Aprender – um jogo de crianças? - FISP

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Aprender – um jogo de crianças? - FISP

Aprenderum jogo de crianças?Um vídeo concebido pelas „Suchtpräventionsstellen Zürcher Oberland e Zurique“Tradução em português, Eunice CarvalhoQuando observamos crianças pequenas, pensamos muitas vezes: agora ainda podem brincar, mais tardena escola, terão de aprender. É verdade: ler, escrever, fazer contas etc. é o que as crianças aprendem naescola. Mas, para poderem aprender e orientar-se no meio de outras crianças, precisam de desenvolverdeterminadas capacidades, o que acontece já muito antes do início da escola, a brincar. Brincar não é,portanto, só um divertimento, tem também a ver directamente com o sucesso escolar no futuro.Com cerca de dois anos a criança consegue já distinguir tamanhos e formas simples. A separar ascolheres grandes das pequenas da gaveta da mãe ou a ordenar as peças de construção de madeira pelotamanho e pela forma. Tudo isto é um bom exercício para mais tarde, na escola, poderem observaratentamente e pensar com lógica.As crianças aprendem a coordenar os seus movimentos no dia a dia e a brincar. Uma criança quedesde pequena se veste sozinha, pode exercitar bem a sua própria coordenação.A autonomia, que com o apoio e o encorajamento dos pais a criança vai adquirindo, só a vai favorecerquando for mais crescida e for para a escola.Observar atentamente figuras ou gravuras é, também, algo que tem de se aprender:por exemplo,com a ajuda de puzzles. Para uma criança de mais ou menos três anos um postal cortado é já um bomexercício. Mais tarde podemos comprar-lhes puzzles, que vão tendo, com a idade, cada vez mais peças.As crianças começam também muito cedo a pintar. Para isso precisam de muito papel, lápis de corou aguarelas. É divertido pintar e desenhar. Ao mesmo tempo, os pequenos treinam os movimentos dasmãos e dos braços, que lhes serão necessários, mais tarde, para escrever. A alegria que a mãe e o paidemonstram ao verem estes trabalhos encorajam-nas a produzir coisas novas.Quando brincam com areia e água desenvolvem, já desde muito pequenas, a capacidade parafazer contas, o que é muito mais importante do que simplesmente contar: um, dois, três ... Ao brincarcom a areia aprendem a distinguir entre pequeno, grande e do mesmo tamanho, aprendem também oque é mais, menos e igual. A criança tem de encher a forma pequena muitas vezes até conseguir enchero balde. Depois tem de encher o balde muitas vezes até obter uma montanha. Isto é quase como maistarde fazer contas: 10 x 1 dá 10 e 10 x 10 dá 100 e assim por diante. Mas as crianças pequenas nãoaprendem teoricamente, senão na prática com areia e água.Especialmente para as mais pequenas, é muito importante que possam tocar, quando for possível,naquilo que estão a conhecer – como, por exemplo, o gelo. Todos os sentidos são importantes parareconhecer as coisas, não só com os olhos e com os ouvidos, mas também pelo cheiro, pelo gosto e pelotacto. Vale a pena, portanto, vestirem roupas práticas que se possam sujar.Nos jogos de computador os sapatos não se sujam nem ficam secos. Mas as crianças que fazemmuitos jogos no computador ou vêem muita televisão têm poucas possibilidades de desenvolveras suas capacidades. Além disso, as que vêem muita televisão têm muitas vezes dificuldade emconcentrarem-se.No entanto, há muitos jogos para todas as crianças com grande valor educativo. Por exemplo, o„memory“. Com este jogo as crianças aprendem a observar atentamente. Têm que decorar quais cartasestão aonde. Têm que se concentrar durante todo o jogo e fazê-lo até ao fim. Com a ajuda de jogosdeste tipo podem desenvolver capacidades importantes, que lhes serão úteis para a escola.Todas as crianças querem aprender para aumentar as suas capacidades. A maior parte das vezesdescobrem por elas próprias como fazê-lo. Nós adultos temos, porém, que lhes dar oportunidades parapoderem encontrar o que precisam: sejam panos, papéis e cores ou areia e água.


Tudo o que as crianças fazem elas próprias – como aqui, por exemplo, uma cabana – dá-lhes umaenorme alegria. Sem darem por isso, estão a desenvolver, ao mesmo tempo, a sua inteligência e a suahabilidade, assim como, a capacidade de observação, concentração e até a de planeamento. Além disso,aumentam a confiança em si mesmas e a capacidade de fazer, por elas próprias, aquilo que necessitam.Tudo isto vai-lhes ser útil mais tarde, tanto na escola, como na vida.A passear no bosque ou a ajudar em casa as crianças podem aprender a observar com atenção ea recordarem-se daquilo que viram. A pouco e pouco serão também capazes de descrever melhorcada situação: como é pegar em alguma coisa com as mãos, qual é a cor e qual é a forma.E, é assim que, vão aumentando o seu vocabulário. Crianças de línguas estrangeiras que sabem muitaspalavras e se podem exprimir bem na sua língua materna, terão também mais tarde, muito menosproblemas em aprender a língua local. No dia a dia há muitas ocasiões para estas conversas. Oimportante é tomarmos o tempo necessário, sempre que for possível, e prestarmos atenção ao que acriança nos diz.Temos de lhes dar também a possibilidade de estarem com outras crianças. Quando brincam emconjunto podem aprender e desenvolver capacidades importantes, como a ajuda ou pratilha entre si.Aprendem também a lutar e, em seguida, a fazer as pazes.Crianças que podem dizer o que sentem e o que querem ou não querem, vão poder orientar-semelhor na sua vida futura. Exprimirão claramente as suas necessidades e, em situações difíceis, saber--se-ão defender e afirmar-se bastante melhor. Além disso, uma personalidade forte e muita confiança emsi próprio é a melhor protecção para os jovens contra perigos como o vício e as drogas.O que não quer dizer que tenhamos que dar aos nossos filhos tudo o que eles querem. As criançasprecisam também de regras e de limites. E precisam de aprender a respeitar essas regras. Nãovamos, de maneira nenhuma, dar a escolher a uma criança pequena se quer dar a mão ou não, paraatravessar a rua. E também não vamos comprar-lhe todas as guloseimas que deseja. Podemos, noentanto, dar-lhes dentro de determinados limites a possibilidade de escolha. Pode escolher, por exemplo,se para o lanche quer uma maçã ou uma banana. Assim, ajudamos as crianças, desde muito pequenas,a adquirirem a pouco e pouco a sua autonomia.Muitos impulsos são transmitidos às crianças quando lhes mostramos livros com figuras. Aobservação atenta das figuras fomenta-lhes a atenção e a precisão. Quando ouvem atentamente ashistórias sentem-se, muitas vezes, como se fossem os próprios personagens, o que é um bom apoio parao seu desenvolvimento psíquico.O mesmo é válido para os contos de fadas que nós ouvìmos quando éramos crianças, que nósagora lhes contamos e que elas querem sempre ouvir de novo.Aprender para a escola e para a vida começa, portanto, já nos primeiros anos: é umaaprendizagem sem qualquer pressão, motivada pelo interesse, pela alegria, pelo prazer e peladedicação. Uma criança que sente que os adultos se alegram com os seus progressos e que, por outrolado, têm paciência e lhe dão ânimo quando qualquer coisa não dá bom resultado, aprende o que é terconfiança nos outros e em si própria. Esta realidade é válida tanto para os primeiros anos de vida, comopara a idade escolar.Se a família tiver vindo de um outro país é seguramente mais fácil para as crianças integrarem-sena pré-primária, na escola, se os pais se familiarizarem com os usos e costumes do país para ondevieram viver e se aí se puderem orientar e exprimir. Os pais podem, ne entanto, também ajudar osseus filhos mesmo não falando a língua local: através da sua dedicação e do seu interessedemonstram à criança que vale sempre a pena conhecer coisas novas, e que as crianças podem semprecontar com eles, com o seu apoio e a sua presença.Cada dia, cada mês, cada ano na vida de uma criança é importante para o seu desenvolvimento. Nãoimporta aonde a criança mais tarde irá viver a sua vida, é importante para o seu futuro que aproveite aomáximo este tempo.

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