A Gestão do conhecimento no processo de integração
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sistemas e da cultura organizacional – <strong>conhecimento</strong> e habilida<strong>de</strong>s individuais, <strong>no</strong>rmas evalores, base <strong>de</strong> da<strong>do</strong>s, meto<strong>do</strong>logias, softwares, k<strong>no</strong>w-how, licenças, marcas e segre<strong>do</strong>scomerciais.O presente trabalho aborda o <strong>de</strong>senvolvimento, implantação e controle da gestão <strong>do</strong><strong>conhecimento</strong> na Holding Votorantim Cimentos, com a obtenção <strong>de</strong> resulta<strong>do</strong>s expressivos naorganização.O projeto abrange a criação <strong>de</strong> um sistema que aborda comunida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> prática, um repositórioeletrônico <strong>de</strong> informações, uma área <strong>de</strong> ensi<strong>no</strong> a distância e um módulo relativo a pessoas emque <strong>de</strong>verão ser inseri<strong>do</strong>s os currículos <strong>de</strong> cada participante, bem como suas competências. Acriação <strong>de</strong>ste sistema tem o enfoque da Gestão <strong>do</strong> Conhecimento.O estu<strong>do</strong> <strong>de</strong> caso inicia-se pela revisão bibliográfica pertinente, para, em seguida, aprofundar<strong>no</strong> tema central da pesquisa.PALAVRAS CHAVE: Gestão <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong>, Capital intelectual, Informações.ABSTRACTThe administration of k<strong>no</strong>wledge is a factor, among others, that distinguishes companies andleads to their success.According to Bukowitz (2002), the administration of k<strong>no</strong>wledge is the process by which a<strong>no</strong>rganization generates value, apart from its k<strong>no</strong>wledge or intellectual assets.Bukowitz (2002) also projects that intellectual capital or k<strong>no</strong>wledge is anything valued by theorganization that is in people, in other words, <strong>de</strong>rived from processes, from systems and fromorganizational culture – k<strong>no</strong>wledge and individual abilities, <strong>no</strong>rms and values, data,metho<strong>do</strong>logies, software, k<strong>no</strong>w-how, licenses, brands and commercial secrets.The present work involves the <strong>de</strong>velopment , implantation and control of the administration ofk<strong>no</strong>wledge at Holding Votorantim Cimentos, with the purpose of attaining significant resultsin the organization.The project inclu<strong>de</strong>s the creation of a system that involves practice communities, an electronicdatabase, a long distance learning area and a module relative to people in which they shouldbe inserted in each participant's curriculum, as well as that of their competition. The creatio<strong>no</strong>f this system focuses on the administration of k<strong>no</strong>wledge.The case study begins with the revision of the pertinent bibliography in or<strong>de</strong>r to then expoun<strong>do</strong>n the central theme of the investigation..KEY-WORDS: Aministration of k<strong>no</strong>wledge, Intellectual capital, Informações.INTRODUÇÃOA crise que atingiu, a partir <strong>de</strong> mea<strong>do</strong>s <strong>de</strong> 2001, os mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> negócio habilita<strong>do</strong>s pelaInternet trouxe para os executivos ao re<strong>do</strong>r <strong>do</strong> mun<strong>do</strong> sérias dúvidas quanto à capacida<strong>de</strong><strong>de</strong>stes arranjos organizacionais contribuírem para a criação <strong>de</strong> uma vantagem competitivasustentável. Não sem razão, vários autores começaram a contestar com vigor a idéia <strong>de</strong> que asimplicações da tec<strong>no</strong>logia Internet pu<strong>de</strong>ssem se reverter em mudanças qualitativas nas2
patentes, royalties, serviços <strong>de</strong> consultoria e bens culturais como música, filmes eentretenimento em geral. (Cavalcante apud Angeloni 2002).O mo<strong>de</strong>lo teórico da organização <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong>, conforme assinala Angeloni (2002),surgiu da união <strong>do</strong>s mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> Schon (1971) e Prax (1997). O mo<strong>de</strong>lo Angeloni (2002)também contou com subsídios teóricos <strong>de</strong> vários autores, entre eles, Davenport, LawrencePutmam, Hirotaka Takeuschi.No mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> Schon (1971), to<strong>do</strong> o sistema social e organizacional é visto como um sistemaepistemológico, isto é, “um mecanismo <strong>de</strong> produção e reprodução <strong>de</strong> <strong>conhecimento</strong>”. Sobessa perspectiva o <strong>conhecimento</strong> aflora <strong>do</strong> <strong>processo</strong> <strong>de</strong> interação <strong>do</strong>s indivíduos <strong>de</strong>ntro e fora<strong>do</strong>s limites das organizações. Já <strong>no</strong> mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> Prax (1997), o <strong>conhecimento</strong> surge não <strong>de</strong> umadinâmica social, mas sim <strong>de</strong> uma dinâmica organizacional, em que a ênfase está natransformação <strong>de</strong> um ambiente organizacional basea<strong>do</strong> <strong>no</strong> coman<strong>do</strong> e controle para umambiente alicerça<strong>do</strong> <strong>no</strong> paradigma <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong>.As três dimensões epistemológicas <strong>do</strong> mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> Schon (1971), peculiares à formação <strong>de</strong>to<strong>do</strong>s os sistemas sociais, são: a estrutura, a tec<strong>no</strong>logia, e a teoria. Por estrutura, enten<strong>de</strong>-se omo<strong>do</strong> como estão estabeleci<strong>do</strong>s os papéis e os atributos básicos <strong>de</strong> cada indivíduo naorganização, não só <strong>do</strong> ponto <strong>de</strong> vista formal, como também informal. Quanto à tec<strong>no</strong>logia,esta fica melhor compreendida pelo conjunto <strong>de</strong> <strong>no</strong>rmas, ferramentas e técnicas necessárias aimplementar todas as ações organizacionais. No que se refere à teoria, esta trata <strong>do</strong> [...]conjunto <strong>de</strong> regras epistemológicas pelas quais se interpretam a realida<strong>de</strong> interna e externa aoambiente organizacional.Dentre as práticas da empresa que melhor se enquadram ao que é proposto pelas variáveis dadimensão infra-estrutura organizacional <strong>do</strong> mo<strong>de</strong>lo Angeloni (2002), <strong>de</strong>stacam-se osprogramas <strong>de</strong> capacitação a distância, jornada <strong>de</strong> idéias, <strong>de</strong> empréstimos <strong>de</strong> fitas <strong>de</strong> ví<strong>de</strong>o elivros que proporcionam lazer, formação pessoal e educação continuada. Há “ainda o jornalinter<strong>no</strong>, a <strong>de</strong>signação <strong>de</strong> um ouvi<strong>do</strong>r ou Ombudsman”, e o próprio programa da qualida<strong>de</strong> esua correspon<strong>de</strong>nte <strong>do</strong>cumentação, como, por exemplo, manual <strong>de</strong> integração e o manual daqualida<strong>de</strong> das políticas, estratégias e programas que mantêm a empresa <strong>no</strong> caminho <strong>do</strong>sucesso e li<strong>de</strong>rança <strong>do</strong> setor em que atua.Todavia, a fim <strong>de</strong> perpetuar a sua sobrevivência e sucesso, o mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> referência trazalgumas reflexões acerca <strong>de</strong> <strong>de</strong>terminadas práticas verificadas na empresa.A não divulgação <strong>do</strong>s objetivos e metas como a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> melhor empregar os conceitos<strong>de</strong> missão, visão e negócios entre os colabora<strong>do</strong>res, são pontos relaciona<strong>do</strong>s à construção <strong>de</strong>uma visão e negócios entre colabora<strong>do</strong>res, <strong>de</strong> uma visão compartilhada e que na empresaprecisam ser mais bem trabalha<strong>do</strong>s. A capacida<strong>de</strong> pessoal orientada ao paradigma <strong>do</strong>treinamento, ou seja, feita principalmente por meio da absorção <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong> explícito, éoutra prática que prejudica a formação <strong>de</strong> um comportamento organizacional holístico.De acor<strong>do</strong> com Nonaka, a criação <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong> ocorre a partir <strong>de</strong> vários <strong>processo</strong>s <strong>de</strong>conversão entre o <strong>conhecimento</strong> explícito e tácito. A conversão <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong> se dá <strong>de</strong> trêsmo<strong>do</strong>s: pela socialização, pela externalização, e pela combinação.Socialização: é o <strong>processo</strong> através <strong>do</strong> qual experiências são compartilhadas e o <strong>conhecimento</strong>tácito ou mo<strong>de</strong>los mentais e habilida<strong>de</strong>s técnicas são cria<strong>do</strong>s. Na prática da vida das empresas,ocorreria através <strong>de</strong> ativida<strong>de</strong>s como treinamento <strong>no</strong> local <strong>de</strong> trabalho, sessões informais ebrainstorms, interações com os clientes etc. Na tradição da literatura oci<strong>de</strong>ntal, este conceitoseria próximo ao da cultura organizacional.5
Externalização: este seria o mo<strong>do</strong> <strong>de</strong> conversão mais importante, porque permite a criação <strong>de</strong><strong>no</strong>vos e explícitos conceitos. Envolve, <strong>no</strong> caso das empresas japonesas, a articulação <strong>do</strong><strong>conhecimento</strong> tácito em explícito através <strong>do</strong> uso freqüente <strong>de</strong> metáforas, analogias, conceitos,hipóteses e mo<strong>de</strong>los. Esta prática seria importante por facilitar a comunicação <strong>do</strong>s<strong>conhecimento</strong>s tácitos que, <strong>no</strong>rmalmente, são <strong>de</strong> difícil verbalização. Nonaka inclui, em suaobra, vários exemplos <strong>de</strong> metáforas e analogias utilizadas por empresas japonesas em seu<strong>processo</strong> <strong>de</strong> i<strong>no</strong>vação, como, por exemplo: "Automobile Evolution" e "The Sphere" (Honda),"Aluminum Beer Can" (Ca<strong>no</strong>n), "Hotel Bread" (Matsushita) etc. Este <strong>processo</strong>, na opinião<strong>de</strong>ste autor, estaria faltan<strong>do</strong> na prática e na teoria organizacional oci<strong>de</strong>ntal.Combinação: este seria o <strong>processo</strong> preferi<strong>do</strong> <strong>no</strong> Oci<strong>de</strong>nte, na medida em que se baseia natroca <strong>de</strong> informações explícitas e <strong>no</strong> paradigma da tec<strong>no</strong>logia <strong>de</strong> informação. Envolve, pois,bastante o uso <strong>de</strong> mídias como <strong>do</strong>cumentos, reuniões formais, conversas telefônicas e,também, o <strong>de</strong> re<strong>de</strong>s computa<strong>do</strong>rizadas. A educação formal, da mesma maneira, se encaixarianeste tipo <strong>de</strong> conversão. É neste ponto <strong>do</strong> <strong>processo</strong> <strong>de</strong> criação <strong>de</strong> <strong>conhecimento</strong> que surgiriamos primeiros protótipos e mo<strong>de</strong>los reais.Neste trabalho trataremos <strong>do</strong> caso da Gestão <strong>do</strong> Conhecimento na Holding VotorantimCimentos, que busca a prática <strong>de</strong>ssa ferramenta como forma <strong>de</strong> uma maior integração entre asdiversas unida<strong>de</strong>s <strong>do</strong> grupo e uma melhoria <strong>de</strong> sua competitivida<strong>de</strong> com o <strong>de</strong>senvolvimento eimplantação <strong>do</strong> projeto Canal <strong>do</strong> Conhecimento.GESTÃO DO CONHECIMENTOA história da Gestão <strong>do</strong> Conhecimento remonta às primeiras civilizações. Os arquivos <strong>do</strong>palácio <strong>de</strong> Sumer e Akkad e os cuneiformes <strong>de</strong>scobertos recentemente em Ebla, na Síria, commais <strong>de</strong> quatro mil a<strong>no</strong>s, eram tentativas <strong>de</strong> organizar a história da civilização, <strong>do</strong> gover<strong>no</strong> e<strong>do</strong> comércio, para que a informação contida neles pu<strong>de</strong>sse ser usada como guia para <strong>no</strong>vastransações e prevenir a perda <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong> transmiti<strong>do</strong> <strong>de</strong> geração para geração. Essanecessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> preservar o <strong>conhecimento</strong> foi o responsável pelas gran<strong>de</strong>s bibliotecas daantiguida<strong>de</strong>, entre as quais po<strong>de</strong>mos <strong>de</strong>stacar como a mais <strong>no</strong>tável a <strong>de</strong> Alexandria, <strong>no</strong> Egito.Com o fim das civilizações antigas, gran<strong>de</strong>s esforços foram empreendi<strong>do</strong>s para preservar o<strong>conhecimento</strong> adquiri<strong>do</strong>. Esse <strong>conhecimento</strong> chega até os monastérios europeus, on<strong>de</strong> mongese padres preservaram e traduziram essas obras para os estudiosos contemporâneos.Com a contínua evolução da computação digital, progressos têm si<strong>do</strong> verifica<strong>do</strong>s na solução<strong>de</strong> problemas <strong>de</strong> capacitação e distribuição <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong>. E é nesse contexto que emerge amo<strong>de</strong>rna disciplina da Gestão <strong>do</strong> Conhecimento. Gestão <strong>do</strong> Conhecimento é, em seusignifica<strong>do</strong> atual, um esforço para fazer com que o <strong>conhecimento</strong> <strong>de</strong> uma organização estejadisponível para aqueles que <strong>de</strong>le necessitam, quan<strong>do</strong> isso se faz necessário. Com o objetivo <strong>de</strong>aumentar o <strong>de</strong>sempenho huma<strong>no</strong> na organização.Davenport (1994) argumenta que para a Gestão <strong>do</strong> Conhecimento o aumento <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r <strong>de</strong>comunicação é muito mais relevante <strong>do</strong> que o crescimento <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> processamento.É oportu<strong>no</strong>, também, <strong>de</strong>stacar a perspectiva <strong>de</strong> Zarifian (1992 apud Fleury & Fleury, 1995),na medida em que ele oferece uma abordagem, <strong>de</strong> certa forma, bastante mais prática para aformulação <strong>do</strong> conceito <strong>de</strong> learning organizations. Ao propor uma distinção entreorganizações qualificadas e organizações qualificantes, ele <strong>de</strong>ixa claro que esforçoscentraliza<strong>do</strong>s <strong>de</strong> mudança na organização <strong>do</strong> trabalho não levam, necessariamente, àintegração das competências e experiências <strong>do</strong>s funcionários na <strong>de</strong>finição <strong>do</strong>s rumos da6
empresa. O quadro a seguir <strong>de</strong>staca as características que distinguiriam as organizaçõesqualificantes das qualificadas.Tabela 1: Distinção entre organizações qualificadas e qualificantesCaracterísticas das organizaçõesQualificadas• o trabalho em equipes ou células;• a auto<strong>no</strong>mia <strong>de</strong>legada às células e suaresponsabilida<strong>de</strong> pelos objetivos <strong>de</strong><strong>de</strong>sempenho: qualida<strong>de</strong>, custos,produtivida<strong>de</strong>;• a diminuição <strong>do</strong>s níveis hierárquicos e o<strong>de</strong>senvolvimento das chefias paraativida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> "animação" e gestão <strong>de</strong>recursos huma<strong>no</strong>s;• a reaproximação das relações entre asfunções da empresa (entre manutenção efabricação, entre produção e comercialetc.).Características exclusivas das organizações qualificantes(em adição àquelas das organizações qualificadas)• ser centrada sobre a inteligência e <strong>do</strong>mínio dassituações <strong>de</strong> imprevisto, que po<strong>de</strong>m ser exploradascomo momentos <strong>de</strong> aprendizagem;• estar aberta para a explicitação da estratégia empresarialao nível <strong>do</strong>s próprios emprega<strong>do</strong>s;• favorecer o <strong>de</strong>senvolvimento da co-responsabilida<strong>de</strong> emtor<strong>no</strong> <strong>de</strong> objetivos comuns, como por exemplo, entre asáreas <strong>de</strong> produção e serviços;• incentivar que os funcionários pensem seu k<strong>no</strong>w-hownão como um estoque <strong>de</strong> <strong>conhecimento</strong> a serpreserva<strong>do</strong>, mas como uma competência-ação, aomesmo tempo pessoal e engajada num projeto coletivo.Fonte: elabora<strong>do</strong> a partir <strong>de</strong> análise <strong>do</strong> trabalho <strong>de</strong> Zarifian (1992 apud Fleury & Fleury (1995, p. 48-49).Ao analisar alguns exemplos, o que se chama <strong>de</strong> ativida<strong>de</strong>s centrais <strong>do</strong> <strong>processo</strong> <strong>de</strong> i<strong>no</strong>vação(solução compartilhada <strong>de</strong> problemas, implementação e integração <strong>de</strong> <strong>no</strong>vas ferramentas e<strong>processo</strong>s técnicos, experimentação e confecção <strong>de</strong> protótipos, importação e absorção <strong>de</strong><strong>conhecimento</strong> exter<strong>no</strong>, o aprendiza<strong>do</strong> com o merca<strong>do</strong>), também ajuda a trazer os conceitos <strong>de</strong>"learning organizations" para o dia-a-dia das empresas. Em particular, ela auxilia aoperacionalização <strong>do</strong> conceito <strong>de</strong> mo<strong>de</strong>los mentais.Histórico <strong>do</strong> GrupoA EMPRESA VOTORANTIM CIMENTOSFunda<strong>do</strong> em 1918, o Grupo Votorantim é um <strong>do</strong>s maiores conglomera<strong>do</strong>s industriais priva<strong>do</strong>s<strong>do</strong> Brasil. Está presente em setores <strong>de</strong> base da eco<strong>no</strong>mia – que <strong>de</strong>mandam capital intensivo,alta escala <strong>de</strong> produção e constantes investimentos em tec<strong>no</strong>logia. É lí<strong>de</strong>r <strong>de</strong> merca<strong>do</strong> emcimento, celulose e papel, mineração e metalurgia e tem atuação importante nas áreas <strong>de</strong>química, filmes flexíveis para embalagens, industrialização <strong>de</strong> suco <strong>de</strong> laranja, serviçosfinanceiros e investimentos <strong>de</strong> capital <strong>de</strong> risco.Até o encerramento <strong>de</strong> 2002, o Grupo Votorantim empregava 25 mil pessoas.As metas <strong>de</strong> crescimento para os próximos <strong>de</strong>z a<strong>no</strong>s são agressivas. O Grupo tem a aspiração<strong>de</strong> se tornar uma empresa <strong>de</strong> classe global e <strong>de</strong>u o primeiro passo nessa direção em 2001, coma aquisição da empresa cana<strong>de</strong>nse St. Marys, que soma 12% <strong>de</strong> capacida<strong>de</strong> na produção <strong>de</strong>cimento.Histórico da Holding Votorantim Cimentos7
A história da Votorantim Cimentos teve início em 1936 com a inauguração da Fábrica <strong>de</strong>Cimento Santa Helena, localizada <strong>no</strong> interior <strong>de</strong> São Paulo. Des<strong>de</strong> então, foram realiza<strong>do</strong>spesa<strong>do</strong>s investimentos em suas fábricas, com o objetivo <strong>de</strong> a<strong>de</strong>quar a produção ao merca<strong>do</strong>consumi<strong>do</strong>r. Para assegurar a qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> seus produtos e melhorar a competitivida<strong>de</strong>, aVotorantim investe muito fortemente também em automação e mo<strong>de</strong>rnização <strong>de</strong> suasinstalações.A Votorantim Cimentos é a holding que reúne empresas <strong>de</strong> cimento, cal, argamassa econcreto <strong>no</strong> Brasil e <strong>no</strong> exterior.O primeiro passo para a internacionalização da empresa foi da<strong>do</strong> com a aquisição da St.Marys, empresa cana<strong>de</strong>nse que possui duas fábricas <strong>de</strong> cimento, uma moagem <strong>de</strong> cimento emDetroit (EUA), uma moagem <strong>de</strong> cimento em Wisconsin (EUA), <strong>no</strong>ve terminais <strong>de</strong>distribuição <strong>de</strong> cimento na região americana <strong>do</strong>s Gran<strong>de</strong>s Lagos e 39 usinas <strong>de</strong> concretosituadas <strong>no</strong> esta<strong>do</strong> cana<strong>de</strong>nse <strong>de</strong> Ontário. No início <strong>de</strong> 2003, a empresa adquiriu 50% daempresa Suwannee American Cement, localizada na Flórida (EUA). Os outros 50%pertencem à An<strong>de</strong>rson Columbia, empresa <strong>de</strong> engenharia civil que construiu a fábrica e aliouseà Votorantim para ter um sócio <strong>do</strong> ramo cimenteiro na gestão <strong>de</strong> sua operação.No Brasil, ocupa a li<strong>de</strong>rança <strong>no</strong> merca<strong>do</strong> <strong>de</strong> cimentos e <strong>de</strong> cal hidratada e industrial, e temposição <strong>de</strong> <strong>de</strong>staque <strong>no</strong> setor <strong>de</strong> argamassa. Mundialmente, é a sétima maior produtora <strong>de</strong>cimentos e está à frente <strong>de</strong> concorrentes com presença global.Alguns da<strong>do</strong>s da Holding Votorantim Cimentos• Receita Líquida em 2002 - R$ 4,13 bilhões.• Capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Produção: 28 milhões <strong>de</strong> toneladas/a<strong>no</strong>.• Produção em 2002: 16 milhões <strong>de</strong> toneladas <strong>de</strong> cimentos.• Participação <strong>do</strong>s produtos <strong>no</strong> total produzi<strong>do</strong> pela VC:• Cimento: 80%;• Concreto e agrega<strong>do</strong>s: 11%.• Cal Industrial, argamassa e calcário: 9%.Composição das empresas participantes da holdingFábricasFábrica Cearense – Sobral; Fábrica Cipasa (Cimento) – Caapora; Fábrica Cal e Tintas;Fábrica Cimesa – Laranjeiras; Fábrica Nobres; Fábrica Corumbá; Fábrica Cimento Tocantins;Calmit Industrial Ltda; Fábrica São José da Lapa; Fábrica <strong>de</strong> Itaú <strong>de</strong> Minas; Fábrica Arcos;Moagem Volta Re<strong>do</strong>nda; Fábrica <strong>de</strong> Cantagalo; Fábrica Irajá; Moagem Cubatão; FábricaBarueri – Matrix; Fábrica <strong>de</strong> Salto <strong>de</strong> Pirapora; Fábrica Itapeva; Mineração Araçariguama;Fábrica <strong>de</strong> Santa Helena; Fábrica Rio Branco; Moagem Itajaí; Moagem Esteio; FábricaPinheiro Macha<strong>do</strong>.Centros <strong>de</strong> Distribuição8
S. José Rio Preto; Cascavel; Guarapuava; Londrina; Maringá; Ourinhos; São José; Itabuna;Juazeiro; Salva<strong>do</strong>r; Goiânia; Pres. Pru<strong>de</strong>nte; Maceió; São Luis; Imperatriz; Belém; Criciúma;Joinville; Várzea Gran<strong>de</strong>; Mucuripe (Fortaleza); Bauru; S. J. Campos; São Miguel; Embu;Jaguaré; Santo André; Natal; Passo Fun<strong>do</strong>; Caruaru; Ribeirão Preto; São Gonçalo; Campinas;Conceição.ProdutosAlém <strong>do</strong>s cimentos tradicionais, a Votorantim Cimentos oferece ao merca<strong>do</strong> uma linha <strong>de</strong>cimento branco, com produtos que aliam versatilida<strong>de</strong> em suas inúmeras aplicações. Osconcretos feitos com o Cimento Votoran Branco (Estrutural) combinam funcionalida<strong>de</strong> eestética, possibilitan<strong>do</strong> a criação <strong>de</strong> soluções duráveis como painéis <strong>de</strong> fachada, com ou semtratamentos <strong>de</strong> superfície, estruturas pré-moldadas e feitas in loco, mobiliário urba<strong>no</strong>, <strong>de</strong>talhes<strong>de</strong>corativos, artefatos e to<strong>do</strong>s os tipos <strong>de</strong> pisos imagináveis (ladrilho hidráulico, intertrava<strong>do</strong>,granilite, cimento queima<strong>do</strong>, etc). Seu tom neutro aceita facilmente pigmentos e materiaiscomo pó <strong>de</strong> mármore.Mais <strong>do</strong> que lí<strong>de</strong>r <strong>de</strong> merca<strong>do</strong>, a Votorantim Cimentos quer ser lí<strong>de</strong>r nas relações com osclientes, com uma estratégia baseada na percepção <strong>do</strong>s consumi<strong>do</strong>res <strong>de</strong> que "cimento temmarca". Por isso, a linha <strong>de</strong> cimento cinza da Votorantim Cimentos engloba produtosa<strong>de</strong>qua<strong>do</strong>s a diferentes aplicações e seus produtos são reconheci<strong>do</strong>s e respeita<strong>do</strong>s em to<strong>do</strong> oBrasil.A Votorantim Cimentos lançou, em agosto <strong>de</strong> 2003, o primeiro cimento colori<strong>do</strong> <strong>do</strong> merca<strong>do</strong>brasileiro. Após um a<strong>no</strong> <strong>de</strong> investimentos e pesquisas, a empresa apresenta o CimentoVotoran CP V-ARI RS Cor Canela, produto que une funcionalida<strong>de</strong>, eco<strong>no</strong>mia eversatilida<strong>de</strong>. A <strong>no</strong>vida<strong>de</strong> é voltada ao consumo industrial e po<strong>de</strong> proporcionar redução <strong>no</strong>custo <strong>de</strong> produção, pela me<strong>no</strong>r utilização <strong>de</strong> pigmentos, por fabricantes <strong>de</strong> peças <strong>de</strong> concretocolori<strong>do</strong> como blocos, pavers, artefatos, fibrocimentos e pré-molda<strong>do</strong>s.Mas não são apenas os produtores que se beneficiam da flexibilida<strong>de</strong> <strong>do</strong> produto. Arquitetos eengenheiros passam a contar com uma <strong>no</strong>va opção para seus projetos, que oferece maiora<strong>de</strong>quação aos ambientes e viabiliza eco<strong>no</strong>micamente obras coloridas.O Cimento Votoran CP V-ARI RS Cor Canela está disponível <strong>no</strong>s merca<strong>do</strong>s das regiões Sul eSu<strong>de</strong>ste.No segmento <strong>de</strong> argamassas, a Votorantim conta com onze diferentes produtos, formula<strong>do</strong>s<strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com a necessida<strong>de</strong> específica <strong>de</strong> cada obra e tipo <strong>de</strong> aplicação. A principalvantagem <strong>do</strong>s produtos da linha Votomassa é a facilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> preparo, já que o produto estápronto para o uso <strong>no</strong> canteiro <strong>de</strong> obra, sen<strong>do</strong> necessária apenas adição <strong>de</strong> água.Sua linha <strong>de</strong> Cal Industrial apresenta usos diversos nas indústrias si<strong>de</strong>rúrgicas,sucroalcooleira, química, papel e celulose entre outras e <strong>no</strong> tratamento <strong>de</strong> água potável.Para a construção civil sua linha <strong>de</strong> produção abrange: Cal Hidratada (indicada paraconfecção <strong>de</strong> argamassas para assentamento e revestimento <strong>de</strong> pare<strong>de</strong>s têm a função <strong>de</strong>proporcionar consistência à argamassa, po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> incorporação <strong>de</strong> areia, a<strong>de</strong>rência, retenção <strong>de</strong>água, resistência a tração, homogeneida<strong>de</strong>, além <strong>de</strong> dar boa estética e acabamento) e Cal <strong>de</strong>Pintura (indicada para pintura <strong>de</strong> pare<strong>de</strong>s; o produto é à base <strong>de</strong> cal cujo preparo é feito comadição <strong>de</strong> água sem a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> fixa<strong>do</strong>res.9
GESTÃO DO CONHECIMENTO E O DESAFIO NA VOTORANTIMCIMENTOSO gran<strong>de</strong> <strong>de</strong>safio da gestão <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong> na Votorantim Cimentos é integrar todas as suasUnida<strong>de</strong>s <strong>do</strong> Brasil e exterior, alavancan<strong>do</strong> o recém implanta<strong>do</strong> VCBS (Votorantim CimentosBusiness System) que tem por objetivo buscar as melhores práticas na empresa e atingir umalto nível em Excelência Operacional.A empresa está presente em quase to<strong>do</strong>s os esta<strong>do</strong>s da Fe<strong>de</strong>ração e mais recentementeavançou para o Exterior com unida<strong>de</strong>s <strong>no</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s e Canadá. Esta diversida<strong>de</strong>geográfica dificulta a disseminação <strong>de</strong> <strong>no</strong>vas tec<strong>no</strong>logias e práticas <strong>de</strong> sucesso <strong>de</strong>ntro daorganização. O gran<strong>de</strong> objetivo <strong>do</strong> <strong>no</strong>vo sistema é po<strong>de</strong>r integrar estas unida<strong>de</strong>s, permitin<strong>do</strong> atroca <strong>de</strong> informações, divulgação <strong>de</strong> resulta<strong>do</strong>s, <strong>de</strong>bates, padronização das melhores práticas ea participação em cursos a qualquer momento sem a necessida<strong>de</strong> da presença <strong>de</strong> um instrutor.METODOLOGIAA base meto<strong>do</strong>lógica consistiu na pesquisa bibliográfica em periódicos nacionais einternacionais. Após a revisão bibliográfica, tratan<strong>do</strong>-se <strong>de</strong> um estu<strong>do</strong> <strong>de</strong> caso, umainvestigação empírica <strong>de</strong> um fenôme<strong>no</strong> contemporâneo <strong>de</strong>ntro <strong>do</strong> contexto da vida real,entrevistas foram conduzidas com o Gestor <strong>de</strong> Conhecimento da Holding VotorantimCimentos para a discussão e registro da evolução <strong>do</strong> projeto Canal <strong>do</strong> Conhecimento, emtermos <strong>de</strong> a<strong>do</strong>ção da solução, concepção <strong>do</strong> projeto, <strong>de</strong>senvolvimento <strong>do</strong> projeto e resulta<strong>do</strong>sobti<strong>do</strong>s. Também foram levanta<strong>do</strong>s diversos da<strong>do</strong>s diretamente <strong>do</strong> site da organização.Para Yin (2002:32-33) “Um estu<strong>do</strong> <strong>de</strong> caso é uma investigação empírica que: investiga umfenôme<strong>no</strong> contemporâneo <strong>de</strong>ntro <strong>do</strong> seu contexto da vida real, especialmente quan<strong>do</strong> oslimites entre o fenôme<strong>no</strong> e o contexto não estão claramente <strong>de</strong>fini<strong>do</strong>s”, e o autor acrescenta:“a investigação <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> <strong>de</strong> caso enfrenta uma situação tecnicamente única em que haverámuito mais variáveis <strong>de</strong> interesse <strong>do</strong> que pontos <strong>de</strong> da<strong>do</strong>s, e, como resulta<strong>do</strong>, baseia-se emvárias fontes <strong>de</strong> evidências, com os da<strong>do</strong>s precisan<strong>do</strong> convergir em um formato <strong>de</strong> triângulo,e, como outro resulta<strong>do</strong>, beneficia-se <strong>do</strong> <strong>de</strong>senvolvimento prévio <strong>de</strong> proposições teóricas paraconduzir a coleta e a análise <strong>de</strong> da<strong>do</strong>s” Quanto às limitações da pesquisa a crítica é feitaquanto ao méto<strong>do</strong> <strong>de</strong> pesquisa, altamente sujeito a análises intuitivas, primitivas,incontroláveis.O PROJETO VOTORANTIM CIMENTOS PARA A GESTÃO DOCONHECIMENTOAntes <strong>de</strong> ser batiza<strong>do</strong> como Canal <strong>do</strong> Conhecimento e ter um projeto formal em um primeiromomento, <strong>no</strong> a<strong>no</strong> <strong>de</strong> 2000, as Comunida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> Práticas, uma iniciativa prévia, já vinha<strong>de</strong>senvolven<strong>do</strong> diversas ativida<strong>de</strong>s <strong>no</strong> senti<strong>do</strong> <strong>de</strong> promover a troca <strong>de</strong> informações entre asdiversas unida<strong>de</strong>s da holding espalhadas pelo país. O foco era disseminar da<strong>do</strong>s sobre práticasbem sucedidas nas diversas plantas e que fossem facilmente acessadas por qualqueremprega<strong>do</strong>. Assim foram criadas diferentes comunida<strong>de</strong>s.Em 2002 foi criada a Diretoria <strong>de</strong> Sistemas <strong>de</strong> Excelência, que encampou a idéia daComunida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Práticas e reformulou o empreendimento em um projeto mais estrutura<strong>do</strong>.Após o planejamento executa<strong>do</strong> em 2002, em 13 <strong>de</strong> janeiro <strong>de</strong> 2003 o Canal <strong>do</strong>10
Conhecimento foi lança<strong>do</strong>, com sua implantação durante os meses <strong>de</strong> janeiro, fevereiro emarço <strong>de</strong> 2003, perío<strong>do</strong> em que foram treina<strong>do</strong>s aproximadamente 44 facilita<strong>do</strong>res. Estesfacilita<strong>do</strong>res têm por objetivo multiplicar a idéia <strong>do</strong> Canal <strong>do</strong> Conhecimento em suasUnida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> trabalho, incentivan<strong>do</strong> seu uso, <strong>de</strong>monstran<strong>do</strong> as vantagens na utilização daferramenta e dirimir as dúvidas básicas <strong>do</strong>s usuários.O Canal <strong>do</strong> ConhecimentoCom o objetivo principal <strong>de</strong> integrar todas as unida<strong>de</strong>s da holding em um ambiente <strong>de</strong> troca<strong>de</strong> <strong>conhecimento</strong>s, com custos reduzi<strong>do</strong>s em relação a treinamentos e disseminação <strong>de</strong>práticas <strong>de</strong> gestão ou operações convencionais, o Canal <strong>do</strong> Conhecimento foi estrutura<strong>do</strong> daseguinte forma:Tabela 2: Canal <strong>do</strong> ConhecimentoC A N A L D O C O N H E C I M E N T OA M B I E N T E V I R T U A LPESSOAS COMUNIDADES BIBLIOTECA E-LEARNINGPalavras-chaves Palavras-chaves Palavras-chaves Palavras-chavesEspecialida<strong>de</strong>s. Tema, Especialida<strong>de</strong>, Tema, Diretoria, Autor, Curso, Alu<strong>no</strong>.Competências. Assunto, Diretoria, Data <strong>de</strong> inserção.Enquetes, Fóruns,Murais.Características Características Características CaracterísticasBuscapor Comunida<strong>de</strong> temática e Dividi<strong>do</strong> em diretórios. Cursos autodidatas.Especialida<strong>de</strong>, Nomes, profissionalAcervo: criação 22 cursos.Telefone, Unida<strong>de</strong>. relacionada aos interna. Limitenegócios da arquivo: 4MBVotorantim Cimentos.Criação livre.Fonte: Votorantim CimentosUma ferramenta <strong>de</strong> integraçãoEm 2002, com o início da implantação <strong>de</strong> uma <strong>no</strong>va área na empresa, o VCBS, VotorantimCimentos Business System, aproveitou-se a oportunida<strong>de</strong> e foi vislumbrada uma ferramentapara integrar as diversas unida<strong>de</strong>s da holding cimentos, recém criada, utilizan<strong>do</strong> além dascomunida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> prática um repositório <strong>de</strong> informações (biblioteca), um módulo <strong>de</strong>especialistas e ainda o módulo <strong>de</strong> ensi<strong>no</strong> a distância. A empresa estava inician<strong>do</strong> a integração<strong>de</strong> quatro gran<strong>de</strong>s grupos cimenteiros que até o momento eram administra<strong>do</strong>s separadamente.Uma oportunida<strong>de</strong> <strong>de</strong> integraçãoA Holding Votorantim Cimentos foi formada pela fusão <strong>de</strong> quatro gran<strong>de</strong>s empresas <strong>do</strong> grupoVotorantim que possuíam administrações distintas: Cia Cimento Portland Itaú (atuante emMinas Gerais, Bahia e região Centro Oeste), Cimento Poty (atuante <strong>no</strong> Norte/Nor<strong>de</strong>ste),Cimento Rio Branco (atuante na região Sul) e Cimento Votoran (atuante na região Su<strong>de</strong>ste).Esta fusão gerou problemas comuns <strong>de</strong> regionalismos existentes e necessitava <strong>de</strong> uma quebra<strong>de</strong> barreiras para a integração total <strong>do</strong> grupo.11
Desenvolven<strong>do</strong> uma ferramenta <strong>de</strong> baixo custoA expectativa era mo<strong>de</strong>sta; na verda<strong>de</strong> foi pensa<strong>do</strong> em iniciar a integração, mas comresulta<strong>do</strong>s a longo prazo. Outro ponto importante foi a <strong>de</strong>cisão <strong>de</strong> não se fazer uminvestimento pesa<strong>do</strong>, assim, pesquisou-se uma empresa presta<strong>do</strong>ra <strong>de</strong> serviços para<strong>de</strong>senvolver a ferramenta a um baixo custo.A concepção <strong>do</strong> projetoDesenvolver uma ferramenta eletrônica subdividida em 4 módulos distintos: Pessoas,Comunida<strong>de</strong>s, Biblioteca e E-learning para integrar as Unida<strong>de</strong>s produtivas, Centros <strong>de</strong>Distribuição e Centros Administrativos da Holding Cimentos, forman<strong>do</strong> uma cultura <strong>do</strong>Conhecimento através das Comunida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> Prática, crian<strong>do</strong> um repositório das informações,permitin<strong>do</strong> a fácil localização <strong>de</strong> especialistas na empresa e promoven<strong>do</strong> treinamentos pormeio <strong>de</strong> cursos não presenciais.O <strong>processo</strong> iniciou-se formalmente na Diretoria <strong>de</strong> Sistemas <strong>de</strong> Excelência, e após a criaçãoda estrutura <strong>do</strong> programa foram envolvidas pessoas <strong>de</strong> diversas áreas da Empresa parafazerem os testes iniciais (Logística, Suprimentos, Financeira, Comercial, Concretos, CalIndustrial e Recursos Huma<strong>no</strong>s).O <strong>de</strong>senvolvimento <strong>do</strong> projetoO projeto teve um gran<strong>de</strong> apoio da alta direção da empresa, viabilizan<strong>do</strong> sua implantação. Umponto positivo muito forte foi seu baixo custo. Foi escolhida uma pequena empresa <strong>de</strong>software <strong>no</strong> merca<strong>do</strong> e <strong>de</strong>senvolveu-se um trabalho em conjunto <strong>no</strong> <strong>de</strong>senvolvimento <strong>do</strong>sistema. A implantação nas unida<strong>de</strong>s foi fácil <strong>de</strong>vi<strong>do</strong> ao auxílio <strong>do</strong>s multiplica<strong>do</strong>res. A maiordificulda<strong>de</strong> encontrada foi a concorrência <strong>de</strong> outros projetos existentes na empresa. AVotorantim está passan<strong>do</strong> por uma gran<strong>de</strong> remo<strong>de</strong>lagem e muitos projetos estão sen<strong>do</strong>trabalha<strong>do</strong>s em paralelo. O reduzi<strong>do</strong> número <strong>de</strong> profissionais com aptidões para implantação<strong>do</strong>s projetos faz com que estejam envolvi<strong>do</strong>s em <strong>do</strong>is, três ou mais projetos, com gran<strong>de</strong>dificulda<strong>de</strong> <strong>de</strong> priorização. Este mesmo problema recai nas unida<strong>de</strong>s fabris que além <strong>de</strong> sepreocuparem com o <strong>processo</strong> produtivo têm que se a<strong>de</strong>quarem às <strong>no</strong>vas tec<strong>no</strong>logias, sejam <strong>de</strong><strong>processo</strong>s, como administrativas, aumentan<strong>do</strong> o perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> implantação e por vezes comparticipação abaixo <strong>do</strong> espera<strong>do</strong>.Após seis meses <strong>de</strong> funcionamento foi feita uma pesquisa <strong>de</strong> satisfação envolven<strong>do</strong> to<strong>do</strong>s osparticipantes (1992 usuários na época) com 635 usuários respon<strong>de</strong>n<strong>do</strong> ao questionário <strong>de</strong>avaliação (35% <strong>de</strong> participação). Consi<strong>de</strong>rou-se que a participação foi muito positiva emfunção <strong>do</strong> problema <strong>de</strong> envolvimento em outros projetos, conforme cita<strong>do</strong> anteriormente. Oresulta<strong>do</strong> foi muito positivo, chegan<strong>do</strong> a um índice <strong>de</strong> 90% <strong>de</strong> satisfação na maioria <strong>do</strong>squesitos. O ponto mais fraco foi o ensi<strong>no</strong> a distância, <strong>de</strong>vi<strong>do</strong> ao pouco número <strong>de</strong> cursosdisponíveis (sete apenas) e alguns problemas encontra<strong>do</strong>s na realização <strong>de</strong>sses cursos.Quan<strong>do</strong> questiona<strong>do</strong>s sobre o que seria mais importante <strong>no</strong> sistema: tempo <strong>de</strong> resposta,velocida<strong>de</strong> <strong>de</strong> acesso ou conteú<strong>do</strong>, acreditou-se que a resposta estaria ligada a velocida<strong>de</strong> <strong>de</strong>acesso e para surpresa geral 52% votaram em conteú<strong>do</strong>. A partir <strong>de</strong>sta pesquisa começou-se adirecionar as atenções para incentivar a inclusão <strong>de</strong> materiais na biblioteca e tambémincentivan<strong>do</strong> os <strong>de</strong>bates <strong>no</strong>s fóruns. Uma forma encontrada para isto foi aumentar opercentual <strong>no</strong> Balanced Scorecard (BSC) para os <strong>do</strong>is itens cita<strong>do</strong>s anteriormente, isto é,12
quem fizer mais updates ou inserir perguntas/respostas <strong>no</strong>s fóruns será privilegia<strong>do</strong> commaior peso <strong>no</strong> BSC.PRINCIPAIS RESULTADOS.Uma ferramenta simples, <strong>de</strong> fácil utilização e subdividida em 4 módulos.A introdução da <strong>no</strong>va ferramenta está mexen<strong>do</strong> com a cultura da empresa, foram quebradasalgumas barreiras, mas o <strong>de</strong>safio está em <strong>de</strong>senvolver um hábito <strong>de</strong> utilização, da mesmamaneira que ocorreu com a utilização <strong>de</strong> e-mails. Vêm se mostran<strong>do</strong> às pessoas as facilida<strong>de</strong>se benefícios na utilização da ferramenta e aos poucos envolven<strong>do</strong> gran<strong>de</strong> parte <strong>do</strong>sfuncionários. Foram forma<strong>do</strong>s 44 multiplica<strong>do</strong>res locais com a finalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> facilitar adivulgação e esclarecimento <strong>de</strong> dúvidas sobre sua utilização.O Canal <strong>do</strong> Conhecimento está completan<strong>do</strong> um a<strong>no</strong> e meio <strong>de</strong> vida e através das planilhas <strong>de</strong>controle criadas para seu acompanhamento po<strong>de</strong>m ser observa<strong>do</strong>s resulta<strong>do</strong>s significativos,como o aumento <strong>no</strong>s acessos, <strong>do</strong>wnloads, uploads, cursos completos e número <strong>de</strong>participantes em comunida<strong>de</strong>s.Recentemente o projeto foi agracia<strong>do</strong> com o prêmio E-learning Brasil, na categoria Silver, oque indica que para a Votorantim Cimentos, além <strong>de</strong> produzir cimento, também é importantea Gestão <strong>do</strong> Conhecimento. A própria intenção da empresa em expandir o Canal <strong>do</strong>Conhecimento <strong>de</strong>monstra a satisfação <strong>no</strong>s resulta<strong>do</strong>s alcança<strong>do</strong>s e, <strong>de</strong>sta forma, lança <strong>no</strong>vos<strong>de</strong>safios a seus gestores.O futuroPara o a<strong>no</strong> <strong>de</strong> 2004 há <strong>do</strong>is gran<strong>de</strong>s objetivos: integrar as unida<strong>de</strong>s <strong>do</strong> exterior (Esta<strong>do</strong>sUni<strong>do</strong>s e Canadá), abrin<strong>do</strong> o acesso através da Internet (atualmente o acesso é feito pelaIntranet) e expandir o Canal <strong>do</strong> Conhecimento para toda ca<strong>de</strong>ia <strong>de</strong> valores da VotorantimCimentos, envolven<strong>do</strong> fornece<strong>do</strong>res e clientes.CONCLUSÃOA solução encontrada para a gestão <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong> na Votorantim Cimentos vempermitin<strong>do</strong> a exploração das melhores práticas por meio <strong>do</strong> tripé Localida<strong>de</strong> Geográfica,Experiências e Pessoas.Localida<strong>de</strong> geográfica: integração por meio virtual in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte da localização.Experiências: todas as experiências e vivências têm um canal <strong>de</strong> disseminação inclusive coma possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> transformação <strong>de</strong> <strong>conhecimento</strong>s tácitos em explícitos.Pessoas: qualificação <strong>do</strong> capital huma<strong>no</strong>.A unida<strong>de</strong> com maior <strong>no</strong>ta da auditoria <strong>do</strong> VCBS <strong>de</strong>clarou que a utilização <strong>do</strong> Canal <strong>do</strong>Conhecimento foi fundamental para atingir a primeira colocação. Outro forte exemplo é afacilida<strong>de</strong> com que a empresa conseguiu divulgar a meto<strong>do</strong>logia <strong>de</strong> Gestão por Projetos, umavez <strong>de</strong>cidida a a<strong>do</strong>ção <strong>de</strong>sta meto<strong>do</strong>logia foi realiza<strong>do</strong> um curso <strong>de</strong> ensi<strong>no</strong> a distância paraajudar na capacitação <strong>de</strong> to<strong>do</strong>s os funcionários. O Canal <strong>do</strong> Conhecimento teve papelfundamental na disseminação <strong>do</strong>s conceitos, funcionan<strong>do</strong> como um gran<strong>de</strong> suporte para oscursos presenciais. A coor<strong>de</strong>nação <strong>do</strong> canal vem ajustan<strong>do</strong>-o para permitir que se trabalhecom as competências pessoais atreladas ao currículo <strong>de</strong> cada pessoa, fazen<strong>do</strong> com que a área13
<strong>de</strong> Desenvolvimento Organizacional possa orientar melhor os programas <strong>de</strong> treinamento paraa necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> cada participante.O capital huma<strong>no</strong> melhor capacita<strong>do</strong>, a estrutura organizacional mais flexível e a hierarquiame<strong>no</strong>s valorizada em <strong>de</strong>trimento ao <strong>conhecimento</strong>, vêm permitin<strong>do</strong> o surgimento <strong>de</strong> <strong>no</strong>vasidéias e melhor aproveitamento <strong>de</strong>stas.Para aumentar as chances <strong>de</strong> sucesso <strong>do</strong> projeto alguns cuida<strong>do</strong>s foram toma<strong>do</strong>s, como adivulgação através da área <strong>de</strong> comunicação interna das ativida<strong>de</strong>s que envolvem a ferramenta,conteú<strong>do</strong> da biblioteca, estímulo <strong>de</strong> competição saudável <strong>no</strong> ranking das Comunida<strong>de</strong>s, <strong>de</strong>ntreoutros aspectos. É <strong>de</strong> vital importância que o conteú<strong>do</strong> e os possíveis ganhos pela utilização<strong>do</strong> Canal <strong>do</strong> Conhecimento sejam divulga<strong>do</strong>s por toda a empresa para que as pessoas possamver as vantagens na sua utilização, fazen<strong>do</strong> com que seja adquiri<strong>do</strong> um hábito <strong>no</strong> acessodiário.Conforme exposto pelo Gestor <strong>do</strong> Conhecimento da Holding Votorantim Cimentos, os êxitosaté agora registra<strong>do</strong>s não foram alcança<strong>do</strong>s sem gran<strong>de</strong>s esforços. Mais <strong>do</strong> que a vonta<strong>de</strong> daequipe gestora <strong>do</strong> projeto, em número reduzi<strong>do</strong>, foi necessário reconhecer que sem oenvolvimento <strong>do</strong>s usuários finais pouco se conseguiria. Para tanto, <strong>de</strong> forma contínua, éessencial o exercício da persuasão e re<strong>de</strong> <strong>de</strong> contatos com to<strong>do</strong>s os envolvi<strong>do</strong>s, principalmentecom os forma<strong>do</strong>res <strong>de</strong> opinião.Outro aspecto relevante é o fato <strong>de</strong> que os coor<strong>de</strong>na<strong>do</strong>res <strong>de</strong>vem gostar da ativida<strong>de</strong> <strong>de</strong>difusão <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong>, treinamento, se sentir gratifica<strong>do</strong> por essas ativida<strong>de</strong>s, ser tolerantecom críticas e saber se colocar <strong>no</strong> lugar <strong>do</strong> usuário final e <strong>de</strong>monstrar os benefícios que suaparticipação po<strong>de</strong> trazer, tanto para a empresa como para sua vida profissional, além <strong>do</strong>certifica<strong>do</strong> por ter participa<strong>do</strong> <strong>de</strong> um curso a distância, por exemplo.BIBLIOGRAFIAANGELONI, Maria Terezinha (coord.). et al. Organizações <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong>: infraestrutura,pessoas e tec<strong>no</strong>logias. São Paulo: Saraiva 2002.BUKOWITZ, Wendi R, WILLIAMS, Ruth. Manual <strong>de</strong> gestão <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong>: ferramentase técnicas que criam valor para a empresa. Porto Alegre: Bookman, 2002.DAVENPORT, T. Reengenharia <strong>de</strong> <strong>processo</strong>s. Rio <strong>de</strong> Janeiro: Campus, 1994.FLEURY, A. C. & HUMPHREY, J. Estratégias <strong>de</strong> recursos huma<strong>no</strong>s em empresas quebuscam qualida<strong>de</strong> e produtivida<strong>de</strong>, 1993._________ & FLEURY, M.T.L. Aprendizagem e i<strong>no</strong>vação organizacional - as experiências<strong>de</strong> Japão, Coréia e Brasil. São Paulo: Atlas, 1995.NONAKA, I. & TAKEUCHI, H. The k<strong>no</strong>wledge-creating company: how Japanesecompanies create the dynamics of in<strong>no</strong>vation. Oxford University Press: New York, 1995.PITASSI, Claudio, MACEDO-SOARES, T. D. L. V. A. Re<strong>de</strong>s estratégicas virtuais:resulta<strong>do</strong>s preliminares <strong>de</strong> um estu<strong>do</strong> exploratório. Anais <strong>do</strong> 26 o Encontro da ANPAD,Salva<strong>do</strong>r, 2002.14
PORTER, M. E. Strategy and the Internet. Harvard Business Review, v.79, n.3, p.63-78,2001.PRAX, Jean Yves. Manager la connaissance dans l'entreprise: les <strong>no</strong>uvelles tech<strong>no</strong>logies auservice <strong>de</strong> l'ingenierie <strong>de</strong> la connaissance. Paris: INEP, 1997.PROBST, Gilbert, RAUB, Steffen, ROMHARDT, Kai. Gestão <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong>: oselementos construtivos <strong>do</strong> sucesso: Porto Alegre: Bookman, 2002.SCHON, Donald. Beyond the stable. Nova York: Norton Library, 1971.TERRA, José Cláudio Cyrineu (org.) et al. Gestão <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong> e E-learning na prática:39 casos. Rio <strong>de</strong> Janeiro: Elsevier, 2003.WISE, Richard, MORRISON, David. Beyond the exchange: the future of B2B. HarvardBusiness Review, v.78, n.6, p.86, 2000.YIN, R., Estu<strong>do</strong> <strong>de</strong> caso – planejamento e méto<strong>do</strong>s. Porto Alegre: Bookman, 2001.ZABOT, João Batista M, SILVA, L. C. Mello da. Gestão <strong>do</strong> <strong>conhecimento</strong>: aprendizagem etec<strong>no</strong>logia, construin<strong>do</strong> a inteligência coletiva. São Paulo: Atlas, 2002.ZARIFIAN, P. Acquisition et reconnaissance <strong>de</strong>s competénces dans une organisationqualifiante. Education Permanente, 1992, n. 112, Oct. apud FLEURY, A. C. & FLEURY,M.T.L. Aprendizagem e i<strong>no</strong>vação organizacional – as experiências <strong>de</strong> Japão, Coréia e Brasil.São Paulo: Atlas, 1995.Site da Votorantim Cimentos: www.votorantim-cimentos.com.brEntrevista com Hélio Fonseca – Gestor <strong>do</strong> Canal <strong>do</strong> Conhecimento da Holding VotorantimCimentos.15