de 47 cm, quantos pe<strong>da</strong>ços de 6 cm poderão sercortados?• Configuração retangular, por exemplo: Numa caixa há 47 ladrilhos pararecobrir o piso de uma cozinha. Se forem colocados 6 ladrilhos em ca<strong>da</strong>fileira, quantas fileiras poderão ser preenchi<strong>da</strong>s?• Comparação, por exemplo: A ren<strong>da</strong> familiar de Paulo e Margari<strong>da</strong> é deR$ 720,00. Se o salário de Paulo é o dobro do salário de Margari<strong>da</strong>, qualé o salário de ca<strong>da</strong> um deles?• Combinatória, por exemplo: Num baile foi possível formar 12 casaisdiferentes para <strong>da</strong>nçar. Se havia três rapazes no baile quantas eram asmoças?Esta ativi<strong>da</strong>de também propicia que os alunos aprimorem seu sentido numéricoao perceberem que situações-problema envolvendo os mesmos números eas mesmas operações podem ter respostas diferentes. O sentido numérico é desenvolvidoquando se tem oportuni<strong>da</strong>de de reconhecer relações entre os números ede se sentir confiante para utilizá-los e interpretá-los em diferentes situações.É desejável que os alunos percebam que para os problemas a e c a respostaé 20, ou seja, um número inteiro, já que nas situações propostas os restos <strong>da</strong>sdivisões não podem ser divididos. Para os problema d e f a resposta é 21, já quenas situações propostas o resto deve ser considerado e implica aumentar umauni<strong>da</strong>de no quociente <strong>da</strong> divisão. Para os outros problemas as respostas devemser representa<strong>da</strong>s por números racionais, uma vez que nestes casos os restos <strong>da</strong>sdivisões podem continuar a ser divididos. As discussões em grupo poderão auxiliaros alunos a chegarem à essas conclusões.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 85


Representando frações(p. 112)Este grupo de ativi<strong>da</strong>des apresenta várias situações em que a fração aparececomo relação parte/todo, em grandezas contínuas e discretas, associa<strong>da</strong>s a umarepresentação gráfica e a uma escrita numérica. Também poderão analisar oselementos que compõem a representação fracionária (desenhos e frações — exercício1). No exercício 2, eles deverão observar que o mosaico pode ser construídocom 18 triângulos, ou com 9 quadrados. Esta é uma boa oportuni<strong>da</strong>de para explorara composição e a decomposição do quadrado em quadrados menores eem triângulos.Frações equivalentes(p. 114)No trabalho com frações um conceito que merece destaque é o de fraçõesequivalentes, porque será muito utilizado em aprendizagens futuras, que envolvama comparação, a adição e a subtração entre frações. Devido à importânciadesse conteúdo garantimos neste livro uma primeira aproximação dos alunos comesse conceito. Para que eles tenham uma melhor compreensão <strong>da</strong>s frações equivalentesé interessante representá-las por meio de desenhos a fim de que observemque as partes são iguais embora as escritas numéricas sejam diferentes. Ouso do papel quadriculado também é um bom recurso para representar fraçõesequivalentes. Neste momento, é importante que os alunos explorem esse conceitopor meio de construções antes de conhecerem as regras práticas. Sugerimosque algumas dessas ativi<strong>da</strong>des propostas sejam feitas individualmente paraque você possa avaliar como seus alunos estão li<strong>da</strong>ndo com esses conteúdos.Frações e númeroscom vírgula no dia-a-dia(p. 115)Na seqüência, é proposto um conjunto de exercícios com o objetivo fazerque os alunos, observem, analisem e resolvam situações práticas em que os nú-86 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


meros racionais são utilizados na forma decimal e fracionária. Os decimais aparecemfreqüentemente em situações de medi<strong>da</strong>, enquanto as frações são encontra<strong>da</strong>scom menor freqüência em situações do cotidiano. Entretanto, em algunsdos problemas propostos é possível explorar a fração associa<strong>da</strong> à relação parte/todoem grandezas discretas e contínuas e também associa<strong>da</strong> a outros doissignificados:• Como quociente de uma divisão entre números naturais, significado queestá presente, por exemplo, na situação que envolve a divisão de duasfolhas de papel igualmente entre 3 pessoas. Para os alunos este significadodifere <strong>da</strong> relação parte/todo, pois dividir duas folhas em partes iguaise tomar uma parte de ca<strong>da</strong> uma delas não é o mesmo que dividir umafolha em três partes iguais e tomar duas delas, embora nos dois casos oresultado seja representado por 2/3.• Como índice comparativo entre duas quanti<strong>da</strong>des de uma grandeza, ouseja, quando envolve a idéia de razão, como por exemplo na seguinte situação:numa receita usa-se 3 xícaras de farinha para 1 xícara de leite.Neste caso, não está presente a relação parte/todo e sim uma relação entreas grandezas (razão) de um para três (1/3).Também aparece uma ativi<strong>da</strong>de (5) em que se utiliza a calculadora comoum recurso para registrar, ler e interpretar números racionais representados naforma decimal. Inicialmente os alunos irão perceber que na calculadora o lugar<strong>da</strong> vírgula é indicado por um ponto que separa a parte inteira <strong>da</strong> parte não inteirado número.Antes de iniciar a ativi<strong>da</strong>de 6, solicite aos alunos que estimem o resultado<strong>da</strong>s seguintes divisões: 1 : 2, 1 : 3, 1 : 4. Faça que levantem hipóteses sobre aspossíveis escritas que apareceriam no visor caso estivessem utilizando uma calculadorapara resolver essas divisões. Anote-as no quadro de giz e faça que elesobservem, comparem e expliquem-nas. Depois, peça que façam essas mesmasdivisões usando a calculadora, comparem os resultados obtidos com as hipótesesiniciais e tentem explicar as possíveis diferenças.Proponha então, que iniciem a ativi<strong>da</strong>de 6, que consiste em dividir o número1 sucessivamente por 2, depois dividir o número 1 sucessivamente por 4etc. Peça sempre que levantem hipóteses sobre como serão os resultados des-Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 87


sas divisões antes de usarem a calculadora. Com esta ativi<strong>da</strong>de os alunos serãodesafiados a descobrir e a interpretar o que acontece com os números (quantomais se divide o número mais dígitos aparecem no resultado, embora esses resultadosrepresentem, a ca<strong>da</strong> vez, um número menor). Essa situação exploratóriapoderá ajudá-los a compreender o significado desses números e observar quea hipótese váli<strong>da</strong> para os números naturais de quanto mais dígitos houver naescrita de um número maior ele será não se aplica aos racionais escritos na formadecimal, uma vez que ao se dividir sucessivamente o número 1 por 2 obtém-se0,5 — 0,25 — 0,125 — 0,0625 — 0,03125 etc.Ao propor a ativi<strong>da</strong>de 7, pode-se solicitar aos alunos que representem natabela de numeração os resultados obtidos na calculadora, para que observemas mu<strong>da</strong>nças que ocorrem quando multiplicam ou dividem um número por 10.Fazendo cálculos(p. 118)Da mesma forma que se pode estender as regras do Sistema de NumeraçãoDecimal para facilitar a compreensão dos números racionais na forma decimal,os procedimentos de cálculo com números naturais também podem ser utilizadoscomo recursos para realizar cálculos envolvendo os decimais. É interessanteque o cálculo com números decimais esteja sempre vinculado a situações contextualiza<strong>da</strong>s,de modo que seja possível fazer estimativas ou enquadramentosde resultados utilizando números naturais mais próximos como por exemplo nasituação: o perímetro de um retângulo cujos lados medem 10,8 cm e 9,5 cm podeser obtido aproxima<strong>da</strong>mente pelo seguinte cálculo:2 x 11 + 2 x 10 = 42 22 + 20 = 42Ao explicar ca<strong>da</strong> uma <strong>da</strong>s técnicas propostas no livro é importante que osalunos exercitem a leitura e a escrita de números decimais e acompanhem a realizaçãodo cálculo escrito, com verbalizações que os auxiliem a perceber o valorposicional <strong>da</strong>s ordens que formam os números. Da mesma forma, os deslocamentos<strong>da</strong> vírgula uma, duas ou três casas à esquer<strong>da</strong> pode ser facilitado se oaluno souber dividir e multiplicar mentalmente por 10, 100, 1000.No caso <strong>da</strong> adição e <strong>da</strong> subtração o uso <strong>da</strong> tabela <strong>da</strong> numeração é um bomrecurso para evidenciar a posição <strong>da</strong>s ordens na escrita dos números. No caso88 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


<strong>da</strong> multiplicação com números decimais o recurso proposto no livro sugere aosalunos que, inicialmente, transformem a conta com números decimais em umaconta com números inteiros, multiplicando os números por 10, 100 ou 1000.Depois, o resultado <strong>da</strong> conta deve ser dividido, conforme o caso, por 10, 100ou 1000. Veja no exemplo:x 103,7 ————> 37x 9 x 933,3 5134x 8 x 8410,72 7514x 3 x 322,542 décimo ——>centésimo ——>Neste momento <strong>da</strong> aprendizagem, é importante que os alunos construamprocedimentos informais para realizar os cálculos, apoiados nos conhecimentosque possuem sobre os números decimais. Os procedimentos convencionais poderãoser explorados em estudos futuros.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 89


Resolvendo problemas(p. 120)São apresenta<strong>da</strong>s várias situações-problema para que os alunos retomem osconceitos e procedimentos estu<strong>da</strong>dos até o momento, por exemplo, a relação entremetro e centímetro, entre grama e quilograma; a noção de razão; o cálculo comnúmeros decimais etc.No decorrer desta ativi<strong>da</strong>de faça que a classe analise as diferentes respostasencontra<strong>da</strong>s para ca<strong>da</strong> um dos problemas e estimule os alunos a construíremargumentos para justificá-las até que cheguem à resposta adequa<strong>da</strong>. As discussõessão importantes para que eles percebam que os problemas não podem ser resolvidosaplicando os mesmos procedimentos, mas que a solução para ca<strong>da</strong> um delestem que ser construí<strong>da</strong> levando-se em conta todos os aspectos do problema.Medi<strong>da</strong>s de comprimento(p. 122)A medi<strong>da</strong> de comprimento foi amplamente explora<strong>da</strong> nos livros anteriores,neste momento pretende-se retomá-la apenas para que o professor possa identificaro domínio dos alunos sobre esse assunto e se for necessário ampliá-lo.Aproveita-se a oportuni<strong>da</strong>de para explorar as uni<strong>da</strong>des de medi<strong>da</strong> mais utiliza<strong>da</strong>sna prática — m, km, cm, mm —, as relações entre elas e também apresentálaspor meio <strong>da</strong>s representações fracionária e decimal. Ao interpretar com a suaturma as escritas fracionárias pode-se sugerir aos alunos que as transformem emnúmeros com vírgula fazendo uso <strong>da</strong> tabela valor de lugar.É interessante começar este trabalho propondo aos alunos que meçam, registreme comparem as alturas dos colegas, o comprimento, altura e largura <strong>da</strong> salade aula, do corredor e de outros compartimentos <strong>da</strong> escola, utilizando instrumentoscomo fita métrica, trenas, réguas. Antes de obter as medi<strong>da</strong>s solicite que asestimem e comparem suas estimativas com os resultados obtidos após as medições.Na situação-problema em que se solicita a construção de uma moldura retangularcom uma ripa de 2,4 m, os alunos poderão <strong>da</strong>r diferentes respostas, desdeque estas sejam compatíveis com as medi<strong>da</strong>s de uma janela como por exemplo:0,50 m por 0,70 m, 0,55 m por 0,65 m, ou qualquer outra medi<strong>da</strong> que, ao sesomar os quatro lados, obtenha-se 2,4 m.90 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Medi<strong>da</strong> de superfície(p. 123)Inicie a exploração <strong>da</strong> medi<strong>da</strong> de superfície perguntando aos alunos comose pode calcular o tamanho do piso <strong>da</strong> sala de aula (ativi<strong>da</strong>de proposta no livro3). Discuta as soluções propostas até que cheguem ao procedimento de tomaruma superfície menor, como, por exemplo, colocar uma folha de jornal sobre opiso <strong>da</strong> sala para verificar quantas folhas são necessárias para recobri-lo. É provávelque neste caso obtenha-se a superfície aproxima<strong>da</strong> <strong>da</strong> sala de aula. Duranteesta exploração é importante que os alunos discutam a adequação <strong>da</strong> uni<strong>da</strong>dede medi<strong>da</strong> à superfície que desejam medir.É possível também que eles sugiram que se tome as medi<strong>da</strong>s do comprimentoe <strong>da</strong> largura <strong>da</strong> sala e se calcule o produto entre elas descobrindo assim a área<strong>da</strong> sala. Mostre que se pode representar geometricamente esta solução desenhandoum retângulo, para representar a sala, e dividir o seu interior em retângulosmenores para indicar sua superfície. As medi<strong>da</strong>s dessas figuras podem ser proporcionaisàs medi<strong>da</strong>s reais e para isso é preciso retomar a noção de escala. Porexemplo, se a sala de aula medir 7 m de comprimento por 5 m de largura, portanto,com 35 metros quadrados de área, pode ser representa<strong>da</strong> por um retângulode 7 cm por 5 cm, isto é, com 35 centímetros quadrados de área, usandoseuma escala de 1/100 ou seja, para ca<strong>da</strong> metro representa-se um cm no desenho.Assim, a figura abaixo representa a sala de aula cem vezes menor.7 cm5 cmA partir desse ponto pode-se retomar as uni<strong>da</strong>des mais usuais de medi<strong>da</strong> desuperfície ou seja, o m 2 , o cm 2 e o km 2 explorando-as em situações-problemaem que o tamanho dessas superfícies seja evidenciado. Por exemplo, perguntarquantas pessoas podem ficar em pé numa superfície de 1 m 2 , quais podem serViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 91


as medi<strong>da</strong>s dos lados de uma região retangular que tenha 1 km 2 de superfície(10 m por 100 m, 50 m por 20 m, 40 m por 25 m).A seguir, apresente as situações propostas no livro do aluno solicitando queas representem com desenho quando julgar necessário.Perímetro(p. 124)A noção de perímetro também já foi trabalha<strong>da</strong> anteriormente e o que sepretende neste momento é apenas fazer que os alunos observem algumas relaçõesexistentes entre a área e perímetro.É comum no trabalho com medi<strong>da</strong>s os alunos confundirem noções de áreae perímetro ou estabelecerem relações não ver<strong>da</strong>deiras entre elas. Assim, quandocomparam duas figuras geométricas geralmente pensam que a figura que tema maior área também tem o maior perímetro. Por meio <strong>da</strong> construção de figuraseles poderão observar que essa relação nem sempre é ver<strong>da</strong>deira e concluirque as figuras com a mesma área podem ter perímetros diferentes, assim comofiguras com o mesmo perímetro podem ter áreas distintas.Também é importante que observem o que acontece com o perímetro e coma área de uma figura quando ampliamos ou diminuímos seus lados. Por exemplo,um retângulo de 3 cm por 4 cm tem 14 cm de perímetro e 12 cm 2 de área.Se duplicarmos as medi<strong>da</strong>s de seus lados — 6 cm por 8 cm — ele passará a ter28 cm de perímetro por 48 cm 2 de área. Note-se que neste caso o perímetrodobrou enquanto a área quadruplicou (ficou quatro vezes maior). Isto pode serfacilmente observado se compararmos os desenhos <strong>da</strong>s duas figuras abaixo:92 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


Volume(p. 125)Partindo de situações práticas como, por exemplo, ler e interpretar o consumode água que aparece registrado em contas expedi<strong>da</strong>s pelo setor de abastecimentode água, os alunos podem começar a explorar a noção de volume ehabituarem-se com suas uni<strong>da</strong>des de medi<strong>da</strong> de uso freqüente ou seja, o m 3 , odm 3 e o cm 3 . Recomen<strong>da</strong>-se que as primeiras ativi<strong>da</strong>des para medir o volumeiniciem-se pela exploração de formas cúbicas como uni<strong>da</strong>des e verificar quantasdessas caixas cabem numa outra caixa maior. Ao fazer experiências para mediro volume de distintos corpos como caixas, blocos de madeira, tijolos, <strong>da</strong>dos etc.os alunos poderão observar que corpos com diferentes formas podem ter o mesmovolume. Ao comparar diferentes corpos eles também poderão perceber que,muitas vezes, apenas observando esses corpos temos a impressão de que um émaior que outro, mas ao medir o volume constatamos que isso não é ver<strong>da</strong>deiro.Por exemplo, na ativi<strong>da</strong>de 4 do livro do aluno. Pode ser que alguns alunosdigam que é a pilha A, por esta ser mais alta. Diante desta resposta será necessáriocomprovar a resposta desenhando os pacotes contidos em ca<strong>da</strong> pilha, o quese constata é que a pilha que tem maior número de pacotes tem maior volume e,portanto, trata-se <strong>da</strong> pilha B.Sugere-se, ain<strong>da</strong>, que eles observem a relação que existe entre o decímetrocúbico e o litro, fazendo que construam um “cubo aberto” com 1 dm de arestae verifiquem se é possível colocar no seu interior a quanti<strong>da</strong>de correspondente aum litro de areia. Após essa constatação, pode-se propor situações-problema paracalcular as medi<strong>da</strong>s de caixas cúbicas que comportem 10, 100 ou 1000 litros etambém para calcular a capaci<strong>da</strong>de, em litros, de caixas que tenham 0,5 m, 1 mou 2 m de aresta.Medi<strong>da</strong>s de massa(p. 128)Embora não seja necessário explicar as diferenças para os alunos, é importanteque você saiba que peso e massa são coisas distintas. A massa é a medi<strong>da</strong><strong>da</strong> quanti<strong>da</strong>de de matéria que um corpo possui. Já o peso é determinado pelaforça de gravi<strong>da</strong>de que a Terra exerce sobre esse corpo. Assim, o peso varia emViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 93


função <strong>da</strong> distância que o corpo mantém do centro <strong>da</strong> Terra. Rigorosamente, opeso de uma mesma pessoa é diferente se ela estiver no nível do mar ou no topode uma montanha de 10 mil metros de altitude. Já a massa é a mesma, pois éuma proprie<strong>da</strong>de de um corpo que não se altera.Para efeitos práticos, se considera peso como sinônimo de massa. O que vocêdeve ter em mente é que uma cadeira, por exemplo, tem a mesma massa aqui ouna superfície <strong>da</strong> Lua. Essa mesma cadeira, entretanto, terá um peso muito maiorna superfície <strong>da</strong> Terra, pois a força de gravi<strong>da</strong>de na Lua é muito menor que emnosso planeta.Por meio <strong>da</strong>s situações-problema propostas você terá oportuni<strong>da</strong>de de retomarnoções que já foram trabalha<strong>da</strong>s anteriormente, de verificar o domíniodos alunos sobre esse assunto e se for o caso de ampliar sua exploração paraque se torne mais consistente. Sugerimos que esses problemas sejam resolvidosindividualmente e corrigidos coletivamente, comparando respostas e procedimentosutilizados por seus alunos.Na ativi<strong>da</strong>de 4, os alunos terão que elaborar um problema para que um deseus colegas de turma resolva. Com essa ativi<strong>da</strong>de você obterá um grande númerode problemas, muitos deles devem ser semelhantes, agrupe-os no momento<strong>da</strong> correção a fim de que os alunos possam perceber semelhanças e diferençasem suas produções.O Sistema de NumeraçãoDecimal e as medi<strong>da</strong>s(p. 130)Com o objetivo de fazer uma síntese entre o estudo <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s e o dosnúmeros, pode-se mostrar para os alunos que os sistemas de medi<strong>da</strong> de comprimento,massa e capaci<strong>da</strong>de têm relação com o Sistema de Numeração Decimal.Construindo a tabela <strong>da</strong> numeração (evidenciando o valor posicional), eles poderãoperceber que existe uma equivalência entre as ordens <strong>da</strong> numeração escritae as uni<strong>da</strong>des de medi<strong>da</strong> de ca<strong>da</strong> sistema. Sem evidentemente preocupar-secom o domínio <strong>da</strong> terminologia, é importante que os alunos observem essa equivalênciae percebam que para passar de uma uni<strong>da</strong>de para outra, num determinadosistema de medi<strong>da</strong>, usa-se as mesmas regras <strong>da</strong> numeração: multiplicar ou94 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


dividir por 10, por 100, por 1000 etc. Não é necessário que os alunos apren<strong>da</strong>ma fazer transformações entre as diferentes uni<strong>da</strong>des, a não ser entre aquelasque são aplica<strong>da</strong>s na prática, por exemplo, a conversão de metros em centímetros,centímetros em milímetros ou metros em quilômetros e vice-versa.Média aritmética(p. 130)Nesse conjunto de ativi<strong>da</strong>des temos como objetivo que os alunos desenvolvama noção de média como resultado <strong>da</strong> soma de x parcelas dividi<strong>da</strong> por x.Além disso, propomos que calculem e interpretem a média em situações práticas.Nos exercícios 1, 2 e 3, que devem ser realizados coletivamente, você irálevantar os conhecimentos que os alunos possuem sobre esse tópico de conteúdo.A partir de suas respostas, retome como devem proceder para obter o valor<strong>da</strong>s médias.O exercício 4 exige que os alunos calculem a média de gols em ca<strong>da</strong> uma<strong>da</strong>s Copas e posteriormente comparem os valores que obtiveram. Para obter esseresultado os alunos terão que somar todos os gols que a seleção brasileira fez naCopa de 70 e dividir esse resultado pelo número de parti<strong>da</strong>s, procedendo <strong>da</strong>mesma forma com os gols <strong>da</strong> Copa de 98.No exercício 5, os alunos terão que coletar informações na sala de aula, somandoto<strong>da</strong>s as i<strong>da</strong>des dos alunos de sua turma e dividindo o resultado obtidonessa soma pelo número de alunos. Corrija esses dois exercícios coletivamente.Ângulos(p. 132)O conceito de ângulo reto é uma idéia central para a construção de outrosconceitos geométricos, sendo o tipo de ângulo que mais aparece no cotidiano,podendo ser observado no canto <strong>da</strong>s folhas do caderno, <strong>da</strong>s portas e janelas, <strong>da</strong>smesas e paredes. Além de reconhecer o ângulo reto em figuras planas é importanteque os relacionem também com mu<strong>da</strong>nça de direção. Para tanto, pode-sepropor as seguintes ativi<strong>da</strong>des: solicite a alguns alunos que fiquem de frente parauma parede e, sem sair do lugar, girem os pés até ficarem novamente de frentepara a parede, isto é, que dêem uma volta completa. Comentar que esse tipoViver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 95


de movimento também pode ser observado nos ponteiros de relógios, em portasautomáticas como as de banco etc. Perguntar aos alunos se eles sabem emqual posição vão ficar se girarem meia-volta ou um quarto de volta? Quantosgiros de meia-volta, ou de um quarto de volta, precisam fazer para <strong>da</strong>r uma voltacompleta?Também pode-se propor uma ativi<strong>da</strong>de para que os alunos construam ângulosretos representando movimentos num papel quadriculado, por exemplo:partindo de um ponto seguir quatro quadrinhos em frente, girar um quarto devolta para a direita, seguir dois quadrinhos em frente e observar a figura construí<strong>da</strong>.Ao associarem a noção de ângulo com mu<strong>da</strong>nça de direção os alunospoderão perceber que os giros (voltas) podem produzir ângulos retos, ângulosmaiores que o ângulo reto e ângulos menores que o ângulo reto.Perpendiculares e paralelas(p. 133)A utilização e a leitura de mapas e plantas em situações cotidianas, como,por exemplo, localizar uma rua no guia de uma ci<strong>da</strong>de, consultar mapas de linhasde ônibus ou metrô, interpretar a planta de uma casa ou analisar o croquide um prédio, são ativi<strong>da</strong>des, muitas vezes, difíceis de serem realiza<strong>da</strong>s mesmopor pessoas escolariza<strong>da</strong>s, pois deman<strong>da</strong>m conhecimentos e habili<strong>da</strong>des espaciais.A leitura de mapas que aparecem nos guias, por exemplo, pressupõe o conhecimentode coordena<strong>da</strong>s cartesianas (retas paralelas e perpendiculares) e anoção de ângulo.Muitas foram as oportuni<strong>da</strong>des que os alunos tiveram de explorar essasnoções nos livros anteriores e agora, com estas ativi<strong>da</strong>des, pretende-se ampliálase apresentar a terminologia convencional associa<strong>da</strong> à elas.Inicialmente, proponha que realizem a ativi<strong>da</strong>de de dobradura para queidentifiquem o que são retas paralelas e perpendiculares e algumas de suas proprie<strong>da</strong>des.No desenvolvimento do trabalho de construção, os alunos poderãoperceber que a condição principal para que duas retas sejam paralelas é a manutenção<strong>da</strong> mesma distância entre elas, mesmo se forem prolonga<strong>da</strong>s. Já paraque duas retas sejam perpendiculares é preciso que elas se encontrem em um pontocomum e formem quatro ângulos retos. A ativi<strong>da</strong>de seguinte consiste na análise<strong>da</strong> planta que aparece no livro do aluno. É importante também que identifiquem96 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


duas retas, que apesar de terem um ponto em comum, não são perpendicularesporque não formam quatro ângulos retos.Em segui<strong>da</strong>, os alunos irão identificar lados paralelos em algumas figurasgeométricas. Para fazerem essa identificação é preciso que prolonguem as linhasque formam os lados <strong>da</strong>s figuras apresenta<strong>da</strong>s e percebam que no retângulo hádois pares de lados paralelos: o par formado pelas linhas finas e o par formadopelas linhas grossas, já no trapézio há apenas um par de lados paralelos — aqueleformado pelas linhas grossas — já que o par formado pelas linhas finas tem umponto em comum se as linhas forem prolonga<strong>da</strong>s.Guias de ruas(p. 135)Nesta ativi<strong>da</strong>de explora-se o uso prático que se pode fazer <strong>da</strong>s retas perpendicularese do ângulo reto para localizar um lugar, num mapa. Se houver condiçõesprovidencie cópias de mapas do guia <strong>da</strong> ci<strong>da</strong>de para os alunos interpretarem elocalizarem lugares e ruas conheci<strong>da</strong>s. Eles também poderão escrever mensagenscom as referências necessárias para que seus colegas façam as identificações.O círculo(p. 136)Esta ativi<strong>da</strong>de possibilita uma aproximação inicial dos alunos com a noçãode círculo, a observação de alguns de seus elementos como o raio e o diâmetroe <strong>da</strong>s relações existentes entre eles.É bastante comum as pessoas considerarem círculo e circunferência comosinônimos, entretanto, geometricamente são noções distintas: o círculo é umasuperfície e a circunferência uma linha, ou seja, a circunferência é a linha de fronteirado círculo. Neste momento não estamos propondo que se faça essa distinçãopara os alunos, basta que eles associem o círculo com uma superfície. Tambémé interessante ensiná-los a utilizarem o compasso para desenharem círculos.A ativi<strong>da</strong>de 1 trata de uma situação-problema para a qual os alunos poderãosugerir diferentes procedimentos. O poceiro, geralmente, marca o terrenousando um pino amarrado a um cordão que tem exatamente o raio que o círculoque irá traçar deve ter e na outra extremi<strong>da</strong>de há outro pino. Primeiro en-Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 97


terra parcialmente o pino de uma <strong>da</strong>s extremi<strong>da</strong>des próximo ao local que deveser o centro do poço, a seguir, estica o cordão arrastando o pino <strong>da</strong> outra extremi<strong>da</strong>depelo solo até <strong>da</strong>r uma volta completa, como no desenho abaixo:Caso algum aluno aponte esse procedimento, discuta com eles que o cordãousado nesse instrumento é o tamanho do raio do círculo, dobrando seu tamanhoobtém-se seu diâmetro. Uma outra ativi<strong>da</strong>de para li<strong>da</strong>r com as noçõesde diâmetro e raio é a seguinte: peça aos alunos que tracem um círculo numpe<strong>da</strong>ço de papel, usando para isso um pires, a boca de um copo ou xícara. Aseguir, solicite que recortem-no e dobrem-no ao meio e dobrem-no novamentecomo nas figuras abaixo:diâmetroraioA marca no papel obti<strong>da</strong> ao dobrar o círculo ao meio representa o diâmetroe as marcas obti<strong>da</strong>s ao dobrar um círculo duas vezes ao meio representa oraio. Usando uma régua os alunos poderão obter tanto a medi<strong>da</strong> do diâmetroquanto do raio do círculo que desenharam.Em ativi<strong>da</strong>des anteriores os alunos aprenderam que existem ângulos retose ângulos que são maiores ou menores que o ângulo reto. A partir dessa consraio98 Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador


tatação é possível falar em uni<strong>da</strong>de de medi<strong>da</strong> de ângulo — grau. Explique queo grau é obtido quando se divide o círculo em 360 partes iguais. Assim, pode-seconvencionar uma volta completa com 360°, meia-volta com 180°, e um quartode volta com 90° e concluir que ângulo reto mede 90°. Comente que assimcomo a régua e a fita métrica são instrumentos utilizados para medir comprimentosexiste um instrumento apropriado para medir graus e que esse instrumentochama-se transferidor.Caso haja condições, ensine os alunos a usarem o transferidor utilizandoos que são comercializados ou construa um de papel. Para tanto, solicite quedesenhem um círculo numa folha de papel e o cortem ao meio. Em segui<strong>da</strong>, peçaque peguem um dos semicírculos e o dobrem ao meio e novamente ao meio. Aodesdobrarem o semicírculo eles poderão notar que estão demarcados dois ângulosde 90° e quatro ângulos de 45°.Com esse instrumento poderão medir ângulos de figuras planas. É interessantefazer que os alunos estimem se os ângulos que pretendem medir têm 90°,mais que 90° ou menos que 90° e depois confirmem suas estimativas utilizandoo transferidor.Viver, <strong>Aprender</strong> 4 - Guia do Educador 99


Esta publicação foi composta pelaBracher & Malta em Sabon e Universcom fotolitos do Bureau 34 para oMEC, em novembro de 1999.


ISBN 85-86382-05-19 7 8 8 5 8 6 3 8 2 0 5 5

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