Recomendações baseadas em evidências Diagnóstico de lesões ...
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RECOMENDAÇÕES BASEADAS EM EVIDÊNCIAS... Stein et al.PRÁTICA MÉDICAHistória <strong>de</strong>trauma?NãoSimUma ou mais das seguintes condições:1) > 55 anos2) Dor cabeça da fíbula ou patela3) Incapacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> dar 4 passos s<strong>em</strong> apoio4) Incapacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> flexionar o joelho até90 grausAnamnese eexame físicoSuspeita<strong>de</strong> fratura?Exame físico(regra clínicaOttawa)NãoTratamentosintomáticoTratamentoSimDiagnóstico<strong>de</strong>finido?SimRXNãoOutros examescompl<strong>em</strong>entarese procedimentosAFraturaNão conclusivoe/ou insatisfatóriocom suspeita clínicaS<strong>em</strong> fraturaTratamentoconforme achadosTratamentoda fratura* casos especiaisTomogrfiacomputadorizadaTratamentosintomáticoAltaSimMelhora?Solicitação pelocirurgião ortopédicoNãoRessonânciamagnética(cirurgiãoortopédico)CondutaconformeachadosFIGURA 1 – Dor aguda <strong>em</strong> joelho.DIAGNÓSTICO DE LESÕES DE JOELHOIntroduçãoDor no joelho é a segunda causa mais frequente <strong>de</strong> consultaortopédica <strong>em</strong> nível ambulatorial, sendo a dor lombar aprimeira. Ela está presente <strong>em</strong> até 20% da população adultae se associa a significativa incapacida<strong>de</strong> física (1) (A).A história e um cuidadoso exame físico fornec<strong>em</strong> a maiorparte das informações necessárias para diagnosticar lesões<strong>de</strong> joelho. Já a avaliação clínica associada à radiologia convencionalé, frequent<strong>em</strong>ente, suficiente para <strong>de</strong>finir condutaa ser adotada, i<strong>de</strong>ntificando fraturas e potenciais sinais<strong>de</strong> alerta <strong>de</strong> patologias graves.As regras clínicas <strong>de</strong> Ottawa <strong>em</strong> situações <strong>de</strong> dor aguda<strong>em</strong> joelho, com duração menor <strong>de</strong> uma s<strong>em</strong>ana, e suspeita<strong>de</strong> fratura auxiliam a <strong>de</strong>cidir quais pacientes necessitarão<strong>de</strong> exames radiológicos (2) (B).Nos casos <strong>em</strong> que o exame físico revelar potencial probl<strong>em</strong>a<strong>de</strong> menisco e/ou ligamentos, suspeita <strong>de</strong> patologiaRevista da AMRIGS, Porto Alegre, 54 (1): 112-121, jan.-mar. 2010 11324-recomendações-unimed_prática_médica.pmd 11331/3/2010, 10:54
RECOMENDAÇÕES BASEADAS EM EVIDÊNCIAS... Stein et al.PRÁTICA MÉDICAAnamneseExame físicoExames compl<strong>em</strong>entares(médico especialista)TratamentoRXDiagnóstico<strong>de</strong>finido?Diagnósticodiferencial:Examescompl<strong>em</strong>entaresPATOLOGIAS MAIS FREQUENTES1. Ruptura meniscal2. Instabilida<strong>de</strong> ligamentar3. Síndrome patelar –condromalacia patelar4. Instabilida<strong>de</strong> patelar5. Sequela <strong>de</strong> fratura6. Osteonecrose7. Osteocondrite dissecante8. Artrose9. Tendinites10. Sinovites11. Sequelas cirúrgicas prévias12. Rupturas crônicas <strong>de</strong> tendões13. TumorFIGURA 2 – Dor crônica <strong>em</strong>joelho.grave no joelho como lesão neurovascular, ruptura do sist<strong>em</strong>aextensor, artrite séptica, h<strong>em</strong>artrose, suspeita <strong>de</strong> neoplasiaou quando há incerteza diagnóstica, o paciente <strong>de</strong>veser encaminhado ao especialista para investigação e tratamentoa<strong>de</strong>quados.Nas situações <strong>de</strong> dor crônica no joelho, quando a avaliaçãoclínica do especialista e os exames radiológicos <strong>de</strong> rotinanão resultar<strong>em</strong> <strong>em</strong> diagnóstico e havendo possibilida<strong>de</strong><strong>de</strong> alterar o plano <strong>de</strong> tratamento, a realização <strong>de</strong> ressonânciamagnética (RM) é uma opção. Segundo estudos clínicosrandomizados e revisões sist<strong>em</strong>áticas, 1 a 2% dos pacientescom lesão não serão i<strong>de</strong>ntificados pela avaliação clínicae radiológica (3) (B).A RM parece acrescentar pouco à acurácia do exameclínico, sendo mais sensível, mas pouco específica para lesões<strong>de</strong> ligamentos e meniscos. Apresenta frequentes resultadosanormais <strong>em</strong> pacientes assintomáticos e po<strong>de</strong> levar àrealização <strong>de</strong> procedimentos <strong>de</strong>snecessários 3 (B). Muitasrupturas parciais <strong>de</strong> ligamentos são comumente sob-rediagnosticadaspela RM e não possu<strong>em</strong> importância clínica,po<strong>de</strong>ndo ser manejadas conservadoramente especialmentequando há baixo nível <strong>de</strong> ativida<strong>de</strong> física, estabilida<strong>de</strong> daarticulação e ausência <strong>de</strong> dano <strong>de</strong> outras estruturas.Estudos <strong>em</strong> voluntários assintomáticos mostraram altaprevalência <strong>de</strong> achados anormais no joelho, constituindoparte do processo normal do envelhecimento (4 C, 5 C).Segundo estudo <strong>de</strong> Takeda, há significante número <strong>de</strong> falso-positivopara ruptura do menisco <strong>em</strong> crianças normais,especialmente menores <strong>de</strong> 13 anos (6 C).As principais dificulda<strong>de</strong>s para utilização da RM se encontramna precisão da interpretação e no alto custo <strong>de</strong>ssatecnologia, o que exige um <strong>em</strong>prego racional. A acurácia daRM <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> tanto da qualida<strong>de</strong> técnica do exame quantoda experiência do radiologista que interpreta a imag<strong>em</strong>. Deveser levado <strong>em</strong> consi<strong>de</strong>ração, ainda, que para o diagnósticofinal é fundamental a a<strong>de</strong>quada correlação da condição clínicado paciente com o resultado da RM, realizada por ortopedistaexperiente (3 B). Constata-se um baixo valor preditivonegativo * (21%), especialmente quando o solicitante<strong>de</strong>sse exame não é especialista da área (7 C).A imag<strong>em</strong> da RM t<strong>em</strong> alta resolução para estruturas intra-articularestais como ligamentos, cartilagens e meniscose constitui-se uma opção não invasiva para diagnóstico <strong>de</strong>lesões <strong>de</strong> joelho, auxiliando no processo <strong>de</strong> seleção dos pacientespara manutenção <strong>de</strong> tratamento conservador ouindicação cirúrgica. Quando utilizada <strong>em</strong> pacientes comalta suspeita clínica <strong>de</strong> patologias intra-articulares, que <strong>de</strong>outra forma teriam indicação primária <strong>de</strong> artroscopia, po<strong>de</strong>evitar 35% <strong>de</strong>stas (8 C).Segundo estudo clínico randomizado <strong>de</strong> trauma agudo<strong>de</strong> joelho, a utilização <strong>de</strong> RM, <strong>em</strong> adição ou no lugar daradiografia, não auxiliou na seleção <strong>de</strong> pacientes que po<strong>de</strong>riamser liberados s<strong>em</strong> acompanhamento ou intervençãoposterior (9 A). O uso <strong>de</strong> RM <strong>de</strong>ve, pois, ser seletivo, nãosendo recomendável sua realização <strong>em</strong> atendimentos <strong>de</strong>urgência e <strong>em</strong> condições agudas; é indicado quando o diagnósticoclínico é incerto e po<strong>de</strong>rá alterar o plano <strong>de</strong> tratamento(10 B).*Valor preditivo – VP negativo é a probabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> o indivíduo não tera doença quando o teste é negativo ou VP positivo <strong>de</strong> ter a doençaquando o teste é positivo.114 Revista da AMRIGS, Porto Alegre, 54 (1): 112-121, jan.-mar. 201024-recomendações-unimed_prática_médica.pmd 11431/3/2010, 10:54
RECOMENDAÇÕES BASEADAS EM EVIDÊNCIAS... Stein et al.PRÁTICA MÉDICACom a finalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> facilitar a avaliação e o acompanhamentodas lesões <strong>de</strong> joelho, estas foram divididas segundosua apresentação clínica como dor aguda e dor crônica<strong>em</strong> joelho.Dor aguda <strong>em</strong> joelhoEm pacientes com lesão <strong>de</strong> joelho <strong>de</strong>ve-se verificar inicialmentea existência <strong>de</strong> história <strong>de</strong> trauma local.Na maioria dos casos, o exame clínico é suficiente para<strong>de</strong>finir quando há necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> exames compl<strong>em</strong>entarese tratar <strong>de</strong> acordo com os achados (3 B, 11 B).História e exame físicoOs médicos clínicos <strong>de</strong>v<strong>em</strong> estar familiarizados com osmecanismos típicos das lesões e a presença <strong>de</strong> sinais e sintomas<strong>de</strong> cada lesão. Os testes clínicos são comumente utilizadospara confirmação do diagnóstico <strong>de</strong> lesões <strong>de</strong> ligamentos<strong>de</strong> joelho, <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> um contexto <strong>de</strong> história. Recomenda-seexaminar o joelho sadio antes do sintomáticopara fazer teste comparativo.Na Figura 3 estão d<strong>em</strong>onstrados os principais testes clínicospara avaliar os ligamentos do joelho.Teste da gaveta (anterior e posterior): com o paciente<strong>em</strong> <strong>de</strong>cúbito dorsal, quadril flexionado 45 o e joelho 90 o ,sentar sobre dorso do pé do paciente, para firmá-lo. Segurara parte proximal da perna, com ambas as mãos <strong>em</strong> torno<strong>de</strong>la, e puxá-la anteriormente (movimento <strong>de</strong> translaçãoda tíbia <strong>em</strong> relação ao fêmur). No teste anormal ocorre anteriorizaçãoda tíbia (mais que 6 a 8 mm) e, principalmente,uma sensação subjetiva <strong>de</strong> frouxidão e <strong>de</strong> falta <strong>de</strong> trava.Na gaveta posterior tenta-se <strong>em</strong>purrar a tíbia posteriormente,da mesma forma. Fazer s<strong>em</strong>pre o exame comparativo nojoelho contralateral (válido para todos os próximos testes).Teste <strong>de</strong> Lachman: com o paciente <strong>em</strong> <strong>de</strong>cúbito dorsal ejoelho b<strong>em</strong> relaxado, quase <strong>em</strong> extensão. Segurar firm<strong>em</strong>entecom uma das mãos <strong>em</strong> torno do fêmur distal e com outra<strong>em</strong> torno da tíbia proximal. Fazer movimentos <strong>de</strong> translaçãoanterior e posterior da tíbia <strong>em</strong> relação ao fêmur. Noteste anormal vai haver excursão anterior (ou posterior)aumentada e sensação <strong>de</strong> lassidão ligamentar (como no testeda gaveta).Teste <strong>de</strong> “Pivot shif”: com o paciente <strong>em</strong> <strong>de</strong>cúbito dorsale joelho b<strong>em</strong> relaxado <strong>em</strong> extensão. Segurar com a mãoequivalente (mão esquerda segura m<strong>em</strong>bro inferior esquerdo)a parte distal da perna (<strong>de</strong> forma que o paciente <strong>de</strong>ixe om<strong>em</strong>bro relaxado e apenas seguro pela mão do examinador).Com a outra mão, girar internamente a tíbia e aomesmo t<strong>em</strong>po flexionar o joelho. No teste anormal, à medidaque aumenta o grau <strong>de</strong> flexão passiva <strong>em</strong> rotação interna,ocorre um “ressalto” da tíbia sobre o fêmur (visível eperceptível). Esta manobra é patognomônica <strong>de</strong> lesão <strong>de</strong>ligamento cruzado.ABCD90 o 20 o -90 o FIGURA 3 – Testes clínicospara avaliar lesões<strong>de</strong> ligamentos nojoelho. A: Teste <strong>de</strong> gavetaanterior. B: Teste<strong>de</strong> Lachman. C: TestePivot Shift. D: Teste <strong>de</strong>McMurray.Revista da AMRIGS, Porto Alegre, 54 (1): 112-121, jan.-mar. 2010 11524-recomendações-unimed_prática_médica.pmd 11531/3/2010, 10:54
RECOMENDAÇÕES BASEADAS EM EVIDÊNCIAS... Stein et al.PRÁTICA MÉDICATeste <strong>de</strong> McMurray: com o paciente <strong>em</strong> <strong>de</strong>cúbito dorsal.Segurar a parte distal da perna e flexionar passivamenteo joelho até o máximo possível <strong>de</strong> flexão, girando interna eexternamente a perna e o fêmur. No teste anormal, o pacientesente dor (e eventualmente percebe-se um “clic”) àmedida que aumenta o grau <strong>de</strong> flexão. Geralmente a lesãodo menisco medial (mais frequente) é mais perceptível <strong>em</strong>rotação externa da perna e a do lateral <strong>em</strong> interna.A acurácia das manobras diagnósticas foi estudada <strong>em</strong>uma revisão sist<strong>em</strong>ática na qual se concluiu que um examecombinado, utilizando várias manobras, teve um <strong>de</strong>s<strong>em</strong>penhomelhor do que manobras isoladas (Tabela 1). O examecombinado para avaliar ruptura do ligamento cruzado anteriorrealizado pelo ortopedista t<strong>em</strong> alta probabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong>sucesso diagnóstico, ou seja, é altamente preditivo, comrazão <strong>de</strong> probabilida<strong>de</strong> (RP) * positiva <strong>de</strong> 25 e uma RP negativa<strong>de</strong> 0,04. Da mesma maneira, o exame combinadopara avaliar a ruptura do ligamento cruzado posterior t<strong>em</strong>uma RP positiva <strong>de</strong> 21 e uma RP negativa <strong>de</strong> 0,05.Quando há dor aguda e história <strong>de</strong> trauma no joelho,<strong>de</strong>ve-se avaliar a possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> fratura utilizando as regrasclínicas <strong>de</strong> Ottawa para <strong>de</strong>cidir o <strong>em</strong>prego <strong>de</strong> examesradiológicos, consi<strong>de</strong>rando existir uma ou mais das seguintescondições:1. Ida<strong>de</strong> maior 55 anos.2. Dor na região da cabeça da fíbula ou na patela.3. Incapacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> dar quatro passos s<strong>em</strong> apoio (admitesealguma claudicação).4. Incapacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> flexionar o joelho até 90 graus.Essas regras têm sensibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> 100%, especificida<strong>de</strong><strong>de</strong> 0,49 (IC 95%=0,46-0,52), razão <strong>de</strong> probabilida<strong>de</strong> positiva<strong>de</strong> 1,96 (IC 95%=1,92-1,99) e razão <strong>de</strong> probabilida<strong>de</strong>negativa <strong>de</strong> 0,11 (IC 95%=0,006 –0,18) (2).Quando a história sugere lesão potencial <strong>de</strong> menisco ou<strong>de</strong> ligamento, o exame físico é mo<strong>de</strong>radamente sensível(menisco, 87%; ligamento cruzado anterior, 74%; e ligamentocruzado posterior, 81%) e altamente específico (menisco,92%; ligamento cruzado anterior, 95%; e ligamentocruzado posterior, 95%) (2). Comparando-se o exame físicocom a RM, essa é mais sensível para ruptura <strong>de</strong> ligamentose lesões <strong>de</strong> meniscos, mas menos específica. Na ruptura<strong>de</strong> menisco a dor articular apresenta sensibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> 75%,com especificida<strong>de</strong> <strong>de</strong> 27%, enquanto testes específicoscomo o teste <strong>de</strong> McMurray têm alta especificida<strong>de</strong>, 97%, epouca sensibilida<strong>de</strong>, 52% (3 B).É importante salientar que a sensibilida<strong>de</strong> e a especificida<strong>de</strong>são medidas a partir da comparação com um padrãoouro. Se o padrão ouro evi<strong>de</strong>ncia alterações anatomofuncionaisque não tenham repercussão clínica e que não necessit<strong>em</strong>intervenção, um teste clínico po<strong>de</strong> parecer menos sensível doque realmente é na prática. Por ex<strong>em</strong>plo, o teste <strong>de</strong> McMurraypo<strong>de</strong> parecer pouco sensível se comparado a uma RM; entretanto,muitas alterações pequenas <strong>de</strong>tectadas pela RM não necessitamintervenção. Apenas consi<strong>de</strong>rando as lesões maiores eque realmente necessitam tratamento cirúrgico, o teste <strong>de</strong>McMurray po<strong>de</strong> ser muito mais sensível do que parece.O exame clínico possui valor preditivo negativo alto obastante para se recomendar manejo conservador para ospacientes cujo exame físico é negativo para lesões ligamentaresou <strong>de</strong> meniscos. Os testes quando realizados por médicosclínicos gerais têm menor acurácia.O diagnóstico diferencial <strong>de</strong> dor aguda por exacerbação<strong>de</strong> osteoartrite é realizado pelos achados clínicos (ida<strong>de</strong> maiordo que 50 anos, rigi<strong>de</strong>z matinal maior do que 30 minutos,crepitação, alargamento ósseo) com sensibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> 89% eespecificida<strong>de</strong> <strong>de</strong> 88% para artrite crônica (12 B). O Rx,nesses casos, aumenta a sensibilida<strong>de</strong> diagnóstica, mas nãoa especificida<strong>de</strong>.Dor crônica <strong>em</strong> joelhoHá situações <strong>em</strong> que o esclarecimento da causa da dor nojoelho po<strong>de</strong> ser d<strong>em</strong>orado. Se não houver história <strong>de</strong> lesãoaguda, a causa mais comum é a sobrecarga, especialmenteTABELA 1 – Acurácia das manobras <strong>de</strong> exame físico no diagnóstico das lesões ligamentares e <strong>de</strong> meniscoManobra Sensibilida<strong>de</strong> Especificida<strong>de</strong> RP positivo (IC 95%) RP negativo (IC 95%)Ruptura LCAExame físico combinado 82% 94% 25 (2,1-306) 0,04 (0,01-0,48)Sinal da gaveta anterior 62% 67% 3,8 (0,7-22,0) 0,30 (0,05-1,5)Teste <strong>de</strong> Lachman 84% 100% 42,0 (2,7-651,0) 0,1 (0,0-0,4)Teste lateral “pivot shift” 38% Não relatado _ _Ruptura LCPExame físico combinado 91% 98% 21,0 (2,1-205,0) 0,05 (0,01-0,50)LCA – ligamento cruzado anterior; LCP – ligamento cruzado posterior; IC – intervalo <strong>de</strong> confiança; RP – razão <strong>de</strong> probabilida<strong>de</strong>. Solomen DH, Simel DL, BatesDW, et al. Does this patient have a torn meniscus or ligament of knee? JAMA 2001; 286:1610.*RP – razão <strong>de</strong> probabilida<strong>de</strong> é quando é mais provável <strong>de</strong> o indivíduoter a doença (teste positivo) ou não ter a doença (teste negativo).116 Revista da AMRIGS, Porto Alegre, 54 (1): 112-121, jan.-mar. 201024-recomendações-unimed_prática_médica.pmd 11631/3/2010, 10:54
RECOMENDAÇÕES BASEADAS EM EVIDÊNCIAS... Stein et al.PRÁTICA MÉDICA<strong>em</strong> atletas. A história clínica e o exame físico minucioso sãofundamentais para direcionar a um diagnóstico correto.Para avaliar dor <strong>em</strong> joelho é necessário consi<strong>de</strong>rar dadosda história atual:1. Intensida<strong>de</strong> da dor (0 a 10).2. Início da dor: trauma e/ou entorse ou insidioso.3. Tratamento efetuado.4. Cirurgias prévias realizadas.5. Ativida<strong>de</strong> atual:a. cotidiana;b. profissional;c. esportiva.No exame físico, são aspectos importantes da avaliação:1. Localização e intensida<strong>de</strong> da dor.2. Presença <strong>de</strong> ed<strong>em</strong>a e/ou <strong>de</strong>rrame articular.3. Manobras para avaliação da região f<strong>em</strong>oropatelar.4. Testes meniscais.5. Testes ligamentares.6. Presença <strong>de</strong> instabilida<strong>de</strong> articular.7. Estalidos e/ou crepitação.8. Avaliação da marcha e do equilíbrio.9. Deformida<strong>de</strong>s nos joelhos.10. Cicatrizes prévias.11. Avaliação da musculatura.12. Uso <strong>de</strong> muleta(s).13. Uso <strong>de</strong> imobilizador.Nos Quadros 1 e 2 estão as doenças mais frequentes,suas características e os exames <strong>de</strong> imag<strong>em</strong> que auxiliam nodiagnóstico.QUADRO 1 – Doenças mais frequentes <strong>de</strong> joelhoDiagnóstico Características Exames <strong>de</strong> imag<strong>em</strong>Síndrome patelo-f<strong>em</strong>oral ou síndrome Adolescentes, adultos jovens. Dor anterior do joelho, Radiografia AP + P + Axial <strong>de</strong> rótulapatelar ou síndrome <strong>de</strong> hiperpressão síndromes <strong>de</strong> sobrecarga, hipermobilida<strong>de</strong> da patela,patelar<strong>de</strong>svios torsionais dos m<strong>em</strong>bros inferiores, déficitpostural, retração da musculatura posterior e anteriorda coxa.Instabilida<strong>de</strong> patelar. Luxação Mau alinhamento da patela. Patela alta. Displasia do Radiografia AP + P + Axialrecidivante da patela quadríceps e da tróclea f<strong>em</strong>oral que favorec<strong>em</strong> o Tomografia computadorizada<strong>de</strong>slocamento lateral da patela <strong>de</strong> forma repetitiva.Patela baixa Defeito congênito ou sequela <strong>de</strong> algum tratamento Radiografiacirúrgico ou por imobilização prolongada.Mau alinhamento dos joelhos Geno varo e geno valgo. RadiografiaDoença <strong>de</strong> Osgood-Schlatter Epifisite do centro <strong>de</strong> crescimento ósseo junto à Radiografiatuberosida<strong>de</strong> tibial anterior. Ocorre entre os 9 e 15anos <strong>de</strong> ida<strong>de</strong>. Caracteriza-se pelo entumescimento eed<strong>em</strong>a local e pela impotência funcional, impedindo aprática <strong>de</strong> esportes.Osteonecrose Mais comum <strong>em</strong> mulheres entre a sexta e sétima Radiografia Cintilografia Ósseadécadas <strong>de</strong> vida.Ressonância MagnéticaBursite pré-patelar Dor e aumento <strong>de</strong> volume ao nível da bursa Nenhumpré-patelar, inflamatória ou infecciosa (purulenta)Tendinites Tendão patelar. Radiografia, EcografiaTendões da pata <strong>de</strong> ganso.Tendão quadricipital fascia lata e bíceps f<strong>em</strong>oral.Rupturas meniscais crônicas Agudas ou recentes: após entorses no esporte ou Radiografia contrastadaaci<strong>de</strong>ntes traumáticos do quotidiano. Muito(pneumoartrografia)incapacitante, po<strong>de</strong>ndo ser acompanhada <strong>de</strong> bloqueioarticular. Comum nos mais jovens.Ressonância magnéticaCrônicas ou <strong>de</strong>generativas: evolução insidiosa, maiscomum a partir da sexta década <strong>de</strong> vida. Po<strong>de</strong> sersecundária à artrose.Instabilida<strong>de</strong> ligamentar do pivô Secundário a entorses e traumatismos <strong>de</strong> mo<strong>de</strong>rada Radiografiacentral (LCA e LCP) e doa alta energia. Caracteriza-se pelo falseio e sensaçãocompartimento póstero-lateral <strong>de</strong> insegurança e instabilida<strong>de</strong> articular.Instabilida<strong>de</strong> ligamentar periférica Também secundário a entorses, porém <strong>de</strong> menor Nenhumenergia. Menos incapacitante que as lesões do pivôcentral.(continua)Revista da AMRIGS, Porto Alegre, 54 (1): 112-121, jan.-mar. 2010 11724-recomendações-unimed_prática_médica.pmd 11731/3/2010, 10:54
RECOMENDAÇÕES BASEADAS EM EVIDÊNCIAS... Stein et al.PRÁTICA MÉDICAQUADRO 1 – Doenças mais frequentes <strong>de</strong> joelho (continuação)Diagnóstico Características Exames <strong>de</strong> imag<strong>em</strong>Doenças da m<strong>em</strong>brana articular Sinovite vilo-nodular, sinovites das patologias Radiografia(sinovial) reumáticas (hipertrofia sinovial), condromatose, Ressonância magnéticatumores benignos e/ou malignos.Osteoartrite (artrose) Desestruturação da cartilag<strong>em</strong> e <strong>de</strong>gradação articular. Radiografia AP com apoio + Ps<strong>em</strong> apoioArtrite (sinovite) Doenças inflamatórias ou infecciosas. RadiografiaTumores ósseos Benignos ou malignos. RadiografiaTomografia computadorizadaRessonância magnéticaCintilografia ósseaSequela <strong>de</strong> fraturasSequela <strong>de</strong> rupturas tendinosas As sequelas <strong>de</strong> lesões envolvendo o sist<strong>em</strong>a extensor Radiografia(patelar e quadrícipes)(tendões patelar e quadricipital) são extr<strong>em</strong>amenteincapacitantes.RadiografiaTomografia computadorizadaOsteocondrite dissecante Po<strong>de</strong> ocorrer ao nível do fêmur e da patela. Comum Radiografia<strong>em</strong> adolescentes.Ressonância magnética(13, 14, 15, 16).QUADRO 2 – Causas não traumáticas <strong>de</strong> artrite <strong>de</strong> joelhoDiagnósticoArtropatias soro-negativasArtrite reativa (síndrome <strong>de</strong> Reiter)Não é raro início <strong>em</strong> joelhoPsoríase (artropatia psoriásica)Espondilite anquilosanteDoenças por <strong>de</strong>posição <strong>de</strong> cristalGotaPseudogota ou condrocalcinoseArtrite reumatoi<strong>de</strong>OsteoartroseArtrite gonocócicaArtrite séptica (infecciosa; nãogonocócica)Lúpus erit<strong>em</strong>atosoArtrite tuberculosaCaracterísticasMuito mais frequente <strong>em</strong> adultos jovens. Pesquisar infecção genital, urinária ou intestinal.Geralmente inicia com mais <strong>de</strong> uma articulação comprometida.15% dos portadores <strong>de</strong> psoríase têm artrite.Início muito mais frequente <strong>em</strong> jovens. Pesquisar dor e movimentos da coluna. Radiografiadas articulações sacro-ilíacas po<strong>de</strong> estar alterada.Monoartrite aguda. Depósito <strong>de</strong> cristais <strong>de</strong> ácido úrico. Homens adultos. Mulheres, após amenopausa. Crises anteriores <strong>em</strong> qualquer articulação.Artrite aguda ou crônica. Depósito <strong>de</strong> cristais <strong>de</strong> pirofosfato <strong>de</strong> cálcio. Crises anteriores <strong>em</strong>qualquer articulação.Muito raro iniciar com artrite isolada <strong>de</strong> joelhos.Se não for doença avançada, procurar outra causa.Febre baixa. Gonorreia. Pesquisar na mulher. Po<strong>de</strong> não haver sintomas genitais. Artritepassageira <strong>em</strong> outras articulações, antes da monoartrite. Pod<strong>em</strong> aparecer tendinites e bolhas.Monoartrite aguda com pus. Febre elevada, queda do estado geral, infecção <strong>em</strong> outro local.Muito raro iniciar somente com artrite <strong>de</strong> joelhos. Doença mais frequente <strong>em</strong> mulheres jovens.Artrite crônica. Geralmente febre noturna com sudorese. Tuberculose <strong>em</strong> outro local.A RM po<strong>de</strong> contribuir para o diagnóstico <strong>de</strong> <strong>de</strong>terminadaspatologias <strong>de</strong> joelho, tais como:• Rupturas meniscais.• Osteonecrose <strong>de</strong> fêmur.• Osteocondrite dissecante <strong>de</strong> fêmur e/ou patela.• Tumores ósseos e <strong>de</strong> partes moles.• Outras lesões <strong>de</strong> partes moles (rupturas tendíneas <strong>em</strong>usculares) com importante comprometimento funcionaldo m<strong>em</strong>bro inferior.• Instabilida<strong>de</strong>s ligamentares.118 Revista da AMRIGS, Porto Alegre, 54 (1): 112-121, jan.-mar. 201024-recomendações-unimed_prática_médica.pmd 11831/3/2010, 10:54
RECOMENDAÇÕES BASEADAS EM EVIDÊNCIAS... Stein et al.PRÁTICA MÉDICAExames compl<strong>em</strong>entaresOs exames compl<strong>em</strong>entares são avaliados a seguir conformea sua utilida<strong>de</strong> e indicação.RadiografiaA radiografia, além da avaliação clínica, é na maior partedas vezes suficiente para <strong>de</strong>finir a conduta a ser adotada.O uso rotineiro <strong>de</strong> Rx <strong>em</strong> lesões agudas t<strong>em</strong> sido questionado,levando-se <strong>em</strong> conta o custo-efetivida<strong>de</strong>. RaioX <strong>de</strong> joelho é solicitado entre 60 a 80% dos pacientescom dor no joelho e <strong>em</strong> apenas 6% a 11% dos casos éi<strong>de</strong>ntificada fratura nos <strong>de</strong>partamentos <strong>de</strong> <strong>em</strong>ergência dosEUA (2 B, 3 B).Na Nova Zelândia, a utilização das regras clínicas <strong>de</strong>Ottawa, nível <strong>de</strong> evidência grau I (17 B), possibilita a realização<strong>de</strong> Rx <strong>em</strong> somente 30% <strong>de</strong> Rx nas pessoas com lesões<strong>de</strong> joelho.Nos casos <strong>em</strong> que ocorre h<strong>em</strong>artrose, está recomendadaa realização <strong>de</strong> Rx, pois esta está associada com alta probabilida<strong>de</strong><strong>de</strong> patologias intra-articulares, incluindo fraturaosteocondral, que envolve ruptura da cartilag<strong>em</strong> e osso subcondral(18 B).Em ensaio clínico randomizado, a RM, <strong>em</strong> adição ouno lugar da radiografia, não auxiliou na seleção <strong>de</strong> pacientescom trauma agudo <strong>de</strong> joelho, que po<strong>de</strong>riam ser liberadoss<strong>em</strong> avaliação posterior (9 A); melhorou apenas a predição<strong>de</strong> tratamento adicional.É necessária a realização <strong>de</strong> RX <strong>em</strong> AP e lateral paraavaliação <strong>de</strong> dor <strong>em</strong> joelho <strong>de</strong> orig<strong>em</strong> não traumática. Nospacientes com dor patelof<strong>em</strong>oral anterior do joelho, umaincidência axial po<strong>de</strong> ser incluída na avaliação radiológicainicial (19 C).EcografiaA ecografia <strong>de</strong> joelho não é recomendada, pois não acrescentainformação significativa além da encontrada no exameclínico (20 B).Tomografia computadorizadaConstitui uma alternativa para a RM na avaliação <strong>de</strong>transtornos internos dos joelhos: quando houver contraindicação<strong>de</strong> seu uso; na <strong>de</strong>finição do alinhamento <strong>de</strong>fratura; <strong>em</strong> pacientes com fragmentos metálicos e estruturasmetálicas no joelho. É mais precisa que a radiologiaconvencional para <strong>de</strong>finir a linha <strong>de</strong> fratura, as <strong>de</strong>pressões<strong>de</strong> superfície articular e avalia melhor a perda<strong>de</strong> tecido ósseo (21 B).Cintilografia ósseaÉ indicada mais frequent<strong>em</strong>ente para rastreamento <strong>de</strong> metástasesósseas <strong>em</strong> pacientes com neoplasias.A osteonecrose po<strong>de</strong> ser avaliada através <strong>de</strong> cintilografiaóssea trifásica, sendo fundamental a correlação com dadosclínicos e radiológicos.A cintilografia óssea apresenta sensibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> 84% eespecificida<strong>de</strong> <strong>de</strong> 92% na avaliação <strong>de</strong> complicações <strong>de</strong> próteses<strong>de</strong> quadril e <strong>de</strong> joelho, realizadas preferencialmenteapós um ano e 18 meses, respectivamente, pois o processoinflamatório e a r<strong>em</strong>o<strong>de</strong>lação óssea <strong>de</strong>correntes da manipulaçãocirúrgica persist<strong>em</strong> por longo t<strong>em</strong>po. Dessa formatorna-se um importante meio <strong>de</strong> diagnóstico por imag<strong>em</strong>,nos casos <strong>de</strong> afrouxamento e infecção tardia das prótesestotais e <strong>de</strong> joelho e quadril (23).Ressonância magnéticaA RM é uma técnica que avalia probl<strong>em</strong>as músculo-esqueléticos,provê imagens anatômicas <strong>de</strong>talhadas <strong>em</strong> planosmúltiplos, não utiliza radiação ionizante, é realizada <strong>em</strong> nívelambulatorial e constitui opção não invasiva para o diagnóstico<strong>de</strong> patologias <strong>de</strong> joelho, auxiliando na seleção dospacientes que precisam ser submetidos a procedimentosinvasivo-terapêuticos (artroscopia, artrotomia) (3). Possuiacurácia maior do que 90% <strong>em</strong> <strong>de</strong>tectar doença intra-articularquando realizada e interpretada por especialista <strong>em</strong>imag<strong>em</strong> <strong>de</strong> RM músculo-esquelético, <strong>em</strong> centros médicosespecializados (18 B).O aparelho <strong>de</strong> RM é composto <strong>de</strong> um túnel <strong>em</strong> que opaciente entra <strong>de</strong>itado e <strong>de</strong>ve permanecer imóvel 30 a 40minutos, sendo necessária sedação para crianças e pacientesclaustrofóbicos para obter imobilida<strong>de</strong>; <strong>de</strong>vido ao ruído<strong>em</strong>itido, são fornecidos protetores auriculares. As contraindicaçõespara realização da RM são pacientes portadores d<strong>em</strong>arcapassos, implantes metálicos (clipes neurocirúrgicos eoutros), implantes cocleares e próteses que possam sofrerindução magnética.Nas condições crônicas <strong>de</strong> joelho, <strong>em</strong> ampla revisão doHTA/NHS <strong>de</strong> 2001, baseada <strong>em</strong> ensaio clínico randomizadoe estudo <strong>de</strong> custo-efetivida<strong>de</strong>, a evolução clínica e oscustos finais foram similares entre os grupos que utilizaramou não a ressonância magnética. No entanto, o uso da RMteve impacto positivo, pois os pacientes alcançaram a mesmacondição funcional e taxa <strong>de</strong> melhora s<strong>em</strong> ser<strong>em</strong> submetidosa um número maior <strong>de</strong> procedimentos (3 B).A ressonância magnética tornou-se o método <strong>de</strong> imag<strong>em</strong><strong>de</strong> escolha para o estudo das articulações, <strong>de</strong>vido a suagran<strong>de</strong> diferenciação tecidual, resolução <strong>de</strong> estruturas, imagens<strong>em</strong> múltiplos planos e estudos dinâmicos (cin<strong>em</strong>áticos).O conhecimento <strong>de</strong>talhado da anatomia, fisiologia easpecto <strong>de</strong> imaginologia da região permite uma interpreta-Revista da AMRIGS, Porto Alegre, 54 (1): 112-121, jan.-mar. 2010 11924-recomendações-unimed_prática_médica.pmd 11931/3/2010, 10:54
RECOMENDAÇÕES BASEADAS EM EVIDÊNCIAS... Stein et al.PRÁTICA MÉDICAção a<strong>de</strong>quada dos exames. No entanto, por vezes, estruturasanatômicas que só aparec<strong>em</strong> esporadicamente, variantesanatômicas e artefatos pod<strong>em</strong> causar erros <strong>de</strong> interpretaçãodo exame. Ex<strong>em</strong>plos disso são as lesões meniscais classificadas<strong>em</strong> graus diferentes (I, II e III), pois a interpretaçãodo tipo <strong>de</strong> lesão varia <strong>de</strong> acordo com o analisador doexame. Também, pod<strong>em</strong>-se citar os ligamentos meniscomeniscaisanteriores, que pod<strong>em</strong> confundir com uma rupturado corno anterior do menisco lateral. Além disso, artefatosoriginários da pulsação da artéria poplítea e a presençada artéria geniculada inferior pod<strong>em</strong> ocasionar erros <strong>de</strong> interpretação.Outros ex<strong>em</strong>plos são os chamados efeitos <strong>de</strong>volume parcial e efeito do ângulo mágico (menisco medial),menisco pseudodiscoi<strong>de</strong>, menisco fantasma, menisco <strong>de</strong>aspecto serrilhado (speckled) ou ondulado (flounce), que pod<strong>em</strong>produzir resultados falsos positivos.(20)Em estudo, comparando achados cirúrgicos e resultadosda RM <strong>de</strong> estruturas do joelho, ficou d<strong>em</strong>onstrado que37% das cirurgias apoiadas <strong>em</strong> RM não eram justificadas,sendo que 32% das RM sugerindo anormalida<strong>de</strong>s tinhamartroscopias normais e 5% tinham dano menor na cartilag<strong>em</strong>que não implicavam necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> tratamento. Osresultados mostraram uma frequência importante <strong>de</strong> falsospositivos: 65% para menisco medial, 43% para meniscolateral, 47,2% para ligamento cruzado anterior e 41,7%para doença cartilaginosa articular quando comparado comachados cirúrgicos. As taxas <strong>de</strong> acurácia foram <strong>de</strong> 52%, 82%,80% e 77%, respectivamente (22 B). No entanto, este estudo<strong>de</strong>ve ser interpretado com cautela, consi<strong>de</strong>rando que foium estudo retrospectivo e s<strong>em</strong> grupo-controle.ArtroscopiaDes<strong>de</strong> 1970 a artroscopia t<strong>em</strong> sido utilizada como métododiagnóstico e terapêutico no manejo <strong>de</strong> lesões agudas, subagudase crônicas <strong>de</strong> joelho. É um procedimento invasivocom riscos associados e custos elevados.A artroscopia é utilizada como recurso terapêutico <strong>de</strong>lesões, sendo restrito seu uso como método diagnóstico isoladamente.Exames laboratoriaisExames laboratoriais <strong>de</strong> rotina pod<strong>em</strong> ser úteis e indicadosno diagnóstico <strong>de</strong> pacientes com doenças reumáticas. Examesbásicos <strong>de</strong>v<strong>em</strong> incluir o h<strong>em</strong>ograma completo comcontag<strong>em</strong> <strong>de</strong> leucócitos e diferencial, velocida<strong>de</strong> <strong>de</strong> h<strong>em</strong>ossedimentaçãoe exame <strong>de</strong> urina. Quando indicados pelosachados clínicos, outros estudos <strong>de</strong>v<strong>em</strong> ser consi<strong>de</strong>rados.Na maioria dos casos, no entanto, é importante frisar queuma história e um exame físico b<strong>em</strong> feitos <strong>de</strong>v<strong>em</strong> sugerirfort<strong>em</strong>ente uma hipótese diagnóstica, servindo os exames comocompl<strong>em</strong>ento, confirmação ou sugestão <strong>de</strong> outra hipótese.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS1. Malindon TE, Cooper C, Kirwan Jr, Dieppe PA. Knee pain anddisability in the community. Br J Rheumatol. 1992; 31:189-92.2. Stiell IG, Greenbeg GH, Wells GA, McKnight RD, Cwinn AA,Cacciotti T, et al. Derivation of a <strong>de</strong>cision rule for the use of radiographyin acute knee injuries. Ann Emerg Med. 1995; 26:405-13.[PMID: 7574120].3. Jackson JL, MD, MPH; O’Malley PG, MD, MPH; and KroenkeK, MD. Evaluating of acute knee pain in primary care. Ann InternMed 2003; 139(7): 575-588.4. 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