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Stress de empreendedores

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o '<strong>Stress</strong> <strong>de</strong> Empreen<strong>de</strong>dores: Um Estudo em Empresas IncubadasAutoria: Kátia Virgínia Ayres, Guilherme AlbuquerqueBrasileiroCavalcanti e Maria do Carmo EulálioResumoOs empreen<strong>de</strong>dores, elementos-chave no atual contexto econômico e social, convivem comaspectos que são inerentes a sua atuação, tais como a imprevisibilida<strong>de</strong>, tolerância ao risco e ainstabilida<strong>de</strong> financeira e social, que possibilitam caraterizar esta ocupação como <strong>de</strong> altopotencial estressante. Visando contar com uma melhor infra-estrutura e minimizar asdificulda<strong>de</strong>s, há uma tendência para que os micro e pequenos empreen<strong>de</strong>dores busquemestabelecer-se em incubadoras <strong>de</strong> empresas. Este estudo objetivou avaliar a incidência e onível <strong>de</strong> stress <strong>de</strong> 49 empreen<strong>de</strong>dores <strong>de</strong> empresas incubadas da Região Nor<strong>de</strong>ste, bem comoi<strong>de</strong>ntificar as fontes e os sintomas <strong>de</strong> stress e as estratégias <strong>de</strong>fensivas por eles utilizadas. Osresultados revelam que menos da meta<strong>de</strong> apresentava stress; e que a gran<strong>de</strong> maioriaconsi<strong>de</strong>rou a sua atuação como estressante, enfocando os motivos profissionais em <strong>de</strong>trimentodos pessoais. As principais fontes <strong>de</strong> stress relacionavam-se à a<strong>de</strong>quação profissional e àcap acitação. Dentre as estratégias <strong>de</strong>fensivas mais utilizadas, <strong>de</strong>stacam-se a reinterpretaçãopositiva das situações e o enfrentamento ativo. Essas informações po<strong>de</strong>m subsidiar aelaboração <strong>de</strong> programas <strong>de</strong> capacitação <strong>de</strong> empreen<strong>de</strong>dores visando proporcionar-lhesmelhores condições técnicas e psicológicas para a administração <strong>de</strong> seus negócios.1. Consi<strong>de</strong>rações IniciaisO mundo todo tem sentido o impacto da globalização. As mudanças radicais em todosos aspectos da vida têm <strong>de</strong>ixado as pessoas mais e mais sobre pressão e cada vez maisvulneráveis às doenças relacionadas ao stress. Os sintomas fisiológicos, psicológicos ecomportamentais do stress têm emergido <strong>de</strong> maneira quase epidêmica, resultante do déficitentre as <strong>de</strong>mandas do dia-a-dia e os recursos para enfrentá-Ias. Essas mudanças, <strong>de</strong> um modogeral, obriga os indivíduos a fazerem ajustes em suas vidas que são, freqüentemente,<strong>de</strong>lineados por incertezas e dificulda<strong>de</strong>s.Da mesma maneira, neste novo cenário da economia globalizada, todas asorganizações precisam lutar para manterem-se em posições competitivas ou, até mesmo,sobreviver. A nível nacional, as conseqüências mais marcantes <strong>de</strong>ssas mudanças são asrecentes privatizações e a adoção <strong>de</strong> novas técnicas administrativas como Reengenharia,Downsizing, Just-in-time, Terceirização e Benchmarking, levando a um acelerado aumento nonível <strong>de</strong> <strong>de</strong>semprego e transformando os ex-empregados em potenciais empreen<strong>de</strong>dores, cujasativida<strong>de</strong>s caracterizam-se por imprevisibilida<strong>de</strong>, capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> assumir riscos e ausência <strong>de</strong>estabilida<strong>de</strong> financeira e social, o que possibilita caracterizar esta ocupação como <strong>de</strong> altopotencial estressante. Entretanto, os estudos <strong>de</strong>senvolvidos sobre o stress no contexto dotrabalho não têm privilegiado a atuação do empreen<strong>de</strong>dor, sobretudo os <strong>de</strong> empresas <strong>de</strong>pequeno e médio porte. Consi<strong>de</strong>ra-se, então, relevante o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> pesquisas quesubsidiem trabalhos <strong>de</strong> intervenção junto a esses empreen<strong>de</strong>dores, <strong>de</strong> forma a proporcionarlhescondições técnicas e psicológicas para uma administração mais eficiente e eficaz <strong>de</strong> seusnegócios.A preocupação da presente pesquisa foi analisar a incidência e o nível <strong>de</strong> stress <strong>de</strong>empreen<strong>de</strong>dores <strong>de</strong> empresas incubadas e o nível <strong>de</strong> stress percebido por eles em relação a suaatuação profissional. Buscou-se, também, i<strong>de</strong>ntificar as fontes e sintomas <strong>de</strong> stress e asestratégias <strong>de</strong> gerenciamento do stress mais freqüentemente utilizadas.


2, Breves Consi<strong>de</strong>rações sobre Empl'esas IncubadasNo Brasil, a consolidação do movimento <strong>de</strong> criação <strong>de</strong> incubadoras <strong>de</strong> empresas se<strong>de</strong>u a partir do surgimento, em 1987, da Associação Nacional <strong>de</strong> Entida<strong>de</strong>s Promotoras <strong>de</strong>Empreendimentos <strong>de</strong> Tecnologias Avançadas - ANPROTEC, motivado, principalmente, pelointeresse dos segmentos da socieda<strong>de</strong> em buscar um espaço no panorama industrial do país,pelas facilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> comunicação e locomoção, e pela maior viabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> obtenção <strong>de</strong> áreasbem localizadas para o projeto (Araújo, 1992).As Incubadoras <strong>de</strong> Empresas são <strong>de</strong>finidas pela ANPROTEC (2000) como "...empreendimentos que ofereçam espaço fisico, por tempo limitado, para a instalação <strong>de</strong>empresas <strong>de</strong> base tecnológica e/ou tradicional, e que disponham <strong>de</strong> uma equipe técnica paradar suporte e consultoria a estas empresas ". Elas abrigam empresas que se propõem a<strong>de</strong>senvolver, em <strong>de</strong>terminado período (em média <strong>de</strong> dois a cinco anos), projetos queresultarão em processos ou produtos com forte conteúdo tecnológico, são as chamadasempresas <strong>de</strong> base tecnológicas (EBT's). Normalmente, as empresas que nelas se instalamsurgem <strong>de</strong> idéias <strong>de</strong> pesquisadores universitários, que não dispõem <strong>de</strong> recursos fmanceirospara se estabelecerem <strong>de</strong>s<strong>de</strong> logo como unida<strong>de</strong>s produtivas. As incubadoras também po<strong>de</strong>mabrigar projetos <strong>de</strong> empresas já estabelecidas, para <strong>de</strong>senvolverem outros produtos comtecnologia inovadora, conforme mencionam Schnei<strong>de</strong>r & Fiates (1995).O <strong>de</strong>senvolvimento das empresas é caracterizado por fases, correspon<strong>de</strong>nte a umtempo <strong>de</strong>terminado que, <strong>de</strong> acordo com cada incubadora, po<strong>de</strong> variar <strong>de</strong> 4 a 8 meses: Fase <strong>de</strong>Implantação - constituição da empresa, instalação dos equipamentos, formação da sua equipee obtenção do investimento adicional necessário às suas ativida<strong>de</strong>s; Fase <strong>de</strong> Crescimento ouDesenvolvimento - aprimoramento técnico dos produtos, processos ou serviços, ecomercialização; Fase <strong>de</strong> Consolidação - maturação dos aspectos técnicos, administrativos efinanceiros; e Fase <strong>de</strong> Desincubação ou Liberação - processo <strong>de</strong> <strong>de</strong>sligamento; estágio emque a empresa está pronta para <strong>de</strong>ixar a incubadora.As EBT's surgem, sobretudo, junto à universida<strong>de</strong>s e Centros <strong>de</strong> P&D e constituem-seem novos atores no ainda incompleto sistema nacional <strong>de</strong> inovação, contribuindo, através daapresentação <strong>de</strong> suas dificulda<strong>de</strong>s e <strong>de</strong>mandas, para que os órgãos <strong>de</strong> fomento criem novasmodalida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> apoio. O aparecimento e o crescimento <strong>de</strong>ssas novas empresa baseadas na altatecnologia tornaram-se possíveis a partir do <strong>de</strong>senvolvimento da pesquisa científica e com oadvento <strong>de</strong> setores como eletrônica, informática, biotecnologia, novos materiais etelecomunicações, <strong>de</strong>ntre outras (Lemos & Maculan, 1998).3, StI'ess <strong>de</strong> Empreen<strong>de</strong>dol'esO stress é um processo dinâmico, que se manifesta através <strong>de</strong> sintomas fisicos,psicológicos, e comportamentais, e se <strong>de</strong>senvolve em três fases, que constituem a Síndrome<strong>de</strong> Adaptação Geral (SAG) (Selye, 1965): a) Fase <strong>de</strong> Alarme - Nesta fase, o estressor éreconhecido e o corpo se mobiliza para lutar ou fugir. A homeostase do corpo é interrompidae os órgãos internos tornam-se prontos para agir; b) Fase <strong>de</strong> Resistência - É a fase mais longa.Começa quando o corpo é persistentemente exposto ao(s) estressor(es). O corpo se esforçapara resistir aos efeitos da fase <strong>de</strong> alarme e voltar ao seu estado <strong>de</strong> equilíbrio; e c) Fase <strong>de</strong>Exaustão - Ocorre somente se o stress permanecer por mais tempo que o corpo po<strong>de</strong> resistir.Nesta fase, o sistema orgânico entra em colapso; o corpo não consegue se adaptar aosestressores e, como resultado, distúrbios sérios po<strong>de</strong>m surgir, tais como úlcera e problemascardiovasculares.


No que se refere à atuação do empreen<strong>de</strong>dor, Cohen (1999) e McGarvey (1999).Afirmam que esta é uma ativida<strong>de</strong> inerentemente estressante. No entanto, não foramlocalizados, na literatura, muitos estudos que se voltem, especificamente, para o stress narealida<strong>de</strong> <strong>de</strong>sses indivíduos. Dessa forma, alguns estudos sobre o stress <strong>de</strong> pequenosempresários (não necessariamente classificados como empreen<strong>de</strong>dores) também serãoapresentados nesta seção.Incerteza crônica e uma ta."Xalta <strong>de</strong> fracasso entre pequenos empresários os conduzema um estado <strong>de</strong> luta constante, o que requer um alto investimento dos seus recursosemocionais e fisicos. Outras preocupações incluem: sacrificios pessoais, o fardo daresponsabilida<strong>de</strong>, o domínio da vida profissional e a perda <strong>de</strong> bem-estar psicológico, ausência<strong>de</strong> salário fixo e, algumas vezes, isolamento (Akan<strong>de</strong>, 1994; Boyd & Gumpert, 1983; Boyd &Webb, 1982; Cohen, 1999; Loscocco & Leicht, 1983).De acordo com uma pesquisa realizada por Garret (2000), entre as razões para o stresstomar-se excessivo, os empreen<strong>de</strong>dores apontam: a dificulda<strong>de</strong> <strong>de</strong> realizar muitas coisas aomesmo tempo; a responsabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> saber que o sustento <strong>de</strong> muitas pessoas, inclusive a sua,<strong>de</strong>pen<strong>de</strong> <strong>de</strong> suas <strong>de</strong>cisões; e a função <strong>de</strong> administrador que exercem e que tem as suaspeculiarida<strong>de</strong>s.Boyd & Gumpert (1983), que <strong>de</strong>ram gran<strong>de</strong> contribuição para o estudo do stress <strong>de</strong>pequenos empresários, enten<strong>de</strong>m que os empreen<strong>de</strong>dores expressam um alto grau <strong>de</strong>satisfação com seu próprio negócio, mas pagam um alto preço: sua saú<strong>de</strong>. Uma pesquisa com450 empreen<strong>de</strong>dores mostrou que os dois pontos positivos do negócio próprio foram asrecompensas psicológicas <strong>de</strong> controle e a realização. Dentre as causas <strong>de</strong> stress, elesencontraram: a solidão - ninguém em quem confiar; imersão no negócio, privando-se <strong>de</strong>outras ativida<strong>de</strong>s; problemas pessoais - particularmente frustração e <strong>de</strong>sapontamento nasrelações com sócios e subordinados; e necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> realização, a qual po<strong>de</strong> levar oempreen<strong>de</strong>dor à ambição <strong>de</strong>senfreada.Stod<strong>de</strong>r (1991) acrescenta que, além dos problemas relacionados à atuação doempreen<strong>de</strong>dor, ligados às áreas <strong>de</strong> finanças, marketing e outras, os riscos psicológicos e otrabalho excessivo e exaustivo merecem consi<strong>de</strong>ração. Ele avalia que o inicio do negócio sedivi<strong>de</strong> entre o empolgante e o <strong>de</strong>sgastante; e que a empolgação, a obsessão e a <strong>de</strong>dicaçãoexclusiva ao projeto acabam por se transformar em mais um obstáculo na medida em queafetam a natureza da vida pessoal e familiar do empreen<strong>de</strong>dor.Ao afirmarem que o stress é um 'suplemento do empreen<strong>de</strong>dorismo', Boyd & Gumpert(1983) avaliam que o empreen<strong>de</strong>dor precisa pesar as longas horas e as perdas pessoais contrao potencial, mas às vezes enganoso, beneficio financeiro. E tais escalas, amplas tanto <strong>de</strong>escassez como <strong>de</strong> satisfação, conduzem, <strong>de</strong> forma inevitável, ao stress. Esses pesquisadoresverificaram que a maioria dos empreen<strong>de</strong>dores estava atenta aos perigos, mas estava poucodisposta a aprofundar o problema, porque acreditavam que tendo êxito, diversão e satisfaçãoem uma carreira estão realizados. Destaca-se, ainda, que em muitos momentos o trabalho esuas <strong>de</strong>mandas dominam a vida dos trabalhadores autônomos profundamente. Um dia normalpo<strong>de</strong> se exten<strong>de</strong>r <strong>de</strong> 10 a 12 horas e, geralmente, eles trabalham no final <strong>de</strong> semana (Akan<strong>de</strong>,1994; Begley & Boyd, 1987; Rodgers & Rodgers, 1989; Timoons, 1978).Na visão <strong>de</strong> McGarvey (1999) os empreen<strong>de</strong>dores convivem com o stress. Entreoutras coisas ele é causado por mudanças, e por ativida<strong>de</strong>s rotineiras tais como manteratualizada a folha <strong>de</strong> pagamento ou tentar, compulsivamente, fazer muito em pouco tempo.Com certeza, estas são situações vividas por empreen<strong>de</strong>dores em toda parte. Ele alerta para ofato <strong>de</strong> que embora alguns estudiosos entendam que o stress leva a uma ótima performance;por outro lado, trabalhar além do limite não faz sentido. McGarvey afirma, ainda, que osempresários estão começando a captar essa mensagem e que o foco no stress está seintensificando. O stress tem um preço, não importa o que você faz ou que você é: ele aumenta


."os erros, provoca aci<strong>de</strong>ntes, irritabilida<strong>de</strong> e negativida<strong>de</strong>, diminui a memória, a concentraçãoe a habilida<strong>de</strong> para tomar <strong>de</strong>cisões. Além disso, o stress tem maior impacto com a ida<strong>de</strong>. Acada década fica mais dificil, para o indivíduo, recuperar-se.Outro ponto que merece atenção é o fato <strong>de</strong> que, para ser empreen<strong>de</strong>dor, é precisoestar preparado para privações em série, sobretudo no que se refere ao lazer. Além disso, paraos que já participaram <strong>de</strong> outras organizações maiores, com emprego 'seguro' e salário'garantido, po<strong>de</strong>m surgir sauda<strong>de</strong> do salário fixo e da equipe <strong>de</strong> trabalho para trocar idéias; edo status que tinha para contatar outras pessoas e empresas (De <strong>de</strong>sempregado, 1993).Referindo-se aos empreen<strong>de</strong>dores que lidam com alta tecnologia, que é o caso damaioria dos que criaram suas empresas através <strong>de</strong> incubadoras, Drucker (1987) afirma queeles lidam, constantemente, com o imprevisível e têm que burlar algumas regras. Eleconsi<strong>de</strong>ra que o empreendimento e a inovação são intrinsecamente ativida<strong>de</strong>s mais dificeis emais arriscadas do que a inovação baseada na economia e estrutura <strong>de</strong> mercado, ou em<strong>de</strong>mografia. Porém, enten<strong>de</strong> que, mesmo assim, o empreendimento <strong>de</strong> alta tecnologia, nãoprecisa ser <strong>de</strong> "alto risco". Para tanto, é preciso, que o negócio seja administrado <strong>de</strong> maneirasistemática e, acima <strong>de</strong> tudo, precisa estar baseado na inovação <strong>de</strong>liberada.Complementando, Santos & Pereira (1995) enfatizam que o avanço veloz da pesquisacientífica e tecnológica tem reduzido o ciclo <strong>de</strong> vida <strong>de</strong> vários produtos e serviços. Isto requerdo empreen<strong>de</strong>dor uma preocupação constante em acompanhar e incorporar inovações emnível <strong>de</strong> gerência, projeto e processo <strong>de</strong> fabricação <strong>de</strong> produtos ou geração <strong>de</strong> serviços.Mudanças constantes e contínuas são necessárias para que uma empresa possa evoluir e serbem-sucedida neste cenário competitivo.Garret (2000), em pesquisa realizada sobre stress, concluiu, a partir da visão dospróprios empreen<strong>de</strong>dores, que é mais estressante dirigir seu próprio negócio do que trabalharem uma organização. Entretanto, enquanto a maioria diz que os níveis <strong>de</strong> tensão estão acimada média, poucos acreditam que estão no ponto <strong>de</strong> esgotamento. Neste sentido, vários outrosautores <strong>de</strong>stacam alguns aspectos que representam vantagens, ou seja, recompensas para aativida<strong>de</strong> do empreen<strong>de</strong>dor, o que po<strong>de</strong> vir a favorecer a manutenção do stress em níveisa<strong>de</strong>quados.Por trabalharem <strong>de</strong> forma autônoma, os empreen<strong>de</strong>dores relatam outras vantagens,que, normalmente, são apresentadas por outros profissionais que trabalham por conta própria:o grau <strong>de</strong> in<strong>de</strong>pendência, em contraste com os empregados formais <strong>de</strong> organizaçõesburocráticas; liberda<strong>de</strong> para tomar <strong>de</strong>cisões sobre os negócios; ter que prestar contas só paraele mesmo; potencial para gran<strong>de</strong>s recompensas financeiras; oportunida<strong>de</strong>s para enfrentarinteressantes <strong>de</strong>safios; escapar da posição <strong>de</strong> empregado subordinado; relativa alta segurançano trabalho; e sentimento <strong>de</strong> satisfação e orgulho. Entretanto, as vantagens não vêm semsacrificios. (Akan<strong>de</strong>, 1994; Begley & Boyd, 1987; Rodgers&Rodgers, 1989;Timoons, 1978).Segundo McDougall (1999), para os empreen<strong>de</strong>dores, sentimentos <strong>de</strong> realização eexcitação, <strong>de</strong> longe, exce<strong>de</strong>m em valor os sacrificios da ocupação. Deste modo muitas pessoasestão escolhendo este caminho como uma fuga das políticas e das frustrações dos gran<strong>de</strong>snegócios. Os empresários/empreen<strong>de</strong>dores são vistos por ele como o resumo da <strong>de</strong>dicação ecompromisso, tendo em vista que têm paixão genuína pelo seu trabalho, uma lealda<strong>de</strong> emrelação ao negócio e ao stajJ, e forte motivação para construir algo seu. E acrescenta que, paraesses indivíduos, não estar ganhando tem pouca importância. É a excitação do jogo que conta.Farrel (1993) enfatiza que, numa época em que fazer melhor e mais rápido marca adiferença entre ganhadores e per<strong>de</strong>dores, não se precisa ir muito longe para <strong>de</strong>scobrir aabsoluta necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> inovação e ação rápida. Ele <strong>de</strong>screve a relação entre stress e<strong>de</strong>sempenho do empreen<strong>de</strong>dor."...vá trabalhar para um empreen<strong>de</strong>dor e você fica escolado em administrarcrises muito poucas coisas <strong>de</strong> real valor foram criadas a partir <strong>de</strong> cuidadosos


planejamentos. A maior parte dos gran<strong>de</strong>s saltos para a ji'ente veio nas asas <strong>de</strong> umacrise (...) operar uma empresa com o senso <strong>de</strong> urgência e com crises não é nem umpiquenique. ...há perigos, muita ansieda<strong>de</strong>, dor <strong>de</strong> verda<strong>de</strong>. e um ar<strong>de</strong>nte <strong>de</strong>sejo <strong>de</strong>acabar logo com tudo aquilo quase nada acontece em épocas <strong>de</strong> paz na empresa,porém, basta acontecer uma crise para que se <strong>de</strong>scubra toda a capacida<strong>de</strong> criativa ea energia que a empresa tem. ".(p.129).Quanto às estratégias <strong>de</strong> gerenciamento do stress que <strong>de</strong>vem ser adotadas pelosempreen<strong>de</strong>dores, Boyd & Gumpert (1983) observam que é preciso estar consciente quealiviando a tensão não vai diminuir a satisfação <strong>de</strong> ser empreen<strong>de</strong>dor. Desse modo,analisando os sinais e sintomas e agindo para aliviar o stress po<strong>de</strong> melhorá-Ios comopro fissionais.Azevedo (1992) <strong>de</strong>staca, como suporte para amenizar as dificulda<strong>de</strong>s enfrentadaspelos empreen<strong>de</strong>dores, a elaboração <strong>de</strong> projetos <strong>de</strong> viabilida<strong>de</strong> econômico-financeira e <strong>de</strong>planos <strong>de</strong> negócios. Ele enten<strong>de</strong> que os projetos auxiliam na <strong>de</strong>cisão dos primeiros passos e naprevisão <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> dificulda<strong>de</strong>s (principalmente para aqueles que não possuem suficientesoma <strong>de</strong> dinheiro para tocar todo o projeto, o que é agravado pelas dificulda<strong>de</strong>s <strong>de</strong> acesso àslinhas <strong>de</strong> crédito e pelos compromissos em saldar as dívidas contraídas; e os planos <strong>de</strong>negócios orientam na condução da empresa.Em pesquisa realizada., nos Estados Unidos, com 400 empreen<strong>de</strong>dores, sobre comoeles lidam com a tensão no trabalho, foram encontradas, entre outras, as seguintes estratégias(Business Online, 1998): caminhadas, exercícios, meditação, conversas com colegas eleituras. Outras estratégias <strong>de</strong> gerenciamento do stress são sugeridas para os empresários, naliteratura., incluindo o suporte social (Boyd & Gumpert, 1983) e o rela.xamento progressivo(Wolpe, 1969).Resgatando as afirmativas <strong>de</strong> lamal (1997), ressalta-se que as conseqüências negativasdo empreen<strong>de</strong>dorismo po<strong>de</strong>riam ser menos pronunciadas para aquelas pessoas que fazem umaescolha consciente. Recomenda-se, portanto, que os que se interessarem por essa ativida<strong>de</strong>,<strong>de</strong>vem ser educadas sobre as realida<strong>de</strong>s <strong>de</strong>sta profissão, para evitar choque <strong>de</strong> realida<strong>de</strong> maistar<strong>de</strong>.Por fim, como mencionado inicialmente, observa-se que, embora em pequenaquantida<strong>de</strong>, consegue-se mencionar estudos sobre o stress no trabalho do empreen<strong>de</strong>dor e doempresário <strong>de</strong> pequenas empresas na literatura estrangeira. Porém, no Brasil, embora váriaspesquisas se voltem para o estudo do stress <strong>de</strong> gerentes e executivos (Ayres, 1995; Couto,1987; Lipp, Nel)' & Malagris, 1988; Pacheco, 1993; Soares, 1990), <strong>de</strong>sconhece-se, até omomento, estudos que caracterizem o stress do empreen<strong>de</strong>dor e, mais especificamente, ostress <strong>de</strong> empreen<strong>de</strong>dores <strong>de</strong> empresas incubadas.4. Consi<strong>de</strong>rações MetodológicasNesta pesquisa, <strong>de</strong> caráter exploratório-<strong>de</strong>scritivo, constituíram-se em participantes, 49empreen<strong>de</strong>dores/sócios das empresas classificadas como empresas <strong>de</strong> base tecnológica(EBT's), participantes <strong>de</strong> incubadoras da Região Nor<strong>de</strong>ste, ligadas à ANPROTEC (1999)situadas nos Estados da Babia (Camaçari e Salvador); Ceará (Fortaleza); Paraíba (João Pessoae Campina Gran<strong>de</strong>); Pemambuco (Recife); e Rio Gran<strong>de</strong> do Norte (Natal), conforme<strong>de</strong>monstra a Tabela I.


Tabela I - Distribuição dos participantes da pesquisa por incubadoraNo. <strong>de</strong> EBT'SParticipantesEstado Incubadoras incubadas n%(resi<strong>de</strong>ntes)BAHIA INCUBA TEC 06 05 83,3COMPETE 04 04 100,0CEARÁ PADETEC 12 10 83,3NUTEC 06 06 100,0PARAÍBA* ITCG 05 05 100,0PERNAMBUCO ITEP 15 13. . ..86,6RIO GRANDE DO NIT 05 05 100,0NORTE INCUBA TEC 01 01 100,0Total 54 49 90,7*a Incubadora <strong>de</strong> João Pessoa, joi participante do Estudo~piloto.Para a coleta dos dados utilizou-se um questionário constituído <strong>de</strong> 4 Partes, cada umacorrespon<strong>de</strong>ndo a um dos objetivos da pesquisa, como <strong>de</strong>scrito a seguir:Parte I - Nesta parte, procurou-se qualificar sócio <strong>de</strong>mográfico do empreen<strong>de</strong>dor,através <strong>de</strong> perguntas fechadas, <strong>de</strong> múltipla escolha, ou abertas, com espaço <strong>de</strong>stinado àsrespostas. Incluiu-se, nesta parte, uma questão visando investigar em que nível a atuaçãocomo empreen<strong>de</strong>dor era consi<strong>de</strong>rado estressante(com opções <strong>de</strong> resposta variando <strong>de</strong> 1 - nemum pouco estressante, até 5 - muitíssimo estressante); complementada pela pergunta "Porque? ", com o objetivo <strong>de</strong> obter informações sobre os motivos <strong>de</strong> tal avaliação;Parte II - Esta parte referia-se às fontes <strong>de</strong> stress, apresentadas sob forma <strong>de</strong> escala dotipo Likert, tendo como opções <strong>de</strong> resposta <strong>de</strong>s<strong>de</strong> o valor 1 (não estressa) até 4 (estressamuitíssimo), sendo oferecida, ainda, a opção <strong>de</strong> se assinalar "não se aplica" para os casos emque a afirmativa apresentada não se relacionasse às características pessoais ou ocupacionaisdos respon<strong>de</strong>ntes, conforme sugerido por Ayres & Brito (1998). Para a i<strong>de</strong>ntificação dasfontes individuais <strong>de</strong> stress, elaborou-se 38 afirmativas que, para efeito <strong>de</strong> uma análise maisefetiva, foram distribuídas em Gruposl, como se apresenta no Quadro 1. Essa análise permitiuavaliar quais os Grupos e quais as fontes, <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> cada Grupo, <strong>de</strong> maior potencialestressante;Parte III - Visou avaliar, através do levantamento <strong>de</strong> sintomas, a incidência e o nível<strong>de</strong> stress individual, através da utilização do Inventário <strong>de</strong> Sintomas <strong>de</strong> <strong>Stress</strong> - ISS (Lipp &Guevara, 1994), composto <strong>de</strong> três conjuntos <strong>de</strong> sintomas que permitia i<strong>de</strong>ntificar as fases dostress; e se os sintomas manifestavam-se mais no aspecto fisico ou psicológico; eParte IV - As estratégias foram apresentadas como uma escala do tipo Likert, comopções <strong>de</strong> resposta variando <strong>de</strong> O (nunca) a 3 (sempre), com base na proposta <strong>de</strong> Ayres &Brito (1998), visando i<strong>de</strong>ntificar com que freqüência as diversas estratégias eram utilizadas.Os 41 itens referentes às estratégias foram divididos em 11 Grupos: Enfrentamento ativo;Negação; Aceitação; Busca <strong>de</strong> suporte emocional! espiritual! instrumental; Desligamentomental (distração); Desligamento comportamental (afastamento); Expressão <strong>de</strong> sentimentos(<strong>de</strong>sabafo); Reinterpretaçao positiva! senso <strong>de</strong> humor; Auto-censura (culpa); Cuidados com asaú<strong>de</strong> e Comportamentos ina<strong>de</strong>quados.Durante ou após a aplicação do questionário, procurou-se, informalmente, entrevistaros empreen<strong>de</strong>dores, <strong>de</strong> forma a complementar e/ou esclarecer os dados obtidos. Nessa etapa,constatou-se a riqueza <strong>de</strong> suas informações das quais extraiu-se os <strong>de</strong>poimentos que constamna discussão dos resultados <strong>de</strong>ste estudo.Após a coleta, os dados foram informatizados em um banco <strong>de</strong> dados, com a utilizaçãodo pacote SPSS - Statistical Package for the Social Sciences (Norusis, 1985). As técnicasestatísticas utilizadas para analisar os dados foram <strong>de</strong>scritivas: tabelas e gráficos <strong>de</strong>- ------ -----


freqüências; e inferenciais: testes <strong>de</strong> hipótese (Qui-quadrado, Mann-Withiney, Kruskall-Wallis (Leach, 1983).A técnica qualitativa foi utilizada para analisar a questão aberta da ParteI do questionário, através dos métodos da Análise Categorial <strong>de</strong> Conteúdo (Bardin, 1977;Freitas & Janissek, 2000).Quadro 1 - Distribuiçãodas fontes <strong>de</strong> stress em GruposGrupoDescrição- ---Preparação do empreen<strong>de</strong>dor em termos <strong>de</strong> conhecimento nas áreas1 Capacitação administrativa, jurídica, <strong>de</strong> Marketing, etc.Características inerentes à atuação como empreen<strong>de</strong>dor, tais como: Ter que2 Empreen<strong>de</strong>dorismo assumir riscos, conciliar ativida<strong>de</strong>s administrativas e criativas, etc.A<strong>de</strong>quação Percepção do empreen<strong>de</strong>dor em relação a sua atuação e condução do seu3 Profissional negócio.4 Relações interpessoais Relações com clientes, sócios, empregados e com o pessoal da incubadora.5 lnterface casa-trabalho Conciliação dos aspectos pessoais e profissionais.4. Apresentação e Discussão dos ResultadosA - Perfil dos empreen<strong>de</strong>dorese das empresaso perfil dos empreen<strong>de</strong>dores participantes <strong>de</strong>sta pesquisa, caracteriza-se por:predominância do sexo masculino (93,9%), tendência também presente em estudos realizadosa nível nacional; 53,1% com mais <strong>de</strong> 35 anos; casados (63,3 %), para facilitar a avaliaçãobuscou-se dicotomizar as respostas classificando-as como "com companheiro(a) (32%) e semcompanheiro(a) (34,7%); <strong>de</strong> nacionalida<strong>de</strong> brasileira (98,0 %), contando apenas com umjaponês naturalizado; renda familiar acima <strong>de</strong> 20 salários mínimos (44,9 %) o que po<strong>de</strong>justificar a permanência <strong>de</strong>les no negócio, mesmo sem ter vínculos com outras instituições e,na maioria das vezes, investindo os próprios recursos.No que se refere à formação acadêmica dos participantes, verificou-se que apenas4,1% possuíam 2" grau completo; 20,4% superior incompleto; 30,6% superior completo; e44,9% com pós-graduação. Em relação aos que possuíam pós-graduação encontrou-se aseguinte distribuição: 50% com nível <strong>de</strong> especialização, 31,9% com mestrado, 13,6% comdoutorado e 4,5% com pós-doutorado.Quanto à área <strong>de</strong> formação, predominaram, tanto na graduação como na pósgraduação,os cursos relacionados ao Grupo III - Ciências Exatas e Tecnológicas2, sendo oscursos mais freqüentes Engenharia Elétrica, Mecânica, Civil; Ciências da Computação;Física; e Química; aparecendo em segundo lugar os cursos do Grupo IV-Ciências Humanas eSociais, representado por Administração, Economia e Ciências Contábeis. O Grupo 11 -Ciências Biológicas e da Saú<strong>de</strong> foi citado apenas por um empreen<strong>de</strong>dor que apresentou oCurso <strong>de</strong> Graduação e <strong>de</strong> Especialização em Odontologia. Os cursos do Grupo I - CiênciasAgrárias, não foram mencionados. Observa-se, também que a formação <strong>de</strong>les coinci<strong>de</strong> com aárea <strong>de</strong> atuação em 72,7%% dos casos. Esses dados sugerem que os empreen<strong>de</strong>doresencontram-se bem capacitados, possuindo uma capacitação acadêmica que favorece a criaçãoe <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> projetos na área tecnológica.Constatou-se que a amostra teve distribuição bastante homogênea em relação àexperiência anterior em outros empreendimentos, 51 % dos participantes indicaram ter tidooutra experiência como empreen<strong>de</strong>dor, como uma média <strong>de</strong> tempo <strong>de</strong> oito anos e seis meses.Nesta avaliação não foram consi<strong>de</strong>radas as experiências como pessoa fisicaDe acordo com os dados coletados, apenas 24,5% dos empreen<strong>de</strong>dores não mantêmvínculo com outras instituições <strong>de</strong>dicando-se, exclusivamente, ao negócio incubado. Sendo


que alguns ainda estudam. Dos que mantêm vínculo, 66,7% estão ligados à instituiçõesprivadas e 33,3% à instituições públicas, tais como universida<strong>de</strong>s.Quanto ao seu perfil, as empresas incubadas, participantes <strong>de</strong>ste estudo, caracterizamsepor atuarem, principalmente, no ramo da informática (36,7%), Engenharia (24,5%) eQuímica (14,3%); o tempo médio <strong>de</strong> incubação é <strong>de</strong> 24,6 meses; estando, em sua maioria, nafase <strong>de</strong> <strong>de</strong>sincubaçãol liberação (30,6%). O tempo estabelecido para a incubação, em médiasuperior a 2 anos e meio, foi consi<strong>de</strong>rado insuficiente por 55,1% dos empreen<strong>de</strong>dores.Observou-se, ainda, que 36,7% das empresas foram criadas antes <strong>de</strong> se estabelecerem naincubadora. O número <strong>de</strong> sócios das empresas variava <strong>de</strong> 1 a 5, predominando a presença <strong>de</strong> 2sócios (44,9%). A maioria das empresas não tinha funcionários contratados. As que tinhamfuncionários, o número variava <strong>de</strong> 1 a 40, sendo que a maioria (42,8%) contava com acolaboração <strong>de</strong> até 5 funcionários.B - Incidência e nível <strong>de</strong> stressA incidência do stress individual foi <strong>de</strong> 38,8%; a fase predominante era a <strong>de</strong>resistência (94,7%); e os sintomas expressavam-se mais freqüentemente no aspectopsicológico (57,9%). Os Gráficos 1 e 2 ilustram essas informações e a Tabela 2 apresenta ossintomas mais freqüentes.Algumas diferenças significativas (ao nível <strong>de</strong> p< 0,10) foram encontradas nas análisesda incidência <strong>de</strong> stress em relação ao perfil do empreen<strong>de</strong>dor e da organização:Quanto ao perfil pessoal, o stress é mais freqüente na faixa etária entre 26 e 35 anos(U=182,5; p=0,026); entre os sem companheiros(as) (X2=4,40; p=0,03); com renda inferior aGráfico 1 - Incidência <strong>de</strong> stress individual Gráfico 2 - Fase do stress (%)5,3o/dJ,0%61,2%o Com stresso Sem stress94,7%IO Alanne O Resistência [] ExaustãoI15 salários mínimos (X2=3,74; p=0,005). E em relação ao perfil organizacional, <strong>de</strong>tectou-seque a incidência <strong>de</strong> stress é maior nos empreen<strong>de</strong>dores que atuam em empresas da área <strong>de</strong>informática (X2=3,21; p=0,068).Tabela 2 - Sintomas fisicos e psicológicos do stress mais treqüentemente mencionadosCitaçõesCitaçõesPosição Sintomas Físicos n % Sintomas Psicológicos n O/oI Tensão muscular 23 46,9 Vonta<strong>de</strong> <strong>de</strong> IlllClar novos 24 48,9projetos2 Problemas com a memória 21 42,8 Irritabilida<strong>de</strong> excessiva 21 42,83 Sensação <strong>de</strong> <strong>de</strong>sgaste fisico 19 38,7 Angustia/ansieda<strong>de</strong> diárias 18 36,7constante4 Insônia/dificulda<strong>de</strong> para 15 30,6 Perda do senso <strong>de</strong> humor 15 30,6donnir5 Cansaço excessivo 14 28,5 Impossibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> se 14 28,5concentrarFonte: Pesqmsa DIreta, 2000.


Outras tendências também merecem <strong>de</strong>staque, embora não haja associaçõessignificativas entre as variáveis: O stress é mais freqüente nos empreen<strong>de</strong>dores com pósgraduação,que não têm vínculo com outras instituições (78,9%), e têm experiência anterior(52,6%). E esses empreen<strong>de</strong>dores gerenciam empresas na fase <strong>de</strong> consolidação (47,4%) eavaliam o tempo estabelecido para a incubação como insuficiente (57,9%).C- <strong>Stress</strong> percebidoNo que se refere à avaliação do nível <strong>de</strong> stress percebido, 93,9% dos entrevistadosconsi<strong>de</strong>raram a sua atuação como empreen<strong>de</strong>dor estressante. Sendo que, <strong>de</strong>sses, a maioria aconsi<strong>de</strong>rou "muito estressante" (55, I%) (Gráfico 3).A análise quantitativa dos dados revelou que o nível <strong>de</strong> stress percebido está associadosignificativamente à experiência anterior (U=213,0; p=0,053); ao fato <strong>de</strong> não receberemfinanciamento (U= 151,00; p=0,012); e à incidência <strong>de</strong> stress (U=132,0; p=O,OOO).Observou-se, também, embora sem diferenças significativas, que os que avaliaram aatuação sem stress ("nem um pouco") tem o seguinte perfil: todos têm mais <strong>de</strong> 45 anos, cursosuperior, são casados, com renda superior à 20 salários mínimos, gerenciam empresas querecebem financiamento e não estão estressados. Em relação a outros aspectos avaliados,constatou-se que 66,7% <strong>de</strong>sses empreen<strong>de</strong>dores avaliam o tempo estabelecido para incubaçãocomo suficiente; estão em empresas não estressadas e na fase <strong>de</strong> implantação; têm pósgraduação;têm vínculo com outras instituições; e não tem experiência anterior.No outro extremo, todos os que avaliaram como "muitíssimo estressante" estãoestressados. 80% <strong>de</strong>les não têm vínculo com outras instituições e atuam em presas que estãoestressadas, na fase <strong>de</strong> consolidação ou liberação, e não recebem financiamento. Observa-se,ainda que os empreen<strong>de</strong>dores que fizeram essa avaliação são em 60% dos casos, mais jovens,com menos <strong>de</strong> 35 anos; solteiros; com renda <strong>de</strong> até 15 salários e com experiência anterior.Complementando a análise quantitativa, os dados da questão foram avaliados atravésda Análise Categorial <strong>de</strong> Conteúdo (Bardin, 1977). A partir das respostas foram criadas asseguintes categorias abrangentes e exclu<strong>de</strong>ntes: 1) fatores individuais (relativos ao próprioempreen<strong>de</strong>dor); b) fatores organizacionais (referentes à empresa); c) fatores externos (ligadosao ambiente externo à empresa, incluindo as relações com o governo e as influências domercado); d) fatores profissionais (incluindo situações inerentes à atuação do empreen<strong>de</strong>dor),das quais obteve-se a freqüência <strong>de</strong> evocação (número <strong>de</strong> vezes em que a idéia foimencionada pelos participantes). Dos 48 <strong>de</strong>poimentos (um dos empreen<strong>de</strong>dores nãorespon<strong>de</strong>u) obteve-se 55 evocações, as quais foram avaliadas no total e divididas em estratos<strong>de</strong> acordo com o nível <strong>de</strong> stress percebido. Assim, foram estabelecidos quatro estratos: l-nemum pouco; 2-um pouco; 3-muito; e 4-muitíssimo, conforme po<strong>de</strong>-se visualizar na Tabela 3.Os dados <strong>de</strong>notam que as evocações dos que percebem a atuação como "nem umpouco" estressante (n=3) referem-se ao prazer <strong>de</strong> ser empreen<strong>de</strong>dor, pois "...está no sangue".Eles avaliam que esta ativida<strong>de</strong> permite conciliar os aspectos profissionais e familiares.Os que avaliaram como estressante (n=45), evocaram, principalmente, fatores ligadosà própria atuação como empreen<strong>de</strong>dor e aos fatores externos, sempre com o sentido negativodo stress, como justificativa. Para ilustrar, <strong>de</strong>stacam-se, os seguintes <strong>de</strong>poimentos:"...responsabilida<strong>de</strong>s com a empresa e com terceiros. "; e "...<strong>de</strong>vido a dificulda<strong>de</strong> em lidarcom a burocracia governamental. em termos dos prazos para liberação das documentaçõesexigidas para o funcionamento da empresa. ".O maior percentual <strong>de</strong> respostas quanto ao nível <strong>de</strong> stress percebido foi referente àopção "muito" estressante. Em relação aos motivos para tal avaliação, os empreen<strong>de</strong>doresexpressam suas dificulda<strong>de</strong>s para enfrentar a atual política econômica, que se traduz emescassez <strong>de</strong> recursos e <strong>de</strong> financiamentos para os projetos, além <strong>de</strong> alta carga tributária. Eles


mencionam, também, a resistência do mercado em aceitar novas tecnologias e as dificulda<strong>de</strong>stécnicas que impe<strong>de</strong>m o atendimento das <strong>de</strong>mandas em tempo hábil. O fator financeiro é bem<strong>de</strong>stacado no discurso dos empreen<strong>de</strong>dores, estando, em uma análise mais <strong>de</strong>talhada,relacionado à maioria das dificulda<strong>de</strong>s relatadas, conforme os discursos: "...a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong>readaptação às políticas econômicas do país é muito freqüente. "; e "...sem financiamento,tivemos que dividir o tempo em <strong>de</strong>senvolver o projeto na incubadora e serviços para manter aempresa ".Gráfico 3- Distribuiçãoda percepção do nível <strong>de</strong> stress relativo à atuaçãocomo empreen<strong>de</strong>dor10,2% 6,1%DNem um pouco [] Um pouco D Muito D MuitíssimoTabela 3 - Freqüências das evocações das categorias relacionadas aos fatores <strong>de</strong> stress, por estratoEstratosTotalCategorias Componentes Nem um Um pouco Muito Muitíssimo n %pouco (n=3) (n=13) (n=27) (n=5)PrazerFatoresFalta <strong>de</strong> maturida<strong>de</strong>Individuais Preparaçãopara ser 03 02 05 9,1consultorConciliaçãotrabalho/família/lazerEscassez <strong>de</strong> recursosFalta <strong>de</strong> infra-estruturaAtendimento das<strong>de</strong>mandasFatores . Dificulda<strong>de</strong>s na 03 07 03 13 23,7Organizacionais implantaçãoe no<strong>de</strong>senvolvimentoRelacionamentocomsócios e subordinadosPolíticas econômicasIncerteza/instabilida<strong>de</strong>Carga tributáriaFatores Externos Aceitação <strong>de</strong> novas 02 12 14 25,4tecnologiasConcorrênciaGlobalizaçãoResponsabilida<strong>de</strong>Fatores Tomada <strong>de</strong> <strong>de</strong>cisões 10 10 03 23 41,8ProfissionaisA própria função. Multi-ativida<strong>de</strong>sTotal <strong>de</strong> Evocações 03 13 31 06 55 100,0. ...Fonte: Pesquisa direta, 2000.n = número <strong>de</strong> <strong>de</strong>poimentos em cada estrato


Também para os que avaliaram como "muitíssimo" estressante, as dificulda<strong>de</strong>sfinanceiras associam-se e <strong>de</strong>senca<strong>de</strong>iam outros fatores estressantes, tais como: o<strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> projetos sem os recursos e a infra-estrutura necessários. Eles <strong>de</strong>stacam,ainda a sobrecarga <strong>de</strong> trabalho vivida pelos empreen<strong>de</strong>dores, o que impossibilita o <strong>de</strong>scanso eo lazer. O <strong>de</strong>poimento a seguir representa essas avaliações: "... o empreen<strong>de</strong>dor micro temque enten<strong>de</strong>r efazer <strong>de</strong> tudo na e da empresa. A politica econômica, a economia brasileira eo "Custo Brasil" tornam as micro e pequenas empresas em dificulda<strong>de</strong>s <strong>de</strong> sobrevivência. Omicroempresário não tem <strong>de</strong>scanso, não tem férias. "D - Fontes <strong>de</strong> stressAs fontes <strong>de</strong> stress consi<strong>de</strong>radas como <strong>de</strong> maior potencial estressante foram:"necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> obter recursos", "ausência <strong>de</strong> renda fixa", e "retomo fmanceiro inferior aoesperado". Quando avaliadas por Grupos, verificou-se que a "A<strong>de</strong>quação profissional" e a"Capacitação" obtiveram os maiores índices, enquanto que as "Relações Interpessoais" comclientes e sócios representam os aspectos menos estressantes (Gráfico 4). A Tabela 4apresenta as fontes individuais consi<strong>de</strong>radas mais estressantes.Gráfico 4 - Distribuiçãodos índices <strong>de</strong> fontes <strong>de</strong> stress por grupos2.Q)--o (/J(/J Q)Q) 1,u :::ç:1~


em ação para tentar melhorar a situação". Quando avaliados por grupo, <strong>de</strong>tectou-se autilização da "Reinterpretaçao positiva" e "enfrentamento ativo" e a "busca <strong>de</strong> suporte"(Gráfico 5). Há uma tendência para que os empreen<strong>de</strong>dores utilizem estratégias positivas paragerenciar as situações estressantes, no entanto, provavelmente por sentirem-se <strong>de</strong>spreparadospara administrar e pela gran<strong>de</strong> responsabilida<strong>de</strong> que é tocar o próprio negocio o empreen<strong>de</strong>dorculpa a si mesmo pelos erros cometidos o que se caracteriza por estratégia negativa. Apesardisso, outras estratégias como comportamentos ina<strong>de</strong>quados (prejudiciais à saú<strong>de</strong>) e negação(fazer <strong>de</strong> conta que não tem problemas) e <strong>de</strong>sligamento comportamental (afastamen'to dosproblemas) são as menos utilizadas pelos empreen<strong>de</strong>dores o que indica que, apesar <strong>de</strong> estaremconscientes <strong>de</strong> suas limitações, eles enfrentam ativamente os problemas que surgem e mantémem contato com a sua realida<strong>de</strong>. A Tabela 5 apresenta as estratégias individuais utilizadascom maior freqüência.Gráfico 5 - Distribuição dos índices <strong>de</strong> estratégias individuais <strong>de</strong> combate aostresso Enfrentamento ativo3,5C/; 3~'50~EC/; Q)Q)"d C/; Q)Q;.at::,>-;2,51,50,52OEstratégias<strong>de</strong>fensivasO NegaçãoO AceitaçãoO Busca <strong>de</strong> suporte(] Desligamento mentalO DesligamentocomportamentalQ Expressão <strong>de</strong> sentimentosO Reinterpretaçãoli Auto-censurapositivaO Cuidados com a saú<strong>de</strong>O Comportamentosina<strong>de</strong>quadosTabela 5 - Estratégias <strong>de</strong>fensivas mais freqüentemente utilizadasPosiçãoEstTatégiaGrupoTento crescer, como pessoa, com a experiência ReinterpretaçaopositivaProcuro manter o bom-humor Reinterpretaçaopositiva·Entro em ação para tentar melhorar a situaçãoEntrentamento ativoMantenho minha auto-estima elevada . Cuidados com asaú<strong>de</strong>· Concentro meus esforços para fazer algllil1a Enfrentamento ativocoisa a respeito da situação em que me encontro5 · Tento ver a situação <strong>de</strong> um ponto <strong>de</strong> vista Reinterpretaçaodiferente, fazendo-a parecer mais positivapositiva· Procuro manter o meu peso proporcional à Cuidados com aminha altura e estrutura ósseasaú<strong>de</strong>· Elaboro um plano <strong>de</strong> ação para enfrentar a EnfTentamento ativosituaçãoCritico a mim mesmo( a)· Faço 3 refeições diárias saudáveis e bem . Auto-censuraCuidados com abalanceadassaú<strong>de</strong>· Sou capaz <strong>de</strong> dizer "não" quando solicitado(a) a . Enfrentamento ativo10' fazer algo que não gostoFonte: Pesquisa direta, 2000.Avaliaçãomédia d.p.3,59 0,733,41 0,673,333,310,830,682,94 0,942,94 0,882,92 1,102,84 0,832,822,780,990,982,76 0,85


-5. Consi<strong>de</strong>rações FinaisContrariando as expectativas <strong>de</strong> que seria encontrada uma gran<strong>de</strong> incidência <strong>de</strong> stress,em altos níveis, por esta ser, <strong>de</strong> acordo com a literatura (Boyd & Gumpert, 1983; Cohen,1999; McGarvey, 1999), uma característica inerente ao empreen<strong>de</strong>dorismo, na amostrapesquisada encontrou-se um percentual elevado <strong>de</strong> não estressados. Infere-se que as prováveisrazões para esses resultados apresentam-se nas respostas da questão aberta, sobre o nível <strong>de</strong>stress percebido pelos empreen<strong>de</strong>dores em relação a sua ativida<strong>de</strong>. De acordo com os dadosobtidos, verificou-se que, em geral, os motivos para a ausência <strong>de</strong> stress relativo ao trabalhodos empreen<strong>de</strong>dores estão ligados a fatores puramente pessoais, com <strong>de</strong>staque para o "prazer"<strong>de</strong> ser empreen<strong>de</strong>dor e da ativida<strong>de</strong> estar no "sangue", o que po<strong>de</strong> levá-los a sentimentos <strong>de</strong>satisfação e orgulho. Compreen<strong>de</strong>-se, pois, resgatando o mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> Sieber (1974), que a nívelindividual a soma das experiência positivas no papel <strong>de</strong> empreen<strong>de</strong>dor exce<strong>de</strong>, em valor, assuas experiências negativas.Por outro lado, a presença <strong>de</strong> stress é freqüentemente explicada por razões externas,evi<strong>de</strong>nciando que a partir do seu gerenciamento, através <strong>de</strong> ações das incubadoras, dasinstituições <strong>de</strong> fomento e dos próprios empreen<strong>de</strong>dores, o stress po<strong>de</strong>rá ser minimizado,resultando em uma melhor qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> vida para os empreen<strong>de</strong>dores no trabalho e fora <strong>de</strong>le.Através da avaliação das fontes consi<strong>de</strong>radas como mais estressantes, constata-se quehá uma gran<strong>de</strong> varieda<strong>de</strong> <strong>de</strong> aspectos a serem ajustados, visando prevenir o stress dosempreen<strong>de</strong>dores, que incluem a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> recursos, principalmente financeiros, para aempresa e para o próprio empreen<strong>de</strong>dor (<strong>de</strong>vido à ausência <strong>de</strong> renda fixa e <strong>de</strong>financiamentos), sobrecarga e conciliação das ativida<strong>de</strong>s profissionais com as pessoais. Essese alguns outros pontos aqui <strong>de</strong>stacados, tais como a administração do tempo e a administração<strong>de</strong> tarefas rotineiras, sobretudo da área <strong>de</strong> marketing e vendas, po<strong>de</strong>m ser enfatizados emcursos <strong>de</strong> capacitação para empreen<strong>de</strong>dores.Finalizando, espera-se, através <strong>de</strong>sse estudo, contribuir, em termos teóricos, para o<strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> uma nova perspectiva sobre a ativida<strong>de</strong> do empreen<strong>de</strong>dor, que é umelemento-chave no atual contexto econômico e social; e para o aprofundamento do estudosobre o processo <strong>de</strong> stress nas micro e pequenas organizações. E, em termos práticos, esperaseque as informações aqui registradas possam subsidiar programas <strong>de</strong> gerenciamento dostress <strong>de</strong>sses empreen<strong>de</strong>dores, e <strong>de</strong> suas empresas, através da orientação <strong>de</strong> estratégias quefavoreçam o equilíbrio psicofisiológico do indivíduo e vantagens competitivas àsorganizações.Refe.oênciasBibliog.oáficasAKANDE, A. "Coping with entrepreneurial stress: evi<strong>de</strong>nce from Nigeria". Journal of SmallBusiness Management. p. 83-87, jan. 1994.ANPROTEC - Associação Nacional <strong>de</strong> Entida<strong>de</strong>s Promotoras <strong>de</strong> Empreendimentos <strong>de</strong>Tecnologia Avançada. Disponível em: . Acesso em: 10outubro 1999.ANPROTEC - Associação Nacional <strong>de</strong> Entida<strong>de</strong>s Promotoras <strong>de</strong> Empreendimentos <strong>de</strong>Tecnologia Avançada. Panorama 2000: As incubadoras <strong>de</strong> empresas no Brasil. Disponívelem:< http://www.anprotec.org.br>. Acesso em: 12 <strong>de</strong>zembro 2000.AYRES, K.V. Estresse Gerencial: a percepção dos responsáveis pela área <strong>de</strong> recursoshumanos das gran<strong>de</strong>s indústrias da Gran<strong>de</strong> João Pessoa. Estudos Avançados emAdministração. João Pessoa: PPGAlUFPB. v.3, n. 2, p. 411-421, <strong>de</strong>z. 1995.AYRES, K. V.; BRITO, S. M. O. Indicador <strong>de</strong> <strong>Stress</strong> <strong>de</strong> Professores Universitários.1998.(trabalho não publicado).


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