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YUPMAG-MAGAZINE DE TURISMO RURAL - INVERNO 2016

Propostas de Turismo Rural no Centro de Portugal - SERRA DA ESTRELA, a montanha mágica

Propostas de Turismo Rural no Centro de Portugal - SERRA DA ESTRELA, a montanha mágica

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<strong>YUPMAG</strong> - <strong>MAGAZINE</strong> <strong>DE</strong> <strong>TURISMO</strong> <strong>RURAL</strong><br />

Publicação trimestral | Distribuição exclusiva para aderentes a YUP.pt | janeiro <strong>2016</strong><br />

yupmag<br />

Magazine de Turismo Rural<br />

Belmonte<br />

Serra da Estrela<br />

# 1<br />

# Covilhã<br />

a cidade roubada à encosta<br />

#<br />

Uma vila repleta<br />

de história<br />

A montanha mágica


1<br />

Os nossos<br />

preciosos<br />

Colaboradores<br />

Nasceu no Alentejo e subiu até à montanha, onde reside e trabalha. Vive a fotografia<br />

como uma paixão criativa que alimenta intensamente com trabalhos de fotografia<br />

de estúdio, publicitária, artística e de fotojornalismo, tendo colaborado com a<br />

agência Global Images, com publicações no Diário de Notícias, Jornal de Notícias,<br />

O Jogo e Jornal do Fundão.<br />

Carlos Pimentel<br />

João Morgado<br />

Este escritor covilhanense tem já no seu currículo o Prémio Nacional de Literatura<br />

LIONS; o Prémio da Fundação Dr. Luís Rainha nas Correntes d’Escritas; o Prémio Alçada<br />

Baptista e o Prémio Vergílio Ferreira. Não se descreve o autor de Vera Cruz, Diário<br />

dos Imperfeitos e Diário dos Infiéis apenas como romancista. É também um reconhecido<br />

autor de poesia e contos. Talvez por isso, o público do jornal O Interior elegeu-o<br />

Personalidade do Ano 2015.<br />

Fez uma curta viagem desde o Sabugal, sua terra natal, até à Covilhã, onde vive e<br />

desenvolve a sua atividade de fotógrafo. Maiores são as suas viagens como profissional<br />

da fotografia. Já foi caçador de auroras boreais no círculo polar ártico e adora<br />

fotografar a Serra da Estrela quando é mais difícil fazê-lo. No inverno e à noite.<br />

Pedro Lopes<br />

Pedro Miguel Silva<br />

Assume-se como fotógrafo amador e diz que usa a paixão que tem por esta arte<br />

para quebrar a rotina diária da sua atividade de empresário e administrador de<br />

várias empresas. Este gestor é natural da Covilhã e adora viajar. A sua sensibilidade<br />

captura momentos e paisagens com as quais quer transmitir a sua visão do mundo.<br />

Nasceu e cresceu em Sobral de São Miguel, uma aldeia da Covilhã. Trabalha na área<br />

da comunicação e formação profissional, mas é a sua formação em jornalismo e paixão<br />

pela escrita que nunca a deixam recusar um convite para escrever.<br />

Quando for grande quer ter um espaço de turismo rural… e será numa aldeia bem<br />

perto de si.<br />

Salete Diogo<br />

Tânia Araújo<br />

Desenvolve atividade profissional como Técnica de Intervenção Social numa ONG.<br />

Repousa da sua profissão com a Fotografia de Natureza, aliando assim duas paixões<br />

de longa data: a fotografia e o conhecimento do mundo natural e da vida selvagem.<br />

Já publicou imagens em artigos sobre fotografia de vida selvagem, nomeadamente<br />

na revista "Mundo da Fotografia Digital" e no website "Mundo dos Animais".<br />

É uma empresa jovem, mas com muito capital de experiência e que acredita no interior do país.<br />

Está sediada no Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã e tem o NIPC 513547495. É proprietária<br />

da <strong>YUPMAG</strong>, uma revista dedicada ao turismo em espaço rural. É responsável pelo design,<br />

conceção e impressão e usa o novo acordo. Neste número tem tiragem de 1500 exemplares.


3<br />

neste<br />

número<br />

editorial<br />

O<br />

desenvolvimento do turismo tem sido uma aposta<br />

dos últimos anos e Portugal parece ter vindo<br />

a acordar para uma realidade que é, cada vez<br />

mais, uma necessidade da vida moderna. O espaço<br />

de fuga ao quotidiano faz parte de uma urgência que<br />

precisamos realizar para nos sentirmos completos e, de caminho,<br />

enriquecidos como seres humanos. Propomos uma simples<br />

reflexão: quantos dias do ano ficam retidos na sua memória?<br />

Um país tão pequeno dificilmente poderia conter tanta diversidade.<br />

Cultural. Identitária. Arquitetónica. Geográfica. Paisagística.<br />

Natural. Mas é isso que torna Portugal um tesouro a descobrir.<br />

Milhares de recantos inexplorados, segredos à procura<br />

de quem os descubra, experiências que poderão tornar únicos<br />

os momentos de recreação e lazer. E a sensação de ter vivido<br />

algo único e irrepetível.<br />

A Beira Interior materializa todos os desejos de tranquilidade e<br />

repouso, na singularidade das suas regiões e no contacto com<br />

a natureza e as suas gentes afáveis e hospitaleiras.<br />

Arrisque-se a descobrir a dureza agreste de Riba Côa que se<br />

amacia no Douro, a convivência pacífica da raia seca de Espanha,<br />

a grandiosidade da Serra da Estrela, a Cova da Beira<br />

agrícola e, simultaneamente, de um riquíssimo património de<br />

arqueologia industrial, o Alentejo que entra pela Beira acima<br />

nos campos de Idanha e Castelo Branco, as muralhas rochosas<br />

do Tejo Internacional ou a extensa mancha florestal do pinhal<br />

interior.<br />

Em todos estes espaços, existe já uma vasta e experiente oferta<br />

turística de altíssima qualidade, com opções para todas as<br />

preferências de turismo em espaço rural. Agroturismo, turismo<br />

de habitação, casas de campo, hotéis rurais, turismo de aldeia<br />

estão prontos a bem receber, com um requinte e profissionalismo<br />

que o(a) vão surpreender.<br />

Mas não venha só pela estadia, planeie a sua escapadinha<br />

no conforto da sua casa. Escolha percursos, locais, programas,<br />

atividades. Crie a sua própria experiência de viagem. Torne-a<br />

única, inesquecível e valiosa. Aceite as nossas sugestões. Venha<br />

cá. Será recebido(a) de braços abertos.<br />

4<br />

13<br />

21<br />

26<br />

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66<br />

68<br />

Uma montanha em quatro estações<br />

Crónica de um dia extraordinário<br />

Descubra o charme e a sofisticação da Quinta de Seves<br />

Bons petiscos & companhia<br />

Cão da Serra, o Guardador da memória<br />

Covilhã, coração de lã<br />

A cidade roubada à montanha<br />

A nova vida do burel<br />

Sucumba a esta tentação<br />

Viagem à cidade e às serras<br />

Tudo o que não espera ver num centro histórico<br />

Paisagens irreais<br />

Aqui nasceu o Novo Mundo<br />

Judaísmo: uma história de resistência<br />

Sinta a natureza no vale glaciar<br />

O festim dos sabores<br />

Caminhos do xisto<br />

72<br />

75<br />

77<br />

Sobral de S. Miguel: no coração do xisto<br />

Tome nota<br />

Pela lente dos nossos amigos


5<br />

Uma<br />

montanha<br />

em quatro<br />

estações<br />

Para amantes da imagem<br />

Birdwatching<br />

Percursos<br />

Texto e fotografia de<br />

Tânia Araújo<br />

(Fotografia de Natureza)<br />

O Inverno é a estação do ano que mais visitantes atrai à Serra da Estrela, procurando<br />

a neve que normalmente cobre as zonas de maior altitude. Mas a beleza da Serra<br />

da Estrela não se resume às paisagens invernais vestidas de branco e são imensos<br />

os assuntos fotográficos que podemos explorar durante todo o ano. Surpreenda-se<br />

com os encantos que a Serra da Estrela revela ao longo das quatro estações!<br />

Percurso de Primavera<br />

Vale Glaciar do Zêzere - Covão<br />

da Ametade – Piornos – Lagoa<br />

Comprida<br />

Na primavera, a Serra da Estrela<br />

fervilha de vida: as flores cobrem<br />

a paisagem, borboletas e libelinhas<br />

voam um pouco por toda<br />

a parte e muitas aves estivais<br />

chegam para passar a época de<br />

reprodução!<br />

Podemos começar o percurso<br />

primaveril pelo Vale Glaciar<br />

do Zêzere, um bom local para<br />

procurar o emblemático Melro-<br />

-de-Água. Uma vez que se encontra<br />

na época de reprodução,<br />

é umas das melhores alturas para<br />

o observar, mas com os devidos<br />

cuidados pois também é quando<br />

se encontra mais vulnerável e<br />

pode abandonar o ninho se sentir<br />

demasiada perturbação.<br />

Subimos até ao Covão da Ametade,<br />

uma agradável zona de<br />

lazer onde florecem bonitas<br />

plantas de montanha, como a<br />

Fritilária (Fritillaria caballeroi), o<br />

Jacinto-dos-campos (Hyacinthoides<br />

hispanica) e a Orquídea-Silvestre<br />

(Dactylorhiza maculata).<br />

Vale também a pena fotografar<br />

alguma fauna que aqui ocorre,<br />

com destaque para o Lagarto-<br />

-de-Água, que nesta altura do<br />

ano exibe as suas belas cores<br />

nupciais, e o Rabirruivo-de-Testa-<br />

-Branca, uma colorida ave estival<br />

que todas as primaveras chega<br />

ao Covão da Ametade para aqui<br />

passar os meses mais quentes.<br />

Chasco-cinzento<br />

(Oenanthe oenanthe)<br />

Covão da Ametade<br />

Lago Viriato<br />

Fritilária (Fritillaria caballeroi)


7<br />

Libelinha (Sympetrum flaveolum)<br />

Continuamos para os Piornos,<br />

onde podemos deslumbrar o<br />

olhar com a paisagem circundante<br />

repleta de tapetes<br />

floridos que nos envolvem<br />

com um delicioso aroma<br />

floral. Nesta zona ocorrem<br />

várias aves estivais que podemos<br />

observar com facilidade<br />

empoleiradas nas rochas ou<br />

nas urzes: o chasco-cinzento,<br />

a sombria e a toutinegra-tomilheira.<br />

Terminamos o roteiro na<br />

Lagoa Comprida, em cujos<br />

prados húmidos se encontram<br />

dezenas de espécies<br />

de borboletas, libelinhas e<br />

outros invertebrados, muitos<br />

dos quais em Portugal apenas<br />

ocorrem na Serra da Estrela.<br />

Algumas das espécies mais<br />

interessantes a observar aqui<br />

são a libellula quadrimaculata,<br />

a libelloides longicornis e<br />

a borboleta coenonympha<br />

glycerion.<br />

Percurso de Verão<br />

Salgadeiras – Lagoa<br />

Comprida – Vale do Rossim<br />

Embora muitas das charcas<br />

temporárias da zona das<br />

Salgadeiras possam estar sem<br />

água no verão, a humidade<br />

do solo que as turfeiras ajudam<br />

a manter faz com que<br />

a vida aqui prolifere mesmo<br />

nesta altura do ano. As Gencianas-das-Turfeiras<br />

(gentiana<br />

pneumonanthe) e as Campânulas<br />

(campanula herminii)<br />

dão cor aos relvados húmidos<br />

em torno das charcas. Temos<br />

que ter cuidado onde pousamos<br />

o pé, pois vão saltando<br />

um pouco por todo lado as<br />

pequenas relas-comuns, um<br />

anfíbio muito fotogénico e<br />

que proporciona umas belas<br />

macro-fotografias. Sobre as<br />

rochas é frequente verem-se<br />

lagartixas-de-montanha a<br />

aquecerem-se ao sol, uma<br />

espécie endémica desta<br />

serra muito tolerante à aproximação<br />

humana se a fizermos<br />

lenta e calmamente.<br />

Maciço central<br />

Rela Comum (Hyla arborea)<br />

Percurso de Outono<br />

Penhas da Saúde – Covão da Ametade<br />

– Poço do Inferno – Bosque de<br />

Faias da Encosta de S. Lourenço<br />

Para explorar fotograficamente o<br />

outono da Serra da Estrela, podemos<br />

começar na aldeia de montanha<br />

das Penhas de Saúde. Aqui<br />

abundam as tramazeiras que frutificam<br />

no outono atraindo muitas<br />

aves invernantes. Entre as mais ilustres,<br />

podemos encontrar a alimentarem-se<br />

das bagas de tramazeiras<br />

o Melro-de-Colar, o Dom-Fafe e o<br />

Tordo-Zornal.<br />

Melro-das-rochas (Monticola saxatilis)<br />

Melro de Peito Branco<br />

(Turdus torquatus)<br />

Chegando à Lagoa Comprida,<br />

podemos seguir a pé o trilho que<br />

contorna o plano de água e observar<br />

várias espécies de libélulas e<br />

borboletas. Vale também a pena<br />

percorrer com o olhar as zonas<br />

rochosas circundantes e procurar<br />

um vulto empoleirado nas rochas,<br />

pois nesta zona já foi observado o<br />

Melro-das-Rochas, uma bonita ave<br />

estival de plumagem laranja e azul<br />

típica de habitats de montanha e<br />

muito desejada pelos ornitólogos.<br />

Finalizamos o nosso passeio de<br />

verão no Vale do Rossim, pois para<br />

além de possuir uma agradável<br />

praia fluvial onde nos podemos<br />

refrescar depois da nossa sessão<br />

fotográfica, tem uma zona extensa<br />

de floresta de pinheiro-casquinha<br />

que alberga uma diversificada vida<br />

selvagem. Ouvem-se por todo o<br />

lado várias espécies de chapins,<br />

os tentilhões, as felosas-musicais e<br />

a escrevedeira-de-garganta-cinzenta.<br />

E se olharmos atentamente<br />

para os pinheiros e tivermos alguma<br />

sorte, podemos observar esquilos-<br />

-vermelhos que desde há alguns<br />

anos voltaram a repovoar as zonas<br />

florestais da Serra da Estrela.


9<br />

Daqui partimos para um dos<br />

mais conhecidos locais da Serra<br />

da Estrela que as cores de<br />

outono tornam ainda mais especial:<br />

o Covão da Ametade,<br />

encabeçado pelo imponente<br />

Cântaro Magro. Para além<br />

dos tons dourados das bétulas<br />

que decoram a paisagem,<br />

podemos perder o nosso olhar<br />

por outros motivos fotográficos<br />

que aqui abundam: os cogumelos<br />

que despontam aqui e<br />

ali, o ainda embrião Rio Zêzere<br />

que atravessa o covão e várias<br />

aves que se vêm alimentar<br />

das sementes das bétulas,<br />

como os lugres e os chapins.<br />

Seguimos em direção a Manteigas,<br />

com as amplas manchas de árvores<br />

de folha caduca que cobrem as suas<br />

encostas, tornando este um dos locais<br />

mais bonitos para fotografar o outono.<br />

Começamos pelo Poço do Inferno,<br />

onde podemos fotografar a sua<br />

cascata com alguns tons de outono<br />

na vegetação circundante e as zonas<br />

de floresta ao longo da estrada de<br />

acesso onde predominam as folhosas<br />

como as faias, os carvalhos e os<br />

castanheiros.<br />

Terminamos o percurso no bosque<br />

de Faias da Encosta de S. Lourenço,<br />

um dos locais mais procurados pelos<br />

fotógrafos para registar imagens<br />

outonais na Serra da Estrela. Para<br />

chegar a este bosque, plantado<br />

pelos serviços florestais de Manteigas<br />

no início do século XX, teremos que<br />

fazer um pequeno percurso a pé de<br />

cerca de 10 min desde o local onde<br />

é possível estacionar. Mas vale muito<br />

a pena, pois quando o outono está<br />

no auge, as faias adquirem os seus<br />

característicos tons avermelhados,<br />

dando uma atmosfera quase mágica<br />

a esta floresta! E dos tapetes de folhas<br />

caídas irrompe uma grande variedade<br />

de cogumelos e fungos muito<br />

fotogénicos.<br />

Poço do Inferno<br />

Covão da Ametade<br />

Bosque de Faias da Encosta de S. Lourenço


Percurso de Inverno<br />

Lagoa do Viriato – Nave de Santo<br />

António – Torre – Salgadeiras<br />

11<br />

Com ou sem neve, são muitos os<br />

motivos fotográficos que podemos<br />

explorar nesta altura do ano.<br />

O passeio pode iniciar na Barragem<br />

da Lagoa do Viriato, onde<br />

as baixas temperaturas promovem<br />

a formação de gelo com<br />

configurações por vezes interessantes<br />

para fotografar. Se houver<br />

neve, esta lagoa torna-se ainda<br />

mais fotogénica e no enquadramento<br />

conseguimos incluir o alto<br />

da Torre.<br />

Vamos depois em<br />

direcção à Nave de<br />

Santo António, uma<br />

zona húmida de<br />

cervunal cujas linhas<br />

de água criam formas<br />

interessantes na<br />

paisagem, que pode<br />

ser explorada a pé<br />

descendo a partir da<br />

zona onde é possível<br />

estacionar o carro.<br />

Este local permite<br />

também uma vista<br />

privilegiada sobre o<br />

maciço central da<br />

Serra da Estrela e da<br />

sua silhueta inconfundível.<br />

Escrevedeira-das-neves<br />

(Plectrophenax nivalis)<br />

Daqui iniciamos a subida até à Torre, o ponto mais alto da serra e de Portugal continental. Para<br />

além da neve e das interessantes formas que o gelo aqui pode assumir, especialmente devido ao<br />

forte vento que aqui se sente frequentemente, podemos fotografar alguma vida selvagem tipicamente<br />

alpina, particularmente duas visitantes invernantes que facilmente se observam e fotografam<br />

no topo da Serra da Estrela: a Escrevedeira-das-Neves e a Ferreirinha-Serrana.<br />

Nave de Santo António<br />

Onde ficar<br />

yup<br />

spot<br />

Onde comer<br />

Casa Lagar da Alagoa<br />

Estrada Nacional Nº 232, Km 73<br />

Vale de Amoreira - Manteigas<br />

275 487 024 / 964 414 249<br />

Quinta de Seves<br />

Estrada do Monte Serrano nº13<br />

Ferro-Covilhã<br />

965 848 639 / 275 958 021<br />

Restaurante Valleculla<br />

Largo do Pelourinho<br />

Valhelhas - Manteigas<br />

275 487 123<br />

Encerra à 2ª Feira<br />

Restaurante Medieval<br />

Hotel Serra da Estrela<br />

Penhas da Saúde - Covilhã<br />

275 310 300


13<br />

FOTOGRAFIA<br />

fotografias de<br />

Pedro Lopes<br />

(Fotógrafo)<br />

Crónica<br />

de um dia<br />

extraordinário<br />

Um dia de nevão pode ser apenas mais uma desculpa para bons<br />

momentos entre amigos. Através da sua lente, Pedro Lopes coloca o<br />

fator humano em cena, brincando com a cor num soberbo jogo de<br />

contrastes.<br />

Photospedrolopes


17


19


21<br />

Descubra o charme<br />

e a sofisticação da<br />

Quinta de Seves<br />

textos de yupmag | fotografia de yupmag<br />

A<br />

rudeza granítica dos edifícios<br />

quadrangulares, de linhas<br />

simples e geométricas contrasta<br />

com o conforto interior<br />

que apenas se deixa adivinhar pelas<br />

grandes janelas roubadas ao granito<br />

e que contribuem para encher as casas<br />

de luz. É, aliás, o conforto, feito de<br />

espaços amplos e cuidadosamente<br />

decorados, que mais contribui para a<br />

sensação de repouso e tranquilidade<br />

que se vive por toda a casa, convidando<br />

o hóspede a usufruir sem pressas<br />

de todos e cada um dos espaços<br />

interiores.<br />

Na casa principal, a área social<br />

dispõe de vários espaços que tanto<br />

se prestam a momentos de leitura e<br />

lazer com total privacidade como ao<br />

convívio em torno da lareira. Na casa<br />

do lado, as opções de estadia alargam-se,<br />

uma vez que pode optar por<br />

reservar os quartos de forma independente<br />

ou efetuar uma reserva para<br />

todo o edifício, o que a torna ideal<br />

para grupos ou famílias mais numerosas<br />

que pretendam fazer as suas<br />

próprias refeições.<br />

Em plena zona agrícola da Cova da Beira, a<br />

Quinta de Seves é uma propriedade agrícola<br />

que remonta ao século XIX e que conta a<br />

história das grandes propriedades beirãs e<br />

das ilustres famílias terratenentes. Nas mãos<br />

da família Almeida Garrett - a mesma que<br />

tem como ilustre antepassado o genial<br />

autor de “Viagens na Minha Terra” - a<br />

propriedade de 75 hectares transformou-se<br />

numa requintada unidade de turismo, pela<br />

mão do hospitaleiro casal João Batista e Maria<br />

João Almeida Garrett.


23<br />

As janelas dos quartos emolduram a Serra da Estrela, elemento sempre<br />

presente neste hotel de charme, que completa a experiência de estadia por<br />

terras da Beira. De inverno, a montanha nevada confere uma maior sensação<br />

de comodidade a este universo de lazer protegido do exterior pelas grossas<br />

paredes de granito, convidando a saborear um bom vinho ao final do dia, enquanto<br />

as luzes da Covilhã se vão acendendo, como uma iluminação de Natal<br />

que sobe a encosta. Para os mais atrevidos, um recanto do pátio com lareira<br />

de exterior, uma manta sobre as pernas, uma vista ampla sobre a Serra quase<br />

ao alcance da mão e um vinho tinto para aquecer a alma pode tornar-se um<br />

momento inesquecível.<br />

Onde fica<br />

Quinta de Seves - Monte Serrano - Covilhã<br />

capacidade: casa principal (2 duplos e 1 twin);<br />

casa do lado (1 duplo e 3 twin ou T2, T3 e T4)<br />

275 958 021<br />

965 848 639<br />

www.quintadeseves.pt<br />

GPS: 40.2320402 / -7.477006


Sinta a natureza sem abdicar<br />

do conforto<br />

Acolher bem é tão natural como<br />

o ar que por cá se respira<br />

6215-556 Unhais da Serra (Covilhã)<br />

Email: geral@quintadavargem.com<br />

Telefone: 917 265 860<br />

GPS: 40°23'87.1"N 7°61'57.1"W<br />

Website: www.quintadavargem.com<br />

O vinho é aliás, outra das experiências<br />

a não perder na Quinta de<br />

Seves. A família é também produtora<br />

e a marca Almeida Garrett conta<br />

com vinhos feitos a partir de castas<br />

nacionais, mas também com um<br />

sofisticado espumante criado a partir<br />

da casta Chardonnay que a família<br />

trouxe de França para plantio na<br />

Beira Interior.<br />

A Quinta de Seves possui argumentos<br />

mais que suficientes para que planeie<br />

uma estadia de repouso e requinte<br />

e, para tal, nem precisa de sair<br />

deste espaço de turismo rural. Mas se<br />

prefere aproveitar para conhecer a<br />

região, saiba que o isolamento deste<br />

hotel é apenas aparente. A Covilhã<br />

fica apenas a 6 kms - tantos quanto<br />

a autoestrada da Beira Interior - e a<br />

centralidade da Quinta de Seves permite-lhe<br />

construir uma experiência de<br />

visita que poderá incluir um passeio à<br />

Serra da Estrela ou a visita a algumas<br />

das mais reconhecidas aldeias<br />

históricas: Belmonte, Sortelha, Castelo<br />

Novo ou Monsanto estão à distância<br />

de poucos quilómetros. O mais difícil<br />

será escolher…<br />

SABE<br />

Sociedade Agrícola<br />

da Beira, S.A.<br />

ALMEIDA<br />

GARRETT<br />

MOUNTAIN WINES<br />

R. D. Mª Rosália T. Proença, nº16<br />

6200-758 Tortosendo<br />

TLF. 275 951 217<br />

E-MAIL sabesa@sapo.pt


27<br />

A Laranjinha<br />

Bons Petiscos<br />

Companhia<br />

textos de yupmag | fotografia de yupmag<br />

&<br />

restaurante<br />

Guardador da memória<br />

O Cão da Serra<br />

textos de yupmag | fotografia de yupmag<br />

Onde fica<br />

Rua 1º Dezembro, 10<br />

Covilhã<br />

Tel. 275 083 586<br />

GPS 40.28067,-7.50482,12<br />

Uma das raças de cão<br />

mais antigas da Península<br />

Ibérica e mais um<br />

dos tesouros desta<br />

região. O “Cão da Serra da Estrela”<br />

acompanha o seu dono, na<br />

guarda dos seus haveres, neste<br />

caso o rebanho de gado ovino e<br />

caprino. Fiel companhia na subida<br />

à serra quando o gado para<br />

aí vai, ou nas longas rotas de<br />

transumância, quando os herbívoros<br />

que estão sob a sua protecção<br />

são obrigados a procurar<br />

pastos em zonas mais temperadas.<br />

Os pastores colocavam-lhes<br />

coleiras de bicos metálicos no<br />

pescoço, para dificultar as dentadas<br />

dos lobos e, apesar de ser<br />

um hábito em desuso devido<br />

ao gradual desaparecimento<br />

do lobo ibérico, tal ainda pode<br />

ser observado ocasionalmente<br />

em alguns exemplares sempe<br />

dóceis e fotogénicos.<br />

No entanto, o aspeto e contacto<br />

dócil destes animais face aos<br />

humanos esconde um bravo<br />

guardião e guia de rebanhos.<br />

As suas caraterísticas como<br />

vigilante dão-lhe uma certa autonomia<br />

de circulação e é ainda<br />

frequente ver estes animais<br />

colocados em posições cimeiras,<br />

como cristas de montanha<br />

ou blocos de rocha, de onde<br />

podem observar o rebanho mas<br />

também as áreas circundantes.<br />

Tais são as capacidades destes<br />

animais que muitas vezes os pastores<br />

confiavam-lhes a guarda<br />

dos rebanhos e eram os cães<br />

que levavam os ovinos para o<br />

pasto e os traziam de volta ao<br />

lugar onde, por vezes, o pastor<br />

passava o dia no convívio com<br />

outros, assim aligeirando o peso<br />

da solidão das serranias.<br />

O centro histórico da Covilhã tem mais<br />

um motivo de interesse. A Taberna A<br />

Laranjinha é um espaço de restauração<br />

recente mas apostou na recriação do<br />

ambiente das tradicionais tascas portuguesas.<br />

Localizada num imóvel de interesse<br />

histórico, nas traseiras do Largo do Pelourinho<br />

e paredes meias com uma antiga<br />

cisterna medieval, n’A Laranjinha respira-se<br />

a tradição dos lugares de convívio à volta de<br />

uns acepipes onde a conversa se estende<br />

preguiçosa ao longo do dia ou da noite.<br />

Os bancos de madeira - que por cá se<br />

chamam mochos - as toalhas de padrões<br />

aos quadrados, a excessiva decoração<br />

onde não faltam pipas de vinho e os<br />

tradicionais quadros de giz a anunciar os<br />

comes e bebes, transportam-nos para um<br />

universo saudosista da portugalidade que<br />

se completa com uma ementa de petiscos<br />

que já raramente se encontra e que<br />

constitui a essência do lugar.<br />

E, porque os bons momentos se fazem de<br />

boa comida, propomos duas opções de refeição.<br />

Pode optar por uma refeição a partir<br />

do menu de pratos e encontrará sugestões<br />

como o Polvo à Laranjinha Com Migas de<br />

Pão Centeio, Coentros e Batata a Murro,<br />

o Bife à Pastor Com Molho à Cervejeiro, a<br />

Costeleta de Borrego ou as Bochechas de<br />

Porco. Uma outra opção de refeição consiste<br />

em escolher a partir de um buffet muito<br />

variado e ir provando os petiscos do dia em<br />

prato pequeno. Garantimos que, qualquer<br />

que seja a sua escolha, ficará satisfeito com<br />

a paleta de sabores regionais que a taberna<br />

oferece. E, por falar em pratos regionais,<br />

não se esqueça de provar o típico Pastel de<br />

Molho da Covilhã ou o Cremoso de Requeijão<br />

Com Doce de Abóbora. Para acompanhar<br />

a refeição, terá uma carta de vinhos<br />

bastante variada, mas aconselhamos uma<br />

aposta na surpreendente seleção de vinhos<br />

regionais da Beira Interior.<br />

A Laranjinha encerra ao domingo e, nos<br />

restantes dias, tem um horário para almoço,<br />

que vai das 12h às 15h e um horário noturno<br />

com abertura às 19h e encerramento à<br />

meia-noite. Para o horário da noite, recomendamos<br />

reserva, uma vez que o espaço<br />

é bastante frequentado, não apenas para<br />

refeições, mas também como local de encontro<br />

entre amigos ao final do dia.


29<br />

prints<br />

texto de João Morgado<br />

(escritor)<br />

Covilhã<br />

Coração de lã<br />

Covilhã é uma terra serrana<br />

que respira o ar puro<br />

da montanha e vai beber<br />

em todas as suas fontes.<br />

Domesticou as suas águas para dar<br />

força às fábricas, para lavar as lãs<br />

que tosquiou do gado e os panos<br />

que orgulhosamente teceu. Na cidade,<br />

tocam as sirenes da indústria,<br />

no campo as flautas dos pastores.<br />

A cidade tornou-se fiandeira, alegre<br />

e contente, mas é da Serra da Estrela<br />

que brotou toda a riqueza. Entre<br />

as agruras, ora do sol, ora da neve,<br />

a montanha sempre foi lugar de<br />

gente dura que mostrou o peito à<br />

natureza e não se intimidou. Calcorreou<br />

vales, trepou granito, transpirou,<br />

tremeu de frio, fustigou o corpo<br />

com uma vida agreste, mas sempre<br />

soube tirar da montanha o que de<br />

melhor ela tinha.<br />

A Covilhã é uma filha da Serra da<br />

Estrela. Dela se alimentou, à sombra<br />

dela cresceu e se fez famosa. E a<br />

Serra, num instinto maternal, nunca<br />

lhe faltou com nada. Deu-lhe a essência<br />

da indústria têxtil, a paisagem<br />

de um mundo belo, a neve<br />

como um véu de beleza, o queijo<br />

como um cartão-de-visita. Deu-lhe<br />

tudo.<br />

A Cidade permanece calma no<br />

sopé da montanha. Abre os braços<br />

para o vale, outrora resguardado<br />

para a agricultura e, rasgando o estigma<br />

da interioridade, traça novos<br />

caminhos rumo ao futuro.<br />

Com o tempo, vão ficando abafados<br />

os sons das sirenes. Um povo<br />

operário cresceu para a modernidade<br />

e o som da lançadeira nos<br />

teares já não marca o compasso da<br />

cidade, como se fosse o bater rítmico<br />

de um coração de lã.<br />

A cidade permanece calma no<br />

sopé da montanha. Abre os braços<br />

para o vale e parece querer<br />

um novo caminho. Covilhã, se<br />

hoje é senhora, não renega o seu<br />

passado de pastora, não esquece<br />

que a roca foi a sua vaidade e que<br />

no tear, com orgulho, cruzou os fios<br />

do seu destino.<br />

Aqui se juntam os tempos idos e os<br />

que estão para vir. A vaga memória<br />

de um tempo já vivido, a vaga<br />

penumbra do que falta percorrer.<br />

Arrancadas à terra descobrem-se<br />

as raízes de um passado ancestral,<br />

em que por vezes, nos parece ouvir<br />

a pena do Marquês de Pombal<br />

a riscar planos para o futuro. Nesta<br />

que foi, outrora, a Real Fábrica dos<br />

Panos, se descobrem agora, usos<br />

e costumes de um mester que nos<br />

orgulha, e fica com mais cor o quadro<br />

com que se pinta a história da<br />

nossa gente.<br />

Por aqui se diz que, com os fios do<br />

passado se tece o futuro. E neste<br />

tear do ensino que é a universidade,<br />

se tece a laboriosa teia de preparar<br />

os homens dos tempos que<br />

estão por vir.<br />

Covilhã foi fiandeira. É talvez, hoje<br />

engenheira, mas continua a cheirar a<br />

lã. Soube tecer pano fino, melhorar<br />

a seu destino e, no orgulho da beirã,<br />

transformou-se em terra moderna, o<br />

que foi simples cova da lã.<br />

Podem chamar-lhe Cidade Neve<br />

ou Capital da lã. Mas o seu nome<br />

próprio é Covilhã. Afirma-se no ensino,<br />

na saúde, abre as velas aos novos<br />

ventos. Muda o seu rosto, transforma-se.<br />

Veste novas roupagens e<br />

um perfume de quem se sente jovem<br />

e se prepara para mudar de<br />

vida. Passo a passo, constrói novos<br />

horizontes – que outros nomes estarão<br />

para vir?<br />

“<br />

Deu-lhe a essência<br />

da indústria<br />

têxtil,<br />

a paisagem<br />

de um mundo<br />

belo, a neve<br />

como um véu<br />

de beleza, o<br />

queijo como<br />

um cartão-de-<br />

-visita.<br />


31<br />

A<br />

cidade<br />

roubada<br />

à montanha<br />

Atrás, a ponte pedonal da Carpinteira,<br />

da autoria do arquiteto Carrilho<br />

da Graça<br />

Não é fácil andar a<br />

pé pela Covilhã. O núcleo<br />

urbano mais antigo<br />

estica-se pela encosta acima<br />

numa persistência secular<br />

de conquistar a montanha.<br />

Nos últimos anos, a construção<br />

de pontes pedonais e elevadores<br />

panorâmicos veio facilitar a vida<br />

de quem precisa de se deslocar a<br />

pé e, ao mesmo tempo, criou novos<br />

percursos, ideiais para passear enquanto<br />

o olhar descansa no longe.<br />

textos de yupmag | fotografia de yupmag<br />

Elevador e escadas de Santo André


33<br />

Rua e janela na<br />

zona histórica de<br />

Santa Maria<br />

A centenária Fábrica<br />

António Estrela acolhe<br />

hoje o New Hand Lab,<br />

um berço de artistas e<br />

criadores<br />

Arcadas da<br />

Câmara, parte<br />

integrante do conjunto<br />

resultante da renovação<br />

do Largo do Pelourinho com<br />

a estética arquitetónica do Estado Novo<br />

Da antiga muralha pouco resta. O terramoto<br />

de 1755 que destruiu o castelo, devastou<br />

igualmente a cidade.<br />

Fachada de 1920,<br />

do arquiteto Ernesto<br />

Korrodi, com motivos<br />

de Arte Nova.<br />

Podem encontrar-<br />

-se outros exemplos<br />

no Palacete Jardim<br />

ou no Clube União.


35<br />

Jardim Público:<br />

o maior espaço<br />

aberto da encosta<br />

é um dos pontos<br />

de encontro preferidos<br />

na cidade<br />

Varanda panorâmica<br />

sobre o lado norte<br />

da cidade. Deste<br />

ponto vê-se o vale da<br />

Carpinteira, de onde<br />

outrora as fábricas<br />

têxteis produziram<br />

para o mundo inteiro.<br />

Mais à frente, o Bairro<br />

dos Penedos Altos,<br />

um bairro operário<br />

dos anos 40 do século<br />

passado.


37<br />

A nova vida do<br />

textos de yupmag | fotografia de yupmag<br />

Desde há seculos usado pela sua resistência<br />

e versatilidade, o burel é o produto laneiro<br />

mais autêntico da Serra da Estrela. Com o<br />

aparecmiento das fibras sintéticas, o burel<br />

foi caindo no esquecimento, associado que era a<br />

um produto tosco e de uso popular.<br />

Contudo, a sua história recente tem um novo<br />

capítulo feito de inovação e design. O tecido<br />

mais tradicional da Serra da Estrela está de volta,<br />

adaptado às preferências do consumidor moderno,<br />

mas mantendo todas as caraterísticas de produção<br />

artesanal que lhe conferem a autenticidade<br />

de sempre.<br />

Das ruínas dos Lanifícios Império de Manteigas,<br />

pela mão de Isabel Costa, surge em 2010 um interessante<br />

projeto de revitalização do tecido artesanal<br />

serrano feito inteiramente em lã. A Burel Factory<br />

produz em burel peças de vestuário, decoração e<br />

acessórios nascidos da mão de criadores, artistas,<br />

designers e estilistas que lhe conferem um design<br />

atual onde, entre outras surpresas, aparece a utilização<br />

da cor numa matéria prima que tradicionalmente<br />

se restringia às cores naturais da lã.<br />

Caminho semelhante seguiu o criador Miguel Gigante<br />

que, desde 1992, se dedica exclusivamente<br />

a trabalhar este tecido de forma inovadora a partir<br />

do seu Atelier de Burel na Covilhã. O recente<br />

aparecimento do New Hand Lab na centenária<br />

Fábrica António Estrela, na Covilhã, atesta a vitalidade<br />

desta tendência em pequenos pólos criativos<br />

como este interessante projeto de incubação<br />

de jovens designers, estilistas de moda e artesãos.<br />

No coração da cadeia de transformação da lã<br />

encontramos em Manteigas a Ecolã, uma empresa<br />

artesanal em atividade desde o início do século<br />

passado que muito tem contribuido para a preservação<br />

desta herança cultural e que, pela sua<br />

atividade, proporciona a existência de projetos<br />

criativos emergentes como a Estrela Pardo, uma<br />

feliz junção de paixões entre as amigas Laura e<br />

Ana, aquela uma professora que trocou Lisboa<br />

por Unhais da Serra e esta uma designer têxtil, que<br />

se fixou na Covilhã pelo amor que tem à lã. Juntas,<br />

criam peças que são uma fusão entre materiais<br />

típicos da região, como o burel e a madeira de<br />

oliveira. O que torna as criações interessantes é o<br />

cruzamento entre técnicas ancestrais como o crochet,<br />

o bordado e o ponto de cruz, com as novas<br />

tecnologias, como a maquinação de alguns elementos<br />

e a gravação laser.<br />

burel<br />

estrelapardo Artigos na imagem à venda<br />

na Mercearia da Estrela, em<br />

Unhais da Serra e<br />

n’A Tentadora, na Covilhã<br />

Sucumba<br />

a esta<br />

Existe um novo espaço na<br />

Covilhã que anda a dar<br />

que falar. Chama-se A<br />

Tentadora, está localizado<br />

numa das ruas principais da<br />

zona histórica e ocupa uma antiga<br />

mercearia com mais de 80<br />

anos de história. Foi restaurada<br />

com delicadeza pelo casal que<br />

dirige o projeto, um arquiteto<br />

da Covilhã e uma historiadora<br />

da arte e museóloga de Barcelona,<br />

que tentaram preservar<br />

ao máximo os elementos e a<br />

estética originais. Recuperaram<br />

os armários, com as suas portas<br />

envidraçadas, o balcão, com<br />

a grande pedra de mármore e<br />

a faca para cortar o bacalhau,<br />

a máquina registadora… e até<br />

mantiveram o nome e o logótipo<br />

com que a casa inaugurou<br />

em 1935.<br />

tentação<br />

texto e fotografia<br />

yupmag<br />

Trata-se de um projeto em construção,<br />

com três vertentes: um<br />

cowork, uma loja e um espaço<br />

cultural. Começou como espaço<br />

de trabalho e cowork, principalmente<br />

vocacionado para<br />

profissionais das áreas criativas.<br />

Pouco depois, abriu a loja, com<br />

produtos de design de autor,<br />

artesanato e gourmet. Todos<br />

os produtos são de origem portuguesa,<br />

sendo dada sempre<br />

prioridade aos designers e artesãos<br />

da cidade e da região.<br />

A abertura da última componente<br />

do projeto, a sala de<br />

exposições/galeria de arte, está<br />

prometida para breve. Vai ocupar<br />

o antigo armazém da mercearia,<br />

numa porta contígua.<br />

Promete trazer até à cidade<br />

artistas plásticos nacionais e internacionais<br />

que apresentarão<br />

propostas adaptadas ao espaço<br />

e ao entorno, com formatos<br />

artísticos fora do convencional.<br />

Para isto, contam com o compromisso<br />

de artistas que acompanham<br />

há muito tempo e<br />

estão em contacto com diversas<br />

plataformas e associações<br />

com projetos semelhantes, de<br />

diversas regiões da Europa.<br />

Também não querem esquecer<br />

os artistas da região, que<br />

têm desenvolvido um trabalho<br />

sólido mas menos conhecido,<br />

por isso, a programação cultural<br />

quer-se diversificada, com<br />

workshops, palestras, sessões<br />

de cinema, microteatro ou<br />

pequenos concertos.<br />

A Tentadora<br />

R. Alexandre Herculano, 21<br />

6200-042 Covilhã<br />

Telef. 914441723<br />

GPS: 40.2803677, -7.5078478<br />

atentadora


39<br />

FOTOGRAFIA<br />

fotografias de<br />

Pedro Miguel Silva<br />

(Fotógrafo )<br />

Viagem à<br />

Cidade e<br />

às serras<br />

A objetiva de Pedro Miguel Silva fixa, com a mesma mestria, a paisagem<br />

natural ou humanizada, cristalizando temas que são ícones<br />

desta região serrana.<br />

PedroSilvaImages


41


43


47<br />

Percursos<br />

Tudo o que<br />

espera ver<br />

não<br />

num centro<br />

histórico<br />

Tamara Alves (Portugal)<br />

textos de yupmag | fotografia de Pedro Seixo Rodrigues<br />

As ruas e vielas do centro<br />

histórico da Covilhã<br />

ganharam, nos últimos<br />

anos, um novo ponto de<br />

interesse. A iniciativa WOOL – Festival<br />

de Arte Urbana tem vindo a<br />

valorizar áreas da cidade com a<br />

criatividade de conhecidos artistas<br />

urbanos.<br />

Deixe o seu carro junto à capela<br />

do Calvário, já na saída para a<br />

serra e parta à descoberta da verdadeira<br />

identidade desta cidade<br />

que constantemente se reinventa.<br />

Imagine percorrer os recantos<br />

mais pitorescos da cidade enquanto<br />

descobre os espantosos<br />

murais do ARM COLLECTIVE, Tamara<br />

Alves, Mr. Dheo ou Kram.<br />

Desfrute do imprevisto com a já<br />

icónica coruja de Bordalo II, a<br />

obra mais reconhecida internacionalmente.<br />

A escadaria que ladeia<br />

a Câmara Municipal marca<br />

a saída do bairro antigo de Santa<br />

Maria e serve de tela a um mural<br />

onde ADD FUEL compõe um padrão<br />

de azulejos alusivo à indústria<br />

laneira.<br />

Descubra ainda VHILS e a sua singular<br />

técnica de retrato em baixo-relevo,<br />

o mais conceituado artista<br />

urbano da atualidade.<br />

Surpreenda-se em cada recanto.<br />

Samina (Portugal)<br />

Btoy (Espanha)<br />

Descarregue o mapa em:<br />

www.yup.pt/percursos<br />

Mr. Dheo (Portugal)


49<br />

FOTOGRAFIA<br />

fotografias de<br />

Carlos Pimentel<br />

(Fotógrafo )<br />

A profundidade de campo, o jogo<br />

cromático ou a fixação nos reflexos<br />

são constantes na intensa paixão que<br />

é fotografar a Serra da Estrela e que<br />

permitem ao fotógrafo criar<br />

paisagens<br />

irreais<br />

carlospimentelfotografo


O<br />

extremo norte da Cova da<br />

Beira é dominado pela vila de<br />

Belmonte, de onde se destaca,<br />

de imediato, o seu castelo<br />

a coroar a cintura urbana. De origem<br />

remota, as terras de Belmonte mantêm<br />

ainda a marca da presença anterior à<br />

nacionalidade, com o enigmático “Centum<br />

Cellas”, uma milenar construção da<br />

qual ainda hoje pouco se sabe ao certo.<br />

O mesmo se passa com o nome da povoação.<br />

A hipótese óbvia remete para<br />

a beleza do local onde o povoamento<br />

assenta. No entanto, outra hipótese<br />

mais erudita remete para a expressão<br />

latina “Belli”Monte, ou seja, o “monte<br />

das guerras”, numa alusão à presença<br />

romana na área e aos conflitos com as<br />

BELMONTE<br />

Aqui nasceu o<br />

Novo Mundo<br />

textos de yupmag | fotografia de yupmag<br />

tribos lusitanas dos Montes Hermínios. No<br />

século XII, a vila ganha o seu Foral, mas<br />

é com os Descobrimentos que ganha<br />

maior notoriedade. Belmonte é o berço<br />

de Pedro Álvares Cabral, o descobridor<br />

do Brasil e mantém a mais antiga comunidade<br />

judaica da península ibérica.<br />

Hoje é um concelho com um interessante<br />

património histórico, desde o castelo<br />

à Igreja de S. Tiago, geminada com a<br />

Capela dos Cabrais, um conjunto classificado<br />

como monumento nacional e<br />

um centro histórico pequeno mas muito<br />

bem cuidado onde, num pequeno passeio<br />

a pé, podemos visitar nada menos<br />

que 5 museus. Destacamos o Museu<br />

Judaico, o único em Portugal e o Museu<br />

dos Descobrimentos.<br />

A torre “Centum Cellas”, no Colmeal<br />

da Torre, a 3 kms de Belmonte é, talvez,<br />

um dos mais enigmáticos monumentos<br />

do país e tem alimentado diversas teorias<br />

sobre a sua função. Ao certo sabe-<br />

-se que é uma construção do período<br />

de ocupação romana e que remonta<br />

ao século I. Terá sido uma prisão, uma<br />

construção militar, a villa de uma propriedade<br />

agrícola?<br />

57<br />

O Posto de Turismo<br />

funciona dentro do castelo


Residência da família Cabral,<br />

o castelo revela hoje<br />

uma mistura de estilos arquitetónicos,<br />

tendo traços<br />

românicos, góticos,<br />

manuelinos e setecentistas.


61<br />

Comunidade judaica de Belmonte<br />

Uma história<br />

de resistência<br />

textos de yupmag | fotografia de yupmag<br />

O Museu dos Descobrimentos<br />

é um espaço de<br />

visita obrigatória, muito<br />

interativo e que recria<br />

a viagem do filho maior<br />

da terra, Pedro Álvares<br />

Cabral, figura presente<br />

em muitos locais da vila.<br />

É, aliás, impressionante<br />

o número de museus e<br />

espaços museológicos<br />

nesta pequena vila, dos<br />

quais podemos destacar<br />

ainda o Museu Judaico,<br />

do Azeite, o EcoMuseu<br />

do Zêzere e o Panteão<br />

dos Cabrais.<br />

A Sinagoga, apesar de ser<br />

uma construção recente,<br />

fica no casco histórico<br />

da vila, com vistas para a<br />

Cova da Beira<br />

Corria o século XVI quando o rei D. Manuel<br />

ordenou a conversão de todos os judeus<br />

em território nacional ou, em alternativa,<br />

a sua expulsão. Os que ficaram<br />

viram-se obrigados a tornar-se cristãos-novos<br />

e demonstrar publicamente a sua nova fé. No<br />

entanto, algumas comunidades persistiram, de<br />

forma isolada e em segredo, a praticar os<br />

ritos judaicos, muitas vezes com a conivência<br />

da população cristã que, mesmo assim, não<br />

deixou de os apelidar de “marranos”, numa<br />

alusão à proibição judaica do consumo de<br />

carne de porco.<br />

Fosse pelo isolamento, fosse pela força das convições,<br />

a comunidade de judeus em Belmonte<br />

manteve o seu secretismo até ao séc. XX, casando-se<br />

entre si durante séculos e mantendo<br />

intactos os seus rituais judaicos, o que permitiu a<br />

sobrevivência da comunidade e lhe valeu, em<br />

1989, o reconhecimento oficial, após a validação<br />

das práticas religiosas por um tribunal rabínico<br />

de Israel. Em 1996 é inaugurada a Sinagoga<br />

“Beit Eliahu” (Filho de Elias), em 2001 foi criado o<br />

cemitério judaico e em 2005 o único Museu Judaico<br />

do país, como única é também a herança<br />

da presença histórica dos judeus sefarditas.<br />

Vivem-se hoje tempos de maior tolerância religiosa<br />

e, em Belmonte, as comunidades cristã e judaica<br />

convivem lado a lado mantendo, cada uma os<br />

seus preceitos. Sinal desta pacífica convivência interreligiosa<br />

são as celebrações das festas judaicas<br />

como o “Hannukah”, ou “Festa das Luzes”, uma<br />

festa móvel que coincide com a época do<br />

Natal cristão e que tem, em Belmonte, várias<br />

manifestações públicas.<br />

Aproveite ainda para provar produtos Kosher (ou<br />

Kasher), como as duas marcas de vinho produzidas<br />

segundo o ritual judaico pela Adega Coop.<br />

da Covilhã, o azeite da Casa Agrícola Francisco<br />

Esteves, os Queijos Braz ou as compotas da Casa<br />

Prisca de Trancoso.<br />

Onde comer<br />

yup<br />

spot<br />

Restaurante Casa da Esquila<br />

Casteleiro<br />

tel. 271 381 070<br />

GPS: 40.3035945, -7.2386171,17


63<br />

Casa Lagar da Alagoa<br />

Sinta a natureza<br />

no vale glaciar<br />

textos de yupmag | fotografia de yupmag<br />

Há tantas razões<br />

para viver a Serra<br />

da Estrela em estado<br />

puro! Desfrute<br />

da Casa Lagar da<br />

Alagoa, em família<br />

ou com um grupo<br />

de amigos e fique<br />

a conhece-las todas!<br />

Acolhedora<br />

no inverno, mágica<br />

todo o ano!


65<br />

Encostada a um meandro do<br />

leito do Zêzere, a poucos quilómetros<br />

da sua nascente, a<br />

Casa Lagar da Alagoa disfruta<br />

de uma localização privilegiada<br />

no vale glaciar que serpenteia<br />

por entre as encostas íngremes, em<br />

pleno coração do parque natural<br />

da Serra da Estrela.<br />

O conjunto arquitetónico resulta<br />

de um antigo lagar de azeite e<br />

moinho de farinha, cuja construção<br />

remonta ao séc. XVIII, objeto<br />

de uma cuidadosa recuperação<br />

que junta com a mesma mestria o<br />

ferro, o granito e o xisto. O enquadramento<br />

na paisagem envolvente<br />

confere à Casa Lagar da Alagoa a<br />

autenticidade de uma verdadeira<br />

casa beirã, num diálogo perfeito<br />

com a natureza.<br />

Ao cruzar a porta de entrada<br />

entra-se num espaço de conforto<br />

que conserva a memória da identidade<br />

do lagar original. O cuidado<br />

colocado na conservação do<br />

património permite ao hóspede<br />

disfrutar de um local que é simultaneamente<br />

de convívio e museológico,<br />

com áreas resguardadas que<br />

permitem privacidade em espaços<br />

únicos e singulares. A comunicação<br />

entre as casas e os corredores<br />

faz-se por áreas amplas e envidraçadas<br />

que lhe farão sentir o prazer<br />

do ar livre mesmo nos rigores do inverno<br />

serrano.<br />

Ou, se preferir, opte pela intimidade<br />

dos quartos e suites, onde a luz<br />

se impõe em janelas panorâmicas<br />

ideais para se perder em horas de<br />

leitura ou contemplar apenas as<br />

espetaculares vistas e bosques envolventes.<br />

Onde fica<br />

Estrada Nacional Nº 232, Km 73<br />

Vale de Amoreira 6260-403 Manteigas<br />

Telefone(s): +351 275 487 024 +351 964 414 249<br />

capacidade: 9 quartos<br />

GPS: Lat. N40º24’47’’ Long. W7º26’59’’<br />

Toda a casa<br />

se abre ao<br />

exterior como<br />

um solário,<br />

criando uma<br />

atmosfera<br />

protegida do<br />

rigoroso clima<br />

serrano.<br />

Para os que procuram<br />

uma estadia mais ativa, este<br />

pequeno hotel rural, com<br />

os seus 7 quartos e duas suites,<br />

é ideal para uma escapadinha<br />

com um grupo de<br />

amigos. A pouca distância,<br />

o SkiParque, uma estância<br />

com pistas artificiais que<br />

permitem esquiar todo o<br />

ano, oferece atividades de<br />

lazer ideais para a família e<br />

grupos. Ou, se preferir gozar<br />

do contacto com a natureza,<br />

que por estes lados é<br />

avassaladora, perca-se nos<br />

bosques envolventes, nos<br />

trilhos que partem do vale<br />

glaciar para se elevarem<br />

até às cristas que envolvem<br />

o Zêzere. Por aqui passa a<br />

recém criada Grande Rota<br />

do Zêzere (GRZ) bem como<br />

outras pequenas rotas locais.<br />

Aliás, os trilhos pedestres<br />

estão todos muito bem<br />

sinalizados e, exceto com<br />

condições atmosféricas<br />

muito adversas, não constituem<br />

qualquer problema<br />

quanto à orientação nem<br />

necessitam equipamento<br />

especial. Outra opção, que<br />

já carece de orientação<br />

por parte de profissionais<br />

credenciados, é o montanhismo<br />

de escalada, que<br />

se pode fazer alguns quilómetros<br />

mais acima no vale<br />

glaciar, junto ao conhecidísimo<br />

Covão da Ametade.<br />

A localização da Casa<br />

Lagar da Alagoa é, aliás,<br />

bastante entusiasmante,<br />

servindo como ponto de<br />

partida para subir todo o<br />

vale glaciar até à Nave de<br />

Santo António, com paragem<br />

obrigatória no viveiro<br />

de trutas de Manteigas. Ou<br />

bifurcar para o Poço do Inferno<br />

de onde pode usufruir<br />

de paisagens panorâmicas<br />

de cortar a respiração. No<br />

outono, a encosta de São<br />

Lourenço é o local mais<br />

procurado, pelo bosque de<br />

faias que empresta à montanha<br />

a cor do fogo.<br />

Outra proposta de passeio<br />

passa por seguir a EN<br />

232 no sentido ascendente.<br />

Irá levá-lo até às Penhas<br />

Douradas por um percurso<br />

que serpenteia pela encosta<br />

mais íngreme e mais<br />

surpreendente do vale. A<br />

meio do trajeto siga a indicação<br />

do Covão da Ponte<br />

e avance de surpresa em<br />

surpresa.<br />

Ao final do dia, regresse<br />

à Casa Lagar da Alagoa e<br />

ponha a conversa em dia à<br />

volta da lareira. Garantimos<br />

dias inesquecíveis.


67<br />

O festim<br />

dos sabores<br />

A melhor cozinha gourmet<br />

em ambiente rural<br />

restaurante<br />

Que imagem lhe vem à mente<br />

quando qualifica um restaurante<br />

como “gourmet”?<br />

Provavelmente a mesma que<br />

nós temos. Um espaço sofisticado, nos<br />

centros urbanos, com serviço aprimorado<br />

e pratos de aspeto requintado,<br />

que recorrem à utilização de produtos<br />

culinários estrangeiros. Pois bem, a Casa<br />

da Esquila obriga-nos a reformular esse<br />

conceito.<br />

Fomos conhecer o restaurante Casa<br />

da Esquila atraídos pela forma como se<br />

anuncia: um espaço de degustação de<br />

Gourmet Rural, resultado da “conjugação<br />

de técnicas artesanais e atuais que<br />

permitem criar um estilo rústico chique”,<br />

nas palavras do chef Rui Cerveira.<br />

A surpresa seguinte prende-se com a<br />

localização do espaço. Tomemos por<br />

referência a Covilhã. Saindo da cidade<br />

em direção ao Sabugal, encontramos a<br />

Casa da Esquila na aldeia do Casteleiro,<br />

a uma distância de 30 kms. O nome<br />

da localidade talvez seja pouco significativo,<br />

mas ganha interesse se dissermos<br />

que fica muito perto de Sortelha,<br />

uma das mais visitadas aldeias históricas.<br />

E também fica perto da Guarda,<br />

do Sabugal, de Penamacor e apenas a<br />

15 kms de Belmonte, em plena Cova da<br />

Beira. Não nos parece haver melhor localização<br />

para um espaço que se quer<br />

afirmar como diferenciador na culinária<br />

beirã no mundo rural.<br />

Na opinião do chef Rui Cerveira, a<br />

cozinha tradicional não tem que ser<br />

pouco requintada. Aliás, a fidelidade<br />

às raízes beirãs constrói-a com sabores<br />

autênticos que se conseguem utilizando<br />

produtos biológicos e endógenos.<br />

“As terras desta zona são excelentes,<br />

quando não temos um produto basta<br />

arranjar sementes e plantar. Além do<br />

textos de yupmag | fotografia de yupmag<br />

mais, estarmos num concelho<br />

com temperaturas e terroirs<br />

completamente diferentes; em<br />

40 kms temos terras frias e terras<br />

quentes”, salienta o chef.<br />

A localização em meio rural só<br />

contribui para um património<br />

alimentar de elevada qualidade<br />

orgânica, muito do qual de<br />

produção própria.<br />

E, porque de um restaurante se<br />

trata, o que podemos encontrar<br />

à mesa? Nova surpresa.<br />

Para começar, três filosofias<br />

culinárias: “Lavrador”, para os<br />

saudosistas dos sabores da panela<br />

de ferro, do carvão, das<br />

sopas das avós; “Regional”,<br />

com os sabores tradicionais<br />

aliados a um empratamento<br />

mais delicado e “Gourmet”,<br />

um espaço culinário experimental<br />

feito de combinações<br />

improváveis.<br />

Ao fim de semana a escolha<br />

aumenta e o menu do chef<br />

inclui o Folhado de Camarão<br />

com Salada de Citrinos, o<br />

Naco com Póquer de Legumes,<br />

ou o Bacalhau Confitado.<br />

1<br />

3<br />

Mas é ao domingo que a<br />

Esquila apresenta os clássicos<br />

da casa, com destaque para<br />

a afamada Barriga de Leitão e<br />

o Bacalhau à Esquila. Surpreendentes<br />

são também os menus<br />

exclusivos, feitos mediante marcação<br />

prévia, como o Menu<br />

7 Pecados ou as degustações<br />

Kosher, a pensar no público judaico.<br />

De resto, aconselhamos<br />

sempre marcação prévia, seja<br />

qual for o dia, já que isso lhe<br />

permitirá acesso às diferentes<br />

degustações que estarão disponíveis<br />

especialmente para si.<br />

2<br />

1<br />

2<br />

3<br />

Onde fica<br />

Casteleiro - Sabugal<br />

aberto das 11:30h às 22:30h<br />

271 381 070<br />

GPS: 40.3035945, -7.2386171,17<br />

Folhado de Javali<br />

Salada de Favas Frescas<br />

com Tronco de Farinheira<br />

Naco de Vitela<br />

com Salada de Vitelotte


69<br />

Caminhos<br />

de xisto<br />

na Serra do Açor<br />

Percursos<br />

Texto de<br />

Salete Diogo<br />

(Fotografia de Fernando Almeida)<br />

A Rota do Xisto, na Serra do<br />

Açor, é vincada por vistas<br />

desconcertantes. O xisto<br />

domina o percurso e a paisagem,<br />

altiva e vigorosa, é<br />

marcada por vales acentuados,<br />

trilhos, veredas, linhas e<br />

quedas de água. Um passeio<br />

onde é possível conciliar beleza<br />

natural e humanizada,<br />

seja através de arte rupestre,<br />

palheiros, muros, escadas e<br />

canadas em xisto ou cascatas<br />

de água. Uma rota onde<br />

é fácil perceber o ambiente<br />

da vida rural de outrora.<br />

Venha daí connosco.<br />

O destino é Sobral de São Miguel,<br />

no concelho da Covilhã. Uma<br />

aldeia típica de construções em<br />

xisto, mesmo no sopé da Serra do<br />

Açor. Há muito que ouviam dizer<br />

que era o local ideal para passeios<br />

pedestres e, à hora marcada, o<br />

grupo junta-se no Largo do Fundo<br />

do Lugar para dar início à Rota do<br />

Xisto. Um percurso circular, com 8<br />

km de extensão, entre os 550 e os<br />

925 metros de altitude, considerado<br />

difícil, com início e fim na aldeia.<br />

O frio, próprio da época, não<br />

os demoveu. Bem agasalhados,<br />

ora esfregando as mãos umas<br />

nas outras, ora bafejando sobre<br />

elas, atravessam a ponte que<br />

liga a aldeia ao Bairro da Eira e<br />

começam a caminhada.<br />

Logo de início as vistas prometem.<br />

À medida que sobem a encosta e<br />

se afastam da povoação vislumbram,<br />

por entre pinheiros e eucaliptos,<br />

as casas de xisto e telhados<br />

de ardósia, encavalitadas umas<br />

nas outras, sombreadas pela torre<br />

branca da igreja, a marcar o início<br />

do povoado. Mais atrás veem-se<br />

uns sobreiros, alguns dos muitos que<br />

existiam na aldeia e que estiveram<br />

na origem do seu nome. Ao fundo<br />

mostram-se os bairros mais recentes,<br />

com casas pintadas e ruas<br />

alargadas e alcatroadas. A serpentear<br />

o vale ouvem-se as águas da<br />

Ribeira do Porsim, que antigamente<br />

deram vida a muitos moinhos.


71<br />

Em redor da aldeia predominam<br />

o pinheiro-bravo, o castanheiro,<br />

o carvalho, o sobreiro e a azinheira.<br />

À medida que vamos subindo<br />

em altitude a floresta dá lugar à<br />

vegetação rasteira como a urze,<br />

a carqueja, a giesta, a esteva, o<br />

medronheiro e o carrasco.<br />

A subida é acentuada até ao<br />

marco geodésico das Vergadas.<br />

Por caminhos florestais vai ficando<br />

para trás a aldeia e é possível<br />

observar pequenos apontamentos<br />

de arte rupestre, gravados<br />

no xisto, como podomorfos (pés<br />

descalços ou calçados) e trilhos<br />

marcados nas rochas, fazendo<br />

prova de que aquela área era<br />

uma zona de passagem bastante<br />

frequentada por pessoas e<br />

animais.<br />

Atingido o ponto mais alto do<br />

percurso, o grupo ganha fôlego.<br />

Soberbo. Os mais corajosos,<br />

aquecidos pela subida, chegam<br />

de manga arregaçada.<br />

Aqui a Rota do Xisto ‘encontra-<br />

-se’ com a antiga Rota do Sal<br />

e é possível observar as marcas<br />

e os sulcos deixados nas rochas<br />

pelos carros de bois.<br />

A Rota do Xisto tem a marca das Aldeias do Xisto.<br />

Neste ponto, um mar de serras quase toca o céu<br />

prova do movimento de antigamente.<br />

Serviam para guardar os<br />

pastos e abrigar os animais da<br />

noite e do frio.<br />

A partir dali começam a descer<br />

e a ribeira da Cabrieira faz o<br />

compasso. São visíveis as canadas,<br />

onde circulavam as cabradas,<br />

as veredas, as levadas e os<br />

açudes que conduzem a água<br />

aos terrenos ainda cultivados.<br />

Alguém do grupo recorda que<br />

outrora a serra, apesar de longe<br />

da povoação, tinha vida. Ouvia-se<br />

o tilintar dos chocalhos, os<br />

assobios do pastor ou o ladrar<br />

do cão. Hoje as cabradas são<br />

mais reduzidas e os sons humanizados<br />

da altura deram lugar a<br />

sons naturais e reconfortantes:<br />

o cair da água das cascatas, o<br />

chilrear dos pássaros ou o abanar<br />

das giestas.<br />

Mesmo a terminar a rota, e já à<br />

entrada da povoação, podem<br />

observar-se alguns aspetos que<br />

nos permitem conhecer um<br />

pouco o ambiente da vida rural<br />

de antigamente: o tronco do ferrador<br />

(lugar onde eram ferrados<br />

os bois, os burros e os cavalos,<br />

animas muito utilizados para o<br />

transporte e lavra da terra), a<br />

eira comunitária (onde se malhava<br />

o milho e o centeio), um<br />

moinho e a nora de um lagar de<br />

azeite.<br />

Aqui, as Ribeiras da Cabrieira e<br />

do Carvalho juntam-se e formam<br />

a Ribeira do Porsim. Uma<br />

área onde também se pode<br />

observar a zona balnear que, no<br />

verão, faz gosto aos residentes<br />

e visitantes que aproveitam as<br />

águas frescas e limpas para se<br />

refrescarem.<br />

Para terminar o passeio, nada<br />

como desfrutar de uma aguardente<br />

de mel ou de um licor de<br />

medronho no Bar O Ferrolho e<br />

trocar dois dedos de conversa<br />

com o peculiar proprietário – o<br />

Ginjas - , enquanto admira o<br />

casario em xisto, o fontanário e<br />

a ponte do Caratão.<br />

Do grupo fica a promessa de voltar.<br />

Desta vez na primavera, quando a<br />

serra do Açor se renova e ganha<br />

cor, com as flores da urze e das<br />

giestas.<br />

Tipo: Circular Pedestre<br />

Distância: 8 km<br />

Duração Média: 3h 30m<br />

Dificuldade: Difícil<br />

Ponto de partida e de chegada:<br />

Largo do Fundo do Lugar (Sobral<br />

de São Miguel)<br />

GPS 40º 12’38.21’’N/7º44’32.89’’O<br />

Pontos de Interesse:<br />

. Podomorfos - Painéis de Arte<br />

Rupestre<br />

. Marcas de carros de bois (Rota<br />

do Sal)<br />

. Cascata do Vale das Vacas<br />

. Palheiros, muros e escadas em<br />

xisto<br />

. Canada do muro da Ribeira<br />

. Tronco do ferrador, eira e moinhos<br />

. Levadas de água e piscina<br />

fluvial<br />

. Casario tradicional em xisto<br />

. Casa Museu João dos Santos<br />

Estes vestígios são associados à passagem da Estrada<br />

Real entre Coimbra e Covilhã, que em tempos atravessava<br />

a Serra do Açor. Neste ponto, o campo de<br />

visão é alargado e privilegiado. No cimo da Serra do<br />

Açor, esbarramos com as imponentes torres eólicas<br />

e em redor são muitas as serras e montanhas que<br />

compõem o cenário. Ao fundinho, vê-se a majestosa<br />

Serra da Estrela.<br />

É tempo de aconchegar a roupa, beber algo quente<br />

e seguir ‘viagem’. Muito há ainda para ver. Por trilhos<br />

e veredas de mato e erva, a 750 m de altitude, ouve-<br />

-se o som da água. Chegamos a um vale extremamente<br />

acentuado, húmido e sombrio, onde predominam<br />

os líquenes e musgos. É a opulenta Cascata<br />

do Vale das Vacas. Considerada, em 2010, uma das<br />

cinco belezas naturais do concelho da Covilhã, contrasta<br />

com a beleza humanizada e eternizada nos<br />

palheiros, currais, escadas e veredas em xisto. A paisagem<br />

é em socalcos, também de xisto. Muita terra e<br />

pedra para ali foram acartadas para escorar os solos<br />

estreitos e rochosos. O grupo pergunta-se porque é<br />

que os homens para ali foram cultivar se a povoação<br />

ainda estava tão longe. Era ali que os terrenos eram<br />

férteis e a água abundava. Hoje, a grande maior<br />

parte dos terrenos não é cultivada, mas outrora era<br />

ali que grande parte da população praticava uma<br />

agricultura de subsistência (batata, feijão e milho). Os<br />

palheiros ou currais, atualmente abandonados, são<br />

Cascata do<br />

Vale das Vacas<br />

Alto das Feiras. Planalto de castanheiros no meio do pinhal


73<br />

Sobral de S. Miguel:<br />

no coração do xisto<br />

Texto de<br />

Salete Diogo<br />

(Fotografia de Fernando Almeida)<br />

Os sinos tocam a lembrar.<br />

Dali a meia hora<br />

inicia a missa. Pelas<br />

ruas, assomam novos e<br />

velhos em direção à igreja. Todos<br />

se conhecem e surgem os habituais<br />

cumprimentos. É assim ao<br />

domingo em muitas aldeias deste<br />

país e não podia ser diferente em<br />

Sobral de São Miguel. Uma aldeia<br />

do concelho da Covilhã, situada<br />

a cerca de 40 km a sudoeste,<br />

Sobral de São Miguel é uma aldeia escondida entre serras e<br />

vales, no concelho da Covilhã. Uma terra onde beleza natural<br />

e xisto caminham de mãos dadas. O casario é, por excelência,<br />

em xisto e ardósia. Uma aldeia acolhedora, onde pode<br />

apreciar o sossego e a tranquilidade. À procura de boa gente,<br />

bons petiscos e bons passeios, venha perder-se por quelhas<br />

e ruelas, onde cada pedra tem uma história para contar.<br />

numa zona muito montanhosa.<br />

A aldeia remonta ao século XIII. O<br />

primeiro documento que se lhe refere<br />

é um apontamento dos inquiridores<br />

de D. Dinis, datado de 1284.<br />

Foi local de passagem da antiga<br />

rota do sal. Conhecida como coração<br />

do xisto, rural mas hospitaleira,<br />

a aldeia oferece ao visitante<br />

calma e tranquilidade, boas vistas,<br />

melhores passeios e comida de fazer<br />

crescer água na boca.<br />

A torre da Igreja marca o início<br />

do povoado. À sua volta, a aldeia<br />

possui novas construções,<br />

modernas, e amostras de que os<br />

tempos foram melhorando. Mas<br />

é ao redor da Igreja que a frase<br />

atribuída à aldeia - “o coração<br />

do xisto”- ganha sentido. Em anfiteatro,<br />

casas e casebres em xisto,<br />

com telhados de ardósia, ligados<br />

por quelhas e ruelas estreitas, dominam<br />

a paisagem.<br />

Esta é a zona mais antiga da aldeia,<br />

aquela que possibilita um<br />

belo passeio a pé, permitindo ao<br />

visitante desfrutar do sossego e<br />

até imaginar o que teria sido a<br />

vida da maioria das gentes que<br />

ali viveu. Sobreiros centenários<br />

salpicam o cenário. Foram eles<br />

que estiveram na origem do<br />

nome da freguesia que foi crescendo,<br />

encosta acima, ao logo<br />

da ribeira que a atravessa. Mas é<br />

o pinheiro bravo que predomina<br />

na encosta da serra. Três pontes<br />

cruzam a ribeira, onde é possível<br />

admirar pequenas cascatas de<br />

água. Também a Fonte do Caratão<br />

é apreciável. A água, sempre<br />

fresca, permite ao visitante<br />

recuperar o fôlego. Com um<br />

pouco de sorte talvez encontre<br />

algum residente cheio de “estórias”<br />

para contar. Na zona do<br />

Caratão é ainda possível desfrutar<br />

da piscina fluvial, dos açudes,<br />

das pontes, dos moinhos, da eira<br />

e do lagar. Na zona da Rua do<br />

Fundo do Lugar é possível visitar<br />

a Casa Museu João dos Santos.<br />

Elementos que permitem conhecer<br />

as atividades que ocupavam<br />

os habitantes de antigamente,<br />

como a agricultura de subsistência<br />

e a pastorícia. No entanto,<br />

também o trabalho como mineiros<br />

nas Minas da Panasqueira e<br />

produtores de carvão ocupava<br />

muitos residentes.<br />

Atualmente, a atividade económica<br />

local continua a ser dominada<br />

pela agricultura e pastorícia.<br />

No entanto, destacam-se agora<br />

a construção civil e a exploração<br />

de xisto.<br />

Em Sobral de São Miguel exporta-<br />

-se xisto para o mundo, mas também<br />

a gastronomia e o património<br />

cultural são cartão de visita. A<br />

aldeia é rica em petiscos e pratos<br />

tradicionais, e na hora certa, após<br />

uma volta pela aldeia, o visitante<br />

poderá seguir o cheiro que o leve<br />

a algum forno comunitário em<br />

funcionamento. Há vários na localidade,<br />

recuperados, e utilizados<br />

por grande parte da população<br />

Onde ficar<br />

para cozer pão e broa. Mas são<br />

as picas ou guleimas de bacalhau<br />

e cebola ou chouriça que fazem<br />

as delícias dos forasteiros.<br />

Sobral de São Miguel integra a<br />

rede das Aldeias de Xisto desde<br />

2010. E, desde aí, foram distinguidos<br />

e classificados vários pontos<br />

de interesse, dentro e nas imediações<br />

da aldeia, como a Rota do<br />

Xisto pela Serra do Açor.<br />

Esta é uma aldeia, como que perdida<br />

na serra, mas cheia de cantos<br />

e recantos por descobrir. A população<br />

residente está cada vez<br />

mais envelhecida, mas nas folgas,<br />

a aldeia enche-se de gente nova<br />

que teima em não esquecer as<br />

origens e até dinamizar iniciativas<br />

que promovem a terra, as gentes,<br />

os hábitos, costumes e tradições.<br />

Para os que ficam, os sinos são<br />

uma companhia, o lembrete da<br />

reza às almas, o aviso de que alguém<br />

faleceu, a urgência de<br />

acudir a um incêndio ou, tão somente,<br />

a lembrança das horas e<br />

dias que passam.<br />

Gastronomia: Feijão com couves com enchidos e carne de porco salgada; chanfana; cabrito assado no forno;<br />

queijo corno (cabra); brulhões; pica com bacalhau e cebola; pica com chouriço; pão caseiro em forno de<br />

lenha; broa; arroz doce; tigelada; filhós; talassas; aguardentes de mel e medronho, licores, compotas e mel.<br />

Onde comer: Café Restaurante “O Pedro”; Assoc. Solidariedade Social de Sobral de S. Miguel – tlf. 275 663 554<br />

A visitar: Igreja Matriz, Capela de Santa Bárbara, Casa Museu “João dos Santos”, casario tradicional, moinhos,<br />

fornos comunitários, piscina fluvial, pequenas cascatas ao longo da ribeira, lagar de azeite, moinhos de água,<br />

fonte da ponte, tronco do ferrador, eira.<br />

Artesanato: Casinhas de xisto, rocas, rodilhas, abanadores, mantas de trapos, linho, bordados e rendas.<br />

Festas e romarias: Páscoa gastronómica – sábado da Páscoa; Xistrilhos- penúltimo fim de semana de julho;<br />

Santa Bárbara e Nossa Senhora do Bom Parto - 2º domingo de agosto; São Miguel - último fim-de-semana de<br />

Setembro ou 1º fim-de-semana de outubro; Xisfungos – 1º fim de semana de dezembro<br />

Casa da Sobreira<br />

Sobral S. Miguel<br />

Telefone: 968 859 824<br />

yup Quinta da Vargem<br />

spot<br />

Unhais da Serra<br />

Telefone: 917 265 860<br />

GPS: 40°23’87.1”N 7°61’57.1”W


Toda uma região<br />

em sua casa<br />

Levamos a gastronomia da Beira Baixa a todo o mundo<br />

Sharing Portuguese flavours with the world<br />

>Tome nota<br />

O nome diz tudo. A TINTURARIA é uma galeria de exposições<br />

num edifício recuperado. Acolhe exposições temporárias<br />

e vale a visita também pela caldeira industrial<br />

que acolhe. Fica no Rossio do Rato, na Covilhã, junto à<br />

Universidade e encerra à segunda-feira. A entrada é livre.<br />

A extensa história dos lanifícios da Covilhã deu origem<br />

ao MUSEU DOS LANIFÍCIOS. Um dos núcleos fica no<br />

edifício pombalino da Real Fábrica dos Panos, o outro,<br />

na Real Fábrica Veiga, um edifício fabril do século XVIII.<br />

Este núcleo também acolhe exposições temporárias.<br />

Encerra às segundas-feiras e à hora de almoço.<br />

O Achamento do Brasil é o tema do MUSEU DOS<br />

<strong>DE</strong>SCOBRIMENTOS em Belmonte. Um espaço muito<br />

interativo dedicado a ambos os lados do Atlântico.<br />

Encerra às segundas-feiras e à hora de almoço.<br />

75<br />

saboresesaberesdabeirabaixa<br />

entregas<br />

em 24h<br />

O MUSEU JUDAICO de Belmonte é o único do género<br />

no país e regista a história dos judeus sefarditas no nosso<br />

país. Encerra às segundas-feiras e à hora de almoço.<br />

O FADO também tem tradição por cá. O restaurante<br />

Modo Menor, no Rossio do Rato acolhe tertúlias. Mas,<br />

se gosta de fado vadio e boémio, o Cantinho do Artista<br />

será uma experiência marcante. Sugerimos que passe<br />

por lá a horas indecentes.<br />

Na zona do Jardim Público da Covilhã deixe<br />

correr o tempo sentado nas esplanadas<br />

Sugerimos o BIBLIOTECA CAFÉ CONCERTO<br />

com música ao vivo ou o COVILHÃ JARDIM<br />

CAFÉ BAR.<br />

O TEATRO DAS BEIRAS tem o seu auditório<br />

junto ao Jardim Público. Anualmente,<br />

quando chega o outono, o Festival de Teatro<br />

da Covilhã marca presença. No resto<br />

do ano, o Teatro das Beiras apresenta as<br />

suas próprias criações. Basta ficar atento<br />

ao calendário.<br />

Fique ainda atento à programação da<br />

QUARTA PARE<strong>DE</strong>. Produz e cria espetáculos<br />

de performance e mostra-se no<br />

Festival Y que, anualmente, começa por<br />

volta de outubro. Conte com ele.<br />

+351 962 566 087<br />

+351 925 792 903<br />

saboresdabeirabaixa@gmail.com<br />

R. Cidade do Fundão, Lj 5A<br />

6200-350 Covilhã<br />

A ASTA - ASSOCIAÇÃO <strong>DE</strong><br />

TEATRO E OUTRAS ARTES<br />

apresenta, a cada outono, o<br />

seu ContraDança, um festival<br />

internacional de movimento<br />

contemporâneo.<br />

Na primavera traz-nos o Ciclo<br />

de Teatro Universitário<br />

em parceria com o Teatr’UBI<br />

além das suas criações próprias.<br />

Espreite a programação<br />

do TEATRO MUNICIPAL<br />

DA COVILHÃ.


a escapadinha perfeita começa aqui<br />

os melhores refúgios rurais<br />

FOTOGRAFIA<br />

Pela lente dos nossos amigos<br />

77<br />

Já imaginou encontrar no mesmo<br />

sítio, as casas de turismo mais<br />

autênticas, as aldeias mais tranquilas,<br />

envolvidas por paisagens de sonho?<br />

Descubra lugares secretos onde o dia<br />

passa devagar e a rotina não tem lugar.<br />

Crie memórias que perduram.<br />

Isso é o que preparámos para si.<br />

As melhores casas onde o acolhimento<br />

é feito de braços abertos, destinos<br />

singulares planeados para que tire o<br />

máximo proveito do territorio,<br />

experiências temperadas com sabores<br />

fortes e autênticos. Temos tudo aqui.<br />

Tudo no Centro.<br />

esperam por si<br />

Às vezes toda a Beira fica assim, branca de neve. Paulo Urbano registou, deste modo, a beleza do último<br />

nevão no Orvalho, concelho de Oleiros.<br />

O Centro cá dentro<br />

conheça<br />

a nossa<br />

seleção de<br />

segredos<br />

Numa caminhada noturna até à Cabeça do Mouro (Vila do Carvalho), Paulo Espinho conseguiu esta<br />

panorâmica sobre o mar de luzes que é a Cova da Beira.


Próximos números...<br />

1<br />

Na aldeia histórica de Monsanto, a Casa de Campo<br />

Pires Mateus convida à descoberta daquela que já foi<br />

apelidada de “aldeia mais portuguesa”. Encontre vestígios<br />

arqueológicos dos Lusitanos, um castelo que remonta ao<br />

século XII e uma história de resistência aos invasores que se<br />

mantém no folclore da povoação. Tudo isto enquanto se passeia pelas<br />

peculiares ruelas e casas roubadas às fragas da montanha.<br />

Damos conteúdo<br />

à sua ideia<br />

casadecampo.piresmateus.pt<br />

2Bem no centro geográfico do país, a 5 minutos da Sertã, vive-se<br />

no Casal da Cortiçada um ambiente de paz e serenidade<br />

no meio do pinhal. Atravessar o enorme portão de madeira<br />

da propriedade é entrar num mundo de recolhimento e privacidade<br />

que tem tudo para lhe proporcionar o máximo repouso.<br />

Toda a área da propriedade é vedada, tornando-a ideal para usufruir<br />

com crianças em segurança e sem preocupações.<br />

www.casaldacorticada.com<br />

comercial: 962540231 assistência:963071472 geral:275957000 fax:275957005<br />

3<br />

Para breve fica a visita à Casa d’Acha, uma antiga<br />

casa rural objeto de uma interessante recuperação. A opção<br />

pelos materiais de construção originais e a recriação do<br />

ambiente das casas beirãs do século passado, fazem da<br />

estadia uma viagem no tempo. A partir daqui, é só sair à<br />

descoberta de São Miguel D’Acha, em Idanha-a-Nova, com o Geoparque<br />

do Tejo, as Termas de Monfortinho e Monsanto ao alcance<br />

de poucos kilómetros.<br />

www.casadacha.wix.com<br />

4Com a chegada da primavera, a <strong>YUPMAG</strong> traz-lhe a florida<br />

Serra da Gardunha e a cereja do Fundão. Vale a<br />

pena aguardar pelas sugestões de passeio nas Aldeias de Xisto,<br />

conhecer a aldeia histórica de Castelo Novo e deliciar-se<br />

com as propostas de sabores regionais. Iremos desvendar<br />

surpreendentes casas de turismo rural que têm tudo para satisfazer a<br />

sua necessidade de fuga à rotina. Na edição de abril. Não perde por<br />

esperar!

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