Desenvolvimento e Implementação de um Sistema de ... - SBIS

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Desenvolvimento e Implementação de um Sistema de Registro eAcompanhamento de Leishmanioses Humanas em Santa CatarinaJosé Roberto Langer Junior 1 , Diogo Antonio Tschoeke 2 , Glauber Wagner 3 , Igor OstinowskyBurattini 4 , Henrique César Lemos Jucá 5 , Mário Steindel 6 , Edmundo Carlos Grisard 71, 2, 3, 4, 5, 7 Laboratório de Bioinformática, UFSC, Florianópolis, SC, Brasil.6, 7 Laboratório de Protozoologia, UFSC, Florianópolis, SC, Brasil.5 Instituto Oswaldo Cruz - FIOCRUZ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.Resumo - Este artigo apresenta a proposta do desenvolvimento e implementação de um sistema de registro eacompanhamento dos casos de leishmaniose no Estado de Santa Catarina, que será composto de um bancode dados desenvolvido utilizando o Sistema de Gerenciamento de Banco de Dados MySQL, além de umainterface de acesso disponível via web escrita nas linguagens HTML e PHP.Palavras-chave: Leishmaniose, Banco de dados, MySQL, PHP, Epidemiologia, Web.Abstract – The present article presents the proposes for development and implementation of a web-basedsystem for human leishmaniasis epidemiological follow-up in the Santa Catarina State. The system will becomposed by a database, developed using the DataBase Management System MySQL, along with a webinterface in HTML and PHP.Key-words: Leishmaniasis, Database, MySQL, PHP, Epidemiology, Web.IntroduçãoA leishmaniose é uma doença causada porum protozoário do gênero Leishmania [1]. Oshospedeiros vertebrados incluem grande variedadede mamíferos, entre eles, o homem [2], e sãoidentificados como hospedeiros invertebrados evetores exclusivamente fêmeas da FamíliaPsychodidae, Subfamília Phlebotominae,popularmente conhecidos como flebotomíneos [3].Existem diferentes formas da doença: ategumentar ou cutânea, também chamada deleishmaniose tegumentar americana (LTA), queafeta a pele; a cutâneo-mucosa e a visceral oucalazar, que atinge os órgãos internos.As formas tegumentares da doençamanifestam-se de diversas formas. Na formacutânea, caracterizada por lesões ulcerosas,indolores, únicas ou múltiplas, geralmentelocalizadas nas partes expostas do corpo como norosto, braços e pernas. Na forma cutâneo-mucosa,que apresenta lesões mucosas agressivas queafetam a região nasofaríngea e podem levar àdestruição parcial ou total das mucosas do nariz,boca, garganta e dos tecidos adjacentes. Na formadisseminada, apresentando múltiplas úlcerascutâneas por disseminação hematogênica oulinfática e finalmente, na forma difusa com lesõesnodulares não-ulceradas.A outra forma existente de leishmaniose, avisceral ou calazar, caracteriza-se por ser umadoença crônica, grave e de alta letalidade se não fortratada. Apresenta aspectos clínicos eepidemiológicos diversos e característicos para cadaregião onde ocorre, sendo os sinais sistêmicostípicos: febre intermitente; palidez de mucosas;esplenomegalia associada ou não à hepatomegalia;anemia e perda substancial de peso comenfraquecimento geral do hospedeiro [4].As leishmanioses constituem uma parasitosede grande importância sócio-econômica, afetandocerca de 12 milhões de pessoas em todo mundo,com aproximadamente dois milhões de novos casosanuais e 350 milhões de indivíduos vivendo emáreas de risco de transmissão [3]. Dessa forma,constituem um crescente problema de saúdepública, não somente no Brasil, onde é consideradauma das endemias de interesse prioritário, como emgrande parte dos continentes americano, europeu,asiático e africano.Sua importância levou a Organização Mundialde Saúde (OMS) a incluí-la entre as seis doençasconsideradas prioritárias no programa de controle dareferida instituição [5]. O aumento na incidência daleishmaniose no mundo pode estar associado com aurbanização, a devastação das florestas, asmudanças ambientais e a migração de pessoas paraáreas endêmicas [6]. No Brasil a incidência daparasitose cresce com o passar dos anos, tanto emáreas rurais e florestais, quanto em áreas urbanas[7], e estima-se que esteja em 35.000 à 50.000casos por ano [8]. A grande variabilidade das formas


clínicas da doença, aliada a um elevado número deespécies de parasitos causadores da moléstia, tornadifícil o diagnóstico clínico e laboratorial.Não é fácil avaliar a importância da doença noBrasil, mas pelos dados de notificação disponíveis,observa-se que a mesma encontra-se em francoprocesso de crescimento, tanto em magnitudequanto em expansão demográfica [5].No Estado de Santa Catarina, desde o ano de1990, quando um foco autóctone de transmissão deleishmaniose cutânea foi detectado na região oestenos Municípios de Quilombo e Coronel Freitas [9],inúmeros casos importados e autóctones da doençavem sendo registrados. Em 1996 registrou-se umcaso autóctone de leishmaniose no Município deChapecó e, do final de 1997 até 2000 novos casosforam registrados nos Municípios de Piçarras,Blumenau e Luís Alves na região nordeste doEstado de Santa Catarina [10].No período de 1993 a 2004 foram registrados86 casos de LTA em Santa Catarina, dos quais, 15casos autóctones provenientes de Piçarras [11].Recentemente um novo surto da doença vemocorrendo em vários municípios do Estado(Balneário Camboriú, Itapema, Aurora, Luis Alves,Blumenau e Itajaí) onde foram registrados mais de50 casos autóctones no ano de 2005 [12, 13].A ocorrência de novos focos autóctones detransmissão, bem como o número crescente decasos importados de leishmaniose cutânea emtodas as mesoregiões do Estado de Santa Catarinareveste-se de grande importância médica, social eeconômica. Em colaboração com a FNS, oLaboratório de Protozoologia da UFSC vemrealizando nos últimos anos o diagnóstico sorológicoe parasitológico de leishmaniose no Estado deSanta Catarina, sendo responsável ainda pelaorientação do tratamento da leishmaniosetegumentar.Recentemente, a Secretaria de Estado daSaúde do Estado de Santa Catarina reconheceuoficialmente o Laboratório de Protozoologia daUFSC como laboratório estadual de referência nodiagnóstico desta parasitose (Portaria 754/2001 –SES/SC).Em 1975, a lei que instituiu o SistemaNacional de Vigilância Epidemiológica tambémexigiu a notificação compulsória de algumasdoenças, entre elas a Leishmaniose. Comoconseqüência disso e visando suprir necessidadesde geração de informação, diversos sistemasparalelos foram criados nos diferentes níveis,incluindo o nacional [14].O SINAN é um desses sistemas e éalimentado, principalmente, pela notificação einvestigação de casos de doenças e agravos queconstam da lista nacional de doenças de notificaçãocompulsória (Portaria GM/MS Nº. 2325 de 08 dedezembro de 2003). Entretanto, mesmo com aimplantação deste sistema, ainda ocorrem casos desub-notificação e falta de informações específicas decasos pela sub-utilização do mesmo.Levando-se em consideração a importânciamédica, social e econômica desta doença,associada às deficiências apresentadas naalimentação do SINAN o presente artigo propõe acriação um sistema de registro e acompanhamentoestadual, contendo resultados de diagnóstico,tratamento e dados epidemiológicos da parasitoseno Estado. A implementação deste sistema trariauma melhora significativa no atendimento e naqualidade dos serviços prestados à comunidade,reduzindo-se custos e agilizando o diagnóstico deleishmaniose em Santa Catarina. Além disso, estaimplementação poderia fornecer subsídios para ummapeamento epidemiológico da leishmaniose noEstado, direcionando ações de controle dos focosde transmissão ativa e possibilitando compreenderas características epidemiológicas desta doença.Ainda, o sistema proposto pelo presente artigopoderia também, servir como base para aalimentação dos dados referentes à Leishmaniosedo Estado no SINAN, evitando problemas de subnotificaçãoou notificação incompleta, já que osdados referentes a cada caso estariam reunidosnum mesmo local, além de terem sido armazenadospor profissionais qualificados.MetodologiaO banco de dados proposto neste artigo serácriado utilizando a linguagem SQL (Structured QueryLanguage) através do Sistema de Gerenciamento deBanco de Dados (SGBD) MySQL, que é um dosservidores de banco de dados SQL mais popularesno mundo atualmente [15]. Este sistema possuidiversas características que o qualificam para odesenvolvimento do banco de dados do presenteprojeto. Primeiramente, ele trabalha com bancos dedados relacionais, sendo mais rápidas assubmissões e consultas de dados; é flexível àsnecessidades do usuário; oferece suporte aplataforma Linux, que é a utilizada atualmente noLaboratório de Bioinformática da UFSC e nosservidores onde o banco ficará hospedado depoisde pronto; apresenta bom desempenho, estabilidadee segurança quando trabalha com quantidadespequenas de dados, o que é o caso do sistemaproposto. Além disso, é um sistema de uso livre paraaplicações não comerciais e de código aberto. Efinalmente, é compatível com PHP, outra linguagemde programação que será utilizada na execução doprojeto [15].A página web de acesso ao banco de dadosserá programada utilizando as linguagens PHP eHTML. Formulários HTML são bastante populares emuito utilizado na criação de páginas da web, sendoeste utilizado para criar a interface de comunicação


com o usuário / sistema. O PHP é um tipo delinguagem que pode ser facilemente inserido noformulário HTML e desempenhando bem acomunicação entre o sistema e o banco de dado,assim sendo, ideal para a proposta do presenteprojeto [16].Para evitar casos de sub-notificação ounotificação incompleta, será exigido opreenchimento obrigatório de determinados campos,informações mais relevantes, como por exemplo,origem do caso, resultado dos exames, entre outrascaracterísticas epidemiologicamente importantes.No momento da submisão do dadosreferentes a um determinado caso, será gerado umidentificador, sendo este enviado junto com omaterial coletado para ser examinado no Laboratóriode Protozoologia da UFSC. Desta maneira, todos ospacientes que tenham seu diagnóstico realizadopelo Laboratório de Protozoologia, terão seu casoregistrado no banco de dados do presente projeto,bem como a garantia de sigilo médico ao paciente.A segurança do banco será feita com umsistema de autenticação de usuários e senhas comdiferentes níveis de acesso, assim, diferentescategorias de usuários (médicos, funcionários dasRegionais de Saúde e pesquisadores do Laboratóriode Protozoologia) poderão ter acesso restrito àleitura ou à inserção de dados em diferentes setoresdo banco.Paralelamente ao desenvolvimento do projeto,será criado um manual para o uso do sistema, quetrará instruções simples relacionadas à utilização dapágina da web e do banco de dados; bem como,uma documentação completa do sistema, que trarádetalhes sobre o planejamento, estrutura econstrução do mesmo, facilitando assim, futurasmodificações como: melhorias, adaptações eflexibilizações do sistema.ResultadosO banco de dados está sendo construídobaseado em uma estrutura principal de quatrotabelas, sendo elas: 'usuários', 'dados_pessoais','dados_epidemiológicos' e 'dados_clínicos'. Aprimeira tabela contém as informações de acesso aobanco, e é usada em conjunto com o sistema deautenticação de usuários/senhas da plataforma, istodetermina os privilégios de cada usuário. Destamaneira podemos determinar que grupos deusuários podem ter acesso apenas a leitura dosdados contidos no banco e quais podem inserirdados e em quais campos, garantindo assim asegurança e confiabilidade do sistema.A tabela 'dados_pessoais' contéminformações gerais sobre o paciente, como: nome,endereço, telefones para contato, entre outros. Atabela 'dados_epidemiológicos' contém asinformações relevantes sobre a epidemiologia decada caso, como: dados sobre viagens realizadasrecentemente, hábitos do paciente e origem docaso.A última tabela guarda as informações clínicase de diagnóstico do paciente, entre elas,informações sobre características e local das lesões,observações médicas, evolução do caso após otratamento, exames realizados e diagnostico.A página que será utilizada para entrada dedados no banco é um formulário eletrônico simples edireto, que traz diversas questões sobre o caso,sempre de maneira a facilitar o preenchimento eevitar erros, para tanto são utilizados campos deentrada de dados de texto, onde serão preenchidosdados como nomes, endereços, números detelefone; campos do tipo checkbox ou ‘caixa deseleção’ que permitem que o usuário escolha umaou mais alternativas apresentadas e ainda menusdropdown que quando selecionados oferecem aousuário uma lista com opções para que o mesmoescolha uma destas.De acordo com o tipo de usuário que estiveracessando o banco, os campos podem estar abertosou não para entrada de dados. No caso dosfuncionários das Regionais de Saúde de SantaCatarina o acesso oferecido é apenas para leiturados casos com todos os dados disponíveis. Já osmédicos terão acesso igualmente à leitura de todosos dados e também poderão inserir dados noscampos de dados clínicos, enquanto a equipe dolaboratório de Protozoologia da UFSC tem acessototal tanto à escrita quanto leitura no banco.Quando a versão final do banco estiver prontae em funcionamento serão incluídas ferramentaspara geração de relatórios dos dados contidos nobanco de acordo com as necessidades dolaboratório, além de uma ferramenta que deverágerar um resultado dos exames feitos pelolaboratório para impressão por parte do médico,evitando assim a necessidade de envio dosmesmos.Atualmente o banco está sendo alimentadocom dados de casos retroativos, existentes nolaboratório de protozoologia para testar seufuncionamento no estagio atual de desenvolvimentoe implementar os ajustes necessários.Referências1. Pupo Nogueira Neto, J., Basso, G., Cipoli, A. P.,El Kadre, L. (1998), "American cutaneousleishmaniasis in the State of São Paulo, Brazil -epidemiology in transformation", Ann Agric EnvironMed, v.5(1), p.1-5.2. Neves, D. P. (2005), Parasitologia Humana,Atheneu.


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