10 de maio de 2010 - ADIMB

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10 de maio de 2010Este Clipping é preparado pela Secretaria Executiva da ADIMB. O conteúdo é de inteiraresponsabilidade dos meios de origemA missão da ADIMB é a de promover o desenvolvimento técnico-científico e a capacitação de recursos humanos para aIndústria Mineral Brasileira


Fundo Vale vai desenvolver projetos sustentáveis na AmazôniaIniciativa inédita vai contar com R$ 51 milhões, até 2012, para investir emproteção ambiental e no desenvolvimento socioeconômico local.Sete instituições da sociedade civil da área socioambiental e a Vale lançam nesta segunda,10/05, oficialmente o Fundo Vale, uma ação pioneira, com foco inicial em programas de combate aodesmatamento e à degradação florestal e o desenvolvimento socioeconômico no bioma Amazônico.O projeto conta com R$ 51 milhões, já aprovados pelo Conselho Administrativo da empresa, parainvestimentos nos próximos três anos e está aberto a novos investidores privados e públicos do Brasile do exterior.Em operação há um ano, o Fundo Vale já aportou R$ 7 milhões do valor total aprovado emoito projetos desenvolvidos pelas ONGs Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente daAmazônia), IEB (Instituto Internacional de Educação do Brasil), TNC (The Nature Conservancy), IFT(Instituto Floresta Tropical), ISA (Instituto Socioambiental), Instituto Peabiru e Imaflora (Instituto deManejo e Certificação Florestal e Agrícola).O Fundo Vale é uma ação que permite estender as boas práticas e o desenvolvimentosustentável para muito além do limite das operações da Vale. No futuro, a idéia é atuar em outrasregiões e países, sempre em projetos ligados a temas centrais da macrossustentabilidade –biodiversidade, mudanças climáticas, conservação de florestas etc.Na Amazônia, a ação está concentrada em projetos direcionados a três principais temas: oMonitoramento Estratégico da Região por Satélite; a Consolidação e Criação de Áreas Protegidas; e aPromoção de Municípios Verdes.No primeiro tema, foi estabelecida uma parceria com o Imazon para aprimorar o sistema demonitoramento do desmatamento na Amazônia. O investimento realizado durante 2009 permitiuincorporar avanços no sistema de geoprocessamento das informações, dando maior precisão eagilidade na elaboração dos relatórios que servem de base para a ação fiscalizadora do poder públicoe outros setores da sociedade.Um dos novos relatórios lançados pelo Imazon em 2009, com o apoio do Fundo Vale entreoutras fontes de financiamento, foi o Transparência Manejo Florestal, que, pela primeira vez, avalioua estimativa da área de floresta explorada ilegal e legalmente no Pará – esta última, com plano demanejo florestal autorizado pelo Estado. O estudo apontou que quase 90% da área estudada (418 milhectares de florestas) foram exploradas sem autorização da Secretaria Estadual de Meio Ambiente doPará. Em compensação, na área autorizada pelo Estado, 85% dos planos de manejo apresentadostinham boa ou média qualidade de implantação, ou seja, com menos impacto à floresta.No tema de Áreas Protegidas e Biodiversidade, foram iniciados três projetos: consolidação dasunidades de conservação da Calha Norte, no Pará, que representam quase 12 milhões de hectares defloresta preservada; consolidação das Reservas Extrativistas da Terra do Meio, no sul do Pará, dentrodo chamado arco do desmatamento; e a implementação e sustentabilidade da Reserva da Biosferado Arquipélago do Marajó.O projeto na região da Terra do Meio, executado pelo ISA com apoio do Imaflora, visa adesenvolver um conjunto integrado de ações voltadas a contribuir com a consolidação do mosaico deunidades de conservação da região, dando ênfase a situação das Reservas Extrativistas do Riozinhodo Anfrísio, Iriri e Xingu e as populações que ali residem. Há, nas Resex, cerca de 1,5 milhões dehectares de áreas protegidas com 1.737 habitantes distribuídos por 74 localidades.No projeto de implementação e sustentabilidade da Reserva da Biosfera do Arquipélago doMarajó, reúne um conjunto de iniciativas nas áreas ambiental, social e cultural a ser realizado ao


longo de três anos naquela região. A idéia é contribuir com a consolidação das unidades deconservação do arquipélago; a valorização cultural, através do fortalecimento institucional do Museudo Marajó; a identificação de negócios sustentáveis que beneficiem as comunidades locais; e amobilização social, por meio de cursos, assessoria técnica e oficinas, que visem à formação de pólosde trabalho regionais.Em Municípios Verdes, o foco é promover um modelo de gestão ambiental para municípios daAmazônia Legal, visando o combate ao desmatamento ilegal e o enquadramento da Reserva Legal eda Área de Proteção Permanente das propriedades da região, de acordo com o Código FlorestalBrasileiro.A inspiração para o projeto veio a partir da lista divulgada anualmente pelo Ministério doMeio Ambiente (MMA) com os municípios que mais desmatam. Desta lista foram selecionados algunscasos extremos, como Paragominas, que estava no topo do ranking da lista suja do MMA, São Félixdo Xingu e Novo Progresso, que ainda tinham mais da metade de seu território preservado. Além dosmunicípios listados, o Fundo Vale selecionou Almeirim, que apresentava um índice muito baixo dedesmatamento. Localizada na entrada da Calha Norte, Almeirim apresentava potencial paratransformar-se em um modelo de gestão antes que o desmatamento viesse a se tornar um temacrítico. Este trabalho vem sendo desenvolvido pelo IFT em parceria com o Imaflora.Uma importante ferramenta para implementação das atividades das ONGs parceiras doFundo Vale é o CAR (Cadastro Ambiental Rural), criado pelo governo do Pará, o CAR não tem caráterpunitivo, mas de ajudar o proprietário que busca se enquadrar na legislação ambiental, que, naAmazônia, prevê que 80% da propriedade deve ser preservada.Um resultado importante do projeto Municípios Verdes, para o qual o Fundo Vale contribuiu,foi o anúncio, em abril, da retirada de Paragominas da lista das cidades campeãs do desmatamentodo MMA. O município conseguiu cumprir as metas exigidas pelo MMA, que eram inserir 80% das suaspropriedades rurais (excluindo as reservas indígenas) no CAR e reduzir o ritmo de desmatamento em90%.Em 2008, o desmatamento em Paragominas caiu 43% e, em 2009, 86%. O desmatamentopassou a ser monitorado via satélite, mensalmente, e, com os dados em mãos, as ações defiscalização se tornaram muito mais eficazes. A ação em Paragominas contou com o apoiofundamental do poder público local e do Sindicato dos Produtores Rurais da região, além do TNC eImazon através do proieto apoiado pelo Fundo Vale. De antigo pólo madeireiro, Paragominas passoua servir de exemplo de solução econômica para a Amazônia. Em outra frente, no município de SãoFélix do Xingu, a TNC e IEB passaram a ajudar os fazendeiros que infringiram a lei a voltar àlegalidade.Fonte: Agência EnvolverdeMME - CENTRO TECNOLÓGICO DE CARVÃO É INAUGURADO EM SCO secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas eEnergia (SGM/MME), Claudio Scliar, representou o ministro Márcio Zimmermann no lançamento dapedra fundamental do Centro Tecnológico de Carvão Limpo (CTCL), que aconteceu nessa sexta-feira(23) em Criciúma, Santa Catarina.O Centro Tecnológico tem por objetivo atuar na condução de pesquisa e visa desenvolvertecnologias limpas para a produção e utilização sustentável do carvão mineral no Brasil na geração deenergia, buscando a redução da emissão de gases do efeito estufa e a inovação na área tecnológicavisando à utilização sustentável do minério.


O CTCL é um marco histórico no setor de carvão mineral e faz parte do projeto de apoiotecnológico do Ministério da Ciência e Tecnologia ao setor carbonífero para desenvolver novastecnologias para a produção e utilização sustentável do carvão mineral no Brasil.O projeto é uma parceria entre a Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de SantaCatarina (SATC), Sindicato da Indústria de Extração de Carvão de Santa Catarina (Siecesc) eAssociação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM).A inauguração contou com a participação de autoridades, empresários, políticos, imprensa erepresentantes da comunidade em geral de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O ministro de Minase Energia, Márcio Zimmermann, e o secretário-executivo do Ministério de Ciência e Tecnologia, LuizAntônio Rodrigues Elias, não puderam comparecer ao evento em função das máscondições do tempo.CTCLA construção do primeiro prédio e laboratório, que deverá iniciar em maio, conta comrecursos da Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP (R$ 2,1 milhões), da Fundação de Apoio àPesquisa Científica e tecnológica do Estado de Santa Catarina - FAPESC (R$ 3,8 milhões) e daEletrobras, com R$ 1,5 milhões, totalizando em R$ 7,4 milhões.A estrutura do centro começou a ser construída em 2009 e hoje conta com 28 profissionais ecom um acordo de cooperação com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM). A previsão de construçãodas duas unidades é até novembro de 2011.O Plano diretor do parque tecnológico tem 12 mil metros quadrados de área construída emuma área disponível de 22 hectares, onde poderão ser construídas plantas piloto. O CTCL, já contacom o selo do Procel-INMETRO, sendo um dos cinco primeiros prédios verdes com essa etiqueta noBrasil.Fonte: ASCOM/MMEMETAIS: NÍQUEL VIRA ESTRELA ENTRE AS COMMODITIESEle pode não despertar a atenção do petróleo, ouro ou mesmo o cobre, mas o níquel estácom sorte: ele vem superando o desempenho de quase todas as commodities este ano. O metal,usado na produção de aço inoxidável, teve uma alta de quase 40% desde o começo do ano,comparado aos ganhos de menos de 5% do alumínio e do cobre.Desde o ponto mais fraco atingido no fim de 2008, o preço do níquel mais que triplicou paraUS$ 27,5 mil a tonelada, por causa da forte demanda da indústria de aço inoxidável e de interrupçõesno fornecimento. Numa indicação do aumento espetacular, o valor do metal em uma moeda de cincocentavos de dólar - que também contém cobre - está agora em 6,2 centavos.O aumento dos preços também terá um impacto significativo sobre mineradoras como aNorilsk Nickel e a Vale, as duas maiores produtoras do mundo que juntas respondem por cerca de umterço do mercado, assim como sobre produtores de aço inoxidável como a ThyssenKrupp e aArcelorMittal, para as quais o custo do metal responde por até 60% do custo final do aço inoxidável.A alta acentuada dos preços do níquel também despertou o interesse dos especuladores,inspirando comparações com 2007, quando os preços ultrapassaram os US$ 50 mil, em meio aalegações de manipulação de mercado. "Nunca vi tanto dinheiro disponível para investimentos comoagora", diz Alex Heath, do Royal Bank of Canada, referindo-se ao interesse especulativo pelos metaisde base.


Mas a maioria dos operadores, analistas e corretoras acredita que os preços do níquel estãosendo estimulados pela oferta e demanda básicas. O consenso do setor é que os preços poderãofacilmente superar os US$ 30 mil num futuro próximo, uma vez que muitos acreditam que ademanda vai superar a oferta este ano. Ontem o metal fechou a US$ 25.450 na LME, com alta no mêsde 1,90%.A produção mundial de aço inoxidável reagiu para igualar seu patamar mais alto no primeirotrimestre, de 7,8 milhões de toneladas, com a China liderando o crescimento, segundo a Macquarie.Os negociadores de níquel chamam atenção para a demanda da indústria do aço inoxidável pelometal. "Quando eles (fabricantes de aço inox) dão uma ordem para comprar níquel, eles querem paraontem", diz um operador com larga experiência no setor.Uma prolongada greve nas operações da Vale no Canadá vem afetando a produção mundial.Outro fator que contribui para a atmosfera febril é o fechamento cada vez mais próximo do porto deDudinka, no norte da Sibéria, onde a mineradora Norilsk, considerada a maior produtora de níquel domundo, embarca suas exportações.O porto fecha todos os anos, no mês de junho, durante o período de degelo, e a Norilskantecipa os embarques de níquel para cobrir esse período de inatividade. Mas este ano circulamrumores nos pregões de que a Norilsk poderá não ter produção suficiente para embarcarantecipadamente todo o níquel que precisa para atender suas encomendas. Gordon Buchanan, umoperador da Stratton Metals, diz que esses rumores "certamente estão alimentando a fogueira".O derradeiro fator de otimismo envolve um aperto. Operadores e corretores estão assistindocom nervosismo a formação de uma grande posição no mercado de níquel, que muitos acreditamestá sendo mantida por um grande fundo de hedge de commodities de Nova York.Dados da Bolsa de Metais de Londres (LME) mostram que recentemente uma companhiaadquiriu mais de 50% de seus direitos de compra de níquel - uma medida do controle sobre osestoques armazenados do metal.Mas analistas alertam que os atuais preços não deverão ter sustentação além do fim do ano.Isso porque o crescimento da produção de aço inoxidável "está até certo ponto à frente da demanda"e isso poderá dar uma acalmada, segundo afirma David Wilson do Société Générale.Além disso, a produção das operações da Vale no Canadá, que respondem por cerca de 10%da produção mundial, deverá ser retomada no segundo semestre.E o mais importante: uma onda de nova produção mineral deverá chegar ao mercado aolongo do ano que vem. Matthew Hope, analista do Crédit Suisse em Sidnei, diz: "Olhando para frente,tudo o que consigo ver é uma muralha de níquel novo".


O aumento da produção poderá proporcionar um certo alívio à Casa da Moeda dos EstadosUnidos, voltando a colocar o custo do níquel em linha com seu valor de face.Fonte: Valor EconômicoSERRA PELADA AGUARDA O SEGUNDO CICLO DO OURODa estrada que liga Marabá a Parauapebas, no sudeste paraense, dá para ver os sinais daconstrução de 30 barracos de 6 metros por 80 metros que estão sendo erguidos para abrigar 15 milgarimpeiros. Há 700 ônibus contratados para trazer a Curionópolis, a cidade que prepara a festa, umamultidão de 40 mil homens em 7 de maio. Nesse dia, a expectativa é que o presidente Luiz Inácio Lulada Silva entregue à cooperativa de garimpeiros a concessão de lavra de uma área de 100 hectares. Seisso ocorrer, será o início do segundo ciclo de exploração de ouro em Serra Pelada, o lugar que nosanos 80 ficou conhecido como o maior garimpo a céu aberto do mundo.A empresa canadense Colossus pesquisou nos últimos três anos o solo de uma área muitopróxima à famosa cava de Serra Pelada e descobriu ali um veio de 50 toneladas de minério. Dessas,33 toneladas são de ouro, 6,7 de platina e 10,6 de paládio. Ninguém sabe exatamente quanto ourofoi extraído do imenso buraco onde 100 mil homens trabalharam em frenesi de 1979 a 1994, indo evindo, num gigantesco formigueiro humano. Números oficiais falam em algo próximo a 40 toneladas,naquela ocasião. A mina que a Colossus pretende explorar agora significa R$ 2,28 bilhões - só emouro.O Planalto não confirma ainda a vinda do presidente Lula. O Ministério das Minas e Energiatambém não bate o martelo sobre a presença do ministro Márcio Zimmermann. Na verdade, técnicosdo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) ainda analisam o processo para ver se estátudo certo, mas a direção da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada(Coomigasp), que detém a concessão da área, já prepara o palanque junto com a prefeitura deCurionópolis, da qual Serra Pelada é um distrito. "Foi o senador Lobão quem conversou com aresponsável pela agenda do presidente e está tudo confirmado", diz Gesse Simão de Melo,presidente da Coomigasp, a maior cooperativa da região, com cerca de 40 mil associados. Ele serefere à ação do ex-ministro das Minas e Energia Edison Lobão. "O senador gravou um DVDconvidando os garimpeiros para a festa. O DVD está no mundo, rodando para todo lugar", diz Melo.A visita do presidente Lula seria para entregar a concessão de lavra à Serra Pelada Companhiade Desenvolvimento Mineral (SPE), empresa formada pela cooperativa de garimpeiros e a Colossus.Vem sendo anunciada há muito tempo, mas continuamente adiada. Os técnicos do DNPM sedebruçam sobre os detalhes de um processo complicado que passa pelo recadastramento dos sóciosda cooperativa e pagamento de tributos. No outro front, o geólogo Heleno Costa, da ColossusGeologia e Participações, diz que o script foi cumprido: depois de comprovada a viabilidadeeconômica, era preciso ter o plano de exploração da jazida e finalmente a aprovação do Estudo deImpacto Ambiental. Em 17 de abril, a Secretaria do Meio Ambiente do Pará liberou a licença deinstalação (L.I.) que permite a exploração do garimpo de forma mecanizada.Essa segunda fase de Serra Pelada começou em fevereiro de 2007, quando a Vale, dona de 10mil hectares na região - onde explora ferro -, devolveu a concessão dos 100 hectares do antigogarimpo ao DNPM. O órgão, por sua vez, passou a concessão à cooperativa de garimpeiros. ACoomigasp recebeu um alvará de pesquisa com prazo de três anos para estudar a viabilidadeeconômica do local.O ressurgimento de Serra Pelada não será mais por extração manual. A mineração mecânicaocorrerá a 160 metros de profundidade. A partir de uma rampa inclinada, com abertura de 4 metros


de largura e 1,6 quilômetro de extensão, partirão galerias. No projeto da Colossus, a previsão é de secriar 520 empregos diretos e 1.200 indiretos na fase de implantação e mais 350 durante a operaçãoda mina. A empresa prevê investir R$ 120 milhões nos oito anos de exploração da lavra subterrânea.No desenho atual do consórcio, o dinheiro que virá do garimpo será dividido entre a Colossus,que ficará com 75%, e a Coomigasp, com 25%. Essa divisão produziu muita polêmica entre osgarimpeiros, que se distribuem entre oito cooperativas. "O governo deveria evitar dar o que é nossopara os estrangeiros" diz Etevaldo Arantes, porta-voz do Movimento de Trabalhadores e Garimpeirosna Mineração (MTM), que se opõe ao projeto. "Deveria dar o dinheiro para nós, para que os própriosgarimpeiros possam financiar a exploração."Costa, da Colossus, explica como foi feita a arquitetura do negócio. Pela primeira proposta doscanadenses a Colossus tinha toda a responsabilidade pela pesquisa. Investiria R$ 6 milhões e teria51% na sociedade com os garimpeiros. Mas se a pesquisa necessitasse de mais recursos, ambosteriam que investir outros R$ 12 milhões ou as participações "seriam diluídas."A Colossus investiu, sozinha, mais de R$ 20 milhões, segundo Costa. Nesse meio tempo, adireção da cooperativa mudou e assumiu Melo. Os novos diretores resolveram rever o contrato ealteraram alguns pontos. A Coomigasp ficaria com 25% de participação mas negociou um prêmio: R$1.450,00 para cada quilo de ouro, platina ou paládio vendido. O preço da platina hoje é superior aodo ouro; o do paládio, bem inferior. "Se a retirada de paládio for superior ao que imaginamos, elesganham", diz o geólogo. Os canadenses ganham se sair mais platina. As modificações contratuaisforam aprovadas em assembleia de garimpeiros.Se a outorga da concessão de lavra ocorrer em 7 de maio, como esperam os canadenses, aprefeitura de Curionópolis e a Coomigasp, "em junho a gente começa", diz Costa, que preside a SPE.Ele calcula 1,5 ano para a fase de construção da rampa e galerias, alojamentos e escritório. Paraobter a licença de operação (L.O.) será preciso detalhar o plano ambiental do projeto. "Fizemos 29programas ambientais e sociais", diz o geólogo. "O problema é que ali há um enorme passivoambiental."Na vila de Serra Pelada vivem cerca de seis mil pessoas. Muitos são antigos garimpeiros quenunca saíram de lá. Todos acreditam que ainda há muito ouro ali. Alguns garimpam no cascalho ouem buracos nas proximidades da famosa cava - hoje, um grande lago. "Aqui era um monte, que osgarimpeiros trouxeram nas costas", aponta Etevaldo Arantes. Os garimpeiros parecem ter razãoquanto à crença de estarem pisando em ouro. "A tendência, quando se começa a abrir uma mina, éela crescer", diz Costa, da Colossus.Fonte: Valor EconômicoROYALTIES E COMPENSAÇÕES FINANCEIRASO debate no Congresso em torno dos royalties do petróleo aproximou do cidadão comum umtema antes restrito a executivos e a governantes. De uma hora para a outra, todos passaram a teropinião sobre o assunto. Defensores apaixonados (contra ou a favor da mudança) apresentam seuspontos de vista nos meios de comunicação, nas ruas e nas mesas de bar.Afinal, o cidadão sabe o que está sendo discutido no Congresso? Tem conhecimento de que éele quem paga os royalties do petróleo e a Cefem (Compensação Financeira pela Exploração deRecursos Minerais), no caso da mineração? Tais taxas incidem sobre alimentos, fertilizantes, energiaelétrica, pedra, cimento, brita, aço, minério de ferro, cobre etc.


Portanto, cada um de nós arca com uma parte dessa conta ao pagar a taxa de luz, adquirir umaparelho eletrônico, utilizar os meios de transporte, construir uma casa. Já que os recursos saem dobolso da população, é legítima a explicação do uso desse dinheiro. O mesmo vale para qualqueralteração de alíquota ou distribuição desses recursos.Os "impostos" relativos ao petróleo e aos minerais foram criados para compensar Estados emunicípios em cujos territórios tais recursos existem e são economicamente usados, bem como aUnião, proprietária das riquezas do subsolo nacional. A instalação de empreendimentos desse portepressupõe aumento de população e, consequentemente, necessidade de investimento eminfraestrutura para amenizar o impacto na vida dos moradores. Alguns municípios são exemplares nouso desses tributos, aplicando-os em infraestrutura e em educação, melhorando a condição de vidadas pessoas. É o caso de Itabira, que tem o melhor IDH de Minas Gerais e um dos maiores do país,porque soube investir os recursos relativos à Cefem. Os royalties têm sido mais um tributo para ogasto público do que compensação para os municípios.Mesmo assim, o Brasil desconhece se o que é pago pelas empresas é suficiente ou não paracompensar o impacto das atividades de extração mineral e de petróleo. São justos os royalties dopetróleo e da mineração? O percentual pago representa muito ou pouco se comparado ao praticadonos países concorrentes?O dinheiro é utilizado de forma correta para compensar o impacto deixado pelas empresas?As atividades só causam prejuízos ou também acarretam benefícios? Talvez seja a hora de aproveitara atenção dedicada ao tema para ampliar a discussão.Os investimentos na mineração e na exploração do petróleo geram outros impostos? Criamempregos?Induzem o desenvolvimento? As empresas preocupadas com a sustentabilidade também nãocontribuem com investimentos em cultura, em infraestrutura, em saúde, em educação e em gestãopública, além do que já pagam de royalties e de Cefem? Quem arca com os gastos em infraestrutura?Dependendo da resposta a tais perguntas, pode-se descobrir que qualquer mudança nas regras vaigerar distorções ainda maiores do que se imagina.Todo cuidado é pouco. Queremos o desenvolvimento sustentável e a estabilidade das regrasque estão dando certo. Mas o que realmente importa é que, sem investimento, não se vai a lugaralgum.Fonte: Roger Agnelli, na Folha de São PauloGARIMPO TERÁ INVESTIMENTOS DE R$ 2,5 MILHÕES NA PARAÍBACerca de R$ 2,5 milhões serão investidos na aquisição de equipamentos, cursos dequalificação e ações de prevenção de doenças entre os garimpeiros da Paraíba. O anúncio foi feito namanhã deste sábado (24) durante o Fórum das Cooperativas de Pequenos Mineradores do Seridó,que teve a presença do governador José Maranhão. O evento ocorreu na cidade de Nova Palmeira,na região do Curimataú, no interior do Estado, e reuniu cerca de 300 trabalhadores da atividade.Entre outras instituições, o fórum teve a presença de representantes das cooperativas demineradores, do Sebrae, do Governo do Estado e do Banco do Nordeste.De acordo com o secretário executivo de Estado de Indústria e Comércio, Antônio Quirino, osrecursos virão através de parceria firmada entre os governos da Paraíba e federal, além de bancos eoutras entidades. Ele destacou que a finalidade é incentivar a atividade de extração de minérios, jáque a Paraíba é exportadora de substâncias, como o caulim e o quartzo.


“Além desses investimentos, o governo beneficiou os trabalhadores dessa área, quandobaixou a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 17% para 4%.Essa redução é apenas para mineradores cooperados, o que ajuda a reduzir o número de garimpeirosinformais atuando na área”, declarou.O governador José Maranhão, que conheceu de perto alguns minérios extraídos na região eque estavam em exposição durante o evento, disse que reduziu a alíquota com a intenção demelhorar o trabalho no garimpo. “Esse incentivo fiscal tem o objetivo de viabilizar o garimpo,sobretudo, visando o aperfeiçoamento dos trabalhos e a sua comercialização”, declarou.A mineração está entre as mais importantes atividades econômicas da Paraíba e é a maisrentável na cidade de Nova Palmeira, de acordo com o prefeito da cidade, José Petronilho de Araújo.“A atividade econômica da população daqui se caracteriza principalmente por agricultura desubsistência. E a mineração aparece como uma atividade complementar”, declarou.Ele considerou importante a realização do fórum, já que, durante o evento os mineradoresassistiram a palestras que abordaram temas como seguridade e direitos e formas de prevenção dedoenças ocupacionais. Os garimpeiros ainda foram informados sobre o Programa deDesenvolvimento da Mineração Paraibana (Promin) que vai acompanhar a aplicação dos quase R$ 2,5milhões na mineração.O coordenador do Promin, o engenheiro de Minas, Marcelo Falcão, disse que o garimpo, emtempos atrás, era considerada atividade de alto risco que trazia sérios danos para saúde dotrabalhador. Agora, o Promin está adquirindo recursos e ações para reduzir esses riscos e melhoraressa atividade no Estado. “Acho muito importante esse apoio do governo do Estado, já que regiõescomo a Seridó e Curimataú são muito dependentes da mineração”, observou o prefeito JoséPetronilho.Fonte: Paraí-bê-a-báSEMINÁRIO INCENTIVA O FINANCIAMENTO À PESQUISA MINERAL NO BRASILRealizado em 6 de abril, no Hotel Mercure Lourdes, em Belo Horizonte o Seminário: Incentivoe Financiamento à Pesquisa Mineral no Brasil foi promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá(CCBC) em parceria com a Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SGM), doMinistério de Minas e Energia (MME).O evento foi aberto pelo Secretário Adjunto de Geologia, Carlos Nogueira e por GuilhermeQuentel, representando o presidente da Comissão de Mineração da CCBC, José Roberto MendesFreire. No Seminário foi mostrada a experiência Canadense no financiamento do setor de mineração,além de se debater as perspectivas do Brasil nesse segmento, visando tornar disponíveis mecanismosque possam ser adaptados e utilizados pelo setor de mineração do nosso País.Na ocasião, foram realizadas palestras sobre temas incluindo o desenvolvimento demecanismos financeiros para avaliação de recursos minerais, passando por garantias definanciamentos e captação de capital de risco para as atividades de pesquisa e extração mineral.O diretor-geral do DNPM, Miguel Nery, proferiu palestra sobre propostas de atualização deinstrumentos de financiamento, particularmente sobre a atualização dos conceitos de recursos ereservas minerais. Ele explicou que, é necessário a atualização desses conceitos no País para sermosmais competitivos na atração de investimento. “Precisamos nos alinhar com práticas adotadas porpaíses como o Canadá e Africa do Sul que são players globais tendo desenvolvido procedimentos queproporcionam a aumento no fluxo de investimentos de risco”, afirmou Miguel Nery.


As apresentações contaram com as participações do diretor-geral da Aura Minerals no Brasil,Carlos Bertoni, do diretor de Gestão das Políticas de Geologia, Mineração e Transformação Mineral,da (SGM/MME), Telton Elber Corrêa e do chefe do Departamento da Indústria de Base do BancoNacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Sérgio Moreira da Fonseca.Os representantes canadenses, no evento foram Oliver Bonham, CEO do Canadian Council ofProfessional Geoscientists (Conselho Canadense de Profissionais Geocentistas), Andrea Waldie,diretora executiva da Association of Professional Geoscientists of Ontario (Associação de ProfissionaisGeocentistas de Ontário) e Bill Pearson, fundador da Association of Professional Geoscientists ofOntário e presidente da Tucano Exploration.Fonte: ASCOM/DNPMCHÁVEZ AMEAÇA RETIRAR CONCESSÕES DE MINERADORAS DE OUROO presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaçou retirar concessões de minas de ouro, apósacusar as empresas do setor de prejudicar o meio ambiente e violar os direitos dos trabalhadores."Não podemos permitir que máfias capitalistas nacionais e multinacionais sigam destruindonossa pátria", expressou o mandatário durante o programa de rádio"Alô, presidente".O presidente criticou as mineradoras, classificando os empresários do setor como"gentelouca", que não se importa em devastar selvas virgens do país ao mesmo tempo em que explora ostrabalhadores.Chávez - que já realizou estatizações nos setores siderúrgico, elétrico, cimenteiro, petroleiro ede telecomunicações - sinalizou que as concessões de minas de ouro poderão ser revogadas etomadas pelo Estado. As mineradoras rechaçam as acusações de violação das normas ambientais.Nos últimos anos, o governo de Chávez tem sustentado frequentes confrontos com asmineradoras nacionais e estrangeiras sobre as permissões para exploração em regiões ricas em ouroe diamantes no sudeste do país.A exploração do metal pela iniciativa privada entrou em um período de maior incerteza com ocompromisso de Chávez de aumentar o controle do Estado sobre os recursos minerais, como formade reduzir a grande dependência do país dos recursos gerados pelo petróleo.No ano passado, o governo assumiu o controle de uma mina de ouro que era explorada pelaempresa americana Gold Reserve Inc., com reservas de ouro estimadas em 10,2 milhões de onças deouro.Em 2008, a empresa canadense Crystallex International informou que o Ministério do MeioAmbiente da Venezuela negou uma permissão para a mina de ouro Las Cristinas, que tem reservasestimadas em 17 milhões de onças de ouro.Ontem, Chávez também responsabilizou a mineração ilegal pelos estragos ao meio ambiente,uma vez que com frequência os resíduos de mercúrio - utilizado para a separação do ouro da terra -são jogados nos rios. Esses mineiros também são acusados de derrubar árvores."Isso é um crime que não podemos seguir permitindo. Olhem como fica a floresta com aexploração ilegal do ouro", afirmou Chávez, que já ordenou ao comando militar o envio de soldados aregiões afetadas.Fonte: Associated Press


SUL DO PARÁ CONCENTRA MINAS DA VALEA quase totalidade dos 29 municípios do Sudeste do Pará, região que daria origem ao Estadodo Carajás, tem presença maçica da Vale. A empresa deve investir bilhões na região nos próximosanos, o que tem feito a região crescer vertiginosamente e atrair migrantes dos Estados mais pobresdo país, gerando graves problemas sociais. Um estudo encomendado pela Vale mostra que a taxa decrescimento de emprego chega a 18% ao ano.Oficialmente, a empresa não se manifesta sobre o assunto, embora seja unânime entre osparlamentares que ela será a grande beneficiada com a eventual separação: todos os seus principaisnegócios no país estarão concentrados em um Estado diminuto, no qual poderá exercer maiorinfluência política e abortar os constantes conflitos com Belém."Ou emancipamos ou será o inferno. Não dá para viver com um Estado ausente, não porintenção, mas por dificuldade de ser presente pela longa distância da capital e difícil acesso. Adescentralização é o melhor caminho", diz o deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA), defensor do novoEstado.Ele cita a experiência vivida nos Estados mais recentes do país, como Tocantins,desmembrado de Goiás em 1988, e Mato Grosso do Sul, formado a partir do Mato Grosso em 1977,que desenvolveram suas economias após a separação. Para ele, mesmo Amapá e Roraima, antigosterritórios federais transformados em Estados na última Constituição, só melhoraram com aemancipação, muito embora ainda tenham sua receita composta majoritariamente pelastransferências da União.A comunidade política e civil de Belém, por sua vez, tem se posicionado contrariamente aoprojeto. Para a governadora Ana Júlia Carepa (PT), dividir vai na contramão da tendência mundial. "Asestratégias de desenvolvimento são para derrubar fronteiras, não para construí-las", diz ela, quegarante ter reduzido a sensação de abandono das áreas separatistas a partir da ampliação dosrepasses aos municípios e com a criação de um núcleo administrativo em cada uma dessas áreas.Mesmo assim, por que então o projeto avançou sob seu mandato? "É um tema recorrente e teminteresses de todos os tipos envolvidos, políticos e econômicos", diz, assegurando que, entre aprovarno Congresso e a realização de fato do plebiscito "tem muita coisa para acontecer". O Valor pediu aogoverno paraense dados sobre investimentos nas áreas separatistas, mas não teve seu pedidoatendido.De fato, a aprovação na Câmara não significa automaticamente a ocorrência do plebiscito. Épreciso que a Justiça Eleitoral Estadual organize a consulta e que a Assembleia Legislativa semanifeste sobre ela, se for aprovada pela população. Depois o assunto volta ao Congresso, queprecisa aprovar uma lei complementar federal com a estrutura administrativa do novo Estado. Foidevido a esse trâmite que os separatistas paraenses conduziram as articulações juntos, pois, assim,chegam perto de 40% dos eleitores do Pará.Também contrário à divisão, mas por motivos diversos dos da governadora, o deputadoZenaldo Coutinho (PSDB-PA) é o único da bancada federal paraense a se opor à votação. "Não háqualquer estudo de viabilidade socioeconômica dos três novos Estados. A consulta popular só éaconselhável se tiver uma projeção da melhoria de vida da população envolvida e uma estratégia deocupação", diz. Para ele, retirar a região de Carajás inviabiliza as outras duas regiões remanescentes,já que nela estão praticamente todo o minério e grande parte do rebanho bovino do Estado, oterceiro maior do país. Além disso, Tapajós tem mais de 80% de seu território cobertos por reservasindígenas e florestais, que representam 10% do PIB inteiro do Pará atual. "Tapajós será um Estadopobre, totalmente dependente da União, com uma administração cara e grande danos ao meioambiente pelo processo migratório que vai estimular", afirma.


O governo federal não se manifesta sobre o assunto, embora já tenham sido feitos diversospareceres favoráveis à criação de novos Estados no Ministério da Integração Nacional - inclusive paraCarajás. Isso ocorreu com maior intensidade no primeiro mandato de Lula, quando o deputadofederal Ciro Gomes (PSB-CE) era ministro e, além de ter convicção pessoal sobre benefícios dadescentralização, atendia ao estabelecido no programa de governo de Lula em 2002: "Realizarestudos detalhados das propostas para criação de novos Estados, (...) estabelecer práticas demediação entre os setores interessados, para subsidiar o Congresso na votação da criação novasunidades federadas."Para a votação de Carajás e Tapajós, a bancada governista deve ser liberada, embora o líderdo governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), seja contrário: "Sai caro para o país, que já paga muito porEstados que não são autossustentáveis". Ele diz, todavia, haver um acordo com os deputadosenvolvidos para que se vote a realização ou não do plebiscito, mas que ele só seria realizado a partirde 2011.Fonte: Valor EconômicoIMPOSTO PARA EXPORTAR MINÉRIO: IDEIA PERIGOSAEm consequência do aumento expressivo dos preços das commodities de natureza mineral,em especial a de minério de ferro ao longo dos últimos anos e neste, em particular função da fortedemanda chinesa, o governo indiano, por iniciativa de seu Ministério das Finanças, anunciou no finaldo ano passado a imposição de um imposto específico, no valor de 5%, sobre as exportações deminério de ferro do tipo fino, e uma alíquota de 10% sobre as exportações de minério granulado. Issodeve constituir uma arrecadação de 4% a 5% por tonelada ao custo do produto exportado pela Índiae quase todo consumido pela China.A princípio, tal aumento não tem fortes impactos no nível de preços do mercado global deminério de ferro, parece mais uma taxa de equalização do preço do minério indiano aos preços dominério brasileiro e australiano, em função da vantagem competitiva logística que a Índia temdecorrente de um custo menor no frete de seu produto por sua localização geográfica no continenteasiático O tema passaria despercebido no Brasil se não houvesse o projeto de lei número 6633/09 emtrâmite na Câmara dos Deputados, de autoria do deputado Carlos Brandão (PSDB-MA) queestabelece alíquota fixa de 10% de imposto para a exportação de minério, concedendo ao PoderExecutivo, em seu artigo segundo, poder para, eventualmente, ampliar esse valor.Justificando seu projeto, o autor cita que o Brasil é o segundo maior produtor de minério deferro, atrás apenas da China, e argumenta que a produção doméstica foi em 2008 de 409 milhões detoneladas, o equivalente a 20% do produção mundial.O texto de justificativa acrescenta ainda que, enquanto as exportações brasileiras, com 2008como referência, foram de 298 milhões de toneladas, equivalentes a um valor FOB de US$ 16 bilhões,o que representa um aumento de 11% em quantidade, e de 52% de valor nas exportações.O texto também explora o possível diferencial entre a exportação de minério de ferro e abaixa capacidade instalada das siderurgias brasileiras, de apenas 41,5 % de toneladas de aço bruto.Segundo o autor, este diferencial entre o minério extraído e o industrializado é desfavorávelao Brasil, por não agregar valor às nossas exportações.O deputado afirma no texto que, no terceiro trimestre de 2009, cerca de 70 milhões detoneladas de minério de ferro e pelotas foram exportados por uma única empresa. Para argumentar,cita o exemplo de que uma determinada siderúrgica brasileira compra, anualmente, cerca de 7milhões de toneladas de minério de ferro fino por R$ 210 milhões, e recebe R$ 1,8 bilhão pelaexportação de suas placas. Segundo o autor, haveria um ganho de R$ 1,5 bilhão.


A bem da verdade econômica, a história não é bem essa, pois neste diferencial está o custo daenergia – intensiva no caso os valores do investimento em altos fornos e na aquisição e investimentoem plantas inteiras para a elaboração de placas de aço.Se contarmos o valor adicionado por unidade de fator de produção ao longo da escala deprodução, vamos ver que a rentabilidade líquida do negócio não apresenta grandes distorções emrelação às atividades industriais – margens de 8% a 10% (descontados os impostos).O assunto não produziria maiores impactos se não fosse a nota do respeitado jornalistaGuilherme Barros, em sua Coluna no IG.com, que apresenta a ideia, o conceito, e a forma da taxaçãosobre as exportações de minérios de ferro para ainda este ano (imposto sobre a exportação nãoobedece ao princípio da necessidade constitucional de anualidade para a incidência).O jornalista avalia a questão como fato já decidido, e com apoio dos Ministérios da Fazenda ede Minas e Energia.Hoje, a exportação de minério de ferro é isenta de tributação no Brasil .Todos sabemos que a tomada de decisões de tal natureza pela equipe econômica do governoserá muito difícil, tal é a complexidade do assunto em tela e os contratos de oferta firme já firmadosentre empresas brasileiras e empresas de fora do Brasil.Haverá prejuízos, advindos de possíveis adimplementos de tais contratos, por forçasuperveniente à vontade das partes, fora os efeitos destruidores do patrimônio societário edesvalorização das cotações das ações de empresas produtoras e exportadoras de tais commodities,cotadas nos mercados bursáteis aqui e no exterior.Como economista especializado em macroeconomia e finanças, eu teria uma grande cautelana tomada de decisões sobre esse tema, dada a diversidade de efeitos colaterais. Mas creio, e de fatoé verdadeiro, que o conjunto de informações à disposição das autoridades econômicas e monetáriasé maior que o meu, por definição. Contudo, acredito que o tema deveria ser mais explorado eanalisado com as devidas ressalvas, incluindo nestas variáveis o efeito intervencionista do Estado eseus impactos negativos e positivos. O ministro Guido Mantega é extremamente competente, e temdemonstrado ser cauteloso no lidar com temas desta magnitude, sempre olhando sobre uma óticamais ampla e complexa. Até porque os sinais emitidos agora podem ser indicadores deinterpretações equivocadas pelos agentes econômicos, com consequente impacto sobre aaceitabilidade da candidata Dilma Roussef no meio empresarial.Este ambiente não admite medidas unilaterais e intervenções no livre funcionamento dosmercados, em especial no comércio externo. Mas calma e temperança são dois grandes instrumentosdos estadistas, o que é sem dúvida o caso de nosso ministro da Fazenda.Fonte: Jornal do BrasilREGIÃO SUDOESTE É A PREFERIDA DAS EMPRESASO setor da mineração e beneficiamento aparece como a segunda área com maisinvestimentos, com previsão de R$ 5,01 bilhões. O aumento da demanda mundial por commoditiesminerais, após sinais do fim da crise financeira, fez com que empresas de mineração retomassem osinvestimentos previstos. Um dos grandes projetos previstos para Goiás é o do grupo Votorantim, queinvestirá mais R$ 2 bilhões em Montes Claros de Goiás e Niquelândia.Logo em seguida está a indústria de metal-mecânica, que obteve destaque graças àmontadora Mitsubishi Motors do Brasil, que deverá investir cerca de R$ 800 milhões na sua unidadede Catalão, no Sudeste Goiano. “Com os investimentos serão criados mais duas plataformas para as


montagens do utilitário Pajero Dakar e do carro de passeio Lancer, além da possibilidade de produziroutros modelos. Por isso, este crescimento na participação de investimento do setor”, afirma.Em quarto aparece o setor se alimentos e bebidas. Apenas a empresa Fugini Alimentos Ltda.,conforme a Seplan, vai investir cerca de R$ 200 milhões em Cristalina, com criação de 600 empregosdiretos e 3 mil indiretos. Cristalina, localizada na Região de Planejamento do Entorno do DistritoFederal, se consolida como um importante produtor de alimentos. Recentemente outro grupo, ofrancês Bonduelle, anunciou investimento na ordem de R$ 120 milhões, com a previsão de gerarcerca de 500 empregos diretos no município.RegiãoA Região do Sudoeste Goiano deverá receber a maior parte dos recursos, por conta dosinvestimentos nos setores sucroalcooleiro e alimentício. Mais de 16% das intenções estão voltadaspara esta área do Estado. “O Sudoeste tem a base de sua economia a atividade agroindustrial. É umvocação natural destinar esses possíveis investimentos para lT, diz o economista e agropecuaristaMiguel de Paiva.Outras quatro regiões que apresentaram concentração na intenção de investimentos foram:Oeste Goiano (15,44%), Sudeste Goiano (13,25%), Sul Goiano (13,06%) e Centro Goiano (12,42%).Fonte: Agência EstadoVOTORANTIM CIMENTOS ANUNCIA 8 NOVAS FÁBRICAS NO BRASILA Votorantim Cimentos anunciou hoje oito novas fábricas de cimento no Brasil, queconsumirão investimento de R$ 2,5 bilhões. As unidades serão construídas nos Estados do Paraná,Bahia, Ceará, Maranhão, Goiás, Mato Grosso e Pará (com duas fábricas).As novas fábricas fazem parte de investimentos de R$ 5 bilhões da Votorantim Cimentos parao período de 2007 a 2013, compreendendo 22 unidades. A intenção da companhia é "se antecipar àcrescente demanda por materiais básicos de construção no Brasil para manter o plenoabastecimento do mercado atual e futuro", conforme nota. No momento, a empresa tem cincofábricas de cimento em construção e nove em operação no País.Segundo o presidente da empresa, Walter Schalka, a Votorantim continua buscando ativos noexterior. No primeiro trimestre, a Votorantim adquiriu 21,2% de participação na Cimpor. "Ainternacionalização será gradual, de acordo com oportunidades que surjam", disse o executivo.Segundo Shalka, a negociação para a compra da participação da Lafarge na Cimpor foi feita durantemais de um ano.A Votorantim Cimentos está de olho nos mercados da Europa, Ásia e África. "A Cimpor seráuma plataforma para isso", afirmou. A América do Norte também é uma região de interesse daempresa.Na quinta-feira, 29, os novos conselheiros tomarão posse na Cimpor, entre eles, Schalka.Conforme o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Votorantim e Camargo Corrêaestão impedidas de participar na Cimpor Portugal de qualquer decisão sobre a Cimpor Brasil. Oacordo é para preservar a concorrência no mercado de cimento brasileiro, até que o Cade julgue omérito da questão. "Votorantim e Camargo Corrêa terão de sair da sala para qualquer decisãoreferente ao Brasil", disse o presidente da Votorantim Cimentos.Fonte: Agência Estado


MUDANÇA DE FOCOO geólogo suíço Ernesto Moeri chegou ao Brasil há 30 anos para trabalhar na área demineração. No país, viu crescer sua paixão pela natureza que, de quebra, o inspirou em seusnegócios. Hoje à frente do Grupo Ecogel - que atua no mercado de consultoria, engenharia eremediação ambiental com a Geloklock, Bachema e Bisol - prevê fechar o ano com R$ 60 milhões defaturamento. "Foi um passo longo e sofrido”, conta. A preocupação com os passivos e questõesambientais começou a ganhar corpo na década de 1980. Moeri então mudou o foco das operações:"Em vez de gerar riquezas minerais passamos a evitar prejuízos ambientais." A empresa que elecomeçou a tocar apenas com a ajuda de uma secretária ganhou fôlego entre 1995 e 1998. Hoje, abase de uma centena de clientes, em geral de grande porte e multinacionais, é atendida por 200funcionários .Fonte: Valor OnlineCHINA PODERIA ASSUMIR INVESTIMENTOS EM MINERAÇÃO BOLIVIANAO governo da China exteriorizou seu interesse para que empresas desse país realizeminvestimentos na mineração boliviana, informa hoje o diário estatal Cambio.Uma nota enviada pelo correspondente boliviano desta capital da nação asiática destacadeclarações neste sentido emitidas ontem pelo vice-chanceler, Li Jinzhang.A China sempre promove a participação na cooperação a países latino-americanos comempresas poderosas e de boa produtividade; esta sempre se desenvolve sobre a base de igualdade,benefício recíproco e ganho compartilhado, disse.No caso da mineração, o projeto estaria relacionado com a exploração de ferro no CerroMutún, em Santa Cruz (leste), muito comprometido pelo diferendo entre o Estado boliviano e aempresa indiana Jindal Steel and Power.Ontem, a Bolívia realizou a cobrança do segundo boleto de garantia à siderúrgica asiática, aqual colocou o contrato supermilionário em uma posição delicada.Não obstante, o apoio chinês seria para a outra metade do Cerro, que o governo bolivianoestá empenhado em colocar para produzir antes de 2015.A China tem atualmente uma importante presença na economia boliviana, e o mais recenteacordo bilateral aborda a colocação em marcha do projeto do satélite Tupac Katari.Fonte: Prensa Latina


MBAC APROVA PROJETO NO TOCANTINSO board da MBAC Fertilizers aprovou a implantação do projeto Arraias, no Tocantins,controlado pela subsidiária Itafós. O empreendimento, prevê a construção de uma planta de SSP,com capacidade para produzir 500 mil toneladas/ano e 170 mil t/ano de ácido sulfúrico, e de umamina para produção de 330 mil t/ano de concentrado de rocha fosfática com teor de 28% de P2O5.A expectativa é que a planta comece a operar em 2012, gerando cerca de 300 empregosdiretos. O investimento previsto é de US$ 169 milhões. Outros US$ 19 milhões deverão ser investidosna preparação da mina para a lavra. Com a aprovação pelo board, a implantação do projeto seráiniciada imediatamente.Fonte: Brasil Mineral OnLine, nº 449O AMIANTO NÃO É MAIS VILÃOQuem não se lembra de Cubatão, no litoral norte de São Paulo, batizada de “Vale da Morte”por causa da poluição? Não faz tanto tempo assim, no auge dos anos 80, a população vivialiteralmente dentro de uma bolha de poluentes produzidas por indústrias petroquímicas e chamava aatenção do mundo os casos das crianças que ali nasciam sem cérebro. Hoje, o quadro mudou tãoradicalmente – para melhor, claro – que essa imagem tende a se apagar da memória. Ambientalistasregistram o retorno dos guarás-vermelhos que haviam sido expulsos pela sujeira e a população detartarugas, micos e peixes-bois voltou a aumentar. O ar está mais puro.Esta reviravolta não se deve a um milagre, mas a dois fatores que caminham juntos e estãopresentes em outros setores da economia: a tomada de consciência das indústrias e as exigências deuma sociedade cada vez mais organizada.Ao se comemorar neste 28 de abril o Dia Mundial da Segurança e Saúde do Trabalho, umacidade do interior de Goiás, Minaçu, chama a atenção do mundo por lidar com um problema quetambém teve nos anos 80 os seus dias de vilão: o amianto. Naquela época, uma campanhainternacional chamava a atenção para os perigos à saúde dos trabalhadores decorrentes daexposição à poeira do mineral, responsável por doenças pulmonares graves. Minaçu abriga uma dasmaiores reservas mundiais de amianto crisotila, utilizado como matéria-prima numa infinidade deprodutos, dentre os quais os mais conhecidos são as caixas d’água e as telhas, que recobrem mais dametade das residências brasileiras – o que não é pouco. Estima-se que a cadeia produtiva do crisotila,da mineração às fábricas, do transporte ao comércio, emprega mais de 170 mil trabalhadores.O que fazer, então, com esse produto? Condená-lo ao banimento? Há quem argumente quepaíses da Europa já o fizeram, mas quase nunca é lembrado que eles utilizaram, e de forma errada nopassado, o tipo de amianto mais perigoso, o anfibólio, também banido do Brasil.Foi a conscientização em nosso País que levou ao desenvolvimento de instrumentos decontrole que garantem, atualmente, total segurança para o manuseio do produto. Além dos maciçosinvestimentos em novas tecnologias e em mecanismos para promover a saúde no ambiente dotrabalho, um Acordo Nacional para uso controlado e responsável do amianto crisotila, firmado entreempresários e trabalhadores, já completou 20 anos e reflete o compromisso voltado para o bemestarde quem lida com o produto. Esse acordo é único na história da segurança do trabalho no


Brasil. Dá aos trabalhadores total controle da mineração e das fábricas, inclusive, podendo paralisaras atividades caso entendam que há qualquer risco em suas operações. O ar que se respira na mina enas fábricas registra 0,02 fibras por centímetro cúbico. Para se ter uma ideia, a própria legislaçãodefine como seguro o ambiente de trabalho que registra 2 fibras por centímetro cúbico. É 20 vezesmenos!Esta data, portanto, é especialmente comemorada em Minaçu, pois o que parecia impossívelaconteceu: as doenças ocupacionais decorrentes do uso do amianto foram banidas. É motivo deorgulho para o Brasil e o mundo, e uma prova incontestável de que sempre há esperança quando sefaz a coisa certa.Fonte: MaxpressPROCESSO KIMBERLEY É TEMA DE SEMINÁRIOO Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), autarquia vinculada ao Ministério deMinas e Energia, realiza o “Seminário Venezuela Brasil: procedimentos e experiências da certificaçãodo Processo Kimberley”, em Brasília.Na abertura do evento, que começou nesta segunda-feira (26), Samir Nahass, assessorInternacional que estava representando a Secretaria de Geologia, Mineração e TransformaçãoMineral do Ministério de Minas e Energia (SGM/MME), discursou sobre a importância desse método.“O processo Kimberley se desenvolveu no Brasil aos poucos e hoje é referência para outros países”,disse Nahass, referindo-se à prática do sistema mundial de certificação para os diamantes brutosextraídos e comercializados legalmente.O Processo Kimberley tem como objetivo impedir o comércio de diamante sem um certificadode origem adequado. Todos os lotes de diamantes brutos importados e exportados deverão seracompanhados de certificado legítimo.No encontro, que termina nesta quarta-feira (28), vem sendo discutida a metodologiabrasileira de certificação, os aspectos processuais e de fiscalização, o funcionamento do FórumBrasileiro do Processo, ações do Itamaraty relacionadas ao tema, entre outros.Fonte: MME, notícia publicada em 29/04/2010MINERADORAS SE OPÕEM À NOVA LEI DE MINAS NA TANZÂNIAEm nota conjunta emitida nesta quarta-feira pela Câmara de Minerais e Energia da Tanzânia,as mineradoras com projetos no país do leste africano manifestaram sua oposição a uma nova lei queaumenta a cobrança de royalties na produção mineral, proíbe que companhias estrangeiras sedediquem à mineração de gemas e obriga as empresas a se listarem na Bolsa de Valores de Dar esSalaam. Ademais, a nova Lei de Minas aprovada pelo parlamento na semana passada determina queo governo terá uma participação nos projetos minerais futuros.As companhias classificaram o novo diploma legal como "distorcido", e creem que ele levará auma redução dos investimentos no setor futuramente. O texto pode receber emendas antes de


eceber a aprovação presidencial, o que as mineradoras esperam que aconteça. "O projeto falha aointerpretar o desejo da Tanzânia em se tornar destino preferencial para a exploração mineral e osinvestimentos", disse o comunicado da Câmara.Fonte: Geólogo.com.brJUNIOR COMPANIES DE OLHO NO SETOR DE FERRO E MANGANÊSTradicionais no segmento ouro, as “junior companies”, como são conhecidas as pequenasempresas de exploração e pesquisa mineral, já começam a olhar para o setor de minério de ferro emanganês. A mudança tem como pano de fundo a disparada no preço do insumo, que tornou viáveiseconomicamente alguns projetos antes descartados.Sócio de uma empresa especializada em pesquisa e desenvolvimento de projetos deexploração mineral, a Ad Hoc Consultores Associados, Luciano de Freitas Borges conta que hoje as“junior companies” estão ativas na busca de minas de ferro e manganês. “O mercado está anêmico,precisando de ferro na veia”, brinca o executivo. Até por isso, ressalta, os geólogos estão trabalhandopara suprir essa procura do mercado.“Recentemente uma empresa comprou por US$ 25 milhões uma área de minério de ferro a 40quilômetros de um porto, com 1,6 bilhão de toneladas descobertas por um sucateiro”, afirmouBorges, fazendo mistério sobre os envolvidos na negociação.Borges reclama, no entanto, da falta de investimentos em pesquisa mineral no Brasil. Dadosdo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) mostram que o Brasil respondeu por apenas 3% de todoos US$ 7,3 bilhões destinados à pesquisa mineral no mundo inteiro no ano passado.Já o Chile representa 5% dos gastos totais nessa área. O país que mais investe em pesquisa é oCanadá, que gasta US$ 16%. O presidente do Ibram, Paulo Camilo, faz eco às reclamações doconsultor. “Precisamos urgentemente de uma política de Estado com investimentos emlevantamento geológico”, concluiu.Fonte: Agência EstadoINDÚSTRIA DA MINERAÇÃO DEVE TER INVESTIMENTOS DE R$ 54 BI ATÉ 2010Cifra é 10,2% superior à estimativa feita em janeiro pelo Ibram; principal destinodos investimentos será o setor de minério de ferroO forte reaquecimento da demanda mundial por matérias-primas levou o Instituto Brasileirode Mineração (Ibram) a rever pela segunda vez este ano sua previsão de investimentos para o setoraté 2014. A nova cifra, de US$ 54 bilhões, é 10,2% acima da estimativa anterior feita em janeiro e seaproxima do nível pré-crise mundial, quando a entidade trabalhava com investimentos de US$ 57bilhões.


"O que antes imaginávamos que poderia acontecer no fim de 2011 ou em 2012 a gente jáprevê que possa acontecer no início de 2011. Estamos antecipando essa recuperação em um ano",afirmou em entrevista exclusiva à Agência Estado o presidente do Ibram, Paulo Camilo.O principal destino desses investimentos será o setor de minério de ferro, que, em função daforte demanda chinesa e dos sinais de recuperação da siderurgia europeia, conseguiu emplacar esteano um aumento de 100% no preço do insumo comercializado em contratos de longo prazo.A estimativa é de que os projetos de minério de ferro abocanhem 66% do total estimado: US$36,530 bilhões. A cifra significa um aumento de mais de US$ 5 bilhões na comparação com o últimolevantamento feito pelo Ibram em janeiro.Limite da capacidadeNos últimos meses, representantes da Vale, segunda maior mineradora do mundo e lídermundial em minério de ferro, têm informado que a companhia trabalha atualmente no limite de suacapacidade e que a demanda por insumos básicos já superou o período pré-crise. Para este ano, aVale programou um investimento recorde de US$ 12,9 bilhões.Segundo Camilo, a decisão das companhias de tirar da gaveta ou acelerar projetos deexpansão no setor vai permitir ao país dobrar sua produção de minério de ferro até 2014, pulandodos atuais 310 milhões para um patamar em torno de 620 milhões de toneladas anuais. "À medidaque você tem uma melhoria considerável no preço das commodities, os investimentos fazem cadavez mais sentido", explicou.Camilo lembra que o setor mineral é o maior responsável pelo investimento privado no País eque o crescimento da produção nacional se traduziu em benefícios para a balança comercial.Em 2009, os produtos minerais geraram US$ 12,599 bilhões de saldo para a balançacomercial, metade do registrado no período. Em 2006, os mesmo produtos geravam US$ 6,540bilhões, apenas 14% do saldo da balança. "Foi um incremento grande em um curto período", observaele.Pelas previsões do Ibram, o segundo setor que deve receber mais investimentos é o de níquel,com US$ 6,176 bilhões (12% do total). O valor é quase 90% superior ao estimado no últimolevantamento, que era de US$ 3,546 bilhões. Os investimentos vão possibilitar ao País ampliar suaprodução de níquel das atuais 75 mil toneladas para 190 mil toneladas em cinco anos.Viabilidade econômicaCamilo lembra que a recuperação do setor não está sustentada apenas por projetos deexpansão das grandes mineradoras no país, mas também de pequenas companhias, que estãoencontrando na recuperação dos preços uma viabilidade econômica para seus projetos. "Temos vistoum aumento maciço dos investimentos dos estrangeiros no País", explicou.Segundo ele, a recente alta no preço das matérias-primas deve elevar o valor da produçãomineral brasileira para US$ 30 bilhões, uma alta de 25% sobre os US$ 24 bilhões contabilizados noano passado. A cifra já incluiu o reajuste de 100% na cotação do minério de ferro comercializado emcontratos de longo prazo. Camilo destaca, entretanto, que o valor não leva em conta novas elevaçõesprevistas para metais, como o níquel.Fonte: Agência Estado


O VERGONHOSO "APAGÃO" DE ALUMÍNIO NO BRASILEm comunicado ao mercado e à imprensa, a Vale anunciou que transferiu todas as suasoperações na cadeia de alumínio para a empresa norueguesa Norsk Hydro.O valor total da operação é avaliado em US$ 4,9 bilhões e, em troca, a Vale vai receber US$1,1 bilhão em dinheiro e ações que vão lhe garantir 22% do capital da Hydro. A norueguesa assumetambém uma dívida US$ 700 milhões. [1]Com a transação, a Hydro passa a controlar no Brasil, em instalações existentes no Pará, 51%da fabricante de alumínio Albrás, 91% da produtora de alumina Alunorte e 81% da CAP, refinaria dealumina ainda em desenvolvimento. No futuro, também vai absorver 60% "Bauxite JV", empresa vaigerir a Paragominas, mineradora de bauxita da Vale, que é a terceira do mundo. Tem ainda a opçãode comprar o restante das suas ações, em duas parcelas de 20% cada uma, em 2013 e 2015.Como justificativa para o negócio, a Vale alegou que o grande gargalo para obter escala naprodução é o custo da energia, considerado elevado no Brasil para se fazer alumínio. "É um fatorfundamental para a competitividade nessa indústria", argumenta na nota. Vários grupos estãomigrando para o Oriente Médio e outras regiões onde o custo do MWhora fica na faixa de US$ 20.Com receita de US$ 11,4 bilhões em 2009, a empresa norueguesa assume o controle no Brasilum variado portfólio de ativos na cadeia de alumínio. Recebe uma fundição de metal com capacidadede 460 mil toneladas por ano (Albrás); uma refinaria de alumina (Alunorte), com porte de 6,3 milhõesde toneladas; a mineradora de bauxita Paragominas, que já faz 9,9 milhões de toneladas e templanos de chegar a 15 milhões; e o projeto da CAP. Essa nova refinaria de alumina, da qual a Hydro játinha 20%, começará com capacidade de 1,86 milhão de toneladas, mas seu desenho prevê chegar a7,4 milhões de toneladas em novas etapas de expansão.O principal executivo da Hydro, Svein Richard Brandtzaeg, deixou claro que o objetivo daempresa é o controle da matéria-prima: "A operação vai assegurar o fornecimento de bauxita ealumina para nossas operações, melhorando significativamente nossa competitividade e tornandonosfinanceiramente mais robustos e bem posicionados para crescer, tanto internacionalmentequanto na Noruega", disse ele. A empresa norueguesa reforçou que o negócio assegura suprimentode bauxita para sua produção para os próximos cem anos.Brandtzaeg não escondeu sua satisfação com o negócio: "Esse acordo leva a Hydro para umnovo patamar no cenário da indústria de alumínio global".Com a decisão da Vale, o sonho de verticalizar a produção de alumínio no Brasil vai para oespaço. Mais cedo que se imagina, o Brasil vai retornar à condição de grande produtor de matériaprima(bauxita e alumina) e passar a importar o metal para suprir sua indústria de transformação.Esse enorme prejuízo para o país decorre de vários equívocos anteriores, dos quais se destacaa predatória privatização da Vale do Rio Doce, que desguarneceu o Estado na estratégica área demineração, assim como a nefasta campanha do ambientalismo-indigenismo internacional contra aconstrução de grandes hidrelétricas na Amazônia. Uma das bandeiras dos ambientalistas é que oBrasil estava exportando energia elétrica, e não alumínio processado; a realidade agora passa a seroutra, exportaremos matéria-prima bruta e importaremos o alumínio industrializado.A crua ironia é que a empresa que assume agora o controle da cadeia do alumínio no Brasil éuma estatal da Noruega cujo governo, aliás, é conhecido por patrocinar, direta ou indiretamente,várias ações de ONGs ambientalistas e indigenistas por aqui.Fonte: Alerta Científico e Ambiental, ano 7, nº 17


A AMEAÇA DA CRISE DO FÓSFORO: O QUE FARÁ O BRASIL?O fósforo é um elemento fundamental para a agricultura moderna, pois é matéria-prima paraa produção de fertilizantes. Entretanto, os especialistas do setor alertam que o mundo pode estaratingindo um “pico do fósforo” – ou seja, uma transição para o declínio na produção mundial devidoao esgotamento das reservas. O que pode o Brasil, enquanto um dos maiores produtores agrícolas domundo, fazer para contornar tal preocupante cenário?Segundo um artigo publicado em 21 de abril no sítio alemão Spiegel Online (Hilmar Schmundt,“Experts Warn of Impending Phosporus Crisis”), são quatro os grandes produtores mundiais:Marrocos, China, Jordânia e África do Sul. Entretanto, as reservas internacionais estãoentrando em fase de declínio de produtividade. Segundo Dana Cordell, do Institute for SustainableFutures, de Sydney, Austrália, “é evidente que a qualidade das rochas fosfáticas remanescentes jáestá decrescendo, e fertilizantes baratos serão uma coisa do passado”. O artigo também ressalta queuma crise do fósforo é algo mais grave que a crise do petróleo, pois não há substituto para as suasfunções no sentido de viabilizar a agricultura mundial na escala de produtividade atual.Outro artigo, publicado pela revista Foreign Policy em 20 de abril (James Elser e Stuart White,“Peak Phosporus”), informa que, em 2008, cerca de 17 milhões de toneladas de fósforo foramconsumidas no mundo em forma de fertilizantes. O texto lembra ainda que a demanda internacionalpelo produto tem se ampliado a uma taxa de 3% ao ano – acompanhando o ascendente poder decompra dos países em desenvolvimento, que têm consumido mais carne, além do crescente setor debiocombustíveis, baseados em grandes centros agrícolas consumidores de fósforo.Um dos dados mais preocupantes é o divulgado pelo Global Research Initiative, cujaspesquisas preliminares apontam que as reservas de fósforo no mundo se esgotarão nos próximos 30a 40 anos. Ainda que se reconheça que novas pesquisas sejam necessárias, não é uma perspectivaconfortável.A expectativa é de que os reflexos da crise do fósforo se farão sentir muito antes daquelasdatas, pois o aumento da demanda por fertilizantes e o decréscimo da produção acarretarão numaumento exponencial dos preços no mercado internacional. Segundo Elser e White, de 2003 a 2008 opreço do fósforo aumentou cerca de 350%, sendo uma das causas dos aumentos de preços dosalimentos que provocaram os distúrbios populares em vários países, em 2008. Tais distúrbios foram oprimeiro sinal das negativas consequências de uma má gestão da questão dos fertilizantes.Em meio a tal cenário sombrio, o governo brasileiro tem debatido a definição de uma novapolítica nacional para o setor brasileiro de fertilizantes, que tem sido apontado pelos especialistasbrasileiros como extremamente volátil e vulnerável ao mau-humor dos mercados externos, e àsmanipulações do cartel instalado sob a liderança da multinacional Bunge. Segundo dados daFundação Getúlio Vargas (FGV) divulgados em 2008, somente no ano de 2007 houve uma inflação de71% nos preços dos fertilizantes comercializados no país.De fato, desde a privatização do setor de fertilizantes, o produtor brasileiro têm convividocom constantes altas no insumo agrícola, acarretando enormes custos adicionais para a atividade.Esta situação teve inicio durante o governo Collor, em 1992, com a privatização da Fosfértil e daUltrafértil, subsidiárias da Petrobras. Posteriormente, o setor passou a ser controlado pelas gigantesgraneleiras Bunge e Cargill, por intermédio de suas subsidiárias Yara e Mosaic.Outro aspecto importante é que, segundo artigo publicado n’O Estado de S. Paulo de 17 demarço de 2010, cerca de 74% do nitrogênio, 49% do fósforo e 92% do potássio consumidos naprodução de fertilizantes no País são importados, o que torna o setor agrícola brasileiro bastantevulnerável às intempéries do mercado externo. Entretanto, o país possui grandes reservas de fosfato,potássio, uréia e amônia, componentes básicos dos fertilizantes nitrogenados. Em entrevista à


Agência Brasil, a 18 de abril do ano passado, o então ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes,afirmou:“Está comprovado que o Brasil tem jazidas, tem depósitos suficientes para se tornar autosuficiente.O que precisamos é, em alguns casos, dimensionar melhor isso e, em outros casos,pesquisar um pouco mais, e em outras jazidas, inclusive, retomar de quem está com direito delicença tanto para pesquisa quanto de lavra e não as realizou”.Os ministérios da Agricultura e de Minas e Energia têm defendido a criação de uma estataldos fertilizantes como uma medida para auxiliar a iniciativa privada e os consumidores, ao combatero cartel instalado no setor. A solução defendida pelo governo federal não é estatizar a produção defertilizantes, mas sim criar um órgão, agência ou similar que tenha plenos poderes para intervir nosetor, evitando-se assim as manipulações da “mão invisível” do cartel da Bunge & cia.Os representantes dos produtores rurais no Congresso Nacional também tem expressadogrande preocupação em relação ao tema. Conforme documento elaborado pelos deputadosAbelardo Lupion e Luis Carlos Heinze, a Proposta de Fiscalização e Controle No.15, de 2007, éextremamente importante que o Estado brasileiro adote importantes medidas de curto e médioprazos para o setor de fertilizantes.Dentre as medidas, destacam-se a promoção de isenções fiscais para a importação decomponentes importantes, como o fósforo; a promoção de acordos econômicos com os paísesprodutores, de modo a permitir a importação direta; investimentos e incentivos à produção internade fertilizantes; e investimentos em infra-estrutura, de modo a se promover a redução dos custosfinais.Portanto, mais do que nunca, urge a consolidação de uma política intervencionista, no sentidode garantir aos produtores agrícolas brasileiros o acesso aos fertilizantes, a preços justos e comoferta estável – sob pena de sofrermos um grave risco de crise alimentar, podendo aqui se reproduziros distúrbios pelos alimentos de 2008.Alerta Científico Ambiental, ano 17, nº 17WWF QUER “DECAPITAR” FERROVIA OESTE-LESTEDomingo passado, um grupo de ONGs capitaneadas pelo WWF promoveu um “abraçosimbólico” em torno da Lagoa Encantada, em Ilhéus (BA), para protestar contra a criação de um portoprivado da empresa Bahia Mineração na Ponta do Tulha, no mesmo município. A alegação verde éque o empreendimento prevê o desmate de uma área de Mata Atlântica preservada equivalente ameio Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e que espécies endêmicas, como o macaco-prego-dopeito-amarelo,estariam ameaçadas de extinção.Um dos argumentos utilizados pelo WWF como justificativa para o cancelamento doempreendimento é que o Brasil, como signatário da Convenção sobre a Diversidade Biológica daOrganização das Nações Unidas (ONU) e da ICRI (International Coral Reef Initiative) - IniciativaInternacional dos Recifes de Coral, firmou compromissos no âmbito internacional para a proteção econservação da biodiversidade e que, além disso, a ONU declarou o ano de 2010 como o AnoInternacional da Biodiversidade, ano em que o Brasil se comprometeu oficialmente em eliminar odesmatamento na Mata Atlântica.Dias antes do manifesto das ONGs, o Ministério Público Federal em Ilhéus (BA) já haviaajuizado uma ação civil pública pedindo a suspensão da audiência pública convocada pelo Ibama comvistas ao processo de licenciamento ambiental do empreendimento.


Ora, porque será que o poderoso WWF se abalaria para organizar um protesto desse paraimpedir o desmatamento de “meio Ibirapuera’ – cerca de 80 hectares – por causa da construção deum porto privado em Ilhéus? O que pretende, de fato, é impedir a implantação do ComplexoPortuário projetado para Ilhéus – o chamado Porto Sul – que será a “cabeça” da estratégica ferroviaOeste-Leste e sua continuação até Vilhena, em Rondônia, o que poderia viabilizar o sonhado projetoda ferrovia Transulamericana, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico (Puerto Bayóvar, no Peru),idealizado pelo engenheiro Vasco Azevedo Neto, professor Emérito da Universidade Federal daBahia.Em uma primeira fase, a ferrovia Oeste-Leste (EF-334) ligará Ilhéus a Figueirópolis (TO),entroncando com a ferrovia Norte-Sul (EF-151), e daí entronca com a EF-246, ligando Uruaçu (GO) aVilhena (RO), totalizando cerca de 3,1 mil quilômetros de novas ferrovias. Recorde-se que, em 2008,a Câmara de Deputados aprovou a Medida Provisória 427, que promoveu uma verdadeira revoluçãono sistema ferroviário brasileiro e no próprio Plano Nacional de Viação (PNV), com a inclusão denovas ferrovias e a alteração e ampliação do traçado de outras já existentes ou em projeto. Ressalteseque uma das mudanças introduzidas na MP foi a que denomina a EF-246 (Uruaçu-Vilhena) comoTranscontinental Brasil-Peru.Em março passado, o presidente Lula e o governador baiano Jaques Wagner lançaram o editalde licitação para construção da Oeste-Leste (cerca de 1.400 km), um investimento de R$ 6 bilhões. Aprevisão é de que a primeira etapa da construção da ferrovia esteja concluída no primeiro semestrede 2011, a segunda no primeiro semestre de 2012 e toda a ferrovia até o final de 2012.Mapa da ferrovia Oeste-Leste (fonte: Valec)Resumindo, o WWF está arregimentando ONGs satélites para formar uma “coalizão” similar àque montou em meados da década de 1990 - a Rios Vivos - para impedir a implantação da hidroviaParaguai-Paraná, cujo projeto completo prevê a interligação das bacias Prata-Amazonas-Orenoco; é oprojeto da Grande Hidrovia, com 10 mil quilômetros de extensão ligando, pelo interior, o Caribe aoestuário do Prata . No caso agora, o objetivo estratégico do Establishment ambientalista é um só:“decapitar” a ferrovia Oeste-Leste para obstaculizar este vetor crucial de interiorização dodesenvolvimento brasileiro, mas também desencorajar qualquer pretensão para se concretizar umafutura ligação ferroviária interoceânica.Fonte: Alerta Científico Ambiental, ano 17, nº 16


UM EXEMPLO COMOVENTE:E ELE NEM SABIA QUE ERA SÁBIOA história do homem que nunca aprendeu a ler e a escrever, mas, ainda assim,lutou, há quase meio século, para que uma escola chegasse àquele fim de mundoonde vivia com a família. Salvou a vida de toda a comunidade e, sem imaginar,levou luz à escuridãoO dono desta história nunca lerá uma linha do que será escrito sobre ele nesta página. Nãoentenderá esse tanto de ponto e vírgula. Não juntará nenhuma palavra. E não o fará em decorrênciade nenhum problema visual. A visão dele é perfeita. Perfeitíssima até, para os anos que carrega. Estehomem não lerá porque a ele nunca as letras foram apresentadas. Muito provavelmente, um dosnove filhos, ou um dos 23 netos ou até mesmo um dos seis bisnetos se encarregarão de fazê-lo. E eleescutará o que tanto se falou dele.Este homem, a despeito do total desconhecimento das letras, salvou a vida da própria família.E a de todo o povo daquela comunidade a 70km de Brasília — tão perto e ao mesmo tempo tãodistante da capital. Sem assinar o próprio nome, ele levou o saber a uma gente que, de tão humilde,era invisível. E ali, no meio daquele nada, uma escolinha chegou.A professora, que veio de muito longe, chegava montada num burro. E os alunos andavamléguas. E o homem que nunca aprendeu a ler achava que tinha realizado o maior dos feitos. Hoje, elenão apenas acha. A certeza está marejada nos olhos humildes.E assim esta história — que lembra um roteiro de um filme bom — começará a ser contada. Odono dela é um ser de uma sabedoria única. Depois de conhecê-lo, a compreensão de vida, dedeterminação e de sonho se ampliam. Esta é a história de Santil Alves Ribeiro. A única, a melhor quejuntou. E, mesmo que nunca tenha rascunhado uma só linha foi a mais fantástica que escreveu.Filho de pai e mãe mineiros, Santil nasceu pelejando. Da região de Unaí, os pais, agricultorespobres, migraram para terras goianas. A falta de trabalho e a fome os enxotava de tempos emtempos. Pararam num lugar chamado Saco Grande, um povoado da então pequena Formosa. Raiavao ano de 1923. Ali, o menino comprido berrou pela primeira vez ao sair da barriga da mãe miudinha.Era o mais velho. Depois dele, vieram mais quatro. E a vida seguia. De concreto, só a fé que a mãecatólica carregava.Aos 15 anos, o pai do menino comprido morreu. A fome mais uma vez assustou a família. Oadolescente virou homem grande da noite para o dia. Assumiu o sustento da mãe e dos irmãos.Trabalhou de sol a sol em todas as terras alheias daquela região. Cuidava da terra e criava porcos.“Minha vida virou trabalho. Fui ficando moço velho”, conta.Um fazendeiro das terras onde ele trabalhava montou uma escola na região. Santil deu a vezaos irmãos. “Eu não podia estudar. Virei o pai da casa. Precisava trabalhar pra sustentar todos eles.”Os irmãos de Santil aprenderam um bocadinho do alfabeto. Casaram-se. Ele, além de solteiro, nuncaconheceu as letras que formavam seu nome. “Minha mãe um dia me disse que eu tinha que mecasar. Se não, ia ficar velho e sozinho.”Nova vidaAos 31 anos, com as mãos calejadas da enxada, Santil se casou. Era seis de agosto de 1957. “Jáera homem velho”, diz. Carmelita Guimarães, sua Lita, também não sabia as letras. Era filha deagricultores muito pobres. “Pedi emprestado pro meu patrão 600 mil réis pra comprar as coisinhasdela.” E ali, ele se casou. Não teve vestido de noiva nem festa. “Depois, trabalhei dobrado pra juntarum conto de réis e pagar a dívida.” Do Saco Grande, procurando melhores condições de vida, Santil e


Lita se mudaram para Lavrinhas, ainda em terras goianas. Ali, nasceu parte dos nove filhos. Temposdepois, chegaram ao DF, na região do Capão Seco — que hoje, nessas divisões geográficas confusas,pertence ao Paranoá. E a família estava completa: Maria, Antônio, Santino, Pedro, Flávia, Dulita,Marcos, José e Ivonice.E foi ali no Capão Seco do anos 1960, em plena ditadura militar, que o homem que nuncacopiou as letras começou a escrever sua melhor história. As crianças— dele e dos outros agricultores— cresciam. E não havia nenhuma escola por perto. O Exército ocupou a região. Fez sua baseestratégica. Militares de outros cantos deste país continental chegaram. Vinham acompanhados desuas mulheres. A melhor casa, pelo menos a de alvenaria, era dos homens de verde. E só havia ela. Oresto era barraco de tábua.Um dia, o comandante da missão que ocupava a região quis conhecer aquela gente. Mandouque Santil fosse àquela casa pintada de branco, no meio do cerradão. E lá se foi o homem, montadono seu burro. Depois de pouca conversa, o homem que não sabe ler lhe fez um pedido: “Seucomandante, aqui tem muita criança. Nenhuma sabe ler. Não dá pra montar uma escola por aqui?”.Surpreso, o homem de farda o encarou. Prometeu-lhe pensar no assunto.RenascimentoMas, dias depois, o comandante adoeceu e foi embora. Um outro, dessa vez um sargento,chegou pra ficar no lugar dele. “Moço, ele era brabo demais. Mas eu tive coragem e pedi a escola denovo. Disse assim pra ele: ‘Sargento, eu gosto de homem que fala na hora, gente que fala atrás damoita não me serve’. O homem tomou fé em mim naquele momento.”Duas semanas depois, a escola, num quartinho da casa branca de alvenaria, foi inaugurada. Ohomem que nunca leu saiu de casa em casa, montado no seu burro, comunicando as boas-novas. E opovo se encheu de alegria. Os filhos daquela gente nunca mais ficariam sem estudar. A professora?“Era a mulher do sargento, veio lá do Rio de Janeiro”, ele conta.Primeiro, foram os três filhos maiores de Santil. “A Lita brigou demais, sô. Me dizia: ‘Como éque esses meninos vão estudar, se nem roupa têm’. Eu respondia: ‘Faz mal, não. Veste a bermuda dealgodão neles e pronto. A chinela eles dividem. O que for estudar de manhã empresta pro que for àtarde.” E assim se fez. E assim a vida seguiu.Um dia, a escola ficou pequena demais para tanto menino. O Exército mudou para outrolugar, no Capão Seco, a 3km dali. Mais uma vez Santil juntou o povo e, juntos, construíram uma detábua. E foi o homem que nunca soletrou o próprio nome que ensinou a professora carioca a montarno burro pra chegar ao Capão Seco. “Nossa senhora, a mulher pelejou demais pra montar, masconseguiu...” Tempos depois, a professora foi embora. O marido foi transferido. E lá se foi o sargento.Em 1969, a Fundação Educacional assumiu a escola da zona rural. Virou Escola Classe Capão Seco —onde estudam os netos do homem que começou toda essa história. Quase meio século depois, Santilconta o começo de tudo com simplicidade comovente: “Uai, moço, o que não começa não pode terfim. Eu acreditei, lutei pra que meus filhos não ficassem como eu, colocando o dedão em tudo que épapel.”Rezador de ladainhaNa tarde da última quinta-feira, a convite do Correio, Santil, aos 87 anos, de calça jeans,camisa manga comprida, bota e chapéu de couro, voltou à escola que nasceu do seu sonho —mesmo que isso não conste de nenhuma biografia oficial. Naquele lugar simples, mas conduzido comamor pelas professoras e pela direção, as crianças o receberam como herói. aplaudiram-no. E ele sesentou, pela primeira vez, numa sala de aula. Nesse momento, a voz do homem humilde que andacomo lorde engasgou. E os olhos umedeceram. “Uai, não mereço isso tudo, não.”


Ao chegar à escola atual, fruto do seu sonho, emociona-se "Uai, sô, não mereço isso tudo, não!".Longe da escola, na sua terrinha de 11 hectares, ele fala do futuro. “Ah, sô, os anos já sãomuitos. Dizem que quem muito andou tá perto de chegar. Enquanto não chego, acordo com o cantardo galo. Aí, trato dos meus porquinhos no chiqueiro, tiro leite da vaca toda manhã, vejo meusboizinhos, como minha galinha criada no galinheiro (detalhe: toda a comida da casa é feita combanha do porco) e fumo meu fuminho enrolado na palha do milho.”Viúvo e saudoso de sua Lita há uma década, ela também, à moda dela, ajudou o marido asonhar com as letras. “Não era justo deixar esse povo analfabeto”, ele justifica. Planos? “Agora emjulho, vou dar pouso pro povo da Festa do Divino Espírito Santo”, responde o convicto devoto erezador de ladainha. Emocionado, Marcos Guimarães Ribeiro, policial militar de 38 anos, um dosfilhos do velho Santil, resume o pai: “Ele é o nosso exemplo de pureza, honestidade e humildade.Nosso herói”.Esse homem, simplesinho desse tanto, fez uma revolução num lugar improvável de quealguma coisa acontecesse. Trouxe a luz, quando ali só existia escuridão. E essa luz entrou pela retina,iluminou mentes, transformou almas e fez uma gente acreditar em sonhos. “Eu nunca pude ficar umminuto sentadinho num banco de escola”, diz, como lamento. Não foi preciso, Santil. A vida o tornounobre e sábio. De uma sabedoria tão comovente que, talvez, nenhum banco de escola fosse capaz delhe ensinar.Fonte: Correio Braziliense, Caderno Cidades, 02 de maio de 2010SENHORES DIRETORES E GERENTES, VAMOS SEGUIR O EXEMPLO DO SENHOR SANTIL E PLANTARESCOLAS NAS GROTAS DO NOSSO BRASIL ONDE ESTIVERMOS REALIZANDO PROJETOS DE PESQUISAMINERAL.


Maiores informações: www.ibram.org.brhttp://www.cbmina.org.br/www.exposibram.org.br

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