EDIÇÃO 12 - Abril/09 - RBCIAMB

ABESDN

A Revista Brasileira de Ciências Ambientais – RBCIAMB - publica artigos completos de trabalhos científicos originais ou trabalhos de revisão com relevância para a área de Ciências Ambientais. A RBCIAMB prioriza artigos com perspectiva interdisciplinar. O foco central da revista é a discussão de problemáticas que se inscrevam na relação sociedade e natureza em sentido amplo, envolvendo aspectos ambientais em processos de desenvolvimento, tecnologias e conservação. A submissão dos trabalhos é de fluxo contínuo.

ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478Abril 200912www.ictr.org.br www.cepema.usp.brRevistaBrasileira deCiências AmbientaisExpedienteEditores• Jorge Alberto Soares Tenório (USP)jtenorio@usp.br• Denise Crocce Romano Espinosa (USP)espinosa@usp.brEditor Adjunto• Valdir Fernandes (USP)v.fernandes@usp.brSecretária• Juliana Barbosa Zuquer Giarettajzuquer@usp.br• Adriana Rossetto (UNIVALI)• Andrea Moura Bernardes (UFRGS)• Andrea Vidal Ferreira (CDTN)• Antonio Ésio Bresciani (USP)• Arlindo Philippi Jr. (USP)• Carlos Alberto Cioce Sampaio (UFPR)• Celina Lopes Duarte (IPEN)Comissão Editorial• Cláudio Augusto Oller do Nascimento(USP)• José Roberto de Oliveira (IFES)• Maria do Carmo Sobral (UFPE)• Oklinger Mantovaneli Junior (FURB)• Sérgio Martins (UFSC)• Tadeu Fabrício Malheiros (USP)Arte Final• Octavio Furtado Fariasoctaviofarias@msn.com• G4webSubmissão de artigos, dúvidas e sugestõesrbciamb@gmail.comInstruções para autoreshttp://www.rbciamb.com.br/instrucoes.asp


Recursos de Sustentabilidade e sua Dinâmicaem Empreendimentos SocioambientaisRESUMOEste artigo apresenta a dinâmica dos recursos de sustentabilidade por meio da Metodologia doCarbono Social (MCS) e sua aplicação prática junto às Jovens Mulheres Tecelãs de Vila do Retiro, SãoSalvador do Tocantins. É uma pesquisa qualitativa e teve referência no Marco Diagnóstico Inicial(2008) e Marco Um (2009) de um processo de desenvolvimento. Esta é uma ferramenta de gestãoda sustentabilidade que visa avaliar empreendimentos socioambientais no âmbito de umacomunidade, programa e/ou projeto, inclusive relativos às mudanças climáticas. Contribui naformação humana e nas tomadas de decisões acerca das ações no campo dos ativos locais e aportesexternos.PALAVRAS-CHAVE: Desenvolvimento sustentável; ambiente e sociedade; metodologia participativa;Tocantins.ABSTRACTThis article presents the dynamics of sustainable resources through the Social Carbon Methodology(CSM) and its practical application with the young Women Weavers of Vila do Retiro, São Salvador ofTocantins. It is a qualitative research and having reference in the initial disgnostic (2008) and disgnosticone (2009) of a process of development. This is a management tool to assess sustainability thatsocio-environmental projects as part of a community program and/or project, including those relatedto climate change. Contributes to human development and in making decisions about the actionscontributes to human development and in making decisions about the actions in the field of localassets and inputs.KEYWORDS: Sustainable development; environment and society; participatory methodology;Tocantins.Nelita Gonçalves Faria de BessaEnga. Agrônoma - UFG, Mestre emAgronomia - UFBA, Fundação CentroUniversitário UnirG, Gurupi-TO,Coordenadora de Projetos. Assessora deCiência, Tecnologia e Inovação/Propesq - PróReitoria de Pesquisa e Pós graduação.Email: eduambiental@unirg.edu.brMaricélia OfsianyBióloga, Instituto Ecológica-IE, Palmas-TO.Cássia Cristina da Silva ValadaresComunicação Social, SFAs/CPOrg - TO,Instituto Ecológica - IE, Palmas-TO.Aline Gonçalves PereiraPedagoga - UnirG, Bolsista Apoio Técnico -Projeto Socioambiental, Fundação CentroUniversitário UnirG, Gurupi-TO.Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 1 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


Desenvolvimento local sustentávelSachs (2000) enfatiza que, noplanejamento do desenvolvimento, devemse considerar as seguintes dimensões:- sustentabilidade social: embasa-se noconceito de melhor distribuição de renda, demodo a permitir redução das diferenças nospadrões de vida entre as classes sociais;- sustentabilidade econômica: refere-se aoótimo locacional e a gestão eficiente dosrecursos, assim como a um constante fluxode inversões publicas e privadas.- Sustentabilidade ecológica: relaciona-secom o uso adequado dos recursos dosdiversos ecossistemas, com destaque para osprodutos fósseis e resíduos de origemindustrial.- Sustentabilidade espacial: éadquirida a partir da equidade distributivae territorial dos aglomerados humanos eeconômicos.- Sustentabilidade cultural: incluisoluções criativas para o conceito deecodesenvolvimento.- Sustentabilidade ambiental:consiste em se respeitar à capacidade desuporte, resistência e resiliência dosecossistemas.- Sustentabilidade político nacional:baseada na democracia e no respeito aosdireitos humanos.- Sustentabilidade políticointernacional: consiste em garantir a pazentre as nações e promover a cooperaçãointernacional nas áreas financeira e deciência e tecnologia.Portanto, quando se fala emsustentabilidade não implica condicionar aatividade ao estado estacionário, aocontrário, deve-se discuti-la considerando osaspectos do crescimento e dodesenvolvimento econômico. Nestecontexto, para se permear entre taisprincípios do desenvolvimento sustentávelhá de se ter o desenvolvimento local.Para Cruz e Valente (2010), odesenvolvimento local sustentável preconizaa dimensão territorial do desenvolvimento,considerando as pessoas e as instituições -envolvidas em certos segmentos dereprodução social - como atores sociais. Omesmo considera que as comunidadesdevem explorar características epotencialidades próprias, na busca deespecialização de atividades que lhes tragamvantagens comparativas de naturezaeconômica, social, política e tecnológica,aumentando a renda e as formas de riqueza,respeitando a preservação dos recursosnaturais renováveis.No âmbito do desenvolvimentolocal se preconizam melhorias de vidasubstantiva e instrumental de determinadalocalidade. Tenório (2007) ressalta que osprocessos de desenvolvimento localimplicam em esforços articulados de atoressociais e da sociedade, dispostos a levaradiante projetos que surjam da negociaçãode interesses, inclusive muitas vezesdivergentes e em conflitos. Portanto, a lógicado desenvolvimento local é de que os atoressociais em seus territórios, com iniciativas epropostas socioeconômicas, promovam aspotencialidades locais como forma depromover melhoria na qualidade de vida dapopulação diretamente envolvida.Assim, a idéia do desenvolvimentolocal sustentável foi construída através dascríticas às propostas precedentes, poucopreocupadas com os efeitos provocados alongo prazo, conforme argumenta Tenório(2007). Dentre os exemplos que menciona,tem-se por um lado a desvalorização do meioambiente e ausência de redistribuição derenda. Por outro lado, já numa visão maisotimista de cenário, o autor aponta areformulação do papel do Estado e uma fortepreocupação com as especificidades locais,além de prioridades no estabelecimento deações que conduzam ao dinamismoeconômico, simultaneamente com amelhoria das condições de vida daspopulações residentes nas unidadesterritoriais.Para Barreto (2010), o fato é que asustentabilidade do desenvolvimento requera descoberta das potencialidades locais e oenfrentamento das desigualdades na esferaeconômica e tem, por conseguinte, trêsprincípios básicos: a conservação do meioambiente, a justiça social e o crescimentoeconômico.Carbono socialSegundo Rezende e Merlin (2003),o carbono social é o carbono absorvido/reduzido, considerando as ações queviabilizem e melhorem as condições de vidadas comunidades envolvidas nos projetos deredução de emissões/mudanças climáticas,visando assegurar o bem estar e a cidadania,sem degradar a base de recursos naturais.A definição para o termo carbono social foidesenvolvida diretamente com ascomunidades na análise de seus problemas,proporcionando alternativas exeqüíveis,associadas aos projetos que envolvemdesenvolvimento sustentável e mudançasclimáticas.Entretanto, o grande desafio docarbono social foi desenvolver umametodologia capaz de garantir e monitoraras mudanças ocorridas na comunidade deforma transparente e participativa. Ematendimento a essas premissas foi criada ametodologia do carbono social como umaferramenta que assegura a participação dacomunidade nos diferentes níveis dametodologia, e que permite a análise darealidade e a orientação para iniciativas dedesenvolvimento sustentável.A metodologia do carbono socialpossui oito diretrizes básicas, a saber:centralização nas comunidades; valorizaçãodo potencial humano; participação dacomunidade; direcionada para as relaçõeslocais e globais; direcionada para a soluçãode problemas e a busca de sustentabilidade;inclusão social, reconhecimento das ações depoder e o contexto político (REZENDE;MERLIN, 2003).Desta forma o conceito de carbonosocial une importantes conceitos, tais quaisos de preservação, de conservaçãoambiental e o de responsabilidade social. Aprática de atividades produtivas utilizandoa metodologia do carbono social poderá darsuporte para o alcance do desenvolvimentosustentável, podendo identificar problemasglobais, porém, com um foco na soluçãoatravés de ações locais.Recursos de sustentabilidade na perspectivados modos de vida sustentáveisO conceito do carbono social usoucomo estrutura básica a abordagem do meiode vida sustentável, segundo a qual "meiode vida sustentável é um sistemametodológico que funciona como um formaRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 4 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


de pensar sobre os objetivos, oportunidadese prioridades para o desenvolvimento, tendocomo meta a eliminação da pobreza(ASHLEY; CARNEY, 1999).De acordo com Carney (1998) meiode vida consiste em acesso a capacidade abens, incluindo bens materiais e sociais, e aatividades requeridas para a sobrevivênciade um individuo. Chambers e Conway (1992)definem meio de vida sustentável a partir deum conceito que integra equidade,capacidade e sustentabilidade. Assim, o meiode vida passa a ser sustentável quando hácapacidades de integração entre as váriasdimensões do desenvolvimento, inclusivesuperando e/ou recuperando situações dechoque e de estresse, e ao mesmo tempomantendo ou melhorando a capacidade e osbens do individuo, seja no momento atualou futuro. Isso na prática significa que nãohá sustentabilidade a partir de um foco emuma única via do desenvolvimento, aexemplo do capital financeiro, político oumesmo do ambiental ou social isoladamente.Por isto, ao se desenvolver trabalhos emcomunidades há de se verificar se o objetivoé capaz de ajudar as pessoas a teremhabilidade e flexibilidade para alterar suaestratégia de sobrevivência ao longo dotempo. Tais estratégias podem ser definidaspor meio de atividades e escolhas que aspessoas fazem para alcançar o meio de vida.Rezende e Merlin (2003) afirmam que sedeve a Scoones o desenvolvimento de umsistema de trabalho para investigar o graude sustentabilidade de um meio de vida,podendo esse sistema de trabalho seraplicado, de acordo com próprio autor, emdiferentes escalas, em nível individual,familiar, de comunidade, de cidade de regiãoaté pais. Ressaltam que a habilidade depossuir diferentes meios de vida dependedos bens materiais e sociais que as pessoaspossuem, definiu cinco diferentes tipologiasde bens, que foram definidos como recursos:o capital natural, financeiro, humano, sociale o físico. O conceito de carbono socialconsiderou quatro recursos definidos porScoones, incorporando dois novosbiodiversidadee carbono - resultando nosseguintes:- Recurso de biodiversidade:representa o conjunto das espécies,ecossistemas e genes que formam adiversidade biológica existente em qualquerregião. São aspectos relevantes nessecomponente a integridade das comunidadesnaturais, o tipo de uso e interação dascomunidades humanas com abiodiversidade, o estado de conservação, aspressões e as ameaças impostas ou não àsespécies nativas e a existência de áreasprioritárias para conservação.- Recurso natural: é o estoque de recursosnaturais e serviços ambientais, de ondederivam os recursos para gerar um meio devida.- Recurso financeiro: é o capitalbásico (dinheiro/credito/debito/poupança)que está disponível ou é desejável que estejapelas pessoas e que as suprem comdiferentes opções de meio de vida.- Recurso humano: é a habilidade,conhecimento e capacidade para o trabalhoque as pessoas possuem, além de boa saúde.Somados, esses itens se tornamfundamentais para garantir uma estratégiadiferente de meio de vida.- Recurso social: são os recursossociais (rede de trabalho, reivindicaçõessociais, relações sociais, relacionamento deconfiança, associação em organizaçõessociais) que as pessoas procuram em buscade um meio de vida alternativo.- Recurso de carbono: refere-se aotipo de maneja de carbono desenvolvido,podendo ser seqüestro, substituição econservação.Tais recursos podem segundoRezende e Merlin (2003), sofrer adequaçõesa depender dos resultados diagnósticosrealizados no âmbito do grupo social e/ouempreendimento em questão. Destaca-seque nesta abordagem, são consideradas asdimensões do desenvolvimento propostaspor Sachs (2000).MATERIAL E MÉTODOSConcepção metodológicaA presente abordagem temconcepção em algumas vertentes do discursoda sustentabilidade (Saches, 1986;Brundtland, 1988, Lester Brown, 1980) eresulta de uma pesquisa qualitativadescritiva com observação participante(Marconi e Lakatus, 2006; Flick, 2004). Essapesquisa foi estruturada a partir dos recursosde sustentabilidade cuja base vem do meiode vida sustentável (Sustainable livelihood),originalmente desenvolvida por RobertChamber e Gordon Conway (1992) eligeiramente adaptada por Scoones (1998) eRezende et al. (2003).Período de realização da pesquisa e gruposocial participanteA pesquisa foi realizada entreagosto de 2008 e maio de 2009, tendo comogrupo participante todas (48) as jovensmulheres da tecelagem manual de Vila doRetiro, município de São Salvador doTocantins, Estado do Tocantins. A faixa etáriadestas jovens é de 15 a 23 anos, algumascursando ensino fundamental médio eoutras com conclusão, sendooriginariamente do meio rural, cujas famíliasapresentam baixa renda - menos de umsalário mínimo.O grupo de jovens, já com mão deobra especializada em tecelagem manual, éformalmente constituído, desde 2002, pormeio da Associação Dom Bosco e outra parteestá em formação na Escola de TecelagemManual Nossa Senhora Maria Auxiliadora,ambas funcionando em Vila do Retiro. Ametodologia foi utilizada na construção doMarco Zero e Marco Um de um processo dedesenvolvimento local já existente epotencializado com um projeto comcaptação de recursos externos com vigênciade 01 ano (2008-2009), em que foramrealizadas melhorias na estrutura física -equipamentos - e 216 horas de oficinas eformações continuadas objetivandofortalecer o processo produtivo e favorecera inserção social e econômica das jovens,com melhorias quanto à geração de renda.Construção e analise de cenárioO levantamento de dadossecundários foi feito com foco em dadossocioeconômicos da região e no processo datecelagem manual e a partir da aplicação deum questionário sociodemógrafico junto àsfamílias das jovens tecelãs nos seus locais deorigem. As ações iniciais foram de realizaçãode oficinas de disseminação da Metodologiajunto ao grupo social, objetivando realizar aRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 5 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


sensibilização para o conhecimento a cercada mesma. Como produtos forampriorizados: a) Construção participativa dasbases conceituais de sustentabilidade naperspectiva do meio de vida sustentável erecursos adjacentes, com foco no contextode empreendimentos solidários e noequilíbrio econômico ecológico no uso dosrecursos naturais; b) Construção de umamatriz com os indicadores e respectivoscenários para cada recurso desustentabilidade definido pelo grupoculminando na identificação da situaçãodiagnóstica do momento, a exemplo dorecurso natural (Quadro 1) e assimsucessivamente se realizou para os demaisrecursos de sustentabilidade, em que taldefinição leva em consideração o cenáriolocal, regional e global tendo em vista o olharnas perspectivas, nos recursos, nasestratégias, nos fatores de ameaças eoportunidades, nas organizações políticas enas relações sociais; c) Construçãoparticipativa do marco diagnóstico inicial(Marco Zero) do Hexágono Social; d)realização das oficinas temáticas a partir dasfragilidades da tecelagem manualidentificadas no Marco Zero; e) por fim,realizou-se a construção participativa domarco diagnóstico final (Marco I), comorepresentação gráfica por meio do HexágonoSocial de forma a retratar a realidadeanalisada.Quadro 1. Matriz do Hexágono Social para um dos recursos (natural), resultante do marco diagnóstico inicial (Marco Zero) e do marco diagnósticofinal (Marco 1), realizado junto as jovens tecelãs de Vila do Retiro, São Salvador do Tocantins, 2009.IndicadoresCenário 1Cenário 2Cenário 3Cenário 4Cenário 5Comunidade comCenário 6Comunidade com totalComunidade com certo apropriação dos apropriação dosconhecimento das conhecimentos conhecimentosO usodaBiodiversidadeComunidade não usaos produtos dabiodiversidade –espécies vegetais nativas- local e não agregamvalor aos seus produtosComunidade usandopoucas espéciesvegetais potenciaisde uso na tecelagemmanual e com poucoconhecimento popularComunidade compouco conhecimentoacerca do uso dasespécies nativas compotencial de uso natecelagem e de formaespécies nativas compotencial de uso natecelagem local, masfaltam informaçõestécnicas a cerca do seuuso em tecelagemrelativos ao usoconsciente de parte daplanta como corantenatural e/ou fibra econservação do meionatural, comrelativos ao usoconsciente de parte daplanta como corantenatural e/ou fibra econservação do meionatural e com aplicaçãoe cientifico agregado. sustentávelmanual e no contexto conhecimentos prática dosda sustentabilidade adquiridos acerca de tal conhecimentosuso, novas tecnologias adquiridos acerca de talsocial-produtivas uso e novas tecnologiassocial-produtivasÁreasVerdesInexistência de pomares,jardins e arborizaçãoem Vila. Retiro,São Salvador doTocantinsExistência dearborização, jardins eáreas verdes, porém,com uso de espéciesintroduzidas e poucovalor dado a tais áreas.Pequena parte dacomunidade estáconsciente danecessidade eimportância de áreasverdes na Vila bemcomo a cerca dabiodiversidade local eregional APAS, CorredorEcológico ParanáPirineusMais de 50% daComunidade conscienteem relação às áreasverdes da cidade e suafunção social, bemcomo da biodiversidadee necessidades relativasà conservaçãoInício do planejamentourbano quantoaarborização da Vila,com parcerias cominstituições locais eregionais econhecimentosadquiridos - popularinteragindo com ocientifico - a cerca dabiodiversidade enecessidades relativasà conservaçãoA Vila do RetiroArborizada, comequipamentos eespaços - praças,jardins - e mais de 50%das residências comjardins em seus lotes ecomunidade sensível aação de conservação epreservação do meioambientePráticasAgrícolasSustentáveisUso daBiodiversidadenaTecelagemManualComunidade semassistência técnica àagricultura familiar esem conhecimento depráticas agrícolasalternativas sustentáveisNão utilização dabiodiversidade noprocesso de produção20% da Comunidadeurbanacom quintaisverdes /hortas em seuslotes, inclusive naescola e na associação,e comunidade ruraliniciandoprocedimentos earticulação para teracesso à assistênciatécnica – governo.Utilização de pelomenos uma espéciedabiodiversidade noprocesso de produção epouco conhecimentodas técnicas(tingimento, retiradado material, partes daplanta, resíduos)20% da Comunidadeesclarecida quanto aosmodos de vidasustentáveis e práticasprodutivas em sintoniacom os princípios destaabordagemUtilização de pelomenos três espécies dabiodiversidade noprocesso de produção etreinamentos relativosàs técnicas (tingimento,retirada do material,partes da planta,resíduos)40% da Comunidadeesclarecida quanto aosmodos de vidasustentáveis e práticasprodutivas em sintoniacom os princípios destaabordagem e inicio daapropriação quanto aossistemas de produçãode alimentos para asubsistência, inserindonovas produçõesalternativas de rendaUtilização decinco espécies dabiodiversidade noprocesso de produção eposturas e práticas emfavor da conservação ecom a utilização deespécies no processoprodutivo50% da comunidadecom a produção dealimentos para asubsistência, mascomercializandoprodutos destinados aatividades produtivasalternativas na Vila e noseu entornoUtilização de oitoespécies dabiodiversidade noprocesso de produção,com conhecimentotécnico dominado epouca apropriação dasposturas necessárias aouso com cuidadosrelativos à conservaçãoe aos valores agregadosno produto datecelagem60% da comunidadecom a produção dealimentos para asubsistência, mascomercializandoprodutos destinados aatividades produtivasalternativas na Vila e noseu entorno, produtivascom retorno por meioda renda familiarUtilização de oitoespécies dabiodiversidade noprocesso de produção,com conhecimentotécnico dominado eapropriação dasposturas necessárias aouso com cuidadosrelativos à conservaçãoe aos valores agregadosno produto datecelagemMarco 0 Marco 1 Não houve alteração de cenário entre o Marco 0 e o Marco 1Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 6 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


Construção do Hexágono SocialO hexágono é uma figurarepresentativa dos usos dos recursosanalisados pela metodologia do carbonosocial em que nos vértices se tem os recursosde sustentabilidade e a dinâmica de cadarecurso é medida a partir dos seis (6) níveisdo hexágono, indo de 1 (pior cenário) a 6(melhor cenário) e que representa a situaçãode cada um dos recursos. O avanço ou nãonos cenários é verificado no destaque que ogrupo faz dentro de cada recurso analisadoe que é visualizado na matriz do hexágonosocial. O enquadramento do recurso em seurespectivo nível se dá pela soma entre osnúmeros dos cenários e a posterior divisãopelo número de indicadores de cada recurso(Santos, 2008). Assim as situaçõesidentificadas no momento inicial daatividade e/ou do monitoramento dosindicadores, denominada pela metodologiade Marco Zero, são identificadas eposteriormente com sucessivas análises combase no prospectado na matriz de cenáriose seguem a ordem crescente - Marco 1,Marco 2 e assim por diante.RESULTADOS E DISCUSSÃOCenário analisadoO cenário no qual está inserido ogrupo social em questão retrata umarealidade resultante de poucas alternativaspara geração de trabalho e renda,especialmente para jovens. No município deSão Salvador a população é de 3.012habitantes, com 34,21% sendo do sexofeminino, apresenta baixo IDH (0,592) e umaincidência de pobreza da ordem de 34,96%da população, onde a economia édinamizada em 68,75% dos casos pelainformalidade (IBGE, 2009) e 85% dos jovensnão têm qualificação para o trabalho (SEJUV,2007). O perfil do grupo pesquisado é reflexodesse cenário, onde 63% das jovensregistram anteriormente à atividade datecelagem por meio da associação umarenda familiar de até 1 salário mínimo,proveniente em 40% dos casos do trabalhodos familiares no meio rural. Por outro lado,parte da renda de 48% das suas famílias vemde programas do governo federal.Atualmente, o grupo caminha em busca deautonomia e inserção social e temexpectativas que vão além do que exerciamanteriormente: 55% das jovens apenasestudavam 15% trabalhavam de doméstica,15% estudavam e trabalhavam comodoméstica 11% participavam de programassociais do governo federal. Quanto ao localde origem, o grupo social é proveniente domeio rural dos interiores da região (SãoValério da Natividade, Santa Rosa, Chapadada Natividade, Paranã, São Salvador doTocantins, Cangas, Palmeiropolis,Silvanópolis) que fica, em média, a 200 kmde distância de onde estão - Vila do Retiro.Metodologia do Carbono Social (MCS) nocontexto localA partir dos pressupostosabordados entendeu-se como adequada autilização da Metodologia do CarbonoSocial/Recursos de Sustentabilidade comoferramenta de diagnóstico e monitoramentodo processo produtivo - tecelagem manual -praticado pelas jovens mulheres daAssociação Dom Bosco e Escola deTecelagem de Vila do Retiro. Acredita-se quea gestão deste tipo de empreendimentorequer uma sistematização holística dos seusprocessos produtivos, visto às necessidadesde se estimular as economias decoletividades com enfoque também nosconceitos dos meio natural e social, daidentidade, cooperação e solidariedade, e naredefinição das vocações locais como umconjunto de potencialidades não apenaseconômicas, mas também de condiçõessócio-culturais e ambientais. "Não adianta,portanto, tomar o meio de produção semque cada participante do empreendimentosaiba o que fazer em termos de execução dotrabalho e da gestão de todo o processo deprodução" (IWAMOTO, 2007). A metodologiaé capaz de extrair do grupo também essasvertentes.A tecelagem manual no cenáriosocioeconômico mencionado caracteriza-secomo uma alternativa regional de geraçãode trabalho e renda para as jovens mulherese localmente tem potencialidades marcadaspelos processos produtivos inclusivos demão obra qualificada, gênero e geração,desenvolvimento local e forte identidadecultural pelo uso do fio de algodão, corantese fibras naturais. Entretanto, como é comumno País, estes empreendimentos sãodesprovidos de educação para a autogestão(IWAMOTO, 2007); assim como não se temconhecimento e/ou apropriação daspossibilidades potenciais de umempreendimento coletivo quando pautadono desenvolvimento local sustentável(BUARQUE, 2004). A leitura dos cenários,portanto, neste contexto, devem levar emconta a percepção dos grupos sociais acercade necessidades relativas à elevação daqualidade de vida, equidade social,conservação ambiental e eficiência nadinâmica do processo produtivo. Estaperspectiva concorda, em síntese, com asressalvas de Barreto (2010), incorrendo emadoção de estratégias de ação que seconcentre na busca da equidade social, dapreservação ambiental e da racionalidadeeconômica e, portanto, considerando ascaracterísticas de cada região ou localidade,tendo em vista as realidades diferenciadas.A metodologia do carbono social aplicada demaneira participativa e coletivamenteapreendida, ou seja, como instrumento dogrupo e não para o grupo, permite auxiliarprojeto de desenvolvimento sustentável emcomunidades e pode contribuir para medire dimensionar os recursos desustentabilidade, através da construção emonitoramento de seus indicadores(REZENDE; MERLIN, 2003).Marcos diagnóstico e de monitoramento dosrecursosOs marcos zero e um dametodologia foram construídos em atençãoaos contextos da realidade local conformesugere Santos (2008). Dentre os recursos desustentabilidade o grupo social elencouaqueles prioritários (humano, social, natural- inserindo aqui a biodiversidade, financeiro,produção e carbono), com posteriorestabelecimento dos indicadores correlatos,conforme abaixo apresentado (Quadro2).Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 7 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


Quadro 2. Recursos de sustentabilidade elencados e indicadores correlacionados pelo grupo social da Tecelagem Manual,Vila do Retiro, São Salvador do Tocantins, 2009.RECURSOS DE SUSTENTABILIDADEINDICADORESHumanoSocialNaturalFinanceiroProduçãoCarbonoEducação; trabalho; saúde; esporte; lazer; vínculos locais e familiares.Qualidade na educação; saneamento básico; habitação; formas de cooperação ou associaçãodas tecelãs; renda da Associação Dom Bosco; inserção local da atividade e relaçãoestabelecida com a comunidade local; empreendimento social e associativismo.Uso da biodiversidade; conhecimento popular e cientifico; Áreas verdes/paisagem natural- Vila do Retiro; práticas agrícolas sustentáveis; uso da biodiversidade na tecelagem local.Organização financeira; capital; Equipamentos; renda; captação de recursos e acesso acréditos.Gestão e planejamento; capacitação; mercado; designe dos produtos; resíduos; matériaprima; marketing e comunicação.Áreas degradadas; pesquisa cientifica; selo do carbono; certificação de produto.Dinâmica dos recursos - Hexágono SocialA representação gráfica por meiodo Hexágono Social (Figura 1), resultantedeste estudo, evidencia que ao estabelecera leitura do cenário em cada indicador,considerando as leituras que vão de umcenário pessimista (pior cenário) a umotimista (melhor cenário possível derealização), o grupo pesquisado apresentoucomo ponto positivo o caminho já iniciadona dimensão de todos os recursos. Issocomprova as suas potencialidades enquantoempreendimento socioambientalfavorecendo a autonomia, a inserção sociale econômica com geração de trabalho erenda das jovens tecelãs. A dinâmica dosrecursos de sustentabilidade mostratambém a evolução a partir do processo deformação realizada em um ano emonitoramento dos indicadores.Figura 1. Hexágono Social resultante do marco diagnóstico inicial (Marco Zero) e do marco diagnóstico final (Marco 1),realizado junto as jovens tecelãs de Vila do Retiro, São Salvador do Tocantins, 2009.A representação gráfica dohexágono mostra o desempenho por cadarecurso analisado e, de maneira geral,fragilidades do empreendimento sãoobservadas indicando precariedades deacesso a direitos sociais básicos. Este fatoestá refletido nas percepções registradaspela comunidade (grupo de tecelãs), porexemplo, a cerca do recurso humano em queo acesso à saúde é precário sendo um fatorcrítico para a qualidade de vida dapopulação. O analfabetismo é muitopresente entre os mais idosos e para ascrianças e jovens ainda se tem falta de acessoà educação pública além da qualidadequestionada pelo grupo ao considerar oselevados níveis de repetência e/ou evasão eo reduzido número de adolescentes e jovensque concluem muito tardiamente o ensinofundamental e médio. Apenas uma parcelamínima da comunidade local tem acesso atrabalho e os meios produtivos são escassoscom conseqüente mão de obra barata enormalmente de práticas cotidianas do meiorural "tocar lavoura, roço de pasto, fazercerca". Tem-se destaque localmente apenaspara a profissionalização da mão de obrarelativa à prática da tecelagem manual. Poroutro lado, no marco um verificou-se quehouve um avanço quanto ao acesso aoRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 8 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


trabalho/emprego, reflexo da procura porqualificação profissional, econseqüentemente aumentando aquantidade de empregos formais entre osmoradores do local. O acesso ao esporte/lazer, que não existia na localidade,atualmente existem grupos desportivosconstituídos por crianças e adolescentes ecom professores da rede municipal. Deacordo com os pressupostos da metodologia,a realidade analisada na perspectiva dogrupo em questão está comprometidaquanto ao desenvolvimento humanopodendo este fator ser decorrente, segundoBuarque (2004), das poucas capacidades deaumento das potencialidades das pessoas,mediante a ausência dos seus direitosfundamentais associados à falta deproatividade da sociedade atual.Para o recurso social foi observadono marco diagnóstico inicial que acomunidade não estava organizadaestruturalmente e havia ainda necessidadesquanto aos comportamentos cooperativosda comunidade, o que culmina na tambémpassividade quanto às reivindicações sociais.Muito embora a associação venhacontribuindo na melhoria destes aspectos;são incipientes os espaços e dinâmicassociais locais que oportunizam convivênciacomunitária saudável, inclusive para jovens.Os padrões de moradia digna são mínimos,ainda com fossa séptica e banheiros fora dacasa, próximos a cisternas. São produtos daausência de políticas públicas nos interioresdo Brasil. Há acesso quanto aoabastecimento de água e de energia elétrica.Ao realizar o Marco Um após um anoidentificou se no campo da educação formalavanços em relação aos anos anteriores eatualmente se tem a totalidade (100%) dasvagas ofertadas nas escolas, o que significaminimização da situação de vulnerabilidadesocial da comunidade local, caso hajacontinuidade deste cenário, fato essencial nadinâmica dos recursos da sutentabilidade(FINCO; REZENDE, 2009). Outro pontopositivo refere-se ao fortalecimento daAssociação Dom Bosco, por meio da adesãode profissionais recém formadas na escolade tecelagem, bem como melhoria dosaspectos organizacionais e produtivos(designe, uso dos corantes e fibras naturaisincorporando a concepção de usosustentável), fortalecimento da identidadecultural local e tecelãs com mais autonomia.Quanto ao recurso natural (Biodiversidade),a comunidade estabeleceu comodeterminante do cenário, os impactosambientais decorrentes da hidrelétrica cujaregião é diretamente afetada, da existênciade extensas áreas degradadas em razão douso inadequado do solo pela própriacomunidade local, inclusive ausências deáreas de reserva legal e matas ciliares, alémda descaracterização da paisagem do meiourbano da Vila do Retiro. Visualizam a floranativa como importante para a tecelagem,mediante a oferta de corantes e fibrasnaturais, embora os usos sejam muitoincipientes e de partes da planta quenaturalmente saem do ciclo da planta. Outroimpacto sobre os ambientes naturais decorrede serviços públicos que não estão eficazes,como tratamento de esgoto doméstico ecoleta de resíduos sólidos. A identidade localcultural da tecelagem manual já é presentena região há mais de um século e, portanto,rica de práticas e valores locais. Assim, jáassociavam a arte de tecer, o fio de algodãonatural, corantes naturais (urucum, aroeira,jenipapo etc.) e a fibra (buriti) a partir daflora local. Estas questões foramdeterminantes tanto para indicar o níveldeste recurso no héxano no marcodiagnóstico inicial quanto para o avanço empraticamente dois níveis, no marco um, emrazão das formações que o grupo recebeuquanto ao uso mais adequado na perspectivada ecologia e dos nichos de mercadopassíveis de criar demanda e aceitação doproduto. Ações compensatórias dahidrelétrica presente na região foramrealizadas, como revegetação do entorno doreservatório e aumento das áreas verdesurbanas fazendo parte do plano de manejoe uso sustentável. Por outro lado,demonstram visões futuras quanto à adoçãode práticas que poderão contribuir naconservação dos recursos naturais e narecuperação de áreas degradadas, com vistasa realizar práticas relativas à conservação domeio onde vivem e buscar vias alternativaspara atenuar a degradação nos ecossistemas,conforme sugere Lester Brown (2003). Háuma expectativa da comunidade local emrelação ao Plano de Manejo do reservatório,a ser implementado pelo empreendedor dahidrelétrica, conforme previsto em lei. Nestaperspectiva, é importante atentar-se àsmenções de Tenório (2007), ao lembrar quemesmo em situações de conflitos, a exemplode impactos decorrentes de hidrelétricas,não se pode perder de vista os esforços dosatores sociais e da sociedade com vistas aimplementação, neste caso, de medidascompensatórias que levem em contatambém os interesses locais, claro querespaldados na legislação. A emancipação dogrupo pode contribuir neste processo, poisde acordo com Fischer (2008), esse aspectoassociado a um conjunto de situações podecontribuir na busca pela manifestação dealguns dos vieses da sustentabilidade sob aótica aqui abordada.Em relação ao recurso financeiro, osregistros do marco diagnóstico inicial foramrelativos à: gestão financeira da tecelagemnão é eficiente e deixa de considerar arelação custo beneficio social e econômicada atividade; não são realizadosinstrumentos de controle e monitoramento;na região da sua abrangência direta há faltade oportunidade de trabalho econsequentemente é baixa a renda dasfamílias locais; baixo nível deempreendedorismo das pessoas; não existeacesso a financiamentos e créditos; otrabalho local gira em torno de demandasdo meio rural em que diárias é sazonal; aprincipal fonte de renda das famílias da Vilaainda provém dos programas sociais dogoverno federal. Um ponto positivo datecelagem no desenvolvimento local é quenos últimos anos tem gerado trabalho erenda envolvendo 8,4% da população da Vilado Retiro e essa renda, no caso das jovenstecelãs, aumentou em 15% no último ano. Aassociação apresenta-se mais organizadagerencialmente com formação de preços dosseus produtos, definição de mercado atuale prospectivo e mais organizaçãointernamente, com responsabilidadespactuadas no grupo. No marco demonitoramento, porém, identificou-se queapós a realização do cenário no marco inicialforam lançadas algumas estratégias paramelhorar alguns pontos deste indicador.Foram realizadas formações das liderançaslocais e todas as associadas da AssociaçãoDom Bosco com posteriores consultorias inlocu com técnicos especializados emRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 9 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


administração e gestão deempreendimentos da economia solidária etambém articulações junto a organizações defomento (apoio financeiro) de projetossociais, objetivando acompanhar o processode mudança cultural bem como apropriaçãodas técnicas por parte do grupo, além debuscar recursos financeiros para melhorarinfraestrutura (equipamentos), participaçãode eventos. Estes objetivos foram atendidose refletiram positivamente na dinâmica desterecurso verificada no hexágono social.Atualmente, têm-se parcerias comorganizações formais locais e estaduais quefacilitam a continuidade do processo deempoderamento e autonomia das jovenstecelãs, indo além de uma busca porassistencialismo, mas sim em favor de umempreendimento consolidado nas bases dasustentabilidade, conforme mencionaManzini e Vezzoli (2002).O recurso produção foi priorizadopelo grupo pesquisado já no marcodiagnóstico inicial. Isso ocorreu, pois, paraas jovens tecelãs, este é o recurso em que setem o reflexo de todos os esforços e sevisualiza, na prática, a geração de renda einserção socioeconômica do grupo que vemde um passado recente, vulnerável. É esterecurso que para o grupo se tem ofirmamento do vínculo produtivo, davocação local e das necessidades de interagiras conjunturas sociais e ambientais ao focoprodutivo conforme sugere Cerqueira(2008), porém, também visualizando aconcretização do trabalho e da renda.Atualmente, o grupo encontra-se atualizadoquanto à adequação dos seus produtos emrelação a nichos de mercados específicos,com formação em designer valorizando acultura e a identidade local, porém,aprimorando a técnica e agregando valor pormeio da biodiversidade local e destinaçãocorreta dos resíduos (água tinta dotingimento natural, material orgânico -cascas, fibras). Já existiam nesta tecelagemalguns cuidados iniciais, porém, sem conexãocom a informação atualizada, a qualidade ea apresentação final de produtos origináriosde um trabalho diferenciado, imbuído deinclusão social e em busca também de umasustentabilidade financeira com respeito aomeio natural. Tem plano de comunicação emarketing, com catálogo e vídeoinstitucional. Outro aspecto a ser lembradoé que conforme menciona Iwamoto (2007),o recurso produção deve ser focado naperspectiva do que o grupo concebeenquanto processo produtivo e o grau declareza e envolvimento dos participantes doempreendimento frente à realidade e osdesejos de futuro projetados. A avaliação eo monitoramento da atividade, realizadadurante um ano, possibilitou identificar queo grupo evoluiu e encontra-se produzindocom qualidade e padronização e não perdeude vista sua identidade cultural/local e o viésda tecelagem manual, com usos locais dabiodiversidade do Cerrado. Isso logicamentenão é reflexo de um estado pleno deharmonia, mas sim, conforme destacado emBrundtland (1998) caracteriza um processode mudanças, no qual a exploração dosrecursos, a orientação dos investimentos, osrumos do desenvolvimento tecnológico e amudança institucional estão de acordo comas necessidades atuais e futuras. Estapremissa não deve, portanto, serconsiderada apenas a partir dos grandes emais comuns empreendimentos, fruto docapitalismo vigente, podendo serplenamente aplicada em empreendimentosde cunho socioambiental. Autores comoCruz e Valente (2010), ao destacaremalgumas premissas do desenvolvimento localsustentável, com fortalecimento dascaracterísticas próprias de determinadosgrupo sociais e de suas potencialidades rumoàs suas especializações, em respeito ao meioambiente e buscando, notadamente,aumento de renda.Já para o recurso carbono, aevolução observada no hexágono social foia menor em relação aos demais recursosanalisados. Acredita-se que este fato estejarelacionado a nenhuma experiência anteriorcom este tipo de abordagem, nãoevidenciando no processo produtivo datecelagem oportunidades de projetosdiretamente relacionados às mudançasclimáticas. Na visão prospectiva o grupovisualizou ações futuras que poderãocontribuir para a conservação ambiental eminimização de efeitos decorrentes dasalterações climáticas. Esta possibilidadeexiste à medida que a região faz parte docorredor ecológico Paranã-Pireneus, têmproximidades a uma área ambientalprotegida por lei e, por outro lado, está naabrangência direta do reservatório (lago) deuma grande hidrelétrica, recentemente emoperação. A comunidade local, de acordocom o grupo, tem vivido situação de conflitosfrente a esta realidade, mas tambémvisualiza vertentes que podem ser cobradase que levem a implementação de práticasconservacionistas, a exemplo da revegetaçãodo entorno do lago/reservatório e quepermeia a Vila do Retiro. Este é um recursoeleito pelo grupo social e focado em açõesde retorno também mais a longo prazo, emque se estabeleceram parcerias paratrabalhos na recuperação das áreasdegradadas, na implementação de umsistema agroflorestal em uma área da escolade Tecelagem Nossa Senhora MariaAuxiliadora, incorporando ao sistemaespécies nativas de uso atual e potencialquanto aos corantes naturais e fibrasutilizadas na confecção manual (teares) dosprodutos bem como também trabalhar coma comunidade local a implementação de"quintais verdes" com foco também napopularização de medicamentosalternativos. Neste caso, fez parceria com oposto de saúde do SUS que funciona na Vilado Retiro. Este é, portanto, um recurso quepode interagir aos demais (REZENDE ET AL,2003) e auxilia desde aos grandes projetosàs iniciativas menores imbuídas deresponsabilização socioambiental e denecessidades vinculadas ao seu focoprodutivo. Isto é perfeitamente pertinente,porém, é preciso se ter o conhecimento eapropriação das possibilidades potenciais doempreendimento e estabelecer a conexãonecessária para se ter um desenvolvimentolocal sustentável, conforme bem lembraBuarque (2004).Ressalta-se que este recurso estáassociado às práticas sustentáveis quecontribuem para a geração de renda emcomunidades locais, com valorização dobioma nativo através do aproveitamentocorreto e conservação da biodiversidade,promoção do desenvolvimento local epodendo indiretamente ou diretamente, emalguns casos, contribuir com a diminuição dodesmatamento. Fatos como esses auxiliamna redução das emissões de gases de efeitoestufa e têm reflexos também na diminuiçãodos efeitos decorrentes das mudançasRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 10 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


climáticas.Assim, os resultados evidenciamque uma interferência social quando buscao desenvolvimento sustentável vem com aclareza da relevância fundamental daparticipação dos atores locais do territórioem Foco. Esse cenário se estende na buscade encarar desafios que impedem ouretardam o desenvolvimento de um povoque tem sua origem em acesso de cidadãosnegados aos direitos civis, políticos eeconômicos e sociais básicos previstos nalegislação. Cenários como estes são comunsem nosso país, assim também se apresentaa Vila do Retiro, na Associação Dom Bosco.Portanto, a interferência que se realizoujunto ao grupo foi pautada nas premissas dodesenvolvimento social sustentável, cujametodologia aqui utilizada se desdobra apartir do entendimento de quanto e comoum determinado grupo social está engajadono modo de vida sustentável e, que seja estegrupo, o identificador e analisador dos seuscenários atuais e futuros com orientação nosrecursos da sustentabilidade. Trata-se de umsistema metodológico que funciona comouma forma de pensar sobre objetivos,oportunidades e prioridades para odesenvolvimento, tendo como meta aeliminação das situações de vulnerabilidadesocial com potencialização dasresponsabilidades com o meio natural,estando de acordo com as ponderações deMiller Jr. (2007), Pires (2003), Ashley e Carney(1999), Sachs (2000, 1993, 1986). Pode sedizer, portanto, que a Metodologia doCarbono Social contribuiu na promoção damelhoria da qualidade de vida dacomunidade analisada visto que essadespertou e apropriou-se de uma novamaneira de entender as relações desustentabilidade entre os indivíduos e o meioem que subsistem, considerando o vínculoprodutivo, porém vislumbrando também apromoção do bem estar social e ambiental ecom respeito às identidades locais comopossibilidades reais de desenvolvimentolocal sustentável.CONSIDERAÇÕES FINAISO marco diagnóstico inicial (MarcoZero) e o marco diagnóstico final (Marco 1),realizado junto as jovens tecelãs de Vila doRetiro, São Salvador do Tocantins mostroupor meio da metodologia do carbono socialum cenário otimista mediante a dinâmicaobservada quanto aos recursos dasustentabilidade.Esse resultado vai ao encontro deque, sensatamente, é abordado por MillerJr. (2007), ao referir-se ao grande desafio damodernidade, que é a utilização de formacriativa dos sistemas econômicos e políticospara implementar soluções sejamtecnológicas, cientificas, econômicas esociais. Para tanto é imprescindível alimentaro otimismo da sociedade, o estímulo aoexercício da cidadania e dos processosemancipatórios locais, conforme ressalvas deLeff (2001) e Fischer (2008). Concretamentepode se dizer que este viés da sociedademoderna não é utopia. É preciso que nosremetamos a alguns dados apresentados porcientistas sociais, quando sugerem que énecessário apenas 5% a 10% da populaçãode um país para provocar uma grandemudança social e que há de se creditartambém a pequenos grupos este potencialde mudança. Esta realidade pode alicerçar ootimismo e as vocações de muitos.Acredita-se que um dos diferenciaisdo processo aqui exposto foi exatamente aassociação das potencialidades e realidadeslocais ao desenvolvimento do capital sociale natural, percebidos na dinâmica dosrecursos de sustentabilidade. A estratégiautilizada possibilitou o engajamento dogrupo social de relativa baixa renda e faixaetária (15 a 23 anos), média escolaridade eessencialmente feminina no processo dereflexão em torno da atividade produtiva datecelagem manual local e sua conexão (ounão) com os propósitos de umempreendimento coletivo, estruturado apartir da busca de equilíbrio entre osrecursos de sustentabilidade. Esta análisepoderá apoiar ações futuras do grupo,especialmente pelas possibilidades que ametodologia cria. Esta é muitas vezes umalacuna que vai desde aos grandesempreendimentos e/ou projetos nasdimensões sociambientais até mesmo àsiniciativas em menor escala, a exemplo deem empreendimentos da economia solidáriae de pequenos grupos informais. E estaausência de mecanismos adequados deavaliação e monitoramento pode gerarproblemas, muitas vezes, irreversíveis.Entendeu-se como adequada autilização desta metodologia comoferramenta de monitoramento e gestão dasustentabilidade no cenário analisado,especialmente pelas possibilidades detrabalho participativo e que requer um olharsistêmico e flexível orientado por seisrecursos importantes no contexto dasustentabilidade. Isto possibilitou acompreensão da sua dinâmica, peculiar eautônoma. E é também por isso que serecomenda para o contexto local ou emexperiências similares a continuidade quantoao uso da metodologia uma vez que ascompetências necessitam de constantesrevisões em razão das alteraçõescircunstanciais que envolvem os cenários eassim são passíveis de alterações.Entretanto, entende-se tambémque a metodologia precisa avançar à medidaque ainda não se conseguiu dar dimensõesdiferentes para os recursos quanto aosníveis, concordando com menções emtrabalhos anteriores realizados por Finco eRezende (2008). Ou seja, será que quandoum recurso avança em um nível e outro emdois, sendo os mesmos imbuídos de variáveisde complexidades diferentes, podemosentender que o grupo evoluiu até que pontona relação de interdependência propostasno modo de vida sustentável? Há assim umafragilidade metodológica ao se medir estainteração, o que envolveria também umaanálise quanto à forma ideal necessária paramudar o formato do hexágono social.Ainda sim, tem-se na metodologiaa evidência de uma dinâmica da atividadeprodutiva em torno dos recursos desustentabilidade e assim, numa visãopessimista ou otimista dos cenários, sinalizarcaminhos importantes para odesenvolvimento social e ambiental dedeterminando empreendimento de basesocioeconômica. Isto converge para cenáriosfavoráveis quanto à autonomia eempoderamento de grupos sociais,estabelecimento de ligação entre as políticaspúblicas e as reais necessidades dacomunidade atendida, definições quanto aestratégias e mobilidade social,encaminhamentos e responsabilizaçõessocioambientais, benefícios e serviçosambientais dentre outros.Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 11 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASASHLEY, C.; CARNEY, C. SustainableLivelihoods: Lessons from an analysis andvarious forms of cost-benefit analysis. 1999.BARRETO, M. C. Desenvolvimento localsustentável. Disponível em .Acesso em 06 janeiro 2010.BRUNDTLAND, G.H. Nosso futuro comum:comissão mundial sobre meio ambiente edesenvolvimento. 2 ed. Rio de Janeiro:Editora da Fundação Getulio Vargas, 1991.BUARQUE, S. C. Construindo odesenvolvimento local sustentável:Metodologia de Planejamento. Rio deJaneiro: Garamond, 2004.CÂMARA, I. G. de. Prefácio. In: PlanejamentoAmbiental: caminho para participaçãopopular e gestão ambiental para o nossofuturo comum - uma necessidade, umdesafio. Rio de Janeiro: Thex Editora.Biblioteca Estácio de Sá, 1993.CAMARGO, A.L.B. Desenvolvimentosustentável - dimensões e desafios.Campinas: Papirus, 2003.160p.CERQUEIRA, V. Desenvolvimento Sócio-Ambiental: Novos Paradigmas Aplicados ÀsCadeias Produtivas. Disponível em .Acesso em 05 novembro 2009.CHAMBERS, R.; CONWAY, G. SustainableRural Livelihood: practical concepts for the21st century. Discussion. Paper 296:Institute of Development Studies - IDS. 1992.COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIOAMBIENTE E DESENVOLVIMENTO (RelatórioBrundtland). Nosso futuro comum. Rio deJaneiro, FGV, 1988.CRUZ, K.; VALENTE, A. L. F. ProduçãoFamiliar, agronegócio e desenvolvimentolocal sustentável em área remanescente dequilombo - um estudo de caso naComunidade Kalunga. Disponível em < http://www.sober.org.br/palestra/12/12O503.pdf>. Acesso 05 janeiro 2010.DALY, H. E. Para el bien común: reorientandola economia hacia la comunidad,, elambiente y um futuro sostenible. México:Fondo de Cultura Econômica, 1993.EL SERAFY, S. Contabilidade verde e políticaeconômica. In: CALVACANTI, C. Meioambiente Desenvolvimento sustentável epolíticas públicas. São Paulo: Cortez: Recife:Fundação Joaquim Nabuco, 1997.FINCO, M.; REZENDE, D. O Carbono Socialcomo instrumento de desenvolvimentolocal sustentável: Uma Abordagem Teórico-Metodológica. Disponível em < http://www.ecoeco.org.br/conteudo/publicacoes/encontros/vi_en/mesa2/o%20carbono%20social%20com%20instrumento.pdf>. Acesso em 05 novembro 2009.FISCHER, R.M. Empreendedorismo social edesenvolvimento sustentável. In: Osdesafios da formação em gestão social.Palmas-To: Provisão, 2008. 305-328p.FLICK, U. Uma introdução à pesquisaqualitativa. 2 ed. Porto alegre: Bookman,2004.INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA EESTATÍSTICA (IBGE). Cidades 2009. Disponívelem . Acesso em 03novembro 2009.IWANAMOTO, H.M. Autogestão: origens,tendências e experiências. In: Economiasolidária, cooperativismo popular eautogestão: as experiências de Palmas-TO.Nesol:UFT, 2007. p.233-244.MANZINI, E.; VEZZOLI, C. O desenvolvimentode Produtos Sustentáveis: Os requisitosambientais dos produtos industriais. SãoPaulo: EDUSP, 2002.MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E.M. Técnicasde Pesquisa. 6 ed. São Paulo:Atlas, 2006.MILLER, G. T. Ciência ambiental. 11ªTradução All Tasks. Revisão Técnica WelligtonBraz Carvalho Delliti. São Paulo: ThomsonLearning, 2007.MOTA. J.A. O valor da natureza: economiae política dos recursos ambientais. Rio deJaneiro: Garamond, 2006.O' CONNOR, M. Ecological-EconomicSustainability. In: FAUCHEUX, S; O' CONNOR,M. Valuation for Sustainable Development:methods and policy indicators. Cheltenham,UK: Edward Elgar Publishing Limited, 1998.PRUGH, T. Natural capital and humaneconomic survival. Solomons: ISEE, 1995.PIRES, O.M. A perspectiva dodesenvolvimento sustentável. In: Políticasambientais no Brasil: análises, instrumentose experiências/organizador Paul. E. Little,São Paulo: Peirópolis, Brasília, DF:IIEB, 2003.REZENDE, D; MERLIN, E. Carbono Social:Agregando valores ao desenvolvimentosustentável. São Paulo: Peirópolis, Brasília,DF: Instituto Ecológica. 2003.SACHS, I. Gestão Negociada e contratual dabiodiversidade. Brasília: mimeo, 2000.SACHS, I. Estratégias de transição para oséculo XXI: desenvolvimento e meioambiente. São Paulo: Studio Nobel/Fundação do DesenvolvimentoAdministrativo. 1993.SACHS, I. Ecodesenvolvimento: crescer semdestruir. São Paulo: Vértice, 1986.SANTOS, C. K. N dos. Metodologia doCarbono Social: Manual do Multiplicador.Instituto Ecológica. Palmas-TO, 2008.Disponível em < http://www.ecologica.org.br/downloads/publicacoes/mcs_1.pdf. >Acesso em 10 novembro 2009.SCOONES, I. Sustainable Rural Livelihoods:A Framework for Analysis. IDS WorkingPaper N.72. 1998.SERVIÇO BRASILEIRO DE PEQUENAS EMÉDIAS EMPRESAS (SEBRAE). Estatísticaeconômica do Tocantins: Município de SãoRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 12 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


Salvador do Tocantins. Disponível em Acesso em 10novembro 2009.SINGER, P. Desenvolvimento capitalista edesenvolvimento solidário. Revista EstudosAvançados. v.18 n. 51. São Paulo maio/agosto 2004. Disponível em Acesso em 13.03.2009.SLOW, R. M. Sustainability: An Economist'sPerpective. In: STAVINS, R. N. Economics ofthe Environment. 4 ed. New York: WWNorton & Company, Inc., 2000.TENORIO, F. G. Cidadania eDesenvolvimento local. Rio Grande do Sul:Ed. Unijui, 2007.VEIGA, J. E. . A emergência socioambiental.1. ed. São Paulo: Editora SENAC, 2007. v. 1.138 p.WILLERS, E, M; LIMA, J; STADUTO, J.A.R.Desenvolvimento local, empreendedorismoe capital social: o caso de Terra Roxa noEstado do Paraná. Interações: CampoGrande. v.9. n.1, jan/jun 2008. Disponível emhttp://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex&pid=S1518-70122008000100005.Acesso em 08.12.2008.Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 13 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


Caracterização de Sucatas Eletrônicas Provenientesde Baterias Recarregáveis de Íons de Lítio, TelefonesCelulares e Monitores de Tubos de Raios CatódicosRESUMOO avanço da tecnologia e o surgimento de novos equipamentos eletrônicos fazem com que a cadaano haja um aumento considerável no descarte destes equipamentos. Este descarte quando realizadode forma incorreta, em aterros ou lixões, provoca a contaminação do solo e das águas, pois osWEEE's são constituídos de vários componentes com alta toxicidade, como metais pesados, solventesorgânicos e compostos geradores de dioxinas e furanos. Visando obter um melhor conhecimentosobre a composição destes equipamentos foi realizada a caracterização de baterias de íons de lítio,telefones celulares e CRT's. Polímeros, metais e vidros foram os principais componentes encontradosnos equipamentos estudados.PALAVRAS-CHAVE: REE ; reciclagem de baterias e materiais eletrônicos; gestão ambiental.ABSTRACTThe advancement of technology and the emergence of new electronics has caused a considerableincrease in the disposal of such equipment. The improperly discard in landfills or dumps causecontamination of soil and water. The WEEE's (waste electrical and electronic equipment) consist ofseveral compounds with high toxicity, such as heavy metals, organic solvents and compounds thatgenerate dioxins and furans. In order to obtain a better understanding of the composition of thisequipment a characterization of lithium-ion batteries, cell phones and CRT (cathode ray tube) wascarried outs. Polymers, metals and glass were the main components found in equipment studied.KEYWORDS: REE; batteries and electronic materials recycling; environmental management.Angela Cristina KasperMestranda em Engenharia de Minas,Metalúrgica e de Materiais - PPGEM - UFRGSE-mail: angelakasper@globo.comRodrigo Calçada da CostaMestrando em Engenharia de Minas,Metalúrgica e de Materiais - PPGEM - UFRGSPablo Araújo de AndradeMestrando em Engenharia de Minas,Metalúrgica e de Materiais - PPGEM - UFRGSHugo Marcelo VeitProfessor Adjunto-Engenharia de Matérias-UFRGSAndréa Moura BernardesProfessora Adjunta-Engenharia de Materiais-UFRGSUniversidade Federal do RioGrande do SulLACOR - Laboratório de Corrosão, Proteçãoe Reciclagem de MateriaisAv.Bento Gonçalves,9500-Setor 4-Prédio 74-Campus do Vale-Porto Alegre/RS-CEP:91501-970-Fone:(51) 3308-9425Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 9 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


INTRODUÇÃOSegundo dados da UNEP (UnitedNations Environment Programme) a cadaano, são gerados de 20 - 50 milhões detoneladas de resíduos de equipamentoselétricos e eletrônicos (WEEE - wasteelectrical and electronic equipment) em todoo mundo. Somente no Brasil, são descaradascerca 500 mil toneladas de sucata eletrônicapor ano (UNEP, 2005).As sucatas eletrônicas são formadaspor aparelhos eletrônicos como bateriasrecarregáveis ou não, celulares, placas decircuito impresso (placa mãe, de rede, demodem e de vídeo) presentes emcomputadores, além de monitores,impressoras, aparelhos de áudio e vídeoportáteis, etc., que chegaram ao final da suavida útil por falhas no funcionamento ou porobsolescência tecnológica.No início dos anos 80, um novosegmento no mercado de pilhas e bateriaspassou a ser estudado: o de bateriasportáteis recarregáveis. A partir de então,ano após ano, surge no mercado um novoproduto com melhor desempenho e menorcusto. Foi assim quando começaram a serdesenvolvidas as baterias de NiCd, seguindopara as baterias de NiMH para, por fim,chegar no desenvolvimento das baterias deíons de lítio e lítio-polímero.A partir dos anos 90, as baterias deNiCd e de NiMH foram perdendo espaço nomercado para as baterias de íons de lítio emfunção de suas características. As baterias deíons de lítio apresentam maior densidadeenergética, baixíssima taxa de autodescarga,ausência do efeito memória, maiorsegurança no manuseio e toxicidadereduzida. Além disso, apresentam longosciclos de vida e são extremamente leves,permitindo que sejam projetadas para teremmassa e tamanhos reduzidos (BUSNARDO etal., 2007).Hoje elas são utilizadas em diversosequipamentos eletrônicos tais comotelefones celulares, laptops, marca-passos,mp3 players, brinquedos eletrônicos,câmeras digitais e filmadoras, dominando osegmento das baterias portáteisrecarregáveis, com vendas superiores a US$9,66 bilhões anuais. Ademais, além dasaplicações anteriores, projeta-se suautilização em larga escala em veículoselétricos, menos agressivos ao meioambiente,podendo elevar o comércio debaterias ao patamar de US$ 23 bilhões porano em 2020 (YASU, 2009).Outro mercado em franca expansãoé o mercado de aparelhos de telefonescelulares. Segundo dados da ANATEL(Agência Nacional de Telecomunicações) noBrasil existem atualmente mais de 154 demilhões aparelhos celulares em uso, nomundo este número estaria em 4 bilhões deaparelhos (ANATEL, 2009).Estima-se que o tempo médio paratroca de um aparelho celular seja de menosde dois anos, o que significa dizer que doscelulares fabricados anualmente, entre 10 e20% entram em inatividade a cada ano, ouseja, seriam cerca de 3 mil toneladas decelulares obsoletos a caminho dos lixões eaterros sanitários (MAWAKDIYE, 2007).Do ponto de vista toxicológico eambiental os telefones celulares contêm umgrande número de substâncias perigosas quepodem poluir o ar quando queimados e osolo e a água quando lixiviados e/oudispostos em aterros. Estas substânciastóxicas incluem arsênio, chumbo, cádmio,cobre, níquel, entre outras presentes nasplacas de circuito impresso (MOST, 2003) e(IPIM, 2003). Tanto o plástico das carcaças,quanto das PCI's são susceptíveis de contercompostos orgânicos de bromo, utilizadoscomo retardadores de chama, alem deoutros componentes que podem representarameaça devido a formação de dioxinas efuranos gerados durante a queima semcontrole de gases (WU et al, 2008).Da mesma forma, a evolução doscomputadores, a integralização de pessoasem rede diminuindo o espaço físico, aconstituição de sistemas inteligentes,telecomunicações por satélite, dentre outrasespecializações na área de tecnologia dainformação, proporcionam maiorflexibilidade na atuação pessoal eprofissional dos indivíduos. A informáticaoferece subsídio as demais áreas naaquisição de conhecimento, proporcionandocada vez mais agilidade na execução detarefas necessárias à vivência do homem. Autilização inconsciente da tecnologia podegerar várias consequências, sendo umadelas, a poluição eletrônica que, com seuscomponentes químicos causa poluição nomeio ambiente e danos à saúde(MARTINS,2008).Das partes que constituem umcomputador, a que menos atrai interessepara a reciclagem é o monitor devido a suagrande quantidade de componentes, entreeles substâncias consideradas perigosascomo por exemplo o chumbo e o bário(RIBEIRO, 2008). A substituição de monitoresCRT por monitores LCD têm provocado umrápido aumento na quantidade de peçasdescartadas. Segundo estudos da ONU, ageração de lixo eletrônico deve alcançarpatamares de até 500 % superiores aospatamares de 2007 em países como a Índiae a China até 2020.Além da quantidade de resíduosgerados outros fatores que devem serlevados em conta e que tornam a reciclagemuma solução viável e eficaz são apossibilidade de inibir a contaminação domeio ambiente com substâncias perigosascontidas nas sucatas (metais pesados) e apossibilidade de recuperação de metais deinteresse econômico como cobre, estanho,prata e ouro (PETRANIKOVA, 2009).Este trabalho teve por finalidadecaracterizar as sucatas eletrônicasprovenientes de baterias de íons de lítio,aparelhos de telefones celulares e monitoresde tubos de raios catódicos a fim de verificaros materiais presentes nestes resíduos,obtendo assim um maior conhecimento dosWEEE's (waste electrical and electronicequipment).EXPERIMENTALCaracterização dos eletrodos das bateriasde íons de lítioPara caracterizar os componentespresentes nas baterias de íons de lítio, asbaterias esgotadas de íons de lítioselecionadas foram abertas manualmente etiveram seus componentes separados,classificados e devidamente pesados. Aabertura e a separação dos componentesforam realizadas conforme técnicas jádescritas (DORELLA & MANSUR, 2005;MANTUANO et al., 2006).Para a caracterização dos materiaisdo cátodo e do ânodo, foram realizadasRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 10 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


análises qualitativas através da difração deraios-X (PHILIPS), num intervalo de 5º< 2?


Foi considerado carcaça externa aproteção plástica (modelo 4) e os adesivos(modelos 1, 2 e 3) que protegem a blindagemmetálica e as extremidades plásticas dasbaterias. As fitas adesivas presentes no interiordas baterias, coladas nos eletrodos, foramchamadas de polímeros. Comoconectores, foram consideradas as PCI's,recobertas pelas extremidades plásticas dasbaterias, e os filetes metálicostransportadores de carga, que ligam o interiordas baterias às PCI's.Durante a serragem e separação doscomponentes internos, foi possível observara volatilização de parte do eletrólito. Apósremovida a blindagem metálica, o cátodo foisubmetido a uma raspagem para a separaçãodo pó (material ativo) do seu coletor de carga(folha de alumínio). Da mesma forma, oânodo teve seu pó separado do seu coletorde carga (folha de cobre).Feita a separação de todos oscomponentes, eles foram colocados emestufa a 80ºC durante 24 horas para aeliminação dos componetes voláteis queconstituem o eletrólito. Em seguida, fez-se apesagem de todos os componentes comomostra a Tabela 2.Os resultados obtidos na Tabela 1mostram que a massa dos eletrodos varia de52% m/m para o modelo 4 até 61% m/m dasbaterias esgotadas de íons de lítio para omodelo 3. Para todas as baterias é possívelseparar facilmente cada um dos constituintesque formam os eletrodos. A carcaça externaé encontrada apenas em um dos modelos debaterias estudado (Modelo 4) e representa10,8% m/m da bateria, ratificandoBUSNARDO et al. (2007). Os outros modelosde baterias (1, 2 e 3) estudados apresentamapenas um adesivo e extremidadespoliméricas como revestimento externo, querepresentam, em média, 5% m/m. Asubstituição das carcaças externas poradesivos confere proteção semelhante àblindagem metálica contra corrosão e reduzcustos, uma vez que o consumo de materialpara sua produção torna-se menor. Alémdisso, essa substituição reduz o volume dabateria, o que permite que novos designs decelulares, menores e mais leves, sejamdesenvolvidos. O valor encontrado para acarcaça plástica do modelo 4 é menor que ovalor citado em outros trabalhos. Emcompensação, a carcaça metálica apresentavalores maiores que os apresentados emestudos anteriores (BUSNARDO et al., 2007;DEWULF et al., 2009), variando de 15 - 18%m/m das baterias.Tabela 1 - Componentes presentes nas baterias de íons de lítio%(m/m)ModeloBateria 1 Bateria 2 Bateria 3 Bateria 4Case Externo 5,28 4,23 4,84 10,84Case Metálico 16,40 15,93 18,78 15,33AnodoConectores 3,09 7,29 2,98 4,55Polímeros 0,58 0,66 0,66 1,19Separador 2,73 2,88 3,83 3,26Mat. Ativo 17,41 15,05 20,41 14,39Cu 6,57 8,24 8,25 6,07Mat. Ativo 32,61 29,31 28,84 29,08CátodoAl 3,79 3,64 3,64 3,25Perdas 11,54 12,77 7,78 12,04A fração mássica correspondenteao material ativo das baterias (ânodo,cátodo e eletrólito) varia de 65% a 72%. Asfolhas de cobre e alumínio, que possuem altograu de pureza e são facilmente separadasdos outros componentes por processosmecânicos, representam, em média, 7,3%m/m e 3,6% m/m das baterias,respectivamente. O material ativo docátodo, que contém lítio e cobalto,representa, em média, 30% da massa totalda bateria e o pó do ânodo, 18%. Osseparadores, por sua vez, compõem 3,2% m/m em média. Os valores encontrados para amassa ativa do ânodo, composta porcarbono, massa ativa do cátodo, folhas decobre e de alumínio e blindagem metálicatambém estão dentro da faixa de valoresrelatados (BUSNARDO et al., 2007; SHIN etal., 2005; SHIN et al,. 2005; LEE & RHEE,2003; XU et al., 2008; DEWULF et al., 2009,PAULINO et al., 2008). No processo deseparação dos componentes, foi observadauma perda de 12%, em média, com exceçãodo modelo 3, que apresentou perda de 7%m/m. A grande perda ocasionada nesseprocesso se deve, principalmente àvolatilização do eletrólito, composto porsolventes orgânicos, gases resultantes dasreações internas e aditivos (estabilizadorese retardantes de chama), como é explicadopor VAN SHALKWIJK & SCROSATI, 2002.Caracterização dos eletrodos por análisesqualitativasOs resultados para as análises deXRD são mostrados nas Figuras 3 e Figura 4.Conforme a Figura 3, todas as baterias sãocompostas pelo mesmo material ativo.Apesar de haver várias opções para afabricação dos cátodos dessas bateriasRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 12 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


(LiNiO2, LiNi1-xCoxO2, LiFePO4, LiMn2O4) todas elas apresentaramcomo material ativo o LiCoO2.Já no difratograma do ânodo, mostrado na Figura 4,percebe-se a predominância de carbono em sua composição,ratificando estudos anteriores (DORELLA & MANSUR, 2005; LEE &RHEE, 2002 - 2003; XU et al., 2008; DEWULF et al., 2009). Outrospicos, no entanto, também foram encontrados. Dentre eles, podesecitar um pico de LiCoO2, resultado da contaminação do ânodopelo material ativo do eletrodo positivo. Essa contaminação estápresente em todos os modelos estudados, mas fica mais evidentena bateria 3 cujo pico é mais saliente. Os picos referentes ao LiFsão resultado das reações que envolvem o sal de lítio no interiordas baterias (KAWAMURA et at., 2006; ZHANG, 2006). Esse sal sofre,primeiramente, redução nos primeiros ciclos de carga e descargade uma bateria. Posteriormente, os produtos dessa reduçãoreagem com os solventes orgânicos e com água para a formaçãode LiF.20001500ooo160001400012000*+ LiFo LiCoO2C*Intensidade (CPS)1000500oooooooooo oo43Intensidade (CPS)10000800060004000oo LiCoO 210 20 30 40 50 60 70 80 90 100*,++ ***** **432200020120 40 60 80 100Ângulo de Difração (2Theta)Figura 3 - Difratograma dos eletrodos positivosdas baterias de íons de lítio0Ângulo de Difração (2Theta)Figura 4 - Difratograma dos eletrodos negativos dasbaterias de íons de lítio1Aparelhos de Telefones CelularesDepois da desmontagem asunidades básicas foram pesadas para que sepudesse calcular os percentuais de cadaunidade. Como unidades básicas foramconsideradas a carcaça polimérica, a Placa deCircuito Impresso e outros acessórios(parafusos, antenas, etc).Caracterização das Carcaças Poliméricasvítrea) da Blenda de >PC+ABS< ficou em tornode 135ºC, portanto, uma temperaturaintermediaria entre a Tg do PC(Policarbonato) que é de 149ºC, e a do ABS(Acrilonitrila Butadieno Estireno) que é de100ºC. A observação de uma única Tgdemonstra alto grau de homogeneidade damistura.Através da inspeção visual dascarcaças poliméricas foi possível verificar quea grande maioria das mesmas eramconstituídas por um mistura de PC + ABS(Policarbonato + Acrilonitrila ButadienoEstireno), que são materiais facilmenterecicláveis. Enquanto que algumas nãopossuíam símbolo de identificação domaterial e que foram identificadas eseparadas por diferença de densidade, eramconstituídas por PA (Poliamida) ou PA+ fibrade vidro.Conforme observado no ensaio deDSC (Figura 5) a Tg (temperatura de transiçãoFigura 5 - Curva de DSCRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 13 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


Analisando a curva obtida no ensaio de TGA (Figura 6) foipossível observar que na temperatura de 250°C começa adegradação do polímero e que na temperatura de 435°C ocorreuma perda elevada de massa. Pode-se observar ainda um residualde aproximadamente 7%, que deve estar relacionado à adição decarga mineral ao polímero.A partir dos ensaios de DSC e TGA foi possível obter a faixade temperatura na qual é possível a extrusão e/ou injeção dascarcaças poliméricas (PC/ABS), permitindo a reciclagem destesmateriais, uma vez que a temperatura de processamento do PCpuro é de 250-300ºC, enquanto que o ABS puro fica entre 167-260ºC.Desta forma, o reprocessamento deve ocorrer em umintervalo de temperatura em que o Policarbonato pode serprocessado, sem que haja degradação do ABS. Assim, foideterminado que a temperatura de processamento do materialdeve ficar em torno de 200-230ºC.Atm. N 2até 1000ºC. Rampa 20ºC/min12088,22%(18,05 mg)435,892,01001,5Weight (%)806040Residue:11,78%(2,41 mg)1,00,5Deriv. Weight (%/ºC)200,000 200 400 600 800 1000Temperature (ºC)Figura 6 - Curvas de TGA-0,5Caracterização da Fração Polimérica das PCI'sA caracterização do material polimérico presente nas Placasde Circuito Impresso foi realizada através de ensaios deespectroscopia de infravermelho.Pelos resultados destes ensaios foi possível verificar, atravésda observação dos picos característicos em 870, 950 e 1250 cm-1(Figura 7) que a base das PCI's é constituída por Epóxi. Já oscomponentes que envolvem os circuitos eletrônicos são de Poliéster,conforme evidenciado pela observação dos picos característicos em1101, 1245 e 1715 cm-1 (Figura 8).Como as resinas Epóxi e Poliéster são materiais termofixose, portanto não podem ser recicladas, a alternativa seria utilizareste material como carga na reciclagem das carcaças.5050454040% Transmitance3020% Transmitance353025201715,9510125095083015101245,431101,564000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500wavenumber cm-1Figura 7: Espectro de infravermelho da base das PCI's4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500Wavenumber cm-1Figura 8 - Espectro de infravermelho dos componentes das PCI'sRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 14 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASABNT. NBR 13230: Embalagens eacondicionamento plásticos recicláveis -Identificação e simbologia. Rio de Janeiro,2008.ANATEL (Agência Nacional deTelecomunicações). Citação de referências edocumentos eletrônicos. Disponível em:http:// www.anatel.gov.br/Portal. Acesso em:Abril de 2009.ANDREOLA, F; BARBIERI, L; CORRADI, A;LANCELLOTTI, T. CRT glass state of the art. Acase study: Recycling in ceramic glazes, Journalof the European Ceramic Society 27 ano2007. p 1623-1629.BUSNARDO, N. G.; PAULINO, J. F.; AFONSO, J.C. Recuperação de Cobalto e de lítio debaterias íon-lítio usadas. Quimica Nova, Riode Janeiro, v.30, n.4, 995-1000, 2007.DEWULF, J.; VAN DER VORST, G.; DENTURCK,K.; VAN LANGENHOVE, H.; GHYOOT, W.;TYTGAT, J.; VANDEPUTTE, K. Recycling rechargeablelithium ion batteries: Criticalanalysis of natural resource savings, Resources,Conservation and Recycling, v.54,n.4, 229-234, 2010.DORELLA, G.; MANSUR, M.B. J. A study of theseparation of cobalt from spent Li-ion batteryresidues. Journal of Power Sources, BeloHorizonte, v.170, n.1, 210-215, 2007.ENGINEERED MATERIALS HANDBOOK - EngineeringPlastics Hardbook: ASM Publication,1983, Vol 2.GUO, J.; GUO, J.; CAO, B.; TANG, Y.; XU, Z.Manufacturing process of reproduction plateby nonmetallic materials reclaimed from pulverizedprinted circuit boards. Journal of hazardousMaterials. 163. 1019 - 1025. 2009.IPIM, Environmentally sound management:used mobile phones. International PreciousMetals Institute, IPMI, july 14, 2003.KAWAMURA, T.; OKADA, S.; YAMAKI, J.; Decompositionreaction of LiPF6-based electrolytesfor lithium ion cells. Journal of PowerSources, Kasuga, v.156, n.2, 547-5542006.LEE, K. L.; RHEE, K. I. Preparation of LiCoO2from spent lithium-ion batteries. Journal ofPower Sources, Daejon, v.109, n.1, 17-21,2002.LEE, K.L.; RHEE, K. I. J. Reductive leaching ofcathodic active materials from lithium ionbattery wastes. Hydrometallurgy, Daejon,v.68, n.1-3, 5-10, 2003.MANTUANO, D.P.; DORELLA, G.; ELIAS, R.C.A.;MANSUR, M.B. Analysis of a hydrometallurgicalroute to recover base metals from spentrechargeable batteries by liquid-liquid extractionwith Cyanex 272. Journal of PowerSources, Belo Horizonte, v.159, n.2, 510-1518, 2006.MARTINS, Juliana, A Sociedade dainformação e o desafio da sucata eletrônica,Revista de Ciências Exatas e Tecnologia, VolVI, N°3, ano 2008. P 157-170.MAWAKDIYE, Alberto (2007) Meio Ambiente- Poluição eletrônica. Revista da Indústria,129 (7), p. 50-53, jun. 2007.MENAD, N. Cathode ray tube recycling, Resources,Conservation and Recycling 26 ano1999. p 143-154.MOST, E., Calling all cell phones: Collection,reuse and recycling programs in de US, Informinc., 2003.PAULINO, J. F.; BUSNARDO, N. G.; AFONSO, J.C. Recovery of valuable elements from spentLi-batteries. Journal of Hazardous Materials,Rio de Janeiro, v.150, n.3, 843-849, 2008.PETRANIKOVA, M.; ORAC, D.; MISKUFOVA, A.;HAVLIK, T.. Hidrometallurgical Treatment ofPrinted Circuit Boards from used Computersafter Pyrolytic Treatment. Anais: Europeanmetallurgical Conference, 2009.RIBEIRO, A. Matheus. Perigo do LixoTecnológico, Jornal diário da Manhã, 19 maio2008.SHIN, S.M.; KIM, N.H.; SOHN, J.S.; YANG, D.H.;YOUNG, H.K. Development of a metal recoveryprocess from Li-ion battery wastes. Hydrometallurgy,Taejon, v.79, n.3-4, 172-181,2005.UNEP, Citação de referências e documentoseletrônicos. E-waste, the hidden side of ITequipment's manufacturing and use E-waste,the hidden side of IT equipment's manufacturingand use, Environment Alert Bulletin,http://www.grid.unep.ch/product/publication/EABs.php,2005WU, B. Y.; CHAN, Y. C.; MIDDENDORF, A.; GU,X.; ZHONG, H.W. Assessement of toxity potentialof metalic elements in discarded electronics:A case study of mobile phones enChina. Journal of Environmetal Science. 1403-1408. 2008.XU, J.; THOMAS, H. R.; FRANCIS, R. W.; LUM,K. R.; WANG, J.; LIANG, B. A review of processesand technologies for the recycling oflithium-ion secondary batteries. Journal ofPower Sources, v.177, n.2, 512 - 527, 2008.YASU, M.; Businessweek. Sanyo Wins FirstLithium-Ion Car Battery Customers.Disponível em http://www.businessweek.com/globalbiz/content/dec2009/gb2009122_165889.htm. Acesso em 09 fev.2010.ZHANG, S. S., A review on electrolyte additivesfor lithium-ion batteries. Journal ofPower Sources, v.162, n.2, 1379-1394, 2006.Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 17 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


Simultaneous Removal of Various Pesticidesfrom Contaminated HDPE Packaging byRadiation Processing: Electron Beam andGamma Radiation ComparisonABSTRACTRadiation processing is widely used for medical product sterilization and polymeric materialsirradiation. Moreover the use of irradiation is becoming a common treatment for many othersapplications, including wastewater, flue gases, and solid waste materials. In order to evaluate theefficiency of radiation processing on removal of pesticides contamination, high-density polyethylene(HDPE) packaging were irradiated using Radiation Dynamics Electron Beam Accelerator with 1.5MeVenergy and 37 kW power, and a Cobalt-60 gamma irradiator, Gammacell type, at the rate 3.5 kGy/h.The chemical analyses of the pesticides were accomplished using a Gas Chromatography associatedwith the Mass Spectrometry - GCMS from Shimadzu, Model QP 5000. With 25 kGy absorbed dose, atotal removal of methomyl, dimethoate, carbofuran, and methydathion, and more than 80% removalof triazine, thiophos, and atrazyne were reached. Lower removal rates were obtained for endosulfan(54%), chlorpyrifos (69%), thriazophos (79%), and trifluralin (74%).KEYWORDS: Packaging wastes, pesticides, radiation processing.Celina Lopes DuarteFarmacêutica-Bioquímica, Doutora emTecnologia Nuclear- Aplicações pelo IPEN/USP.Pesquisadora do Centro de Tecnologia dasRadiações do IPENE-mail: clduarte@ipen.brManoel Nunes MoriQuímico. Mestre em Tecnologia Nuclear -Aplicações pelo IPEN/USP.Pesquisador do Centro de Tecnologia dasRadiações do IPENHiroshi OikawaQuímico. Mestre em Tecnologia Nuclear -Aplicações pelo IPEN/USP.Pesquisador do Centro de Tecnologia dasRadiações do IPENNuclear and Energy ResearchInstitute, IPEN - CNEN/SPAv. Prof. Lineu Prestes, 2242 - CidadeUniversitária - CEP: 05508-000 - São Paulo -SP - BrasilRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 23 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


INTRODUCTIONAs a consequence of pesticides usein agriculture, the human population isconstantly exposed to numerous chemicalspecies present in the environment. TheBrazilian agriculture activities haveconsumed about 288,000 tons of pesticidesper year conditioned in about 107,000,000packaging with a weight of approximately23,000 tons. The discharge of empty plasticpackaging of pesticides can be anenvironmental concern, causing problems tothe human health, to animals and plants ifdone without inspection and monitoring [6].Since the uncontrolled burying and burningof the waste is no longer allowed, the onlytwo options remaining is to dispose or torecycle the packaging, in ways that protectthe environment and human health.Brazilian Federal law attributes thedisposal responsibility of the pesticide plasticpackaging to the industry. This fact led thesegments to mobilize and create theNational Institute of Processing of EmptyPackaging - inpEV, with the objective ofcoordinating this operation [6]. Thepesticides packaging are received in a centralplace and are separated in two blocks,contaminated and non-contaminated. Thecontaminated packaging material isincinerated and non-contaminated isrecycled.Radiation processing is widely usedfor medical product sterilization andpolymeric materials irradiation. Moreoverthe use of irradiation is becoming a commontreatment for many others applications,including wastewater, flue gases, and solidwaste materials. For radiation processing,accelerators are available, supplyingelectron beams in the energy range up to10MeV, as well as, radionuclide sources Co-60, which emit 1.17/1.33MeV gamma rays.Electron beams are characterized by limitedpenetration and the entire energy of highenergyelectrons is deposited in relativelythin layers of material. In the case of gammarays, the radiation is able to penetratedeeper into the materials but the dose ratesare a few orders of magnitude lower incomparison to electron beam. [5]The reactive species generated bythe interaction of ionizing radiation withwater (OH radicals, e-aq, and H) have beensuccessfully applied for organic pollutantsremoval in environmental samples andindustrial effluents [2,3,4]. Various researchgroups in the world have studied thedegradation of pesticides in differentmatrices. [1,7,8,9]. The study of pesticidechlorpyrifos and ametryne removal usingionizing radiation were evaluated andpublished elsewhere [3,10].The main objective of this paper isto study the efficiency of ionizing radiationon the pesticides removal from commercialpolymeric packaging of high-densitypolyethylene COEX type, used in agriculture;in order to substitute the very expensiveincineration process, by the recycle.EXPERIMENTALSamplingA mixture of contaminatedpesticides packaging prepared forincineration process was obtained in bagsof approximately 30 Kg, from the NationalInstitute of Processing of Empty Packaging -inpEV. The samples, without triple rinsing,were cut in small pieces, weighted inportions of 50 g and placed in plastic bags,in two situations dried and with 200 mL ofwater.Radiation ProcessingThe gamma irradiation was carriedout at room temperature using a Cobalt-60gamma irradiator, gammacell type, at doserate 3.5 kGy/h, and "Perspex" dosimeter wasemployed to determine the absorbed doseof the system. The electron beam irradiationwas carried out with 1.5 MeV of electronsenergy, provided by the IPEN's ElectronBeam Facility (Dynamitron type fromRadiation Dynamics Inc., USA). Theirradiation parameters were 4.0 mm samplewidth, 112cm (94.1%) scan and 6.72 m/minconveyor stream velocity. All the irradiationswere performed in a batch system and thedelivered irradiation absorbed doses were15 kGy, 25 kGy, 50 kGy, and 100 kGy. Thesamples were irradiated in triplicate, and 60results were obtained in this way.Chemical AnalysisAfter irradiation the polymericmaterial was separated from water and wastransferred to glass vessel, and the pesticideswere extracted with 50 mL of hexane/dichloromethane 1:1 solvent, using anultrasonic system per 30 min. The pesticidesconcentration, before and after radiationprocessing, was determined by gaschromatography with FID detectorShimadzu, model GC-FID 17-A, and theircharacterization were made by gaschromatography in association with massspectrometry, Shimadzu, model GC-MS QP-5000 using the following conditions:• Helium gas carrier,• DB5 fused capillary columns withlow polar bonded phase,• Mass detector operation inelectron impact mode (EI), using 1.50 kV ofionizing voltage and temperature 250oC,• Interface temperature 240oC andcontinuous operation mode (SCAN).RESULTS AND DISCUSSIONChemical AnalysisThrough the gas chromatography inassociation with mass spectrometry, theidentification of the main pesticides presentin the samples was completed (Fig. 1). Thepesticides with higher concentration wereatrazyne, followed by methylparathion andthrifluralin. The other pesticides presentedsimilar concentrations. Naphthalene,nitrophenol and benzenedicarboxilic acidare not pesticides, but solvents normallyused in commercial formulations. The maincharacteristics of these pesticides areshowed in Table 1.Gamma irradiationThe presence of water wasfundamental in the efficiency of this processas using gamma or electron beamirradiation. The pesticides removals indifferent absorbed doses are presented inFigure 4 (gamma radiation without and withwater). The removal, using 25 kGy ofabsorbed dose, was more than 80% for thepesticides triazyne, methylparathion andRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 24 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


atrazyne. The lower removal rates for thesame absorbed dose (25 kGy) were obtainedfor endosulfan (54%), chlorpyrifos (69%),triazophos (79%) and trifluraline (74%).Although these removals were lower thanthe others were it can be consideredefficient, because these lower removal rateswere due to the higher concentration ofthese pesticides in relation to the others (Fig.2).Electron Beam IrradiationAs expected, the presence of waterwas also fundamental in the electron beamprocessing (Fig. 4). The removal rates werelower than gamma irradiation, but thedifference was not so significant. Using 25kGy of absorbed dose, the removal was morethan 80% for Dimetoate, chlorpyrifos,Carbofuran and more than 60% ofEndosulfan, Triasophos, Methomyl, andMethylparathion. The lower removal rate forthe same absorbed dose (25 kGy) was forEndosulfan, Atrazyne, and Triazyne.The water samples used in thisprocess were separated from the packagingmixture after irradiation and analyzed by gaschromatography. Pesticide contamination ofwater was expected, but no residue ofpesticides in the water was detected, evenafter repeated extraction with organicsolvents.In terms of efficiency, bothradiation sources showed equivalency, andthe main differences are of a practical pointof view. In the case of gamma radiation it isnecessary to use containers for theirradiation of large volumes at the sametime. However the irradiation time of agamma facility is at least several hours, whilein the case of electron beam accelerator, dueto high throughput efficiency, a mobilesystem can be used.Figure 1 - Gas chromatogram showing the main pesticides present in the studied polymeric packaging mixtureTable 1 - Characterization of the main pesticides identified in the polymeric packaging mixture (8)Chemical Name2-chloro-4-(2-propylamino)-6-ethylamino-s-triazine7-Benzofuranol, 2,3-dihydro-2,2-dimethylmethylcarbamateO,O-Diethyl-O-(3,5,6-trichloro-2-pyridyl)phosphorothioateO,O-dimethyl S-methylcarbamoylmethylphosphorodithioatehexachlorohexahydromethano-2-3-4-benzodioxathienpin-3-oxideS-methyl-N-(methylcarbamoyloxy)-thioacetimidateCommercial NameAtrazyneCarbofuranChlorpyrifosDimethoateEndosulfanMethomylMethydathionMethylparatioTriazophosTrifluralinS-2,3-dihydro-5-methoxy-2-oxo-1,3,4-thiadiazol-3-ylmethyl O,O-dimethylphosphorodithioateO,O-dimethyl-O-0-nitrophenyl phosphorodioateO,O-Diethyl O-(1-phenyl-1H-1,2,4-triazol-3-yl)phosphorothioateBenzenamina, 2,6-dinitro-N,N-dipropyl-4-(trifluoromethyl)-Action TypeHerbicide- TriazyneInsecticide, acaricideBenzofuran MethylcarbamateInsecticide, acaricideOrganophos phorateInsecticide, acaricideOrganophos phorateInsecticide, acaricideChlorociclo dieneInsecticide, acaricideOxyme Methylcarba mateInsecticide, acaricideOrganophos phorateInsecticide, acaricideOrganophos phorateInsecticide, acaricideOrganophos phorateHerbicideDinitroanilineRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 25 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


Figure 2 - Pesticides removal in packaging with and without water, in different absorbed doses, using electron beam accelerator and gamma rays.Figure 3 - Pesticides removal in packaging with and without water, in different absorbed doses, using electron beam accelerator and gamma rays.CONCLUSIONIonizing radiation was efficient onremoval of pesticides and other solventsfrom the polymeric packaging, but thepresence of water during the irradiationprocessing showed to be fundamental. Thepesticide removal yields using electron beamaccelerator were similar to gamma rays.Some minimal variations were not importantfor practical purposes and in the globalefficiency. With 50 kGy of absorbed dosemore than 60% of pesticides were removedby using gamma rays and also by usingelectron beam accelerator.When a new technology isproposed for commercial use, some factorssuch as applicability and practicality have tobe considered. The initial idea was toirradiate the polymeric packaging materialwithout destruction. However, grindingthem before irradiation easily optimizes theprocess, because in this case a conveyor inthe electron beam facility can be used whichpresents high throughput efficiency.Treatment using radiation processing inpolymeric packaging materials can beadvantageous in comparison with theincineration method that is a very expensiveprocess and doesn't allow for recycling of thehigh density polyethylene (HDPE).ACKNOWLEDGMENTSThe authors gratefully acknowledge thefinancial support of the Fundação deAmparo à Pesquisa do Estado de SãoPaulo, FAPESP, (project 03/05631-7).REFERENCESBACHMAN, S.; GIESZCZYNSKA, J. Effect ofgamma irradiation on pesticide residue infood products. In: IAEA Ed. "Agrochemicals:Fate in Food and the Environmen"t. Vienna,International Atomic Energy Agency, p. 313-315 (1982).DUARTE, C. L.; OIKAWA, H.; MORI, M. N.;SAMPA, M. H. O. Present status ofenvironmental application of electron beamaccelerator in Brazil. In: IAEA ed.International Symposium On Utilization OfAccelerators, Vienna, International EnergyAgency, p. 1-8 (2006).DUARTE, C.L.; ANDRADE, D.C.; OIKAWA, H.MORI, M.N. Decontamination of ametryneHDPE packaging using electron-beamRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 26 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


accelerator. Radiation Physics andChemistry, 78, 725-728 (2009).GETOFF, N.; SOLAR,S. Radiation induceddecomposition of chlorinated phenols inwater. Radiation Physics and Chemistry, 31,121-130 (1988).HAJI-SAEID, M.; SAMPA, M.H.O.;CHMIELEWSKI, A.G. Radiation treatment forsterilization of packaging materials.Radiation Physics and Chemistry, 76, 1535-1541 (2007).INPEV - INSTITUTO NACIONAL DEPROCESSAMENTO DE EMBALAGENS VAZIAS.Destinação final de embalagens vazias deprodutos fitossanitários. Disponível em:http://www.inpev.gov.br. March, 2008.KUBESH, K.; ZONA,R.; SOLAR,S.; GEHRINGER,P. Degradation of catechol by ionizingradiation, ozone and the combined processozone-electron-beam. Radiation Physics andChemistry, 72, 447-453 (2005).HAJSLOVÁ, J. Pesticides. In: MOFFAT, C.F.;WHITTLE, K.J. Eds. EnvironmentalContamination in Food. London, AcademicPress, 1999, p.215-272.LUCHINI, L. C.; PERES, T. B.; REZENDE, M. O.O. Degradation of the Insecticide Parathionin Methanol by Gamma-irradiation. Journalof Radioanalitical and Nuclear Chemistry,241, 191-194 (1999).MORI, M. N.; SAMPA, M. H. O.; DUARTE, C.L. Study of the degradation of chlorpyrifosby ionizing radiation. Journal ofRadioanalitical and Nuclear Chemistry, 270(1), 99-102 (2006).Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 27 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


Diagnóstico dos resíduos sólidos e seleção deoportunidades de produção mais limpa na indústriacalçadistaRESUMOO presente trabalho relata o diagnóstico da geração de resíduos sólidos do processo produtivo deuma indústria calçadista no ano de 2007, além das oportunidades de minimização dos resíduos,utilizando a metodologia do CNTL - Centro Nacional de Tecnologias Limpas. Os resíduos de couro, declasse I, são gerados em maior quantidade absoluta e relativa à produção por par de calçado seguidodo forro sintético, da couraça, da espuma de palmilha e de materiais auxiliares como esponjas,creme de acabamento, adesivos termoplásticos e à base de solvente, além dos panos de limpeza. Aimplantação de algumas das oportunidades identificadas promoveu a minimização dos resíduos,aumento na eficiência do consumo de matéria-prima e melhoria nas atividades produtivas,traduzindo-se em ganhos ambientais e econômicos.PALAVRAS-CHAVE: Prevenção da poluição, produção mais limpa, gestão ambiental, indicadoresambientais, indústria de calçados.ABSTRACTThe present work shows the diagnostic elaborated for the solid waste generation in a shoe industryin the year of 2007, besides the opportunities for minimization of solid waste. This work followedthe methodology of the National Center for Clean Technologies (CNTL). Leather wastes that areclassified as a Class I waste, according to NBR 10007, presented the biggest absolute and relativequantity per pair of shoe followed by synthetic linings, toe caps, insole's foam, sponges, finishingcream, solvent adhesives and thermoplastic adhesives, besides cleaning cloths. The implementationof some of the identified opportunities promoted waste reduction, an increase of raw materialconsumption efficiency and also improvement of production operations which yielded environmentaland economical profits.KEYWORDS: Pollution prevention, cleaner production, environmental management, environmentalindicators, shoe industry.Denise Maria LenzEngenheira química, doutora em Ciênciaspela Université Paris VII e em Ciência dosmateriais UFRGS/RS, professora adjunta docurso de Química e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia, Energia,Ambiente e Materiais da ULBRA/RSE-mail: denise.lenz@pq.cnpq.brAlex Rafael AckerBacharel em Química, mestre emEngenharia pela Universidade Luterana doBrasil ULBRA/RS, químico da AckerAssessoria AmbientalUniversidade Luterana do BrasilPrograma de Pós-graduação em Engenharia:Energia, Ambiente e Materiais (PPGEAM)Av. Farroupilha, 8001 - Prédio 14 - Sala 215Canoas - RS - CEP 92.425-900Fone: 3477-9285 Fax: 3477-1313Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 28 ISSN Eletrônico: 2176-9478


propriamente dita, conforme o CentroTecnológico de Couro, Sapatos e afins (1994).A Figura 1 mostra um fluxograma simplificadodo processo produtivo de uma indústria decalçados.Produção de CalçadosPré-fabricação- Corte do couro- Produção depalmilhas- Produção desolados- corte de forrose espumasProdução efetivaabastecimento dospré-fabricadoschanfraçãoPreparação ecolagenscosturasMontagem docabedal na fôrmaColagem do soladoAcabamentoEncaixotamentoFigura 1 - Fluxograma simplificado da produçãode calçadosA indústria em estudo possui umaprodução mensal de cerca de 50.000 paresde calçado produzidos em três fábricas:• Fábrica 1 - Fábrica de botas• Fábrica 2 - Fábrica de sandálias• Fábrica 3 - Fábrica de sapatosConforme Gil (2002), para estaprodução mensal, a amplitude da amostradeve ser de 8.333 pares de sapatos para umamargem de erro de aproximadamente 1%.Assim, o período de levantamento da geraçãode resíduos sólidos compreendeu 10 dias deprodução, ocorrendo, neste período, aprodução da quantidade desejada paraamostragem dos pares de calçados em cadafábrica. Durante a execução destelevantamento, o ECOTIME foi mobilizado demodo a orientar os funcionários do processoprodutivo a segregar os resíduos sólidosgerados, acondicionando-os em recipientesadequados dispostos em locais estratégicosdo setor produtivo. Posteriormente, todas asmatérias-primas e os resíduos sólidos foramdevidamente pesados em balançapreviamente calibrada.Após o diagnóstico, a geração decada resíduo foi avaliada através de análisecomparativa dos indicadores ambientaisestabelecidos pelo ECOTIME. Também, osresíduos foram classificados conforme anorma NBR ABNT 10004 de 2004.RESULTADOS E DISCUSSÃODiagnóstico dos resíduos sólidos daprodução de calçadosApós estudo do processo produtivoe identificação dos resíduos sólidos geradosem cada etapa do processo produtivo docalçado, conforme Figura 2, o ECOTIMEdefiniu então os seguintes indicadoresambientais:• Quantidade de resíduos absoluta,a qual demonstra o desempenho após umdeterminado período de tempo. È umindicador comparativo medido em kg,• Quantidade de resíduos relativa àprodução medida em kg/par de calçado e• Eficiência de consumo dematérias-primas. É uma medida percentualque compara o resíduo gerado com aquantidade de determinado materialabastecido. O cálculo de eficiência foiestabelecido pelo ECOTIME como a relaçãoentre a diferença da massa de matéria-primaabastecida e da massa de resíduos gerados edescartados, divididos pela massa damatéria-prima.RecebimentoMatérias-PrimasPré-fabricadoAbastecimentoChanfraçãoPreparaçãoCosturaMontagemAsperaçãoColagem dosoladoPregar salto ecolarAcabamento• Materiais: linhas, couros, tecidos, sintéticos, linhas, panos, estopas,produtos químicos• Materiais: couro, couro sintético, espumas, tecidos, borrachas parasolado• Insumos: navalhas, cepos de balancin, embalagens plásticas, atilhos,energia• Materiais: pré-fabricados, couraças, contrafortes• Materiais: cabedais de couro, forros sintéticos, couraças econtrafortes• Insumos: energia elétrica, navalhas e óleos lubrificantes• Materiais: cabedais chanfrados, forros, fitas adevivas, espumas• Insumos: energia elétrica, pincel, adesivo, esponja, estopas• Materiais: cabedais aderidos no forro e reforços• Insumos: energia elétrica, navalhas, linhas, agulhas e óleolubrificante• Materiais: cabedais costurados, palmilha de montagem• Insumos: energia elétrica, adesivo termofusível, fôrma• Materiais: cabedal montado na forma com a palmilha• Insumos: energia elétrica, lixas• Materiais: cabedal montado na forma com a palmilha, já asperado,solado• Insumos: energia elétrica, adesivo base água, esponja, tecido, potepara aplicação, papelão de proteção• Materiais: cabedal unido ao solado e desenformado, palmilhainterna• Insumos: energia elétrica, pregos e parafusos• Materiais: sapato semi-acabado, caixa de papelão, papel de seda• Insumos: tintas, antiks, escovas, esponjas e tecidos• Resíduos: embalagens plásticas, de papelão, metálicas, paletes,estrados. fitas e cordões de embalagens• Produtos: cortes dos cabedais, forrações, reforços, solados,todos embalados• Resíduos: aparas das matérias primas, sucata das navalhas,sucatas plásticas dos cepos de balancin• Resíduos: embalagens plásticas, atilhos• Produtos: cabedais chanfradose aderidos com a couraça econtraforte• Resíduos: aparas de couro, e de outros materiais chanfrados,navalhas com defeito, embalagem de óleo• Produtos: cabedais aderidos no forro e reforços• Resíduos: pincéis, embalagens de adesivo, esponja, estopas• Produtos: cabedais costurados• Resíduos: aparas de couro e de outros materiais refilados,navalhas, embalagem de óleo, agulhas, linhas, fitas• Produtos: cabedal montado na forma com a palmilha• Resíduos: restos de adesivo termofusível• Produtos: cabedal asperado• Resíduos: lixas, poeira de couro, de sintético e de papelão• Produtos: cabedal unido ao solado e desenformado• Resíduos: esponjas e panos sujos de cola, adesivo perdido,papelão, pote• Produtos: sapato semi-acabado• Resíduos: metais e sintéticos• Produtos: sapato pronto• Resíduos: tecidos e esponjas contaminadosembalagens depapel, potes de tintas e restos de tintasFigura 2 - Fluxograma qualitativo intermediário das Entradas: matéria-prima e insumos e Saídas: produtos e resíduos.Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 30 ISSN Eletrônico: 2176-9478


A Tabela 1 apresenta os resíduosgerados nos setores de corte, costura emontagem das três fábricas: fábrica de botas(fábrica 1), fábrica de sandálias (fábrica 2) efábrica de sapatos fechados (fábrica 3) duranteo período estabelecido para olevantamento de dados (10 dias).Tabela 1 - Quantidade absoluta de resíduos de todos os setores das fábricas 1, 2 e 3 gerados no período de 10 dias.Tipo do resíduoIndicador absoluto: Quantidade de Resíduos (kg)Fábrica 1 Fábrica 2 Fábrica 3 Total doresíduoCouro 568,0 581,8 359,7 1509,5Forro Sintético 208,4 51,9 80,6 340,9Panos de limpeza 34,8 20,9 40,2 95,9Couraça 46,3 0,0 39,2 85,5Espuma palmilha 27,7 8,5 39,7 75,9Adesivo (Base Solvente) 48,4 11,5 3,5 63,4Reforço simples 22,1 4,0 29,5 55,6Avesso 29,3 0,1 25,4 54,8Palmilhas internas 30,0 3,9 7,5 41,4Malha reforço 22,3 - 0,2 22,5Armação 16,8 1,8 0,2 18,8Adesivo (Base água) 3,8 11,0 1,7 16,5Poeira de lixa 6,2 0,5 9,3 16,0Adesivo Hot Melt 4,5 - 11,3 15,8Creme de acabamento 5,0 0,4 5,0 10,4Fitas adesivas 0,3 5,6 1,4 7,3Enchimento 5,3 - - 5,3Esponjas 1,5 1,0 1,8 4,3Linhas 0,8 0,3 0,0 1,1Parafusos 0,8 - 0,0 0,8Solventes de limpeza 0,8 - - 0,8Elástico 0,3 0,0 0,0 0,3Zíper 0,3 0,0 0,0 0,3Pregos 0,2 - 0,0 0,2TOTAIS 1.083,9 703,2 656,2 2.443,3É visível, através da Tabela 1, que ocouro é o material de maior geração deresíduos em quantidade absoluta seguido doforro sintético, dos panos de limpeza e dascouraças. O ranking dos resíduos maisgerados nas três fábricas encontra-se naFigura 3 em quantidades absolutas. Deacordo com esta graduação, os resíduos commaior porcentagem de geração são: aparasde couro, aparas de forro sintético, panos delimpeza contaminados, aparas de couraça,espumas de palmilhas, sobras de adesivos àbase de solvente orgânico, sobras de reforçossimples, sobras de palmilhas internas, sobrasde reforços simples e sobras de adesivos àbase de água.Figura 3 - Porcentagem em peso dos seis resíduos mais gerados por fábrica e nogeral da empresa.Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 31 ISSN Eletrônico: 2176-9478


No entanto, a quantidade relativade resíduos em quantidades totais naempresa, isto é, somando-se as fábricas 1, 2e 3 em termos de produção e de geração deresíduos são apresentados na Tabela 2.Observa-se que os cinco maiores resíduosgerados por 100 pares de calçado são: aparasde couro, forro sintético, panos de limpeza,aparas de couraça e espumas de palmilha,de modo similar ao indicado pelo indicadorabsoluto anterior. O somatório dessasquantidades representa mais de 86% dosresíduos gerados nas linhas de produção.O indicador relativo é maisrelevante, visto que, no momento em que aprodução aumenta, a tendência da geraçãode resíduos é aumentar em termos absolutos.Porém, com o estabelecimento de controlesmais específicos sobre a produção e a geraçãode resíduos, a tendência é que a proporçãode resíduos por unidade produzida sejamenor. Em outros termos, se num ano fosseproduzido a quantidade de 500.000 pares decalçados com a geração de 500 toneladas deresíduos, haveria uma proporção de 1 kg deTabela 2 - Quantidade relativa de resíduos geral da produção da empresaTipo do resíduoProdução total de 29.076 paresResíduo (kg) Indicador Relativo(kg/100 pares)Couro 1509,5 5,192Forro Sintético 340,9 1,172Panos de limpeza 95,9 0,330Couraça 85,5 0,294Espuma palmilha 75,9 0,261Adesivo (Base63,4 0,218Solvente)Reforço simples 55,6 0,191Avesso 54,8 0,188Palmilhas internas 41,4 0,142Malha reforço 22,5 0,077Armação 18,8 0,065Adesivo (Base água) 16,5 0,057Poeira de lixa 16,0 0,055Adesivo Hot Melt 15,8 0,054Creme acabamento 10,4 0,036Fitas adesivas 7,3 0,025Enchimento 5,3 0,018Esponjas 4,3 0,015Linhas 1,1 0,004Parafusos 0,8 0,003Solventes de limpeza 0,8 0,003Elástico 0,3 0,001Zíper 0,3 0,001Pregos 0,2 0,001TOTAIS 2.443,3 8,403resíduo por par de calçado. Em contrapartida,se a produção aumentar para 750.000 paresanuais e a geração de resíduos for de 700toneladas ao ano, a proporção ficaria menorque 1 kg por par de calçado.Outro indicador relativo definidopelo ECOTIME foi a eficiência de consumo dematérias-primas. A eficiência no consumo dematérias-primas tem relação direta com otipo de material utilizado e a qualificação damão-de-obra aplicada no processo. É umamedição percentual que compara o resíduogerado com a quantidade de umdeterminado material abastecido.Conforme a Tabela 3, naclassificação geral, as menores eficiências deconsumo de matéria-prima estão nosinsumos como solventes, panos de limpezae esponjas de aplicação de produtosquímicos. As matérias-primas propriamenteditas, tais como couro, forros, reforços,espumas estão em nível intermediário deeficiência. Couro, forros sintéticos e couraças,apesar de serem os produtos com maiorquantidade absoluta de resíduos, não são osmateriais que apresentam as maiores perdasno processo. Os materiais auxiliares comopregos, linhas, fitas adesivas e parafusos sãoos que têm maior aproveitamento, acima de90% do que é abastecido é utilizado nocalçado.Tabela 3 - Apresentação do indicador absoluto comparado ao indicador relativo de eficiência noconsumo de matérias-primas.ResíduosFábrica 1Abastecimento (kg)Fábrica Fábrica2 3Total(kg)Indicadorabsoluto:ResíduoTotal (kg)Indicadorrelativo:eficiênciadematériaprima(%)Solventes de 0,8 0,0 0,0 0,8 0,8 0,0limpezaPanos de 34,8 24,3 40,2 99,3 95,9 3,4limpezaEsponjas 4,5 1,6 2,8 8,9 4,3 51,7Creme acab. 8,8 5,8 12,0 26,6 10,4 60,9Couraça 143,7 0,0 92,2 235,9 85,5 63,8Adesivo Hot 12,1 0,0 32,9 45,0 15,8 64,9MeltCouro 2.369,3 850,1 1.196,4 4.415,8 1.509,5 65,8Forro606,7 144,6 255,5 1.006,8 340,9 66,1SintéticoPalmilhas 101,8 14,4 26,5 142,7 41,4 71,0internasEnchimento 20,1 0,0 0,0 20,1 5,3 73,6Reforço 67,3 19,2 141,4 227,9 55,6 75,6simplesEspuma 84,2 113,0 129,1 326,3 75,9 76,7palmilhaAvesso 147,5 17,2 90,8 255,5 54,8 78,6Adesivo (B. 90,4 86,3 119,2 295,9 63,4 78,6Solv)Malha reforço 109,6 0,0 3,0 112,6 22,5 80,0Armação 116,1 5,1 1,5 122,7 18,8 84,7Fitas adesivas 24,5 30,1 32,5 87,1 7,3 91,6Adesivo (B. 89,2 81,3 91,0 261,5 16,5 93,7água)Parafusos 2,0 15,1 19,4 36,5 0,8 97,8Elástico 16,2 0,0 1,5 17,7 0,3 98,3Linhas 27,7 23,4 28,7 79,8 1,1 98,6Zíper 42,0 0,0 0,0 42,0 0,3 99,3Pregos 2,0 43,9 42,5 88,4 0,2 99,8Poeira de lixa - - - - 16,0 -TOTAIS 4.121,3 1.475,4 2.359,1 7.955,8 2.443,3 69,3Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 32 ISSN Eletrônico: 2176-9478


Nas três fábricas, o resíduo demenor aproveitamento foi oriundo dos panosde limpeza. O couro é o segundo maiordesperdício na fábrica 2, enquanto que, nasfábricas 1 e 3, este material se apresenta emposições intermediárias. Pode-se observarque materiais de apoio como solventes,panos e esponjas apresentam percentual dedescarte maior do que a matéria-prima, pois,como sua função é de aplicar algumcomponente ao calçado, após sua saturação,o mesmo é rejeitado. Apesar das pequenasquantidades absolutas desses materiais, elessão impregnados com produtos químicos epodem gerar contaminações de outrossubprodutos, aumentando a quantidade deresíduos classe I, perigosos. A maiorquantidade de resíduo classe I, perigoso, éde aparas de couro, seguido de panoscontaminados, sobras de produtos químicos(cremes e adesivos) e seus sistemas deaplicação no calçado. Já os resíduos de classeIIA são liderados, em termos de quantidade,pelos forros sintéticos e outros componentes.Geração das oportunidades de PmaisLAs ações de PmaisL priorizaram osresíduos que apresentaram as maioresquantidades absolutas, as maioresquantidades relativas e as menoreseficiências no consumo de matérias-primas,além dos resíduos perigosos, conformeapresentado na Tabela 4.Tabela 4 - Resíduos sólidos da indústria calçadista que foram priorizados nas ações de PmaisL.ResíduosSólidosCouroForro SintéticoPanos delimpezaEsponjasCreme deacabamentoCouraçasEspuma depalmilhaAdesivo basesolventeOutroscomponentesgerados no corteAdesivotermoplásticoJustificativa para priorização• Grande geração absoluta• Grande geração relativa• Grande geração absoluta• Grande geração relativa• Grande geração relativa• Baixa eficiência no consumo• Grande geração relativa• Baixa eficiência no consumo• Grande geração relativa• Grande geração relativa• Baixa eficiência no consumo• Grande geração relativa• Grande geração relativa• Grande geração absoluta• Grande geração relativa• Baixa eficiência no consumo• Baixa eficiência no consumoClassificação(ABNT NBR10.004)Classe IClasse IIAClasse IClasse IClasse IClasse IIAClasse IIAClasse IClasse IIAClasse IIAO couro é o resíduo gerado emmaior quantidade absoluta e em maiorquantidade relativa. Além disto, o resíduo decouro pertence à classe I e é a matéria-primade maior valor agregado no calçado e depequena uniformidade em termos dequalidade. Os defeitos encontrados na pelefazem a qualificação da mesma. Estes defeitosreduzem a área útil do couro o que contribuiupara a geração do resíduo. Como medidadireta, a opção para PmaisL no couro é aaquisição de um produto de qualificaçãomelhor o qual irá gerar menor quantidadede resíduo devido ao melhor aproveitamentodas peles compradas. Outra oportunidade dePmaisL para o couro está relacionada com seucorte. Este processo envolve a destreza eprofissionalismo do cortador. A sua acuidadevisual é extremamente importante para quepossa distinguir diferenças de cores edefeitos, além de garantir um excelenteposicionamento da navalha na pele. Por serum processo manual envolvendo navalhas ebalancim, o ponto de visão do operador interferediretamente na operação do corte.Além disso, a espessura dasnavalhas e as opções de posicionamento dasmesmas na pele (encaixe) também interferemna geração de resíduos. Sugere-se, portanto,a substituição do processo manual por umRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 33 ISSN Eletrônico: 2176-9478


processo automatizado que utiliza pequenasfacas ou laser sob uma mesa especial decorte. Esta mudança beneficia o meioambiente, pois economiza matérias-primas.Na Figura 4, encontra-se exemplo demodelagem do corte feita por computador emanualmente no balacim tipo ponte.Figura 4 - Modelos de posicionamento de navalhas na pele (Fonte: empresa estudada)a) automatizado por computador b) manual no balancim ponteOs forros sintéticos e os tecidos sãorecebidos na empresa em rolos com 1,5metros de largura e 30 metros decomprimento. Para seu corte, são divididosem peças de 4 metros de comprimento eempilhados em camadas, com número pardelas. A paridade das camadas é importantepara que se cortem as peças para os dois pésdo calçado de uma única vez, economizandotempo. Os rolos de materiais têm sua larguranão paralela e nem linear, com aproximados1,5m. Já os balancins ponte, onde os roloscortados, têm largura de uso de 1,4m. Estesdois fatores contribuem para a geração deresíduos. Assim, a oportunidade de PmaisLsugerida para os forros sintéticos e tecidos écomprar os rolos de materiais com 1,4m delargura e suas bordas paralelas. Também,verificou-se que o operador do balancimponte não estava treinado para regulagemdo seu equipamento, desperdiçandoquantidades significativas de materiais (15%)devido ao corte imperfeito. O treinamentopode reduzir as perdas de materiaisdefeituosos e economizar matérias-primas aum custo bastante baixo.A limpeza das áreas, equipamentos,ferramentas e operações do calçado é práticacorriqueira na indústria calçadista. Osoperadores utilizam grande quantidade depanos para limpar suas mesas, máquinas e opróprio calçado. Não há controle na liberaçãode panos de limpeza por parte doalmoxarifado. O descarte dos panos aumentaa quantidade de resíduos gerada,principalmente pela contaminação demateriais não perigosos pelos perigosos.Existem, no mercado, empresas quefornecem panos de limpeza retornáveis, istoé, não descartáveis. Essas empresas fornecemuma quantidade determinada de panos delimpeza para o cliente, que distribui osmesmos nas suas atividades de acordo comsuas necessidades. Porém, após o uso, estesnão são descartados, mas devolvidos aofornecedor que os lava e devolve para novouso. A economia recorrente é na redução dosresíduos, bem como a redução referente anão contaminação de outros materiais pelospanos sujos. Além disso, não há aquisição dospanos, apenas o aluguel dos mesmos. Istoreduz em 100% o descarte de panos no meioambiente.As esponjas são também insumosimportantes na indústria de calçados. Comelas são aplicados adesivos à base de água eprodutos de acabamento, como cremes exampus. Na empresa estudada verificou-seque as esponjas eram usadas de formainadequada e incompleta. Os cubos deesponjas utilizados para aplicação de cremestinham dimensões aproximadas de 15 cm dealtura por 15 cm de largura e 20 cm deprofundidade. Além do tamanho, eramusadas em apenas um dos 4 vértices e emapenas uma das 6 faces. Sugere-se que asesponjas sejam compradas diretamente emcubos 5 cm de altura por 7 cm de largura e 6cm de profundidade. O tamanho menor nãointerfere na aplicação dos produtos químicose reduz em 94% o tamanho das peças e, comisso, diminui a geração de resíduos deespumas contaminadas. Além do tamanho,outra fonte de perdas era o uso de apenasum dos 8 vértices da esponja na aplicação decremes. O uso sugerido, para evitar asaturação da esponja muito rapidamente éusar 4 vértices em pontos opostos. A Figura5 mostra modelo de esponja usada de formainadequada e o sugerido.Figura 5 - Modelo de esponja usada na indústria de calçadoa) de forma inadequada (antes da PmaisL) b) forma adequada (depois da PmaisL).Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 34 ISSN Eletrônico: 2176-9478


O creme de acabamento tem afunção de fechar os poros do couro epromover brilho no mesmo, após umpolimento adequado. Os cremes sãoaplicados por esponjas, conforme vistoanteriormente. As perdas de creme estãorelacionadas à secagem e cura do mesmo.Para aplicação do creme, além da esponja,utilizam-se frascos plásticos de boca larga,com altura de 7,5cm e 10 cm de diâmetro.Essa área de contato com o ar, durante astrocas de turno, faz com que o produto sequee seja necessário remover a camada superficialdo mesmo. Além disso, há muitas perdasnas esponjas que são mal utilizadas. Sugereseque os frascos plásticos utilizados naaplicação do creme sejam trocados por doisoutros tipos de frascos. O primeiro frasco,com tampa, armazenaria uma quantidademaior de creme e o segundo, um frasco baixocom no máximo 1cm de altura, seria usadopara umedecer a esponja no creme. Quandoas atividades encerram, a quantidade dofrasco menor pode ser guardada no frascomaior, ou ainda, o operador, com a prática,consegue verificar sua necessidade de cremee controlar o consumo para que no final doexpediente não ocorram sobras. Assim há aredução imediata no consumo, bem como aredução de resíduo classe I (perigoso) geradoe que pode contaminar outros materiais, seoperado de forma inadequada.As couraças, peças utilizadas parareforçar e moldar o bico do calçado, sãocompradas em chapas quadradas de 1,4 mde largura com aproximados 1,0 mm deespessura. As chapas devem ser cortadas nosbalancins ponte no formato desejado eposteriormente ter suas bordas chanfradaspara possibilitar a costura do cabedal nasoutras peças. As operações de corte e achanfração originam os resíduos de couraça.Como o resíduo da couraça é reciclável, àbase de polietileno, é oportuno adquirir oproduto pronto do fornecedor, mesmo queo custo seja um pouco maior. Com isso,economiza-se na mão-de-obra para compras,almoxarifado, corte e chanfração, além dereduzir a quantidade de resíduo gerado. Alémdisso, as aparas do material das couraças sãorevendidas ao próprio fabricante,acarretando despesa com frete de retorno.Os adesivos termoplásticos sãoutilizados nas máquinas de apontar para queo bico do calçado fique aderido à palmilhade forma adequada e uniforme. A injeção doadesivo é feita pelo bico injetor. Verificou-seque o bico injetor utilizado não possuía vincossuficientes para distribuir completamente oadesivo fundido no couro e na palmilha. Comisso, era injetada uma quantidade maior deadesivo que formava rebarbas de colareticulada que é descartada. Essas sobras deadesivos representavam cerca de 1,5 kg paracada rolo de 4 kg abastecido, isto é, entre 33%e 37% de desperdício direto. Criou-se umnovo bico injetor, conforme a Figura 6, embronze, que tem vincos maiores e orifíciosmenores. Necessita, portanto, menos adesivofundido para efetuar a colagem, reduzindoas perdas para 12%.Figura 6 - Bico injetor e um sapato com o bico já apontado. No detalhe, à direita,o novo bico injetor desenvolvido (Fonte: ECOTIME)Com relação aos outros resíduos doscomponentes do calçado gerados naoperação de corte, como a espuma depalmilha, sugere-se o treinamento dosoperadores como medida de PmaisL. Naempresa estudada, o supervisor do setor temconhecimento pleno das atividades eequipamentos utilizados, bem como temcondições de repassar ao operador, sendonecessário apenas o acompanhamento dofuncionário na execução da tarefa. Como otreinamento ocorre com o pessoal jáexistente no local (supervisor), não há custosde mão-de-obra.Encontra-se também emdesenvolvimento um novo adesivo (à base deágua) que possa substituir o adesivo à basesolvente.Análise dos Ganhos Ambientais e Econômicosdas OportunidadesAlgumas das oportunidades de P+Lforam selecionadas para implantação, outras,devido ao tempo de retorno financeiro muitoalto, foram descartadas momentaneamentepela empresa. Cabe, no entanto, salientarque as oportunidades de P+L que ainda nãoforam implantadas na empresa de estudopodem ser implantadas em outras indústriasdo ramo, dependendo do perfil eprodutividade da mesma.A aquisição de couros de melhorqualidade é tecnicamente viável, pois podemser encontrados no mercado. Sabe-se que oscouros de melhor classificação apresentammenos defeitos e, assim, deverão gerarmenos resíduos. No entanto, a cada aumentodo índice de qualidade do couro, o custo domaterial aumenta em torno de 25%. Testesdevem ser ainda realizados para garantir queo couro de melhor qualidade diminua os custoscom a geração de resíduos de modo acompensar seu custo mais elevado semrepassá-lo ao consumidor. Com relação àutilização de equipamento automatizadopara o corte do couro, pode-se afirmar que aredução da interferência humana noRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 35 ISSN Eletrônico: 2176-9478


processo gera, comprovadamente,uniformidade no processo, reduzindo ageração de resíduos pelo melhor encaixe daspeças no couro e pela redução de margensde corte necessários com o uso de navalhas,apresentando uma eficiência deaproveitamento do couro 15% maior. Outravantagem é que a máquina automática cortao couro 30% mais rápido que o ser humano.Após análise do investimento para comprade 21 máquinas automáticas, necessáriaspara manter o nível de produtividade atual,e dos ganhos com a venda dos equipamentosatualmente usados na seção de corte, alémda redução nos custos de mão-de-obra,consumo de couro e custos na destinação deresíduos, obteve-se um tempo de retorno doinvestimento inicial em torno de 15 anos,dependendo da taxa cambial, uma vez que amáquina é importada.A alteração na aquisição da matériaprimade forros e tecidos deixará de gerar emtorno de 20% do resíduo atualmente gerado,pois não há necessidade de cortar as rebarbasdesta matéria-prima. No entanto, o custo dacompra do material aumentaria 3%, valoreste que superaria o somatório dos custoscom a redução de mão-de-obra parapreparação de chapas de tecidos e dedisposição dos resíduos. Porém, otreinamento do operador para o corte dostecidos e forros foi uma prática simplesatravés da qual detectou-se que 15% do materialjá cortado e pronto para a produçãoera descartado, havendo, portanto, ganhosambientais imediatos sem custos para aempresa. Através da detecção desta falha deprocedimento operacional, obtiveram-seganhos em torno de R$1.000,00 mensais.A redução no tamanho e maior usoda esponjas foi uma oportunidadeimplantada imediatamente, pois verificou-seque não há alteração na qualidade doprocesso de aplicação de adesivos e cremes.Com a mudança, houve redução do consumode esponjas e redução na geração deste tipode resíduo em torno de 90% que tambémdeixou de contaminar outros resíduos queentravam em contato com as esponjas sujas,tornando-os também resíduos de classe I.Somando-se ainda a eliminação dos custosde transporte e disposição deste resíduo,houve uma economia anual de R$9.000,00.A oportunidade de aquisição depanos de limpeza através de empresa quetambém promove a limpeza dos mesmos,após seu uso, gera uma redução dos custosde transporte e disposição dos mesmos.Entretanto, o custo de aquisição destes panosé 100% maior. Assim, há ganhos ambientais,considerando que a empresa lave os panoscom utilização de processo ecológico, porémnão há ganhos econômicos que justifiquemainda a implantação desta proposta.A oportunidade relacionada àcompra de couraças prontas também foiimplantada devido aos benefícioseconômicos e ambientais. O custo para aprodução de 96.000 pares de couraça pormês era de R$54.000,00, considerando oscustos com matéria-prima, mão-de-obra,energia elétrica e tratamento do resíduo. Ofornecedor externo vende a R$48.000,00 pormês utilizando um processo com menorgeração de resíduos. Assim, houve economiaanual de R$72.000,00.A alteração do bico injetor deadesivo termoplástico da máquina deapontar, bem como a troca de um adesivode menor viscosidade trouxe uma reduçãode 33% de resíduo de adesivo termoplástico.Além da economia direta pela aquisição deum adesivo de custo menor e mais adequadoao processo de R$4000,00 mensais, hátambém redução nos custos referentes àgeração de resíduos e sua disposição no valorde R$2500,00 mensais. O tempo de retornodo investimento para o desenvolvimento dobico injetor foi de 1,3 dias.Através de uma análise crítica daspropostas de P+L implantadas, pode-secomprovar que as indústrias ainda almejam,como principal meta, obter ganhoseconômicos em curto prazo na implantaçãode medidas viáveis tecnicamente quereduzam o consumo de matérias-primas e ageração de resíduos.CONCLUSÃOO presente trabalho apresentou umdiagnóstico dos resíduos sólidos de umaindústria calçadista, além da geração deoportunidades de P+L e a caracterização dosbenefícios ambientais e econômicos queestas oportunidades podem trazer. Pode-seconcluir que:1. O diagnóstico, realizado de formaamostral neste estudo de caso, revelou queo resíduo de couro, além de ser a maiorquantidade absoluta e relativa de resíduos,é também o resíduo perigoso de maiorgeração. Porém, o couro não é o material commenor eficiência no consumo. Os insumossão os materiais percentualmente maisdescartados, constituindo-se de panos delimpeza e esponjas, além de produtosquímicos.2. Após análise dos resultados dodiagnóstico, algumas oportunidades dePmaisL foram geradas, as quais priorizaramos resíduos que apresentaram as maioresquantidades absolutas, as maioresquantidades relativas e as menoreseficiências no consumo de matérias-primas,além dos resíduos perigosos. Asoportunidades englobaram a substituição dematérias-primas e equipamentos deprocesso, além da alteração nosprocedimentos de produção.3. A alternativa para redução dosresíduos de couro propôs a substituição dematéria-prima para uma de melhorqualidade, além da utilização deequipamento de corte automático. Noentanto, no momento esta alternativa não semostrou viável economicamente para aempresa.4. A substituição da matéria-primade forros e tecidos também não se mostrouviável no momento. Entretanto, aconstatação de uma falha no procedimentooperacional reduziu em 15% os resíduosdesta matéria-prima acarretando ganhos deR$12.000 anuais.5. A execução de medidarelativamente simples como a redução dotamanho das esponjas e maior uso dasmesmas na aplicação dos cremes deacabamento gerou uma economia anual deR$9.000,00, além de reduzir a geração desteresíduo em 90%.6. A modificação da matéria-primadas couraças reduziu a praticamente 100%os resíduos, acarretando em uma economiade R$72.000,00 anuais.7. O desenvolvimento de um novobico injetor de adesivo termoplástico para asmáquinas de apontar e a substituição doadesivo por outro mais adequado aoprocesso trouxe uma economia deR$78.000,00 anuais e uma diminuição emRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 36 ISSN Eletrônico: 2176-9478


33% da geração deste resíduo.8. A PmaisL mostrou-se, portanto,como uma boa ferramenta de auxílio nagestão empresarial de resíduos industriais,gerando ganhos financeiros e com grandecunho ambiental na indústria calçadista, focodeste estudo de caso. A implantação dasoportunidades de PmaisL identificadasjustificam-se através de pequenosinvestimentos visando o conhecimento doprocesso, formação de equipes de análise,criação de uma filosofia de melhoria contínuae, quando necessário e viável, substituiçãode materiais, processos e equipamentos.AgradecimentosOs autores agradecem ao Sindicato dasIndústrias Calçadistas da cidade deSapiranga/RS.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASABICALÇADOS, Associação Brasileira daIndústria de Calçados, Pólos Produtivos,2007, disponível no site:www.abicalcados.com.br.ABNT, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMASTÉCNICAS, Classificação dos Resíduos Sólidos.NBR 10004, 2004.ANDRES, Luiz Fernando. A Gestão Ambientalem indústrias do vale do Taquari: vantagenscom o uso das técnicas de Produção MaisLimpa. 83f. Dissertação de Mestrado emAdministração, Universidade Federal do RioGrande do Sul, Porto Alegre, 2001.CNTL, CENTRO NACIONAL DE TECNOLOGIASLIMPAS, Implementação de Programas deProdução mais Limpa, SENAI-RS/UNIDO/INEP, Porto Alegre / RS, 42 p., 2003, disponívelno site www.senairs.org.br /cntl.CENTRO TECNOLÓGICO DO COURO,CALÇADOS E AFINS e SERVIÇO BRASILEIRO DEAPOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. Afabricação do calçado. Novo Hamburgo,CTCCA; Sebrae, Série Couro Calçados e Afins,v. 3, 43 p., 1994.FEPAM, Fundação Estadual de ProteçãoAmbiental. Inventário Nacional de ResíduosSólidos. Porto Alegre/RS. FEPAM, 100p.,2002.FURTADO, J. S.; FURTADO, M. C. ProduçãoLimpa. 2 Ed., 1998. In: CONTADOR, J.C.Gestões de operações: a engenharia deprodução a serviço da modernização daempresa, São Paulo: E. Edgar Blücher, cap.23,p. 317-329, 1998.GIL, Antônio Carlos. Como Elaborar Projetosde Pesquisa,4ª. Edição Atlas, São Paulo, 2002.Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 37


Prática ambiental em indústrias têxteis doEstado de São PauloRESUMOEste artigo insere-se nos estudos de gestão ambiental empresarial. Especificamente, objetivou, trazerdiscussão sobre a abertura por parte das indústrias têxteis no Estado de São Paulo quanto as suasatividades na área ambiental, bem como sobre possíveis práticas ambientais. Trata-se de resultadode pesquisa quantitativa utilizando de survey para coleta de dados, buscando identificar se empresasdo setor tem predisposição à transparência, bem como práticas ambientais, além de apurar arelevância do gerenciamento ambiental e divulgação de informações ambientais à sociedade, e acorrelação entre a prática e a transparência. Como resultado verificou-se que há esta predisposiçãoà transparência, entretanto, faltam ainda ações no sentido de uma gestão ambiental integrada esistemática como parte integrante e natural do processo de gestão da indústria. Os dados evidenciamque a gestão ambiental ainda é compreendida como um setor a parte ao processo industrial comoum todo, e não como intrínseco ao processo produtivo.PALAVRAS-CHAVE: Gestão ambiental, Indústria têxtil, Informações ambientais.ABSTRACTThis article falls into the studies of business environmental management. Specifically, the objectivewas to bring into discussion textile companies in the State of São Paulo's openness regarding theiractivities in the environmental field, as well as potential environmental practices. It is the result ofquantitative research by means of survey for data collection, seeking to identify whether companiesin the industry are predisposed toward transparency as well as environmental practices; investigationof environmental management relevance and disclosure of environmental information to the public,as well as the correlation between practice and transparency. Results show such predisposition towardtransparency exists. However, there lack actions of integrated and systematic environmentalmanagement as a natural part of the industry's management process. Data shows evidence to thefact that environmental management is still seen as a separate segment from the industrial processas a whole, not intrinsic to the production process.KEYWORDS: Environmental management, Textile industry, Environmental information.Maria Luiza de Moraes LeonelPadilhaDoutoranda pela Faculdade de SaúdePública - Universidade de São Paulo.Professora da Faculdade SENAI deTecnologia Ambiental.E-mail : malupadilha@usp.brLiliane Garcia FerreiraMestre pela Faculdade de Saúde Pública -Universidade de São Paulo.Arlindo Philippi Jr.Professor Titular da Faculdade de SaúdePública - Universidade de São Paulo.Tadeu Fabrício MalheirosProfessor da Escola de Engenharia de SãoCarlos - Faculdade de Saúde Pública.Universidade de São Paulo.Faculdade de Saúde Pública -Universidade de São PauloAv. Dr. Arnaldo, 715 - CEP 01246-904 - SãoPaulo, SP, BrasilRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 38 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


INTRODUÇÃOA primeira Conferência das NaçõesUnidas sobre o Ambiente Humano, em 1972,Estocolmo, ocorreu motivada pela crescentepreocupação com questões como poluiçãoambiental, chuvas ácidas e extinção deespécies, que ensejavam o debate sobre asrelações entre ambiente e desenvolvimento.Seguiu-se à Conferência o lançamento dorelatório "Nosso Futuro Comum", elaboradopela Comissão Mundial sobre Meio Ambientee Desenvolvimento, também denominadaComissão Brundtland, em 1987, cujadefinição de desenvolvimento sustentável éa que parece alcançar consenso até hoje: "odesenvolvimento que atende às necessidadesbásicas das gerações atuais semcomprometer a capacidade das geraçõesfuturas atenderem às suas, observados oslimites e capacidade dos processosambientais" (CNUMAD, 1988).A partir da Conferência de Haia, em1991, o conceito de desenvolvimentosustentável passou a associar, ainda, osaspectos de diversidade cultural, justiça sociale segurança global.Esses acontecimentos culminaramcom a realização da Conferência das NaçõesUnidas sobre Meio Ambiente eDesenvolvimento (CNUMAD), no Rio deJaneiro, em 1992.Na fase preparatória desse evento,logrou-se formar coalizão de empresários oude grandes empresas "transnacionais",denominada de Conselho EmpresarialMundial para o Desenvolvimento Sustentável(World Business Council for Sustainable Development- WBCSD), que estaria maisprofundamente comprometido com aspropostas da Comissão Brundtland e com osdesafios da Rio-92 (HOLIDAY et al.; 2002).Esses empresários propuseram areflexão sobre o meio ambiente, de modo areverter prejuízos econômicos para suasempresas, decorrentes de inúmeros fatorescomo desperdício de energia e água, faltade aproveitamento de resíduos, alto custo daprodução e passivo ambiental, que afetam asinformações ambientais resultantes dasatividades industriais, além de afetarem einfluenciarem a saúde ambiental dapopulação.Esse grupo de empresáriospertencentes ao Conselho EmpresarialMundial para o Desenvolvimento Sustentáveldestaca, ainda, que a busca dodesenvolvimento sustentável, tambémimplica em mudanças nos sistemaseconômico, social e político, enfatizando, noaspecto econômico, a mudança deparadigma de "crescimento" para"desenvolvimento", com melhor eficiência nouso dos recursos naturais e integração devalores ambientais às práticas econômicas,com visão de longo prazo.A influência dessas e outrascontribuições mantêm-se vivas, funcionandocomo fermento para as idéias e propostasdiscutidas na atualidade, para atransformação de paradigmas e modelos dedesenvolvimento humano e de acesso edistribuição de riquezas.Philippi Jr e Malheiros (2005)mostram que o enfrentamento dosproblemas devem ser tratados porintermédio do estabelecimento de políticasintegradas tanto nos aspectos sociais,econômicos, institucionais e ambientais, paraque as indústrias em âmbito local encontremeficiência na sua produção.A preocupação com o meioambiente ganhou força após a ocorrência dedesastres ambientais de grandes proporções,que despertaram a atenção da mídia mundiale propiciaram a criação de legislaçõesambientais mais rigorosas. Esses acidentesresultaram não somente em altos custos dereparação para as empresas envolvidas, comodanos à imagem destas e tensionamento nosrelacionamentos com investidores,fornecedores, e clientes, afetando de formasignificativa sua competitividade (HUNT;AUSTER, 1990).Por essa razão, tornou-se necessáriaa adoção de sistemas de gerenciamentoambiental que garantissem asustentabilidade competitiva das empresasa longo prazo. Tal fato implicou norompimento do paradigma da reação para aação, envolvendo a atuação preventiva e próativa.Com a adoção de sistemas degerenciamento ambiental as empresasverificaram que a redução do impactonegativo de suas atividades ao meioambiente, não somente reduz custos, comopropicia o desenvolvimento de produtos demelhor qualidade, aumentando acompetitividade no mercado mundial, umavez que no novo paradigma melhoriaambiental e competitividade caminham juntas(PORTER; LINDE, 1995).Gestão ambiental pró-ativa implicanecessariamente em maior aproximação dasempresas com seus stakeholders, de modo agarantir, além da competitividade, suaestabilidade no mercado econômico, aquiincluídos investidores, reguladores,ambientalistas, fornecedores, instituiçõesfinanceiras, clientes, consumidores,empregados, comunidade, entre outros.Também é necessário que seus shareholdersrecebam informações claras e precisas paraa tomada de decisões que podem definir osrumos e a sustentabilidade da atividadeempresarial.Nos últimos anos verifica-seampliação da publicação de balançospatrimoniais de empresas, que incluem dadosoriundos do que se denomina decontabilidade ambiental. Uma das funções dacontabilidade ambiental é identificar os custosambientais da atividade, possibilitando odirecionamento de ações tendentes a reduzilos,demonstrando, ainda, as implicaçõesfinanceiras de longo prazo da incorporaçãodos princípios da sustentabilidade nacorporação empresarial (BENNETT; JAMES,1998). Esses aspectos são tão importantespara o processo de tomada de decisões dosshareholders, quanto dos stakeholders,podendo definir o futuro dos negócios deuma empresa.A inclusão de informaçõesambientais nesses balanços e especialmentesua divulgação pública vem atender, ainda,ao conceito de responsabilidade social dasempresas, decorrente do conceito maisamplo de desenvolvimento sustentável, queenvolve, conforme já mencionado,desenvolvimento econômico, compreservação dos recursos naturais e justiçasocial. Além do que, essas informaçõespermitem o monitoramento e avaliação dasituação, auxiliando na tomada de decisãodos gestores, podendo fazer parte daestratégia empresarial (PHILIPPI JR,MALHEIROS, AGUIAR, 2005).Contudo, embora venha crescendoa inclusão de informações ambientais nosbalanços patrimoniais das empresas, aRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 39 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


transparência no fornecimento deinformações ambientais ainda caminha apassos lentos no nosso país.A demonstração pública de reduçãodos impactos ambientais de uma atividadeeconômica, ainda que setorizada, representaindiscutível melhoria da imagem do setor,com evidente retorno financeiro decorrentedos ganhos de credibilidade de seusprodutos, dentro e fora do país, confiança dosfornecedores, instituições financeiras,clientes, segurança dos investidores, uma vezque atividades ambientalmente responsáveistêm, atualmente, melhores chances desustentabilidade a longo prazo.Nesse aspecto, é importanteidentificar as demandas por informações quepodem impulsionar os diversos setoresempresariais, com a identificação dascaracterísticas dos stakeholders da empresaou setor, de suas preocupações, anseios ereivindicações, a fim de que as informaçõesambientais comunicadas possam serentendidas e tenham a efetividade desejada,com o retorno financeiro esperado. De nadaadianta efetuar e divulgar informaçõescomplexas, que fujam à capacidade deentendimento e retorno dos diversos stakeholders.O desempenho e a condutaambiental das organizações empresariaisprecisam estar presentes nessascomunicações, com informações acuradassobre seus produtos, incluída a avaliação dociclo de vida respectivo, advertências sobreo uso e disposição final, e os mais amplosaspectos ambientais de seu processoprodutivo. Caberiam, ainda, informaçõesambientais mais amplas, que envolvem orespeito aos direitos humanos fundamentaise aos direitos dos animais, por exemplo, quedemonstrem a seriedade do exercício daatividade na direção do desenvolvimentosustentável. As características principais dacomunicação de informações ambientaisdevem ser, portanto, a visibilidade,compreensão, relevância e honestidade(WELFORD, 1995).Entretanto, a comunicação de dadosambientais à sociedade tem sido utilizadapelas empresas como mero instrumento demarketing ambiental, em relatórios, maspodem ser facilmente contrapostos.Ainda não se alcançou a visão de que atransparência na veiculação de informaçõespode facilitar a compreensão dos problemasambientais de uma empresa ou setor porparte dos stakeholders e das comunidadesdiretamente envolvidas e, inclusive, auxiliálosna solução desses problemas,especialmente se a comunicação dasinformações possibilitar um caminho devolta, um retorno, que permita que aspreocupações e necessidades dos últimospossam ser conhecidas e consideradas pelosetor empresarial, e até mesmo discutidas emfóruns próprios.Assim, tomando como referência asdefinições acima, temos que, além dainformação transmitida ser compreensível,relevante e honesta, é importante, também,que o modo como ela for transmitida permitaa troca, o diálogo com os diversos stakeholders,num processo de verdadeiracomunicação, que possibilite até mesmo aformação de parcerias para a melhoriacontínua dos aspectos ambientais dasempresas, permitindo a sustentabilidade deseus negócios.Neste trabalho objetivou-severificar se indústrias têxteis no Estado de SãoPaulo estão abertas a mostrar as suasatividades na área ambiental, bem como setem práticas ambientais implementadas,identificando e discutindo eventualcorrelação significativa entre esses aspectos.Para a realização da pesquisa, foi aplicada ametodologia quantitativa, adotando-sequestionário como instrumento de pesquisa.Fez-se análise crítica dos resultados obtidos,buscando verificar se as empresas tempredisposição à transparência, bem comopráticas ambientais e, ainda, se há correlaçãoentre esses dois aspectos.O SETOR INDUSTRIAL TÊXTILBRASILEIRO: BREVE HISTÓRICO ECORRELAÇÃO COM A QUESTÃOAMBIENTALPode-se dizer que a atividade de fiare tecer sempre esteve presente na culturabrasileira, visto que nossos índios já teciamsuas vestimentas. A primeira tentativa deinstalação da indústria têxtil no Brasil foi em1750. Entretanto, não foi possível suacontinuidade, uma vez que foi proibida pelacoroa portuguesa, com a justificativa de queas indústrias retiravam a mão-de-obra daslavouras e das minas. Todavia, permitia-se atecelagem de tecidos rústicos para as vestesdos escravos.Apesar de, em 1808, ter sido obtidaautorização para a instalação da indústriatêxtil no país, essa atividade somente seiniciou na segunda metade do século XIX,coincidindo com o movimento de libertaçãodos escravos, a Guerra do Paraguai, a GuerraCivil Americana e, consequentemente, aperspectiva de novos mercados. Em 1844, ataxa alfandegária de 30% para os produtosimportados incentivou a indústria nacional(MONTEIRO FILHA; CORRÊA, 2002, p. 1).Na segunda metade do século XIX,no Estado de São Paulo, foram instaladasalgumas indústrias, tais como: Carioba, emAmericana, 1874; São Martinho, 1882, emTatuí; Votorantin, em Sorocaba, no ano de1893; Crespi, na cidade de São Paulo, em1897. Eram indústrias que pagavam baixossalários, mas, em contrapartida, ofereciamboa infraestrutura para as famílias dosoperários (COSTA; BERMAN; HABIB, 2000, p.108; AMERICANA, 2007; TEIXEIRA, 2007,p.196-7).A ampliação do setor, com aimplementação dos teares elétricos,suportada pelo incremento da produção deenergia, teve grande importância para odesenvolvimento de determinadas regiõesdistantes dos principais centros urbanos daépoca.O setor industrial está sempre emcontínuo aperfeiçoamento tecnológico, o quecria a necessidade de constante atualizaçãodos equipamentos e maquinários, daqualificação da mão de obra e da organizaçãocontinuada da produção. Um marco do setortêxtil foi o desenvolvimento das fibrasartificiais, bem como das sintéticas derivadasde petróleo, que permitiram a diversificaçãoda produção.Com isso, houve a possibilidade douso dos tecidos para outras finalidades, comopor exemplo, na área de geomembranas,bem como a mistura de fios, dando maiorresistência ao tecido e, consequentemente,agilizando o processo de produção.O aumento da produção daindústria têxtil depende não só das inovaçõestecnológicas, mas, dentre outros fatores, deuma maior demanda de tecido, questãoRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 40 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


intrinsecamente ligada à criação de moda, desua sazonalidade e de um design específicopara diferentes nichos de mercado, assimcomo de uma população com poderaquisitivo suficiente para consumir seusprodutos.Além da atualização da produção edo mercado consumidor, o desenvolvimentoda indústria têxtil depende também detreinamento (programas de capacitação), decanais de distribuição, de estradas, de portos,do aperfeiçoamento das indústrias deequipamentos e máquinas, de empresas demanutenção, de peças de reposição, além deuma infra-estrutura adequada (PADILHA,2009).No Brasil, a indústria têxtil passoupor diferentes fases de crescimento e umadas fases de riqueza foi durante a segundaguerra mundial, quando houve um aumentode 15% em suas exportações, ocupando osegundo lugar em termos de produçãocomparada com o restante do mundo.Todavia, quando terminou a guerra,necessitando aumentar o consumo interno,as indústrias reivindicaram ao Estadomedidas para impulsionar e revitalizar o setor,bem como de modernizar e reequipar asfábricas para que pudessem concorrerexternamente. No entanto, o governoresolveu proibir as exportações nesseperíodo, por avaliar que as empresasbrasileiras estavam com problemas, dentreos quais obsolescência técnica e problemasorganizacionais, não tendo condições deatender às exigências do mercado externo(COSTA et al., 2000).Essa obsolescência pode serretratada pelo percentual de teares commenos de 10 anos que, na década de 1960,representavam apenas 17% do total. Em1964, o governo criou subsídios para aimportação de máquinas e programas deincentivos para a compra de equipamentosnacionais, estando entre as prioridadesestabelecidas: elevar os níveis deprodutividade e a capacidade de exportaçãoda indústria nacional e estimular adescentralização regional. Durante asdécadas seguintes houve contínuosinvestimentos com esse propósito, variando,porém, o montante destinado ao setor.Em 2007, segundo Bruno et al., osetor têxtil ainda revelava "fragilidadesinternas que fazem com que muitosacreditem em seu desaparecimento, levandoconsigo empregos, estruturas sociais etradições regionais, eliminando uma culturatécnica secular". Para esses autores, o futurodo setor têxtil continua dependendo damobilização para a inovação "de modelosorganizacionais, de modelos de produção ede modelos de negócios [...], alternativas paragarantir a possibilidade de manutenção deatividades produtivas em países que nãopossam competir com vantagenscomparativas baseadas em baixo custo detrabalho ou falta de compromissossocioambientais" (BRUNO, 2007, p. 7).Apesar dessa visão pessimista dosautores citados, atualmente, a indústria têxtilbrasileira é composta por trinta mil empresas,que empregam 1,4 milhão de trabalhadoresformais e informais. O Brasil é o 6º parquetêxtil do mundo, com participação em relaçãoà produção mundial de 5,5%, significando0,5% do mercado mundial em relação àexportação para o mercado internacional. Ofaturamento do setor, em 2007, foi de US$41.3 bilhões. (PRADO e PRADO, 2004, 2008;ABIT, 2005).O setor têxtil brasileiro tem comometa atingir 1% de exportações em relaçãoao mercado internacional (ABIT, 2003).Entretanto, a competição com os produtostêxteis de outros países é complexa, pelo fatodestes utilizarem mão-de-obra de baixaremuneração.Assim, com a finalidade de sediferenciar de outros países, pela crescentecompetitividade, o setor têxtil brasileironecessita demonstrar resultados em termossociais e ambientais.Os problemas sociais na cadeiaprodutiva do setor têxtil brasileiro sãoconhecidos, destacando-se, principalmente,a utilização de agrotóxicos sem critério eproteção adequados na produção agrícola, eo análogo ao trabalho escravo, especialmentede estrangeiros nas confecções na cidade deSão Paulo. Por essa razão, a AssociaçãoBrasileira da Indústria Têxtil e de Confecção -ABIT vem fazendo parcerias comOrganizações Não Governamentais ONGspara trabalhos de responsabilidade social eatua para coibir situações que transgridamas leis (PRADO e PRADO, 2004: p.20).No aspecto ambiental, destaca-se aquestão da contaminação dos efluenteslíquidos por corantes e o uso do lodo naagricultura, entre outros. Esses sãoproblemas que precisam ser equacionados,pois há normas e regulamentos que asempresas devem cumprir. Além disso, sãofatores que afetam diretamente a saúdepública.Em 2002, a ABIT, por meio de seurepresentante, o Sindicato da Indústria Têxtildo Estado de São Paulo - SINDITÊXTIL, emconjunto com a Companhia de Tecnologia eSaneamento Ambiental - CETESB, na CâmaraAmbiental Têxtil, fórum de discussão e buscade soluções para o ramo, deram início àelaboração de um Inventário Ambientalespecífico com a finalidade de conhecer oestado da arte na gestão ambiental do setor,incluindo as quantidades e tipos de resíduose efluentes gerados.A abordagem dada ao InventárioAmbiental está em consonância com osprincípios do desenvolvimento sustentável,que devem nortear as diretrizes dos paísessignatários da Agenda 21, bem como de suasorganizações.A ABIT implementou esse InventárioAmbiental por meio eletrônico, em seu site,com o apoio da Agência de Promoção deExportações do Brasil - APEX. A expectativade resposta ao inventário era de dez porcento das empresas do setor têxtil (trinta milindústrias). Entretanto, após divulgação namídia, distribuição de folderes, realização depalestras, a adesão foi de menos de dois porcento.Em razão desses resultados, tornouseimportante buscar identificar ecompreender a causa principal para a nãomotivação do setor em responder aoInventário Ambiental, o que levou aodesenvolvimento da presente pesquisa.Dentro desse contexto, esseinventário tem significativa importância parao setor têxtil, uma vez que facilita acompreensão de sua dinâmica, bem como aidentificação de oportunidades e ameaças,possibilitando o estabelecimento de políticasRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 41 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


adequadas de desenvolvimento sustentável.PRÁTICAS AMBIENTAIS ETRANSPARÊNCIA NO SETORTEXTIL PAULISTAOs dados aqui apresentados foramobtidos por PADILHA e FERREIRA (2005), combase nos resultados dos questionáriosenviados às indústrias têxteis do Estado deSão Paulo. Os questionários objetivaramverificar se empresas do setor tempredisposição à transparência, bem comopráticas ambientais, além de apurar arelevância do gerenciamento ambiental edivulgação de informações ambientais àsociedade, buscando identificar a correlaçãoentre a prática e a transparência.A pesquisa se realizou em duasetapas, a primeira etapa, com envio dequestionário, sem identificação das duasfinalidades distintas, predisposição àtransparência, bem como práticasambientais, ou seja, como questionárioúnico, foi enviado via e-mail, por duas vezes,a uma amostra de 80 (oitenta) indústriastêxteis circunscritas a parcela do setor situadono Estado de São Paulo escolhidasaleatoriamente com base no RelatórioSetorial da Cadeia Têxtil Brasileira de 2004,elaborado pelo IEMI. Portanto, trata-se deuma amostra observacional.Em uma segunda etapa, pelo fato demenos de 4% das empresas consultadasterem respondido ao questionário,conseguiu-se estabelecer contato telefônicocom 71 (setenta e uma) empresas do totalde 80 (oitenta). Após o contato telefônico,encaminhou-se novos e-mails para61(sessenta e uma) empresas, com retornode 23% dessas últimas, dos ramos tecelagem,malharias, linha lar, filamento e fiação,conforme a classificação do Instituto deEstudos e Marketing Industrial - IEMI.Considera-se esta dificuldade de acesso àsempresas, como um primeiro dado relevanteda pesquisa.Nas respostas às perguntas sobrepráticas de gerenciamento ambiental,aproximadamente 90% das empresas queresponderam ao questionário se mostraramabertas a divulgar suas atividades na áreaambiental, sendo que 100% delasinformaram que a divulgação de informaçõesverdadeiras e honestas trazem excelentesbenefícios à empresa. Entretanto, 43% delasrevelaram dificuldades internas para responderaos aspectos ambientais pela faltade treinamento sobre esses aspectos edificuldade de implementação das práticas.Quanto às práticas ambientaistambém se verificou que há preocupação dasempresas pesquisadas com odesenvolvimento de uma produçãocomprometida com os princípios dasustentabilidade, especialmentedemonstrada pelo comprometimento da altaadministração, pelo reconhecimento pelacomunidade dos programas desenvolvidospor essas empresas e pela busca daecoeficiência no processo dedesenvolvimento de produtos.Aproximadamente 86% dasempresas que responderam ao questionáriopossuem programas consolidados paraalguns aspectos de preocupação ambientaldo setor, tais como gerenciamento deresíduos sólidos, poluição sonora e vibrações,o que se confirma com a resposta que 79%das empresas possuem programa dequalidade ambiental. Contudo, apenas 50%delas afirmaram possuir sistema de gestãoambiental implementado em todas as suasáreas e unidades, sendo que 14% sequersouberam informar sobre esse aspecto. Podeseconcluir, assim, que as práticas ambientaisdas empresas que responderam aoquestionário se referem basicamente aquestões específicas, de maior impactoexterno e, portanto, maior cobrança social elegal (resíduos, ruídos, vibrações), havendo,ainda, grande deficiência na implementaçãode um sistema de gestão ambiental queintegre todos os aspectos da cadeiaprodutiva.A resposta à pergunta sobre aexistência de um programa permanente detreinamento e educação ambiental defuncionários confirma essa deficiência,verificando-se, mais uma vez, queinternamente os aspectos ambientais nãovêm sendo tratados de maneira adequada,posto que quase 40% das empresas queresponderam ao questionário não possuemprograma permanente de treinamento eeducação ambiental de seus funcionários,questão de suma importância para aimplementação e consolidação de umagestão ambiental eficiente. Essa posturatambém se reflete na falta de parceria com acomunidade para programas comunitários deeducação ambiental, que ocorre em apenasem 41% das empresas.Para 93% dos respondentes asustentabilidade encontra-se em níveiscríticos, sendo, portanto a gestão ambientalvista como fundamental à sobrevivência daempresa num mercado em que essa questãoé valorizada pelo cliente, mas falta umaestratégia eficaz de marketing na divulgaçãoda preocupação da empresa com o meioambiente.Os resultados da aplicação docoeficiente de correlação estão emconsonância com as conclusões decorrentesda análise dos dados sobre prática ambiental.Assim, da correlação das questões sobreprática e transparência, constata-sedissociação entre a importância dogerenciamento ambiental para as indústriastêxteis pesquisadas e as práticas ambientaisefetivamente implementadas, bastanteespecíficas, sendo ainda deficiente aimplementação de sistemas de gestãoambiental que integrem todos os aspectosda cadeia produtiva, coordenados entre si,numa estrutura organizada.A ausência de correlação sobre adivulgação de informações ambientais e aestratégia de marketing para essa divulgação,bem como da situação ambiental da empresae a implementação de práticas ambientais,de outro lado, revela que, embora aspectoscomo a sustentabilidade e o marketingambiental sejam considerados importantespara as indústrias pesquisadas, hánecessidade de aprimoramento das práticasa eles relacionadas.Nos resultados de correlação sobreprática e transparência em relação aotreinamento formal dos funcionários emaspectos ambientais e o sistema de gestãoambiental, verifica-se que as dificuldadesinternas para responder às questõesambientais decorrem da falta deimplementação de sistema de gestãoambiental, conforme acima mencionado, oqual inclui, certamente, programapermanente de treinamento e educaçãoambiental dos trabalhadores. Esse aspectotambém é revelado na correlação dasquestões sobre a facilidade deRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 42 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


implementação de práticas ambientais,embora se verifique que as implementaçõesde algumas práticas ambientais específicaspossam dar bons resultadosindependentemente do gerenciamentoambiental sistematizado.No aspecto da valorização pelocliente de produtos de empresas que adotemprocessos ecoeficientes, por sua vez, revelaque as empresas têxteis pesquisadas vêmbuscando adotar práticas coerentes com asexigências do mercado atual que, cada vezmais, valoriza produtos que resultem deprocessos produtivos ambientalmenteeficientes, embora ainda enfrentemdificuldades para a implementação depráticas adequadas.Verifica-se, também, a tendência decorrelação entre o gerenciamento ambientale programas de gerenciamento de resíduossólidos, que destaca a importância daimplementação de sistemas de gestãoambiental para o gerenciamento ambientaladequado das empresas têxteis pesquisadas.CONSIDERAÇÕES FINAISO resultado da pesquisa revela queas indústrias pesquisadas têm predisposiçãoa revelar informações sobre as questõesambientais, considerando mesmo de fundamentalimportância a divulgação dessasinformações para o seu desempenho. Aomesmo tempo, um grande número deempresas consultadas não respondeu apesquisa. Embora não seja possível especularos motivos pelos quais não se obteve sucessocom esse número de empresas, pode inferir,provisoriamente, a ausência de prioridade oumesmo de pessoal responsável nas empresas,que pudesse fornecer as informaçõessolicitadas. De outra parte, as empresas queresponderam à pesquisa, apresentamdificuldades em relação aos aspectos internosde treinamento de funcionários e,conseqüentemente, de implementação daspráticas ambientais, indicando poucaconsciência interna sobre a importância dogerenciamento ambiental.Pode-se afirmar, também, que, emgeral, as empresas têm práticas ambientais,porém estas se encontram atualmentesetorizadas, havendo necessidade deimplementação de sistemas de gestãoambiental que integrem todos os aspectosda cadeia produtiva têxtil. Isso é confirmadopelo número de empresas do setor têxtil comcertificação ISO 14001, válidas com marca decredenciamento Instituto Nacional deMetrologia, Normalização e Qualidade Industrial- INMETRO, segundo informaçõesconstantes do site do Instituto.O pior resultado obtido na pesquisa dizrespeito à realização de parcerias com acomunidade, realizado por apenas cerca de40% das empresas, indicativo de que estãomais voltadas para as questões internas,revelando baixa preocupação daresponsabilidade social da indústria com acomunidade de seu entorno.No tocante ao aspecto da correlaçãoentre a disposição à transparência e aspráticas ambientais, os dados obtidos nãoapresentaram indícios estatísticos suficientespara afirmar que a predisposição àtransparência ambiental tem associaçãosignificativa com a prática ambiental dasempresas têxteis do Estado de São Paulo, noâmbito das empresas pesquisadas.Entretanto, a partir da análise realizada,verificou-se que algumas questõesapresentaram uma associação significativaentre essas características, apontando, assim,para uma possível influência entre elas.As questões que apresentaram correlaçãosignificativa, mediante a correlação adotada,foram as seguintes: primeiro, treinamentoformal dos funcionários em aspectosambientais e implementação de sistema degestão ambiental, o que revela a importânciada implementação de Sistemas de GestãoAmbiental, com forte treinamento dosfuncionários, para a facilitação da obtençãode bons resultados no aspecto ambiental. Asegunda questão se refere ao aspecto davalorização pelo cliente de produtos deempresa que vem buscando adotar práticasambientais coerentes com as exigências domercado atual. Isso revela a importância daadoção de práticas ambientais adequadas eda divulgação de informações ambientaispara a obtenção de bons resultadosfinanceiros para o setor.De outro lado, efetuada a correlaçãoentre questões como a valorização doproduto pelo cliente e a ecoeficiência noprocesso produtivo, a qualidade de sistemade gestão ambiental e resultados para aempresa, verificou-se que no âmbito dasempresas pesquisadas não houve correlaçãosignificativa. Entretanto, análise realizada,pode-se concluir que há uma possívelinfluência entre essas características que, noâmbito de uma amostra mais ampla, poderiase tornar significativa.Por fim, a pesquisa revela que osetor têxtil tem plena consciência daimportância do gerenciamento ambientalpara a melhoria do seu desempenho, tantono mercado nacional quanto internacional.Contudo, embora o setor venha buscandoadotar boas práticas ambientais, aindaenfrenta dificuldades para a implementaçãode uma gestão ambiental integrada,sistemática e eficiente. Nesse caminho, anecessidade de estratégias da divulgação deinformações ambientais é considerada fundamental,posto que, além de se tratar deaspecto cada dia mais valorizado pelosclientes, possibilita o estabelecimento depolíticas adequadas de desenvolvimentosustentado para o setor.AGRADECIMENTOSAo Prof. Dr. Isak Kruglianskasda FEA-USP pela orientaçãona realização deste trabalhoREFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAABIT - Associação Brasileira da Indústria Têxtile Confecções. Dados sobre o setor. Disponívelem: . Acesso em: 15ago. 2003 e 26 mar. 2005.AMERICANA - Prefeitura Municipal de Americana.Portal da PM Americana. História deAmericana. Americana, [200-]. Disponível em:. Acesso em: 19jul. 2007.BENNETT, Martin; JAMES, Peter. The greenbottom line: Environmental Accounting forManagement, p. 30-60, 1998.BRUNO, F. da S. (Org.). Estudo prospectivosetorial de têxtil e confecções: panoramaRevista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 43 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478


setorial. Versão resumida. Brasília: Centro deGestão e Estudos Estratégico/AgênciaBrasileira de Desenvolvimento Industrial,2007.BRUNO, F. da S. (Org.). Panorama setorial detêxtil e confecções. Brasília: Agência Brasileirade Desenvolvimento Industrial, 2008.BRUNO, F. da S. Um novo ambiente para asorganizações. In: SENAI/CETIQT. Globalizaçãoda economia têxtil e de confecção brasileira:empresários, governo e academia reunidospelo futuro do setor. Rio de Janeiro, 2007, p.89-145. (Série desafios para acompetitividade: cadeia têxtil).CNUMAD - COMISSÃO MUNDIAL SOBREMEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO.Nosso Futuro Comum. Rio de Janeiro: FGV,1988.COSTA, S.; BERMAN, D.; HABIB, R. L. 150 anosde indústria têxtil brasileira. Rio de Janeiro:Senai - CETIQT/Texto & Arte, 2000.HOLLIDAY, C.; SCHMIDHEINY, S.; WATTS, P.Cumprindo o prometido: casos de sucesso dedesenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro:Campus, 2002.HUNT, Christopher B.; AUSTER, Ellen R. Proactiveenvironmental management: avoidingthe toxic trap. Sloan Management Review[S.l.], p. 7-18; winter, 1990.INMETRO - INSTITUTO NACIONAL DEMETROLOGIA, NORMALIZAÇÃO EQUALIDADE INDUSTRIAL - ISO 14001:empresas certificadas ISO 14001, válidas commarca de credenciamento do INMETRO. RioJaneiro, 2007. Disponível em: . Acesso em: 20 out. 2007.MONTEIRO FILHA, D. C.; CORRÊA, A. Ocomplexo têxtil. In: RIBEIRO, A. D. (Ed.).BNDES 50 Anos: histórias setoriais. PortalBNDES, Rio de Janeiro, 2002. Disponível em:. Acesso em: 22ago. 2005.PADILHA, M. L. M. L.; et al. Impact of textileindustry on cities and its role in the Braziliancontext. In: KENNEWEG, H; TRÖGER, U.(Org.). 2nd International Congress on EnvironmentalPlanning and Management: vision,implementations and results. Berlin:Technische Universität Berlin, 2007. p. 307-310.PADILHA, M. L. M. L. Indicadores dedesenvolvimento sustentável para o setortêxtil [tese de doutorado]. São Paulo:Faculdade de Saúde Pública da USP, 2009.PADILHA, M. L. M. L.; FERREIRA, L. G.Administração ambiental em indústriastêxteis de São Paulo. 2005. Trabalho deconclusão de disciplina (Disciplina deAdministração Empresarial e o MeioAmbiente) - Faculdade de Economia,Administração e Contabilidade, Universidadede São Paulo, São Paulo.PHILIPPI JR, A.; MALHEIROS, T.F. Saneamentoe saúde pública: integrando homem eambiente, In PHILIPPI JR, A. (ed.)Saneamento, saúde e ambiente, Barueri, SP:Manole, 2005. p. 3-31.PHILIPPI JR, A.; MALHEIROS, T.F.;AGUIAR, A.O. Importância do uso de indicadores dedesenvolvimento sustentável. Saneamento esaúde pública: integrando homem eambiente, In PHILIPPI JR, A (ed.) Saneamento,saúde e ambiente, Barueri, SP: Manole, 2005.p. 762-808.PRADO, R.V.B.; PRADO, M.V. Relatório setorialda cadeia têxtil brasileira. São Paulo: IEMI;2004.PRADO, R.V.B.; PRADO, M.V. Relatório setorialda cadeia têxtil brasileira. São Paulo: IEMI;2008.TEIXEIRA, F. A história da indústria têxtilpaulista. São Paulo: Artemeios, 2007.WELFORD, Richard. Business ethics and corporateenvironmental performance. In: [ ](Org.). Environmental strategy and sustainabledevelopment/the corporate challengefor the 21st century, Routledge, London,1995a, p. 28-49.WELFORD, Richard. Green marketing andeco-labelling. In: [ ] Environmental strategyand sustainable development/the corporatechallenge for the 21st century, cap. 5.Routledge, London, 1995b, p. 149-173.Revista Brasileira de Ciências Ambientais - Número 12 - Abril/2009 44 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478

More magazines by this user
Similar magazines