Revista grandes compradores e pequenos fornecedores
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A micro e pequena empresa brasileira pode aumentar, significativamente, o seu faturamento.O setor acaba de ganhar prioridade e tratamento diferenciado nas licitações públicas.Uma novidade que traz uma série de vantagens para o empresário e reais oportunidades
EDITORIALOABRINDOMERCADOScaminho mais curto e rápido para acelerar o desenvolvimentopassa pelo fortalecimento dos <strong>pequenos</strong> negócios, por serem<strong>grandes</strong> geradores de ocupação e renda.Um dos mecanismos eficientes de fortalecimento dos <strong>pequenos</strong> éabrir o mercado. Há diversas formas para se obter isso, como, porexemplo, disseminar o chamado comércio justo, em que se praticammelhores condições de troca com os <strong>pequenos</strong>.Outro instrumento é promover a maior participação das micro e pequenas empresasnas compras governamentais, nas exportações, nas cadeias produtivasdas <strong>grandes</strong> empresas, estatais e privadas, em feiras, missõesempresariais, rodadas de negócios.A economia está estável, a inflação controlada, a produção crescente, mas oBrasil ainda registra um dos mais elevados índices de concentração de rendado mundo.Em contraste com uma conjuntura econômica favorável, a formalização4GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES
Divulgação/SebraePAULO OKAMOTTODiretor-presidente do Sebraedas empresas ainda é pequena, estimando-se dois negócios na informalidadepara cada um registrado. Entre as empresas formais há bastante desigualdade,ao considerarmos que embora as MPE representem 99% daquantidade de empresas existentes, as mil maiores produzem mais de 70%do PIB e não representam sequer 2% das formalizadas.É de se esperar que estas perversas proporções comecem a ser mudadas coma vigência da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. A nova legislação estimulaa formalização, ao torná-la atrativa pela simplificação e redução de impostose por facilidades de acesso dos <strong>pequenos</strong> ao crédito, às comprasgovernamentais e à atualização tecnológica.Ampliar o acesso dos <strong>pequenos</strong> negócios ao mercado é uma das diretrizes estratégicasdo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.Esta edição da <strong>Revista</strong> Grandes Compradores e Pequenos Fornecedoresdo Sebrae mostra como fortalecer os <strong>pequenos</strong> justamente abrindo mercado.“Entre as empresasformais há bastantedesigualdade, aoconsiderarmos que,embora as MPErepresentem 99%da quantidade deempresasexistentes, as milmaiores produzemmais de 70% do PIBe não representamsequer 2% dasformalizadas”É possível, sim, com conhecimento, competência e, claro, muito suor.GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES 5
METASTer o Tutorial de Compras contendo procedimentos referenciaisque orientem o processo de compras do Sebrae Nacional,validado pela Diretoria Executiva, até fevereiro de 2008;1 23Disponibilizar um canal de interaçãoon-line entre o fornecedor e o Sebrae –Canal do Fornecedor –, até maio de 2008;Alcançar 40% do volume total decompras do Sebrae Nacional juntoàs MPE, até novembro de 2008.três níveis: municipal, estadual e federal.“É um dos componentes fundamentaisda nossa missão institucional”, explicaBarboza.Além de alcançar a excelência naqualidade de produtos e serviços, conferindo-lhesainda preços competitivos,o diretor técnico do Sebrae alerta parao fato de que a política de compras dainstituição também prepara as micro epequenas empresas para procedimentose exigências dos processos licitatóriose leilões realizados por<strong>compradores</strong> públicos.De acordo com o gestor do Programade Compras do Sebrae,Wladimir Galvão, criar procedimentoreferencial que oriente o processo deaquisição de bens e serviços de MPEpara o Sistema é o principal objetivodo Programa. Além disso, ressalta ele,a meta é “aumentar a participação dasmicro e pequenas empresas nas comprasrealizadas pelo Sebrae Nacional,incorporando e superando os preceitosda Lei Complementar 123/2006”.LEI GERALConhecida também como Lei Geraldas Micro e Pequenas Empresas, a LeiComplementar 123, de 14 de dezembrode 2006, quando for integralmenteimplementada, representaráa grande revolução para os <strong>pequenos</strong>negócios brasileiros. Sinônimo detratamento diferenciado nas condiçõesde negócio e de desenvolvimentojusto e equilibrado em todo o país, aLei deverá se tornar um dos maisrelevantes ingredientes para aeconomia brasileira.Ao propor a simplificação da burocraciano processo de abertura,manutenção e fechamento de empresas,a Lei Geral cria tratamentos adequadosquanto à tributação e ao acessoa financiamentos, como também aosfundos de inovação e tecnologia. Alémdisso, facilitará as vendas para governose ainda os mecanismos não judiciaisde resolução de conflitos.O diretor técnico do Sebrae, LuizCarlos Barboza, explica que, a partir daregulamentação e implementação daLei Geral, o ambiente será estimuladore facilitador para o aumento da competitividadedas micro e pequenas empresas.O que se traduzirá, segundoele, na geração de mais e melhorespostos de trabalho. “Teremos desenvolvimentopulverizado em todas asregiões e uma distribuição maisigualitária da renda”, diz Barboza.Com a regulamentação do DecretoFederal nº 6.204, de 5 de setembro de2007, que trata do capítulo V da LeiGeral da MPE, em vigor desde o dia 7de outubro, as regras e procedimentoslegais para a participação em licitaçõese pregões, inclusive eletrônicos, ficarãomais claros. Além disso, há ainda a expectativade que o governo, em suastrês esferas, aumente suas demandasaos micro e <strong>pequenos</strong> <strong>fornecedores</strong>. “Àmedida em que a lei for sendo adotada,o nível de participação das MPE aumentará”,analisa Robson Schimidt, consultorda Unidade de Acesso a Mercadosdo Sebrae Nacional. próximosGRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES 11
INOVAÇÃOExemplo dedesenvolvimentode <strong>fornecedores</strong>DVF/PDF-ESResponsabilidade social esustentabilidade são algumasdas principaisbandeiras assumidaspelas maiores empresase corporações do país.Por isso, essa tendênciatorna-se também objetivo dasmicro e pequenas empresas. Essecaminho vem se transformando, inclusive,em instrumento de fomentoeconômico para as regiõesonde as MPE estão localizadas.Essas duas vertentes representamhoje o diferencial em termos de mercadoe de competitividade. Um bomexemplo disso é o que acontece comempresas de médio porte do EspíritoSanto, graças ao apoio do Programa deDesenvolvimento de Fornecedores(PDF), do Sebrae no Espírito Santo.Contrariando a realidade – onde amaioria das micro e pequenas empresasnão fornecem para <strong>grandes</strong> empresaspor falta de infra-estrutura deoperacionalidade e funcionamento –o programa estimulou no estado a realizaçãode negócios entre os <strong>pequenos</strong><strong>fornecedores</strong> e os <strong>grandes</strong><strong>compradores</strong>.Desenvolvido pela empresa DVFConsultoria em 1995, com o apoio e incentivodo Sebrae no Espírito Santo, oPDF transformou-se em um facilitadorde parcerias e sinônimo de incentivo aocrescimento da economia local.Essa mudança de conceito naeconomia regional atingiu um novopatamar entre junho de 2006 e maiode 2007, quando, de olho na novaonda de investimentos em que vive oPRODFOR doEspírito Santoéumadasreferências para opaís quando oassunto édesenvolvimentoe qualificação de<strong>fornecedores</strong>estado, o Centro Capixaba de DesenvolvimentoMetalmecânico (CDMEC), oSindicato Nacional das Empresas deArquitetura e Engenharia Consultivas(SINAECO), o Sindicato da Indústria eda Construção Civil no Estado do EspíritoSanto (SINDICON), o Sindicatoda Construção Pesada no Estado doEspírito Santo (SINDICOPES) e o Sindicatodas Indústrias Metalúrgicas e deMaterial Elétrico do Estado do EspíritoSanto (SINDIFER) se uniram efirmaram convênio com o Sebraepara maximizar a participação deseus associados.Com o objetivo de ampliar o escopodo programa, foram incluídas nasações diretas cursos de gestão e workshopspara estimular ainda mais a capacitação,certificação e promoção deempresas locais, a realização de negócios,a redução de custos e a geraçãode emprego e renda.Essa metodologia do PDF estáalicerçada em três pilares. O primeiroé a capacitação e certificação, incluindotreinamento para empresáriose gestores, nas áreas de gestão, estratégiae marketing. O segundo é aqualificação para trabalhadores nasdiferentes cadeias de fornecimento.Para completar, existe ainda o trabalhode certificação das empresasem qualidade, segurança e tributos.Essas três vertentes vêm facilitando oacesso ao mercado comprador.Um dos exemplos bem-sucedidos éa capacitação e a certificação, criadase desenvolvidas desde 1997 pelo ProgramaIntegrado de Desenvolvimento,Realização e Qualificação de Fornecedores(PRODFOR). Com ações conjuntascom as principais empresascompradoras de produtos, bens eserviços instaladas no Espírito Santo,como a Aracruz Celulose, CompanhiaSiderúrgica de Tubarão (CST), Petrobrase Companhia Vale do Rio Doce,as micro e pequenas empresasapontam para investimentos quedevem superar a marca de R$ 26bilhões até 2011.Idealizador do PDF, o empresárioDurval Vieira conta que antigamente osprodutos e serviços fornecidos paraempresas de grande porte do EspíritoSanto vinham de outros estados epaíses. Além disso, ao término dos projetos,as mesmas deixavam <strong>grandes</strong>problemas sociais para trás, tais como:analfabetismo e grotões de pobreza.“Além da falta de absorção de tecnologiapelas empresas e trabalhadores locais”,lembra Duval Vieira.12GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES
Projeto aposta em integração e troca de experiências para alcançar resultados positivosCom o advento do PDF, o númerode fornecimentos locais passou de 1%(dados de 1995) para 35% em 2002.As empresas capixabas evoluíram esaíram para outros estados brasileiros.Atualmente, participam do PDF no EspíritoSanto 313 empresas que representamuma inserção de 40% nosprojetos executados no estado.Dessas, 75% possuem, em média, 50funcionários.Entre as empresas âncoras queaderiram de forma significativa ao Programade Desenvolvimento de Fornecedores,a Aracruz Celulose se destaca como projeto de otimização 2330, com investimentosda ordem de U$ 200 milhões.Todos os serviços de engenharia de projetos,construção civil e montagem industrialforam realizados por empresascapixabas. Outro destaque, a Samarco,incorporou 35% de compras dos<strong>fornecedores</strong> da região.RESULTADOSAções como cursos de capacitação paraos empresários e trabalhadores e viagenspara eventos de diversos segmentosdentro e fora do país fazem partedo preparo para as pequenas empresasque passam a fornecer para os<strong>grandes</strong> <strong>compradores</strong>. Elas tambémcontam com assessoria aos negóciospormeiodepalestraseworkshops,principalmente na área de tecnologia,e são convidadas a visitar empreendimentose <strong>grandes</strong> indústrias.Entre 2006 e 2007 o PDF/ES teveum desempenho superior a 75% doprevisto no convênio firmado, com resultadosque foram além das metaspropostas praticamente em todos os indicadores.Para se ter uma idéia, foramrealizadas 21 palestras ao longo doprimeiro ano, em todas as regiões deatuação do programa, com participaçãode 1.221 pessoas. Os temas gerais quenortearam esses eventos foram: “Oportunidadede Negócios” e a “Gestão porResultado”.Nas reuniões com empresas compradoras,além de apresentar o resultadodo PDF e medir o nível desatisfação entre os <strong>fornecedores</strong> paraestabelecer estratégias e açõesque visem a melhoria do programa,há um aprofundamento dosprojetos dessas empresas juntoaos seus responsáveis.“No momento estamos realizandouma nova etapa, ampliando a atuaçãodo PDF para outros municípios do interiordo estado. Por orientação do Sebrae,visamos capacitar as micro epequenas empresas capixabas paraatender as demandas das <strong>grandes</strong> empresas,principalmente os projetos depetróleo, gás, siderurgia e mineração”,conta o idealizador do PDF-ES,Durval Vieira.Segundo ele, esse formato envolve aaproximação de <strong>fornecedores</strong>, <strong>grandes</strong>empresas compradoras, governo e associaçõesde classe, uma vez que todos,ainda que por motivos diferentes, têminteresse no desenvolvimento local.Além do Sebrae, o PDF/ES contacom o apoio da Federação das Indústriasdo Espírito Santo(FINDES), do Governo do Estado,do Movimento Espírito Santo emAção e do SINDICON. Passoa passoPara obter o certificado doPRODFOR, o fornecedor podeseguir dois caminhos.O primeiro é ser indicado poruma empresa mantenedoraque pode fazer a indicaçãorespeitando determinadacota, para compor o grupo aser desenvolvido e qualificado.Ela pode fazer isso uma vez aoano. Para isso, o fornecedordeverá procurar essasempresas para pleitear acandidatura.Com a indicação, as microe pequenas empresas têm ocompromisso de adequar suaorganização aos requisitos doSistema de Garantia daQualidade de Fornecimento -SGQF. Para conseguir oCertificado de FornecedorQualificado, as empresasfornecedoras são submetidasa um intenso processo deavaliação, feito por meio deauditorias independentes, queanalisam tanto a organizaçãointerna da mesma como ofornecimento de produtos e aprestação de serviços.Caso não consiga serindicado, o fornecedor podetentar candidatura própria. Nasecretaria do PRODFOR, eledeve preencher formulário,equivalente à inscrição, eanexar cópia do balanço socialdo último exercício. Tanto asolicitação da mantenedoraquanto a candidatura própriasão apreciadas pelo ComitêExecutivo. O interessado podese informar melhor nasecretaria do Programa.SERVIÇO:Comitê Executivo:(27) 3225-7958 e 3235-2966GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES 13
CAPANovas oportunidadesde mercado: comprasgovernamentaisGerar emprego, promoverdesenvolvimento sustentável,distribuir renda,reduzir a informalidade epromover a inclusão so -cial são alguns dos principaispilares da LeiComplementar nº123 de 2006. Tambémchamada de Lei Geral das Microe Pequenas Empresas, a regra prevêtratamento legal diferenciado, simplificadoe favorecido ao segmento dasMPE, como previsto na ConstituiçãoFedera l. O Capítulo V da Lei traz umasérie de benefícios que ajudarão asmicro e pequenas empresas a se desenvolveremtecnológica e eco -nomicamente. Regulamentado peloDecreto Federal nº 6.204, em vigordesde o dia 6 de outubro, o capítuloV torna-se um instrumento estratégicode desenvolvimento, comincentivo à inovação e ao fortalecimentoda economia, visando benefíciosdiretos para toda a sociedade.Com isso, mais incentivo à sustentabilidadedessas empresas.Um dos principais aspectospolíticos de transferência de recursose de renda são as comprasgovernamentais. O gerentede projetos da Secretaria deLogística e Tecnologia da Informação(SLTI) do Ministério dePlanejamento, Orçamento eGestão (MPOG), Vinício Rosseto,explica que a preferência pelasmicro e pequenas empresas,nesse tipo de compra, está embasadatanto na aplicação doprincípio constitucional da isonomiaquanto na possibilidadeA expectativade fomento chega a30% em cinco anos.Isso significa umincremento de R$ 34bilhões ao ano para odesenvolvimento de<strong>pequenos</strong><strong>fornecedores</strong>concre ta de geração de empregoe de renda para uma grandeparcela da sociedade.O que está acontecendo nopaís é a coisa mais extraordináriaem termos de legislação de tratamentodiferenciado para as microe pequenas empresas, segundoRosseto. “São muitos benefícios.Precisamos incentivar o crescimentodesse setor”, ressalta ogerente do departamento deServiços Gerais do Ministério doPlanejamento.“A discriminação positiva afavor das MPE visa suprir sua na -tural desvantagem em relação àsempresas de maior porte em umacompetição. Assim, igualdade nãosignifica invalidade de todo equalquer tratamento discriminatório,já que é preciso tratar deforma igual aos iguais e de formadesigual aos desiguais”, frisouVinício Rosseto.Existem quatro dispositivosprincipais que norteiam a LeiGeral: o primeiro é o artigo 5º dodecreto, que re gulamenta o empateficto. Nesse ca so, as MPE enquadradasno intervalo de empate(5% no pregão e 10% nas demaismodalidades) podem oferecer umanova proposta e cobrir o preço damédia ou grande empresa, explicao representante do Ministério doPlanejamento.O segundo é o artigo 6º do decreto,que dispõe sobre a realizaçãode licitação com participação exclusivade MPE nas contratações atéR$ 80 mil. Já o artigo 7º regulamentaa possibilidade de exigir nalicitação a subcontratação de MPE,até o limite de 30% do objeto. E, finalmente,o artigo 8º que dispõesobre a possibilidade de fracionar oobjeto com destinação de cota paraparticipação exclusiva de MPE, atéo limite de 25%.Em 2006, o volume de vendasdas micro e pequenas empresaspara as diversas esferas do governo,segundo Rosseto, respondeu porapenas 17% do fornecimento.Sendo 8% somente para o governofederal. A previsão governamental,com a regulamentação do decretofederal, é de um aumento de 25%nos próximos quatro anos.Dados da Unidade de PolíticasPúblicas do Sebrae apontam quedas cerca de 15 milhões de empresasexistentes no Brasil, somente14GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES
CAPÍTULO V - DO ACESSO AOS MERCADOSArt. 42 e 43. — Estabelece a comprovação de regularidade fiscal dasMPE e empresas de pequeno porte só para efeito de assinatura decontrato e dá prazo de dois dias úteis, prorrogáveis, para regularizaçãoda documentação, pagamento ou parcelamento do débito.Arts. 44 e 45. — Considera-se empate valor igual ou até 10%superior ao proposto pelas demais empresas; e no pregão, igual ousuperior a 5%. Em caso de empate:I - A MPE melhor classificada poderá apresentar novaproposta de preço;II - Não contratando-a, serão convocadas as remanescentes;III - No caso de equivalência será realizado sorteio.Art. 45. § 2º — O disposto neste artigo somente se aplicará quando amelhor oferta inicial não tiver sido apresentada por MPE.Art. 46. — Empenhos liquidados por órgãos e entidades da União,estados, Distrito Federal e municípios e não pagos em até 30 (trinta)dias contados da data de liquidação autorizam a emissão de cédula decrédito microempresarial.Art. 47. — Autoriza o tratamento diferenciado e simplificado às MPE.Art. 48. — Permite realizar processo licitatório:I - Exclusivamente com a participação de MPE até R$ 80.000,00(oitenta mil reais);II - Com subcontratação de MPE em até 30% (trinta por cento)do total licitado;III - Em cota de até 25% (vinte e cinco por cento) do objetopara contratar MPE.§ 2º - Na hipótese do inciso II, os empenhos e pagamentospoderão ser destinados diretamente às MPE subcontratadas.5 milhões está legalmente formalizada.Desse total, 99% participam em somente17% do montante de comprasgovernamentais.As micro e pequenas empresassão hoje responsáveis pelo empregode quase 60% dos tra balha -dores que têm registro em carteirade trabalho, mas produzem apenas20% do Produto InternoBruto (PIB). Elas correspondema aproximadamente 26% damassa salarial brasileira. Entretanto,Vinício Rosseto estimaque com o advento do decreto,a competitividade deverá serestimulada e ampliada.O gerente da Unidade de PolíticasPúblicas do Sebrae, Bruno Quick,concorda com essa previsão. Ao lembrarque, atualmente, cerca de 150mil micro e pequenas empresasfornecem para os governos, eleaposta no aquecimento dessas vendas.“Com essa política, esse númeropode crescer muito, considerando agrande quantidade de empresas dosegmento existentes no país”.Quick exemplifica com nú -meros. Segundo ele, com baseem dados do Ministério do Planejamentoe da Secretaria dePolítica Econômica do Ministérioda Fazenda, dos mais de R$ 260bilhões comprados pelo poderpúblico, atualmente apenas17%, o que corresponde a R$ 44bilhões, são adquiridos de microe pequenas empresas. A meta éincrementar esse volume em13%, subindo para 30% dentrode cinco anos aproximadamente.Vinício Rosseto ressalta que, deacordo com as Juntas Comerciais,50% das MPE que começaram afuncionar em 2002 fecharam em2004. “Dessa forma, um maioracesso às compras governamentaispode resultar em um modo dereduzir a taxa de desemprego”, argumenta.Hoje, a forma de comprar dogoverno é por meio da Lei 8.666 de1993 (Lei de Licitações) ou da Lei10.520 de 2002 (Lei do Pregão).Com o decreto em vigor, essecenário mudará, prevê Rosseto.EXPECTATIVAA estimativa atual é de que, com aregulamentação da Lei, os municípios,os estados e a União, dentrodas suas diversas ramificações,comprem 13% acima do que éregistrado atualmente. Se essevalor subir para até 30%, como éa expectativa para cinco anos, ovolume de vendas das MPE para ogoverno atingirá a casa dos R$ 78bilhões. Um fomento de quaseR$ 34 bilhões para o segmento,segundo a Unidade de PolíticasPúblicas do Sebrae.Traduzindo em empregos, esseavanço significará 971 mil postosde trabalho diretos e a criação dedois milhões de empregos indiretospor ano. “Esse é o impacto dalei na vida das MPE. É preciso queela se cumpra. Trata-se de umaGRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES 15
estratégia de desenvolvimento.Esse valor é 3,5 vezes maior do queo montante de transferência derenda do Programa Bolsa Família”,observa o analista da Unidade dePolíticas Públicas do Sebrae,William Brito.Em países desenvolvidos daEuropa e nos Estados Unidos ovolume de compras efetuadasjunto às pequenas fornecedorasvaria entre 30% e 40%. NoBrasil, a maioria das micro e pequenasempresas não sabem nemcomo participar do processo decompras governamentais. Nãoconhecem quais são os trâmiteslegais a seguir, os documentosque precisam e nem os riscos quecorrem.CAPACITAR É PRECISOO caminho para esse novo conceitode mercado, agora regulamentadopor lei, vai exigir das MPEuma qualificação imediata. Porisso, o Sebrae e a Secretaria deLogística e Tecnologia da Informaçãofirmaram convênio para a realizaçãode cursos de capacitação para asMPE e para com pra dores. O Sebraeserá o responsável pela formação degestores de micro e pequenas empresase espera apenas a regulamentaçãoda lei para colocar mãos àobra. O Ministério do Planejamentojá capacitou 500 gestores públicos.Segundo Rafael Arantes, da Secretariade Logística do Ministério doPlanejamento, o objetivo agora édobrar esse número e ampliar aquantidade de novos <strong>compradores</strong>públicos capacitados. “Queremoschegar a 1.500. Para isso, estamosem fase de planejamento. Senão for possí vel, com certeza serádobrado o número para mil com -pradores públicos”, afirma. Somandoos esforços do governo edo Sebrae, a meta é ir além do estabelecidono convênio entre asduas partes, segundo explicaRafael Arantes.De acordo com Luis AugustoPacheco, da Unidade de Acesso aMercados (UAM) do Sebrae, detentorasde excelência no mercado, as<strong>grandes</strong> corporações exigem, porexemplo, compromisso de responsabilidadesocial e ambiental daspequenas fornecedoras. “Isso astornará sustentáveis dentro domercado. O conceito de gestão pregadonos tempos atuais é consumirhoje e pensar no consumo deamanhã”, explica.Vinício Rosseto lembra que ogoverno pode ajudar de outras formasno desenvolvimento desse potencialde mercado para <strong>pequenos</strong><strong>fornecedores</strong> venderem melhor.“Existem várias, uma delas é investirna capacitação dos servidores para ouso do poder de compra, informatizando,padronizando e simplificandoos processos. Ou ainda, apoiando asMPE para que possam participar delicitações, incentivando os consórcios,parcerias e subcontratações, entreoutras”, listou o gerente de projetosda Secretaria de Logística e Tecnologiada Informação.Ainda de acordo com Rosseto, oprimeiro passo das empresas deveser no sentido de procurar sabermais detalhes sobre a lei e o decreto.“Consultar constantemente osite do Comprasnet para se informara respeito das licitações emandamento é fundamental. Em umsegundo momento, a empresa podepesquisar as especificações maissolicitadas pelo governo para,dentro do possível, procurar atendera esse ou aquele padrão”, explica.Segundo ele, o governo, porsua vez, deve procurar padronizarseus pedidos, conforme exposto nopróprio decreto.Rafael Arantes diz que o sistemado governo já está praticamente adequadoao que determina a lei. “Permitetoda a funcionalidade dosbenefícios concedidos à MPE, comexceção de dois: exigência de subcontrataçãode MPE e cota exclusivapara participação delas”, diz. Ecompleta que os dois estão sendoCINCO AÇÕES REALIZADAS PELO SEBRAE EMPROL DA IMPLEMENTAÇÃO DA LEI GERAL:INFORMAÇÃOPortal e publicações: Produção continuada de informativos técnicossobre as questões-chave relacionadas ao tema. Reprodução dessas informações na imprensa, emjornais informativos técnicos e na internet. Confecção de um portal de informações que reúnaos acessos dos diversos órgãos públicos<strong>compradores</strong>, seja federal, estadual ou municipal(ainda em fase de estudo).CAPACITAÇÃO E FORMAÇÃOPalestras e cursos para operadores decompras e <strong>fornecedores</strong>: Capacitar, inicialmente, 125 multiplicadores emtodos os estados brasileiros sobre o tema comprasgovernamentais. Os treinamentos começam emnovembro de 2007. A meta é chegar em 2008 com a marca de 50 milempresas capacitadas.SEGURANÇA JURÍDICAPromoção de eventos com parceiros: Realizar e apoiar eventos abordando o temacompras governamentais.16GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES
AÇÕES E FACILITAÇÕES QUE JÁ PODEM SER IMPLANTADAS1 — Padronizar e simplificar os editais (linguagem mais clara);2 — Ampliar a divulgação das compras (em veículos próprios);3 — Incentivar consórcios;4 — Usar especificações mais claras atendendo a realidade local;5 — Planos de compras (conforme a realidade local);6 — Determinar o pagamento no dia aprazado (editar um ato normativo);7 — Dispensar documentos no caso de bens a pronta entrega(art. 32, §1º);8 — Verificar CND'S e documentos via sistemas;9 — Não exigir garantias onerosas e desnecessárias;10 — Instituir o cadastro exclusivo das MPE;11 — Diminuir a carga tributária (regime diferenciado da CF);12 — Disponibilizar computadores e treinamentos às MPE;13 — Tornar os portais de compras mais acessíveis e de fácil manuseio;14 — Criar linhas de financiamento para melhoria tecnológica; e15 — Firmar acordos políticos entre órgãos públicos e entidadesrepresentativas do setor.desenvolvidos e devem ser concluídosaté o fim do ano. “Até lá as comprasserão feitas fora do sistema,por meio de pregão presencial, porexemplo,” observa Arantes.A Secretaria de Logística doMinistério do Planejamento e o Se -brae estão planejando uma feira quedeverá acontecer em março do anoque vem, em data e local ainda aserem definidos. “A idéia é que oencontro sirva de ponte entre ogoverno e as MPE. Queremos mostrara elas um passo a passo de comoo governo compra e em que épocacompra”, explica Rafael Arantes.Além disso, governo e Sebraepretendem discutir durante oevento especificações e contratosde editais, entre outras minúcias,para que as micro e pequenas empresastornem seus produtos maiscompatíveis com os produtos ofertadospor elas aos <strong>compradores</strong>,dentro do que eles exigem.Mas a feira também será um espaçoaberto para as MPE se apresentaremao governo. “Para ogoverno conhecer a realidade dasMPE, saber o que elas têm parafornecer e como podem fazerisso”, frisa Arantes.A outra novidade para as MPE éum programa exclusivo na internet,com todos os avisos disponibilizados.“Estamos na fase de elaboraçãodesse projeto. Estamos pensandocomo será o portal e orçando os custos”,conta Arantes. O Sebrae tambémcontribuirá com repasses aserem feitos à Secretaria de Logísticae Tecnologia da Informação paraa criação desse programa exclusivodas MPE, no sentido de que ele entreem funcionamento o mais rápidopossível.Todas as opiniões convergempara a flexibilização, quando o assuntoé micro e pequenas empresas.Se elas venderem mais aogoverno, produzirão mais e gerarãomais empregos. A lei prevê um sériede desdobramentos e uma deles é asua ramificação nos estados e municípios,como já acontece emMinas Gerais, no Rio Grande doNorte e no Maranhão, por exemplo,que criaram seus decretos. Algunsmunicípios também estão adiantadosno assunto, como Manaus, Riode Janeiro, Duque de Caxias (RJ) eJoinville (SC). Nesses eventos, serão envolvidos Tribunais deContas, Ministério Público, Tribunais de Justiça emagistrados. O objetivo é envolver no tema ainda os agentes<strong>compradores</strong>, como presidentes de comissões delicitação, secretarias de Administração e Finanças edemais intereressados no procedimentos licitatóriosnos 27 estados.MERCADOIntegração: Realizar eventos de mercado buscando aproximar<strong>compradores</strong> públicos, estatais, autarquias e deGrandes Empresas dos Micro e PequenosFornecedores. Promover palestras informativas, cursos e,posteriormente, organizar pregões eletrônicos emtempo real durante a realização desses eventos.CONHECIMENTO ESPECÍFICOMetodologia: Ampliar o uso do Sistema de CadastramentoUnificado de Fornecedores, utilizando essa base dedados para promover um maior intercâmbio deinformações entre a esfera pública e as micro epequenas empresas.GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES 17
SUCESSODauniversidadeA Bematech nasceu de um projeto de mestrado de doiscolegas do curso de Informática Industrial. Hoje é umagrande companhia com filiais no Brasil e no exteriorBuscar investidores externose fazer a abertura docapital pode ser um atalhopara micro e pequenasempresas se tornarem<strong>grandes</strong> corporações. Maspara isso, é necessáriodesprendimento e desapego à sensaçãode posse da empresa. Não é tarefa fácilabrir capital para trilhar esse caminho.Por isso, as micro e pequenas empresasprecisam de empreendorismo e disposiçãopara correr riscos.Exemplo da conquista do mercadoexterno, a Bematech, uma empresabrasileira, provedora de soluções deautomação comercial para o varejo,apostou no conceito one-stop-shop,ou seja, um modelo simples e descomplicadopara estabelecimento deparcerias internacionais.A empresa nasceu literalmentena sala de aula, como resultado dasdissertações de mestrado dos doissócios fundadores. Ao longo de suatrajetória, a empresa recebeu trêsaportes de investidores, como oBanco Nacional de DesenvolvimentoEconômico e Social (BNDES) e aospoucos tornou a abertura de capitalum movimento natural e programadohá, pelo menos, três anos.Hoje, com 17 anos de existência, acompanhia já possui 10 filiais noBrasil e subsidiárias nos EstadosUnidos, Alemanha, Taiwan e Argentinae oferece uma carteira integradade serviços composta porDivulgaçãohardware, software, serviços e capacitação.De acordo com o diretor de AssuntosCorporativos da Bematech,Marcelo Coppla, dois canais são decisivospara levar a micro e pequenaempresa ao desenvolvimento, abrirseu capital e estender suas atividadesao exterior com sucesso.O primeiro deles, para quem temempreendedorismo, mas não possuicapital, são as incubadoras tecnológicas.Foi exatamente a uma delas queos sócios fundadores da Bematcehrecorreram. Sem recursos para investimentos,o projeto ficou abrigado, pordois anos, no espaço físico da IncubadoraTecnológica de Curitiba(INTEC), no Paraná. Nesse período, captourecursos públicos para se constituir.O segundo momento, de acordocom Marcelo Coppla, é a fase mais18GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES
capitalaoabertoBematech começou a crescer, explorandooportunidades de mercado, esaiu da incubadora para o seu próprioespaço físico, já como Bematech Indústriae Comércio de EquipamentosEletrônicos S.A., à época com 10 funcionários.Hoje são mais de mil colaboradores.Fábrica emexpansão é aamostra doempreendedorismoe ousadia do projetoousada, onde a empresa promove aabertura de capital propriamentedita. “Não dá para generalizar, mas,inicialmente, deve-se buscar sócios einvestidores visando lucros futuros,abrindo capital. Outra opção é oFundo de Prive Equity, que investe nacompanhia, apostando que ela tenhaum salto”, explica Coppla.Pouco antes de sair da incubadoracomo empresa especializada no mercadode impressoras matriciais, queexplorava o segmento de máquinasTelex, os dois sócios da Bematechforam em busca de capital. “Já prevendodemanda para investimentos”,lembra Marcelo Coppla.Surgia aí o embrião da aberturade capital. Nove pessoas físicas e jurídicas,chamadas de “anjos investidores”,resolveram aplicar US$ 150mil no novo empreendimento. ACENÁRIO E ESTRATÉGIASDurante a trajetória de crescimento, aempresa atravessou diversos cicloseconômicos, buscando a diversificação,antecipando tendências demercado e desenvolvendo novos produtose linhas complementares, o quea permitiu tornar-se a primeira empresabrasileira a fabricar miniimpressoras emlarga escala. A Bematech também é vanguardistano fornecimento de blocos impressoresintegrados para terminais deauto-atendimento.Foi em 2006 que a empresa deuum novo salto e decidiu abrir seucapital. “O BNDES aportou cerca deUS$ 2 milhões. Esse valor significavaemissão de debêntures convertidasem ações equivalentes a 20%. Assimficaram 20% para os sócios fundadores,20% para o BNDES e 40%para os nove investidores (anjos investidores)”,explica Coppla.Com a oferta primária de ações,foram levantados aproximadamenteR$ 270 milhões, além da venda decerca de R$ 130 milhões em oferta secundária.Em maio de 2007, o valor demercado da Bematech era de aproximadamenteUS$ 446 milhões.GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES 19
APOIO FINANCEIRO:FINAMEDisponibilizado por meio deinstituições financeirascredenciadas para aprodução, comercialização demáquinas e equipamentos defabricação nacional,destinados ao setoragropecuário.das MPE; estudos de casos nacionais deinternacionalização de MPE; mapeamentodas oportunidades sugeridaspela experiência internacional; e identificaçãodos instrumentos de política.A metodologia utilizada peloPrograma possibilita a concretizaçãode parcerias comerciais e estratégiastransnacionais, incluindoo fornecimento para a cadeia devalores globais, o estabelecimentode franquias e a formação dejoint-ventures. O trabalho de mapeamento,por exemplo, fará um levantamentodos segmentos econômicosonde as parcerias focalizadas ocorremcom mais freqüência, identificandosua natureza e distribuição geográfica,além de detectar outros setoresde atuação com as características dospotenciais parceiros envolvidos.“Os objetivos do programa estãofocados no fortalecimento da atuaçãodo Sebrae no apoio à expansão dasexportações, por meio das MPE queainda não exportam”, explica o diretortécnico do Sebrae Nacional, Luiz CarlosBarboza.A seleção dos setores a serem inseridosnesse trabalho de internacionalizaçãoobedecerá a critérioscomo a representatividade, o graude parceria com o Sistema Sebrae eas condições dos produtos eserviços para a penetração no mercadoexterno. “Dessa forma, vamosgerar um ambiente favorável paraque as micro e pequenas empresas seintegrem no processo de internacionalização,adequando seus negóciosao mercado externo, melhorandoo grau de competitividade empadrões globalizados e aprimorandoseus métodos de gestão”, ressaltaLuis Augusto Pacheco, da Unidade deAcesso a Mercados do Sebrae.LINHAS DE FINANCIAMENTOO BNDES vem se firmando como umdos principais parceiros das micro, pequenase médias empresas brasileiras.Somente em 2006, a instituiçãodisponibilizou o equivalente a R$ 52,3bilhões – valor 11,3% superior aomontante liberado em 2005 – para financiamentoe, desse total, 22%foram destinados às MPE.No entanto, nos nove primeirosmeses de 2007, os valores destinadosàs micro, pequenas e médias empresas(MPME) atingiram R$ 11 bilhões,um crescimento expressivo de 42%em relação ao mesmo período de2006. O número de operações paraas MPME, incluindo as realizadas parapessoas físicas, aumentou 93% entrejaneiro e setembro de 2007, somando131,3 mil operações.Financiar os investimentos dasmicro e pequenas empresas comvantagens virou bandeira do BNDES.Uma dessas facilidades é o chamadocrédito rotativo para a aquisição debens de produção com o financiamentoautomático em 12, 18, 24 ou36 meses, em prestações fixas ecom taxas de juros atrativas. Só parailustrar, em 2007, a maior alta foi emjaneiro, com um percentual de1,07% ao mês. De lá para cá, caiugradualmente e hoje está em 1%.O crédito rotativo é pré-aprovadoaté R$ 250 mil para aquisição de produtoscredenciados no BNDES, pormeio do Portal de Operações doCartão BNDES. O limite é definidopelo banco emissor do Cartão BNDESpor cliente e por emissor.As micro e pequenas empresas interessadasem adquirir o cartão precisamexercer atividade econômicacompatível com as políticas operacionaise de crédito do BNDES. Essaexigência corresponde a um faturamentobruto anual de até R$ 60milhões nos cartões emitidos peloBradesco e Banco do Brasil. Ouainda um faturamento anual brutode até R$ 7 milhões, nos cartões daCaixa Econômica Federal.Outra alternativa é um sistemade financiamento concedido a socie -dades arrendadoras, sem limite devalor. O objetivo é ofertar créditopara a aquisição de máquinas eequipamentos novos, de fabricaçãonacional e credenciados pelo BNDES.O sistema de Financiamento deMáquinas e Equipamentos (FINAME)é concedido às empresas arrendadoraspara aquisição dos bens,os quais serão simultaneamentearrendados à empresa usuária e àarrendatária. GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES 21
ENTREVISTAMULTIPLICANDOAresponsabilidade sócio-ambiental desenvolvidadentro das <strong>grandes</strong> companhias mundiaistorna-se cada vez mais uma bandeira politicamentecorreta. Mais que isso, o tema virousinônimo de estímulo ao desenvolvimento competitivodas pequenas e micros empresasfornecedoras, e aparece hoje como um diferencialque tem como desdobramento a sustentabilidade.Esse é o caso da DuPont Brasil. No país desde 1937, aempresa atua em diversos setores como agrícola, químico,petroquímico, automobilístico, construção, decoração, segurança,papel, celulose, produtos domésticos, entre outros. ADuPont tem na responsabilidade social corporativa um dos<strong>grandes</strong> indicadores de sucesso da corporação. Em entrevistaa Grandes Compradores e Pequenos Fornecedores,o presidente da Dupont, Ricardo Vellutini, salientaque a empresa credita o seu sucesso ao progresso dos paísesonde opera. Além disso, a DuPont está comprometida comprogramas sustentáveis que aumentam o acesso às oportunidadese ao conhecimento, revitalizando comunidades, ajudando-asa alcançar a auto-suficiência e liderando esforçosna melhoria e proteção do meio ambiente.A DuPont tem hoje diversos programas de responsabili -dade social organizados dentro do seguinte guarda-chuva:Educação, Ciência, Meio Ambiente e Diversidade. A empresadesenvolve o trabalho gerando oportunidades paraempreendedores de grupos sociais diversos, promovendoa inclusão econômica deles. Entre o público beneficiado,estão afrodescedenetes, índios e portadores de necessidadesespeciais. Tudo isso em parceria com o Centro deIntegração de Negócios (Integrare).A empresa recebeu, em 2006, o Prêmio Integrarepelo volume de compras realizadas no ano anterior, correspondentea US$ 3 milhões. Em 2006, as transaçõesatingiram US$ 5,4 milhões e para 2007 a meta é atingirUS$ 7 milhões em compras desses <strong>fornecedores</strong>.RICARDO VELLUTINI – PRESIDENTE DUPONT BRASILGrandes Compradores ePe quenos Fornecedores -Como nasceu esse trabalho deResponsabilidade SocialCorporativa junto às minoriase qual é o principal foco deles?Ricardo Vellutini – Um dos<strong>grandes</strong> problemas do Brasil hoje éa exclusão. A DuPont vislumbrou,por intermédio do Integrare, a possibilidadede contribuir para reduziressa exclusão e promover a maior emelhor participação representativada diversidade social brasileira emsua cadeia de suprimentos. O focodos negócios com o Integrare sãopessoas negras, indígenas e portadorasde deficiência.Além disso, acreditamos que possuirinternamente uma representaçãojusta da sociedade em que estamosinseridos nos proporciona um enriquecimentocultural empresarial enos permite entender e servir melhorao mercado em que atuamos. Porisso, além das iniciativas para inclusãode grupos da diversidadeentre os <strong>fornecedores</strong>, temos políticaspara criar um ambiente diversotambém dentro da companhia, emque todos tenham a possibilidade dese desenvolver e potencializar suascapacidades.GCPF – O compromisso daDuPont é a sustentabilidade dascomunidades com as quaisopera? Como é feita a triagemdas comunidades beneficiadas?O compromisso da DuPont éRVcom a sustentabilidade dospaíses onde está presente. Estamosno Brasil há 70 anos e nos orgulhamosde ter feito parte do desenvolvimentodo país, trazendo produtos e serviçosque contribuíram para tornar melhor,mais segura e mais saudável a vida dediversas gerações que vêm utilizandonossos produtos em casa: alimentação,vestuário, no carro, e até nosmomentos de lazer.A escolha dos projetos queapoiamos é feita de maneira criteriosa.Procuramos trabalhar em parcerias,pois acreditamos que unindoesforços com outras empresas e entidadespodemos gerar um impactomaior na sociedade. Além disso, há umcontínuo trabalho de acompanhamentodos projetos, em que a DuPont participa,ativamente, garantindo que asiniciativas contribuam para o desenvolvimentosustentável dos gruposapoiados.22GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES
OPORTUNIDADESDivulgação/DuPontVellutini: “O compromisso da DuPont é com a sustentabilidade dos países onde está presente”GCPF – Qual o ganho dacomunidade em termos deprogramas realizados e qual acontrapartida dela?No que se refere à inclusão deRV<strong>fornecedores</strong> dos grupos dadiversidade, os ganhos têm sido crescentesa cada ano. Em 2005, a DuPontfoi uma das empresas que mais rea li -za ram transações por intermédio doIntegra re, movimentando cerca US$ 3milhões em negócios com empresaspertencentes a pessoas negras, indígenase portadoras de deficiência.Em 2006, o número atingiu US$ 5milhões e, para 2007, a meta échegar aos U$ 7 milhões.Por meio da parceria com o Integrare,a DuPont enfatiza seu compromissocom a sustentabilidade,propiciando oportunidades para empreendedoresde grupos sociais da diversidadee inclusão econômica. Emcontrapartida, a empresa requer qualidadee competitividade nos produtos eserviços, proporcionando assim o desenvolvimentoempresarial e dos negóciosdesses grupos.GCPF – Como funcionam osprogramas que a DuPontdesenvolve com foco nosfuncionários, clientes,<strong>fornecedores</strong>, comunidadee governo?O programa de responsabili-social corporativa daRVdadeDuPont existe nesse formato desde2002. Sempre tivemos iniciativas de responsabilidadesocial, mas naquele ano sentimosa necessidade de concentrarnossos esforços em programas estruturados,relacionados com nossa visão eem linha com nossos valores corporativos.A partir daí, o guarda-chuvaGRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES 23
passou a abrigar ações desenvolvidasespecialmente nos quesitosEducação, Ciência, Diversidade eMeio Ambiente.Internamente, a difusão do temadiversidade é constante. Além daspolíticas de inclusão de grupos da diversidade,um treinamento batizadode Expect Respect discute com osfuncionários o cotidiano de pessoascom deficiência, como representantesde diferentes etnias sofrem preconceitose como é a relação de jovensexcluídos do mercado de trabalhocom a sociedade. No relacionamentocom os <strong>fornecedores</strong>, a principal iniciativaé o Integrare, por meio do qualsão realizadas transações com<strong>fornecedores</strong> de grupos sociais da diversidade,como negros, indígenas eportadores de deficiência.A comunidade Cultivando Cida -dãos e a Associação CaminhandoJuntos representam, respectivamente,ações ligadas ao ensino deciência a crianças e adolescentes e àeducação para empregabilidade dejovens. Por último, mas não menosimportante, o Instituto BioAtlântica énossa maior iniciativa referente aomeio ambiente, por meio da qualapoiamos a conservação da MataAtlântica e seus ecossistemas.GCPF – Como se desenvolvemas áreas de apoio do Programade Responsabilidade SocialCorporativa: Educação, Ciência,Meio Ambiente e Diversidade?Dentro do pilar Educação, aRVDuPont, por meio da AssociaçãoCaminhando Juntos, dá suportetécnico e financeiro a ONGsdedicadas à educação profissionalda população jovem de baixa renda,promovendo sua inclusão no mercadode trabalho. A DuPont é umadas fundadoras e faz parte do conselhoda associação junto comoutras <strong>grandes</strong> empresas de diversossegmentos.Como uma empresa de ciência,com expertise acumulada ao longode mais de 200 anos de existência, aDuPont criou o Programa CultivandoCidadãos, que trabalha com a educaçãocientífica por meio de umaação direta na rede pública de ensino,com a atualização de materiaisdidáticos e formação de professores.Já foram capacitados mais de830 professores em 215 escolas,atendendo cerca de 20 mil crianças.Em parceria com o InstitutoBioAtlântica, que tem como principalobjetivo recuperar a Mata Atlântica,a DuPont também direcionaseus esforços para a proteção domeio ambiente. A companhia é umadas fundadoras e também faz partedo conselho desse projeto, que tem<strong>grandes</strong> empresas como parceiras.O compromisso com a diversidadevai além da inclusão em nossosquadros de funcionários.A parceria com o Integrare tempor objetivos a criação e integraçãocompetitiva de negócios degrupos étnicos tradicionalmenteexcluídos do progresso econômico,com excelentes resultados até omomento. Em 2006, recebemos oPrêmio Integrare pelo volume decompras realizadas no ano anterior- US$ 3 milhões de dólares.Em 2006, as transações atingiramUS$ 5,4 milhões e, para 2007, ameta é atingir US$ 7 milhões dedólares em compras desses<strong>fornecedores</strong>. Isto é motivo degrande orgulho para nós.24GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES
GCPF – Dentro da área deDiversidade são feitas relaçõescomerciais por meio de parceriacom a Integrare e de convêniocom o Sistema Sebrae. Comofunciona esse convênio?As relações comerciais ofe-uma excelente oportu-RVrecemnidade para expressarmos nossoapreço pela diversidade. Por meiodessa parceria, o Sebrae apóia o desenvolvimentodos <strong>fornecedores</strong> ligadosao Integrare, para que tenhamqualidade e competitividade para entrarna cadeia de suprimentos de<strong>grandes</strong> empresas.Além de recursos financeiros, aparceria inclui a infra-estrutura e pessoaldo Sebrae para cursos epalestras, além de assessoria jurídicapara que os <strong>fornecedores</strong> entendamcomo converter seus negócios em sociedadesjurídicas estruturadas quepossam atender aos requisitos dasempresas mais exigentes. O convênioacaba de ser renovado pormais um ano.GCPF – Os <strong>fornecedores</strong>pertencentes a essasminorias são afrodescendentes,índios e indivíduos comdeficiências. Isso pode serexemplificado em númerosou classificação?A presença desses fornece-no Integrare segue umRVdorespercentual representativo da so -ciedade brasileira: maioria de negros,seguidos por pessoas com deficiênciae descendentes de indígenas.GCPF – O que esse modelode responsabilidade socialprovoca na vida dessaspessoas?Como compradora, a DuPontRVpode ser agente de mu -danças na sociedade, promovendoseus valores e contribuindo para umaeconomia sustentável. As empresasque fazem parte do Integrare participamde concorrências na DuPonte, mesmo quando não vencem, recebemum retorno da empresa sobreseus pontos fortes e fracos e oportunidadesde melhoria. São informaçõesvaliosas para que se trabalhe no sentidode promover o crescimento profissionaldesses <strong>fornecedores</strong>, gerando oportunidadesreais de desenvolvimento paraesses grupos.GCPF – Como é feita aintegração dessas minoriasjunto à comunidade denegócios?O Integrare é uma ONG queRVvisa ao benefício público. É estruturadano formato de Associação deempresas e corporações interessadas nadiversidade humana entre seus <strong>fornecedores</strong>.O Integrare promove o contatodas empresas fornecedoras de produtose/ou serviços com corporações associadaspor meio de eventos,palestras, congressos, reuniões, encontros,comunicados, divulgações ou doacesso direto das associadas ao bancode dados Integrare.O contato direto com <strong>grandes</strong> organizaçõesproporciona às empresasfornecedoras da integração a oportunidadede aprender quais são osprocessos de compras de uma corporação,e esse aprendizado permiteque a empresa esteja cada vez maispreparada para atuar e vencer nessemercado competitivo. GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES 25
BOLSA DE VALORESResponsabilidadesocial fomentalucratividadedas empresasEm tempos de alerta sobre a situaçãoambiental do planeta - como o agravamentodo aquecimento global - é muitocomum ouvir falar em ResponsabilidadeSocial, em Responsabilidade SocialCorporativa e ResponsabilidadeSocial Empresarial (RSE). Esses trêsitens convergem para um mesmo caminho e induzema sustentabilidade das empresas que apraticam, mesmo que seja ainda um comportamentoem desenvolvimento dentro das <strong>grandes</strong>corporações. Consequentemente, essa tendênciavem influenciando cada vez mais as micro e pequenasempresas. A lógica é uma só, embora não sejasimples: obedecer a um ciclo de sustentabilidade apartir da responsabilidade sócio-ambiental.O desenvolvimento econômico é uma das conseqüênciasmais evidentes nesse processo. Emfunção do olhar consciente do consumidor final, osinvestidores vêm buscando as empresas socialmenteresponsáveis para investir, entre outros motivos,por elas serem consideradas rentáveis egeradoras de valores a longo prazo para osacionistas. Outro fator que influência nessa novamodalidade de investimento é o nível de preparodas <strong>grandes</strong> corporações para o enfrentamento deriscos econômicos, sociais e ambientais.As <strong>grandes</strong> companhias, que são as empresasâncoras de programas de desenvolvimento de<strong>fornecedores</strong>, incentivam as MPE a crescerem, tambémdentro desse conceito de sustentabilidade.Tudo para conquistar o consumidor atento ao comportamentodiferenciado dessa empresa.Por isso, as <strong>grandes</strong> compradoras, com capital26GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES
Os indicadores nacionais e internacionais eo olhar atento do consumidor, cada vezmais consciente, são os responsáveis pelaincorporação desse diferencialaberto, encontram no investimento em ações maisum fator de incentivo. As mesmas são medidas pelasbolsas de valores seguindo indicadores nacionais ouinternacionais, caso da Bolsa de Valores de SãoPaulo no Brasil e do Dow Jones Sustainnability Indexes(DJ IS), nos Estados Unidos.O Ibovespa é um dos maiores indicadoresbrasileiros, equivalente ao Dow Jones, que é umíndice similar para empresas com ações negociadasno mercado americano. Hoje, a Bovespa tem 33empresas que estão no Índice de SustentabilidadeEmpresarial (ISE), lançado em dezembro de 2005,em parceria com o Instituto Ethos e o Ministério doMeio Ambiente.A Bovespa é a responsável pelo cálculo e agestão técnica do índice, considerado um referencialpara empresas com alto padrão de sustentabilidade.Além do ISE, há tambémo Ibovespa e IBrX-50,entre outros que medemcaracterísticas específicas ousetorias.O superintendente executivode operações da Bovespa, RicardoNogueira, observa que oinvestimento na melhoria da responsabilidadesocial tem se reveladobastante rentável para as empresas,não só do ponto de vista do retornofinanceiro direto, mas também daimagem que a empresa passa a terperante o público envolvido com suasatividades, como funcionários, clientes,autoridades e sindicatos.GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES27
PONTOSAté 18/10/2007O gráfico demonstra o desempenho da carteira de ações formada a partir de critérios sócio-econômicos eambientais. A longo prazo, o investimento em empresas sustentáveis tende a ter rentabilidade superior àscarteiras cujos títulos são selecionados, exclusivamente, por critérios econômico-financeiros e de liquidezAlém do comprometimento quecada corporação deve ter com a responsabilidadesocial, Nogueira ressaltaque os consumidores e clientes emgeral estão aumentando seu grau deconscientização sobre os aspectos deresponsabilidade sócio-ambiental aoanalisar as empresas.“É cada vez mais comum osclientes tecerem considerações sobreo desempenho das empresas quantoaos aspectos de proteção ao meioambiente, respeito aos direitos so ciaise dos consumidores e como a empresatrata a comunidade onde atua”,destaca.Ele explica ainda que as empresascom níveis elevados de sustentabilidadesão consideradasmenos expostas a riscos de perdasextraordinárias, como multas de passivoambiental, processos trabalhistas,sonegação fiscal e outros. Nocaso da Bovespa, o ISE avalia as empresasnos aspectos social, ambiental,econômico-financeiro e degovernança corporativa. “As empresasque entram no índice têm menorprobabilidade de apresentar essestipos de problemas, embora isso nãosignifique que não exista o risco”, explicaRicardo Nogueira.ÓTICA DO CONSUMIDORDo outro lado dessa questão, o InstitutoAkatu, uma organização não-governamentale sem fins lucrativos, preocupasecom o consumo consciente e atuado lado inverso desse universo: o consumidor.É exatamente nele que se refletediretamente a postura deResponsabilidade Social Empresarialdas <strong>grandes</strong> corporações.Desde 2001, quando foi criada, aONG realiza pesquisas de opiniãopública. Entre elas, “ResponsabilidadeSocial Empresarial - O que o consumidorconsciente espera das empresas”,feita em 2005. Atualmente, o Akatuestá compartilhando com o InstitutoEthos a responsabilidade pela continuidadeda série de pesquisas. Destavez, com foco na Responsabilidade SocialEmpresarial e na Percepção doConsumidor Brasileiro.O principal objetivo da pesquisa de2005 foi conhecer as prioridades do consumidorbrasileiro quanto à atuação dasempresas no campo da responsabilidadesocial empresarial. Foram entrevistadas600 pessoas, sendo 300 delas em SãoPaulo (SP), 150 em Porto Alegre (RS) e150 em Recife (PE). Elas foram selecionadasconforme metodologia própriado Akatu, consi deradas pelo institutocomo pertencentes aos grupos queabrigam 43% de consumidores maisconscientes.A pesquisa, realizada em parceriacom o Instituto Ethos e a UniEthos,planejada e executada pela IpsosOpinions, reforça a importância daação socialmente responsável das empresase enfatiza as altas expectativasnelas depositadas pelos consumidores.De acordo com a pesquisa,dentro de temas tradicionais, comoatenção ao meio ambiente e à comunidadepróxima ao consumidor, surgeuma forte demanda pela inclusão sociale pela ação positiva das empresascomo empregadoras.No portal do Akatu na internet, háum Guia de Empresas e Produtos queoferece ao consumidor, entre outrascoisas, uma lista de avaliação das empresasde acordo com critérios comoa preocupação com relações sociais eo meio ambiente. Vale a pena acessarwww.akatu.com.br 28GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES
PARCERIAParceria entre <strong>grandes</strong>, pequenas e micro empresasé o segredo do sucesso do Projeto VínculosDivulgaçãoVínculos de emprego,desenvolvimentoe sustentabilidadeSistema adotado peloProjeto Vínculos criaexcelentes negócios eestimula o crescimentoeconômico e socialdo paísConstruir diálogos e estabelecerparcerias entre<strong>grandes</strong> <strong>compradores</strong> emicro e <strong>pequenos</strong> for -necedores locais, com oestímulo ao desenvolvimentosocial e eco -nômico. Essa é a meta central doProjeto Vínculos. Formatada há trêsanos durante a Conferência das Na çõesUnidas para o Comércio (UNCTAD), realizadaem São Paulo, a idéia era identificarcompetências em <strong>fornecedores</strong>locais, promover desenvolvimento eavanço tecnológico, incentivar a parceriaentre empresas, aumentar a produtividadee, por fim, estimular acompetitividade das empresas do país.O comitê gestor do Projeto Vínculosé formado pela própria UNCTAD, aAgência Germânica para CooperaçãoTécnica (GTZ), a Fundação DomCabral (FDC) e o Instituto Ethos. OSebrae, que também tem participaçãono projeto, é a voz dos em presáriosde micro e pequenas empresas dentrodo escopo da proposta.Esses parceiros desenvolvemações que visam a preparar as empresasfornecedoras locais para oatendimento das demandas de<strong>grandes</strong> compradoras. Segundo odiretor do Projeto Vínculos, EvandroMazo, a idéia partiu de umapremissa básica: países que promoveram,com sucesso, o crescimentoe o desenvolvimento local,criaram vínculos entre <strong>grandes</strong> epequenas empresas.“O Norte e o Nordeste do Brasilforam identificados como as regiõesque mais se beneficiariam dessesGRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES29
novos enlaces, mais profundos e sustentáveis,entre micro e pequenasempresas e <strong>grandes</strong> corporações”, explicaMazo. Segundo o diretor do ProjetoVínculo, há nessas regiões umgrande número de micro e pequenasempresas que já fornecem ou são potenciaisfornecedoras para <strong>grandes</strong>compradoras.Com o foco na viabilidade eco -nômica, na justiça social e na responsabilidadesocial, as ações do Projetopriorizam programas de qualificação ecertificação de <strong>fornecedores</strong>, que foiiniciado a partir de 2005.Evandro Mazo conta que, munidodos excelentes resultados obtidos nosprimeiros anos de atuação, o ProjetoVínculos está implementando atividadesnos estados da Bahia, Pernambuco,Ceará e Amazonas, e vemdemonstrando ser uma importanteferramenta para a promoção de negóciossustentáveis nesses estados.Segundo ele, são muitas as expectativasde expansão do projeto.“Com método e ferramentas consolidadas,o Projeto Vínculos, em parceriacom as instituições locais,pretende atuar intensamente nos estadosdo Norte e Nordeste do Brasil,promovendo a geração de empregoe de renda”, conta.Dentro da proposta de criação denegócios sustentáveis entre as<strong>grandes</strong> compradoras e as pequenasfornecedoras, incluem-se os arranjosda economia solidária, como as cooperativase associações. A BASF deSão Paulo, por exemplo, é o retratodas cooperativas que se beneficiaramcom as ações. “O Projeto Vínculosexecutou ações para capacitar os<strong>fornecedores</strong> da BASF e adequá-losdentro de exigentes padrões de qualidade,fortalecendo o relacionamentoentre a empresa e seus <strong>fornecedores</strong>”,explica Mazo.Uma segunda empresa fornecedoraé a Philips de Manaus. “Lá o ProjetoVínculos atuou na adequação de<strong>fornecedores</strong> da Philips às exigênciasda norma ISO 14.000, melhorando aeficiência e a capacidade produtivadas empresas”, destaca o diretor doProjeto Vínculos. DivulgaçãoA METODOLOGIAA metodologia usada pelo Projeto Vínculos segue a adotada pelo Projeto eMonitoramento da Governança, que é composto de etapas a seremimplementadas nas esferas estadual e corporativa. O Ciclo Vínculos prevê atransferência de responsabilidades de um projeto a uma instituição local. Nessecaso, essa instituição é preparada para atuar em todas as fases do projeto local.A estratégia para obtenção de resultados é a capacitação dos<strong>fornecedores</strong> para atendimento das demandas das <strong>grandes</strong> empresas, acriação de sinergia entre as instituições locais e o aumento da interação entreas empresas por meio de rodadas de negócios, visitas técnicas, missõesempresariais e fóruns de debates.Com um poder de alcance muito grande, o Projeto Vínculos pretendeavançar na construção de elos sustentáveis de negócios entre as <strong>grandes</strong>empresas e as micro e pequenas fornecedoras locais nas regiões Norte eNordeste até o fim de 2007, podendo atuar, a partir de 2008, em todas asregiões do país.30GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES
Qualificação com sotaquesbaiano e pernambucanoUm exemplo de aprimoramento e seus bons resultadosvem da Federação das Indústrias do Estado daBahia (FIEB/IEL). Com o intuito de es timular o aumentono nú mero e na qualidade dos negócios realizadosentre empresas baianas fornecedoras de bens eserviços industriais e as <strong>grandes</strong> e médias empresascompradoras (âncoras), o Programa de Qualificaçãode Fornecedores oferece avaliação e capacitaçãodessas empresas.O Projeto Vínculos apóia a qualificação de<strong>fornecedores</strong> de <strong>grandes</strong> <strong>compradores</strong> da Bahia,como a Gerdau, Bosch, Deten, Millenium, Veracel eSuzano. “Hoje, são mais de 70 micro e pequenas empresasbeneficiadas com os resultados do projeto noestado”, diz o diretor do projeto, Evandro Mazo.Em Pernambuco, a parceria do projeto com oSENAI, SESI, IEL e Sebrae estruturou um programade qualificação de <strong>fornecedores</strong> de três <strong>grandes</strong> empresasâncoras: Alcoa, Gerdau e Philips. A prova dosexcelentes resultados foi a preparação oferecida parao atendimento às exigências das <strong>grandes</strong> empresas eo treinamento dessas para a com petição em outrosmercados fora do estado. “Num primeiro momento oprojeto beneficiará 30 micro e pequenas empresas,mas pretende ampliar o número de beneficiadas nopróximo ano”, explica Evandro Mazo. GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES31
RESPONSABILIDADE SOCIALTecendo redes desustentabilidadesocialDivulgaçãoO Projeto Tearauxilia asmicro epequenasempresas a sefortaleceremusando comoarma aresponsabilidadesocialMobilizar, sensibilizare ajudar micro epequenas empresasa gerir seus negócios,estimulando acompetitividade deforma socialmenteresponsável é o desafio propostopelo Projeto Tear - Tecendo Redesde Sustentabilidade, promovido peloInstituto Ethos e o Fundo Multilateralde Investimentos (Fumin). A buscapela concretização desses objetivosse dá mediante a adoção de medidasde responsabilidade sócio-empresarial.Nesse contexto, micro e pequenasempresas são tambémestimuladas a integrar uma carteiraespecífica da economia: açúcar eálcool; construção civil; energiaelétrica; mineração; petróleo e gás;siderurgia e varejo.Em cada um desses segmentos setoriais,definidos pelo projeto, foi identificadapelo menos uma grandeempresa com experiências avançadasem responsabilidade social e cabe aelas o papel de ancorar o programa.Cada segmento selecionou 15 MPE desua cadeia de valor, entre <strong>fornecedores</strong>e clientes, com as quais asempresas âncoras se comprometerama trabalhar para a incorporaçãoe ampliação de uma gestão socialmenteresponsável nos processos internose no relacionamento com aspartes interessadas.A representante do Projeto Tear,Carla Stoicov, do Instituto Ethos,classifica o conceito de rede quepermeia o programa como o pontochavedo Tear. “Nos primeiros encontrosdos grupos de trabalho,mostramos de diversas formas a interdependênciae complexidade dasrelações existentes (visíveis e invisíveis)para que cada empresativesse consciência do impacto desuas ações”, recorda.Essa percepção, observa, é fundamentalpara o engajamento,comprometimento e promoção do32GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES
Participantes do I Seminário Regional Tear, realizado na capital mineiraVANTAGENS PARA AS MPE Capacitação empresarial; Transferência de know-how etecnologia; Consultoria individual (64 horas); Desenvolvimento de melhoresvínculos comerciais – relaçõesmais justas e duradouras; Relacionamento mais próximocom outros agentes do setor; Troca de experiências por meio deuma rede de MPE; Aquisição de conhecimento pormeio de grupos de trabalhoe de publicações; Desenvolvimento sustentável.PRINCIPAIS RESULTADOS: Maior incorporação da sustentabilidade na gestão; Acesso a novos mercados e desenvolvimento de novos produtos e serviços; Aprofundamento e melhoria das relações comerciais com os parceiros envolvidos; Identificação de oportunidades de desenvolvimento de novosprodutos e serviços; Redução de custos; Aumento da receita; Ganhos de competitividade e produtividade para as empresas da cadeia de valor; Documentação e multiplicação das melhores práticas; Modelo e referência para o desenvolvimento do programa no seusegmento de atuação; Visibilidade/projeção nacional e internacional; Contribuição para o desenvolvimento local sustentável e paraa sustentabilidade do país.GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES33
diálogo com os diversos atores comos quais a empresa se relaciona ouque, de alguma forma, são afetadospela sua atividade. “Por trás detudo isso está a importância de setrabalhar com cadeia de valor e oresultado que temos: empresasque antes só se viam como concorrentes,hoje, se vêem como parceirosconstruindo uma nova formade fazer negócios”, ressalta.Toda empresa pode implementaruma gestão socialmente responsável.O grande desafio dessa gestão,auxiliada pelo projeto, é provocar“uma mudança nas pessoas e no ambientesocial e de mercado para queos negócios possam ser realizadoscom sustentabilidade, ética e cidadania”,enfatiza Carla Stoicov.Ela completa explicando que sãomudanças de visão do mundo, deparadigmas dos negócios, de estratégias,estruturas e sistemas dasempresas.O Projeto Tear conta hoje com aparticipação direta de nove empresasde grande porte que funcionamcomo âncoras, 120 micro e pequenasempresas pertencentes às oitocadeias de valor assinaladas, envolvendoainda outras 800 parceirasdurante as ações de mobilização.Essa iniciativa conta também com oauxílio de entidades empresariaissetoriais, regionais e nacionais,entre elas o Sebrae.A representante do Tear explicaque o Sebrae, por ser um agente dedesenvolvimento das MPE e já possuirdiversas ações de capacitação, publicaçõese eventos para esse público,tem um papel fundamental de promoçãoda visão da sustentabilidade,como meio para manter e elevar acompetitividade das empresas. “Paraisso, é importante o uso de seus meiosatuais de comunicação e mobilização eferramentas existentes ou novas, comoa metodologia Tear”, fala.Carla Stoicov destaca que o ProjetoTear pode auxiliar as empresasfornecedoras a se prepararem paraparticipar das compras governamentaise também das corporativas. Segundoela, a aplicabilidade daPRINCIPAIS ATIVIDADES DO PROJETO (ATÉ ABRIL/2007) Identificação de empresas de grande porte com alta influência emseu setor de atuação e com práticas socialmente responsáveispara ancorar o programa; Identificação de parceiros relevantes (setoriais, regionais enacionais) para disseminar a Metodologia Tear e fomentar aimplementação do programa em outras empresas dosetor ou da região; Elaboração de uma Pesquisa Nacional de RSEe de estudos setoriais; Pré-lançamento do programa, que inclui definir o processo deseleção das MPE, conforme a estratégia de cada âncora,escolher potenciais empresas que se enquadrem no perfil,convidá-las para uma reunião de apresentação do programa ecompor o conjunto de empresas que participarão do grupo detrabalho de cada cadeia; Lançamento público do programa para um grupo deaproximadamente 100 empresas de cada cadeia de valor; Início da implementação da Metodologia Tear de trabalho emcadeia de valor, em todos os setores contemplados, por meio de24 encontros por cadeia.responsabilidade social pelas empresasfornecedoras fortalece a gestão,melhora a relação e elas aprendem acompartilhar uma nova forma defazer negócios.DESAFIOSO projeto pode melhorar ainda maisseus objetivos a partir da ampliaçãodo poder de compras governamentaispara as MPE. Um dos pontos é aanálise constante das oportunidadesde mercado. “Nesse caso, as MPEsão estimuladas a sempre ficarematentas aos seus pontos fracos, poisapenas com o conhecimento deles épossível revertê-los. Além disso,procuramos o diferencial competitivoe a análise do mercado. Vendo essecontexto, a empresa se enquadra nasexigências atuais”, explica Carla.Desde a primeira vez que fizeramessa análise, destaca, as MPE viramque o grande risco delas era a altaconcentração do faturamento relacionadoa um único cliente, que sãoas empresas âncoras. “Nesse contexto,se o governo aplica suas comprascom as MPE, criando critériosaderentes ao porte e volume de produção,as empresas têm como minimizaro seu risco”, enfatiza.Para avaliar os progressos obtidoscom o Projeto Tear é feito um monitoramento.As empresas participantesresponderão aos IndicadoresEthos de Responsabilidade SocialEmpresarial e preencherão a MatrizBrasileira de Evidências de Sustentabilidade,desenvolvida emparceria pelo Sustain Ability, pela InternationalFinance Corporation (IFC)e pelo Instituto Ethos. Com previsãode duração das atividades de trêsanos, o Projeto estima um incrementode até 5% no faturamentodas MPE participantes e de 3%de preço de custo. 34GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES
CRESCIMENTOUm exemplo deempreendedorismoCompletamente sustentável no mercadonacional, empresa do Espírito Santo saiu douniverso de MPE para grande fornecedoraDe oficina de manutenção de veículosna cidade de Aracruz a empresafornecedora de mão-de-obra nosegmento de montagem e manu -tenção elétrica e instrumentaçãoindustrial. Esse é o perfil da EstelMáquinas e Serviços IndustriaisLtda. Empresa capixaba hoje reconhecida nomercado nacional como fornecedora para váriosestados do país, a empresa detém um faturamentoacima de R$ 50 milhões e empregaaproximadamente 500 profissionais. Essenúmero pode dobrar durante a execução de<strong>grandes</strong> projetos, segundo o diretor-executivo,Simão Bassul Neto.A Estel começou o seu desenvolvimento apartir do empreendedorismo, ainda como microempresa. Fundada em 1985 para atender às necessidadesdo mercado local na recuperação demáquinas elétricas industriais, na região deAracruz, em pouco tempo a empresa expandiusuas atividades para as áreas de manutençãoe instalação industrial nas áreas de elétrica einstrumentação.Em 1991, a Estel firmou contrato de assistênciatécnica com algumas empresas de maior porteno estado e passou a ter acesso definitivo aomercado das <strong>grandes</strong> compradoras. Por contadas parcerias estabelecidas inicialmente com asempresas capixabas de escopo complementar,dentre elas a Fortes Engenharia e ImetameMetalmecânica, a partir de 2000, a Estel passou avender para as <strong>grandes</strong> fornecedoras mundiais detecnologia no segmento de papel e celulose. Essefoi o momento do grande salto para a sustentabilidadeque contou com o auxílio de parcerias, comoa do Sebrae no Espírito Santo, por meio do Programade Desenvolvimento de Fornecedores (PDF).O PDF foi fator importante no caminho da empresapara o desenvolvimento, de pequena paragrande fornecedora das <strong>grandes</strong> companhiascapixabas, entre elas a Aracruz Celulose. “O Programaveio fortalecer nossa trajetória de crescimentoao manter atualizado o mercado local emrelação aos <strong>grandes</strong> investimentos no estado doEspírito Santo”, destaca Simão Bassul Neto.O crescimento médio da Estel tem, segundo odiretor-executivo, se mantido na ordem de 40%anuais na última década. O início do crescimentosustentado da empresa é anterior ao Programa,mas se deu “graças às oportunidades que nosforam confiadas pelas <strong>grandes</strong> empresas locais,em especial a Aracruz Celulose, desde a fundaçãoda Estel, em 1985, e a Arcelor Mittal Tubarão, apartir de 2000”, destaca Bassur.Entre as empresas âncoras que aderiram deforma significativa ao PDF-ES, a Aracruz Celulosese destaca com o projeto de otimização 2330,com investimento da ordem de U$ 200 milhões.Todos os serviços de engenharia de projetos,construção civil e montagem industrial foramrealizados por empresas capixabas. GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES35
OPORTUNIDADEDesenvolvimento:uma questão de tempoEmpresa que já atuava com visão demercado aproveitou a oportunidade decapacitação do Sebrae em Minas Gerais ehoje faz a diferença em sustentabilidadeEmpreendedorismo, espíritode vanguarda, respeito aoconsumidor, responsabilidadecom o meio ambientee aquisição de novastecnologias, fizeram da Superfreios,uma pequenaempresa da cidade mineira de Juiz deFora, uma fornecedora de <strong>grandes</strong> empresascompradoras de todo o país. ASuperfreios nasceu em um espaçofísico de 200 metros quadrados, em1971, com apenas três funcionários.Divulgação36GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES
RESULTADOSOBTIDOS COMFATURAMENTO2003R$ 1.800.000,002004R$ 2.100.000,002005R$ 3.200.000,002006R$ 3.600.000,00RELAÇÃO FATURAMENTO SUPERFREIOS X CLIENTES2003 20072007R$ 4.000.000,0015 FORNECEDORES = 70% DO FATURAMENTO MAIOR CLIENTE = MÁXIMO 15% DO FATURAMENTOAtualmente, a matriz da empresa, nocentro da cidade mineira, ocupa umespaço de 2.400 metros quadrados eestá consolidada no mercado de autopeçase produtos de manutençãoindustrial.Um grande passo para a solidificaçãono desenvolvimento sustentávelfoi dado pela Superfreios em 2002,quando ela participou do programa doSebrae de capacitação de forne cedores.As empresas âncoras parceiras foram aBelgo Mineira, hoje Arcelor Mittal, e aCompanhia Paraibuna de Metais, hojeVotorantim Metais.A metodologia utilizada pelo Sebraeera baseada na implantação da qualidadetotal nas empresas participantes,por meio de qualificação. Foram duasetapas: 200 horas em 2003 e 3.200, em2006. Na primeira fase eram 32 funcionáriose na segunda, 42. Com 450clientes no início do programa, a Superfreiosalcançou a marca de 950 ao final.Um incremento na 111% da clientela. Jáo resultado obtido com faturamentoentre 2003 e 2007 foi de 122%. O crescimentodo setor foi de 65% no período, ea rentabilidade líquida obtida de 4,60%,em 2003, e 8%, em 2006. Eram 250<strong>fornecedores</strong> em 2003 e hoje já são 260.De acordo com o sócio-proprietárioda Superfreios, Luiz FernandoSouza Reis, o resultado veio rápido.“Conseguimos motivar todos os nossoscolaboradores a romper paradigmase conscientizá-los da necessidadede mudanças pessoais, que influenciaramdiretamente no profissional”,afirmou Luiz Fernando.Ele conta que na primeira fase doprograma, durante o envolvimentodos colaboradores, a Superfreios escolheualguns líderes, que receberamo treinamento junto com a participaçãoda diretoria e se tornaramagentes multiplicadores. “Esses colaboradoresmultiplicavam as informaçõesna empresa por meio de reuniõesquinzenais”, explica o diretor.O aproveitamento do programa doSebrae em Minas Gerais junto às MPE,com a parceria das empresas âncoras,representou um ganho total para a Superfreios.Mas Luiz Fernando Reisdestaca que é preciso ir além e que oimportante de qualquer treinamentoou capacitação é a continuidade.“Na nossa empresa, estamos sempredispostos a facilitar para quenossas equipes se aperfeiçoemprofissionalmente”, ressalta o dirigente.E completa, com ênfase, queisso faz parte da política de qualidadeda empresa.O aperfeiçoamento, por meio docurso do Sebrae, segundo ele, se refletiuem resultados positivos diretospara a empresa. “Hoje a atuação daSuperfreios se dá em nível na cional ecom a mesma qualidade que teríamosse atuássemos apenas na nossaregião”, afirma ele. GRANDES COMPRADORES E PEQUENOS FORNECEDORES37
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