Jornal - Minha Terra

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EDITORIALEmpreendernos territórios ruraisNo contexto económico e social atual, comuma grave crise da qual não se antecipa umarápida saída, a escolha do empreendedorismopara tema central deste número do Pessoas eLugares ganha uma pertinência acrescida.Se é verdade que o espírito empreendedordeve ser sempre estimulado e desenvolvido,este período de maiores dificuldades convocauma atitude ainda mais realizadora. Acapacidade de criar, inovar e correr riscos édeterminante para a construção de um futuromelhor, tanto individual como coletivo, peloque também aqui queremos dar um contributopara refletir sobre esta realidade.As Associações de Desenvolvimento Local(ADL) têm tido, desde a sua constituição,um trabalho fundamental na promoção doemprendedorismo. Desde logo porque esteestá na sua génese, constituindo-se as ADLcomo um claro resultado da capacidadeempreendedora dos territórios.Numa determinada altura da nossahistória recente, em que era preciso criarnovas respostas para o desenvolvimentodas zonas rurais, as populações e entidadesdos territórios organizaram-se para criar asADL. Constituindo-se como parcerias emque predomina a sociedade civil, tornaram-seentidades dinâmicas, que vão reinventando assuas formas de atuação para corresponderem àsnecessidades de territórios em transformação.Através da experiência de aplicaçãodo LEADER – que, na sua essência,é uma metodologia de promoção doempreendedorismo, no seu sentido maisamplo – e de outros programas com objetivossemelhantes, as ADL afirmaram-se comoverdadeiros centros de excelência na promoçãodo empreendedorismo. A abordagem doempreendedorismo no movimento das ADLincorpora um conceito muito lato que abrangerealidades muito diversas como a dinamizaçãodo associativismo, da participação cívica, dacapacidade de inovar e de “ousar fazer”.Este posicionamento tem permitido queas ADL desenvolvam um trabalho muitopositivo a dinamizar o espírito empreendedor,a apoiar tecnicamente os promotores e osseus projetos, e a criar redes de partilha e decooperação, numa perspetiva de trabalho emrede com outros parceiros do território, mastambém integrando dinâmicas nacionais etransnacioanais.Os resultados desta atuação sãoexpressivos: desde 2009, as ADL foramcapazes de dinamizar mais de 5.000candidaturas à Abordagem LEADER dosProgramas de Desenvolvimento Rural. Estenúmero é expressivo do dinamismo que,quando adequadamente estimulados, osterritórios rurais revelam e do potencial dedesenvolvimento que possuem.Essas candidaturas traduziram-se emquase 2.500 projetos aprovados, com umfinanciamento público próximo de 300milhões de euros, que com o investimentoprivado, representa um investimento totalsuperior a 500 milhões de euros nos territóriosrurais aplicados em iniciativas de investimentona área produtiva, do património e noreforço e consolidação do associativismo eda área social. Se estes números são por siimpressionantes, particularmente em temposde crise, é importante acrescentar que elespermitem a criação de mais de 2.500 postos detrabalho, percebendo-se, assim, o verdadeiroimpacto da intervenção das ADL ao nível doempreendedorismo.Trata-se de um trabalho que tem valido omelhor dos reconhecimentos por parte dosparceiros, públicos e privados, dos territóriosrurais, mas que é necessário divulgar alémfronteiras do espaço rural, disseminando asboas práticas mesmo para territórios urbanos.A capacidade de empreender constituium aspeto fundamental do exercício e daconsolidação da cidadania. Esta capacidadeaplicada em diversas dimensões da nossa vidaindividual e da nossa vivência em comunidade,permite o ato da criação, da criatividade e dainovação, fundamentais à construção de umasociedade mais justa, sustentável, equilibradae coesa.Regina LopesDiretoraPESSOAS E LUGARESN.º 02 . setembro 2011 . III série . BimestralPropriedadeMINHA TERRA – Federação Portuguesa deAssociações de Desenvolvimento LocalRua Bartolomeu Dias, 172 D, 1.º Esq.1400-031 LisboaT. +351 217 819 230F. +351 217 819 232E. minhaterra@minhaterra.pthttp://www.minhaterra.ptDiretoraRegina LopesEditorLuís ChavesConselho EditorialFederação MINHA TERRA (Regina Lopes, LuísChaves, Paula Matos dos Santos), PRODER(Ana Paula Carvalho), RRN (Ana Pires daSilva), PRORURAL (Miguel Amorim), Empower(Henrique Baltazar, Álvaro Góis)RedaçãoHenrique Baltazar (Empower), Paula Matosdos Santos, Rita Reis (Empower), TeresaNogueira (Empower)Colaboraram neste númeroMark Redman, Rui Rafael, António CarrizoMoreira, Firmino CordeiroFotografiasTAGUS/Paulo Sousa, ADELIAÇOR, JoséCarlos Aleixo/7 Maravilhas, António Lourenço,ADICES, QMN, ADRACES, NAUTURDesenho gráfico e paginaçãoÁlvaro Góis (Empower)Mapa da rota adaptado de originalde Rui CamposImpressãoEuropressTiragem6 000 exemplaresDepósito Legal000000/11Os artigos assinados exprimem a opinião dosseus autores e não necessariamente a doproprietário e Conselho Editorial deste jornal.Alguns URL foram reduzidos com o goo.gl,da Google, para facilitar a leitura.PESSOAS E LUGARES 2


Empreendedorismo social debatido em fórum da CASESGoverno quer mediatizarEconomia SocialMediatizar a solidariedade social.Foi com esta mensagemque o secretário de Estado daSolidariedade e da SegurançaSocial procedeu à abertura das“Conferências de EconomiaSocial”, organizadas entre osdias 12 e 16 de setembro, naFundação Cidade de Lisboa,pela Cooperativa António Sérgiopara a Economia Social(CASES).“Um banco de ideias comoeste e um banco de boas práticassão muito úteis num âmbitosocial e a nível local, parapermitir o alargamento dessasboas ideias com boas práticas”,afirmou Marco António Costa,assumindo que mediatizar etornar as ações de solidariedadesocial mais visíveis é umaintenção do Governo. Isto numsetor que representa 5% do PIB(cerca de 10 mil milhões de euros)e é constituído por cercade nove mil instituições, desdecaixas económicas e de créditomútuo, associações, IPSS, misericórdiasou cooperativas,como sublinhou o jornalista doDiário Económico, FranciscoFerreira da Silva, num dos painéis.Por seu turno, Pedro MotaSoares, Ministro da Solidariedadee Segurança Social,anunciou, no encerramento doCongresso, que o governo vaipromover um programa de formaçãopara dirigentes de instituiçõesde economia social.“É para nós absolutamenteessencial conseguir garantira capacitação, a formação dosquadros destas instituições.Esta aposta originou a que ogoverno apresentasse, dentrodo POPH, um programa específicode formação de dirigentesda própria economiasocial”, explicou o ministroaos jornalistas.Com o título “Conhecer oPresente. Confiar no Futuro”,as conferências tiveram aparticipação de vários oradoresdestinados a debater o conceito,a História e a realidadeda Economia Social em Portugale na Europa, os desafiosda inovação e do EmpreendedorismoSocial, a Reforma daLegislação do Setor, a criaçãoda Conta Satélite e do Observatórioda Economia Socialem Portugal, no contexto Europeu.Uma das mais interessantesconclusões das conferência éa premência de uma “interferênciajurídica” na evoluçãodo 3º setor, na medida em quea existência de vazios legaispode trazer “tensão” entreos interessados, assim comovisões antagónicas entre osmesmos stakeholders. “O contributojurídico traz patamaresde estabilização”, defendeuRui Namorado, professor daUniversidade de Coimbra. Namesma linha, Margarida Couto,da Sociedade de Advo gadosVieira de Almeida & Associados,referiu que o atual modelolegislativo é antigo e delineadopara um momento e contextosocioeconómico diferente darealidade atual. Por exemplo,o regime das Fundações é dadécada de 60, o de UtilidadePública remonta à década de70 e a lei das IPSS à década de80. A anos-luz do momentoque vivemos atualmente.A CASES, que organizouesta iniciativa, é uma cooperativade interesse público daqual fazem parte o Estado,com dois terços do capital social,e algumas entidades doterceiro setor, tendo por principalobjetivo promover o fortalecimentodo setor da economiasocial, aprofundando acooperação entre o Estado e asorganizações que o integram,tendo em vista estimular oseu potencial ao serviço do desenvolvimentosocioeconómicodo País.Economia Social e SolidáriaFórum em MontrealPorto: Jornada Internacionalde Empreendedorismo SocialMontreal, a maior cidade daprovíncia canadiana do Quebeque,receberá de 17 a 20 deoutubro o Fórum Internacionalde Economia Social e Solidária– FIESS 2011. Territórioe Desenvolvimento Local,Inovação e Empreendedorismo,Comércio justo, Trabalho,Emprego e Segurança alimentarsão os temas de trabalhopropostos.Entre os principais objetivosdo FIESS 2011 está a criaçãode um diálogo entre o Estadoe a Sociedade Civil parao desenvolvimento de políticaspúblicas para a economiasocial e solidária. O fórum éorganizado pela Chantier del’Economie Sociale, em parceriacom o governo e a cidade deMontreal, Quebeque.Assim, espera-se reunir osprincipais atores da economiasocial e solidária de países donorte e do sul, fortalecer asparcerias entre a sociedade civile o governo, destacar boaspráticas de economia social esolidária, e incentivar o intercâmbiode ideias em torno dotema a nível internacional.De acordo com a organizaçãodo FIESS 2011, a economiasocial e solidária é resultadode práticas coletivas dedesenvolvimento sustentávelque contribuem para a construçãode um mundo mais justoe equitativo.www.fiess2011.orgA Faculdade de Letras da Universidadedo Porto será palco,a 13 de outubro, da JornadaInternacional “EmpreendedorismoSocial em Portugal: aspolíticas, as organizações e aspráticas de educação/formação”.O evento, em que serãoapresentados resultados preliminaresdo Projeto EMPSOC,tanto no eixo político comoorganizacional, contará comdiversos especialistas portugueses,como a responsávelpelo projeto, Cristina Parente,do Instituto de Sociologia daFaculdade de Letras da Universidadedo Porto (FLUP), eperitos internacionais, nomeadamente,Jordi Estivill, daAsociacion para la Promocione Insercion Professional, e AlbertoFernández López, daFacultad de Ciencias Políticasy Sociología da UniversidadComplutense de Madrid.A jornada dará tambémlugar à 5ª Edição do Mêsdo Terceiro Setor, com umamesa‐redonda sobre os desafioslegais e políticos daEconomia Social. EduardoGraça, Presidente da CASES– Cooperativa António Sérgiopara a Economia Social,Deolinda Meira, Jurista doISCAP – Instituto de Contabilidadee Administraçãodo Porto, e MargaridaCouto, Jurista da Vieira deAlmeida & Associados, sãoos oradores confirmados.A moderadora Carlota Quintão,do Instituto de Sociologiada FLUP e da Associaçãopara o EmpreendedorismoSocial e a Sustentabilidade doTerceiro Setor, explica:“Um dos resultados queesperamos obter com o projetoque apresentaremos nestasjornadas é esclarecer oque é exatamente empreendedorismosocial em Portugal.O objetivo central é percebera que práticas sociais correspondeesta designação e comose pode aproximar o conceitoà realidade portuguesa.”A participação nestas iniciativasé gratuita, mas a inscriçãoé obrigatória.geci@letras.up.ptPESSOAS E LUGARES 6


CongressoInternacionalde Geoturismo© Dreamstime.comPrograma de Ação Nacional de Combate à DesertificaçãoRisco de desertificação é realNo âmbito do combate à desertificação,Portugal temassumido um papel preponderantee exemplar, tendosido um dos primeiros paísesdo mundo a subscrevere ratificar a Convenção deCombate à Desertificação,promovendo a participaçãodas populações e das instituiçõesdas áreas afetadas no seuPrograma de Ação formalmenteaprovado.A desertificação é a degradaçãoda terra, por causas naturaise atividades humanas,em regiões de climas secos,sabendo-se que mais de umterço do território continentalé “suscetível” ou “muitosuscetível” à desertificação.Erosão, incêndios florestais,agravamento do efeito das secas,despovoamento e depressãoeconómica são algumasdas causas deste processo deenfraquecimento dos solos.Porque este é um tema deimportância mundial, o ano2006 foi considerado o AnoInternacional dos Desertos eda Desertificação pelas NaçõesUnidas, sendo a Convençãodas Nações Unidas deCombate à Desertificação nosPaíses Afetados por Seca Graveou Desertificação, o únicoinstrumento jurídico queenvolve e compromete a comunidadeinternacional paracombater a desertificação ea degradação dos solos naszonas áridas da Terra, reconhecendoos aspetos físicos,biológicos e socioeconómicosque lhes estão ligados.Em Portugal, a criação doObservatório Nacional deDesertificação tem produzidoos seus frutos, permitindo amonitorização da situação edos resultados das medidase objetivos estratégicos doPrograma de Ação Nacionalde Combate à Desertificação(PANCCD).O PANCD em vigor datade 1999, estando em preparaçãoum novo programa,para o período 2011/2020.Segundo Lúcio do Rosário,Ponto Focal Nacional Adjuntoda Convenção de Combateà Desertificação, “o que derelevante e estruturalmentediferencia a proposta para oPANCD 2011/2010, face aode 1999 ainda em vigor, é, noessencial, o enfoque nos quatroobjetivos estratégicos definidospela convenção, dandoprioridade às questões daspopulações afetadas, depoisaos sistemas naturais que estãona base dos síndromas dedesertificação identificadospara Portugal, numa terceiralinha às principais sinergiascom outros processos convergentesem desenvolvimento,na agenda interna e internacional,e finalmente tratandodas questões da governaçãodos recursos”.O PANCD apresenta cincoobjetivos estratégicos: conservaçãodo solo e da água, fixaçãoda população ativa nosmeios rurais, recuperação dasáreas afetadas, sensibilizaçãoda população para a problemáticada desertificação e aconsideração da luta contraa desertificação nas políticasgerais e setoriais, num processocontínuo de proteçãode elementos naturais como osolo, a água e a biodiversidade,através da adoção de boaspráticas agrícolas, florestais,de ordenamento urbanísticoe de turismo.Despovoamentogera desertificaçãoO despovoamento é, simultaneamente,causa e efeitoda degradação das terras.Assim, para combater a desertificaçãoé necessário evitar odespovoamento. A criação decondições para a fixação daspopulações nas regiões maisdesfavorecidas tem sido umdos principais objetivos daspolíticas de desenvolvimentorural. Uma atuação que deveser pautada pela melhoria dascondições de vida das populações,através de processosque articulam a eficiênciaeco nómica, equidade sociale territorial, qualidade ambientale patrimonial, sustentabilidade,participaçãoe responsabilidade cívica.Princípios partilhados e exercitadosatravés das intervençõesdo programa LEADERque ganham corpo numaabordagem com resultadosreconhecidos.A fraca produtividade, oempobrecimento, a ausênciade alternativas e perspetivasde emprego, o esquecimentoe fragilização das populações,também conduzem ao abandonodos territórios. E, algunsanos depois, ao risco dedesertificação.Também as práticas agrí -colas são determinantesnesta matéria. “O próprioPRODER em vigor, atravésda regulamentação das medidasapoiadas, define critériosespecíficos para as culturas aadotar e as boas práticas quese lhes devem associar”, garanteo especialista no tema,Lúcio do Rosário.Sob o mote “Geoturismoem ação”, o congresso, promovidopela AssociaçãoGeoparque Arouca (AGA),numa organização conjuntacom a Câmara Municipalde Arouca, decorre entre osdias 9 e 13 de novembro, noMosteiro de Arouca.O evento pretende configurar-secomo um espaçode reflexão sobre as inúmerase pertinentes questõesdeste segmento emergentedo turismo, com notável expansãoem todo o mundo.A realização do eventoconstitui assim uma oportunidadepara clarificar oconceito de geoturismo,discutir problemáticas associadas,conhecer a visão dosagentes turísticos, partilharboas práticas e experiênciasde sucesso, fomentar redesde parcerias e promover oPorto e Norte de Portugalcomo destino de excelênciadeste subproduto turístico.Com um formato inovador,integrando visitasgeoturísticas, sessões plenárias,apresentações de comunicaçõeslivres e posters,e saídas de campo no AroucaPark, o congresso reúnealguns dos mais reputadosinvestigadores nacionais einternacionais na área dogeoturismo.Correspondendo à áreado concelho de Arouca, oArouca Geopark é reconhecidopelo seu excecionalpatrimónio geológico de relevânciainternacional, com41 geossítios inventariados,com particular destaquepara as trilobites gigantesde Canelas, as pedras parideirasda Castanheira eos icnofósseis do Vale doPaiva. O Arouca Park integra,desde 2009, a RedeEuropeia de Geoparques e aRede Global de Geoparquesda UNESCO.www.goo.gl/njiKE7 PESSOAS E LUGARES


Estudo de Grupo de Trabalho Temáticosobre ligações entre Agriculturae Economia Rural Global© Jaime Brum (Dreamstime.com)Relatório Final defendeuma abordagem integradados fundos comunitáriosPolítica europeiade coesão para 2020debatidanos Open DaysTodos os anos, desde 2003, aUnião Europeia (UE) organizaum grande evento anual dedicadoà política regional europeia,os Open Days. Este ano,o evento decorrerá entre 10 e13 de outubro, em Bruxelas,tendo como objetivos partilharboas práticas em matériade desenvolvimento regional,facilitar o networking entre asadministrações de diferentespaíses sobre as intervençõesdos fundos estruturais e contribuirpara uma discussãoaprofundada dos resultados eperspetivas da política de coesão.A edição deste ano tem umprograma que conta com 111sessões e mais de 600 oradores,contando reunir mais de 6000participantes, entre deputadoseuropeus, membros do Comitédas Regiões, presidentesde câmara e outros responsáveisde empresas, instituiçõesfinanceiras, associações internacionaise organizaçõesacadémicas, que pretendemprestar um contributo paraum crescimento sustentável eintegrador da política de coesãoe dos fundos estruturais.Os Open Days de 2011pretendem debater com a UEa implementação da políticade coesão atual e após 2013,tornando-a mais eficiente. Ofuturo da cooperação territoriale as lições a tirar de paísesem desenvolvimento são tambémtemáticas a ser discutidasneste evento.No âmbito dos Open Dayssão realizados numerososeventos locais, em muitos dosEstados-Membros. Em Portugal,estão agendados vários: a29 de setembro, na Amadora,será discutida a Promoção daCidadania Europeia a NívelLocal; a 6 de outubro, emCoimbra, haverá um encontrodestinado a promover o contactoe as sinergias de investigadores,empresas e outrosatores do setor da saúde; a 25,na Maia, será discutido o clusterautomóvel e a mobilidadeecológica; a 28, em Lisboa,terá lugar uma conferência sobrea estratégia europeia paraa região atlântica; a 1 de novembro,em Sines, terá lugarum workshop acerca do conhecimentodos mares; a 11, emGuimarães, será abordada aEuropa das tradições; e a 16,na Horta, será realizada umaconferência sobre a utilizaçãosustentável dos mares nosAçores.http://www.opendays.europa.euA ENRD (Rede Europeiapara o DesenvolvimentoRural), presidida pela ComissãoEuropeia, procedeuà criação dos GTT “Gruposde Trabalho Temáticos 1, 2e 3” que incluem especialistasde vários quadrantes enacionalidades. No cerne daatividade destes grupos estáa investigação sobre aquiloque os Programas de DesenvolvimentoRural de cadapaís estão a produzir, visandomelhorar a compreen são eaplicação da política atual, e aabordagem para o futuro.De acordo com o relatóriodo GTT 2, em termos decoe rência política e coerênciaentre os objetivo de políticase medidas a nível nacional,regional e local, a análiseconcluiu que o objetivo defortalecer os laços entre aagri cultura e a economia ruralglobal não parecem estaradequadamente incorporadosna maioria dos Programasde Desenvolvimento Ruralanalisados, com objetivossemelhantes, mas muitas vezesexecutados no âmbito dediferentes eixos e com poucacomplementaridade entre asintervenções do Fundo EuropeuAgrícola de DesenvolvimentoRural (FEADER) eoutros apoios.Além disso, acrescenta o documento,a estrutura e naturezados arranjos institucionaisvariam muito entre Estados‐-Membros. Alguns sistemasasseguram um planeamentoe execução consistentes, masoutros não, particularmenteos altamente centralizados emais complexos, com uma coordenaçãolimitada.Na prática, os resultadosda análise do GTT 2 indicamque uma abordagemmais transversal, integrada,pró-ativa e estratégica daprogramação seria benéfica,com foco em ações que produzissemos desejados resultadoseconómicos e sociais,tais como a criação, preservação,diversificação de empregose atividades, a geraçãode rendimentos crescentes ouadicionais, e o fortalecimentoda capacidade local para lidarcom a mudança.Missão: identificarsinergias e conflitosRecorrendo a uma multiplicidadede dados estatísticose estudos disponibilizadospelos Estados‐Membros,o GTT 2 procurou determinarqual a contribuição daagricultura para o funcionamentodas Economias Ruraisglobais de 18 regiões NUTS 3(que em Portugal correspondemàs Comunidades Intermunicipais)previamente seleccionadasem todo o espaçoeuropeu, para que esta fosseuma amostra aproximada dosterritórios da União Europeia.As análises às váriasregiões NUTS 3 destacamnão só as óbvias diferençasentre as regiões em termosde níveis de vida, importânciada agricultura, etc., mastambém a diversidade dentrodas regiões. Mesmo regiõesNUTS 3 relativamente pequenas(com populações de150.000 a 300.000 habitantes)geralmente contêm váriassub-regiões que se especializamem diferentes atividadeseconómicas – formas alternativasde produção agrícolaou florestal (culturas, frutas,gado, madeira, etc.), váriostipos de turismo (reservasde natureza, lazer, parques,atividades costeiras, etc.), váriasatividades de pequenascidades (lojas, restaurantes eoutros serviços).No estudo, a agriculturafoi identificada como um“setor-chave” em 14 das 18regiões estudadas, sendo queos aumentos de produção nosetor resultam em aumentosacima da média na produçãoda região. A produção agrícolaprovoca forte impactono sector alimentar, hotelaria,restauração e comércio,tudo setores que, por sua vez,têm ligações ainda mais fortescom o resto da economiarural.Verificam-se, porém, perdasde empregos em largaescala na produção de alimentosna maioria destasregiões, que não são suficientementecompensadas pelasactividades de diversificaçãoda agricultura, onde muitashistórias de sucesso tendema envolver nichos de mercadorelativamente pequenos,muitas vezes ligados ao turismolocal.Outra conclusão muito interessantedeste estudo é quea qualidade dos recursos humanos,ou, por outras palavras,os níveis de dinamismoe capacidade empreendedorae de negócios, são um dos fatoresmais importantes quedeterminam o futuro das regiõese comunidades locais,o que vem confirmar a importânciadas atividades deanimação territorial.Em traços mais gerais, oestudo realizado pelo Grupode Trabalho Temático 2 concluiuque foi encontrado umdeterminante-chave comumno desempenho de uma economiarural local: a sua capacidadede resposta ao ritmodas mudanças estruturais.http://enrd.ec.europa.euPESSOAS E LUGARES 8


Conferência da Comissão EuropeiaUm futurosustentávelpara as zonasde pescaIn Loco organiza Universidade de VerãoDurante quatro dias “muitointensos”, cientistas, especialistas,ativistas sociais e políticosdebateram em Taviraquatro temas fulcrais para acompreensão da atualidade:Ordem Social e Política, Sustentabilidade,Cidadania eConstrução da Inclusão. Entre6 e 9 de setembro, a AssociaçãoIn Loco organizou, emconjunto com o Centro de EstudosSociais e a Comissão deInclusão Social e DemocraciaParticipativa da organizaçãomundial de Cidades e GovernosLocais Unidos, a terceiraUniversidade de Verão (IIIUV) com o título “Sociedadesem Transição, ConstruindoComunidades Inclusivas aPartir do Local”.Perante os crescentes sinaisde revolta pelo mundo fora,importa refletir sobre a nossasituação e escutar quem procuradesenhar novos caminhos.Daí a perspetiva adotada: partirde experiências concretas,em Portugal e no estrangeiro,e discutir como transformarpotenciais problemas em soluçõesequilibradas e realistas.A inclusão económica e socialfoi um dos temas fortes dodebate, que nos trouxe a experiênciado Banco Palmas e damutualização, sem descurar aimportância sistémica de umasociedade inclusiva.O crescente movimentomundial de transição parauma sociedade mais conscientee menos dependenteA conferência que se realiza a 3e 4 de novembro, em Bruxelas,intitulada “Um futuro sustentávelpara as zonas de pesca”,será organizada pela DGMARE da Comissão Europeiae tem como objetivo apresentaros primeiros resultados deuma iniciativa que visa impulsionaro desenvolvimentode diferentes áreas das pescasna Europa. A conferência temainda o intuito de apresentar30 projetos pioneiros em todaa Europa que demonstram opotencial de uma nova abordagemexperimental.As zonas de pesca em todaa União Europeia são confrontadascom muitos desafios relacionadoscom a reestruturaçãodo setor e os esforços parasalvaguardar as populaçõesde peixes. O Eixo 4 do FundoEuropeu das Pescas – DesenvolvimentoSustentável dasZonas de Pesca – representauma nova abordagem experimental,que visa mobilizar aspopulações locais das áreas depesca para trabalhar em conjunto,de modo a desenvolverrespostas locais, e à medida,aos desafios que enfrentam epromover o desenvolvimentolocal sustentável.dos combustíveis fósseis teveno caso da Cidade Inglesa deTotnes um dos exemplos maisemblemáticos, mas em Portugalcomeçam a surgir muitase boas experiências, tanto emcontexto rural como urbano.A Habitação enquanto direitoe dever de participaçãofoi tema para uma apresentaçãodo trabalho que a VereadoraHelena Roseta temvindo a realizar em Lisboa,incorporando desde a baseuma filosofia de “partilha depoder” que transparece no sucessode diversos programasde “planeamento emergente”em 67 Bairros de IntervençãoPrioritária (BIP/ZIP). O novoquadro regulamentar da habitaçãomunicipal, clarificandoAté à data, mais de200 zonas de pesca em 16Estados-Membros beneficiaramdo apoio disponível aoabrigo desta iniciativa, e milharesde atores locais, estãoagora empenhados no desenvolvimentode estratégias locaise no apoio ao desenvolvimentode projetos que ajudema colmatar as necessidades específicasdos seus territórios.Em Portugal, sete Grupos deAção Costeira, são responsáveispela condução destas estratégiasde desenvolvimentolocal, no âmbito do eixo 4 doPROMAR.Trinta desses projetos serãoapresentados durante a conferência,abrangendo uma variedadede temas, desde a vendadireta de peixe e marisco, odesenvolvimento de novosprodutos, turismo, e a proteçãodo ambiente, entre outros.A maioria desses projetos sãofruto de novas ligações transsectoriaise de cooperação,bem como do envolvimentodireto de os grupos, como asmulheres, cujo potencial decontribuição para a vida económicadas suas comunidadestem sido muitas vezes subestimado.Como transformar problemasem soluções equilibradas e realistasdireitos e deveres, foi igualmenteapresentado, ficandoclaro que assenta em pressupostosde igualdade e justiça,e de estimulação dos interessadose dos seus movimentospara uma participação ativa eresponsável.Saúde foi o tema com quese encerrou esta III UV, analisadoe debatido segundo aperspetiva do envolvimentodas comunidades na construçãodas políticas de saúde.De acordo com NélsonDias, da In Loco, “foi possíveltrazer à Universidade de Verãouma série de experiênciasque estão a demonstrar, noterreno, que há outros caminhospara sair desta crise”.Novo Governocria pasta inovadoraUm empreendedorpara uma Secretariade Estado doEmpreendedorismoCarlos Nuno Oliveirafundou a MobiComp aos23 anos de idade. Oitoanos mais tarde vendeua empresa à Microsoft,naquela que foi a maioraquisição da multinacionalem Portugal. Condecoradoem 2005 peloPresidente da República,o seu nome viu-se agora,mais uma vez, envolvidonuma inovação: é oprimeiro português aassumir a pasta da recém-criadaSecretaria deEstado do Empreendedorismo,Competitividadee Inovação.O novo governanteconhece os desafios doempreendedorismo emPortugal pela sua própriaexperiência e é umdos casos bem-sucedidosde um movimentoempreendedor que temnascido nas universidadese se tem pautado pelaoriginalidade e aposta nodesenvolvimento de tecnologiasinovadoras.A subida do empreendedorismoà categoriade pasta governamental,acompanha a importânciaque a questão assumeno Programa de Governo,que elege comoobjetivos prioritários “ainovação, o fomento doempreendedorismo euma maior internacionalizaçãoda economia nacional.Neste domínio,o objetivo central é o detornar Portugal um paísde empresas de elevadopotencial de crescimentoe de internacionalização”.Para alcançar estesobjetivos, são apontadasdiversas medidas que caberáagora ao Secretáriode Estado implementar.Entre as que podem terum impacto mais directono desenvolvimento rural,destaca-se a criaçãode um pacote dirigido astart-ups, incluindo créditode pequeno montantee microcapital derisco.9 PESSOAS E LUGARES


Festa doNosso PãoPratos propostos pelas ADL foram eleitosMaravilhas da Gastronomiaescolhidas pelos portuguesesTrês produtos regionais propostose promovidos por Associaçõesde DesenvolvimentoLocal (ADL) estão entre as “7Maravilhas da GastronomiaPortuguesa” cujos resultadosda votação foram reveladosdurante um espetáculo realizadono dia 10 de setembro,apresentado por Catarina Furtadoe José Carlos Malato, naantiga Escola Prática de Cavalariade SantarémA Alheira de Mirandela,o Caldo Verde e o Arroz deProjeto Aprender a EmpreenderNo passado ano letivo, osalunos das escolas do concelhode Alvito, no Alentejo,par ticiparam no Projeto“Aprender e Empreender” quevisa influenciar positiva men -te a nova geração de habitantese a economia da regiãocom um espírito empreendedor.Este projeto, já consideradoum caso de sucesso na região,teve um impacto positivo juntodos alunos, professores evoluntários envolvidos, o quelhe valeu um convite para serapresentado num Semináriode Boas Práticas de EmpreendedorismoJuvenil no passadoMarisco, propostos pelas ADL– DESTEQUE – Associaçãopara o Desenvolvimento daTerra Quente, ADRIMINHO– Associação de DesenvolvimentoRural Integrado doVale do Minho e ADAE – Associaçãode Desenvolvimentoda Alta Estremadura, respetivamente,juntam-se assimao queijo Serra da Estrela, àSardinha Assada, ao Leitão daBairrada e ao Pastel de Belémcomo as “7 Maravilhas daGas tronomia” nacional.mês de junho, no Mindelo, emCabo Verde.A Terras Dentro – Associaçãopara o DesenvolvimentoIntegrado, em parceria com aCâmara Municipal de Alvitoe com a Junior AchievementPortugal, organização sem finslucrativos que promove o gostopelo risco, pela criatividade epela inovação nas novas gerações,abraçaram em conjuntoo desafio de implementar nacomunidade escolar de Alvitodiversos programas de sensibilizaçãoe incentivo ao empreendedorismo,através de umprojeto apoiado pelo Plano deAquisição de Competências eAs iguarias foram escolhidaspelos portuguesas e refletemo resultado de quase ummilhão de votos registados entre7 de maio e 7 de setembropela organização da iniciativa.A votação foi feita no siteoficial e na página de Facebookdas 7 Maravilhas e obtevea eleição mais participadade sempre.Inicialmente, a seleção dospratos foi realizada de acordocom as mais variadas categorias,desde entradas, a sopa,Comunidade escolar de Alvito formanova geração de EmpreendedoresAnimação/PRODER do Grupode Ação Local Terras Dentro.A Terras Dentro, enquantoparceiro responsável pela coordenaçãoe acompanhamentodo processo, acredita que estaexperiência irá ter continuidadeno próximo ano letivoe servirá de exemplo a outrosmunicípios do Alentejo, podendocontribuir no futuropara o desenvolvimento económicoda região.Os programas, previamenteconcebidos pela Júnior Achievement,são adaptados à idadedos seus destinatários. Osalunos do primeiro ciclo trabalhamo empreendedorismomarisco, peixe, caça, carne edoces. Porém, nesta votaçãofinal, a escolha foi realizadaindependentemente da categoria,sendo selecionados ossete pratos mais votados pelopúblico.As candidaturas das ADL,que se empenharam fortementena promoção destesprodutos locais, e na vitóriados mesmos, é fundamentalpara o desenvolvimento locale a visibilidade das regiões representadaspelos produtos. Opotencial turístico, económicoe cultural desta consagraçãovê-se assim reforçado e comgrande potencial dinamizador.A Federação MINHATERRA, reconhecendo o potencialque oferecia para a dinamizaçãoeconómica, sociale cultural dos territórios, foiparceira desta iniciativa, queviu os troféus dos vencedores,peças únicas produzidas pelaSPAL, serem entregues poralguns dos mais célebres chefesde cozinha em Portugal:Filipa Vacondeus, Justa Nobre,Chakall, Fausto Airoldi,Hélio Loureiro, Luís Baena eVítor Sobral.aliado aos temas da Família(1º ano) e da Comunidade(2º ano), abordando questõescomo o funcionamentoe necessidades dos núcleosfamiliares ou, por exemplo, adescoberta da tipologia de negóciosque se operam no seiode uma comunidade.Por sua vez, aos alunos do9º ano é ministrado o programaEconomia para o Sucesso,que fornece informação práticasobre finanças pessoais esobre a importância de identificarobjetivos de educação ecarreira, baseados em interesses,valores e qualidades dosalunos.As sessões são apoiadas eorientadas por voluntários,que são empreendedores locais,pessoas dinâmicas e comcapacidade de iniciativa quedisponibilizaram algum doseu tempo livre a dinamizar osrespectivos programas juntodos mais jovens.Pão alentejano, broa demilho e pão de centeiode Seia, e ainda pão dasFilipinas foram os protagonistasda 12ª edição daFesta do Pão, que decorreude 2 a 5 de setembro,integrada na Feira Anualde Cuba, numa parceriada Associação TerrasDentro e da autarquialocal.Este ano, além das 12padarias de pão alentejano,o certame contoucom a participação doMuseu do Pão (Seia) euma padeira das Filipinas,que animaram o certamecom degustaçõesde pão, para gáudio dosvisitantes.Paralelamente, o espaçoconvidava a revisitar“O Ciclo do Pão”, numaexposição cedida peloMuseu do Pão, e a entrarnuma feira do livrointeiramente dedicada àtemática do pão. Os maispequenos tiveram aqui asua grande oportunidadede apreender como se fazpão.A forma tradicionalde confecionar o pão noAlentejo foi sofrendoalterações ao longo dosanos, mas ainda existemmuitas padarias e panificadorascujos processosde fabrico se aproximammuito do que foi o tradicional,nomeadamente, oamassar à mão e a utilizaçãodo forno de lenha.Alimento de excelência,com lugar de relevona gastronomia local,das tradicionais sopas eaçordas às tibornas, semesquecer as fatias douradas,entre tantas outrassobremesas, o pão mereceser promovido e valorizado.É com este objetivoque a Terras Dentro– Associação de DesenvolvimentoIntegradotem vindo a organizar aFesta do Pão.Para a Terras Dentro,o pão não é só alimento,sinónimo de terra e trabalho,símbolo religioso,arte… É um tema agregadorde cultura, identidade,tradição e atualidade.PESSOAS E LUGARES 10


Profissionais “novos para a reforma mas velhos para o emprego”Empreendedorismo Sénioraproveita recursos humanosvaliososHerberto Soares tem 91 anos.Ao contrário dos poucos amigosque ainda restam do seutempo, não passa o dia sentadonuma cadeira ou deitadonuma cama simplesmente aver o tempo passar. Não. Esteaçoriano de fibra protagonizaum estudo de caso: aos 90anos tornou-se um verdadeiroempreendedor e decidiu avançarcom um negócio próprio,apoiado através do LEADER.Com a iniciativa de Herbertoe a colaboração da AssociaçãoADELIAÇOR, nasceu assimo projeto Faial Soja, umapequena unidade de transformaçãode produtos de soja,onde há um ano se produzderivados de soja, tais como,tofu, bebidas, cremes de barrar,doces, gelados e farinhas.Exemplo extremo, e poucousual, este é um caso sériode empreendedorismo séniorque, timidamente, começa aganhar alguma expressão emPortugal. No Brasil, pelo contrário,o empreendedorismosénior encontra já um enquadramentopróprio, tendo atéjá chegado ao Congresso, ondetomou a forma de um decreto-Lei que prevê formas específicasde apoio à criação de empresaspor pessoas acima dos45/50 anos.É sabido que em Portugal,como na maior parte dos países,a situação de desempregoapós a fasquia dos 40 anos tornamuito difícil a reinserçãoprofissional. Para agravar asituação, de acordo com dadosdo Instituto Nacional de Estatística,é essa faixa etária quemais tem sofrido com o cortenos postos de trabalho.O empreendedorismo séniorpode então tornar-se umapossibilidade de regresso à vidaativa para alguns destes desempregados.Isto, obviamente,além daqueles que, sem estaremem situação de desemprego,decidam iniciar um projetoempreendedor, pois nem fazsentido ver o empreendedorismoapenas como uma alternativade recurso para quem nãotem outra alternativa, nem oespírito empreendedor está reservadoaos mais jovens.Daí que o empreendedorismosénior comece a ser apontadocomo uma oportunidadepara as pessoas que, sendomais experientes, têm aindamuito para oferecer à sociedadee à economia.No âmbito do LEADER aidade não constitui problema,sendo os projetos aprovadosnão em função da idade masda sua viabilidade económica,inovação e benefícios para acomunidade.Com uma outra filosofia, aAssociação Cristã de Empresáriose Gestores apresentou,em outubro de 2010, o “FundoBem Comum”, um fundogerido por uma sociedade decapital de risco, que visa promovere apoiar projetos empresariaisde desempregadosou pré-reformados com maisde 40 anos.Outras iniciativas, aindatímidas, podem ser referenciadasmas certo é que o empreendedorismosénior em Portugalvai dando os primeiros passos.De acordo com um relatóriodo Instituto de Apoio às Pequenase Médias Empresas eao Investimento (IAPMEI),citado pelo jornal Expresso,2,9% dos empreendedores nacionaissão reformados e 1,6%já havia ultrapassado a barreirados 65 anos na altura dacriação da empresa.Nada que permita fazerpara já grande alarido, mas atendência crescente de criaçãode empresas por pessoasde idade mais avançada abrenovas possibilidade no panoramado empreendedorismonacional.Faial SojaA Faial Soja é umprojeto apoiado peloEixo 3 do PRORURAL– Abordagem LEADER,que permitiu ainstalação de umapequena unidade deprodução de derivadosde soja. Representouum investimento de140 mil euros, dosquais 84 mil foramcomparticipaçãopública, e criou doispostos de trabalho. Nofuturo, o empreendedorpretende aumentar aprodução e exportar osseus produtos para omercado brasileiro.Resiliência e participação das mulheres na criação de empresasApenas um terço das novas empresascriadas por mulheresO empreendedorismo é ummotor de inovação, competitividadee crescimento. Asmulheres, que constituem,em média, 30 por cento dos/asempreendedores/as na UniãoEuropeia, por vezes, encontrammaiores dificuldades doque os homens em iniciar osseus projetos e em aceder aformação e financiamento. Asmulheres têm, portanto, quese esforçar mais para conseguiremlançar os seus projetosde empreendedorismo.Com efeito, empreendedorassão mulheres queousaram quebrar o paradigmahistoricamente machista,abandonando o papel de dona-‐de-casa ou de mãe-de-famíliaque lhes foi consagradodurante décadas, rejeitandoestereótipos, enfrentando preconceitose discriminações,assumindo uma atitude própriae lutando por sonhos eideais.Alguns modelos de microcréditosão exatamente dedicadosa mulheres empreendedoras.Geralmente isto érealizado por dois motivos:porque as mulheres têm umainserção social nas suas comunidadesque faz com que osfrutos dos seus projetos de empreendedorismose fixem nacomunidade, começando pelasua própria família; e porqueas mulheres têm, geralmente,taxas de incumprimento muitobaixas.Assim, um pouco por todoo Mundo são criados mecanismosde fomento específicospara o empreendedorismo feminino.Em Portugal, no âmbitodo Programa Operacional doPotencial Humano (POPH),existe uma medida (Tipologiade Intervenção 7.6) que sedestina ao “Apoio ao empreendedorismo,associativismoe criação de redes empresariaisde atividades económicasgeridas por mulheres”. Estamedida, gerida pela Comissãopara a Igualdade de Género,é considerada prioritária, beneficiandoassim o empreendedorismofeminino de umamajoração nos apoios públicos.Isto porque, estando o desenvolvimentoda economiadiretamente ligado à participaçãodas mulheres no mercadode trabalho e sendo a taxade novas empresas criadas pormulheres de 33 por cento, énecessário continuar a estimularo empreendedorismofeminino para, também aqui,se caminhar para a paridade.Centrode RecursosFemininoNo âmbito de umprojeto financiado pelaCooperação LEADER,o Alentejo Central serádotado de um Centrode Recursos paraMulheres dedicado àpromoção e fomentodo empreendedorismofeminino, numaparceria entre o Monte,ACE e a ADRACES.Este centro irá prestarassistência gratuitano aconselhamentojurídico, financeiro eaté psicológico, criaçãodo próprio emprego epromoção das novasempresas.11 PESSOAS E LUGARES


Associações de Desepromovem empreend© Anna Dudko (Dreamstime.com)Além das dificuldades comunsa todo o território nacional, odesenvolvimento do empreendedorismorural enfrentaainda as dificuldades própriasdos territórios rurais no seutodo e as específicas de cadaum deles. Obstáculos, porém,que as Associações de DesenvolvimentoLocal (ADL) têmvindo a contornar, constituindoum exemplo de boas práticasno que toca à promoção efomento do empreendedorismoem zonas rurais.Ao longo dos últimos 20anos, as ADL, em particularaquelas que incorporaram ametodologia LEADER, têmseafirmado como uma respostaeficaz a esta complexidade.Isto é comprovado nãosó pelo número de projetos deempreendedorismo que foramapoiados pelas ADL como, esobretudo, pela importânciaque esse apoio teve para queesses projetos fossem concretizadose alcançassem o sucesso.Metodologia efinanciamento: “armas”ao dispor das ADLPara promover o empreendedorismo,as ADL dinamizamas ferramentas maisimportantes: metodologiasadequadas e financiamentopara os projetos. Com estesdois instrumentos, estimulamo desenvolvimento do empreendedorismonos territórios,quer através da mobilizaçãodas suas populações e entidades,quer através do apoiodireto (técnico e financeiro)aos promotores.O financiamento asseguradopelo LEADER permiteconceder aos promotores deprojetos um apoio financeiroque compense, pelo menosparcialmente, os custos de umcontexto mais adverso. Apoiosque viabilizam investimentosaltamente reprodutivos naeconomia local.As metodologias de promoçãodo empreendedorismoutilizadas pelas ADL sãovárias, sendo que cada ADLescolhe e adapta aquelas queconsidera mais adequadas àscaracterísticas do seu território.Mas o próprio LEADERé, também ele, uma metodologiade promoção do empreendedorismojá que constituiGlocal disseminadopor todo o paísADL dinamizam sistemade Microcréditoem espaço ruralGuia de Apoio à Criaçãoe Desenvolvimentode MicroempresasO GLOCAL – Empresas Locaiscom Orientação Global éum sistema de apoio ao empreendedorismolocal de basesocial, que parte do conceitode glocalidade (que funde asideias de global e de local)para valorizar e mobilizar osrecursos locais. A FederaçãoMINHA TERRA foi entidadeparceira na fase de disseminaçãodeste projeto, que foifinanciado pela Iniciativa ComunitáriaEQUAL.As soluções concebidas eos serviços prestados, experimentadose disseminadosa nível nacional constituemimportantes recursos no apoioao empreendedorismo, envolvendoum Laboratório deOportunidades de Investimento(uma metodologia quedeteta oportunidades), o programaPREMIUM (que prepara,apoia e premeia os empreendedoresao longo de todoo processo empreendedor), osistema de microcrédito SIM[ver caixa], o Empreenderem Rede (que estabelece e dinamizaredes de cooperaçãointer-empresas e empreendedoresem meio rural), o E2E– Empresariado Pró-Empreendedorismo(um programade mentores voluntários e umsistema de apadrinhamentoque mobilizam o empresariadolocal para o apoio a novosempreendedores, inscrevendo-osnum processo de desenvolvimentodo território einclusão social).Aproveitando e rentabilizandoas soluções desenvolvidas,o IAPMEI adotoua metodologia e promoveu asua aplicação a nível nacional,o que veio a ser concretizadoatravés das ComunidadesIntermunicipais, várias dasquais se encontram a aplicaro programa, alargando assima disponibilização desta soluçãode promoção do empreendedorismoa uma populaçãomais alargada.São já muitas as Associações de DesenvolvimentoLocal (ADL) que, integrandoa Rede SIM, utilizam a metodologiaSIM – Sistema de Microcrédito para oAutoemprego e a Criação de Empresasnos seus territórios.Desenvolvido no âmbito do projetoGLOCAL, através de parcerias territoriaisentre as ADL e as Caixas de CréditoAgrícola Mútuo, e apoiado pela IniciativaComunitária EQUAL, o SIM é uma metodologiaque conjuga dois aspetos muitoimportantes para o empreendedorismo:o microfinanciamento para a criação depequenos negócios e a formação na áreaempresarial, contribuindo de forma decisivapara a melhoria de competências dosempreendedores e para a diminuição dorisco do negócio.Esta metodologia, com uma forte componentede ligação ao local, proporcionaoportunidades ao nível do apoio, técnicoe financeiro, às populações mais desfavorecidasque, através da criação do seupróprio emprego, iniciam uma atividadeeconómica com benefícios para o desenvolvimentosocioeconómico da Regiãoem que se inserem.A Direção–Geral de Agricultura e DesenvolvimentoRural (DGADR), do Ministérioda Agricultura, do Mar, Ambiente eOrdenamento do Território, disponibilizainformação relativa aos procedimentosde constituição de microempresas, legislaçãoe higiene e segurança alimentar,através de um Guia de Apoio à Criação eDesenvolvimento de Microempresas.A informação está organizada por áreastemáticas (turismo, animação turística eambiental, artesanato alimentar e não alimentar,restauração e bebidas, comércio,indústria, microprodução de eletricidade,alojamento local), encontrando-se cadaárea ou setor de atividade associado àsentidades envolvidas, respetiva legislaçãoem vigor e toda a informação processualpara início de atividade, passo a passo.A base de dados, criada para o efeito,e cujo trabalho de conceção e atualizaçãoperiódica é da competência da Equipa dePromoção e Desenvolvimento dos TerritóriosRurais, encontra-se disponível nosítio na internet da DGADR.www.goo.gl/JuPQVPESSOAS E LUGARES 12


nvolvimento Localedorismo ruralONDE ESTAMOSAs 53 ADL que constituema Federação MINHA TERRAencontram-se distribuídaspor todo o território nacional.um sistema de incentivos queprocura, em simultâneo, estimularo território rural a sermais empreendedor e apoiarprojetos específicos de empreendedorismo.A abordagem local ou ascendenteque o LEADERdetermina torna-se então importantepara a emergênciado empreendedorismo emespaço rural, pois orienta aintervenção das ADL para acapacitação das populações,para que estas conduzam o seuprocesso de desenvolvimento.Não se trata só de um processoque respeita os princípiosde liberdade democrática eautodeterminação, tratam-setambém de condições necessáriaspara que os projetosde empreendedorismo (e dedesenvolvimento) sejam bemsucedidos: promover as capacidadesda população paradefinir o seu próprio caminho.Por sua vez, a construção,de forma participada pelas“forças vivas” do território, deEstratégias Locais de Desenvolvimentoespecíficas paracada território, torna possívelo favorecimento dos projetosque mais se adequam às característicasde cada região,apoiando-os de forma diferenciadae aumentando o seu potencialde sucesso, contribuindopara o desenvolvimento doterritório em torno dos seuseixos estratégicos.A existência de equipas técnicas,implantadas nos territóriosrurais, disponíveis paraapoiar as pessoas que desejemdesenvolver um projeto, torna-seentão um fator crucialpara que muitos desses projetosse realizem e sejam bemsucedidos.Isto traduz-se num trabalhobastante completo de estímuloao empreededorismoe apoio aos empreendedores,que em muitos casos vai desdea ideia inicial para a criação deum negócio, ou outro projeto,até à fase em que este já se encontrabem implantado e emprocesso de expansão.Este papel tem sido reconhecidopelos promotoresque, na sua maioria, consideramque, além do financiamentoque receberam doLEADER, foi também fundamentalo apoio técnico prestadopelas ADL.PortugalContinental171618Criação de Empresas em Espaço RuralFase de teste reduz insucesso dos projetosConstatando a necessidade deestimular o empreendedorismo,prestar apoio à criação deempresas e facilitar o acessoa financiamento aos empreendedoresdo seu territóriode intervenção, a ADRIMAGdesenvolveu o CRER - Criaçãode Empresas em Espaço Rural.Constituindo uma metodologiaintegrada de apoioao empreendedor, através doCRER procura-se: informare sensibilizar para o empreendedorismoe criação de empresas;realizar a maturaçãoe finalização de projetos decriação de empresas, atravésdo apoio à preparação e elaboraçãode planos de negócios; erealizar o teste e experimentaçãode ideias de negócio, semque o empreendedor tenhasabia que…O número de falências tem vindoa aproximar-se do númerode empresas criadas.(Fonte: INE e Pordata)necessida de de constituir umaempresa.Esta última vertente é departicular importância, poispermite aos empreendedores,muitos dos quais em situaçãode desemprego, verificaremse o seu projeto é viável, sempara isso terem de abrir umaempresa (que é o que geralmentesucede), perdendo osapoios sociais de que dispunham.Para o concretizar aADRIMAG criou o CRER- Centro de Recursos e Experimentação,associação constituídapara apoiar os empreendedoresna fase de teste eexperimentação do negócio.Os resultados já alcançadosrevelam o potencial do CRER,mais de 30% dos empreendedorescriaram a sua própria300002500020000150001000050000empresa e, em média, cadaempresa proporcionou a criaçãode 2,5 postos de trabalhodiretos. Além disso, é importanteassinalar também a importânciade alguns empreendedoresdesistirem da ideia decriação da empresa no decorrerdo projeto, pois o CRERpermite-lhes perceber que asua ideia de negócio não é viável,podendo não o chegar ainiciar, em vez de criar empresasque depois irão à falência.A qualidade desta metodologiafoi já reconhecida pelaUE que, em 2010, atribuiuao CRER uma menção honrosanos European EnterpriseAwards 2010, na categoria“Iniciativa Empresarial responsávele inclusiva”.sociedades constituídas1990 2000 2010sociedades extintasRegião Autónomados AçoresRegião Autónomada Madeira13 PESSOAS E LUGARES


PROTAGONISTASEMPREENDEDORISMOPROTAGONISTAS DO EMPREENDEDORISMO1 Por que motivo é o empreendedorismo tão importante?2 Quais os principais obstáculos que os empreendedores3 O que fazer para conseguirCristina CoelhoFrancisco Banha1 Tem existido algum consensoacerca do conceito que entende oempreendedorismo como sendo atentativa de criar valor através dadescoberta e exploração de novasoportunidades de negócio. Noentanto, o empreendedorismo nãopode ser reduzido a um instrumentoeconómico, já que, não só se constituicomo uma força de promoção humanae de coesão social, como também éfacilitador da tomada de consciênciada dignidade humana e da melhoriada qualidade de vida dos homense mulheres de uma comunidade.Neste sentido, qualquer estratégiade desenvolvimento local deveráenglobar um programa de promoçãodo empreendedorismo inclusivorecorrendo a metodologias baseadasno empowerment individual e dacomunidade.2 Para além dos obstáculos óbviosde uma conjuntura atual de recessão(diminuição do poder de compra,retração do investimento público,restrição crítica ao acesso a crédito)as maiores dificuldades prendem‐secom o acesso a informação eformação adequada, pertinente epróxima, acesso a serviços básicos deconsultoria inicial e enquadramentofiscal. A carga fiscal no nosso país écompletamente dissuasora da criaçãode negócios próprios e abusivaquando se trata de autoemprego oumicroiniciativas. Por fim, a pressãosocial sobre os empreendedoresnomeadamente pelo estigma do“falhanço” e uma lei de falênciasdesadequada que não permite um“fresh-restart” digno.3 Em primeiro lugar, implementarum programa global, único econcertado de promoção e apoio aoempreendedorismo local. Global porintegrar todas as fases e dar respostaa todas as necessidades do processoempreendedor. Único, englobandoe harmonizando as inúmeraspequenas iniciativas locais de apoioao empreendedorismo, dando‐lhessustentabilidade. Concertado comas entidades e as iniciativas noterreno e incorporando as boaspráticas desenvolvidas sem haver anecessidade de permanentemente“iniciar do zero” e fazerexperimentação sobre uma área tãocritica como os serviços de apoio aoempreendedor.Em segundo lugar, preparar umenquadramento fiscal gradualconforme a dimensão da iniciativaempresarial transpondo para alegislação nacional a diretiva europeiaque recomenda menores impostosa empresas em fase de arranque einiciativas de microdimensão. Énecessário perceber que esta novageração de empreendedores deveser incentivada numa lógica deresponsabilidade social empresarialsegundo a qual a primeiraresponsabilidade da empresa é realizarlucros e a segunda é pagar impostos(para alem da responsabilidadeambiental e de contribuição paraa comunidade onde a empresa seinsere).Por fim, intervir na fase da falênciae do recomeço. Prevenir sempre quepossível a falência, nomeadamenteatravés de um sistema de “sinaisde alerta”, falir responsavelmentequando esta é a solução maisadequada e possibilitar o “fresh‐restart”tanto ao nível fiscal como financeiro esobretudo social.Cristina Coelho é CEO da SPA Consultoria.1 Frequentemente me recordodas palavras do meu falecido amigoe professor Ernâni Lopes que meensinou que “momentos de crisesempre houve e haverá! O que contanão é lamentarmo-nos, mas antesbuscar, com inteligência e esforço,novas soluções”. Temos, por isso, deaproveitar este momento desfavorávelpara descobrir novas oportunidadese traçar novos objetivos. Afinal, osmaus anos também são de construir,criar, unir e encantar.Um dos vetores de “solução” no qualacredito e no qual humildemente mereconheço é o empreendedorismo.Não apenas o empreendedorismode criar empresas mas oempreendedorismo como forma deestar na vida que leva os indivíduos alutar pela força das suas ideias e pelopotencial dos seus sonhos.Um empreendedorismo que algunsdizem que não se aprende mas queeu vejo ser assimilado pelas maisvariadas gerações quando estastêm oportunidade de convivercom ele e de se surpreender com oempreendedor que afinal tinham jádentro delas.2 Empreender implica por si só jávários obstáculos de caráter interno(ex.: recrutamento, tesouraria) comoexterno (ex.: custo do financiamento,macroeconomia) mas neste momentode particular dificuldade em que épreciso ver para além da crise, julgoque se deve dar particular atenção aomodelo de negócio e na resposta àsreais necessidades das pessoas.O acesso ao financiamento é tambémum problema recorrente e todossabemos como o acesso à banca setem dificultado. Neste momento, osfamiliares e amigos desempenhamum papel ainda mais importantepara criar novas iniciativas – nosEUA estima-se que 87% de todoo financiamento de empresas temorigem neste grupo! Quanto aosdetentores de projetos inovadoresde elevado potencial de crescimentoe escaláveis para o mercadoglobal recomendo abordarem a jáconsiderável rede de Business AngelsPortugueses, que procura ativamenteeste tipo de oportunidades deinvestimento e que é neste momentoalavancada por um adequado fundode co-investimento.3 O que temos obrigatoriamentede mudar? Sem dúvida devemoscontinuar a aumentar a base deinvestidores, elemento essencial eque representa ainda uma pequenapercentagem do que pode vir a ser edo impacto que pode vir a representar.Devemos incentivar também asempresas bem sucedidas, assim comoos empreendedores bem sucedidos,a devolver um pouco do seu sucessoenvolvendo-os no desenvolvimento denovas gerações de start-ups, afetando aestas, por exemplo, parte das comprasde grandes empresas. Podemos aindamelhorar o nosso sistema de justiçaque, de forma lenta, descredibiliza ovalor de uma dívida, não defendendoassim os que produzem e inovam massim os que devem.Conforme podemos constatar,melhorar requer esforços de váriaspartes e de todas elas devemos exigirmelhorias. Não podemos contudo,deixar com elas a culpa de nãoempreender já amanhã!Francisco Banha é Fundador e Presidenteda Federação Nacional de Associaçõesde Business Angels e Presidente daGesEntrepreneur – EmpreendedorismoSustentável, Lda.PESSOAS E LUGARES 14


RESPONDEM A TRÊS QUESTÕES FUNDAMENTAISenfrentam?desenvolver o empreendedorismo em Portugal?Pedro SaraivaJoão Carlos Pinho1 Entendamos o empreendedorismocomo o “passo” de alguém, seja eleuma pessoa individual, um empresário,uma associação ou entidade pública,que pretende agir e contribuir parao surgimento ou desenvolvimentode uma atividade económica ou dedinamização de uma comunidade.Esta componente de “dinâmica” é aessência do processo e é dela que sealimenta e estruturam as políticasde desenvolvimento territorial. Istoé, um território onde não existaatividade económica, ou ondea comunidade não se envolva econtribua para a prossecução dos seusobjetivos de promoção da qualidadede vida e preservação dos seus valorespatrimoniais, seguramente estará acaminhar para a desertificação.Portanto, encontrar hoje mecanismosque promovam mudanças de atitudeface às dificuldades com que nosconfrontamos diariamente nosterritórios rurais e criar condiçõespara que se potenciem estruturasde apoio às pessoas e entidades queestão empenhadas em contribuircom os seus projetos é essencial aodesenvolvimento do espaço ruralportuguês.2 Num momento como o atual, fácilseria dizer que tudo é um obstáculo,mas não me parece que assim seja!Na realidade, talvez nunca comoagora tenham existido condições tãopropícias para o empreendedor, cominstrumentos que o ajudam a financiaro projeto, instrumentos que o colocamem rede com outros projetos similaresou complementares, informaçãoacessível sobre os negócios e o mercadoonde se pretende atuar, canais decomunicação que permitem de formasimples contactar com os clientese utilizadores, locais para instalaras empresas com custos reduzidos,serviços de apoio ao desenvolvimentodas suas ideias, enfim… umaimensidão de oportunidades!No entanto, o grande obstáculo éque o empreendedor “de pequenaescala” regra geral não pensa eaprofunda o suficiente a sua ideia e,em consequência, corre o risco defacilmente esbarrar nas dificuldadesque todos os projetos têm com asua sustentabilidade financeira e ouhumana.3 Passos simples, mas necessários,que se dão nesse sentido, alterandoatitudes, reforçando competências,facilitando o financiamento eestimulando o surgimento denovas atividades. Neste últimoaspeto em particular, para além dasreferidas, penso que às Associaçõesde Desenvolvimento Local (ADL)cabe uma tarefa muito importantequando falamos de revitalização dosterritórios rurais. Os projetos terãotanto mais capacidade de se afirmareme contribuírem ao desenvolvimentoterritorial, quanto mais eles estiveremenraizados e contextualizados com arealidade que os rodeia.Nesse sentido, apoiar redes locaisde agentes e dinamizar atividadesque valorizem as oportunidades epotencialidades identificadas nasestratégias locais de desenvolvimentoassumem-se como dois aspetos quepoderão aportar o seu contributo aquem inova, incorpora tecnologia e, emsuma, empreende nos territórios rurais.Em síntese, assumir claramente oespírito da missão que às ADL cabeem apoiar quem insiste e persisteem permanecer no mundo rural e,em particular, os que se predispõema valorizar as potencialidades eoportunidades locais.Pedro Saraiva é Coordenador da TAGUS– Associação para o DesenvolvimentoIntegrado do Ribatejo Interior.1 O empreendedorismo não seresume, única e exclusivamente àcriação de empresas e à possibilidadedo empreendedor conseguir ter a suaprópria empresa, realizando-se doponto de vista pessoal, económico esocial. O empreendedorismo é o queconsidero uma luta de vencedores.Porque os empreendedores se destacamsobretudo pela sua criatividade,iniciativa, capacidade de assumiremriscos. Se eventualmente optarempor realizar um trabalho por contade outrem, não existe tanto risco,mas também não assumem essacriatividade, não a põe a serviçodos outros, nem desenvolvem asiniciativas que poderiam ter. Asatitudes empreendedoras têm um frutopositivo, tal como a produtividade, acriação de negócio mais diversificadoe a criação de emprego. Não significa,única e exclusivamente, que oempreendedorismo seja uma pessoa tero seu próprio negócio – a pessoa podeser empreendedora trabalhando porconta de outrem.2 O empreendedor tem de sercapaz de superar os seus próprioslimites. Para que um empreendedortenha sucesso, para além da ideia eda motivação criativa, necessita deajustar e adaptar as suas competênciase as suas capacidades às mais diversascircunstâncias do dia a dia, na regiãoonde se insere. Hoje em dia, asdificuldades que existem são notórias,embora em certas alturas de crise asnovas ideias possam ser produtivas,se o empreendedor tiver boas ideiasde negócio. Por isso, neste momentoo principal obstáculo será a fortíssimacrise económica mundial.3 Eu diria que o empreendedorismoem Portugal é ainda hoje um conceitopouco conhecido que deveria serdesenvolvido nas escolas, logo nosprimeiros anos académicos, tal comojá o fazem no Brasil.Para desenvolver oempreendedorismo em Portugalhá necessidade de uma aposta nodesenvolvimento da criatividade, dosentido crítico dos jovens, estimulare levar a cabo debates, concursos,no sentido de exercitar o espíritoempreendedor. Há também que criarum regime de incentivos financeiros.Neste momento, os incentivosfinanceiros não são minimamenteapelativos, nomeadamente para asempresas mais pequenas, que poderãoser incentivadas com microcrédito,com condições mais vantajosas para aspessoas.Neste momento, uma pessoa queesteja numa situação de desemprego,que recebe o subsídio de desempregoe decide iniciar a sua empresa, perdeimediatamente o seu subsídio dedesemprego. Por que é que não sepermite às pessoas, que queriam criaro seu negócio, manter o subsídio dedesemprego durante um período deseis ou nove meses, enquanto o seunegócio dá os seus primeiros passos?Há necessidade, efetivamente, dealterações legislativas. Na França, sãomantidos os apoios sociais, subsídiode desemprego ou as bolsas deformação, para depois poderem iniciaro seu negócio em forma de teste. Nonosso país isso não é possível.João Carlos Pinho é Coordenadorda ADRIMAG – Associaçãode Desenvolvimento Rural das Serrasde Montemuro, Arada e Gralheira.15 PESSOAS E LUGARES


PROTAGONISTASEMPREENDEDORISMOCarlota QuintãoTiago Cabeça1 Antes mesmo da ideia doempreendedorismo, sublinhariaa questão do empowerment, dacapacitação dos sujeitos paratomarem conta dos seus própriosdestinos, de serem capazes de leremas circunstâncias que têm à suavolta e os recursos e as capacidadesque têm para intervir sobre as suaspróprias vidas. Talvez este valor sejaaté mais importante do que a ideia deempreendedorismo. Desde logo, é umconceito mais amplo e implica logoalgum grau de empreendedorismopessoal ou das organizações, seestivermos a falar de um plano maiscoletivo.O empreendedorismo social é umtema com crescente visibilidade e,do nosso ponto de vista, é realmentefundamental. O empreendedorimosocial tem sido abordado, trazendoa promessa de rever, reinventarlógicas de combinação de objetivoseconómicos e sociais, tendo sempreno centro uma missão de finalidadesocial.2 Estamos numa fase de boomdeste tema e há um impulso quasedesmedido no discurso político, eaté por vezes académico, e dos mediasobre as oportunidades e capacidadesque o empreendedorismo podetrazer. Uma das dificuldades, nestemomento, é ser capaz de triar essainformação e torná-la operacional.Depois, há um obstáculo claro desubdesenvolvimento das políticaspúblicas, especificamente parao empreendedorismo social. Dealguma maneira, o Terceiro Sectorou a economia social, tem vindoa ser alvo de desenvolvimento dealgumas políticas em sentidos quenos parecem importantes, mas o temado empreendedorismo social, em simesmo, ainda está pouco desenvolvido.Do ponto de vista prático isto implicatambém dificuldades. Por exemplo,nos quadros legais, no estatutodos dirigentes associativos, noenquadramento dado a questões comoa fiscalidade.3 Podemos avançar com algumasnotas, como a necessidade dodesenvolvimento das competênciasde empreendedorismo desde osprimeiros níveis do ensino oficial.Uma outra área tem a ver,necessariamente, com as políticaspúblicas, com os quadros jurídicose a melhoria do enquadramento doponto de vista fiscal. Assim comoa discussão que está em cima damesa, em torno da lei de bases daeconomia social, e a da criação deum estatuto jurídico específicopara as empresas sociais. Sãoáreas onde o desenvolvimento doempreendedorismo pode e deve serestimulado.E ainda uma nota para as própriasorganizações no terreno queestão a introduzir lógicas deempreendedorismo social, sobretudoas organizações de Terceiro Sector,que também têm aqui um papelfundamental.Carlota Quintão é Presidente daA3S - Associação para o EmpreendedorismoSocial e a Sustentabilidade do Terceiro Sector.1 No modelo de sociedade que, julgoeu, valoriza a competência, a inovaçãoe a criatividade, o empreendedorismotem um papel importante,justamente no surgimento de novosvalores e riqueza para o país. Oempreendedorismo é uma ferramentaque deverá ser usada a nível nacionalpara movimentar a economia.2 Não tenho uma visãoalargada de todos os projetos deempreendedorismo a nível nacional,mas sim e apenas a vivência do meucaso em concreto. Durante o processode desenvolvimento do projeto háclaramente demasiada burocraciaque impede muitas vezes a criação deprojetos empreendedores. Por vezes, émuito difícil levar para a frente ideiase projetos novos porque, de facto,está instalada uma forma de pensarque não incentiva a criatividade e ainovação. Julgo que o nosso país temimensos problemas a este nível, queacabam por bloquear a criação devalor, a geração de mais riqueza e demais-valias.3 Penso que quem é empreendedornão deverá fazer o raciocínio nessestermos. Quem cria um projeto e levaa ideia avante, não está a pensar queirá ajudar o empreendedorismo emPortugal, ou seja, não pensa a nívelglobal. O objetivo é concretizar oprojeto que idealiza, com todas asenergias possíveis para o seu sucesso.Claro que para isso é preciso ternoção que, para criar um projeto,terá de ter em conta o seu contextoe a situação em que estamos naatualidade, nomeadamente donosso país e da sociedade. Mas nãohá a preocupação de desenvolver oempreendedorismo a nível nacional,porque isto depende sempre dovalor e da criatividade de cada um.Eu acho que o empreendedorismocresce naturalmente, quando existenecessidade à partida e existe acapacidade de suplantar essesproblemas burocráticos e outros quesurjam. Está na natureza das pessoasserem criativas, depois compete a cadauma aplicar ou não essa criatividadeinerente.Tiago Cabeça é artesão e promotordo projeto Oficina na Terra,apoiado pelo LEADER.PESSOAS E LUGARES 16


© David Kay (Dreamstime.com)OPINIÃOSuperar os obstáculosao Empreendedorismo RuralHá muitos obstáculos à criação e desenvolvimento de um negócio que limitammesmo os empreendedores mais trabalhadores e dedicados. A fim de promovero empreendedorismo e incentivar novos negócios, é necessário saber mais sobreesses obstáculos e como superá-los.para os ajudar a gerir o crescimentoe expansão de umnegócio.2. Desenvolver o ambiente“externo” do empreendedorismorural é mais complexo,com muitas questõesfora do controlo direto dosatores locais. As principais necessidadesdestacadas foram:• mais e melhor acesso ao financiamentode gestão local;• aproveitar os conhecimentoslocais em todas as fasesda formulação, execução eavaliação de políticas;• aprovação mais rápida dosfinanciamentos para corresponderà velocidade dodesenvolvimento dos negócios;• assegurar que a comunidadeem geral compreendee apoia a atividade empresarial,incluindo o risco defracasso;• desenvolver uma melhorcomunicação entre os atoresnacionais, regionais elocais para assegurar que asnecessidades dos empreendedorespodem ser supridas.Todos reconhecem que a promoçãoe o fortalecimento doempreendedorismo não resultaapenas da presença de indivíduosempreendedores numadeterminada área ou comunidade– está relacionado tambémcom o contexto socioeconómicomais amplo em que o negócioterá lugar. Este contextomais amplo é frequentementereferido como o “ambiente empresarial”,ou seja, o conjuntode fatores interligados que estimulaa inovação, promove acapacidade de assumir riscos eo surgimento e crescimento denovas empresas.A compreensão dos desafiose obstáculos relacionados como “ambiente empresarial” éespecialmente importante emáreas rurais, onde o espíritoempreendedor dos indivíduosé desafiado tanto pelas condiçõeseconómicas das regiõesrurais como pelas característicasespecíficas dos empresáriosrurais. Em particular, écomum os empresários ruraisenfrentarem problemas como:• o impacto geral da desaceleraçãoeconómica nos últimosanos;• determinadas culturas locaispodem não apoiar oespírito empresarial;• demasiada burocracia en vol ­vida na criação de ne gócios eno seu desenvolvimento;• ligações limitadas aos mercadosurbanos e ao mercadoglobal;• tamanho reduzido, baixadensidade das comunidadesrurais e, como consequência,procura local reduzida;• dificuldade na obtenção decapital de risco necessário;• falta de diversidade económica;• falta de outros empresáriose redes de networking;• dificuldade na obtenção demão de obra qualificada.Um inte ressante projeto deinvestigação chamado “Developingthe EntrepreneurialSkills of Farmers” (ESoF), quefoi concluído em 2008 no âmbitodo 6º Programa‐Quadrode Investigação da UE, fez umadistinção importante entre:i) o ambiente empresarial“externo” (ou seja, o ambientesocial e empresarialem que os agricultores operam),eii) o meio ambiente empre sarial“interno” (ou seja, ascapacidades, aptidões e competênciasdo agricultor).www.esofarmers.orgO projeto ESOF concluiuclaramente que “O de sen volvimentodo ambiente externoe interno empresarial é umpasso essencial para a criaçãode uma gama diversificadade negócios empresariais emáreas rurais”.Este ponto foi também realçadopelo inquérito dirigidoàs Redes Rurais Nacionais(RRN), realizado pelo Pontode Contacto da Rede Europeiade Desenvolvimento Rural(ENRD) em maio de 2010. Oresultado da análise do contextodestaca as principais áreasa focar para apoiar o empreendedorismorural:1. Existem necessidadesimportantes para o desenvolvimentodo ambiente “interno”do empreendedorismorural. Para dar aos empresáriosatuais e potenciais as capacidadese a confiança necessáriaspara avançar as suas ideiasé preciso:• maior acesso à informação,incluindo mais newsletters,folhetos, páginas deinternet, consultoria e serviçosde informação – tudoisto é uma ajuda importante;www.goo.gl/kJVel• maior orientação sobre ossistemas de apoio existentes,bem como informaçõessobre a legislação e as políticasrelevantes;• cursos de formação em gestãode negócios para garantirque a criatividade e a inovaçãoencontradas em territóriosrurais se conju gam comas capacidades (por exemplo,preparação de planos denegócios) para implementarcom sucesso novas ideiasempreendedoras;• cursos de formação em váriosaspetos de inovação,gestão da mudança, riscoe criatividade para desenvolvera capacidade empreendedorados indivíduos,particularmente os jovens.No entanto, é importanteorganizar a formação deacordo com as necessidadesespecíficas identificadas anível local, uma vez queestas podem variar significativamenteentre regiões emicro-regiões;• criação de redes de empreendedorespara oferecerapoio mútuo e partilha dasmelhores práticas;• fornecimento de suportetécnico permanente aosempreendedores, que estejaespecificamente desenhadoEm resposta a esta análisedo contexto, um pequeno grupode RRN estabeleceu (como apoio do Ponto de ContactoENRD) um “Rural FinanceTask Force”, em abril de 2011,para examinar a questão específicade aumentar a disponibilidadee acessibilidadede recursos financeiros paranegócios rurais locais. Até aomomento em que este artigoé escrito (setembro 2011), ogrupo de trabalho reuniu-seduas vezes e já realizou umlevantamento das ferramentasfinanceiras disponíveis, quevariam entre instrumentosde engenharia financeira delarga escala financiados peloFEADER e iniciativas de pequenaescala financiadas pelascomunidades locais.Mark RedmanChefe da Equipa de Cooperaçãoe Networking no Pontode Contacto da Rede Europeiade Desenvolvimento Ruralem Bruxelas.17 PESSOAS E LUGARES


OPINIÃOEmpreender no mundo rural– fator de risco ou de sucesso?No apogeu da crise das dívidaspúblicas, das incertezas dosmercados, das dificuldades noacesso ao crédito e na incertezaquanto ao futuro, quer dasfamílias quer das empresas,ser empreendedor e desafiartodos estes constrangimentospode ser visto como um ato deinsanidade.O empreendedorismo é,certamente, o principal fatorpromotor do desenvolvimentoeconómico e social de umpaís. Identificar oportunidades,agarrá-las e buscar os recursospara transformá-las emnegócios lucrativos é o papeldo empreendedor.Em Portugal, e recuandoà definição da estratégiapara o período de programação2007-2013, foi dada umforte ênfase na promoção dacompetitividade da economianacional, de modo a torná-lamais competitiva e capaz defazer frente aos desafios que seadivinhavam. O objetivo claroera o do equilíbrio da balançacomercial, quer pelo aumentodas exportações quer pela diminuiçãodas importações, emparticular com recurso ao aumentoda produção em setoresessenciais como o primário.É nesse contexto que sãodesenhadas as políticas deincentivos, consubstanciadasno Quadro de Referência EstratégicoNacional (QREN),que constitui o enquadramentopara a aplicação da políticacomunitária de coesão económicae social em Portugalno período 2007-2013. Delefazem parte os três ProgramasOperacionais Temáticos, nomeadamentePO Fatores deCompetitividade – COMPE-TE (FEDER), PO PotencialHumano – POPH (FSE) ePO Valorização do Território– POVT (FEDER e Fundo deCoesão), os cinco ProgramasOperacionais Regionais doContinente e os quatro ProgramasOperacionais para asRegiões Autónomas, dois paracada uma das regiões.No âmbito do FEADER,os Programas de DesenvolvimentoRural do Continente,das Regiões Autónomase o Programa da Rede RuralNacional têm também umaforte componente de apoio àpromoção da competitividadedos sectores agrícola, agroindustriale florestal, para alémde incorporarem apoios quevisam a sustentabilidade doespaço rural, como as medidasagroambientais, apoiosque têm em vista o reforço doconhecimento e das competênciase ainda uma área totalmentededicada aos apoiosque visam promover a dinamizaçãodas zonas rurais, aimplementar através das especificidadesda abordagemLEADER.Analisando mais especificamenteo PRODER, e o seuSubprograma 3 – Dinamizaçãodas Zonas Rurais, verifica-seque há uma clara apostano desenvolvimento de atividadesextra agrícolas, que permitamabsorver mão de obraexcedentária desse sector, aomesmo tempo que se criamcondições para a diversificaçãoda economia dos territóriosrurais. Paralelamente, eporque o meio rural é tambémo guardião das tradições e cultura,que fazem a história deum país, foram criados incentivosdestinados à conservaçãoe valorização do património eà implementação de serviçosbásicos às populações.Como se pode observar,neste Subprograma, encontram-seações que complementamos incentivos propostospelos programas temáticosdo QREN. Toda a medida 3.1«Diversificação da economiae criação de emprego», temcorrelação com o COMPETE,com especial destaque nacriação e desenvolvimento demicroempresas. A ação 3.2.1,de conservação e valorizaçãodo património, tem forte aderênciaàs medidas do POVT,enquanto a ação 3.2.2 dos serviçosbásicos para a populaçãorural, tem uma linha de atuaçãomuito semelhante às medidasdo POPH. Em resumo,é um mini-QREN que se preocupacom a envolvência nãoagrícola do mundo rural.Após 20 anos de execuçãoda Abordagem LEADER, étempo de fazer um balançoPESSOAS E LUGARES 18


elativamente a esta metodologiade desenvolvimento dosterritórios que tem como principaispilares a capacidade deentregar aos agentes locais aelaboração de uma estratégiaque fomente o aparecimentode projetos que permitam a dinamizaçãodos mesmos, comuma melhoria da qualidadede vida dos seus habitantes, aonível económico, cultural, sociale infraestrutural.Compete aos Grupos deAção Local (GAL), responsáveispela dinamização dosterritórios rurais, “inventar”novas respostas para os desafiosque vão surgindo, desdelogo a partir da sua capacidadede leitura dos problemasmais relevantes que afetam aspopulações mas também sobreas potencialidades que possamdesencadear respostas positivas,transferíveis e estruturadasno médio e longo prazo.Se é verdade que num passadonão muito distante, aaposta, por exemplo, na criaçãode unidades de alojamentode turismo no espaço ruralfoi um fator de inovação, tambémnão é menos verdade quea mera repetição dessa apostaum pouco por todo o país nãoresolve, per si, a maioria dosproblemas dos territórios rurais.LEADER gera empregoGerar riqueza é essencial,manter essa riqueza nos territóriose canalizá-la para umreforço do tecido económico esocial dos mesmos é uma prioridadeque deverá estar semprepresente no espírito dosdecisores de projetos.É indiscutível o sucesso daAbordagem LEADER nesteparticular, sendo que os resultados,até ao momento, apontampara a criação de aproximadamente2500 postos detrabalho (PT), em 1700 projetosaprovados, ou seja cadaprojeto cria, em média, maisde 1,5 PT. Destaque especialpara a ação de apoio às microempresasque representa pertode 30% do investimento aprovado,e 40% dos PT a criar.Olhando ainda para os dadosfinanceiros e estatísticos,e num tempo que apela à contençãoe ao não investimento,é um bom sintoma o facto deterem surgido até ao momento,mais de 5000 pedidos deapoio às ações do Subprograma3, num investimento totalde quase 800 milhões de euros.Estes dados denotam quehá vontade de investir, que hádinâmicas locais que promovemo empreendedorismo,embora tais dinâmicas não sefaçam sentir de igual formapelos diferentes territórios.Os 1700 projetos aprovadosaté ao momento representamum investimento superior a220 Milhões de euros e umapoio público superior a 130milhões. Nestes números háque realçar o comportamentodas ações destinadas à diversificaçãoda economia e criaçãode emprego, responsáveispor 60% do número total deprojetos e investimento, e responsáveispor perto de 70%dos postos de trabalho que sepreveem criar.Mas que tipo de projetosse devem promover para quehaja de facto um resultado positivoe consistente na injeçãode apoios públicos na economialocal? E em que tipo depromotores se deve apostar?Os projetos que garantemelevados indicadores de rentabilidadeeconómica, ou aquelesque, ainda que pareçam serfruto do sonho e da utopia,possam introduzir um capitalde inovação, a demonstraçãoda tenacidade e determinaçãoque de facto os empreendedoresaportam consigo?As políticas da ComissãoEuropeia e as recomendaçõesdas auditorias internacionais,nomeadamente do Tribunalde Contas Europeu, apontamsempre no sentido de se apoiarem,prioritariamente, os projetosque, embora detentoresde algum risco, não fossempossíveis sem essa alavancagemexterna. De que valeapoiar os projetos que se iriamrealizar mesmo sem apoios?É verdade que não podemosperder de vista os indicadoreseconómicos mínimosque deem alguma coerênciae consistência aos projetos,mas não pode ser esse o únicocritério na análise do méritode um projeto. Esta realidadetem sido uma das mais-valiasno âmbito dos programasLEADER, uma vez que asparcerias locais têm a proximidadeaos promotores quepermite uma avaliação para ládos meros fatores estatísticos eeconómicos.Fundamentaldefinir estratégiasAs políticas existentes deapoio ao investimento, querno Programa da Competitividadedo QREN ou dos PORegionais, quer na Medida daDiversificação da EconomiaÉ indiscutívelo sucessoda AbordagemLEADERna criaçãode riqueza.e Criação de Emprego, doPRODER, visam todos estacapacidade de fazer avançaro país. Contudo, todos elespartem de premissas diferentes,quer nas condições deacesso quer nas metas a quese propõem alcançar e, acimade tudo, na forma de encararo país e as suas necessidades.Desde um nível macro a umnível micro, encontramos linhasde apoio que pretendeminverter o estado da economia,promovendo o seu crescimento,sendo que por vezes setropeça em regras e critériosmuito diferentes, o que nemsempre conduz à melhor emais racional utilização dosfundos sempre escassos.Mais do que criar linhas deapoio, importa definir estratégiasterritoriais e setoriaisque se interliguem e que permitamimplementar projetosestruturantes, capazes de criaremprego, bem-estar e autoestimaa todos os que vivem nessesterritórios, rurais ou não.Se é verdade que a sobrecargaburocrática associada àatribuição dos fundos públicosimplica que muitos dostécnicos de desenvolvimentotenham hoje um papel maispassivo do que no passado,não deixa de ser verdade queaté nesta área importa empreender.É este o tempo para quese crie uma nova mentalidadenos analistas de projetos e nostécnicos de desenvolvimento,reinventando as suas competênciase levando-os de novoao terreno, fomentando o aparecimentode novas ideias deprojetos e estimulando as capacidadesdos potenciais promotores,fazendo-os acreditarno sucesso dos seus investimentos.Tomar a decisão de empreender,largar por vezes um empregopara arriscar tudo numprojeto ou num sonho individualnão é certamente umpasso que se dê de ânimo leve,mas importa não desistir. Teruma ideia não é ter um projeto,ter dinheiro para investirnão é garantia de sucesso. Háque verificar um conjunto defatores que podem ser relevantes,já que a linha entre osucesso e o insucesso é muitoténue e pode residir em pormenores.A estratégia nacional adotadapara este período deprogramação 2007-2013, assentaclaramente na interligaçãoentre o fomento dacompetitividade, aliada a umaumento da capacitação daspessoas, sem descurar a obrigatoriedadede intervir nocampo social, nomeadamenteno apoio às crianças e idosos,e na valorização do território,património único e fonte demuitas das atividades produtivasapoiáveis, neste desígnionacional de inverter a situaçãoem que nos encontramos, querao nível do emprego, quer aonível da criação de riqueza eaumento da produtividade.Respostas sociaissão determinantesUma última nota para aárea sociocultural. De nadavale empreender apenas naárea económica, uma vez que aperda de identidade cultural ea ausência de respostas sociais,serão fatores de migração e dedesertificação dos territórios.Também nestas áreas é precisoempreender, não apenasno sentido económico da expressãomas sim na inovaçãode soluções.A elevada taxa de envelhecimentoda população portuguesa,associada às dificuldadesde conciliar horários entreo trabalho e a esfera familiar,leva à urgência de novas respostassociais, pensadas deforma estruturada e interligada,permitindo uma melhoriada qualidade de vida e dignidademínima de todos.A existência destas respostassociais é muitas vezes fatordeterminante na mobilidadedas populações em busca denovos empregos e de novoslocais de residência, sendopor isso uma área que mereceparticular atenção nesteperíodo de programação, emparticular através do ProgramaOperacional do PotencialHumano (POPH) e a Medidada Melhoria da Qualidade deVida do PRODER.Em resumo, e olhando paraos resultados até hoje alcançados,destaca-se logo à cabeça oempreendedorismo dos GAL,ao criarem nos territórios umarede de agentes de desenvolvimentode elevada qualidadetécnica, que têm permitidoatingir resultados importantese concretizar projetos de elevadosucesso que se constituemcomo verdadeiras referênciase manuais de boas práticas,muitos deles relacionadoscom as novas tecnologias e odesenvolvimento de novosprodutos e/ou serviços. Os casosde insucesso, que tambémexistem, são principalmentecausados por alguma falta deinterligação em torno de atividadesestratégicas ou commaior potencialidade, e queacabam por ser iguais a outrosque já existem e que contribuemapenas para um excessode concorrência em relação aum défice de mercado.Ainda assim, e embora aquestão inicial não tenha umaresposta clara, tem sido admitidopor todas as avaliaçõesO empreendedorismo é, certamente,o principal fator promotordo desenvolvimento económicoe social de um país.efetuadas, que a metodologiaLEADER é um caso de sucessoe que é uma das melhorespolíticas na promoção doempreendedorismo, havendouma clara tentativa de apoiaros públicos-alvo definidos pelasestratégias comunitárias,ou seja, jovens e mulheres,bem como o recurso à investigaçãoe desenvolvimentotecno lógico.Rui RafaelResponsável pelo SP-3–Dinamização das ZonasRurais/Abordagem LEADERno PRODER.19 PESSOAS E LUGARES


OPINIÃOEmpreendedorismo RuralParticularidadese desafiosOs empreendedores têm jogadoum papel preponderantena sociedade ao criarem novasempresas e novos negócios. Aeconomia sem o seu contributonão seria a mesma.O processo de desenvolvimentoeconómico é complexoe envolve muitos fatores,nomeadamente, um potencialempreendedor, a existência decondições económicas favoráveis,a disponibilidade de recursos,tanto materiais comofinanceiros, fortes instituiçõesde formação e uma políticaeconómica que encoraje e incentiveo risco.Se a criação de novas empresasé um assunto complexono âmbito empresarial, osproblemas são acrescidos noâmbito do empreendedorismorural devido a três tipos deproblemas prementes que serelacionam com as estruturassociais e económicas e com oambiente físico.Algumas das característicasmais marcantes da ruralidadesão a baixa densidade populacionale a ampla distânciaface aos principais mercados,o que muitas vezes impedeque os empresários rurais alcancemeconomias de escalaou uma massa crítica, que lheassegurem a competitividade.As dificuldades da distânciaimpõem um custo de transaçãoelevado aos negócios ruraisporque a acessibilidadeaos principais fornecedores,clientes, mercados e capitalsocial de comunidades urbanase suburbanas é, muitasvezes, limitada. As característicasassociadas ao pequenotamanho da população e àbaixa densidade populacionaldificultam o desenvolvimentodo tecido social e o relacionamentointerempresarial.A composição social e económicadas áreas rurais afeta oempreendedorismo rural dadoque a economia rural é caracterizada,muitas vezes, por umforte concentração em actividadesagrícolas, na extração derecursos naturais e na exploraçãode actividades industriaissimples. Claramente, comoconsequência desta falta deatividades económicas diversificadas,as áreas rurais estãoembebidas numa cultura muitoprópria que muitas vezesrejeita a inovação e dificulta adiversificação empresarial.Outros obstáculos socioeconómicosdo mundo ruralsão o baixo nível de formaçãoe a falta de diversidadelaboral, quando comparadocom outros ambientes urbanosmais desenvolvidos.Como consequência, há umaforte pressão para as pessoasmais qualificadas procuraremmelhores condições de trabalhofora da comunidade rural,o que minora a probabilidadede interação socioeconómicacom outras regiões. Por outrolado, as instituições, tanto públicascomo privadas, precisamde recrutar quadros qualificadosde fora do ambienterural, o que normalmente nãoé muito atraente para pessoasqualificadas de regiões maisdesenvolvidas.A localização é uma característicaprincipal do ambientefísico, dado que estárelacionada com os principaismercados, fornecedores e parceiros,o que impõe um custode transação desfavorável àsempresas rurais como mencionadoanteriormente.A presença de recursos naturaisé outra característica doambiente físico com obstáculose oportunidades. A presençade recursos naturais é consideradapositivamente paraeconomias rurais, dado quegeram emprego e outras oportunidadeseconómicas para aeconomia local. Não obstante,estes recursos naturais sãotransportados frequentementepara outras regiões onde sãoreprocessados e sofrem outrastransformações. Nestas circunstânciasa economia ruralfica com as fatias de menorvalor acrescentado, criandoexternalidades económicaspositivas para outras regiõesmais desenvolvidas, o que acabapor aumentar o fosso económicopara as outras regiões.Finalmente, a presença depaisagens e outras característicasambientais e culturais sãofatores económicos importantesna exploração do potencialrural, desde que haja condiçõespara explorar as qualidades/característicasda tradição,do artesanato, da natureza, dolugar e da cultura local.A ruralidade tem característicasúnicas. O essencial ésaber aproveitar as oportunidadesque a ruralidade nosapresenta, na exploração dasdiversas atividades exógenas,sejam elas de âmbito turístico,cultural, agrícola, recreativa,gastronómica, folclórica e/oureligiosa. Claramente, o empreendedorismorural podejogar um papel importante nacriação de novos empregos, demaior rendimento e de riquezae, assim, combater as principaisfraquezas económicas eambientais das comunidadesrurais.A política pública joga umpapel primordial na criaçãode condições que fomentem oempreendedorismo, sobretudono apoio à criação de condiçõesque fomentem a geração econcretização de novas ideiasem oportunidades de negócioe comportamentos empreendedores.Metaforicamente, se umempreendedor procura umsonho, a política pública devefomentar o desenvolvimentodo sonho. De forma a aproveitaras oportunidades económicas,o empreendedor deve correrriscos, deve ter coragem desair da sua zona de conforto. Apolítica pública deve permitirque o empreendedor dê hipótesesao sonho, de forma a prepararadequadamente que osonho seja bem-sucedido. Estapolítica pública de fomento aoempreendedorismo deve procuraruma transição intencionalque valorize as pessoas noseio da sua comunidade.Se o sonho comanda a vida,o sonho não pode ser umaadenda à vida. É a vida. Comosempre, é necessário atençãoconstante para que o sonhopossa continuar a avançar. Apolítica pública deve entãopermitir que se sonhe, que setome posse do sonho para queeste seja bem-sucedido.Claramente, o empreendedorismo,sobretudo em meiosrurais, é muito mais do que amera criação de empresas: éum passo importante na reconciliaçãoentre a coesão sociale o sucesso económico. Éno fundo capacitar o mundoa viver de forma mais amplacom uma maior visão e commelhor espírito de esperança erealização.António Carrizo MoreiraLicenciado em EngenhariaEletrotécnica, Mestre e Doutorem Gestão. Professor noDepartamento de Economia,Gestão e Engenharia Industrialda Universidade de Aveiro.PESSOAS E LUGARES 20


OPINIÃO© Yury Shirokov (Dreamstime.com)Combate ao abandono rural exige novas respostasDo Jovem Agricultorao Jovem Empresário RuralÉ imprescindível dar prioridade aos empresários que apostem na competitividadee na diversificação da base económica nas zonas rurais.Apesar dos apoios existentesna Política Agrícola Comum(PAC) para a instalação de jovensagricultores, o que se verificouao longo dos anos, aocontrário do previsto, foi queadesão dos jovens foi decrescendo,oscilando (positivamente)apenas pontualmenteem determinados anos.De facto, apesar dos sucessivosquadros de apoio à primeirainstalação, os jovens,nomeadamente os oriundosdo espaço rural, dos quais seriaexpectável uma forte adesão,acabaram por optar por outrosmodos de vida, deslocando-seem Portugal para os grandescentros urbanos do litoral ouentão integraram a nova vagade emigração, na procura denovos desafios.É evidente que sem escolas,sem centros de saúde, sem serviçosa situação está a tornarsecada vez mais complicada.O Mundo Rural tem sido conduzido,assim, a um progressivodespovoamento, com adesistência das camadas maisjovens dos seus territórios rurais,com graves consequênciaspara a economia, tanto ruralcomo nacional. E, se nadafor feito rapidamente, cadadia que passa é seguramenteuma oportunidade perdidapara alguém que, por qualquermotivo, acabou por desistir dointerior.Animar as populações locaiscada vez mais envelhecidas,criar-lhes novos desafiose atividades, não só económicasmas também culturais,têm sido tarefas que ao longodos tempos se revelaram importantespara combater essedespovoamento, mas, comoconstatamos, também não foramsuficientes para fixar aspopulações mais jovens nessesterritórios. Daí que este esforçoterá necessariamente deconstituir um trabalho conjuntoe envolver cada vez maisintervenientes quer do Estadoquer da Sociedade Civil, nestedesígnio de carácter nacional.Se os significativos apoiosinstituídos pela União Europeianão produziram o sucessodesejado, importa encontrarnovas soluções e novos programascomo complementoaos existentes, aliás, podemmesmo caminhar lado a ladono sentido de inverter estatendência.Perante a contínua reduçãodo peso da agricultura na economiae redução dos níveis derendimento dos agricultores(sobretudo em comparaçãocom a evolução do rendimentonoutros setores), para semanter o interesse dos jovensna atividade agrícola (e a própriaatividade em si mesma)é necessário criar condiçõespara o agricultor perspetivaro acréscimo do seu rendimento.Nesse sentido, é imprescindíveldar prioridade noacesso aos incentivos e apoiosaos empresários que apostemna competitividade e diversificaçãoda base económica.É por isso que a Associaçãode Jovens Agricultores de Portugal,no seguimento do trabalhodesenvolvido ao longodos seus 28 anos de existência,entende ser necessário oreconhecimento de uma novafigura, o “Jovem EmpresárioRural”.O Jovem Empresário Ruralserá, então, todo aqueleque oriundo ou não do espaçorural desenvolver em paraleloà atividade agrícola outrasatividades complementaresque permitam a sua fixaçãoe rentabilidade. Deste modopoder-se-á fortalecer o núcleoempresarial mais identificadocom o meio envolventee reforçar o setor com maisligações diretas e indiretas àeconomia local.Nesta medida, os apoios públicospara a dinamização doMundo Rural são de extremaimportância, mas têm de sercontínuos ao longo do tempo.Podem, consoante as mudançasde quadros comunitários,sofrer algumas oscilações ouvariações de maior ou menorexpressão, mas o Estado devede forma continuada dar oexemplo, mesmo através demedidas que podem não parecerde grande monta mas quesão o sinal claro da vontadepolítica e do esforço possível.A diminuição das contribuiçõespara a segurança social, adiminuição de impostos (IRS,IRC, IVA), o apoio à natalidade,bem como a aquisição decasa e/ou escritórios e lotesindustriais em pequenas cidadese vilas do interior, seriamimportantes contributos paradinamizar o território rural ea sua economia.E, quando se trata de jovens,em que a grande maioriaprefere viver nas atuais condiçõesno litoral, por razõessobejamente conhecidas comoo lazer, a cultura, a práticadesportiva e mais oportunidadesde emprego, tem todoo sentido majorar e distinguiros apoios para os territóriosrurais relativamente aos quesão concedidos nos centrosurbanos.Para desenvolver um setoragrícola mais dinâmico e umaeconomia mais diversificada einovadora nos territórios rurais,é fundamental que a futuraPAC inclua um conjuntoforte de incentivos à instalaçãode Jovens Agricultores, mastambém de Jovens EmpresáriosRurais, sendo fulcral queambas as figuras coexistam,pois ambas são fundamentaispara o desenvolvimento rural.Firmino CordeiroPresidente da Associaçãode Jovens Agricultoresde Portugal.21 PESSOAS E LUGARES


ROTASROTA DO VINHO NA ILHA DO PICO, AÇORESMadalena Bandeiras Santa Luzia Prainha Piedade São Mateus Candeláriaalgum do qual reunido no1 Museu do Vinho do Pico.Instalado no antigo conventode Carmelitas – símboloarquitetónico da fase opulentado ciclo do vinho Verdelho– afigura-se como o primeirolocal de visita obrigatória.Durante o mês de setembro,os visitantes podem participarnas vindimas, o que tornaainda mais viva a experiênciada Rota do Vinho.O percurso até ao Lajidode Santa Luzia faz-se juntoà costa, passando por váriosnúcleos de adegas tradicio-dos dois trilhos pedestres– PRIPIC – Caminhos deSanta Luzia e PR10PIC Santana– Lajido, numa incursãopelos currais, com muros retangularese semicircularesem alvenaria, abertos a sulpara defesa dos ventos dominantes.Para voltar ao percurso,regressando à Estrada Regional (ER), deverá seguirem direção a Santo António,ao encontro da 2 adegaA Buraca. O espaço, criadocom o apoio do programaLEADER+, con templa umaconstituiu em tempos a únicaligação por terra a este lugar.Sentindo-se ainda comener gia, procure a 3 Abegoaria.Animação e aventura21Núcleo de Adegas típicas1O itinerário inicia e terminana Madalena. A vila que foio grande centro vitivinícolados Açores, devido à sua localizaçãoentre as duas áreas devinha mais extensas do arquipélago:o Lajido da CriaçãoVelha e o Lajido de Santa Luzia– Zona de Paisagem Protegidada Cultura da Vinha doPico, classificada como Patrimónioda Humanidade pelaUNESCO, em 2004.Conhecer a história e acultura do vinho na ilha, queremonta ao tempo do povoamento,é percorrer, sem pressas,os característicos curraisque se espraiam dos Lajidos...É partir à descoberta do ricoespólio de utensílios ligados àcultura e ao fabrico do vinho,Moinho do Frade(Criação Velha)Solardos SalemaMoinhodo Frade8Fogos1MadalenaCriação VelhaSolardos LimaSolar dos ArriagaRotaInício da rotaFinal da rotaAderenteItinerárioCandelária7BandeirasSão MateusNúcleode Adegas6NúcleoMuseológicodo LajidoSão CaetanoSanta LuziaSanto António25São JoãoSão Roquedo PicoLajes do PicoCurraisnais onde existe um valiosopatrimónio arquitetónico ecultural associado à atividadevitivinícola, tais como alambiques,armazéns, poços demaré, rampas de varadouros eportos rola-pipas.Absolutamente imperdívelé a visita ao Núcleo Museológicodo Lajido de SantaLuzia. Aberto todo o ano,convida a uma visita guiadapelo Centro Interpretativo daPaisagem da Vinha.Outra possibilidade épercorrer o Lajido atravésmostra museológica (comoficina de tanoeiro, tendade ferreiro, atelier de palha,lã e vimes), loja de artesanato,cozinha regional, sala deprovas, armazém e sala de engarrafamento.Seguindo pelaER, em direção à vila de SãoRoque, continue até Prainha,junto ao Parque Florestal. Aproposta é descer à Baía deCanas. Aqui, além das adegas,dos currais e das ruínasdaquilo que foi a Cerca dosFrades, existe uma escadariade pedra com 365 degraus queé o lema desta empresa, queoferece um vasto leque deatividades de turismo ativo(passeios pedestres, de burro,moto4 e BTT), com equipamentoadquirido com o apoiodo LEADER+.Uns quilómetros adiante,Piedade. No centro dalocalidade, junto ao coreto,atenção à placa identificativado lugar da Engrade. Aqui,encontra‐se mais um núcleode adegas tradicionais, queainda hoje mantêm uma duplafunção: local de guardaPESSOAS E LUGARES 22


Criação VelhaMadalenado vinho e de convívio e reuniãode família e amigos. EmPiedade, poderá ainda partirà descoberta dos recantos dafreguesia… a pé ou a cavalo…A 4 Turispico, projetoLEADER+, proporciona-lhemagníficos passeios, ao longode trilhos, cones vulcânicos,crateras e lagoas. Retomandoa ER, percorrendo as freguesiasda Calheta de Nesquim,Ribeiras, Lajes, São João eSão Caetano, chega-se a SãoMateus. Nesta localidade,Baía de CanasPrainha33artesanato 6 Picoartes paraadquirir alguns artigos regionais,como as rendas típicasda ilha do Pico ou trabalhosem osso de baleia.Prosseguindo as placasda Rota do Vinho, a próximaparagem é Candelária.Aqui, no Guindaste, importaapreciar o Solar dos Arriaga,propriedade da família doprimeiro Presidente da RepúblicaPortuguesa. De regressoà ER, mesmo junto à estrada,encontra-se mais um espaçoassociado à cultura da vinhaque merece uma visita: a adega7 A Rodilha. O vasto espóliode artigos museológicosligados à produção do vinhoconvida a um regresso ao passadodas vivências da ilha, ea um “cheirinho” das bebidastípicas da ilha.Deixando a placa toponímicade Candelária para trás,fique atento à sinalização daRota do Vinho, pois deverávirar logo na primeira à esquerda,em frente à igreja, emdireção ao lugar dos Fogos.Aqui, apresenta-se mais umnúcleo de adegas construí-Frade. Do topo da escadariada estrutura, localizada juntoao Lajido, é possível observaro contínuo de currais maisimpressionante da Zona dePaisagem Protegida da Culturada Vinha do Pico, testemunhodo minucioso e árduotrabalho do homem do Pico.A zona pode ser percorridaa pé, fazendo parte ou no todoo trilho pedestre PR5PIC –Vinhas da Criação Velha, cominício no Porto do Calhau,no lugar do Monte. Antes oudepois, não quererá perder aoportunidade de contemplar(de longe) mais dois exemplosde casas solarengas construídasnas vinhas: o Solar dosSalema e o Solar dos Lima.De volta a Madalena, aRota do Vinho termina comuma visita às instalações da8 Cooperativa Vitivinícolada Ilha do Pico, a mais antigada ilha. A proposta é começarpor uma visita guiada aosarmazéns e conhecer todo oprocesso de produção do vinhonos dias de hoje, desde achegada das uvas, produção,envelhecimento e engarra-Paisagemdo PicoSanto AmaroRibeirinhaRibeiras4PiedadeNúcleode Adegasda EngradeCalhetado Nesquim4VinhoVerdelhodo Picodas que há mais tempo se dedicaà cultura da vinha, a paisagemvinhateira ganha novofôlego. Em São João, em plenoParque Florestal, existeuma loja de artesanato e bar– 5 Desafios da Montanha– que convida a uma pausa…para retemperar energias edar, finalmente, conta da listade lembranças para a famíliae amigos.Outra possibilidade é – jáem São Mateus – depois depassar a igreja, do lado esquerdo,entrar na casa dedas em pedra basáltica e deimportantes armazéns onde ovinho é produzido e envelhecido.Com sorte, alguma dasadegas, particulares, estaráaberta, num convite sinceroà conversa e a um copinhode angelica ou aguardente defigo.Criação Velha é a paragemque se segue. Chegarnão será difícil pois na zonatodos os caminhos vão dar aoPatrimónio da Humanidade.Junto à igreja, a placa da rotasugere a visita ao Moinho dofamento do vinho e, depois,deixe-se conquistar por umaapetecida e merecida prova ecompra de vinhos do Pico.O espaço funciona todos osdias entre as 14h e as 16h30 eao fim de semana (com marcaçãoprévia), exceto em setembro,mês das vindimas. Aadega conta com uma enóloga,cuja contratação foi enquadradanum projeto LEADER+.Com crescentes índicesde notoriedade, tendo sidodecisiva a classificação daUNESCO, os vinhos do Picochegam aos quatro cantos domundo, assumindo um papelimportante na economia dailha.Cada vez mais, o Verdelhodo Pico é visto como umproduto cultural e cartaz turístico,oferecendo boas históriaspara contar aos turistas,ao ponto de tornar obrigatóriauma visita à ilha paraconhecer verdadeiramente osAçores.Rota do VinhoENTIDADE GESTORA DA ROTAADELIAÇOR – Associação parao Desenvolvimento Localde Ilhas dos AçoresRua do Pasteleiro s/n9900-069 Horta – Faial – AçoresT. 292 200 360T. 913 397 808www.adeliacor.orgadeliacor@sapo.ptGuia/roteiro da Ilha do Picodisponível em:www.itinerariosculturais.comgeral@itinerariosculturais.com23 PESSOAS E LUGARES


PROJETOS20 ANOS DEPOIS TRÊS PROJETOS APOIADOS PELO PROGRAMA LEADERQuinta dos Moinhos Novos“O LEADER foi muito importanteporque é versátil. Apoiou aempresa nas diversas fases decrescimento e desenvolvimento,de acordo com as suasnecessidades reais e concretas”Manuel Barroso,Quinta dos Moinhos NovosO projeto iniciou-se em 1991, na Póvoa de Lanhoso,a partir de duas explorações de pequenos ruminantesgeridas por dois jovens agricultores e técnicos recém--licenciados em Engenharia Zootécnica. Foi criadauma pequena queijaria que, em meados da década de1990, só produzia um tipo de queijo, o puro de cabra.Com o apoio do LEADER a partir de 1993, atravésda ATAHCA, foi possível desenvolver as áreas produtivas(ampliação de instalações, novos equipamentos),de marketing (imagem de marca, rótulos, embalagensatrativas, promoção em feiras e exposições) emelhoria da distribuição (viaturas de transporte).A empresa e o negócio foram sempre evoluindoao longo da vida do LEADER, tendo sido apoiadospelo LEADER II para criar novos produtos e melhoraras condições de armazenamento e conservação.Posteriormente, através do LEADER+, a empresatransferiu as instalações produtivas para o ParqueIndustrial de Vila Verde, aumentando a capacidadeprodutiva e de armazenamento, para fazer face aocrescimento no mercado da grande distribuição.Atualmente é uma empresa consolidada no mercadodos laticínios, possuindo um gama diversificadacom 18 diferentes tipologias de produtos, tendo tambémviabilizado as explorações agrícolas de pequenosruminantes e criado vários postos de trabalho emmeio rural, a maioria ocupado por mulheres.http://www.qmn.ptCanil Montes Hermínios“Com a ajuda do LEADER foipossível remodelar e alterar ascondições no canil, sendo umimpulso fulcral na promoçãoe valorização da raça de cãesSerra da Estrela”António Lourenço,Canil Montes HermíniosO gosto pelo cão da Serra da Estrela e a necessidadede salvaguardar a raça levaram António Lourenço acriar o canil Montes Hermínios. Vivia‐se a décadade 1960 e a forte emigração conduziu ao desaparecimentode muitos rebanhos, logo, ao abandono doguardião do gado e do fiel companheiro do pastor.Os criadores resolveram então desenvolver o potencialda raça e comercializá-la: o cão da Serra daEstrela deixou de ser associado apenas à pastorícia,tornando-se um bom cão de família, procurado porser “companheiro, fiel, agreste e robusto”, como caraterizao criador.Com o objetivo de preservar e divulgar esta raçaportuguesa, António Lourenço criou no seu canilem Gouveia, num ambiente familiar, condições deestímulo e evolução para os cães da Serra da Estrela.Através do programa LEADER I, António Lourenço,considerado um dos pioneiros na criação e defesado cão da Serra da Estrela, conseguiu remodelare alterar o canil, melhorando a qualidade de vidados cães que o habitam e as condições para a criação,desenvolvimento e comercialização da raça. Opromotor recorda ainda o papel da ADRUSE, que,em 1993/94, através do programa LEADER, apoioua implantação do chip eletrónico, tendo sido o cãoSerra da Estrela a primeira raça portuguesa comidentificação eletrónica.http://www.canilmontesherminios.comCasa da Portela“A ADICES e o LEADER foramfundamentais na procura dalocalização da habitação para oprojeto da Casa da Portela”Zulmira Marques,Casa da PortelaConfrontada com uma situação de desemprego aos42 anos, mas dotada de um espírito empreendedore inovador, Zulmira Marques tomou a decisão decriar o seu próprio emprego, iniciando a carreira deempresária a nível individual na prestação de serviçode hospedagem na sua casa. Desta iniciativa nasceu,há cerca de 14 anos, o projeto turístico Casa daPortela, quando esta empresária adquiriu e adaptouuma habitação de características rurais situada emplena paisagem natural da Serra do Caramulo, naaldeia típica de S. João do Monte.Dada a decisão de fazer frente ao desempregoacentuado nas regiões rurais, Zulmira apostou nadinamização de um negócio assente na prestação doserviço de alojamento temporário e outros serviçoscomplementares de apoio aos turistas. Com o apoioda ADICES, foi possível localizar a habitação comas características pretendidas para o projeto e como apoio financeiro do LEADER conseguir adaptar acasa para a vertente de negócio turístico.Mais tarde, em conjunto com o marido, adaptarame ampliaram as estruturas existentes, dotandoas instalações de uma piscina, equipamento básicode apoio à piscina e cozinha, material informático eprodução de material promocional. Tudo isto tambémcom o apoio do LEADER. Baseando-se no lemado “bem servir e bem receber”, além do serviço dealojamento e serviço ocasional de refeições, disponibilizaainda uma vasta oferta de atividades comopasseios pedestres e todo o terreno e visitas guiadas.http://www.casa-portela.comLocalizaçãoPóvoa do Lanhoso/Vila VerdeLocalizaçãoGouveiaLocalizaçãoTondelaData da candidatura 1993Data da candidatura 1993/94Data da candidatura 1997Investimento total366.400 EURInvestimento total8.150,81 EURInvestimento total61.766 EURComparticipação LEADER 50%Postos de trabalho criados 12Comparticipação LEADER 60%Postos de trabalho criados 0Comparticipação LEADER 43%Postos de trabalho criados 1

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