Sem título-4 - Visão Judaica

visaojudaica.com.br

Sem título-4 - Visão Judaica

2editorialVISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768O absurdo circo do presidente do Irãais uma vez estamos assistindoao circo absurdoque gira ao redor dopresidente do Irã, MahmudAhmadinejad. Pareceevidente que o falastrão de Teerãsabe usar com habilidade as acusaçõesque lhe fazem invariavelmenteem suas aparições públicas. Issoficou patente na visita que fez aosEstados Unidos, para falar na ONU,no Clube Nacional de Imprensa e naUniversidade de Columbia.Não obstante, suas freqüentesameaças de que Israel tem que serapagado do mapa, ou suas repetidasalegações colocando em dúvidao Holocausto prosseguem cinicamente,transformando-o, já háalgum tempo, num personagem perigosoda históriaatual, não somenteno que serefere ao Estadode Israel, mas,sobretudo o perigoque o Oriente Médio e a Europacorrem caso se concretize o poderque lhe possa dar uma bombaatômica, perigo esse que pode aindaestender-se a toda humanidade.O mundo, porém, permanece caladodiante das ameaças a Israel emantém silêncio ante os perigospotenciais que o controvertido personagemcria. O que nos faz recordarperíodos similares, não muitodistantes, de nossa história recente.O convite que recebeu Ahmadinejadpara falar na Universidade deColumbia, em Nova York, conformese tratou de justificar o fato, estariafundamentado na liberdade acadêmica,ou mais especificamente naliberdade de expressão, não faz maisque por em dúvida se esta é a verdadeiramaneira de encarar a utilizaçãodas ditas liberdades, ou senão resulta, melhor dizendo, numaforma grotesca e absurda de interpretá-las.Seria de perguntar se acasoa dita liberdade acadêmica, oumesmo a liberdade de expressãoexistem também no Irã...Colocar num pé de igualdade osdireitos de regimes obscuros, tirânicose atrasados como o do Irã,com os de muitos outros países democráticosdo mundo, é uma atitudeque revolta o cidadão comum,causando incredulidade e outros sentimentosmais que não devem deixarde ser expressos. A dúvida é comofazer para que a este tipo de ideologiassejam fechadas as portas domundo civilizado, antes que se lhesabram outras novas. Ou talvez, aoinvés de tratar de entender os funestosargumentos que as mesmastraduzem, organizar de uma vez portodas, a forma de combatê-las, antesque seja demasiado tarde...Contudo, se houve um ladoruim nesse convite, também aconteceualgo de bom. Lá, Ahmadinejadacostumado à imprensa euniversidades amordaçadas e controladasteve que ouvir em alto ebom som as palavras nem um poucoagradáveis — verdades muitobem ditas, diga-se de passagem —do presidente da Universidade deColumbia, encarregado de apresentaro presidente iraniano: “Você éum provocador descarado ou espantosamenteignorante”! O jornalVisão Judaica foi buscar a transcriçãodo texto do professor, e a falade Ahmadinejad, traduziu-as e ascondensou, extraindo o que de realinteresse há para os seus leitores,os quais poderão lê-las com exclusividadenas páginas desta edição.Com todas as críticas que alguémpode receber diante da manipulaçãotendenciosa da liberdade acadêmica,não deixam de ter grandedestaque as palavras pronunciadaspor Lee Bollinger que, além disso,observou que Ahmadinejad se comportacomo um “ditador insignificantee cruel”. Frases interessantespara serem repetidas em cada lugaronde ele se fizer presente.A RedaçãoPublicação mensal independente daEMPRESA JORNALÍSTICA VISÃOJUDAICA LTDA.Redação, Administração e Publicidadevisaojudaica@visaojudaica.com.brCuritiba • PR • BrasilFone/fax: 55 41 3018-8018Dir. de Operações e MarketingSHEILLA FIGLARZDir. Administrativa e FinanceiraHANA KLEINERDiretor de RedaçãoSZYJA B. LORBERPublicidadeDEBORAH FIGLARZArte e DiagramaçãoALEXANDRE VICTORINOSONIA OLESKOVICZWebmasterRAFFAEL FIGLARZColaboram nesta edição:Antonio Carlos Coelho, Anne Bayefsky,Aristide Brodeschi, Breno Lerner,Daniel Benjamin Barenbein, IsraelWinicki, Jane Bichmacher de Glasman,Nahum Sirotsky, Pilar Rahola, RachelEhrenfeld, Sara Schulman, SérgioFeldman, Sonia Bloomfield, Ted Feder,Walid Phares e Yossi GroisseoignVisão Judaica não tem responsabilidade sobreo conteúdo dos artigos, notas, opiniões oucomentários publicados, sejam de terceiros(mencionando a fonte) ou próprios e assinadospelos autores. O fato de publicá-los não indicaque o VJ esteja de acordo com algunsdos conceitos ou dos temas.Contém termos sagrados, por isso tratecom respeito esta publicação.www.visaojudaica.com.brEste jornal é um veículo independenteda Comunidade Israelita do ParanáNossa capaA capa reproduz a obra de arte cujo título é “Estudo”, elaborada com a técnica crayon conté edimensões de 46 x 32 cm, criação de Aristide Brodeschi. O autor nasceu em Bucareste, Romênia, éarquiteto e artista plástico, e vive em Curitiba desde 1978. Já desenvolveu trabalhos em váriastécnicas, dentre elas pintura, gravura e tapeçaria. Recebeu premiações por seus trabalhos no Brasile nos EUA. Suas obras estão espalhadas por vários países e tem no judaísmo, uma das principaisfontes de inspiração. É o autor das capas do jornal Visão Judaica. (Para conhecer mais sobre ele,visite o site www.brodeschi.com.br).Datas importantes20 de outubro Shabat / Lech Lechá27 de outubro Shabat / Vaierá3 de novembro Shabat / Chaiê Sará10 de novembro Shabat Toledot11 de novembro Rosh Chodesh17 de novembro Shabat VaietsêFalecimentosLea Schmidt, dia 26/9 (14 de Tishrei), sepultada em 28/9 noCemitério Israelita de Santa Cândida.Edda Bergmann, dia 27/9 (15 de Tishrei), sepultada em 30/9,em São Paulo, no Cemitério Israelita do Butantã. Edda Bergmannera uma grande ativista dos direitos humanos e líder comunitária.Presidiu a B’nai B’rith do Brasil e ultimamente ocupava o cargo device-presidente da B’nai B’rith. Leia mais sobre ela, que era tambémcolaboradora do Visão Judaica, na página 21 desta edição.Max Zugman, dia 7/10 (25 de Tishrei), em Curitiba, sepultadono dia 8/10 no Cemitério Israelita de Santa Cândida. Zugman eramédico psiquiatra.Humor judaicoUma questão de culturaUm casal judeu de Londres ganhou 20milhões de libras na Loteria e passou a viveruma vida de luxo. Após comprar uma magníficamansão em Knightsbridge e usufruir detoda a riqueza material imaginável, os doisdecidiram contratar um mordomo.Acharam um perfeito numa agência, muitoadequado e bem britânico, e o trouxerampara casa. No dia seguinte, o casal instruiuo mordomo a preparar a mesa de jantar paraquatro, pois convidaram os Cohens para almoçar,e depois os dois saíram de casa parafazer algumas compras.Quando retornaram encontraram a mesapreparada para oito. Eles perguntaram a razão,já que o tinham instruído especificamentea preparar a mesa apenas para quatro.O mordomo retrucou dizendo: “Os Cohenstelefonaram e disseram que trariam os Varenikese os Knishes”!** Nota: Varenikes e knishes são duas iguariasda cozinha judaica ashkenazi. O primeiro é umprato típico de pasteizinhos cozidos de queijoe o segundo um tipo de folhado recheado geralmentecom batata.Acendimento dasvelas em Curitibaoutubro/novembro 2007Véspera de ShabatDATAHORA26/10 19h092/11 19h1316/11 19h2323/11 19h29Nota: desde a meia-noite doDia 14/10/2007 estamos noHorário Brasileiro de Verão.Os presentes horáriosjá estão acrescidosde um hora.


VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768O dia em que chegou o Messias3Sérgio Feldman *vida judaica nos séculosXVI e XVII não foifácil. No mundo judeuibérico, ou sefaradi,acabara-se um longoconvívio e uma permanênciajudaica em Sefarad (PenínsulaIbérica) que hoje seria Espanhae Portugal.No final do século XV, em 1492,os judeus foram expulsos da Espanha(então reinos de Castela e Aragão)pelos Reis Católicos, Fernandoe Isabel. A Inquisição já havia sidoinstaurada e os cristãos novos, descendentesdos judeus convertidos àforça a partir de 1391, eram acusadosde seguir sendo judeus às escondidas,e por vezes eram sentenciadosa duras penas que podiamchegar à fogueira. Assim, quem optoupor ficar na Espanha (reinos ibéricos)como convertido, sofria o preconceitoe os riscos de ser acusado,julgado e sentenciado; já quem nãose convertera e emigrara, tinha perdidobens e a estabilidade, fugindopelo Mediterrâneo para rincões distantese tendo que recomeçar a vida.Em Portugal algo ainda mais trágicose deu: o rei Manuel não querendoperder “seus judeus” optou por expulsá-los,mas sem deixá-los sair, nãooferecendo navios. No porto de Lisboamesmo, os “judeus” foram batizados“em pé”. Conversão forçada.Milhares de judeus foram “violentados”,daí seu nome em hebraico:Anusim ou violentados.Na distante Polônia outra tragédiaocorrera. Os poloneses usavamos judeus para cobrar os impostosdos camponeses russos eucranianos, que viviam sob o domíniopolonês. Uma revolta estalaem 1648: bandos de cossacos serebelam contra os dominadores polonesese seus “cobradores” judeus.Os poloneses fogem na sua maioria,mas os judeus são massacrados aosmilhares. O líder cossaco foi o cruele sanguinário Bogdan Chmielnickique organizou uma chacina dos judeus.Fala-se de cerca de 250 a 500mil judeus exterminados, entre 1648e 1656. Mesmo que não haja consensonestes números, trata-se damaior chacina de judeus até o Holocaustoproduzido pelos nazistas.A memória judaica polonesa mantevedatas de luto e jejum por doisséculos. Os efeitos serão duradouros:pobreza, órfãos e viúvas, comunidadesinteiras arrasadas e milharesde judeus vendidos como escravosalem da terrível mortandade.O desconsolo e a falta de perspectivasacentuaram uma saída sobrenatural.Tanto os sefaradim (judeus deorigem ibérica), quanto os ashkenazim(judeus poloneses, especialmente)se viram diante de uma situaçãoinsuportável. Apelar paraD-us era a saída. O Messias deveriaestar em vias de chegar e resgatarseu povo humilhado e oprimido.O Messias veio. Seu nome era ShabetaiTzvi. Nascido em 1626, na cidadeturca de Esmirna, que na épocafazia parte do Império Turco ouOtomano. Tzvi era de origem sefaradi,de boa aparência e intelectualmentebem dotado. Estudou como agrande parte dos jovens judeus a Torá(Pentateuco), o Talmud e a Cabala.Seu mestre foi o rabino Iosef Ascupi,que era o líderespiritual dasua comunidadeem Esmirna. Sendosimpatizantedo grande sábioAri (ou rabi ItzchakLuria) deSafed, um místicoe profundoconhecedor dadoutrina cabalística,foi influenciadopor suasconcepções. Jejuavae meditavapor longos períodos.A solidão eramuito comum aeste jovem que sedivorciou de suaShabetai Tzviesposa e optou por uma vida de estudoe meditação relendo o Zohar einterpretando a Cabala do rabino Ari.Queria se integrar no processo da Redençãodivina e ajudar na vinda doMessias que redimiria o povo judeue a humanidade. Caia seguidamenteem estado de inconsciência ou emêxtase cabalístico.Em 1648 quando o violento esanguinário líder cossaco Chmielnickiiniciara suas matanças de judeus,este jovem judeu pronunciou o “inefávelNome de D-us”, ou seja, o Tetragramaque nas orações é substituídopor Adonai e nas falas por Hashem.Só o Sumo Sacerdote poderiapronunciá-lo em ocasiões especiaisno Templo. Isso só ocorreria quandoviesse o Messias. Um tumulto ocorreue não foi fácil de buscar um entendimento.Uns se entusiasmarame outros o acusaram de heresia e loucura.Ele jejuava e “mergulhava” emmeditação e êxtase. Seus seguidoreso exaltaram, mas o rabi Iosef Ascupie outros eruditos da sua cidadeo excomungaram.Shabetai não se melindrou e saindoda cidade, começou a sua “peregrinaçãoe desterro” que foramuma seqüência de visitas e pregaçõesnas cidades do Império Turco: Constantinopla,Cairo, Salônica e Jerusalém.Os judeus que haviam sidoexpulsos da “Espanha” viam nestemomento a esperada Redenção. Asnotícias do massacre dos judeus peloscossacos na Ucrânia e Polôniaacentuaram o clima espiritual. A vindado Messias se daria num contextode crise e de provações e isto nãoera diferente da realidade tanto dossefaradim, quanto dos ashkenazim.Multidões o seguiam. Alguns adeptossaíram de remotos lugares, venderamseus pertences e se lançaramao encontro do enviado. O sábio rabinoNatan de Gaza referendou a suacondição messiânica e aumentou seuprestígio. Chegou ao ponto de afirmarque o Messiasde Esmirna tirariao cetro do Sultãoe devolveria osjudeus a Jerusalém,onde reinariae traria um reinode paz e felicidade.Seu retorno aEsmirna foi glorioso.Aclamadopelos judeus entregritos entusiasmadose louvoresao “ReiMessias” e ao Libertador.As posturasdo pretensoMessias nãoeram de todo ortodoxas:permitia danças coletivasentre homens e mulheres e alternavamomentos de depressão e autoclausuracom momentos de euforiae pregação entusiasmada.Suas atitudes não eram condizentescom um homem santo.O autor Gershon Scholem, emsua obra “A Mística Judaica”, editadano Brasil pela Editora Perspectiva,traz um capítulo sobre o“sabatianismo” ou heresia de ShabetaiTzvi. Nele salienta o papelmarcante de Natan de Gaza na ‘definição’de Shabetai como Messiase na explicação de seus gestos ‘inadequadose até bizarros e sacrílegos’,como ações que reordenavamo caos do mundo, ou seja, de Tikun.O conceito de Tikun é complexo,mas de maneira simplificadaseria o ‘conserto do mundo’. Osgestos não ortodoxos do Messiasserviam para arrumar o Mundo eafastar o mal do Universo. Uma adequaçãode certos comportamentos‘não judaicos’ do “Pseudo Messias”para fazê-los aceitáveis e inteligíveis.Scholem admite a possibilidadede que Shabetai Tzvi fossemaníaco-depressivo, mas o afirmade maneira comedida. Faltam elementospara esta avaliação.A data era simbólica: 1666. Aprofecia que corria de “boca a boca”era de que nesta data ocorreria oconfronto de Shabetai com o Sultãoturco otomano. No inicio desteano um séqüito de seguidores acompanhouo Messias a Istambul, a capitalotomana. O Sultão não relutouem detê-los e isolar Shabetaina fortaleza de Abidos. Isso não fezesmorecer os seguidores. Marcavamvisitas e o consultavam: nada mudara,apesar de tudo.Eram as penúrias que antecediama grande transformação. Simpatizantesse dirigiam a Istambul, para tentarver Shabetai. O Messias estava‘doente’, mas logo se recuperaria efaria portentos e milagres. Nada faziaos seguidores desistirem de seusonho. O Jejum de Tishá Be Av (novedo mês de Av) no qual se recordavaa destruição dos dois templos foiabolido pelos seguidores, pois embreve seria reconstruído o Templo,na sua versão definitiva. A Redençãoestava próxima.Isso não se deu. Shabetai foi intimadoa se encontrar com o Sultão.Este lhe solicitou provas de seuspoderes. Não conseguiu e foi intimadoa se converter ao Islã ou serexecutado sumariamente. Shabetaiaceitou se converter e junto comele, o fizeram sua esposa Sara e muitosde seus discípulos. Ele foi nomeadoMehmet Efendi e ainda assim,nos meses seguintes, alegava aseus discípulos que sua conversãoseria uma parte das dores do Messias.Era algo que os judeus seferadimnão achavam estranho: os marranosibéricos que haviam sido convertidosà força nos reinos da atualEspanha (Castela e Aragão) seguiam“judaizando’, às escondidas,apesar da perseguição da Inquisição.A conversão forçada e o criptojudaísmoeram familiares aos judeusda região do Mediterrâneo.O Sultão, irritado, exilouMehemet Effendi (ShabetaiTzvi) para Dulcina, naatual Albânia. Ele viveuseus últimos anos isoladomas sempre alegando suacondição messiânica. Suamorte, em 1676, não extinguiuseu movimento. Osseguidores achavam que elerenasceria e reapareceria consumandoa redenção. Os rabinostiveram serias dificuldades na seqüênciados séculos XVII e XVIII,com os sabatianistas. Os nazistas aniquilaramvários núcleos de seguidoresque ainda existiam nos Bálcãs,durante o Holocausto. O escritor judeubrasileiro Moacyr Scliar fez umconto sobre a “Balada do falso Messias”,que transcorre em Quatro Irmãos(RS), nas colônias agrícolas judaicas.Um texto digno de um imortal da Academia.Busque e leia. Vale a pena.Sérgio Feldman* Sérgio Feldman édoutor em História pelaUFPR e professor deHistória Antiga e Medievalna Universidade Federal doEspírito Santo, em Vitória, eex-professor adjunto deHistória Antiga do Cursode História da UniversidadeTuiutido Paraná.


4VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768A noite dos poetas assassinadosJane Bichmacher de Glasman *Itzik Fefer, Albert Einstein e Solomon Mikhoels, em 1943ano é 1952, último ano davida de Stalin. O lugar, Rússia,União Soviética. O dia, 12de agosto. Mais especificamente,a noite de 12 para 13de agosto de 1952.Nesta data, cerca de 15 judeussoviéticos, incluindo os mais proeminentesescritores, poetas, e artistasjudeus russos de língua iídicheforam secretamente julgados e condenadospor crimes capitais, incluindotraição, espionagem e nacionalismoburguês.Eles eram visados devido à suaparticipação no Comitê AntifascistaJudaico e à sua resposta como judeusàs atrocidades nazistas no territóriosoviético ocupado.Nesta noite eles foram executadospor ordem de Josef Stalin, nocalabouço da infame prisão da praçaLubyanka em Moscou.Entre as vítimas estavam PeretzMarkish, David Bergelson, Itzik Fefer,Leib Kvitko, David Hofstein, BenjaminZuskin, Solomon Lozovsky,Boris Shimeliovich, Dovid BergelsonO primeiro-ministro da AutoridadeNacional Palestina (ANP),Salam Fayyad, disse que é um erroabrir negociações com o Movimentode Resistência Islâmica (Hamas),numa entrevista ao jornalitaliano La Repubblica.Fayyad considerou “um erro” aatitude de dirigentes como o primeiro-ministroitaliano, RomanoProdi, e o ministro de RelaçõesExteriores, Massino D’Alema. Osdois defenderam a necessidade dee Der Nister.A data é lembrada como a “noitedos poetas assassinados”.Seus escritos mostram pouco danostalgia ou devoção que vemos nasdescrições da cultura iídiche do pré-Holocausto. Todos eles - os poetasPeretz Markish, Dovid Hofshteyn, ItzikFefer, Leyb Kvitko e o novelistaDovid Bergelson - assistiram a Revoluçãosoviética em 1917. A maioriahavia se mudado do shtetl, das aldeiasda Pale, para Kiev e Moscou, em buscade liberdade intelectual e artísticano fervor do modernismo do princípiodo século XX. Todos apoiaram oestado comunista emergente.Ouvimos sua vibração na abertura dopoema 1 sem título de Markish:Eu não sei se eu estou em casaou desabrigado.Estou correndo, minha camisasem botões, sem limites, ninguémme segura, sem começo,sem fimmeu corpo é espumacheiro de ventoAgoraé meu nome.Seu sentido do futuro ecoa na estrofedo poema “Cidade” de Hofshteyn:Cidade!Eu cheguei em teu portono navio de minha solidão.O navio de minha solidão…Eu lavei suas velasnos ventos…Elas definharam e rasgaramnos comprimentos e nas largurasdo mundo.Eram férteis escritores. Após anosno exterior, em Berlim e na Palestina,de 1923 a 1926, Hofshteyn retornouà União Soviética e publicounumerosos volumes de poesia e traduções.Markish fundou o movimentoiídiche modernista conhecidocomo Khaliastre durante seus anos emVarsóvia. Após seu retorno à Rússia,foi-lhe concedido o Prêmio Lênin deLiteratura em 1939. Fefer editou osjornais em iídiche Prolit e Desafio etornou-se membro da União de EscritoresSoviéticos. Em 1943, viajouaos Estados Unidos com o ator SolomonMikhoels atraindo audiênciasmaciças em Nova York em apoio aotrabalho da liga Antifascista.Por que eles foram assassinados?Todos estavam relacionados aoComitê Antifascista Judaico, estabelecidoem 1942 pela União Soviéticapara atrair o apoio das comunidadesjudaicas dos Países Aliados naguerra contra Hitler. Com o fim daguerra, a organização já não era maisútil a seus propósitos. Stalin, comosoía fazer, virou-se contra seus líderes.Prendeu a maioria entre 1948 e1949, levou a julgamento em 1952– culminando com sua execução nanoite de 12 de agosto no porão daprisão Lubyanka.As mortes destas figuras centraisna literatura iídiche soviética representaramnovo golpe à cultura judaicajá devastada pelo Holocausto.Silenciaram o núcleo remanescentede intelectuais ativos politicamentee excluíram presumir que tal culturapudesse sobreviver na Rússiapós-guerra.É difícil para alguns de nós recordaragora o otimismo inicial inspiradopela revolução soviética. Tendemosa ter pouca simpatia pelosescritores que compuseram cantospara os trabalhadores ou para Stalin,como vários destes homens.Mas com isto nós nos esquecemosde nossas próprias vidas: comonos comprometemos para ganhar avida; como um ano se transforma5, em 10; como permanecemos emum trabalho ou em um relacionamentodemasiado longo, sem esperança,ou porque nós amamos.Primeiro-ministro palestino diz queé um erro dialogar com o Hamaster o Hamas como interlocutor paraconseguir a paz no Oriente Médio.“O diálogo tem que ser com apenasuma parte, que somos nós, oGoverno palestino legitimamenteeleito”, acrescentou.Fayyad foi nomeado há dois mesese meio chefe de um Governo provisório,substituindo o líder do Hamas,Ismail Haniyeh, após os confrontosque levaram à tomada do controlede Gaza pelos milicianos dogrupo fundamentalista islâmico.O primeiro-ministro palestinoacrescentou que, antes de começarqualquer tipo de diálogo, “o Hamastem que parar o que está fazendo acada dia em Gaza”, onde a “situaçãoé horrível”.“Que o diabo os carregue!”, exclamou,ao comentar o controle deGaza pelo Hamas. “Nós oferecemosuma alternativa, uma visão plenae de integração. Temos certeza deque Gaza será reintegrada à Cisjordânia”,previu.Esquecemos também das difíceisopções dos artistas judeus daquelaépoca, já estranhos às suas tradições,que não obstante criaram umlar, tentando realizar em alguma medidasua esperança. E esquecemos daruína gradual mas catastrófica forjadapor Stalin.Uma voz mais pungente para o quefoi perdido pode ser ouvida no clamorde Hofshteyn:Meu amor, meu amor puro!uma chamada a que sempre atenteimuda,carreguei-amil dias:acima da cabeça cinzenta de meupovo,para serum brilho jovem!Brilho desperdiçado: interrompido,silenciado e recordado como oque se torna tão distante...Honremos sua memória com algunsversos destes poetas.Como seu fim, profética e tragicamenteanunciado por Kvitko, em1919, em “Morte Russa”:Morte russaé toda a morte.Dor russaé toda a dor.Como está agora o coração do mundo?E a sua ferida purulenta?Pergunta a uma criança.Pergunta a uma criança judia.Nota:1 Os poemas foram traduzidos pelaautora deste artigo. Para ler maisdeles e sobre eles contate a mesma.* Jane Bichmacher de Glasman édoutora em Língua Hebraica,Literaturas e Cultura Judaica -USP,professora adjunta, fundadora e exdiretorado Programa de EstudosJudaicos - UERJ, escritora(janeglasman@terra.com.br).Sobre as negociações com Israel,Fayyad explicou que têm surgido“pequenas melhoras”. Mas hácoisas que a ANP não pode tolerar,“como os 600 postos de controleisraelenses no território palestino”,nos quais se percebe“toda a humilhação que o povosofre”, apontou. Porém ele nãomencionou o fato de que essespostos de controle existem porcausa dos seguidos atentados terroristas.(Yahoo notícias).


A polêmica desatada na ONUVISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 57685Anne Bayefsky *m informe recente dasNações Unidas plasma oanti-semitismo desenfreadoque tomou o controleda engrenagem dosdireitos humanos da ONU.Numa linguagem que recorda a Alemanhanazista, John Dugard, o “EnviadoEspecial para a situação dosdireitos humanos nos territórios palestinosocupados desde 1967” daONU anunciou que os judeus procurama dominação racial.Nas palavras de Dugard, “o exércitoisraelense causa danos corporaise mentais sérios aos palestinos.[...] Aos palestinos de todos os OPT[territórios palestinos ocupados] énegada a liberdade de movimento.Pode negar-se seriamente que o propósitode tal medida seja estabelecere conservar o domínio por partede um grupo racial (os judeus) sobreoutro grupo (os palestinos) eoprimi-los sistematicamente?”A missão de Dugard na ONU édemonizar Israel. As violações dosdireitos humanos cometidas porpalestinos foram omitidas deliberadamenteda descrição do cargoque ocupa, esboçado pela primeiravez pela Comissão de Direitos Humanosda ONU em 1993 e prolongadopelo “reformado” Conselho deMotoristas que trafegam pela BR 476em Curitiba – trecho que antes era BR116 - podem se surpreender ao encontrar,numa rodovia, obras de ciclovia,calçadas, passeios, canteiros de grama,pistas com três faixas de tráfego, meiofiose pavimentação nova. É que a antiga116, no trecho que corta a cidadede Curitiba, cada dia se parece menoscom uma rodovia.Desde 2003 o trecho fio delegadoa Curitiba e está sendo transformadonuma moderna avenida que iráabrigar o sexto corredor de transporteda capital paranaense. Na obra, aPrefeitura de Curitiba está investindoR$ 121 milhões, com financiamentoparcial do Banco Interamericanode Desenvolvimento (BID), num trechode 9,4 km, entre os bairros Pinheirinhoe Jardim Botânico.Iniciadas em janeiro deste ano, comprevisão de entrega para maio de 2008,as obras já mudaram o perfil da antigaBR. Em vários trechos há calçadas prontas,meio-fios, recuos, passeios em faixasde asfalto e até grama plantada,contrastando com as obras mais à frente,onde há terraplenagem e asfaltamento.A obra está sendo feita sembloqueio da BR por onde passam, pordia, em torno de 45 mil veículos.Direitos Humanos. Dugard, advogadode profissão, não somente aceitoua desequilibrada tarefa, comoaproveitou a oportunidade paraconverter-se, em nome dos direitoshumanos, em defensor de umasolução de um único estado.O que Dugard mais teme não é oterrorismo e o ódio que o alimenta,porém “a judaização”, a idéia de queum judeu viva em terras reclamadaspelos árabes. Copiando deliberadamenteo imaginário nazista, seu informealude à barreira de segurançade Israel desta maneira: “O Muro queestá sendo construído em Jerusalémé um instrumento de engenharia socialdesenhado para obter a judaizaçãode Jerusalém”.O problema da “judaização” aparecepé-ante-pé com este defensorna ONU do Governo do Hamas. SegundoDugard, Israel não tem nenhumdireito de congelar a transferênciade fundos ao Governo doHamas. O motivo? “Como era previsível,Israel justifica suas açõespor motivos de segurança, mas overdadeiro motivo parece ser a determinaçãopara provocar uma mudançade regime”. Uma olhada naCarta do Hamas ajuda a determinaro acertado numa mudança de regime:“Israel existirá e continuaráexistindo até que o islã o dobre.Não existe nenhuma solução paraA nova avenida – a maior obra emexecução no Paraná - atravessará dezbairros e o prefeito Beto Richa afirmaque ela vai integrar a cidade, reordenaro trânsito, permitir a implantaçãode novas linhas de ônibus, garantirmaior eficiência ao transporte coletivoe será indutora do desenvolvimento econômicoe social da região Sul, a de maiorcrescimento demográfico de Curitiba.“Esta é a maior intervenção urbana dasúltimas décadas em Curitiba”, observaRicha, acrescentando que, numa segundaetapa, a ser licitada, a avenida avançarámais 9 km, chegando ao bairroAtuba, no Norte da cidade.Novas pistas e estações – Com aLinha Verde o antigo trecho urbanoda BR desaparecerá para dar lugar aosexto trinário da cidade – sistema queune canaletas exclusivas de ônibus,pistas de acesso local e pistas marginaisde trânsito rápido e que tornouCuritiba referência internacional nosetor de transporte.A avenida terá ao longo do trechoum parque com 21 mil metros quadradose 1.600 árvores de 28 espécies nativas.O prefeito Beto Richa lembra quecom a Linha Verde não haverá mais BRpassando pelo meio da cidade.Richa destaca ainda que a Linhaa questão palestina que não passepela jihad”. Mas segundo este especialistada ONU, o problema nãoé um Governo dedicado a matarjudeus, porém os próprios judeus.O principal argumento destaavançadinha da ONU no anti-semitismomoderno é colocar no pelourinhoo judeu, qualificando-ocomo o racista supremo. Israel seriao equivalente perverso à Áfricado Sul do apartheid. Alude, defato ao apartheid em 24 ocasiõesao longo de seu informe, proclamandoque “as leis e práticas deIsrael nos OPT certamente se parecema certos aspectos do apartheid”.Como era de prever, omitemencionar que um quinto da populaçãode Israel é árabe — cidadãosque votam e têm representantesno parlamento israelense —enquanto os países árabes são Judenrein.E resulta que é Israel oestado do apartheid?A demostração definitiva de queDugard não é mais que um anti-semitafinanciado pela ONU é sua maneirade culpar o Estado judeu detodos os males do mundo:Durante anos, a ocupação daPalestina e o apartheid na Áfricado Sul chamaram a atenção da comunidadeinternacional. Em 1994,o apartheid chegou ao seu fim [...]os OPT se tornaram numa provaVerde permitirá a implantação de novaslinhas de ônibus, a primeira será aPinheirinho-Centro, que reduzirá em20% o tempo de viagem. As linhas donovo corredor de transporte vão reduzira demanda sobre o Eixo Sul – quepassa pelas avenidas Sete de Setembro,República Argentina e Winston Churchille atende 260 mil passageiros pordia. Será a opção para, no mínimo, 30%dos passageiros.Pelas estações do novo corredor detransporte também passarão ônibus quepara o Ocidente, uma prova parajulgar seu compromisso com osdireitos humanos. Se o Ocidenteexibe esta prova, a duras penaspode esperar-se que os países emdesenvolvimento se tomem gravesvioladores dos direitos humanosem seus próprios países.Desta forma, a ONU inverte obem e o mal. Por que deveria o Sudãodeter o genocídio? É precisoesperar que os judeus se arrependamde seu caráter judaico e que ocaráter judaico de Israel seja finalizado.Por que deveria o Zimbabwedeixar de assassinar e matar defome o seu próprio povo, branco enegro? Por que debe a China tolerara liberdade de expressão? Porque deveria a Arábia Saudita deixarque as mulheres saiam de casasem um homem ou ocupem qualquerassento dianteiro do carro? Porque deve o Egito deter a mutilaçãodos genitais da maior parte de suapopulação feminina casada? Se todosestão esperando uma soluçãopara o problema judeu!* Anne Bayefsky é professorauniversitária de legislaçãointernacional e voluntária da ONG“Eye On The ONU”, é conselheirasênior no Hudson Institute eprofessora adjunta da FaculdadeDireito da Columbia University.Fonte: El Telegrama, de MellilaCuritiba transforma BR 116 em avenidaPrefeitura investe R$ 121 milhões para implantar Linha Verde e novo corredor de transporteA antiga BR está desaparecendo para dar lugar a uma avenida de 9,4 km de extensão queacabará com a divisão da cidadehoje cruzam a BR, o que vai permitir aintegração – quando o passageiro trocade ônibus e faz outra rota, sem pagarnova passagem.As estações também vão funcionarcomo pontos de interligação de ruastransversais, que estão sendo reformadaspela Prefeitura e vão atravessar aavenida, ligando os bairros hoje separadospela BR que está desaparecendo.O trabalho se desenvolve de domingo adomingo, com quase 500 homens, 100máquinas e 150 caminhões.Anne Bayefsky


6VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768ReencarnaçãoVJ INDICAO preço da coragemjudaísmo acredita em reencarnação?Se sim, por quaismotivos uma alma reencarna?E se uma alma já tevevários corpos, com qual delesirá voltar quando Mashiachchegar? O mais recente? O que megarante que uma família irá reencontrartodos seus entes queridos,pois alguns deles já podem estarpertencendo à outra família!Resposta:Uma alma desce a este mundovindo de “sob o trono da glória” -um local muito mais elevado que oanjo mais elevado - para cumprirsua missão neste mundo físico. Estamissão é constituída tanto de umamissão geral - o cumprimento detodos os Mandamentos Divinos -como também de uma missão específicapara esta alma.Após o tempo que lhe foi designado,a alma retorna para serjulgada. Pode precisar purificar-seno Guehinom, mas ao final, estaráapta a colher sua recompensa temporária,que é vivenciar no GanÉden, o Mundo das Almas, a luzDivina que gerou com todas suasboas ações.Porém, em muitos casos a missãotoda da alma não foi completadanesta vida. Pode ainda existiralgum problema que necessiteTítulo Original: A Mighty HeartPaís de Origem: EUAGênero: DramaTempo de Duração: 100 minutosAno de Lançamento: 2007Estréia no Brasil: 26/10/2007Site Oficial: http://www.amightyheartmovie.comEstúdio/Distribuição: Paramount Pictures do BrasilDireção: Michael WinterbottomElencoDan Futterman (Daniel Pearl), Angelina Jolie (Mariane Pearl),Archie Panjabi (Asra Q. Nomani), Mohammed Afzal (Shabir), MushtaqKhan (motorista de taxi de Daniel),Daud Khan (Masud, o arranjador), Telal Saeed (Kaleem Yusuf), ArifKhan (motorista de táxi de Mariane), Tipu Taheer (diretor de DireitosHumanos), Amit Dhawan (supervisor técnico), Saira Khan (Nasrin),Aliya Khan (Kashva), Sarah Mone, Bushra Parwani e Zafar KarachiwalaFILMESinopseDrama baseado em fatos reais inspirados no livro de memória “A Mighty Heart: The Brave Life & Deathof My Husband Danny Pearl”, de Mariane Pearl, que viveu o terror de saber que o marido Danny Pearl,jornalista do Wall Street Journal, foi morto no Paquistão.de correção, herdado ou não deuma encarnação anterior. Portanto,aquele aspecto da alma queainda necessita ser completadodeve retornar. Por este motivo asalmas voltam uma e outra vez, atéque sua obra esteja completa.Este conceito é conhecido naCabalá como Guilgul.Em casos específicos (onde apessoa cometeu transgressões gravíssimas),esta terá somente trêschances de reencarnar (além daprimeira vida), para assim retificarsuas falhas. Se após estas trêschances ela não consegue esta retificação,a alma ficará errante eisolada neste mundo até reencarnarno reino animal, vegetal, mineralou às vezes até em criaturasespirituais negativas. Nesse estágiodoloroso, a alma não conseguesua elevação sem assistênciaexterna. Esta ajuda poderá ser tantointencional, através do estudoda Torá, recitação do Kadish,a prática de atos de bondade ecaridade em prol dela, ou mesmosem intenção. Por exemplo, àsvezes passamos por um certo local,tendo a chance de estudar láuma passagem da Torá ou recitaros Salmos, sem saber que na verdadehá algo neste local que estáaguardando nosso ato, às vezespor centenas de anos.Vale apenas ressaltar que um filho,ou até um amigo,pode fazer bempara uma alma querida,através dos atoslembrados acima, independentese a almaencontra-se em umasituação descrita acima,ou se está noMundo da Verdade.A regra acima(das três chances),não se aplica a umtsadic (justo). A suaalma poderá voltarmuitas vezes com amissão de retificar ageração.A maioria das almasde nossa geraçãosão retornantes, e somentepessoas especiaissabem exatamente qual é suamissão na vida.Uma das maneiras de saber qualé nossa missão específica, é simplesmenteobservando quais são osassuntos onde há mais obstáculose são mais difíceis de serem cumpridos.O Yêtser Hará (Má Inclinação)não se introduz em excesso nosassuntos que já foram retificados emvidas passadas, somente o necessáriopara a pessoa ter o livre arbítrio,porém na missão específica daalma nesta encarnação, há uma forteobjeção por parte do Yêtser Hará.Finalmente, todas asalmas receberão como recompensadefinitiva, oretorno aos seus corposneste mundo material - aRessurreição dos Mortos- após a vinda deMashiach (Messias). Entãotodos receberemos acompleta recompensa deexperimentar um mundoiluminado e belo que todosconstruímos com asoma de todas nossasboas ações.Sobre sua questãocom qual corpo a almavoltará?Cada pessoa, mesmoaquela cuja conduta nãofoi das melhores, inevitavelmentetambém temmuitos méritos. Portanto em cada descidae encarnação, consegue retificarvários aspectos da alma. Na Ressurreiçãodos Mortos, cada corpo voltará coma parte da alma que foi retificada.Você poderá perguntar: se este foro caso, existirão então corpos somentecom partes de alma, e não com aalma completa? Saiba que qualquer fraçãoda alma é composta de todas aspartes, e cada uma destas tem sua estruturaindependente, mesmo que aopertencer a uma alma matriz, seja consideradasomente um aspecto dela.(www.chabad.org.br).Caos em Gaza leva palestinosA querer a volta da ‘ocupação’Numa nota publicada no jornalHaaretz, o conhecido jornalista e especialistaem temas palestinos Abi Isacharof,conta em detalhes as lutas internaspalestinas que estão ferindo opovo palestino nos últimos meses.São vários os grupos que disputamo controle da Faixa de Gaza. A rivalidadeentre o Fatah e o Hamas é umadelas, mas há também outros gruposcriminosos que disputam as ruas, ocontrole dos negócios como a prostituição,o comércio de drogas e outrosaspectos da vida dos palestinos.Dezenas de cafés com internet foramincendiados nos últimos meses.Cresce dia-a-dia o número de cidadãosque andam armados nas ruas, algunsdeles com granadas.Os habitantes de Gaza queixam-seda falta de segurança e de uma forçaque ponha ordem no caos que reinano território controlado unicamentepelos palestinos.Segundo cita a nota, uma organizaçãode direitos humanos com baseem Ramallah, assegura que desde oinício deste ano morreram em lutasinternas 63 palestinos e outros 400ficaram feridos.Isacharof cita um jornalista palestinode quem não dá o nome por razõesde segurança, que diz: “Há hoje emdia duas possibilidades que surgem destasituação: que apareça alguém forte quenão se importe de enfrentar os bandoscriminosos, ou a ocupação israelense”.“Muitas pessoas na Faixa de Gaza têmesperança de que Israel a conquiste denovo, já que no tempo da ocupação estetipo de coisas não aconteciam”.Além disso, alguns milhares de palestinostrabalhavam nos campos de cultivo dosisraelenses em Gaza antes que fosse desalojadade judeus pelo governo de Sharon.“Em Gaza não há lei. Ninguém fala daspossibilidades de abanicos nas negociaçõescom Israel ou sobre a libertação deprisioneiros. Todos se perguntam quemmatou quem e como foi”.Isacharof culmina dizendo no fecho desua nota: “Na situação econômica difícilque vive a Faixa, não poucos palestinosprocuram disparar foguetes Kassam sobreIsrael, não por um cálculo ideológico; ochefe de uma unidade de lançadores defoguetes recebe das organizações terroristascerca de 5.000 dólares... Um membroda unidade recebe algumas centenasde dólares, a ‘armadilha’ econômica é incrível.Aos que disparam pouco lhes importase o foguete conseguiu acertar oalvo ou não. O que lhes importa mais éretorne a ocupação israelense.


Casa Hai, uma ONG judaica quesignifica vida, completa cinco anosada vida é um mundo” eportanto salvar uma vidaequivale a salvar o mundo!!É com este singelopensamento que a Abihai– Associação Beneficente IsraelitaHai, criada em 2001, inaugurou, umano mais tarde, sua Casa Hai (queem hebraico significa vida). A ONGjudaica, idealizada e constituída basicamentepela benemérita famíliaZugman, tem como objetivo amparara pessoa humana em geral (e emespecial a criança) criando condiçõespara sua promoção e desenvolvimentosocial.A Casa Hai funciona como umlar substituto integral e temporáriocom capacidade para atenderentre 8 e 12 crianças, com prioridadepara grupos de irmãos, de 2 a6 anos (mas excepcionalmente commenos idade ainda), que tenhamsido vitimadas ou abandonadas porsuas famílias biológicas. As criançassão encaminhadas através doJuizado da Infância e Juventude,Conselhos Tutelares e Serviço deAtendimento ao Vitimizado.Os cinco anos da Casa Hai foramcomemorados com uma grande festano Centro Israelita do Paraná nodomingo, 30/9, cujo auditório estevecompletamente lotado. A platéiaassistiu a um vídeo e algumasexplicações a respeito, e depois aum peça de teatro interpretada pelapróprias crianças da instituição judaicaque promove benefícios forada comunidade. Depois dos discursose homenagens, como ao casalYara e Chen Tso Lin, que além de adotaruma menina da casa Hai,auxiliam a instituição. Houve aindaum almoço para os convidados, e ascrianças se divertiram a valer com asbrincadeiras e a pintura no chão.A Casa Hai, idealizada por SaulZugman, e que tem como presidentesua esposa, Sara Zugman, coordenadoraNoêmia Zugman, orientadoraa psicológica Telma Zugman, ea ajuda dos irmãos Fani e Ari Zugman,envolve ainda praticamentetoda a família Zugman, procura resgataro ambiente familiar, oferecendoa oportunidade de uma convivênciaafetiva com respeito e confiança.Mas também conta com aajuda muito importante de instituiçõesnão judaicas, como a Igreja doEvangelho Quadrangular da ÁguaVerde. Em situações em que a determinaçãojudicial define a adoção,a meta é proporcionar à criançacuidados, tempo e espaço parao preparo psíquico necessário.A Abihai fundamenta seu trabalhono Estatuto da Criança e doAdolescente e possui parceiras coma Fundação de Ação Social da Prefeiturade Curitiba, o Juizado daInfância e Juventude, e o SistemaFecomercio (Sesc e Senac). Seus recursossão provenientes de contribuiçõesde associados e através deuma rede de voluntários amigos, ascriança recebem assistência médica,odontológica, psicológica, pedagógica,recreativa e outras essenciaispara o desenvolvimento einclusão social.Um projeto que corre paralelamenteé o “Costurando Vida”. Quandouma família fragilizada se encontrasem condições de prover os seusmembros ela precisa de oportunidades.Em conjunto com os parceirosda Abihai foi desenvolvido entãoo projeto “Costurando Vida”,para promover a capacitação profissionaldos adultos da família, favorecendoa geração de renda e arecuperação da auto-estima.VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768Duas irmãs atendidaspela instituição judaicavivem num ambienteseguro com toda aassistência médica,odontológica,psicológica, pedagógicae recreativaNoêmia Zugman,coordenadora CasaHai fala durante ascomemorações doquinto aniversárioda instituiçãoUma dasbrincadeiras maisapreciadas: apintura no chãoAs criançasatendidas pelaONG seapresentamdurante o eventocomemorativo aoaniversário doscinco anos daCasa Hai7Público composto de judeus e não-judeus que colaboram com a Casa Hai lotaramo auditório do CIP


8VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768* Daniel Benjamin Barenbeiné jornalista, trabalha no site decombate a distorção na imprensa,“De Olho na Mídia”(www.deolhonamidia.org.br). Écoordenador do movimento juvenilBetar de SP e exerce voluntariamentecargos de Hasbará na OrganizaçãoSionista de São Paulo, Espaço K eAish Brasil, e orador nas sinagogasBeit Menachem e Kehilat AchimTiferet. É sheliach da comunidade deBelém do Pará. Possui um livropublicado na internet sobreneonazismo digital:www.varsovia.jor.brDaniel Benjamin Barenbein *melhor expressão para definireste fenômeno é o queusou a esposa de um amigomeu não-judeu quandoconversávamos em um encontrode ex-colegas de faculdade:“parece que esta praganão morre”.Não, não morre. Ela vive. Se transmuta,adquire novas formas,e às vezes volta nasantigas e clássicasAo completar-se mais um ano doatentado terrorista contra a Amia, oCentro Simon Wiesenthal repudiou oconteúdo do informe “O processo Amiado início até a atualidade”, publicadono website em espanhol da agenciaestatal de noticias do Irã, a Irna. Odocumento apresenta a versão iranianasobre as responsabilidades noatentado terrorista que teve lugar emBuenos Aires, em 18/7/1994 e que resultouna morte de 85 pessoas.Neonazismo: aqui e em Israel“A linguagem e o conteúdo desteinforme apresentam uma visão conspiratóriaque remete diretamente aosinfames ‘Protocolos dos Sábios deSião’, o libelo anti-semita que descreveum suposto plano judaico paradominar o mundo e que desde suapublicação em 1905 tornou-se a Bíbliado anti-semitismo contemporâneo”,assinalou Shimon Samuels, diretorde Relações Internacionais doCentro Wiesenthal.Para exemplo ilustrativo, o Centrodestacou os seguintes pontos doinforme:— “Os acontecimentos posterioresreferentes ao caso Amia (…) demonstra(m) em seu conjunto a existênciade uma conspiração premeditada na qualse divisa o papel do sionismo internacionale seus agentes argentinos”.— “O governo argentino enfrentavaa (…) presunção de que alguns altosmembros do governo e a judiciáriotivessem falsificado totalmente provasa favor dos sionistas”.— “Depois da viagem de NéstorKirchner, atual presidente da Argentina,aos Estados Unidos e seu encontrocom 12 grupos e associações judaicasnorte-americanas em 2003, ele,que teve muito em conta as observaçõesdo governo argentino para conseguirajuda financeira, comprometeusea fechar o expediente segundo ogosto dos sionistas”.— “Em vista disso, deu força àsuspeita de que as explosões fossemna realidade uma trama premeditadana qual participariam alguns responsáveispelo governo e do judiciário daArgentina, em concomitância com osforos sionistas”.— “Entre os grupos que estão fazendoum prosseguimento do caso encontram-se(…) o Centro de Estudosmesmo.Nos últimosanos vimos adoença infestaro islami s m ocriandoaté o termoislamofascismo.Sempre omesmo, sóque com roupagemdiferente:em vez deuma raça, uma religiãosuperior, umaluta contra os valoresocidentais, contra a moral e a consciência,e uma cruzada e guerra mundialque não vê inocentes, não contavítimas e que tudo pode, de homens-bombaa mísseis, passando poraviões-camicases.Mas como se não bastasse jános dar esta tremenda dor de cabeçaneste upgrade, o neonazismoresolveu adaptar a sua versão clássicaaos tempos modernos: seja osneonazistas do time gaúcho doGrêmio, a Frank Weltner e seuodioso site Jew Watch (Vigiando osJudeus), que desastrosamente estáentre os primeiros no site de procuraGoogle, quando se digita apalavra “Jew” (uma das formas inglesasde se escrever judeu). Justamentepara tentar reverter estequadro, é que o De Olho Na Mídiaestá com uma petição em seu site,pedindo que o Google procure reverteresta situação.Porém, uma coisa tínhamos comocerteza absoluta. Temos um portoseguro. Um lugar onde isto não nosatinge: Israel. Agora, nem mais issotemos. Por incrível e absurdo quepossa parecer, os neonazistas atacamagora também no Estado judeu.Como isso foi possível? Muito simples.Por conta de uma lei que é bonitana teoria, mas cheia de buracosna prática. Ao definir que até netosde judeus foram considerados pertencentesà “raça” e mortos por Hitler,I’S”, portanto, deveriam ser assimconsiderados para serem salvospelo Estado judeu, uma encrenca dotamanho do mundo foi criada.Começando pelo fato de que entraem choque direto com a definiçãoreligiosa judaica de quem pertencea este povo. Nenhuma linhaou corrente religiosa aceita este padrão.Para o judaísmo, judeu é aqueleque nasce filho de uma mãe judia oupassa por um processo de conversão.Segundo e mais importante emnosso caso: boa parte destas pessoasnão tem vínculo algum com o judaísmo,interesse algum em ser vistocomo judeu, já perderam qualquerconexão com a religião.Porque vieram então? No casomais grave de falha da “lei do retorno”,centenas de milhares de russosnão-judeus entraram em Israel paraescapar da miséria russa e receberbenefícios no novo país, as vezes paraisso até forjando documentos e/ouconversões ao judaísmo.Com isto, além de trazerem drogas,prostituição, máfia, crimes,entre outras coisas que poderíamosmencionar, e não se enquadraremcomo judeus (dos cerca de 1,2 milhõesde imigrantes russos, cercade 300.000 não se consideramabertamente judeus, bairros cristãosinteiros se vêem nas regiõesem que vivem russos e etc.), tambémconseguiram a proeza de importarneonazismo.Mas a culpa é nossa, não deles.Eles fizeram o seu papel. Nós deixamosisso acontecer e contrariamosmais uma vez uma lei da Torá, achandoque poderíamos contar uma “coisinhaaqui e ali”, e estamos pagandoum preço muito alto por isso.O neonazismo em todas as suasformas. Para completar, estupefatohoje leio que o presidente norteamericanoGeorge Bush disse quenão vai apoiar a lei que tramita noCongresso para reconhecer o genocídioperpetrado pelos turcos contraos armênios no começo do séculopara não desagradar os aliadosturcos no Oriente Médio. Quetriste dia este. Em que por fatorespolíticos, por interesses momentâneos,por alinhamentos e convenções,se está disposto a fazer revisãoda história. E quem nega umgenocídio, pode negar todos, inclusiveo Holocausto.A sombra do mal está a espreita,cada vez avançando mais e mais eencobrindo a luz da bondade e dafraternidade. Vamos ficar de braçoscruzados ou vamos agir? A decisãocomeça com você leitor. Uma pessoaé um mundo. E o mundo está emperigo. Você e só você pode salválo.Haja, antes que seja tarde demais.Atentado à AmiaO Irã usa os ‘Protocolos’ para encobrir a verdadeJurídicos e Sociais [numa aparente alusãoao Centro de Estudos Legais e Sociais– CELS], que é uma instituição influentesionista”. Mais adiante, descrevea Memória Ativa como “a ONG judaicacom sede nos EUA”.— “Deve-se ter presente que o governoargentino tem uma capacidadelimitada para resistir aos lobbyes (sic)sionistas”.“O informe pega alguns dadosreais isolados para realizar uma construçãoretórica e propagandísticaorientada para o encobrimento. Odespacho do promotor Alberto Nismanassinala responsabilidades muitoclaras por parte de ex-membrosdo governo do Irã e da cúpula doHezbolá na realização do atentadocontra a Amia”, acrescentou SérgioWidder, representante para a AméricaLatina do Centro Wiesenthal.“Neste novo aniversário do atentadocontra a Amia, formulamos um chamamentopara que se redobrem os esforçosinternacionais para que os responsáveisdesse ataque sejam levadosà Justiça e para que Irã e o Hezboláprestem contas diante dos tribunais porsuas atividades terroristas. Trata-se deuma dívida pendente com as vítimas,com seus familiares, com a sociedadeargentina e com a comunidade internacional”,concluiu.


VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768Inquisição à mesa9*Breno Lerner éeditor e gourmand,especializado emculinária judaica.Escreve pararevistas, sites ejornais. Dáregularmentecursos eworkshops. Temtrês livrospublicados, doisdeles sobreculinária judaica.Breno Lerner *Em poucos momentos da históriada humanidade, a comida teve tantodestaque como no final da Idade Média.Por um lado, o mundo era vasculhadoa procura de especiarias e temperos,por outro, logo após as grandesdescobertas, a malfadada Inquisiçãoutilizava os hábitos culináriosdo cidadão como forma de denúnciade suas convicções religiosas.Joana Fernade, de Mathoim – Bahiafoi denunciada , em 1560, por suamucama, por “fritar cebolas em óleo edepois jogá-las numa panela com carnepara todos comerem. Foi retornada aPortugal...” (Denunciações 25 pg. 261)Nesta época, uma cozinha quaseúnica, uniu as velhas receitas dospaíses do Oriente, com as novas técnicase temperos desenvolvidos e descobertospelas, então, duas grandespotências da terra.O arroz, laranjas, alcachofras,amêndoas, açafrão, alcarávia, alcaparrasentre outros, passaram a fazer partedos cardápios ibéricos.Novos pratos como o bolinho decarne (albóndigas ou yullica), o cozido(dáfina), conservas em açúcar (almíbar)ou em álcool, são frutos destaunião de técnicas e temperos.Dentre estes, de especial interesseaos brasileiros, está o cozido.Tradicional comida do Shabat, porser preparado de véspera, este pratosefaradi acabou influenciando e sendotransformado em pratos tradicionaisde cozinha italiana (bollito), espanhola(olla podrida, puchero, fabada)e portuguesa (cozido misto).Segundo Câmara Cascudo, em sua‘História da Alimentação no Brasil’, anossa feijoada é descendente direta docozido português, ao contrário do queafirmam alguns historiadores, que definemsua origem no aproveitamentodas partes menos nobres do porco pelosescravos, misturando-os com feijão.Uma tese da Escola de El Molino,o centro de pesquisa culinária de Granada,inclusive afirma que a dáfinacomeçou a ser preparada com porcopelos marranos, que faziam questãode mostrar sua aderência aos hábitosde sua nova religião.Nesta sociedade em ebulição, osjudeus de uma hora para outra, tiveramde adaptar e modificar seus hábitos,principalmente culinários, parafugir dos delatores e inquisidores.Uma das filhas de Manoel Fernandes,no Pernambuco, delatou suamadrasta, Clara, por ”comer frangofrio em fatias coberto por óleo aossábados...” (Primeiras Visitações,pg. 260/61)Recomendações quanto ao que comemas pessoas, se lavam e tiram aGravura britânica, publicada em Londres em 1756. O rei português, D. José I, frente a umaLisboa em ruínas, pergunta a um padre anglicano quais as causas do terramoto; osacerdote protestante mostra-lhe um “auto-da-fé”, dizendo que “queimar pessoas provocaa ira divina”. (Jan Kozak Collection, Universidade de Berkeley, Califórnia)(Fonte: Ruada Judiaria)gordura da carne e o nervo ciático,se evitam o porco, o coelho, mariscos,se comem ovos cozidos em velórios,se evitam principalmente alingüiça, eram feitas, ao povo, aosdelatores e inspetores.Uma das invenções dos entãocriptojudeus resultou na tradicionalalheira portuguesa. Para fingir quecomiam lingüiça, criaram um recheioque levava miolo de pão, alho eschmaltz (gordura de galinha), queera então preparado e comido comolingüiça. A alheira incorporou-se definitivamenteao cardápio lusitano,sendo considerada hoje, um dos pratostípicos de Portugal.O Pêssach tornou-se um pesadelopara os judeus e criptojudeus.Seguir todas as recomendaçõessobre a limpeza da casa e proibiçãode fermentados era praticamenteVJ INDICAHomem comumPhilip Roth – Companhia das LetrasLIVROautorevelar-se.Um curioso, embora triste, hábito,era coletar o chametz em casa,colocá-lo em um bolso com um furoe, disfarçadamente, deixá-lo escorrerpelas ruas.Datam desta época inúmeras receitasde como preparar o matzáem casa, o que normalmente erafeito à noite, nos porões.Um estudo feito pela historiadoraLinda Davidson revela que em47% das delações feitas para a Inquisiçãoportuguesa estava envolvidoum hábito culinário.Uma escrava denunciou Maria deLuna de Almazan (México) em 1505porque “ela me mandou assar seisou sete pães sem fermento e depoisserviu-os a alguns convidados...”(Carrondo/Conde, pág. 92)Andrés Bernardez, o assim chamadocapelão do Inquisidor Geral,recomendava em um de seus escritos:“Existe uma forma judaica decozinhar e comer, a que todos devemosestar atentos. Eles preparamseus pratos, principalmente a carne,com muito alho e cebola, fritando-osao invés de assá-los ouutilizar a banha de porco”.Uma outra conseqüência deInquisição foi que, os judeus, emsua permanente fuga, acabaramespalhando os produtos descobertose trazidos do Novo Mundo portoda a Europa e parte da África.Assim, o tomate, a pimentachili, a batata, o milho, o feijão ea abóbora espalharam-se mundoafora levados, mais uma vez, pelosjudeus. Como conseqüência,alguns pratos clássicos acabaramsurgindo nos guetos e judiarias:bolos de chocolate, cremes de baunilha,molhos de tomate e abóboraforam alguns deles que, emborasem definitiva comprovaçãohistórica, tornaram-se conhecidosa partir desta época.Mais uma vez, o povo judeucumpriu sua sina de, a partir deuma desgraça, espalhar aos quatrocantos cultura (gastronômicaque seja...) e novos hábitos.Parece-me que desde o cativeirodo Egito, este povo nãotem feito outra coisa que nãoseja carregar suas convicções,crenças e cultura de um cantopara outro do mundo.No último meio século, conseguimosum lugar para depositartoda esta carga e criar (ou recriar)uma grande nação. Agora,só falta um pouco de paz...Numa narrativa direta, íntima e ao mesmo tempo universal, Philip Roth explora o tema daperda, do arrependimento e do estoicismo. O autor de Complô contra a América, querelatava o encontro angustiante de uma família com a história, agora volta sua atençãopara a luta de um homem contra a mortalidade, conflito que dura sua vida inteira.Acompanhamos o destino do homem comum de Roth a partir de seu primeiro confronto coma morte, nas praias idílicas dos verões da infância, passando pelos conflitos familiares e pelasrealizações profissionais da idade adulta, até a velhice, quando ele fica dilacerado ao constatara deterioração de seus contemporâneos e dele próprio, atormentado por uma série de males físicos.Artista comercial de sucesso, trabalhando numa agência publicitária em Nova York, ele tem dois filhos do primeiro casamento,que o desprezam, e uma filha do segundo casamento, que o adora. É amado pelo irmão, um homem bom cuja saúde perfeitatermina por despertar sua inveja rancorosa, e é também o ex-marido solitário de três mulheres muito diferentes, tendo elepróprio destroçado os três casamentos. No final, é um homem que se transformou naquilo que não quer ser.


10Ahmadinejad naUniversidade deColumbia, usando nopescoço o lençopalestinoVISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768ColumbiaO que Ahmadinejad ouviu e não gostou,mas muita gente vibrou na universidadeuando o presidente do Irã,Mahmoud Ahmadinejad foifalar na Universidade deColumbia, a convite do suplentedecano, John Coatsworth,da Escola de AssuntosPúblicos e Internacionais, daquelauniversidade de Nova York, no início datarde do dia 24 de setembro de 2007,estava muito satisfeito. Afinal, haviasido convidado para falar num país queconsidera um arquiinimigo, na ONU, noClube Nacional de Imprensa e até numadas mais importantes universidades domundo. Acostumado a dizer o que pensa,muitas vezes grosseiras ameaçasnão ouvidas desde Hitler, e mentiras arespeito dos judeus e de Israel, outrasvezes alucinações messiânicas — julga-seum predestinado em sua religião,o islamismo — em reinstituir o GrandeCalifado, o pequeno ditador de Teerã,ouviu o que não quis, e certamente nãogostou nada do que ouviu num territóriodemocrático. O autor da façanha foio corajoso Lee Bollinger, presidente daUniversidade de Columbia.Nervoso, mas tentando aparentar calmo,Ahmadinejad teve seus comentáriostraduzidos por intérprete, não respondeudiretamente a nada do que foi acusado.Negou tudo o que lhe foi dito, usou detodos os subterfúgios possíveis, fugiusempre pela tangente, mas mesmo assimuma parte da imprensa esquerdistadisse que ele se saíra bem. Reproduzimosaqui somente alguns dos trechos datranscrição original do texto que possuimais de 15 páginas, especialmente a parteem que Lee Bollinger, o presidente daColumbia o critica e o desafia a responderaos seus questionamentos. É de lavaralma ler as palavras de Bollinger quesoaram como uma chibata no lombo dotiranete do Irã, que a cada pronunciamentoameaçador contra Israel e os judeus,não ouve nenhum líder político, paísou organismo internacional censurá-lo,numa atitude de consentimento, o que otem levado repetir seus ataques, uma eoutra vez, impunemente.Bollinger, depois de começar agradecendoa todos os que possibilitaram eorganizaram o evento, disse que seupapel é o de treinar futuros líderes, eque tem um enorme trabalho a cumprir,que é o de ajudar a melhor entender acomplexa geopolítica atual. Antes defalar diretamente com o presidente doIrã, abordou alguns pontos, enfatizandoo Foro de Líderes Mundiais de 2003, umatradição há muito existente na Columbia,de servir como um foro principal paraum debate, especialmente em assuntosglobais. “Nunca se deveria pensar quesomente escutar idéias de qualquer tiposignificasse nosso endosso dessas idéiasou nossa fraqueza em resistir a essasidéias, ou ainda nossa ingenuidade sobreos reais perigos que tais idéias representem.Isso é lamentável”, observou.Aos que acreditam que este eventonunca deveria ter acontecido, que é imprópriopara uma universidade, querodizer que entendo sua perspectiva e respeitoisto como sendo razoável. Porém,também desejo dizer que é a coisa certaa fazer, são normas da liberdade de expressãoouvir os outros, normas seguidaspela Universidade Columbia.Quero ainda deixar claro que esteevento não tem nada a ver com qualquerdireito do orador, mas só com nossodireito escutar e falar. Fazemos istopara nós mesmos. E fazemos na tradiçãoda franqueza que definiu esta nação.Precisamos entender o mundo emque vivemos. Precisamos ter a coragemde confrontar a mente do mal, e preparar-separa agir com o temperamentocerto. No momento, os argumentosda liberdade de expressão parecerãonunca equivaler o potencial dos argumentoscontrários. Não podemos nosretirar de compromissos cujas idéias repugnamosou tememos. Nisto reside amente do gênio do ideal americano daliberdade de expressão. Nas universidadesnós temos o compromisso profundoe quase determinado de procurara verdade. Não temos acesso às alavancasde poder, não podemos fazerguerra ou paz, nós só podemos formarmentes, para fazer isto temos que tera maior liberdade de pensamento, expressãoe pesquisa.Agora, volto-me ao Sr. Ahmadinejad.Primeiro, sobre a repressão brutalaos estudantes, jornalistas e defensoresdos direitos humanos. Seu governolibertou durante nas últimas duas semanas,a dra. Haleh Esfandiari e ParnazAzima, e há dois dias atrás, KianTajbakhsh, um diplomado em Columbiacom um PhD em Planejamento Urbano.Mas o dr. Tajbakhsh permanece em Teerãem prisão domiciliar, e ele ainda nãosabe se será acusado de um crime oulhe será permitido deixar o país.Deixe-me dizer isto para registro.Apelo ao presidente que assegure queKian possa livremente viajar para forado Irã como ele deseja. (Aplausos). Tambémquero informar que estamos estendendoum convite a Kian para quese junte à nossa faculdade como professorvisitante em Planejamento Urbanoaqui em seu alma mater na EscolaSuperior de Arquitetura, Planejamentoe Preservação, e nós esperamos que elepossa unir-se a nós no semestre quevem. (Aplausos).A apreensão e prisão destes americanosiranianos sem nenhuma boa razão,não só é injustificada, como correcompletamente contra os mesmos valoresque permitem ao orador de hojevir aqui neste campus. Mas, pelo menoseles estão vivos.De acordo com Anistia Internacional210 pessoas foram executadas aolongo deste ano até agora no Irã, 21delas só na manhã de 5 de setembro.Este total inclui duas crianças, e atéprova em contrário, como afirma o HumanRights Watch (Organização Internacionalde Direitos Humanos), o Irã liderano mundo a execução de crianças.Há mais. O Irã enforcou mais de 30pessoas entre julho e agosto durante umarepressão contra a criação de uma sociedademais democrática. Muitas destasexecuções foram levadas a cabo às vistado público, em flagrante violação da ConvençãoInternacional de Direitos Civis ePolíticos da qual o Irã faz parte. Essasexecuções, e outras, coincidiram comuma perseguição aos ativistas estudantese acadêmicos, acusados de tentarfomentar uma chamada revolução-soft.Houve encarceramento de estudantes eacadêmicos foram forçados a se aposentar.Como a dra. Esfandiari disse então,numa entrevista divulgada após sualibertação, ela ficou presa numa solitáriadurante 105 dias porque o governoacredita que os EUA estejam planejandouma revolução de veludo no Irã.No ano passado aprendemos algosobre as revoluções de veludo, por VaclavHavel nesta mesma sala, e ouviremosprovavelmente o mesmo da nossaoradora no Foro de Líderes Mundiais hojeà noite, a presidente Michelle Bachelet,do Chile. Ambos, por suas extraordináriashistórias, nos lembram que nãoexistem suficientes prisões para deteruma sociedade inteira que quer a liberdadede alcançá-la.Nesta universidade não fomos tímidosem protestar e desafiar — e o desafioaos fracassos do nosso próprio governopara viver pelos nossos valores, e nósnão seremos tímidos em criticar o seu(referindo-se a Ahmadinejad). Então, sejamos,no princípio, bem claros. SenhorPresidente. Você exibe todos os sinais deum ditador insignificante e cruel. Sendoassim, eu pergunto — (aplausos) — eulhe pergunto, por que há mulheres, membrosda fé Baha’i, homossexuais e tantosde nossos colegas acadêmicos alvos deperseguição em seu país? Por que, numacarta, na semana passada, ao secretário-geralda ONU, Akbar Ganji, o líder dosdissidentes políticos do Irã, e assinadapor mais de 300 conhecidos intelectuais,escritores e laureados com Prêmio Nobel,é expressa a séria preocupação deque sua inflamada disputa nuclear como Ocidente está distraindo a atenção domundo das condições intoleráveis em seuregime no Irã, em particular o uso da leide imprensa para proibir os escritoresde criticar o sistema governante? Por quevocê tem tanto medo de que cidadãosiranianos expressem suas opiniões sobremudanças?Em nosso país, você é entrevistadopor nossa imprensa e pediu falar aquihoje. Eu proponho que mais tarde mepermita levar uma delegação de estudantesda Universidade de Columbiapara falar em suas universidades sobreliberdade de expressão com a mesmaliberdade que nós lhe damos aqui ehoje. (Aplausos).Segundo, a negação do Holocausto.Em dezembro de 2005 num programa daTV estatal, você descreveu o Holocaustocomo “uma lenda fabricada”. Um anodepois, patrocinou a conferência de negadoresdo Holocausto. Para o analfabetoe o ignorante, esta é uma propagandaperigosa.Quando vem a um lugar como este,isto faz de você, simplesmente, um ridículo.Você é apenas um provocadordescarado ou alguém espantosamenteignorante. Deveria saber — (aplausos)— por favor — você deveria saber quea Columbia é o centro mundial de estudosjudaicos — nós somos um centromundial, e agora parceiros do Institutode Estudos de Holocausto.Desde os anos 30, provemos um larintelectual aos incontáveis refugiados esobreviventes do Holocausto, bem comoaos seus filhos e netos. A verdade é queo Holocausto é o evento mais bem documentadoda história humana. Por causadisto, e por muitas outras razões, seusabsurdos comentários acerca do debatedo Holocausto, desafiando a verdade histórica,fazem tudo para que continuemostemendo a capacidade humana parao mal, ocluindo nossa memória. Você vaiparar com esta afronta?A destruição de Israel. Você tem ditoque o Estado de Israel não pode continuara existir. E ecoou isto em váriasdeclarações inflamadas que tem feitonos últimos dois anos, incluindo a deoutubro de 2005, quando disse que Israeldeveria “ser apagado o mapa”. AUniversidade de Columbia tem mais de800 diplomados que moram atualmenteem Israel. Como instituição, nós temosligações profundas com nossos colegasde lá. Falei pessoalmente que soucontrário ao boicote estudantes e acadêmicosisraelenses nas universidades,dizendo que tal boicote pode acabar incluindoa Columbia. (Aplausos).Mais de 400 — vejam bem, mais de400 — mais de 400 presidentes de faculdadese universidades deste país sejuntaram à minha declaração. Minhapergunta então é: Você planeja nos apagartambém do mapa? (Aplausos).Financiando o terrorismo. De acordocom relatórios do Conselho de RelaçõesExteriores, é bem-documentadoque o Irã patrocina o terror, que financiagrupos violentos como o Hezbolá libanês,que o Irã ajudou a organizar nosanos 80, o Hamas palestino e o JihadIslâmico palestinos. Enquanto seu governoantecessor foi fundamental emproporcionar aos EUA inteligência eapoio de base na campanha de 2001contra o Talibã no Afeganistão, seugoverno está minando tropas americanasno Iraque, ao armar e prover trânsitoseguro aos líderes insurgentes comoMuqtada al-Sadr e suas forças. Há váriosrelatórios indicando que seu governo seune aos esforços da Síria para desestabilizaro hesitante governo libanês naviolência e no assassinato de políticos.Minha pergunta é: Por que apóia asbem-conhecidas organizações terroristasque continuam golpeando a paz e ademocracia no Oriente Médio, ao mesmotempo em que destroem vidas e asociedade civil da região?


A guerra por procuração contra astropas americanas no Iraque. Numa entrevistaespecífica no Clube Nacional deImprensa, dias atrás ainda este mês, ogeneral David Petraeus informou sobrearmamento proveniente do Irã, incluindofoguetes de 240 mm e projéteis explosivos,estão contribuindo, para “umasofisticação dos ataques que não seriampossíveis sem o apoio iraniano”. Váriosdiplomados em Columbia e estudantesatualmente encontram-se entre os valentesdo nosso exército que está servindoou serviu no Iraque e no Afeganistão.Eles, como outros americanos comfilhos, filhas, pais, maridos e esposasque servem em combate, vêem o seugoverno justamente como um inimigo.Você pode nos dizer, e dizer a eles,por que o Irã está lutando uma guerrapor procuração no Iraque, armando amilícia xiita e pretendendo matar soldadosnorte-americanos?E finalmente, o programa nuclear doIrã e as sanções internacionais: Estasemana, nas Nações Unidas, o Conselhode Segurança está estudando se ampliaas sanções pela terceira vez, por causada recusa de seu governo em suspenderseu programa de enriquecimento de urânio.O senhor continua desafiando esteorganismo mundial, reivindicando o direitode desenvolver energia nuclearpacífica, mas isto não resiste um mínimoquando você continua fazendo ameaçasmilitares a vizinhos. Semana passada,o presidente francês Sarkozy claramenteperdeu a paciência gasta comsuas manobras táticas, e a até a Rússiae a China mostram preocupação.Por que seu país continua se recusandoa aderir aos padrões internacionaispara verificação de armas nucleares,em desafio aos acordos que vocêfez com a agência nuclear da ONU? Epor que você escolheu fazer das pessoasde seu país vítimas dos efeitos dassanções econômicas internacionais, eameaça engolfar o mundo numa aniquilaçãonuclear? (Aplausos).Deixe-me terminar com um comentário.Francamente, eu concluo, senhorpresidente, duvidando que você tenhacoragem intelectual para responder a estasperguntas. Mas evitar respondê-lasvão por si próprias ser significantes paranós. Espero que exiba a mentalidade fanáticaque caracteriza tanto do que vocêdiz e faz. Fui alertado por peritos emseu país que isso arruinaria sua posiçãono futuro no Irã, que tem muitas pessoasgenerosas e inteligentes lá.Há um ano atrás — e falo com confiança— suas absurdas e agressivas declaraçõesneste país, durante reunião doConselho das Relações Exteriores, cidadãosiranianos tão sensatos quanto envergonhados,fizeram com que isso levasseà derrota o seu partido nas eleiçõesmajoritárias de dezembro. Que istopossa se repetir mais. (Aplausos).Sou só um professor que também éum presidente de uma universidade.E hoje sinto todo o peso da ânsiada moderna civilização mundial em expressara repulsa pelo que sente. Eu sódesejo que se faça o melhor. Obrigado.(Vivas e longos aplausos).MENTIRAS E SUBTERFÚGIOSDepois o presidente da Repúblicaislâmica de Irã, Mahmoud Ahmadinejad,iniciou, o intérprete declarou queele estava recitando versos do Alcorãoem árabe. (Não foi traduzido).“Decano distinto, queridos professorese estudantes, senhoras e senhores.Ao iniciar, gostaria de estenderminhas saudações a todos vocês. Agradeçoao Todo-Poderoso por me proporcionara oportunidade de estar num ambienteacadêmico, onde se busca averdade e se esforça para promover aciência e o conhecimento.Quero reclamar um pouco da pessoaque leu essa declaração políticacontra mim. No Irã, a tradição exigeque quando alguém é convidado, nós arespeitemos e a ouçamos antes de fazerum julgamento dela.Penso a leitura do texto pelo cavalheiroaqui, a mim dirigido é um insulto.Numa universidade, temos que permitirque as pessoas falem permitindo que omundo conheça a verdade por inteira.Certamente ele levou mais tempo do queo reservado para que eu fale.Em muitas partes de sua fala, houvemuitos insultos e colocações incorretas.Claro que, tudo isso é influenciadopela mídia do tipo político de linhapopular. No entanto, eu não deveriacomeçar sendo influenciado por estetratamento hostil. Aos seus questionamentosestarei satisfeito em prover respostas.Mas para um dos assuntos queele mencionou, eu precisaria elaborarmais de forma a mostrar como coisasrealmente funcionam.Sempre que a ciência e o conhecimentosão preservados, a dignidade dosacadêmicos e pesquisadores é respeitada,e a humanidade deu grandes passospara sua a promoção material e espiritual.Em contraste, sempre que foramnegligenciados, os seres humanos viveramna escuridão e na ignorância. A naturezahumana é um presente concedidopelo Todo-Poderoso.Meus queridos amigos: Em todasas palavras e mensagens dos profetasdivinos, de Abraão a Isaac e Jacob paraDavid e Salomão, e de Moisés para Jesuse Maomé, os humanos sempre estiveramentregues à ignorância, negligência,superstições, comportamento poucoético e modos corruptos de pensarcom respeito ao conhecimento e umcaminho à luz e a ética legítima. Nanossa cultura, a palavra “ciência” estevedefinida como “iluminação.” Na realidade,a “ciência” significa “brilho” e areal ciência é uma ciência que salva oser humano de ignorância e o beneficia.E continuou por longo tempo falandodos profetas, da ciência, desfiando seusmessianismo religioso, antes de entrarnas questões que lhe foram cobradas.Falou dos malfeitores que “usam todasas oportunidades para o seu próprio benefício,enganam as pessoas usando métodoscientíficos e ferramentas. Que desejamjustificar os próprios males que representam,criando os inimigos inexistentes,e tentando controlar tudo em nomedo combate ao terrorismo”. Para muitos,referia-se ao governo norte-americano ea também a Israel, ou aos judeus. Justificousua corrida para energia nuclearassim: “não querem ver o progresso deoutras sociedades e nações. Eles vêm milharesde razões, fazem alegações, adotamsanções econômicas para impedir queoutras nações se desenvolvam e avancem”.Em outro trecho declarou: “Com omonopólio procuram impedir outras naçõesde alcançar aquela tecnologia”."Eu gostaria de responder agora, adois pontos feitos na introdução sobremim, e então estarei aberto para qualquerpergunta.Há dois anos atrás, levantei duasquestões. Meu trabalho principal é professoruniversitário. Mesmo como presidentedo Irã, sou diplomado em pedagogiacom Ph.D., e ministro cursos semanalmente.Meus estudantes trabalhamcomigo em campos científicos.Assim, sou um acadêmico falando comvocês de um ponto de vista acadêmico.E levantei duas questões. Mas emvez de uma resposta, recebi uma ondade insultos e alegações contra mim, quevieram principalmente de grupos queafirmam acreditar na liberdade de expressãoe na liberdade da informação.A Palestina é uma ferida aberta quetem 60 anos de idade.Durante 60 anos deslocaram aquelaspessoas; mataram essas pessoas;diariamente durante 60 anos, há conflitoe terror; são destruídas famílias,mulheres inocentes e crianças mortascom helicópteros e aviões que arrasamas casas sobre suas cabeças; durante60 anos, crianças de jardins de infância,estudantes nas escolas secundáriassão presas e torturadas; durante60 anos a segurança no Oriente Médioestá em perigo; durante 60 anos, o slogande expansionismo do Nilo até o Eufratestem sido cantado por certos gruposnaquela parte do mundo.Como acadêmico, faço duas perguntas,os mesmos questionamentos queeu farei aqui novamente. E vocês julgarãopor si próprios se a resposta aestas perguntas deveriam ser os insultos,e todo o tipo de propaganda negativa,ou se realmente deveríamos enfrentarestas perguntas e respondê-las.Minha primeira pergunta é: “Se oHolocausto é uma realidade do nossotempo, uma história que aconteceu, porque não há pesquisa suficiente para quepossamos chegar a diferentes perspectivas?Recorre-se a 1930 como o pontoda partida para este desenvolvimento;porém, acredito que o Holocausto, doque lemos, aconteceu durante a SegundaGuerra Mundial, depois de 1930 eentre os anos 40. Assim, temos verdadeiramenteque localizar esse evento”.Minha pergunta era simples. Há pesquisadoresque querem abordar o assuntode uma perspectiva diferente. Por quesão colocados na prisão? Agora mesmohá vários acadêmicos europeus presosporque tentaram escrever sobre o Holocausto,de uma perspectiva diversa,questionando certos aspectos. Por quenão abrir todas as formas de pesquisa?Disseram-me que já há pesquisas suficientessobre o tema. E eu digo, bem, quandoo assunto é liberdade, democracia,conceitos e normas divinas, religião, físicaou química, também há muita pesquisa,mas nós ainda continuamos pesquisandoesses assuntos. Encorajamos isto.Entretanto, por que não encorajamos maispesquisa de um evento histórico que setornou a raiz, a causa de muitas catástrofesno Oriente Médio? Por que não termais pesquisas sobre isso?E minha segunda pergunta, levandoem conta que esse evento histórico sejauma realidade, precisamos ainda questionarse os palestinos deveriam estar pagandopor isto ou não. Afinal de contas,VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768aconteceu na Europa. Os palestinos nãotiveram nenhum papel nisso. Assim, porque os palestinos têm que pagar o preçode algo que não teve nada com eles?Os palestinos não cometeram nenhumcrime. Eles não desempenharamnenhum papel na Segunda Guerra Mundial.Viviam em paz com comunidadesjudaica e cristã. E não tinham nenhumproblema. Os judeus, os cristãos e osmuçulmanos também vivem hoje em diano mundo inteiro em fraternidade. Maspor que os inocentes palestinos têm quepagar o preço? 5 milhões de pessoasdeslocadas permanecem refugiados deguerra depois de 60 anos — isto não éum crime? Por que deve um acadêmicocomo eu, receber insultos quando façoperguntas assim? Isto é o que vocêschamam de liberdade e é apoiar a liberdadede pensamento?Agora, outro tema, o assunto nucleardo Irã — eu sei, há prazos, maspreciso de tempo. Eu quero falar, mastomaram muito do meu tempo.Nós somos membros da Agência deEnergia Atômica Internacional. Há maisde 33 anos que somos um país membroda AIEA. A legislação da agência dizexplicitamente que todos osestados-membros têm direitoà tecnologia pacíficade combustível nuclear.A AIEA é responsávelpelas inspeções. Somos umdos países que mantêm omais alto nível de cooperaçãocom a agência. Eles tiveramhoras, dias e semanasem nosso país. E inúmerasvezes, os relatóriosda agência indicam que asatividades do Irã são pacíficas, que elesnão descobriram nenhuma divergência,e receberam cooperação positiva do Irã.Mas, dois ou três monopolizadores dopoder, egoístas, querem se sobrepor aosiranianos e negar-lhes seu direito.Nós queremos ter o direito à energianuclear pacífica. Eles nos dizem: “nãofaça isto ou não daremos isso a você”.Bem, no passado, eu digo, tivemoscontratos com o governo norte-americano,com o governo britânico, o governofrancês, o governo alemão e ogoverno canadense na área de desenvolvimentonuclear para propósitos pacíficos.Mas unilateralmente, todos ecada um deles cancelou seus contratosconosco, e como resultado disso os iranianostiveram que pagar um custo pesadoem bilhões de dólares.Por que precisamos desse combustível?Nem mesmo nos fornecem peçasde aviões disponíveis que precisamospara a aviação, nesses últimos 28 anos,sob o nome do embargo e sanções,porque somos, por exemplo, contra osdireitos humanos ou a liberdade? Sobesse pretexto os americanos nos negamessa tecnologia?Queremos ter o direito a autodeterminaçãodo nosso futuro. Queremos serindependentes. Não interfiram conosco.Se vocês não nos fornecem peças sobressalentepara aviação civil, qual é aexpectativa que nos dariam combustívelpara desenvolvimento nuclear pacífico?(A seguir o presidente do Irã, passou aresponder perguntas do auditório. Como otexto é longo, publicaremos, numa segundaparte, na próxima edição).11Charge publicada emjornal de Nova Yorkcontrário a visita dopresidente do Irã


12Cristián, o guiaturístico: judeu chilenoque vive em OsloVista do interior daSinagoga Dohány, emBudapestVISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768Sara Schulman *stou voltando de um passeioturístico extremamentesignificativo, emque assumi como objetivoprincipal nas horas livresdas excursões, visitaras sinagogas existentes naquelespaíses que fazem parte da comunidadeeuropéia e que hoje, finalmente,estão livres do tacão soviéticoe do nazismo.Minha primeira visita foi à Sinagoga.Dohány, de Budapest. Orientadapelo guia da excursão, Cristián,cheguei à Sinagoga num fim detarde do mês de setembro, dias antesdo Rosh Hashaná, quando já estavafazendo frio na Europa, começodo outono.Cristián, como o nome induz aacreditar, num primeiro momento,pensei ser cristão, para logo em seguidadescobrir que era judeu; jovemnão muito alto, moreno, de seustrinta e poucos anos, chileno, fala alíngua do paísque estávamosvisitando, etambém o russo,checo, finlandês,sueco,inglês, hebraico,alémdo espanhol –me explicaque, em mui-Nahum Sirotsky *O Hamas pressiona países árabespara não participarem da ConferênciaInternacional convocada pelopresidente dos Estados Unidos GeorgeW. Bush. Será em novembro próximo.O Hezbolá, a maior força militarno Líbano, também.O Hezbolá é da seita xiita, minoritáriaentre muçulmanos, mas fortena região.O Hamas, sunita, tem em seuprograma a destruição do Estado deIsrael. Ambos são reconhecidamenteapoiados pelo Irã, cujo presidenteassume o mesmo objetivo em todosos seus discursos. A tese de dois estados,um judeu e outro palestino,um ao lado do outro, é defendidapelos israelenses, Estados Unidos,União Européia, Rússia e NaçõesUnidas. A tese do Quarteto. Em termos,a mesma que foi aprovada em1947 na Partilha da Palestina emdois países e jamais aplicada. E ainternacionalização de Jerusalém doslugares santos. Hipótese que os gruposfundamentalistas, como Hamas,Hezbolá, Al Qaeda, xiitas iranianos eetc., rejeitam.Num exame frio das circunstânciassó se pode concluir que, ou secaminha para os dois estados comoViagem ao Leste Europeutas ocasiões e ainda agora, quer trocaro seu nome, dado por sua mãenuma época de medo por causa darepressão no Chile, no tempo de Pinochet.O endereço particular deCristián é em Oslo, na Finlândia, ondereside com uma companheira israelense,bióloga, especializada em biologiamolecular, assunto sobre o qualdá aulas na Universidade de Oslo.Mas, vejam, o surpreendente de todaessa história! Foi o seguinte:Quando pedi a Cristián orientaçãopara chegar à Sinagoga Dohánye ele se revelou um judeu, me apresenteicom meu nome e com a cidadeonde vivo, Curitiba, no Brasil. Porum momento, Cristián ficou pensativoe então disse: “Curitiba? Não éa cidade que tem um jornal chamadoVisão Judaica?” Foi minha vez deficar silenciosa, surpresa, e por uminstante fiquei desorientada; pergunteientão: “Como é que você sabesobre esse jornal”?— Ah, o Visão Judaica? — elerespondeu: “eu acompanho pela internet.Quero saber o que pensam osjudeus do outro lado do mundo”.Que tal, meus amigos? Estão surpresos,como eu fiquei?A explicação do Cristián é a seguinte:A maior parte das sinagogas naEuropa são ortodoxas e muito poucassão liberais. Os mais jovens queremque isso se modifique, eles sentemnecessidade de se abrir para oA fachada da Sinagoga Dohány, tesouro daarquitetura húngararesto do mundo e se organizam emgrupos que têm idéias mais liberais.Cristián faz parte de um desses grupos,que é encabeçado por um brasileiro,Carlito (cujo site éwww.shirhatzafon.dk, da Dinamarca).Acompanha pela Internet? — pensoeu — muito bem, vamos ver como éisso, viajando o tempo todo. MasCristián corresponde: durante todaa nossa viagem, em Budapest, Praga,Moscou, St. Petersburgo, Helsinkie Estocolmo – nos intervalos dasexcursões, vejo Cristián no computador,no hall dos hotéis em que ficamoshospedados.O Hamas espera IsraelExcelente guia, profissional, simpático,muito bem organizado, metódico,atencioso. E culto. Em conversa,me confessa que pretende fundarsua própria companhia de excursõespela Europa. Sugiro então, queorganize, em sua futura companhia,programas de visitas às sinagogas; eele me responde que não há muitopúblico para isso. Penso comigo:como é possível? Não sou ortodoxa,muito pelo contrário; no entanto,estar nessas sinagogas tão antigas —é verdade, são pobres comparadas àsigrejas católicas que visitamos naquelespaíses, - mas que contam a históriade nossos irmãos e da vida queviveram por lá, desde tempos imemoriais;paredes que contam da vida dodia-a-dia, das comemorações, dasemoções dos dias pungentes, de afliçãoe oração; das alegrias dos diasde festa; do Golem – linda estória. Edo medo, das perseguições do comunismo,do anti-semitismo, - tudo issome ocorre nessas visitas, e me faz sentirser um como eles, junto a eles, eu- um pontinho insignificante – masum elo de uma corrente eterna; eu -irmanada a esses judeus do mundo,como não sinto com mais ninguém.* Sara Schulman é farmacêuticabioquímica,presidente do InstitutoCultural Judaico BrasileiroBernardo Schulman, que fundouem 1988 e colaboradoradeste jornal.solução do conflito, ou se ingressanuma etapa de conflitos armadoscom forte atuação dos grupos insurgentese guerrilheiros namais perigosa das guerras.Tais grupos podem chegar a disporde armas químicas, biológicas enucleares. A chamada guerra assimétrica,nas quais as forças de estadossão limitadas pela lei internacionaise a opinião pública, mas que forçasnão sendo reconhecidas como legaisnão precisam considerar tais fatoresem sua estratégia. Os chamados terroristasnão foram derrotados porforça alguma até agora. Iraque e Afeganistão,Al Qaeda, são apenas oscasos mais conhecidos.O Hamas quer evitar a realizaçãoda Conferência Internacional, poisinclui o risco de acordo que leve auma paz entre israelenses e palestinos,a aplicação da tese dos doispaíses, a inviabilidade final da teseoposta, de um só país palestino noqual poderia ser aceita uma minoriajudaica como de outras crenças nãoislâmicas.Assim são todos os paísesdo Oriente Médio, todos incluemminorias étnicas e religiosas. Não sãopaíses de uma só nação, são de povosdiversos.A Conferência Internacional, cujosucesso ainda está longe de ser asseguradopela relativa moderaçãodas respostas militares aos diáriosataques de mísseis vindos de Gaza,inclusive os de mais longo alcance,conclui-se que Israel prefere o confrontopolítico da Conferência Internacionalàs conseqüências deuma invasão da Faixa de Gaza paratentar neutralizar as fontes dos mísseisdo Hamas.As informações que circulam emboas fontes locais sobre o queacontece em Gaza, foram confirmadaspela observação direta de JuanMiguel Muñoz, do El País, jornal espanholincluído na pequena lista dosmelhores do mundo. “Num númeroincontável de túneis subterrâneos osmilicianos do Hamas esperam a invasãode Israel”. E que “no hay quebuscar demasiado para toparse compequenos promontórios de arena queutilizan para colocar minas,granadas”. Sabe-se da existência de“dezenas de túneis” construídos depoisque Israel qualificou o Hamasde entidade inimiga. Tudo se faz naescuridão da noite, com o mínimode ruído. O contrabando de armasconfirma ele, se faz por túneis porbaixo da fronteira do Egito.Centenas dos milicianos do Hamasforam treinados nas táticas deguerrilha na Síria e Irã, gente dispostae determinada, pronta a sesacrificar. E o dinheiro vivochega pelos mesmos meios. Na guerraleva-se em conta a equação decusto/beneficio.Atacar Gaza com tropas regularese enfrentar as táticas guerrilheirasterá, sem dúvida, elevados custoshumanos de todos os lados. A guerrilha,disse Mao Tsé Tung, o líder darevolução chinesa, é como peixe dentroda água. A questão fica sendo decomo eliminar sua fonte de sobrevivência.O povo no meio do qual vive.Os sucessivos apertos militares eeconômicos de Israel não têm sidosuficientes. Não é aceitável a estados-membrosdas Nações ir muito longecom destruições. A opinião públicanão aprova como se verificou naguerra com o Hezbolá do Líbano.Israel deve ir à Conferência. Sódepois, se não houver ataque doHamas com resultados trágicos, éque virão as decisões políticas quedefinem destinos. Paz? Guerrasem quartel?* Nahum Sirotsky é jornalista,correspondente da RBS e do ÚltimoSegundo/IG em Israel. A publicaçãoexclusiva desta coluna tem aautorização do autor.


VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768Conselho dos Direitos Humanos da ONUpromove acusação permanente a Israelenebra, 20 de setembrode 2007 – O Conselhodos Direitos Humanosda ONU lançou hoje emsua agenda especial umitem preconceituoso selecionandoIsrael para uma acusaçãopermanente. O debate especial criticandoIsrael permitiu que o representantepalestino ganhasse terrenoacusando Israel de “atrocidades”,a Síria em condenar Israel por “judaizar”o Golan, e o grupo islâmicoa protestar pela entrada de Israelno espaço aéreo sírio. Cuba, emnome do Movimento dos Países Não-Alinhados reclamou que Israel estavarealizando escavações ao redorda mesquita de Al-Aqsa. O Irã, oKuwait, a Argélia, a Venezuela, eoutros também se uniram na condenaçãoao Estado judeu.Quando o diretor executivo da UNWatch (Vigilância das Nações Unidas)Hillel Neuer falava no plenáriodo Conselho contra o item preconceituoso,o embaixador egípcio SamehShoukry interrompeu fazendoobjeções. Israel e Síria discutiram,mas finalmente à Vigilância da ONUfoi permitido concluir seu discurso.Observações da UN Watch sobreo item contra IsraelO diretor executivo da UN Watch,Hillel Neuer disse: Senhor Presidente,nós nos encontramos hojeno primeiro debate do Conselhosobre países específicos. O artigoda agenda de hoje é a respeito da“situação dos direitos humanos naPalestina e outros territórios árabesocupados”. O resto do mundosó será tratado ma semana que vem– com o mesmo tempo dividido quehoje se destina a um só país.Deixem-nos considerar o título doartigo da agenda de hoje. Deveríamosjulgar este livro apenas por sua capa?Embaixador egípcio interrompe discurso do diretor a UN Watch Hillel NeuerHillel NeuerNão se ouvirmos o próprio Departamentode Informação Pública dasNações Unidas (UNDPI), que publicouno ano passado um cartaz denominado“Comissão de Direitos Humanosversus Conselho de DireitosHumanos: Diferenças-chave”.O documento se refere ao itemda infame agenda da antiga Comissão— virtualmente idêntica à dehoje, intitulada “Violação dos direitoshumanos nos territórios árabesocupados, incluindo a Palestina”.O interessante, entretanto, nãoé como o UNDPI o denominou. Aoinvés disso, fez algo muito valente.Reconheceu o artigo por aquiloque realmente era, ao denominá-lo,e eu cito aqui: “Artigo daAgenda Visando Israel”.Senhor Presidente, a principalpromessa de reforma [do Conselho]era a de acabar com o preconceito eos duplos padrões que no final dascontas destruíram a antiga Comissão[de Direitos Humanos], do qual oprincipal exemplo era este artigo.Ainda hoje nos reunimos novamentesob o mesmo infame artigo —nas claras palavras do UNDPI, o Artigoda Agenda que Visa Israel”. Plusça change, plus c’est la même chose(Tradução: Por mais que se mude,continua sendo a mesma coisa).No mesmo cartaz, o UNDPI prometeuuma diferença fundamentalcom este novo Conselho — “passaruma esponja no passado e recomeçarlimpo”.Senhor Presidente onde está a prometida“esponja que limparia o passado”?E se isto não é um passado limpo,que tipo de passado limpo é?Eis o que pensam os líderes daONU. O secretário-geral Ban Ki-moondenunciou “a decisão do Conselhode determinar o isolamento de umsó tema regional específico, em meioà variada gama de violações dos direitoshumanos ao redor do mundotodo”. A alta comissária Louise Arbouralto condenou este item como“discriminatório”.Neste ponto, o embaixador SamehShoukry, do Egito interrompeu,pedindo questão de ordem: “Pensoque alguém deveria estar defendendoo Secretário-geral e o Alto Comissário.Porque eu não acredito queo Secretário-geral usasse a expressão‘denunciou’, nem a Senhora Arbourusasse a expressão ‘condenou.’Eu me levanto para retificar.” (Vejanota abaixo da UN Watch). O embaixadorde Israel, Isaac Levanon,repreendeu então o Egito por suasrepetidas interrupções aos pronunciamentosdas ONG’s.[O representante da UN Watchpode então prosseguir].“Quando isso foi adotado, emjunho, meu país, o Canadá, apontouuma violação do Conselho aosseus próprios princípios: a universalidade,a imparcialidade, a objetividade,e a não-discriminação. Visarqualquer estado-membro da ONU,observou o Canadá, é politização, discriminatório,parcial, e subjetivo”.O Canadá solicitou um voto nessesentido, mas foi-lhe negado o direitode fazê-lo. Em julho, o Canadá,os Estados Unidos, e a Polônia— um membro da União Européia —entregaram formalmente os procedimentosoficiais para contestar estaviolação da regra legal.Logo, este artigo e o pacote sobos qual foram adotados irão ante àAssembléia Geral. Se um membro declaraprestar atenção à voz do Secretário-geral,do Alto Comissário,e por princípio, eles restabelecerãoo prometido “passado limpo”votando para remover este artigopreconceituoso.Obrigado, Senhor Presidente.Nota da UN WatchLamentamos a injustificada interrupçãodo nosso discurso feitopelo distinto representante do Egito.Nós nos erguemos totalmente pornossas citações e a nossa caracterizaçãode tais citações que não deveriamser confundidas.É particularmente curioso que oEgito, dentre todos os países, diminuaa importância das críticas doSecretário-geral de 20 de junho de2007 ao do artigo preconceituosoda Agenda. Pois foi o mesmo Egitoque, em 25 de julho, respondeu tãoabruptamente a essas observações,ao escolher o raro, senão o sem precedentepasso de usar do direito defalar no Conselho de Direitos Humanospara questionar uma declaraçãodo Secretário-geral. Da declaraçãodo Sr. Ban Ki-moon, o Egitohavia reclamado ao Conselho, queera “uma manifestação muito infelize que buscaríamos um esclarecimentoadicional sobre aquela declaraçãoe os meios apropriados doConselho para verificar a autenticidadedaquela declaração e o seucontexto”. Naquele dia, diferentementede hoje, não estava com pressaem “defender o Secretário-geral”—muito pelo contrário.13


14Walid PharesVISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768Walid Phares ** Walid Phares é professor de Estudosdo Oriente Médio e especialista em Islãpolítico e a jihad. Graduou-se em Directoe em Ciências Políticas pelas UniversidadesJesuita e Libanesa e doutorou-se emRelações Internacionais e EstudosEstratégicos pela Universidade de Miami.Ensinou na Saint Joseph University nosanos 80 e exerceu o Direito em Beirute até1990. Mais tarde foi editor do Sawt el-Mashreq y Mashrek International, emigrandoposteriormente para os Estados Unidos,onde lecionou na Florida InternationalUniversity e na Florida Atlantic University.Publicou centenas de artigos e escreveusete livros sobre o fundamentalismoislâmico, e foi consultor do Congressonorte-americano.Muçulmanos contra a Jihad?ma conferência peculiarrealizada na costa oesteda Florida chamou aatenção de muitos observadoresda guerra das idéias:a primeira Cúpula do Islã Secular.Organizada pelo Center for InquiryTransnational e vários ativistas, areunião incluiu duas dezenas de oradorese cerca de 200 participantesde diversas nacionalidades e procedências,e teve lugar no Hilton St.Petersburg pouco antes, e em coordenaçãocom a Cúpula da Inteligênciaque aconteceu no mesmo lugar.Mas ao contrário de muitas outrasconferências intelectuais muçulmanasno Ocidente, ou inclusive emtodo o mundo, esta reunião se encaminhavacontra o jihadismo e afavor de uma expressão secular e liberaldentro do islã.Não é a primeira vez que escritorese críticos muçulmanos de ordemreligiosa e cultural imperante dentrode sua própria comunidade falampublicamente, escrevem acercade, ou debatem estes temas. A históriada dissidência dentro do mundomuçulmano, nos tempos modernosem particular, é rica e diversa.Também está repleta de drama e violência,contra os próprios dissidentesem particular. Desde meados dosanos 20, após o colapso do ImpérioOtomano e o último Califado e a chegadado salafismo, ao qual se uniu okhomeinismo nos anos 70, dezenasde intelectuais sofreram condiçõesdifíceis e encontraram destinos trágicosao levantarem-se contra o fundamentalismoe pressionarem em favorde reformas. Essa história estáainda para ser escrita em profundidadee ensinar-se nos principais sistemaseducativos. Autores de altonível e intelectuais relevantes têmfalado contra o autoritarismo e o islamismodesde o subcontinente hinduaté o deserto sub-saariano. Dezenasde jornalistas e acadêmicos têmfeito solicitações para um debateglobal sobre o desenvolvimento depolíticas e ideologias dentro dospaíses muçulmanos. E na era pós-11de Setembro afluíram mais perguntasdos setores ocidentais e não-ocidentais:O que saiu mal [no mundomuçulmano] escreve Bernard Lewis?“Por que nos odeiam”, manchetava aimprensa após os ataques de 2001.E desde então, muitos entre o públicofazem perguntas sem respostaconvincente: Mas existem moderadosdentro do mundo muçulmano?A reunião de St. Petersburg não éa primeira conferência na qual se reúnemintelectuais muçulmanos (e nãomuçulmanos) e tentam responder aestas difíceis questões. Por volta de1994, a Coalizão para a Defesa dosDireitos Humanos se reuniu em NewJersey para tratar de questões similares.Os dissidentes reuniram-se emmuitos países nas últimas décadas.Casos de rebelião teológica e literáriade relevância ilustraram o conflitocultural dentro do islã. Nos anos 80,Salman Rushdie, da Índia, ganhou suafatwa pela publicação de Os VersosSatânicos. Desde então, o autor dissidentevive oculto. Em princípios dosanos 90, o autor Mustafá Jeha era assassinadoem Beirute por publicar ‘Acrise mental do islã’ (Mihnat al Aql filIslam). Por todo o Mediterrâneo eem dois continentes, outros “revolucionários”muçulmanos, descritoscomo apóstatas por seusinimigos jihadistas, desafiaramo paradigma ideológicodominante. Mas até há pouconunca haviam decididoatuar coletivamente, e até aconferência da Flórida nãotinham resolvido se reunir.Daí que alguns entre eles(com nomes bem conhecidosno terreno da dissidência) decidiampor fim reunir-se e dar ascaras ante o mundo, com conhecimentode causa ou não, começarama mudar o mundo. Foi, como eu o vejo,um pequeno passo nesta direção.Os discursos de abertura foram lidospor dois famosos dissidentesmuçulmanos que vivem no ocidente.O primeiro a falar foi Ibn Warraq, autorde vários volumes sobre o islã secular.Elaborando uma longa e sofisticadaintrodução ao “movimentointelectual”, fixou a base filosóficada separação total entre religião eestado no mundo muçulmano. MasIbn Warraq dizia ter “abandonado” oislã já, e seu chamamento se encaminhavaà “relação” entre sociedadesmuçulmanas e a lei religiosa. Defendeuos valores universais e a reformaglobal da educação. Em materia política,pediu uma mudança de regimeem muitos países, incluindo o Irã, aformação de centros de direitos humanos,e Numa guinada interessantee inovadora, pediu que “os mulás sejamlevados a julgamento por decretarfatwas”. o segundo a faltar na conferênciafoi a “desertora” Irshad Manji.Nascida na África e criada no Canadá,a autora de livros de sucesso dizia àaudiência que a resposta à jihad é aIjtihad. Em poucas palavras, a reinterpretaçãodos textos religiosos (edo Alcorão), desafiando os fundamentalistas.Ao contrário de Ibn Warraq,Irshad dizia ser muçulmana ainda, eestar disposta a lutar por “seu islã”.Argumentava que nos textos existemmuitos versos que podem ajudar a queuma nova interpretação derrote a leituraestrita dos islamistas. Concluindo,Manji convidou os não muçulmanosa tomar parte no debate juntocom os muçulmanos reformistas. “Seeles dizem que não tens nada a dizersobre temas muçulmanos, decides queeles não têm nada que dizer sobretemas não muçulmanos”.O primeiro painel incluiu TawfiqHakim, do Egito, que destacou que asraízes do terrorismo encontram-se naideologia que se disfarça de doutrinareligiosa. Nibras Kazimi, do Iraque,falou sobre “a mentalidade dos generaisjihadistas”. Outros intelectuais,como Shahriar Kabir, de Bangladesh;o dr. Shaker al Nabusli, da Jordânia ouo dr. Afshin Ellian, um iraniano residentena Holanda, trataram das relaçõesentre tradição e sharia. Ao finaldo primeiro dia, o último painel, comSalamat Neemat, da Jordânia, HasánMahmoud, de Bangladesh, e eu, debatemossobre o direito internacional,política e o movimento islamista.No dia seguinte, Nonie Darwish,da Palestina, Wafa Sultan, da Siria,Zeino Baran, um acadêmico turco-americano,e Manda Zand Ervin, do Irã,trataram do secularismo, do terrorismofeminino e o islamismo.Apelativamente, e “antes” de quetivessem lugar as conferências, sedesataram os ataques a partir da internetcontra a reunião por parte daspáginas pro-wahabitas, salafistas ekhomeinistas. A Al Jazeera enviouuma equipe para entrevistar os participantese emitir também “opiniõescontrárias” de líderes da comunidadelocal na região. Em seus programasda tarde, a rede de TV recebeuum representante local do grupo depressão CAIR e o dr. Nabulsi “na linhade fogo” da conferência.Em minha apresentação, centreimenas múltiplas áreas das relaçõesinternacionais, nas quais os conceitosjihadistas devem ser tratados nãosomente pelos dissidentes, mas tambémpelos denominados países importantes:jihad, infiéis, Califado, darel Harb. Estes termos do início dahistória islâmica podem ter feitoparte das normas da política mundiale as guerras religiosas da época,leia-se há 1300 anos, mas sob o sistemainternacional atual não há lugarpara o jihadismo e suas derivações.De outra forma, isto voltará aabrir o caminho da desintegração dodireito internacional. Nesta conferência,argumentei, o movimento dereforma global pode não estar deacordo ainda em todos os aspectosda crise, mas constitui uma resistênciamuçulmana à jihad. Articulei osegundo conceito de modo que osmuçulmanos possam traçar a distinçãoentre identidade religiosa e ideologiamuçulmana concreta, possaminiciar um debate e libertar-se dojihadismo. Também argumentei que oOcidente abandonou durante décadasos muçulmanos anti-jihadistas econdenou o fato de que os governosocidentais, Estados Unidos inclusive,têm sido assessorados por apologistasda Jihad ao invés de muçulmanosliberais durante décadas.Em resumo, a Conferência do IslãSecular pode não ter sido tão grandecomo as conferências de apoio e financiamentowahabita ou khomeinistaem todo o mundo, mas certamentesupõe um exemplo do que pode ocorrerse a Europa, os Estados Unidos e acomunidade internacional levassema sério apoiar os intelectuais muçulmanosque procuram o pluralismo, osdireitos humanos e a democracia:uma mudança na guerra de idéias quepoderia forçar a guerra contra o terrore terminar antes e com resultadosmuito melhores.


VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768Para entender Ahmadinejad, se tal é possível...Sonia Bloomfield *á cerca de três anosatrás tive um alunosudanês, islâmico, queapresentou um trabalhocheio de referências negativasa Jerusalém sob o ‘controledos judeus, sobre a tirania israelense’,etc. Esperei a aula terminar e pedipara conversar com ele. Após umpouco de conversa perguntei: ‘Ondevocê vai viver após terminar seusestudos?’, e a resposta foi ‘Em Cartum,no Sudão’. A questão seguinte,a que me levou ao assunto, foi: ‘Quala diferença concreta que faz para vocêse Jerusalém for capital de Israel ouda Palestina’. Ele me olhou, pensouum pouco, e respondeu: ‘Nenhuma’.Tal qual a pergunta que fiz aoaluno sudanês, onde entra Israel navida de Ahmadinejad? Ele não podeter nenhuma queixa concreta contraIsrael, que nunca atacou o Irã esequer faz fronteira com aquele país.No entanto, ele nega o Holocaustoe é obcecado pela destruição de Israel,seja por meios nucleares ouatravés de uma ‘mudança’ para oAlasca, Canadá, ou algum lugar qualquerna Europa. Para ele Israel é umapatologia social, ‘um insulto à dignidadehumana’, que viola ‘a santidadedos profetas e insulta adignidade humana e a democracia’.É tragicômico ouvir este homem,que é chefe de um regime extremamenterepressivo, antidemocrático,um dos maiores patrocinadoresdo terrorismo moderno, falar emdignidade humana e democracia. Oque será que ele entende por democraciae dignidade humana?A resposta está tanto em sua visãoreligiosa, apocalíptica, da seitaultra-radical Hojjatieh, que busca trazero fim do mundo através da destruiçãodo que já existe, quanto aproblemas sócio-econômicos de seupaís. No que tange à visão religiosa,em primeiro lugar, na ideologia islâmicaradical o mundo divide-se emDar al-Islam, a Casa do Islã, a Casada Paz, e o Dar al-Harb, a Casa daGuerra, o mundo não islâmico. E nofinal dos tempos a Dar al-Islam devese sobrepor, vencer, destruir a Dar al-Harb. Este é o objetivo final, tornaro mundo a Casa do Islã, seja pelaconversão ou pela eliminação daquelesque se recusam a unir-se ao islã.Em segundo lugar, seu texto religiosobásico, o Corão, chama os judeusde ‘porcos e macacos’ (aindaque alguns autores islâmicos digamser apenas uma alegoria, etc., esta éa forma pela qual os judeus são rotineiramentemencionados pelos fundamentalistasislâmicos), e diz queno final dos tempos as pedras e árvoresirão gritar: ‘Islâmico, corra,atrás de mim se esconde um judeu,venha matá-lo pois não poderá havernenhum judeu vivo em um tempoe espaço de pureza’.A visão apocalíptica, milenarista,de Ahmadinejad é bem clara, comose pode deduzir de um discurso proferidopara autoridades religiosasiranianas, no dia 16 de novembro de2006, no qual ele afirmou que suamissão como governante era a de‘pavimentar o caminho para o gloriosoreaparecimento do imã Mahdi’.Este imã, o último descendente masculinoem linha direta de Ali, genrode Mohammed, pelo qual esperam osxiitas, desapareceu quando eracriança, no ano 941 e.c., e acredita-seque esteja vivo e um dia retornará,mas antes de sua volta o mundodeverá passar por terríveis guerrase muito derramamento de sangue.Ele reinará por toda a Terra durantesete anos, preparando-a parao julgamento final e o fim do mundo.Assim, quando foi prefeito deTeerã, Ahmadinejad preparou umagrande avenida, para que o imã pudesseentrar triunfalmente na cidade,e recentemente o Christan ScienceMonitor afirmou que ele disponibilizou17 milhões de dólares no orçamentoda cidade para a construção da mesquitade Jamkaran, supostamenteconstruída sob as ordens do imã.Ahmadinejad, líder xiita, tambémcompete pelo domínio do islã comos sunitas, em especial os da ArábiaSaudita. Se sua crença fosse restritaapenas a tais atividades arquitetônicasisto seria uma questão internado Irã, mas sua política nuclear nelase baseia, como ele disse claramente:‘O Irã deve se tornar uma potênciapoderosa, avançada, e um modelopara a sociedade islâmica... osiranianos devem se afastar do pensamentoocidental...’. Ele não só acreditano retorno do imã, mas acreditaser sua missão criar as condiçõespara trazê-lo de volta o mais rapidamentepossível, não escondendo suaintenção de ‘varrer Israel do mapa’.Em termos religiosos ele acreditaser o iluminado destinado atrazer o imã Mahdi. Isto é claro noteor de suas cartas conclamando osamericanos a converterem-se aoislã, e também em seu discurso naAssembléia Geral da ONU em 2005,onde concluiu sua fala orando parao retorno do 12º imã enquanto, emsuas próprias palavras, algumaspessoas viram um halo divino azulem volta de sua pessoa que durouenquanto ele discursava.Em termos mais prosaicos, sabeseque a situação econômica e socialdo Irã está bastante conturbada,com a inflação e o desempregoem constante elevação. O governotem tido confrontos violentos comgrupos dissidentes, trabalhadores,e estudantis que protestam contraa falta de liberdade e de condiçõesadequadas de vida, gritando ‘morteao ditador’ e ‘presidente fascista’.Neste contexto, ele faz o quetodos os ditadores fazem: encontramum bode-expiatório para distraira população enquanto levama cabo seus projetos pessoaisàs expensas de todos.Resta a todos nós buscarentender este fenômenodo terrorismo modernoe a ele resistir, talqual fez o governo brasileiroquando criticouoficialmente a negaçãoda existência do Holocaustofeita por Ahmadinejad.Compete a todos fazerfrente ao projeto ahmadinajadianode impor através doterror e da guerra a Dar al-Islam atodo o mundo, eliminando à aceitaçãodas diferenças pessoais, sociais,e culturais que a humanidade levoutantos séculos para construir.Discurso da ministra Tzipi Livni nos EUAprotesta contra presença de AhmadinejadFalando em frente às Nações Unidas,a ministra das Relações Exterioresde Israel, Tzipi Livni, fez um pronunciamentoprotestando contra apresença do presidente iranianoMahmud Ahmadinejad na sede daONU. Num palanque montado à frenteda ONU ela disse o seguinte:“Caros amigos, clamamos às NaçõesUnidas para que fechem asportas para Ahmadinejad. Ele nãotem lugar entre as nações livres.Abandone seu ódio, seu incitamento,seu terror e suas ambições dearmamentos nucleares e só depoisdisso, você poderá entrar. Até lá,saia e fique fora!Caros Amigos: Eu gostaria deagradecer a todos por terem vindo.Sei que alguns de vocês gostariamde estar no protesto na Universidadede Columbia onde foiconcedido um palco para que estehomem falasse. De fato, eu acreditoque Ahmadinejad deva ir para auniversidade — não para darpalestras, mas para aprender.Este homem tem muito a aprendera respeito da história —especialmente sobre o Holocaustoe da vitória dos aliados! Ele deveaprender a respeito da democraciae seus valores legítimos. E precisaser lembrado de que seu tipo deideologia do ódio termina onde outrosavançam.Meus amigos: Não se enganem.O Irã não é apenas uma ameaça aIsrael, e não é apenas uma ameaçaaos seus vizinhos, mas uma ameaçaao mundo inteiro.E hoje, nos questionamos —onde está o mundo? Onde estão osvalores? Por que hesitamos? Enquantoo Irã lança uma onda sombria deterror por todo o planeta, Enquantoseu presidente faz pouco caso doHolocausto e promove o ódio.Estamos aqui para contar ao mundo— exigir do mundo — que acordeantes que seja tarde. Estamos aquipara exigir que os aliados terroristasdo Irã — o Hamas e o Hezbolá —libertem nossos filhos Eldad Regev,Udi Goldwasser e Gilad Shalit, e oslibertem imediatamente!Estamos aqui para proteger a democracia— a legítima democracia— daqueles que se aproveitam delapara promover a tirania e o terror. Eestamos aqui unidos para defendero Estado judeu, minha terra, Israel— uma democracia vibrante e admirável— cujos direitos não podemser negados e destruídos.Meus amigos, este não é um comíciodo medo — é um comício dedeterminação. É um comício daquelesque acreditam na paz e em suaco-existência. Mas também é umcomício que espera que as NaçõesUnidas e os países do mundo cumpramsuas promessas.Já basta o que foi dito!Defendamos nossos valores! Acabemoscom a sua hipocrisia!Não descansaremos e não silenciaremosaté que os façam. Seguiremosfirmes juntos e unidos contra omal. E prevaleceremos”.* Sonia Bloomfield éprofessora, doutora, PhD emAntropologia Cultural emembro da B’nai B’rith doBrasil.15


16VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768Cientistas estudam ‘tráfego inteligente’Cientistas israelenses trabalham no Laboratóriode Pesquisa da IBM, em Haifa, em tecnologiaspara diminuir congestionamentos eprevenir acidentes. A pesquisa inédita serefere às áreas de segurança ativa e assistênciaao motorista. A idéia é produzir veículosque poderão trocar informações unscom os outros e com a infra-estrutura deruas e estradas, fazendo correções quandofor apropriado e avisando ao motorista paraevitar situações perigosas. Os pesquisadoresenxergam o tráfego do futuro como umaimensa rede onde os carros estarão conectadosentre si e com os sinais e sistemas deaviso de tráfego. Da mesma forma comocâmbios adaptativos, freios ABS e cruisecontrol são padrões em grande parte doscarros no mundo, as tecnologias avançadasde auxílio ao motorista também serão comuns,como se os carros tivessem “reflexos”.(Jornal Alef/José Roitberg).‘Trafego inteligente’ IIOLHAR○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○HIGH-TECH○Aron Goldshmidt, coordenador do projeto,explica: ‘Imagine um veículo consciente doespaço que o cerca, recebendo várias informaçõesde outros veículos, da pista ede câmeras colocadas em várias partes docarro’. Se o veículo souber onde ele estáem relação aos outros, isso significa quevocê pode dirigir mais perto dos outroscarros ou das laterais da estrada. O carrosempre vai saber para onde os outros estarãoindo. Se um acidente acontecer centenasde metros a sua frente, o carro irásaber, a segurança não será comprometidae o tráfego poderá não ser interrompido.Não importa o quanto inteligentes foremos carros: o motorista permanece no controle.Um dos objetivos do projeto é eliminaros sinais nos cruzamentos. Conscientesuns dos outros os carros poderão se encaixarpelas esquinas e receber sinais eletrônicosque os parem para pedestres atravessarem.Quando vier uma ambulância oucarro de serviço com passagem livre, o fluxono cruzamento poderá se auto-organizar,liberando a passagem. (Jornal Alef/José Roitberg).Encontrados restos do segundo TemploVestígios do segundo Templo foram presumivelmentedescobertos durante trabalhosde escavação realizados na Esplanada dasMesquitas. Um grupo de arqueólogos de Israelesteve no canteiro de obras destinadasa estabelecer um sistema de canalização,realizadas pelo Waqf islâmico, o organismode bens muçulmanos que supervisiona oslocais sagrados para instalar suas infra-estruturas.Os restos consistem num “muromaciço de sete metros de comprimento” ,disse na televisão a arqueóloga Gaby Barkai,da Universidade Bar Ilan, que pediu aogoverno israelense a paralisação dos trabalhos.A canalização feita pelo Waqf na Esplanadatem 1,5 metro de profundidade por100 metros de comprimento. O DepartamentoNacional de Antigüidades não comentou oachado. A Esplanada da Mesquitas é ondeficam o Domo da Rocha e a Mesquita de AlAqsa, no setor oriental de Jerusalém. O localmais venerado do judaísmo, onde existiuo segundo Templo de Herodes é chamadode Monte do Templo, e foi destruído pelosromanos no ano 70 e.c,. do qual só restao Muro Ocidental conhecido como o dasLamentações. (Uol notícias).Israel lança seu mais avançado satéliteA capacidade espacial de Israel deu umgrande salto ao ser lançado em setembro omais avançado satélite espião de Israel. Oequipamento terá condições de transmitirimagens com excelente definição em todasas condições de tempo, segundo informaçõesdo jornal The Jerusalem Post. Desenvolvidoe produzido pelas Indústrias Aeroespaciaisde Israel (IAI), o satélite pesaapenas 300 quilos e possui avançada tecnologiade radar, o Tecsar que dará ao Exércitode Israel, o que o atual Ofek-7 nãopermite: imagens precisas mesmo em cenáriode nevoeiro e nuvens carregadas. Osatélite foi lançado por intermédio de fogueteindiano. A IAI emprega cerca de 25mil pessoas. (The Jerusalem Post).Nariz artificial localizará tumor malignoCientistas israelenses criaram um ‘nariz artificial’parecido com um telefone celular quepermitirá descobrir, em 30 segundos, tumoresrelacionados ao câncer e onde eles estariamlocalizados no organismo. Este processoseria feito por meio da respiração edo cheiro, através de um sensor do tamanhoda cabeça de um alfinete. Uma equipede dezessete pesquisadores do InstitutoPolitécnico de Haifa (Technion) desenvolveuo novo dispositivo que poderá começar a serusado dentro de dois anos. O projeto, testadocom sucesso em pessoas durante a faseexperimental de laboratório, está sendopatenteado e conta com a ajuda de US$ 2,4milhões do Fundo de Pesquisas da UniãoEuropéia (UE). (El Reloj.Com).Diagnóstico precoce aumentasobrevida em 90%A atuação do ‘nariz que cheira o câncer’ ésimples: o paciente deve respirar em umaespécie de canudo ligado ao dispositivo quecontém um sensor e uma tela e, 30 segundosdepois, poderá saber o resultado doexame. Segundo os especialistas, isso evitará,no futuro, exames como as biópsiase radiografias para detectar o câncer. Emsetembro, foi iniciada em Israel a primeirapesquisa, em colaboração com o Departamentode Oncologia do Centro Médico Rambamde Haifa, quando o sensor pode sertestado em centenas de pessoas que sofremde câncer e em indivíduos saudáveis.Os métodos atuais só conseguem detectara doença quando o câncer já estáem via de desenvolvimento ou desenvolvido.Com a descoberta, o percentual depacientes que podem sobreviver poderáaumentar até 90%. (El Reloj.Com).Obrigado, senhorpresidente Ahmadinejad!Israel Winicki *Que você nos ama e se desvelapelo bem-estar do povo judeunão é segredo algum, senhorpresidente.Cada vez que pronuncia umdiscurso, nos menciona, recordanossos sofrimentos e atétoma a liberdade de idealizarmeios para nos ajudar a terminarcom eles (ainda que, devoreconhecer, que, às vezes, essesmeios são um pouco drásticos).Muitas vezes sugeriu que nossopequeno país devia mudar-se alugares mais agradáveis, tanto noaspecto climático como na quantidadede recursos naturais.Mas realmente, meu queridoMahmoud (permita-me que o chamepor seu nome, pois é com carinho),suas últimas declarações comrespeito à mudança de Israel parao Alaska ou Canadá, superam amplamenteas outras demonstraçõesdo amor que tem para conosco.O Canadá, com seus lagos, suasterras férteis, seus rios, seus recursosminerais (é certo que noinverno o clima é um pouco duro,mas os verões compensam comvantagens esse rigor, pois sãoagradáveis e temperados e nãocomo a pouca variação do climado lugar em que estamos agora:calor e chuva no inverno, calor ecalor no verão).E o mesmo se pode dizer doAlaska, agregando-se o fato de quetem sua riqueza petrolífera (o petróleoé algo inexistente onde nosencontramos).Mas, e sempre há um mas, pareceque a tão famosa “inteligênciajudaica” é um mito, pois emlugar de aceitar sua oferta, somostão bobos que preferimos ficar emnosso pequeno deserto.Recusamo-nos a viver com folganas imensas pradarias canadensese preferimos viver apinhadosem nossas cidades (Que coisa! Todosamontoados, suportando osgritos do vizinho de cima e o cheirode alho do vizinho do lado).Recusamos os grandes recursosnaturais do Alaska porquepreferimos sofrer pela carênciados mesmos.Mas, para que sua alminha purae nobre não se sinta angustiada,proponho-lhe algo para beneficiarum outro povo que também sofre:Mudemos os palestinos para oAlaska ou o Canadá! Lá poderãoconstruir seu estado deixando delado as rivalidades: Uma parte parao Hamas, outra para o Fatah, outrapara o Hezbolá. Cada grupo ficariaa cargo de uma província e…Chega de guerra civil! Com todo oterritório que teriam, até poderiamfazer um lugarzinho para vocêe os seus seguidores para estabeleceruma nova República Islâmica(além disso, estaria mais próximodesses próceres latino-americanos,Chavez, Morales e Castro,campeões dos povos oprimidos elibertadores de meio continente).E mais, poderia reunir umgrupo de historiadores palestinos,e eles, com sua grandehabilidade para tergiversar…Perdão… Para pesquisar a história,até podem descobrir queos algonquinos, os furões, osiroqueses, os salish e atapascosde Canadá, ou os aleutinos,os inuit, os nesilik, os nunivake os yupik do Alaska, são na realidadeos antepassados dos palestinosque foram despojadosde suas terras ancestrais se viramforçados a emigrar do OrienteMédio. E que a Cidade Santada qual Maomé subiu ao céu,não é essa velha cidade de Jerusalém,tão antiquada, mas amoderna Montreal.Realmente, meu querido Mahmouddá-me pena frustrar suasboas intenções, mas o que vamosfazer, assim somos nós os judeus,nos aferramos a esse pedacinho deterra sem valor como se fosse oJardim do Éden e rejeitamos osparaísos terrestres que nos oferecempessoas tão bem-intencionadascomo você.Faça-me caso, ofereça esses lugaresaos palestinos, eles, com otal de inventar… Digo fundar seuestado, aceitariam qualquer coisa.O problema (ainda que vocêpossa solucioná-lo com um par debombas nucleares das que está fabricandoou mandando alguns deseus amigos a se detonarem) é seos canadenses, ou os norte-americanosvão aceitar que em seusterritórios se funde tal Estado.Outra vez muito obrigado SenhorPresidente Ahmadinejad, Eque continuem os êxitos!* Israel Winicki nasceu naArgentina, mas resideatualmente em Naharya, Israel,onde é professor de história econferencista. É colaborador dosite israelense de línguaespanhola, www.porisrael.orgonde o presente artigo foipublicado. O site é parceiro dojornal Visão Judaica.(isi_winicki@hotmail.com).


VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768Liturgia teocrática, ideologia niilista17Pilar Rahola *ode existir um niilismode talho teocrático?Sem dúvida é um autênticooximoro, comnotáveis méritos para fazerparte dos grandes opostos dalinguagem. Pareceria que a exaltaçãoaté o paroxismo da transcendênciaespiritual, não podedesembocar no nada absoluto,como se tentássemos juntar SantaTeresa de Jesus e Nietzsche, epretendêssemos não afundar naintenção. O filósofo alemão gostavade dizer que vivia no abismopermanente e, em troca, osgrandes místicos, asseguram viverna plenitude. É, talvez, a plenitudeespiritual uma outra formade abismo? Seja como for, nãopareceria fácil juntar ambas asconstruções mentais se não fossepelo fato, de que sobre a filosofiaestá a realidade, e esta sempresupera as expectativas. Hoje,o fenômeno ideológico mais sério,mais trágico, mais perigosoO LEITORESCREVEArtigo daprofessora JanePrezada Jane,Caros amigos do Visão Judaica:Parabéns pelo artigo da professoraJane Bichmacher de Glasman, que realmenteinovou! Adorei a questão donunca começar do zero, uma nova visãoque eu ainda não havia ouvido,nem lido a respeito.E parabéns também ao jornal peladivulgação do valioso artigo.Gmar Tov a todos!Marcos SusskindSão Paulo – SPHebron judaicaSenhores redatores:É com muita satisfação que tenhoo prazer de cumprimentá-los pela publicaçãodo brilhante artigo “Os eternosvínculos judaicos com Hebron”.A história ali contada renova nossoespírito e amor pelo lugar, tão sagradoao povo judeu, que durantemilênios nos foi roubado. É com ocoração entristecido que recordo oe, sem dúvida, mais letal que atuano mundo, encontrou a fórmula parasomar o amor a D-us com o amor anada, e a partir do nada, considerarque a vida não tem outro valor queo valor de tirá-la. Os guerreiros doislamismo jihadista, treinados numacultura de ódio e morte, são niilistasde manual, autênticas encarnaçõesdo vazio absoluto e, no entanto,sua linguagem, sua liturgia, seucenário é, todo ele, religioso. Emcerto sentido são os anti-heróis dohomem que Albert Camus procuravaem Os justos, que não duvidam comoduvidava seu personagem Kaliayev,mas como êmulos de Stepan, matame morrem sem nenhuma fratura interna.Sem pergunta alguma. Semalma. Certamente, trata-se de umasocialização da morte como paradigma,e só a partir dessa socialização,se pode entender a essência do fenômenoe se pode calibrar sua enormedimensão.Nestes últimos meses, algunscolegas, que até agora consideravampessoas que escrevem, e interessadasno jihadismo islâmico háfato de que até 1967, quando acidade era ocupada pelos jordanianos,era terminantementeproibido que algum judeu dela seaproximasse, assim como por séculos,a nós foi negada a possibilidadede orar na Caverna deMachpelach, onde estão sepultadosnossos principais patriarcase matriarcas. Parabéns por nosproporcionar esse belo artigo.David M. AizenSão Paulo - SPDo começo ao fimAmigos editores:Quero dizer que adoro o jornal etodos os artigos são motivo de satisfação.Acho que todos os elogios sãopoucos. Espero com ansiedade achegada de um novo número equando ele chega, leio todos osartigos do começo ao fim.Vocês estão de parabéns!Edith BlumembergCuritiba - PRPara escrever ao jornal Visão Judaicabasta passar um fax pelo telefone: 0**41 3018-8018ou um e-mail para visaojudaica@visaojudaica.com.branos, como uns demagogos, ou unsalarmistas sem fundamento, ou talvezdiretamente agentes infiltradosdo Mossad — como esses vendedoresde santos de Olot 1 , que PereCalders assegurava que eram espiõesjaponeses —, estes notáveiscolegas acabam de ver a luz e descobrira ameaça. E qual cogumelosdepois da chuva, aparecem sob asárvores e enchem os microfones desisudas explicações que, dando-as,conseguem dar todas as respostasque alguns de nós levaram anos procurando.Para problemas complexos,soluções simples, diz o catecismo dobom populista, e deve ser um catecismomuito lido nas cátedras universitárias.Porque se o jihadismofosse explicado com os argumentosque ouvi estes dias até à saciedade,especialmente na boca dos intelectuaisorgânicos do progressismo, acoisa seria de rir, enquanto choramosde pena. De entrada, e como erade se esperar, parece que o terrorismoislâmico não é mais que uma reaçãoviolenta ao imperialismo ianque,que certamente é o responsável portodos os males que envolvem o mundoislâmico. Ao mesmo tempo, o islãnão é culpado de nada, só de sofrerdurante décadas e finalmente sublevar-se.Todo o enfoque perverso nascedo Ocidente, e todo o vitimalismopaternalista se aplica ao Oriente,com a clássica visão beneméritapara com o terceiro mundo de Quicoo progressista. Projetada a visão maniqueísta,o planeta divide-se entreas responsabilidades americanas, alassidão européia, que vive sem vivernela, e os pobres países do islã.Certamente, explica-se o fenômenoem termos de pobreza, marginalizaçãoe desespero. Assim enquadram ossuicidas do Hamas palestino, os adolescentestreinados nos campos doHezbolá, os iraquianos degoladoresde pessoas e até os suicidas que aparecempelo sudeste asiático. Tratasede esboçar partes tópicas para organizarum quebra-cabeça que nãorompa nenhum dos esquemas da correçãopolítica. Bem. Como estou aquipara incomodar, e tenho a mania deanalisar a questão desde há décadas,me permitirei alguns matizes sensivelmentecorretores do dogma progressistasobre o jihadismo. Primeiro,o fenômeno, como ideologia demassas em sua versão moderna, nascena década de 1920 na Universidadedo Cairo, quando nem existiaIsrael, nem os Estados Unidos pintavamnada. Os grandes ideólogosforam condenados à morte logo emseguida, mas seus seguidores, egíp-cios e sírios em sua maioria, distribuíram-sepela Europa e foram acolhidos porbelos países como a Suíça e a Inglaterra,que viam neles uma clara oposiçãoaos regimes de estilo soviético. Logoreceberam dezenas de milhões de dólaresdos Emiratos e da Arábia, e sua atividade,sua logística, seus centros deestudos, seus mitos e toda a parafernáliado fundamentalismo islâmico cresceramcom extraordinária rapidez, portodo o âmbito mulçulmano. Quando, em2001, à raiz do 11 de Setembro, foramcongelados os fundos que financiavamo fenômeno a partir da Europa, os bancosislâmicos implicados tinham décadasde atividade. Não há espaço nesteartigo, para recordar o que significou aguerra fria, mas não se pode explicar ofundamentalismo islâmico sem falar daUnião Soviética. Ou sem falar do terrorismoiraniano, que matou dezenas depessoas na Argentina. Ou sem falar dopapel das ditaduras do petrodólar, ativasno financiamento de uma visão extremistado islã. Quando, na Palestina,começaram a doutrinar crianças para amorte, nas colônias de férias financiadaspelo Irã e, em seu momento, o Iraque,ninguém quis ver o fenômenocomo o que era: a derivação palestinado niilismo extremista, um niilismo quesuperava a idéia de um Estado palestino,para abraçar diretamente a repúblicaislâmica. E tivemos Bali, Beslam,Quênia, Turquia, centenas demortes até chegar ao primeiro atentadona Europa, Madrid, 11 de Março.Pelo caminho, Bush cometeu o graveerro de perpetrar uma guerra inútil.Mas para chegar a Atocha, o fenômenohavia atravessado mares e tinha seglobalizado. Em resumo acelerado: nãoé uma ideologia de pobres, mas profusamentefinanciada. Não é uma ideologiados marginalizados, ainda queuse a marginalização como munição.Não é uma ideologia libertadora, senãotudo ao contrário: seu objetivo éo domínio integral do ser humano. Nãopretende libertar povos, mas criar umaúnica Umma muçulmana. E, ainda queseja difícil de digerir, não nasce da maldadeamericana, porém muito antes, deum olhar regressivo, medieval e furibundamenteantilibertário do próprio islã.Usa os erros do Ocidente, mas nasce deseus próprios monstros. Tudo isso, emais, interage no fenômeno, e sem entendera complexidade de décadas, asúnicas coisas que conseguiremos serãoalgumas partos mentais, desses que caemtão bem nas tertúlias progressistas, simpáticas,politicamente corretas e totalmenteinúteis.Nota:1 Olot — Cidade capital da comarca deGarrocha, especialmente conhecida porseus atrativos de interesse natural.* Pilar Rahola éconhecida jornalista,escritora e temprograma na televisãoespanhola. Foi viceprefeitade Barcelona,deputada noParlamento Europeu edeputada noParlamento espanhol.Publicado no jornal LaNación, de BuenosAires. Tradução: SzyjaSorber.


18VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768De 16 a 19 de outubro a Escola Israelita promoverá o “EncontroCultural” que, durante 4 dias recebe diferentes manifestaçõesartísticas como teatro, música, mímica, literatura, poesia, dança,artes plásticas e muito mais. O encontro acontecerá nas dependênciasda escola e do CIP e inclui uma feira do livro com expositoresde diferentes editoras.Através da Portaria 1242, de 25/9/2007, o ministro da Defesa,Nelson Jobim concedeu a Medalha da Vitória a personalidadescivis e militares, entre as quais o vice-almirante Gilberto Max RifeHirschfeld, comandante do 5 0 Distrito Naval em Rio Grande – RS.A medalha foi concedida ainda ao general-de-divisão Joaquim Silvae Luna, chefe de Gabinete do Estado-Maior do Exército, que foiAdido Militar em Tel-Aviv; ao coronel médico Sérgio Idal Rosenberg,recentemente promovido pelo Comandante da Aeronáutica ao postode Coronel do Quadro de Oficiais Médicos, pelo critério de merecimento,sendo designado para o cargo de Diretor do Hospital de Área daAeronáutica de Belém.Também receberam a Medalha da Vitória, o professor doutor TulloVigevani, diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP(Campus de Marília) e estudioso das relações entre Israel e Brasilno século XXI e a comunidade judaica brasileira e o professor IsraelBlajberg, diretor da ANVFEB e diretor de Cidadania da FIERJ. AMedalha da Vitória se destina a agraciar civis e militares que tenhamcontribuído para a difusão dos feitos da Força ExpedicionáriaBrasileira durante a II Guerra Mundial e prestado serviços relevantesapoiando o Ministério da Defesa no cumprimento de suasmissões constitucionais.A professora Yara Feldman explica, na sucá, para os pais de futurosalunos da Escola Israelita "Salomão Guelmann" aspectos do métodode ensinoPelo segundo ano consecutivo, o Departamento de Educação da Kehiládo Paraná e a direção da escola Israelita Brasileira “Salomão Guelmann”realizaram um jantar na sucá para pais de futuros alunos noano letivo de 2008, para apresentar um vídeo completo sobre asatividades educacionais escolares, bem como detalhar o programaeducativo Hora’a Mutemet, adotado em Israel, e utilizado tambémem outras escolas judaicas brasileiras, que integra melhor os alunos.A diretora de Educação da Kehilá, Ilana Lerner Hoffmann, a diretorada escola, Denise Arruda Venci, além das morót Yara Feldman eDenise Weishof discorreram sobre projeto educacional e esclareceramtodas as dúvidas a respeito.A Wizo Paraná anunciou o resultado do concurso “O que é a Wizo”durante a festa de Simchat Torá na Sinagoga do CIP dia 4/10 queesteve repleta de crianças e pais de alunos da Escola IsraelitaBrasileira Salomão Guelmann. O primeiro lugar do concurso ficouThaís Mizrahi Jakobson (que por sinal no dia 13/10 cumpriu seuBat Mitzvá). O segundo lugar foi para Bruna Frenkel; e o terceiroA partir da esquerda. Alegre Bromfman, Isabella H. Garcia,Thaís M.Jacobson, Julia Levy, Daniela Hendler, Leonardo N.Rosemberg, Bruna Schweidson Maya Weishof e Sara Kulisch.Embaixo, Bruna Frenkel, Nicole Nudelman, Hanna Barg, MarinaKatz, Denise WeishofVencedores (a partir da esquerda) Bruna Frenkel 2 0 lugar,Thaís M. Jacobson 1 0 lugar, Alegre Bromfman (Wizo),Leonardo N. Rosemberg (3 0 lugar), Marina Katz (também 3 0lugar), Sara Kulisch (Wizo)lugar teve um empate, com o prêmio sendo dividido porMarina Katz e Leonardo Nudelman Rosemberg. Houve umtrabalho com menção honrosa, escrito por Júlio Levy. Osprêmios foram em dinheiro, doados pela ativista da WizoSara Kulish, mas todos os concorrentes receberam uma lembrançada organização judaica feminina que está presenteem todo o mundo.A comissão julgadora dos trabalhos esteve formada pela professoraTânia Baibich (UFPR), pelas senhoras Clara Grinberg,Sara Kulish e Ilana Hoffmann Lerner (EIBSG) e o jornalistaSzyja Lorber, do Visão Judaica.Em 1992, um grupo de jovens brasileiros, ao retornaremda Marcha da Vida Mundial, na Polônia e em Israel, crioua Associação Brasileira dos Participantes da Marcha daVida. A associação ficou com a responsabilidade de organizara Delegação Brasileira para a Marcha da Vida Mundial.E também organiza periodicamente a Marcha da VidaRegional que acontece em São Paulo para pessoas quenão podem participar da Marcha da Vida Internacional,na Polônia. A Marcha da Vida Regional é uma caminhadade aproximadamente 3 quilômetros na área do cemitérioisraelita da cidade e termina no monumento em honradas vítimas do nazismo, onde ocorre um ato de IomHashoá. Mais informações veja em http://www.marchadavida.org.br/Foram comemorados, num jantar de confraternização, os aniversáriosde Lea Heilborn e Sheila Rigler. Provou-se mais umavez que quando se junta um grupo de 8 mulheres com idadesacima de 40 anos o evento pode ser muito alegre. Às duasdesejamos Mazal Tov!O Presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereadorAntonio Carlos Rodrigues, convida para a SessãoSolene de entrega de Salva de Prata ao ProgramaMosaico na TV e ao seu fundador Sr. Francisco Gotthilf,por iniciativa da vereadora Noemi Nonato, nodia 22 de outubro. Desejamos Mazal Tov! Reconhecimentomerecido.O Grande Bazar Wizo será realizado no dia 16 de dezembrono Ginásio de Esportes do CIP e beneficiará uma entidadecarente de Curitiba. Aguardem excelentes preçosem produtos de qualidade. Os preparativos já começarame prometem uma grande realização com muitos atrativos.O lançamento da “Biblioteca Digital do Museu JudaicoRio” acontecerá no próximo dia 17 de outubro, estandodisponível a partir de então no site oficial da instituiçãoem www.museujudaico.org.brO Habonim Dror comemora 62 anos. Uma festa feita dediversão e lembranças acontecerá no Restaurante Piemonte,em Santa Felicidade, no dia 20 de outubro. Ingressosà venda com o pessoal do Dror.Ida Axelrud z”l, terceira presidente da Na’ AmatPioneiras Paraná, que deixou muitas saudades emCuritiba, vai ser homenageada no dia 10 de novembro,às 20h, no auditório do CIP. Será uma noite emsua memória, para lembrar a todos seu trabalho frenteà organização. As adesões podem ser feitas atravésdos seguintes telefones: 3222-1281, 3225-7414e 3242-6056.O Grupo Apoio Saul Schulman vai realizar uma tardede bate-papo com os escritores curitibanos Leon Knopfholze Antonio Carlos Coelho (colaborador do Visão Judaica)no dia 18/11, às 16h, no cinema do CIP. A entrada éaberta ao público, mas é preciso levar uma lata de leiteem pó para doação a uma entidade beneficente.Durante Iom Kipur, na Sinagoga Francisco Frischmann,em Curitiba estiveram o prefeito Beto Richa e o deputadofederal Gustavo Fruet. Quase no final do dia, tambémesteve lá Vanderlei Iensen, chefe de gabinete dogovernador Requião.O filme brasileiro que vai concorrer a uma vaga para disputaro “Oscar de Melhor Filme Estrangeiro” em 2008 é“O ano em que meus pais saíram de férias”, de Cao Hamburger.Na história, Mauro (Michel Joelsas), é um garotomineiro de classe média, apaixonado por futebol nos anos1970, filho de pai judeu (Eduardo Moreira) e mãe cristã(Simone Spoladore), de um dia para o outro, ele vê seumundo mudar. A obra, que se passa no bairro do BomRetiro, em São Paulo, tem como protagonista Shlomo(Germano Haint), o vizinho do avô de Mauro, um judeusolitário, funcionário de uma sinagoga. Foi o último trabalhodo ator Paulo Autran, recentemente falecido.Cao Hamburgercom o elencoprincipal do filme“O ano em quemeus pais saíramde férias”Colabore com notas para a coluna. Fone/fax 0**41 3018-8018 ou e-mail: visaojudaica@visaojudaica.com.br


VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768Israel, TURISMO seu povo, sua liderança19Antonio Carlos Coelho *Iniciamos uma nova coluna,com outro nome e outro tema:pessoas que ao longo da história,pelo modo de vida, pela crença eatos, moldaram Israel.Muitas dessaspersonagens fazemparte da Torá. Forameles que, pelassuas opções, crençano D-us Único,pelas guerras e conquistas,deram asprimeiras formas aIsrael. Não somentea Israel, a terra,mas também à religião,à ética judaica,ao modo de serjudeu, fixando algumascaracterísticasque perduram por muitos séculosou até os dias de hoje.Todos sabemos sobre os homense mulheres da Torá. Conhecemossuas histórias e feitos desdea nossa infância. Nós os temoscomo fundamentais na fomaçãoDavid Ben GurionRei SalomãoHeróis bíblicos e pós-bíblicosdo povo judeu e no estabelecimentoda nação judaica. Foram personagensque tiveram uma vida comprometidacom D-us e com os homens.Suas histórias são conhecidas,contadas e recontadas de geração emgeração, porque, cadajudeu encontra nelessua identidade religiosae nacional. Assimcomo esses atores bíblicos,outros tantos,pós-bíblicos marcarama vida do povo judeude forma excepcional.Talvez, se a Bíblia continuassesendo escrita,pessoas como RabiAkiva, Rashi, Maimônides,Nahmânides, BaalShem Tov, Luzato, JosefCaro e os mais recentes,heróis dos guetose da independência do Estadode Israel, estivessem entre os seuspersonagens.Na Torá os atores são tratados emsua condição humana, profundamentehumana. Somente por este fato,já encantam. Não são santos, nemhomens com poderes superiores. Seuspoderes são conquistados pelo próprioesforço, pelo exercício espirituale proximidade a D-us, pelas virtudeséticas, mas, nada impossível aqualquer ser humano de boa vontade.Mesmo a santidade ordenada porD-us, no Livro Vaikrá, não afasta ohomem da realidade mundana. Nistoestá uma das maiores característicasdo judaísmo, o reconhecimento dacondição humana, sem impossíveisexpectativas e freqüentes construçõesde imagens estereotipadas daspessoas. Do ponto de vista religioso,o ser humano se coloca diantede D-us da maneira mais sincera, reconhecendosuas limitações, inclinações,boas ou más, e é capaz deBaal Shem Tovreconhecer o mesmo em seu semelhante,abrindo o caminho para tornar-semais virtuoso. Do ponto devista da ética, o reconhecimento daprópria condição é fundamental paracompreensão do outro. De outra forma,não seria possível se estabelecerum sincero procedimento éticonas relações humanas.Entre personagens, posterioresao período bíblico, encontramosverdadeiros líderes, religiosos, políticos,comunitários, militares que,por suas ações, também contribuírame influenciaram a história, areligião judaica. Foram, muitos deles,construtores do Estado de Israel,da sua política, economia, influenciandona organização socialdo país, na forma de pensar do seupovo. Todos merecedores da memóriadas gerações.Até então escrevi sobre lugares.Agora escreverei sobre pessoas e sobrede como as vejo no contexto ju-Golda Meirdaico. Não sei se minha forma de “ler”a vida dessas pessoas coincidirá coma de meus leitores, mas certamenteservirá para que melhor se conheça opovo, sua religião, seu modo de pensardo judeu. Este é o meu interesse.O conhecimento do outro é a melhorforma de eliminar preconceitos.Maimônides* Antonio Carlos Coelho é professor, diretor do Instituto Ciência e Fé,e colaborador do jornal Visão Judaica.Abraão19


○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○20(comAhmadinejad, de novo,quer apagar IsraelVISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768VISÃOpanorâmicaMais uma vez o presidente do Irã, MahmudAhmadinejad, expressou o desejode riscar Israel do mapa. No dia 5/10sugeriu que os judeus se mudassem paraa Europa, ou para as grandes porções deterra, como o Canadá e Alasca. “Israelviola a santidade dos profetas, insulta adignidade humana e a democracia, e afirmanão ter nada a ver com estes atos”,declarou acrescentando: “Eles (Israel) sederam o luxo de cometer quaisquer crimessob o pretexto do Holocausto. Atémesmo construíram prisões secretas naEuropa... atacaram e impuseram sançõeseconômicas contra uma nação que nãoreconheceu oficialmente o regime sionista”,vociferou, para em seguida dizerque a “criação do regime sionista, suacontinuidade, sua existência e o apoiodos Estados Unidos a este regime sãoum insulto à dignidade humana e representamsua destruição”. Ahmadinejadmencionou que os sionistas (maneirapela qual chama os judeus) devem “semudar totalmente para fora do OrienteMédio”. (Irna).Político anti-Síria morre ematentado em BeiruteO legislador Antoine Ghanem, 64, membrodo Partido Cristão Falange, morreunum atentado a bomba ocorridoem Sin el Fil, bairro cristão do leste deBeirute. O ataque matou ao menos outrasseis pessoas e feriu outras 20.Ghanem é a oitava figura anti-Síriaproeminente assassinada no país desde2005. O assassinato de figuras anti-Síria começou com o do ex-primeiroministroRafik Hariri, que morreu emum atentado a bomba em 2005. No Líbano,grupos acusam a Síria de estarpor trás destes atentados, acusação queo governo sírio nega. A morte de Haririculminou em protestos que levaram àretirada síria do Líbano, após 30 anosde ocupação no país. Assim, em 2005,um governo liderado por políticos anti-Síria foi estabelecido. Desde então, ogoverno do primeiro-ministro FuadSiniora, está em uma luta com a oposição,dominada pelo movimento radicalislâmico Hezbolá apoiado pela Síria.Após o assassinato do parlamentarWalid Eido em junho, muitos legisladorestiveram de deixar o país e “tirarférias” por razões de segurança. Outros,informações das agências AP, Reuters,AFP, EFE, jornais Alef na internet, JerusalemPost, Haaretz e IG)• Yossi Groisseoign •que ficaram no Líbano, passaram a adotarmedidas de segurança extremas.(Associated Press e CNN).Teste químico mata sírios e iranianosDezenas de engenheiros iranianos e 15militares sírios morreram num teste comarma de destruição em massa realizadoem 23/7 na Síria. A equipe sírio-iranianaestava tentando montar uma ogivaquímica em um míssil Scud quando aexplosão ocorreu, espalhando agentesquímicos letais — incluindo o gás sarin— no local. De acordo com a instituiçãoGlobal Security, a Síria não é signatáriada Convenção de Armas Químicas(CWC), um acordo internacional queproíbe a produção, o estoque e o usode armas químicas, e do Tratado de ProibiçãoCompleta de Testes Nucleares(CTBT). A Síria teria começado a desenvolverarmas químicas em 1973, poucoantes da guerra do Iom Kipur, contraIsrael. Para a Global Security, Damascotem um dos mais avançados programasde armas químicos no Oriente Médio.(Jane’s Defence/Globo On-line).Morreu Marcel MarceauMorreu em Paris, aos 84 anos, MarcelMarceau, o artista mundialmente conhecidoque reviveu a mímica. Judeufrancês,Marceau sobreviveu ao Holocaustotrabalhando para a ResistênciaFrancesa e protegendo crianças judiasque deveriam ser deportadas para Auschwitz.Sua maior representação foiChaplin, tendo inspirado jovens comoMichael Jackson nos seus passos em“Moonwalker”. Marceau apresentou-seem dezenas de países, quase até o finalde seus dias, sem nunca ter perdidosua forma, seu estilo. Uma das maismarcantes peças de seu repertorio foi“Juventude, Maturidade,Velhice, Morte“, em que sem pronunciar uma sópalavra, resumia o ciclo da vida humanaem apenas alguns minutos. Marceaunasceu Marcel Mangel, em 1923, nacidade de Strasburg, França. Em 1944,seu pai foi deportado pelos nazistaspara Auschwitz, onde foi assassinado.(Notícias da Rua Judaica).Armamento nuclear?Há duas semanas, o governo sírio acusouas forças israelenses de realizaremum ataque contra o país. Segundo ojornal The New York Times, os prováveisalvos eram esconderijos de armas, asquais Israel acredita que o Irã enviouatravés da Síria para chegar às mãos dogrupo libanês Hezbolá. Entretanto, diversasoutras agências noticiosas, informaramtratar-se de um ataque israelensebem sucedido para eliminar materiale equipamento nucelar que a Síriateria sigilosamente adquirido daCoréia do Norte. Comenta-se, inclusive,que ao serem apresentadas provasda atividade nuclear síria, a Casa Brancateria dado sinal verde para o ataque.O fato é que nem Israel, nem ogoverno sírio comentam nada a respeito.(Com agências).Prefeito de Yeruham no BrasilA convite do Fundo Comunitário,Amram Mitznam, ex-prefeito de Haifa,3ª maior cidade de Israel, e atual prefeitode Yeruham, estará no Brasil, de23 a 25 de outubro, participando deencontros com lideranças comunitáriase expondo seu plano de trabalho paraYeruham, município localizado a apenas30 quilômetros de Beer Sheva, porçãoSul de Israel. Yeruham foi fundadaem 1951, e conta hoje com cerca de 9mil habitantes, em sua maioria, novosimigrantes provenientes da África doNorte, ex-URSS e Índia, e cujas criançasnecessitam de muita atenção. Assim,Mitznam vem empreendendo esforçospara aprimorar o sistema educativolocal, através do reforço à determinadasáreas do conhecimento, etambém, vem lutando para preservar omeio ambiente com a construção desistemas novos e modernos de saneamento,restauro do lago e para aproveitá-locomo um centro turístico. Pretendeainda, desenvolver projetos parafortalecer os recursos humanos e a infra-estruturalocal. (Silvia Perlov).Vêm aí as notas de plásticoSão levíssimas, finas, dobram-se comfacilidade, não desbotam e são difíceisde rasgar e de falsificar. São asnotas de dinheiro de plástico. Em algunspaíses, como Austrália, Nova Zelândiae Hong Kong elas já circulam.Em Israel, as de 20 shekels começarãoa circular em fevereiro de 2008. Seaprovadas, todas as notas serão trocadasnum lapso de alguns poucosmeses. Trata-se de um projeto a travésdo qual serão emitidos alguns milhõesnotas de 20 shekels de material muitomais seguro. O Banco Central de Israelestá preparando também algumas marcassecretas que tornarão as notas aindamais seguras. As atuais notas depapel se desgastam e estragam muitorapidamente, e custa muito caro a impressãode milhões de milhões de notastodos os anos, assim como tambémfica onerosa a destruição do papel-moedaretirado de circulação. O BCisraelense assegura que a adoção dasnotas de plástico permitirá uma grandeeconomia, já que não se estragam. Nãohaverá problema, por exemplo, se porum erro uma nota de plástico passarpela máquina de lavar roupa. Ninguémterá que colar pedaços para reconstruíla,simplesmente porque a nota não serompe. (Yedioth Aharonot).Hezbolá: até 3 mil foguetes por diaO líder xiita do Hezbolá, Hassan Nasrallahafirmou que sua organização terroristatem já a capacidade de lançarentre 1.000 e 3.000 foguetes por dia eque a Força Interina de Nações Unidasno Líbano (Finul) “não teria capacidadede deter seus homens” se decidisseatacar Israel. Nasrallah que fez estas declaraçõesnuma entrevista feita recentementepela TV Dubai Satellite, declarouque o Hezbolá dispõe de “mais de12.000 mísseis” e “mais de 20.000 foguetes”.“E quando digo que temos20.000 foguetes quer dizer que podeser que tenhamos 30.000 ou 80.000foguetes, ou talvez mais”, assinaloupara tentar confundir os israelenses.(Bilal/Webmaster/Europa Press).Hezbolá 2As declarações de Nasrallah foram recolhidasde uma página do Hezbolá nainternet. Ele descatou que a “resistênciaé mais forte hoje que antes e quepodemos combater melhor que no anopassado”, acrescenta o wesite. “Ao serperguntado se o Hezbolá teria capacidadede atacar os israelenses apesar dapresença da força internacional no suldo Líbano, o secretário geral afirmouque o Hezbolá está situado nas localidadesao sul do rio Litani, procurandodesmentir Israel que assegura que oHezbolá está longe da fronteira”, citaa página do grupo libanês. (Bilal Webmaster/EuropaPress).


VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768Tributo a uma mulher notável21aleceu no dia 27/9 a nossaQuerida Irmã EddaBergmann, Vice-presidenteInternacional daB’nai B’rith.Segundo o Boletim da CONIB,“Edda era natural de Trieste, Itália, ecompletou 80 bem vividos anos, nesse27 de março. Ela e sua família foramrecebidos no Recife, pessoalmente porOswaldo Aranha e sua esposa, comquem seguiram viagem até Santos, àépoca em que eclodiram as leis raciaisimpostas por Mussolini contra os judeus.Aqui, criou suas raízes, constituiuuma família e desempenhou umtrabalho em prol da comunidade e dadefesa dos direitos humanos. Formouseem Letras - Universidade Mackenziee Psicologia – USP, conquistou o títulode mestre em História Social, pela USP,e em Religiões Comparadas pela UniversidadeHebraica de Jerusalém, e aindase especializou em Análise Política- Universidade Mackenzie”.Como escreveu Beatriz Zuker: “Perdemosuma líder incontestável dentroda comunidade judaica e da sociedadebrasileira. Uma líder que nunca se caloue que, com sua enorme capacidade,nos enriqueceu a todos com seuconhecimento e erudição”. E comodisse Abraham Goldstein: “Detentorade uma visão crítica muito aguda darealidade, uma capacidade incomparávelde análise da história humana, D.Edda sempre se posicionou de formaclara, firme e incansável. Defendeu epromoveu os seus amplos conhecimentos,educou a todos que assim o queriame nos deixa um legado de grandevalor, repleto de sua sabedoria, perspicáciae coragem”.Colaborou com o jornal Visão Judaicade outubro de 2002 até setembrode 2007 (já internada no hospital),quando desejou em seu últimoartigo “um futuro de Paz, sem ameaças,de todos por um e um por todos,em pleno uníssono com o amor, e acompreensão que deve abranger todoser vivente”.Descanse em paz e que D-us teabençoe, querida amiga! Um dia voltaremosa nos encontrar num mundomelhor e mais justo. Nossa “brincadeira”continua: quando crescermosqueremos ser como você.Deixamos aqui nossa homenagemreproduzindo um artigo publicadoem outubro de 2003, nesse jornal,quando Edda Bergmann era Presidenteda B’nai B’rith do Brasil.Servindo a D-usEdda BergmannTodo dever judaico, em últimaanálise, está envolvido com o amora D-us. Quando alguém é sinceroconsigo mesmo, com a sociedade,com o seu povo, está sendo sincerocom D-us.Assim, a literatura judaica tradicionalpouco conhece das distinçõesque introduzimos, para fins de estudoe análise, ao conceito de responsabilidadejudaica. A mitzvá é um atosagrado, a resposta do homem à vontadede D-us. É o momento de tempono qual o homem conduz a si mesmoe seu mundo ao serviço de D-us,transformando-os pela vontade, tornadofato, dirigida para D-us. O judeufaz o bem porque assim lhe éordenado fazer.O Rabi Simlai disse que havia 613mandamentos básicos, mas através daelaboração e da especificação há aotodo, na vida judaica muitos mais.O clímax de todo dever do judeuenvolve os atos imediatamente e diretamenterelacionados com o próprioD-us, aqueles que provocam o sentimentocontínuo de sua presença.O conhecimento de D-us, para ojudeu, significa conhecer a si mesmocomo um indivíduo sujeito a um mandamento.Aproximar-se de D-us é, porconseguinte, o mandamento supremo.De todos os deveres que poderiamser considerados em relação aD-us, não há nenhum que prove suaexistência. Do ponto de vista judaico,a existência de D-us é coisa tacitamenteaceita. No começo mesmode vida judaica, conforme está registradona Bíblia, um universo semD-us seria algo inimaginável depoisde tudo o que aconteceu a Israel.O êxodo, o pacto no Sinai, tudoaponta para um poder além do homem.Israel viu sua fé confirmadana sua história posterior, na grandiosidadeda natureza e na experiênciaíntima do homem.Na Idade Média, quando ojudaísmo foi posto em confronto comos desafios do racionalismo árabe ecristão, os filósofos judeus tentaramformular demonstrações sistemáticasda existência de D-us, mas isto permaneceuapenas como uma preocupaçãode uma elite intelectual.Para a maioria, dava-se ênfase aoque D-us esperava do homem maisdo que à especulação do homem sobrea existência e essência de D-us.A primeira aproximação judaica aoTodo Poderoso foi para oferecer sacrifícios.A Bíblia registra, entretanto,que havia indivíduos que não hesitavamem falar com D-us, que ofereciampalavras de louvor e gratidão,que externavam expressões de fé econfiança. Com o tempo, a prece tornou-secomum e, quando o Templofoi destruído em 70 d.c., a liturgiade grupo substituiu o sistema sacrifical.Tal prece, embora baseada noesforço individual, não podia confiarno capricho de cada um.Como recurso central através doqual todo o povo pudesse se aproximarde seu Pai e renovar sua relaçãocom Ele era necessário uma estrutura.Os judeus ainda se sentiam encorajadosa rogar o que quer que seuscorações aspirassem, mas começoua se desenvolver uma liturgia formalque possibilitasse a todos os membrosda casa de Israel orarem juntospor si e por todo o povo.Quando cada judeu se juntava aseu povo na prece, adquiria a sensaçãode pertencer ao povo de Israel,reunindo-se a este diante de seuD-us, e uma nova experiência religiosajudaica comunal e pessoal surgiu.A prece comunal tornou-se assimum dos deveres do judeu.Enquanto que outros povos eoutras religiões têm ensinado a necessidadeda prece, o judaísmo é oúnico que continua a sustentar queo estudo é igualmente uma via queleva diretamente a D-us.A literatura judaica clássica repetesempre a necessidade do estudocomo um dever religioso fundamental.O “ignoramus”, como disse Hillel,não pode ser realmente piedoso. Afinalidade do aprendizado não é uti-litária - conseguir um emprego melhorou obter maior poder. É ter comoideal adquirir dignidade e respeito.A finalidade do aprendizado édescobrir mais sobre a lei e conhecimentosagrados de D-us. É descobriro desígnio de D-us e aprender o queos homens devem fazer a fim de viveremeste desígnio.Os heróis da cultura judaica atravésdas épocas não foram guerreirosou generais - os judeus admiram o“talmid hakham”, o “estudante sábio”,o homem de estudo. Realmente, nemtodo judeu pode ser um estudioso,mas todos os que aceitam os valoresjudaicos reverenciam o estudioso eprocuram, por sua vez, conhecer umpouco - ao menos aquilo que regularmentefaz parte das preces matinais.A prece e o estudo não são osúnicos caminhos que levam a umavida religiosa. Há também numerososatos rituais a serem praticados oque dão um contexto sagrado ao dia,à semana, ao ano, à vida individual.Eles dão ao judeu um sentimento dasantidade do tempo. Primordial é aobservância do sábado, o dia maissagrado do calendário judaico, oúnico mencionado no Dez Mandamentos.É um dia preenchido por umcerimonial especial e impregnado deum espírito único.Sua mensagem de descanso, decessação de trabalho, das necessidadesdo espírito, tem uma significaçãoespecial na nossa épocainquietante.Finalmente e atingindo a seu pontomais alto, estes deveres culminamno amor a D-us. O judaísmo compreendeque alguns podem adorar a D-use cumprir os Seus mandamentos porquetemem Sua força e Seu poder.Entretanto, os rabinos insistemno que está na Bíblia, que D-us émelhor servido por amor. Eis que,até hoje, a proclamação “Escutai,ó Israel” no ritual judaico éimediatamente seguida, por decretorabínico, pelo parágrafo bíblicoque começa assim “E amarás ao SenhorTeu D-us de todo o teu coração,de toda a tua alma, e com todasas forças”... O amor a D-us é oprimeiro dever do homem que proclamaD-us como o Único e o Último.


22VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768Um ‘partido político’ reveladoRachel Ehrenfeld *embre-se, o Hezbolá éum partido políticodentro do Líbano... Oproblema é... que elessão um partido políticocom uma milícia armadapor nações estrangeiras”, declarouo presidente Bush outro dia, recentemente.“Partido político”?Milícia Armada”?.O Hezbolá que foi criado em1982 como uma organização terroristafoi finalmente assim designadoem 1995 pelo governo norte-americano.Teve seu status atualizadopara uma organização terroristamundial em 1997. O envolvimentodo Hezbolá em um “partidopolítico” começou nos anos80. Com a orientação e a ajudagenerosa do Irã o Hezbolá criouuma rede de instituições educacionaise culturais, assim comotambém saúde e de serviços debem-estar social. Posteriormenteincluiu uma autoridade islâmicade saúde que opera farmácias, clínicase até mesmo hospitais ondeforam tratadas diariamente milharesdas pessoas. O Hezbolá tambémcriou uma empresade construçãoque não sóconstruiu casas,mesquitas e escolas,mas também estradasasfaltadas eaté mesmo proveuágua para aldeiasxiitas. Particularmenteimportanteem tudo isto foisua contribuição àreconstrução demilhares de casasdanificadas nas batalhascom Israel no sul Líbano. Taisatividades compraram a lealdade dapopulação local.O Hezbolá, como a OLP e o Hamas,também mantém um “Fundo dosMártires” que fornece ajuda a milharesde famílias dos mortos, feridos epresos xiitas.Para manter e ampliar as suas atividadespolítico-sociais na comunidadexiita no Líbano e em outro lugar,o Hezbolá precisa de grandessomas de dinheiro. Os US$ 100 milhõesa US$ 120 milhões que diz receberanualmente do Irã, e as armase suprimentos de Teerã e de Damasco,são só uma gota no balde doHezbolá. De onde vêem os fundos doHezbolá? Em meados da década de1980, partidários do Hezbolá xiitana Europa Ocidental silenciosa e efetivamentese infiltraram nas comunidadesmuçulmanas locais com opropósito subversivo de convertê-losà versão do aiotolá Khomeini do Islã,e de ganhar eventualmente o controlesob essas comunidades. Incontáveisinstituições legais e quase-legais— inclusive grupos religiosos,culturais e econômicos — foram estabelecidaspara ocultar estas redeslatentes do Hezbolá; financiar suasatividades; servir como fonte parafuturo recrutamento de terroristasbaseados na Europa; e prover apoiofinanceiro aos seus ataques.O apoio ao Hezbolá vem de ambos,recursos legitimados e ilegais.O canal legítimo inclui organizaçõescaridosas que operam mundialmente,doações de indivíduos e receitasde negócios legitimados.O tráfico de droga é o principalfabricante de dinheiro do Hezbolá,endossado por uma fatwa especial dosmulás. Além da produção e do comérciode heroína no Oriente Médio,e de cocaína na América do Sul, oHezbolá facilita, por uma taxa, o tráficode outras redes de contrabandode drogas Por exemplo, coopera comas Forças Amadas Revolucionárias daColômbia (FARC), com o Exército deLiberação Nacional (ELN), da Colômbia,e com o “Anel de Abadan”, umaconsolidada rede de drogas iraniana,que lhes permite usar as rotas dedroga controladas pelo próprio Hezboláno Líbano, para transportar heroínae ópio do Irã e do Afeganistãopara a Europa e ao Norte da África.Os outros recursos ilegais doHezbolá incluem: lavagem de dinheiro,comércio ilegal de armas econtrabando; falsificação e vendade moeda corrente (notas de dólaresnorte-americanos) e bens (roupasde grifes e acessórios); piratariade CDs e DVDs; tráfico de pessoas;administração de esquemas deimportação e exportação elaboradoscom comerciantes da Índia ede Hong Kong para a Costa de Marfim,Bélgica, América Central e doSul. O Hezbolá também extorque“doações” de imigrantes xiitas, especialmentelibaneses na Américado Norte e do Sul, sob a ameaça dedanos físicos ou morte.As operações do Hezbolá tambémgeram enormes lucros enormes coma revenda de veículos roubados e alimentospara bebês; cartões de crédito,benefícios, Previdência Social,cuidados médicos e fraudes de seguro;falsificação de passaportes, delicenças de motoristas, e outras formasde identificação; incêndios premeditados;roubos; fraudes comcupons de alimentação; cartões deresidentes estrangeiros residentes,falsificação de licenças de motoristas;fraudes em telecomunicações,como vender acesso a telefone interurbanopor meio de serviços fraudulentamenteobtidos, e pela clonagemda identificação assinantes detelefones celulares.A amplitude das operações criminosasdo Hezbolá não só colhemlucros enormes — calculados em 6bilhões de dólares em 2001 — permitindocomprar seu acesso ao parlamentoe ao governo libanês,como também facilitaram a infiltraçãodo Hezbolá nos países visadospor eles, debilitando a economiados países enquanto promovem suaagenda terrorista.O Hezbolá também deveria seridentificado e designado como umaorganização criminosa mundial.E enquanto continua a subvencionaro vasto sistema de bem-estarsocial que pôs em campo, recrutamais “mártires” para sua causa, oHezbolá não gastou nenhum dinheiropara proteger a população “civil”no Líbano porque não a consideracomo tal. Em vez de construir abrigospara proteger os seus própriosirmãos e irmãs xiitas, os membros doHezbolá gastaram fortunas para construirbunkers fortificados e túneispara lançar a guerra, obter mortescalculadas e destruição.E, de acordo com o Hezbolá e osseus financiadores no Irã, isso é umaboa coisa porque só a morte e destruiçãopavimentarão o caminhopara o retorno do mahdi, o 12º imã ea supremacia xiita no mundo. Este éo Hezbolá que o presidente chamade “partido político”.* Rachel Ehrenfeld é diretora doAmerican Center for Democracy(Centro Americano para aDemocracia) e membro doCommittee on the Present Danger(Comitê no Perigo Presente). A dra.Ehrenfeld frequentemente éconvidada por emissoras de TVnorte-americanas para fazeranalises sobre questões ligadas adrogas, terrorismo e corrupção.Publicado no jornal WashingtonTimes em 11 de agosto de 2006.


VISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768Principais distorções e mentiras do livrode Carter, ’Palestina: Paz, Não Apartheid’“Tudo no livro é completamente preciso”.Jimmy Carter, durante entrevista ao programade Larry King, em 27 de novembro de 2006.livro ’Palestina: Paz, NãoApartheid’, do ex-presidenteJimmy Carter é repletode distorções e mentirasa respeito do OrienteMédio. O Centro Simon Wiesenthal,nos Estados Unidos, fez um levantamentodos principais pontos distorcidos,fabricados e inverídicos a respeitodo conflito entre israelenses epalestinos e está divulgando isso emtodo o mundo. A seguir, as afirmaçõese as contestações.1. O ex-presidente Carter afirmaque a Resolução 242 da ONU pedeque Israel devolva todos os territóriosocupados durante a Guerra dosSeis Dias de junho de 1967 e volteàs suas fronteiras de antes da guerra(página 125 do livro).A Resolução 242 da ONU não exigeque Israel retorne às suas fronteiraspré–Guerra dos Seis Dias. Na realidade,foi o embaixador britânicona ONU, Lord Caradon que introduziua resolução e que subseqüentementeexplicou: “teria sido erradoexigir o retorno de Israel às suasposições de 4 de junho de 1967”.2. O ex-presidente Carter declaraque haveria paz somente se Israelvoltasse às suas fronteiras pre-1967.(página 242 do livro).O Movimento de Libertação daPalestina foi formado vários anos antesda Guerra dos Seis Dias, quandonão havia nenhum território conquistado.A intenção óbvia do movimentoera “libertar” todo Israel. Atualmente,o partido governante da legislaturapalestina, o Hamas, tem reiteradosua política de nenhum acordocom o Estado judeu e a determinaçãorecuperar o que eles julgam sera “Palestina histórica”, incluindo oEstado de Israel. Esta também é a visãodo Hezbolá, com apoio iraniano.3. O ex-presidente Carter descreveYasser Arafat como um homem depaz, citando-o como tendo dito: “AOLP (Organização para a Liberação daPalestina) nunca defendeu a aniquilaçãode Israel.” (página 62 do livro).Carter aparentemente se esqueceuda Carta da OLP que clama pela destruiçãodo Estado judeu: “A libertaçãoda Palestina destruirá a presençasionista imperialista... Os árabespalestinos rejeitam todas as soluçõesque substituem a total libertação daPalestina... a Declaração Balfour... etudo o que se baseia nisso é nulo esem valor... reivindicações históricasou religiosas que ligam os judeus coma Palestina são incompatíveis comos fatos da história”.4. A política norte-americanasempre foi a das fronteiras de Israelde antes da Guerra 1967. (página207 do livro).O ex-presidente Carter escolheuesquecer da declaração do ex-presidenteJohnson de 19 de junho de1967, de que “as nações da região sótinham linhas de trégua frágeis e violadasdurante 20 anos, e o que elasprecisam agora é de fronteiras reconhecidas...isso lhes dará segurança contraterror, destruição e guerra”. Cartertambém ignorou os comentários do expresidenteNixon a Henry Kissinger, em1973 que, diziam: “Você e eu, ambossabemos que eles (os israelenses) nãopodem voltar para as outras fronteiras”.Em 1982, o ex-presidente Reagan declarou:“Nas fronteiras pré-1967, Israeltinha escassamente apenas a dezmilhas de distância no seu ponto maisestreito. A maior parte da populaçãode Israel vivia dentro do alcance daartilharia de exércitos hostis. Não estoua ponto de perguntar a Israel sequer viver daquele modo novamente”.Finalmente, o secretário de Estadodo ex-presidente Clinton, WarrenChristopher, disse: “eu gostaria de reiterarnossa posição de que Israel temdireito a fronteiras seguras e defensáveisque serão negociadas diretamentee acertadas com seus vizinhos”. Asobservações do ex-presidente Carternão estão, então, em sincronia comas opiniões de pelo menos quatro Presidentesdos Estados Unidos.5. O ex-presidente Carter afirmouque Israel deu pouca autonomia aospalestinos nos territórios disputados.(página 51-52 do livro).O Acordo de Oslo, estabelecidoem 1993, criou a Autoridade Palestinae colocou os palestinos na responsabilidadepor sua própria segurança,setor educacional e as instituiçõescívicas na Margem Ocidentale Gaza. Os palestinos também receberama responsabilidade de suaspróprias mídias. Israel deu mais dedois quintos da Margem Ocidental ea Faixa de Gaza inteira para a AutoridadePalestina. Menos de 5% dapopulação palestina vive agora emterritórios sob o controle israelense.Além disso, a único vez que ossoldados israelenses entram nos territóriosé quando os palestinos lançamataques contra Israel, e a AutoridadePalestina está pouco dispostaou é incapaz de detê-los.6. “Desde agosto de 2004, oHamas não cometeu nem um únicoato de terrorismo que tenha custadouma vida israelita, nenhum”.(Entrevista ia 28 de novembro de2006 ao PBS Newshour).Em 31/8/2004, foram mortas 16pessoas e 100 ficaram feridas em doisatentados com sucidas-bomba emônibus na cidade de Beersheba. Ummês depois (em 29/9/2004), duascrianças de uma escola maternal perderamsuas vidas num ataque de foguete.No dia 14 de julho de 2005,uma mulher israelense perdeu a vidaem outro ataque de foguete. Em todosos três casos, o Hamas assumiua responsabilidade.7. Uma proposta feita por palestinosencarcerados em prisões israelenses,chamada “Proposta dos Prisioneiros”pede uma unificação dogoverno palestino, a libertação detodos os prisioneiros políticos e aaceitação do direito de Israel existir.(página 214 do livro).O “Documento dos Prisioneiros”não faz nenhuma menção sobre aceitaro direito de Israel existir. Na verdade,Abdul Rahman Zidan, ministroda Autoridade Palestina, contou aosrepórteres: “Vocês não vão encontrarnenhuma palavra no documentoque claramente declare o reconhecimentode Israel como um Estado”.8. “De 1.696 pontos de votaçãofora de Jerusalém (durante as eleiçõespalestinas), houve problemas emapenas dois. Três palestinos foram...mortos pó policiais israelenses numposto de fiscalização em Jenin...”.(página 145 do livro).O ex-presidente Carter ignorou aparte mais importante da história, ouseja, a que a mídia mundial, inclusivea Associated Press e o The New YorkTimes informaram que os palestinosforam os primeiros a abrir fogo contraas forças de segurança israelenses.9. “Deixem-me recorrer agora àcontroversa palavra [apartheid] novamente...Nelson Mandela visitou osterritórios e usou a mesma descrição...”.(Ex-presidente Carter falandona Brandeis University, 23 de janeirode 2007).Esta é uma completa falsificação.Não existe nenhum registro sobre assupostas observações de Mandela.10. O ex-presidente Carter alegaque os ataques contra ele são ad hominem(pessoais) e que isso poucotem a ver com os fatos como os apresentadono seu livro. (entrevista aoBoston Globe).Kenneth Stein, historiador doOriente Médio ao entregar sua renúnciaao Carter Center explicou que onovo livro do ex-presidente estava“repleto de erros factuais... superficialidades,notáveis omissões e partessimplesmente inventadas.” Outrosque renunciaram ao Conselho Consultivodo Centro Carter acrescentaram:“Nós já não podemos endossar suaposição estridente e inflexível. Estamosprofundamente preocupados comos comentários do ex-presidente e osseus escritos... Estes não são o CarterCenter ou o Jimmy Carter que nóschegamos a respeitar e apoiar”.(Fatos compilados e apresentadospelo Departamento Campus Outreachdo Centro Simon Wiesenthal.Para maiores informações e pedircópias no original em inglês, contato:Rabino Aron Hier, Diretor do CampusOutreach, e-mail: campusoutreach@wiesenthal.net).23Jimmy Carter


24Vitrais daSinagogado Beit Chabadde CuritibaFotos de Diego PisanteVISÃO JUDAICA • outubro de 2007 • Chesvan / Kislev • 5768O simbolismo dos vitrais da Sinagogado Beit Chabad de Curitibas vitrais da nova Sinagoga doBeit Chabad de Curitiba têmchamado bastante a atençãopelo seu simbolismo, beleza ecor. Dois artistas locais participaramna produção da obra. A criação,o desenho, as cores e o projetosão do artista plástico Sérgio Segall. Aexecução é do especialista em vitraisAdoaldo Lenzi, conhecido por ser autorde centenas de outras obras. Os vitraisilustram as “Doze tribos de Israel” – háum vitral para cada tribo.O pintor Sérgio Segall fez para o VisãoJudaica uma breve descrição dos símbolosdos vitrais da Sinagoga. Iniciou explicandoque ao morrer,Abraão, seu filho Isaac mostrauma leal preocupação pelasolidariedade tribal, insistindoque seu próprio filho maismoço, Jacó, case com parentesa fim de não romper comos laços de família. Das esposasde Jacó, Léa e Raquel,e de suas servas nascem dozefilhos: Rubem, Simão, Levi,Judá, Issachar, Zebulun, Dan,Naftali, Gad, Asher, José, Benjamin.Seus descendentes formamas tribos de Israel.Tribos e vitraisI – Rubem, o primeiro filhode Jacó é simbolizado novitral por uma queda deágua, que ilustra frase deJacó na sua fase final davida: “Rubem, és instável einquieto como as águas, nãoserás mais especial e perderástuas vantagens (a primogenitura)”(Gen. 49:4). Oramo de lírios simboliza ogesto amoroso de Rubempela sua mãe “...e foi Rubem,nos dias da ceifa dotrigo e encontrou jasmins nocampo e os trouxe a Léa...”(Gen. 30:14) Mais tarde Rubemsalvará a vida de José(Gen.. 37:21, 22).II – Simão, segundo filhode Jacó, foi deserdado,junto com Levi, por terem massacradoos moradores de Shechem, em um atode vingança pela ofensa do príncipe deShechem a Dina, irmã de Simão (Gen.34:24,31). O Símbolo da tribo de Simãoé a ilustração de fortificações espalhadasao longo do território de Israel(Gen. 49:7).III – Levi, o terceiro filho de Jacó,participou junto com Simão do massacrede Shechem e também foi punido edeserdado. Porém, depois de diversosepisódios e demonstrações de fidelidadeàs leis, respeito aos seus irmãos earrependimento, seus descendentes foramconsiderados dignos para os serviçosreligiosos (Deut. 33:10); e aptospara abençoar o povo de Israel e o usodo peitoral sacerdotal.IV – Judá, é o quarto filho de Jacó.Os pecados de Rubem, Simão e Levi,fizeram com que Judá assumisse a honrae os privilégios da primogenitura dosfilhos de Israel (Gen. 49:8, 9, 10) tornando-sedigno de todos os emblemase símbolos do poder: a vara de comando,a coroa e o manto real. A coragemdo leão se associa a esta tribo pela intensadefesa das conquistas de Israel.V – Issachar é o quinto filho que Jacóteve da sua mulher Léa. A frase de Jacóem Gen. 49:14-15 é a base da ilustraçãodo vitral: “...Issachar, jumento de ossosfortes, instalado entre os alforjes. Porém,ele viu que o descanso (Shabat) erabom e a terra muito agradável. E deixouseu ombro para a carga, servindo comdedicação para o trabalho e o estudo...”VI – Zebulun, nome do sexto filho comsua esposa Léa. Em Gen. 49-13, Jacóabençoa Zebulun: “...Zebulun assentaráno litoral; ele será um porto para navios;suas fronteiras alcançaram Sidon...” (Onome Zebulun é associado ao nome Issacharpor Moisés em Deut. 33:18).VII – Dan, disse Jacó, na sua bênção,Gen. 49:16, 17, 18: “... Dan lutará,e julgará por seu povo, como qualqueruma das tribos de Israel. 17) QueDan seja um serpente na estrada, umacobra no caminho, mordendo o calcanhardo cavalo, de modo que o cavaleirocaia para trás...” (Sansão, o eminentejuiz da tribo de Dan, está representadopor duas mãos que derrubamas colunas do templo filisteu, ondemorreu junto com seus opressores).VIII – Naftali é o segundo filho quelhe deu sua escrava Bila. Raquel deulheeste nome porque havia pelejado comD-us em oração para alcançar filhos (Gen.30:8). Jacó abençoa-o e prediz em Gen.49:21 “... Naftali, gazela livre; ele comunicae é portador de belas palavras...”(A gazela simboliza também o serviçode correios do Estado de Israel).IX – Gad, ao nascer foi abençoadopela mãe (Gen.30:11) com a frase: “Eveio ventura!”, daí seu nome. Jacó profetizouem Gen. 49:19 “... Invasores farãouma incursão em Gad, mas eles voltarãopelos mesmos caminhos...” Maistarde Moisés dirá (Deut. 33:20) “... Benditoaquele que aumentar o território deGad para o Oriente...” (Gad sempre serábem sucedido nas suas conquistas dasterras do Oeste de Israel simbolizado poruma mão em gesto de Bênção).X – Asher. O vitral dessa tribo é ilustradopor uma menorá, simbolizando oazeite que era utilizado para acenderas luzes dos templos e palácios. Jacódisse em Gen. 49:20 “... De Asher virãoos mais ricos alimentos: dignasdelícias próprias para o rei...” Moisésabençoa Asher assim: (Deut. 33:24) “...Seja amado de seus irmãos, e molheem azeite o seu pé...”XI – José, undécimo filho de Jacó eo mais velho de Raquel. Para José seupai disse: Gen. 49:26 “... que a bênçãodo teu pai se acrescente às dos meuspais, durando tanto quanto as eternasmontanhas. Que elas sejam para a cabeçade José, para a fronte do eleitode seus irmãos...”Uma ilustração no vitral tenta simbolizaro encontro de Jacó com os filhosde José, Efraim e Menassé, Gen.48:8, 9 “... Israel viu os filhos de José.“Quem são eles” – ele perguntou. 9)“Eles são os filhos que D-us me deuaqui”, respondeu José a seu pai. “Porfavor, traze-os para mim”, disse Jacó.“Eu lhes darei uma bênção”. (Foi quandopropositalmente Jacó cruzou os braçospara que a mão direita pousassena cabeça de Efraim).XII – Benjamim, nome do filho maismoço dos doze filhos de Jacó. Sendoele o último de Jacó, e pelas circunstânciasde seu nascimento e a mortede Raquel, tornou-se peculiarmentequerido do seu pai. (Gen. 49:27) “...Benjamin é um lobo indócil. Ele comeuma porção pela manhã e divide suapresa à tarde...”.Moisés, em Deut. 33:12, dirá assim:“... Benjamim, aquele amado deD-us morará em segurança, junto aele. O Eterno o protegerá para sempre,e entre os ombros (abaixo docume) do monte habitará o Santuário(Beit Hamikdash)...”