Etanol e açúcar - Canal : O jornal da bioenergia

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Etanol e açúcar - Canal : O jornal da bioenergia

www.canalbioenergia.com.brEm 2011, a energia e a confiança de vocês,parceiros e leitores, fizeram toda a diferença noresultado que alcançamos: informar comprofissionalismo e alta qualidade tudo que foidestaque no setor de bioenergia.Em 2012, estaremos novamente juntos nessacaminhada, unindo forças para novas conquistas.Boas Festas!São os votos de toda a equipe doCANAL-JORNAL DA BIOENERGIA


22 Produção familiarpequenos agricultoresgeram renda, empregoe impostos a partir daprodução eprocessamento dacana-de-açúcarIsmar Almeida/USJTropical BioEnergia15 crescimentoSetor sucroenergético édestaque no bomdesempenho do PIBgoiano. Redução deimpostos impulsionoua cadeia produtiva.Fotos: Divulgação04 EntrevistaIsmael Perina Junior, daOrplana, fala sobre osdesafios enfrentadospelos produtores decana e as perspectivaspara a próxima safra.10 GlicerinaMaior aproveitamento daglicerina resultante daprodução de biodieselainda é desafio. Partedo subproduto éexportada.28 Mais BrasilSímbolo do sincretismoreligioso, Salvador sedestaca pela mistura deraças, por suas praiasparadisíacas e pelasfestas populares.canal, o Jornal da Bioenergia, é uma publicação da MAC Editora eJor na lis mo Ltda. - CNPJ 05.751.593/0001-41Diretor Executivo: César Rezende - diretor@canalbioenergia.com.brDiretora Editorial: Mirian Tomé DRT-GO-629 - editor@canalbioenergia.com.brGerente Administrativo: Patrícia Arruda - financeiro@canalbioenergia.com.brgERENTE de atendimento COMERCIAL: Beth Ramos - comercial@canalbioenergia.com.brExecutiva de atendimento COMERCIAL: Tatiane Mendonça - atendimento@canalbioenergia.com.brEditor: Evandro Bittencourt DRT-GO - 00694 - redacao@canalbioenergia.com.brReportagem: Aline Leonardo, Evandro Bittencourt, Fernando Dantas e Mirian ToméEstagiária: Gilana Nunes - jornalismo@canalbioenergia.com.brDIREÇÃO DE ARTE: Fábio Santos - arte@canalbioenergia.com.brBanco de Imagens: UNICA - União da Agroindústria Canavieira de São Paulo: www.unica.com.br; SIFAEG - Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás: www.sifaeg.com.br; / Redação: Av. T-63, 984 - Conj. 215 - Ed. Monte Líbano Center, Setor Bueno - Goiânia -GO- Cep 74 230-100 Fone (62) 3093 4082 - Fax (62) 3093 4084 - email: canal@canalbioenergia.com.br / Tiragem: 9.000 exemplares / Impressão: Ellite Gráfica – ellitegrafica2003@yahoo.com.br / CANAL, o Jornal da Bioenergia não se responsabiliza pelos conceitos e opiniões emitidosnas reportagens e artigos assinados. Eles representam, literalmente, a opinião de seus autores.É autorizada a reprodução das matérias, desde que citada a fonte .Capa: Fotomontagem de Fábio Santos“Aqueles a quem o Senhor abençoapossuirão a terra.” (Salmo 37:22)Carta do editorA importância da cana para o BrasilMi ri an To méedi tor@ca nal bi o e ner gia.com.brA importância da cana-deaçúcarpara a economiabrasileira torna-se cada vezmaior, em razão dosinquestionáveis benefícios que essa cultura proporcionaa grande parte da população brasileira. Geração deemprego, renda, impostos, interiorização dodesenvolvimento são alguns deles.Mas engana-se quem pensa que o processamento damatéria-prima está só na mão de grandes empresários.Pequenos produtores, espalhados por todo o País e queutilizam basicamente a mão de obra familiar também sebeneficiam da cana e de seus subprodutos e resíduos.Pequenos, médios e grandes fornecedores dasindústrias sucroenergéticas completam esse time deagricultores que se dedicam à cultura e ajudam o Brasil aser o País com a matriz energética mais limpa do mundo.Nesta edição, um dos representantes desses dignosbrasileiros, Ismael Perina Júnior, presidente da Orplana,concede entrevista exclusiva ao Canal, em que fala sobrea necessidade de o governo estabelecer regras claraspara o setor produtivo e as perspectivas para as próximassafras.Em nossa reportagem de capa abordamos a evoluçãotecnológica que tem proporcionado a contínua reduçãodo uso da água nos processos industriais, o que torna aatividade canavieira ainda mais sustentável.Confira as demais reportagens e mantenha-se beminformado para começar 2012 antenado com os fatosmais importantes relacionados ao setor debiocombustíveis no Brasil.Boa leitura!www.twitter.com/canalBioenergiaAssine o CANAL, Jornal da Bioenergia - Tel. 62.3093-4082 assinaturas@canalbioenergia.com.brO CANAL é uma publicação mensal de circulação nacional e está disponível na internet nos endereços:www.canalbioenergia.com.br e www.sifaeg.com.brNovembro de 2011 • 3


Açúcar e etanolTecnologia na fabricação de filtrosMaioria das indústrias emprega equipamentos do tipo filtro contínuoAttílio Turchetti, presidente daMECAT Filtrações Industriais LtdaAfiltração é um processo indispensávelnas usinas de cana-de-açúcar. Desde osmais básicos até os mais sofisticados, osfiltros são utilizados em diversas etapasna fabricação de açúcar e etanol. A fim de acompanharo desenvolvimento industrial, empresas daárea têm investido em técnicas avançadas nafabricação desses filtros.As variações de filtros são inúmeras e atendem adiferentes necessidades. Por esse motivo o processode filtração deve ser analisado individualmente edepende muito da eficiência do produto utilizado.Hoje, o método mais adequado para a separaçãode fluidos e sólidos é a filtração contínua a vácuo,que pode ser otimizada por meio da redução dotamanho dos equipamentos, o que gera economiade energia e da própria eficiência do sistema deseparação.Etapas do processo de filtraçãoOs caldos utilizados na produção de álcool ou deaçúcar, provenientes das moendas ou difusor, passam,primeiramente, por etapas químicas e físicasde tratamento, em preparação para a etapa doprocesso de clarificação, que separam por diferençade densidade a fase sólida, denominada de lodo, ea parte líquida, chamada caldo clarificado. Esteprocesso não isenta a necessidade de uma posteriorclassificação do caldo clarificado, ou seja, separaçãode micro-sólidos insolúveis do mesmo.As tecnologias antigas utilizavam peneiras estáticas,onde o caldo era drenado por gravidade emelemento filtrante disposto de forma plana e inclinado,formado por tecidos metálicos ou plásticos.Mais eficientes que este arranjo, as peneiras rotativasde caldo e os filtros de correia surgiram parareduzir as áreas de instalação pela maior taxa defiltração obtida.Mais recentemente, o desenvolvimento dosTurbofiltros automáticos possibilitou uma filtragemmais eficiente, permitindo a separação de micropartículassólidas insolúveis e de compostos coloidais,representando ganhos para o processo depurificação da matéria-prima.No Brasil, o processo de fabricação de açúcarutiliza preferencialmente a etapa de tratamentoquímico do caldo por sulfitação e calagem, que objetivama formação de flocos que agregam a rica partecoloidal existente e auxiliam na formação do lodo.Desta forma, a grande maioria das indústriasemprega equipamentos do tipo filtro contínuo, detambor rotativo ou de correia.Já nos processos de produção de açúcar debeterraba existentes na Europa, por conta da quaseausência da parte coloidal no caldo, há o lodo naclarificação com baixa concentração, impossibilitandoo emprego de filtros rotativos e dando ênfasemaior para o uso de filtros do tipo prensa.Os filtros contínuos de tambor rotativo possuemtrês operações distintas quanto ao manuseio dolodo, sendo: formação da torta, desidratação, lavageme secagem.O caldo filtrado pode ser classificado como turvoou escuro, proveniente das etapas de formação edesidratação da torta e o caldo claro, por sua vez,formado nas etapas de lavagem e secagem, carregamgrande porcentagem da água utilizada noprocesso. O separado (torta) é depositado na áreaagrícola para curtir e depois ser empregado comofertilizante na renovação agrícola.Os filtros contínuos rotativos a vácuo são osmais significativos em relação a porte de instala-Turbofiltros, tecnologia inovadora no processo deseparação contínua de micropartículas de sólidosinsolúveis e de compostos coloidais6 • CANAL, Jornal da Bioenergia


Sifaeg em AçãoPresidente do Conselho Administrativo doSifaeg/Sifaçúcar é homenageado pela FiegA medalha da Ordem do Mérito Industrial da Fieg foi entregue a Segundo Braoios por – da esquerdapara a direita – Igor Montenegro, secretário de Cidades e presidente do Conselho Temático de Agronegócioda Fieg, Pedro Alves, presidente da Fieg, e André Rocha, presidente executivo do Sifaeg/Sifaçúcar.Diversas autoridades,entre elas o governador Marconi Perillo, prestigiaram a homenagemO Presidente do Conselho Administrativo do Sifaeg/Sifaçúcar e diretor da Jalles Machado, Segundo BraoiosMartinez, recebeu a mais elevada condecoração da indústria,a Medalha da Ordem do Mérito Industrial. A homenagem,concedida pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás(Fieg), reconhece o trabalho de personalidades e instituiçõesdo setor produtivo por relevantes serviços prestados aodesenvolvimento socioeconômico do Estado e do País.“Estou muito honrado em receber uma condecoração tãoimportante de uma instituição de tamanha credibilidade comoa Fieg. É muito especial e me sinto feliz em compartilhar essemomento com os meus familiares e amigos”, afirmou durante asolenidade, realizada no Teatro SESI, no Clube Ferreira Pacheco,em Goiânia (GO), no dia 10 de novembro. Segundo Braoiostambém recebeu das mãos do governador Marconi Perillo umamensagem com cumprimentos “pela sua relevante contribuiçãoao desenvolvimento socioeconômico do Estado de Goiás”.De acordo com o presidente da Fieg, Pedro Alves, SegundoBraoios tem o dom de criar e gerir instituições. “ Além da suaatuação profissional digna de reconhecimento, merece anossa admiração como ser humano, por estar sempre dispostoa ajudar as pessoas”, afirmou.MéritoCriada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), ahomenagem é concedida a personalidades e instituições, emreconhecimento do setor produtivo por relevantes serviçosprestados ao desenvolvimento socioeconômico do Estado edo País. A exemplo da CNI, a Fieg instituiu, em 1968, seuMérito Industrial, para empresários e personalidades que sedestacaram no cenário goiano. Em Goiás, o Mérito Industrialjá foi outorgado a 87 personalidades, dentre elas cinco ex--ministros de Estado e seis ex-governadores.Este ano, foram nove condecorados pela Ordem do MéritoIndustrial da Fieg: o secretário de Indústria e Comércio doEstado de Goiás, Alexandre Baldy; o ex-presidente daFederação das Associações Comerciais, Industriais eAgropecuárias do Estado de Goiás (Facieg), DeoclecianoMoreira Alves (in memorian); o diretor-presidente da ComingInd. e Com. de Couros e presidente do Conselho Temático deComércio Exterior da Fieg, Emílio Bittar; o segundo-tesoureiroda Fieg, Hélio Naves; a senadora Lúcia Vânia; o diretor--presidente da Lajes Santa Inês, Mário Renato Guimarães deAzeredo; o ex presidente da Fieg, diretor gera do IEL Nacionale diretor da CNI, Paulo Afonso Ferreira; e o presidente daAssociação Comercial e Industrial de Anápolis e vice-presidenteda Fieg, Wilson de Oliveira, além de Segundo Martinez.8 • CANAL, Jornal da Bioenergia


OpiniãoDilemas da produção agrícolaOBrasil agrícola já é reconhecido mundialmentepor ser competitivo em praticamentetodas as atividades agrícolas, tanto por serestrategicamente localizado em áreas do globoque tem energia luminosa, eólica e hídrica disponíveisem abundância durante todo o ano assimcomo pelo fato de dispor de terras e para cultivode praticamente todas as espécies de importânciaeconômica. Tudo isso é motivo de orgulho paranós profissionais da área de ciências agrárias.No entanto, será que a nossa competência técnicaé o suficiente para que tenhamos sucesso nofuturo enquanto classe profissional? Num paíscom tanta força na agricultura e na pecuária, quala representação que possuímos nos assentos dopoderes legislativo (não naquele da corrupção edas falcatruas, mas sim naquele que planeja e discuteo futuro do país) e executivo (não aquele quecapta propinas, mas naquele que propaga boasideias)? Um exemplo claro de que estamos (muito)mal representados foi a discussão recente do novoCódigo Florestal. Quem de nós ouviu o depoimentoou a consulta a um Engenheiro Florestal pelo Congresso?Quem ouviu a opinião do CREA sobre asdisposições legais? Em qual instância se priorizou aquestão técnica ao invés de mimos eleitorais?Pois bem, casos como o do novo Código Florestalsão emblemáticos. Embora tenhamos o costume defrequentemente reclamar da classe política, poucosde nós estamos dispostos a nos envolver e a reclamaruma chance efetiva de participação. Se pontualmentenossa capacidade de fogo é, portanto, limitada,torna-se ainda mais importante a participação dasentidades de classe que nos representam (Associações,Conselhos Regionais, Sociedades Científicas,...).Um dos problemas importantes pelo qual osagrônomos passam nos dias atuais é a impossibilidadede utilizar o receituário agronômico para recomendaçãode misturas em tanque de pesticidas.Da mesma forma que a relutância em aceitar ocultivo de transgênicos no país só fez aumentar ocultivo de sementes ilegais, estamos encarandoproblema semelhante no caso das misturas. As entidadesde fiscalização fazem de conta que fiscalizam,o Agrônomo faz de conta que o produtor nãousa e o agricultor faz de conta que não faz. Numexercício viciado de tampar o sol com a peneira, temosque chegar ao ponto de explicar em sala deaula que a mistura é muito importante, por exemplo,para evitar o desenvolvimento de resistência aherbicidas, mas que, no entanto, todos estamosproibidos de recomendá-la no receituário. Faça oque eu falo, mas não faça o que eu faço.Com o avanço dos problemas de resistência deinsetos, agentes fitopatogênicos e de plantas daninhas,é irreversível a necessidade de se contarcom misturas em tanque para manter-se a eficáciados pesticidas usados para seu controle. Nocaso específico da área de plantas daninhas, háainda um agravante tão ou mais importante: nãohá previsão do desenvolvimento ou lançamentode novos mecanismos de ação nos próximos anos.Este fato decorre do recuo no investimento empesquisa que ocorreu após o “encolhimento” domercado de herbicidas após o surgimento da tecnologiaRR. Portanto, deveremos nos virar com oque está disponível no mercado. Quais as possibilidadesde controle que deverão ser utilizadas parao controle de problemas importantes que surgiramrecentemente na agricultura, como o caso dabuva e do capim-amargoso resistente ao glyphosate?Alguém imagina alguma possibilidade desucesso se não enveredarmos para o caminho daalternância e das misturas de mecanismos deação diferentes? As misturas podem ser inclusiveuma das únicas soluções para a manutenção daefetividade das alternativas químicas que estãodisponíveis atualmente.Nos últimos congressos da Sociedade brasileirada Ciência da Plantas Daninhas tem se discutidoa questão de misturas. Em alguns destes congressosinclusive deliberou-se pela resolução de manifestaçõesformais da SBCPD em favor do uso demisturas em tanque. Todos, sem exceção, caíramno vazio e nada mudou. Seria uma boa hora dasdemais Sociedades Científicas co-irmãs da áreade Fitossanidade se manifestarem formalmente ese colocarem ao lado da SBCPD nesta empreitada.O sucesso da agricultura representa nossopróprio sucesso.Jamil Constantin (foto) [1]e Rubem Oliveira [2][1]Professor Associado, Núcleo dePesquisas Avançada em Ciênciadas Plantas Daninhas (NAPD/UEM),Departamento de Agronomia,Universidade Estadual de Maringá.Pesquisador do CNPq e Membro doConselho Científico para AgriculturaSustentável- CCAS.[2]Professor Associado, Núcleo dePesquisas Avançada em Ciênciadas Plantas Daninhas (NAPD/UEM),Departamento de Agronomia,Universidade Estadual de MaringáArquivo pessoalNovembro de 2011 • 9


Igor Montenegroassume Secretaria deEstado de CidadesO executivo Igor MontenegroCelestino Otto, expresidenteexecutivo do Sifaeg/Sifaçúcar, assumiu o cargo deSecretário de Estado das Cidades.Igor vinha ocupando nos,últimos três anos, a gerência deRelações Institucionais do GrupoUSJ em Goiás. Ele étambém presidente do ConselhoTemático de Agronegócios daFederação da Indústria do Estadode Goiás (Fieg). No comando daSecretaria das Cidades oexecutivo será responsávelpela política estadual de habitação,trânsito, saneamento básico eambiental, de desenvolvimentourbano e transporte coletivourbano e pelo acompanhamento,controle e fiscalização dessas áreas.BP tem maiorparticipação no BrasilA BP anunciou a aquisição docontrole acionário da empresabrasileira de biocombustíveis TropicalBioEnergia S.A. Em paralelo, finalizou aaquisição de ações em posse deacionistas minoritários da CompanhiaNacional de Açúcar e Álcool (CNAA) epassa a ser a proprietária de 100% dasações de ambas as empresas.“A conclusão da aquisição daTropical reforça ainda mais a presençada BP no Brasil por meio de umaestratégia que prioriza ativos dequalidade, bem localizados e com boaspráticas de gestão”, afirma MarioLindenhayn, presidente da BPBiocombustíveis.A partir de agora, a BP éresponsável pela operação da usina deetanol localizada em Edéia (GO), pormeio da Tropical BioEnergia.Usinas obtémcertificação globalde sustentabilidadeSete usinas brasileiras que produzemaçúcar e etanol já receberam acertificação mundial da Bonsucro (BetterSugarcane Initiative), considerado umimportante passaporte para exportaçõesdestes produtos ao garantir as melhorespráticas de sustentabilidade durante oprocesso produtivo. As usinas jácertificadas com o selo Bonsucro são aQuatá, Zillo Lorenzetti, Barra Grande, quecompõem o Grupo Zillor; Usina Maracaí,do Grupo Raízen; Usina Equipav, doGrupo Renuka; Usinas São Manoel eSanta Adélia. As usinas Quatá, ZilloLorenzetti, Barra Grande, São Manoel eSanta Adélia são todas associadas daCopersucar. A bonsucro foi criada em2005 para estabelecer princípios ecritérios socioambientais nas regiões decultivo de cana em todo o mundo.Estudo MunicípiosCanavieiros em MSApós instruir cerca de 120professores em Mato Grosso doSul e passar por 1,6 mil escolas emtodo Brasil, o Projeto Agora - açãode comunicação institucionalintegrada do agronegóciobrasileiro, encerrou suas atividadesno Estado, na cidade de RioBrilhante, no dia 2 de dezembro. Oevento foi realizado na EscolaMunicipal Prefeito Sírio Borges.De acordo com a Associação dosProdutores de Bioenergia do MatoGrosso do Sul – Biosul, a cidade deRio Brilhante conta com trêsusinas que geram 4.500 empregosdiretos. O município é o maiorprodutor de cana de açúcar doEstado, com 9 milhões e 40 miltoneladas de produção de canamoídas na safra 2010/11.Biocombustível em voos comerciaisA UOP LLC, empresa daHoneywell (Nyse: Hon),anunciou recentemente que oHoneywell Green Jet Fuel,produzido com a tecnologia deprocessos da UOP, estáabastecendo a rota daAeroméxico entre a Cidade doMéxico e San José, na CostaRica, marcando um dosprimeiros usos de combustívelrenovável no serviço diário devoos para passageiros.A Aeroméxico começou autilizar o Green Jet Fuelproduzido pela UOP daHoneywell em sua rota regularque liga a Cidade do México àCosta Rica, como parte de seuprojeto “Green Flights”desenvolvido para reduzir aemissão de gases que geramefeito estufa. O Boeing 737-700operado pela companhia, quetransporta até 124 passageiros,usará uma mistura de 15% deGreen Jet Fuel feito do vegetalnão comestível camelina ecombustível à base de petróleo.“Essa rota comercial regularabastecida pelo HoneywellGreen Jet Fuel é um enormepasso para o estabelecimentodo mercado de biocombustíveispara aviação e o usoPanoramageneralizado dessescombustíveis”, disse JimRekoske, vice-presidente egerente geral da área deenergia renovável e produtosquímicos da Honeywell UOP.“Com a adição dessa rota, aAeroméxico e a ASA estãoajudando a tornar realidade asviagens aéreas ecologicamentemais limpas a partir de fontesde energia não fósseis.”De acordo com a ASA, aaviação mexicana espera queos biocombustíveisrepresentem 1% docombustível usado no Méxicoaté 2015 e 15% até 2020.A companhia realizou oprimeiro voo comercialtransatlântico da Cidade doMéxico até Madrid em agostopassado, usando o Green JetFuel produzido pelo processoHoneywell UOP. Além disso, aIberia Airlines, em parceria coma companhia petrolíferaespanhola Repsol, usou o GreenJet Fuel feito de camelina paraum voo entre Madrid eBarcelona no início de outubro.Para os dois vôos, a ASAproduziu a mistura dobiocombustível comcombustíveis à base de petróleo.Novembro de 2011 • 11


Pneus agrícolasUso adequado trazsérie de vantagensEconomia de combustível, melhor desempenho eredução da compactação do solo são algumas delasAline LeonardoParece só mais um item, mas os pneus sãofundamentais para o bom desempenho dasmáquinas agrícolas e, principalmente, na sustentabilidadedo solo. Distribuição do peso,eficiência trativa e redução de consumo de combustívelsão apenas alguns dos aspectos nos quais elesinterferem diretamente. Como o processo de mecanizaçãoda cultura de cana-de-açúcar é irreversível,o assunto não pode ser menosprezado pelas usinas.A regulagem correta de carga e pressão dos pneuspode resultar numa economia de até 18% no consumode combustível, com aumento de 8% na áreatrabalhada. Em termos de compactação do solo,pneus adequados podem minimizar em até 50% oproblema. No entanto, se os pneus forem inapropriados,certamente vão provocar a diminuição naprodução e produtividade agrícola.Segundo o professor Kléber Pereira Lanças, doNúcleo de Ensaio de Máquinas e Pneus Agroflorestaisda Faculdade de Ciências Agronômicas daUniversidade Estadual Paulista Júlio de MesquitaFilho (FCA/Unesp-Botucatu/SP), pneus com cargasexcessivas e áreas pequenas de contato com o soloaumentam significativamente a probabilidade desua compactação.“Com isso, o solo diminui sua capacidade dearmazenamento de água e ar, influindo em todas asfases do crescimento das raízes e da planta, impedeque a raiz cresça naturalmente e, além de tudo,diminui a estabilidade da planta (aumenta a possibilidadede tombamento da planta por falta de sustentaçãodas raízes)”, explica.Segundo ele, não somente em canaviais, mas emtodas as culturas, os pneus ideais em termos dedesempenho (performance) são aqueles que fornecema máxima tração ao equipamento com o mínimoconsumo de combustível. “A maior área de contatodo pneu com o solo vai possibilitar a transformaçãodo peso da máquina em baixa pressão. Essefator é um dos principais a serem observadosquando o assunto é pneu”, afirma o professor.Além disso, orienta Kléber Pereira, adequar asmáquinas, estudar as condições dos diversos solos dapropriedade agrícola e planejar o seu tráfego é umacondição básica para minimizar o impacto no soloagrícola. “O pneu faz parte de um conjunto queDivulgação12 • CANAL, Jornal da Bioenergia


deverá estar perfeitamente regulado para desenvolvero trabalho de forma mais adequada”, afirmaele, para quem os pneus agrícolas devem ser calibradosdiariamente para que sempre estejam dentrodo especificado pelos fabricantes.“Deve ser rotina a manutenção preventiva diáriada máquina (abastecimento, lubrificação, limpezae verificação geral de dados). Além disso, ainspeção periódica deve também avaliar a alturadas garras (desgaste), possíveis cortes ou danos eestado geral do pneu”.Pneus ideaisMas qual é o pneu ideal para a lavoura de cana?De acordo com o professor Lanças, não existe umpneu especial para o setor canavieiro, mas simpneus que apresentam melhores desempenhos(mais caros) e aqueles menos eficientes, porém,mais baratos. A análise de custo-benefício deve serrealizada, segundo ele, sempre que um novo pneufor adquirido.Entretanto, no momento da aquisição do produto,o produtor rural deve levar em consideração acarga dinâmica que recai no pneu, as condiçõesoperacionais da máquina (serviços leves, médios,pesados) e as condições da cultura ou do solo (tipode sistema de plantio, direto ou convencional, tipode solo e condições operacionais).“Para selecionar o pneu ideal, o produtor deve,sempre, consultar o catálogo do fabricante do pneu.A escolha deve recair no pneu que suporte com folgaa carga da máquina, com a mínima pressão de inflaçãodo pneu. Desta forma assegura-se que o pneutenha uma vida adequada, que opere com eficiênciae que compacte o mínimo o solo”, orienta.Divulgação/Grupo USJNovembro de 2011 • 13


Pneus radiais são os maisrecomendados para o plantio diretoAinda de acordo com o professor, Kléber Lanças, da Unesp de Botucatu, os pneus radiaissão os mais adequados para o plantio direto, pois apresentam configuração que permitecalibração com pressão menor, o que reduz a compactação do soloA má notícia, entretanto, é que esse tipo de pneu tem baixa produção no Brasil e são maiscaros que os pneus diagonais. “Na maioria dos casos são empresas multinacionais que oferecempneus importados. Mas, atualmente, a oferta desse produto tem aumentado, bem como o númerode empresas importadoras”, afirma.Para o professor, o benefício dos pneus radiais pode ser mais significativo em solos mais susceptíveisà compactação, ou seja, argilosos, úmidos e soltos. “Em solos mais arenosos, secos e já compactados, odesempenho operacional (maior capacidade de tração) do pneu diagonal é, muitas vezes, melhor do queo do radial, induzindo o agricultor a acreditar que o pneu radial não é bom”, explica.O professor ressalta, entretanto, que há um terceiro modelo de pneu agrícola, que é o pneu BPAF (baixapressão e alta flutuação) que, grosso modo, seria mistura dos pneus radial e diagonal. “A carcaça do pneu édiagonal (tramas diagonais), porém, com cintas (ou lonas) como o radial. Este pneu permite uma calibragemcom pressão bastante baixa e, teoricamente, seria o pneu ideal para a agricultura. Também não é fabricadono Brasil e o seu preço é bastante alto”.Pirelli lança pneus para tratorese máquinas de alta potênciaA Pirelli lançou recentemente sua primeira linha de pneus radiais agrícolas totalmente produzidano Brasil. Trata-se da Earth Agro PHT, que apresenta rendimento quilométrico até três vezes superiora um pneu convencional equivalente. De acordo com a empresa, a linha tem outras vantagens, comoa menor compactação e a melhor transmissão da potência da máquina para o solo, o que colaborana economia de combustível. Além disso, oferece autolimpeza e tratividade graças aos planos diferenciadosde rigidez da banda de rodagem, que expulsam a terra que se acumula no pneu.Entre as características principais do produto estão a camada de borracha entre a banda derodagem e a carcaça, que é 70% maior, e as barras de tração, que, por sua vez, receberam umreforço na sua base para resistir aos picotamentos e lacerações. “As novas medidas da linha radialEarth Agro PHT foram desenvolvidas para equipar e melhorar o trabalho de uma variedade maiorde máquinas agrícolas de alta potência. A linha Earth Agro PHT possui sete medidas diferentes.Dicas para manter pneus em bom estadoCuidado com o superaquecimento dos pneus,que pode ser provocado pelo flexionamentoexcessivo da carcaça em operações realizadasem alta velocidade.Evite freadas ou arrancadas bruscas. Elaspodem provocar desgastes na banda derodagem.Pedras, tocos e irregularidades são umperigo. Eles podem causar cortes e arrancaras garradeiras dos pneus de tração. Asirregularidades no solo podem rompertambém os cordonéis da carcaça e das lonas.Calibre os pneus de acordo com asorientações do fabricante.Todo pneu é projetado para suportardeterminadas cargas, com uma pressão de arespecífica. Da combinação desses doisfatores resulta a adequada flexão dos flancos(lateral do pneu) de um pneu, o que garanteo prolongamento de sua vida útil.Pressão de ar abaixo da taxa recomendadapode sobrecarregar as laterais, o que podedesgastar, prematuramente, a banda derodagem. Isso pode ocasionar rachaduras naparte superior da parede lateral do pneu outorção das paredes laterais. Pode ocorrerdeslizamento do pneu sobre o aro,ocasionando quebra da válvula e dilaceraçãoda câmara de ar, o que aumenta o consumode combustível.Pressão acima da indicada provoca a flexãodeficiente da banda de rodagem. Ela podeficar curvada e desgastar o pneu na suaparte central. Além disso, a área de contatodo pneu com o solo diminui, ocasionandoperda na tração e aumento da incidência dederrapagem. O consumo de combustíveltambém aumenta.Não trafegue em asfalto com pneusagrícolas. Isso provoca um grande desgastena banda de rodagem.Divulgação/Grupo USJDivulgação14 • CANAL, Jornal da Bioenergia


EconomiaGovernador Marconi Perillo, de camisa azul, à direita, durante recente inauguração da Unidade Otávio Lage derefinamento de etanol e cogeradora de energia Codora Energia Ltda., em Goianésia.Divulgação/Usina UOLSetor sucroenergético impulsiona PIB goianoCrescimento se deve, principalmente, ao aumento da produção decana-de-açúcar, instalação e ampliação de novas usinas sucroenergéticasOsetor sucroenergético foi o principal responsável pelo bom desempenhodo Produto Interno Bruto (PIB) goiano de 2009. Os números foram divulgadosna última quinzena de novembro pela Secretaria de Gestão ePlanejamento (Segplan) e a Superintendência de Estatísticas, Pesquisa eInformações Socioeconômicas (Sepin), em parceria com o IBGE. Apesar da criseinternacional, a taxa de crescimento da economia foi de 0,9%, acima da médiabrasileira que registrou taxa negativa de 0,3%.De acordo com o relatório, o bom desempenho do Estado se deve principalmenteà agropecuária, em especial à produção agrícola, que registrou variação emvolume de 11,7%. O crescimento foi puxado, sobretudo, “pelo aumento na produçãode cana de açúcar, que expandiu 34,3% devido à instalação e ampliação dediversas indústrias de etanol e açúcar.”Ainda segundo a pesquisa, a produção de cana de açúcar em 2009 atingiu43,7 milhões de toneladas ante 33,1 milhões em 2008, posicionando Goiás emquarto lugar, com 6,5% da produção nacional. O rendimento médio foi de83,36 toneladas por hectare, em uma área colhida de 523 mil hectares. “Aexpansão da cultura e os bons preços alcançados no mercado, principalmentecom o açúcar, contribuíram para a melhoria do preço da cana, quando comparadocom 2008”, diz o documento.Para o presidente executivo dos Sindicatos de Fabricação de Açúcar e Etanoldo Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar), André Rocha, os bons números do setorsão o resultado de uma ação iniciada em 2005 pelo governador do Estado,Marconi Perillo, ao baixar a alíquota do Imposto de Circulação de Mercadorias eServiços (ICMS) de 25% para 15%.“As indústrias que iam se instalar no País todo tomaram a decisão de vir paraGoiás. Os projetos demoraram cerca de três anos para serem concluidos. Em2008, foram inauguradas 11 usinas e outras 4 em 2009, o que dobrou o parqueindustrial do Estado”, afirma André Rocha.Segundo ele, a produção aumentou 34% no período, saltando de 20 milhõespara 30 milhões de toneladas de cana. “Além disso, o setor tem ampla geração deempregos. Entre 2005 e 2009 foram criados quase 50 mil empregos em Goiás.”InvestimentosAlém do impacto no PIB de 2009, o setor sucroenergético respondeu porquase 50% dos investimentos privados de R$ 10 bilhões feitos em Goiás nosdez primeiros meses de governo estadual, conforme anúncio feito pelo própriogovernador Marconi Perillo, também no final de novembro. O setor foiresponsável por injetar na economia goiana o montante de R$4.795.292.713,93. De acordo com André Rocha, a previsão para os próximosanos é que esse valor seja duplicado.difícilEstá encontrarsuporte de verdade?conheça aPreocupada sempre em comercializar e distribuir produtosde qualidade diferenciada e tecnologia de ponta, a CircularParafusos vem destacando-se no cenário nacional aoespecializar-se cada vez mais no atendimento a usinas ePARAFUSOSparafusos - ferramentas - máquinas - epi’sabrasivos - cabos de aço - consumíveisAv. Circular, 561 Setor Pedro Ludovico - Goiânia/Goiás.indústrias do segmento sucroenergético.Televendas(62) 3241-1613circularparafusos@hotmail.comNovembro de 2011 • 15


Transporte aéreoBiocombustívelnas alturasAviação inicia corrida para reduzir impactopela emissão de gases do efeito estufaGilana NunesA Embraer firmou parceria com a Boeing e aFundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SãoPaulo (Fapesp) para criação de um grupo de estudosde pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveispara aviação com participação da empresas aéreasAzul, Gol, TAM e Trip.O potencial do mercado brasileiro atraiu investimentosda empresa americana Amyris, que inicioupesquisas para a produçãode bioqueroseneaeronáutico, com investimentos entre US$ 4bilhões e US$ 5 bilhões até 2020. Devido às inúmerascertificações exigidas pela indústria deturbinas e da Aeronáutica para a homologaçãodos biocombustíveis, os voos comerciais só devemter início a partir de 2015.Freire também falou sobre alguns testes já feitospor companhias aéreas com o uso de biocombustíveis,como o da Continental Airlines, em 2009, queusou alga e jatropha (planta da família Euphorbiaceae)como matéria-prima e uma mistura de 50% dessebiocombustível em um dos motores.Outro exemplo é o da TAM, que em novembro de2010 usou jatropha e também 50% de mistura emum motor. Um dos últimos testes em voo feito coma alga foi em 1º de abril deste ano, pela Interjet, comuma mistura de 27% de biocombustível produzido apartir da jatropha em um motor.Impacto ambientalA aviação tem seu custo para a natureza.Atualmente, essa atividade é responsávelpela emissão de 2% de gás carbônico e de 3%de todos os tipos de gases do efeito estufa e, senenhuma ação for tomada, esses números podemtriplicar até 2050. Os dados alarmantes foramapresentados pelo diretor de estratégias em meioambiente e tecnologias da Embraer, GuilhermeFreire, durante a Conferência Brasileira de Ciênciae Tecnologia em Bioenergia que ocorreu em agostona cidade de Campos do Jordão.Guilherme destacou também que a aviação emitiu628 milhões de toneladas de gás carbônico em2010 e as projeções indicam que as emissões chegarãoà casa de 1,2 bilhão ou 1,4 bilhão de toneladaem 2030. “Apesar da elevação das emissões, a aviaçãoevoluiu tecnologicamente para reduzí-las,especialmente no que se refere ao aumento daeficiência dos combustíveis. Se o desenvolvimentotecnológico tivesse estacionado no mesmo nível de1990, o setor estaria emitindo 1 bilhão de toneladasde gás carbônico hoje. A meta global do setor éreduzir em 50% as emissões em 2050, comparadocom os números de 2005”, afirma o diretor.Segurança e baixos custosFreire explicou que o uso de combustível não poderequerer mudanças drásticas nos aviões ou nos motoresexistentes, por questão de custo. “Qualquer alteraçãosubstancial na configuração de um avião ou emseu motor gera impactos, principalmente na questãoda segurança, o que eleva o preço do avião e podetornar inviável o uso de biocombustível”, destaca.No processo de fabricação do biocombustível citadosão utilizadas reações catalíticas e fermentaçãobioquímica feita por organismos geneticamentemodificados. Para não ampliar os custos, é precisotrabalhar com biocombustíveis que possam ser misturadosaos já utilizados e que não demandem infraestruturaespecífica. Do ponto de vista técnico, um dosmaiores desafios é manter a estabilidade térmica e aboa fluidez nas altas altitudes. Do contrário, podehaver o congelamento do combustível nos tanques.16 • CANAL, Jornal da Bioenergia


EventosFfatia e Sucroeste 2012são lançadas em GoiâniaCom a presença de expositores e entidades, a ReedMultiplus fez a apresentação do conteúdo das feirasDivulgaçãoRepresentantes das principais empresas e entidadesdos setores alimentício, industrial esucroenergético estiveram reunidos no dia 7 denovembro, na sede da FIEG - Federação dasIndústrias de Goiás –, em Goiânia (GO), paraconhecer as novidades da edição 2012 da Ffatia(Feira de Fornecedores e Atualização Tecnológicada Indústria de Alimentação) e Sucroeste (MostraSucroenergética da Região Centro-Oeste).Na abertura do evento, o presidente da Ffatia eDeputado Federal, Sandro Mabel, e o presidenteda FIEG, Pedro Alves, ressaltaram a importância doevento para o desenvolvimento tecnológicoindustrial da Região. “A Ffatia é o maior e maisimportante evento da indústria do Centro-Oeste eo segundo maior evento do setor de alimentos doBrasil”, afirmou Mabel. Em seguida, o diretor daReed Multiplus, Fernando Barbosa, apresentou asfeiras com toda a programação de eventos paralelos,que inclui a Rodada de Negócios e semináriostécnicos dos setores de alimentos, sucroenergéticoe de manutenção industrial. A coordenadorada Rodada de Negócios, Juliana Salles, detalhouo evento que deverá contar com 40 grandesindústrias compradoras e estima realizar mais de500 reuniões de negócios. O coordenador deMarketing, Kleber Vitali, apresentou detalhes dacampanha de divulgação, que sorteará diversosprêmios aos visitantes. O gerente comercial PauloMontabone mostrou a planta das feiras comquase 80% dos estandes vendidos. Estiveram presentesrepresentantes do Senai, Sesi, Sebrae-GO eda Universidade Federal de Goiás, entidades que jáconfirmaram sua participação no evento de 2012.Canal – Jornal da BioenergiaO Canal, parceiro do evento, esteve representadotambém no evento de lançamento da Ffatiae Sucroeste 2012. Na edição anterior, promovidao ano passado, foi realizada a 1ª edição doSeminário Canal Sucroeste, que reuniu mais de100 profissionais, técnicos e estudantes ligadosao setor sucroenergético. O evento teve a presençade palestrantes de renome nacional einternacional que debateram assuntos direcionadosao segmento sucroenergético. O seminárioacontecerá novamente na edição da Ffatia doano que vem.Presidente da Ffatia e Deputado Federal, SandroMabel destacou a importância do evento, o maiorda indústria do Centro-Oeste e o segundo maiordo setor de alimentos do BrasilNovembro de 2011 • 17


ÁguaPráticas industriais quegarantem sustentabilidadeUso inteligente daágua nos meios deprodução do setorsucroenergético,envolvendo tratamentoe reuso desse recursohídrico, tem garantidoganho econômico eambiental às usinasFotos: DivulgaçãoFernando DantasCom as etapas que integram o processamentoindustrial para a fabricação de açúcar,etanol e energia, a impressão que se tem éque o setor sucroenergético é um dos segmentosagrícolas que mais demandam água. Averdade é que a cadeia produtiva da cana realmenteprecisa bastante desse recurso hídrico,porém não significa que a captação é feita deforma exagerada. Em 40 anos, o setor sucroenergéticoconseguiu reduzir entre 90% e 95% oconsumo de água na indústria. Essa economia foipossível com a implantação de equipamentos eprocessos eficientes de uso e reuso da água, diminuindoa utilização de um total de 22 metroscúbicos por tonelada de cana para 2 metros cúbicospor tonelada, segundo dados do Centro deTecnologia Canavieira (CTC).As estatísticas são um bom exemplo para mostraro ganho econômico e sustentável que o setorconseguiu desde a década de 70, período em queo governo lançou o Programa Nacional do Álcool(Pró-Álcool) para incentivar o consumo de etanolaté os dias atuais. Cada unidade de produçãosucroenergética no Centro-Sul processa, emmédia, 1.540 toneladas de cana. Para atender àdemanda de 22 metros cúbicos por tonelada,seriam necessários cerca de 34 milhões de metroscúbicos de água por ano, quantidade suficientepara abastecer uma cidade de quase 465 mil habitantes.Se considerada a produção nacional previstapara a safra 2011/2012, de 585,5 milhões detoneladas, a demanda seria de 12,5 bilhões demetros cúbicos de água por ano, número suficientepara atender 83% da atual necessidade urbanade água no Brasil.Segundo o especialista em Recursos Hídricosda Agência Nacional de Águas (ANA), Cláudio RittiItaborahy, o Estado de São Paulo ilustra bem oimpacto da redução da demanda específica deágua pelo setor sucroenergético. De acordo comele, na década de 90 a captação pelo setor correspondiaa 13% da demanda total desse recursohídrico no Estado e a cerca de 40% de toda ademanda industrial. Recentemente, afirma oespecialista, com a melhoria de equipamentos eprocessos e a adoção do reuso de água, a participaçãodo setor passou para 8% da demanda totale 25% da necessidade do setor industrial. “Ao seatingir a meta de captação de um metro cúbicode água por tonelada de cana, a participação dosetor iria para 4% da demanda total de água noEstado”, exemplifica.ReutilizaçãoUm dos caminhos apontados por Cláudio parase alcançar as metas mais ambiciosas é melhoraro uso da água contida na própria cana que, adequadamentetratada e manejada, supriria parteimportante da demanda industrial. Para ele, aredução no consumo na indústria sucroenergéticapassa, necessariamente, pela racionalizaçãodo uso e reutilização da água no setor, abrangendodesde a modernização de equipamentos eprocessos até a mudança de hábitos dos funcionáriosda fábrica com relação ao uso desserecurso hídrico nas operações de limpeza depisos e equipamentos.Atualmente, a captação tem sido feita emmananciais hídricos superficiais ou subterrâneos,obedecendo à outorga obtida junto aos órgãos decontrole. Nas etapas industriais, a água captada éusada em vários processos, com níveis diferentes18 • CANAL, Jornal da Bioenergia


de reutilizações, sendo que uma parcela pode serdevolvida para os cursos de água, após os tratamentosnecessários, e outra parte ser destinada,juntamente com a vinhaça, à fertirrigação dalavoura de cana.Dentro da fábrica já se reduziu consideravelmentea demanda na lavagem da cana, mas aindaé necessário aperfeiçoar processos de resfriamentoda água das fábricas e de resfriamento dadestilaria, que demandam o maior volume dorecurso hídrico necessário para a fábrica, informaCláudio. Para reuso na lavoura, atualmente procura-searmazenar a vinhaça por um período máximoentre 10 a 12 horas, realizando distribuiçãocontínua no campo. Esse subproduto pode tambémser diluído em águas residuárias, o que acabasendo uma alternativa de irrigação para áreas queapresentam déficit hídrico. A dosagem máxima devinhaça a ser aplicada no tratamento de solosagrícolas em cultura de cana-de-açúcar deve respeitaras características do solo e considerar osteores de potássio na vinhaça. De acordo com oespecialista da ANA, a quantidade correta normalmentesitua-se no intervalo de 100-300metros cúbicos por hectare de vinhaça aplicadaanualmente.Tecnologia disponívelDe acordo com o especialista em TecnologiaAgroindustrial e Meio Ambiente do CTC, AndréElia Neto, trabalhos da instituição e de outrasentidades e fabricantes de equipamentos na direçãode maior sustentabilidade do uso de águapropiciarão cada vez mais a adoção de novastecnologias de produção mais limpa com viabilidadeeconômica. “Algumas das tecnologias consagradas,como a limpeza de cana a seco e aevaporação da vinhaça, e outras em pesquisas,como o tratamento da vinhaça com membranas,possibilitarão menores usos e também a reutilizaçãoda água contida na cana, podendo diminuir acaptação para patamares menores que 0,5 metrocúbico por tonelada de cana”, ressalta.Há 30 anos atuando no setor sucroenergético,a General Eletric (GE), por meio da Water &Process Technologies, possui soluções para osetor sucroenergético com produtos, equipamentose serviços para o tratamento de águas eprocessos. A empresa oferece equipamentoscomo o Propak, que combina ultrafiltração eosmose reversa – separação do líquido e sólido–, além dos sistemas de eletrodeionização, quepermitem a captação de água de diversas fontespara a utilização em sistemas de geração devapor de alta pressão sem a necessidade de frequentesoperações de regeneração. Segundo odiretor da GE Power e Water para a AméricaLatina, Tadeu Justi, esse processo reduz custosoperacionais, bem como o consumo de água eprodução de efluentes.Divulgação/Grupo USJ√ Reforma de colhedoras, plantadoras e implementoscanavieiros, além de manutenção de componentes√ Elevador de colhedora√ Divisor de linha√ Extrator primário e secundário√ Mesa do giro√ Despontador e pirulitos√ Caixa do corte de base√ Transporte de máquinas agrícolas√ Serviço de coleta e entrega no cliente√ Terceirização de mão-de-obra com profissionaisqualificados em caminhão-oficina equipado paraatendimento em campo, além de mecânico decolhedoras, caminhões, plantadoras, implementos erefrigeração; eletricista, soldador e caldeireiroTambém contamos com transportede equipamentos e componentes.Buscamos e entregamos sem custo.Av. José Antonio de Lima N 229 - Bairro Alvorada - Bom Jesus-Go Fone 64 3608 4369Rodovia GO 341, km 2,4 - Bairro Popular - Mineiros-GO Fone 64 3661 4617Novembro de 2011 • 19


DesenvolvimentoPequenosnegócios quesurgem dacana-de-açúcarEmpreendedores e agricultores de pequenoe médio porte têm encontrado nessa culturae em seus resíduos a oportunidade de criarempregos e aumentar a renda de váriasfamílias em todo o BrasilFernando DantasDevido à sua múltipla utilização agrícola eindustrial, a cana-de-açúcar ocupa papelimportante na economia do Brasil. Tanto éque o país é hoje líder mundial na produçãodessa cultura. As estatísticas comprovam essa afirmação,já que para a safra 2011/2012 a estimativa éde moagem de 533,50 milhões de toneladas de cana,o que resultará em 32,38 milhões de toneladas deaçúcar e 22,54 bilhões de litros de etanol. Os dadossão da União da Indústria de Cana-de-Açúcar(Unica) e evidenciam o potencial do setor sucroenergéticobrasileiro, que é conhecido dentro e fora doBrasil. Entretanto, o que às vezes não é perceptível éque esse cenário positivo não depende apenas dasindústrias ou dos grandes produtores e fornecedoresde cana para as usinas. É consequência, também, dotrabalho desenvolvido por agricultores e empreendedoresrurais que conseguem gerar renda, empregoe impostos a partir da atividade rural de pequenoporte, inclusive sustentável.É assim para o casal de agricultores Elza MariaMoreira, de 49 anos, e Antônio Geraldo de Souza,de 62 anos, que atua no setor sucroenergético hámais de 20 anos no município de Vianópolis, regiãoSul do Estado de Goiás. Eles não são grandes produtores,não fornecem cana às indústrias e tambémnão fabricam etanol. Entretanto, contribuempara movimentar a cadeia produtiva do segmentoe integram a lista dos 4,6 milhões de produtoresespalhados pelo Brasil que conseguem viver comopequenos agricultores.Proprietários da Fazenda Santa Rita, que foiherança do pai de Antônio, o casal aproveita a canacultivada em 2 alqueires da fazenda e os resíduosgerados por essa matéria-prima para fabricar cachaça,rapadura, açúcar, pé de moleque, papel, artesanatoe, por consequência, renda à família. A produçãoda Cachaça Galo – marca patenteada pelo casal -,chega a 6 mil litros por ano. O produto tem sidocomercializado para cidades goianas como CaldasNovas, Pires do Rio, Goiânia e Vianópolis.Já o açúcar e a rapadura são feitos de forma artesanalpara atender especificamente pedidos declientes da região Sul do Estado. A capacidade atualde produção é de 3 mil quilos de açúcar e 5 milrapaduras por ano. Outra atividade dos agricultoresé a fabricação de papel e artesanato a partir dobagaço da cana. Segundo Elza, são feitos desde caixasde papel para presentes até esculturas. “Tudo oque produzimos, nós vendemos. Isso é possível porqueconseguimos aliar nossa experiência no segmentocom novidades aos clientes. Temos freguesesfieis aos nossos produtos. Em fim de ano, por exemplo,precisamos trabalhar ainda mais para conseguiratender aos pedidos por brindes, seja de cachaça,rapadura e peças artesanais”, destaca.Agricultura familiarNivaldo Francisco dos Reis, de 47 anos, é outroexemplo de produtor que tem buscado garantirrenda à família por meio da atividade rural depequeno porte. Casado e pai de três filhos,Nivaldo vive há 12 anos no AssentamentoCachoeirinha, que fica a 8 quilômetros do municípiode Jandaia (GO). Além da família do pequenoagricultor, outras 15 moram no local, adotando aprática da agricultura familiar. No assentamento édesenvolvida a piscicultura, a produção de leite,hortaliças e cana-de-açúcar. São 4 hectares decana destinados à fabricação de rapadura.O local possui toda estrutura para transformar acana em açúcar e melaço. Já o conhecimento parafabricar o doce foi repassado às famílias por meio de22 • CANAL, Jornal da Bioenergia


Fotos: Divulgaçãocursos ministrados por técnicos do Serviço Nacionalde Aprendizagem Rural (Senar). Segundo Nivaldo, oprocesso é simples e rápido, depende apenas damatéria-prima, informação e dedicação da pessoa.Ele informa que a capacidade de produção no assentamentoé de 5 mil rapaduras por dia. O único problema,enfatiza o pequeno produtor, são as opçõesde comercialização. “Temos 45 mil rapaduras estocadasporque estamos com dificuldades para comercializaro produto. Aprendemos a cultivar a cana,fabricar o doce, mas a parte da venda ainda precisaser trabalhada”, garante Nivaldo.De acordo com a técnica do Senar, Josina deFátima Prado, esse problema atinge diversos pequenosprodutores rurais em todo o Brasil e é um dosdesafios comuns à atividade que precisa ser vencido.Ela traça como alternativa de solução a busca porconhecimento de mercado e as parcerias com cooperativase entidades de apoio ao setor agropecuário.Josina esclarece que o Senar tem levado informaçõesde todo o processo produtivo das culturasaos pequenos agricultores, por meio de cursos. “Nocaso de quem vive de derivados da cana, a genteorienta sobre plantio, o que é a cultura, como cortar,indústria, padrões de segurança, tipos de equipamentos,destino do bagaço, como não agredir omeio ambiente, tipos de sacarose, enfim, tentamoshabilitar a pessoa para a produção”, afirma. O curso,segundo a técnica, também aponta caminhos e atéalternativas para que o agricultor consiga expor ecomercializar seus produtos, além de obter recursospara fortalecer sua atividade.Acesso ao créditoO agricultor familiar que necessita de créditopara desenvolver seu negócio encontra essa oportunidadepor meio do Programa Nacional deFortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf),criado em 1996 pelo governo federal. O programavisa o fortalecimento das atividades produtivasgeradoras de renda das unidades familiares deprodução, com linhas de financiamento rural adequadasà realidade do agricultor. A execução éfeita de forma descentralizada e conta com aparceria das organizações dos agricultores familiares,dos governos estaduais e municipais, dasorganizações governamentais e não governamentaisde assistência técnica e rural, das cooperativasde crédito e de produção, dos agentes financeiros,do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro ePequenas Empresas (Sebrae), entre outros.Uma das principais vantagens do Pronaf são astaxas mais baixas de juros de financiamentorurais, variando de 0,5% a 4,5% ao ano. Segundoo gerente de Desenvolvimento Rural do SebraeGoiás, Joel Rodrigues Rocha, o agricultor pode teracesso ao programa a partir do reconhecimentodo enquadramento dele como agricultor em economiade base familiar por uma instituição credenciadano Ministério do DesenvolvimentoAgrário (MDA), que vai fornecer uma Declaraçãode Aptidão ao Pronaf (DAP). Joel esclarece, ainda,que os requisitos iniciais para a tramitação daproposta são ter cadastro na instituição financeira,como Bancos federais oficiais e organismoscooperativos de crédito, ausência de restrições decrédito, um projeto técnico ou uma proposta simplesem conformidade com a finalidade do crédito.A instituição financeira que opera com oPronaf, quase na totalidade, é o Banco do Brasil.Entre as vantagens de quem consegue acessoao programa estão a possibilidade de crescimentoeconômico, social e ambiental através dos aportesfinanceiros em operações de juros baixos, comprazos condizentes com a possibilidade de caixa ede capitalização de capital de giro.Novembro de 2011 • 23


Fotos: DivulgaçãoIntegraçãoCansados de produzir, produzir e ter poucoretorno em vendas, pequenos produtores de cachaçade 15 municípios da região Sul de Goiás, principalmentede Nova Aurora, resolveram mudar deatitude, em 2004, e criar uma cooperativa quepudesse fortalecer a categoria (fotos). “Percebemosque, sozinhos, não conseguiríamos evoluir na atividade.A partir dessa constatação, nos reunimos eassim nasceu a Cooperativa dos Produtores deCachaça de Nova Aurora”, comemora o presidenteda entidade e também produtor de “pinga”, VilmarDias Carneiro.Porém, as dificuldades continuaram por causada burocracia em criar a CoopCana. Depois de seteanos de atuação, agora que os 19 produtores conseguiramvender a primeira remessa de cachaçacom o selo da cooperativa. “Até a gente conseguirse legalizar foi um grande caminho. Mas queremosque essa integração favoreça os negócios e nossoproduto extrapole as divisas do Estado de Goiás”,informa Vilmar.A remessa saiu da CoopCana com 60 caixas, oque equivale a 720 garrafas, com destino a umadistribuidora em Catalão (GO). No estoque, comoesclarece Vilmar, existem mais 10 mil garrafasprontas para comercialização. A entidade pretendetrabalhar no mercado com três marcas distintas. Aprimeira delas é a CoopCana, que leva o nome dacooperativa, e é a tradicional cachaça branca, com48 gl, que representa o teor alcoólico. Essa é vendidaao comércio ou distribuidoras por nove reais. Asegunda marca é a Fazenda Velha, cachaça amarelacom teor alcoólico menor, 45 gl, e comercializadaa doze reais. A terceira é a Alma Goiana, queainda não foi lançada no mercado.Por safra, que vai de maio a novembro, os cooperadosconseguem produzir 600 mil litros depinga. Segundo Valmir, a cachaça fabricada pelosprodutores da cooperativa possui o diferencial deser em pequena escala, o que confere a característicaartesanal. Ele esclarece ainda que a fabricaçãoda cachaça é a principal fonte de renda para 70%dos cooperados. “São empreendedores rurais quetrabalham nesse segmento há mais de 20 anos epossuem conhecimento da área, mas que precisavamde um impulso no negócio. A criação daCoopCana deve contribuir para esse crescimento eaumento das vendas, dos recursos ao produtor eaté mesmo da criação de novos postos de trabalho”,destaca o presidente da entidade. No primeiromomento, a expectativa dos cooperados é que asmarcas lançadas conquistem o mercado não sógoiano, mas amplie os locais de venda para DistritoFederal e Tocantins.de etanol é vantajoso, econômica e ambientalmentepara a atividade agrícola. O resultado é queempresas passaram a investir em tecnologias paraoferecer, a esse público, equipamentos a preçosacessíveis. É o caso da Fábrica de Alambiques SantaEfigênia, localizada em Itaverava (MG). Fundada em1948 pelo senhor Geraldo Pereira dos Santos, aempresa é conduzida, hoje, pelos filhos – UbiratanRoberto Pereira dos Santos, Jander Damião dosSantos e Lenízio Barbosa dos Santos.Referência em alambiques, principalmente paraa produção de cachaça, a fábrica passou a oferecertambém no mercado a miniusina de etanol. O quediferencia uma estrutura da outra é apenas a colunade álcool, também chamada de retificadora,usada nas estações de produção de etanol. O público,em sua maioria, tem adquirido a estrutura paraconsumo próprio, ou seja, para produzir etanol quepossa abastecer os veículos utilizados na atividaderural. De acordo com Lenízio, a legislação brasileiranão permite que esses agricultores passem a fabricaretanol para comercialização. “Essa é uma questãoque precisa ser avaliada pelo governo, pois coma liberação será possível melhorar a renda do produtorrural. Até porque essas miniusinas têm capa-Fonte de renda às indústriasOs pequenos e médios agricultores têm descobertoque investir na construção de uma miniusina24 • CANAL, Jornal da Bioenergia


cidade para fabricar diversos produtos, não só etanole cachaça”, enumera. Ele exemplifica que aminiusina é capaz até de produzir álcool em gel, oque significaria mais uma opção de mercado a sertrabalhado pelos pequenos produtores.Lenízio garante ainda que quem adquire a estruturapara uso exclusivo na propriedade rural conseguegerar uma economia de, no mínimo, 30% noconsumo de etanol. “É um investimento que vale apena do ponto de vista econômico e ambiental,pois é uma ação sustentável. O vinhoto produzidopode ser jogado no canavial para adubo. O bagaçoé usado como combustível para aquecer o destiladore até a água é 100% reaproveitada”, enfatiza.Na Alambiques Santa Efigênia, a procura maiorpela miniusina tem sido de agricultores de MinasGerais e Goiás. A estrutura completa, para fabricaçãode 240 litros por dia de etanol, equivale a R$55 mil. Já para produzir 100 litros por dia, o valorchega a R$ 38 mil. Quando o produtor tem interessena compra da estação, técnicos da empresa vãoaté a fazenda para uma visita técnica. É verificadoo local para instalação, distância de mananciais ecurrais, repassada orientações sobre manuseio dosequipamentos etc. Para visualizar na prática comofunciona a estrutura, o agricultor pode, ainda,conhecer uma miniusina que está instalada na áreade teste da empresa. “É um equipamento de fácilmanuseio. Em um dia de treinamento já se consegueessa prática”, ressalta.Novembro de 2011 • 25


Cana transformada emarte gera emprego e rendaMaria Aparecida Silva, de 43 anos, nunca imaginouque a cana e seus resíduos se tornariam fonte deemprego e renda para sua vida. Nem mesmo que aprofissão que ela passaria a exercer hoje seria resultadodo artesanato. Essa história surgiu por acasopara essa mineira de Montes Claros. Cida, como tambémé conhecida, mudou-se para São Paulo (SP) eprecisou ficar 1 mês em um albergue na capitalpaulista para tratamento de um problema no coração.Nesse período, Cida conheceu a Casa de Oraçãodo Povo da Rua, da Pastoral do Povo da Rua.Frequentando constantemente o local, ela pôde teracesso a outro projeto desenvolvido pela Pastoral,que é a Oficina Arte e Luz da Rua. Por meio dessaação, pessoas que vivem em situação de rua, emmoradias provisórias do governo ou em albergues,têm a chance de conviver com outras pessoas, integrar-seao mercado de trabalho através de cursos deartesanato e conseguir renda.Apenas a questão da resocialização já torna o projetodiferente, mas outra novidade é que a arte produzidano local tem como matéria-prima o bagaço da canarecolhido em feiras espalhadas pela capital paulista.Essas características chamaram a atenção de Cida, quehá 9 anos fez parte da oficina como aluna e hoje é umadas instrutoras do projeto. Para ela, foi uma grandeoportunidade de aprendizado e a conquista de umemprego. “Além de desenvolver um trabalho socialsuper interessante e relevante, consigo me manterprofissionalmente por causa do projeto”, reforça.Assim como Cida, outras 200 pessoas de várioslocais do Brasil, principalmente das regiões Sudeste eNordeste, já passaram pela oficina desde a sua criação,há 10 anos. Segundo explica a responsável peloprojeto, Hedwig Knist, a maioria das pessoas da oficinavive há muito tempo em São Paulo e está emsituação de rua por vários motivos. “Quase sempreentra a falta de emprego, a quebra de vínculos familiarese a dependência química. Devido à rotatividade,que é particular no trabalho com população de rua,não há um número fixo de pessoas atendidas. Ametodologia de trabalho é desenvolvida com grupospequenos para poder realmente criar vínculos afetivoscom as pessoas e propiciar um crescimento pessoale humano. Há, em geral, no máximo 25 pessoasna oficina, o que corresponde à capacidade de atendimento,pelo espaço, pela equipe e pela metodologia”,destaca.O público atendido pelo projeto aprende todas asetapas do processo de produção, desde buscar obagaço de cana na barraca de caldo na feira ou pastelaria,processar a cana, montar as estruturas de telade arame, aplicar a matéria-prima na estrutura emontar a fiação elétrica. Os “artesãos” recebem, também,capacitação em gestão e treinamento nacomercialização. A principal produção na oficina é deluminárias de todos os tipos – abajur de mesa, arandela,pendente, lustres, plafon, coluna etc (fotos).Também são feitos outros objetos como paineisdecorativos, porta lápis, porta guardanapo, portavelas, caixas com e sem tampa em todos os tamanhos.A confecção desses objetos decorativos surgede um lado do próprio esforço de utilizar os resíduosgerados na produção das luminárias, como de encomendasde clientes.As peças são comercializadas, principalmente, emeventos relacionados a boas práticas de meio ambiente,sustentabilidade e reciclagem, artesanato, decoração,feiras de artesanato, entre outros. A maioria dosobjetos decorativos (porta trecos) varia entre cincoreais a 30 reais; já as luminárias de trinta reais a R$320,00. A renda é voltada para a entidade e para aspessoas atendidas pelo projeto.A oficina funciona de segunda a sexta-feira, das8h30 às 17 horas, em uma casa residencial adaptada,cedida pela Arquidiocese de São Paulo, e que abriga osquatro grupos que realizam quatro etapas do processoprodutivo das peças. Há um escritório pequenopara o trabalho administrativo da oficina, que tambémé a sala da equipe, e um espaço de apresentaçãodos trabalhos prontos. As refeições e outras atividadesque complementam o programa da formação humanada oficina ocorrem na Casa de Oração.Para Hedwig, o aprendizado proporcionado nolocal é, por um lado, técnico e, por outro, humano.“Tivemos alguns conhecidos pedindo indicação depessoas da Oficina para trabalhar. Em outra situaçãoas pessoas atendidas melhoraram a auto-estima e avontade de realizar novas coisas e, assim, se sentirammais motivadas para buscar emprego. Sabemos depelo menos cinco pessoas que saíram e montaramsua própria oficina de luminárias, em Pernambuco,Minas Gerais, São Paulo e Paraná”, acrescenta a responsávelpelo projeto.Fotos: Divulgação26 • CANAL, Jornal da Bioenergia


Produtores recebem treinamento: parceria ajuda a capacitar pequenos agricultores para uma melhor gestão da propriedade ruralCapacitar para melhorar a gestão no campoProgramas de incentivo do governo e outrasentidades, projetos e até ações de cooperação técnicae financeira firmados entre o Senar e o Sebraepretendem dar uma “mãozinha” ao pequeno produtor.Serão destinados cerca de R$ 20 milhõespara a realização de cursos presenciais e de educaçãoà distância, chamados de Negócio Certo Rural,voltados a quem atua na atividade rural de pequenoporte. A parceria tem como meta preparar ospequenos agricultores para uma melhor gestão dapropriedade rural.O curso – disponível antes apenas na formapresencial – possibilitará aos produtores acessar ametodologia, sem precisar sair de suas propriedades.Quem não tem acesso a meios digitais poderábuscar apoio em lan houses, associações, cooperativase sindicatos rurais. O curso tem duração de 60dias. O Negócio Certo foi desenvolvido para o meiorural e nacionalizado em 2010. Trata-se de projetode capacitação, de curta duração, em planejamentoe administração de pequenos negócios paraprodutores rurais. Sua metodologia apresenta conteúdosbásicos, estruturados em seis etapas, queauxiliam os participantes na melhoria de negóciosjá existentes ou na implantação de novos negóciosna propriedade. O público-alvo são produtoresrurais, famílias, jovens e trabalhadores do meiorural. Em 2010 foram realizadas 220 turmas, com4.780 participantes inscritos. Hoje o projeto é realizadoem 26 Estados, com exceção de São Paulo.Novembro de 2011 • 27


Cantos, encantos,prazeres e louvoresA riqueza da cidade baiana está muito além da suadiversidade cultural, religiosa e natural. Salvador temalgo de mágico, de inexplicável, de indefinível. Nãopode ser descrita em poucas palavras pelo risco de seomitir alguma das suas multiplicidades.Gilana NunesNas ruas e vielas da primeira capital brasileira,passado e presente convivem harmoniosamente.Esse contraste se refletemuito bem na arquitetura, em que prédiosantigos se misturam às contruções modernas.Dividida em Cidade Alta e Cidade Baixa, seusatrativos surpreendem a cada esquina e, ligandoessas duas partes, encontra-se um dos seus principaiscartões-postais, o Elevador Lacerda, que transporta,em média, 20 mil pessoas por dia.Salvador é hoje a terceira maior cidade do paíse, segundo o Censo do IBGE 2010, já conta commais de 2 milhões e 400 mil habitantes. Símbolo dosincretismo religioso, a cidade se destaca pela misturade raças, culturas e credos, por suas praiasparadisíacas e pelas festas populares.No verão os encantos da capital baiana se destacamainda mais, já que nesse período é possívelparticipar dos ensaios dos blocos de Carnaval e dasfestas religiosas que ocorrem nos largos das igrejase fazem o cortejo tanto de santos como de orixás.Passear por Salvador é uma experiência única,em que o passado, conservado em cada detalhe eimortalizado pelas antigas tradições, pode servisto ainda pulsando no presente, cheio de vida egraciosidade.Principais comemoraçõesAs festas populares em Salvador atraem pessoasde toda parte do País, que se juntam aos baianosem homenagem a imagens religiosas ou saem nasruas como foliões atrás dos trios elétricos. Cadacomemoração tem um significado especial e contaum pouco da história da cidade, refletindo a diversidadeda cultura soteropolitana.28 • CANAL, Jornal da Bioenergia


Principais festas realizadas na cidadeFesta de Santa Bárbara / Iansã – 4 de dezembroA santa católica e a orixá do fogo sincreticamentecomungam a mesma identidade. Ambas controlam a fúriada natureza e são protetoras contra raios e tempestades.Dessa forma, no dia 4 de dezembro, católicos,candomblecistas, umbandistas e adeptos de outras religiõescelebram Santa Bárbara e Iansã, numa grande manifestaçãode tolerância e respeito.A devoção à Santa Bárbara, padroeira dos bombeiros, encheas ruas de vermelho, que também é a cor de Iansã, a deusado fogo. A festa começa às 5 horas da manhã pintando océu com as cores dos fogos de artifício. Às 7 horas, ocorreuma missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dosPretos. Finalizando os festejos, a imagem da santa deixa aigreja seguindo em procissão até o quartel de bombeiros naBarroquinha, onde faz uma parada para seguir adiante atéo Mercado de Santa Bárbara, em que é servido caruru paraa população.Festa de Nossa Senhora daConceição da Praia - 8 de dezembroA comemoração é realizada desde o ano de 1550, sendo amais antiga festa religiosa do Brasil. A festa se inicia diasantes com a novena em louvor à Nossa Senhora daConceição da Praia e no dia 8 de dezembro culmina naprocissão que percorre as ruas do comércio levando aimagem da santa e do Deus menino. Durante o trajeto, éfeita uma parada obrigatória na Igreja do Corpo Santo,onde junta-se ao cortejo a imagem de São José.Festa ao Senhor BomJesus dos Navegantes - 1° de janeiroA celebração tem incício no dia 27 de dezembro e termina noprimeiro domingo após o dia primeiro de janeiro, com umamissa e procissão terrestre. O ponto alto da festa é no AnoNovo, quando ocorre a procissão marítima. A encenaçãoenvolve personagens e locais sagrados que relembram ashistórias bíblicas, em que são utilizadas três imagensdistintas: o Bom Jesus dos Navegantes, a Nossa Senhora daBoa Viagem e a Nossa Senhora da Conceição da Praia.fotos: DivulgaçãoFesta ao Nosso Senhor do BonfimA procissão e lavagem das escadarias da igreja do Bonfim éconsiderada como uma das mais importantes dascomemorações religiosas de Salvador. Anunciado por fogosde artifício, o cortejo tem início na segunda quinta-feiraapós o dia de Reis.No percurso de aproximadamente 8 quilômetros as baianascarregam água de cheiro, jarros de flores e vassouras desdea Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia até asescadarias do Bonfim. Milhares de pessoas vestem-se debranco para acompanhar o cortejo, em busca de proteçãodo Santo e das águas perfumadas.Festa de Iemanjá – Rio VermelhoNo dia 2 de fevereiro, o bairro Rio Vermelho recebe umamultidão de pessoas que homenageia a Mãe das águaslevando oferendas e pedindo proteção à orixá. No ritual sãoofertados, principalmente, flores e perfumes que são ospresentes preferidos de Iemanjá.6 - Carnaval - FevereiroCom um dos mais concorridos carnavais do país, Salvadoratrai foliões animados que desfilam dia e noite atrás dostrios elétricos. Três circuitos agitam a cidade: “Osmar”, quepega fogo no domingo, segunda e terça de Carnaval,reunindo as mais conhecidas bandas de axé e desfila peloCampo Grande; “Dodô”, com os chamados trios alternativose que circulam entre as praias da Barra e da Ondina;e “Batatinha”, que movimenta o Centro Histórico com climade Carnaval de antigamente, regado a muita marchinha.Segundo o Guiness Book o Carnaval de Salvador é a maiorfesta popular do mundo, batendo o recorde com maisde 2 milhões e 600 mil foliões durante os seisdias de festa. Para quem gosta da agitação,a festa é ideal, e pode ser aproveitadatanto nos blocos, que são protegidospor cordões de isolamento, quantona “pipoca”, que brinca nas calçadase nos bares do percurso.Novembro de 2011 • 29


Pontos turísticos mais visitadosA capital baiana possui uma diversidade de pontosturísticos que retratam perfeitamente a culturae a história da região e do próprio País.Confira quais são os mais frequentados:Pelourinho:Centro Histórico de Salvador, reflete muito bem a alma daBahia. O Pelourinho, Patrimônio da Humanidade tombadopela Unesco em 1985, localiza-se na parte Alta da cidade ereúne diversos casarões dos séculos 17 e 18 que abrigamdesde museus e terreiros de candomblé a templos católicos,como a Igreja de São Francisco, considerada a obra maisrepresentativa do estilo barroco do País.O bairro histórico merece uma visita, em especial às terçasfeiras,em que, além de se encantar com as pequenas ruas ecoloridos dos casarões, os visitantes podem assistir auma missa ao som de batuque na igreja de Nossa Senhorado Rosário dos Pretos. No verão, é possível ainda assistirapresentações da banda Olodum e vibrar ao som dapercursão.Igreja e Convento de São Francisco:Centenas de quilos de ouro enchem de brilho os altares daigreja mais rica do País. Considerado um dos maisextraordinários monumentos do barroco mundial, o templode São Francisco, erguido em 1723, tem ainda balaustradasem jacarandá negro, pinturas ilusionistas e uma belaimagem de São Pedro de Alcântara. O convento, que fazparte do complexo, tem o pátio interno com paredesrevestidas de azulejos portugueses que reproduzem onascimento de São Francisco e sua renúncia aos bensmateriais.Noite no Rio Vermelho com Acarajé:Salvador tem uma barraquinha de acarajé em cada esquina,mas para experimentar os quitutes preparados pelas baianasmais famosas da capital siga para o bairro do Rio Vermelho.No Largo de Santana, Dinha e Regina demarcaram seusterritórios, reunindo turistas e soteropolitanos que têm porsua baiana favorita a mesma paixão que carregam por seustimes do coração. Além de degustar a iguaria à base devatapá e camarão seco, aproveite para curtir o bairro quevirou point noturno de Salvador, com bares animados erestaurantes descolados. Para os fãs de um descontraídopé-sujo, tem até mercado popular servindo de moqueca afeijoada a qualquer hora do dia ou da noite.Mergulho: Baía de Todos os SantosA grande quantidade de navios naufragados na Baía deTodos os Santos faz da região uma das mais procuradaspelos mergulhadores brasileiros. São 12 pontos, grandeparte nos arredores do Farol da Barra, com rica vidamarinha. As formações de coral de Itapuã também atraemadeptos do esporte. Considerada a maior baía do País -possui uma área de 900 km² e um perímetro de 200 km deextensão. a Baía de Todos os Santos bordeja todo o litoralde Salvador e banha cinco ilhas. Rica em vida marinha, asua fauna abriga animais como tartarugas-marinhas ebotos-cinza, enquanto sua flora integra recifes de corais egrande diversidade de manguezais.Solar do UnhãoUm dos mais belos conjuntos arquitetônicos às margens daBaía de Todos os Santos, o Solar do Unhão abriga o Museude Arte Moderna da Bahia, reunindo mais de duas mil obrasde pintores brasileiros como Di Cavalcanti, Portinari e Tarcilado Amaral. Construído no século 17, em alvenaria de pedra,para ser a residência do desembargador Pedro UnhãoCastelo Branco, o solar foi adaptado para fins comerciais,sendo composto por casa-grande, senzala, capela, armazéme cais. O pier ganhou um restaurante com mesas ao ar livree apresentações folclóricas e musicais, além de título de umdos melhores pontos da cidade para apreciar o pôr do sol.Elevador Lacerda:A maneira mais original de circular entre a Cidade Alta e aCidade Baixa é pelo Elevador Lacerda, um dos marcos dacapital baiana inaugurado em 1872. Com 72 metros dealtura, liga a Praça Tomé de Souza (parte alta) à Praça Cairu,onde fica o Mercado Modelo. Restaurado em 2002, ganhounova iluminação noturna e janelas panorâmicas quedescortinam o cais e o mercado.30 • CANAL, Jornal da Bioenergia


As praias deSalvadorAs praias urbanas deSalvador não são indicadaspara banho em função daságuas poluídas, mas os calçadõesda orla garantem o movimento.As exceções ficam por conta do Porto daBarra, lotada nos finais de semana; Farol daBarra, que abriga o imponente Forte deSanto Antônio; e Jaguaribe, com mar calmoe muitas barracas.Já as praias do Norte, em direção aoaeroporto, tem águas bem mais limpas e sãomais vazias. Três são imperdíveis – Itapoã,que além da fama tem águas verdes, areiasclaras e piscinas naturais; Stella Maris, queatrai banhistas e surfistas em função dasboas ondas e trechos protegidos por recifes;e Flamengo, com ares rústicos, emolduradapor coqueiros e dunas e point das turmasjovem e do surf.Redondezas de SalvadorPorto da BarraPraia mais próxima do Centro, Porto daBarra tem águas limpas e mar calmo, o quefaz dela uma das mais procuradas aossábados e domingos. Outro atrativo é ailuminação noturna,garantindo o movimento atémesmo depois que o sol sepõe. É indicada para a prática deesportes náuticos, como owindsurfe.Praia do Farol da BarraCenário das grandes comemoraçõesda cidade, como o Reveillon, a Praia doFarol da Barra tem como destaque o Forte deSanto Antônio. Tem águas apropriadas para obanho e calçadão para caminhadas. O pôr do solno Farol da Barra é de uma beleza à parte. Comoum ritual, todos sentam-se na grama e assistemem silêncio a única estrela do espetáculo sedespedindo pouco a pouco do céu.Há poucos quilômetros da capital existem também lugares paradisíacos, que revelama beleza da Bahia. Em Itaparica, o destaque é o passeio pelo chamado Pantanalbaiano, em meio a manguezais e ilhas semidesertas. Já quem optar pelo Litoral Norteencontrará 230 quilôme-tros de praias emolduradas por dunas, lagoase coqueiros.ItapoãItapoã é realmente umcartão-postal. Além do tãofamoso farol, possui águasverdes, coqueiros, piscinasnaturais e areias claras.Stella marisCom boas ondas para a prática do surfe, a praia deStella Maris também tem trechos protegidos porpedras que formam piscinas naturais na maré baixa,perfeitas para quem está com crianças. Nos horários demaré baixa, formam-se piscinas é possível ver muitos peixescoloridos. Nos finais de semana, a praia fica maismovimentada e a disputa por uma barraca fica maior.fotos: DivulgaçãoArembepeAs praias sãobelíssimas, mas oprincipal atrativo davila é mesmo a aldeiahippie. Arembepeabriga a geração “paz eamor” que ainda hoje vendeartesanato e mandioca parasobreviver, preserva a vegetação e vive em casas debarro e palha sem energia elétrica. O cenário intactoda comunidade é o mesmo que encantou e abrigouMick Jagger e Keith Richards em 1968, e a roqueiraJanes Joplin em 1970.Praia do Forte:A Praia do Forte tem apenas 14 quilômetros, masoferece belezas de encher os olhos. Ao longo dapreservada orla, a moldura é formada por areiasclaras, coqueirais, recifes e mar cristalino repletode cardumes coloridos.Desde a década de 80, a Praia do Forte abriga aprincipal base do Projeto Tamar - responsável porestudar e proteger as tartarugas marinhas. Talação foi fundamental para a preservação da vilaque, mesmo concorrida na alta temporada,mantém a natureza da região intocada.A Praia do Forte conta ainda com um pequenocentro comercial fechado ao tráfego de carros ebatizado de Vila, onde dezenas de bares erestaurantes, charmosas pousadas, lojinhas deartesanato e joalherias tomam conta da avenidae das vielas.ItaparicaMaior ilha da Baía de Todos osSantos, Itaparica tem 240quilômetros quadrados deextensão. A ilha é dividida emdois municípios: Itaparica, comatrativos arquitetônicos, comocasarões coloniais econstruções que datam dosséculos 17 e 18; e Vera Cruz,com as melhores praias –protegidas pelas barreiras decorais. Um dos passeios maisinteressantes é o que conduz àregião conhecida comoPantanal baiano. Os barcospartem de Cacha-Pregos epercorrem os manguezais comdireito à paradas na Ilha deMatarandiba, com coqueiros eareias brancas.Novembro de 2011 • 31


Empresas e MercadoTransEspecialista: voos mais altos em 2012Rever a caminhada e traçar os próximos passos. Foi com essesentimento que um grupo de colaboradores da TransEspecialista,empresa que atua na área de logística e transportes, participou, nosdias 13 e 14 de novembro, da reunião anual de planejamentoestratégico (foto). Cerca de 50 pessoas, como gerentes e supervisores- profissionais que ocupam funções táticas na empresa -participaram do encontro, representando mais de 300 colaboradores.Segundo Lucas Mazini, gerente Comercial Corporativo datransportadora, a reunião foi feita para divulgar os resultados daempresa em 2011, os problemas que precisam ser corrigidos, fazendoum balanço de tudo que aconteceu no período.“Conversamos sobre conquistas da empresa, como os novosclientes prospectados, além dos três novos grupos que deverão, embreve, também ser atendidos integralmente pela transportadora, oque deverá fazer com que a empresa praticamente dobre detamanho em breve. E já estamos preparados para esse aumento dedemanda”, conta Mazini.A reunião estratégica também foi importante para oscolaboradores planejarem os caminhos da TransEspecialista em2012. “Discutimos quais serão nossas metas e como deveremos agir.Essa reunião é importante para darmos um feedback a toda a equipee construirmos juntos um norte que a empresa deve seguir nospróximos meses”.Outro assunto importante abordado na reunião foram osinvestimentos da empresa para o próximo ano. “Falamos dosinvestimentos em TI, em filiais, em telemetria nos veículos”.A previsão é de investimento de R$ 450 mil só em telemetria,trazendo para dentro da empresa tudo o que ocorre em cadacaminhão - desde a partida até o momento que o caminhãochega ao destino. Outros R$ 750 mil deverão ser investidos eminformática. “Nos últimos 3 anos, entre 2008 a 2011, aTransEspecialista aumentou o investimento em tecnologia deinformação e informática em cerca de 500%”.Inovação é apresentada emevento do setor sucroenergéticoDurante o SBA – Seminário Brasileiro daAgroindústria – evento dedicado à indústriasucroenergética, foram apresentadas as inovaçõestecnológicas que as usinas do Brasil têm buscadopara tornar seus processos sustentáveis.A Sermatec Zanini, uma das maiores indústrias debase do País e a única empresa na América Latinacapaz de fornecer projetos turn key apresentou emparceria com a empresa Empral, de Jaboticabal, osistema para limpeza de cana a seco eaproveitamento da palha. Para o engenheiro JoãoKasputes, diretor da Empral, as usinas precisam seadequar às novas exigências que o processo demecanização da cana-de-açúcar tem exigido dasindústria que recebe junto com a cana mecanizadaimpurezas minerais e vegetais.A tecnologia desenvolvida, registrada epatenteada pela Empral-Jaboticabal permitiráreduzir o consumo de água nas usinas e a utilizaçãoda palha da cana-de-açúcar na geração de energiaelétrica, apresentando acréscimos energéticosconservadores da ordem de R$ 2,2 por tonelada decana processada, resultados baseados no valor daenergia comercializada a R$ 145,00 MW/h.Além da vantagem energética, a tecnologiapermitirá o processamento da cana mecanizadacom redução considerável de impurezas vegetais eminerais que geram perdas de eficiência nosprocessos, afirma Márcio Oliveira, coordenador devendas da Sermatec Zanini.As empresas comemoram os resultados daparceria com a venda para usina NardiniAgroindustrial, localizada em Vista Alegre do Alto, deum sistema completo para limpeza de cana a seco eaproveitamento da palha que será acoplado à mesaalimentadora existente na usina para manuseio deaté 600 toneladas de cana/hora. Além do sistemacompleto está incluso no fornecimento serviços deelétrica e automação.Para Cristiane Câmara, Gerente de Marketing daSistema para limpeza decana picadaSistema para limpeza decana a seco acoplado amesa alimentadoraSeparador de terra e palhaSermatec Zanini, a introdução de novas tecnologias vem ao encontro do planejamentoestratégico da empresa. “Nossos clientes necessitam de tecnologias que visem aumentar aprodutividade e eficiência do setor, estamos buscando parceiros mundiais de renome paraofertarmos soluções inovadoras para os processos das usinas”.32 • CANAL, Jornal da Bioenergia


Armo traz novo sistema para reparos industriais rápidosParceira comercial da 3M na região de RibeirãoPreto (SP), a Armo do Brasil incluiu em sua linhade produtos um novo sistema para reparos industriaisinstantâneos. O Kit de Reparos Rápidos 3MScotchkote Metal-Tech é composto por produtosdesenvolvidos com alta tecnologia para proteçãocontra corrosão e alguns casos de ataques químicosem equipamentos mecânicos e componentesde máquinas.Em visitas às indústrias e usinas, os técnicos deaplicação da Armo do Brasil constataram que umkit com um sistema de reparos rápidos seria ideale indispensável na maleta dos operadores, facilitandoo trabalho dos profissionais, em geral, sema necessidade de interromper a produção em casode rompimento ou furo em tubulações, juntas detanques, tubos, radiadores, tanques, bombas eválvulas, por exemplo.Um dos itens do kit é o Metal-Tech PR, umabandagem poliuretano de alto desempenho ecura rápida. A utilização é simplificada, sendoativada por imersão em água e tem como funçãoespecífica reparar furos em tubos. Já o Metal-TechSG (fotos) é um composto epóxi bicomponentetambém de cura rápida projetado para a reparaçãoin situ de componentes metálicos. Outroproduto do kit que é ideal para reparos rápidos dealto desempenho é o Metal-Tech RG, um compostopoliuretano bicomponente para superfíciesmetálicas onde se deseja melhores propriedadesmecânicas e usinagem facilitada.O diferencial deste sistema é o custo benefícioque possui, já que na maioria das vezes a indústrianão precisa parar sua produção para realizar osreparos. O Kit de Reparos Rápidos 3M ScotchkoteMetal-Tech tem um custo médio de R$300,00(trezentos reais) e a Armo do Brasil é aplicadoraautorizada dos produtos na região de RibeirãoPreto-SP.Fotos: DivulgaçãoReunion se destaca em projetos greenfieldsA Reunion Engenharia foi responsável pordiversos projetos greenfields de implantação deusina sucroenergéticas no Brasil nos últimosanos. A participação da empresa abrange aescolha do layout da planta, execução dosprojetos conceitual e básica e projeto detalhadode implantação.A Companhia Energética de Açúcar e Álcool(CMAA - Vale do Tijuco), instalada em Uberlândia,MG, entrou em operação no início de 2010.Atualmente, a Usina está operando na suasegunda safra com moagem média de 9.000 tc/dia, produção de álcool anidro de 250 m³/dia,produção de açúcar VHP de 15.000 sacos/dia eexportação de energia elétrica de 18 MW.Outra planta que teve seu start up no início de2010 foi a Companhia Energética Vale do SãoSimão, do Grupo Andrade, instalada no distrito deChaveslândia, no município de Santa Vitória, MG.A moagem média atual da planta é de 8.600 tc/dia, com produção de álcool hidratado de 250 m³/dia, produção de açúcar VHP de 15.000 sacos/diae exportação de energia de 17 MW.O Grupo Jalles Machado também investiu naimplantação de uma nova unidade. A UnidadeOtávio Lage/Codora (foto), inaugurada emsetembro deste ano, em Goianésia, GO, difere-sedas demais por possuir particularidadesindustriais através da utilização de tecnologias deúltima geração.Outra companhia que também investiu no setornos últimos dois anos e que contou com osserviços da Reunion foi a Tonon Bioenegia, pormeio da implantação da uma nova Unidade, a VistaAlegre. O Grupo também possui Unidade emoperação, a Usina Santa Cândida. A Vista Alegre,atualmente, está moendo em média 12.000 tc/diae produzindo 22.000 sacos/dia de açúcar, 350 m³/dia de álcool hidratado/ álcool anidro, além deexportar de 15 MW a 18 MW de energia elétrica.Unidade Otávio Lage/Codora Energiawww.ionixnet.com.brNovembro de 2011 • 33


SimpoesteCaminhospara a eficiênciaSimpósio TecnológicoIndustrial do Centro-Oeste Brasileiro reúneempresas do setorsucroenergético ediscute a importânciada tecnologia e daqualificação damão-de-obraEstandes de empresas e profissionais que atuam no setorsucroenergético durante o Simpoeste. À esquerda, HélioTeixeira Belai, do GemeaUm dos maiores desafios do setor sucroenergéticoé reduzir os custos de produção e aumentar aprodutividade. Hoje, o melhor caminho para isso éinvestir em tecnologia de equipamentos e tambémno treinamento da mão-de-obra. A fim de atenderà necessidade de informações e compartilharconhecimentos sobre o assunto, a Sinatub e aQualidade Eventos, promoveram, dos dias 23 a 25de novembro, em Goiânia (GO), o 2º Simpoeste –Feira de Tecnologia e Negócios do Centro-OesteBrasileiro.O evento foi apoiado pelo Gemea, Sifaeg,Sifaçúcar e Fieg e contou com a presença de grandesempresas do setor que abordaram no ciclo depalestras a aplicação, a importância, as vantagens ea disponibilidade dos produtos envolvidos em projetosde caldeiras, tubulação industrial e acessórios,turbinas, bombas e geração de energia.Goiás, o novo polo do setorA segunda edição do Simpoeste contou com apresença de 5 mil visitantes e 110 expositores dediversas regiões do país como São Paulo, MatoGrosso e Goiás. O gerente de marketing da empresaFertron, João Carlos Sponchiado, afirma que a Feiraé uma boa oportunidade para despertar o interessedos produtores para o uso da tecnologia, que hojeé a tendência do mercado mundial.“Goiás, hoje, é propício para que se desenvolvamindústrias do setor sucroenergético, o quefalta, e está sendo feito pelo Simpósio, é justamentecompartilhar conhecimentos comempresas que possuam um know-how umpouco maior e possam contribuir para a melhoriado processo produtivo.”, afirmaSegundo o coordenardor de serviços de campoda TGM, Mauro Moratelli, Goiás e Mato Grosso sãoas novas fronteiras de cana-de-açúcar, “por isso,estar numa Feira como o Simpoeste é fundamentalpara o crescimento da empresa”, destaca.O diretor comercial da Equilíbrio, Luís MendesJúnior, compartilha da mesma opinião. “Goiás estáse destacando como o centro das melhores usinasdo País e cresce não apenas no agronegócio, mastambém na parte industrial”.Vantagens da nova fronteira“Quando uma usina inicia um projeto novo, elatem uma perda, com relação a um projeto que játenha cinco anos de duração, de aproximadamente5 pontos percentuais na eficiência”. A informaçãopassada pelo diretor do grupo de estudo demaximização da eficiência agroindustrial (Gemea),Hélio Teixeira Belai, reafirma a importância de seinvestir em tecnologia e mão-de-obra qualificadapara melhorar o desempenho da produção, “comisso, a empresa ganha em custo, eficiência, eaumenta também a segurança dos colaboradores”,destaca.Hélio ainda afirma que Goiás tem se destacadono mercado porque possui uma série de vantagensem relação ao Sudeste e a outros Estados doCentro-Oeste. “Mato Grosso tem alguns problemasde solo e de escoamento da produção, somado àuma resistência dos sojicultores. Já Goiás, além denão oferecer essa resistência, possui um solo fértilpara o cultivo da cana, uma logística favorável eapoio governamental”, explica.fotos: Divulgação34 • CANAL, Jornal da Bioenergia


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