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CARTA DO EDITORMirian Toméeditor@canalbioenergia.com.br0412140812 GESTÃO DE PESSOASFormação e capacitação da mão de obra são a solução para suprir o déficit detrabalhadores qualificados para o trabalho em usinas sucroenergéticas.fotos: divulgaçãoSigamos em frenteCom o fim do processo eleitoral, o Brasilagora retorna sua atenção para a solução deproblemas que atrapalham o desenvolvimentoeconômico e social, com destaque para asdeficiências de infraestrutura de transporte,que penalizam, especialmente, a agroindústriabrasileira. Em nossa matéria de capa,mostramos o quanto é preciso avançar nesteaspecto para que o Brasil possa eliminar perdase desperdícios decorrentes de estradas, portos eaeroportos que se encontram em condiçõesinadequadas para sustentar o vigorosocrescimento que experimentamos.E como sempre, levamos à você, leitor,abordagens jornalísticas que possam contribuirpara o constante aprimoramento do setorsucroenergético e da produção de biodiesel, aexemplo das novas tendências na gestão depessoas nas empresas que, a cada dia, valorizammais seus recursos humanos, adotando açõespara qualificar pessoal e reter talentos nummercado ávido por por profissionaiscompetentes.Nesta edição, destacamos, ainda, arealização do Seminário Canal Sucroeste, umaparceria do Canal - Jornal da Bioenergia com aMultiplus Feiras e Eventos que reuniu, noCentro de Convenções de Goiânia, seleto grupode profissionais que atuam no setorsucroenergético e palestrantes de renomenacional e internacional para a discussão deaspectos técnicos diversos, como logística,plantio mecanizado de cana-de-açúcar,irrigação, caldeiras e geração de vapor, entreoutros.Esses assuntos, caro leitor, são apenas umaamostra do que o espera nas páginas seguintes.Boa Leitura!04 ENTREVISTARoberto Hollanda, presidente daBiosul, fala sobre a expansãosucroenergética no Mato Grosso do Sule principais temas do cenário nacional.08 CONCRETO DE CANAPesquisa desenvolvida na UFSCarrevela potencial de utilização deresíduo na substituição da areiautilizada na construção civil.14 PESQUISAEmbrapa forma Grupo de Trabalho deCana-de-Açúcar para organizarinformações estratégicas da pesquisabrasileira sobre o tema.24 MAIS BRASILMilhares de visitantes se dirigem àFazenda Jabuticabal, nesta época doano, em Goiás, para saborear deliciosasfrutas colhidas no pé.CANAL, o Jornal da Bioenergia, é uma publicação daMAC Editora e Jornalismo Ltda. - CNPJ 05.751.593/0001-41DIRETOR EXECUTIVO: César Rezende - diretor@canalbioenergia.com.brDIRETORA EDITORIAL: Mirian Tomé DRT-GO-629- editor@canalbioenergia.com.brGERENTE ADMINISTRATIVO: Patrícia Arruda- financeiro@canalbioenergia.com.brGERENTE DE ATENDIMENTO COMERCIAL: Beth Ramos - comercial@canalbioenergia.com.brEDITOR: Evandro Bittencourt DRT-GO - 00694 - redacao@canalbioenergia.com.brREPORTAGEM: Evandro Bittencourt, Fernando Dantas,Luisa Dias e Mirian ToméDIREÇÃO DE ARTE: Fábio Santos - arte@canalbioenergia.com.brREPRESENTANTE: SÁ PUBLICIDADE E REPRESENTAÇÕES LTDA. BRASÍLIA,GOIÁS, TOCANTINS, MATO GROSSO, MATO GROSSO DO SUL, REGIÕES NORTEE NORDESTE. Thiago Sá Thiago@sapublicidade.com.br (61) 3201 0073 (62) 3275 7678BANCO DE IMAGENS: UNICA - União da Agroindústria Canavieira de São Paulo:www.unica.com.br; SIFAEG - Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado deGoiás: www.sifaeg.com.br; / REDAÇÃO: Av. T-63, 984 - Conj. 215 - Ed. Monte LíbanoCenter, Setor Bueno - Goiânia - GO- Cep 74 230-100 Fone (62) 3093 4082 - Fax (62)3093 4084 - email: canal@canalbioenergia.com.br / TIRAGEM: 12.000 exemplares /IMPRESSÃO: Ellite Gráfica – ellitegrafica2003@yahoo.com.br / CANAL, o Jornal daBioenergia não se responsabiliza pelos conceitos e opiniões emitidos nas reportagens eartigos assinados. Eles representam, literalmente, a opinião de seus autores. É autorizadaa reprodução das matérias, desde que citada a fonte.www.twitter.com/canalBioenergiaAssine o CANAL, Jornal da Bioenergia - Tel. 62.3093-4082 assinaturas@canalbioenergia.com.brO CANAL é uma publicação mensal de circulação nacional e está disponível nainternet no endereço: www.canalbioenergia.com.br e www.sifaeg.com.br“Sede fortes e revigore-se o vosso coração vóstodos que esperais no Senhor"(Salmos 31:24)


ENTREVISTA - Roberto Hollanda, presidente-executivo da BiosulNo ritmo do mercadoDIRIGENTE DA BIOSUL FALA SOBRE A PRODUÇÃO SUCROENERGÉTICANO MATO GROSSO DO SUL, ESTADO QUE VEM SE DESTACANDO PELOFORTE CRESCIMENTO DA ATIVIDADE CANAVIEIRAEvandro BittencourtPernambucano do Recife, Roberto HollandaFilho tem 46 anos. Formou-se em Administraçãopela Universidade Federal de Pernambucoem 1986 e na Espanha, cursou o Masterem Marketing no Centro de Estudios Empresariales,em Madrid.Ao longo de sua carreira, acumulou experiêncianos setores de comércio, publicidade e consultoriapara, em 1998, ingressar no setor sucroenergético,como secretário-geral da Associação Brasileirada Indústria de Álcool (Alco). Após 4 anos,foi eleito presidente da entidade, sendo reconduzidoao cargo até 2008. A frente da Alco - umadas primeiras entidades do setor sucroenergéticoque teve a gestão profissionalizada - tambémconferiu à entidade um caráter comercial, consolidandooperações de comercialização de etanolno mercado interno e em pools de exportação.Em setembro de 2008 aceitou o convite paraconduzir a profissionalização da representaçãoinstitucional do setor sucroenergético do Estadodo Mato Grosso do Sul e a criação da Associaçãodos Produtores de Bioenergia do Estado de MatoGrosso do Sul (BioSul), entidade que preside.Mato Grosso do Sul é o quinto maiorprodutor de cana-de-açúcar doPaís. Com o ritmo atual da expansãoda atividade canavieira o senhoracredita que o Estado possa seaproximar ainda mais do topo desseranking nos próximos anos?Hoje ainda estamos um pouco distantede Goiás, Minas e Paraná. SãoPaulo é, de longe, o primeiro. MatoGrosso do Sul ou Goiás deve se tornaro segundo maior produtor decana do País. Acredito que, dentrode três anos, já teremos o mesmoporte dos principais produtores.Qual o potencial de crescimento daatividade canavieira no Estado?O setor ocupa, atualmente, 430mil hectares e os estudos indicamque existem 6 milhões de hectaresdisponíveis, propícios à cultura dacana no Estado. E os fundamentossão positivos. O ambiente institucionalno Mato Grosso do Sul émuito bom para a nossa atividadee, por isso, eu digo que podemos irbem longe na nossa produção. Oimportante é ir no ritmo certo,sem bolha, sem exagero. Cresceracompanhando o mercado. E issoé muito positivo para o produtorrural do Estado, que tem na canauma nova opção de renda.Como a questão da sustentabilidadee expansão da produção dacana-de açúcar tem sido tratada noMato Grosso do Sul?O Estado tem uma vocação para oagronegócio e nós, do setor sucroenergético,temos de estar muitoatentos para a comunicação com asociedade. E não é que a gente tenhade se tornar sustentável e simdemonstrar que já somos. NossosNão chegamos nem perto do Pantanal e nuncavai haver cana lá. A sustentabilidade é muitoimportante para nós.produtos, como a bioeletricidade eo etanol são energia limpa e o nossoprocesso produtivo também ébastante sustentável. Nós temosvárias iniciativas, tanto na áreaambiental quanto social. Até porqueo marco regulatório do nossosetor já é extremamente exigenteno que tange a esse aspecto. Alémdisso, ainda existem várias iniciativasespontâneas por parte das unidades,quer seja na área ambientalquer seja na área social, pois a sustentabilidadeambiental é um tripéque envolve os aspectos social,econômico e ambiental.A sociedade participa desse processode que maneira?A sociedade está muito atenta eisso é positivo. O setor tem sidomuito discutido, nossa instituiçãotem participado muito de debatese seminários, o que é bom. Temosmantido um diálogo com a imprensa,que está atenta e vigilante,o que também é bom. O MatoGrosso do Sul dá um exemplo muitopositivo, pois o Estado tem duascaracterísticas fantásticas: é umnotável produtor de alimentos etem um patrimônio ecológico riquíssimo.Nesse contexto, o setorcresce sem nenhum tipo de prejuízoa qualquer uma dessas características.Não chegamos nem pertodo Pantanal e nunca vai haver canalá. A sustentabilidade é muitoimportante para nós.Qual é estimativa de crescimento daprodução de cana, de etanol e deaçúcar no Mato Grosso do Sul paraesta safra?Na safra passada foram 750 miltoneladas de açúcar, 1,3 bilhão delitros de etanol, 23 milhões de toneladasde cana e, nesta safra atual,a gente deve chegar a 38 milhõesde toneladas de cana, pertode 1,9 bilhão de litros de etanol ecerca de 1,3 milhão de toneladasde açúcar. Nesta safra a área a sercolhida é de, aproximadamente,430 mil hectares.Qual é a produtividade média dacana-de-açúcar no Estado?A produtividade agrícola é de 85 toneladasde cana-de-açúcar por hectare.Há perspectivas de aumento dessaprodutividade em médio prazo?Sim, todos os institutos que trabalhamna melhoria genética da cana,tais como a Ridesa, o CTC e a Canaviallisestão sempre por aqui, trabalhandono desenvolvimento de variedadesmais adequadas às nossas regiões.Acredito que devemos ter melhoriasignificativa de rendimento.Quantas usinas produzem energiaelétrica, atualmente?Das 21 usinas do Mato Grosso doSul, nove já estão produzindo. Temosalgumas usinas novas que vãoproduzir, mas ainda não estão conectadas.Como tudo ainda é muitonovo aqui esse é um processo queestá se consolidando. Na próximasafra devemos ter mais duas usinasproduzindo. A característica da expansãose dará, agora, mais pelo robustecimentodas unidades que entraramagora, pois quando entramem funcionamento, evidentemente,elas ainda têm muita produção decana para crescer. Nesta safra devemoscrescer mais de 60% em termosde moagem.Qual é a estimativa do potencial deprodução de bioeletricidade a partirdo bagaço da cana no Estado?Como ainda estamos em crescimentoe alguns projetos em fase de consolidação– instalando a segundacaldeira e outros investimentos –hoje já temos um potencial de 300MW de capacidade excedente, oque significa cerca de 40% do consumodo Estado. Não vemos delírionenhum em dizer que, em quatro oucinco anos, estaremos produzindocerca de 800 MW em nossas usinas.E o que falta para que o potencial dabioeletricidade seja melhor aproveitadoem Mato Grosso do Sul e noBrasil, em sua opinião?Recursos e uma política melhor,pois, atualmente, têm sido priorizadasoutras fontes de energia, o que,ao meu ver, não é certo.Qual é, atualmente, o mix de produçãoaçúcar e etanol no Estado?A indústria do nosso Estado é, tradicionalmente,mais alcooleira. Nasafra passada, quase 74% da canaprocessada foi direcionada para oetanol. A gente esperava reduzirum pouco nesta safra com a entradadas unidades que fabricam04 CANAL, Jornal da Bioenergia


açúcar, mas elas atrasaram umpouco a produção e, por isso, agente deve continuar na faixa de70% do mix voltado para o etanol.Quanto desse volume é exportadopara outros Estados e quanto ficano mercado interno?O volume consumido no Estado foide cerca de 300 mil metros cúbicos.Eu acredito que esse ano nãohaverá aumento, pois passamosuma parte boa do ano em que oetanol não estava competitivo emrelação à gasolina. Por outro lado,temos um aumento da frota decarros flex. Cruzando esse dois fatoresacreditamos que o consumono Estado deve permanecer nosmesmos 300 mil metros cúbicos.Todo o restante da produção é exportadapara outros Estados, principalmentepara São Paulo.A seca que atingiu várias regiões doBrasil este ano afetou muito a produçãode cana-de-açúcar no Estadodo Mato Grosso do Sul?Não, houve algum impacto no Nortedo Estado, mas a maior parcelada produção está na região sudeste.A chuva chegou na hora certa eaté atrapalhou um pouco a colheita,o que nos obrigou a reduzir bastanteesse processo na primeiraquinzena de outubro, mas não causoudanos significativos na nossaperspectiva de moagem.Quais são os principais desafios queo senhor enfrenta, atualmente, comopresidente da Biosul?São dois os desafios principais: oincentivo à capacitação de mãode-obra- e estamos bastanteempenhados nisso - e, também, amelhoria das condições de logística,não só para o escoamentode produtos, mas também para ao transporte da cana. Para issotemos tido muitos entendimentoscom o governo estadual epretendemos estender isso aogoverno federal.Há perspectivas de construção de alcooldutoe outros modais no Estado?Existe um estudo sendo feito peloParaná. Um alcoolduto de Maringáàa Paranaguá, que tambématenderia ao nosso Estado. E temoutros projetos que passam porNão vemos delírio nenhum em dizer que, emquatro ou cinco anos, estaremos produzindocerca de 800 MW em nossas usinasGoiás e Minas Gerais. Temos, também,boas perspectivas em relaçãoà hidrovia Tietê-Paraná, que seráuma excelente via de escoamento.O que se pode esperar do novo presidenteda República em relação àagroenergia no Brasil?Acho que há um consenso de quea agroenergia é um vetor para odesenvolvimento do nosso País,que o insere num novo paradigmade energia no mundo. E o Brasilentra nesse novo conceito de modomuito forte como produtor. Eseja quem for o eleito terá bonsolhos em relação ao nosso setor.Claro que devemos buscar as coisasque o setor sucroenergéticoprecisa, como desenvolvimento logístico,reforma tributária, CódigoFlorestal, segurança jurídica e outrosaspectos. São muitas as nossasdemandas, por isso precisamostrabalhar de forma unida. O setorestá bastante amadurecido institucionalmentee a gente enfrentaessas questões de forma bem coesa,por meio do Fórum NacionalSucroenergético, pois assim émuito mais coerente.E como está o Zoneamento Ecológico-Econômicoda cana-de-açúcarno Mato Grosso do Sul, ainda hápendências a serem resolvidas?Ainda há. Ele já foi aprovado na assembleiae passa agora por uma segundafase, no começo da nova legislatura.O que chamamos de segundaaproximação do ZEE deveestar concluída até o fim de 2011.Qual é o índice de mecanização da colheitada cana-de-açúcar no Estado?A nossa previsão para esta safra erade 70% de cana colhida com máquina.Desse total, acredito que umtotal de 55% colhida crua e de45% ainda queimada, o que se explicapela existência de muita canabisada que ainda está tendo poraqui, mas que deve ser toda colhidaeste ano. CANAL, Jornal da Bioenergia 05


Como o Estado está tratando aquestão da requalificação da mão deobra dispensada com o avanço da mecanizaçãona colheita da cana?Existia muita migração, pois o Estadotem uma densidade populacional baixa.E o que está acontecendo agora éque, cada vez menos, está vindo mãode obra de fora. Não é um problemagrande para nós, mas, mesmo assim,estamos investindo muito em capacitação.E o que é muito positivo é queé um emprego que, se por um lado demandamaior qualificação, por outrolado é mais bem remunerado. E não ésazonal, é um emprego fixo. Isso émuito positivo e tem sido visto commuito bons olhos nas comunidades.Que análise o senhor faz dos atuaispreços pagos ao produtor de etanol eaçúcar?Os preços estão bons, mas é precisoficar atento, pois o nosso mercadohoje é regulado pelo consumidor, oque é positivo.Como o senhor vê o desafio que representaa formação de estoques reguladoresde etanol no Brasil?Os recursos disponibilizados peloBNDES seriam suficientes se fossemaplicáveis, mas o setor vem de ummomento de crise, difícil, e as exigênciassão muito grandes, nem todomundo consegue ter acesso a essemecanismo e ele acaba não sendoefetivo. E o ideal é que fosse. Hoje estamosvendo alguns picos de aumentode preço, mas, frequentemente, opreço que está alto na bomba continuaigual na usina e, muitas, vezes, aculpa é atribuída ao produtor que nãoé determinante exclusivo do preço finaldo etanol na bomba.E o que poderia ser efetivo, então, paraa formação desses estoques?Acho que deveria ter uma política deestoques mais consistente e acreditotambém na Bolsa como um instrumentoque deve evoluir, com um melhordisciplinamento, para que o consumidorfinal de etanol ficasse livredesse tipo dessa volatilidade de preços,que é danosa. O etanol, hoje, convivecom a situação de ser, ao mesmotempo, uma commodity agrícola eenergética.Qual a importância da atividade canavieirano contexto da produção agroindustrialdo Estado?O setor sucroenergético é colocadopelo governador reeleito do Estadocomo um dos pilares de desenvolvimentodo Estado. Hoje temos duas indústriasque crescem muito no MatoGrosso do Sul sem ameaçar o que jáexistia, a sucroenergética e da celulose.E o ambiente institucional é muitobom, assim como o diálogo com aConfederação das Indústrias e daAgricultura.Crer ganha carro zero em eventodo setor sucroenergéticoA General Motors e a consultoria Datagrodoaram um carro para o Crer – Centro deReabilitação e Readaptação Henrique Santillo,localizado em Goiânia.Todos os anos,durante aConferência Internacional Datagro sobre Etanol eAçúcar,uma entidade recebe a doação de um carroflex. O Crer foi contemplado este ano,após gestõesfeitas pelo presidente executivo do Sifaeg,AndréRocha, que também é padrinho da entidade.O carroé um Corsa sedan, zero km, e foi entregue durantesolenidade realizada no Hotel Hyatt, em São Paulo.O diretor do Crer,Sérgio Daher,recebeu as chavesdo carro das mãos de André Rocha e do vicepresidenteda GM no Brasil, José Carlos da Silveira.Congresso Nacionalda BioenergiaA Udop realiza o 3° Congresso Nacional daBioenergia, em Araçatuba (SP), nos dias 17 e 18de novembro, em parceria com a Stab. O evento,considerado um grande encontro do setorsucroenergético, busca a troca de ideias e oaprendizado de novos conhecimentos.Ocongresso tem apoio das empresas Dedini,DuPont, Deloitte, GE e Syngenta. Diretores ecolaboradores de usinas e destilarias,estudantes e pessoas interessadas no setorterão acesso às palestras sobre as áreasAdministrativa/Financeira, Agrícola,Comunicação, Recursos Humanos/GERHAI,Saúde e Segurança do Trabalho/GSO, Industrial,Comercialização e Logística, Socioambiental eTecnologia da Informação. Em 2009, o eventosuperou as expectativas, contando com apresença de 80 palestrantes e cerca de 1000congressistas. No dia 17, concomitante aoCongresso Nacional da Bioenergia, acontece ojantar de comemoração dos 25 anos da Udop,inclusive com a premiação das melhoresmatérias pelo Prêmio Udop de Jornalismo.IAC realiza seminário sobre biocombustíveisO Instituto Agronômico de São Paulo realiza,no dia 19 de novembro, o seminário "Produção eUso de Biocombustíveis", no Centro deEngenharia e Automação, em Jundiaí (SP), sobreas novidades de etanol. O público-alvo sãoFerrovia Norte-Sul deve serinaugurada ainda em 2010O presidente da Valec Engenharia,Construções e Ferrovias,José Francisco dasNeves, o Juquinha, afirmou durante eventoem Gurupi (TO), que o trecho da FerroviaNorte-Sul que liga Aguiarnópolis a Anápolis(GO) estará pronto até o dia 20 de dezembro.O trecho possui 1.359 quilômetros.Paraatingir esta meta, Juquinha informou que namaioria dos trechos em obras os cerca de 3,3mil operários estão trabalhando 24 horas paragarantir o cronograma da ferrovia. No trechoque liga Gurupi a Porangatu (GO), já estãosendo colocados os trilhos. "Temos 855quilômetros de Palmas até Anápolis, onde 17mil homens estão empregados, gerando aindamais de 50 mil empregos indiretos", explicaJuquinha. Ele garantiu que 80% da Norte-Sul está pronta. "Já temos 504 quilômetrosinaugurados até Palmas, restando apenas umtrecho de 355 quilômetros até Anápolis.Temos 1.000 quilômetros no chão".Evento discute linhas detransmissão de energiaA cada dois anos, os principais nomes etemas do setor de energia ganham destaque noprincipal evento do setor na América Latina. OSeminário Nacional de Distribuição deEnergia Elétrica (Sendi) será realizado entre osdia 22 e 25 de novembro, no TransaméricaExpo Center, em São Paulo, com organizaçãoda AES Eletropaulo.Alta tecnologia,infraestrutura, novas linhas, bioenergia emudanças na regulamentação estão entre osassuntos que ocuparão as plenárias e palestras.A expectativa é que mais de 3 mil pessoasestejam no evento. O Congresso já tem maisde 280 trabalhos inscritos, classificados em 19categorias. Mais informações no sitewww.sendi.org.br.ErramosDiferentemente do que que foipublicado na página 7, edição nº 49, oTerminal de Transbordo Porto dasÁguas, da Usina Cerradinho, estálocalizado em Chapadão do Sul (MS).engenheiros, técnicos, pesquisadores eprofessores da área. O evento será coordenadopelo pesquisador Jair Rosas da Silva. Maisinformações pelo telefone (11) 4582-8155 oupelo email ppontes@iac.sp.gov.br.fotos: divulgação06 CANAL, Jornal da Bioenergia


OPINIÃOJosé Mário Schreiner é presidentedo Sistema FAEG/SENAR.divulgaçãoO que esperamos do novo governo?Oagronegócio espera do novo governo a sensibilidadepolítica e competência como gestorpúblico para, juntos, construirmos umprojeto de País. Essa construção ocorrerá apartir de uma visão estratégica compartilhada e deuma postura pró-ativa, resultados de um amplo pactoentre a sociedade civil organizada. O setor agropecuáriode Goiás tem empreendido iniciativas nestesentido. Nos últimos meses mobilizamos a nossa basepara pensar o Brasil e o Goiás que queremos. Questionamoso nosso setor e nossas expectativas comoempreendedores do meio rural. Mas fomos além. Procuramospensar a sociedade em todas as suas dimensõesde desenvolvimento.Todo processo eleitoral é um momento de renovaçãode expectativas. Mobiliza pessoas, ideias e reconstróipossibilidades. Esperamos um próximo presidentecom uma postura democrática, aberta ao diálogo. Queele possa promover, sem sectarismos nem preconceitos,condições para a superação dos entraves atuais efuturos por meio de uma grande parceria social.O povo brasileiro tem uma identidade cultural ehistórica com o campo e, por isso, temos uma fortevocação para produzir e crescer, o que nos impõe umagrande responsabilidade. Não só pelas conquistas importantes,hoje reconhecidas em todo o mundo, mastambém pela consciência de nosso papel na sociedadecomo parte importante na solução de demandas,principalmente na produção e abastecimento de alimentose de energia.O Brasil orgulha-se por ter construído um agronegóciocompetitivo, capaz de dar as respostas necessárias eatender as demandas atuais. Para que estas oportunidadesse materializem, contamos com a parceria dopróximo presidente para superar alguns desafios comoo da infraestrutura e logística. Precisamos nos antecipare eliminar o risco de um apagão logístico.Quanto à política agrícola, seu papel é minimizarriscos e incertezas, típicos de mercados perfeitos comoos de commodities agrícolas. Aperfeiçoar os instrumentosde crédito, de seguro rural e de comercializaçãoé fundamental. É preciso estancar urgentementeos ciclos de perda de renda dos produtores,cada vez mais constantes, pois poderemos ter consequênciasirreversíveis. Da mesma forma, as políticasmacroeconômicas de juros e câmbio e a carga tributáriaexcessiva vêm tirando a capacidade competitivade nossa produção, ampliando os custos e, consequentemente,os riscos. Os produtos agropecuáriossão os que mais sofrem distorções no mercadointernacional. É preciso desenvolver ações que promovama eliminação de subsídios à produção e àexportação e, ampliar o acesso aos mercados. A decisãode investidores passa sempre por uma análise degarantias de segurança jurídica e econômica do País.O próximo presidente precisa estar atento a algumasconquistas democráticas da sociedade brasileira, dentreelas, o direito de propriedade e a liberdade deimprensa, dentre outros valores. Na questão ambiental,um desafio: a revisão do Código Florestal. Sem paixõesou radicalismos, precisamos embasá-lo em critériostécnicos e científicos, para que cumpra seu papelde promover o equilíbrio e a harmonia entre a produçãoe a preservação do meio ambiente.Em Goiás, precisamos revitalizar os serviços de pesquisaagropecuária, a assistência técnica e extensão rural,juntamente com a defesa agropecuária. A dinâmicados mercados exige dos empreendedores investimentose inovações tecnológicas e gerenciais permanentes. Temos,ainda, desafios de ordem social. É necessário políticaspúblicas sociais para o campo. Há um grande vazioa preencher. Esperamos que o próximo presidentetenha uma visão integrada de sociedade e que articuleas forças produtivas. Os produtores rurais continuarãodispostos a construir este pacto e a fazer a parteque lhes cabe, uma agropecuária forte, eficiente,com capacidade de gerar riquezas e oportunidades derenda e trabalho para todos os brasileiros.CANAL, Jornal da Bioenergia 07


INOVAÇÃO RESÍDUOSConcretode cana-de-açúcarPESQUISA INÉDITA SUBSTITUI AREIA PORCINZA DO BAGAÇO DA CANA NAPRODUÇÃO DE ARGAMASSA E CONCRETOAAs toneladas de cinza de bagaçode cana-de-açúcar produzidasno Brasil podem se tornar umimportante fator de redução decustos na construção civil. Uma pesquisada Universidade Federal de São Carlos(UFSCar) conseguiu utilizar o resíduo daprodução de açúcar e etanol como substitutode uma parte da areia napreparação de argamassa e concreto. Ofato é comemorado, já que a extração deareia tem sido questionada por ambientalistasdevido à degradação dos recursoshídricos provocada pela prática. A ideiacasa perfeitamente com o aquecidomercado da construção civil brasileira,onde inovações como esta têm garantiade sucesso e o uso de resíduos chega a220 milhões de toneladas por ano.A argamassa e o concreto sãomatérias-primas básicas na construçãocivil, sendo que a argamassa agregacimento, areia e água e o concreto combinaargamassa com pedra britada. Napesquisa da UFSCar foi comprovada aeficácia de substituição de 30% a 50%em massa da areia pelas cinzas debagaço de cana. A troca mantém as propriedadesfísicas e mecânicas das misturas,mas traz ganhos de resistência euma cor mais escura. E ainda a perspectivade reduzir o custo final do concretoem até 15%.ATERROS SANITÁRIOSO bagaço da cana-de-açúcar é utilizado,em muitas usinas, para a produção deenergia elétrica. São 3,8 milhões detoneladas de cinzas de bagaço de canade-açúcardescartados, geralmente, ematerros sanitários, no Brasil. De acordocom o engenheiro civil Almir Sales, coordenadorda pesquisa da UFSCar, os resíduospossuem um grande potencial e apesquisa conseguiu revelar que o perfildas cinzas é bem semelhante ao da areianatural, com uma porção cristalina e altoteor de sílica.A equipe de Sales, formada pelospesquisadores Sofia Lima, FernandoAlmeida, Juliana Moretti, Tiago dosSantos, Sérgio Cordeiro, Bruno Cerralio eMurilo Giatti, mostrou que a troca é umaboa maneira de ajudar a diminuir oimpacto ambiental no leito dos rios, deonde a areia é extraída, e dar um destinodiferente às cinzas da cana-de-açúcar. Oprocesso que torna as cinzas aptas à substituiçãoé simples e envolve um investimentopequeno.08 CANAL, Jornal da Bioenergia


fotos: divulgaçãoAlmir Sales, coordenador dapesquisa: perfil das cinzas é bemsemelhante ao da areia naturalPreparação das cinzasO coordenador da pesquisa explica que o uso da cinzaresultante da queima do bagaço da cana na construção civildeve ser precedido de um peneiramento dos resíduos paraseparar pedaços de bagaço mal queimados. Esta etapa podeser dispensada quando as cinzas provêm de usinas cujosfornos são preparados para a produção de energia elétrica.Em seguida, é feita uma pequena moagem para o acertogranulométrico, de forma que os grãos da cinza fiquem comtamanho semelhante aos de areia.O processo permitiu, ainda, que o concreto fabricadocom as cinzas do bagaço de cana apresentasse ganho deresistência de até 15% em relação à mistura com areia. "Avantagem se deve às propriedades de compactação eempacotamento dos grãos de cinzas que, por serem maisuniformes, têm preenchimento melhor do que os de areianatural", afirma.TESTES DE DURABILIDADEAté o próximo ano, os pesquisadores estarão testando adurabilidade do concreto alternativo. Será observado o desgasteocorrido em condições naturais e em uma câmara queacelera o intemperismo. “Os primeiros resultados são bempositivos e acredito que, em breve, poderemos entrar nomercado”. Essa fase do estudo será essencial, também, paraconcluir se as misturas feitas com cinzas são capazes de evitara corrosão das estruturas de aço usadas nas construçõesda mesma forma que o concreto tradicional. A partir disso,a inovação resultará em uma proveitosa relação entre osetor sucroenergético e a construção civil, que já ocorre emprojetos como o da Universidade Federal do Rio de Janeiro,que usam o mesmo resíduo na produção de cimento.CANAL, Jornal da Bioenergia 09


FIEG SUCESSÃOFederação da indústriagoiana tem novo presidenteMAIS DE 60% DOS REPRESENTANTES DOS 35 SINDICATOSFILIADOS À FEDERAÇÃO VOTARAM NA CHAPA FIEG FORTEPedro Alves de Oliveira é o novopresidente da Fieg, em sucessão aPaulo Afonso FerreiraOEstado de Goiás vem se destacando no cenárioeconômico nacional devido à sua localizaçãoestratégica para distribuição deprodutos no mercado interno do Brasil e aoseu grande potencial de produção de matérias-primas.A Federação das Indústrias do Estado de Goiás(Fieg) tem papel fundamental no desenvolvimentodo Estado. O empresário Pedro Alves de Oliveira sucedeuPaulo Afonso Ferreira na presidência da entidade,no último 29 de outubro. A eleição ocorreu em15 de setembro, quando mais de 60% dos representantesdos 35 sindicatos filiados à federação votaramna chapa Fieg Forte, liderada pelo novo presidente,com mandato até outubro de 2014.No comando da Fieg por 12 anos, Paulo Afonsoafirma que a entidade sempre consolidou seu papelestratégico na economia e na política goiana."Avançamos muito nisso, participando ativamentena linha de reformulação do Fomentar, na criação doProduzir, na adequação das linhas do Fundo Constitucionalde Financiamento do Centro-Oeste (FCO) edo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico eSocial (BNDES), trazendo uma unidade do banco paradentro da federação para ficar à disposição do setorempresarial", concluiu Paulo Afonso, que permanecenos cargos de diretor secretário da ConfederaçãoNacional da Indústria, diretor nacional do IEL ecomo um dos integrantes do conselho de representantesda Fieg junto à CNI.PROJETOSO mandato do novo presidente será de quatroanos, com início em 1º de novembro de2010, até 31 de outubro de 2014. Pedro de Oliveiraé o quarto presidente da Federação, fundadaem 17 de dezembro de 1950. Suas principaispropostas incluem a implementação doMapa Estratégico da Indústria Goiana, a fimde buscar o desenvolvimento sócioeconômicode Goiás por meio de políticas públicas voltadasà inovação, à eliminação de gargalos nainfraestrutura e à competitividade das empresasgoianas; valorização dos sindicatos de indústriasno Estado, dando condição de atuaçãoe participação efetivas dos mesmos nagestão da Federação, e fortalecimento da uniãodas indústrias goianas e das relações institucionaisda Fieg com o Fórum das EntidadesEmpresariais, poderes públicos e entidades governamentais,em prol dos interesses coletivosde Goiás e do Brasil.A diretoria da Fieg passa a ser compostatambém pelo presidente dos Sindicatos de Fabricaçãode Etanol e Açúcar (Sifaeg e Sifaçúcar),André Rocha, que será diretor tesoureiroda Fieg, pelo presidente executivo do GrupoUSJ, Hermínio Ometto Neto, que será diretorda entidade, juntamente com o presidente doconselho diretor do Sifaeg, Segundo Braoios.divulgação/joão fariadivulgação/joão fariaismar almeidafotos: divulgação/fiegSegundo Braoios, presidente doconselho diretor do Sifaeg, étambém é um dos diretores da FiegAndré Rocha, presidente do Sifaege Sifaçúcar, passa a ser diretorprimeiro tesoureiro da FederaçãoHermínio Ometto Neto, doGrupo USJ, é um dos novosdiretores da entidadePaulo Afonso permanece comointegrante do Conselho deRepresentantes da Fieg junto à CNI10 CANAL, Jornal da Bioenergia


FONTE RENOVÁVEL USINAEnergia termosolarcom preço competitivo no BrasilABraxenergy anunciou a construção de uma usinatermosolar com 50 MW de potência para produzirenergia a preços que possam competir comoutras fontes renováveis, em Coremas (PB), nocomeço de 2011. De acordo com o CEO da empresa,Hélcio Camarinha, projetos nesta área têm atraídocom facilidade investidores, o que facilitará a implantaçãodaquela que será a primeira planta termosolarem território nacional.O projeto já possui licença prévia, emitida peloórgão ambiental estadual, e uma primeira autorizaçãoda Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), faltandoapenas a outorga para o uso de água para conseguiro aval pleno do órgão regulador. A expectativada Braxenergy é de obter a licença de instalação parao empreendimento até o fim do ano, para poder iniciaras obras em 2011.A previsão é que a Braxenergy demore 18 mesespara concluir o projeto e invista cerca de R$275milhões – o equivalente a R$5,5 milhões por MWinstalado. O valor é próximo do aporte necessáriopara a viabilização de parques eólicos e pequenascentrais hidrelétricas (PCHs). Segundo o executivo, ocusto da geração termosolar está caindo vertiginosamente,devido aos investimentos externos no setor.Camarinha destaca ainda o baixo preço alcançadopela energia termosolar. "A tarifa vai ser competitiva,próxima a de uma PCH", revela. Segundo Camarinha,o aproveitamento se deve ao forte sol na região, quetem sido alvo de medições da Braxenergy "há quasetrês anos" e à eficiência da fonte. "O sol no semiáridodura de 10 a 12 horas. Gerando 50MW nesse tempo,você já tem um fator de carga próximo de 50%".CANAL, Jornal da Bioenergia 11


RECURSOS HUMANOS CAPACITAÇÃORecrutar,formar econtratarCOM AVANÇOS INDUSTRIAIS E DEMECANIZAÇÃO CADA VEZ MAIS EVIDENTES,AS USINAS TÊM BUSCADO ALTERNATIVASPARA QUALIFICAR E CAPACITAR SEUSQUADROS DE COLABORADORESEm um setor cada vez mais mecanizado e com novosmoldes de produção, a gestão de pessoas se apresentacomo grande desafio para empresas do setor sucronergético.Reter talentos e absorver mão de obra qualificadapara setores específicos das usinas, principalmente os ligadosà tecnologia e automação, eram tidos como obstáculos aserem superados.Outro ponto que preocupava gestores de usinas era a manutençãodessa escassa mão de obra. Em um mercado ondehá poucos operadores de máquinas, instrumentistas, mecânicose eletricistas especializados na produção de açúcar e etanol,e enorme demanda operacional em usinas emergentes e,também, nas já consolidadas, a lei da concorrência se faz presentee, na maioria das vezes, gera especulação salarial. Ossalários chegam a dobrar para manter profissionais qualificadosem um ambiente carente de trabalhadores bem preparados."É muito difícil reter a mão de obra, o mercado está muitovariável", explica Moisés da Costa, gestor de pessoas dausina Jalles Machado.No entanto, o quadro vem se transformando, o que tempossibilitado o desenvolvimento de novos cenários para o setor.Segundo o gestor, quando o objetivo é reter talentos, aempresa deve garantir benefícios. Foi pensando nisso que aunidade tem oferecido a seus colaboradores plano de saúde,prêmio por participação nos resultados, restaurante, seguro devida, farmácia. A maioria, serviços próprios da usina, além deoutros benefícios.Capacitação etreinamentoespecífico sãomedidasnecessáriaspara a qualificaçãode pessoalfotos: divulgação/usina jalles machado12 CANAL, Jornal da Bioenergia


Mesmo assim, a mão de obra ainda se revela insuficiente,tornando a capacitação e o treinamento específicofatores importantes e necessários para aqualificação de pessoal. Nesse sentido, usinas têmbuscado parcerias com escolas de formação técnicae universitária, além de entidades trabalhistas, comoMinistério do Trabalho, Serviço Nacional de AprendizagemIndustrial (Senai) e Serviço Nacional deAprendizagem Rural (Senar).A usina Jalles Machado, a 18 km de Goianésia(GO), desde 2004 faz parceria com o Senai, sendo pioneirana região na realização de curso de formaçãode técnicos de açúcar e etanol, tanto para funcionáriosda empresa, como para a comunidade externa.80% da vagas são ofertadas para colaboradores daempresa e 20% para a população da cidade. O cursojá está em sua quinta turma e deve ter sequênciajá em janeiro do ano que vem.A unidade desenvolve, ainda, desde 2007, por meiode convênio com o Instituto Federal Goiano – CâmpusCeres, curso técnico em agricultura, já com váriasturmas formadas. De acordo com Moisés, a empresaoferece, ainda, outros cursos, mas a demanda sempreé maior nas áreas de operadores de máquinas, desdetratores leves a pás carregadoras e colheitadeiras e,sobretudo, de eletricistas e mecânicos de autos.A reciclagem e o treinamento interno são outrosfatores importantes na gestão de pessoas, isso porquepossibilita a manutenção desses profissionais no setor.O projeto "Operador Mantenedor", da usina JallesMachado, é um exemplo interessante desse tipo deatividade, já que apresenta, como proposta, treinamentoadicional ao operador de máquinas, o qual écapacitado para a realização de pequenos reparos noveículo, mas que respeite seus limites enquanto operador.O ideal, segundo Moisés, é que os cursos de reciclagemocorram a cada dois anos.Trabalhadoresqualificados sãocada vez maisvalorizadospelo mercado.CANAL, Jornal da Bioenergia 13


EMBRAPA CANA-DE-AÇÚCARfotos: divulgação/usina jalles machadoFoco no desenvolvimentode pesquisasEMPRESA DE PESQUISA REALIZA LEVANTAMENTO DOSTRABALHOS RELACIONADOS À CANA-DE-AÇÚCARPARA FORMAR REDE DE INFORMAÇÕES ESTRATÉGICASESCOLA E PARCERIASO ensino, a capacitação e a formação são a saídapara equacionar o déficit de colaboradoresqualificados para o trabalho em empresas sucroenergéticas.Desde 2006, se intensificam os cursosvoltados para o âmbito de açúcar e etanol, em decorrênciado boom do setor, do crescimento significativoda produção, de sua mecanização e da criaçãode novas usinas, principalmente, no sudoestegoiano. Com isso, se firmaram parcerias entre osetor produtivo e escolas técnicas, como o Senai.Os cursos são formatados a partir das necessidadesda empresa e, em alguns casos, nos quais a usina jáos têm formatados, os professores são chamados àunidade produtiva para complementar a formaçãodos colaboradores.O processo de seleção de pessoal normalmentepassa por três etapas básicas: recrutamento, formaçãoe, por fim e em último estágio, a contratação.Como normalmente as usinas se instalam emcidades longe dos grandes centros, as empresas sealiam a escolas de formação especializada, que recrutamnas cidades pessoal a ser treinado por meiodos cursos e oficinas. Esse grupo, devidamente formado,é absorvido à mão de obra da unidade.De acordo com Robert de Souza Bonuti, gestorda unidade integrada Sesi/Senai Rio Verde, 95%dos cursos ocorrem dentro da empresa, para ondese desloca a estrutura da escola. O Senai oferececursos diversos e próprios para o setor sucroenergético.Entre eles estão os voltados a técnico emmecânica e manutenção industrial; técnico emeletrotécnica; caldeireiro; soldador industrial; mecânicode automóveis médio e caminhões; operadoresde processos de usinas; técnico em açúcar eálcool e se preparam para oferecer cursos de formaçãopara mecânicos de manutenção em máquinasagrícolas. Um curso técnico tem, em média,1200 horas, com cerca de dois anos de duração.A indústria é o departamento de uma usina quepossui maior demanda por profissionais especializados,isso porque "as empresas, hoje, possuem altatecnologia, de grande valor industrial agregado,o que exige profissionais qualificados, que acompanhemessas inovações", explica o gestor da unidadeSenai de Rio Verde."Espera-se de um profissional do setor sucroenergéticoalguém com visão sistêmica, que tenhaconhecimento de todo processo, para que, assim,possa ser peça importante na empresa. Esses cursossão importantes porque formam profissionaismais aptos e habilitados e que influenciam na produtividadeda empresa e garantem a sustentabilidadeda indústria", acredita o gestor.Buscar prioridades de atuação nodesenvolvimento da cultura dacana-de-açúcar é o principal objetivodo recém-formado Grupode Trabalho de Cana-de-Açúcar (GT Cana)da Embrapa. Com membros das diversasunidades da empresa, o novo grupo tem amissão de nivelar informações e documentossobre os trabalhos de pesquisa da própriaEmbrapa e de outras instituições, alémde analisar os avanços científico-tecnológicose estabelecer demandas e estratégiasde ação para o próximo ano.Segundo o coordenador do GT e pesquisadorda Embrapa Tabuleiros Costeiros,Antônio Dias Santiago, está sendo realizadoum diagnóstico das principais ações depesquisa desenvolvidas nas unidades daEmpresa que trabalham com a cana-deaçúcarpara formar uma rede de informaçõesconsistentes e estratégicas sobre o tema."Espera-se que no próximo mês o GT jádisponha de elementos para subsidiar a DiretoriaExecutiva e demais departamentospara serem definidas as principais linhasde atuação e prioridades com a cultura,em especial no ano de 2011", explica ele.Pesquisadores discutem Grupo de Trabalho de Cana-de-AçúcarAs informações reunidas pelo GT da Cana-de-açúcar,que se reunirá mensalmente,permitirão que a Embrapa priorize recursosfinanceiros e humanos para os projetosmais importantes no desenvolvimentoda bioenergia no País. "Vamos ter, também,uma integração com nossos laboratóriosno exterior para que nossos pesquisadorespossam ser subsidiados com novastecnologias desenvolvidas em outros países",diz Santiago, sobre os Labex (Laboratóriosda Embrapa no Exterior).Para o coordenador do GT, o novo trabalhoirá permitir à Embrapa se posicionar deforma antecipada na solução de problemasna cultura da cana-de-açúcar. "Teremos,desta forma, um estoque de tecnologia disponívele poderemos buscar soluções antecipadasem situações como a da ferrugemalaranjada, que começou fora do Brasil."A Embrapa possui importantes projetos epesquisas com cana-de-açúcar (ver box)para geração de energia, especialmente paraprodução de etanol de primeira e segundageração, e melhoria da matéria-primapara indústrias de alimentos. O GT Cana foicriado pela Presidência da Embrapa.fotos: saulo coelho14 CANAL, Jornal da Bioenergia


O QUE VEM POR AÍConheça as principais pesquisas em desenvolvimento na Embrapa sobre a cultura da cana-de-açúcar.Transgenia - Genes da cana-de-açúcar quepossuem tolerância ao déficit hídrico e resistênciaa brocas gigantes e podem criar uma novavariedade da planta.Fixação biológica nitrogenada - Na soja, que éuma leguminosa, não se usa mais adubonitrogenado. Ela mesma fixa o nitrogênio do ar. Aideia é desenvolver produtos com bactériascapazes de fazer o mesmo com a cana-de-açúcar.Zoneamento da cana-de-açúcar - Projetodesenvolvido pela Embrapa em parceria com oMinistério da Agricultura, Pecuária eabastecimento que deu origem à lei dozoneamento, no ano passado.Estudo de cenários - Verificar quais oscenários futuros da cana-de-açúcar, incluindoáreas de expansão e políticas públicas.Funciona como uma ferramenta deavaliação das condições de cada regiãopara a produção da cana.Controle biológico - Levantamento de inimigosgerais da broca gigante.Sistema de produção - Avaliação do que ocorreno solo com relação à colheita feita com o fogo esem fogo, comparando os dois sistemas. E estudodos níveis de água para irrigação e adubação.Carbono - Estudo sobre o ciclo de carbono nosolo da cana-de-açúcar.Uso racional da palhada - Com financiamentoda Petrobras, a pesquisa verifica a quantidadeideal de palha a ser deixada no canavial após acolheita e quanto seria possível retirar para aprodução do etanol de segunda geração.divulgaçãoBRASILInvestimento de 7,36bilhões em biodieselEstudo realizado pela FGVProjetos, unidade de extensãode ensino e pesquisa daFundação Getúlio Vargas encomendadopela União Brasileirado Biodiesel (Ubrabio), concluique o Brasil está preparado paraatender ao crescimento dademanda até 2014, já com adiçãode 10% no diesel – padrãoB10. No momento, o setor trabalhacom uma adição de 5%(B5).No longo prazo, o aumentoda demanda por biodiesel nomercado brasileiro deve gerarinvestimentos ainda maioresdo que os R$ 4 bihões aportadosentre 2005 e 2010. A expectativaé de que a adição debiodiesel chegue a 20% em2020 e os investimentos emaumento de capacidade deprodução de biodiesel devemsomar R$ 7,36 bilhões nos próximosdez anos, de acordo comas projeções da FGV Projetos.Com isso, a capacidade produtivado setor deve sair dos atuais5,1 milhões de metros cúbicospara 14,3 milhões de metroscúbicos até 2020.Desde 2005, a capacidadeprodutiva saltou de 85,32 milmetros cúbicos ao ano para osatuais 5,1 milhões de metroscúbicos, superior à demanda damistura vigente. “Hoje existemmais de 60 indústrias produtorase a oferta é suficiente paraatender a demanda projetadapara o B10”, diz o coordenadorde projetos da FGV Projetos,especialista em biocombustíveis,Cleber Lima Guarany.divulgaçãoCANAL, Jornal da Bioenergia 15


MATÉRIA-PRIMA MANEJOEncontro deconhecimentoJALLES MACHADO E IAC REALIZAM 3º DIA DE CAMPOAJalles Machado, em parceria como Instituto Agronômico de Campinas(IAC), realizou em Goianésia,no dia 06 de outubro, o seu 3º Diade Campo (fotos). O tema foi Manejo Varietalpara Plantio Mecanizado. O encontroreuniu cerca de 280 participantes, entreautoridades do setor sucroenergético, técnicosagrícolas e engenheiros agrônomosde 40 usinas, consultores, pesquisadores,empresários e pessoas ligadas à atividade.Otávio Lage de Siqueira Filho e HenriquePenna de Siqueira, respectivamente presidentee diretor técnico da Jalles Machado,ressaltaram no evento a determinação daequipe técnica da empresa na execução deum trabalho constante para, através depesquisas, encontrar as variedades maisadequadas ao cultivo na região do Cerradogoiano, onde clima e condições de solo sãobem diferenciados das demais regiões produtorasde cana no Brasil. Desde 1995, pormeio de parceira nessa área com o IAC,Instituto Agronômico de Campinas, a JallesMachado tem conseguido aumentar a produtividadenas suas lavouras de cana.O diretor do Centro de Cana do IAC,Marcos Landell, disse durante o evento queo instituto deixou de focar apenas o Estadode São Paulo e passou a atuar em outrasregiões produtoras de cana e previuque, em aproximadamente dois anos, deverãoser lançadas as primeiras variedadesde cana resultantes da parceria do IAC coma Jalles Machado. "Até lá, é bom citar, játemos 5 variedades que apresentam ótimoresultados para cultivo no Cerrado”.GOIÁS É REFERÊNCIADurante o Dia de Campo, presidenteexecutivo do Sifaeg e do Sifaçúcar, sindicatosque representam os produtores deetanol e açúcar em Goiás, André Rochafez um balanço do desempenho das usinasnessa safra, que se encerrará até meadosde dezembro. "Nesse contexto, o que chamaa atenção é o índice de mecanizaçãoda colheita da cana em Goiás. Hoje, 80%desse trabalho já é feito por máquinas. Esseé, proporcionalmente, o maior índice doBrasil", afirma o executivo.PLANTIO MECANIZADOA programação foi composta por palestrase pela visita ao campo. Os participantesviram no jardim clonal da Jalles Machadoo resultado da aplicação das tecnologiasapresentadas e o desempenho dasvariedades de cana desenvolvidas para oCerrado.Rogério Bremm, gerente agrícola da JallesMachado, apresentou o exemplo daempresa na área de plantio mecanizado."Aqui na Usina Jalles Machado temos 90%da colheita mecanizada e o plantio já chegaa 60% da área de cultivo de cana. Anoque vem, temos a meta de elevar essespercentuais para 95% e 80%, respectivamente."A região onde a Usina Jalles Machadoestá localizada, a 170 quilômetros de Goiânia,no Vale do São Patrício, é muitoquente e tem solo fraco. As chuvas sãotambém muito irregulares. Esse ano, porexemplo, a seca foi muito intensa. Foram170 dias seguidos sem chuvas. Isso reforçaainda mais a ação da empresa na busca porvariedades mais resistentes.CORREÇÃO DO SOLO E ADUBAÇÃOO pesquisador da Universidade Federalde Uberlândia, Dr. Gaspar Korndorfer, PhDnas áreas de fertilidade de solos e nutriçãode plantas e consultor da usina Jalles Ma-fotos: divulgação/usina jalles machado16 CANAL, Jornal da Bioenergia


chado falou sobre Manejo da Adubação para oplantio mecanizado na cana-de-açúcar em solosde Cerrado, citando a importância da correçãodos solos para melhorar os ambientes de produçãopara que ocorra aumento da produtividade."O Cerrado possui solos mais fracos e exige umaadubação diferenciada. Compostagem, rotaçãode culturas, gessagem e adubação da cana socasão algumas das práticas" afirmou. Gaspar tambémressaltou a necessidade de fazer rotação deculturas e mostrou vários ensaios de pesquisasque comprovam que a crotalária é a melhor opçãopara regiões onde há quantidade de fósforoadequada no solo.CANAL, Jornal da Bioenergia 17


LOGÍSTICA GARGALOSFaltam estratégiae investimentosBRASIL PRECISA DE PLANEJAMENTO PARA O SETOR EDE INVESTIR R$ 180 BILHÕES NO SISTEMA DE TRANSPORTEFernando DantasCom mais de 8,5 milhões de quilômetros quadradosde área, o Brasil se destaca mundialmentepor sua extensão e pelas riquezas geradas nasáreas agrícola e industrial. Por ano, são 17 bilhõesde litros de etanol produzidos, 27 milhões de toneladasde açúcar e 68 milhões de toneladas de soja. Parafacilitar o escoamento da produção interna dessesprodutos, o país necessita de estrutura de transporte decargas em excelente condição nos diferentes modais –rodoviário, aéreo, ferroviário, aquaviário e dutoviário.Sem um serviço de logística de qualidade, produtos essenciaisnão chegariam aos consumidores, indústriasnão teriam como produzir e o comércio externo estariatodo comprometido.A realidade que se desenha neste setor no Brasil é diferentedo ideal. Para especialistas, além de faltar umplano estratégico em transportes e visão multimodal, osinvestimentos são reduzidos, cerca de 10 a 15 vezesmenos do que o necessário. “É preciso reservar pelo menos3% a 3,5% do PIB para atualização e ampliação dosmodais de transportes, mas gastamos menos de 0,30%nos últimos anos”, destaca o diretor da Tigerlog Consultoriae Treinamento em Logística Ltda, Marco Antônio.De acordo com ele, é necessário investir mais de R$150 bilhões nos próximos anos (R$ 180 bilhões, segundoo Ipea) para a melhoria do sistema de transporte de cargas.“Sem investimentos em estrutura, o resultado seráoperações menos produtivas, mais caras e suscetíveis afalhas, que vão comprometer a qualidade das mercadoriase os prazos acordados”, ressalta. Enquanto os investimentosnão são feitos, cresce a situação precária do transportee os prejuízos econômicos, sociais e ambientais.Os principais problemas percebidos no setor, de acordocom Marco, são avariais e perdas nas cargas, maioresgastos com seguros, tempo em trânsito e consumo decombustíveis fósseis, que provocarão aumento da poluiçãoe, consequentemente, mais danos à população.“Caminhamos para um novo apagão logístico. A vendade veículos é muito superior à resposta nos investimentosem ampliação da malha rodoviária. Os principais aeroportosdo Brasil caminham para a saturação no transportede cargas e passageiros. No sistemaferroviário conseguimos a proezade ter menos vias férreas hoje doque tínhamos há 50 anos. Nossa malhaé inferior à da Argentina”, relata.Para o diretor-presidente da Transespecialista,Ricardo Amadeu da Silva,uma das soluções para amenizar asituação do transporte de cargas é acertificação do setor. “A tendência demercado em exigir certificações paratoda cadeia produtiva é uma realidadee necessidade. A atuação responsável,com foco na sustentabilidade,garantirá, por exemplo, a certificaçãodo etanol no mundo e todo o mercadoprospectado”, informa. Segundo ele, no caso específicodo modal rodoviário, principal sistema de transportede cargas no Brasil, quando a empresa é certificadase tem a garantia de que é feito o controle de jornada,velocidade, sistema de gestão e controle da emissão defumaça preta e descarte de resíduos. “Com mais de 25mil transportadoras, o Brasil possui, aproximadamente,100 empresas certificadas com ISO 9001 e SASSMAQ. Aadequação a essas normas garante segurança”, diz Ricardo.Ricardo Amadeu da Silva,diretor-presidente daTransespecialista, defendea certificação do setorTRANSPORTE ESPECIALResponsável por movimentar R$ 51 bilhões, o que representa1,76% do PIB nacional, o setor sucroenergéticoutiliza os diferentes modais para o transporte de cargas.O sistema rodoviário representa 62% da demanda,sendo o principal meio de transporte nacional, já quearquivo pessoal18 CANAL, Jornal da Bioenergia


divugação/ ministerio dos transportes/valecpossui cerca de 1,8 milhão de quilômetros de rodoviaspavimentadas e não pavimentadas, segundodados de 2008 da Confederação Nacional do Transporte(CNT). Cerca de 95% do etanol produzido naregião Centro-Sul é transportado por caminhões nomodal rodoviário. A Transespecialista é uma das 25mil transportadoras que prestam esse serviço nomercado brasileiro. A empresa transporta mais de 8milhões de quilos de cargas por mês. São insumos eprodutos químicos, peças e equipamentos, comocaldeiras e demais produtos ligados ao setor. No períodode entressafra da cana-de-açúcar, esse volumecresce mais de 50%.Por serem cargas perigosas, o etanol e o biodieseldevem ser transportados seguindo a legislação vigentee atendendo necessidades específicas de segurança.A Agência Nacional de Transportes Terrestres(ANTT) exige que todos os veículos de carga queexecutam transporte rodoviário, com capacidade decarga útil igual ou superior a 500 quilos, devem serregistrados na entidade. É determinado, ainda, aidentificação no caminhão ou veículo, por meio deum painel laranja, que é uma placa retangular comdimensões 0,40 x 0,30 metros, podendo ser divididahorizontalmente por uma faixa negra e com rebordonegro, com a finalidade de sinalizar algumas unidadesde transporte de mercadorias perigosas.Além do rodoviário, o setor sucroenergético fazuso de outros modais para o transporte de produtos.O sistema de ferrovias, que ainda não está no patamarideal, mas já conta com alguns investimentos,passou por reformulações em 2003, com a aprovaçãodo Programa de Integração e Adequação Operacionaldas Ferrovias. O objetivo foi promover a integraçãodas ferrovias e reconstituir os corredoresoperacionais de transporte ferroviário, e ainda, facilitara operação multimodal. Com isso, a ANTT inicioua reestruturação das malhas, com desincorporaçãoe incorporação de trechos, celebração de contratosoperacionais específicos entre operadoras ena reestruturação societária, visando novos investimentosnas concessões.O modal ferroviário é considerado por especialistasum sistema econômico e seguro que, segundo odiretor-presidente da Transespecialista, RicardoAmadeu da Silva, pode proporcionar uma economiade até 50%, dependendo da distância de transporte.Esse foi um dos motivos para o grupo paulista Cerradinhoinvestir no primeiro terminal ferroviário deetanol de Goiás, que está localizado em Chapadãodo Sul (MS). Resultado de uma parceria com a AméricaLatina Logística (ALL), o terminal entrou emoperação para embarcar 2 milhões de litros por dia.Já a Rumo Logística, maior player de logística domundo em exportação de açúcar, está implementandoo transporte do produto por ferrovia, atravésde modernos vagões, locomotivas próprias e amais moderna tecnologia empregada no segmento.Este ano, a empresa adquiriu 50 locomotivas dealta performance e 729 vagões com capacidade25% superior a outros modelos e que comportam100 toneladas de açúcar cada. Além disso, a Rumoutiliza-se de dois terminais de transbordo, em Jaú(SP) e Sumaré (SP), e inicia a construção de outroem Itirapina (SP), locais estratégicos para o escoamentoda commodity.Com esse projeto, a Rumo busca priorizar a mudançade modal e a utilização da ferrovia em largaescala, além de aliar desenvolvimento econômicocom sustentabilidade, já que retira das estradas cercade 30 mil caminhões por mês, o que, consequentemente,diminui a emissão de CO2 na atmosfera.Neste primeiro ano de operação, a expectativa daRumo é atingir 5 milhões de toneladas de açúcar agranel. Para 2011, as projeções são de 6,5 milhões a6,8 milhões de toneladas.CANAL, Jornal da Bioenergia 19


DUTOSNo sistema dutoviário, um projetoestá sendo conduzido pela PMCCProjetos de Transporte de ÁlcoolS.A, parceria entre a Petrobras, Mitsui&Co.LTDe Camargo Corrêa S/A. Osistema irá transportar etanol dasregiões produtoras no Centro-Oeste,Minas Gerais e São Paulo até osgrandes centros consumidores deSão Paulo e Rio de Janeiro, possibilitandoainda o transporte por cabotagempara outros Estados e a exportação.O novo duto, que terá ocomprimento de 542 km em seuprimeiro trecho, com capacidadepara transportar até 12,9 milhões demetros cúbicos de etanol por ano,será construído seguindo uma concepçãológica de utilizar faixa dedutos já existente. Esta opção minimizanovos impactos ambientais esimplifica a construção.O trecho terá início no municípiomineiro de Uberaba e seguirá poroutros 33 municípios no Estado deSão Paulo, até o Vale do ParaíbaPaulista, onde se conectará a dutosjá existentes, na direção da GrandeSão Paulo, Rio de Janeiro e litoralpaulista. Serão implantados, aindanesta etapa, dois centros coletores,um em Uberaba (MG) e outro emRibeirão Preto (SP), com a finalidadede receber o etanol provenientedas usinas produtoras, principalmentepor meio de transporte rodoviário.Estes centros estão posicionadosem áreas pré-definidas parainstalações industriais.A estimativa é de geração de 2,4mil empregos diretos e 9 mil indiretosdurante as obras, que terão início notrecho Ribeirão Preto – Paulínia, tãologo seja concluída a tramitação paraa Licença de Instalação (LI), tambéma ser emitida pelo Ibama.Os planos das Companhias prevêema ampliação da rede até o Terminalde Senador Canedo (GO) e novosdutos ligando Paulínia à HidroviaParaná-Tietê e ao terminal marítimode São Sebastião. O processo de licenciamento,incluindo elaboraçãodos estudos ambientais, análise derisco, avaliação pela equipe técnicado Ibama, realização de audiênciaspúblicas e contato com as 34 prefeiturasmunicipais e todas as Unidadesde Conservação nas proximidades dotraçado do duto, durou 18 meses.Teve o envolvimento de inúmerosprofissionais de diversas áreas, comobiologia, comunicação, sociologia,geografia, geologia e engenharias,dentre outras.As companhias irão trabalhar paracumprir o atendimento às condicionantesda Licença Prévia com vistas àobtenção da Licença de Instalação,que possibilite o efetivo início dasobras ainda este ano, tendo comometa a operação comercial do dutojá na segunda metade de 2011.Levantamento traça perfil do transporte de cargasPara tentar solucionar problemas e alavancaroportunidades, a Confederação Nacional doTransporte (CNT) e o Centro de Estudos emLogística (CEL) do Coppead/UFRJ realizaram umdiagnóstico da atual situação do transporte decargas no Brasil, apresentando problemas esoluções de melhorias ao setor. Um dos indicativosda pesquisa apontou que a falta de planejamentoe controle do setor de transportenacional poderá tornar incapaz o acompanhamentodo crescimento da demanda por qualidade,gerando um possível colapso do sistema.REFLEXO NOS ESTOQUESDe acordo com o levantamento, a melhora dosetor de transporte e o aumento da eficiênciaeconômica do país têm reflexo nos estoques.Estimativas calculadas na pesquisa indicam quecerca de R$ 118 bilhões de excesso de estoquesão mantidos pelas empresas brasileiras ao longodas cadeias produtivas como forma de se protegerdas ineficiências do transporte, consequênciade atrasos, acidentes e roubos de carga.O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada(Ipea) também realizou levantamento sobre asituação da malha rodoviária do Brasil. Apesquisa mostrou a necessidade de adequar,construir, duplicar, pavimentar, recuperar einvestir em obras de arte (pontes e viadutos).Além de assinalar essa defasagem, o Ipea afirmaque apenas 13% dos recursos suportados peloPrograma de Aceleração do Crescimento (PAC)são destinados às rodovias. As regiões que possuemrodovias em estado ruim para o transportede cargas são Norte, Nordeste, Centro-Oeste eEstado de Minas Gerais.20 CANAL, Jornal da Bioenergia


fotos: ismar almeidaMão de obra capacitadaO profissional que atua no transporte de cargas precisaconhecer muito mais do que rodovias, estradas eregiões do país. Ele precisa entender também demanutenção, custos e do produto que está transportando.Existem escolas e cursos no Brasil que têmcomo foco, exatamente, essa formação de profissionais.Exemplo é a Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT),localizada em São Paulo (SP), que ministra há 10 anoscursos na área de transporte público de passageiros e decargas. Cerca de 300 técnicos de nível gerencial já passarampor treinamentos na instituição.Segundo o coordenador técnico dos CursosInterativos de Transporte da FAT, Alberto Lima, as aulaspermitem a interação entre os participantes para trocade experiências, com base em estudo de casos orientadospor especialistas que trabalham na área. “Sãoprofissionais com formação e didática especial paratransmitir conceitos fundamentais para a tomada dedecisão nas empresas”, destaca. Entre os temas que sãoabordados para capacitação e treinamento dos profissionaisque atuam no transporte de cargas estão gerenciamentode frota, gestão de empresas de transporte,logísticas, cálculo de frete, entre outros. “São assuntosque estão ligados diretamente ao cotidiano das pessoasque trabalham na área de transporte de carga no Brasil.Esse programa de capacitação colabora para que umsistema de gestão seja adotado nas empresas parareduzir perdas e produtividade”, reforça.fotos: divulgação/transespecialistaMaior parte da produção agrícola eindustrial do Brasil ainda étransportada pela malha rodoviáriaCANAL, Jornal da Bioenergia 21


SIFAEG EM AÇÃOO desafiode gerenciar talentosCOMITÊ DE RECURSOSHUMANOS DA ENTIDADEOFERECE APOIO PARAÁREAS DE GESTÃO DASUSINAS GOIANASFabrício, Wellington e Maurício, respectivamentesecretário, cordenador e vice-coordenador do Grupo RHGrande número de gestores de recursos humanos dasusinas participou do semináriofotos: divulgação/sifaegGerenciar talentos humanos, ter foco nos resultados, cumprir as legislaçõestrabalhistas e garantir os melhores resultados dos acordos e dasconvenções coletivas de trabalho. Esses são alguns dos desafios doComitê de Recursos Humanos dos Sindicatos de Fabricação de Etanol eAçúcar do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar), que busca apoiar as usinas goianasna modernização e eficiência das suas áreas de gestão. Os temas foram debatidosdurante o 3º Seminário de Recursos Humanos do Setor Sucroenergético de Goiás,realizado em outubro, no auditório da Federação da Indústria do Estado de Goiás(Fieg).Gestores, coordenadores e gerentes das áreas de recursos humanos da maioriadas usinas goianas participaram do evento para conhecer as novidades da área ecompartilhar experiências de sucesso. Para o coordenador do Comitê de RH,Wellington Pereira Arantes, da Usina Santa Helena, do Grupo Naoum, o eventoanual condensa todos os temas debatidos mensalmente durante os encontros dosmembros dos comitês. “Buscamos trazer, nesta programação, as demandas dosnossos filiados e este é o grande momento de integração das empresas do segmentoem Goiás”, afirma.De acordo com o presidente executivo do Sifaeg/Sifaçúcar, André Rocha, oevento expressa a importância do trabalho realizado pelo Comitê de RH. “Esta éuma área que avançou muito nos últimos anos e que tem, nestas atividades,encontrado fôlego para as importantes discussões sobre legislação e recrutamento”,explica ele.Uma das palestrantes do seminário, a presidente da Associação Brasileira deRecursos Humanos em Goiás (ABRH-GO), Dilze Percílio, destacou que a área degestão de pessoas se tornou estratégica para todas as empresas, independente dosetor e, para isso, é essencial investir em lideranças dentro das estruturas já existentes.“O RH deve funcionar como uma consultoria interna de todas as outras árease ser considerada pelas direções como estratégica para alcançar os resultados almejados”,afirmou a palestrante. “Cada vez mais as empresas estão buscando profissionaisde talento e pessoas que façam a diferença no mercado”, concluiu ela.O seminário também contou com palestras de dois auditores fiscais. JoséLuciano Leonel de Carvalho, da Superintendência Regional do Trabalho e Empregode Goiás (SRTE/GO) falou sobre o controle da jornada de trabalho, dando destaquepara os pontos eletrônicos e sobre os trabalhadores migrantes temporários e asresponsabilidades das empresas. O auditor do SRTE/GO, Jairo Reis Bandeira Gomes,falou sobre os acordos e convenções coletivas e jornadas de trabalho.COMISSÃOAlém de eventos anuais, a Comissão de Recursos Humanos da entidade se reúnemensalmente para debater temas de importância para o setor. “Um dos grandesgargalos do crescimento do setor sucroenergético é a captação de recursoshumanos. Temos escassez de mão de obra qualificada para ocupar importantespostos de trabalho e a Comissão atua buscando as melhores soluções para encontrare manter este profissional na usina”, explica o coordenador WellingtonArantes. Outro ponto importante debatido à exaustão pela Comissão são as leistrabalhistas. “A legislação do setor sucroenergético é muito subjetiva e com atroca de experiência conseguimos resguardar as nossas empresas e cumprir aslegislações vigentes”, afirma o vice-coordenador do Comitê,Maurício Trindade de Souza, da Usina Denuza.Para o secretário do Comitê, Fabrício Maurício Oliveira,que trabalha na Usina Goiasa, o Comitê tem papel fundamentalna modernização das gestões das usinas. “A troca de experiênciaincentiva que cada gestor busque uma saída para aárea e invista nas estratégias da sua empresa”.O Comitê de RH do Sifaeg/Sifaçúcar tem ainda papel fundamentalnas discussões anuais dos salários dos trabalhadoresdo setor. Nos meses de negociação coletiva a participaçãode cada membro do comitê garante sempre acordosque atendam aos empresários e aos trabalhadores.22 CANAL, Jornal da Bioenergia


Etanol brasileiro no JapãoO etanol brasileiro vai serutilizado na produção do "BioPet" ou "Bio Plástico". AToyota Tsusho Corporationanunciou a formação deuma cadeia global deprodução. Segundo aempresa, o esquemacomeça a operar no fimdo ano que vem. A canade-açúcare o etanol vãoser produzidos no Brasil.Depois, o material seguepara uma empresa naChina, que vai processar oBio Monoetilenoglicol. Emseguida, uma outra indústriana Ásia vai produzir o "BioPet", que vai ser comercializadopara o Japão, Estados Unidos e Europapara a confecção de vários produtos.Portugal terá primeira redede veículos elétricos em 2011Portugal será pioneiro nainauguração da primeira rede deabastecimento de veículos elétricos.Opaís, dependente de combustíveisfósseis importados, pretendesubstituir, já a partir do ano que vem,10% da frota com veículos elétricosaté 2020, visando reduzir asimportações e complementar osuprimento variável proveniente docrescente setor de energia eólica. Arede, chamada Moble, controlada pelaEnergias de Portugal, incluirá 1,3 milestações de abastecimento normais e50 rápidas em shopping centers,estacionamentos, postos e hotéis em25 cidades. O sistema aberto de pontosde recarga será compatível com todasas marcas de veículos elétricos,incluindo motos e veículos pesadosquando estiverem disponíveis.Inaugurado laboratório demicroalgas no ParanáO Instituto Agronômico do Paranáinaugurou em outubro, em Londrina,um laboratório de pesquisas do potencialenergético de microrganismos, dos quaisse poderá extrair combustível de formalimpa e sustentável. O objetivo éidentificar microalgas que tenhamcrescimento rápido e grandeconcentração de lipídios e ácidos graxos,que possam ser extraídos e utilizadoscomo óleo combustível. As microalgassão organismos microscópicos que fazemfotossíntese, o que resulta na produçãode oxigênio, lipídios (óleos),carboidratos (açúcares), proteínas efibras, em diferentes quantidades, emcada uma das milhares de espéciesencontradas na natureza.UTE Juiz de Fora terá segundaturbina convertida para etanolA GE fechou um acordo com a Petrobraspara converter para bicombustível asegunda turbina da térmica a gás natural deJuiz de Fora (MG-87 MW). A primeiraunidade geradora foi convertida noprimeiro semestre do ano. Segundo RafaelSantana, presidente da GE Energy paraAmérica Latina, o trabalho de conversãoserá executado até o fim do ano. Eleafirmou que as turbinas bicombustível,existentes apenas no Brasil, já começam achamar a atenção de clientes da GE em todoo mundo. A térmica Juiz de Fora utilizaturbinas LM6000. Para gerar energia, aturbina demanda 18 mil litros de etanol.Biocombustíveis avançadosA tecnologiapara produção dobioetanol estápronta para serusada se houversubsídiosgovernamentais.O bioetanol desegunda geraçãoé feito deresíduos deplantas, como palha, sabugo do milho,bagaço de cana, ao invés dos cultivos em sicomo milho e cana-de-açúcar no caso dosbiocombustíveis de primeira geração.Assim como estes últimos, os de segundageração podem ser misturados comgasolina para abastecer carros e ajudar acumprir metas de energia limpa, porém aprodução ainda está no início.Energias renováveisSerá realizada, nos dias 06 e 07 de dezembro,no Rio de Janeiro,a 7ª edição do workshop RioEnergias Renováveis.O evento é uma iniciativada Associação Brasileira de Energias Renováveise Meio Ambiente (Abama) e da Federação dasIndústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).O objetivo do encontro é abordar oportunidadesde negócios e novas tecnologias em fontesrenováveis de energia, além de analisar temasrelevantes para o desenvolvimento da geração deenergia solar fotovoltaica, térmica, eólica, hídricae a biomassa. O encontro é voltado parainvestidores e agentes de mercado e aparticipação é gratuita.fotos: divulgaçãoÔnibus híbrido étestado em São PauloComeçou a circular no fim do mes deoutubro na capital paulista o protótipo deum ônibus híbrido. O veículo é movido pordois motores, um movido a óleo diesel eoutro por uma bateria elétrica. Segundo aempresa fabricante, o sistema é cerca de35% mais econômico do que o de ummotor convencional e emite entre 80% e90% menos poluentes. O ônibus tem ummotor elétrico, alimentado pela bateria, queé utilizado para dar partida e acelerar oveículo até a velocidade de 20 quilômetrospor hora. O motor a diesel entra emoperação quando o veículo atingevelocidades superiores. Existe ainda umsistema que recarrega as baterias utilizandoa energia gerada pelo sistema de freios,uma tecnologia que já foi testada em carrosda Fórmula 1. Depois desse período detestes na cidade de São Paulo, o ônibusseguirá para uma nova fase experimentalno Rio de Janeiro.Aumenta oferta debioeletricidadeA geração de energia elétrica emtérmicas de biomassa de cana-de-açúcarcresce a cada ano entre as fontes limpas.O último Plano Decenal da Empresa dePesquisa Energética (EPE) para 2010-2019 prevê que o potencial de cogeraçãosalte de 10,5 GW para 17,4 GW noperíodo. Só em 2010 o aumento daoferta de energia elétrica proveniente dobagaço pode chegar a 14% em relação àsafra passada. Ao todo, 100 das 434usinas brasileiras produzem excedentede energia elétrica exportado para arede, fornecendo 670 MW/médio em2009, número que deve saltar para 1050MW/médio este ano. A cogeraçãorepresenta cerca de 3% da energiagerada no país, mas há capacidadeinstalada para fornecer 5%.


É tempo dejabuticabaem GoiásFernando DantasConsiderada uma das maioresprodutoras da fruta nomundo, a Fazenda Jabuticabalrecebe visitantes de todo oBrasil e até do exterior,principalmente nos meses detemporada. É difícil passarpelo local e não se deliciarcom a fruta colhida no péA vista é de encher os olhos e de darágua na boca. Quem visita a FazendaJabuticabal, localizada no município deNova Fátima, distrito de Hidrolândia (GO),a 40 minutos de Goiânia (GO), se deparacom um pomar de mais de 21 mil jabuticabeiras,que de agosto a novembro –período da safra – estão em plena produçãoe ficam carregadas de frutinhas emformato de bolinha, nas cores roxo-claroao escuro, quase pretas. A quantidade depés de jabuticaba é tão grande que umdos proprietários do local, Paulo AntônioSilva, lançou um desafio aos visitantes:“quem chupar uma fruta de cada uma dasjabuticabeiras ganha a fazenda”. SegundoPaulo, até hoje ninguém se arriscou aalcançar essa meta. “O pessoal entendeque é uma brincadeira, porque é impossívelchupar 21 mil jabuticabas. É precisoter muita coragem, esforço e estômagopara entrar no desafio”, brinca.Na época da safra, a fazenda recebe de10 a 12 mil visitantes por mês. A maioriaé do Estado de Goiás, Minas Gerais eDistrito Federal. Mas também tem frequentadoresde outros países. “Já recebemosa visita de pessoas dos EUA, França eJapão. O legal é fazê-los falar jabuticaba.Sai cada coisa”, relata Paulo. Para teracesso à fazenda, a diária custa R$ 15,sendo R$ 7,50 para as crianças. O que osvisitantes precisam ter também é fôlegopara percorrer a fazenda, já que são 125hectares destinados à produção de jabuticaba,do total de 528 hectares da propriedade.Uma dica é levar um calçadoconfortável e fechado, porque somentedisposição não é suficiente para caminhartoda extensão da propriedade.Além de ter à disposição jabuticabasem 21 mil pés espalhados pela fazenda, ovisitante pode desfrutar de outrosespaços, como o Recanto das Jabuticabase a vinícola. No caso do recanto, as pessoaspodem se divertir às margens do RioDourado. O local também oferece completainfraestrutura, com restaurante elanchonete, adega para a comercializaçãode produtos, banheiros, estacionamentoe área de descanso. SegundoPaulo, o plano para os próximos anos éexpandir essa estrutura. “Queremos tranformaresse espaço em uma pousada. Atéporque as famílias já passam o dia aqui,então poderiam aproveitar ainda mais sehouvesse um local apropriado para odescanso”, reforça.24 CANAL, Jornal da Bioenergia


SAIBA MAIS SOBRE A FAZENDA JABUTICABAL• Horário de funcionamento: 6 às 18 horas• Valor da entrada: R$ 15 para adultos e R$ 7,50 para crianças• Valor do quilo: R$ 4Como tudo teve inícioA história da Fazenda Jabuticabal começou em1947, quando seu Antônio Batista da Silva, pai de11 filhos que hoje administram o local, plantou100 pés de jabuticaba. Tudo era novidade para oagricultor, que aprendeu na “lida” como cuidar deum pomar de jabuticabeiras. Com os resultadospositivos, seu Antônio teve que investir no plantiode mais mudas para a fazenda, que a cada anoganhava mais árvores para fornecer a “tal” dafruta preta, como era conhecida. “O tempo foi passandoe toda a família passou a trabalhar na atividade,como se fosse agricultura familiar”, ressaltaPaulo. Foi a partir de 1996 que a fazenda foi abertaà visitação, com mais de 7 mil jabuticabeiras àdisposição. Dessa forma, o negócio ganhou umaamplitude maior e, atualmente, a FazendaJabuticabal é uma das maiores em extensão e produçãono mundo. “É motivo de orgulho paraminha família ver o que meu pai construiu e repassoupra gente e que será dos netos também”,destaca Paulo.VINÍCOLACom o sucesso de público e o retorno financeiroconquistados ao longo de mais de 60 anos, o passoseguinte foi investir na expansão dos negócios. Em2000, a família de seu Antônio percebeu que erachegada a hora de investir em algo maior. Foientão que surgiu a ideia de construir uma vinícolana sede da fazenda. Mas nada aconteceu da noitepara o dia. O processo de industrialização naFazenda Jabuticabal teve início com apoio daUniversidade Federal de Goiás (UFG), sob a coordenaçãodo bioquímico de alimentos Marcos AntônioCândido e do professor Eduardo Ramirez. fotos: canalCANAL, Jornal da Bioenergia 25


Os profissionais foram os responsáveis por desenvolverpesquisas para o estudo da fermentação controlada da jabuticaba.“Foi o primeiro passo para a instalação da VinícolaJabuticabal”, esclarece Paulo. Mas foram nos últimoscinco anos que a Vinícola conquistou seu espaço e hojeabastece diversas adegas e supermercados da região Centro-Oestee Norte, além de exportar produtos para paísesasiáticos e EUA.Na vinícola, a jabuticaba é transformada em diversosprodutos industrializados: Aguardente Jabuticabinha, SucoTropical de Jabuticaba, geleia, licor e o vinho, que naverdade recebe o nome de fermentado, já que o termo vinhosó pode ser utilizado para produtos derivados da uva.Com a restrição ao nome, os fermentados receberam nomenclaturasexclusivas, como Javinne, Pôr-do-Sol e Dourado,que equivalem, respectivamente, aos vinhos tinto,rosado e branco. São produzidos mais de 620 mil garrafasde fermentados, 5 mil de aguardente e 5 mil de suco, porsafra. Para conseguir atender a demanda, que tem sidocrescente, informa Paulo, a fazenda e a vinícola possuem40 profissionais em seu quadro de colaboradores. “Sãoeles que ajudam a tornar a fazenda uma opção de lazerpara diversas famílias que têm o costume de se deliciarcom a fruta preta”, finaliza.COMO FAZER UM LICORDE JABUTICABAIngredientes• 1 quilo de jabuticaba• 1 quilo de açúcar cristal• 1 litro de álcool de cereaisou pingaModo de preparo• Lavar as jabuticabas e deixarescorrer (reserve);• Colocar açúcar, pinga ejabuticaba em um recipientede plástico ou vidro comtampa, mexer e deixar curtirpor 15 dias. É preciso mexeruma vez por dia;• Para finalizar, após 15 dias énecessário coar e engarrafar."As jabuticabas tinham chegado no ponto e amenina não fazia outra coisa senão chuparjabuticabas. Escolhia as mais bonitas, punha-asentre os dentes e tloc! E depois do tloc, umaengolidinha de caldo e pluf! – caroço fora. E tloc,pluf, tloc, pluf, lá passava o dia inteiro na árvore"As Jabuticabas - Fragmento de Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato26 CANAL, Jornal da Bioenergia


PALAVRA DO ESPECIALISTAEstá em curso uma negociação interessanteentre a Secretaria da Fazenda do Estado deGoiás e o setor sucroenergético para definirnovos parâmetros tanto na cobrança (ouisenção) do diferencial de alíquotas do ICMS nasaquisições destinadas ao ativo imobilizado, quantono creditamento do imposto destacado sobre taisitens. A ideia é deixar pré-estabelecido que de todasas aquisições feitas pela indústria um determinadopercentual será reconhecido como ativo imobilizadoe o restante, como uso e consumo.Essa espécie de definição presumida de ativo é umatentativa de resolver um persistente impasse entre fiscoe contribuinte no que diz respeito a esse grupo deaquisições. Para quem não está tão familiarizado coma questão, basta lembrar que Goiás, como forma deestímulo à expansão do parque industrial, dispensa orecolhimento do diferencial de alíquotas do ICMS sobreo ativo imobilizado. Difícil é estabelecer exatamenteo que é ativo e o que não é, diante do gigantismodos empreendimentos e da compra desses ativos demodo fracionado. Daí a saída pela presunção.Sem tirar o mérito da negociação que ora ocorreem Goiás, o que a situação nos revela mais uma vez éuma velha distorção no sistema tributário nacional.No afã de garantir receitas, o Poder Público acaba punindoo investimento, ao cobrar imposto na sua fasede implantação. Já tivemos que engolir em seco a ironiade alguns estrangeiros que nos apontam um dadoincômodo: "aqui no Brasil vocês pagam imposto apartir da decisão de construir uma fábrica."Convenhamos que, para um país com a gigantescamissão de manter de pé a competitividade desuas indústrias – num cenário de câmbio distorcidoe a concorrência não muito leal de determinadosgigantes no cenário internacional – tomar do empreendedoruma parte do seu capital, na aberturade um novo negócio, não é um sinal animador. Ainiciativa do Estado de Goiás de dispensar parte doICMS do ativo é louvável, apesar de pejorativamentechamada de guerra fiscal, mas ainda representapouco, muito pouco!Apenas para citar outra dificuldade no âmbito dopróprio ICMS, os materiais aplicados na construção civile que resultam nas edificações de um parque industrial,por exemplo, passam ao largo de qualquer incentivo.Além disso, o empreendedor é impedido decreditar-se do imposto destacado na etapa anterior, oque fere o princípio da não cumulatividade do tributoe resulta no encarecimento do projeto.O que o Brasil precisa nesse novo ciclo político quese inicia é ser resoluto, no sentido de aplainar os caminhosdo investimento. Isso passa, necessariamente,pela máxima desoneração do setor produtivo. Se éSidnei C. Pimentel é advogado tributarista, sócio do escritório TerraPimentel & Vecci. É formado em Direito pela PUC Goiás; Jornalismopela UFG e pós-graduado em Controladoria e Finanças pela FGVAplainar o caminho do investimentoconsenso que não se tributa as exportações, porqueos estrangeiros não nos pagariam impostos e nós éque perderíamos competitividade, precisamos estarigualmente convictos de que encarecer um parque industrialtem o mesmo efeito.Portanto, desde o ISS, o não muito lembrado impostodos municípios, mas que onera significativamenteas obras de infraestrutura, até a tributaçãofederal tudo precisa ser revisto na abertura dessaavenida do investimento. Muitos dirão que isso écomplexo e que vai resultar em perdas inaceitáveispara alguns entes da Federação. Mas se houver liderança,convicção política e competência técnica tudose resolve. A economia está crescendo a um ritmoanimador o que ajuda ainda mais a superar osconflitos e a lançar bases para que essa expansãoseja a mais duradoura possível.Há quem fale que isso é tarefa para uma ReformaTributária e já dissemos aqui, nesse mesmo espaço,que em razão das inúmeras tentativas recentes esse éum assunto tão desacreditado quanto as "profecias"de ano novo. Uma boa tentativa seria, portanto, fazeruma reforma tributária por módulos e logo nesse primeirotrataríamos de baratear o investimento industrial,deixando para cobrar o imposto só do produtoacabado. Seria uma enorme demonstração de sensatezpara um País que pretende ser respeitado.divulgaçãoCANAL, Jornal da Bioenergia 27


EVENTO ETANOL E AÇÚCARfotos: divulgação/datagroBalanço e perspectivasCONFERÊNCIA INTERNACIONAL DATAGRO, REALIZADA EM SÃO PAULO,SINALIZA CENÁRIOS PARA ETANOL E AÇÚCAR SAFRA 2011/2012A10ª Conferência Internacional Datagro sobreetanol e açúcar reuniu, durante os dias18 e 19 de outubro, em São Paulo, cerca de600 pessoas ligadas ao setor sucroenergético,como autoridades, empresários, consultores, executivose, ainda, vários profissionais da imprensa doBrasil e exterior. Nas palestras foi feita avaliação daprodução dessa safra, que se encerra em dezembro.Consultores e líderes de entidades traçaram, também,perspectivas para a safra 2011/2012.O presidente da Organização dos Plantadores deCana (Orplana), Ismael Perina, fez uma avaliaçãodas condições de produção dos canaviais devido àscondições climáticas. A entidade tem hoje 34 associaçõesde municípios canavieiros localizados naRegião Centro-Sul. “A moagem prevista para essasafra era de 590 milhões de toneladas de cana,mas, em função de vários problemas, isso não seconfirmará. Chuva e sol na hora errada e tambéma doença ferrugem alaranjada acarretaram essa situação.Com isso, devemos ficar em torno de 578milhões de toneladas, com queda significativa naATR”, afirmou Perina.BIOELETRICIDADEPlínio Nastari, presidente da Datagro, consultoriapromotora da conferência, afirmou que a participaçãodo etanol na matriz energética brasileiracresceu muito esse ano e seguirá nesse caminho.Ressaltou que as indústrias do setor sucroenergéticotêm recebido investimentos elevados docapital estrangeiro e que isso é uma tendência irreversível.Segundo o consultor, as indústrias produtorasde etanol e açúcar precisam, cada vezmais, ampliar os investimentos em bioeletricidadee em novas tecnologias que aprimorem os níveisde produção. Plínio prevê que os preços do etanolnesse fim de safra continuarão altos, chegando aolimite máximo na paridade com o preço da gasolina.No caso do açúcar, os preços também estãobem remuneradores, principalmente para exportação.O consultor alertou ainda que a taxa de renovaçãodos canaviais têm sido baixa e isso traráefeitos na oferta de cana para a próxima safra.Plínio Nastari, da DatagroDIVERSIFICARO diretor da Organização Internacional doAçúcar, Peter Baron, afirmou que a produçãomundial de açúcar em 2011 deverá seguir compreços remuneradores para o produtor. A dúvidafica por conta das condições de clima que seapresentarem nos países produtores. Ele fez umaanálise do cenário atual mundial de produção deetanol, açúcar e bioeletricidade e afirmou que asindústrias do setor sucroenergético precisamaperfeiçoar seu desempenho e manter o foco dadiversificação de sua produção. Nesse caso, a cogeraçãode energia assume perspectivas extremamentepositivas, principalmente em função dascondições climáticas que mostram uma indefiniçãocrescente em relação ao volume de chuvaspara abastecimento das hidrelétricas.EM DEFESA DO AÇÚCARBernhard Greubel, da Organização Mundial dePesquisa do Açúcar (WSRO), disse na conferênciaque a entidade vem desenvolvendo um trabalhoem defesa do açúcar como alimento saudável eque não compromete a saúde das pessoas, conformevem sendo afirmado por vários estudos epesquisas. O produto, em vários estudos patrocinadospor concorrentes dos produtores de açúcar,vem sendo taxado como vilão, causador inclusivede cardiopatias graves. Com isso, segundo ele,houve uma grande campanha de substituição doaçúcar por adoçantes. O consumo de açúcar caiudramaticamente como consequência dessas inúmerascampanhas, inclusive algumas patrocinadaspela Organização Mundial de Saúde. “É contraesse tipo de ação que a Organização Mundialdo Açúcar tem atuado. Um trabalho continuadode retomada do consumo de açúcar. Foram promovidosdebates em várias instituições de pesquisascontra o açúcar. Assim, a WSRO tem buscadoestar cada vez mais presente em ações contráriasa essa ação preconceituosa contra o açúcar, inclusivequestionando determinadas pesquisas”, declarou.BALANÇO AÇUCAREIRO MUNDIALO diretor Internacional F.O LICHT, StepanUhlenbrock, falou no evento sobre o mercado deaçucareiro mundial. Segundo ele, os estoquesneste fim de ano estão muito apertados e com issonão há previsão de queda nos preços. Para oano que vem, ele acredita que não haverá reduçãono consumo do produto, com pequeno crescimentoinclusive em países como China, Paquistão,Índia e Brasil. Segundo ele, houve nos últimos10 anos uma redução no ritmo de crescimento doconsumo de açúcar, mas não uma queda no consumo.“Se tivermos grandes períodos de seca emesmo de enchentes nos países produtores deaçúcar, teremos uma oferta menor do que a demandano mundo”, disse.Stepan calcula que a Índia exportará 3 milhõesde toneladas de açúcar em 2011. Ele diz aindaque, no ano que vem, o crescimento que for registradona produção de açúcar não irá gerargrandes estoques no mundo. O motivo, de acordocom Stepan, é que ainda existe a possibilidade demudanças climáticas drásticas que podem afetara produção levando inclusive a uma grande elevaçãodos preços em meados do ano que vem.AÇÃO INSTITUCIONALOs presidentes de entidades representativas dosprodutores de etanol e açúcar participaram de umpainel na 10ª Conferência Internacional Datagro.Vejam algumas das considerações feitas por eles:28 CANAL, Jornal da Bioenergia


Luiz Custódio- presidente do Sindicato de Minas GeraisComentou que a demanda por etanoldeverá duplicar nos próximos anos e osetor não está devidamente preparadopara suprir essa necessidade.Marcos Jank – presidente da UnicaDestacou a necessidade de o governobrasileiro criar políticas públicas queassegurem melhores condições para ocrescimento da produção debiocombustíveis no Brasil.Edmundo Barbosa- presidente do Sindicato da ParaíbaCitou projetos em andamento nas usinasdo Estado no sentido de colocar nomercado novos produtos a partir dabiomassa da cana-de-açúcar.Pedro Robério- presidente do Sindicato de AlagoasCriticou a limitação da entrada decapital estrangeiro na atividadecanavieira no Brasil.Renato Cunha- presidente do Sindicato de PernambucoEm relação à bioeletricidade, o executivoafirma que os preços são muito poucoremuneradores em relação ao que é pagopara outras fontes que não são renováveis.É preciso ter um preço compatível com aimportância desse produto.André Rocha- presidente executivo Sifaeg/SifaçúcarO executivo falou sobre a importância daformação de mão de obra especializadapara atender as novas demandas do setor.O fato de a mecanização ter crescidoacentuadamente em Goiás, levando auma realidade em que cerca de 80% dacolheita da cana já é feita por máquinas,gera uma demanda ainda maior nessaárea. O Sifaeg tem atuado no sentido devencer esses obstáculos fazendo parceriascom o sistema FIEG. Existe agora umaexpectativa de melhoria desse quadrocom o lançamento de um programa dogoverno federal que tem metas derequalificação de mão de obra para asusinas. Citou ainda o fato de as usinasgoianas estarem também implementandoprogramas próprios de treinamento depessoas.Roberta Hollanda- presidente da BiosulDetalhou a realidade de produçãosucroenergética no Mato Grosso do Sul.Os desafios no Estado, segundo ele, são afalta de mão de obra preparadaadequadamente para as atividadesrurícolas e industriais e a questão dalogística. O escoamento da produçãoenfrenta dificuldades e diz que é precisoinvestimentos em hidrovias e ferrovias.Fez questão de dizer que nunca a canaameaçará o Pantanal Sul Matogrossense.Miguel Rubens Tranin- presidente da Alcopar/ParanáComentou a necessidade de o novoCódigo Florestal ser regulamentado sempenalizar o setor canavieiro. Citoudificuldade de implementação dosprojetos de alcoolduto e acredita que umprojeto estadual sairá do papel ano quevem. No quadro nacional, ele disse queseria importante haver união dosprojetos já existentes. A iniciativa privadatem que tomar a iniciativa de fazer, deinvestir, por meio da união de gruposprodutores.FFATIAPrêmio Visão deDesenvolvimentocelebra destaquesOs organizadores e os sindicatosapoiadores da Ffatia realizaram, na noitedesta quinta-feira (21/10), a entregada terceira edição do Prêmio Visão deDesenvolvimento. Os representantes sereuniram no estande do Sindicato dasIndústrias de Alimentação do Estado deGoiás (Siaeg) e entregaram troféus comoreconhecimento aos empreendedoresda indústria que se têm se destacadono Estado.Foram contemplados com a premiação:Sávio Cruvinel Câmara, do Café Sabiá;Jair José Antônio Borges, do LaticíniosJL Ltda; Carlos Moura, da Só Trigo;Cyro Miranda Gifford Júnior, do GEM Industrial;Otávio Lage de Siqueira Filho,da Usina Jalles Machado; Vanderlan VieiraCardoso, da Cicopal Indústria e Comércio;e Marcos Antônio Molina dosSantos, da Marfrig.Os premiados foram indicados pelos sindicatosorganizadores da Feira. De acordocom o presidente da Sifaeg e presidente dehonra da Ffatia, Sandro Mabel, a iniciativavisa homenagear os empresários que contribuírampara ajudar o Estado de Goiás acrescer de forma bastante significativa."Temos hoje que Goiás é um estado do presentee do futuro. Nossa meta, graças a essasiniciativas, é transformar a região emexportadora de produtos processados e nãomais de grãos in natura", enfatizou.Sandro Mabel, Otávio Lage de SiqueiraFilho e André Rochasilvio simõesCANAL, Jornal da Bioenergia 29


TECNOLOGIAS SETOR SUCROENERGÉTICOCanal Sucroeste reúneprofissionais em seminárioEVENTO REALIZADO PELOCANAL -JORNAL DABIOENERGIA E MULTIPLUSTEVE A PRESENÇA DEPALESTRANTES DE RENOMENACIONAL E INTERNACIONAL,QUE ABORDARAM TEMASLIGADOS AO SETORFernando DantasO1º Seminário Canal Sucroeste reuniu,no dia 21 de outubro, no Centro deConvenções de Goiânia, mais de 100profissionais, técnicos e estudantesligados ao setor sucroenergético. O evento tevepalestrantes de renome nacional e internacionalque debateram assuntos direcionadosao segmento sucroenergético, como logística,plantio mecanizado de cana-de-açúcar, irrigação,caldeiras e geração de vapor, entre outros.O Seminário, parceria do Jornal Canal Bioenergiae Multiplus Feiras e Eventos, integrou aprogramação da 7ª Feira de Fornecedores eAtualização Tecnológica da Indústria de Alimentação(Ffatia).Para o superintendente executivo do Sindicatoda Indústria de Fabricação de Etanol eAçúcar do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar),José Mauro de Oliveira Ferreira, o seminárioocorreu em um momento importante do setorsucroenergético em Goiás, que ocupa o 3ºlugar em moagem de cana e que caminha paraalcançar o 2º lugar na produção de etanol."É relevante para o segmento ampliar a discussãode temas que fazem parte dos setoresagrícola e industrial goiano. Foi a oportunidadede aproximar questões que estão inseridasno cotidiano e que geram riquezas para a populaçãodo Estado", reforçou.A diretora do Canal Bioenergia, Mirian Tomé,destacou que o evento é um entre váriosque o jornal realizará em parceria com outrasentidades, como a Multiplus Feiras e Eventos."A intenção é ampliar a discussão sobre o setorsucroenergético em Goiás, que está emcrescente expansão", informou. Essa é a mesmaopinião do diretor da Multiplus, FernandoBarbosa, ao acrescentar que eventos como oseminário são relevantes por oferecer informaçõese novidades tecnológicas que podemtornar a prática agrícola e industrial mais rentável.PALESTRASO Seminário Canal Sucroeste ofereceu aosparticipantes completa programação de assuntosligados ao segmento sucroenergético.A primeira palestra teve como tema Cana-deaçúcar– Tendências e Mercado, e foi ministradapelo engenheiro agrônomo e gerente doPolo Agrícola da Cosan Centroeste, João Saccomano.Ele traçou um panorama atual dosegmento, avaliando desde o contexto históricoda introdução da cana no Brasil até cenáriosfuturos. Destaque para os três novos ciclosvivenciados pelo setor, segundo o palestrante– mercado interno do etanol, exportaçãodo etanol e, por último, exportação deaçúcar. João ressaltou a importância da regiãoCentro-Sul do País na produção de canade-açúcare o fato de que qualquer problemaque surgir nos Estados que integram a regiãopoderá repercutir negativamente nos cenáriosnacional e internacional.Na palestra perspectivas e desafios no transporterodoviário de cargas no Brasil e gestãono transporte do setor sucroenergético, odiretor-presidente da Transespecialista, RicardoAmadeu da Silva, destacou a importânciada malha viária e logística para a área sucroenergética.Segundo ele, por causa das deficiênciasna estrutura rodoviária, o Brasil temprejuízos de R$ 22 bilhões anuais no setoragrícola, que representam cerca de 1,2% doProduto Interno Bruto (PIB).Já o diretor da Irriger e professor da Uni-32 CANAL, Jornal da Bioenergia


silvio simõesversidade Federal de Viçosa, Everardo Chartuni Mantovani, ministroua palestra Viabilidade Econômica da Irrigação. Everardo falou da facilidadeem ganhar em produtividade com a gestão de água nas propriedadesrurais e usinas. Segundo ele, para otimizar a irrigação nacultura da cana-de-açúcar é preciso pensar e planejar a viabilidadeeconômica, social e ambiental do processo. "Para obter maior produtividadee lucratividade na lavoura é imprescindível alinhar essas trêsviabilidades", disse.O engenheiro agrônomo e gerente de Processos Agrícolas da UsinaSão Francisco do Grupo USJ, Jurandir de Oliveira Júnior, ressaltou,na palestra Plantio Mecanizado de Cana-de-Açúcar, que a práticadeve ser entendida, atualmente, como um sistema e não umaatividade. "O plantio mecânico é uma realidade e a garantia dequalidade está no treinamento da mão de obra", disse. O engenheiromecânico pela Unesp e proprietário da OKR-Piracicaba, OsamúKoroiva, esteve presente ao evento para abordar um assunto de cunhoindustrial, porém de extrema importância para o setor. Osamúministrou a palestra Caldeiras, Geração de Vapor, Problemas deMontagem e Operacional, ressaltando a questão da combustão debagaço e dilatação de caldeira.EMPRESASDurante o Seminário, empresas ligadas ao setor sucroenergéticoapresentaram aos profissionais que atuam na área novidades em produtose serviços. A Equilíbrio, que está há 12 anos no mercado, mostrouinovações em ventiladores e exaustores para caldeiras. Os representantesda empresa, Maria Lúcia e Luís Júnior, falaram sobre a importânciada condição de trabalho para manter o equipamento produzindocom qualidade. Já o médico Rodrigo Hostalácio Arantes, daSão Francisco Saúde, abordou assuntos ligados à segurança no trabalho,principalmente o absentismo.Com conteúdo mais técnico, a Maktractor falou sobre Rodante deColhedora de Cana-de-Açúcar – Análise para uma Manutenção Preventivae Corretiva. Os representantes da empresa, Nádia Gomide eVinicius Nazzeto, mostraram cuidados necessários, a vida útil do materialrodante e a manutenção correta. O diretor de Marketing daDMB Máquinas, Auro Pardinho, falou ao público do Seminário sobreNovas Tecnologias em Implementos para Plantio e Tratos de Soqueirasda Cultura da Cana. Já a Brumazi, que trabalha com soluções industriaisno mercado de açúcar e álcool, esteve representada noevento pelo diretor comercial, Paulo Saraiva. Ele foi responsável porministrar a palestra Soluções em Caldeiras de Alta Pressão para oMercado Sucroenergético.silvio simõesfotos: arquivo canalFfatia e Sucroestemovimentam capital goianaA 7ª Feira de Fornecedores e Atualização Tecnológica da Indústria deAlimentação - Ffatia e a 2ª Sucroeste– Mostra Sucroenergética doCentro-Oeste, realizadas entre os dias 19 e 22 de outubro, receberamcerca de 25 mil visitantes de 16 Estados brasileiros e da Colômbia. Forammais de 130 expositores, que apresentaram novidades em produtos eserviços no Centro de Convenções de Goiânia. Além do Seminário, oCanal Bioenergia esteve presente na feira também com estande próprio,onde realizou exposição das edições do jornal aos visitantes.CANAL, Jornal da Bioenergia 33


John Deere vai investir R$ 60 milhões em GoiásA fábrica de colhedoras de cana da John Deereem Catalão (GO) receberá investimentos de R$ 60milhões, em um prazo de quatro anos.A unidadesserá ampliada, a partir de novembro, para recebernova linha de montagem de pulverizadores.Afábrica manterá também sua atual linha deprodução de colhedoras de cana-de-açúcar.Oprotocolo de intenções foi assinado no fim deoutubro, no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, emGoiânia (GO), por Alfredo Miguel Neto, diretor deAssuntos Corporativos para América do Sul daJohn Deere, e o governador Alcides Rodrigues.A previsão é que as novas instalações gerem500 novos empregos, em um período de quatroanos. A unidade, que opera desde 1999, possui450 funcionários."Em um primeiro momentoas contratações serão voltadas para funçõesrelacionados ao desenvolvimento do projeto,como engenharia, manufatura edesenvolvimento de mercado de componentesnacionais.Posteriormente, as contrataçõesacontecerão em áreas mais operacionais, queenvolvem a produção", afirma Léo Marobin,gerente da fábrica.fotos: divulgaçãoArmo amplia linha abrasivaPara complementar a linha de abrasivospara indústrias, a Armo do Brasil importouequipamentos para conversão quecontemplam corte e emenda de cintas de lixade acordo com a necessidade do cliente.Utilizadas por empresas de diferentessegmentos como caldeirarias,fundições eindústrias automobilísticas, as cintasfornecidas pela Armo são feitas de grãoscerâmicos de alta tecnologia, possuem umlixamento mais rápido e melhor qualidade noacabamento da superfície desbastada,promovendo uma elevada taxa de remoção dematerial. “Antes só era possível adquirir oproduto com especificações padrões o que,muitas vezes, não atendia a real necessidadedo cliente”, explicou Karina Borges, diretoracomercial da Armo do Brasil. A diretoragarante que o custo do serviço é acessível evaria de acordo com o tipo de cinta de lixa etamanho solicitado.ETH e Brenco:negócio do anoA união dos ativos dasempresas ETH e CompanhiaBrasileira de Energia Renovável(Brenco), dando origem à ETHBioenergia, recebeu o prêmio"Euromoney and Ernst & YoungRenewable Energy Award", umdos mais importantes nomercado mundial de energiasrenováveis.O primeiro lugar nacategoria de Negócio do Ano -Infraestrutura, celebra asconquistas no setor privado queimpulsionam o crescimentocontínuo da indústria deenergia renovável em diversospaíses,foi entregue em 20 desetembro,em Londres.Primeiro gerador flex do mundocomeçará a ser vendidoA FPT Powertrain Technologies, braço do Grupo Fiat,apresentará durante a feira Rio Infraestrutura 2010, de 17 e 20de novembro, no Riocentro, o motor flex que fornece para aprodução do primeiro gerador de energia do mundo, que podeser abastecido com gasolina e álcool, o GeraFlex.34 CANAL, Jornal da Bioenergia

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