Educação para a autonomia: um diálogo entre Paulo Freire e o ...
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Educação <strong>para</strong> a <strong>autonomia</strong>: <strong>um</strong> diálogo <strong>entre</strong> <strong>Paulo</strong> <strong>Freire</strong> e o discurso dasTecnologias da Informação e ComunicaçãoMirian de Albuquerque Aquino iGeórgia Geogletti Cordeiro Dantas iiManuela Eugênio Maia iii1. IntroduçãoO progresso científico e tecnológico que não responde fundamentalmente aosinteresses h<strong>um</strong>anos, às necessidades de nossa existência, perdem, <strong>para</strong> mim, suasignificação. A todo avanço tecnológico haveria de corresponder o empenho realde resposta imediata a qualquer desafio que pusesse em risco a alegria de viverde homens e das mulheres (FREIRE, 1987, p.147).O mundo da tecnologia está diante de nós em todas as esferas sociais, a saber, nobanco, em casa, no supermercado, na rua. No Brasil, a política governamental visa àimplementação das tecnologias da informação e comunicação em todos os espaços sociais,permitindo, pelo menos nos projetos e leis, <strong>um</strong>a superintegração dos sujeitos <strong>para</strong> formaçãoda cidadania.Na escola pública do ensino fundamental e do ensino médio, os atuais programasdo governo <strong>para</strong> implementação de infra-estrutura baseada na tecnologia informática,mediante a construção de laboratórios, compra de software e conectividade em rede(Internet), estão em andamento.De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos ePesquisas Educacionais (INEP), os vol<strong>um</strong>osos gastos federais, estaduais e municipais <strong>para</strong>o ensino básico não estão ainda na implementação de tecnologia, mas centram-senotadamente no ensino fundamental e na formação docente. É com o Fundo de Manutençãoe Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), Leinº 9.424, de 24 de dezembro de 1996, que se estabelece a ampliação de salários <strong>para</strong> osprofessores visando a sua valorização e o desenvolvimento do ensino fundamental.É também preocupação do governo brasileiro, por meio do Plano Nacional deEducação (PNE), a meta de que todos os professores da educação infantil e do ensinofundamental possuam formação superior. Como podemos observar, ao mesmo tempo emque se inicia <strong>um</strong>a incipiente implementação de tecnologia nas escolas, busca-se a formaçãomínima e adequada <strong>para</strong> o magistério.Quanto ao ensino superior, sua organização e sua existência parecem c<strong>um</strong>prir <strong>um</strong>papel pioneiro na execução de atividades de implementação na área de inovaçõestecnológicas. Podemos citar o caso da informatização das bibliotecas universitárias, queatualmente recebem do governo federal investimentos maciços visando à atualização detecnologias da informação e comunicação no processo educacional. Tais investimentos
evertem-se também na aquisição de meios interativos (softwares), em disquete ou em CD-Room, de caráter educacional.2. Educação: preocupação de todosSe é verdade que o gênero h<strong>um</strong>ano, cuja dialógica cérebro/mente não estáencerrada, possui em si mesmo recursos criativos inesgotáveis, pode-se entãovisl<strong>um</strong>brar <strong>para</strong> o terceiro milênio a possibilidade de nova criação cujosgermes e embriões foram trazidos pelo século XX: a cidadania terrestre. E aeducação, que é ao mesmo tempo transmissão do antigo e abertura da mente<strong>para</strong> receber o novo, encontra-se no cerne dessa nova missão (MORIN, 2001,p.72).A preocupação com os r<strong>um</strong>os que a educação vem perfilando é problematizadapor vários autores. Em destaque, citamos <strong>Freire</strong>, Morin e Lévy. O advento da tecnologia dainformação e comunicação possibilita o repensar de práticas e de posturas pedagógicas,todavia, é importante ressaltar que é <strong>um</strong> processo em andamento, <strong>um</strong> processo dedesvelamento e de busca por <strong>um</strong>a prática eficaz <strong>para</strong> a educação.Sobretudo, a escola é chamada a participar ativamente da condução das crianças ejovens na inserção destes à atmosfera tecnológica. Como vimos anteriormente, a políticagovernamental divide-se ora na busca de solução de problemas estruturais básicos, comoinvestimentos na formação "mínima" dos docentes, ora em elementos infra-estruturais deponta, que respondem a requisitos de ordem de instalação de redes de comunicação,viabilizando o acesso à Internet, bem como na compra e montagem desses equipamentosem laboratórios próprios, aptos <strong>para</strong> a conservação dessa tecnologia.Tal é a complexidade da sociedade atual que se expressa nas bases estruturais dasinstituições sociais. N<strong>um</strong>a perspectiva liberal de educação, a escola, conectada à tessiturainstitucional, integra-se como mais espaço disciplinar (FOUCAULT, 20002) e dereprodução do status quo. Sua criação, tal como hoje configura-se, foi <strong>um</strong> esforço daemergente classe burguesa do século XVIII sob a égide do individualismo e da propriedadeprivada. O álibi burguês, <strong>entre</strong>tanto, segundo Boto (1996), do direito e da felicidade,mascarava a formação de <strong>um</strong> Estado emergente, que buscava no discurso aplacar as massas<strong>para</strong> instaurar-se no poder. Logo, o discurso da igualdade, liberdade e fraternidade foiconduzido ao esquecimento, reproduzindo a sociedade da expropriação. Se antes, da terra,agora, dos meios de produção. A escola c<strong>um</strong>pre papel essencial e, não é à toa, a suaestruturação dar-se a partir de <strong>um</strong> Estado centralizador. É formar corpos dóceis e fortes,aptos <strong>para</strong> o trabalho, inculcando valores, crenças e idéias de soberania. De acordo comBoto (1996, p. 99),a adesão do povo à Revolução deveria ter por pressuposto a circularidade de <strong>um</strong>único código lingüístico capaz de propiciar à distintas camadas da populaçãoelementos <strong>para</strong> a apropriação e a representação das idéias de pátria, de nação.Se, na educação <strong>para</strong> o povo, no século XVIII, em sua maioria, estava implícita aformação <strong>para</strong> <strong>um</strong>a unidade social, voltada <strong>para</strong> os "novos" valores do trabalho industrial, aeducação destinada aos "novos" ricos destinava-se ao comando e à direção do povo <strong>para</strong> otrabalho; aplacar as massas pelo discurso, quando, no mais extremo, aplacar pela força
física, que se dá pela instituicionalização de outros serviços sociais que visam a manter e aassegurar o poder.No contraditório jogo discursivo, a educação <strong>para</strong> a felicidade e <strong>para</strong> o direito abreprecedentes, evidentemente, <strong>para</strong> a crítica da não instauração desses valores. O papel daescola passa por duras críticas. Daí, o Estado liberal reorganizar-se na esfera educativa eestabelecer diretrizes educacionais que impulsionam <strong>um</strong> ensino voltado <strong>para</strong> a pesquisa e aparticipação ativa do aluno no processo de aprendizagem. Contudo, a visão sobre o homem,a sociedade e o conhecimento permanece inerte na esfera escolar, à medida que o olharsobre o social, em sua organização plural e antagônica, todavia, conserva-se nãoevidenciada (cortinada).É nos movimentos sociais da década de 50, sobretudo no eixo tangencial à escola,em base teórica materialista dialética, que se presencia a preocupação de <strong>um</strong>a educaçãovoltada <strong>para</strong> os elementos inerentes à tessitura social. A educação <strong>para</strong> a formação dotrabalhador transborda <strong>para</strong> as relações de trabalho <strong>entre</strong> opressor e oprimido, buscandoquestionar a situação de classe e o papel do educando no mundo do trabalho. Essasquestões invadem a escola, emergindo como ponto central de análise o papel social epolítico da prática docente, que ultrapassa o repasse de idéias e valores dominantes demodo alheio e "inconsciente". "Estar no mundo" configura-se, sobretudo, na função social epolítica que o sujeito exerce em seu cotidiano.Com o uso intensivo das TICs nos mais diversos espaços sociais, a escola, aíinserida, passa a incorporá-las e a c<strong>um</strong>prir mais <strong>um</strong>a função, a de repensar seus currículos epostura pedagógica <strong>para</strong> sua inserção. Com isso, amplia-se cada vez mais a função daescola, exigindo, d<strong>entre</strong> outros papéis, o de transmitir conhecimentos, formar homens emulheres <strong>para</strong> a cidadania, educar <strong>para</strong> a pesquisa, pre<strong>para</strong>r os alunos <strong>para</strong> o mundo dotrabalho, disciplinar mentes e corpos, enfim, <strong>um</strong>a miscelânea de objetivos que nem sempretransparecem de forma objetiva no discurso docente. Isso decorre da crise de valores que aatual sociedade do conhecimento enfrenta.A aparência do discurso encobre práticas vazias de conteúdos e de idéias eobjetividade pedagógica conservadoras. É de crucial importância que a metodologiacoadune com o eixo discursivo do sujeito elocucionário de modo que ele se percebaconsciente de sua postura política e ideológica.Dizer que se imagina trabalhar o aluno de modo ativo, entendendo-o como ser-nomundo,transversa <strong>um</strong> comprometimento que vai além do discurso publicitário, mas queremete a <strong>um</strong>a prática pedagógico-metodológica e politicamente consciente, engajada earticulada.A inserção das TICs nas escolas faz-nos refletir e sonhar com possibilidadesmúltiplas, como por exemplo, tratar de <strong>um</strong> espaço de construção de saberes e de práticaspedagógicas alternativas na formação da <strong>autonomia</strong> nos sujeitos. Se de <strong>um</strong> lado, podemosrefletir dessa forma, o que veremos na próxima discussão temática 1 , por outro lado, a suamá compreensão e, por conseguinte, o seu mau uso podem conduzir a <strong>um</strong>a compreensãoerrônea e alienante do seu papel frente à sociedade que se instaura.Diante dessa problemática, podemos observar, por meio de noticiáriosjornalísticos e na discussão com pais de alunos, que a escola vem sendo chamada a ass<strong>um</strong>irfunções que, a priori, não são suas. Com a saída da mulher <strong>para</strong> o trabalho, a fragmentação1 No próximo tópico, apontaremos tentativas de esclarecimento e de possibilidades alternativas <strong>para</strong>compreensão das TICs, pautadas em <strong>Paulo</strong> <strong>Freire</strong>, na formação de sujeitos <strong>para</strong> a <strong>autonomia</strong>.
da família e as modificações estruturantes do mundo do trabalho (CASTELLS, 1999)levaram <strong>para</strong> o espaço escolar discussões que vão além de sua função educativa, que é,sobretudo, a de proporcionar o conhecimento ac<strong>um</strong>ulado pela h<strong>um</strong>anidade, visando aformação de sujeitos autônomos e de cidadãos (LIBÂNEO, 1994).Quando afirmamos que a aparência encobre e desqualifica o papel pedagógico daescola, é porque os valores do cons<strong>um</strong>o, do individualismo, da posse, da apropriação sãoenaltecidos, em detrimento dos valores da solidariedade, do diálogo, enfim, dah<strong>um</strong>anização, que, segundo Morin (2001, p. 50), "é primordial à educação voltada <strong>para</strong> acondição h<strong>um</strong>ana, porque nos mostra como a animalidade e a h<strong>um</strong>anidade constituem,juntas, nossa condição h<strong>um</strong>ana".3. Aproximações <strong>entre</strong> o pensamento freireano e a dinamização tecnológicaSozinho ou com o auxílio de <strong>um</strong> tutor, o membro da comunidade de saber podeestabelecer <strong>um</strong> projeto de formação. Esse projeto leva em conta as curiosidadese as ambições intelectuais da pessoa, seus objetivos profissionais em função doslimites de tempo, de lugar e de recursos financeiros etc (LÉVY; AUTHIER,2000, p. 138).Como mencionamos acima, nos dados obtidos pelo Instituto Nacional de Estudose Pesquisas Educacionais (INEP), as redes públicas de ensino fundamental e médio, com adistribuição dos recursos Estaduais e Municipais pela União, visam à implementação doPrograma Sociedade da Informação no Brasil, por meio da construção de laboratórios,compra de softwares e conectividade em rede (Internet), ainda que conc<strong>entre</strong> seus gastosprioritariamente na formação e no incentivo ao magistério. Já as Universidades (o ensinosuperior), ainda que com incipiente infra-estrutura, ampliam e atualizam as tecnologias dainformação e comunicação no processo educacional, com a compra de softwares.O uso dessas tecnologias reflete <strong>um</strong>a nova forma de aprendizagem por meio dainteração multimídia e da comunicação <strong>entre</strong> pessoas. Especificamente, com esta segunda,a partir do advento da Internet, expande-se o processo educativo <strong>para</strong> além dos muros dasescolas e das universidades com a modalidade de ensino a distância. As tecnologias podemser utilizadas também como espaço de luta. Para tanto, é necessário que se implemente oseu vasto uso <strong>para</strong> os considerados, em nossa sociedade, "subintegrados". É preciso nosmunirmos com as armas do opressor <strong>para</strong> lutarmos de igual <strong>para</strong> igual <strong>para</strong> <strong>um</strong>acompreensão adequada da tecnologia, afirmando-se, cotidianamente, a necessidade rigorosade aceitá-la como parte do desenvolvimento político e econômico, sem se esquecer deexercitar a crítica sobre ela. Como lembra <strong>Paulo</strong> <strong>Freire</strong> (1996), o conhecimento sobre atecnologia poderia contextualizar o sujeito na sociedade presente, marcada pelo alto grau deconectividade e de fluxo informacional. Daí decorre a substituição do antigo modelo deintelectual como elemento nuclear do conhecimento.O novo modelo é o que visa à participação cada vez mais interativa desse sujeitonos grupos de pesquisa, unindo vozes e saberes diversos. Isso não representa <strong>um</strong>a inovaçãose olharmos o legado freireano, em cujo método postula a importância de o pesquisador irao campo de trabalho fazer o levantamento do universo vocabular dos grupos com os quais
vai trabalhar, organizar os círculos de cultura, formados pelos grupos sob a coordenação de<strong>um</strong>a pessoa, não necessariamente <strong>um</strong> professor. Realiza-se a apresentação das palavras,<strong>um</strong>a vez que elas pertencem ao universo vocabular dos educandos, aliadas às suasexperiências de vida, as quais irão gerar temas correlatos, descobrindo-as como situaçãoproblemática, daí passa-se à visualização da palavra e à decodificação em unidadesmenores, <strong>para</strong> reconstituí-la, posteriormente, o que fará surgirem novos debates e novaspalavras.Com a ressignificação da noção de conhecimento, cada vez mais, autores passama construir acervos que fundamentam a sociedade em princípios de auto-organização, dedemocracia e de livre troca de relação com o conhecimento, tendo como finalidade apromoção e a valorização de si e do reconhecimento do outro. <strong>Freire</strong> (1978) arg<strong>um</strong>enta anecessidade de estimular a solidariedade social por meio do trabalho baseado na ajudamútua, na criatividade, na unidade <strong>entre</strong> o trabalho manual e o trabalho intelectual, naexpressividade. Assim, os educandos vão criando novas formas de comportamento, deacordo com a responsabilidade que devem ter diante da comunidade. Em seu pensamento,<strong>Freire</strong> (1978) acentua indiscutível necessidade de se formarem professores capazes de atuarcomo agentes multiplicadores.Em relação ao contexto atual das tecnologias, a postura de <strong>Freire</strong> (1996) seria a deque a formação de professores não deveria limitar-se à operacionalização das máquinas,mas à compreensão dessas máquinas e de suas implicações no trabalho, na vida emsociedade e no mundo cultural.Um dos aspectos básicos do sistema de educação constituíndo-se é o chamamentoque vem fazendo aos educandos <strong>para</strong>, ao lado de sua indispensável formaçãocientífica e concomitantemente com ela, n<strong>um</strong>a prática adequada, desenvolverem asolidariedade, a responsabilidade social, o gosto do trabalho livre como fonte deconhecimento na produção do socialmente necessário, a camaradagem autêntica ea não competição que o individualismo gera (FREIRE, 1978, p. 64).Com a revolução tecnológica, parece-nos mais viável a idéia de unir o giz aocomputador, as linguagens tradicionais às avançadas, transmitir e promover <strong>um</strong> espaçopedagógico espontâneo. A Internet configura-se como novo espaço de luta. Ela já faz partedas instituições, e lutar pelo seu acesso é <strong>um</strong>a forma de avançar conhecimentos que, não sódevem fazer parte de <strong>um</strong>a "elite il<strong>um</strong>inada", mas de todos.Percebemos as tecnologias como <strong>um</strong> novo meio <strong>para</strong> implementação dadialogicidade, e a sua apropriação se torna <strong>um</strong> novo campo de diálogo <strong>entre</strong> o sujeitopedagógico, o mundo simbólico que este campo representa e a relação desse sujeito nomundo. Esse novo campo de diálogo e de troca de saberes é o espaço virtual.Segundo Lévy (2001, p. 17), o espaço virtual é o local da virtualização. Mas o queé virtualização? Para muitos, a idéia de virtual se contrapõe ao real. Na realidade, avirtualidade tem como contraposição o atual.A virtualização não é <strong>um</strong>a desrealização (a transformação de <strong>um</strong>a realidade n<strong>um</strong>conjunto de possíveis), mas <strong>um</strong>a mutação de identidade, <strong>um</strong> deslocamento docentro de gravidade ontológico do objeto considerado: em vez de definirprincipalmente por sua atualidade (<strong>um</strong>a "solução"), a entidade passa a encontrarsua consistência essencial n<strong>um</strong> campo problemático. Virtualizar <strong>um</strong>a entidadequalquer consiste em descobrir <strong>um</strong>a questão geral à qual ela se relaciona, em fazermutar a entidade em direção a essa interrogação e em redefinir a atualidade departida como resposta a <strong>um</strong>a questão particular.
Como proposta, Lévy (1993) considera o espaço virtual o local <strong>para</strong> a consolidaçãoda tecnodemocracia, que seria <strong>um</strong>a nova formação política, em que os meios técnicosviabilizariam o desenvolvimento de comunidades inteligentes, capazes de se autogerir. Nãoé possível falar de <strong>um</strong>a realidade do espaço virtual alheia às realidades políticas e aoeminente perigo representado pela Internet, na medida em que ela passa a ser usada <strong>para</strong>práticas puramente comerciais.Os passos <strong>para</strong> essa tecnodemocracia parecem estar sendo lançados pelo governobrasileiro no Programa Sociedade da Informação no Brasil. Um dos passos <strong>para</strong> aviabilidade dessa tecnodemocracia está na ação do povo sobre os governos, exigindocontrole de tarifas de acesso, disponibilização de linhas telefônicas e barateamento deequipamentos.<strong>Freire</strong> (1987) reconhece a importância das tecnologias da informação ecomunicação quando diz:Se o meu compromisso é realmente com o homem concreto, com a causa de suah<strong>um</strong>anização, de sua libertação, não posso por isso mesmo prescindir da ciência,nem da tecnologia, com as quais me vou instr<strong>um</strong>entando <strong>para</strong> melhor lutar poresta causa.Usando atualmente <strong>um</strong>a nova linguagem implementada por <strong>um</strong>a sociedade que seautodenomina como da informação, a saber, a linguagem da tecnologia da informação ecomunicação, constatamos a aproximação dos elementos circundantes dessa linguagemcom os ideais freireanos. A importância de entender o aluno como agente do processopedagógico, de entender o diálogo como elemento fundante da relação pedagógica, deentender a valorização do saber do educando, aproximam o pensamento de <strong>Paulo</strong> <strong>Freire</strong> aodo filósofo da tecnologia, Pierre Lévy.Ao propor <strong>um</strong> software, denominado "Árvores de conhecimento", em que osmembros dos grupos indicam suas potencialidades e aplicabilidades de seusconhecimentos, Lévy e Authier (2000) estariam empregando a pedagogia freireana. Essesdois pensadores franceses falam de <strong>um</strong>a mudança no comportamento das pessoas, visandoà integração dos povos, não distante. <strong>Freire</strong> (1978) também é inflamado por esse modo depensar.Entre a educação e as transformações que se vão operando no contexto sócioeconômico,de tal modo que estas, precedendo àquela ou por elas motivadas, aestimulam e a reorientam.4. Educação <strong>para</strong> a <strong>autonomia</strong>: <strong>Freire</strong> por ele mesmoA face da educação que muitos de nós conhecemos e vivenciamos são <strong>para</strong>digmasultrapassados, apesar de ativos. Diante da necessidade de <strong>um</strong>a educação voltada <strong>para</strong> a