Envelhecimento Ativo e Educação ao Longo da Vida

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Envelhecimento Ativo e Educação ao Longo da Vida

Centro de Competência de Ciências SociaisDepartamento de Ciências da EducaçãoEnvelhecimento Ativo e Educação aoLongo da VidaAlice Mendonçaalice@uma.ptInternet:http://www.uma.pt/alicemendonca


Enquadramento Teórico: Envelhecimento e idosoIdosoIndivíduo com idade igual ou superior a 65 anos.(Plano Gerontológico da RAM, 2009-2013).Senescência“processo contínuo e irreversível [que] traz consigo adiminuição física, mental e social”. Não podendo ser evitadopode ser minimizado e protelado.(Ermida, 1999:50)Senilidade“degenerescência associada a doenças crónicas, a doenças esíndromes típicas da velhice e à desorganização biológica quepode acometer os idosos”.(Neri, 1993:34)


Determinantes do envelhecimento ativo• Fonte: Plano Gerontológico da Região Autónoma da Madeira, 2009-2013: 68-69


Determinantes do envelhecimento ativoAspectosSocioculturais• “o envelhecimento depende da nossa biologia, particularmente dagenética, do nível de instrução que possuímos da regiãogeográfica onde vivemos e ainda do “género que nos coube emsorte” (Simões, 2006:24).Género• “o género refere-se aos atributos sociais, papéis,actividades, responsabilidades, poderes e necessidadesrelacionadas com o facto de se ser homem [ou] mulher numadada sociedade e num dado tempo (…). As identidades degénero da mulher e do homem determinam a forma […] comose espera que pensem e ajam” (Perista e Silva, 2005:85).


Determinantes do envelhecimento ativoFatores Pessoais• “Para que uma atividade seja significativa, ela precisa teralgum vínculo com a identidade da pessoa: profissão,biografia, metas, ideais, valores” (Doll, in AAVV, 2009:111).Fatores económicos• “As pessoas idosas têm direito à segurança económica e acondições de habitação e convívio familiar e comunitário querespeitem a sua autonomia pessoal e evitem e superem oisolamento e a posição marginal na sociedade” (Constituição daRepública Portuguesa. Art.º72)Fatores Comportamentais,Ambientais e Serviços desaúde• “O processo de envelhecimento humano é influenciado pelomodo de vida que cada pessoa adopta ao longo da sua vida,assim, como pelos factores do seu meio ambiente, peloscuidados de saúde a que tem acesso, por situaçõesintercorrentes de doença e pela constituição genética” (Diniz,in AAVV, 1997a:7).


Estudo Empírico no concelho de São Vicente (Madeira)(A. P. Catanho,2011)ObjetivoGeral• Averiguar os hábitos de vida dos seniores nãoinstitucionalizados no concelho de São Vicente.• Reconhecer os factores que motivam os idosos a permanecer nassuas residências;• Conhecer os seus hábitos e expetativas relativamente à ocupaçãoObjetivosEspecíficosde tempos livres;• Identificar as vantagens e/ou desvantagens da permanência dosidosos nas suas habitações;• Saber de que modo a permanência dos idosos nas suasresidências pode ser considerada “envelhecimento ativo”.


ResultadosFatores que motivam os idosos a permanecerem na sua residênciaRazões para permanecer naprópria residênciaQuerer pazMaior satisfaçãoQuerer ser livre eindependenteQuerer manter assuas rotinasGostar de viverna sua casa


Resultados:Vantagens em viver na sua própria casaVantagens em residir na própria casaValor absolutoSentir-se mais à vontade 2Sentir-se bem 1Conhecer os “cantos” da casa 1Gostar de estar na própria casa 2Ver a horta 1Ter liberdade para fazer o que quer 1Morar no mesmo sítio há muitos anos 1Ser independente 1Gostar de manter as rotinas 1Viver com a família 1Não ter de pagar renda 1Ter capacidade física para ficar em casa 1Cuidar dos animais 1


ResultadosOcupação de tempos livres : atividades de lazerGénero Masculino•ver televisão (16%)• conversar com os vizinhos (15%)• cuidar de plantas e dos animais(12%)•ler, passear, fazer a lida doméstica egostar de ouvir a rádio com 9% cada.•a agricultura e o cuidar dos netos(6%)•actividades manuais (3%).Género Feminino• ver televisão (21%)• conversar com os vizinhos (21% )• fazer a lida da casa (16%)• cuidar de plantas (11%)• cuidar de animais e ouvir a rádioobtiveram (5%)• 5% declara que não pratica nenhumaactividade de lazer. No entanto, é desalientar que o indivíduo em questãoencontra-se com 90 anos de idade.


ResultadosOcupação de tempos livres: atividades sociaisGénero Masculino• conversar com amigos e vizinhos(30%)• cuidar dos netos e ir à missa (21% )• participar em arraiais e festas dafreguesia e do concelho (14%)• participar em sessões culturais e noconvívio realizado no Centro Cívico(7%)Género Feminino• cuidar dos netos (26%)• conversar com amigos evizinhos (26%)• ir à missa (20% )• participar em arraiais e festasda freguesia e do concelho.(11%)• cuidar de um familiar doente eparticipar em festas familiares(7%)


ResultadosOcupação de tempos livres: atividades culturais20% justificou asua nãoparticipação:83% dos idososafirmou que nãoparticipa emactividades culturais17% dos inquiridosnão responderamà questão40% nãoindicaram oporquê da nãoparticipação emactividades culturais-falta de paciênciae de vontade;- doença;- falta de interesse ede hábito;- falta de actividadesculturais.


ResultadosExpetativas de ocupação de tempos livres (por género)Masculino/Feminino• gostariam derealizar outrasatividades (42%);• não existemoutrasactividades quegostassem depraticar (33%);• 25% dosinquiridos nãorespondeu a estaquestão.Homens• Viajar• Trabalhar maisna horta• Ir à serraMulheres• Trabalhar maisna horta• Bordar• Aprender inglês


ResultadosAtividades básicas e instrumentais da vida diária (por género)Masculino• Atividades básicas da vidadiária• 61% dos idosos encontramdificuldade em cortar asunhas• 5% em escovar os dentes.• mas• conseguem fazer a barbasem ajuda , por isso escovaros dentes não é umadificuldade mas uma falta dehábito. Além disso, quandoquestionados sobre asactividades básicas da vidadiária para as quais precisamde ajuda apenas foiassinalada a resposta cortaras unhas.Masculino• Atividadesinstrumentais da vidadiária• gerir o seu dinheiro e usaros meios de transportesão as únicas actividadesque 17% dos inquiridosafirmam conseguirrealizar sem ajuda.• preparar as refeições efazer a lida da casa sãoactividades praticadasapenas por 12% doshomens.Feminino• Atividades básicas da vidadiáriaExiste autonomia em todas astarefas à excepção de 10% queafirma encontrar dificuldadeem cortar as unhas.Atividades instrumentais davida diária21% declara que conseguesubir escadas sem ajuda17% é capaz de confeccionaras suas refeições bem comotomar os medicamentosApenas 8% das idosasafirmam que conseguem fazercompras sem necessitar deajuda.


ResultadosCaraterísiticas para usufruir de um envelhecimento ativoGénero MasculinoGénero Feminino• gozar de saúde;• poder passear/ ir à rua;• viver perto da família.•gozar de saúde;•ter autonomia física;•ter autonomia financeira .• consideram usufruir de umenvelhecimento ativo• consideram usufruir de umenvelhecimento ativo


ConclusõesOs seniores consideram usufruir de umenvelhecimento ativo porque são autónomos econseguem realizar as actividades básicas einstrumentais da vida diária.PORÉMos idosos não gozam de umenvelhecimento ativo, tal como éteoricamente conceptualizado, pois o termo“activo refere-se à participação contínua,nas questões sociais, económicas, culturaise cívicas, e não somente à capacidade deestar fisicamente activo ou de fazer parteda força de trabalho” (Plano Gerontológicoda RAM, 2009-2013: 66-67).


AtividadeEducativaMeio de prevenir o declínio prematurodo idoso, retardando a deterioração docorpo e da mente provocado peloavançar da idade. (Osório e Pinto,2007)LazerVivencia-se em tempo livre e tem umcaráter descomprometido, onde arecompensa, a satisfação pessoal e oprazer provêm da vivência da tarefadesempenhada. (Marcelino, 1998)Aumento daauto-imagemValorizaçãopessoalMaiorsociabilizaçãoEstímulointelectualEnriquecimentoculturalAumentar a qualidade e a fruição da vida.Envelhecimento bem sucedido.(Osório e Pinto, 2007)


CONSIDERAÇÕES GERAIS:A intervenção educativa com idosos deve incluir-se no quadro daeducação de adultos.IdosoSegregaçãoAdultoCategoria abrangenteÁreas de Intervenção do adulto = Áreas de Intervenção do idosoÁreas possíveis:Programas de desenvolvimento comunitário.Políticas educativas para adultos.Acções de solidariedade e cooperação social (voluntariado, grupos de auto-ajuda).Actividades educativas gerais ( participação cívica, recuperação de tradições populares).18


Tal como nos outros níveis de ensino, todas as intervenções devemobedecer ao princípio da individualidade pois cada idoso tem as suascapacidades, interesses e necessidades próprias. Mesmo em grupo,necessita de uma atenção particularizada.Embora constituam um conjunto heterogéneo, os idosos partilham traçosgeracionais.Objectivos da intervenção educativa na velhice:1. Prevenir declínios prematuros( consequência do envelhecimento)19


2. Proporcionar papéis significativosaos idosos, visando uma integraçãono seu contexto social.3. Desenvolver e potenciar odesenvolvimento pessoal dosidosos.AUMENTAR A QUALIDADE E A FRUIÇÃO DA VIDA20


1. Prevenir declínios prematurosOs estudos relacionam os níveis de educação com os de saúde.Porquê ?O treino do raciocínio, da memória, a exposição a ambientes de estimulação e a utilização de recursosculturais e educativos ao longo da vida reduzem o declínio intelectual.(Isto aplica-se para a doença deAlzheimer).Conclusões:O nível de educação formal está positivamente relacionado com a qualidade de vida, até mais do que aclasse social e os rendimentos.A educação é o elemento mais forte na previsão de um funcionamento mental sustentado e doenvelhecimento bem sucedido. (a utilização das funções neurológicas efectua a sua manutenção e permiteacentuar o potencial cognitivo).21


Vantagens da estimulação no idosoProporcionar actividade intelectual ( leitura, escrita ou outras actividades discursivas e lógicasque exercitem o desenvolvimento da linguagem e do pensamento ) ajuda à manutenção dosníveis de activação cerebral ou a recuperar e/ou compensar a perda de estimulação ambientalque ocorre com a reforma.A intervenção socioeducativana velhice contribui para queos idosos aumentem:Os níveis de auto-eficiência;A autoconfiança;A capacidade de resoluçãode problemas quotidianos;A racionalidade para enfrentara realidade.22

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