agr - SciELO Proceedings

proceedings.scielo.br

agr - SciELO Proceedings

PROJEÇÃO DA DEMANDA ENERGÉTICA DO SETORAGROPECUÁRIO DE MATO GROSSO UTILIZANDO O MODELODE DECOMPOSIÇÃO ESTRUTURALIVO LEANDRO DORILEO*SÉRGIO VALDIR BAJAY***Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Planejamento Energético da UFMT edoutorando em Planejamento de Sistemas Energéticos na Unicamp**Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético e Departamento deEnergia/FEM, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)ResumoO setor agropecuário de Mato Grosso constitui-se, atualmente, no principal elemento motor noelevado crescimento da economia do Estado, com capacidade de interiorização da população e deindustrialização. O setor responde por cerca de 30% do PIB estadual. Uma análise retrospectivada evolução das grandezas econômicas e energéticas envolvidas no modelo de projeção dadecomposição estrutural precede, neste trabalho, uma análise prospectiva, até 2012, usando estemodelo, da matriz energética deste setor no Estado. As projeções da demanda energética setorialseguem uma estrutura de cenários macroeconômicos que correspondem a diversas possibilidadesde crescimento do PIB estadual.AbstractAgriculture in Mato Grosso is, currently, the main responsible for the high economic growth of thestate’s economy, sustaining population in rural areas and pushing industrialization. Around 30% ofthe state’s GDP is provided by this sector. A retrospective analysis of the evolution of the economicand energy consumption related parameters involved in the structural decomposition forecastingmodel precedes, in this paper, a prospective analysis, up to the year 2012, using this model, ofenergy consumption in this sector in the State. The energy demand forecasts follow a structure ofmacroeconomic scenarios which correspond to several possibilities of the local GDP growth.1 IntroduçãoProgramas federais como o PoloAmazônia, PoloCentro, PoloNoroeste e Programa deIntegração Nacional (PIN), a rodovia BR 163 e o dinamismo da iniciativa privada local fizeram comque o Estado de Mato Grosso se tornasse um importante produtor de commodities agropecuáriasno País, a partir dos anos 1970. O Estado passou a vivenciar um fluxo econômico acelerado,quando a indústria madeireira, a construção civil, o comércio, a agricultura e a pecuáriaintensificaram suas atividades. No setor secundário, destacou-se o fortalecimento da indústriaalimentícia, com a implantação de frigoríficos e agroindústrias, especialmente as de esmagamentode soja e produção do óleo. A partir de então, as bases do desenvolvimento da economia matogrossensefundamentaram-se em dois aspectos: o primeiro é a migração de empresas eprodutores rurais para o estado; o segundo, os eixos viários emergentes que modificaram asrelações mercantis entre os mais importantes núcleos urbanos e dinâmicos do País.2 Crescimento do setor agropecuário no EstadoNos últimos anos, a agropecuária tem tido um papel importante na geração de divisasexternas. A soja é responsável por 84,84% das exportações do Estado, o algodão responde por53% da produção nacional, e o rebanho bovino, da ordem de 25,0 milhões de cabeças (INDEA,2005), possui uma alta competitividade.O setor agropecuário colocou Mato Grosso, em 2001, na décima posição entre os Estadosque mais exportaram, com 2,65% do total exportado pelo Brasil (SEPLAN, 2003). O ValorAdicionado deste setor respondeu, naquele ano, por 30% da formação do PIB estadual, contra 7%1


na formação do PIB nacional (IBGE, 2005). Apesar da pujança agropecuária local, o PIB matogrossenseparticipou com apenas 1,02 % do PIB nacional (SEPLAN, 2003).A notável expansão agrícola e da pecuária mato-grossense deu-se graças a investimentossignificativos no manejo adequado do solo, na qualidade das pastagens e em melhorias genéticas.Entre os principais produtos estão bovinos, suínos, aves, peixes, soja, algodão, arroz, milho, canade-açúcar,a atividade extrativa da madeira em tora, a produção de lenha e, em menor escala,uma cadeia da fruticultura. As Tabelas 1, 2, 3 e 4 mostram a evolução de alguns dos principaisprodutos agrícolas no Estado.Tabela 1: Área e produção da cultura do algodãoherbáceo (em caroço), em MT/1995-2001Tabela 2: Área e produção da cultura de arroz (emcasca), em MT/1995-2001Ano/Safra Área(ha) Produção(t) Ano/Safra Área (ha) Produção(t)1995 69.390 87.458 1995 417.074 762.3271996 55.075 73.553 1996 429.086 721.7931997 42.259 78.376 1997 355.231 694.9041998 106.483 271.038 1998 364.148 776.5021999 200.182 630.406 1999 726.682 1.727.3392000 257.762 1.002.836 2000 698.518 1.851.5172001 412.315 1.525.376 2001 450.413 1.151.816Fonte: IBGE, 2005 Fonte: IBGE, 200Tabela 3: Área e produção da cultura da soja (em grão), emMT/1995-2001Ano/Safra Área (ha) Produção (t)1995 2.322.825 5.491.4261996 1.956.148 5.032.9211997 2.192.514 6.060.8821998 2.643.389 7.228.0521999 2.635.010 7.473.0282000 2.906.448 8.774.470Tabela 4: Área e produção da cultura de cana-deaçúcar,em MT/1995-2001Ano/Safra Área (ha) Produção (t)1995 98.906 6.944.9891996 118.506 8.462.4901997 133.950 9.988.0271998 136.462 9.871.4891999 142.747 10.378.0882000 135.029 8.470.0982001 3.121.353 9.533.286Fonte: IBGE, 20052001 166.510Fonte: IBGE, 200511.117.894Conforme indicado na Tabelas 5, este setor da economia mato-grossense apresentou umcrescimento econômico (16,1% a.a.) muito acima da média nacional (1,8% a.a.) no períodoanalisado (1995/2002).Tabela 5: Evolução, de 1995 a 2002, dos valores adicionados brutos, a preços básicos constantesde 2002*, do setor agropecuário - Mato Grosso e Brasil – Un: milhão R$Setor \ Ano 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 T.M.C. %Agropecuário– MT 1.747,3 1.909,0 2.301,7 2.636,7 3.307,6 3.840,2 4.215,1 4.959,9 16,1Agropecuário-Brasil 93.021,2 88.949,2 88.278,9 91.571,0 90.309,8 92.623,3 98.358,6 104.907,5 1,8T.M.C. Taxa Média de Crescimento ao ano - 1995-2002*Utilizou-se o deflator implícito do PIBFonte: Elaboração própria mediante dados da SEPLAN/MT e IBGE3 Consumo dos principais energéticos do setor agropecuário matogrossenseUm forte crescimento no consumo de óleo diesel (10,1% a.a.) evidencia a expansão dosetor agropecuário mato-grossense, envolvendo um maior grau de mecanização, inclusive commáquinas de grande porte para preparo da terra. Mato Grosso liderou as compras, em 2003, com54% do total do Centro-Oeste, de cultivadores motorizados, tratores de rodas e de esteiras,2


colheitadeiras e retroescavadeiras (ANFAVEA, 2005). A expansão setorial tem sido acompanhada,também, de um grande aumento do consumo de eletricidade (21,9% a.a.), possibilitado pelapenetração das redes de distribuição no meio rural e impulsionado pelo uso crescente deprocessos elétricos (sobretudo para força motriz) no campo e pelo aumento de áreas irrigadas. Oóleo combustível, para calor de processo, vem tendo uma participação média ínfima, de 0,03%, noperíodo. A Tabela 6 mostra a evolução, de 1995 a 2003, do consumo das principais fontes deenergia no setor agropecuário do Estado.Tabela 6: Consumo dos principais energéticos no setor agropecuário de Mato Grosso, de 1995 a2003 – Unidades: tEP e %Fontes 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003Óleo diesel10 3 tEP 240,3 231,6 243,7 271,4 310,6 341,4 368,4 412,6 518,8% 93,1 91,1 90,6 88,7 88,6 86,7 87,3 86,2 85,7Óleo10 3 tEP - - - - - 0,1 0,4 0,2 0,2combustível % - - - - - 0,0 0,1 0,1 0,0Eletricidade10 3 tEP 17,7 22,7 25,3 34,6 40,1 52,4 53,3 65,5 86,3% 6,9 8,9 9,4 11,3 11,4 13,3 12,6 13,7 14,3Total10 3 tEP 258,0 254,3 269,0 306,0 350,7 393,9 422,1 478,3 605,3% 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0Fonte: SICME, 20044 Escolha do modelo de projeção da demanda energética e evoluçãohistórica das variáveis envolvidas4.1 A escolha do modeloOs modelos mistos de projeção da demanda energética permitem a simulação de rupturasdos padrões históricos da demanda a ser projetada, por conta de mudanças estruturais naeconomia, novas políticas tecnológicas, energéticas ou ambientais, etc., ao mesmo tempo em querequerem que se analisem estes padrões históricos, detectando-se as tendências existentes e,eventualmente, ajustando regressões econométricas aos dados históricos disponíveis. Astendências detectadas, ou as regressões obtidas, servem, então, como referências, oubalizadores, para a simulação das eventuais rupturas acima mencionadas. Este tipo de modelopermite ter as principais vantagens dos modelos econométricos e dos modelos de simulação, semcarregar os ônus de suas desvantagens (BAJAY, 2005). O modelo de projeção baseado nadecomposição estrutural da demanda energética, escolhido para realizar as projeções dedemanda, pode ser usado como um modelo misto e ele foi usado como tal neste trabalho.Como se deseja, neste trabalho, que as projeções da demanda energética para o Estado deMato Grosso tenham como balizadores cenários de desenvolvimento de âmbito nacional, éessencial que a metodologia adotada para projeção da demanda permita facilmente talassociação. O modelo de projeção baseado na decomposição estrutural da demanda energética ébastante flexível e atende perfeitamente a este requisito.O consumo total de energia do setor agropecuário pode ser determinado a partir da seguinteexpressão básica:CECEagrVAagr= . PIB(4.1)VA PIBagr.agronde:CE agr é o consumo energético total do setor agropecuário;VA agr é o valor agregado do setor agropecuário; ePIB é o Produto Interno Bruto.3


Na expressão acima, a razão entre o consumo energético e o valor agregado do setorCE / representa a intensidade energética deste setor. A razão entre oagropecuário ( )agrVA agrvalor agregado e o Produto Interno Bruto ( VA agr/ PIB)representa a participação do setoragropecuário na formação do PIB. O consumo de energéticos (CE) pode ser desagregado porfontes (eletricidade, GLP, gás canalizado e lenha) e/ou por usos finais (iluminação, cocção,conforto térmico, aquecimento de água, etc.).A participação relativa de cada energético em um determinado período é influenciada peladisponibilidade de cada energético, flexibilidade de utilização de diferentes energéticos para umdeterminado equipamento de uso final, incentivos fiscais ou creditícios para a substituição deequipamentos que utilizem tecnologias diferentes para um mesmo uso final, preços relativos entreos energéticos substitutos e renda da população.Políticas públicas, como a da busca de universalização da energia elétrica, também podemafetar de forma significativa a estrutura de consumo de uma dada região, na medida em que, apartir do momento que se disponibiliza um dado energético, estimula-se os consumidores aadquirirem diversos equipamentos que o utilizem.4.2 Evolução do valor adicionado do setor agropecuário de Mato GrossoO setor agropecuário foi o mais dinâmico da economia no relativamente curto período detempo analisado na Figura 1, quase duplicando, em apenas oito anos, a sua participação naformação do PIB estadual.353025%201510501995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002AnoFigura 1: Participação do valor adicionado do setor agropecuário no PIB estadual, 1995-20024.3 Evolução das Intensidades Energéticas do Setor Agropecuário MatogrossenseO forte crescimento do valor adicionado do setor agropecuário no Estado no período de1995 a 2002 (dados disponíveis), bem maior do que o crescimento do consumo energético totaldeste setor, fez com que sua intensidade energética total decrescesse significativamente (50% noperíodo), conforme indicado na Tabela 7.4.4 Evolução da participação relativa dos principais energéticos no setoragropecuário mato-grossenseOs principais energéticos consumidos no setor agropecuário no Estado de Mato Grosso sãoo óleo diesel e a eletricidade; os demais energéticos consumidos neste setor têm uma participaçãoinsignificante. A Tabela 8 mostra a evolução histórica da participação destes energéticos noconsumo total do setor. Pode-se observar uma queda suave, mas contínua, na participaçãorelativa do óleo diesel, que, no entanto, ainda corresponde a 85,7% do consumo energético total4


do setor em 2003, com um aumento simétrico na participação da energia elétrica. Programas deeletrificação rural no Estado e um uso mais intenso de irrigação com bombas elétricas e deequipamentos eletro-rurais explicam este comportamento.Tabela 7: A evolução da intensidade energética do setoragropecuário de Mato Grosso, de 1995 a 2002Ano/SetorAgropecuário1995 0,151996 0,131997 0,121998 0,121999 0,112000 0,102001 0,102002 0,09Fonte: Elaboração própria com dados da SICME, 2004 e SEPLAN/MT,2004Tabela 8: Participação relativa dos principais energéticos noconsumo energético total do setor agropecuário de Mato Grosso,de 1995 a 2003 – Unidade: %AnoÓleo DieselEnergéticosEletricidade1995 93,1 6,91996 91,1 8,91997 90,6 9,41998 88,7 11,31999 88,6 11,42000 86,7 13,32001 87,3 12,72002 86,2 13,82003 85,7 14,3Fonte: Elaboração própria, com dados da SICME, 20045 Cenários alternativos de evolução para a economia e para a matrizenergética do Estado, com destaque para o setor agropecuário, vis-à-viscenários nacionaisNeste trabalho, a construção de cenários alternativos para o Estado de Mato Grosso estábaseada em:• análises retrospectivas da evolução da estrutura socioeconômica de Mato Grosso e de suamatriz energética;• análise das perspectivas de crescimento da economia e das oportunidades de avanços namatriz energética mato-grossense, que envolveu uma consulta a especialistas (DORILEO,2006), sobre o mercado de gás natural, energia oriunda da biomassa, geração distribuída eprogramas de eficiência energética e de redução de impactos ambientais;• cenários e projeções da matriz energética nacional, utilizados nos últimos: (i) plano decenal dosetor elétrico; (ii) plano estratégico da Petrobrás; (iii) cenários da matriz energética nacional;(iv) projeções de longo prazo do Department of Energy, do governo americano; e (v) projeçõesde longo prazo da International Energy Agency.5


Definiram-se três cenários alternativos para o crescimento do PIB estadual, associados acenários nacionais correspondentes – cenários de baixo, médio e alto crescimento. As Tabelas 9 e10 mostram as taxas de crescimento do PIB assumidas nestes cenários.Tabela 9: Cenários de crescimento nacionaisCenáriosPIB: Taxa média de crescimentonos próximos 10 anosBaixo crescimento 3,0%Médio crescimento 4,0%Alto crescimento 5,0%Tabela 10: Cenários de crescimento estaduaisCenáriosPIB: Taxa média de crescimentonos próximos 10 anosBaixo crescimento 3,6%Médio crescimento 5,0%Alto crescimento 6,0%5.1 Projeções dos valores adicionados do setor agropecuário nos cenários debaixo, médio e alto crescimento da economiaO bom desempenho do setor agropecuário de Mato Grosso tem sido favorecido pelamodernização e ampliação da área cultivada das lavouras de soja, algodão e arroz, cuja produçãocontinuará, em sua maioria absoluta, sendo beneficiada ou processada fora de suas fronteiras, ouseja, a industrialização da agricultura mato-grossense ater-se-á, exclusivamente, ao consumo deinsumos e maquinarias, ainda que já tenha sido delineada uma nova configuração do padrãotecnológico e do manejo científico de recursos biológicos na agricultura e na pecuária do Estado(PEREIRA, 1995). Assume-se, neste trabalho, que os outros setores da economia terão umdesempenho muito melhor que o atual nos cenários de médio e alto crescimento do PIB doEstado, “ofuscando” o crescimento do setor agropecuário. A evolução, até 2012, das séries devalores adicionados deste último setor nos três cenários está indicada na Tabela 11.Tabela 11: Evolução assumida, até 2012, para os valores adicionados brutos do setoragropecuário de Mato Grosso nos cenários de baixo, médio e alto crescimento do PIB– Unidade: Milhão R$Ano Baixo crescimento do PIB Médio crescimento do PIB Alto crescimento do PIB2003 5.422,5 5280,0 5302,52004 5760,4 5660,1 5678,32005 6392,7 6033,9 6080,72006 7005,7 6441,6 6503,62007 7595,0 6875,1 6973,12008 8.238,2 7325,1 7452,22009 8.832,7 7832,5 7996,42010 9.547,6 8346,9 8563,12011 10.279,7 8918,9 9169,92012 11.075,7 9504,3 9819,85.2 Projeção da intensidade energéticaA tendência da intensidade energética no setor agropecuário do Estado foi obtida,inicialmente, através de regressões lineares simples, com os dados da Tabela 7, resultantes daanálise retrospectiva. Como a série histórica é curta e as transformações ocorridas neste setorrecentemente foram muito fortes, decidiu-se buscar alguns subsídios adicionais através da analisedas intensidades energéticas deste setor em outros Estados .Examinando as intensidades energéticas do setor agropecuário nos Estados da Bahia -0,050 tEP/ mil R$ em 2003, ano-base 2003 (CARVALHO, 2005) e de São Paulo - 0,279 tEP/mil R$em 2002, ano-base 2002 (NIPE, 2005), observa-se que são setores opostos em termos demecanização intensiva. O setor agropecuário mato-grossense tem uma mecanização maior que oda Bahia e menor que a de São Paulo. Com base nesta análise e no comportamento daintensidade energética nos três últimos anos da série (2000 a 2002), que refletem o crescimento6


esperado para o período de projeção, assumiu-se o valor de 0,10 tEP/mil R$ para todo esteperíodo, conforme indicado na Figura 2.0,160,140,120,1tEP/mil R$0,080,060,040,0201995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012AnoIE projetadaIE observadaFigura 2: Projeção da intensidade energética total do setor agropecuário5.3 Projeções das participações de energéticos no setor agropecuárioCom base nas análises feitas nas seções 2 e 3 e nos resultados da consulta a especialistas,assumiu-se as evoluções futuras indicadas na Figura 3 para as participações do óleo diesel e daeletricidade no consumo total de energia do setor agropecuário.100,090,080,070,060,0%50,040,030,020,010,00,01995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012AnoProjeção Óleo diesel Óleo diesel Projeção Eletricidade EletricidadeFigura 3: Histórico disponível e evolução assumida para a participação dos energéticosconsumidos no setor agropecuárioEmbora a expansão do consumo de óleo diesel tenha sido acentuada no período 1995-2003, a participação relativa deste combustível tem apresentado queda, enquanto a daeletricidade tem aumentado, conforme ilustrado na Figura 3. Prevêem-se investimentos maiores,no futuro, na modernização do setor, com uma participação crescente da eletricidade e umaeficiência maior nos usos finais que utilizam o óleo diesel.6 Projeções da demanda energética7


De acordo com a Tabela 6, o setor agropecuário do Mato Grosso tem apresentado,historicamente, uma forte elevação de seu consumo energético, quase que exclusivamente deóleo diesel e eletricidade. O cenário de baixo crescimento da economia preconiza, para o setor,uma manutenção dos seus parâmetros de crescimento, principalmente em função dos produtos deexportação (alto valor unitário do produto e crescente participação no produto total), com elevaçãodo consumo de energia, que atingirá quase um milhão, cento e dez mil tEP em 2012. A Figura 4mostra a evolução, histórica e projetada, do consumo dos energéticos no setor agropecuário.10³ tEP90080070060050040030020010001995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012AnoÓleo Diesel Eletricidade Óleo Diesel - Observado Eletricidade - ObservadoFigura 4: Evolução da demanda de óleo diesel e de eletricidade no setor agropecuário de MatoGrosso – valores observados e projeções do cenário de baixo crescimento do PIBO cenário de médio crescimento da economia prevê uma pequena diminuição naparticipação do valor adicionado do setor agropecuário, com um comportamento mais uniforme, aexemplo dos desempenhos do mesmo setor em outros Estados mais desenvolvidos. Nestecenário, o consumo de energia será, no último ano da série, 14,2% menor do que no cenárioanterior, conforme indicado na Figura 5.80070060050010³ tEP40030020010001995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012AnoÓleo Diesel Eletricidade Óleo Diesel - Observado Eletricidade - ObservadoFigura 5: Evolução da demanda de óleo diesel e de eletricidade no setor agropecuário de MatoGrosso – valores observados e projeções do cenário de médio crescimento do PIBO cenário de alto crescimento da economia guarda similaridade com o cenário de médiocrescimento quanto à evolução do setor. Neste cenário atenta-se mais para os níveis deprodutividade, para as técnicas agro-florestais empregadas e sobre como está ocorrendo aexpansão da fronteira agrícola, envolvendo parcerias entre o governo e os empresários na busca8


de um modelo de desenvolvimento sustentável para o setor agropecuário (TOLMASQUIM eSZKLO, 2000). Deste modo, neste cenário, também, as projeções do consumo de energia sãomenores em comparação com o cenário de baixo crescimento do PIB, atingindo, no ano de 2012,o valor de quase um milhão de tEP, conforme mostrado na Figura 6. As projeções, no entanto, sãomais elevadas do que as do cenário de médio crescimento da economia.80070060050010³ tEP40030020010001995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012AnoÓleo Diesel Eletricidade Óleo Diesel - Observado Eletricidade - ObservadoFigura 6: Evolução da demanda de óleo diesel e de eletricidade no setor agropecuário de MatoGrosso – valores observados e projeções do cenário de alto crescimento do PIBA Figura 7 mostra as projeções da demanda energética total do setor agropecuário noEstado, nos três cenários considerados neste trabalho.1200,01000,0800,010³ tEP600,0400,0200,00,01995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012AnoCenário de Baixo CrescimentoCenário de Alto CrescimentoCenário de Médio CrescimentoConsumo ObservadoFigura 7: Projeções da demanda energética total do setor agropecuário de Mato Grosso nos trêscenários7 Conclusão9


Este trabalho analisa a matriz energética do setor agropecuário do Estado de Mato Grosso,através de seus principais determinantes socioeconômicos, valendo-se de um diagnóstico setoriale da simulação de cenários macroeconômicos. Aplicou-se um modelo flexível e eficaz de projeçãoda demanda energética para o setor, tomando como ano-base o ano de 2002 e, como horizontede análise, o ano de 2012. Os resultados obtidos refletem não só a visão dos autores quanto àsevoluções possíveis para a demanda energética setorial, função das hipóteses assumidas para asvariáveis econômicas e energéticas do modelo de projeção adotado, como, também, eles refletemas valiosas informações obtidas na consulta a especialistas no Estado (DORILEO, 2006), sobre omercado de gás natural, energia oriunda da biomassa, geração distribuída e programas deeficiência energética e de redução de impactos ambientais.Palavras-chave: Planejamento energético regional, projeção da demanda energética, consumode energia no setor agropecuário8 REFERÊNCIASANFAVEA, Estatísticas de vendas de veículos automotores. Disponível em. Acesso em 04 de Julho de 2005.BAJAY, Sérgio Valdir, Planejamento da expansão de sistemas energéticos: tipos de modelos,suas vantagens relativas e a atual competência para desenvolvê-los no Brasil. Relatório doProjeto BRA/01/039 – Apoio à Reestruturação do Setor Energético, Contrato 2003/000971,Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Brasília, 2004.CARVALHO, Cláudio Bezerra de, Avaliação Crítica do Planejamento Energético de LongoPrazo no Brasil, com Ênfase no Tratamento das Incertezas e Descentralização do Processo,tese de doutorado em planejamento de sistemas energéticos, FEM / Unicamp, Campinas, 2005.DORILEO, Ivo Leandro. A Matriz Energética de Mato Grosso – Análise e Prospecção,dissertação de mestrado em planejamento de sistemas energéticos, FEM / Unicamp, Campinas,2006.IBGE, Cadastro e Classificações Econômicas, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.Disponível em . Acesso em 02 de Abril de 2005.NIPE, Novas Abordagens Metodológicas nos Estutos de Mercado a Curto, Médio e LongoPrazos, Relatório preliminar de Projeto de P&D para a CPFL, Núcleo Interdisciplinar dePlanejamento Energético, Unicamp, 2005.PEREIRA, Benedito Dias, Industrialização da Agricultura de Mato Grosso, UniversidadeFederal de Mato Grosso, Cuiabá, 1995.SEPLAN, Anuário Estatístico De Mato Grosso – 2002, Secretaria de Estado de Planejamento eCoordenação Geral, Cuiabá, 2003.SICME, Balanço Energético de Mato Grosso E Mesorregiões – 2004, Secretaria de Estado deIndústria, Comércio, Minas e Energia do Governo de Mato Grosso, Cuiabá, 2004.TOLMASQUIM, Maurício Tiomno e Alexandre S. Szklo, A Matriz Energética Brasileira naVirada do Milênio, COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, 2000.10

More magazines by this user
Similar magazines