Etanolduto - Canal : O jornal da bioenergia

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Etanolduto - Canal : O jornal da bioenergia

Goiânia/GO outubro de 2011 Ano 5 N° 61www.canalbioenergia.com.br9912258380/2010-DR/GOMac EditoraREMETENTECaixa Postal 4116A.C.F Serrinha74823-971 - Goiânia - GoiásEtanoldutoObrasaceleradasPrimeiro trecho deve estarpronto em março de 2013Série especial Polos Sucroenergéticos:Mato Grosso e Mato Grosso do SulIMPRESSO - Envelopamento autorizado. Pode ser aberto pelo ECT


22 Nova fronteiraEstado do Tocantins semovimenta para inserir osegmento da agroenergiana rota dos investimentosem energias limpas.Palácio Araguaia (Palmas).Foto: João Di Pietro/Secom/TOUnica/Divulgação34 MicrodestilariaDeputados apresentamprojetos no CongressoNacional propondo acriação de miniusinas deetanol.Fotos: divulgação04 entrevistaLuiz Carlos Corrêa Carvalho,diretor da Canaplan, concedeentrevista exclusiva ao CANAL,em que fala sobre os cenáriospara o etanol e o açúcar28 Mais BrasilVisitar Ouro Preto é fazervárias viagens em uma só. Acidade reúne atrativosdiversos que encantamturistas de todo o mundo.10 máquinasSeguir recomendações deconservação e regulagempara cada máquina agrícolaé fundamental para evitarproblemas na safra.canal, o Jornal da Bioenergia, é uma publicação da MAC Editora eJor na lis mo Ltda. - CNPJ 05.751.593/0001-41Diretor Executivo: César Rezende - diretor@canalbioenergia.com.brDiretora Editorial: Mirian Tomé DRT-GO-629 - editor@canalbioenergia.com.brGerente Administrativo: Patrícia Arruda - financeiro@canalbioenergia.com.brgERENTE de atendimento COMERCIAL: Beth Ramos - comercial@canalbioenergia.com.brExecutiva de atendimento COMERCIAL: Tatiane Mendonça - atendimento@canalbioenergia.com.brEditor: Evandro Bittencourt DRT-GO - 00694 - redacao@canalbioenergia.com.brReportagem: Aline Leonardo, Evandro Bittencourt, Fernando Dantas e Mirian ToméEstagiária: Gilana Nunes - jornalismo@canalbioenergia.com.brDIREÇÃO DE ARTE: Fábio Santos - arte@canalbioenergia.com.brBanco de Imagens: UNICA - União da Agroindústria Canavieira de São Paulo: www.unica.com.br; SIFAEG - Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás: www.sifaeg.com.br; / Redação: Av. T-63, 984 - Conj. 215 - Ed. Monte Líbano Center, Setor Bueno - Goiânia -GO- Cep 74 230-100 Fone (62) 3093 4082 - Fax (62) 3093 4084 - email: canal@canalbioenergia.com.br / Tiragem: 9.000 exemplares / Impressão: Ellite Gráfica – ellitegrafica2003@yahoo.com.br / CANAL, o Jornal da Bioenergia não se responsabiliza pelos conceitos e opiniões emitidosnas reportagens e artigos assinados. Eles representam, literalmente, a opinião de seus autores.É autorizada a reprodução das matérias, desde que citada a fonte .Capa: Fotomontagem de Fábio Santos“Palavra alguma falhou de todasas boas coisas que o SENHORfalou à casa de Israel; tudo secumpriu.” (Js 21:45)Carta do editorAmadurecendo o debateMi ri an To méedi tor@ca nal bi o e ner gia.com.brO descompasso entreprodução e abastecimento deetanol no Brasil tem atraído osholofotes da mídia e, muitasvezes, essa superexposição pode levar parte dapopulação, notadamente os consumidores dobiocombustível, a pensar, erroneamente, que o setorsucroenergético é o culpado pela situação. Para evitaressa injustiça e deixar a situação bem clara, os dirigentesdo setor não se cansam de apontar os reais motivos doproblema: falta de políticas públicas específicas para obiocombustível, imprevistos climáticos e a competiçãopredatória exercida pela gasolina, para citar alguns.Gradativamente, a população começa a perceber asfalhas do poder público e como tem sido lenta a suareação para adotar medidas que resolvam ou pelo menosminimizem significativamente os efeitos indesejáveisdessa negligência no trato da questão. O CANAL discuteesse assunto em profundidade na entrevista da edição,pois acreditamos que só com o amadurecimento dodebate soluções concretas começam a ser colocadas emprática.Em nossa matéria de capa mostramos a evolução dasobras do etanolduto e damos sequência à serie dereportagens especiais sobre os polos sucroenergéticos,desta vez enfocando os Estados de Mato Grosso e MatoGrosso do Sul.E como são muitos os destaques convidamos você,leitor, a conferir com os próprios olhos os demaisassuntos selecionados para mantê-lo sempre beminformado.Boa leitura!www.twitter.com/canalBioenergiaAssine o CANAL, Jornal da Bioenergia - Tel. 62.3093-4082 assinaturas@canalbioenergia.com.brO CANAL é uma publicação mensal de circulação nacional e está disponível na internet nos endereços:www.canalbioenergia.com.br e www.sifaeg.com.br


Entrevista Luiz Carlos Corrêa Carvalho, diretor da Canaplan‘Precisamos fortalecernossos pilares internos’Evandro BittencourtLuiz Carlos Corrêa Carvalho é engenheiroagrônomo formado pela Escola Superior deAgricultura Luiz de Queiroz – Esalq/USP(1973), com cursos de pós graduação emAgronomia e em Administração pela Faculdadede Economia e Administração da USP e VanderbiltUniversity (USA). Foi Executivo de organizaçõespúblicas (Planalsucar, IAA, Cenal) e privadas(Aiaa; Unica) ligadas à agroindústria canavieira,de 1985 a 2002. Foi Presidente da CâmaraSetorial da Cadeia Produtiva do Açúcar e doÁlcool, do governo brasileiro, de Abril de 2003 aJaneiro de 2007; conselheiro do CTC – Centro deTecnologia Canavieira (2004 – 2007) e da Fealq– Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz,da Universidade de São Paulo (2004 – 2007).Desde 1983 é diretor da Canaplan, empresa deconsultoria e projetos para o setor sucroenergético;É diretor de Relações com o Mercado dasUsinas do Grupo Alto Alegre S/A; vice - Presidenteda Abag – Associação Brasileira de Agribusiness;sócio da Bioagência, empresa comercializadorade etanol e açúcar nos mercados interno e externoe membro do Conselho Superior doAgronegócio da Fiesp – Federação das Indústriasdo Estado de São Paulo.Fotos: divulgaçãoO senhor afirma que a safra de cana 2012/13 deveser o fundo do poço antes da retomada docrescimento. A produção poderá ser ainda menorque a da safra atual?Não, pois a visão do fundo do poço está, na verdade,relacionada à idade do canavial, ou seja,nós vamos atingir a maioridade do canavial em2012, mas como 2011 foi a soma de todos osmales possíveis, seguramente, até pelo clima quenós tivemos até agora, 2012 será melhor. Mascertamente será pior do que 2010. O processo derecuperação do canavial do Centro-Sul brasileiroserá um processo mais longo que o normal emrazão da idade do canavial.E devido a esse envelhecimento dos canaviais aprodutividade média deve chegar a quanto?É muito difícil dizer isso agora, pois aindatem todas as questões de clima para acontecer.A safra atual não chega a 70 toneladaspor hectare e, provavelmente, a safraque vem vai ser superior a 70 toneladas. Anossa visão é que, no ano que vem, a produtividadeserá levemente superior, apenas,devido à idade do canavial. Mas o clima estámelhor e isso tem um peso muito relevanteno resultado final. É possível, também, que aqualidade da cana seja melhor, pois esse anofoi muito ruim, devido ao florescimento.Mas o que acredito é que a recuperação daprodutividade será vista, somente, em meadosdesta década.A retomada da renovação dos canaviais devedemorar alguns anos para apresentar resultado.Até lá como deve ficar o mercado de etanol?Basicamente, o que se vê agora deve acontecerno ano que vem. Haverá uma produção maiordo que a deste ano, porém a demanda, novamente,será mais forte que o aumento de produção.Portanto, em termos gerais, haverámuita semelhança em relação a esta safra doponto de vista de comercialização de produtos.Os esforços todos de políticas públicas para asituação real que nós temos vão dar resultadono médio prazo, não no curtíssimo prazo.O senhor acredita em uma expansão significativade área plantada com cana-de-açúcar nospróximos anos?Quando se faz um esforço concentrado no sentidoda renovação do canavial, normalmente issoacontece quando se tem uma visão mais positivada tendência do mercado. A nossa primeira visãoé que o mercado está mostrando que os preçosdevem ser melhores e, mesmo que o ganho deeficiência não seja grande, devido a todos os problemasque já mencionei, provavelmente deverálevar a uma redução de custos pela produtividadeum pouco maior. E se no ano que vem nós tivermosde fato crédito de plantio, que chegue nomomento adequado, assim como o crédito paraestoques de produtos, que deem um equilíbrio umpouco melhor no desenho da safra, a gente podevir a ter uma situação melhor. Os preços melhoresacabam sendo um convite fundamental para ummaior uso de tecnologia, renovação e tambémexpansão do canavial. Acredito que tenhamosuma renovação de 15% ao ano e que vamos precisarde uma expansão acima de 5% ao ano parauma recuperação mais rápida.As novas variedades de cana-de-açúcar, commaiores índices de produtividade e adaptadas àmecanização, serão utilizadas de forma maissignificativa?Essa questão é muito importante, pois quandoexaminamos a lógica do processo comercial, doprocesso capitalista canavieiro, é natural pensarem mecanismos que valorizassem a cana queOs preços melhores acabam sendo um convitefundamental para um maior uso de tecnologia,renovação e também expansão do canavial. “tivesse mais resultado, seja em qualidade ou produtividade.Naturalmente, a obviedade do queestou dizendo vem do fato de que eu esperariaque nós tivéssemos um número muito maior devariedades em uso e em quantidade representativado que temos atualmente. Hoje, grosso modo,nós temos quatro variedades que representamquase 70% da produção. Isso é uma fotografianegativa, pois, com todo o esforço que foi feitonos últimos 30 anos, deveríamos ter um elenco devariedades maior. Se você me perguntar se existemvariedades responsivas, que estão à disposiçãodos produtores, digo que elas existem sim.4 • CANAL, Jornal da Bioenergia


E qual é o motivo que leva o produtor brasileiro ater essa visão mais conservadora em relação àsvariedades disponíveis no mercado?Talvez esteja faltando uma comunicação maisefetiva e um pouco mais de segurança para queos produtores possam fazer esse processo desubstituição. Já começamos a perceber novasvariedades entrando no mercado, mas eu acreditoque poderia ser interessante levar isso em consideração,por exemplo, no processo de financiamento.No entanto, estamos vivendo uma realidadede falta de mudas, uma crise que vem desde2006 e 2007, passando pela grande crise real de2008. E, num momento de dificuldade, você ficacom o que tem em casa. Essa é uma lógica queexplica essa situação, mas é fato que, para passarmospara um outro patamar, é necessário fazermuita coisa nesse sentido e esse é um esforçogeral, no qual o próprio governo deveria atuarmais fortemente. Acho que o financiamento deum viveiro bem feito, por exemplo, é tão importanteque mereceria uma linha especial. Esse éum modo de promover a substituição.Nesse contexto em que o etanol vem perdendocompetitividade em relação à gasolina, a frota flexpode perder participação no mercado em razão damenor eficiência do motor bicombustível?A realidade que nós estamos vivendo é muitomais uma relação de preço na bomba do que deeficiência de motor. Essa relação na bomba atualmenteé muito mais atrativa para o consumo dagasolina. Quando a gente analisa a realidade domercado e o tamanho da frota flex que se expande,a minha expectativa é de que dificilmente issomuda, pois a gente precisa de um tempo paramudar algumas coisas. Automóvel e escala guardamuma relação direta muito forte e nós estamosvivendo a escala do chamado carro flexível.Isso traz consigo, para as próprias empresas deautomóvel, toda uma motivação de linha de produçãoe pelos investimentos que foram feitos.Me parece que o caminho da tecnologia é buscarno mesmo litro de etanol, de gasolina ou misturados,uma quilometragem muito maior. O queeu acredito é que nós vamos continuar a ver essaforça do carro flexível caminhando passo a passo– pois o custo ainda é muito alto – para um carroflexível, na minha opinião, mas que também sejahíbrido, com um motor elétrico que anda junto,reduzindo muito o consumo.Essa poderia ser uma solução para o problema deeficiência dos motores?Exatamente, pois, na verdade, estaria sendo corrigidoo ponto fraco que é a chamada eficiênciado motor de combustão interna, pois seja agasolina ou etanol esse tipo de motor realmenterealiza pouco em termos de eficiência. Quandoum motor elétrico funciona acoplado a genteacaba gerando uma sinergia extremamenteimportante. Acho que essa é uma tendência quedeve se confirmar.E do ponto de vista da produção do etanol, como épossível melhorar a eficiência?A maior preocupação que devemos ter agora ébuscar reduzir custos e buscar ser eficientes naprodução agrícola e industrial para que, de fato,tenhamos níveis de custos e margens que levema investimentos.Dos 120 projetos de usinas sucroenergéticasimplantados de 2005 até 2010 a maioria, segundo aUnica, ainda está com uma moagem bem inferiorem relação à capacidade de produção. O senhoracredita que o governo tem parcela de culpa nessaestagnação?Eu acho muito grave o que está acontecendo nogoverno brasileiro já há muito tempo que é deixaras coisas acontecerem ao sabor do vento. Se imaginarmos,seja qual for o país, desenvolvido ouemergente, que tem um programa do tamanhodo nosso e que responde por metade da matrizenergética fica claro que é necessário ter umapolítica energética. Se nós olharmos a base doque está acontecendo no Brasil, nós falamos dejuros, câmbio e não se fala de mais nada. De anospara cá nós realmente esquecemos de políticaspúblicas e eu não tenho dúvidas de que isso temum peso relevante na situação em que nosencontramos.Como o senhor avalia a movimentação do governofederal em relação à adoção de medidas queestimulem o setor sucroenergético a aumentar aprodução de etanol?Na verdade o governo ainda não adotou nenhumamedida, porque ele não tem nenhuma linha decrédito estabelecida pronta para ser acessada eainda não há crédito para estoque. São coisas queestão em discussão, em audiência públicas. A medidaque o governo tomou de fato, até agora, foi aalteração da mistura, que é uma coisa que se faz hámuito anos no Brasil, aumentando ou reduzindo,dependendo da oferta, e nisso não há nada novo. Oque se fez, também, foi tirar o comando do queseria política pública de um ministério e passar parauma agência. E como uma agência não faz política,ela apenas executa o que é desenhado pelos ministérios,ainda falta política. Na minha opinião, aindaestamos apenas no discurso.O crédito de R$ 1 milhão por produtor, incluído noPlano Safra, para a renovação dos canaviais podefazer a diferença?Acho que ele é muito importante, é preciso estimularo plantio porque o raciocínio do produtorconservador, fornecedor de cana, este ano e talveztambém no ano que vem é o de não investirseu dinheiro, que está tendo uma resposta, e fazerum corte a mais, pois ele tem produção e não vaifazer um investimento para esperar dois anos. Aúnica forma de quebrar esse raciocínio e transformá-loem alguma coisa do ponto de vista deequilíbrio de expansão é com política bem definida,bem clara em relação ao que se quer. Eu ficoimaginando a dificuldade, hoje, de um ministroque vai defender alguma posição lá fora se nósnão temos uma posição aqui dentro.A cana de açúcar é bastante competitiva, em termosde rentabilidade, com outras culturas como a soja eo milho. O senhor acredita que isso passe a ser umestímulo para que novos agricultores entrem nonegócio e as usinas possam estabelecer novasparcerias diante desse contexto de boa remuneração?Essa é uma questão muito relevante, pois nósvamos viver uma década – e já estamos vivendoisso – em que as commodities agrícolas de umaforma geral têm os seus preços muito altos. Hojea soja compete com a cana, mas as outras culturasmuito menos, mas enquanto tivermos o milhopara a produção de etanol em larga escala nosEstados Unidos ele também será competitivo.Creio que é muito positivo o biocombustível,também olhando por esse ângulo, pois de fato elevalorizou as commodities. A cana-de-açúcar, noberço onde ela está, nas unidades em que estão,têm a tendência natural de persistir porque temtoda uma estrutura montada.Ainda assim o senhor vê dificuldades em seexpandir a produção de cana em áreas novas?Se nós não tivermos uma política bem desenhadavamos ter muito mais dificuldade de crescer navelocidade necessária. Acho que daqui para frentevamos ver uma competição que é natural noresto do mundo. Na Índia, por exemplo, emalguns anos a produção de cana cai muito porqueo preço do milho, do arroz e, eventualmente, dotrigo são muito maiores que o da cana. Essa lógicaé natural que aconteça e tende a acontecercada vez mais na medida em que tenhamos umademanda numa velocidade muito maior do que aoferta, mas isso também vai depender muito daspolíticas que vão ser implantadas.E em relação ao açúcar, quais são as perspectivaspara 2012?O açúcar tende a ter um preço médio levementeinferior ao desse ano, pois outros países entramcom muita força, mas, na medida em que a safrafor apresentando as dificuldades que a genteimagina, o Brasil vai ser o fator que não vai deixaro preço cair muito. A cana tem ciclos muitoconhecidos e que estão diretamente relacionadoscom a Índia, Paquistão, países que, de repente,voltam a produzir alimentos e aí o preço do açúcarvolta a subir. O importante do açúcar é que eleé uma commodity completa, que tem todos osmecanismos financeiros, nacionais e internacionais,e todos os agentes do processo. O etanolainda tem muito menos. A tendência é que, nospróximos anos, o açúcar continue a ser uma commoditymuito forte, pois nós temos uma demandaque cresce com o processo de urbanização. AChina, há uns seis ou sete anos tinha um consumode 6 quilos por pessoa e hoje esse consumosubiu para 11 quilos.As barreiras tarifárias ao etanol brasileiro, impostaspelos EUA, parecem estar próximas do fim, mas essasinalização de abertura coincide com esse momentode dificuldade em atender nossa própria demanda.Como lidar com uma situação como essa?Há alguns anos tivemos a chance de discutirmuito com os americanos a criação de uma avenidade duas mãos. Ou seja, em determinadosperíodos do ano a gente importaria etanol e, emoutros períodos do ano, eles importariam etanolna medida do equilíbrio do mercado, de tal formaa criar uma lógica que não deprimisse os preços,mas que também não deixasse os preços subiremde forma tão forte como ocorre na entressafra.Na época os americanos não aceitavam isso dejeito nenhum, porque estavam em crescimento,tinham uma série de proteções e eles temiam queo Brasil tivesse a capacidade de derreter o mercadodeles. Hoje, com essa evolução e a realidadeque ai está, começamos a ver uma tendêncianatural de isso acontecer, ou seja, em determinadosmomentos nós vamos exportar para eles e emoutros vamos importar, o que dependerá, obviamente,da evolução de cada país. Se as políticaspúblicas nos EUA e na Europa continuaremapoiando esse setor de renováveis, a gente vai terproduto deles em determinados momentos. Noentanto, como a lei americana tem um teto deprodução de milho que já está para ser alcançado,a tendência natural é que eles sejam importadorese não exportadores. Isso vai acontecer e seráuma pena se nós não conseguirmos, nesses próximostrês ou quatro anos, nos preparamos compolíticas condizentes para participarmos desseprocesso. E para isso precisamos fortalecer osnossos pilares internos.Como o senhor analisa a crescente participação docapital estrangeiro no setor sucroenergético?Eu vejo de forma positiva. Se nós olharmos oséculo 20, tínhamos como paradigmas que oBrasil era o País do futuro, que o Cerrado erauma área que não servia para a agricultura eque os países que tinham muitos recursosnaturais eram fadados a ser do terceiro mundo.Hoje vemos que o Cerrado, com tecnologia, éessa maravilha que está aí; o Brasil hoje já é oPaís do presente e é a abundância de recursosnaturais que nos tornaram a bola da vez.O Brasil tem recursos humanos que precisamser treinados, mas no mundo todo há umaanálise de que o homem brasileiro é muitoadaptável e aprende rápido. Diante dissovemos que o que nos falta é capital e, portanto,é natural que o capital venha para cá. Oque é fundamental, entendo eu, é que tenhamosregras de uso desse capital de formarealmente equilibrada. É preciso que esse processose dê conforme os nosso interesses, demodo que faça o País crescer na velocidadeque a gente precisa.O que já se pode prever em relação à crise na Europae nos EUA e seus possíveis impactos no Brasil?Acho que o Brasil está numa situação melhor doque a grande maioria dos países, principalmenteem relação aos países ricos, mas de novo acho quea gente vai ser, de uma forma ou de outra, impactadopor ela. Do ponto de vista do setor sucroenergético,a nossa grandeza é o mercado interno, queé fabuloso, no caso do etanol, e o mercado externo,no caso do açúcar, principalmente no que serefere à Ásia. Isso nos dá uma garantia de oportunidadesmuito claras e essa é a razão pela qualessas grandes empresas estão vindo para o Brasil.Dentre as demais lições de casa que o Brasil precisafazer, quais o senhor destacaria?Acho que, cada vez mais, se torna fundamentalos esforços em pesquisa e desenvolvimento, comum pouco mais de foco e de objetivo e, talvez,com maior coordenação. Nós precisamos, urgentemente,de resultados. Estamos vendo muitasempresas novas – químicas da área privada, amaioria internacional – vindo para cá com umdesenvolvimento tecnológico que certamentevamos acabar usando e seria fundamentalexpandir o nosso esforço em P&D para podermosfazer a curva do aprendizado o mais rápido possível,principalmente em novas regiões, e no sentidode agregar valor à matéria-prima, pois a basede tudo é a cana-de-açúcar.6 • CANAL, Jornal da BioenergiaOutubro de 2011 • 7


Sifaeg em AçãoOpiniãoDesempenho ambiental esustentabilidade empresarialEstudo sobre arelação das usinascom o meio ambientePesquisa vai revelar como as principais usinas doEstado lidam com o aproveitamento de resíduossólidos. Resultado deve sair no fim do anoAté o fim do ano, o Comitê Temático de MeioAmbiente (CTMA) do Sindicato da Indústria deFabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg)deve apresentar resultado de estudo com indicadoresambientais do Setor Sucroenergético doEstado. O levantamento deve demonstrar como asusinas têm reciclado, reaproveitado e tratado seusresíduos sólidos, evitando perdas de recursosnaturais em aterros. A pesquisa envolve cerca dedez usinas.De acordo com Patrícia Thieme Onofri Saiki,bióloga da Usina Goianésia e da Energética SãoSimão e coordenadora do Comitê, a ideia é dartransparência ao assunto, tanto para a populaçãoem geral, quanto para o próprio setor. “Nóssabemos que as usinas não são o bicho-papãoque se pensa, em relação ao meio ambiente. Noentanto, precisamos de indicadores para quepossamos ter comparativos e, principalmente,para melhorar os pontos que ainda necessitamde ajustes”, afirmou.Num segundo momento, a intenção do Comitêé trabalhar outros aspectos como o consumo eretorno de água; a utilização da vinhaça parafertirrigação; índices de emissões atmosféricas;reflorestamento e cogeração de energia.Dados nacionaisUm levantamento prévio feito pela engenheiraflorestal Andressa Brito, do Grupo Farias – e quetambém integra o Comitê de Meio Ambiente –,demonstra que, apesar do polêmico debate sobreo avanço do plantio de cana-de-açúcar na ocupaçãode áreas destinadas a outras culturas ou áreasjá antropizadas, a produção de cana traz benefíciospara o meio ambiente.Entre os fatos mais relevantes apresentadospela engenheira na última reunião do Comitê,realizada em setembro, destaca-se a publicaçãoda revista Nature Climate Change. O artigo científicomostra que a conversão de áreas de vegetaçãonativa natural do Cerrado em outras culturas agrícolasou pecuária resultou em um aquecimentomédio local da temperatura de 1,55 °C, ao passoque, ao se cultivar cana-de-açúcar, foi observadauma queda na temperatura local de 0,93 °C.Além disso, segundo o Instituto Nacional dePesquisas Espaciais, cerca de 65% da expansão dacana-de-açúcar ocorreu em áreas de pastagensdegradadas e o restante em áreas também já utilizadaspara outros tipos de cultura.Quanto à utilização de água, a União daIndústria de Cana de Açúcar (UNICA) revelou,recentemente, que os níveis de captação e lançamentode água para uso industrial têm sido reduzidossubstancialmente nos últimos anos, de cercade 5 metros cúbicos por tonelada para cerca de 1metro cúbico por tonelada processada. Isso porque,segundo a UNICA, as necessidades hídricas,na fase agrícola, são sanadas naturalmente peloregime de chuvas das regiões produtoras, principalmenteno Centro-Sul do País.Saiba maisConsumo de fertilizantes: Autilização de fertilizantes na culturade cana-de-açúcar no Brasil é baixa(aproximadamente 0,425 toneladaspor hectare). Isto se deve,principalmente, à utilização davinhaça e a torta de filtro) comofertilizantes orgânicos.Consumo de defensivos: O uso deinseticidas na cana-de-açúcar noBrasil é baixo e o de fungicidas épraticamente nulo. As principaispragas da cana são combatidas pormeio do controle biológico de pragas ecom a seleção de variedadesresistentes, o que contribui para arecuperação dos solos.Gases de efeito estufa: Segundodiversas estimativas, calculadas combase na análise de ciclo de vida doproduto, o etanol brasileiro, produzidode cana-de-açúcar, reduz as emissõesde gases de efeito estufa em mais de80% em substituição à gasolina.Embrapa - Um estudo que vem sendorealizado pela Embrapa destaca que acana-de-açúcar, com sua área total noPaís, em torno de 6,5 milhões dehectares, é a cultura que maiscontribui para a retirada de carbonoda atmosfera.Produtividade: O etanol brasileiroapresenta a maior produtividade emlitros por hectares quando comparadoàs demais alternativas. Enquanto oetanol de cana brasileiro produz cercade 6.800 litros por hectare, o debeterraba europeu não ultrapassa5.500 litros por hectare e o milhoamericano aproximadamente 3.100litros por hectare (UNICA, 2011).Auto-suficiência energética: todaenergia utilizada no processoindustrial da produção de etanol eaçúcar no Brasil é gerada dentro daspróprias usinas a partir da queima dobagaço da cana, uma energia limpa erenovável.Estudo realizado pela empresa de consultoriaRoland Berger, intitulado Green Technologies,indica que as empresas investiriammais de 2,5% de seu orçamento em sustentabilidadese tivessem acesso a informaçãoe tecnologias adequadas.Chegamos a essa situação de busca da sustentabilidadeempresarial depois que as empresas,que na sua grande maioria adotavaminicialmente uma postura resistente às mudanças,passaram, na década de 1980, a considerarem diferentes níveis e formas os aspectossociais e ambientais dos negócios. Portanto,isso não aconteceu de maneira homogêneaentre setores da economia e nas diferentespartes do mundo.Na verdade, essa mudança está em curso,sendo que algumas empresas ainda estão nafase de adaptação resistente, não fazendo alémda obrigação e não enxergando a vantagemcompetitiva que a adoção de práticas de responsabilidadesocial e ambiental pode propiciar.Por outro lado, algumas organizações jáconsideram o conceito de sustentabilidade indispensávelpara a viabilidade e o sucesso comercialde longo prazo, conciliando estratégiasque garantem o desempenho ideal relacionadoaos negócios, à sociedade e ao meio ambiente.Pesquisa realizada pelo Grupo Aberdeen em2009 e apresentada no documento The ROI ofSustainability: Making the Business Case tratada sustentabilidade na estratégia corporativae destaca as melhores empresas, utilizandocritérios básicos de desempenho. A pesquisamostrou que, por um lado, a sustentabilidadedetermina a estratégia total de menos de 20%das organizações; por outro, em 41% das melhoresempresas de cada setor a sustentabilidadedireciona a maior parte da estratégiacorporativa.Empresas com desempenho ambiental superioraparecem como melhores do setor,mostrando redução das emissões de carbono,de custos energéticos, de custos com papel,por exemplo. As que mais se destacaram, norespectivo setor, conseguiram alcançar umaredução de 6% a 10% em vários custos, aomesmo tempo em que avançaram na retençãode seus clientes. Os resultados da pesquisamostram que as empresas com os melhoresdesempenhos apresentam características emcomum. Elas têm uma probabilidade 52%maior de incorporar métricas de sustentabilidadeno gerenciamento de desempenho da cadeiade valor e 74% delas têm uma política desustentabilidade que abrange toda a organização,comparadas a 58% de todas as outras.Na busca pelo desenvolvimento econômicoe social, as questões ambientais estão no cernedo conceito de sustentabilidade e as empresas,em todo o mundo, vêm passando pormudanças causadas pela necessidade de globalização,inovação tecnológica e ampliaçãoda responsabilidade das organizações. Em umaempresa sustentável a cultura organizacionalestá focada na geração de riqueza desde queseja social e ambientalmente responsável.Além da pressão exercida pela sociedade epor ações governamentais, verifica-se umaalta coincidência entre problemas ambientaise problemas financeiros, que se reúnemcomo deficiências na gestão da empresa.Hoje, uma boa gestão dos negócios tem forterelação com o adequado tratamento àsquestões ambientais, que é um componentedo diferencial competitivo da empresa, sejana conquista de novos mercados, seja namanutenção daqueles já conquistados, evitandobarreiras não tarifárias.Esse aspecto é de grande importância parao agronegócio brasileiro, por isso é prementesabermos como o desempenho ambiental temsido tratado e como tem repercutido na sustentabilidadedas empresas do setor.Arquivo pessoalClaudio A. Spadotto, é Ph.D.- Gerente Geral da Embrapa GestãoTerritorial Estratégica, em Campinas (SP)e Membro do Conselho Cientifico paraAgricultura Sustentável - CCASwww.agriculturasustentavel.org.brNa busca pelodesenvolvimentoeconômico esocial, as questõesambientais estãono cerne doconceito desustentabilidade”8 • CANAL, Jornal da BioenergiaOutubro de 2011 • 9


Polos sucroenergéticos MT e MSCampo Grande (MS)Erocy Antônio, Secretário de Indústria eComércio de Alto Taquari, no Mato Grosso.Fotos: divulgaçãoAçúcar, etanol edesenvolvimentoAporte socioeconômico das usinas instaladas em MT e MSalavanca crescimento das cidades. Alguns municípios têmarrecadação aumentada em mais de 400%Aline LeonardoSão 21 plantas em operação e mais duas novasusinas devem entrar em atividade ainda em2011. O setor sucroenergético no Mato Grossodo Sul vai bem e alterando, em ritmo acelerado,a situação socioeconômica das cidades que recebemusinas. Somente na safra 2011/2012 o Estado deveregistrar 9,8% de crescimento porcentual na produçãode cana-de-açúcar – o maior do País –, saltandode 33,5 milhões de toneladas para 37 milhões detoneladas. Os dados são da Associação dos Produtoresde Bioenergia (Biosul).Segundo o presidente da entidade, RobertoHollanda Filho, com esse aumento na produção decana haverá um incremento de 15,3% no processamentode açúcar, que vai passar de 1,3 milhãode toneladas para 1,5 milhão de toneladas. Quantoao etanol, o crescimento será de 10,8%, o quesignifica um salto de 1,8 bilhão de litros para 2,05bilhões de litros.O impacto sócio-econômico desses números nascidades sul-mato-grossenses é notável e, segundoHollanda, bastante mensurável. De acordo com dadosda Relação Anual de Informações Sociais (Rais), osetor foi responsável por 5,6% do estoque total deempregos formais do Estado. Isso representou,segundo a Biosul, 26 mil postos de trabalho, dos quais18 mil na área agrícola e 8 mil na industrial.“Principalmente nas cidades interioranas ondetem usinas, o desenvolvimento é flagrante. Hácinco anos, uma creche atendia 100 crianças, hojeela trabalha com 1,1 mil crianças. Além disso, surgemnovos loteamentos, crescem o número depostos de trabalho e há um grande aumento naarrecadação”, afirmou.Ainda conforme Hollanda, o caso mais emblemáticode progresso é Rio Brilhante que, depois dachegada de usinas de processamento de açúcar, tevesua arrecadação aumentada em 430%, no período decinco anos. “Além dos benefícios evidentes, as usinasrepresentam para os municípios um desafio muitogrande, pois, se por um lado cria um ambiente denegócios propício, por outro a demanda também éenorme”, ponderou.Em Nova Andradina foram criados mais de 500empregos diretos com a chegada da usina, segundoo prefeito da cidade, Gilberto Garcia. De acordo comele, a Usina de Santa Helena deve dobrar a produçãode cana na safra 2012/2013, alcançando 2,6 milhõesde toneladas e devendo alcançar 3 milhões em 2015.O avanço deve trazer mais benefícios para a cidade,como o aumento na arrecadação de impostos, aexemplo do Imposto de Circulação de Mercadorias eServiços (ICMS) e Imposto Sobre Serviços (ISS).“Normalmente, tenho cerca R$ 50 mil em impostos,que aplico em educação e saúde. O aporte das usinasé muito positivo, mas eu não diria que é vital”, disse.MovimentoDono do Restaurante Rio Sul, em Rio Brilhante,Fernando Balestrim conta que o faturamento de seucomércio aumentou pelo menos 20%, com a instalaçãoda usina. Mas, de acordo com ele, o grande efeitomesmo foi sentido durante sua construção. “Aí sim,foi extraordinário. Porque a quantidade de gente quefrenquentava o lugar era enorme. Agora, já estabilizouum pouco”.A doméstica Naíde Venturini, de 33 anos, nãotem ninguém da família que trabalhe diretamentena usina, construída há cerca de três anos emAnaurilândia. Mas, segundo ela, ainda assim avida mudou muito na cidade. “Agora tem restaurantes,creche, frigorífico e estão construindo aRodoviária e casas para a população pobre”, relatou.Além disso, Naíde viu aumentar o número deparaguaios que vêm para a cidade na tentativa deencontrar emprego.De acordo com a Secretaria de Estado deDesenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, doComércio e do Turismo (Seprotur) as usinas já são responsáveispela criação de 26.340 novos postos de trabalhono Estado. “Não há como negar os impactospositivos que chegam com as usinas, atingindodiretamente e indiretamente a população. Issoporque os municípios têm de se preparar parareceber esse desenvolvimento. A partir daí vêmas estradas, o desenvolvimento econômico, aeducação, etc.”, afirmou Tânia Barata, assessorade comunicação da Seprotur.Campos de JúlioMato GrossoNo Mato Grosso, as usinas instaladas emPoconé, Barra do Bugres, Alto Taquari, LambariD’oeste, Mirassol D’oeste, Campo Novo do Parecis,Nova Olímpia, São José do Rio Claro, Jaciara e Camposde Júlio devem moer nesta safra 2011/2012 mais de 14milhões de toneladas de cana, segundo dados do Sindicato daIndústria Alcooleira do Mato Grosso (Sindalcool). No total, elasserão responsáveis pela produção de 889.405 mil metros cúbicosde etanol e por 421.215 toneladas de açúcar. Somente na safrapassada, 2010/2011, elas promoveram 14.429 empregos diretos eoutros 58 mil indiretos, ainda de acordo com dados do Sindalcool.Em Poconé, a cem quilômetros da Capital do Estado, apesar dea usina já integrar a vida da cidade há anos, o proprietário doSupermercado Econômico, Carlos Marques Amaral, diz que é elaquem determina o movimento na cidade. “Quando a usina para épossível perceber até pela quantidade de gente que sai na rua. O decréscimonos negócios, nesses casos, é inevitável e o impacto financeiro égrande”, contou.A ETH, do Grupo Odebrecht, se instalou a pouco mais de um ano emAlto do Taquari, localizada a 486 quilômetros de Cuiabá. Mas, segundoo secretário de Indústria e Comércio da Região, Erocy Antônio Scaini, ausina já alavancou em 25% a abertura de novas empresas no município.“São borracharias, oficinas mecânicas, lanchonetes e restaurantes.Muitas delas com a expectativa, inclusive, de firmar parcerias com aprópria usina”.Com o quarto melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)do Mato Grosso e o primeiro lugar do Estado em DesenvolvimentoSocial e Renda Per Capita, Alto do Taquari espera progresso aindamaior em 2013, quando serão sentidos os efeitos no aumento daarrecadação do município.Por enquanto, o secretário quer garantir que os novos postos detrabalho em oferta na cidade sejam preenchidos pelos moradores, comoforma de manter a qualidade de vida no local. Somente para motoristasão 50 vagas em aberto. A falta de mão de obra motivou a prefeitura afazer uma parceria com a Usina ETH, Associação Comercial e Industriale Secretaria de Indústria e Comércio para capacitar 300 alunos numcurso com foco prioritário no setor sucroenergético.C. Novo do ParecisNova OlímpiaBarra do BugresLambari D’oesteMirassol D’oestePoconéSanta LuziaSão José do Rio ClaroSidrolândiaSonoraAparecida do TaboadoMaracajuBrasilândiaVista AlegreRio BrilhanteFátima do Sul Angélica AmaurilândiaDouradosNova AndradinaCosta RicaBaitaporãCaarapó VicentinaNaviraíEldoradoJaciaraAlto TaquariChapadão do SulMSMTUsinas em Mato Grosso. Alcopan - Álcool Pantanal Ltda - Poconé. Usina Barrálcool S/A - Barra do Bugres. Brenco – Cia Brasileira de EnergiaRenovável – Alto Taquari. Destilaria Novo Milênio I - Lambari D’oeste. Destilaria Novo Milênio II - Mirassol D’oeste. Coprodia - Coop. Agric. Prod. Cana de C. N.do Parecis - C. Novo do Parecis. Usinas Itamarati S/A - Nova Olímpia. Destilaria de Álcool Libra Ltda - São José do Rio Claro. Usina Pantanal de Álcool e Açúcar Ltda - Jaciara. Usimat Destilaria de Álcool Ltda - Campos de JúlioUsinas em Mato Grosso do Sul. Adecoagro - Agélica Agroenergia – Angélica. Alcoolvale – Aparecida do Taboado. Bunge - Monteverde. CBAA Debrasa – Brasilândia. CBAA - Sidrolândia. Cosan - Caarapó. DCOIL – Naviraí. Energética Santa Helena – Nova Andradina. Energética Vicentina – Vicentina. ETH Bioenergia - Santa Luzia. ETH Bioenergia - Eldorado. Iaco Agrícola S/A – Chapadão do Sul. LDC - SEV - Unidade Maracaju. LDC - SEV - Unidade Passa Tempo. LDC - SEV - Unidade Rio Brilhante. São Fernando Açúcar e Álcool – Dourados. Usina Laguna - Baitaporã. Usina Sonora – Sonora. Usinavi S/A – IBE - Naviraí. Vista Alegre Açúcar e Álcool – Vista Alegre. Unidade de Costa Rica - Costa Rica14 • CANAL, Jornal da BioenergiaOutubro de 2011 • 15


PesquisaFlexibilidade é ponto positivoA opção de transporte de cana brasileira possui pontos positivos como sua altaflexibilidade de expansão e operação, assim como menores custos de capitaisinvestidos na construção da rede viária. “Por outro lado, a opção brasileira geramaior demanda de reparos continuados nas vias de transporte de cana, maioresgastos com manutenção de veículos, maiores custos com trabalhadores paraoperação de caminhões assim como maior consumo de combustíveis e emissõesde carbono. Além disso, está mais suscetível a riscos com segurança dos trabalhadorese a população usuária das vias rodoviárias próximas as usinas”, pondera.Normalmente a colheita e o carregamento são operações realizadas pelomesmo prestador de serviço e, dessa forma, cobradas de forma conjunta.Tanto no Brasil como na Austrália esse serviço é cobrado e mensurado empeso (R$/t, no caso do Brasil). Nas unidades brasileiras as próprias usinasexecutam o serviço de corte e carregamento, sendo esses serviços cobradoscom base em média fixa de custos por tonelada para o raio médio praticado.Já na Austrália, empresas de prestação de serviço de mecanização agrícolasão os principais responsáveis pela execução dessas duas operações. A valoraçãodos serviços é feita de forma diferencia para cada produtor, e nãoinclui o custo de combustível, que é cobrado à parte do produtor. Ou seja, oprodutor possui um custo fixo em dólares australianos por tonelada de canamais o combustível usado durante as operações de CCT. Este valor é calculadocom base na distância entre as áreas de colheita e os pontos de transbordo(siding). “Os profissionais da área destacam que esta forma de cobrançatem trazido bons resultados, pois os produtores se preocupam com a conformaçãoideal dos talhões, visando aumentar a eficiência de colheita e reduzir,assim, os custos com combustível”, finaliza Balieiro. (CANAL com informaçõesda USP/Esalq).Ismar almeida/UJSFoco na logísticaEstudo comparativomostra deficiências nocorte, carregamento etransporte da canade-açúcarCom o objetivo principal de descrever e comparar ascaracterísticas predominantes nos sistemas deprodução de cana-de-açúcar no Brasil e naAustrália, o engenheiro agrônomo Samuel FerreiraBalieiro desenvolveu estudo em um programa de intercâmbioentre a Escola Superior de Agricultura Luiz deQueiroz (USP/Esalq), a Universidade de Queensland e aAssociação de produtores de cana-de-açúcar australiana(Canegrowers). O trabalho ajuda a viabilizar pesquisase discussões sobre aspectos relevantes da produçãosucroenergética nos dois países, de forma a produzirinformações para o setor, identificando com maior clarezaas diferenças nas operações de corte, carregamentoe transporte (CCT), no maquinário empregado, nossoftwares de controle e também nos custos envolvidosnestas operações logísticas, explica Balieiro.No quesito colheita, apesar da utilização de máquinassimilares nos dois países, uma vez que muitos produtoresaustralianos importam máquinas produzidas noBrasil, as condições de utilização mostram-se desfavoráveisaos produtores brasileiros. “No Brasil é comumáreas com declividade superior à 15% serem alocadaspara a produção de cana, enquanto na Austrália amaioria das terras destinadas a este fim apresentamuma conformação predominantemente plana, permitindoalta eficiência na operação da colheita”, aponta oagrônomo. O estudo mostra que a velocidade média decolheita é maior no país da Oceania, resultando emmaior produtividade da colhedora. “Os períodos de 12horas de trabalhos diários das colhedoras nas áreasaustralianas são suficientes para colher a mesma quantidadedo produto que uma máquina que opera emturno de 24 horas no Brasil”, explica o pesquisador. Paraos australianos, o desafio inerente à colheita refere-seao manejo da palhada, uma vez que quase a totalidadeda produção é colhida sem queimada.Nas operações de carregamento e transporte a realidadena Austrália também se mostra mais eficiente nacomparação com o sistema brasileiro. Enquanto noBrasil utiliza-se quase que exclusivamente o transporterodoviário da cana, na Austrália predomina o transporteferroviário. “O sistema de transporte australiano apresentamenores custos operacionais e maior eficiência,uma vez que os grandes investimentos demandados naconstrução da ferrovia e aquisição dos vagões já ocorreramno passado. Enquanto isso, o sistema brasileirocarece de grandes investimentos em infra-estruturasviárias robustas e prioriza a aquisição de caminhões dealta capacidade de transporte”, comenta o pesquisador.No Brasil, caminhões de capacidade entre 45 e 60toneladas praticam, em média, 4 viagens diárias entre ocampo e a fábrica. Já na Austrália, vagões com capacidadeentre 6 e 10 toneladas possuem taxas de utilizaçãode 1,5 viagens diárias. Essa situação resulta numa baixautilização dos vagões (equipamentos), mas em alta eficiênciana utilização dos recursos humanos, uma vezque uma locomotiva pode transportar cerca de 1.200 t(120 vagões), sendo operado somente por duas pessoas.Além disso, há o ganho energético, uma vez que aslocomotivas, quando comparadas aos caminhões, consomem,proporcionalmente, bem menos combustívelpor tonelada de cana transportada.16 • CANAL, Jornal da Bioenergia


LogísticaEtanolduto começa aoperar em março de 2013JataíAparecidado TaboadoGOQuirinópolisAraçatubaSenadorCanedoItumbiaraUberabaMGRibeirão PretoCom a liberação de quase dois bilhões de reaispelo BNDES, a previsão é concluir o primeirotrecho da tubulação em dois anosRogério Borges Guimarães – de São Paulo (SP)Um longo traçado subterrâneo começa aabrir caminho para o maior duto domundo no transporte de etanol. “O sistemagarantirá menos emissões de gases doefeito estufa no transporte do etanol brasileirocom a redução da quilometragem nas viagens delongo curso provenientes deste modal. Isso provocaráredução de acidentes e melhor conservaçãodas estradas brasileiras”, diz o presidente daLogum Logística S.A., Alberto Guimarães.A liberação de recursos do BNDES deve contribuirpara o cumprimento do cronograma (vejaquadro). O Banco Nacional de DesenvolvimentoEconômico e Social autorizou o repasse de R$ 1,7bilhão de reais para financiar a primeira etapa doprojeto, que abrange os trechos de Ribeirão Preto- Paulínia, Uberaba - Ribeirão Preto e Anhembi -Paulínia, além dos terminais terrestres de RibeirãoPreto e Uberaba e hidroviários de Anhembi eAraçatuba. A autorização do empréstimo saiu nofinal de setembro passado. De acordo com odepartamento de logística do Banco, o valor fazparte de um financiamento de longo prazo de R$5,8 bilhões, a ser aprovado ao longo de 2012. Asobras do 1º trecho (Ribeirão Preto-Paulínia) foraminiciadas em agosto de 2011 e, segundo a empresa,estão dentro do prazo.A Logum Logística S.A. é a responsável pelaconstrução, desenvolvimento e operação do sistemaque vai construir 1.330 km de dutos com capacidadepara transportar até 21 milhões de metroscúbicos de etanol por ano. Criada em março desteano, a Logum tem como acionistas a Petrobras(20%); Copersucar S.A.(20%); Cosan S.A. Indústria eComércio (20%); Odebrecht Transport ParticipaçõesS.A. (20%); Camargo Correa Óleo e Gás S.A.(10%); eUniduto Logística S.A.(10%). Assim como as demaissócias, a Petrobras segue em seu planejamentopara aumentar a produção de etanol pressionandoa competitividade. A expectativa da empresaPetróleo Brasileiro S/A, que tem o governo do Brasilcomo acionista majoritário, é aumentar de 5,3%para 12% sua participação no mercado de etanolaté 2015, quando está prevista a conclusão doetanolduto. Ao todo, a companhia espera alcançarem quatro anos uma produção média anual de 5,6bilhões de litros, 273% a mais que os atuais 1,5bilhão de litros.A instalação dos dutos vai ligar as principaisregiões produtoras de etanol (São Paulo, Goiás,Triângulo Mineiro, sul e sudeste de Mato Grossodo Sul e norte do Paraná) aos centros consumidoresda grande São Paulo e Rio de Janeiro e aosterminais marítimos de Ilha D’Água (RJ) eCaraguatatuba (SP), para exportação e/ou cabotagemdo etanol para os demais centros consumidoresdo país. Ao todo, o sistema vai passarpor 45 municípios. O traçado mais longo ligaJataí (GO) a Paulínia (SP). Em Uberaba será instaladouma das mais importantes conexões. É oterceiro trecho a ser construído conforme ocronograma. Os dutos vão ligar a cidade atéItumbiara (GO), município que fica na divisa comMinas Gerais. A capacidade de volume é dequase 7 milhões de metros cúbicos de etanol. EmItumbiara haverá uma divisão do duto para doistrechos: um até Senador Canedo e outro passandopor Quirinópolis e chegando a Jataí.Fotos: DivulgaçãoPresidenteEpitácioPRSPAnhembiBarueriGuararemaGuarulhosPaulíniaRJSão Josédos CamposRio de JaneiroPorto de Ilha D’águaSão SebastiãoCronograma/LogumDUTOVIA (terminais e dutos):Ribeirão Preto – Paulínia: Mar/13Ribeirão Preto – Uberaba: Ago/13Uberaba - Itumbiara: Set/14Itumbiara – Quirinópolis - Jataí: Out/15Paulínia – São José dos Campos: Jan/15São José dos Campos - Caraguatatuba: Dez/1518 • CANAL, Jornal da BioenergiaOutubro de 2011 • 19


Especial TocantinsCrescimento sustentávelEstado desenvolve mapa indicativo da agroenergia em seu territórioGeórgya Laranjeira Correa – De Palmas (TO)Tocantins se destaca como um dos Estadosbrasileiros com elevado potencial para aprodução de biocombustíveis, bioeletricidade,biomassas, energia solar e eólica. Agrande quantidade de terras férteis e os investimentosem pesquisas são uma das principaiscondições disponíveis para investimentos nestesegmento econômico. As demandas do setor têmtido uma atenção especial da Universidade Federaldo Tocantins e do governo do Estado, por meio darecém criada Subsecretaria de Energias Limpas daSeagro – Secretaria da Agricultura, Pecuária e doDesenvolvimento Agrário. O órgão atua como uminterlocutor com os diversos setores a fim de inseriro segmento da agroenergia na rota dos investimentose do desenvolvimento de tecnologiasque geram novas oportunidades de negócios.Uma das atividades e projetos que estão sendoexecutados pela subsecretaria de Energias Limpas é oMapeamento do potencial e elaboração do planoestadual de bioenergia no Estado do Tocantins. Dentreas ações, destaca-se o fomento do arranjo produtivodo etanol a partir da cana-de-açúcar e do amido; ofomento do arranjo produtivo do biodiesel a partir deoleaginosas e reciclagem de óleos residuais. Há, ainda,incentivo à produção de oleaginosas pela agriculturafamiliar, por meio do Programa Federal SeloCombustível Social; bem como os fomentos à implantaçãoda produção de energia a partir do bagaço dacana-de-açúcar e do capim-elefante. Esses assuntosforam debatidos pelo Subsecretário de EnergiasLimpas da Seagro, Ailton Parente de Araújo, noEncontro Estadual de Secretários de Agricultura, realizadona capital tocantinense.A Universidade Federal do Tocantins (UFT) tambémtem parcela significativa no trabalho dedesenvolvimento do mapeamento indicativo dasmatérias-primas propícias e abundantes noEstado. A coordenadora do curso de mestrado emagroenergia da UFT, Glaucia Eliza Gama Vieira,ressalta que as biomassas extrativistas abundantesno Estado do Tocantins são o babaçu e opequi, que são indicadas para a produção de etanol,biodiesel, bio-óleo e biosólido, bem como abatata-doce, para produção de etanol. Destacamse,ainda, os resíduos da agroindústria, comocasca de arroz, bagaço de cana-de-açúcar para aprodução de bio-óleo e carvão vegetal pelo processode pirólise.Terras propíciasO Tocantins destaca-se pela grande quantidadede terras propícias para a agroenergia. Possui 28milhões de hectares de área total, dos quais 50%estão reservados à preservação ambiental.Também conta com os Parques Ecológicos, asReservas Particulares do Patrimônio Natural(RPPNs), áreas indígenas e Reservas Legais; dispondo,ainda, de 14 milhões de hectares para oaproveitamento produtivo.Destes, sete milhões estão sendo usados na criaçãode oito milhões de cabeças de gado, em suagrande parte em pastagens degradadas. O subsecretarioAilton Parente informou que, recuperando-seestas áreas, o rebanho poderia ser criadonuma área muito menor, aumentando, com novastécnicas, a produção de alimentos e inserindo aprodução de energia sem desmatamento.O Estado dispõe, ainda, de mais sete milhões dehectares a serem inseridos no setor produtivo, livresde qualquer entrave ambiental, seja na pecuária, naagricultura e, principalmente, na inserção da produçãode energias limpas para o consumo internoe para exportação. “Estamos fechando um convêniocom o Ministério da Agricultura para favorecerque seja traçado o Plano Estadual Agroenergéticoque possibilitará um levantamento de municípiopor município, para saber o que é produzido atualmentee o potencial de cada um”, explica o subsecretárioParente.22 • CANAL, Jornal da BioenergiaOutubro de 2011 • 23


Potencial industrialda agroenergiaO setor sucroenergético no Tocantins se limita à recém-inaugurada usina daBunge na cidade de Pedro Afonso, que possui um empreendimento com área plantadade 26 mil hectares e que prevê o aproveitamento bioenergético da palhada edo bagaço da cana. Em relação ao biodiesel, o projeto – atualmente em desenvolvimentopelo governo – é a inserção do pequeno produtor no sistema, que favoreceo empreendedor com o Selo Combustível Social. “Neste projeto os pequenosprodutores tocantinenses produzirão soja, amendoim e outras oleaginosas emparceria com empresas de biodiesel, como a Brasil Ecodiesel e Biotins. É uma oportunidadede geração de renda e melhoria da qualidade de vida”, ressaltou o subsecretariode Energias Limpas da Seagro, Ailton Parente de Araújo.No caso da soja, projeta-se uma produção em 18 mil hectares, com investimentode 36 milhões de reais. Já com o amendoim a meta é plantar um total, nestasafra, de 10.800 hectares, com investimentos de 30 milhões de reais. “Prevê-se,apenas com estes dois projetos, um impacto significativo na economia tocantinense,gerando renda e, principalmente, implementando um modelo de aproveitamentosustentável da terra pelo pequeno produtor”, acrescenta Ailton Parente.Outro projeto que vem sendo discutido e está em desenvolvimento no Tocantins éo aproveitamento do óleo de fritura pelas empresas de biodiesel, que trará benefíciosambientais, geração de energia limpa, emprego e renda. O governo está buscandorecursos para a aquisição dos equipamentos para as associações de catadores utilizaremna coleta do óleo. Tocantins descarta, em media, 1,2 milhão de litros de óleo defritura, que poderiam ser utilizados como matéria-prima para biodiesel, alimentandotoda cadeia de geração de empregos.Ismar Almeida/USJUnica/divulgaçãoBiomassaO uso de novas tecnologias para geração de energias limpas ganha cada vez maisespaço na agroindústria, como as biomassas destinadas à produção energética, destacando-sea implantação de florestas. O Estado prospecta um salto de investimentosnesse segmento. A área cultivada, que até o ano passado era de 50 mil hectares, devechegar, em 2016, à casa dos 450 mil hectares. Grande parte da matéria-prima serátransformada em pelet’s, utilizados em termoelétricas para geração de energia.Indústria de briquetesExistem no Estado experiências inovadoras, como a indústriade briquetes, uma lenha ecológica produzida a partir deresíduos agrícolas como palha de arroz, cascas de babaçu erestos de podas de árvores, entre outros. O briquete é umaalternativa de energia renovável, usado em substituição àlenha nativa e ao diesel para a produção de tijolos e lajotas. Acasca de arroz, normalmente depositada na natureza, entra emdecomposição. Com o aproveitamento desses resíduos, no entanto,haverá uma redução dos gases poluentes e do desmatamento, favorecendo a preservaçãoambiental, ressalta Luiz Leal, diretor de Agroenergia da Seagro.A empresa, localizada na cidade de Paraíso (TO), tem potencial para produzir cercade 2 mil toneladas/mês de briquetes, indicados para abastecer empreendimentoscomo frigoríficos e indústrias de cerâmicas. Segundo o Subsecretário de EnergiasLimpas da Seagro, Ailton Parente de Araújo, vários outros resíduos e biomassas poderãoser aproveitados, como a farinha do coco babaçu, resíduos da construção civil,poda de árvores, de processos industriais e cultivares plantadas, como o capim-elefante.“Neste setor, há interesse de investimentos na implantação de uma termoelétricade capim-elefante, com capacidade de gerar 5 MW de energia e investimento de 20milhões de reais, em um plantio de 1.200 hectares”.GeraldoFalcãoPesquisasA Universidade Federal do Tocantins (UFT) tem feito diversas pesquisas em proldo desenvolvimento da agroenergia no Estado. O trabalho tem sido alavancado pormeio da criação do primeiro mestrado em Agroenergia do Brasil, criado em 2007.O curso tem formado recursos humanos na área, desenvolvendo pesquisas voltadasao melhoramento genético, cultivo de biomassas, produção de bicombustíveis eeconomia. Esses trabalhos têm alcançado amplitude nacional e internacional apartir da divulgação em congressos, eventos e conferências, contribuindo para osurgimento de parcerias entre empresas e universidades no setor.O mestrado em Agroenergia da UFT desenvolve pesquisas que objetivam produzirbicombustíveis, de modo geral, a partir de tecnologias e processos inovadores.Conta com 74 projetos em andamento, possui um corpo docente composto por 19professores doutores e 53 alunos matriculados que desenvolvem dissertações demestrado com temas relacionados aos projetos de pesquisa.Segundo a Coordenadora do curso de mestrado em agroenergia da UFT, GláuciaEliza Gama Vieira, uma das principais pesquisas em andamento está focada naprodução de etanol a partir de biomassas amiláceas, como a batata-doce; produçãode bio-óleo e biosólido combustível a partir da pirólise de lodo residual, da amêndoado babaçu, do pequi e da amendoeira da praia; a produção de biodiesel apartir de microalgas residuais e extrativistas, bem como projetos que visam à otimizaçãoda extração de óleo vegetal de biomassas cultiváveis, como a soja, e extrativistascomo o babaçu.“O Estado do Tocantins apresenta alto potencial para o desenvolvimento daagroenergia, destaca-se pela ampla área para cultivo de biomassa ainda disponível,bem como para o aproveitamento de áreas degradadas, alta luminosidade, formaçãode recursos humanos na área, bons canais de escoamento de produção, comoa ferrovia Norte-Sul e atividades direcionadas ao incentivo da agricultura familiar”,destaca a pesquisadora.Marcio Di Pietro/Secom/TOMadson Maranhão/divulgaçãoEnergia SolarUm dos desafios do Tocantins é o investimento em energia solar e eólica. O governoestadual, por meio da subsecretaria de Energias limpas, está buscando junto aoMinistério de Minas e Energia, Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel),Coordenação de Programas de Planejamento Energético (Coppe) e embaixada daInglaterra, um termo de cooperação para a elaboração do Atlas Eólico e Solar doTocantins. O estudo favorecerá a atração de investimentos, já que o Estado não possuiindicativos de produção, parâmetros exigidos nos contratos de venda de energia. Porestudos de organismos do governo federal estima-se que o Tocantins tem potencial degerar cerca 998 MW/ano.De acordo com o Subsecretário de Energias Limpas, da Seagro, Ailton Parente de Araújo,devido ao desenvolvimento destes projetos o Tocantins foi convidado pela embaixada daInglaterra para conhecer as tecnologias de produção de energia a partir do lixo e do esgotoresidencial desenvolvidos pelas cidades inglesas de Bristol e Birmingham. Uma oportunidadepara comunidades do Estado que não têm tratamentos de esgotos.Vários investidores têm demonstrado interesse pelo Estado. Recentemente foi apresentadoum sistema de iluminação autossustentável, movido à energia solar, comopossibilidade para ser implantado no Tocantins. O sistema, que consiste em uma placasolar conectada a baterias para fornecer energia às lâmpadas, é uma indicação para ailuminação de prédios e vias pública. O sistema inclui células fotovoltaicas, que convertemos raios solares em energia e alimenta os leds. No total, 90% da energia solar sãoconvertidas em iluminação.Stock.XCHNG24 • CANAL, Jornal da BioenergiaOutubro de 2011 • 25


Arte, religião einconfidênciaDe ouro e revoluçãoMaíra HeinenCharme e beleza já seriam característicassuficientes para uma visita. A cidade deOuro Preto (MG) encanta visitantes detodos os cantos do mundo e os motivos sãomuitos. A 100 quilômetros da capital, BeloHorizonte, surge, entre os vales e florestas remanescentesda Mata Atlântica, a cidade que foipalco de importantes capítulos da história brasileira,passando por Tiradentes e Aleijadinho. OuroPreto surgiu no século XVII e teve, na corrida peloouro, o combustível para seu rápido crescimento.A busca pelo metal precioso fez nascer uma cidadeque, hoje, abriga uma das mais lindas arquiteturascoloniais e barrocas do País, igrejas e museusque dão amostras dos tempos de opulência pelamineração. Para os que buscam uma viagem histórica,na cultura e nas artes brasileiras, a cidadeé um dos melhores roteiros.A antiga Vila Rica, como inicialmente foi chamada,permite que o visitante tenha uma infinidadede roteiros para todos os gostos. É possívelvisitar igrejas e museus; fazer turismo gastronômicopelos restaurantes aconchegantes e demenus deliciosos; cachoeiras, trilhas e serras possibilitamo ecoturismo. A cidade em si é ummuseu a céu aberto: algumas casas apresentaminscrições com os nomes de ilustres moradores,como o poeta parnasiano Cláudio Manuel daCosta. As construções são verdadeiras aulas sobrea corrida pelo ouro no período colonial.Comendo bemQuem viaja a Ouro Preto também passeia porsabores. Pelas ladeiras da cidade, surgemexcelentes restaurantes, cafés e bistrôs. Umexemplo é a pizzaria O Passo: com excelentecarta de vinhos e pizzas que fogem dosenso comum. O Chafariz, restaurantetípico, tem ambiente com antiguidades eoferece a saborosa comida mineira, comsobremesas e uma cachaça de cortesiaque alegra muitos visitantes. Para os quepreferem sair para tomar uma bebida esaborear comidinhas diferentes, a ruaDireita reúne vários cafés, que às vezes semisturam a antiquários e lojinhas dejóias, pedras preciosas e artesanato dacidade. São muito charmosas e possuemlinda decoração. Uma verdadeira viagemno tempo.A cada esquina, surgem igrejas com santos e anjoscheios de ouro. São galerias com obras de arte de artistascomo Aleijadinho e Mestre Ataíde. Mas além dasigrejas, há vários museus que contam a história políticae religiosa da cidade e os períodos de efervescência,quando jovens estudantes lutavam pela independênciado Brasil. O Museu da Inconfidência, a Casa dos Contossão grandes acervos da inconfidência Mineira. Para asartes sacras, interessante visitar o Museu do Aleijadinho,o Museu de Arte Sacra do Pilar, entre outros.Festa e juventudeAs repúblicas (casas de estudantes) são tradicionaisem Ouro Preto. Existem centenas delas. Assim, um lugartão antigo, acaba abrigando um grande número dejovens que se mudam para estudar na UniversidadeFederal de Ouro Preto (UFOP). A juventude tambémacaba atraindo mais turistas para o Festival de Invernode Ouro Preto, que acontece no mês de julho e o própriocarnaval, conhecido pelos blocos tradicionais da cidade.Várias viagens numa só. Assim é Ouro Preto: cidadedos estudantes, de movimentos revolucionários, da religião,do ouro, da boa comida e de natureza ainda exuberante.Vale a pena conhecer e desfrutar.Fotos: Divulgação28 • CANAL, Jornal da BioenergiaOutubro de 2011 • 29


PesquisaSemana Santa em Ouro PretoOutra festa muito tradicional em Ouro Preto é a Semana Santa. Com amaior parte da população católica, a cidade mineira se torna palco de umabelíssima comemoração. Os preparativos se iniciam desde a Quarta-Feira deCinzas, quando os altares e santos das igrejas são cobertos por panos decores mais claras e só voltam a ser expostos no Sábado de Aleluia.É no sábado também que a população se mobiliza para a confecção dosfamosos tapetes de serragem ao longo das ruas por onde passam a procissão.Enfeitada, a cidade mineira se torna ainda mais bela e os fiéis demonstrama sua fé e religiosidade.Nos demais dias da semana, muitas igrejas realizam cerimônias e missasem homenagem à história de Jesus Cristo. A Procissão do Enterro ocorre naSexta-feira da Paixão, em que a imagem de Cristo na cruz é exposta no altoda Igreja de São Francisco de Assis.No Domingo de Páscoa, a cidade se enche ainda mais de beleza e graça.Durante a procissão que segue o caminho dos tapetes de serragem, osmoradores enfeitam suas janelas e sacadas com toalhas coloridas. ASemana Santa de Ouro Preto é um espetáculo à parte.Visitas imperdíveisNão dá para visitar Ouro Preto e não passear de MariaFumaça ou conhecer o famoso Parque do Itacolomi.Parque do ItacolomiO Parque Estadual do Itacolomi serviu de ponto dereferência para os bandeirantes paulistas que vinhamdesbravando as matas da região em busca das riquezasminerais. Os frequentes nevoeiros contribuem para incitara curiosidade dos visitantes sobre as lendas, mistérios ehistórias da região nos tempos do ouro abundante daantiga Vila Rica. Hoje, além de ponto turístico, o Parqueserve de fonte para estudos e pesquisas, atraindoespecialitas do mundo todo.Passeio de maria-fumaçaA locomotiva de 1949 tem interior de madeira e desenhosemelhante às composições do início do século XX. Aviagem até Mariana é curta - são apenas 18 quilômetrospercorridos em menos de uma hora - mas a sensação deviajar no tempo é garantida. No cenário, paisagens típicasde Minas Gerais, formadas por cachoeiras e montanhas. Opasseio acontece nos fins de semana e feriados.Hélio Ferreira/DivulgaçãoFonte: Férias BrasilFotos: DivulgaçãoProjeto analisadiversidademicrobiana nosolo dos canaviaiscomunidade microbianaA presente nos solos doscanaviais, que podem gerar oaumento da produtividade eda sustentabilidade nas culturasestá sendo analisadapelo professor Fernando DiniAndreote, do Departamentode Ciência do Solo (LSO) daEscola Superior de Agricultura“Luiz de Queiroz” (USP/Esalq).O trabalho foi motivado pelafalta de informação e a insuficiênciade estudos existentessobre essas comunidades.Aprovado pela Fundaçãode Amparo à Pesquisa noEstado de São Paulo (Fapesp),o projeto deve quantificar eanalisar a estrutura destascomunidades e determinar aafiliação filogenética dosorganismos, correlacionandosua estrutura com os dadosfísico-químicos dos solos, aspráticas de manejo de cadauma das regiões e a produtividadeda cultura. “As principaiscomparações confrontarãoas áreas de cultivo previamentedemarcadas pelozoneamento agrícola, além deenglobar também as áreas deexpansão desta cultura portodo centro-sul de nossopaís”, conta Andreote.Fernando andreoteSustentabilidadeA pesquisa também pretendemapear o solo baseadona distribuição geográficados organismos vivos, osquais podem interferir diretamenteno desenvolvimentoda planta. “Espera-se que, nofuturo, seja possível indicarpráticas agrícolas que promovamo desenvolvimento degrupos microbianos benéficosàs plantas. Assim, poderemoster uma produtividade maissustentável, diminuindo oinput de energia no sistema eestimulando mecanismosnaturais que ocorrem naárea”, conclui.30 • CANAL, Jornal da BioenergiaOutubro de 2011 • 31


Empresas e MercadoETH Bioenergia e Amyris se unem para produzir farnesenoAs empresas Amyris ETH Bioenergia anunciam aassinatura de um memorando de entendimento paraparceria na produção do Biofene® no Brasil, farnesenorenovável usado na fabricação de óleos básicos paralubrificantes. A parceria prevê a produção doBiofene® em uma das Unidades greenfield da ETH noBrasil, que disponibilizará um volume equivalente àcapacidade de moagem aproximada de 2 milhões detoneladas de cana-de-açúcar por ano. A ETH terá ocontrole da parceria e a Amyris terá direitos exclusivosde comercialização do Biofene® produzido naUnidade. Reunindo a competência agrícola eindustrial da ETH e a tecnologia da Amyris, aexpectativa é iniciar a produção até 2014.“A ETH é líder na produção de etanol de cana-deaçúcarno Brasil e, através da parceria, a Amyrispoderá comercializar produtos renováveis fabricadosa partir do Biofene® produzido em uma das Unidadesda empresa”, comenta John Melo, CEO da Amyris.“Com esta parceria com a ETH e outros acordos jáanunciados no Brasil, a Amyris totaliza umacapacidade de moagem de 15 milhões de toneladasde cana para a produção Biofene®”.“A inovação é um dos pilares da estratégia da ETH.O nosso compromisso é ser líder na produção debioenergia a partir da cana-de-açúcar, e a Amyristraz uma plataforma de tecnologia e canais demarketing que agregam valor à nossa cadeia devalor”, afirma José Carlos Grubisich, CEO da ETHBioenergia. “Nosso foco é expandir nossa capacidadede produção de etanol e de produtos de alto valoragregado a partir da cana, combinandocompetitividade e sustentabilidade”.A ETH Bioenergia já investiu R$ 6 bilhões e projetainvestir mais R$ 2 bilhões, elevando ao máximo acapacidade de produção de suas unidades. Até 2013, aempresa produzirá 3 bilhões de litros de etanol e 2.700GWh de energia elétrica. O acordo firmado com a ETH éo sexto contrato de produção da Amyris em unidadesespalhadas em três continentes. A Amyris produz oBiofene® no Brasil, Europa e Estados Unidos por meiode vários contratos de parceria.Código de Conduta do Etanol da Braskem completa um anoUm ano após criar o Código de Conduta paraFornecedores de Etanol, a Braskem já conta com93% de adesão entre suas usinas fornecedorascontratadas, em comparação aos 70% do final de2010. Hoje, das 21 usinas que fornecem etanol paraa petroquímica, 19 são signatárias e 2 estão emprocesso de adequação às regras.A Braskem é a única no mundo a fabricar em escalaindustrial o Plástico Verde, derivado do etanol de canade-açúcar.O Código foi lançado com a inauguração dafábrica de Triunfo (RS), em setembro do ano passado. Oobjetivo é orientar as empresas fornecedoras de etanole estabelecer boas práticas socioambientais a seremseguidas em todo processo produtivo.Com a redução gradativa das queimadas e oaumento do uso de sistema mecanizado de colheita,cada tonelada de polietileno verde produzida gerauma captura de até 2,5 toneladas de gás carbônicoda atmosfera, desde o plantio da cana até afabricação da resina.Usina investe em responsabilidade socioambientalUma semana de trabalho com escolas públicasde Bom Jesus. Esta foi a ação desenvolvida pelaGoiasa durante a Semana do Meio Ambiente,realizada em setembro. Apesar de a usina serinstalada em Goiatuba, boa parte de seuscolaboradores mora no município, situado a 30quilômetros. Foram realizados plantios de árvores,caminhada ecológica, feira de ciências e a doaçãode tambores reciclados pela indústria paraseparação do lixo. Investindo fortemente emresponsabilidade socioambiental, a Goiasa criou noano passado o Departamento de Gestão da Saúde,Segurança e Meio Ambiente e tem mais de cincoprojetos em andamento nessas áreas.FMC Corporation nomeia AntônioCarlos Zem presidente daCompanhia na América LatinaO sucesso conquistado na FMC AgriculturalProducts, desde que assumiu comando do grupoAgricola para o Brasil e América Latina, leva AntonioCarlos Zem (foto) à presidência daCompanhia na América Latina. Emnove anos, Zem elevou a FMC do 12ºpara 4º lugar no ranking das principaisempresas de defensivos agrícolas dopaís, trabalho que demandoureestruturação completa doorganograma da empresa. Com perfilousado, o executivo criou novas frentesde trabalho, dividiu funções e distribuiuresponsabilidades. Ele fez dorelacionamento com o cliente o foco principal dacompanhia e agilizou a expansão do portfólio, atéentão muito desenvolvido, porém restrito às culturasde cana-de-açúcar e algodão. A meta é que até 2015a FMC agrícola dobre seu faturamento no Brasil.Para replicar o feito nas demais unidades dacompanhia, que está entre as líderes mundiais nodesenvolvimento de tecnologias para os setoresagrícola, industrial e de consumo, a FMC Corporationviu na expertise de Zem a oportunidade ideal. Apartir da segunda quinzena de outubro, ele passa apresidir todas as unidades FMC na América Latina –Produtos Agrícolas, Químicas Especiais e QuímicasIndustriais. Com 33 anos de trabalho na FMC, Zem dámais um salto na carreira, com o desafio de fazersaltar também a produtividade da empresa. SegundoMilton Steele, Vice Presidente da FMC Agricola, apromoção de Antonio Zem é parte primordial dentroda estratégia da companhia para aumentar seucrescimento em economias de rápidodesenvolvimento. “O escopo dessa função é similarao do Presidente da Ásia e irá aumentar ainda mais apresença da FMC América Latina, estabelecendo umaorganização dinâmica, focada nos clientes, nocrescimento dos negócios rentáveis, nodesenvolvimento de pessoas e na criação de umaimagem forte da FMC na região”, aponta. Zemcontinuará comandando também o GrupoAgroquímico.Goiás Bombas éreferência no mercadoFundada na década de 1980 com a crescentedemanda por água no Centro-Oeste, a GoiásComercial de Bombas e Artesianos Ltda surgiu emum ambiente fértil e ávido pelo produto maisconsumido em todo o mundo: a água.Devido a grande necessidade de água limpae abundante para abastecimento de indústria,agricultura, estação de tratamento de água,pecuária, dentre outros segmentos, a GoiásBombas trouxe a mais conceituada indústria nafabricação de bombas submersas de altatecnologia em bombeamento de águassubterrâneas do Brasil para o Centro-Oeste: asbombas Leão. O equipamento facilitou odesenvolvimento e o crescimento de todos ossegmentos que dependem da água para suasustentação, produção, satisfação emanutenção social.A empresa é representante oficial e revendedorGold dos produtos Grundfos e Mark em todo oCentro-Oeste brasileiro. A Grundfos do Brasil é amais respeitada fabricante de bombas do mundo.Sua linha de produtos compreende bombassubmersas, submersível, centrífuga, dosadora,pressurizadora, recirculação, osmose, dentreoutras dezenas de aplicações. O espectro deatendimento da Grundfos vai desde o domésticoa grandes indústrias.A atuação da Goiás Bombas compreende umavasta gama de produtos, acessórios e serviços, taiscomo: manutenção em bombas centrífugas detodos os tipos (poço artesiano, esgoto, água,injetoras, químicos, etc.), em indústrias, fazendas,clubes, hospitais, residências, hotéis, motéis,construção civil, etc. A empresa fornece todos ostipos de bombas, quadros de comando, sistemasde combate a incêndio, tubos e conexões em PVCe FG. Os serviços atendem a necessidadesvariadas, tais como: impermeabilização dereservatórios, limpeza de poços, teste de vazão,revestimento de poços, instalação e retirada debombas, consultoria, rede hidráulica, obras ereformas em estruturas de alvenaria, cobertura,elétrica e hidráulica.John Deere investe no setor de construção civilA americana John Deere, que fabrica noPaís máquinas para o setor agrícola e tem fortepresença no setor canavieiro, com tratores ecolhedoras, anunciou, no início de outubro, aconstrução de duas novas fábricas para aprodução de máquinas e equipamentos paraconstrução civil no município de Indaiatuba,em São Paulo.O objetivo é acompanhar a demanda crescentedo mercado brasileiro por equipamentos deconstrução e de outros países da América do Sul.O investimento total será de aproximadamenteUS$ 180 milhões, dos quais US$ 124 milhõesserão investidos apenas pela John Deere.“O Brasil é um dos mercados paraequipamentos de construção que mais cresceno mundo”, disse Samuel R. Allen, presidente eCEO da Deere & Company. As duas fábricasserão construídas em Indaiatuba, no Estado deSão Paulo. Uma das fábricas será de propriedadeexclusiva da Deere e fabricará retroescavadeirase pás-carregadeiras de quatro rodas. A outrafábrica será uma parceria entre a Deere e aHitachi Construction Machinery Ltda. efabricará escavadeiras.“Nós vemos oportunidades significativas denegócio para nossos equipamentos deconstrução nesta região. Acreditamos que aDeere pode usufruir de toda a estrutura e doconhecimento que já temos nesta região”,afirmou Michael Mack, presidente da DivisãoGlobal de Construção e Florestal da John Deere.“O Brasil se mantém em um ambiente positivo,de grande crescimento e investimento eminfraestrutura, dando-nos a confiançanecessária para expandir o negócio deconstrução por meio desses investimentos”,complementou.De acordo com Michijiro Kikawa, presidente ediretor executivo da Hitachi ConstructionMachinery Ltda, “desde que a parceria deempreendimento conjunto formal começou em1988, a Hitachi tem trabalhado exclusivamentecom a John Deere no continente americanopara estabelecer uma presença líder no mercadode escavadeiras hidráulicas. Este novoempreendimento conjunto está focadoespecificamente no Brasil e permite que aHitachi e a John Deere fortaleçam sua sólidarelação com oportunidade de crescimento delongo prazo.”Segundo a Deere, a linha de produtosfabricada no Brasil será complementada porimportações de outras fábricas. A empresatambém pretende estabelecer uma rede dedistribuição para vender os equipamentos efornecer serviços de manutenção,similarmente à respeitada organização deconcessionárias de equipamentos deagricultura da John Deere no Brasil.A Deere já tem uma forte presença no Brasil,abastecendo os mercados de máquinas deagricultura e florestal, com três fábricas deequipamentos de agricultura, um Centro deDistribuição de Peças para a América do Sul, umbanco operado pelos Serviços Financeiros JohnDeere e uma unidade da John Deere Water, umadas maiores empresas de irrigação do mundo.32 • CANAL, Jornal da BioenergiaOutubro de 2011 • 33


Agricultura familiarDeputados propõemconstrução de microdestilariasProjetos tramitando na Câmara Federal preveem instituirprograma de pequenas unidades fabris para a produçãodo etanol por agricultores familiaresCarlos Alberto PachecoDe BrasíliaHá tempos que os parlamentares doCongresso Nacional descobriram na agriculturafamiliar um excelente filão quenão está sendo devidamente explorado.Na Câmara Federal deputados procuram chamarpara si a responsabilidade de apresentar projetosde incentivo à pequena produção, enquanto ogoverno mantém certa apatia quanto às reivindicaçõesdo segmento. No setor de cana-de-açúcarsurgem os deputados Jesus Rodrigues (PT-BA) eLuiz Carlos Heinze (PP-RS) com uma propostaidêntica: a criação de microdestilarias para o processamentode etanol (fotos) em todo o País.Em setembro, Rodrigues enviou à Câmara oProjeto de Lei nº 2397/2011, que institui o Programade Microdestilarias de Biocombustíveis (Promicro),reunindo em sua órbita associações e cooperativasde agricultores familiares para a produção e comercializaçãodo etanol. “Minha proposta prevê ainclusão do pequeno produtor no mercado, atéporque, hoje, o cenário brasileiro e mundial apontao setor de biocombustíveis como uma excepcionalfonte de geração de emprego e renda”, afirma.Rodrigues entende que é preciso adotar umanova regulamentação que permita ampliar a comercializaçãodo etanol e critica o atual modelo deprodução que não contribui para a redução dospreços dos combustíveis. “Há uma instabilidadenessa produção, que se divide entre açúcar e álcool,e pode nos levar à perigosa condição de importadores”,opina. De acordo com o projeto, o Promicropermitirá ao agricultor familiar produzir até 10 millitros de etanol por dia e vender direto ao consumidorou aos postos de combustíveis credenciados pelaAgência Nacional de Petróleo (ANP).O deputado não tem dúvidas de que o etanol éoportunidade única aos produtores e assentadosda reforma agrária obterem renda imediata. Tantoé que afirma em seu projeto: “A produção para oconsumo local traria uma grande economia naatual logística de distribuição de combustíveis,reduziria preços, aumentaria excessivamente aárea plantada, não só de cana-de-açúcar, mas damandioca, batata-doce, sorgo sacarino entreoutras possibilidades.” Os recursos para o programaviriam do Orçamento da União ou captadosna rede bancária credenciada. A Mesa Diretora daCâmara ainda definirá as comissões que devemanalisar a proposta.Álcool hidratadoOutra iniciativa quase idêntica é a do deputadoHeinze, que sugere o Pronama – ProgramaNacional de Apoio às Microdestilarias de Álcool(Projeto de Lei 849/11) e estabelece critérios paraa produção e a comercialização de álcool hidratado.Esse programa visa ao desenvolvimento sustentávele à geração de empregos e renda nasregiões agrícolas do País. A exemplo da propostade Jesus Rodrigues, a ideia é processar o álcool eaproveitar o potencial agrícola e industrial deitens derivados da cana-de-açúcar e utilização dapalha e do bagaço para projetos de autoproduçãoe cogeração de energia elétrica.O Pronama pretende atender às necessidadesdas cooperativas, das associações de produtoresrurais, aos projetos de agricultura familiar e aospequenos e médios produtores. Segundo Heinze,o projeto prevê criação de linhas de crédito juntoaos bancos públicos ou privados para o financiamentodas microdestilarias. Mas, enquanto naproposta de Rodrigues os contratos de financiamentoserão feitos com prazo mínimo de trêsanos de carência e sete anos de amortização, odeputado gaúcho propõe contrato cujo prazomínimo seria de 12 anos e quatro de carência. Amatéria será submetida à análise conclusiva dascomissões de Minas e Energia; de Agricultura,Pecuária, Abastecimento e DesenvolvimentoRural; de Finanças e Tributação; e de Constituiçãoe Justiça e de Cidadania.Fotos: DivulgaçãoRodrigues: programa permitirá ao agricultorproduzir até 10 mil litros de etanol por diaProjetosdependem deestudo técnico eeconômicoUfanismo dos deputados à parte, a questãoda viabilidade técnica e econômica é mais sériado que se imagina. O chefe-adjunto deTransferência de Tecnologia da EmbrapaAgroenergia, José Manuel Cabral de Souza Dias,admite que as microdestilarias possam ser boasoportunidades para garantir o suprimento energético.Mas há desafios a superar não contempladosnos respectivos projetos de lei. “A tecnologiaempregada para esses projetos não estásuficientemente madura. A implantação dasmicrodestilarias depende de um estudo maisprofundo”, adverte.José Manuel destaca três pontos numa avaliaçãocriteriosa. O primeiro deles diz respeito aoauto-suprimento energético. Tais destilariasdevem abastecer de forma adequada carros,motos, tratores de cooperativas e demais equipamentos.Esse seria o principal objetivo dessaspequenas unidades industriais. O segundo pontoé a qualidade do produto. “É preciso entenderque o álcool pode conter ácidos prejudiciais aosmotores. Deve-se estudar formas de garantir aqualidade do produto final”, avisa o especialista.E o terceiro e último aspecto é a destinação dasmatérias-primas. “A definição e o aproveitamentode quais subprodutos usar, como, por exemplo,o bagaço de cana e o sorgo são essenciaisnesse processo”, complementa.O chefe-geral da Embrapa destaca que, alémdesses pontos, os idealizadores das microdestilariasprecisam estudar os locais onde serão instaladas,a qualidade da água (obrigatoriamentepotável) e a capacidade de energia elétrica. ParaJosé Manuel, os projetos podem ser viáveis emtermos econômicos, desde que se faça o levantamentodos custos. “Afinal, é preciso mensurara compra de equipamentos, como as torres deventilação, caldeiras e moendas. Sem esses parâmetrosbem estabelecidos, haverá dificuldadesna composição dos custos”, advertiu.34 • CANAL, Jornal da Bioenergia

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