YUPMAG - MAGAZINE DE TURISMO RURAL - OUTONO 2015

yup.pt

Propostas de Turismo Rural no Centro de Portugal - OLEIROS, O Coração do país é verde

YUPMAG - MAGAZINE DE TURISMO RURAL

Publicação trimestral | Distribuição exclusiva para aderentes a YUP.pt | outubro 2015

yupmag

Magazine de Turismo Rural

#

#

CAMPISMO & CONFORTO

CASAS DE CAMPO

NATURALMENTE HOSPITALEIRAS

#

#

#0

RETIROS DE YOGA

APALACHES - O MAIOR TRILHO

PEDESTRE DO MUNDO

o coração

Uma

viagem

inesperada

a Oleiros

do país

é verde


EXPERIMENTE OS

AROMAS E SABORES

DA BEIRA

Leve a essência da serra consigo

SAÍDA DA COVILHÃ

DIREÇÃO SERRA

R. Montes Hermínios, 4

6200-370 Covilhã

275332611 | 919773456

geral@essenciasdaserra.com


1

Os nossos

valiosos

Colaboradores

Nasceu em Coimbra mas vive em Leiria desde sempre. Começou

a sua atividade profissional como professor de Geografia. Mas as

paixões falam sempre mais alto e, desde 2008 dedica-se à fotografia

profissional, presentemente em exclusividade. É um exímio “pintor

da luz” obcecado pela astrofotografia e pela fotografia noturna.

Miguel Bidarra

Um casal apaixonado... pelo turismo rural. Sempre que a vida profissional

o permite, os seus destinos de eleição passam pelas casas mais

cativantes de turismo em espaço rural. Sempre em território nacional!

Cultivam a tranquilidade e o conhecimento aprofundado de cada

região que visitam como experiência de lazer. Na vida real são médico

e professora em Coimbra.

Miguel Rosa

&

Isabel Pedro

É natural da Guarda e vive, atualmente, em Viseu. Uma formação superior

em Biologia, no ramo educacional, fez dela professora de Ciências

Naturais em Mangualde. Passou a infância e adolescência na vila

de Manteigas onde ganhou o gosto pelo contacto direto com a natureza,

a paixão pelas paisagens da Serra da Estrela, as caminhadas, o

ar puro e livre. Mais tarde, descobriu o geocaching que pratica com o

grupo “4 loureiros”.

Paula Loureiro

Tânia Araújo

Desenvolve atividade profissional como Técnica de Intervenção Social

numa ONG. Repousa da sua profissão com a Fotografia de Natureza,

aliando assim duas paixões de longa data: a fotografia e o conhecimento

do mundo natural e da vida selvagem.

Já publicou imagens em artigos sobre fotografia de vida selvagem,

nomeadamente na revista "Mundo da Fotografia Digital" e no website

"Mundo dos Animais".

É uma empresa jovem, mas com muito capital de experiência e que acredita no interior do país.

está sediada no Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã e tem o NIPC 513547495. É proprietária

da YUPMAG, uma revista dedicada ao turismo em espaço rural. É responsável pelo design,

conceção e impressão e usa o novo acordo. Neste número tem tiragem de 1300 exemplares.


editorial

O

desenvolvimento do turismo tem sido uma aposta dos

últimos anos e Portugal parece ter vindo a acordar

para uma realidade que é, cada vez mais, uma necessidade

da vida moderna. O espaço de fuga ao

quotidiano faz parte de uma urgência que precisamos realizar

para nos sentirmos completos e, de caminho, enriquecidos como

seres humanos. Propomos uma simples reflexão: quantos dias do

ano ficam retidos na sua memória?

Um país tão pequeno dificilmente poderia conter tanta diversidade.

Cultural. Identitária. Arquitetónica. Geográfica. Paisagística.

Natural. Mas é isso que torna Portugal um tesouro a descobrir.

Milhares de recantos inexplorados, segredos à procura de quem

os descubra, experiências que poderão tornar únicos os momentos

de recreação e lazer. E a sensação de ter vivido algo único e

irrepetível.

A Beira Interior materializa todos os desejos de tranquilidade e

repouso, na singularidade das suas regiões e no contacto com a

natureza e as suas gentes afáveis e hospitaleiras.

Arrisque-se a descobrir a dureza agreste de Riba Côa que se

amacia no Douro, a convivência pacífica da raia seca de Espanha,

a grandiosidade da Serra da Estrela, a Cova da Beira agrícola

e, simultaneamente, de um riquíssimo património de arqueologia

industrial, o Alentejo que entra pela Beira acima nos campos

de Idanha e Castelo Branco, as muralhas rochosas do Tejo Internacional

ou a extensa mancha florestal do pinhal interior.

Em todos estes espaços, existe já uma vasta e experiente oferta

turística de altíssima qualidade, com opções para todas as preferências

de turismo em espaço rural. Agroturismo, turismo de habitação,

casas de campo, hotéis rurais, turismo de aldeia estão

prontos a bem receber, com um requinte e profissionalismo que

o(a) vão surpreender.

Mas não venha só pela estadia, planeie a sua escapadinha no

conforto da sua casa. Escolha percursos, locais, programas, atividades.

Crie a sua própria experiência de viagem. Torne-a única,

inesquecível e valiosa. Aceite as nossas sugestões. Venha cá.

Será recebido(a) de braços abertos.


3

descubra a terra onde a natureza

é intacta

4

o mundo todo aqui

13

onde o tempo recupera a

decência

21

descubra a pé os tesouros que

estas montanhas escondem

22

campismo & conforto aqui

não precisa optar

todo este céu

35

Mui nobre villa - Álvaro

são torcato moradal a excelência

do turismo rural

a caça ao tesouro 44

sabores do pinhal

Oleiros convida 49

29

47

39

45

40

neste

número


Descubra a terra

onde a natureza

é intacta

Texto e fotografia de

Tânia Araújo

(Fotografia de Natureza)

Birdwatching

O centro geográfico de Portugal é uma enorme mancha de pinheiros bravos que

se estende por uma área de topografia acidentada. Os concelhos de Oleiros, Sertã,

Proença-a-Nova e Vila de Rei partilham desta mesma identidade territorial conhecida

como Pinhal Interior Sul.

Bem no centro desta região, encontramos uma paisagem imponente que alterna

entre a grandiosidade das cristas de quartzo das Serras do Moradal e Alvelos e os

vales profundos escavados pela insistência milenar dos inúmeros cursos de água, de

onde sobressai o Zêzere.

Não é pois, de estranhar, a riqueza da fauna que povoa toda a região, desde espécies

típicas de zonas florestais até aos riquíssimos habitats ribeirinhos.


Melro d'água

(Cinclus cinclus)

O emblemático melro-

-de-água - a única espécie

de pequeno porte que mergulha

- é uma ave pouco

comum em Portugal e que

escolhe cursos de água rápidos

e limpos para viver,

pelo que a sua presença é

normalmente um indicador

da boa qualidade do habitat

e da sua água.

Constrói o ninho próximo

da linha de água, normalmente

em cavidades e fendas

de rochas e muitas vezes

atrás de cascatas.

5

Lagarto-de-Água (Lacerta schreiberi)

Este belo e colorido lagarto é uma espécie endémica

da Península Ibérica que habita zonas próximas de cursos

de água, sendo a sua presença indicador de uma boa

qualidade da água.


Águia Calçada

(Hieraaetus pennatus)

As aves de rapina no seu esplendor


7

aves migratórias

O observador mais atento facilmente descobre aves de rapina a sobrevoar

toda a região. Mas é a águia calçada que encabeça a lista das mais

desejadas. Esta ave magestosa pode ser avistada ainda em habitats florestais

da Beira Interior. Distingue-se sobretudo pelas patas emplumadas que

dão origem ao seu nome comum. Em Portugal é uma espécie estival que

chega ao nosso país em março e parte em setembro. Por estar a registar

fortes decréscimos populacionais na Europa, está classificada como espécie

em situação preocupante em termos de conservação.


Abelharuco-Comum (Merops apiaster)

Esta ave colorida, que se destaca da restante avifauna portuguesa pelo seu

aspecto bastante exótico, alimenta-se de insetos, principalmente de abelhas,

vespas, térmitas e gafanhotos, capturando-os em voo. É uma ave estival que

chega a Portugal em finais de março e início de abril, permanecendo no nosso

país até ao mês de setembro. Na época de reprodução constrói o ninho num

túnel escavado pelo casal no solo ou em bancos arenosos de rios.

Trepadeira-dos-Muros

(Tichodroma muraria)

Pequena ave trepadeira típica de zonas

montanhosas onde existam fragas

e vertentes rochosas muito escarpadas.

É uma das aves mais raras que ocorre

em Portugal e a maioria das observações

têm sido registadas nas escarpas

que ladeiam o percurso sinuoso do Zêzere,

entre os concelhos de Oleiros e

Pampilhosa.

As suas populações mais conhecidas

localizam-se nos Alpes, Pirinéus e Picos

da Europa onde nidifica. Visita-nos no

inverno, quando se desloca para zonas

de menor altitude.


9

Cegonha preta

(Ciconia nigra)

Embora as cegonhas sejam bastante

vulgares, esta espécie é rara em

Portugal. Este decréscimo da população

deve-se, sobretudo, à perda de

habitat, o que a transformou numa

espécie com o estatuto de “vulnerável”.

É uma ave que procura locais tranquilos

e pouco perturbados pelas

atividades humanas, pelo que, no

nosso território, pode ser encontrada

maioritariamente no interior do país,

particularmente nas zonas inóspitas

das bacias do rio Tejo, onde nidifica.

No entanto, a sua capacidade de

voo faz com que possa ser observada

fora destas zonas de nidificação,

especialmente em períodos de movimentos

migratórios. Animal bastante

tímido, deve ser observado com o mínimo

de perturbação possível.


Guarda Rios

(Alcedo atthis)

Esta pequena ave é uma

das mais coloridas da avifauna

portuguesa. Alimenta-se

de peixe, esperando pela

oportunidade de caçar em

pequenos postes ou ramos

secos junto à água.

Vive principalmente ao longo

de cursos de água, sobretudo

os de pequeno e médio

caudal e de curso lento ou

moderado.

Libelinha-Gaiteiro-Ocidental

(Calopteryx xanthostoma)

Borboleta-Azulinha

(Lampides boeticus)

A riqueza da paisagem afirma-se também

na diversidade da fauna e flora que povoam

a região. Um segundo olhar revela a coabitação

do pinhal bravio com os matagais

onde abundam o medronheiro ou o zimbro.

Ou a esteva, o rosmaninho e o alecrim que

dão notas de perfume à clareza do ar que

por lá se respira. Quando se trilham os caminhos

e veredas do pinhal, os sentidos apuram-se

e uma máquina fotográfica torna-se

um instrumento indispensável. Experimente

deixar escorrer o dia sentado no alto de uma

escarpa, de onde melhor se compreende a

grandeza da paisagem natural, aqui e ali,

pontuada por pequenas aldeias e estradas

serpenteantes. Embrenhe-se nos bosques que


11

aves residentes

Cartaxo Comum

(Saxicola torquata)

O cartaxo é uma pequena

ave que se observa facilmente

empoleirado em

postes, cercas e arbustos. É

assim que deteta os insetos

de que se alimenta. É uma

ave bastante abundante,

que se encontra sobretudo

em zonas abertas de charnecas,

campos agrícolas,

pastagens e zonas de matos

baixos.

Borboleta Carnaval

(Zerynthia rumina)

Onde ficar

São Torcato Moradal

Estreito

Casa da Ladeira

Ameixoeira

circundam os leitos dos inúmeros cursos de

água que, persistentemente, foram escavando

a paisagem dando lugar a habitats

ribeirinhos de grande biodiversidade onde

abundam as folhosas.

Dispense-lhe o seu tempo e a natureza

revelar-se-á aos seus olhos em toda a sua

exuberância.

Casa do Dão

Milrico

Vilar dos Condes

Madeirã

Casa dos Hospitalários

Álvaro

em

breve

Refúgios do Pinhal

Tojeira de Baixo


.

RETIRO DE YOGA VALE DE MOSES

O mundo

todo. Aqui.

textos de yupmag | fotografia de Mirte Ruesen & Vale de Moses


13

Vale de Moses

A estrada nacional EN238 oferece-se,

primeiro, panorâmica, para quem vem

de Castelo Branco, para depois se embrenhar

num denso pinhal, à medida que nos

aproximamos de Oleiros. A viagem é, por

si só, uma experiência que nos permite

perceber a individualidade desta região.

As pequenas aldeias brancas que se avistam

do alto da Serra do Moradal (800m)

deixam adivinhar mais vida do que este

território aparenta à primeira vista. Mas,

nada nos prepara para o que vamos encontrar

na pequena aldeia da Amieira.

A poucos quilómetros antes de chegar

a Oleiros, uma placa assinala a direção

deste pequeno povoado. São precisos

mais alguns quilómetros por uma estrada

ladeada de arvoredo até que, num

ponto alto, uma curva deixa perceber a

crista da montanha de onde um pequeno

aglomerado de casas brancas se destaca.

Chegámos à Amieira. As três pessoas que

encontramos desdobram-se em atenções

para se assegurarem que encontramos o

caminho para o Vale de Moses do “André”.

“Não tem sinalização, mas siga por esta vereda

abaixo, em direção ao rio que não se

pode enganar”, asseguram.

O estreito caminho empedrado acompanha

uma pendente íngreme que parece

despenhar-se no fundo do vale. E, de repente,

o conjunto de casas que compõe o Vale

de Moses, ou apenas Moses (nome do local

que lhe deu origem) impõe-se na paisagem,

na mais fortuita das surpresas. Aninhado na

encosta de um pronunciado vale encontrámos

um delicioso retiro de yoga onde cabe

o mundo inteiro.


Há quatro anos

a funcionar como

unidade de turismo,

Vale de Moses

é um espaço dedicado

ao bem estar

do corpo e da

mente, um espaço

de fuga e de reencontro

connosco

próprios, em especial

para quem

precisa descansar

da fatigante rotina

citadina.

“Yoga Shala”

Em Vale de Moses pode

praticar-se yoga com uma

equipa de professores que

varia as abordagens e as

técnicas, mas sempre com

uma assinatura pessoal. Os

dias querem-se calmos mas

não inativos. Os vários trilhos

que percorrem a propriedade

e os terrenos envolventes

convidam ao passeio

de descoberta de novos espaços

ao ar livre. As casas,

dispostas pela encosta completam-se

com algumas tendas,

num conceito glamping

para quem prefere ficar

ainda mais próximo da natureza.

Chegue sozinho ou

em grupo, a experiência de

Vale de Moses inclui fazer

novos amigos.


A estadia funciona em

retiros semanais com calendários

e professores /

formadores previamente

definidos que podem incluir

avaliações de estados

emocionais e físicos, massagens

ou acupunctura.

Tudo numa lógica de promover

e recuperar o equilíbrio

físico, psíquico e emocional

onde o mantra pode

ser “praticar”, “sarar”, “comer”,

“repousar”.

15


17

O

retiro resulta da recuperação de quatro

casas de xisto pré-existentes usando

apenas técnicas de construção e materiais

tradicionais portugueses.

O conceito de estadia permite ainda a partilha

de espaços de alojamento com outras pessoas,

desde que do mesmo sexo. Para aqueles que

preferem maior isolamento ou contacto com o

espaço natural envolvente existem, espalhadas

pela propriedade, três tendas e um enorme tipi,

equipados com todo o conforto para que a noite

ao ar livre seja ainda mais reparadora.


Moses

o protagonista

improvável

Em 2007, os proprietários

de Vale de Moses, Andrew

e Vonetta Winter, embarcavam

numa viagem pela

Europa que haveria de trazê-los

à pequena aldeia da

Amieira.

A vida em Londres tornara-se

demasiado desinteressante,

pelo que decidiram,

junto com os seus dois

filhos pequenos, procurar

um espaço onde pudessem

viver sem pressas, com

mais ar livre e maior autossuficiência.

O destino manifestou-se

por meio de um anúncio

onde se vendia uma propriedade

rural de nome

“Moses” (um sítio onde houvera,

em tempos, vários

moinhos a que, popularmente,

se atribuiu o plural

de “mó”) e, curiosamente

o nome do cão de companhia

da família (“Moses”, inglês

para “Moisés”).

A dificuldade em dominar

o português ameaçava

a descoberta da quinta,

coberta de silvados e

em completo abandono,

quando o destino interveio

19

novamente. Foi então que

o golden retriever se lançou

numa corrida, acompanhado

pelos donos, só

parando no sítio que todos

procuravam.

Foi amor à primeira vista

e, a partir daí, iniciou-se

um árduo processo de recuperação

das casas que

acompanhou o desenrolar

do sonho da família.

É com a simpatia que o

carateriza desde que nos

recebeu que Andrew Winter

se confessa realizado com

a escolha que fez. Quando

lhe perguntamos se não

sente falta da vida na grande

cidade, confidencia-nos

que tem mais contacto

com o mundo todo agora,

do que quando vivia em

Londres. Os hóspedes chegam,

maioritariamente do

estrangeiro e partem amigos

para a vida. Encontrou

o mundo todo. Aqui!

Safi e Moses


Fingerprints

Onde

o tempo

recupera a

decência

E

stava eu em Coimbra,

a pensar nisto,

enquanto olhava

as ancas das copas

dos plátanos do parque

verde, dançando ao som

da brisa que, ao final da

tarde, escorre com o Mondego

e nos refresca a alma.

Talvez os anos que levamos

de cidade e da velocidade

que essa vivência

implica, nos tenham feito

despertar para esse oásis

do “turismo rural”.

Curiosamente, nunca o

encarei como um processo

de fuga, como tantas vezes

ouvimos dizer em campanhas

publicitárias ou referências

várias.

Sinto o “turismo rural”

como um processo de expansão.

Sim, uma expansão

de dimensões. Não são

só os horizontes que se alargam,

também o tempo desafia

os relógios e se alarga.

Este tempo que nos foge

no dia-a-dia do trabalho, a

nós e a toda a gente… indecente…

este tempo que

foge... mas que recupera

a decência na serra ou na

planície.

Efetivamente foi na planície

alentejana que tudo

começou (a nossa primeira

experiência “turisticamente”

rural). Aqui os contrastes

e as dimensões são maiores,

tudo é vasto, até o tempo…

O tempo que temos para

sentir as pessoas (sotaques,

Serra da Estrela


21


sentado

numa pedra

de xisto, à

sombra duma

oliveira com

as pálpebras

semicerradas,

não por sono,

mas por bom

sustento.


vivências, partilhas), os aromas,

os sons (que saudades

de ouvir o resfolgar dos cavalos

ao fim da tarde, sentado

numa pedra de xisto,

à sombra duma oliveira

com as pálpebras semicerradas,

não por sono, mas

por bom sustento…).

E poder ver o pôr-do-sol

num silêncio de dois, agora

de três, com um pouco menos

de silêncio, mas com

mais amor…

Depois da planície, a serra,

da qual estamos tão

perto aqui no Centro. Este

Centro versátil que nos permite

decidir “à última da

hora” o destino a escolher.

Recordo-me dos verões

na Serra da Estrela (passeios

pedestres em magníficas

paisagens verdejantes

e graníticas, praias fluviais,

piqueniques…) e a beleza

antagónica do inverno:

uma conversa à lareira

com um copo de vinho tinto

enquanto espreitamos a

tempestade do outro lado

da janela.

Nestas empreitadas, gostamos

de apreciar a gastronomia

(normalmente

jantamos no local onde

pernoitamos, quando nos

é dada essa oportunidade)

e almoçamos fora durante

os passeios que fazemos

durante o dia. Nem sempre

vamos com roteiros planeados

ou muito definidos,

pelo que as indicações que

recebemos nos locais onde

ficamos alojados são sempre

bem-vindas.

E no final do dia, ou ao

pequeno-almoço do dia

seguinte, temos o reconforto

da partilha da experiência

vivida.

Mas tudo é efémero, e no

regresso, trazemos as saudades,

as memórias e sobretudo

o sonho, de talvez

um dia, poder voltar…

Texto e fotografia de

Miguel Rosa (médico) & Isabel Pedro (professora)


Percursos pedestres

textos de yupmag | fotografia de yupmag


23

Descubra a pé

os tesouros

que estas

montanhas

escondem

Grande Rota 38

Moradal-Pangeia


No sopé do Cabeço Mosqueiro, uma impressionante crista

quartzítica, o Orvalho é um dos limites da GR38, mas esconde

também outros tesouros do património natural desta região:

a Geo-rota do Orvalho, cerca de 9kms de monumentos

de excecional valor geológico, de onde se destacam os

afloramentos rochosos e a refrescante e dramática Fraga

de Água d’Alta.

AGrande Rota Moradal-Pangeia

(GR38) atravessa um

território de grande valor geológico

ao longo de uma montanha

quartzítica que constitui

a “espinha” da Serra do Moradal. Zonas de

grande elevação rochosa permitem miradouros

de cortar a respiração, com o Zêzere

em pano de fundo. Durante todo o

percurso o caminhante, ora emerge em

verdadeiras paisagens panorâmicas, ora

mergulha em bosques verdejantes ladeados

por numerosos cursos de água. Para os

mais aventureiros, o percurso conta ainda

com uma “via ferrata” - um percurso preparado

na parede rochosa – com 150m de

extensão e trilhos de BTT.

Aceite a nossa sugestão e comece o seu

passeio pela manhã no miradouro do Orvalho.

Uma paisagem de cortar a respiração!

Siga então o percurso e embrenhe-se

nos passadiços e trilhos verdejantes que o

levarão à cascata da Fraga de Água d'Alta.

Vá progredindo, ao longo do dia, de

surpresa em surpresa, no sentido do Estreito.

Um final de dia perfeito inclui, sem dúvida,

o pôr do sol no Estreito.

Fraga de

Água d’Alta


Nas proximidades de Vilar Barroco, o percurso

enamora-se do leito de uma ribeira,

embrenhando-nos num bosque ribeirinho

onde, por momentos o verde do pinhal é

substituido pelos tons luxuriantes dos habitats

ribeirinhos. As zonas intransponíveis

são vencidas por passadiços e pontes de

madeira que permitem alternar o passeio

entre uma e outra margem, num cenário

mágico e pleno de encanto. Aqui, o olhar

descansa do longe e concentramo-nos nos

pormenores até nos deslumbrarmos com o

súbito aparecimento dos poços Mosqueiro

e da Fervença, bem no fundo do vale.

Seduzidos pela descoberta, sentimo-nos

retemperados para iniciar a subida até ao

miradouro que lá atrás se anunciava.

25


Em alternativa a fazer o percurso

na íntegra (cerca de 28 kms),

pode optar-se por iniciá-lo em

quatro pontos distintos: Orvalho,

Vilar Barroco, Sarnadas de São Simão

ou Estreito.


A subida à Serra do Moradal (ou Muradal)

é íngreme mas a recompensa

surge na forma de vistas panorâmicas

inesquecíveis. A partir do Miradouro do

Zebro a paisagem é de cortar a respiração

e permite-nos perceber a extensão

das formações geológicas que

esculpiram este cenário monumental.

Acompanhando a crista do Moradal,

o trilho conduz-nos a outras íngemes

formações rochosas. Com equipamento

apropriado, é possível aos

caminhantes experimentar a “via ferrata”

- uma extensão de escalada que

obriga à utilização de arnês e capacete

- para alcançar a Penha Alta. A

alternativa passa pela utilização das

estradas de terra que servem as torres

eólicas.

No Portelo, o horizonte estende-se

para este, deixando perceber a planície

que se estende até ao Tejo, onde

as Portas de Ródão voltam a mostrar

o duro esplendor destas formações rochosas.

Já com a tarde a avançar, a paisagem

ganha outros tons enquanto perseguimos

o sol que começa a desaparecer

por trás deste mar de montanhas

atapetadas de verde.

O trilho termina na aldeia do Estreito,

o local ideal para retemperar as forças

e absorver a magnitude desta experiência

inesquecível de contacto com

a natureza. Grandiosa. Enquanto o sol

se põe.

27


Campismo

conforto &

aqui não precisa optar

Adormeça sob este céu

no CampingOleiros

textos de yupmag | fotografia de yupmag & CampingOleiros


O conceito glamping, que

alia campismo a conforto

e glamour, entrou definitivamente

na moda. As

opções começam a surgir,

em espaços cuidados

e pensados para tornar a

experiência da vida em

espaços abertos cada vez

mais inesquecível.

29


Numa região que pretende afirmar as suas potencialidades

como turismo de natureza, o alojamento quer-se

também em estreita comunhão com o ambiente natural

que se respira. Às portas da vila de Oleiros, na margem

da ribeira, está de portas abertas desde 2008

um conceito de campismo de alta qualidade.

O CampingOleiros é um espaço criado

numa clareira de pinhal, portas meias

com a praia fluvial Açude Pinto, uma das

várias áreas de lazer do género

que existem na zona.


31

A

proximidade

com

inúmeras

rotas pedestres,

pontos de escalada,

trilhos de BTT, praias

fluviais e pontos de

interesse geológico

atraem um público

amante do desporto

aventura.

Espaços cuidadosamente

aprimorados, instalações

limpas e um cuidado estético

em toda a organização

do espaço, dão-nos vontade

de querer passar uns

dias por ali. Facilmente nos

imaginamos em momentos

de leitura na esplanada, ou

na contemplação do magnífico

céu que compõe este

ambiente florestal.

A estadia depende das

preferências de cada um.

Existem espaços para tendas

convencionais, em

espaço mais aberto ou

embrenhadas no meio do

pinhal, autocaravanas,

mas também bungalows

de madeira com todas as

comodidades que permitem

a este camping estar

aberto todo o ano. Esta é,

aliás, uma das maiores potencialidades

deste espaço,

já que os atrativos da

zona não esgotam na época

quente.

Procurado no verão essencialmente

por famílias

que optam por alternativas

à praia, o CampingOleiros

é uma excelente opção

para as crianças viverem o

ar livre em segurança com

aventura à mistura. Mas é a

primavera e o outono que

se tornam mais interessantes,

com a chegada dos

hóspedes que preferem usufruir

da tranquilidade e beleza

da natureza em todo o

seu esplendor, gozando do

clima ameno ideal para os

passeios, o birdwatching, o

desporto de aventura e o

turismo gastronómico.


Um serviço com atenção aos detalhes

A viagem alucinante deste

hóspede sueco é digna

de registo. Para se encontrar

com a sua namorada

em Lisboa, atravessou toda

a Europa de bicicleta. Partindo

da sua terra natal,

chegou à Dinamarca de

ferry e a partir daí não mais

parou de pedalar. Alemanha,

Holanda, Bélgica,

França e Espanha. Pelo caminho

ficaram os Pirinéus,

talvez o desafio mais duro.

Recuperou em Oleiros durante

dois dias até se fazer

de novo à estrada, para a

etapa final.


33

O

xisto e

a madeira

são uma

constante em

todo o parque,

numa simbiose

perfeita com o

ambiente natural,

conferindo-lhe

a autenticidade

do

genuíno.

Vítor e Andreia Restolho

comemoraram no

CampingOleiros 15 anos

de um casamento feliz.

O acontecimento não

passou despercebido

ao pessoal do parque

que, em segredo, preparou

um jantar romântico

para o casal. Flores,

velas, música e bolo de

aniversário. Tudo foi preparado

ao pormenor.

Até a “falsa chamada”

para resolver um problema

que havia surgido no


alojamento, como forma

Tratamos os hóspedes de forma calorosa e

de atrair os aniversariantes

ao parque. Tudo com

atenta. Isto só se consegue com um acompanhamento

focado em criar bem-estar.

a cumplicidade do marido,

claro.


ASTROFOTOGRAFIA

fotografias de

Miguel Bidarra

(Fotografia noturna e astrofotografia)

todo

este

céu

O

registo fotográfico eleva-se à categoria de uma arte

refinada no trabalho de Miguel Bidarra. A esfera celeste

é a sua tela de eleição, combinando elementos

do céu noturno e da terra que valorizam o património paisagístico

que a sua objetiva captura. O tempo estica-se na imagem,

em exposições prolongadas que nos permitem descobrir

um céu repleto de corpos celestes que não conseguimos

observar a olho nu.


35


No pinhal interior,

os grandes espaços

abertos livres de poluição

luminosa deixam a descoberto

uma abóbada celeste em toda a sua

magnitude


37


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6200-865 Tortosendo-Covilhã


39


Mui nobre villa

Álvaro


Álvaro não é apenas nome

de gente, é também o nome

de uma pequena aldeia

que esconde um enorme

passado, tão ilustre que se

confunde com a história de

Portugal.

textos de yupmag | fotografia de yupmag

A

aldeia de Álvaro apresenta-se

como uma Percorrendo a Rua do Castelo, a

concelho.

muralha branca que se espinha dorsal desta povoação,

estende num promontório

com uma vista deslumbrante sericórdia. Dominado pela Igre-

desembocamos na Praça da Mi-

sobre os meandros do Zêzere. A ja Matriz, o largo abre-se numa

geografia peculiar do lugar confere-lhe

um caráter de fortaleza se pode ver o rio serpentear no

varanda panorâmica de onde

inexpugnável que deixa antever fundo do penhasco. À nossa volta

encontram-se três das sete ca-

histórias de conquistas impossíveis.

E, de facto, a imaginação não nos pelas que existem na povoação.

engana. De fundação medieval, Existem mais dez na área da freguesia.

Duas rotas pedestres con-

a nobreza de Álvaro, que ainda

hoje ostenta o epíteto de “mui nobre

villa”, está intimamente ligada ora descendo à praia fluvial, ora

vidam a percorrer os arredores,

a senhorios sucessivos e aos Cavaleiros

de Malta. A riqueza da histó-

onde a vista se estende pelo tor-

subindo às encostas sobranceiras

ria centenária de Álvaro atesta-se tuoso percurso do Zêzere que escorre

calmo sob o olhar vigilante

no património religioso que sobreviveu

à época em que foi sede de da “mui nobre villa”.

Apesar de fazer parte da rede de

Aldeias do Xisto, o casario caiado

de branco e ombreiras pintadas

de cores garridas assegura a

nobreza do lugar. O passeio não

pode ficar completo sem uma

descida à ribeira de Alvelos que

flanqueia o promontório a sul,

onde uma ponte romana testemunha

a passagem do tempo,

que aqui se faz lento e ao som do

murmúrio calmo das águas.

Onde ficar

Casa dos Hospitalários

Álvaro


São Torcato Moradal

A excelência do turismo rural

textos de yupmag | fotografia de yupmag

A qualidade

e o requinte

de um hotel

em pleno

espaço rural

Bem no centro do pinhal interior, a Serra

do Moradal oferece-lhe um requintado

alojamento turístico que se impõe pelo

conforto dos espaços, numa arquitetura

que combina a modernidade com a herança

das habitações típicas da região

da Beira Baixa. Integrado no Geopark Naturtejo,

a unidade é composta por duas

casas que se completam com uma agradável

área exterior de jardim e piscina de

água salgada onde o hóspede pode desfrutar

da mais completa privacidade. Perfeita

para ser explorada a pé, a zona envolvente

conta com o Trilho Internacional

dos Apalaches que serpenteia pelas cristas

da montanha e acompanha os cursos

de água límpida que delas escorrem.


Perfeita para ser explorada

a pé, a zona envolvente conta

com o Trilho Internacional

dos Apalaches que serpenteia

pelas cristas da montanha

e acompanha os cursos

de água límpida que delas

escorrem.

41


Os espaços

pensados ao

mínimo detalhe

incluem

acessibilidade

para pessoas

com mobilidade

reduzida

Onde fica

São Torcato-Estreito-Oleiros

capacidade: 10 quartos

272 654 008

96 443 74 01

www.storcatomoradal.com

GPS: Lat. N39º5738.98˝ Long. W7º4751.58˝


43

As duas casas que

compõem São Torcato

Moradal conjugam-se

formando

um espaço reservado

que abre a sul sobre uma paisagem

onde o verde é a cor dominante, desde

a floresta aos campos de cultivo.

Entre ambas, o pátio forma uma varanda

ampla que se debruça sobre o

relvado da piscina. Todo o conjunto é

um exemplo de atenção ao detalhe.

Floreiras e canteiros acompanham o

alpendre da casa norte, ao longo do

qual os compridos bancos de madeira

oferecem repouso aos hóspedes que

desejem percorrer os trilhos da zona.

O maior e mais imponente de todos

-a Grande Rota do Moradal/Pangeiapassa

mesmo ali à porta, fazendo

desta casa o local perfeito para alojar

os caminhantes.

A D. Fernanda, a simpática proprietária,

conta como São Torcato Moradal

é um sonho antigo do marido, que

consistiu na recuperação da casa

onde nasceu, agora transformada

em Casa Sul.

Seguimos o casal numa visita guiada

pelas casas. O xisto é uma constante

dando o mote para a identidade territorial

que se pretende dar a conhecer.

No interior, os espaços amplos

convidam a passar tempo em todos

eles. A Casa Sul dispõe de 5 quartos,

que têm nomes de serras da região e

ainda um bar muito singular, de onde

se destaca um enorme tronco suspenso

que foi outrora de um lagar de varas.

O hóspede pode ainda optar por

fazer as suas próprias refeições tendo,

para o efeito, uma cozinha totalmente

equipada ao seu dispor. A sala de

leitura é acolhedora e pensada para

a busca da tranquilidade mas, se procurar

momentos de maior convivência,

a ampla sala de estar da Casa

Norte oferece-lhe o ambiente de que

necessita, seja num luminoso dia de

verão, seja num acolhedor fim de tarde

à lareira, no inverno. O final do dia

é, aliás, um momento imperdível neste

local que fica na memória.


Geocaching

texto e fotografias de

Paula Loureiro

(Geocacher 4Loureiros)

A caça ao

tesouro

Leave no trace, take nothing but photos,

leave nothing but footsteps.

Oito da manhã. A família

Silva toma o

pequeno-almoço e

faz os últimos preparativos.

Lanche, água, chapéus,

protetor solar, GPS, bloco

de notas, saco para lixo…

Está na hora de partir para

mais uma aventura.

Na véspera, o pai Silva fez

os trabalhos de casa (uma

aventura pode ser planeada,

sobretudo quando há tesouros

para descobrir). Entrar na

página da internet, localizar,

no mapa, a região pretendida,

verificar os “tesouros” existentes

nessa região, explorar

os diferentes graus de dificuldade

dos acessos aos “tesouros”,

descodificar as pistas

encriptadas, delinear

um percurso,

descarregar o trilho

para o GPS, providenciar

pilhas de

reserva, bem como

papel e lápis, que

dão sempre jeito,

tal como arranjar

alguns “tesouros”

para a troca.

A viagem começa.

O tempo ameno

e o sol no horizonte

prometem

um dia de primavera

adequado à situação.

O mano Silva

mais velho aproveita

para ler à família algumas

informações descarregadas

da internet pelo pai, sobre os

locais a visitar ao longo do

dia: um miradouro, dois pelourinhos,

um antigo lavadouro

de aldeia, um dólmen, dois

parques de merendas, um

moinho abandonado… há

histórias reais, lendas locais,

informações de caráter ambiental,

geológico, da fauna

e flora, outras vezes há apenas

a imaginação de quem

escondeu o tesouro!

Mas, afinal, que tesouros esperam

a família Silva? E porquê

tanto entusiasmo em encontrá-los?!

Tudo faz parte de

um jogo chamado Geocaching

em que o principal obje-

tivo é encontrar “geocaches”

(ou simplesmente "caches")

colocadas em qualquer local

do mundo, na cidade ou no

campo, em locais turísticos

ou então noutros, que dificilmente

visitariam se não fosse

este jogo. Uma cache típica é

uma pequena caixa plástica

fechada e à prova de água,

que contém um livro de registo

(o logbook), um folheto

informativo sobre o que é o

geocaching (não vá alguém

encontrar a cache por engano

e ficar com ela ou deitá-la

fora) e alguns objetos, como

canetas, afia-lápis, moedas,

pulseiras, porta-chaves, autocolantes

ou bonecos para

troca, os tais… tesouros!!! Estima-se

que existam

mais de dois

milhões e meio de

“geocaches” ativas

em todo o mundo e

mais de seis milhões

de “geocachers”.

Em Portugal, calcula-se

que a comunidade

chegue aos 35

mil.

Numa cache tradicional,

um “geocacher”

coloca um

livro de registos, caneta

ou lápis e os

pequenos tesouros,

numa caixa à prova

de água, esconde-a


Surgem sempre

dúvidas

quando se

pretende

classificar o

geocaching.

Existem várias

interpretações:

um

desporto, um

jogo, uma

atividade ou

apenas uma

razão para

dar uns passeios

e conhecer

sítios

diferentes.

num local estratégico e depois

anota as respetivas coordenadas

(latitude e longitude)

da cache. Estas, em conjunto

com outra informação sobre

o local do esconderijo, são

publicadas em www.geocaching.com,

após registo no

site. Os outros “geocachers”,

os descobridores, retiram as

coordenadas que constam

na página e, com recetores

GPS, procuram a cache.

Quando o conseguem, registam

o achado no logbook da

cache e na página atrás referida,

na qual podem colocar

fotos e uma pequena descrição

da aventura. Os “geocachers”

são livres de colocar ou

retirar objetos da cache, normalmente

por troca de coisas

de pequeno valor, de modo a

haver sempre qualquer recordação

para trazer.

A meio da manhã a família

Silva chega ao primeiro destino.

Trata-se de uma casa brasonada,

completamente em

ruínas, mas que ainda deixa

adivinhar a imponência de

outros tempos. Já tinham passado

ali perto tantas vezes,

mas a existência desta casa

era completamente desconhecida

para os Silvas. O GPS

dá sinal de chegada. Mal o

carro é estacionado os miúdos

saem a correr. Ser o descobridor

da cache é sempre

uma glória! “Qual é a pista?”,

grita um deles ao pai, que ainda

nem saiu do carro, mas já

pesquisa no bloco de notas.

“No muro!...”, responde o Sr.

Silva. O muro é enorme e rodeia

a propriedade. O GPS

aponta para a esquerda.

Num olhar mais atento o Silva

Júnior descobre uma pedra

um pouco diferente, mais clara

e sem musgo que parece

tapar qualquer coisa. Retira

a pedra e lá está a cache,

envolvida num saco plástico

preto, que a protege e disfarça.

“Está aqui, está aqui!!!”.

Esta foi fácil. É pequena, por

isso tem poucos objetos. Seja

como for, há sempre curiosidade

e todos vêm ver. Faz-se

o registo no logbook: a data,

o nickname do “geocacher”

(neste caso “Silvas Picantes”),

o número de ordem da cache

encontrada (os Silvas já descobriram

mais de mil) e uma

frase acerca do local ou da

dificuldade, ou não, em encontrar

o tesouro. Caso haja

troca de objetos também se

pode mencionar o que é retirado

e o que se deixa ficar.

Algumas caches contêm tesouros

mais especiais. É o que

se chama de "travel bugs" ou

"geocoins" - objetos que se

deverão mover de cache em

cache, e cujos percursos, pelo

mundo fora, são registados

online.

Novo destino, novas coordenadas

e uma cache um

pouco diferente espera os

“Silvas Picantes”. Trata-se de

uma multicache, que necessita

de uma visita a um ou mais

pontos intermédios para determinar

as coordenadas da

cache final. Em cada ponto

é necessário responder a uma

pergunta sobre o local. As respostas

costumam ser números,

que vão substituindo as incógnitas

numa série de coordenadas

incompletas. É quase

como resolver uma equação!

Primeira paragem: “Quantos

bancos há no jardim?”…

“Cinco”. Segunda paragem:

“Em que ano foi construída

45


a capela?”… “1944… noves

fora, zero”. Terceira paragem:

“Quantos degraus tem o pelourinho?”...”Três”.

Coordenadas

completas introduzidas

e o GPS indica a cache final,

a 100m. Os Silvas decidem ir

a pé. Os filhos ganham logo

algum avanço. Desta vez a

pista é “no pinheiro, tapada

com pinhas”. O local é um

miradouro devidamente sinalizado,

o que pode ser um problema

– a provável existência

de “muggles”, isto é pessoas

que não são “geocachers”.

Convém ser discreto, pois não

é visto como normal alguém

que, de repente, investiga

cada pinheiro e revolve as

pinhas à sua volta! Por sorte,

não havia muita gente e o pinheiro

em causa era um pouco

desviado do miradouro!

Feito o “log”, tira-se a foto da

praxe, aprecia-se a paisagem

e já se introduzem as coordenadas

da próxima!

A aventura correu bem. As

caches tinham baixo grau de

dificuldade, o que as torna

acessíveis a toda a família e

as pistas foram sempre uma

boa ajuda. Conheceram-se

sítios novos, aprenderam-se

pormenores interessantes sobre

locais já visitados, caminhou-se,

conviveu-se, contactou-se

com a natureza.

Surgem sempre dúvidas

quando se pretende classificar

o geocaching. Existem

várias interpretações: um

desporto, um jogo, uma atividade

ou apenas uma razão

para dar uns passeios e conhecer

sítios diferentes. O certo

é que o geocaching pode

obrigar a um esforço físico

significativo dependendo da

localização da “geocache”

escondida, podendo mesmo

exigir equipamento especial

(material técnico de escalada,

ou até de mergulho, por

exemplo). Mesmo assim, não

deixa de ser acessível a todos.

As caches são classificadas

de 1 a 5 consoante o seu nível

de dificuldade (esforço total

necessário para a encontrar)

e igualmente de 1 a 5 consoante

a complexidade do

terreno e do acesso ao local

específico. O grau de dificuldade

varia e, por isso, cabe

a cada um, decidir o tipo de

cache que mais se adequa à

sua condição física e ao tempo

que pretende despender,

pois existem caches que podem

demorar 3 minutos a encontrar

e outras que chegam

a levar horas.

Uma das características que

diferencia o geocaching de

outras atividades é o esforço

feito no sentido de preservar

a natureza e criar uma consciência

ambientalista. Para tal,

é normalmente pedido aos

utilizadores que removam o

lixo, caso ele exista, das áreas

onde praticam geocaching,

("Cache In, Trash Out" é um

dos lemas) e que deixem as

áreas visitadas iguais ou em

melhor estado do que as encontraram

("Leave No Trace",

"Take Nothing But Photos, Leave

Nothing But Footsteps").

Assim fizeram os “Silvas Picantes”.

Assim fará qualquer

“geocacher” que se preze!

Algumas caches

na região

Lusitani

Pinhal Interior Sul

Memórias da Villa

de Oleiros

Miradouro Moradal

Moinho de Água

GeoRota de Orvalho

À descoberta de Álvaro

Mosqueiro

Orvalho

Cristo Rei

Oleiros

Serra da Lontreira

Oleiros

Daqui Vigio a Serra do

Moradal


47

Sabores

do pinhal

Uma boa mesa,

nesta região como

em todas, quer-se

farta. E motivos não

faltam. A riqueza

gastronómica do

nosso país é feita de

uma variedade de

formas de confeção

- tantas vezes dos

mesmos produtos -

que lhes confere caraterísticas

próprias

e os torna verdadeiramente

especiais.

Aqui, o rei da mesa é o cabrito.

Talvez pela proximidade

com a Estrela e as zonas de

transumância que atravessam

o plano beirão a este, talvez pela

vontade de conservar as tradições e a

identidade, talvez por ambos os motivos

combinados. A verdade é que em

Oleiros o cabrito é “estonado”, ou seja,

assado em forno - preferencialmente

de lenha - com a pele, à semelhança

da confeção do leitão na bairrada. Este

prato tem origens remotas e apresenta-se

como uma iguaria de complexa

confeção. Exige ser comido logo após

ser assado, pelo que os restaurantes costumam

servi-lo apenas sob encomenda

ou em datas específicas.

cabrito estonado


Em zona de fumeiro, o maranho é

o prato típico por excelência. Esta

iguaria impõe-se como um tipo de

enchido que combina a carne de

cabrito, fumeiro e arroz, tudo aprimorado

com uma seleção de ervas

aromáticas. O maranho tem a

particularidade de poder ser comido

como aperitivo ou, em alternativa,

ser prato principal da refeição.

Em qualquer dos casos, vale

bem a experiência.

maranho

Outro dos produtos endógenos é o vinho “callum”,

um vinho branco verde que se bebe muito bem

fresco. Esta bebida resulta da fermentação de uma

casta de uvas que cresce, quase em estado selvagem,

nas zonas húmidas das ribeiras da região.

As matas de medronheiro que cobrem algumas áreas da região

proporcionam outro dos produtos locais de maior interesse:

o medronho. Este pequeno fruto é depois usado na destilação

de aguardente, mas também em licores. Em alguns pontos de

venda, podemos também encontrar

o medronho na doçaria, maioritariamente

caseira. O mesmo acontece

com a castanha. Usada desde há séculos

como base da alimentação diária é, hoje em dia, um

produto que se encontra à mercê da criatividade gourmet.

Desafie o seu paladar e descubra novas texturas de sabores

genuinamente beirões.

A iniciativa das autarquias e instituições de desenvolvimento

local tem passado pela criação

de certames temáticos que ajudam a promover

a região. O Outono é o tempo da castanha e do

medronho e, habitualmente, da feira que celebra

estes produtos. É nesta mostra que surge a oportunidade

de conhecer as verdadeiras potencialidades

destes frutos com os vários produtores locais e

artesanais a mostrá-los.


Hotel Sta.

Margarida

Casa dos

Hospitalários

O Carteiro

Recorte e leve na sua viagem

São Torcato

Moradal

Vilar dos

Condes

Cabeço

Cavalo

convida

Casa

da Ladeira

Casa

do Dão

CampingOleiros

Refúgios

do Pinhal

Casa

das Tílias

em

breve

Cabeço Cavalo

(Cavalo)

valdesoliviers@outlook.fr

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272681106 / 926860112

geral@campingoleiros.com

Casa da Ladeira

(Ameixoeira)

932545722

info@casadaladeira.com

Casa das Tílias

(Álvaro)

272654205

Casa do Dão

(Dão – Milrico)

932952972

casa.dao.turismo@gmail.com

Casa dos Hospitalários

(Álvaro)

962323515

hospitalarios@gmail.com

Hotel Sta. Margarida

(Oleiros)

272680010

geral@hotelsantamargarida.pt

O Carteiro

(Oleiros)

272682596

Refúgios do Pinhal

(Tojeira de Baixo)

272682464

refugiosdopinhal@gmail.com

S.Torcato Moradal

(Estreito)

272654008 / 964437401

geral@s-torcatomoradal.com

Vilar dos Condes

(Madeirã)

968632907

vilardoscondes@gmail.com

Churrasqueira "Alverca" – Oleiros – 272 682 884 - especialidades: carnes grelhadas

Churrasqueira "Caniçal" – Oleiros - 272 682 727 - especialidades: carnes grelhadas

Restaurante "Casa Peixoto" - Oleiros – 272 682 250 - especialidades: maranho, leitão, cozido à portuguesa, grelhados

Restaurante "Callum" - Hotel Santa Margarida - Oleiros – 272 680 010 - especialidades: empada de cabrito estonado,

maranho, bucho e bife “Santa Margarida” com molho da casa (almoços de domingo: cabrito estonado assado em

forno de lenha)

Restaurante "Ideal" - Oleiros – 272 682 350 - especialidades: maranho, chanfana, galinha no tacho

Restaurante "Maria Pinha" – Oleiros - 965 586 477 - especialidades: maranhos, serviço de buffet

Restaurante "O Carteiro" - Oleiros - 272 682 596 - especialidades: maranhos, cozido à portuguesa, bacalhau no forno

Restaurante "O Prontinho" – Oleiros - 272 682 338 - especialidades: bucho recheado, maranhos, arroz de pato

Restaurante "Regional" – Oleiros - 272 682 309 - especialidades: maranhos, bacalhau com natas, filetes de pescada

no forno

Restaurante “Salina” – Oleiros – 961 258 844 - especialidades: maranhos, bucho, carnes e peixes grelhados

Restaurante “Pérola do Orvalho” - Orvalho - 272 746 119 - especialidades: maranhos, chanfana, cozido à portuguesa,

bacalhau assado.

Restaurante “O Cantinho” - Estreito – 272 654 251 - especialidades: comida caseira

Restaurante - Snack Bar "Rotunda" - Estreito - 272 654 266 - especialidades: maranhos, cabrito assado

Restaurante “Slide” - Cambas - 272 773 122 - especialidades: maranhos, bucho recheado, chanfana, achigã frito, cabrito no

churrasco


Próximos números...

1

Na aldeia histórica de Monsanto, a Casa de Campo

Pires Mateus convida à descoberta daquela que já foi

apelidada de “aldeia mais portuguesa”. Encontre vestígios

arqueológicos dos Lusitanos, um castelo que remonta ao

século XII e uma história de resistência aos invasores que se

mantém no folclore da povoação. Tudo isto enquanto se passeia pelas

peculiares ruelas e casas roubadas às fragas da montanha.

casadecampo.piresmateus.pt

2

Encostada a um meandro do leito do Zêzere, a poucos quilómetros

da sua nascente, a Casa Lagar da Alagoa

disfruta de uma localização privilegiada no vale glaciar que

serpenteia por entre as encostas íngremes, em pleno coração

do parque natural da Serra da Estrela. Neste inverno, parta

à descoberta da serra e goze a sensação única de habitar uma

verdadeira casa de montanha.

casa-lagar-alagoa.com

3

A maior montanha veste-se de branco em cada

inverno, fazendo do tempo frio a sua maior atração.

Grandiosa todo o ano, a Serra da Estrela

esconde muitos segredos que se tornam memoráveis

para quem os descobre. No próximo número vamos

dar uma volta pela serra e trazer-lhe o que ela tem de melhor.

Conte com locais mágicos, rotas de caminheiros, turismo

de aventura e, claro, uma cozinha gourmet ao estilo dos

nossos avós. Para degustar em janeiro.

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