Correção de ptose palpebral senil: abordagem sem ... - ABCCMF

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Schettino A et al.ARTIGO ORIGINALCorreção de ptose palpebral senil: abordagem semsutura de FrostTreatment of blepharoptosis in elderly: approach without Frost sutureAngélica Schettino 1 , Sandra Poyart 2 , Renata Ruas 3 , Rafaela Dallalana 4 , Moises de Melo 4 , Diogo Franco 5 , Talita Franco 6RESUMOObjetivo: Apresentar a experiência dos autores notratamento da ptose palpebral senil, com o uso de técnicajá descrita na literatura, facilmente reprodutível, mas sem autilização do ponto de Frost para oclusão/ repouso palpebral.Método: Foram avaliados 19 pacientes, em um total de 30cirurgias, submetidos à correção de ptose plapebral senil coma técnica de encurtamento, seguida de ressecção do excessode aponeurose do músculo elevador da pálpebra superior(MEPS), de acordo com a avaliação do grau de ptose e dafunção residual do MEPS. Todos os pacientes foram avaliadosno pré e no pós-operatório por ofatlmologista e não foi utilizadoo ponto de Frost em nenhum paciente. As cirurgias foramrealizadas em regime ambulatorial e com anestesia local esedação leve. Resultados: O grau de ptose dos pacientesvariou entre 2 e 6 mm e englobou pacientes com ptose leve(10%), moderada (63,3%) e grave (26,7%). A função residualdo MEPS foi considerada boa em 53,3% dos pacientes (N=16)e média em 46,7% (N=14). Não houve recidiva, deiscênciaou infecção. Dois (6,7%) pacientes apresentaram hipocorreçãoda ptose. Nenhum paciente evoluiu com alterações da córneaapós a cirurgia, ao exame oftalmológico. Conclusões: Osresultados foram satisfatórios, demonstrando que os cuidadospós-operatórios, aliados à orientação cuidadosa do paciente,são uma boa opção ao uso de ponto de Frost.Descritores: Blefaroptose. Pálpebras/cirurgia. CirurgiaPlástica. Procedimentos Cirúrgicos Ambulatoriais.ABSTRACTPurpose: The objective of this paper is to show theauthors’ experience in the treatment of blepharoptosis inelderly, using a famous technique, but without the Frost suture.Methods: Thirty surgeries were performed (19 patients)for correction of blepharoptosis with the shortening of theaponeurosis of the superior palpebrae levator muscle and itsredundance ressection, considering the level of ptosis and theresidual function of the levator muscle. All the patients wereassisted by an ofthalmologist before and after the surgery andno Frost suture were used. The surgeries occured with localanesthesia and in day clinic hospital. Results: The level ofptosis was between 2 and 6 mm and envolved patients withslight ptosis (10%), mild ptosis (63.3%) and severe ptosis(26.7%). The residual function of the levator muscle wasconsidered good in 53.3% of patients (N=16) and mildin 46.7% (N=14). There were no dehiscence, infeccion orreturn of the ptosis in no one patient. There were no cornealinjury after the surgery by the ofthalmologic examination.Conclusions: The results were satisfatory, showing that thepost operatory care is a very good option to the Frost suture.Key words: Blepharoptosis. Eyelids/surgery. Surgery,Plastic. Ambulatory Surgical Procedures.1. Mestranda do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital UniversitárioClementino Fraga Filho (HUCFF – UFRJ) e Médica Assistente da Clínicade Cirurgia Plástica do Hospital Naval Marcílio Dias (HNMD), Rio deJaneiro, RJ, Brasil.2. Médica Assistente da Clínica de Oftalmologia do HNMD, Rio de Janeiro,RJ, Brasil.3. Especialista em Cirurgia Plástica pelo HUCFF-UFRJ, Rio de Janeiro, RJ,Brasil.4. Residente da Clínica de Cirurgia Plástica do HNMD, Rio de Janeiro, RJ,Brasil.5. Professor Adjunto de Cirurgia Plástica do HUCFF-UFRJ, Rio de Janeiro,RJ, Brasil.6. Professora Titular de Cirurgia Plástica do HUCFF-UFRJ, Rio de Janeiro,RJ, Brasil.Correspondência: Angélica SchettinoAv. Nossa Sra. de Copacabana, 807, sala 1102 – Rio de Janeiro, RJ,Brasil – CEP 22050-002E-mail: angelicaschettino@yahoo.com.brRev Bras Cir Craniomaxilofac 2011; 14(1): 34-734


Correção de ptose palpebral senil: abordagem sem sutura de FrostINTRODUÇÃOMuito mais do que beleza, cujo conceito varia de acordocom a época e com a sociedade, algumas alterações faciaistrazem prejuízos ao convívio social, levando à segregaçãoe à impossibilidade de ações básicas e diárias, como lere comer.A pálpebra superior posiciona-se cerca de 1 a 2 mmentre o limbo superior da íris e a pupila 1 . Denomina-se ptosepalpebral ou blefaroptose quando a borda ciliar encontra-seabaixo deste nível, o que pode comprometer seriamente odia-a-dia do indivíduo.Três músculos são responsáveis pela elevação dapálpebra superior: músculo elevador da pálpebra superior,o mais importante (MEPS), músculo frontal (MF) e músculotársico superior ou músculo de Müller (MM).A ptose palpebral pode ser classificada em congênita ouadquirida. A ptose adquirida pode ser de origem neurogênica,miogênica, traumática ou mecânica.Alguns autores adicionam a esta classificação a pseudoptose,caracterizada por excesso de pele das pálpebras,com margem palpebral superior posicionada corretamente.Assim, a ptose senil ou involucional é classificada comomiogênica, por alteração muscular ou aponeurótica emidosos e, usualmente, se apresenta como uma ptose moderadae com boa função do MEPS. A implantação da pregapalpebral é alta, com formação do sulco supratarsal e visualizaçãodo movimento do globo ocular através da pálpebra.A aponeurose do MEPS pode estar desinserida do tarso, coma elevação da pálpebra ocorrendo exclusivamente pela açãodo MM e do MF.Diversas técnicas foram descritas para correção destadeformidade. Algumas indicam a utilização de pontos deFrost, por tempo variável, de acordo com o autor 2,3 . Estasutura foi originalmente descrita por Albert Frost 4 , em1934, como um ponto de sustentação usado em cirurgia deblefaroptose para promover suporte palpebral e proteçãocorneana, por meio do repouso ocular.O objetivo desse trabalho é apresentar a experiência dosautores no tratamento de ptoses leves, moderadas e graves,de origem involucional (senil), empregando uma técnicasimples, facilmente reproduzível, bem consolidada e eficaz.O diferencial é a não utilização do ponto de Frost para aoclusão palpebral pós-operatória.MÉTODOApós anamnese e exame físico detalhados, foramavaliados 19 pacientes com ptose senil, entre os anos de2006 e 2008.Todos os pacientes foram submetidos à consulta oftalmológicano pré-operatório, para detectar possíveis lesõescorneanas. Esta avaliação foi complementada com examede biomicroscopia ocular em lâmpada de fenda, com e semcorante de fluoresceína. No pós-operatório, nova avaliaçãooftalmológica foi realizada para detecção de lesões decórnea.A técnica cirúrgica usada foi o encurtamento da aponeurosedo MEPS, com ressecção do seu excesso, associado ounão, de acordo com o desejo do paciente, à blefaroplastiasuperior. Os procedimentos foram realizados em centrocirúrgico, sob anestesia local e sedação leve, de modo aavaliar, no intraoperatório, a correção da ptose.Ao sair da sala de cirurgia, os pacientes foram mantidoscom compressas geladas de soro fisiológico 0,9%, sobreos olhos, periodicamente trocadas. Além desse cuidado,os pacientes recebiam a orientação de fazer uso de colíriode metilcelulose regularmente, de duas em duas horas,pelo período de sete dias, com o objetivo de manter alubrificação ocular. Todos os pacientes tiveram alta hospitalarno mesmo dia e foram reavaliados, pelo cirurgiãoplástico e pelo oftalmologista, entre cinco e sete dias depós-operatório.RESULTADOSA maior incidência de ptose foi observada no sexomasculino (52,6%), com média de idade de 68,6 anos. Dos19 pacientes, 12 (63,1%) tinham ptose bilateral. Os ladosdireito e esquerdo foram acometidos igualmente, compredomínio discreto do lado direito em um dos pacientes,que preferiu operar apenas o lado esquerdo, mais afetado.Nos casos de ptose bilateral, a cirurgia foi realizada em umsó tempo cirúrgico.O grau de ptose dos pacientes variou entre 2 e 6 mme englobou pacientes com ptose leve (10%), moderada(63,3%) e grave (26,7%). A função residual do MEPS foiconsiderada boa em 53,3% dos pacientes (N=16) e médiaem 46,7% (N=14).A menor ressecção da aponeurose do MEPS realizada foide 4 mm, em dois casos, e a maior foi de 10 mm, em 10 casos.Os resultados foram considerados satisfatórios, tantopara o cirurgião, como para os pacientes, com restauraçãodos níveis normais de elevação das pálpebras (Figura 1).Considerando o total de 30 cirurgias realizadas nos 19pacientes estudados, em duas delas houve hipocorreção(6,7%), gerando assimetria discreta. Nestes casos, não serealizou novo procedimento cirúrgico, uma vez que não foidesejo do paciente. A hipocorreção ocorreu em pacientescom ptose unilateral.Não houve caso de deiscência, hematoma, lagoftalmiaou recidiva da ptose. Também não foi diagnosticadanenhuma lesão ou abrasão de córnea, infecção ou outrasalterações, quando da consulta com o oftalmologista,no pós-operatório. Todos os pacientes foram acompanhadosambulatorialmente por, pelo menos, 10 meses. Ospacientes incluídos no estudo não apresentavam lesõespré-operatórias.Rev Bras Cir Craniomaxilofac 2011; 14(1): 34-735

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