L+D 14

editora.lumiere

Edição 14: Julho/Agosto 2007

l+d

International Lighting Magazine

COAL WASHERY

a memória transformada

BIBLIOTECA PÚBLICA DE

AMSTERDÃ

integração de lighting design e arquitetura

CHRISTIAN BARTENBACH

cinco décadas de “daylight”

COAL WASHERY TRANSFORMATION OF COLLECTIVE MEMORY

OBA OPENBARE BIBLIOTHEEK AMSTERDAM

CHRISTIAN BARTENBACH AND THE DAYLIGHT


A Milestone

PLD-C is a Global Lighting Design Convention for lighting professionals

worldwide, organised by VIA Publishing for the international magazine

Professional Lighting Design in cooperation with the Professional Lighting

Designers’ Association, ELDA.

The following Partner Associations are supporting PLDC: ACE, Association des

Concepteurs Lumière et Éclairagistes/F, AsBai, Associacao Brasileira de Arquitetos

de Illuminacao/BR, CIE, International Commission on Illumination, SLL,

Society of Light and Lighting/UK, ILE, Istitute of Lighting Engineers/UK, LUCI,

Lighting Urban Community International, Ljuskultur/S, Lyskultur/N, Ljusforum/S,

CPI, Centro Portuges de Iluminacao/P, Apil, Associazione Professionisti

del Illuminazione/I, VNISI, Russian Lighting Research Institute/RUS, ILA,

International Light Association, FLL, Forschungsgesellschaft Landesentwicklung/D,

Schweizerische Lichttechnische Gesellschaft, SLG

As Keynote Speakers we will welcome Helmut Jahn, Rick Joy, David Blackwood

Murray, Andrew Whalley and Howard Brandston

Make a note of these dates: 25. to 27. October, 2007 in London/UK

54 seminars and

professional papers

PLD Recognition

award

Famous keynote

speakers

Product exhibition

Vox Juventa

Association meetings

1000

colleagues from all

over the world

Celebration of

Light party

L+D

6

and much more

L+D

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L+D

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L+D

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Ipsis.

Vencedora ouro do

XIV Concurso Latino-americano

de Produtos Gráficos

Theobaldo De Nigris.

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cores em capa dura, com

o livro O Chão de Graciliano.

Cliente: Audálio Dantas Comunicação

e Proj. Culturais Ltda.

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Cliente: Cosac & Naify Edições Ltda.

L+D

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l+d #14

Rogier van der Heid é lighting designer, responsável

mundial pela divisão de iluminação e diretor do grupo

Arup. Seus inovadores projetos por todo o mundo já

Martina Weiss é arquiteta e lighting designer do escritório Licht Kunst Licht,

foram amplamente premiados. | Rogier van der Heid

em Bonn (Alemanaha), e esteve no escritório do professor Bartenbach para

uma conversa sobre sua percepção de luz. | Martina Weiss, architect

and lighting designer at Licht Kunst Light, in Bonn (Germany), has been in

professor Bartenbach’s office to speak about his perception of light.

is an architectural lighting designer and director with

Arup and the Global Leader of Arup Lighting. He has

been responsible for innovative and creative projects all

over the world. His work is widely recognised as leading

l+d

INTERNATIONAL LIGHTING MAGAZINE

in the field of creative and independent lighting design.

Capa | cover

Coal Washery, Essen, Alemanha | Germany

Lighting Design: Licht Kunst Licht

Foto | Photo: Thomas Mayer

40 70 64 48 56

26

20

40

48

¿QuÉ Pasa?

PROJETOS | PROJECTS

OBA – Openbare Bibliotheek Amsterdam

Coal Washery

56

ARTIGOS | ARTICLES

A Beleza da Luz Natural | The Beauty of Natural Light

Juliette van Putten, é Mestre em

Orlando Marques, arquiteto e lighting designer,

Carlos Fortes é lighting designer

64

Light Zones

Engenharia/Desenho Industrial pela

Universidade de Tecnologia de Delft,

Holanda. Ela é a representante holandesa

é aluno do curso Master in Architectural Lighting

Design na KTH-Royal Institute of Techonology de

Estocolmo, Suécia.|Orlando Marques, architect

com escritório em São Paulo, membro

profissional da PLDA, IALD, IES e

fundador da AsBAI. | Carlos Fortes,

70

portfolio

Prof. Christian Bartenbach

da CEN-TC169WG2 “iluminação em Locais

and lighting designer, is working on the Master’s

lighting designer in São Paulo, Brazil,

de Trabalho” – Comitê Europeu de Normas

Degree in Architectural Lighting Design at the KTH-

professional member of PLDA, IALD,

Técnicas. Agora, Juliette é a principal lighting

Royal Institute of Technology in Stockholm, Sweden.

IES and founder of brazilian lighting

designer no recém aberto Studio Lite, um

design assossiation (AsBAI).

escritório de Lighting Design em Dubai,

Emirados Árabes Unidos. | Juliette van

L+D

18

Putten, has a master degree in industrial

design engineering from the Delft University

of Technology in the Netherlands. She

L+D

19

is the Dutch representative of CEN-TC

EDITORES

169 WG2 “Lighting of workplaces” - the

Thiago Gaya

European committee for standardization

Andrés Otero

that develops the lighting standards. Juliette

is now she is the principal designer of the

CONSELHO

recent Studio Lite, a Lighting Design Studio

Dante Della Manna, arquiteto | architect

based in Dubai, United Arab Emirates.

Esther Stiller, lighting designer

Fernando Prado, designer


EDITORIAL

A L+D 14 traz dois projetos europeus relacionados à cultura.

Em Essen (Alemanha), a reestruturação e transformação de uma mina

de carvão em museu, iluminado pelo escritório Licht Kunst Licht. Trata-se

de um projeto bastante simbólico, que resgata o passado pesadamente

industrial da cidade (e de toda a região do Ruhr), em sua trajetória para

se transformar na capital européia da cultura em 2010. Luzes dramáticas,

penumbra e a evocação do fogo dão o tom do projeto, numa atmosfera

ainda impregnada pelo cheiro de óleo do maquinário ali preservado.

O segundo projeto é a novíssima biblioteca pública de Amsterdã, inaugurada

em junho passado, com projeto luminotécnico do grupo Arup.

Rogier van der Heide, chefe de projeto, desenvolveu um trabalho de

intensa colaboração com o arquiteto para, assim, cumprir as exigências

restritivas de consumo estabelecidas pelo cliente, bem como o partido

arquitetural de integrar ao máximo equipamentos e arquitetura. Notório

por seu trabalho com luz natural, Rogier aqui usa basicamente

a luz artificial, pois a abundância momentânea da luz diurna será

drasticamente reduzida pelas futuras construções vizinhas.

Outros três artigos refletem a crescente importância da luz natural

no lighting design contemporâneo: pelo próprio Rogier, “A Beleza da

Luz Natural” é uma abordagem mais holística do design com a luz

natural em edifícios. Já Merete Madsen, entrevistada por Orlando

Marques, fala de seu trabalho “Light-Zones”, no qual avalia o caráter

espacial e modelador da luz natural na arquitetura.

Finalizando, na seção Portfolio, Martina Weiss foi à Innsbruck (Áustria)

para uma conversa com o professor Christian Bartenbach, um ícone

no uso da luz natural, que há cinco décadas desenvolve novos equipamentos

e sistemas para o incremento de seu uso na arquitetura.

PUBLICADA POR | PUBLISHED BY

Editora Lumière Ltda.

Matriz no Brasil | Headquaters in Brazil:

Rua Catalunha, 350

05329-030 São Paulo SP

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Suíça | Switzerland: + 44 21 647 3420

Itália | Italy: + 39 338 6015 976

PUBLISHER

>Thiago Gaya

EDITORES | EDITORS

>Andrés Otero

>Thiago Gaya

TRADUÇÕES | TRANSLATIONS

> BTS - Business Translation Services e Michael L. Jordan

L+D

20

L+D Magazine brings two European projects related

to culture. In Essen (Germany), the restructuring and trasformation of a

coal mine into a museum, illuminated by the Licht Kunst Licht offices. This

is a highly symbolic project, which revives the city’s strong industrial past

(and that of the entire region of Ruhr), in its history of transformation into

the European capital of culture in 2010. Dramatic lights, dimness and the

evocation of fire set the tone for the project, in an atmosphere filled with

the smell of oil from the machinery preserved within.

The second project is the brand new Amsterdam public library, inaugurated

last June, with its luminotechnical project developed by Arup

group. Rogier van der Heide, head of the project, developed the work

in close collaboration with the architect, to meet the restrictive consumer

requirements established by the client, as well as the architectural

departure of integrating the equipment with the architecture as far as

possible. Notorious for his work with natural light, Rogier basically uses

artificial light in this project, since the present abundance of daylight

will be drastically reduced by future neighboring constructions.

Another three articles reflect the growing importance of natural light in

contemporary lighting design: for Rogier himself, “The Beauty of Natural

Light” is a more holistic approach to design with natural light in buildings.

Merete Madsen, interviewed by Orlando Marques, speaks of his

work “Light-Zones”, in which he evaluates the spatial and modeling

character of natural light in architecture.

Finally, in the Portfolio section, Martina Weiss traveled to Innsbruck

(Austria) to talk with professor Christian Bartenbach, an icon in the

use of natural light, who for five decades has been developing new

equipment and systems for increasing its use in architecture.

ARTE | ART

>Pedro Saito

>Gustavo Cipriano (arte final)

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¿QuÉ Pasa?

Legal Offices. Designed by the architects Athie / Wohnharth & Reinach /

Mendonça, the headquarters of a legal firm in São Paulo has as its hall-mark a

well that was opened up by the architects between three of the commercial building’s

floors, which are interconnected by a vast steel and glass staircase.

For the triple-storey area, the team of lighting designers from Foco Luz

e Desenho invented a huge “false skylight”, covered over with stretched,

translucent PVC. Behind this is installed a series of white (4000K) and yellow

(3000K) fluorescent lamps that are switched on and off through the day to

simulate daylight (in the daytime, both are on, at night, only the yellow).

The diffused and comfortable light from the “skylight” is visible on all three

floors of the central well, and also in the library area, where the lighting of the

tables – situated in the bottom part of the well – has been complemented with

Patricia Cardoso

decorative reading-lamps. Fixtures have been incorporated into the bookshelves

themselves, using 3000K fluorescent lamps both for lighting the shelves and

for indirect lighting reflected off the ceiling. The latter are shaded with translucent

acrylic, since the lights are visible from the other floors above.

On the middle floor, in the reception area, the lighting aims only to ac-

Escritório de advocacia

São Paulo (Brasil)

centuate the wooden panelling with low-angle lighting, and the bulk of

the counter with overhead lighting. In the corridor areas of this floor, which

lead to and from the meeting rooms, specific details of the architrave were

developed together with the architects, so as to allow for the creation of

a cove providing indirect lighting This is complemented by track-mounted

Com arquitetura de Athie I Wonharth e Reinach I Mendonça, a sede

nação das mesas – localizadas na parte inferior do vão – foi comple-

spotlights to light the works of art.

de um escritório de advocacia em São Paulo tem como marca principal

mentada com luminárias decorativas para leitura. Às estantes, foram

L+D

22

o vão aberto pelos arquitetos entre três lajes do edifício comercial onde

se localiza, interligadas por uma grande escada de aço e vidro.

Para o pé-direito triplo, a equipe de lighting designers do escritório

incorporadas luminárias com lâmpadas fluorescentes de 3.000K para

a iluminação das prateleiras e para a iluminação indireta, refletida pelo

teto – estas com fechamento em acrílico translúcido, uma vez que o

L+D

23

Foco Luz e Desenho concebeu uma grande “falsa-clarabóia”, com

detalhe superior é visto dos outros andares.

fechamento em PVC translúcido tensionado, na qual está instalado

No andar central, onde se localiza a recepção, a iluminação buscou

um circuito com lâmpadas fluorescentes brancas (4000K) e amarelas

valorizar apenas o painel de madeira, com luz de baixo para cima, e o

Projeto de iluminação | Lightning design: Foco Luz & Desenho

(3000K) que têm acendimentos alternados no decorrer do dia para

volume do balcão, com luz de cima para baixo. Nas áreas de circulação

(Junia Azenha, arq. titular, e Ana Karina Camasmie, coordenadora)

simular a luz natural (durante o dia, ambas são acesas e, à noite, so-

desse andar, que interliga as salas de reunião, foram desenvolvidos

Arquitetura | Architecture: Athie I Wonharth e Reinach I Mendonça

mente as amarelas).

juntamente com a arquitetura detalhes sobre o caixilho, permitindo a

Fornecedores | Suppliers: Lumini, Dominici (luminárias | luminaires),

A luz, difusa e confortável, proveniente da “clarabóia” é percebida

criação de uma sanca que proporciona luz indireta, complementada

Osram, Philips (lâmpadas e reatores | lamps and ballasts), Tensoflex

nos três andares do vão central e também na biblioteca, onde a ilumi-

por um trilho com projetores que iluminam as obras de arte.

(forro de PVC translúcido | stretched, translucent PVC).


¿QuÉ Pasa?

meets the walls, and with an acrylic casing, fluorescent lamps have

been fitted, giving the impression of “unsticking” the plaster from the

CULTURA BOOKSHOP. Opened in June in one of the most traditional

walls. E27 “Viva” luminaires complement the overall lighting with a

haunts in São Paulo – the Conjunto Nacional on Paulista Avenue – the Livraria

pleasantly diffused light.

Cultura now occupies the space where, for several decades, the old Cine Astor

Recesses in the ceiling, using indirect light from 32W fluorescent lamps are

once functioned. With its 4,200 square metres of floor-space, 190 thousand

distributed throughout the store, aiming to lead the eye in every direction,

books and 1,560 linear metres of bookshelves, this bookshop, designed by

exploring and discovering new angles in the complexity of this interior.

the architect Fernão Brandão, is said to be the largest in Brazil.

Open spaces, with floor arrangements differing as much in form and

design as in use, interconnected by an 11 metre-high central well, typify

the totally asymetrical architecture of the store. The lighting designer

Laura Larrubia was responsible for the lighting.

The bookstore has a central well, spanning 3 floors, and containing

a wide ramp decorated with poufs, a few pieces of low furniture

and some bookshelves. On the ceiling, fixed to the metal joists, are

spotlights using metal-vapour lamps, some with narrow beams, some

wide, some focussed on books, others on the winged dragon. On the

bookshelves themselves were fixed small adjustable fixtures, designed

by the lighting designer and using 15 watt T5 lamps.

For lighting the objects (some highly reflective), the lighting designer

chose to use fixtures with parabolic louvers for 2 fluorescent lamps of

32 W and 3000 K colour temperature.

As for the books themselves, fixtures with asymetrical reflectors were

used, casting some shadow around them but giving great emphasis

Fotos | Photos: Fran Parente

to the object on sale.

On the top floor, having a 4 metre ceiling-height, the fixtures were

suspended from the ceiling and directed at the top of the shelves,

2.4 metres from the floor. In a recess of the ceiling lining, where it

Projeto de iluminação | Lightning design: Laura Larrubia

Arquitetura | Architecture: Fernando Brandão

Fornecedores | Suppliers: Luz e Forma, E27 (luminárias |

luminaires), Osram (lâmpadas | lamps)

LIVRARIA CULTURA

São Paulo (Brasil)

Inaugurada no mês de junho em um dos mais tradicionais ende-

pela lighting designer para lâmpadas T5 de 14W.

reços de São Paulo – o Conjunto Nacional –, a Livraria Cultura hoje

Para a iluminação dos objetos, alguns muito reflexivos, a lighting de-

ocupa o local onde funcionou por décadas o antigo Cine Astor. Com

signer optou pela utilização de luminárias com aletas duplo-parabólicas

seus 4.200 metros quadrados, 190 mil livros e 1.560 metros lineares

para 2 lâmpadas fluorescentes de 32 watts e temperatura de cor 3000K.

de estantes, a livraria projetada pelo arquiteto Fernando Brandão é

No caso dos livros, foram utilizadas luminárias com refletor assimétrico,

considerada a maior do Brasil.

que iluminam apenas a área da estante, criando uma certa penumbra

L+D

24

Espaços soltos, com pavimentos que se diferem tanto na forma

e projeção quanto no uso, interligados por um vão central de 11

metros de altura, caracterizam a arquitetura totalmente assimétrica

ao seu redor e dando grande destaque ao objeto de venda.

No pavimento superior, com pé direito de 4,00m, as luminárias foram

atirantadas ao teto e alinhadas com a parte superior das estantes,

L+D

25

da loja, cuja iluminação ficou sob responsabilidade da lighting de-

a 2,40 metros do chão. Em um detalhe no forro, junto às paredes e

signer Laura Larrubia.

com fechamento em acrílico, foram instaladas lâmpadas fluorescentes,

A livraria possui um vão central de pé direito triplo no qual se loca-

“descolando” o gesso da paredede. Luminárias “Viva” da E27 comple-

liza uma grande rampa com puffs, alguns móveis baixos e estantes.

mentam a iluminação com uma luz agradável e difusa.

No teto, fixados nas vigas metálicas, foram instalados projetores para

Rasgos no teto, com iluminação indireta de lâmpadas fluorescentes

lâmpadas refletoras à vapor metálico, com fachos concentrados e

de 32W se distribuem ao longo da loja com a intenção de conduzir o

abertos, ora focando livros, ora focando o dragão alado. Nas estantes

olhar para todos os sentidos, explorando e descobrindo novos ângulos

com livros foram fixadas pequenas luminárias articuláves desenhadas

de seu complexo interior.


¿QuÉ Pasa?

RIVA

Split (Croácia)

A empresa belga Schréder, em parceria com o fabricante de LEDs

Cree, com seu distribuidor local (ZTT Zagreb) e com os arquitetos e

designers envolvidos, desenvolveu um projeto experimental inédito

para iluminação pública empregando LEDs de alta potência.

O cenário escolhido foi a principal rua histórica da cidade: a movimentada

Riva, onde estão localizados muitos bares, restaurantes e

lojas. O desafio era criar uma solução de iluminação urbana com LEDs

que conjugasse performance fotométrica e conforto visual.

De acordo com os lighting designers responsáveis pelo projeto, Diana

e Zlatko Galic, da Nova Lux, o primeiro desafio era a fonte de luz que

desejavam usar, visto que tinham uma preocupação com a questão da

poluição luminosa. “Escolhemos o LED, pois queríamos uma luz direcional.

Nosso projeto é baseado em iluminar a esplanada sem interferir

na área à beira-mar, que fica mantida na penumbra”, explicam.

Além disso, os lighting designers buscavam uma temperatura de cor confortável.

Inicialmente optaram por uma combinação de LEDs frios e quentes,

mas a solução não estava atendendo às metas. Diante disso, a Scheréder

envolveu seu Centro de P&D e criou um LED branco “quente” (3.000K), com

52 lm/W, e sem problemas de uniformidade de cor. Com este LED e uma

corrente de 350mA, para iluminar uma rua com 8m de largura com pelo

menos 15lux, os pesquisadores chegaram à conclusão de que seria necessário

aplicar 180 LEDs em cada luminária, totalizando 217W de potência.

Contudo, em janeiro de 2007 a empresa americana CREE conseguiu

desenvolver um LED branco “quente” com 55lm/W. Com isso os projetistas

poderiam fazer duas coisas: reduzir a quantidade de LEDs por luminária

Schrèder

para 130, mantendo a corrente de 350mA, ou manter os 180 e reduzir a

corrente para 287mA, pois a queda de potência diminui a temperatura,

o que aumenta a vida útil. Eles adotaram a segunda opção.

Como a luz do LED é bastante direta, foi necessário criar um cuida-

The Belgian firm Schréder, in partnership with the LED manufacturer

and came up with a “hot” white LED (3000K), of 52 Im/W, that

all the Riva’s new urban furniture, getting his inspiration from the

doso e preciso sistema de posicionamento dos diodos para alcançar

Cree, together with their local distributor (ZTT Zagreb) and with the

presented no colour uniformity problems. Using this LED and a

cranes that are such a typical part of the scenery in Split. Fifteen

uma excelente uniformidade para iluminar precisamente os espaços.

architects and designers involved, have developed an experimental

current of 350 mA to light an 8 metre-wide street with at least 15

fixtures were installed, each with 45 modules of 4 LEDs. Each module

Assim, foram instalados módulos com quatro LEDs em cada, inclina-

project for public lighting in Split using high-powered LEDs.

lux, the researchers came to the conclusion that it was necessary

is orientated with precision to emit a diffused overall light, perfectly

dos em ângulos exatos e diferentes definidos com o emprego de um

The scenario selected was the historic main street of the city, the

to use 180 LEDs in each fixture, totalling 217 W of power.

distributed, with 32 lux of luminance and 40% uniformity.

software de cálculo que determinou o design fotométrico ideal.

very busy Riva, where there are numerous bars, restaurants and shops.

However, in January of 2007, the American firm Cree succeeded

This project also made use of automation: each set of 12 LEDs

As luminárias foram criadas pelo designer de todo o novo mobiliário

The challenge was to create with LEDs an urban lighting solution

in developing a “hot” white LED of 55 Im/W. Now the designers

can be separately controlled by the Dali system, generating dynamic

urbano de Riva, Nikola Radeljkovic, que se inspirou nas gruas – tão

that wedded photometric performance with visual comfort.

could take one of two courses: they could either reduce the number

effects to create scenarios, altering the distribution of the light,

L+D

26

comuns no cenário das cidades portuárias. Foram instaladas 15 luminárias

com 45 módulos de 4 LEDs. Cada módulo é orientado de modo

preciso para compor a luz principal de forma difusa, perfeitamente

According to the lighting designers responsible for the project,

Diana and Zlatko Galic, the first great challenge was the light

source they chose to use. This was because they were concerned

of LEDs per fixture to 130, keeping the current at 350 mA, or they

could keep the 180 LEDs and reduce the current to 287 mA, since

the drop in power reduces the working temperature and extends

switching on or off or dimming the modules by up to 50%.

Officially inaugurated on 7th May 2007, this project broadens

the horizons for the use of LEDs, revealing the diversity of possible

distribuída, com 32 lux de iluminância e 40% de uniformidade.

about the problem of light overspill. They explained, “We chose

working life. They chose the second course.

uses offered by these little diodes.

O projeto contou ainda com automação: cada conjunto de 12 LEDs

the LED as we wanted directional lighting. Our project is aimed

As the light from a LED is rather directional, it was necessary to

pode ser controlado individualmente pelo sistema Dali, gerando efeitos

at lighting the esplanade without interfering with the sea-shore

create a meticulous and precise positioning system for the diodes

dinâmicos para criar cenários, alterando a distribuição da luz, ligando,

area, which is kept in the shadows”.

in order to achieve maximum uniformity in the lighting of the

Arquitetura | Architecture: Studio 3LHD

desligando ou variando a intensidade dos módulos em até 50%.

Apart from this, the lighting designers sought a comfortable

target spaces. Thus, modules with four LEDs in each were used,

Mobiliário urbano | Urban Furniture: Numen/For Use

Oficialmente inaugurado em 7 de maio de 2007, o projeto amplia

colour temperature. At first they opted for a combination of

tilted at precise, but differing angles, determined by calculation

Projeto de Iluminação | Lighting Design: Nova-lux

horizontes para os LEDs, revelando as diversas possibilidades de apli-

‘”hot” and “cold” LEDs, but this did not meet their requirements.

software for working out the ideal photometric design.

Fornecedores | Suppliers: Schréder (luminárias e equipamentos|

cação que os pequenos diodos oferecem.

So, confronted with this, Schréder brought in their P & D Centre

The fixtures were created by Nikola Radelijkovic, the designer of

fixtures) Cree (LEDs)


¿qué pasa?

Écritures de la Lumière

“Estamos hoje no limiar de uma redescoberta. É nescessário que o pintor

se familiarize com a colorimetria, os comprimentos de onda, a pureza, a intensidade,

a excitação da luz e as múltiplas possibilidades das fontes de luz

artificial, filtradas ou não”.

Publicado em 1939, o texto acima faz parte da coletânea “Peinture Photographie

Film et autres écrits sur la photographie” (Pintura Fotografia Filme e outros escritos

sobre a fotografia).A obra não reune todos os textos de László Moholy-Nagy, mas

se propõe a representar a totalidade da evolução do pensamento do autodefinido

“artista total”, e inclui ainda textos sobre arte e desenho industrial.

O extenso prefácio de Dominique Baqué “Écritures de la Lumière” (Escritos da

Luz) nos fornece um bom complemento à compreensão da obra do artista.

Natural e Artificial. A luz na Arquitetura “Écritures de la Lumière. “We

are today on the brink of a discovery. The painter needs to get to know about

the colorimetry, wavelengths, purity, intensity and excitation of artificial light

sources, whether filtered or not.”

Published in 1939, the above text is drawn from the Gallimard collection of Folio

Essays, under the title “Peinture, Photographie, Film et autres écrits sur la photgraphie”

( Painting, Photography, Film and other writings on photography ).

This work does not include all the artist’s texts, but it does aim at representing

the overall evolution in thought of the self-styled “all-round artist”, and

even includes some texts on industrial art and design.

The lengthy preface by Dominique Baqué, “Ecritures de la lumière” ( Writings of the

light ) provides us with a good complementary understanding of the artist’s work.

“Peinture Photographie Film e autres écrits sur la photographie”

Coleção Folio Essais. Editora Gallimard. | Collection Folio Essais

‐ Editions Gallimard

Publicação em francês | Publication in French

Efeito la lampe

A La Lampe lançou em julho a segunda edição da Revista Efeito La Lampe.

Editada pela Editora Lumière, a publicação traz o belo artigo, Luz e os Estados

da Alma, do jornalista Paulo Costa e Silva e o excelente projeto dos lighting

designers Franco & Fortes para o novo show-room da loja em São Paulo em

artigo de Gilberto Franco e Carlos Fortes.

L+D

28

La Lampe Efect. In July, La Lampe launched the second edition of the

magazine Efeito La Lampe. Edited by the publisher Lumière, the magazine

brings the outstanding article Luz e os Estados da Alma (“Lights and the

States of the Soul”) by journalist Paulo Costa e Silva. It also features Gilberto

Franco’s article on the impressive project by lighting designers Franco &

Fortes for the store’s new showroom in São Paulo.

L+D

29

Revista Efeito La Lampe #2 | Efeito La Lampe Magazine

www.lalampe.com.br


¿qué pasa?

Natural e Artificial. A luz na Arquitetura

Sob o título “Natural e artificial. A luz na Arquitetura”, o trimestral italiano

apresenta em seu número 86 (março 2007) um ótimo conjunto de reflexões

sobre o tema.

Entre os artigos, traz entrevista com Yann Kersalé e trata de obras comtemporâneas

de diversos arquitetos, como Steven Holl, Peter Zumthor e Herzog e

de Meuron; além de artigos relacionados à intervenções temporárias.

A conclusão fica por conta do excelente artigo de Roberto Casati, “The

Importance of Darkness” (A importância da Escuridão).

Natural and Artificial. Light in Architecture Under the title “Natural e artificial A luz

na Arquitetura” (Natural and artificial: Light in Architecture) the Italian quarterly magazine,

it its issue 86 (March 2007), presents an interesting set of reflections on the theme.

Among the articles is an interview with Yann Kersalé which deals with contemporary

works of various architects, such as Steven Holl, Peter Zumthor and Herzog

and Meuron; it also includes articles related to temporary interventions.

The magazine concludes with an excellent article by Roberto Casati entitled “The

Importance of Darkeness”.

Revista Rasegna, n.86 | Revista Rasegna, n.86

Publicação trimestral bilíngue (italiano/inglês) | Publicação trimestral

bilíngue (italiano/inglês)

Editora Compositori | Editora Compositori

www.rassegna.net

SO WATT!

Atentos à crescente preocupação com as questões energéticas, 44 designers

desenvolveram, entre produtos e instalações, sistemas que questionam

o desperdício e lançam um olhar alternativo ao uso irracional da energia. O

resultado é apresentado até 9 de setembro em Paris, na mostra So Watt!, organizada

pela EDF (Electricité de France) e na bela edição especial da revista

francesa Beaux Arts.

L+D

30

Attentive to the world’s growing concern with the energy question, 44 designers

have developed, through products and installations, new systems that question

wastage and have taken an alternative look at the irrational use of energy.

The results are on show until 9th September in Paris, at the So Watt! Exhibition,

organized by EDF Foundation, and in the fabulous special edition of the French

Beaux Arts magazine.

L+D

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Revista Beaux Arts, edição especial “So Watt!” | Beaux Arts magazine,

“So Watt!” special edition

Publicação bilíngue (francês / inglês) | Bilingual publication (in French

and English)

www.beauxartsmagazine.com


¿qué pasa?

Targetti adquire Louis Poulsen

A empresa italiana Targetti Sankey S.p.A. estipulou recentemente um

acordo para aquisição da dinamarquesa Louis Poulsen Lighting A/S. Às

vésperas de comemorar seu 80° aniversário, a Targetti praticamente

dobra seu faturamento e adquire uma das principais protagonistas da

indústria mundial de iluminação.

Targetti acquires Louis Poulsen.The Italian firm, Targetti Sankey S.p.A.

disclosed recently an acquisition deal with the Danish Louis Poulsen Lighting

A/S. On the eve of its 80th anniversary, Targetti has almost doubled its turnover

and acquired one of the main protagonists in the world’s lighting industry.

Philips anuncia a compra da Color Kinetics

A Philips anunciou em junho que chegou a um acordo com a Color

Kinetics Incorporated face ao qual comprará todas as ações em circulação

da empresa americana. A Color Kinetics tem sede em Boston, EUA, e

é lider em desenvolvimento e comercialização de sistemas de iluminação

baseados em LEDs. O negócio de 592 milhões de euros soma-se

à compra da Lumileds em 2005 e à recente aquisição da TIR Systems.

Philips Announces the Purchase of Color Kinetics. In June, Philips

reached an agreement with Color Kinetics Incorporated to purchase all of

the U.S. company’s outstanding shares. With head office in Boston, Color

Kinetics is a leader in the development and sale of LED-based lighting

systems. The 592 million deal follows the 2005 purchase of Lumileds and

the recent acquisition of TIR Systems.

Light Design inaugura showrooms

L+D

32

A Light Design apresentou seus dois novos showrooms no mês de

julho: Brasília e São Luís do Maranhão. A loja de Brasília tem 500m 2

e fica localizada no Mercado Design, novo centro comercial de decoração

da cidade.

L+D

33

Telmo Ximenes

Light Design Inaugurates Showrooms. Light Design presented two

new showrooms in July in Brasília and São Luís do Maranhão (Brazil). The

Brasília store covers 500 square meters and is located at Mercado Design,

the city’s new commercial decoration center.

www.lightdesign.com.br


¿QuÉ Pasa?

www.osram.com.br

A OSRAM

patrocina

L+D

34

Casa Luminosa

Uma individual da artista plástica Carmela Gross no Gabinete de Arte

Raquel Arnaud, em São Paulo, apresenta a instalação “Uma Casa”.

Sustentada por 22 tripés de ferro e feitas com fluoresentes tubulares

rosas, a obra – representação mais elementar de uma casa – parece

flutuar, à deriva, no espaço.

LUMINOUS HOUSE. Plastic artist Carmela Gross presents the installation

entitled Uma Casa (“A House”) at the Raquel Amaud Art Gallery

in São Paulo. Supported by 22 iron tripods and made with pink tube

wands, the work – the most basic representation of a house – seems

O mundo pede sua ajuda.

E a OSRAM, para demonstrar seu comprometimento com o planeta e sua paixão por

iluminação eficiente, completa a família DULUXSTAR ® . Esta linha consome 80% menos

energia e possui uma vida útil 6 a 8 vezes maior que as incandescentes.

A OSRAM foi a primeira fabricante de lâmpadas a receber a aprovação da ONU para um

programa de redução de emissões de gás carbônico (CO 2 ) e no Brasil patrocina o

Programa de reflorestamento da Mata Atlântica. Comprando uma OSRAM DULUXSTAR ®

você contribui com tudo isto e ainda ajuda na redução do aquecimento global.

Bom para o planeta. Bom para o seu bolso.

L+D

35

to float adrift in space.

Uma Casa, Carmela Gross

De 7/08 a 27/09 | De 7/08 a 27/09 | From 8/7 to 9/27

Gabinete de Arte Raquel Arnaud, São Paulo

www.raquelarnaud.com


¿QuÉ Pasa?

Arte em movimento

Divulgação

2

3 4

1.POST DIGITAL, Fábio Novembre

2. LIFE CYCLE, BDP Lighting

3. I SEE WHAT EYE SEE, Henning Larsens Tegnestue

4. SPHERES, LKL

5. SPRING OF LIGHT, Mansilla + Tuñón Arquitectos

1

L+D

36

Está na estrada a “Transitions II – Light on the Move”. Promovida pela Philips,

a mostra itinerante reúne instalações feitas no interior de contêineres por oito

arquitetos e designers de diferentes países, que viajarão por diversas cidades

“Transitions II – Light on the Move” is on the road. Promoted by Philips, this

itinerant exhibition is a collection of installations made inside containers by eight

architects and designers from different countries, who will travel to various Euro-

L+D

37

européias durante o biênio 2007/2008. A mostra busca ilustrar por meio das pro-

pean cities during 2007/2008. The exhibition seeks to illustrate, by means of the

postas artísticas as possibilidades dos novos produtos desenvolvidos pela empresa.

artistic proposals, the possibilities of new products developed by the company.

Os escritórios convidados são: Henning Larsens Tegnestue (Dinamarca), Architecture-

The offices invited are: Henning Larsens Tegnestue (Denmark), Architecture-Studio

Studio and Grandeur Nature La Muse en Circuit (França), BDP Lighting (Reino Unido)

and Grandeur Nature La Muse en Circuit (France), BDP Lighting (United Kingdom)

Fabio Novembre (Itália), ONL (Holanda), Lichtkunstlicht (Alemanha), Treusch

Fabio Novembre (Italy), ONL (Holland), Lichtkunstlicht (Germany), Treusch

Architecture (Áustria) e Mansilla + Tuñón Arquitectos (Espanaha).

Architecture (Áustria) and Mansilla + Tuñón Arquitectos (Spain).

http://www.lightonthemove.com

5

http://www.lightonthemove.com


¿QuÉ Pasa?

particulas

Luz/sombra Preto/branco. Yinyang. Opostos que tanto inspiraram o

poeta concreto Pedro Xisto (1902-1987), também um dos pioneiros

no Brasil na arte dos haikais.

O poema visual “partículas” é um dos que constam na recente antologia

de sua poesia concreta e gráfica “as águas glaucas” (Berlendis

& Vertecchia Editores).

Light/shadow. Black/white. Ying and yang. Opposites that served as inspiration for

Pedro Xisto (1902-1987), also a pioneer in Brazil in the art of Haiku (Japanese poetry).

The visual poem “particles” is included in the recent anthology of his concrete

and graphic poetry entitled as águas glaucas (“the glaucous waters”)

published by Berlendis & Vertecchia

L+D

38

L+D

39

as águas glaucas | as águas glaucas: www.berlendis.com/glaucas.htm

Dossiê Pedro Xisto na revista eletrônica Memozine

nº2 | See Pedro Xisto’s dossier in the online magazine

Memozine nº 2 - www.cronopios.com.br/mnemozine


projetos | projects

Biblioteca Pública

de Amsterdã

Texto | Text: Juliette van Putten & Orlando Marques

Fotos | Photos: Andrés Otero

A nova biblioteca pública de Amsterdã, projetada

pelo arquiteto Jo Coenen e localizada na área de Oosterdokeiland da

cidade holandesa, é um bom exemplo da tendência de as bibliotecas

deixarem de ser um depósito repleto de livros e passarem a ser uma fonte

interessante, estimulante e variada de informação. A nova biblioteca é

um espaço de 28000m² aberto para todos os sedentos de conhecimento

e diversão. Com uma enorme seção dedicada aos jovens, 9.000m² de

espaço de trabalho, espaço para exposições, um teatro, um café, um foyer

e um restaurante com vista para a cidade, esse projeto constitui a maior

biblioteca pública da Europa e espera receber 7000 visitantes por dia.

Localizada ao lado das águas abertas em frente à Oosterdok (doca oriental)

e próxima à estação central, a biblioteca enriquece a silhueta da Ilha

Oosterdok. À primeira vista, o edifício chega a parecer quase caótico com

suas diferentes formas e materiais como madeira, vidro e pedra, usados para

criar o volume arquitetônico. Um volume cúbico, com janelas quadradas

de madeira sustentadas por colunas e localizado em frente à entrada de

L+D

40

OBA - Openbare Bibliotheek Amsterdam The new Amsterdam

public library by architect Jo Coenen at the Oosterdokeiland in Amsterdam,

The Netherlands, is a good example of the trend that libraries are moving

away from being a warehouse full of books into an exiting, stimulating

and multifarious source of information. The new library is an open house

of 28.000m² to all who hunger knowledge and recreation. Encompassing

a large youth section, 9000m² of office space, a separate exhibition

space, a theatre, a reading café, a foyer, and a restaurant with a view over

the entire city, this project has become the largest public library in Europe,

expecting to receive 7000 visitors per day.

Situated besides the open waters of the Oosterdok close to the central

station, the library contributes to the skyline of the Oosterdok Island. At first

A grande escadaria e os pilares

iluminados servem como a

principal fonte de iluminação

para o ambiente | The illuminated

staircases and pillars act as the

main source for ambient lighting

L+D

41


sight the building looks almost a bit chaotic, different shapes and materials

like wood, glass and stone are used to create the architectural volume. A

cubic volume of square wooden windows supported by columns in front

of the glass entrance houses the libraries collection of books. All this is

being framed by a natural stone façade and roof element at the front that

extends 8 meter out of the main volume. The side facades are concave

and convex within the rectangle frame of natural stone.

Upon climbing the stairs to the entrance this architectural design creates

a feeling of grandeur. This feeling remains upon entering the building. The

first a visitor will notice is the staircases and pillars that are illuminated elements

by itself. The staircases weave through all the six floors like a ribbon

of white light and become the major focus point of the interior.

Arup has been hired as lighting designers for the interior architectural

lighting and the workplace lighting. The briefing the lighting designers got

from the architect Jo Coenen was very clear; “lighting should be indirect

and integrated in the architecture in order to create a clean, open appearance.

No visible lights should disturb the ceiling”.

Throughout the three years of development of the final lighting scheme

a lot of input was given by Jo Coenen as well as Hans van Velzen the director

of the library. Moreover the energy consumption for the lighting was

restricted to a maximum of 12w/m2, due to the constraint coming from the

allowed size and energy consumption of the air treatment equipment.

“The illuminated staircases and pillars act as the main source for ambient

lighting” says Rogier van der Heide, projectleader and lighting designer of

Arup, “the main challenge was not to use any light fixtures but to have the

light following the architecture of the building and to develop a solution

according to the energy consumption constraint”

According to Rogier van der Heide it was a process of integrated design

development to find the best solution. For instance, in order to realize the

lighted columns in the entrance the diameter of the columns had to be

adjusted, the architect was very specific that he did not want the columns

to increase in size. They should maintain slim. For the lighting designers it

was necessary to create a solution within the minimum space that could be

L+D

42

vidro, abriga o acervo de livros da biblioteca. Tudo isso emoldurado por

uma fachada de pedra natural e um elemento de telhado que se estende

8 metros para fora do volume principal. As fachadas laterais são côncavas

e convexas dentro da moldura retangular de pedra natural.

Ao subir os degraus em direção à entrada, o visitante tem uma sensação

de grandeza transmitida pelo projeto arquitetônico. E essa sensação

permanece quando se entra no edifício. A primeira coisa a chamar

a atenção é a escadaria e os grandes pilares iluminados. As escadarias

se entrelaçam por todos os seis andares como uma faixa de luz branca,

tornando-se o principal foco no interior do edifício.

A Arup foi contratada para fazer o projeto de iluminação da arquitetura

interior e das áreas de trabalho. As instruções que os lighting designers

receberam do arquiteto Jo Coenen foram bem claras: “a iluminação deve

ser indireta e integrada à arquitetura de forma a criar uma aparência limpa

e aberta. O forro não poderia sofrer intervenções com pontos de luz”.

Durante todo o período de três anos de desenvolvimento do esquema

final de iluminação, Jo Coenen colaborou com o projeto, assim como

Hans van Velzen, diretor da biblioteca. Além disso, o consumo de energia

para a iluminação foi limitado a no máximo 12w/m2, devido às restrições

impostas pelo tamanho e consumo de energia aprovados para o

equipamento de tratamento de ar.

“A escadaria e pilares iluminados servem como a principal fonte de

iluminação para o ambiente”, diz Rogier van der Heide, projetista-chefe

de iluminação da Arup. “O maior desafio era não usar luminárias, e sim

fazer com que a luz acompanhasse a arquitetura do edifício e desenvolver

uma solução de acordo com as restrições de consumo de energia”.

De acordo com Rogier van der Heide, foi um processo de desenvolvimento

de um projeto integrado para encontrar a melhor solução. Por

exemplo, para poder executar as colunas iluminadas na entrada, era

1,2. As luminárias de leitura iluminam os pontos de trabalho,

contribuem para a iluminação do ambiente e desenham as

áreas periféricas de cada andar | The custom made reading

lights illuminate the tables, contribute to the ambient lighting

and also articulate each floor visible through the voids

3. As escadarias se entrelaçam por todos os seis andares

como uma faixa de luz branca, tornando-se o principal

foco no interior do edifício | The staircases weave

through all the six floors like a ribbon of white light and

become the major focus point of the interior

L+D

43


preciso fazer um ajuste no diâmetro delas e o arquiteto deixou bem

claro que o tamanho das colunas não poderia ser aumentado. Elas deveriam

permanecer finas. Para os lighting designers, foi necessário criar

uma solução dentro do mínimo espaço concedido pelos engenheiros

da construção. Além disso, a verba para o interior todo da biblioteca foi

fixado em 1200 Euros por metro quadrado, o que significava que era

essencial encontrar soluções de iluminação econômicas.

Em todo o edifício, as soluções de iluminação adotadas foram muito simples

e com uso de tecnologia comum disponível. Toda a iluminação integrada

das superfícies maiores foi feita com lâmpadas fluorescentes T5 de 3000K

instaladas atrás de placas de acrílico fosco. Um modelo fotométrico em 3D

do edifício inteiro foi desenvolvido pela Arup para verificar a intensidade

de luz nos andares. Dessa forma, os lighting designers poderiam verificar a

contribuição de cada solução integrada para a iluminação do ambiente - de

no mínimo 150 lux no piso - e o consumo de energia correspondente. Para

respeitar a restrição de 12W/m2, cada lux precisaria ser justificado.

À medida que aumenta a distância do centro das faixas de luz que

acompanham as escadas, fica muito claro que não existe abundância

de luz. Algumas áreas parecem escuras demais, principalmente para os

given by the construction engineers. Next to this the budget for the whole

interior of the library was set at 1200 euro’s per square meter, therefore

pragmatic, economic lighting solutions became essential.

Throughout the whole building the lighting solutions have been kept

very simple with common available technology. All the integrated light

for the larger surfaces has been done with T5 fluorescent tubes of 3000K

installed behind matt acrylic sheets. A 3D photometric model of the whole

building was developed by Arup to check the luxlevels on the floors. In this

way the lighting designers could check the contribution of each integrated

lighting solution to the overall ambient lighting of minimum 150 lux on the

floor and its energy consumption. No single lux seems to be there without

a reason in order to reach the 12W/m2 requirement.

It is noticeable in the building that there is no abundance of light once the

1. O arquiteto desejava uma iluminação indireta e

integrada à arquitetura. O forro não poderia sofrer

intervenções com pontos de luz | According to the architect,

lighting should be indirect and integrated in the

architecture. No visible lights should disturb the ceiling

2,3. Por vezes, é dificil saber o

limite entre o trabalho do arquiteto

e do lighting designer: soluções

como as clarabóias dos andares

inferiores podem ser fruto dessa

interação | Sometimes it is difficult

to draw a dividing line between

the work of the architect and that

of the lighting designer. Solutions

such as skylights in the lower floors

can be the fruit of this interaction

2

L+D

44

L+D

45

1

3


1,2. Para permitir a entrada de luz natural no

edifício, foi criada uma abertura de luz no telhado

paralelo à fachada lateral | A light opening

from the roof parallel to the side façade was

created for daylight to enter into the building

3. Fachada da Biblioteca Pública

2

de Amsterdã | The new Amsterdam

public library façade

distance from the core of light ribbons following the stairs becomes larger.

Some areas appear too dark and especially the older visitors can long for a

bit more light. Some visual tricks are being used to let the lighting appear

brighter. Black carpet is used to increase the contrast between the floor and

the workplace lighting and on top of the bookcases an integrated T5 fixture

lights up the ceiling giving a lighter and spacious feeling to the area.

In front of the bookcases by Bomefa custom made aluminium LED fixtures are

placed vertically to light up the bookshelves with 250 lux. Two color LED are used,

1

the amber and the white color, in order to get a warm-white color temperature.

In the glossy covers of the books the dotted reflection of the single leds is some-

3

times visible. According to Rogier van der Heide this could have been avoided if

Bomefa would have used optical treatment of the light, like prismatic diffusers,

to make the lighting spread more evenly. He would advise to use fluorescent

visitantes mais idosos que sempre desejam um pouco mais de clarida-

instead of LED. This example shows that some areas of the library where not

de. Alguns artifícios visuais são usados para que a iluminação pareça

under the scope of the lighting designers of Arup but subcontracted to other

mais clara. Utilizou-se, por exemplo, carpete preto para aumentar o

companies. A decision that, in this case, influences the final result.

contraste entre o piso e a iluminação da área de trabalho. Sobre as

The custom made reading lights above the 1000 workplaces located

prateleiras de livros, uma lâmpada T5 integrada ilumina o teto, con-

around the voids are designed by Arup to give 250 lux on the table and

ferindo uma sensação mais leve e espaçosa à área.

que possam ser vistas de cima ou de baixo a partir dos andares. Dentro

contribute to the ambient lighting but also to articulate each floor visible

Em frente às estantes de livros, luminárias de LED e alumínio feitas

sob encomenda são colocadas verticalmente para iluminar as estantes

da luminária, uma fluorescente T5, de 14W de temperatura de cor 3000

K, é instalada atrás de uma tampa de acrílico fosco.

through the voids. For this reason the custom made fixtures have top and

bottom light openings. In order to see the lights when looking up or down

Arup

Rogier van der Heide

com 250 lux. LEDs de duas cores são usados, âmbar e branco, para se

Poder-se-ia pensar que em face da necessidade de se ater à restrição de

from the floors. Inside the fixture a 14W T5 fluorescent tube of 3000 K

Biblioteca Pública de Amsterdã | Openbare

obter uma temperatura de cor branca-quente. Nas capas brilhantes dos

12W/m2, a luz natural deveria ter um papel fundamental na iluminação

color temperature is mounted behind a matt acrylic cover.

Bibliotheek Amsterdam - OBA

livros, às vezes é possível ver o reflexo pontilhado dos LEDs. De acordo

ambiente desse edifício. No entanto, o arquiteto se esforçou para encontrar

One would think that with the requirement of 12W/m2 daylight should

Amsterdã, Holanda | Amsterdam, Netherlands

com Rogier van der Heide, isso poderia ser evitado se o fabricante tivesse

soluções que utilizassem a luz do dia. A definição de um espaço interior

play a major role in this building to contribute to the ambient light. However

usado tratamento óptico da luz, como difusores prismáticos, para fazer

com 28.000 m² forçou Jo Coenen a usar todo o espaço disponível na plan-

the architect struggled to find solutions to benefit from the daylight. The

Projeto de Iluminação | Lighting Design: Arup Lighting

L+D

46

com que a iluminação se espalhasse de maneira mais uniforme. Ele teria

recomendado usar lâmpadas fluorescentes em vez de lâmpadas de LED.

Este exemplo mostra que algumas áreas da biblioteca não ficaram aos

ta relativamente pequena de 30.000 m². Além disso, os edifícios vizinhos

estavam a somente 8 metros de distância da biblioteca. Praticamente não

havia possibilidade de que a luz natural entrasse no edifício. A solução do

requirement of 28.000 m²of interior space forced Jo Coenen to use all the

space available on the relatively small building plot of 30.000 m². Moreover

the neighboring buildings were only 8 meters away from the library. Hardly

Rogier van der Heide IALD (principal lighting designer)

Arquitetura | Architecture: Jo Coenen & Co

Cliente | Client: Cidade de Amsterdã | City of Amsterdam

L+D

47

cuidados dos lighting designers da Arup, mas sim que foram terceirizadas.

arquiteto foi criar uma abertura de luz no telhado paralelo à fachada lateral.

any freedom was left for daylight to enter the building. The architects’ solu-

Trata-se de uma decisão que, nesse caso, afeta o resultado final.

Por detrás da fachada, os pisos com as coleções de livros são afastados para

tion was to create a light opening from the roof parallel to the side façade.

Fornecedores | Suppliers: Erco Lighting (luminárias embutidas

As luminárias de leitura feitas sob encomenda e instaladas sobre os

criar espaço e permitir que a luz natural entre no edifício.

Behind the façade the floors with the book collections are brought back

no forro). Todo o equipamento customizado (iluminação das

1000 pontos de trabalho distribuídos ao redor dos vãos são projetadas

A biblioteca espera se tornar uma atração turística da cidade de

to create space for daylight to enter deep into the building.

escadas, vão, corrimãos e balaustradas) foi desenhado

pela Arup para fornecer intensidade de luz de 250 lux sobre a mesa e

Amsterdã. O arquiteto foi muito bem-sucedido em criar um lugar

The library expects to become a tourist attraction for the city of Amsterdam.

em parceria por JoCoenen & Co e Arup Lighting. | Erco

contribuir para a iluminação do ambiente, mas também para destacar

agradável, onde é possível passar algumas horas desfrutando de uma

The architect succeeded to create a pleasant place to spend a few hours and

Lighting (recessed ceiling fixtures). All custom design lighting

as áreas periféricas de cada piso, tornando-as visíveis nos vãos. Por essa

coleção de música, livros, revistas e uma linda vista do centro de Ams-

enjoy yourself with a collection of music, books, magazines and a beautiful

equipament (escalator, void, handrails and balustrades) has been

razão, as luminárias têm aberturas na parte superior e inferior. Isso para

terdã do restaurante localizado na cobertura.

view over the center of Amsterdam from the restaurant on the top floor.

collaboratively designed by JoCoenen & Co and Arup Lighting.


projetos | projects

Coal Washery

Texto | Text: Carlos Fortes

Fotos | Photos: Thomas Mayer

Tradução | Translation: Michael L. Jordan

Fachada da Coal Washry: o primeiro

contato com o edifício se dá através de

escadas rolantes de 93m de extensão e

136 degraus | Coal Washry façade: the

first contact with the building is via a

93 metre-long escalator with 136 steps

Transformar e preservar a memória. Proporcionar

aos visitantes experiências sensoriais que o conectem ao passado, trazendo

para o presente referências que mantenham vivas a história e a singularidade

do edifício. A partir dessa premissa, o escritório alemão Licht Kunst Licht

desenvolveu o projeto de iluminação para a Coal Washery, em Essen.

O complexo de tratamento de carvão Zollverein Colliery foi desativado

em 1986 e, posteriormente, declarado pela UNESCO Patrimônio Cultural

da Humanidade. Trata-se de um conjunto de edifícios projetados

inicialmente entre 1928 e 1932 pelos arquitetos Fritz Schupp e Martin

Kremmer, que o desenharam influenciados pelo modernismo da época.

Vinte edifícios de formas cúbicas, destinados às diferentes etapas no

tratamento do carvão e projetados de forma a oferecer o máximo de

funcionalidade e flexibilidade ao processo.

A requalificação deste complexo foi norteada pelo parâmetro de se

preservar as características dessa arquitetura – um verdadeiro marco na

arquitetura industrial – transformando o complexo fabril num grande

centro de idéias, arte e cultura.

Ao optar por soluções que instiguem o visitante a perceber o edifício

e suas característas peculiares através de sutilezas e metáforas, abrindo

mão de efeitos excessivamente dramáticos que se sobreporiam a essa percepção

quase intuitiva da arquitetura, os lighting designers conceituaram

o projeto de forma a utilizar eficazmente novas tecnologias, eficientes

do ponto de vista do consumo energético e custo racional, respeitando

e dialogando respeitosamente (embora dentro de uma linguagem contemporânea)

com a memória de uso dos espaços requalificados.

O edifício destinado à lavagem da matéria prima (coal washery) abrigava

a primeira etapa no beneficiamento do carvão. Metaforicamente, é a porta

de entrada ao visitante que chega ao complexo. O primeiro contato com

o edifício se dá através de escadas rolantes de 93m de extensão e 136

degraus, que levam o visitante diretamente ao nível 24 – onde originalmente

se iniciava o tratamento do carvão. Nesse nível, situa-se o Centro

de Visitantes, e é o início do percurso para se conhecer o edifício.

Esse elemento que abriga as escadas rolantes foi agregado ao edifício

original. Uma caixa envidraçada sustentada por uma estrutura em ”V“ no

meio de sua extensão abriga as escadas que, como as esteiras que levavam

L+D

48

Transformation together with preservation of collective memory; giving to

visitors a sensory experience that connects them with the past; bringing to the

present allusions that keep alive the history and the uniqueness of the building:

these are the fundamental premises that the German offices of Licht Kunst Licht

worked on to develop the lighting project for the Coal Washery, in Essen.

The coal processing complex, the Zollverein Colliery, was shut down in

1986 and later designated by UNESCO as part of the World Cultural Heritage.

It consists of a set of buildings originally designed, between 1928 and

1932, by the architects Fritz Schupp and Martin Kremmer, influenced by

the modernism of the period: twenty cube-shaped buildings designed for

the various different stages in the processing of coal and planned so as to

offer maximum functionality and flexibility for their purpose.

The conversion of this complex – a land-mark in industrial architecture

– aimed at preserving the essential architectural characteristics, transforming

this factory site into a huge centre for ideas, arts and culture. Discovering

solutions that heighten the visitor’s awareness of the building and its peculiarities,

through a series of metaphorical subtleties, and shunning overly

dramatic effects that would distract from almost intuitive perception of the

architecture, the lighting designers conceived the project so as to employ

L+D

49


originalmente o carvão ao início do percurso, transportam os visitantes.

2, 3. Lâmpadas fluorescentes colocadas

A transparência da caixa de vidro é ressaltada pela iluminação – que

dentro da caixa das escadas iluminam o

simplesmente usou o vidro laminado dos corrimãos como difusor da luz.

vidro alaranjado, criando um efeito de forte

Lâmpadas fluorescentes colocadas dentro da caixa das escadas iluminam

impacto visual: a luz alaranjada e difusa

o vidro alaranjado em backlight, criando um efeito ao mesmo tempo sutil

nos remete ao fogo, facilmente associado

(não há fontes de luz aparentes) e de forte impacto visual. A luz alaranjada

ao carvão | Fluorescent lamps, fitted inside

e difusa nos remete ao fogo, facilmente associado ao carvão.

the stair casing, back-light the orange-tin‐

Os interiores do edifício preservam as suas carecterísticas originais,

ted glass, creating a powerful visual

mantendo inclusive o maquinário usado durante o processamento

impact: the diffuse orange light suggests

do carvão. A reforma da fachada permitiu que fossem agregadas as

firelight, commonly associated with coal

condições climáticas indispensáveis ao novo uso como um museu, ficando

apenas na memória seu passado úmido, desconfortavelmente

barulhento. Mas as texturas, estruturas, paredes de concreto aparente

e treliças metálicas foram preservadas.

Lighting design

Sobre o conceito estabelecido – “transformar e preservar“ – os designers

trabalharam de forma a criar uma solução que ao mesmo tempo evocasse

a rusticidade do edifício mas agregasse todos os requisitos necessários à

ocupaçao contemporânea. Originalmente, o edifício era iluminado artifi-

2

cialmente por lâmpadas fluorescentes aparentes, numa combinação com

uma generosa iluminação natural proveniente das janelas.

Os designers conceberam um sistema de artérias que percorrem o

new technology with efficiency, both in respect of energy consumption

The transparency of the glass casing is accentuated by the lighting, which

with preservation”, the designers worked towards coming up with a solu-

edifício – grandes calhas metálicas que agregam um sistema de ilumi-

and of the rationalisation of costs, respecting and composing a respectful

quite simply makes use of the laminated glass of the side-rails as a light

tion that at once evoked the rustic nature of the building, yet added all

nação indireta e direta – e que servem ainda para a locaçao do sistema

dialogue (yet in contemporary language) with the memory of the original

diffuser. Fluorescent lamps, fitted inside the stair casing, back-light the

the requirements demanded by its contemporary pattern of occupation.

de instalações elétricas e de som.

functions of the converted space.

orange-tinted glass, creating an effect that is at once subtle (having no

The building was lit originally with artificial light from exposed fluorescent

O sistema de iluminação indireta foi concebido de maneira a iluminar

The building, designed for the washing of the raw material (the coal

visible light sources) and also creates a powerful visual impact. The diffuse

lamps, combined with plentiful daylight from the windows.

o mais homogeneamente possível os tetos, e utiliza lâmpadas fluores-

washery), housed the first phase in the coal processing. Metaphorically

orange light suggests firelight, commonly associated with coal.

The designers came up with a system of “arteries” running through the build-

centes “cool white“, ou seja, de temperatura de cor acima de 5000K e

speaking, it is the front door for the visitor arriving in the complex. His first

The interiors of the building carefully preserve its original characteristics,

ing – substantial metal ducts housing both direct and indirect lighting systems

tonalidade aparente azulada. Toda a iluminação fluorescente é dimeri-

contact with the building is via a 93 metre-long escalator with 136 steps,

retaining even the machinery used in the coal processing. The reform of the

– which also serve to house electrical and sound system installations.

zada, de forma a adequar-se aos níveis de iluminâncias nos diferentes

which takes him directly to level 24, where, originally, the coal processing

façade permitted the provision of such climatic conditions as were essential

The indirect lighting system was designed so as to light the ceilings as

ambientes em função de sua área e da hora, sincronizando com os níveis

began. On this level is situated the Visitors’ Centre, and this is the starting

to the new use as a museum, relegating its uncomfortably noisy and damp

uniformly as possible, using “cool white” fluorescent lamps, which is to say

de iluminação natural. Assim, evita-se que o observador perceba imedia-

point of the route taken to familiarise oneself with the building.

past to memory only. The original textures, structures, bare concrete walls

lamps of over 5000K colour temperature with a perceptibly bluish hue. All

tamente ao entrar no edificio que o sistema de iluminação é novo, pois

The part housing the escalator was an addition to the original build-

and metal grilles, however, have all been preserved.

the fluorescent lighting is dimmable, so as to permit brightness control in

está harmonizado com os ambientes sem se impor a eles.

ing. A glass-encased box, supported at its centre by a V-shaped structure,

the various different interiors according to their area and the hour of the

As “artérias“ recebem ainda projetores para lâmpadas vapor metálico

contains the escalator, which, just like the original conveyer-belts that car-

Lighting design

day, in synchrony with the available natural daylight. In this way, the casual

de 35W, PAR 30 e dicróicas. Esses projetores iluminam os ambientes onde

ried the coal at the beginning of its journey, now transports the visitors.

On the basis of the pre-established concept of “transformation together

observer, on entering the building, is not immediately aware that the lighting

L+D

50

1. Os interiores do edifício

preservam as suas carecterísticas

originais, mantendo inclusive

o maquinário usado durante

o processamento do carvão |

The interiors of the building

carefully preserve its original

characteristics, retaining

even the machinery used

in the coal processing

L+D

51

1 3


as on level 6, where the ceiling is completely taken up with chutes from the

silos above, and on level 12, where the design was also modified.

The indirect lighting from the “arteries” was not used either in areas where

A iluminação indireta proveniente das artérias também não foi utilizada

system is new, since it blends in unobtrusively with the interiors.

it was not possible to place the lights at a sufficient distance form the ceiling

em ambientes onde não era possível a alocação com suficiente distân-

The “arteries” are also fitted with spotlights using 35 watt metal vapour,

to provide the desired uniformity. In other areas, the system of tracks and

cia do teto para proporcionar a iluminação homogênea necessária. Em

PAR 30 and dichroic lamps. These spotlights illuminate the areas where

spotlights proved sufficient in itself to supply the requisite overall lighting.

não foi utilizado o sistema de iluminação indireta e complementa com

outros ambientes, o próprio sistema de trilhos e projetores foi suficiente

the indirect lighting system has not been employed and complement with

fachos dirigidos a iluminação dos equipamentos preservados, compondo

para prover a iluminação geral necessária.

directional beams the lighting of the preserved machinery, constructing a

Other systems

um cenário. Os fachos para iluminação dos equipamentos incidem sobre

scenario. The beams for lighting the machines always fall on them from

The visit to the building, as mentioned, begins on the highest level,

os mesmos sempre vindo de múltiplas direções, evitando-se assim muitas

Outros sistemas

multiple directions, so as to avoid hard shadows and over-dramatisation

where the reception, shopping and eating areas are located, as well as

sombras e uma excessiva dramatização dos ambientes. As luminárias

A visita ao edifício, como dito, começa no nível mais alto, onde estão

of the area. The luminaires themselves are only visible in silhouette against

the administrative offices of the museum. Setting out from this area, the

são vistas em silhueta sobre os tetos iluminados indiretamente, não se

situadas as áreas de recepção, lojas e alimentação, além das áreas admi-

the indirectly lit ceilings, thus not sharing any participation as objects of

visitors’ route follows that originally taken by the coal. The whole route is

configurando, assim, como objeto de destaque no projeto.

nistrativas do museu. A partir dessa área, o percurso de visitação segue

interest in the design.

sign-posted by beams from spotlights fitted to the lighting “arteries”, duly

o caminho originalmente desenvolvido pelo carvão. Todo o percurso é

equipped with the necessary control accessories. The bare concrete walls

O museu

marcado por fachos provenientes de projetores locados nas artérias de

The Museum

giving access to the stairs are accentuated by acute-angled lighting. They

Em 2008, o edifício da Coal Washery passará a ser ocupado pelo

iluminação, equipados com acessórios para o controle do equipamento.

In 2008, the Coal Washery building will be occupied by the Ruhr Mu-

are, for their part, lit in the same orange hue as the entrance escalators.

Museu de Ruhr, com exposições permanentes dedicadas ao desenvolvi-

As paredes de concreto aparente que dão acesso às escadas são enfati-

seum, with permanent displays devoted to the region’s natural and cultural

Other systems of lighting were also used in some specific areas. The ac-

mento natural e cultural da região e exposições temporárias de temas

zadas com uma iluminação rasante. Essas, por sua vez, são iluminadas

development, and temporary exhibitions given over to varying subjects. The

cess for the physically handicapped, situated on the ground-floor, was lit

variados. As muitas configurações espaciais dos diferentes ambientes

na mesma tonalidade alaranjadas das escadas rolantes do acesso.

large variety of spatial arrangements presented by the various different ar-

with exposed, direct-lighting lamps with a visibly yellowish hue (3000K).

do edifício, com pés-direitos que variam de 3 a 20 metros, salas peque-

Outros sistemas de iluminação foram adotados também em algumas

eas of the building, with ceiling-heights varying form 3 to 20 metres, some

nas, outras muito grandes e ainda algumas estruturas que lembram um

áreas específicas. Os acessos de deficientes localizados no térreo foram

small rooms, others very large, and even a few labyrinth-like structures,

labirinto, demandaram que o conceito de iluminação se adequasse a

iluminados com luminárias aparentes de iluminação direta, com tonali-

demanded that the lighting design be adapted to such diversity.

essa diversidade.

dade aparente amarelada (3000K). No fundo do edifício, um painel foi

Thus, electric tracks, fitted into the “arteries”, will accept spotlights giving

1,2. Os designers conceberam um sistema de

Assim, trilhos eletrificados incorporados às artérias recebem projetores

valorizado com uma iluminação rasante vinda do piso.

a wide variety of beams, providing the flexibility necessary, according to every

artérias que percorrem o edifício: grandes

num sistema variado de fachos, conferindo a flexibilidade necessária de

No topo do edifício, onde um elemento não original da arquitetura

need. This basic design was only radically departed from in a few specific areas,

calhas metálicas que agregam um sistema de

acordo com cada demanda. O conceito foi completamente modificado

iluminação indireta e direta | The designers came

apenas em alguns ambientes específicos, como no nível 06, onde o teto

up with a system of “arteries” running through

é dominado por elementos de comunicação com os silos situados acima,

the building: substantial metal ducts housing

e no nível 12, onde o conceito também foi modificado.

both direct and indirect lighting systems

L+D

52

L+D

53

1 2


2.As fachadas do edifício, em

tijolos aparentes, foram iluminadas

de baixo para cima, a partir de

projetores embutidos no piso |

The building’s façades, in exposed

brickwork, were lit from below, using

spotlights sunk into the ground

2

At the back of the building, a panel was given extra emphasis with acute-

colour temperatures (“cool white”) in the indirect lighting schemes, as a

angled lighting from ground level.

reference to the abundant, diffused daylight entering the building, combined

On the top of the building, where a non-original architectural piece was added

with the lower colour temperatures of the halogen and metal vapour lamps

at the end of the 60s and start of the 70s, a large area for events was created,

of 3000K, which light up the path through the preserved machinery. The

completely encased in glass, giving a panoramic view over the whole complex.

realisation that the lighting is not a protagonist itself, but rather an instru-

This area was designed with a flexible roof-lining system incorporating all the

ment of enrichment of the architecture, and also an important device in the

necessary infra-structure for the sound, multimedia and lighting systems required

“narrative” created by the building’s conversion plan, makes us a gift of a

1

for all the myriad possibilities of use. All the lights are dimmable in batches.

project that is at once efficient, modern and well-suited to its objectives, in

a face-to-face, harmonious dialogue between past and present.

The façades

1.Luminárias aparentes de iluminação direta iluminam

The buildings’ façades, in exposed brickwork, were lit from below, using

a linha férrea, deixando as arcadas em silhueta

spotlights sunk into the ground and almost imperceptible to the visitor. The

| Direct-lighting luminaires illuminate the tracks

colour of the brickwork was accentuated by the yellowish hue of the (“warm

while outlining the arcades in silhouette only

white”) lighting and by the use of reflectors of aluminium anodised in a champagne

colour. This light, reflected off the vertical surfaces of the bricks, makes

foi incorporado ao edifício no final da década de 60 e início de 70, foi

a night-time stroll around the building a very pleasant experience.

Prof.Andreas Schulz,

criada uma grande área para eventos, toda envidraçada e com uma vista

The arcades, forming a series of porticoes on the ground floor of the

Nicole Kober

panorâmica sobre o complexo. Essa área foi concebida com um sistema

building, which house the railway line that used to transport the coal, were

Stefan Hofmann

de forro flexível que agrega toda a infra-estrutura necessária aos sistemas

to arquitetônico levou os arquitetos e lighting designers a promover

lit internally with exposed, direct-lighting luminaires, which illuminate the

de som, multimídia e iluminação adequados às múltiplas possibilidades

mudanças localizadas e parcimoniosas, embora incisivas e impactan-

tracks while outlining the arcades in silhouette only.

de uso. Todas as luminárias estão dimerizadas em grupos.

tes. Essa abordagem caracteriza a intervenção atual, marcada pela

necessidade de revitalização dos edifícios preservados, dando início

Past & present

As fachadas

a uma nova etapa na vida e ocupação do complexo. Originalmente

The whole process developed for the preservation and restoration of the

As fachadas do edifício, em tijolos aparentes, foram iluminadas de baixo

um marco da arquitetura industrial, o conjunto transforma-se num

Zollverein Colliery industrial complex, only twenty years after its closure, was

para cima, a partir de projetores embutidos no piso pouco percebidos pelos

novo marco da arquitetura contemporânea, tornando-se uma refe-

guided by the decision to preserve the architectural and historical characteristics

visitantes. A coloração dos tijolos foi acentuada pela tonalidade amarelada

rência na vida cultural de Ruhr.

of the buildings. Subtlety, and the clear understanding of the importance of

da iluminação (warm white) e por refletores de alumínio anodizado na

A consciência de que o projeto atual de iluminação não deveria so-

passing on to the modern visitor something of the atmosphere and memory

COAL WASHERY

cor champagne. Essa iluminação refletida nas superfícies verticais de tijolos

brepor-se à arquitetura e à memória, e sim estimular os visitantes a

of this architectural site, led the architects and lighting designers to integrate

Essen, Alemanha | Germany

torna a visitação noturna ao entorno do edifício bastante agradável.

percorrer e revisitar a “rota“ do carvão caracteriza a intervenção promo-

alterations that were localised and sparing, yet simultaneously incisive and

L+D

54

As arcadas, criando uma seqüência de pórticos no térreo do edifício,

que abrigam a linha férrea que transportava o carvão, foram iluminadas

internamente com luminárias aparentes de iluminação direta, que

vida por Licht Kunst Licht. Referências quase poéticas permeiam todo o

projeto – como a opção pela luz alaranjada das escadas, ou a adoção

de temperaturas de cor altas (cool white) nos sistemas de iluminação

full of impact. This approach is typical of contemporary conversions, marked

by the need to bring to life again the preserved buildings, setting in motion

a new phase in the life and occupation of the site. Originally a significant

Projeto de Iluminação | Lighting Design:

Licht Kunst Licht AG, Bonn/ Berlin (Prof.Andreas Schulz, Stefan

Hofmann, Nicole Kober)

L+D

55

iluminam os trilhos deixando as arcadas em silhueta.

indireta, numa referência à abundante e difusa luz natural que penetra

land-mark in industrial architecture, the complex has been transformed into

Arquitetura | Architecture: Rem Koolhaas, OMA Architects,

Passado e presente

no edifício, em combinação com temperaturas de cor mais baixas das

a new land-mark in contemporary architecture, so as to become a point of

Rotterdam and Heinrich Böll Architects, Essen

Todo o processo desenvolvido para se preservar e revitalizar o

halógenas e vapores metálicos de 3000K que iluminam o percurso e os

reference in the cultural life of the Ruhr.

Cliente | Client:

complexo industrial da Zollverien Colliery apenas 20 anos depois

equipamentos preservados. A percepção de que a luz não é protagonista,

The awareness that the present lighting design must not overshadow the

EGZ Entwicklungsgesellschaft Zollverein mbH, Essen

da paralização de suas atividades foi norteado pela opção de se

e sim instrumento de valorização da arquitetura e elemento importante

original architecture and memory, and should, on the other hand, motivate

preservar as características arquitetônicas e históricas do conjunto.

na “narrativa“ estabelecida pelo projeto de requalificação dos edifícios

visitors to travel and revisit the “coal route”, characterises the reforms car-

Fornecedores | Suppliers: GE Lighting (lâmpadas | lamps),

A sutileza, a clara compreensão da importância de se transferir aos

nos brinda com um projeto eficiente, atual e adequado ao programa,

ried out by Licht Kunst Licht. Quasi-poetic allusions run through the whole

ERCO, Objekt Leuchten Berlin, INSTA, Regiolux, Modular, Norka

visitantes atuais um pouco da atmosfera e memória daquele conjun-

num diálogo estreito e afinado entre passado e presente.

project – like the choice of the orange light on the stairs, or the use of high

(luminárias | luminaires)


ARTIGO | ARTICLE

O novo aeroporto de Barajas, em Madri:

interação entre luz natural, materiais e formas

criam um efeito impressionante | The new

Barajas airport in Madrid: natural light and

materialization create an unmatched interplay

Roland Halbe

A beleza da luz natural

Texto | Text: Rogier van der Heide

Com os edifícios atuais, nos separamos do ambiente natural e

The beauty of natural light With today’s buildings, we separate

the natural environment from ourselves and create spaces that

are controlled and rationalized in every sense. We spend most of

our time in spaces like that, where climate, smell, sound and light

are engineered and directed. Rogier van der Heide, Director of

Arup and Global Leader of Arup Lighting, explores a more holistic

approach to natural light design in the built environment.

criamos espaços que são controlados e racionalizados sob todos

os aspectos. Passamos a maior parte do nosso tempo em espaços

como esses, onde o clima, o aroma, o som e a luz são projetados e

controlados. Rogier van der Heide, Diretor da Arup e Responsável

Global da Arup Lighting, explora uma abordagem mais holística

do design com luz natural nos ambientes de edifícios.

Com a introdução de softwares para análise da iluminância e com a capacidade

para criar luz ambiente constante e bem controlada, os projetistas

de edifícios dispõem de ferramentas para a criação de cenários iluminados,

que constituem uma interpretação sensível e lógica dos objetivos de um

design focado na funcionalidade, no controle de custos e na sustentabilidade.

Esses são, é claro, parâmetros muito relevantes do design e o imenso

número de edifícios que tiveram que abandonar a dinâmica da luz e, consequentemente,

o espírito, nos faz imaginar se há outros métodos de design

capazes de dar forma à luz natural, de modo que possam contribuir em

mais de um nível: que contribuam não apenas para a utilidade do edifício,

mas também para o nosso bem estar físico e espiritual.

A Luz molda o nosso mundo como nenhum outro elemento. Não é

a toa que antes do Século XIX as escolas de arquitetura já incluíam a

iluminação como parte importante do currículo. A luz natural inspira,

promove a saúde e a qualidade de vida e um bom projeto de iluminação

natural melhora a dignidade humana. Como disse o arquiteto espanhol

Santiago Calatrava, em 2006: “A luz é para o conforto. Assim como o

espaço, a luz é a chave para o futuro da arquitetura”.

A luz natural está presente, pelo menos de alguma forma, na maioria

dos edifícios. Entretanto, talvez seja mais visível em museus e no ambiente

de trabalho. Os ambientes de trabalho são altamente regulamentados,

uma vez que a maioria dos países dispõe de requisitos para a quantidade

de luz natural e de opacidade como função, por exemplo, da área do

piso. Museus são frequentemente analisados como espaços nos quais

são estabelecidos os níveis máximos de iluminância para assegurar a

conservação das obras expostas. Entretanto, isso é tudo? A luz é um

componente inestimável para o nosso bem-estar. A luz alimenta a ins-

With the introduction of illuminance analysis software and the ability to

create light environments that are constant and well controlled, building

designers have got the tools to create lightscapes that form a sensible,

logic interpretation of design targets that are driven by functionality, cost

control and sustainability. These are – of course – very relevant design parameters,

but the huge number of buildings that had to give up their light

dynamics and spirit because of this, makes one wonder if there are other

design methods to shape natural light in a way that contributes at more

than one level: that adds not only to the building’s functionality but also

to our experience and spiritual enrichment.

Light, that beautiful daughter of God, shapes our world like nothing

else. It is not without reason that any architectural academy in the 19th

century and before that, would teach light and lighting as a major part

of arrchitectural training. Natural light inspires, brings health and quality,

and great design of natural light enhances human dignity. As Santiago

Calatrava said in 2006: “Light is for comfort. Together with space, light is

the key to the future of architecture.”

Natural light is present in most buildings, at least to some extend, but it

is perhaps most visible in museums and the workplace. The latter is heavily

regulated, as most countries have requirements for the amount of natural

light and glazing, for example as a function of floor area, and museums are

often discussed as spaces where maximum illuminance levels are required

to ensure passive conservation of the artifacts. But is that really all what

counts? Light is an invaluable component of our experience. Light fuels

human inspiration. Artifacts and objects are seen differently when the ever

changing character of natural light has been added to the experience, and

the architectural environment provides context and reason to the exhibi-

L+D

56

L+D

57


Arup

tion. The natural light in galleries is not just about illumination, it’s about

a fused, holistic experience of art and architecture.

In that sense, one could say that the museum is to the city what once

the cathedral used to be. A place for contemplation and to be amazed,

impressively designed and built, with dramatic lighting entering in an almost

tangible way. The cathedral, as a center of activity, gathering and to show

off the city’s cultural and economical aspirations, may be no more in many

Western secularized societies, but the museum has more than succesfully

taken on this role. Bilbao (ES), Milwaukee (US) and Groningen (NL) are just

a few provincial cities that still after years experience the huge benefits of

their iconic museum buildings. But even functional, almost industrial places

such as airports can obtain a stronger identity from their natural light design,

like for instance the new Barajas airport in Madrid, where natural light and

materialization create an unmatched interplay. Architect Richard Rogers

formed a close team with Arup, and lighting designers Speirs and Major

took care of the electric lighting in the new terminal building.

Witht the current fascination for nature and sustainability of clients, observers

and users alike, natural light and its design plays a vital role in the

Gráficos:

1. Trajetória do sol na latitude de Amsterdã | Graphic of the

sunpath along the hemisphere at Amsterdam

2. Luz externa disponível durante o ano | Available exterior

Ilumination throughout year

3. Média mensal (%) de cobertura por nuvens no ano |

Average monthly percentage cloud cover throughout year

creation of such an architectural and cultural icon. And to achieve this, the

design team looks at lighting design beyond functionality. At Arup, we use

the most advanced design technology such as photometric modelling, Radiance

and sky simulations to achieve results that are charged with spirituality,

expression and identity. Within the constraints the Client has defined with

regards to exposure to harmful radiation, the team developes imaginative

solutions that are first of all integrated with the architectural design, both a

the level of the building concept as well as the technical details. The holistic

approach of today’s design teams ensures that there is no distinction between

light and architecture and that at the same time the building performance

meets the future requirements with regards to energy balance, conservation,

maintenance and economics. It is simply not possible to meet such goals

when light and architecture are approached separately.

The team starts by looking carefully at the available light at the location of

the building. What is the latitude of the location, and what is the weather

Rijksmuseum de Amsterdã: “método da exposição anual”

fornece ao arquiteto mais liberdade para projetar as aberturas

de iluminação natural sem riscos às obras de arte | Rijksmuseum

de Amsterdã: “annual exposure method” gives the

architect more freedom designing the daylight openings, while

maintaining safety and a harmless environment for the artefacts

L+D

58

piração humana. Objetos e obras de arte podem ser vistos de modos

diferentes, quando o caráter sempre mutante da luz natural é acrescentado

à exposição e quando o ambiente arquitetônico favorece seu

adequado acesso. Nas galerias, a luz natural não é apenas iluminação.

É uma percepção holística da fusão entre arte e arquitetura.

Nesse sentido, pode-se dizer que museus são para as cidades o que,

antigamente, as catedrais costumavam ser. Um lugar para contemplação

e admiração, projetado e construído para impressionar, com iluminação

dramática penetrando de todas as formas possíveis. A catedral, como um

centro de atividades, de congregação e de demonstração das aspirações

culturais e econômicas da cidade, pode já não existir em muitas sociedades

secularizadas do Ocidente. Por outro lado, os museus assumiram com sucesso

essa função. Bilbao (Espanha), Milwaukee (Estados Unidos) e Groningen

(Holanda) são apenas algumas das cidades provincianas que, após anos,

ainda gozam os benefícios dos seus museus com edifícios iconológicos. E

até mesmo locais funcionais e quase industriais, como aeroportos, podem

conseguir identidades mais fortes a partir de projetos com iluminação natural.

Um bom exemplo é o aeroporto de Barajas, em Madri, no qual a luz natural

e os materiais criam uma interação inigualável. O Arquiteto Richard Rogers

formou uma pequena equipe com a Arup, e os designers de iluminação da

Speirs e Major cuidaram da iluminação elétrica do novo terminal.

Com o atual fascínio pelo tema sustentabilidade, a luz natural e seu

respectivo design representam um papel vital na criação desse tipo de

ícone arquitetônico e cultural. Para conseguir isso, a equipe de projetos

busca mais do que funcionalidade no projeto de iluminação. Na Arup,

utilizamos a mais avançada tecnologia de design, como modelagem

fotométrica, radiância e simulações do céu para conseguir resultados

cheios de espiritualidade, expressão e identidade. Dentro das restrições

definidas pelo cliente em relação à exposição à radiação danosa, a equipe

desenvolve soluções criativas que são, em primeiro lugar, integradas ao

projeto arquitetônico, tanto no nível conceitual do edifício quanto no

nível dos detalhes técnicos. A abordagem holística adotada pelas equipes

de design atuais garante que não haja distinção entre a luz e arquitetura,

e que, ao mesmo tempo, o funcionamento do edifício atenda aos requisitos

de equilíbrio energético, conservação, manutenção e economia.

Simplesmente não é possível atingir essas metas quando a iluminação e

a arquitetura são abordadas separadamente.

1

Azul 21 de dezembro | Blue december 21

Verde 21 de março | Green march 21

Vermelho 21 de junho | Red june 21


2

3




















L+D

59


A equipe inicia analisando cuidadosamente a luz disponível no local do

edifício. Qual é a latitude do local e quais são as características climáticas? O

designer de iluminação natural analisa em detalhes a luz disponível, levando

em conta dados históricos de dez anos ou mais sobre o clima. O resultado é

a iluminação média de cada hora do ano, cuidadosamente plotada em um

gráfico que apresenta para o arquiteto, a cada instante, as possibilidades

para otimização do acesso de luz natural, de sombreamento e de quaisquer

elementos do edifício que afetam os aspectos anteriores.

Em seguida, para os vários espaços do edifício, é determinada a quantidade

de luz natural cujo acesso será permitido. No caso de museus,

procuramos cada vez mais imaginar as obras de arte e o total de sua exposição

à luz nas várias épocas do ano, ao invés de analisar apenas valores

máximos de iluminância. O nosso “método da exposição anual” fornece

ao arquiteto mais liberdade para projetar as aberturas de iluminação

natural, mantendo, ao mesmo tempo, o ambiente seguro e sem riscos

para as obras de arte. Por exemplo: no Rijksmuseum (Museu Nacional) de

Amsterdã, Holanda, a equipe da Arup projetou o acesso de luz natural de

modo a permitir no máximo 650.000 lux/hora de exposição. No verão, a

exposição diária será maior que no inverno, mas o total é muito similar

à exposição constante de 150 lux, tradicionalmente exigida por museus.

Utilizando essa abordagem, procuramos criar um edifício mais atraente,

que desfrute melhor da luz solar, quando disponível, e utilize energia elétrica

apenas quando a luz natural é insuficiente. O resultado é um cenário

mais dinâmico e uma arquitetura mais forte e mais expressiva.

Como conseqüência, para cada abertura de iluminação natural, a exposição

anual total e a luz disponível são avaliadas e representadas em gráficos.

Em estreita colaboração com o arquiteto, essas aberturas estáticas para

iluminação natural podem ser projetadas, incluindo janelas, filtros, vidros

desenhados ou qualquer outra solução adequada. Normalmente são soluções

estáticas, que garantem a dinamicidade da luz natural que penetra

no edifício de forma atenuada. E é essa a dinamicidade que buscamos.

Como o Gijs van Tuyl, Diretor do Museu Stedelijk, de Amsterdã explicou:

“Museus com controles dinâmicos da luz natural são mortos”.

Para o projeto de dispositivos de controle da luz natural, maquetes e

modelos físicos são inestimáveis. Embora sejam em escala, os modelos

podem simplesmente ser colocados ao ar livre, expostos ao sol, para

fornecer impressões confiáveis sobre fatores de sombreamento e iluminação

natural. Não há necessidade de sol ou de céu artificial, de sala de

like? The daylighting designer analyzes the available light in detail, taking

historic weather data into account that go back for ten years or more. The

result is an average illumination for every hour of the year, neatly plotted in a

graphic that instantly shows the architect what the possibilities are to optimize

daylight access, shading and any building elements that affect these.

Next, for the various building spaces, the amount of natural light that will

be granted access is determined. For museums, increasingly we like to look

at artifacts and their total exposure to light over the course of a year, rather

than absolute maximum illuminance figures. Our “annual exposure method”

gives the architect more freedom designing the daylight openings, while maintaining

safety and a harmless environment for the artifacts. For example, the

Rijksmuseum or National Museum in Amsterdam, the Netherlands, the Arup

team has designed daylight access to allow a maximum of 650,000 luxhours

of exposure. In summer, the exposure will be more per day than in winter,

but the total is very similar to constant exposure to 150 lux as a museum

would traditionally require. Using this approach, we aim for a building that

is more attractive, that enjoys more daylight when it is available and relies

on electric lighting only when natural light is not available. A more dynamic

scenery and stronger, more expressive architecture is the result.

The total annual exposure and the available light are combined with

transmission figures for the various daylight openings as a result. In close

collaboration with the architect, these static daylight openings can then be

designed, including their louvres, shades, fritted patterns on the glass or

any other appropriate solution. Static solutions, quite often, as they allow

dynamics of the natural light to enter the building, though in an attenuated

form. It’s these dynamics that we are looking for, or, as Director Gijs van

Tuyl of the Stedelijk Museum of Amsterdam explained to me: “museums

with dynamic daylighting controls are dead”.

When designing the daylight control devices, mockups and physical models

are invaluable. Even though they are to scale, the models can simply be put

As clarabóias do High Museum de Atlanta têm o

formato de conchas, que “coletam” a luz indireta do

céu do Norte e impedem a passagem dos raios solares

danosos | High Museum’s skylights are shaped like

“scoops” that harvest the indirect light from the northern

sky while cutting the harmful Georgia sunrays

L+D

60

L+D

61


simulação ou de qualquer outra coisa: o próprio sol é a representação

mais exata, desde que se coloque o modelo na latitude exata da Terra.

Um dos projetos que executamos por meio de testes físicos foi o do High

Museum, de Atlanta, executado pela Renzo Piano Building Workshop e

pela Arup. A equipe de iluminação, chefiada pelo designer de iluminação

Arfon Davies e pelo diretor de projeto Andrew Sedgwick, testou diversas

variantes para as clarabóias do museu, que têm o formato de “conchas”

ou de “funis”, que coletam a luz indireta do céu do Norte e impedem a

passagem dos perigosos raios solares da Geórgia. Na realidade, o formato

de “concha” é uma versão miniaturizada da trajetória do Sol no hemisfério,

na latitude de Atlanta, no dia 21 de junho, quando o Sol está no seu

ponto mais elevado. A modelagem física permitiu demonstrar a viabilidade

desse conceito e permitiu que o arquiteto integrasse ainda mais a

proposta ao projeto do edifício. O resultado foi um design premiado, que

recebeu não só o prêmio IALD de excelência em projeto de iluminação,

como também o prêmio IALD 2006 de projeto sustentável.

Esse reconhecimento demonstra o sucesso da visão de que um projeto

excelente e criativo não precisa comprometer a sustentabilidade e a

abordagem racional dos objetivos de iluminação. Trata-se da iluminação

natural, que foi criada para embelezamento, mas tendo em mente a

funcionalidade e a responsabilidade. Isso é o que eu amo ver nos edifícios

e o que move a Arup Lighting. Alguns dos projetos de museus

com maior sucesso em todo o mundo demonstram esse desejo e essa

busca: queremos deixar os visitantes emocionados com o ambiente e

com a experiência, garantindo as condições necessárias para que as

coleções de arte sigam intactas para as próximas gerações.

outside, under the sun, to get reliable impressions of shading and daylight

factors. There is no need for an artificial sun or sky, a simulation room or

whatsoever: the sun itself is the most accurate representation as long as

one puts the model at the right latitude on earth! One of the projects that

went through thorough physical testing is the High Museum in Atlanta,

by the Renzo Piano Building Workshop and Arup. The lighting team, with

lead designer Arfon Davies and Project Director Andrew Sedgwick, tested

several variants of the museum’s skylights that are shaped like “scoops” or

“funnels” that harvest the indirect light from the northern sky while cutting

the harmful Georgia sunrays. Effectively, the shape of the “scoop” is a miniature

version of the sunpath along the hemisphere at Atlanta latitude on

the 21st of June, when the sun is at its highest. Physical modelling allowed

to demonstrate the viability of this concept and enabled the architect to

further integrate the proposal in the building design. The result is an awardwinning

project, that did not only pick up an IALD lighting design award

of excellence but also the 2006 IALD sustainable design award.

This recognition demonstrates the success of the vision that excellent, creative

design does not need to compromise sustainability and a rational approach to

illumination targets. It’s about natural lighting that is designed for beauty, but

with functionality and responsibility in mind. That is how I love to see buildings

and that is what drives Arup Lighting. Some of the most succesful museum

designs aorund the world demonstrate this desire and drive: We want to leave

visitors thrilled with the environment and the total experience, while creating

the conditions to safely pass on the art collection to a next generation.

L+D

62

L+D

63

Leitura sugerida | Further reading:

Sobre o novo High Museum, de Atlanta | About the new High Museum, Atlanta: http://high.org/overview/about/buildings.aspx

Sobre o novo Stedelijk Museum, de Amsterdã | About the new Stedelijk Museum, Amsterdam: http://www.stedelijk.nl/oc2/page.asp?PageID=1348

Sobre o novo Rijksmuseum, de Amsterdã | About the new Rijksmuseum, Amsterdam: http://rijksmuseum.nl/hetnieuwerijksmuseum?lang=en

Sobre a Arup Lighting | About Arup Lighting: http://www.arup.com/lighting

Sobre o autor | About the author: http://www.archlighting.com/industry-news.asp?articleID=454245

Sobre a luz natural na arquitetura | About natural light in architecture: http://findarticles.com/p/articles/mi_m3575/is_1277_213/ai_111309425


ARTIGO | ARTICLE

LIGHT ZONES

Texto e tradução | Text: Orlando Marques

Ilustrações | Text:: Merete Madsen

and the space itself (inclusive the space’s content).

Thus, the daylight in a space can be regarded as a composition of

light-zones.

As tool, light-zones are (spatial) groupings of the lighting variables

(intensity, directions, distribution and colour), which are significant to the

space and form-giving characteristics of light. That is to say, the light-zone

tool is a point of departure for a method of creating a spatial ‘grasp’ on

day lighting variables in a space.

L+D: What has inspired you to create the Light-Zones concept

and tool?

MM: The former generation of lighting research at my university investigated

the spatial and form-giving effects of different apertures (windows

and skylights, if you like) with great thoroughness, but we didn’t really know

what to do with the combination of several different openings.

Furthermore, we had a ‘rule of tomb’ that said that light from different direc-

Try to imagine a monk in his white robe crossing a cloister walkway

tions was problematic because of the confusing shadows that would occur.

in a given time of the day. As soon as he starts walking on the walkway,

Well, that might be true for electrical light, but when you transfer that

he and his robe revels a rhythm of light and shadow which exposes a

to daylight I wasn’t sure and I had to figure that out.

sequence of zones of lights or Light-Zones.

In the beginning I was very ambitious and my working title was something

This and many other images are one of the tools that the Danish Architect and

like: Daylight as a special phenomenon of composition. That was way too am-

Tente imaginar um monge num habito branco cruzando o claustro de

researcher Merete Madsen has used to the development of the theme of her

biguous and difficult to work with, so I changed the focus to Light-zones.

seu monastério numa dada hora do dia. À medida que se movimenta pelo

PhD. thesis for the Royal Institute of Fine Arts in Copenhagen, Denmark in 2004,

L+D: Why the light zone tool is a new method of perceiving

corredor, ele e sua roupa revelam um ritmo de luz e sombra, expondo

entitled “Lysrum” or “Light Zone(s): as concept and tool: An architectural approach

light?

uma seqüência de áreas luminosas, ou “zonas de luz”.

to the assessment of spatial and form-giving characteristics of daylight”.

MM: Basically, for two reasons:

Essa imagem e diversas outras são algumas das ferramentas usadas

nos adverte: “A melhor maneira de explicar o conceito de Light-Zones é

In her paper, Merete uses the idea of Light-Zones to suggest its use,

First because it deals with the spatial distribution of daylight, rather than

pela arquiteta e pesquisadora dinamarquesa Merete Madsen para o de-

mostrando ou apresentando o fenômeno em aulas ou palestras, onde

among other issues, as “a mediating platform between architectural theory

the daylight levels (as the question about “light enough?”) or the question

senvolvimento do tema da sua tese de doutorado para a Universidade

posso falar bastante, usar as mãos e mostrar muitas fotos...”

and lighting technology” where she analyses and apply the concept and

about glare (is it comfortable?).

de Belas Artes de Copenhagen, Dinamarca em 2004, intitulada “Lysrum”

L+D: Você poderia explicar o que são “Light-Zones - Con-

tool in the Alvar Aalto’s Rovaniemi Library project in Finland and in the Le

Also, the fact that there is a link between light-zones as an architectural

L+D

64

ou “Light- Zone(s): as concept and tool: An architectural approach to

the assessment of spatial and form-giving characteristics of daylight”;

que pode ser traduzida como “Zonas de Luz (es) - Conceito e Ferramen-

ceito e Ferramenta”?

MM: Como conceito, “Light-Zones” são zonas ou campos de luz.

Light Zones são também uma maneira de considerar a luz natural no

Corbusier’s own apartment in Paris.

Next, a short interview with Merete Madsen who, just before we star

adverts: “The best way to explain the Light-Zone Concept is by showing

concept and light-zones as an exact tool, makes it possible to establish a

communication between the more phenomenological descriptions of light

within architectural theory and the numerical description that is preferred

L+D

65

ta: Uma abordagem através da arquitetura para a avaliação do caráter

ambiente como se fossem bolhas (relacionadas à forma) de luz que po-

you the phenomenon of Light-zones, or by giving lectures, where I can

within the field of lighting technology.

espacial e modelador da luz natural em arquitetura”.

dem ser expandidas, comprimidas, explodidas, combinadas com outras

talk a lot, uses my hands and show a lot of pictures.

To the architects, this is not a new method, because they gain necessary

Em sua dissertação, Merete usa a idéia das Light-Zones(s) para propor,

bolhas, etc... tudo isso relacionado com o caráter da área em que as “Light

L+D: Could you explain what “Light-Zones as concept and

knowledge on what they see and experience and communicate that in a very

entre outras questões, seu uso “como uma plataforma mediadora entre a

Zones” se manifestam, entre elas mesmas, com e no ambiente. Assim,

tool” are?

personal way, which sometimes makes it hard to understand – especially in

teoria da arquitetura e a luminotécnica”, onde analisa e aplica o conceito

a luz natural num dado espaço do ambiente pode ser analisada como

MM: As concept, light-zones are areas or fields of light.

daylight whose one has to be communicated to other professions.

e ferramenta na Biblioteca de Rovaniemi, Finlândia do arquiteto Alvar

uma composição de diversos tipos diferentes de Light-Zones.

It is a way of considering a space’s daylight as (forms of) bubbles of light,

L+D: In which way the light zones are a mediating platform

Aalto e no foyer do apartamento de Le Corbusier em Paris.

Como ferramenta, as Light Zones podem ser entendidas como agru-

which as light-zones can be compressed, expanded, combined, exploded

between architectural theory and lighting technology?

A seguir, uma breve entrevista com Merete Madsen que logo de inicio

pamentos espaciais das variáveis (ou propriedades) da luz (intensidade,

etc., all according to the character of ‘the meeting’ between the light-zones

MM: One of the reasons I did my thesis was that I felt that there were a


1. Claraboia | “SkyLight scoop”

2. Corte A-A | Section A-A

3. Corte B-B | Section B-B

4. Planta da Area do Acervo da Biblioteca de

Rovaniemi,Finlandia de Alvar Aalto | Plan of the Lending

Roomon Rovaniemi Library, Finland, Alvar Aalto

5. Fator de Luz do Dia | Daylight Factor (%)

1

2

3

mais fenomenológica da luz, preferida na teoria da arquitetura e uma

abordagem mais exata, preferida no campo da luminotécnica.

Para os arquitetos, no entanto, Light-Zones não é nenhuma novidade.

Arquitetos adquirem experiência com luz natural com aquilo que eles

vêem e experimentam, comunicando essa experiência de uma maneira

bem pessoal, o que dificulta o diálogo com outros profissionais.

L+D: De que maneira as “Light-Zones” são “uma plataforma

mediadora entre a teoria de arquitetura e a luminotécnica”?

MM: Uma das razoes pelas quais eu decidi fazer essa pesquisa foi a

sensação de que havia uma distância grande entre a luminotécnica e a

teoria de arquitetura. Acredito que as Light-Zones são uma plataforma

mediadora entre as duas matérias, pois elas se relacionam tanto com

teoria da arquitetura, através de seu uso conceitual, como com a luminotécnica,

através do uso das Light-Zones como ferramenta.

Há bastante conhecimento sobre luz natural na matéria da teoria de

arquitetura e também o mesmo em luminotécnica. Meu trabalho tem

big gap between lighting research and architecture or architectural theory.

I think the Light-zones are a mediating platform between the two because

light-zones relates to architectural theory as a concept, while on the same

time you can calculate them, i.e. use light-zones as an tool.

There is so much knowledge about light within the field of architectural

theory, and of course the same thing is true for lighting technology. My

work aims at benefiting from both fields – to make it possible to ‘jump’

from one field to the other, without losing the connection or the focus on

daylight as something that reveals space and form to us.

L+D: Which methods in the lighting technology can be combined

with your tool?

MM: Beside from the lighting research tradition that exists on our university

in Copenhagen, the light-zone tool can be combined with Christopher Cuttles

cubic illuminations. Cuttles talks about “Light Fields” and I think that is fairly

close to the light-zone tool. But, I also think most architects and lighting

designers find both concept and tool very logical, because we do work, in a

4

Biblioteca municipal de Rovaniemi, Finlândia, do

arquiteto Alvar Aalto | The lending room in Alvar

Aalto’s Municipal Library in Rovaniemi, Finland

L+D

66

sentido, distribuição e cor), as quais são significativas para as características

espaciais e modeladoras dela. Portanto, pode-se dizer que a “Light

Zones”, como ferramenta, é o ponto de partida para um método que cria

a possibilidade de revelar as variáveis da luz natural no ambiente.

L+D: O que te inspirou em criar a ferramenta e o conceito

“Light-Zones”?

MM: As pesquisas anteriores sobre luz natural aqui na universidade,

investigaram em minúcia os efeitos espaciais e modeladores da luz natural

vindos de aberturas diferentes (janelas, clarabóias) individualmente. No

entanto, nós nunca soubemos exatamente o que fazer com a combinação

de diversas aberturas diferentes ao mesmo tempo num mesmo espaço.

Além disso, nós tínhamos uma regra sagrada que dizia que a luz

vinda de lugares diferentes poderia causar diversas sombras e com

isso, confusão visual.

Bem, isso pode ser verdade quando nos referimos à luz artificial.

No entanto, quando se trata de luz natural eu tinha minhas duvidas

e, portanto tive que investigar.

No início da pesquisa eu era muito ambiciosa e o título da dissertação

era alguma coisa como: Luz natural como um fenômeno especial de

composição. Logo essa idéia se mostrou ambígua e difícil de trabalhar.

Então, mudei o foco de atenção para as zonas de luz, as Light-Zones.

L+D: Por que a ferramenta Light-Zones é um novo método

para perceber a luz?

MM: Por dois motivos, basicamente:

Primeiro porque lidam mais com a distribuição da luz natural no espaço/ambiente,

do que com os valores de iluminamento da luz natural (fator

de luz do dia, etc.), como por exemplo, na pergunta: “há luz suficiente?”

ou sobre a questão de ofuscamento: “é confortável?”

Também pelo fato de que existe um elo entre Light-Zones como conceito

de arquitetura e Light-Zones como uma ferramenta de precisão.

Esse fato torna possível estabelecer um diálogo entre uma abordagem

0

5

5 4 3 2 1

Maija Holma

L+D

67


1. Light-Zone(s) do andar Superior | The roof Pavillion’s Light Zone(s)

2. Light-Zone(s) da Janela Vertical | The Vertical Windows’s Light Zone(s)

3. Ambas Light-Zone(s) | Both Light Zone(s)

1

Foyer do apartamento do arquiteto Le

Corbusier, em Paris | The foyer in Le

Corbusier’s own apartment, Paris

2

como objetivo se beneficiar de ambas as matérias, com a possibilidade de

circular entre elas sem perder a conexão ou o foco na luz natural como

algo que revela e forma o espaço para a gente.

L+D: Quais métodos da tecnologica de iluminação podem ser

3

combinados com o seu?

MM: Além da tradição de pesquisa de iluminação que existe em nossa

universidade, a ferramenta “Light-Zones” pode ser combinada com a teoria

de Christopher Cuttles chamada Cubic Illumination, ou Iluminação Cúbica.

Em sua pesquisa, Cuttle fala sobre “Light Fields” ou “Campos de Luz”, acredito

que suas idéias se aproximam bastante da ferramenta “Light-Zones”.

Acredito também que arquitetos e lighting designers acham que o

conceito e a ferramenta Light-Zones são bastante lógicos, pois o trabalho

que fazemos é bem parecido, pegando um pouco daqui, um pouco

way alike; a bit from here, and a bit from there and... Like ‘grasp’ the light

dali... É como se modelássemos a luz na nossa mente. Le Corbusier, por

in our minds. Le Corbusier worked with light-zones in some of his sketches

exemplo, também trabalhou com o conceito de ”zonas de luz”, assim

as well as so do many other architects and lighting designers.

também como muitos outros arquitetos e lighting designers.

James Turrell once said: “A lot of the learning to work with light, since it

O artista James Turrel uma vez disse: “Há muito que se aprender no

doesn’t form by working with the hands as clay does, is this working with

trabalho com luz, uma vez que ela não se forma com as mãos, como a

light through thoughts”. That’s so true and we do work a lot like crafts-

argila se forma, mas sim com pensamentos.”

men, we just have to use our minds instead of our hands...

L+D

68

Sobre Merete Madsen

Merete Madsen é Professora Assistente na Academia Real de Belas

About Merete Madsen

Merete Madsen is Assistant Professor at the Royal Academy of Fine Arts, School

L+D

69

Artes, Escola de Arquitetura de Copenhagen, Dinamarca. Merete estudou

of Architecture in Copenhagen, Denmark. She is educated as an architect from

Arquitetura na mesma escola e trabalhou como Arquiteta na Dinamarca

the same school and has worked in Denmark and Japan as such. She holds a PhD

e Japão. É Doutora pela Escola de Arquitetura de Copenhagen e ensina

from the school of Architecture in Copenhagen and has taught within the field of

iluminação em arquitetura na Dinamarca, Suécia e Nova Zelândia. Merete

mora com suas duas filhas que, como a maioria das mães, acredita

ser “a luz da sua vida”.

A versão para a língua inglesa do trabalho Light-Zone(s) pode ser

baixada no www.thedaylightsite.com.

architectural lighting since 1997 in various educations in Denmark, Sweden and

New Zealand. Merete lives in Copenhagen together with her of two daughters,

who she, like most mothers, consider s to be “the light of her life”

The Light-Zones paper can be downloaded from

www.thedaylightsite.com.

Fondation Le Corbusier


portfólio

Bartenbach

Texto | Text: Martina Weiss

Fotos | Photos: Bartenbach Lichtlabor Colection

observou que os níveis de intensidade de iluminação (lux) não eram a

Andrés Otero

escala apropriada de avaliação e nem a única. Ele começou a se dar conta

de que a aparência visual é produto de nossos processos mentais e, cada

Aula de Christian Bartenbach na

vez mais, passou a acrescentar maior peso à psicologia da percepção ao

Lichtakademie | Christian Bartenbach’s

desenvolver um produto. “Humanos são animais visuais”, lembra ele.

Professor Christian Bartenbach – pioneer and one of the “first men” in

lecture at the Lichtakademie

“Sabemos que 90 por cento de nossa percepção é visual. Por essa razão, a

the field of lighting design – can now reflect on nearly 50 years of extensive

luz é um fator crucial em nossa vida diária, uma vez que muitos processos

work with the medium light, and, despite of his age of 77, he still continues

dentro de nós são inconscientemente controlados por ela”.

very actively and fascinated by light his professional career.

Para dar prosseguimento às suas idéias, cinco anos depois, em

L+D visited the Austrian lighting engineer at his office in Aldrans, a small

1965, ele criou a primeira consultoria em iluminação, a “Lichtdesign

village near Innsbruck, to speak about his perception of light and lighting

And literally, the new name “Light Laboratory” reflects exactly the dynamic,

Christian Bartenbach” em Munique, até que finalmente retornou para

design throughout the last five decades.

experimental spirit we discovered inside his office – marked by innumerous

O professor Christian Bartenbach – pioneiro e um dos

mais importantes nomes no lighting design – pode agora refletir sobre

E, literalmente, o novo nome (Laboratório de Luz) reflete exatamente

o espírito dinâmico, experimental que encontramos em seu escritório

1960, when he and his brother began to develop artificial lighting systems,

as for instance the well-known Dark-Light System, in their company

situations. Bartenbach has always regarded lighting design as an interdisciplinary

subject – a correlation between science, technology, psychology and

a Áustria dando à empresa o nome “Bartenbach Lichtlabor” em 1989.

Trained as an electrical engineer, Bartenbach’s career started back in

installations, models and full-scale mockup rooms for testing different lighting

L+D

70

os quase 50 anos de trabalho extenso com luz, e, apesar de seus 77

anos, continua muito ativo e ainda fascinado pela luz em sua carreira

profissional. L+D visitou o engenheiro de iluminação em seu escritório

– marcado por inúmeras instalações, modelos e maquetes de salas

em escala completa para testar as diferentes situações de iluminação.

Bartenbach sempre considerou os projetos de iluminação como assunto

“Leuchtenfabrik Bartenbach Lichtsysteme GmbH” in Innsbruck. At that time

– Bartenbach remembers –he soon had noticed that lux-levels were not the

appropriate and only scale of assessment. He began to realize that visual

design – and does develop projects based on those disciplines.

Besides the office, Christian Bartenbach is also founder and soul of “Bartenbach

Lichtakademie”, where lighting design has been taught as a co-

L+D

71

em Aldrans (Áustria), uma pequena aldeia próxima a Innsbruck, para

interdisciplinar – uma correlação entre ciência, tecnologia, psicologia e

appearance is a product of our mental processes and increasingly attached

operation project with the Leopold-Franzens-University in Innsbruck. One of

conversar sobre sua percepção de luz e os projetos de iluminação

desenho – e desenvolve seus projetos com base nessas disciplinas.

more importance to the perceptual psychology while developing a product.

his reasons to establish the Academy in 2003, he explains, was to raise the

desenvolvidos durante as últimas cinco décadas.

Além do escritório, Christian Bartenbach é também fundador da

“Humans are visual animals.” he recalls. “We know that 90 percent of our

consciousness about artificial and daylighting, especially in the architects’

Formado em engenharia elétrica, Bartenbach iniciou sua carreira em

“Bartenbach Lichtakademie”, onde a disciplina lighting design tem

perception is visual. Hence light is a crucial factor in our daily life, since

thinking. Further, Bartenbach points out: “The profession lighting designer

1960, quando ele e seu irmão começaram a desenvolver sistemas de

sido ensinada como um projeto de cooperação com a Leopold-Fran-

many processes inside of us are unconsciously controlled by light.”

is still an unknown and unprotected profession and hence I started to do

iluminação artificial, como, por exemplo, o conhecido Dark-Light Sys-

zens-University, em Innsbruck. Uma de suas razões para estabelecer

To follow up his ideas, he established five years later, in 1965, the first light-

something against it by creating an institution for training qualified light-

tem, em sua empresa “Leuchtenfabrik Bartenbach Lichtsysteme GmbH”

a Academia em 2003, explica ele, foi elevar a consciência sobre ilu-

ing consultancy “Lichtdesign Christian Bartenbach” in Munich, until he finally

ing designers.” In order to guarantee a strong link to the “real world” of

localizada em Innsbruck. Naquela época – lembra Bartenbach – ele logo

minação artificial e natural, especialmente de acordo com a maneira

returned to Austria calling the company “Bartenbach Lichtlabor” in 1989.

lighting practice, he looks for a close spatial and work relationship between


de pensar dos arquitetos. E mais, aponta Bartenbach: “a profissão de

lighting designer ainda é desconhecida e não regulamentada e, por

isso, comecei a fazer algo contra isso criando uma instituição para o

treinamento de profissionais qualificados”. Para garantir um vínculo

sólido com o “mundo real” da prática de iluminação, ele busca criar

uma relação espacial e de trabalho entre a Academy e o Light Laboratory,

uma vez que, no escritório, os alunos são “vizinhos” próximos

do know-how e equipamento dos especialistas.

Para desenvolver as idéias e projetos de Bartenbach, muitos dispositivos

e equipamentos foram estabelecidos ao longo dos anos. O mais essencial

para o trabalho dele são os modelos tridimensionais. Para Bartenbach, a

construção de modelos sempre foi parte importante do processo do projeto

de iluminação. A maioria dos projetos começa com a construção de

um modelo em escala para analisar as proporções arquitetônicas, como

explica Bartenbach, e, em seguida, acrescentar a iluminação artificial

para visualizar as idéias. Os efeitos desejados dos sistemas de iluminação

natural são avaliados e analisados por meio de simulações sob o Céu Artificial

do Bartenbach Lichtlabor. “Nós preferimos a abordagem que utiliza

modelos em escala do que a simulação digital”, diz Bartenbach. “Numa

the Academy and Light Laboratory, since students are direct neighbours of

the specialists’ know-how and equipments in the office.

For developing Bartenbach’s ideas and projects, many devices and equipments

have been established over the years. The most essential one for his

work are the physical 3-dimensional models. For Bartenbach, model building

has always been an important part in the process of lighting design. Most of

the projects start with the construction of a scale model in order to analyze

the architectural proportions, as Bartenbach explains, and then further to

add the artificial lighting in order to visualize the ideas. The intended effect

of daylighting systems are evaluated and analyzed by simulations under the

Artificial Sky at Bartenbach Lichtlabor. “We still prefer the approach using

scale models in comparison to digital simulation.” Bartenbach says. “The

proportion of interior/exterior, the architectural qualities, light distribution,

illuminance and luminance levels as well as problems of glare can be viewed

and tested, discussed and easily changed with a mock-up. It makes it more

vivid for clients and architects.” Sometimes, Bartenbach adds, even a fullscale

mock-up is needed to discuss a lighting approach further.

Bartenbach’s work during the last decades led to many patents and

inventions in terms of artificial lighting, but his actual pioneering work is

Um dos sistemas desenvolvidos por Bartenbach são as

placas prismáticas reflexivas. Por meio da aplicação de

uma fina camada de alumínio em um dos lados do prisma,

a luz direta do sol é bloqueada, mantendo no entanto a

transparência | One of the systems developed by Bartenbach

are reflective prismatic plates.The system blocks out

the direct sunlight by applying a thin aluminium coating

on one of the prism flanks, but still remains transparent

L+D

72

the development of many innovative daylighting systems using his favourite

materials– metal and prism.

”Daylight is essential for human being, not only because we get it for

free but rather due to the fact that daylight affects and controls our entire

bodily rhythm”, he explains.

All started with the analysis of the classical window opening. Bartenbach

firstly has done a lot of research relating to the position and shape of windows.

Unlike the common method, Bartenbach started to divide the window into

two different functional parts; while the lower part provides the visual link

L+D

73


A luz do dia entra no novo Aeroporto Changi por

meio de uma série de clarabóias que receberam

uma inovação criada por Bartenbach: as “borboletas”

| Daylight enters the new Changi Airport

through a series of skylights which received a

new invention by Bartenbach: the “butterflys”

maquete, a proporção entre interior/exterior, as qualidades arquitetônicas,

a distribuição de luz, os níveis de iluminância e luminância, assim

como os problemas de ofuscamento podem ser visualizados e testados,

discutidos e facilmente alterados. Com a maquete, tudo se torna mais

real para clientes e arquitetos”. Às vezes, acrescenta Bartenbach, mesmo

para ampliar um pouco mais a abordagem de iluminação é preciso dispor

de uma maquete em escala completa.

O trabalho de Bartenbach durante as décadas passadas resultou

em diversas patentes e invenções em termos de iluminação artificial,

mas seu verdadeiro trabalho pioneiro foi o desenvolvimento de diversos

sistemas inovadores de iluminação natural usando seus materiais

favoritos – metal e prisma.

“A luz do dia é essencial para o ser humano, não só por que a obtemos

sem custo algum, mas também por que a luz natural afeta e

controla o ritmo completo de nosso organismo”, explica ele.

Tudo começou com a análise da abertura de uma janela convencional.

Bartenbach primeiramente pesquisou bastante a respeito da posição e

forma das janelas. Ao contrário do método comum, Bartenbach começou

a dividir a janela em duas partes funcionais diferentes: enquanto

a parte inferior proporciona o vínculo visual com o exterior, a parte

superior é utilizada como uma abertura para a luz do dia. O método

para isso é reduzir a incidência da luz natural próxima à abertura e

redirecioná-la por meio de um sistema refletor, por exemplo, uma

“prateleira de luz” combinada com elementos metálicos refletores de

teto colocados ao fundo do espaço interno.

Pensando na próxima década, Bartenbach prevê um papel cada

vez mais importante da luz natural na arquitetura, devido também a

questões de natureza energética. Ele aponta que principalmente hoje,

com o uso cada vez mais extensivo de vidro na arquitetura contemporânea,

o enfoque sobre os sistemas de proteção solar e sua transmissão

de energia (ou fator solar FS) é essencial. Um dos sistemas de

sombreamento desenvolvidos por Bartenbach são as placas prismáticas

reflexivas. Por meio da aplicação de uma fina camada de alumínio em

um dos lados do prisma, o sistema bloqueia a luz direta do sol, mantendo

no entanto a transparência. Por essa razão, ao contrário dos

dispositivos convencionais de sombreamento, o contato visual com

o mundo externo pode ser mantido. De acordo com Bartenbach, as

pesquisas realizadas durante os últimos anos mostraram que poder

sentir as condições externas como o clima, o dia, as estações do ano

é essencial para o bem-estar humano em um ambiente interno. Usado

principalmente para clarabóias e telhados envidraçados, o prisma

pode ser empregado como um sistema estático – fixo entre chapas

de vidro laminado – ao passo que a versão móvel ajustável é em geral

montada verticalmente sobre as fachadas.

Um outro sistema de iluminação natural que vale a pena mencionar

é o helióstato. Como estudo-piloto, um helióstato foi instalado no

campus da Bartenbach Lichtlabor. O helióstato consiste em um espelho

grande localizado do lado de fora do edifício e que acompanha o

movimento do sol para redirecionar a sua luz, através de uma haste

luminosa dotada de uma camada altamente reflexiva, para dentro de

um espaço de escritório no sub-solo da Bartenbach Lichtlabor – uma

outwards, the upper part is employed as a daylight opening. The method

thereby is to reduce the daylight incidence near the opening and to redirect

daylight via a reflecting system, for instance a “light shelf” in combination

with metal reflecting ceiling elements deep into the interior space.

Looking at the next decade, Bartenbach envisions a more and more

important role of daylight in the architecture, also due to energetic issues.

He points out that principally today, with the increasingly extensive use of

glass in contemporary architecture, the focus onto sun protection systems

and their total energy transmission (or solar factor SF) is essential. One of

the sun shading systems developed by Bartenbach are reflective prismatic

plates. The system blocks out the direct sunlight by applying a thin aluminium

coating on one of the prism flanks, but still remains transparent.

Hence, unlike conventional sun shading devices, the visual contact to the

outside world can be maintained. According to Bartenbach, researches

over last the years showed that sensing the outside conditions like climate,

daytime, season is essential for the human well-being inside. Mainly used

for skylights and glazing roofs, the prism can be employed as a static system

– fixed between panes of laminated glazing – whereas the adjustable

moveable version usually is vertically mounted onto facades.

Another daylighting system, worth mentioning, is the heliostat. As a pilot

study, one heliostat was installed at the campus of Bartenbach Lichtlabor;

it consists of a large mirror outside the building which tracks the movement

of the sun in order to redirect the sunlight through a lightpipe with highly

reflective coating into an office space at the basement of Bartenbach Lichtlabor

– an interior room which under normal circumstances would not have

any daylight. “Using the heliostat”, Bartenbach tells us, “was also exactly

the idea of bringing light to Rattenberg – a small village surrounded by the

Austrian Alps – which since the foundation of the village around 600 years

ago lives without any sunlight during winter months – the months where

the sun stays behind the mountains.” Bartenbach’s solution was to mount

a 25m² large heliostat about 800 meters away where the sunlight is present

the whole year. Following preprogrammed sequences by custom software,

the mirror tracks and redirects the sun to Rattenberg. However, if and when

the system really will be installed, so Bartenbach, is still unsure.

Far away from Austria, daylight enters the new Changi Airport, Terminal

3, in Singapore through a series of skylights which received a new invention

by Bartenbach; Perforated adjustable panels, so-called “butterflys”,

have been mounted above the skylights onto the roof of the building.

Those panels react to the changing daylight conditions outside, control

the daylight levels and prevent the sunlight from entering the terminal by

readjusting their angle and position accordingly.

L+D

74

L+D

75

Civil Aviation Authority of Singapore

O Céu Artificial do Bartenbach

Lichtlabor e um modelo tridimensional

| The Artificial Sky

at Bartenbach Lichtlabor and a

physical 3-dimensional model


Sala do Lichtlabor | Interior

room of Lichtlabor

L+D

76

sala interna que, em circunstâncias normais, não receberia a luz do

dia. “O uso do helióstato”, conta Bartenbach, “foi também sugerido

para levar luz para Rattenberg – uma pequena comunidade rodeada

pelos Alpes Austríacos – que, desde sua fundação há aproximadamente

600 anos, vive sem a luz do sol durante os meses do inverno – os

meses em que o sol fica por detrás das montanhas”. A solução de

Bartenbach foi montar um helióstato de 25m² a cerca de 800 metros

de distância, em um ponto onde a luz do sol está presente o ano todo.

Seguindo seqüências pré-programadas de um software desenvolvido

sob medida, o espelho acompanha e redireciona a luz solar para Rattenberg.

Porém, se e quando, o sistema vai ser realmente instalado,

disso Bartenbach ainda não tem certeza.

Longe da Áustria, a luz do dia entra no novo Aeroporto Changi, Terminal

3, em Singapura, por meio de uma série de clarabóias que receberam uma

inovação criada por Bartenbach: painéis perfurados ajustáveis, chamados

de “borboletas”, foram montados acima das clarabóias no telhado do

edifício. Esses painéis reagem às mudanças da luz do dia, controlando os

níveis de luz e impedindo que a luz do sol entre diretamente no terminal,

por meio do reajuste adequado de seus ângulos e posição.

Ainda assim, a despeito de todos os sistemas de iluminação natural,

Bartenbach recomenda aos arquitetos que em primeiro lugar ajustem

a tipologia do edifício para obter a qualidade de luz correta e desejada.

“Uma boa arquitetura exige muito menos tecnologia para melhorar a

distribuição da luz natural no interior do edifício. Refletindo sobre as

últimas décadas, observei que o tópico luz está se tornando cada vez

mais importante. Principalmente depois do domínio da iluminação

artificial durante a década de 1960, passou-se a ter uma nova compreensão

da luz. Atualmente, o desejo pela iluminação natural é muito

mais importante tanto para arquitetos como para usuários“.

Sua filosofia de combinar técnica e psicologia da percepção é, além disso,

baseada em resultados científicos obtidos por estudos internos. Com o

chamado “Center of Competence LIGHT”, Bartenbach realizou seu sonho

de criar uma instituição focada em projetos de pesquisa sobre psicologia

da percepção e o tópico de luz e saúde, como por exemplo SAD (sigla em

inglês para “distúrbio afetivo sazonal”). Segundo Bartenbach, esta é a parte

da empresa em que ele está mais envolvido atualmente. O departamento

de pesquisa, criado em 2002, é responsável por muitos estudos encomendados

por instituições públicas ou pela indústria. Nas salas de testes, sessões

experimentais controladas são conduzidas para avaliar como a luz, a

composição de seu espectro ou a temperatura de cor afetam o bem-estar

e o desempenho humanos sob diferentes condições de iluminação.

“Essa correlação entre quantidade e qualidade de luz me fascina; ver

como o comportamento visual muda quando se altera a distribuição da

luminância, por exemplo, em uma parede,” enfatiza ele. “Nossos estudos

e pesquisas abriram tantos novos caminhos a serem seguidos que eu

adoraria ter uma segunda vida para poder desvendá-los, todos!“

Still, despite of all daylighting systems, Bartenbach recommends the architects

to adjust the building typology in the first place in order to achieve

the correct and desired quality of light. “A good architecture requires much

less technology to improve the daylight distribution inside the building. Reflecting

the last decades, I noticed that the topic light increasingly becomes

more important. Principally, after the 1960s were dominated by artificial

lighting, the understanding of light altered. Now the desire for daylighting

is much more important for both, architects and users. “

His philosophy of combining technique and perceptual psychology is

furthermore based on scientific results by in-house research studies. With

the so-called “Center of Competence LIGHT”, Bartenbach fulfilled himself

a dream to create an institution purely focused on research projects

concerning the perceptual psychology and the topic light and health, as

for instance SAD (seasonal affective disorder). Accordingly to Bartenbach,

this is the part of the company he mostly is engaged with these days. The

research department, established in 2002, is in charge of many research

studies commissioned by public institutions or the industry. In testrooms,

controlled experimental sessions are carried out to measure how the light,

its spectral composition or colour temperature affects the human well-being

and performance under different light conditions.

“This correlation between quantity and quality of light fascinates me; to

see how the visual behaviour changes by altering the luminance distribution

for instance on a wall.” he emphasizes. “Our research studies open

so many new ways to follow up that I would love to have a second life in

order to discover all of them!“

O estudo-piloto do helióstato

instalado no Bartenbach

Lichtlabor e seu esquema |

Pilot study of the heliostat

installed at Bartenbach

Lichtlabor and its project

L+D

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Rua Capitão Prudente, 43

05422-050 São Paulo (SP)

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www.asbai.com.br

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www.iald.org

Laura Larrubia Luz e Arquitetura

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São Paulo (SP)

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