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Incêndios Florestais - Porque ardem as florestas?

Artigo de Opinião de Emanuel de Oliveira sobre os incêndios florestais. Eficiência e a eficácia não se mede com o aumento do número de recursos e meios Os incêndios florestais são algo que nos aflige todos os verões e tudo aponta para que, no futuro, surgem, ainda, em maior número e com consequências ainda mais nefastas. Emanuel Oliveira, Técnico Especializado em Defesa da Floresta Contra Incêndios e estudioso na área, é colaborador da VALE MAIS e alerta-nos para várias situações que corroboram este cenário.

Artigo de Opinião de Emanuel de Oliveira sobre os incêndios florestais. Eficiência e a eficácia não se mede com o aumento do número de recursos e meios
Os incêndios florestais são algo que nos aflige todos os verões e tudo aponta para que, no futuro, surgem, ainda, em maior número e com consequências ainda mais nefastas. Emanuel Oliveira, Técnico Especializado em Defesa da Floresta Contra Incêndios e estudioso na área, é colaborador da VALE MAIS e alerta-nos para várias situações que corroboram este cenário.

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eportagem<br />

Emanuel Oliveira & Valemais<br />

Emanuel Oliveira ©<br />

INCÊNDIOS FLORESTAIS<br />

Eficiência e a eficácia não se mede com o aumento do número de recursos e meios<br />

Os incêndios florestais são algo que nos aflige todos os verões e tudo aponta para que, no futuro, surgem,<br />

ainda, em maior número e com consequênci<strong>as</strong> ainda mais nef<strong>as</strong>t<strong>as</strong>. Emanuel Oliveira, Técnico Especializado<br />

em Defesa da Floresta Contra <strong>Incêndios</strong> e estudioso na área, é colaborador da VALE MAIS e alerta-nos para<br />

vári<strong>as</strong> situações que corroboram este cenário.<br />

A maior gritante é a pouca ênf<strong>as</strong>e dada na implementação, concertada, de medid<strong>as</strong> de prevenção e o<br />

foco mediático que é dado ao combate. Desde logo, põe o “dedo na ferida”, ao apontar <strong>as</strong> mudanç<strong>as</strong><br />

registad<strong>as</strong>, desde há um<strong>as</strong> três décad<strong>as</strong> a esta parte, n<strong>as</strong> polític<strong>as</strong> florestais. Aponta, por exemplo, o c<strong>as</strong>o<br />

dos desaparecimento d<strong>as</strong> brigad<strong>as</strong> florestais que, durante o inverno, se dedicavam aos trabalhos de gestão<br />

e prevenção florestal e no verão procediam ao combate. A desertificação d<strong>as</strong> zon<strong>as</strong> rurais, com o abandono<br />

da atividade agrícola e dos usos tradicionais do espaço florestal, a par d<strong>as</strong> alterações climátic<strong>as</strong>, também têm<br />

dado o seu contributo.<br />

No Alto Minho tem sido, particularmente, alvo dos fogos, com áre<strong>as</strong> superiores às médi<strong>as</strong> do país, não<br />

obstante o reforço de verb<strong>as</strong> canalizad<strong>as</strong> para o combate aos mesmos. Também, aí, Emanuel ???? destaca a<br />

necessidade de aplicação de conhecimentos técnicos para que os meios colocados à disposição se revelem<br />

eficazes. Entre outr<strong>as</strong> situações, dá o c<strong>as</strong>o dos meios aéreos que “despejam” água sem o devido planeamento<br />

com <strong>as</strong> equip<strong>as</strong> terrestres.<br />

Um trabalho a ler com atenção para que não caia em “saco roto”!<br />

4 Vale mais únicos na região OUTUBRO ‘15


Com estes dados a questão que se levanta<br />

é: “<strong>Porque</strong> arde tanto a nossa floresta?”<br />

Segundo dados provisórios do Instituto da<br />

Conservação da Natureza e d<strong>as</strong> Florest<strong>as</strong>, entre<br />

1 de janeiro e 15 de setembro, foram registados<br />

14.838 incêndios em Portugal, tendo ardido,<br />

aproximadamente, 58 116 mil hectares de<br />

espaço florestal.<br />

A título meramente comparativo, Espanha, que apresenta<br />

cerca de cinco vezes a área do nosso território, registou entre 1 de<br />

janeiro e 30 de agosto, 8.583 incêndios e pouco mais de 65 000<br />

hectares. Se compararmos para o mesmo período, a meteorologia,<br />

a área florestal (cerca de 40% da superfície total do país) e a aridez<br />

do território espanhol em comparação com o clima atlântico de<br />

Portugal, concluímos que o nosso país é responsável por cerca de<br />

45% de área queimada da Península Ibérica e por cerca de 63%<br />

do número de incêndios do território peninsular. Dados estes<br />

que demonstram que o paradigma dos incêndios florestais está<br />

longe de estar resolvido e que <strong>as</strong> polític<strong>as</strong> nacionais não vão ao<br />

encontro da redução da área ardida nem do número de incêndios,<br />

nem da redução dos danos e prejuízos ambientais e económicos<br />

provocados por estes. Apostar meramente no combate não tem<br />

sido solução para reduzir os efeitos cat<strong>as</strong>tróficos dos incêndios<br />

florestais, o que implica uma mudança radical n<strong>as</strong> polític<strong>as</strong> de<br />

gestão florestal, na prevenção e no combate.<br />

Se olharmos ao território do Alto Minho, registaram-se<br />

cerca de 1 124 incêndios, 8% d<strong>as</strong> ocorrênci<strong>as</strong> do total nacional,<br />

tendo ardido cerca de 9 271 hectares, o que em termos<br />

globais representa 16% da área total ardida de Portugal.<br />

Dados preocupantes para o distrito mais pequeno de Portugal<br />

continental. Se acrescentarmos a estes dados o número de<br />

Grandes <strong>Incêndios</strong> <strong>Florestais</strong> (GIF), o Alto Minho representa 14%<br />

do número de GIF’s ocorridos no país (sendo o território com mais<br />

GIF’s de Portugal), os quais foram responsáveis por 72% da área<br />

queimada no território (6 655 hectares) e representa 19% do total<br />

da superfície queimada por GIF’s no território nacional, o que<br />

demonstra a gravidade da situação florestal com que a região se<br />

depara.<br />

Relativamente ao período de 2001 a 2014, o Alto Minho<br />

registou até 15 de setembro de 2015, valores de área ardida acima<br />

da média (mais de 1 000 hectares aproximadamente) e tendo<br />

reduzido ligeiramente o número de incêndios em espaço florestal<br />

(menos 320 incêndios aproximadamente).<br />

Apesar de muit<strong>as</strong> respost<strong>as</strong> mediátic<strong>as</strong>, por vezes dit<strong>as</strong> de<br />

forma avulsa e sem qualquer fundamento, na verdade os incêndios<br />

estão relacionados com diversos fatores. Os incêndios sempre<br />

existiram, no entanto a situação tem-se agravado n<strong>as</strong> últim<strong>as</strong><br />

décad<strong>as</strong>. Por um lado, <strong>as</strong> alterações climátic<strong>as</strong> e por outro <strong>as</strong><br />

profund<strong>as</strong> alterações socioeconómic<strong>as</strong>: despovoamento d<strong>as</strong> zon<strong>as</strong><br />

rurais e consequente abandono da atividade agrícola, florestal<br />

e p<strong>as</strong>toril, a concentração da população em áre<strong>as</strong> urban<strong>as</strong> e por<br />

vezes, ausente de um planeamento e ordenamento do território<br />

face aos riscos. Est<strong>as</strong> últim<strong>as</strong> alterações no uso e ocupação do<br />

solo conduziram à mudança d<strong>as</strong> prioridades da política florestal<br />

atingindo diversos <strong>as</strong>petos como a gestão da floresta, a prevenção,<br />

a fiscalização e o combate.<br />

Tal mudança é tão notória que hoje os meios de informação<br />

destacam apen<strong>as</strong> a floresta quando ela arde! Como já percebemos<br />

ao longo destes anos, o mediatismo recai sobre o combate e não<br />

sobre a prevenção.<br />

Tod<strong>as</strong> est<strong>as</strong> mudanç<strong>as</strong> têm levado a um grave aumento da<br />

carga de combustível florestal derivado da ausência de usos, m<strong>as</strong><br />

também <strong>as</strong> alterações climátic<strong>as</strong> com o aumento da temperatura,<br />

a irregularidade d<strong>as</strong> precipitações, <strong>as</strong> ond<strong>as</strong> de calor e a seca, são<br />

ingredientes para o detonar de incêndios cada vez maiores e mais<br />

complexos. Este quadro que tem vindo a agravar-se n<strong>as</strong> últim<strong>as</strong><br />

du<strong>as</strong> décad<strong>as</strong>, vai acentuar-se, o que implica medid<strong>as</strong> e ações<br />

atempad<strong>as</strong> como forma de reduzir os seus efeitos dev<strong>as</strong>tadores.<br />

A Gestão Florestal e a Prevenção<br />

Desde que foram criados os Serviços <strong>Florestais</strong>, há mais de um<br />

século, estes desempenharam em Portugal, m<strong>as</strong> concretamente<br />

no Alto Minho, um papel fundamental na gestão de um valioso<br />

património. Durante cerca 40 anos, desde 1940 até meados da<br />

década de 80, recuperaram áre<strong>as</strong> degradad<strong>as</strong>, espaços ermos com<br />

potencial produtivo que semearam e plantaram para dar origem<br />

à floresta que hoje nos resta desses anos dourados da atividade<br />

silvícola, destacando o território do Parque Nacional da Peneda-<br />

Gerês, a Paisagem Protegida do Corno do Bico, <strong>as</strong> Mat<strong>as</strong> Nacionais<br />

do Camarido e da Gelfa, entre os milhares de hectares arborizados<br />

distribuídos pelos baldios do território.<br />

Durante esse período, r<strong>as</strong>garam-se centen<strong>as</strong> de quilómetros<br />

de caminhos e estradões florestais, abriram-se pontos de água,<br />

ergueram-se postos de vigia, instalaram-se guard<strong>as</strong> florestais ,<br />

criaram-se <strong>as</strong> brigad<strong>as</strong> florestais que durante o inverno dedicavamse<br />

aos trabalhos de gestão e prevenção florestal e no verão<br />

procediam ao combate.<br />

OUTUBRO ‘15<br />

únicos na região Vale mais 5


No entanto, nos últimos 30 anos face à já referida mudança<br />

d<strong>as</strong> prioridades da política florestal, conduziram ao esvaziamento<br />

dos Serviços <strong>Florestais</strong>, quer em competênci<strong>as</strong> (hoje distribuíd<strong>as</strong><br />

por vários organismos públicos e privados) quer em recursos<br />

humanos. Ora “não se fazem omeletes, sem ovos”! Durante estes<br />

últimos anos, vimos desaparecer <strong>as</strong> brigad<strong>as</strong> florestais, os guard<strong>as</strong><br />

florestais, a redução de meios e o “sacudir” de competênci<strong>as</strong> para<br />

outr<strong>as</strong> entidades.<br />

Não é hoje aceitável que algum<strong>as</strong> vozes mediátic<strong>as</strong> da área<br />

do combate venham a atirar a totalidade da responsabilidade<br />

dos incêndios para os Serviços <strong>Florestais</strong> do Estado quando<br />

estes deixaram de ter competênci<strong>as</strong> e meios e, principalmente,<br />

quando grande parte do Orçamento do Estado em matéria da<br />

floresta financia o famoso dispositivo de combate aos incêndios<br />

florestais (só este ano foram cerca de 85 milhões de euros, o qual<br />

tem vindo a aumentar ano após ano, porém os incêndios não<br />

reduzem) e uma ínfima parte do orçamento vai supostamente para<br />

a prevenção.<br />

Convém salientar que algum trabalho que vai existindo<br />

em matéria de prevenção se deve a ações desenvolvid<strong>as</strong> pelos<br />

municípios, junt<strong>as</strong> de freguesia, conselhos diretivos de baldios e<br />

organizações de produtores florestais. Contudo, est<strong>as</strong> ações são<br />

de carácter isolado e muito pontuais, dependentes de decisões<br />

do Estado Central e de fundos de financiamento (muit<strong>as</strong> vezes<br />

arr<strong>as</strong>tando-se ao longo de anos a resposta aos inúmeros pedidos),<br />

o que se traduz na baixa eficiência e eficácia d<strong>as</strong> medid<strong>as</strong><br />

preventiv<strong>as</strong>, quer pela demora na execução quer pela carente<br />

integração numa política de perspetiva regional.<br />

Fiscalização e Investigação<br />

Há mais de 30 anos, no Alto Minho havia um guarda-florestal<br />

praticamente em cada freguesia, a ele competia o contacto<br />

com a população, a fiscalização e a investigação d<strong>as</strong> caus<strong>as</strong> dos<br />

incêndios. Desde finais da década de 90, o Corpo Nacional da<br />

Guarda Florestal foi extinto e os seus poucos elementos integrados<br />

na Guarda Nacional Republicana. Com isto perdeu-se o importante<br />

contacto com <strong>as</strong> populações e uma significante parte da essencial<br />

ação de fiscalização e vigilância.<br />

Hoje a fiscalização é realizada pela GNR e a investigação é<br />

da competência da Polícia Judiciária em articulação com a GNR,<br />

porém os recursos e meios são reduzidos para um território que<br />

regista um número excessivo de incêndios de origem humana (por<br />

negligência ou intencional) e face à sua simultaneidade.<br />

Combate nos Grandes <strong>Incêndios</strong><br />

<strong>Florestais</strong><br />

Quando falamos de combate devemos de incluir tod<strong>as</strong><br />

<strong>as</strong> unidades presentes no território (bombeiros voluntários,<br />

bombeiros municipais, GIPS-GNR, sapadores florestais, equip<strong>as</strong><br />

da AFOCELCA, unidades locais, meios aéreos, etc), no entanto a<br />

responsabilidade do combate recai sobre a ANPC, cuja ação está<br />

contratualizada durante o período de verão com <strong>as</strong> corporações de<br />

bombeiros voluntários.<br />

Na chamada primeira intervenção, ou seja a primeira ação<br />

para extinção de um foco n<strong>as</strong>cente, todos já pudemos constatar<br />

da eficácia atingida, m<strong>as</strong> o principal<br />

problema reside nos incêndios que<br />

implicam técnic<strong>as</strong> e por vezes recurso<br />

a tecnologi<strong>as</strong> para apoio à tomada<br />

de decisão mais eficaz e eficiente<br />

– os Grandes <strong>Incêndios</strong> <strong>Florestais</strong><br />

(GIF’s). Uma coisa é enfrentar uma<br />

manifestação, outra coisa é enfrentar<br />

uma batalha, uma guerra. Aqui o<br />

combate requer estratégia, tátic<strong>as</strong> e<br />

<strong>as</strong> manobr<strong>as</strong> mais eficientes, b<strong>as</strong>ead<strong>as</strong><br />

em conhecimento técnico, para que<br />

num curto espaço de tempo e com<br />

os menores recursos se produzam<br />

o menor número de danos possível<br />

e com a menor gravidade, com o<br />

objetivo acrescido de primar pela<br />

segurança dos combatentes.<br />

Neste contexto, convém salientar a<br />

banalização do uso dos meios aéreos<br />

nos grandes incêndios em detrimento<br />

6 Vale mais únicos na região OUTUBRO ‘15


eportagem<br />

da sua eficiência. Prova disto é a utilização dos dispendiosos meios<br />

aéreos no combate, sem o apoio de equip<strong>as</strong> experimentad<strong>as</strong> e<br />

devidamente formad<strong>as</strong> no uso de ferrament<strong>as</strong> manuais para a<br />

sufocação d<strong>as</strong> cham<strong>as</strong>. Pouco adianta “despejar” água sem o apoio<br />

de equip<strong>as</strong> terrestres. No c<strong>as</strong>o português, é uma prática comum<br />

quando comparado com Espanha, Itália, Argentina, Chile ou os<br />

EUA.<br />

Os Grandes <strong>Incêndios</strong> <strong>Florestais</strong> são na sua larga maioria<br />

“repetentes” que ciclicamente o fogo desenha, queimando e<br />

vestindo de negro a paisagem do Alto Minho. Face a esta situação,<br />

importa conhecer, descrever, cl<strong>as</strong>sificar e catalogar estes incêndios.<br />

Se sabemos que eles são recorrentes, então são previsíveis de<br />

ocorrer ao longo do tempo e no espaço, sendo mais fácil identificar<br />

os pontos críticos onde a propagação do fogo se torna mais<br />

complexa, a fim de intervir antecipadamente mediante ações<br />

prévi<strong>as</strong> de prevenção ou no momento do combate colocar meios e<br />

aplicar tátic<strong>as</strong> que evitem que o fogo alcance esses pontos.<br />

A eficiência e a eficácia não se mede com o aumento do<br />

número de recursos e meios, pois essa fórmula tem sido testada e<br />

demonstrou que o colocar um elevado número de combatentes<br />

não é sinónimo de sucesso na redução da área ardida, pois o<br />

incêndio irá terminar onde sempre historicamente terminou.<br />

O sucesso do combate reside sobretudo na aplicação de<br />

conhecimentos técnicos, para que o trabalho dos combatentes<br />

seja efetivo.<br />

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OUTUBRO ‘15<br />

únicos na região Vale mais 7


eportagem<br />

Algum<strong>as</strong> conclusões<br />

O Alto Minho deverá preparar-se num futuro, a curto e médio prazo, para fazer frente ao aumento do número e da<br />

severidade dos grandes incêndios florestais que não conhecem limites administrativos e consomem v<strong>as</strong>t<strong>as</strong> áre<strong>as</strong> do<br />

território.<br />

A fiscalização deverá incidir sobretudo n<strong>as</strong> zon<strong>as</strong> de interface urbano-florestal, ou seja no espaço onde os aglomerados<br />

confinam com o espaço florestal, garantindo <strong>as</strong>sim a aplicação de medid<strong>as</strong> de autoproteção contra os incêndios florestais.<br />

O combate deverá contar com recursos técnicos que garantam o apoio à tomada de decisão, permitindo o combate<br />

proactivo e antecipado b<strong>as</strong>eado na predição do comportamento e de propagação do fogo, visando o aumento da eficiência<br />

e eficácia de todos os meios e recursos envolvidos.<br />

Fazer frente a este tipo de incêndios que consomem paisagem, implica a implementação de medid<strong>as</strong> e ações de prevenção<br />

à mesma escala, com b<strong>as</strong>e no conhecimento técnico dos GIF’s precedentes.<br />

A elevada carga de combustível disponível face ao abandono dos usos tradicionais do espaço florestal, requer a<br />

promoção de fogos controlados e de queimad<strong>as</strong> licenciad<strong>as</strong>, tal como é recomendado no último relatório (2014) do Painel<br />

Intergovernamental sobre Mudanç<strong>as</strong> Climátic<strong>as</strong> (IPCC) da Organização d<strong>as</strong> Nações Unid<strong>as</strong>.<br />

A economia do sistema de prevenção e combate aos incêndios florestais exige a mobilização e a articulação de todos os<br />

recursos do território numa mesma direção e estruturada ao nível regional, cuj<strong>as</strong> ações devem ser planificad<strong>as</strong> e aplicad<strong>as</strong><br />

transversalmente no Alto Minho.<br />

C<br />

M<br />

Y<br />

CM<br />

MY<br />

CY<br />

CMY<br />

K<br />

CIPRESTES PODEM SER BARREIRA<br />

PARA INCÊNDIOS<br />

Em 2012, houve uma imagem dos incêndios florestais nos<br />

arredores de Valência, Espanha, que p<strong>as</strong>mou o mundo<br />

e a comunidade de botânicos: no meio de milhares de<br />

hectares de floresta ardida, uma «ilha» de ciprestes<br />

mediterrânicos escapou às cham<strong>as</strong>, apesar de tudo estar<br />

ardido à sua volta.<br />

Após três anos, investigadores apresentaram um estudo<br />

que explica a razão pela qual esta espécie resiste ao fogo:<br />

<strong>as</strong> folh<strong>as</strong> e os ramos dos ciprestes apresentam um teor de<br />

humidade que varia entre os 84 e os 96%.<br />

O novo estudo que demonstra a resistência do ciprestemediterrânico<br />

vai mais longe e sugere o uso desta árvore<br />

como barreira para os incêndios.<br />

8 Vale mais únicos na região OUTUBRO ‘15

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