Inclusão social na palma das mãos - Appai

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Ano 12 – Nº 64 – 2010 – CIRCULAÇÃO DIRIGIDA – DIS TRI BUI ÇÃO GRA TUI TAIM PRES SOInclusão socialna palma das mãoswww.appai.org.br


OpiniãoContos de fadaErika de Souza Bueno*Apesar de os contos defadas serem materiais utilizadosnormalmente para o ensinode crianças nos primeiros anosescolares, o que na maioriadas vezes constitui fonteriquíssima para começar ainseri-las no mundo letrado,tal categoria de contos tambémpode se apresentar como matéria-prima paraas aulas de língua portuguesa para adolescentes.Ainda que na fase da adolescência haja uma fortetendência de os jovens fazerem um muro de separaçãocom a infância, apresentar os contos de fadassob uma nova perspectiva faz esses alunos refletiremsobre pontos que lhes eram obscuros na infância,uma vez que a “enciclopédia de vida” nessa fase épequena, não permitindo a identificação de pontosmais profundos.Quando os contos de fadas são levados a umacriança, ela não absorve pontos que poderão serquestionados com um adolescente. Um exemplo dissoé quando recontamos a história de “A Bela Adormecida”.Pontos como o da espera de 100 anos paraa concretização do amor podem ser discutidos comeles, uma vez que o professor poderá lançar mão doartifício de fazê-los compreender que é preciso esperaro encerramento de um ciclo para que outro possacomeçar naturalmente.Tratar de assuntos referentes a conflitos familiarese sociais também é uma ótima oportunidade,pois muitos desses atritos só existem porque pais efilhos com idades evidentemente diferentes entramem debate por um não compreender as posições dooutro. No conto “A Branca de Neve” podem tambémser levantados pontos sobre a rivalidade que existiaentre a madrasta e a protagonista dessa bela história.Sendo assim, utilizar os contos de fadas em sala deaula para trabalhar assuntos de diversas ordens comadolescentes é uma riquíssima fonte para o desenvolvimentoda arte de lecionar.*Erika de Souza Bueno é Consultora Pedagógica emLíngua Portuguesa do site Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br)Educação on-line:aprendendo aaprenderMáira Pereira*Costumo escrever sobreo papel do professor decursos on-line. Recentemente,tenho sidoquestionada sobre opapel do aluno. Parece óbvio, mas, se a prática docente on-linefez surgir um novo perfil de professor, isso se deu porque háum novo perfil de aluno e novas formas de se relacionar como conhecimento. Afinal, é somente por meio da relação como aluno que o professor efetivamente se forma. Como já alertavao educador Paulo Freire, o professor, por se reconhecerinacabado e incompleto, faz e refaz a si mesmo na relaçãocom o outro, sempre de forma ética, inclusiva e respeitosa.Paralelamente, o aluno tem se apropriado, cada vezmais, de seu papel de protagonista e tem questionado oque é ser um bom aluno on-line, como viver essa experiência,como planejar seus estudos e se comunicar comcolegas e professor. Isso indica a relevância do alunopara o sucesso de cursos on-line – excelente alternativapara aqueles que não conseguem frequentar salas de aulatradicionais, por limitações diversas.Em um curso on-line, o aluno precisa atuar como “buscador”do seu autodesenvolvimento. Isso significa tomar parasi a responsabilidade de cumprir com a agenda de estudose de atividades, sem delegar esse papel. Um curso on-linerequer perfis autônomos, o que pode fazer com que algunsse ressintam pela falta de figuras que cobrem prazos e digamo que deve ser feito. Essa lacuna pode ser resultadode nossa história recente, em que o saber vinha do mestre,a quem não se devia questionar. Nela, pouco se valorizavaa singularidade e a riqueza das experiências do aluno.Para todos os atores envolvidos no processo, sejamalunos ou professores, é preciso aprender a aprender. Nãotemos todas as respostas, mas é preciso se lançar nessaexperiência de forma consciente, orientados pela recomendaçãode Paulo Freire: “Não é no silêncio que os homens sefazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão”.*Máira Pereira é Coordenadora Acadêmica de Tutoria doIBMEC On-line; Mestre em Administração Pública e Empresarialpela Ebape – FGV; coordenadora pedagógica e gerente deprojetos em consultorias educacionais; professora em cursospresenciais e a distância, na área de Gestão de Pessoas.Há males que vêmpara bemProf. Nicolau Marmo*O novo Enem terá duas finalidades:avaliar o Ensino Médio e selecionaralunos para as universidadesfederais. A tendência é que nem emuma coisa nem outra se mostre eficiente,pois é difícil harmonizarnum único exame duas expectativas tão distintas. O MECfaria melhor se mantivesse o Enem como exame avaliadordo Ensino Médio, tornando-o obrigatório, e elaborasse umaprova específica para o vestibular unificado das universidadesfederais, balizada nos princípios dos PCNs.No que se refere à quebra de sigilo, foi uma surpresaacontecer na gráfica. Previa-se que isso pudesse ocorrerem um dos 10.000 postos de exame espalhados por esseBrasil afora. Que consequências para os alunos trouxea mudança de datas do novo Enem? Há males que vêmpara bem. Como disse o senhor Ministro, os alunos terãomais tempo para estudar. Acrescentamos: e as escolaspoderão terminar os programas. O que os alunos acharamda prova que não foi realizada? Questões fáceis, porémcom enunciados longos, cansativos, que exigem muitaconcentração, leitura cuidadosa. Consideram o númerode testes exagerado para o tempo disponível. O que osprofessores acharam dessa prova?Aproximadamente 70% das questões estão adequadasà avaliação do Ensino Médio, uma vez que para esse fimnão se costuma cobrar conteúdo. 30% das questões serviriampara selecionar candidatos, se não fosse a despreocupaçãoem relação à abrangência dos principais tópicosdo programa. A distribuição dos assuntos foi aleatória.Para exemplificar, não constaram questões de Eletricidade,Óptica, Oscilações e Acústica.Como agiram os diversos vestibulares quanto à coincidênciade datas de provas?Alguns desistiram do Enem e outros alteraram suasdatas. A Fuvest desistiu do Enem. Isso trará algum prejuízopara o seu vestibular? Não, ao contrário, trará benefícios.O Enem tem sido um intruso no processo de seleção daFuvest. Como cansamos de afirmar: Enem significa ExameNacional do Ensino Médio.*Prof. Nicolau Marmo é coordenador geral do SistemaAnglo de Ensino. Desde a década de 1950, atua napreparação de estudantes para os principais vestibularesdo país.ExpedienteConselho EditorialEdnaldo CarvalhoJulio Cesar da CostaJornalismoAntônia Lúcia Figueiredo (M.T. RJ 22685JP)Coordenação PedagógicaRebeca CarvalhoColaboraçãoCláudia Sanches, Sandra Martins, TonyCarvalho, Wellison Magalhães e Fábio LacerdaFotografiaMarcelo Ávila, Tony CarvalhoDesign GráficoLuiz Cláudio de OliveiraRevisãoSandro GomesPeriodicidadeBimestralTiragem70.000 (setenta mil)ImpressãoGráfica EdiouroProduçãoJatobá do Rio Assessoria de Comunicação Ltda.DistribuiçãoCorreiosProfessores, enviem seus projetos paraa redação do Jornal Educar:End.: Rua Senador Dantas, 117/2222º andar – Centro – Rio de Janeiro/RJ.CEP: 20031-911E-mail: jornaleducar@appai.org.brredacao@appai.org.brEndereço Eletrônico:www.appai.org.brTel.: (21) 3983-3200• Os conceitos e opiniões emitidos em artigos assinados são de inteira res pon sabilidade dos autores.


Guia HistóricoUm moderno espaço a serviço das múltiplas faces da arte e da cultura brasileiraReaberto ao público há pouco menos de uma década, o CentroCultural Justiça Federal passou por um profundo processo derestauração e adaptação, com o intento de alinhar os elementosdo classicismo francês já existentes em sua fachada e interiores aosmais modernos padrões de infraestrutura predial, a fim de oferecerao público total conforto e bem-estar em suas dependências.Projetado pelo arquiteto sevilhano Adolpho Morales de Los Rios,no início do século XX, o prédio do CCJF oferece atualmente 14espaçosas salas aos seus visitantes, decompostas entre: salas deexposições, teatro, biblioteca, lojinha e cafeteria, além de uma áreadestinada à instalação de um cinema. A princípio a construção doprédio destinou-se à Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro, sendologo depois adquirida pelo Governo Federal, tornando-se sede doSupremo Tribunal Federal de 1909 a 1960. Com a mudança do STFpara Brasília, o prédio foi ocupado, sucessivamente, por varas deFazenda Pública e pela Justiça Federal. Em 1989, foi interditado.Depois de restaurado, foi reinaugurado em abril de 2001.Com um vasto acervo voltado para várias áreas das artes e cultura,a biblioteca do Centro Cultural Justiça Federal é formada por trêscoleções: Coleção Bibliográfica:contendo livros, catálogos artísticos,folhetos, obras de referênciae revistas especializadas; ColeçãoIconográfica: com material audiovisuale fotografias; ColeçãoAcervo Documental Histórico daJustiça Federal: formada por variadosdocumentos impressos queversam sobre a criação, a históriae a composição da Justiça Federal,principalmente sobre o TribunalRegional Federal da 2ª Região.Visitas OrientadasAs visitas orientadas ao CCJFsão realizadas pelo Setor Educativo.Os visitantes (público emgeral e alunos de todas as idades,das redes pública e privada) recebemuma pequena palestra sobrea reforma Haussman e a influênciafrancesa no Rio de Janeiro,salientando a história do prédioBiblioteca doCentro CulturalJustiça Federal,aberta ao públicodesde março de2004, possui umaarquitetura ímpar,que se destacapelo ecletismoO edifício projetado é um dos mais belos exemplaresda arquitetura eclética, em voga no Brasil do início doséculo XXdo CCJF, a instauraçãodo Supremo TribunalFederal, a reforma urbanado Prefeito PereiraPassos e a inauguraçãoda Avenida Central (atualRio Branco), com foco noperíodo em que o Rio deJaneiro era a capital daRepública. Agenda mentoprévio de segunda a sexta,das 12 às 19 horas. Informações pelos telefones: 3261-2552 e3261-2567.ProgramaçõesExposição: terça a domingo, das 12 às 19hTeatro: sábados e domingos, às 16hMúsica: terças e quintas, às 19hIdeias: até o dia 4 de março, curso sobre a cognição humana e omodo como esta é determinada pela configuração docosmos e sua expressão numa obra de arte, com oprofessor Edil Carvalho.Biblioteca: de terça a sexta-feira, das 12 às 17h.Educativo: oficina de reciclagem artística para a produçãode cadernos de aulas e anotações, em que cadaparticipante produz seu próprio material. Ótimo paraestudantes de todas as idades.Serviços:Consulta – manual, com livre acessoàs estantes; e on-line, na basede dados local. Leitura no local.Pesquisas – levantamentos bibliográficosatravés da base de dadoslocal.Acervo – Consulta local ou via internetao acervo da biblioteca.Funcionamento do Centro: de terçaa sexta-feira, das 12 às 17h.Informações pelo tel.: (21) 3261-2582 ou através do e-mail: biblioteca.ccjf@trf2.gov.brJornal Educar 3


PsicopedagogiaApesar de toda a tecnologia, escreverainda é uma das funções mais privilegiadasna vida do ser humano, umavez que é através dessa atividade quese registram fatos, se expressam e setrocam ideias e informações com outraspessoas. De acordo com o crescimento dacriança, não somente em estatura, mas tambémno aspecto intelectual, afetivo, motor, ébem possível que ela inicie seu processo deaquisição da escrita tão logo as pessoas que acercam comecem a apresentar-lhe os conteúdos. Porém alguns cuidadossão de extrema importância e um deles é saber se é tempo deesta criança avançar mais para esta nova etapa.Na escola convencional, por exemplo, existe um currículo a serseguido em que as crianças, em sua maioria, precisam aprender maisrápido do que o seu desenvolvimento permite. Todavia, sabemos que,para que haja a execução motora da escrita, o Sistema Nervoso Central(responsável pelo armazenamento, elaboração e processamentoda informação resultante da resposta apropriada do organismo) e oPeriférico (responsável pelos receptores sensoriais, que são canaisprincipais para aprendizagem simbólica), além de um determinadograu de desenvolvimento psicomotor, necessitam ter passado porum certo amadurecimento, uma vez que a coordenação e a força dosmovimentos precisam estar firmes e com equilíbrio para proporcionarfacilmente a atividade das mãos e dos dedos. Esse processo motorvai se desenvolvendo e se aprimorando de acordo com o progressono ambiente escolar.Entretanto, em muitos casos, esta criança não está emocionalmente,cognitivamente, motoramente preparada e, no caso de ser uma criançadisgráfica – por não estar pronta para iniciar a aquisição do grafismo,da escrita –, certamente apresentará dificuldades neste processo, oque pode trazer uma série de consequências negativas, no momentoem que ela perceber que não consegue fazer o que os colegas fazem,e que é proposto pelo professor. Essa relação, em muitos casos, podese tornar algo doloroso, constrangedor, e até ser causa de “bulling”.São inúmeras as dificuldades existentes no processo de aprendizagemda escrita, e o professor precisa estar atento aos sinais que seusalunos emitem de que algo não anda bem.A EscritaPodemos definir a escritacomo uma representaçãoda língua falada atravésde caracteres e/ou signosgráficos. Mas, paraque isso ocorra, braços,mãos, dedos, entre outraspartes do corpo eda mente, através dedelicados e finos gestos,se esforçam parafazer um bom trabalho,uma vez que o ato dejuntar esses signos, ouseja, escrever, não pertence aoser desde o seu nascimento. Este ato é resultante de um processode vagarosas e importantes conquistas nos planos simbólicos, motore perceptivo da criança.Uma das grandes exigências da escrita, para quem a pratica, é adisposição do espaço gráfico, obedecendo a regras de utilização, ondeo que se escreve deve apresentar um visual no qual as letras estejamde acordo umas com as outras, sendo encaixadas corretamente naspalavras e consequentemente havendo um controle de ajuste paraque fiquem alinhadas onde se quer escrever.Quando o aluno não consegue realizar cópias ou montar uma sequênciade letras em palavras fáceis ou comuns ao seu vocabulário, oprofessor deve ficar atento, pois pode estar diante de um transtornoda expressão escrita, que é mais conhecido como disgrafia.Isto significa que a habilidade escrita está abaixo do nível idealizadopela idade cronológica, escolaridade e inteligência, podendoou não estar associada a outros transtornos de aprendizagem, comoa discalculia ou de leitura, comprometendo assim a ortografia e acaligrafia. Em muitos casos – com suas exceções –, as crianças comdisgrafia apresentam também a disortografia, na qual as letras sãoamontoadas para esconder os erros ortográficos.Conhecida também por letra feia, a disgrafia tem muitos motivosaparentes e um deles é o fato de a criança não conseguir se lembrarda figura que aquela letra representa e, ao fazer o esforço para selembrar como se faz o grafismo, escreve vagarosamente, o que fazcom que a união das letras aconteça de forma inapropriada, tornadoasilegíveis.Segundo Ajuriaguerra (1988) a escrita é uma tarefa que se sujeitaàs necessidades direcionadas pela estrutura espacial, uma vez que4 Jornal Educar


ArtesProjeto pedagógico da Carvalho Queiroz busca inspiração na sétima arteWellison Magalhães“Luz, Câmera, Ação!”. Comessas palavras de ordem numafaixa, pronunciadas por diretoresnas produções de filmes, oEducandário Carvalho Queirozproduziu uma superfeira pedagógica,que envolveu todaa comunidade escolar. Ao vivoe a cores, era possível assistirTroia, embora ninguém ousassepensar em ver o ator BradPitt. Andando mais um pouco,lá estavam as cenas do famosofilme “O dia depois de amanhã”,com todo o cenário de neve e terror, mas sem,é claro, o Dennis Quaid, ator principal da película. Atéo mestre do cinema mudo Charles Chaplin podia servisto caminhando pela área do educandário.Este era o clima que foi preparado para a feira.Segundo a diretora Eveline Queiroz, o eventoatingiu e muito as expectativas: “depois do anopassado, quando os resultados não foram os esperados,mudamos o foco e conseguimos obterum sucesso muito grande na feira. A participaçãodos pais e do público como um todo demonstraisso”, afirmou. A agitação era sentida em todosos ambientes da instituição.Segundo Bárbara Rosa, coordenadora pedagógicada escola e apresentadora do evento,os cerca de 350 alunos da instituição, além dos docentes, atuaramintensamente na produção dos trabalhos: “eles assistiram os filmes,debateram os temas e trouxeram para a feira para ser mostradohoje”, disse, ao tempo em que organizava uma nova apresentação.Segundo Bárbara, no início do segundo semestre começaram asetapas para a realização do programa.Logo na entrada os alunos do 9º ano distribuíram um jornal,produzido por eles mesmos, descrevendo a feira e homenageandoa importância da escrita. Ascrianças do Jardim se envolveramcom seus trabalhos,na tentativa de reproduzir osfilmes e desenhos, como Pinóquio,João e o pé de feijão, Ostrês porquinhos, Chapeuzinhovermelho e João e Maria. Sairdos contos e ir direto para ofundo do mar foi o que fizeramChapeuzinho vermelho,os alunos do 2º ano da manhãque encanta gerações, foiretratada pelas crianças doe 3º ano da tarde ao transformaremuma sala inteira numjardim de infânciagrande oceano com seres detodos os tamanhos e cores. Afinal de contas, foi issoque o peixe Merlin viu em “Procurando Nemo”. Elestrabalharam o relacionamento entre pais e filhos.O 4º ano da tarde e o 3º ano da manhã escolheramo filme “Monstros S/A” e um outro grupo sedecidiu pelo filme “Os sem floresta”. Além dasimagens que lembravam a película de sucessoinfantil do cinema, as crianças abordaram o usodos alimentos.O 7º ano, da manhã, tratou da diferença entreas raças. Os temas libertação dos escravos,racismo e liberdade de expressão foram debatidosnum estande preparado pelos alunos,com a exibição do filme “Duelo de Titãs”. Paraelaborar o assunto um grupo de capoeira dirigiuuma apresentação na quadra central da escola, e outro trabalhou olegado de alimentos nacionais, gerados pela presença do negro noBrasil.Já a sala do 7º ano do turno da tarde abordou a sexualidade e asmudanças ocorridas na sociedade na década de 1960. Para tanto,usou o filme “Dirty Dancing”. Com a sala decorada com discos, e osestudantes vestidos com roupas da época, o ambiente conduziu todosos visitantes aos anos das grandes transformações sociais em todo o6 Jornal Educar


Dirty Dancing,com o ator PatrickSwayze, foi usadopara falar dacultura dos anos60 e 70, e osalunos vestiramsea caráterUma sala com maquetes defilmes reproduzia a históriado cinemamundo. Acompanhando os estudantes, as professoras Sonia Regina,de Artes, e Marta Ferreira, de História, exaltaram o entusiasmo detodos.“O resultado tem sido extraordinário. Eles aprenderam de verdade”,ressaltou Sonia. Já Marta, com seu vestido de bolinhas, destacou ointercâmbio entre as turmas: “todos vêm aqui visitar os trabalhos,e os alunos daqui têm a oportunidade de ver o que os outros estãofazendo também”. Um outro grupo se destacou trabalhando com oFilme “Troia”. Os estudantes do 8º ano montaram um estande comfotos, imagens e uma cesta típica de frutas, como as usadas na Gréciaantiga.Mas, além do estande, os alunos que trataram a questão da históriaantiga apresentaram uma peça coreografada, com todos caracterizadoscomo guerreiros espartanos e troianos e de beldades gregas.E, por fim, os adolescentes do 9º ano, os mesmos que prepararam ojornal da Feira, utilizaram-se do filme “Escritores da Liberdade”, quetratou dos temas da violência e da agressividade e da capacidade demudar situações sociais através da educação.Não havia tapete vermelho, é verdade, nem o Grande TeatroChinês, onde notáveis lançamentos do cinema são feitos; nem erao Teatro Kodak, mas houve um Oscar que foi para a educação, jáque o projeto do Educandário Carvalho Queiroz estimulou alunos,pais e professores a refletir sobre os diversos temas da vida, exatamentecomo muitas vezes o cinema se propõe a fazer, conclui aequipe docente, acrescentando que Hollywood, neste fim de semana,transferiu-se para Campo Grande.Educandário Carvalho Queiroz – Jardim Escola Lápis na MãoRua Maria Eugênia Celso, 30 – Campo Grande – Rio de Janeiro/RJCEP: 23052-260Tel.: (21) 2413-2644Diretora: Evelini QueirozCoordenadora Pedagógica: Bárbara RosaFotos: Marcelo ÁvilaAlunos e professores interagiram com osvisitantes, para reproduzir com cuidado ahistória do cinema. Quem não lembra deJurassic Park e seus dinossauros?Jornal Educar 7


Educação InclusivaProjeto trabalha inclusão social com língua de sinais dos surdosClaudia SanchesNum lugarejo chamado Palhada, em Nova Iguaçu, onde osônibus têm dificuldade em se locomover na terra batida e ascarroças dos burros ainda dividem espaço com alguns carros,se esconde, na poeira que cobre a paisagem, a Escola MunicipalProfessora Edna Umbelina de Sant'anna da Silva.Adentrando uma das salas de aula vemos os alunos pintandoos dedos com carinhas felizes enquanto gesticulam uns paraos outros. Em cada mãozinha uma frase: “Libras para todos”,“Mãos que falam”, “A sociedade busca mais tolerância”. O cenáriofaz parte do projeto Libras para todos, de Roberta Dutra,desenvolvido com sua turma do 4º ano do Ensino Fundamental.O trabalho consiste em usar a Libras – Língua Brasileira deSinais –, a linguagem dos surdos, como prática de ensino numaclasse regular. “Como se fala com as mãos, os desenhos passama ter uma representação lúdica. As carinhas nas mãos marcam aexpressividade, característica essencial no processo de ensinoaprendizageme do uso da Língua Brasileira de Sinais”, explica aprofessora, com formação em Língua Portuguesa.O objetivo do projeto era utilizar a Libras para a concentração dogrupo, mas Roberta sonhava com uma experiência transformadora. As8 Jornal Educar


Crianças aprendem outrasformas de comunicação coma Libras. À direita, uma dastécnicas que Roberta usapara ensinar o significadodas letras e expressões paraa turma regularcrianças eram muito dispersas, o que dificultava o processo de ensinoaprendizagem.Conforme explica a professora, a língua de sinais exigecerta postura, já que a pessoa precisa parar e prestar atenção em silêncio.Antes de introduzir o trabalho, explica a docente, “participei da oficinado Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines). Em seguida,conversei com a orientadora educacional, que apoiou a ideia, e com ospais. De acordo com a professora, a meta do projeto é trabalhar nãosó a linguagem, mas também a cultura do não ouvinte, uma vez quenormalmente as pessoas, ao falarem com um surdo, tendem a gritarou sacudir seu corpo. Um outro aspecto, enfatizado pela docente nacomunicação entre ouvintes e não ouvintes, diz respeito ao direcionamentodo olhar bem nos olhos do outro. “Isso deveria valer para todos”,alerta Roberta.A professora partiu do princípio de que as diferenças nos constituemcomo seres humanos únicos e iguais, o que nos torna especiais. “Todasas pessoas são diferentes, independente de essas diferenças serem eminentesou não. Um surdo ou cego, por exemplo, não é menos capaz queJornal Educar 9


um vidente ou ouvinte. É uma pessoaque funciona de forma diferente. Precisamosmostrar que um surdo ou cegonão está em situação de desvantagem.Eles apenas vivem de outra maneira”,esclarece.Por isso, ela adotou, ao longo dasua prática, algumas terminologiaspor considerá-las mais respeitosas eadequadas. Roberta evita usar o termodeficiência, que está ligado à lentidãoe ao defeituoso. Em sua trajetóriaela conheceu o livro “A Anatomia dadiferença”, do psicólogo Ray Pereira.A obra vem servindo de suporte parao trabalho de inclusão. “Não utilizo apalavra ‘deficiente’. Procuro usar ‘diferençafuncional’, para cegos e surdos,‘diferença física’ para cadeirantes e‘diferença intelectual’ para criançascom síndrome de Down e autismo”.Muitas descobertas foram feitas juntocom as crianças. O material didático,por exemplo, é construído no dia a dia,de acordo com as necessidades quesurgem. Tudo é muito variado, divertidoe colorido para despertar o interessedos pequenos. São leques com os símbolosda Libras, jogos diversificados,cartas, dominó e jogo da memória paratrabalhar vogais, cores e numerais,além de recursos lúdicos como CDromcontendo as noções básicas dalíngua de sinais. Outra atividade interessantefoi a produção de livros, comcapa, índice, dedicatória e simbologias.Após três anos de trabalho, o gruporecebeu três alunos com necessidadesespeciais. Atualmente a turma regularNessa tarefa as crianças, divididas emgrupos, aprendem a Libras através de livrosproduzidos pelos próprios alunos. Todos osdias Roberta se reinventa e cria, junto coma turma, material didático para motivar oaprendizado da linguagem de sinais e orendimento do grupoestá tendo oportunidade de convivercom Gabriel, portador de síndrome deDown; Rodrigo, que apresenta umadiferença visual, e Pâmela, uma nãoouvinte. O interessante, de acordocom a professora, é que Rodrigoestá aprendendo Libras não só comela, mas com os amigos. “Comoele tem dificuldade de se expressarverbalmente, os gestos têm ajudadomuito no seu desenvolvimento ena integração com os colegas, quetambém estimulam a oralização dePâmela, que já consegue pronunciaros nomes dos amigos”, avalia.10 Jornal Educar


Jogo da memória, dominó, livros, ilustrações. Recursosque tornam mais divertida a aprendizagem. Segundoa educadora, o grupo cresceu muito, em todos osaspectos, com o trabalho de inclusãobiscoito de Gabriel, faz para o amigo umsinal com a mão que quer dizer “obrigado”em Libras.Escola Municipal Professora Edna Umbelinade Sant’anna da SilvaRua Caminho Existente, s/nºPalhada – Nova Iguaçu/RJCEP: 26210-190Tel.: (21) 2666-8637Professora: Roberta Lucília DutraDiretora: Lúcia HelenaFotos cedidas pela escolaO grande desafio, no entanto, é mostrar que o benefício da educaçãoinclusiva não é restrito a quem tem as diferenças funcionais, masse estende a todos. É o caso dos alunos da sua turma: eles se integrammelhor, pois o contato com a diversidade estimula a solidariedadee a criatividade, visto que eles são levados a pensar alternativas otempo todo. “A turma regular também acaba desenvolvendo outrashabilidades, como a parte sensorial ou a auditiva. Com os resultadosacredito cada vez mais que podemos transformar a inclusão emrespostas positivas. É gratificante perceber que os alunos estão maisatentos às disciplinas”, garante.A sociedade, porém, ainda não está preparada para aceitar essanova realidade. A professora acredita que cada ser humano é importantepara o outro, que a escola precisa ser para todos e que aintegração enriqueceu o seu trabalho. Para ela, o ideal é que a estruturaeducacional esteja voltada para a inclusão. Mas só a práticapode quebrar esse preconceito:“As crianças estão levando a língua de sinais para os pais, o que indicaque eles estão vivenciando de verdade. O grupo está transformandoa diferença em riqueza. Alunos que moram na zona rural de NovaIguaçu começam uma história de vida diferente, vivendo a inclusãocom arte, envolvimento e paixão”. E o aluno Wendell, que ganha umO desafio é mostrar que o benefício da educaçãose estende às classes regulares. As diferençasgarantem a riqueza e a diversidade necessárias. Aturma, que recebeu três crianças "diferentes", desenvolveunão só a solidariedade, mas habilidades como aconcentração, a parte sensorial e a auditiva. Os educadoresvão ter que se adaptar a essa nova realidadeJornal Educar 11


LiteraturaHomenagem a Ziraldo leva dezenas de paise alunos a feira cultural em Campo GrandeWellison MagalhãesA foto dele estava estampada na entrada da estudantes, que aproveitavam aescola. E lá dentro uma multidão, formada por presença dos pais para autografarpais, alunos e professores, se aglomerava para os pequenos trabalhos.ficar próximo, ou pelo menos ver de perto um dos A feira cultural atendeu a todasmaiores ícones da literatura infantil no Brasil, o as séries dos dois turnos da instituição.Para Elizabeth os 350 alu-escritor Ziraldo. O projeto Reescrevendo Ziraldo,criado pelo Jardim Escola Novo Horizonte, em nos e professores se envolveramCampo Grande, começou com a visita da escola diretamente nas atividades, queà Bienal Internacional do Livro.acabaram por gerar todos os trabalhosAs fotos exibidas num painel à porta da instituição apresentados na quadra da escola.revelavam um pouco como foi a ida à maior feira Cada obra recriada pelos pequenosliterária do Brasil. Além do painel que abria o encontro,todo o ambiente na Novo Horizonte lembrava o rente. As professoras das turmas deescritores trabalhava um tema dife-escritor, nascido na cidade de Caratinga, em Minas Educação Infantil e 1º ano decidiramGerais. Eram trabalhos, maquetes, cartazes, personagense, claro, livros, muitosdesenvolver a atividade com a cole-livros. “A ideia de usar a imagemdo Ziraldo vem do poder que oslivros dele têm de comunicar àscrianças. Durante todo o ano fazemosuma atividade que tem aver diretamente com a leitura”,diz a coordenadora pedagógicaElizabeth de Abreu.Segundo ela o projeto começoua ser preparado com pelomenos dois meses de antecedênciae os alunos tiveram umagrande facilidade de reescreveras obras do autor. Reler e reescreverparecem ter sido as palavrasde ordem na escola. Portodos os lados diversas obras“filhas” eram expostas pelosUm quadro de Ziraldo foidesenhado pela aluna GabrielaDrumond e exposto na feira.Enquanto isso os pequenosestudantes davam autógrafos desuas obras12 Jornal Educar


As exposições dos livrosescritos e adaptados pelosalunos fizeram muito sucessoentre os visitantes e ospróprios estudantes da escolação “Bebê Maluquinho”, na qual o escritor Ziraldo aborda, com alinguagem própria de suas literaturas, temas como alimentaçãosaudável, estações do ano, família, entre outros assuntos. A idaà Bienal serviu para que os próprios estudantes escolhessemos livros que seriam usados. E a novidade foi que estas obrasnão ficaram apenas numa sala, mas foi feito um rodízio paraque todos tivessem acesso a elas.O jardim II abordou a obra “Um bebê em forma de gente”.O aluno Pedro Hinmelsbach se caracterizou do personageme permaneceu durante toda a feira próximo à exposição dostrabalhos de sua turma. Para André Marques, pai de Pedro,“a feira é uma oportunidade muito boa de trabalhar com umagrande personalidade da cultura brasileira. Ver meu filho aquitraz muito orgulho realmente”, completou André.Aliás, caracterização não faltou à exposição. Os alunos RafaelBotti, Eduarda e Caio Uhlig caracterizaram-se para representar“O menino do planeta Urano”, conhecido livro de Ziraldo.Mas o ponto principal da feira cultural foi a ligação que cadaprofessor fez com a obra do escritor brasileiro e as releiturasque as crianças fizeram em sala de aula.Além disso, ficou clara a multidisciplinaridade dos trabalhosdesenvolvidos, como explicou a professora Marilyn Ribeiro doJardim II: “Na história das ‘4estações e um trem doido’,cada criança trabalhou asestações do ano e veio prontapara representá-las”. Damesma forma, a narrativa foirecontada pelos estudantesque fizeram um novo livro,escrito por eles mesmos.O jardim II do 1º turnoabordou a história “Um, Dois,Feijão com Arroz”, e debateusobre a primeira alimentação.As possibilidades multidisciplinarescontinuavam soltas na imaginaçãode todos. Um dos trabalhos feitos pelos estudanteslembrava a informática e o Menino Maluquinho.Os alunos do 5º ano aproveitaram o texto de Ziraldo eexibiram “A professora Muito Maluquinha”, representada pelaaluna Camila Moraes, de 10 anos.A presença do personagem Menino Maluquinho foi tratadaem suas diversas faces, e mostrada de várias formas nos trabalhos.A turma do Jardim III do 1º turno, após ouvir a história“A Fazendinha maluca”, trabalhou a diferença entre animaisda cidade e do campo, animais de fazenda e selvagens. Alémde dobraduras, formando os bichos, uma maquete lembravauma fazenda, o que alegrou as crianças.Divertimento não faltou mesmo. As turmas do 1º ano, quetrabalharam o livro “A Bola Quiquica”, foram para a quadra daescola e desenvolveram diversas brincadeiras com bola, paralogo depois voltarem para a sala de aula, onde tiveram que fazera leitura do livro. Para alguns professores a atividade gerounovos artistas, já que os alunos tiveram que ilustrar as obrasque criaram, como ocorreu com a turma do jardim III do2º turno, que refez o livro “Muito Prazer, Bebê”, onde os estudantesescreveram sobre a importância da família.Os artistas despontaram. A aluna Gabriella Drumond, da turma301, pintou o rosto do artista homenageado, e pôs num quadroJornal Educar 13


junto ao trabalho de sua equipe. Como sempre, além do prazerque o desenvolvimento de cada aluno dá ao professor, os pais dosestudantes se deliciaram com os filhos escritores. Era comum vêlosautografando os livrinhos e entregando aos “fãs”. Foi como fezJulia Ribeiro, de 6 anos, que aproveitou para dedicar seu livro àmãe Valéria Ribeiro, que acredita que a feira serve para incentivara leitura e conduzir os alunos a escrever melhor: “é uma viagemcultural que eles fazem”, disse orgulhosa recebendo o livrinho escritopela filha. Outros alunos também autografaram seus livros eemocionaram os visitantes presentes.Mas outros estudantes também ganharam destaque daequipe do Jardim Escola.Os alunos do Jardim I do 2º turno realizaram uma exposiçãobaseada no livro “O Bebê que sabia brincar”. Para o 2º ano foitrabalhada a obra “Pelegrino e Petrônio”. Para a professoraPatricia Gomes, que coordenou esta atividade, no início nãohouve tanto interesse por parte das crianças, “mas à medidaque avançávamos na história elas foram conhecendo a biografiado autor e seus outros livros, e aí aumentou o interessee a participação foi geral”.Já a turma 201 escolheu o livro “Rolim”. Os alunos se dividiramem dois grupos, fizeram suas histórias e produziramum só livro, que foi encadernado e apresentado no evento. AFeira Cultural do Jardim Escola Novo Horizonte teve início às9 da manhã e encerrou-se às 12 horas de um sábado quentede primavera no Rio de Janeiro.O escritor Ziraldo foi convidado para participar do encontro, masinfelizmente não foi possível contar com a presença dele na escola.Entretanto, por todos os lados que as pessoas caminhavam, eraimpossível não percebê-lo, fosse nos pequenos livros refeitos ounos personagens abordados.Os “Meninos Maluquinhos”de CampoGrande deram umshow nos trabalhos,no desempenhoe no entusiasmo.Com certeza Ziraldobateria palmaspara tudo o que foiapresentado.Na entrada da escola as fotosda visita à Bienal, e o alunoPedro Hilmelsbach vestiu-sebaseado no livro de Ziraldo“Um bebê em forma de gente”Jardim Escola Novo HorizonteRua Barroso Neto, 105 – CampoGrande – Rio de Janeiro/RJCEP: 23088-080Tel.: (21) 2413-5457Coordenadora Pedagógica: Elizabethde AbreuFotos: Marcelo Ávila14 Jornal Educar


LivrosA qualidade da educação sob o olhar dos professoresColaboração: Maria Malta CamposFundação SM – Tel.: (11) 2111-7400O estudo A qualidade da educação sob o olhar dosprofessores é um dos mais controvertidos assuntos dasociedade de hoje. Para isso, mais de 8.700 professoresde 19 estados do Brasil participaram da pesquisa deforma individual e anônima, trazendo sua experiência eexpectativas sobre o tema da qualidade da educação, à luz dos resultadosdas provas e índices de desempenho escolar e desenvolvimentohumano em todo o mundo.A literatura no caminho da história e da geografia– práticas integradas com a língua portuguesaAny Marise Ortega, Alex Ubiratan Goossens, FabioCardoso dos SantosCortez Editora – Tel.: (11) 3611-9616A obra A literatura no caminho da história e da geografiapropõe a aplicação da literatura como ferramenta didáticapara os campos da História e da Geografia, de forma integradacom o estudo da Língua Portuguesa, no ensino Fundamental IIe no Médio. Esta proposta efetiva-se na forma de projetos de ensinointerdisciplinares, organizados em módulos didáticos temáticos emque as sequências de conteúdos se desdobram a partir de textosliterários clássicos.Por que e para que aprender a matemática?Veleida Anahí da SilvaCortez Editora – Tel.: (11) 3611-9616Este livro original é fundamental para os docentes etambém para os pais, uma vez que a maioria dos alunosconsidera que “é só estudar” para ser bom em Matemática.Muitos gostavam da matéria na primeira série, masperderam aos poucos esse prazer. Pois, na verdade, nãoé porque não gostam da Matemática que fracassam; éporque fracassam que acabam não gostando. Dessa forma, o papeldas práticas pedagógicas passa a ser decisivo.Contos de arrepiarJúlio Emílio BrazImperial Novo Milênio – Tel.: (21) 2580-6230Quatro contos de mistério que levarão você do obscuromundo dos vampiros a um mal-assombrado casarão doséculo passado. Com passagens de humor e emoção, estelivro surpreende o leitor com desfechos inesperados.Bolha de emoção, meia na água e sabãoRenata AdriãoEditora Paulinas – Tel.: (21) 2232-3486Um garoto com temperamento explosivo resolveumudar seu comportamento. Ele já tinhasido avisado pelo amigo: ou mudava ou sairiada turma. Então, ele se fechou no quarto a fimde encontrar um jeito de conter seus ímpetos eachou uma solução: toda vez que sentisse necessidadede extravasar, abriria um pé de meia velhoe soltaria todas as suas emoções.Coleção que bicho é esseHabib'sTrata-se de uma grande coleção de livrosinfantis com 16 volumes que, além de representaruma iniciativa inédita no mercado, édiversão garantida, página após página. Juntocom um conteúdo informativo cada livrotraz um jogo diferente nas páginas centraisenvolvendo seu respectivo bicho. As criançasvão aprender e brincar.Um presente diferenteMarta Azcona e Rosa OsunaCallis Editora – Tel.: (11) 3068-5600Neste livro as autoras presentearam-nos comuma história fantástica que nos permite dar asasà imaginação... É mesmo um presente diferente. Éa história de dois amigos: Tristão presenteia o seuamigo Marcelo com um bocado de tecido que sobrarade umas cortinas. Marcelo antes tinha preferido umpião, mas acaba por agradecer aquele presente porquese apercebe da quantidade de utilidades que um simples pedaço depano pode ter.Vai ver se eu estou na ChinaSusi Bluhm Serta e Yili WangImperial Novo Milênio – Tel.: (21) 2580-1168Em português e chinês, com belas fotos e divertidasilustrações, o livro conta a história das primasYili e Carla, que moram na China e no Brasilrespectivamente. Através das cartas que trocam,descobrem uma grande paixão em comum – o futebol– e muitas curiosidades de seus países. A folhade adesivos encartada dá oportunidade ao leitor defazer sua própria história.O Jornal Educar abre espaço, aqui, para que editoras divulguem seus lançamentos. O material será avaliado e publicado de acordo com operfil do público-leitor. As publicações deverão ser enviadas para a redação do jornal, com a referência Livros.Jornal Educar 15


LIteraturaTony CarvalhoCom o objetivo de despertar nono conseguirá se desenvolver ou se expressaraluno o prazer pela leitura e, consequentemente,em disciplina alguma se não tiver o domíniopela escrita, o Ciepda linguagem escrita e falada”, afirma Josefamunicipalizado Maria da Glória CorrêaSilva, professora da Sala de Leitura do primeiroLemos, em Duque de Caxias, lançousegmento do Ensino Fundamental.o projeto Poupança Literária. Como oO projeto foi idealizado por Fabio Menezes,nome sugere, do mesmo modo queprofessor de Matemática que encontrouocorre com os poupadores financeirosna música a equação ideal para passar sua– que guardam um pouco dos seusmensagem aos alunos. “A maior dificuldaderendimentos para utilizar quando forno aprendizado da Matemática e de todas asnecessário –, o projeto fará com queoutras disciplinas é o fato de o aluno apresentaros alunos acumulem preciosos pontosgrandes dificuldades em ler e interpretarque poderão ser úteis mais à frente.o que lhe é mostrado. Por isso, um projeto deNa prática, a poupança literáriaIncentivado pelo professor Fábio e estímulo à leitura não fica restrito à Línguacom a ajuda da banda MS4, os alunosfunciona assim: o aluno lê um livrodo Ciep 330 formaram uma equaçãoPortuguesa”, ressalta.e, em seguida, produz uma resenhaharmônica entre a música e a literatura Essa não é a primeira iniciativa de incen-– um texto que deverá fornecer uma ideia resumida dostivo à leitura criada por Fábio. Ele também éassuntos tratados na obra, apresentando, em uma abordagemautor do projeto Rock Letras, que une músicacrítica, as informações que ele considerar mais relevantes. e literatura. Juntamente com mais três irmãos, dois deles tambémDepois, a resenha é entregue ao professor representante da turma. professores da rede pública, e um quinto elemento, formaram aA cada resenha produzida, o aluno ganha um ponto, que é automaticamenteBanda MS4, que percorre colégios de todo o Rio de Janeiro fazendodepositado na Poupança Literária.apresentações, distribuindo livros e promovendo dinâmicas literárias“O projeto engloba todas as disciplinas, assim como os livros que entre os alunos. A banda foi a grande atração no lançamento dosão disponibilizados aos alunos. Temos livros paradidáticos e outros projeto Poupança Literária, no Ciep Maria da Glória. “Aliar literaturaligados à Matemática, à História, à Geografia, às ciências, às artes, à música na escola é uma grande ideia. Ao relacionarmos esses doisenfim, a todas as áreas. Além disso, a linguagem envolve todas as interesses formamos a dupla perfeita”, justifica a professora Sílviadisciplinas. Nenhum alu-Souza Rodrigues, vicediretorada instituição.Segundo o professorFábio, os shows daBanda MS4 propiciamentretenimento e informaçãopara criançase adolescentesque dificilmentetêm acesso a atividadesculturais.A proposta é formarProjeto abre portas do conhecimento eincentiva o prazer de ler e produzir textosum públicoentre os estudantes16 Jornal Educar


Novas práticas de estímulo à leiturafazem sucesso na comunidade escolardo Ciep Maria da Glória, comprovandoque ler é a passagem mais segura paraquebrar as diferenças e vislumbrarnovos horizontesleitor através da música, da literatura e da escrita. Para tanto, dias antes da apresentaçãoda banda, os alunos da escola a ser visitada são instigados a produzir variados gênerosliterários: narrativas, crônicas, poesias etc.Em cada apresentação, são realizados sorteios de kits contendo o CD da banda,camisas do projeto e livros da literatura brasileira ou estrangeira. Entre uma música eoutra, os alunos sorteados vão ao palco ler suas produções e receber os aplausos doscolegas, o que é um grande estímulo para eles e para os outros estudantes. “Tanto oprojeto Rock Letras quanto o projeto Poupança Literária possibilitam a transformaçãoda leitura em variadas formas de expressão cultural, mostrando ao aluno que essaatividade pode e deve ser convertida em artes plásticas, cênicas ou musicais. Esse éo nosso papel na escola”, destaca Ana Lúcia Santiago, professora da Sala de Leiturado 6º ao 9º anos.Para a diretora geral do Ciep, professora Silvana Alves da Costa Silva, os dois projetosajudarão os alunos a fazer da leitura e da escrita hábitos prazerosos, abrindopara eles uma janela para o maravilhoso mundo do conhecimento. “A maioria dosnossos jovens ainda não se acostumou a ler e escrever. Esses dois projetos articuladospermitem que nos aproximemos deles e transformemos essa realidade. Ao sesentirem incluídos, esses jovens ficam mais participativos e as aulas se tornam maisatraentes. E todos sabemos que, quando o aluno se sente envolvido, os resultadossão muito melhores”, conclui.Ciep 330 Brizolão Municipalizado Maria da Glória Corrêa LemosAv. Automóvel Clube, Km 56 – Santa Lúcia – Duque de Caxias/RJCEP: 25272-030Tels.: (21) 2787-4727 / 2787-4701Diretora do Ciep: Silvana Alves da Costa SilvaFotos: Tony CarvalhoJornal Educar 17


AppaiTel.: (21) 3983-3200 / 3147-3153Portal: www.appai.org.br/ciclo/form.aspe-mail: treinamento@appai.org.br1 - Dificuldades de aprendizagemData: 13/03/2010Horário: 9 às 13 horas - sábadoObjetivo: Possibilitar aos profissionais de educação umcontato com as variáveis que interferem no processoensino-aprendizagem, levando-os a uma reflexão sobreas suas contribuições práticas, enquanto educadores,na identificação e diminuição das dificuldades deaprendizagem.Palestrante: Patrícia Lorena2 - A construção dos conceitos matemáticosData: 18/03/2010Horário: 9 às 13 horas - quinta-feiraObjetivo: Apresentar as etapas de aquisição da lógicada construção do pensamento matemático.Palestrante: Rita ThompsonProgramação: A evolução sócio-histórica da mente/cognição; o processamento numérico e o cálculo; asbases neuro-anatômicas; etapas de construção dalógica matemática.3 - Transtornos de conduta e drogas – um guiapara pais e professoresData: 20/03/2010Horário: 9 às 14 horas - sábadoObjetivo: Proporcionar acesso ao conhecimentodas formas de identificação dos principais problemasrelacionados aos transtornos de conduta, problemas deindisciplina e do uso das drogas, suas características,efeitos e consequências. Orientar os pais e professores emcomo buscar tratamento e como podem agir na condiçãode mediadores na relação com alunos que necessitamaprender a controlar o comportamento e os impulsos.Palestrante: Dr. Gustavo TeixeiraProgramação: O desenvolvimento infantil; família eeducação; fatores genéticos e ambientais; transtornosdisruptivos do comportamento; características econsequências dos transtornos; as drogas e ostranstornos; fatores de risco versus fatores protetores;como as drogas agem no cérebro; consequências douso de drogas na adolescência; tratamento.4 - Paulo Freire: o cidadão do mundo e suaeducação transformadoraData: 24/03/2010Horário: 9 às 13 horas - quarta-feiraObjetivo: Promover a reflexão sobre uma proposta deeducação como prática da liberdade e como movimentoem busca da autonomia dos educandos.Palestrante: Andrea da Paixão FernandesProgramação: Quem foi Paulo Reglus NevesFreire?; concepções de educação na visão freireana;experiências da década de 1960; contribuições dePaulo Freire para a atualidade; onde aprofundar asreferências freireanas.5 - Limites e possibilidades do educadorData: 26/03/2010Horário: 9 às 13 horas - sexta-feiraObjetivo: Apresentar uma proposta transdisciplinar,sistêmica e filosófica de educação para todos, atravésda vivência do novo paradigma da construção do ser edo saber para um novo milênio.Palestrante: Aglael Luz BorgesProgramação: o paradigma “A construção do sere do saber” (dialética transdisciplinar/sistêmica); omovimento cognitivo-afetivo-social na construçãodo ser; o sujeito frente ao conhecimento; o papelda família, da escola e das empresas no processo dedesenvolvimento e aprendizado; a ética e a estética doconhecimento; o educador como agente de promoçãode saúde.6 - A leitura literária na escola como produção deconhecimentoData: 27/03/2010Horário: 9 às 13 horas - sábadoObjetivo: Desenvolver uma prática dialógica eartística do texto literário nas séries iniciais do EnsinoFundamental (primeiro ao quinto ano), tendo porbase os estudos de Mikhail Bakhtin e Vygotsky –autores que permitem compreender a natureza dalinguagem literária e sua relação com a produção doconhecimento.Palestrante: Patrícia da Silva PachecoProgramação: Sensibilização para o tema por meiode leituras dramatizadas; exposição dialogada sobrea natureza da linguagem (dimensões dialógica,interdiscursiva e estética); oficina poética realizadacom o grupo para concretizar a discussão teórica;reflexão dialogada sobre a especificidade do textoliterário e suas possibilidades de uso nos diferentesespaços.Memorial Getúlio VargasExposição PermanenteCronologiaI - Getúlio Vargas e o Rio de JaneiroII - Do Rio Grande do Sul ao Palácio do CateteIII - Getúlio Vargas e a Reforma Urbana do Rio deJaneiroIV - Retorno ao Catete e TragédiaV - O povo se despede de Getúlio VargasVI – Carta-testamento e carta despedidaObjetivo: Difundir a trajetória do estadista gaúcho naCidade do Rio de Janeiro, uma vez que Getúlio Vargaspassou 31 anos dos 45 de sua vida pública aqui; 19deles como presidente da República.A exposição permanente encontra-se aberta ao públicode terça a domingo, das 10 às 19 horas.Entrada franca.Local: Memorial Getúlio VargasPraça Luís de Camões – Rio de Janeiro (ao lado doHotel Glória)Universidade do Estado do Rio deJaneiro (Uerj)Tel.: (21) 2334-01401 - A diáspora africana nas AméricasA Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) estácom as inscrições abertas para o IV curso de atualização:a teoria e as questões políticas da diáspora africananas Américas, que partirá das análises críticasproduzidas pelo feminismo negro no Brasil, nos EstadosUnidos e em outras comunidades da diáspora. As aulasserão ministradas parcialmente em inglês. O objetivo éoferecer formação acadêmica e intelectual a ativistas,estudantes e intelectuais interessados na área de estudosda diáspora africana. O curso é gratuito.Inscrições: até 19 de fevereiro de 2010Data do curso: de 31 de maio a 7 de junho de 2010Instituto Moreira SallesTel.: (21) 3284-74001 - Mostra: o Brasil e Portugal de CharlesLandseerO Centro Cultural do IMS no Rio de Janeiro apresentaa exposição Charles Landseer: desenhos e aquarelasde Portugal e do Brasil (1825-1826). É a maior mostraindividual das imagens feitas pelo inglês da missãodiplomática britânica chefiada por Charles Stuart. Aseleção reúne 178 desenhos e aquarelas e mais doisóleos, estes últimos feitos anos após a missão. Landseerfoi um dos mais importantes artistas viajantesque visitaram o Brasil nas duas décadas posterioresa 1808. Para quem gosta de história do Brasil, o programaé imperdível. De terça a sexta-feira às 17 horashá visita guiada pelas exposições, com encontro narecepção.Data: até 18 de abril de 2010 - Entrada francaHorário: de terça a sexta-feira, das 13 às 20 horas;sábados, domingos e feriados, das 11 às 20 horas. Visitasmonitoradas para escolas: agendar pelo telefone.Fundação Casa de Rui BarbosaTel.: (21) 3289-46361 - Seminário Internacional de Políticas Culturais:teorias e práxisA Fundação Casa de Rui Barbosa, por seu Setor deEstudos de Política Cultural, estará recebendo propostaspara apresentação de trabalhos no SeminárioInternacional de Políticas Culturais: teorias e práxis.O objetivo é a apresentação e discussão de estudosque promovam a reflexão e o debate entre estudantes,pesquisadores, professores e conhecedores da área depolíticas culturais. Poderão submeter trabalhos estudantesem nível de pós-graduação (mestrado e doutorado),pesquisadores mestres e doutores e professores.As inscrições serão feitas mediante o envio dotexto completo.Prazo de inscrição: de 1º de maio a 7 de junho de 2010Data do seminário: de 22 a 24 de setembro de 2010Mais informações pelo endereço: politica.cultural@rb.gov.brMuseu de Arte Contemporâneade Niterói (MAC)Tel.: (21) 2620-24001- Exposição Retratos de cidades: Le Havre –Brasília – NiteróiA exposição Retratos de cidades: Le Havre – Brasília– Niterói reúne as imagens históricas de LucienHervé feitas no Havre e em Brasília, e umconjunto de obras (fotografias e vídeos) de jovensartistas franceses e brasileiros. As cidades – umafrancesa e outra brasileira – têm em comum o fatode terem sido construídas após a Segunda GuerraMundial por importantes arquitetos do séculoXX: a primeira, por Auguste Perret; a segunda,por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Niterói estáinserida na exposição, na medida em que um deseus mais prestigiados edifícios oficiais, o Museude Arte Contemporânea (MAC), foi projetado porNiemeyer.Data: até 14 de março de 2010Horário: de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horasLocal: Salão e varanda do Museu de Arte Contemporâneade Niterói (MAC)Mais informações pelo e-mail: mac@macniteroi.com.br ou no site www.macniteroi.com.br.Roteiros GeoRioTel.: (21) 8871-72381 - Passeios guiados pelo Centro do Rio deJaneiroO professor João Baptista Ferreira de Mello, da Uerj,organiza os Roteiros GeoRio, com caminhadas quedescortinam aspectos históricos e geográficos da cidade.Os passeios são feitos quase semanalmente,aos domingos, recheados de histórias contadas demaneira informal, como uma conversa numa mesa debar. Aliás, parece que os personagens citados logovão dar o ar de sua graça. Quando voltar ao centroda cidade certamente o caminhante verá a cidade deoutra forma.Entrada franca – inscrição pelo telefone acima ouatravés do e-mail roteirosgeorio@uol.com.br.Simpósio de estudos greco-romanos1 - Primeiros sábios, primeiros filósofosO XVII Simpósio Interdisciplinar de Estudos Grecoromanosjá está recebendo textos para comunicações;os pareceres serão dados até 10 de março 2010 edevem ter relação com o tema central do encontro:Primeiros sábios, primeiros filósofos.Data: maio de 2010 na PUC-SP.As normas estão no site www.institutohypnos.org.br.XXIV Prêmio Jovem Cientista1 - Energia e Meio Ambiente - Soluções para oFuturoJá estão abertas as inscrições para o Prêmio JovemCientista, voltado aos estudantes dos ensinos médio esuperior, além de graduados, escolas e universidades.O tema desta edição é a busca de fontes alternativasde energia que não comprometam o meio ambiente.Entre as questões que podem ser abordadas estãoas fontes renováveis e não-renováveis de geração deenergia, o efeito estufa, o aquecimento global, energiae exclusão social, mudanças de hábitos e padrões dedesenvolvimento. Os premiados nas categorias “orientador”e “estudante de ensino médio” receberãoequipamentos de informática e terão seus trabalhospublicados em livro.Data para inscrições: 30 de junho de 2010Mais informações, regulamento e inscrições em: www.jovemcientista.cnpq.br.Museu do ÍndioTels.: (21) 3214-8702 e 3214-87051 - A presença do invisível no Museu do ÍndioA exposição A presença do invisível na vida cotidiana eritual entre os povos indígenas do Oiapoque apresentafacetas da vida cotidiana e o ritual dos povos indígenasque habitam diferentes terras na região fronteiriça doBrasil conhecida como Oiapoque. É imprescindível paraquem quer conhecer mais a cultura de um dos povosformadores do Brasil.Horário: de terça a sexta-feira, das 9 às 17 horas;sábados, domingos e feriados, das 13 às 17 horasEntrada: R$ 3,00Planetário da GáveaTel.: (21) 2274-00461 - Contação de história sobre a preservação doplanetaTodo sábado acontece no Planetário da Gávea a atividadede contação de histórias onde a preservação doplaneta é tema central. São 40 espectadores por apresentação.Entrada franca.2 - De olhos nos astrosPara quem se interessa por Astronomia, a dica é ir àPraça dos Telescópios do Planetário do Rio de Janeiro econhecer as localizações características dos astros quepoderão ser vistos a olho nu e através dos telescópios.A entrada é gratuita. Basta pegar uma das 260 senhasque estão à disposição do público. A observaçãodo céu é orientada por uma equipe de astrônomos daFundação Planetário. Nos feriados e em dias nubladosou chuvosos não há observação.Centro da Memória Judiciáriade NiteróiTel.: (21) 2613-96861 - História da formação da cidade de NiteróiO Centro da Memória Judiciária de Niterói, que tem porobjetivos contar a história da formação da cidade deNiterói e preservar a história do Judiciário fluminense,está aberto à visitação de pesquisadores, estudantes eprofessores. As visitas guiadas deverão ser marcadaspreviamente. O espaço está à disposição dos estudantespara realização de júris simulados, palestras ecursos.Horário: o centro funciona das 11 às 17:30hMais informações pelo telefone ou pelo e-mail:marialb@tj.rj.gov.br.Centro Cultural Justiça FederalTel.: (21) 3212-25501 - Salas de leituraPara os que gostam de frequentar bibliotecas, sejapara estudo ou por puro diletantismo, o Centro Culturalda Justiça Federal tem uma sala de leitura e uma salade consulta com material próprio, para consulta a jornaise revistas, acesso à Internet, consultas às basesde dados locais e via web, livre acesso a informaçõese documentos e cadastro para comunicação de novasaquisições.A biblioteca funciona de terça a sexta, das 12 às 17 horas.O CCJF funciona de terça a domingo, das 12 às 19 horas.Mais informações pelo site www.ccjf.trf2.gov.br ou pelotelefone.2 - Concertos de música e apresentações deteatro gratuitasO Centro Cultural da Justiça Eleitoral, além de exposições,possui programação fixa e gratuita. Todas as quartas-feiras,às 19:10h, são realizados concertos de música de câmara.Aos sábados, às 17 horas, acontecem intervenções artísticasda Cia. de Teatro Íntimo, que busca fugir do convencionale obter uma proximidade cada vez maior com o públicoatravés de declamações de poesias e apresentações teatrais.A cada mês, dois novos trabalhos de teatro e poesia(de aproximadamente 10 minutos cada) são apresentados.Entrada franca: de quarta a domingo, das 12 às 19horas.Sinpro - RioTel.: (21) 3262-34001 - Técnica VocalMinistrante: Inêz Renata dos Santos Souza(fonoaudióloga/UFRJ e especialista em Educação Estética/UNIRIO).Público alvo: Profissionais de Educação.Objetivo: Aperfeiçoar a postura física e vocal dos participantese prepará-los para utilizar corretamente a voz semprejuízos para seu aparelho fonador.Conteúdos: Dicção: exercícios para a flexibilidade dosórgãos bucais. Prática de relaxamento e da respiração. Coordenaçãofonorrespiratória (exemplos práticos).Exercícios básicos para a emissão correta da voz: a colocaçãode vogais, ditongos, tritongos e hiatos em seus pontosharmônicos. Exercícios de articulação, ritmo, ressonânciae projeção.Dias: Segundas-feiras 5, 12, 19 e 26 de abrilHorários: das 9h30 às 11h3018 Jornal Educar


Profissão Mestre(Continuação)A emoção de ser professor– Tenha um local fixo somente para estudar. Este local, além de serlivre de interrupções, ajuda a “programar” a mente do aluno: elesabe que, toda vez que for naquele canto, é hora de estudar. Issofaz com que o estudo se desenvolva mais rapidamente. Não é necessáriodestinar um cômodo da casa para isso – basta um cantinhoespecial, bem iluminado e arejado. De preferência, que não influano resto da família. Por exemplo, a mesa da cozinha parece ser umlocal adequado, a não ser que haja disputa entre os livros do filho ea galinha que a mãe (ou o pai, sejamos atuais) está preparando paraa canja de logo mais.– O horário é tão importante quanto o local. Ajude-os a estabeleceruma rotina de estudos, escolhendo uma hora normalmente tranquilae na qual eles rendem mais para dedicar aos estudos domésticos. E,algo que poucos sabem: se o estudo tem uma hora para começar,também deve ter uma hora para terminar. Assim eles administrammelhor o tempo e acabam rendendo mais. E, na possibilidade de otempo não ser suficiente, pode-se dar mais cinco minutos para o fato.Não há má vontade que não conceda cinco minutinhos. E, uma vezentretido com o exercício, são poucas as possibilidadesde se olhar no relógio, facilitando assim otérmino da lição.– Também devem ser tomados cuidadoscom as distrações. Televisão e telefone,lógico, devem ser deixados de lado.Música pode ser liberada, dependendodo tipo de aluno.Acordo de cavalheiros– O professor também pode ajudar seu aluno ao impor a si mesmocertas regras de tarefa de casa. Se você fizer com que esses regulamentossejam acordados com todos os professores, melhor. Veja:– Passe uma quantidade semelhante de tarefa de casa todos os dias(por exemplo, cinco exercícios curtos). Assim, seus alunos saberãosempre o que esperar e poderão se programar melhor.– Passe menos (ou não passe) tarefa para casa às vésperas de provasde outras disciplinas.– Indique diferentes materiais de pesquisa: vários livros, revistas,autores. Não há mal nenhum em permitir que, à medida que estuda,o aluno se identifique mais com determinado autor ou estilo. É umamaneira de despertar o prazer pela leitura.– Se a quantidade deve permanecer mais ou menos constante, omesmo não vale para a forma. Varie seus exercícios. Uma série dequestões objetivas em um dia, uma pequena redação em outro. Dessaforma, você estará verificando o aprendizado (e a qualidade de suasaulas) de forma mais completa.Colaboração: Brasílio NetoJornal Educar 19


Educação ArtísticaUma releitura do mundo, uma releitura da vidaSandra MartinsNuma sala apertada e desprovida deconforto, crianças e adolescentes se revezampara viajar no mundo mágico dasartes. O passeio “virtual” se dá através dasoficinas de desenho e pintura do projetoVivendo através da arte, coordenado porEdejô Éware, ou o agente cultural EdvalPereira Lopes. A iniciativa busca valorizaro conhecimento que o aluno possui e atuacomo um transformador de novas ideiasabrindo um leque de informações sobrearte e cidadania, além de oferecer outras opções, não só de lazer, mas também deperspectivas profissionais.Para Vaneli Chaves, diretora adjunta da Escola Estadual Professor Henny de MendonçaGama, no bairro de Vila Lage, São Gonçalo, o projeto ultrapassou os muros daunidade escolar – única no município com Educação de Jovens e Adultos (EJA) nostrês turnos. Na sua percepção, esta ação serviu como uma bem-sucedida estratégiafacilitadora de acesso da comunidade à escola. “Achamos por bem não fechar estetrabalho para os alunos da escola e abri-lo para a comunidade. O retorno tem sidopositivo: há os que voltaram a estudar, e há outros que começaram a tomar contada escola porque o filho está aqui dentro. E isso construiu uma relação harmônicacom a comunidade.” Atualmente, 70% do público atendido é oriundo da localidadee arredores.Respeito, dedicação,cordialidade, afeto,tolerância. Estes sãoalguns dos ingredientesencontrados entre umapincelada e outra dosalunos das oficinas deartes. Os jovens sãoincentivados a desenvolversuas potencialidadesno traço, pintura,escultura, convívio social,argumentação e postura20 Jornal Educar


Os alunos são incentivadosa desenvolversuas potencialidadesno traço,pintura, escultura,convívio social, argumentaçãoe postura.poucos, os jovens descortinam suas inclinaçõesOs temas são escolhidos pelos alunos e astécnicas, aprimoradas com apoio do professor. Aosartísticas, passam a ser mais observadores, maisrevistas, ilustrações,livros de artes,material doadoe outros quesão reciclados. Astelas para as pinturaspodem terNo segundo semestredo ano, são escolhidos os dez melhoresde papelão ou desensíveis, organizados e disciplinados, sem perdervindo de caixaso frescor da sua imaturidadetrabalhos que compõem uma exposição aberta ao público duranteevento escolar. “Dá gosto ver o orgulho estampado no rosto dospais ao verem os trabalhos de seus filhos. Crianças que, por vezes,apresentam problemas comportamentais em outras escolas ou emcasa”, disse Vaneli.O projeto reúne algumas ideias de fácil assimilação cuja linguagemé adaptada conforme a faixa etária, além de possuir uma diversidadede linguagens artísticas como: reciclagem, teatro, artes plásticas,canto, desenho, pintura. A dinâmica inicia-se com a própria mistura dogrupo – meninos e meninas. O respeito é condição fundamental parao convívio no meio social, daí a cordialidade, o afeto e a tolerânciaserem trabalhados intensamente, de forma lúdica, com a utilização detécnicas teatrais e de dança. “Uma mímica de zanga ou de surpresadiz muito mais do que um grito”, ensina Edejô.Como primeira estratégia, trabalha-se a palavra, a persuasão.Para sensibilizar o aluno a respeitar a diversidade e heterogeneidadeno mundo, Edejô lança propostas de percepção do outro comoele é. Assim, são debatidos os padrões estabelecidos na sociedade,que são desconstruídos. “O ‘belo’ passa a ter outra conotação. Ascrianças aprendem a valorizar o meio ambiente em que vivem apartir da percepção dos pequenosfrutas; um pedaço de lápis colado em uma caneta usada servirá comose fosse novo. Uma embalagem de óleo diesel vai ser transformadaem máscara. Pelo menos é o que vislumbra Jonatam ao identificaros olhos e o nariz da “máscara”. “Artista é isso. Vê um trabalho artísticoonde ninguém percebe. É isso que eu quero: que ele consigadescobrir arte nessas pequenas coisas, no lixo”, elogia o oficineiro.O projeto Vivendo através da arte interage com outras disciplinas noseventos culturais da escola. E, no cotidiano das oficinas, o aluno terá quese conciliar com a Matemática, já que lida com medidas, proporções,perspectivas; com a História, pois aprenderá um pouco sobre outrasculturas, como a chinesa, de onde saíram os primeiros desenhos a nanquim.Com a Química, as pesquisas podem ser sobre os componentesdas tintas e variadas experiências com cores e texturas, por exemplo.Os temas escolhidos pelos alunos são aprimorados com apoio doprofessor. Com o transcorrer do desenvolvimento do traço, o jovemdescobre suas inclinações artísticas que serão potencializadas. “Amaioria dessas crianças vai sair daqui com 60% de base para desenhoe sem recursos. Este trabalho as ajuda a se desenvolver, a fazer umareleitura do mundo, uma releitura da vida. E a arte tem este poder,já que caminha junto com a educação”, disse Edejô, ao salientar quenão adianta querer separá-la da educação.detalhes, como a textura das folhas,as diferenças étnico-culturaisencontradas nas imagens que servemCom metodologia desenvolvida a partir da vivênciacotidiana, os alunos foram estimulados a driblara falta de material usando a criatividade. Assim,uma antiga caixa de frutas pode ser desmontada esua madeira preparada para servir como tela parapintura a óleo. O suporte de papelão do papelPorque é ela que vai me levara um grande arquiteto, a um grandemuseólogo. “A Bia disse que vai serde modelo, nas nuanças daspodem ser comercializadashigiênico poderá ser transformado em pulseiras, quecores que se alteram conforme aluminosidade a que são expostasetc.”.A metodologia foi desenvolvidaa partir da vivência do agentecultural em várias áreas das artes– teatro, dança, pintura, desenho,artesanato. Como material pedagógicosão utilizados folhetos,arquiteta. E vai, porque ela já colocouisso na sua cabecinha”. Por sinal, oforte da menina de 10 anos é a criaçãode fachadas de residências, castelos,detalhes de portas.Para muitos, estar ali é tambémum momento de lazer. É como se láelas pudessem ser crianças e aprenderalgo que lhes dá muito prazer. “Elaspodem viajar através das figuras queJornal Educar 21


etratam. A arte tambémé uma fuga para libertarestas crianças dapressão. Que eu traduzocomo arteterapia”, afirmoua gestora Vaneli,lembrando que a oficinaatende a portadores denecessidades especiais.“Eu tive alunos usuárioscontumazes de drogasque encontraram ali umespaço para sobreviver.Um desses desenhavamuito, mas era irrequietodurante as aulasdevido ao efeito das drogas.Então pedimos quefizesse a oficina. Desenhava muito, mas não produzia na sala de aula.Até que os professores começaram a perceber que aqueles desenhospodiam ser usados dentro da aula. Na prova de 7ª série sobre corpohumano, o professor aceitou o desenho. Em seguida, ele perguntouse o aluno poderia colocar os nomes dentro das partes desenhadas.E ele colocou, naturalmente”.Edejô concorda com a diretora, ao afirmar ser a oficina um espaçoterapêutico e recorda de histórias estranhíssimas que alunos transportampara o papel. “Temos que ter muito cuidado para analisar esses desenhose conversar com muito tatoO projeto busca valorizar opara tentar suavizar a angústia conhecimento que o aluno possui e atuacomo transformador de novas ideiasdaquelas crianças”, esclarece o abrindo um leque de informações sobrearte e cidadania, além de ofereceroficineiro. “A realidade de muitas outras opções, não só de lazer, mastambém de perspectivas profissionaisdelas é extremamente dramática.Então ele aceita o desenho, e vaimostrando para elas um outromundo possível. Isso é muito legal.Eles começam a perceber que nãohá só aquele mundo”, ressaltouVaneli, ao enaltecer a postura deEdejô de valorizar as possibilidadesem detrimento das dificuldades.“Ele rompe com esta questão: setivesse uma árvore ali, ele estariafazendo seu trabalho lá. Edejôvaloriza suas possibilidades.E, ao fazer isso, potencializaessa comunidade toda.Porque vai dando a essascrianças condições de vislumbrarum mundo melhor,uma outra coisa para fazerao invés de se envolver comdrogas, com violência”.E é como espaço de descompressãoemocional ede construção de novaspossibilidades que DouglasCardoso, 10 anos, podePara a professora Vaneli Chaves,o investimento na parceria entre adeslanchar. Eliane Cardoso,escola e a arte-educação, com oprofessor Edejô Éware, fez com quesua mãe, conta que o meninocomeçou a frequentar ao projeto Vivendo através da Arteultrapassasse os muros da escolaoficina aos 8 anos, quando afamília passava por diversos problemas. Segundo ela, a dedicação e aatenção do professor transformaram a vida de seu filho e ampliaram oshorizontes da família. Douglas, de tão empolgado com as aulas, repassapara os colegas de sua comunidade (Barro Vermelho) o que aprendenas oficinas. Atualmente, cerca de 36 crianças se espalham entre a salae a cozinha de sua casa nos finais de semana. A mãe, para apoiar ofilho, está participando das oficinas. E seu pai, pintor de paredes, apósalgumas orientações sobre técnicas de pintura, vem se aprimorandonas artes plásticas e já participou de coletiva de pintura. “O professorlevantou a autoestima tanto domeu filho, como a nossa e dascrianças da vizinhança. O trabalhoé maravilhoso, não existe outropor aqui”, concluiu Eliane.Escola Estadual Professor Hennyde Mendonça GamaRua Procópio Ferreira, s/nº – VilaLage – São Gonçalo/RJCEP: 24415-080Tel.: (21) 8374-8725E-mail: hennygama@hotmail.comCoordenador: Edval PereiraLopes (Edejô Éware)Fotos: Sandra Martins22 Jornal Educar


Língua PortuguesaChegamos à terceira e última parte do nosso estudo sobre a crase.Agora vamos abordar alguns casos especiais que não podem ser resolvidosapenas aplicando-se as regras de modo simples e objetivo. Sãosituações em que devemos nos atentar para determinados aspectos dasfrases para podermos decidir pelo uso correto da crase. Vamos a eles.► A crase normalmente só é usada antes de palavras femininas,exceto nos casos de contração com os pronomes demonstrativosaquele e aquilo (Deu de bandeja àquele adversário. / O medo conduzàquilo que todos rejeitam). Outra exceção acontece quando estãosubentendidas as palavras femininas moda ou maneira.Exemplo: Gostava de gingar à (maneira de) mestre-sala. / Vestiaseà (moda) moicano.► Apesar de não se empregar a crase antes de palavra de significaçãoindefinida (como já vimos na primeira parte deste estudo), háalgumas situações em que o uso se faz necessário, como em algunscasos envolvendo a palavra “uma”.Exemplos: Retornou à uma hora (nesse caso trata-se da primeirahora antes do meio-dia ou da meia-noite).As pessoas gritaram à uma voz (aqui há a ideia de simultaneidade,significando “ao mesmo tempo”, “de comum acordo” etc.)► Importante estar atento para quando o “a” estiver subentendidonuma frase.Exemplo: Subordinou a estrofe do primeiro texto à do segundo.Nesse caso, “estrofe” se repete depois do “a”,mesmo não estando grafada. Colocamos a crasenormalmente, como se a palavra ali estivesse.► Independentemente das regras de uso dacrase, em algumas expressões fixas envolvendopalavras no feminino ela vai ocorrer. Exemplosde locuções:Adverbiais: As meninas saíram às escondidas.(Entram nesses casos também: à toa, àsvezes, à esquerda, às pressas etc.)Prepositivas: Se lançaram à procura da fama.(Outros casos: à espera de, à beira de etc.)Conjuntivas: Vibrava loucamente à medidaque ia obtendo pontos. (Também: à proporçãoque)► Alguns substantivos e adjetivos “exigem” apresença da preposição “a”. Quando as palavrasque seguirem forem femininas(solicitando portanto o artigo “a”),vai ocorrer a crase.Sandro GomesExemplos:Os religiosos são contrários à guerra. / As mulheres se mostraramdesfavoráveis à intervenção. / Esse problema é necessário àevolução. / Mostrou que tinha horror à comunicação escrita.O mesmo vai ocorrer a partir de verbos que “exigem” a preposição “a”.Exemplos: Costumava perdoar a falta à menina. / Semprepreferia obedecer à lei. / Deveria visar à meta com insistência.Para terminar este nosso estudo sobre a crase, vamos nos voltarpara aquelas pessoas (minoria, felizmente) que acham que esteacento tem apenas a função de “complicar” a vida dos falantes e/ouescreventes de Língua Portuguesa. Nos referimos a algumas situaçõesem que o não uso da crase permitiria ambiguidades que, provavelmente,dificultariam o entendimento. Observe a seguinte frase.Só chegando próximo pude perceber que ela cheira a rosa.Se não usamos a crase, estamos diante do objeto direto que completao verbo “cheirar”. Quem cheira, cheira alguma coisa, que no caso da fraseacima é a rosa. Mas se nosso objetivo ao produzir essa frase foi declararo tipo de cheiro que identificamos na pessoa citada, certamente falhamosno enunciado, pois deveríamos ter empregado a crase. Veja.Só chegando próximo pude perceber que ela cheira à rosa.Como se vê, a crase atuou como um elemento que liquidou comqualquer possibilidade de não compreensão do enunciado, já quecom ela vamos entender que a rosa não é um objeto direto, masum indicativo do tipo de cheiro que o falante ou escrevente doenunciado detectou.Assim terminamos o nosso ciclo de estudos sobre acrase, em que buscamos reunir o maior número possível desituações de uso desse acento, para que você pudesse tera seu dispor um acervo variado de exemplos e possibilidadesde compreensão. Esperamos ter colaborado parareduzir as dúvidas, normalmente abundantes, sobre estaquestão. O estudo dos casos aqui abordados e a práticapermanente através da leitura e da redação vão permitirque você tenha um bom domíniodo assunto. Até a próxima!Sandro Gomes é Graduado emLíngua Portuguesa e LiteraturasBrasileira e Portuguesa, além deRevisor do Jornal Appai Educar.Amigo leitor, dúvidas, sugestões ecomentários podem ser enviados para aredação do Jornal Appai Educar, através doe-mail: redacao@appai.org.br.Jornal Educar 23


InterdisciplinaridadeO evento da escola vai começar dentro de meia hora.Nesse meio-tempo, Edmilson, ex-aluno da instituição, passaas últimas orientações para o seu time. Ele entra na sala epergunta à diretoria se já estão todos prontos para receberos visitantes. Esse é o clima harmonioso que antecede aI Feira Pedagógica, com turmas da Educação Infantil e EnsinoFundamental, do Ciep Marechal Júlio Caetano Barbosa, situadoem Bangu. “Edmilson estudou aqui e volta para contribuir coma equipe, uma lição de solidariedade”, afirma a coordenadorapedagógica Cátia Marques.Mas não era esse o retrato do Ciep. Baixa autoestima,agressividade e fraco rendimento faziam parte do quadro daescola. Para reverter a situação os professores tiveram a ideiade organizar a I Feira Pedagógica com objetivo de levantaro moral do alunado. Segundo a diretora Marise Barreto, aautoestima da clientela era o alvo do trabalho: “Eles nãovalorizavam o local em que moram nem onde estudam. Erapreciso uma intervenção para levá-los a entender que, paraviver num lugar legal, a gente precisa aprender a amar e acuidar”, justificou a diretora.A barraca Repense, reaproveite, reduza! abriu a exposiçãocom o tema “Meio ambiente e reciclagem”. O 3º ano recebeu odesafio de montar uma maquete com duas cidades paralelas:uma poluída, cinzenta e suja, e outra limpa, arborizada e bemcuidada. A pergunta “De que lado queremos ficar?” levava aspessoas a refletir sobre uma qualidade de vida melhor, a partirde pequenas mudanças de atitudes, como não poluir as ruase rios e reciclar o lixo. “Eles adoraram a ideia de viver num24 Jornal EducarProjeto aposta no potencial criativo para superar adversidadesFazendo Ciências: o pequeno Erik chamavaatenção como paleontólogo com suasferramentas de trabalho no estande deciências naturais, que também falou sobreplantas medicinaisCom os brinquedos confeccionadosna brinquedoteca, alunosdesenvolveram conceitos de direitae esquerda, contramão e outrassimbologias do trânsitoClaudia Sancheslugar “politicamente correto”,brincou a professora Carla.No estande Reciclando ideiasvasos de mudas, bancos e mesas feitoscom caixas de leite preenchidos com jornal,fogão de papelão, jogos com tampas degarrafa, porta-treco, móbiles com rolinhos depapel e até um cavalinho de vassoura, quasetudo feito utilizando pets. Uma verdadeira brinquedoteca.O que se destacava na barraca da professoraVanessa, da Educação Infantil, era a criatividade parainventar os brinquedos a partir de material reaproveitado. Ideiasnão faltavam, de acordo com a professora, que recebia sugestõesde alunos, pais e profissionais de Educação.Com o tema Adaptações curriculares e comunicação alternativa, a professoraZelina e seus alunos deram uma aula de como driblar as dificuldades quea vida apresenta. A turma expôs material didático para atender o portadorde necessidades especiais. A partir das suas próprias experiências, o grupoda educação especial criou pranchas para deficientes físicos, brinquedospara manuseio de cegos, como a caixa tátil com várias texturas e formasvariadas, e o dominó gigante com alto relevo, além de material didático comoletras grandes, caderno de pautas mais largas, bloco de comunicação comfiguras, entre outrosapetrechos. “A metaé impelir as pessoas eprofissionais da educaçãoa encontrar formaspossíveis de atingir essesalunos e tornar avida mais prática ealternativa, além de


Levando conhecimento e lazer aopúblico: o vulcão de argila divertiupais e alunos, que puderam tambémver apresentações de gruposculturais como o de capoeira.Feira mobiliza comunidade e elevaautoestima do bairroproporcionar uma qualidade melhor de vida aos cidadãos”,explica a professora.O tema Letramento e arte mostrava que as produçõesartísticas têm tudo a ver com ciência. O pequeno Erik, daEducação Infantil, chamava atenção dos visitantes para ovulcão de argila, e pela pose que fazia para falar sobre osdinossauros, confeccionados e pintados pelos alunos. “Soupaleontólogo”, afirmava o pequeno enquanto mostrava seusinstrumentos de trabalho e convidava os visitantes a participaremda experiência da explosão do vulcão.E o que Matemática tem a ver com trânsito? Tudo, de acordocom as professoras do 2º ano Andréia e Verônica, que aproveitaramos números das placas e das estatísticas para fazer o“Matematitrânsito”. Eles desenvolveram conceitos como direitae esquerda, contramão e as simbologias. A questão social nãopoderia ter ficado de fora. Segundo as professoras o tema é muitorico e permite explorar os valores. O grupo também fez umapesquisa sobre o comportamento do pedestre nesse contexto.Para suavizar o aprendizado dos números nada melhordo que a arte, garantia a professora Mônica, da Classe deAlfabetização. “Como eles estavam vendo muito as letrasnessa fase, achamos um bom momento para introduzir osconceitos matemáticos a partir de desenhos e colagens. Nofim do projeto eles viam quadrados, círculos e números emtudo”, justifica. As crianças mostravam as variadas técnicas de produçõesartísticas, como mosaicos, colagens de lã com formas variadas, dobradurase pinturas. Mônica conta que foram trabalhados conceitos de espaço, simetria,profundidade, simbologia e medidas. O pequeno Leonardo mostrava asua comunidade toda decorada em mosaico azul.A barraca do “Mercadinho” foi uma verdadeira feira segundo a professoraSani, do primeiro ano, que explorou a matemática do dia a dia. Com umacaixa registradora e dinheiro os alunos se divertiram e faziam as contasenquanto brincavam: “Eles simularam um mercado de verdade com preçosexpostos nas mercadorias feitas com sucata, fizeram lista de compras e aindacriaram uma propaganda para divulgar as promoções do supermercado.Trabalharam noções de adição e subtração, noções de quilo e litro além dalinguagem da propaganda”.Na avaliação de Cátia, a feira de conhecimento superou a questão da aprendizagem.Para os alunos do Ciep, foi a oportunidade de produzir e revelar suashabilidades e criações à comunidade.A coordenadora acredita quea autoestima deles aumentou eisso se refletiu no comportamento:“Eles pesquisaram, escreveram,pintaram. Mas mais importanteque isso é o fato de que todos estiveramenvolvidos no processo ese perceberam capazes de criar eserem produtivos. O corpo docentepercebeu que a falta pode ser superadacom ideias alternativas. A escolaestá de cara nova, mais limpa,organizada, e o rosto das crianças,com um sorriso iluminado”.Ciep Marechal Júlio CaetanoBarbosaRua João de Lacerda, s/nºBangu – Rio de Janeiro/RJCEP: 21820-229Tel.: (21) 3338-8574Diretora: Marise Barretoda CostaFotos: Marcelo ÁvilaCrianças eeducadores levarampossibilidadesreais de melhorara qualidade devida através dacriatividade einiciativa de grupo,confeccionandomaterial didáticopara portadoresde necessidadesespeciais, como, porexemplo, pranchaspara cadeirantesJornal Educar 25


ArtesSandra MartinsAo visitar a exposição de artes na sala Lecy Panissetdo Colégio Estadual Raul Vidal, em Niterói, as pessoas sesurpreendiam ao saber que todos aqueles belos trabalhosforam desenvolvidos a partir de quilos de papéis e diferentestipos de detritos descartados na escola. A outroraembalagem de poliestirenoexpandido, EPS na sigla internacional,mais conhecido comoA arte como veículode produção deconhecimentoisopor, serviu de suporte para e sensibilizaçãofoi utilizada noversões da clássica pintura de projeto através deintervenções queTarsila do Amaral, “Abaporu”.empregaram o lixoPorém, mais importante do como matéria-prima esuporte na confecçãoque aprender a transformar de objetoso lixo em matéria-prima paraprodutos artesanais é o processodesencadeado de repensar suas própriaspráticas cotidianas e se tornar co-responsávelna defesa do meio ambiente.Essa possibilidade de se dar umnovo ciclo de aproveitamento aosmateriais é um dos objetivos do projetoO papel de todos nós, desenvolvido pelaprofessora de produçãoartística NoemiaMuniz. Estaproposta de conscientizaçãoambiental integraum projeto maior – Eco Vidal– Vital para o planeta – focadona redução do volumede lixo produzido na escola,despertando nos alunos ena comunidade escolar aimportância do não desperdício.Só para se ter ideiada importância desta açãopedagógica, no Colégio RaulVidal circulam cerca de 3 milpessoas – entre professores,alunos e funcionários –, sendoproduzidos em torno de1,2 mil litros de lixo por dia.Tendo como pano de fundo a máxima do francês AntonioLaurent Lavoisier (1743-1794) “Na Natureza nada seperde, nada se cria, tudo se transforma”, os alunos foraminstigados a repensar sua postura e a se conscientizar sobreo problema do lixo e sobre as formas de manejá-lo. Para adiretora geral, professora Neli Afonso Ramos, reaproveitarpressupõe uma nova mentalidade e uma nova mudançade hábito em esgotar o uso dos materiais coletados antesde jogá-los fora. Para a realização da proposta geralforam envolvidas as disciplinas de História, Ciências,Matemática e Arte, “levando os alunos a pesquisaremo tema e buscarem alternativas para a reutilização e oreaproveitamento do lixo”, disse.Animada com o desempenho de seus alunos – dasturmas 604, 605, 801, 901, 902, 1007, 2001, 2002,2003, dos ensinos Fundamental e Médio –, aarte-educadora Noemia ressalta sua preocupaçãoem buscar a melhor forma deorientar o estudante para que ele possafacilitar o aprendizado. “Se a receitanão dá certo, vamos tentar outro caminhopara facilitar a resolução do problema,sempre com muita paciência e humor. Essajuventude precisa se encantar e a arte possibilitao resgate desse encantamento”.Lição bem dada, lição aprendida. Pelo menosé o que demonstrou Maria Albuquerque, 30 anos, do2º ano do Ensino Médio, que, apesar de ter os trabalhosartesanais como tradição familiar, por conta de problemasvários, afastou-se dessas atividades manuais. Com o desenvolvimentodas aulas e incentivo da professora, Maria foi se deixando absorverpela criatividade, reativando sua sensibilidade para as artes. “Astécnicas estão em constante aprimoramento”, disse, ao mostrar asbelas peças criadas por ela e por seus colegas.No trabalho pedagógico, os alunos levantaram dados sobre a importânciada coleta seletiva e reciclagem; participaram de oficinasde produção de papel marchê, com a confecção de objetos, inclusiveembalagens diversas. Assim, fizeram arranjos florais que compuserama decoração da sala de artes, bijuterias misturando retalhos detecidos e papel formando belos cordões e pregadeiras de fuxico, quea aluna Lohaynne Izes fez questão de mostrar, afirmando que muitasdaquelas peças, certamente, poderiam ser vendidas.26 Jornal Educar


Para dar conta da quantidade de material a ser manuseado pelosalunos, a professora Noemia criou um sucatário na sala de artes. “Aparasde papéis, embalagens de leite, retalhos de tecidos, enfim, todotipo de material que poderíamos utilizar para as oficinas. O pessoal dacozinha nos ajudou muito, separando muita coisa que iria normalmentepara o lixo. Como é o caso das bandejas de isopor que as duplastransformaram em brasões de sua turma”, disse a educadora.Para este trabalho, a professora explicou as origens da heráldicae sua relação com os brasões de armas ou escudos. A heráldica remontaaos tempos medievais, em que os participantesdas batalhas e dos torneios tinham que seidentificar, assim como descrever os serviçospor eles prestados e que eram pintados nosseus escudos. O mesmo procedimento foi seguidopelos estudantes. Segundo Jonatas Nery, alunodo Ensino Médio, eles deveriam criar um brasãode armas. “Nosso brasão e a sua descrição deveriamser alguma coisa com a turma ou o colégio.”Antes de brasonar – ato de desenhar um brasão –,os “heraldistas” devem seguir as descrições criandofiguras precisas segundo uma série de regras maisou menos rigorosas. Essa descrição escrita seguenormas próprias da linguagem heráldica.Entre os vários objetos expostos, a estudante ShirleiMarília chamou a atenção para engraçados bonecos comcabelos estilo moicano feitos de papel marchê – a receita no boxe ésemelhante à utilizada pelos antigos egípcios, há séculos. A técnicase popularizou com os franceses no século XVIII, com esse nome quesignifica papel mastigado. Para ela, as oficinas foram bastante divertidase muito criativas, além de tratarem de coisas que parecem nãoter valor e que, através de técnicas específicas, se transformavam emoutras coisas completamente diferentes da sua função original. Comofoi o caso das embalagens de presentes, que originalmente servirampara acondicionar leite.Leone Ribeiro, ao mostrar a tela que fez inspirada em Tarsila do Amaral,falou em como a professora foi paciente ao ensiná-los a trabalhar compapel marchê, tanto usando as técnicas e material adequado para fazero papel, como preparando as telas para serem pintadas posteriormente.“Usamos uma colherzinha para alisar as camadas da massa de papelmarchê, para não embolar ou ficar grosseiro. Uma vez a cola branca haviaA artista plástica e arteeducadoraNoemia Muniz,com seus alunos e parceirosde empreitada, desenvolveupossibilidades interessantesde dar um novo ciclo devida de aproveitamento aosmateriais descartadosacabado, e nós a substituímos porfarinha de trigo. As merendeirasnos ajudaram muito”. A receita ésimples e de fácil utilização.Mais importante do que ensinar algumastécnicas para lidar com reciclagem de lixo é aperspectiva da reflexão sobre mudanças de hábitos: “a conscientizaçãodas pessoas sobre o problema do lixo e sobre as formas de manejálo”,disse a arte-educadora Noemia Muniz. No seu entendimento, aspessoas podem participar da proteção ao meio ambiente adotandoatitudes simples, como a redução do volume de lixo produzido, atravésde mudanças no padrão de consumo; reaproveitamento dos materiaisjá usados, reciclagem de objetos que seriam dispensados, dando-lhesoutros usos e aumentando-lhes a vida útil.Colégio Estadual Raul VidalRua Fróes da Cruz, 2 – Niterói/RJCEP: 24030-030Tel.: (21) 3601-2405Responsável: Professora Noemia MunizFotos cedidas pela escolaMassa do Papel MarchêIngredientes:Potes, papel ofício, cadernos antigos, papel em geral.Coar essa polpa numa peneira e espremê-la para tirar o excessoCola branca ou grude feito no fogão, farinha de trigo e vinagre.de água.Liquidificador, bacia, pano, tinta, gesso (opcional) e peneira.Colocar a polpa espremida na bacia e esfarelar com as mãos.Modo de fazer:Adicionar uma colher de vinagre e uma colher de farinha de trigo.Picar o papel. Deixá-lo de molho na água por 24 horas.Misturar tudo até formar uma massa homogênea.Colocar a massa no liquidificador e bater com bastante água. Pronto! Agora é só usar a criatividade.Jornal Educar 27


HistóriaEstudantes usam a expressão artística para contar a trajetória da humanidadeWellison MagalhãesPodiam-se contar dezenas, aliás, centenas de jovens e adolescentes,agrupados em ambientes diversos expressando sua criatividade.Em cada sala de aula da Escola Estadual Maria Terezinha de CarvalhoMachado, na Zona Oeste Carioca, maquetes e outras manifestações artísticastinham a missão de contar a história da humanidade. O projetocultural começou a ser desenvolvido, considerando todo o programapedagógico de uma escola, ou seja, obedeceu a uma necessidadedos alunos, teve aspectos multidisciplinares envolvidos e precisou deantecedência para que a culminância pudesse dar certo.O tema trabalhado entre os alunos foi A Trajetória da humanidadee a construção de uma nova realidade. Nas salas os estudantesse concentraram em fazer uma exposição mais cultural e científica,e no pátio as apresentações foram todas artísticas. Os professorestambém abraçaram a causa e com uma disposição de impressionaros olhos de muitos diretores de escola, afinal de contas eles tiverama responsabilidade de visitar sala por sala, ouvir e assistir todos ostrabalhos de todas as turmas, numa espécie de banca avaliadora.Outro diretor adjunto, o professor Jorge Luiz, afirmou que todasas atividadesforamabertas aoO projeto busca valorizaro conhecimento que oaluno possui e atua comotransformador de novasideias abrindo um lequede informações sobrearte e cidadania, além deoferecer outras opções,não só de lazer, mastambém de perspectivasprofissionaispúblico. Contudo, como o horário da manhã impede o acesso demuitos pais, os trabalhos estavam sendo basicamente assistidos pelocorpo docente da escola e os próprios colegas estudantes, o que porsi só tornava o público impressionante. Os trabalhos contaram realmentecom o lado criativo de todos acrescentado, é claro, de muitapesquisa, já que todas as turmas necessitavam fazer apresentaçõesexpositivas, explicando a razão da atividade, objetivo das matériasenvolvidas, bem como os resultados alcançados.A turma 1001 dividiu-se em 8 grupos. Cada um ficou com umaparte da sala para expor cartazes, esquetes ou maquetes explicandoa evolução da humanidade e os prejuízos causados à natureza, porconta desta evolução. Com camisetas e uma decoração apropriadachamavam a atenção para o desmatamento, a ausência de água noplaneta e os ataques mortais sofridos na fauna e na flora. Nada dissoteria acontecido, porém, se estes alunos não tivessem trabalhadojuntos por algum tempo.A turma 1002 voltou ao passado, aliás, criou uma linha do tempodentro da sala de aula. Com discos de vinil pendurados por todosos lados, roupas rodadas de bolinhas e cabelos, ao estilo anos 60,chamaram a atenção para a cultura e suas mudanças ao longo dahistória da humanidade. Para isso não faltaram os discos, os CDs enem mesmo o Funk carioca, como marca cultural da época atual.A professora Ana Paula Portela, de português,deixou claro que o grande objetivodo trabalhofoi debatera influência damúsica e suasdiferenças, nocomportamentodas pessoas aolongo dos anos.Já a 1003 discutiua linguagem dohomem. Diante deum público formadopor professores ealunos, montaramuma sala de jantaronde dois casaisconversavam de ummodo formal. Ao fundodeste ambiente osestudantes se dividiram em dois grupos que falavam numestilo mais coloquial e popular.A turma 1004 abordou a saúde. Cartazes sobre o tema, a maquetede um hospital e camisinhas estavam à disposição de todosos visitantes. Eles distribuíram também cartilhas que destacavama prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Os alunos da28 Jornal Educar


Do materialreciclado ao teatro,tinha de tudo naexposição da escola;até um grupo decheerleaders animoua sala que contou ahistória do esporte1005 falaram sobre cidadania edecoraram a sala com dizerespara expor o tema.Na sala 1006, os estudantesse voltaram para a política. Usaramcomo formato uma espéciede Jornal Televisivo, com apresentadores,debatedores (ospróprios alunos) e uma pequenaplateia formada pelos próprioscolegas, que faziam perguntaspara os participantes, todas relacionadasà política e à corrupção.Para a professora Telma Alves,de Geografia, projetos como essepodem ajudar socialmente osalunos: “Isso nos ajuda a evitaro ‘bullying’, por exemplo”, destacou.Até religião foi assunto discutido no evento. Os jovens da 1007encontraram diversas maneiras de falar sobre o assunto e explorara proposta do projeto. Era possível ver a história das religiões nasala de aula ou falar sobre as comidas trazidas por negros africanos,que introduziram práticas religiosas no Brasil, ou as Cruzadas, quemarcaram a história da humanidade.Os estudantes da 1008 discorreram sobre a história do esporte.Cartazes lembravam as Olimpíadas, e um pequeno campo de futebolfoi criado no centro da sala. Algumas alunas vestiram-se de “Cheerleaders”,exatamente como as meninas que ficam à beira do campodançando e cantando para incentivar o time. A sala estava verde eamarela, uma homenagem ao Brasil.Para falar sobre a história das artes os estudantes da turma 2004criaram um labirinto, que obrigava todos os visitantes a passear pelosvários momentos vividos pela humanidade. Na entrada, um alunocaracterizado como homem das cavernas recebia o público. Quemseguia o labirinto da história podia encontrar músicos e poetas romanos,uma roda de samba e finalmente a música contemporânea.Nem mesmo o apagão foi esquecido. Os alunos da3002 coordenados pelos professores Francisco José,de Física, e Maria Neide, de Educação Física, falaramsobre a energia. Montaram na sala lâmpadas que iluminavamo ambiente. Algumas velas estavam acesaspara explicar que nem sempre a humanidade pôdecontar com a energia elétrica. A pergunta principalera: como o homem pode viver sem energia? Elestentaram provar que é possível.Todavia, a feira cultural não se resumiu apenasàs apresentações no ambiente da sala de aula.Para abrir mais uma atividade foi convidado umex-aluno da escola, Markus Paulo, que fez umaapresentação de dança que empolgou a todos.Para ele este tipo de projeto faz surgir talentosinteressantes: “você não pode imaginar o queencontramos nesses trabalhos de escola. Genteque nunca dançou, com dois ou três ensaios, apresenta coisas formidáveis”,destacou. E alguns levantaram o público, como a apresentaçãoda 1001, de Salsa e Merengue, e a 1002, que, ao contar a história dacultura musical, fez apresentações que foram de “Estúpido Cupido”,dos anos 1960, passando por “Grease, nos tempos da Brilhantina”, de1978, Thriller, de Michael Jackson, e mais uma vez o Funk carioca.A feira caminhou para o seu final, com várias outras apresentaçõese uma alegria, satisfação e entusiasmo que pareciam não terfim. Para quem falou o tempo todo sobre a história, eles agora têmmotivos de sobra para encaixar na agenda um evento para contar,e não mais esquecer.Colégio Estadual Maria Terezinha de Carvalho MachadoRua Cândido Benício, 826 – Praça Seca – Jacarepaguá – Rio de Janeiro/RJCEP: 21320-060Tel.: (21) 2333-5609Diretor: Paulo Cesar Magalhães de SouzaFotos: Marcelo ÁvilaJornal Educar 29


CiênciasInstituto de Educação inaugura novo espaço CientíficoFábio LacerdaViver o presente e pensar no futuro sem esquecer o passado. Olema está entoado nos 38.000 m 2 do Instituto Superior de Educação,um dos centros educacionais mais tradicionais do Estado do Riode Janeiro e do Brasil. Na SemanaNacional da Ciência e Tecnologia,alunos do Ensino Fundamentale Infantil é que ganharam opresente: o Espaço Sala deCiências, inaugurado durante Marianna Bernstein eMarlene Benchimol,a apresentação da Feira da Ciência.cortam o laço eambas do Cecierj,inauguram o mais novoA beleza arquitetônica continuaintacta. Quem adentra os Ciências do centenáriocentro tecnológico deportões centenários do Instituto colégio. A diretoraSandra Gomes, que háSuperior de Educação do Estado 27 anos dedica suasdo Rio de Janeiro não tem como atenções ao InstitutoSuperior de Educação,ficar encantado com o estilo neocolonial,que impera no bairro ver a tesoura cortar ademonstra a alegria aofaixa amarelada Tijuca desde 1880 quandoali funcionava a Escola Normalda Corte. Entre idas e vindas, aolongo dos 129 anos de dedicaçãoincondicional à educação públicade qualidade, o Instituto Superiorde Educação viveu a sensação de diasmelhores durante a Semana Nacional daCiência e Tecnologia.Uma das dependências estava repleta de alunos, que apresentaramo workshop sobre Ciências Naturais antes da conferência promovidapela Diretoria e profissionais do Cecierj (Centro de Ciências do Estadodo Rio de Janeiro), apoiados pela Faperj (Fundaçãode Amparo à Pesquisa no Estado do Riode Janeiro). Aproximadamente 250 alunosmultiplicaram seus conhecimentos sobrefauna e flora, preconizando as responsabilidadesque cada cidadão deve colocarem prática na hora de preservar o meioambiente e melhorar a qualidade de vidada população, que se apresenta cada vezmais numerosa.Nos estandes, a maioria das engenhocase os informativos mostrarama habilidade manual e a criatividadedos aprendizes. Os alunos do EnsinoFundamental e da Alfabetização deramuma ‘aula ao ar livre’ sobre os cuidadoscom os lugares habitados, seja emterra firme ou no fundo do mar. Apósa reverência ao Hino Nacional, a Mesade Honra – composta pela diretora doInstituto Superior de Educação, SandraSantos; Professora Mônica Damouche,vice-presidente da fundação Cecierj; ProfessorLuis Sérgio, diretor do Colégio Aplicação; Professora30 Jornal Educar


Marlene Benchimol, coordenadora,e MariannaBernstein, ambastambém do Cecierj– iniciou o discursopara a apresentaçãoda mais nova aquisiçãodo Instituto Superiorde Educação,o Espaço da Ciência.De acordo com aequipe pedagógica, acriação do Espaço daCiência vai proporcionarao aluno maiorexecuções de experiências para osMicroscópios modernos para facilitaro ensino e a aprendizagem nasdinamismo na aprendizagempedagógicaaumentar as expectativas e melhoraralunos dos ensinos Fundamental eMédio; ao lado, recursos multimídia parainiciada em sala deo desenvolvimento pedagógico dadisciplina em questãoaula. A compreensãodos conteúdosnas áreas de CiênciasNaturais, o processo deinvestigação científica, amanipulação dos materiais, dosseres vivos e dos instrumentos serão valorizados para a compreensãode conceitos e capacitação de agir em situações adversas.Segundo a Professora Marianna Bernstein, a teoria não colocadaem prática é uma forma de ensino obsoleto e cansativo para o desenvolvimentointelectual. “Queremos proporcionar uma nova visãode ensino de Ciências, pois absorver conhecimento através dasatividades práticas melhora o desenvolvimento docente e discente.A adequação de horários semanais para a utilização do Espaço daCiência é a nossa meta e complementa as informações recebidas emsala de aula”.Microscópios sofisticados, aparelhagem multimídia,aquário para estudo dos peixes, o esqueletode borracha pendurado no armário paraconhecimento do corpo humano e mesascoloridas deram vida ao espaço que, anteriormente,estava em desuso. Além detodo o aparato tecnológico, o mais novolaboratório contará com material didáticode apoio produzido para o curso deCapacitação e Atualização dos professoresno ensino de Ciências. Eles fizeramuma reciclagem de seus conhecimentosdurante 12 meses e aprenderam a manusearos equipamentos instalados.Quem ama, cuida!O diretor do Colégio de Aplicação, professorLuis Sérgio, foi breve e direto noseu discurso. Em poucas palavras afirmouque, tão importante quanto o processoProfessoras de Ciênciasposam com os Certificados docurso de um ano desenvolvidopela Faperjde aprendizagem, é a questão da manutenção e ordem logística.“Não vou requerer muito tempo. Todos nós, sem nenhuma exceção,temos que ser os guardiões dessa nova e equipada salade Ciências. Parabéns por mais uma conquista do Instituto Superiorde Educação”.Após cortar a faixa amarela que “lacrava” a porta do Espaço daCiência, a professora Marlene Benchimol foi condecorada pela DiretoraSandra Santos com a medalha alusiva à formatura do curso Normalcorrespondente ao nível médio, item tradicional no Instituto, queretomou a formação de professores a partir do final dos anos 1990.Marlene Benchimol não foi a única a ser congratulada no mês em queo Instituto Superior de Educação festeja 44 anos da inserção no Livrode Tombo das Belas Artes da Divisão do Patrimônio Histórico e Artísticoda Guanabara. As oito professoras da disciplina obtiveram seusdocumentos referentes à conclusão do curso oferecido pelo Cecierje estão contando os dias para os alunos conhecerem o investimentofeito para funcionar por muitos e muitos anos.“Temos um compromisso pedagógico com oprojeto Anísio Teixeira, nosso inspirador.Consolidamos uma parceria com o Cecierj,e o investimento na alfabetização dascrianças e adultos, que estão nos anosiniciais do Ensino Fundamental, serátão importante quanto a retomada daformação de professores a partir de1999”, finalizou a professora.Instituto Superior de Educação doEstado do Rio de JaneiroRua Mariz e Barros – Tijuca – Rio deJaneiro/RJCEP: 20270-004Tels.: (21) 2565-7960 / 2580-5948Diretora do ISE: Sandra SantosFotos: Fábio LacerdaJornal Educar 31


Cidadania32 Jornal EducarColégio João Mush passa a marcha e acelera nas reivindicações por respeito ao trânsitoFábio LacerdaÉ melhor perder um minuto no trânsito a perder a vida em um minuto. Uma das diversas frases vistas na parte traseira de caminhõesque cortam as rodovias do país serviu de inspiração para os alunos do 7º ano do Colégio Estadual Monsenhor João Mush. O projeto Salvesua vida, respeite as Leis de Trânsito foi um sucesso, não só dentro da instituição de ensino, mas também pelas ruas de Nova Iguaçu.Os 105 alunos das três turmas da referida série atingiram seus objetivos, que foi sensibilizar aqueles que estão aovolante, bem como o órgão competente do município.Coordenado pela professora de Matemática Igina Francesca Guidone, o projeto pedagógico sobre as Leis de Trânsitoteve início no 3º trimestre, com a culminância ocorrendo nos três primeirosdias no final do semestre. Além das disciplinas da grade curricular,o Colégio Estadual Monsenhor João Mush insere temas do cotidiano paraelucidar as necessidades básicas para um convívio harmônico na sociedade.E o último projeto do ano será critério de avaliação para a nota do 4º e últimobimestre do período letivo.Apesar de muitos alunos estarem bem abaixo da idade permitida paraa obtenção da Carteira Nacional de Habilitação, a direção do colégio deusinal verde para os jovens se habituarem, desde cedo, com as leis queregem o tráfego rodoviário no Brasil, um dos mais críticos do mundo, cujonúmero de acidentes fatais é superior aoda Guerra da Bósnia Herzegovina, país que,juntamente com outros cinco, se separou daantiga Iugoslávia em 1992.Alunosdo 7º anotranspuseram omuro da escolapara sensibilizaros órgãoscompetentes,sobretudo osmotoristas deônibus, que nãotêm respeitadoa Lei daGratuidade paraalunos darede pública“Ainda faltam uns três anos, aproximadamente,para os alunos do 7º anopoderem adquirir a Carteira Nacionalde Habilitação, mas nossa grande preocupaçãofoi conscientizá-los sobre os direitose deveres para uma melhora educacional notrânsito. Fomos, por dois dias, agentes de mudanças emultiplicadores para a extinção dos maus hábitos. Optamospela temática em razão das milhares de reclamações porparte dos alunos e seus respectivos responsáveis, principalmentecom a conduta dos motoristas de ônibus e carros particulares,que não costumam parar no semáforo na Estradade Madureira. Os transeuntes têm suas responsabilidadestambém. Cerca de 80% dos alunos do colégio dependemda boa vontade dos motoristas de ônibus, que costumamnão parar para o aglomerado de jovens uniformizados, queacabam perdendo tempo, tanto para irem à escola quanto para casa”, relatou o diretorHugo Ribeiro, sublinhando alguns problemas de atraso na chegada ao colégio.Durante o projeto, os alunos se aprofundaram na Lei nº 9.503, de 27 de setembrode 1997, além da Convenção de Viena, da qual o Brasil participa desde 1981, queestipula novas regras internacionais para a permissão de dirigir em 97 países signatários.Contudo, o objetivo do Colégio Estadual Monsenhor João Mush foi deixar aluz amarela dos sinais de trânsito acesas na memória de quem trabalha, sobretudonos transportes coletivos e no órgão responsável pela organização do trânsito nomunicípio. Para Hugo Ribeiro, o projeto mandou recado para o Cositran (Secretariade Transportes de Nova Iguaçu), solicitando a presença permanente de um agente


de trânsito nos locais emque circulam alunos dassuas respectivas escolas.O projeto Salve sua vida,respeite as Leis de Trânsito,em princípio, era umamostra pedagógica interna,mas o Colégio Cepaeni – instituiçãoparticular que tevea sensibilidade de inserir osalunos do Colégio EstadualInteratividade e criatividade: jogos foramproduzidos para que os alunos aprendessem assimbologias das placas de trânsito através debrincadeiras, apesar de terem consciência deque o trânsito é assunto muito sérioJoão Mush no seu projeto sobre saúde na semana anterior – foiconvidado para participar da ação, aumentando o contingentede alunos que reivindicam um tratamentodiferenciado para eles como cidadãos.A participação dos estudantes foi vistacom bons olhos pela direção, e pela professoraIgina Francesa Guidone, que usou e abusou dacriatividade, exaurindo todos os temas relacionadosao trânsito e desenvolvendo as aptidões culturaisdos jovens. O projeto, que teve sua culminância nofinal do 2º semestre, reitera que ninguémé “dono da razão”, e que a troca de conhecimentose ideias pode ser realizada entrepessoas de diversas faixas etárias.“O trabalho desenvolvido no colégio chegaaos pais e responsáveis dos alunos, e consequentementeatingimos também esse grupo de familiarese pessoas de convívio próximo. A troca deinformações é importante. Não me refiro somenteao projeto, mas também aos assuntosrelevantes para a comunidade escolar comoum todo”, disse Hugo Ribeiro.Um dia antes de saírem às ruas, as três turmasde 7º ano apresentaram todos os trabalhos. O resultadofoi tão amplo que o espaço físico do colégio não foisuficiente para que a mostra pedagógica fosse estabelecida.A rua Professor Victorino Cardoso de Mattos, onde o Colégio EstadualMonsenhor João Mush está localizado, foi utilizada para a exposiçãoda temática, despertando a atenção dos pedestresque circulavam nas adjacências.As três turmas de 7º ano tiveram, igualmente, um desempenhoexcelente, e as surpresas agradáveis foram a descoberta de talentospara a composição de músicas, a elaboração de jogos sobre asleis de trânsito e a produção de um jornal, cujas estatísticas e umaentrevista com um guarda foram publicadas. Vídeos, dramatização euma coreografia da música “Rua da Passagem”, composta por ArnaldoAntunes e Lenine, complementaram a Mostra Pedagógica, que serácritério de avaliação para a nota do último bimestre do ano letivo.No segundo dia, um grupo de alunos levou faixas e fez prospecçãonas ruas próximas, acompanhado de um agente de trânsito, de professorese inspetores da escola.Apesar de os alunos, majoritariamente, estarem entre as faixas etáriasde 13 e 15 anos, Jefferson de Medeiros Bonfante, da turma 701,preconizou o respeito, não só pela sua vida, mas também com a dosoutros que trafegam diariamente pelas ruas de Nova Iguaçu, do Brasile do mundo. Para ele, todo cuidado é pouco quando um cidadãoajusta o retrovisor, passa o cinto de segurança, pisa na embreagem,passa a marcha e põe o carro em movimento.“Estou prestes a tirar a Carteira Nacional de Habilitação e já sei que otrânsito não é brincadeira. Não podemos dar atenção às provocaçõesporque existem rixas. A imprudência coloca algumas vidas em risco,inclusive de quem está sob o comandodo veículo. Respeitar as leis de trânsitoé sinônimo de segurança”, disseo aluno que tem 17 anos e conta osdias para iniciar a autoescola.Antes de saírem às ruas para uma caminhada deconscientização e entrega de material informativo, alunosfizeram um debate através de leituras que apresentaramalguns casos de direitos e deveres de pedestres e motoristas,a fim de melhorar o trânsito e torná-lo mais seguro a todosEscola Estadual MonsenhorJoão MushRua Professor Victorino Cardoso de Mattos,95 – Centro – Nova Iguaçu/RJCEP: 26220-330Tels.: (21) 2797-4347 / 7873-7672Diretor: Hugo RibeiroFotos cedidas pela escolaJornal Educar 33


Saúde34 Jornal Educar


Saúde BucalSeus dentes doem após você ingerir bebidas geladas ou comeralimentos quentes ou frios? Cuidado, isso pode ser, entre outrascoisas, um sinal de sensibilidade bucal. Sabemos que muitaspessoas relatam “dor de dente” sem apresentar qualquer sinalde cárie, fratura ou doença aparente. A dor ocorre na regiãodo dente próxima à gengiva, no local que chamamos “colo” dodente. A esta dor chamamos sensibilidade dental.Qual é a causa da sensibilidade dental?A sensibilidade dental é resultante da exposição da camadade dentina (tecido poroso) existente abaixo da coroa do dente,na raiz dentária, ficando esta exposta na cavidade bucal. Comoa raiz não está coberta pelo esmalte, milhares de canalículos(orifícios microscópicos na dentina), que saem do centro dodente e levam o feixe nervoso da polpa até a superfície, ficamexpostos e acusam a dor.O que pode provocar a exposição da raiz na cavidadebucal?A exposição da raiz na cavidade bucal pode ser provocada por:- erosão ácida (ingestão de alimentos ácidos como citrinos ebebidas gasosas);- por escovação excessiva (forte fricção da escova de cerdasduras sobre o tecido da gengiva);- má higiene oral;- acumulação de tártaro;- abuso de substâncias branqueadoras;- ranger de dentes (bruxismo).Quais as origens da sensibilidade dental?A sensibilidade dental pode ter duas origens: uma gerada pelacamada dentinária do dente e outra gerada pela polpa (porçãonervosa) do dente.O que desencadeia a sensibilidade pulpar?A sensibilidade pulpar é desencadeada por vários fatores,como infecção apical (na porção final da raiz do dente), restauraçãorecente justa-pulpar (restauração junto da polpa), cáriedentária, fratura dentária ou bruxismo.Como saber se meus dentes são sensíveis?Se você perceber uma sensação dolorosa em seus dentesapós tomar bebidas ou comer comidas quentes ou frias, issosignifica que seus dentes são sensíveis. Mas não é só vocêque sente isto. É um problema que afeta um em cada quatroadultos, às vezes de forma não permanente.Há tratamento para a sensibilidade dental?Em casos de sensibilidade dental é importante consultar o seudentista. A sensibilidade dental pode, em condições normais,ser tratada e curada.Algumas das opções de tratamento são:- aplicação de flúor tópico nos dentes;- correção de maus hábitos de escovação que possam resultarem abrasão dentária e recessão gengival;- limpeza profissional (remoção de tártaro);- reajuste dos hábitos alimentares de forma a eliminar alimentospotencialmente abrasivos;- na presença de próteses, estas deverão também ser avaliadas,de forma a detectar grampos apertados ou contatosexcessivos que causem hipersensibilidade;- na existência de cáries ou fraturas dentárias, elas deverãoser tratadas;- nas infecções apicais, o tratamento deverá ocorrer atravésde fármacos e tratamento endodôntico;- em caso de bruxismo, deverá ser controlado, de forma a impediro ranger dos dentes, que leva ao seu desgaste excessivo,causando a exposição da dentina e da polpa.Importante:Ignorar os dentes sensíveis pode levar a outros problemasde saúde bucal. Especialmente se a dor fizer com que você nãoescove bem seus dentes, tornando-os vulneráveis às cáries edoenças gengivais.Dra. Rosângela BressanCRO/SC 10248Fonte: http://www.odontolife.com.br/tratamento-da-sensibilidade-dentalExtraído em 17/02/2010.Ilustração: Luiz Cláudio de OliveiraJornal Educar 35


HistóriaDe norte a sul doBrasil as dançasfolclóricas traduziama diversidade erevelavam a riquezadesse país continentalUm povo criativo, miscigenado,empreendedore alegre. Essa é a fama dobrasileiro para o senso comum.Mas o que é mesmoesse país de dimensõescontinentais? Conhecer e resgatar as nossas tradições e realidadefoi a missão do projeto Esse povo Brasileiro, desenvolvido com osalunos dos ensinos Fundamental e Médio do Ciep 324 MahatmaGandhi, localizado em Nova Iguaçu.Segundo a coordenadora pedagógica Andreia Cordeiro, a ideiaera explorar as particularidades de cada região: cultura, aspectosgeográficos, históricos, religiosidade, economia e todos os povos queconstituem a raiz étnica da população: índios, brancos e negros, quecontribuíram para a formação da cultura brasileira. “Vivemos em umpaís continental. Por causa de sua extensão e diferenças regionaisdeixamos de conhecer e ficamos alheios à nossa cultura, não damosvalor à nossa riqueza”, justificou a coordenadora pedagógica.Andreia esclarece que todas as descobertas e o contato comas diversidades têm o objetivo de levar o alunado a respeitar asdiferenças e a religiosidade, que são o potencial do país. Para issoreconheceram os diferentes “falares” de cada região, repensandoo preconceito linguístico, relembraram as brincadeiras infantis e36 Jornal EducarAlunos e professores redescobrem o potencial do BrasilClaudia Sanchesditos populares e conheceram hábitos da medicina cultivada pelopovo. “Descobrindo a riqueza e peculiaridades, aprendemos a cuidare preservar as tradições e o meioambiente”, completa.A equipe pedagógica foi orientadaa relacionar os temas aos conteúdos.A partir da interpretação do HinoNacional e da simbologia da bandeiracomeçaram a pesquisar as regiõesSul, Sudeste e Centro-Oeste, e nosegundo semestre as regiões Nortee Nordeste. Os professores atuaramcomo mediadores do trabalho, mostrandopossíveis caminhos para osalunos. A partir do suporte teóricoconfeccionaram maquetes, escreverame interpretaram peças, alémde criarem corais e grupos de dançaque se apresentaram durante a culminância.Carla Braz, do projeto Viajandona leitura, lembra que a produçãotextual está sempre presente emqualquer atividade no colégio. Aprofessora Mirtes Trevenzolli trabalhou em parceria com Carla e seimpressionou com a participação das turmas: “Na apresentação osestudantes convidavam a comunidade para mostrar o que haviamproduzido e explicavam o significado das maquetes, gráficos e cartazes,mostrando que tinham conhecimento da causa”, contou Mirtes. Ajovem Maria dos Anjos, do segundo ano, ficou feliz por ter aprendidoe poder transmitir o seu conhecimento. Já Ignácio, do 7º ano, gostoude tomar contato com a culinária e as danças típicas do Nordeste.Os professores Márcia Viana, de Matemática, e Nélson, de História,que trabalharam com a 8ª série, também aprenderam bastante com apesquisa dos jovens: conheceram nomes de tribos da região Norte equantidade de povos ainda existentes nessa região. Com esses dadosos alunos construíram gráficos de barras e de pizza para exemplificaro número de povos por estado.Outro dado importante, que interessouos alunos, foi a necessidade de reflorestamentoda região amazônica. Comintuito de simbolizar a causa mundial ogrupo levou mudas de plantas para daraos visitantes, a fim de conscientizá-lossobre o cuidado com o meio a partir daprópria realidade. O professor Nelson, quetratou o tema do não desperdício, se sur-


Cada grupo leva umpedacinho do Brasil: Gruporepresenta a região Centro-Oeste com a maquete e falasobre o agronegóciopreendeu com ofato de os alunosnão conheceremfrutos como o açaíe o guaraná, tãopresentes em nossocotidiano, masnunca vistos poreles em sua formaoriginal.A professora Rosane,de EducaçãoArtística, e aturma do 9º anoderam ênfase nacultura da regiãoNorte com o tema “Um artista da região e suas obras”. O trabalhocontou a história do Boi Bumbá com direito à demonstração da dançae amostra de pratos típicos. Os visitantes puderam saborear iguariascomo o bolo de mandioca acompanhado com um delicioso suco demanga ou graviola. Para ilustrar a literatura o grupo selecionou algunstrabalhos do artista Hélio Melo, entre eles, “Estrada da Floresta”, “AÁrvore e a Vaca” e “A Árvore que chora”. Fizeram releituradestas obras em papel, e depois repassaram para atela. “Foi uma experiência muito emocionante para mimenquanto educadora e superou minhas expectativas, poisquem é que não gosta de pintar?” comentou.Ana Beatriz, de Geografia, em parceria com o professorCarlos Alexandre, de Educação Artística, e o 7º ano, acreditamque o projeto foi proveitoso. A turma foi dividida emoficinas de artesanato, de dança e maquete, e os alunosse interessaram em participar e apresentar. Gabriel, Samuele Inaldo foram os destaques da turma. Inaldo falouaos visitantes sobre cada peça de artesanatoconfeccionada pela turma, o que representava,o que cada aluno quis demonstrar.Samuel explicava a maquete do Planaltoda Borborema com entusiasmo, enquantoGabriel dava autógrafos nos seus livros deliteratura de cordel. Para Ana Beatriz,as atividades extraclasse são mais interessantes:“O comprometimento ea atenção que os alunos demonstramé muito maior”, justifica.A professora Valéria, do 3º ano, optou por pesquisar e construirarmas e utensílios dos índios, e confeccionou enfeites e vestuários.Uma das equipes representou a dança da chuva através de maquete.“O engraçado é que a partir daquele dia o clima ficou chuvoso...qualquer semelhança é mera coincidência! A união é a força!”. JáAdelaide, que leciona Língua Inglesa, explorou a região Nordesteatravés das belezas naturais, revelando sua vocação econômica parao turismo.Na avaliação da coordenadora pedagógica os objetivos definidosforam alcançados. Segundo ela, as equipes conheceram seu paísAlunos identificam através de gráficos eproblemas situações ligadas à má práticasexual em algumas regiões do país. Emresposta, apontam possíveis soluções. Umadelas seria a (re)educação sexualde uma forma séria,porém lúdica, e, atravésda dança e da música,desenvolverammuitas habilidades edescobriram talentos:“Conseguimosdespertar o potencial de cada aluno. Eles tiveram chance de usara criatividade ‘desse povo’ a favor deles e se dedicaram. Todospuderam comprovar na teoria e na prática como o brasileiro écriativo. Basta dar uma oportunidade a esses jovens”, concluia educadora.Experimentar as iguarias exóticasdas diversas regiões do país foiuma das atividades produzidas eapresentadas pelos discentes nodecorrer do projetoCiep 324 Mahatma GandhiRua Flávia, s/nº – Bairro Aliança – Ipiranga – Nova Iguaçu/RJCEP: 26350-280Tel.: (21) 2629-3423Coordenadora pedagógica: Andreia CordeiroFotos: Marcelo ÁvilaJornal Educar 37


AlfabetizaçãoNo auditório da escola os paiscomemoram orgulhosos a vitória queé de todos, crianças, escola e famíla: aedição do livro “Uma aventura atravésdo tempo”Alunos da realfabetizaçãose lançam na aventura deescrever um livroClaudia Sanches“Pela primeira vez na história da EscolaMunicipal Professor Júlio Mesquita alunospublicam um livro. E isso é um motivo muitogrande de orgulho para a educação do Riode Janeiro. Esses jovens são vitoriosos”. O discursoda coordenadora da 8ª CRE de Bangu, Sônia de AraújoMarques, abriu a cerimônia de lançamento da obra“Uma aventura através do tempo”, escrita pelos alunosda classe de realfabetização dos 4º e 5º anos do EnsinoFundamental.Os pequenos escritores fazem parte do projeto Se liga,parceria da Prefeitura com o Instituto Airton Senna. Oprograma tem o objetivo de capacitar professores paraensinar a ler e escrever, em turmas especiais, criançasque chegaram ao 4º ano sem serem alfabetizadas.A professora de turma Vera Regina de Salles teve umasurpresa em plena sala de leitura. Os alunos decidiramescrever um livro. Tudo começou em uma das atividadeslúdicas, chamada “Curtindo a leitura”, onde Vera leu aobra “O homem que amava caixas”, de Sthepen MichaelKing. O autor contava a história de um homem que tinhadificuldades em demonstrar amor por seu filho. Entãoconstruía brinquedos de caixas de papelão como formade expressar seu amor e, entre os presentes, ofereceuum castelo medieval ao menino.O grupo se encantou pela bela história e pelas referênciasà Idade Média e as aulas começaram a orbitar emtorno desse universo. Os estudantes tiveram a ideiade construir um castelo de sucata e resolveram criarum texto em cima da história de Stephen King. Oque era uma produção textual se tornou um projetode livro, e a professora aceitou o desafio. Redigidopelas crianças, elas eram as próprias personagense criaram as tramas do enredo. “A iniciativa foi todada turma, que se empolgou com o tema e começou adiscutir diariamente, o que culminou na ideia de registroescrito”, lembra Vera. Ingrid, Letícia, Paloma, Marcela...Todos faziam parte daquela aventura mágica atravésdo tempo.De acordo com a diretora docolégio, Teresa Cândida, o sucessoestá relacionado à gerência escolar,que foi além da alfabetizaçãoe apoiou o empreendimento, desdeoferecer condições para trabalharComemorando a superação: alunos,pais e educadores compartilhammomentos e experiências muitointensas. Crianças da realfabetizaçãoleem trechos do livro e relembram oprazer durante as etapas da confecçãoda obra38 Jornal Educar


até a procura da editora para imprimir o livro. “Eles eram estudantescom uma segunda chance de aprender a ler. Vejo aedição dessa obra como ‘o algo mais’ no projeto Se liga. Essefoi o grande mérito da professora e da turma, mostrar que épossível fazer, superar as dificuldades”, destacou a diretora.Para as educadoras que participaram, que acompanharamo processo e os progressos dos estudantes, a escolhado professor de turma fez a diferença. “Sou apaixonada poralfabetizar”, confirmou Vera, que ressaltou a dedicação e acriatividade da turma durante a produção do texto coletivo:“Eles se descobriram capazes de brincar com as palavras,criando e recriando o texto até que estivessem satisfeitos como produto final. Perceberam que, mesmo antes de dominar ocódigo escrito, são capazes de criar sua própria obra, viajando nomundo da imaginação e da fantasia, vencendo suas capacidades emostrando-se capazes de vencer suas dificuldades”.Segundo a supervisora do programa de Realfabetização da 8ª CRE,Lúcia Fiaux, que presta apoio pedagógico, o projeto também aproximoua família da vida escolar e resgatou a autoestima da turma, queera muito baixa. Algumas crianças sentiam vergonha de ter ido para aclasse especial, e hoje elas se orgulham de pertencer ao grupo que acumuloutantas conquistas. “Quando montamos a classe de alfabetizaçãomuitos alunos e famílias não aceitavam, tinham preconceito, achandoque estávamos separando os grupos. Alunos que se sentiam incapazesestão hoje aqui, resgatando a própria dignidade”, relata Lúcia.Durante a solenidade de lançamento, com direito a autógrafos paraos pais, os alunos leram o livro em voz alta,falaram sobre as etapas de produção ereceberam homenagem das autoridadesda educação. Carla deAndrade, mãe de Marcela,onze anos, que tem dislexia,se emocionava ao vera filha lendo com fluência einterpretação os trechos dahistória: “Ela não lia nadano início do ano”, lembravaa mãe orgulhosa.A maquete de umcastelo medievalinspirou toda a tramada obra-prima. Umaideia virou realidade.“Uma aventura atravésdo tempo” provaque é possível obtertransformações atravésda educaçãoTodosrevelavamo bom desempenhonaoralidade e aalegria de teremsuperado as dificuldades iniciais. “As turmas da 4ª série devem estarmorrendo de inveja não é?”, comentavam em voz baixa as criançascom a professora Vera, que espalhou cartazes e convites para divulgaro evento por todo o colégio. Os pais de Diogo, Cleide e Damiãode Souza também acompanharam todo o processo e prestigiarama vitória do filho, escritor aos 12 anos: “Estamos muito orgulhososdesses pequenos escritores. A barreira, aprender a ler e escrever,foi rompida. E ultrapassada!”, comemoravam.Para Valdineia Silva, representante da gerência de educação da8ª CRE, que visitou o colégio durante o ano letivo, e acompanhou oinvestimento dos educadores que culminou nessa produção, esse esforçoé um exemplo para toda a escola porque mobiliza professores ealunos que estão acomodados e mostra que é possível a realização dosseus sonhos. “Pequenas atitudes como elogiar, mostrar os avanços jámotivam o ser humano. Imagine uma turma de realfabetização emque não só se aprende a ler, mas se pode editar um livro. Participeide alguns momentos desse desafio e é uma honra ter apostado nessaempreitada”, concluiu a educadora durante a solenidade.Escola Municipal Professor Júlio de MesquitaRua Ribeiro de Andrade s/n – Padre Miguel – Rio de Janeiro/RJCEP: 21810-000Tel.: (21) 3331-3453Diretora: Teresa Cândida RaymundoFotos: Marcelo ÁvilaJornal Educar 39


Jornal Appai Educar(Veículo Técnico de Apoio ao Profissional de Educação)Seguro deAcidente Pessoal Coletivo(Invalidez)Serviço SocialBenefício deEducação Continuada(Ciclo de Cursos e Palestras)Médico Ambulatorial Básico Coletivo* (sem internação)(Atendimento limitado, por ser anterior à lei específica, a alguns exames,procedimentos e especialidades)JurídicoDança de Salão(Atividade Recreativa)Seguro de Vida em Grupo(Morte e para algumas doenças graves)Assistência FuneralANS - Nº 38254-0Odontológico Ambulatorial Básico Coletivo*(Atendimento limitado, por ser anterior à lei específica, a alguns exames,procedimentos e especialidades)* Nas localidades e nos limites dos benefícios disponibilizados pela AppaiConvênios e parcerias com outras instituições (Opcionais):Plano Hospitalar ColetivoPousadasOBS.: Antes de se associar, consulte a Relação de Benefícios para obter mais informações sobre a amplitude dos mesmos e outros convênios.**Ao associar-se à Appai, você poderá descontar em folha a sua contribuição associativa.**A opção do desconto em folha estará disponível apenas para os órgãos ou entidades que tenham convênio e/ou parceria com a Appai.Associação Beneficente dos Professores Públicos Ativos e Inativos do Estado do Rio de JaneiroRua Senador Dantas, 117 – sobreloja 211 – Centro – Rio de Janeiro – RJ – CEP 20031-911Tel.: (21) 3983-3200 – Portal: www.appai.org.br – Correio Eletrônico: appai@appai.org.br

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