YUPMAG-MAGAZINE DE TURISMO RURAL - INVERNO 2016

yup.pt

Propostas de Turismo Rural no Centro de Portugal - SERRA DA ESTRELA, a montanha mágica

YUPMAG - MAGAZINE DE TURISMO RURAL

Publicação trimestral | Distribuição exclusiva para aderentes a YUP.pt | janeiro 2016

yupmag

Magazine de Turismo Rural

Belmonte

Serra da Estrela

# 1

# Covilhã

a cidade roubada à encosta

#

Uma vila repleta

de história

A montanha mágica


1

Os nossos

preciosos

Colaboradores

Nasceu no Alentejo e subiu até à montanha, onde reside e trabalha. Vive a fotografia

como uma paixão criativa que alimenta intensamente com trabalhos de fotografia

de estúdio, publicitária, artística e de fotojornalismo, tendo colaborado com a

agência Global Images, com publicações no Diário de Notícias, Jornal de Notícias,

O Jogo e Jornal do Fundão.

Carlos Pimentel

João Morgado

Este escritor covilhanense tem já no seu currículo o Prémio Nacional de Literatura

LIONS; o Prémio da Fundação Dr. Luís Rainha nas Correntes d’Escritas; o Prémio Alçada

Baptista e o Prémio Vergílio Ferreira. Não se descreve o autor de Vera Cruz, Diário

dos Imperfeitos e Diário dos Infiéis apenas como romancista. É também um reconhecido

autor de poesia e contos. Talvez por isso, o público do jornal O Interior elegeu-o

Personalidade do Ano 2015.

Fez uma curta viagem desde o Sabugal, sua terra natal, até à Covilhã, onde vive e

desenvolve a sua atividade de fotógrafo. Maiores são as suas viagens como profissional

da fotografia. Já foi caçador de auroras boreais no círculo polar ártico e adora

fotografar a Serra da Estrela quando é mais difícil fazê-lo. No inverno e à noite.

Pedro Lopes

Pedro Miguel Silva

Assume-se como fotógrafo amador e diz que usa a paixão que tem por esta arte

para quebrar a rotina diária da sua atividade de empresário e administrador de

várias empresas. Este gestor é natural da Covilhã e adora viajar. A sua sensibilidade

captura momentos e paisagens com as quais quer transmitir a sua visão do mundo.

Nasceu e cresceu em Sobral de São Miguel, uma aldeia da Covilhã. Trabalha na área

da comunicação e formação profissional, mas é a sua formação em jornalismo e paixão

pela escrita que nunca a deixam recusar um convite para escrever.

Quando for grande quer ter um espaço de turismo rural… e será numa aldeia bem

perto de si.

Salete Diogo

Tânia Araújo

Desenvolve atividade profissional como Técnica de Intervenção Social numa ONG.

Repousa da sua profissão com a Fotografia de Natureza, aliando assim duas paixões

de longa data: a fotografia e o conhecimento do mundo natural e da vida selvagem.

Já publicou imagens em artigos sobre fotografia de vida selvagem, nomeadamente

na revista "Mundo da Fotografia Digital" e no website "Mundo dos Animais".

É uma empresa jovem, mas com muito capital de experiência e que acredita no interior do país.

Está sediada no Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã e tem o NIPC 513547495. É proprietária

da YUPMAG, uma revista dedicada ao turismo em espaço rural. É responsável pelo design,

conceção e impressão e usa o novo acordo. Neste número tem tiragem de 1500 exemplares.


3

neste

número

editorial

O

desenvolvimento do turismo tem sido uma aposta

dos últimos anos e Portugal parece ter vindo

a acordar para uma realidade que é, cada vez

mais, uma necessidade da vida moderna. O espaço

de fuga ao quotidiano faz parte de uma urgência que

precisamos realizar para nos sentirmos completos e, de caminho,

enriquecidos como seres humanos. Propomos uma simples

reflexão: quantos dias do ano ficam retidos na sua memória?

Um país tão pequeno dificilmente poderia conter tanta diversidade.

Cultural. Identitária. Arquitetónica. Geográfica. Paisagística.

Natural. Mas é isso que torna Portugal um tesouro a descobrir.

Milhares de recantos inexplorados, segredos à procura

de quem os descubra, experiências que poderão tornar únicos

os momentos de recreação e lazer. E a sensação de ter vivido

algo único e irrepetível.

A Beira Interior materializa todos os desejos de tranquilidade e

repouso, na singularidade das suas regiões e no contacto com

a natureza e as suas gentes afáveis e hospitaleiras.

Arrisque-se a descobrir a dureza agreste de Riba Côa que se

amacia no Douro, a convivência pacífica da raia seca de Espanha,

a grandiosidade da Serra da Estrela, a Cova da Beira

agrícola e, simultaneamente, de um riquíssimo património de

arqueologia industrial, o Alentejo que entra pela Beira acima

nos campos de Idanha e Castelo Branco, as muralhas rochosas

do Tejo Internacional ou a extensa mancha florestal do pinhal

interior.

Em todos estes espaços, existe já uma vasta e experiente oferta

turística de altíssima qualidade, com opções para todas as

preferências de turismo em espaço rural. Agroturismo, turismo

de habitação, casas de campo, hotéis rurais, turismo de aldeia

estão prontos a bem receber, com um requinte e profissionalismo

que o(a) vão surpreender.

Mas não venha só pela estadia, planeie a sua escapadinha

no conforto da sua casa. Escolha percursos, locais, programas,

atividades. Crie a sua própria experiência de viagem. Torne-a

única, inesquecível e valiosa. Aceite as nossas sugestões. Venha

cá. Será recebido(a) de braços abertos.

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Uma montanha em quatro estações

Crónica de um dia extraordinário

Descubra o charme e a sofisticação da Quinta de Seves

Bons petiscos & companhia

Cão da Serra, o Guardador da memória

Covilhã, coração de lã

A cidade roubada à montanha

A nova vida do burel

Sucumba a esta tentação

Viagem à cidade e às serras

Tudo o que não espera ver num centro histórico

Paisagens irreais

Aqui nasceu o Novo Mundo

Judaísmo: uma história de resistência

Sinta a natureza no vale glaciar

O festim dos sabores

Caminhos do xisto

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Sobral de S. Miguel: no coração do xisto

Tome nota

Pela lente dos nossos amigos


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Uma

montanha

em quatro

estações

Para amantes da imagem

Birdwatching

Percursos

Texto e fotografia de

Tânia Araújo

(Fotografia de Natureza)

O Inverno é a estação do ano que mais visitantes atrai à Serra da Estrela, procurando

a neve que normalmente cobre as zonas de maior altitude. Mas a beleza da Serra

da Estrela não se resume às paisagens invernais vestidas de branco e são imensos

os assuntos fotográficos que podemos explorar durante todo o ano. Surpreenda-se

com os encantos que a Serra da Estrela revela ao longo das quatro estações!

Percurso de Primavera

Vale Glaciar do Zêzere - Covão

da Ametade – Piornos – Lagoa

Comprida

Na primavera, a Serra da Estrela

fervilha de vida: as flores cobrem

a paisagem, borboletas e libelinhas

voam um pouco por toda

a parte e muitas aves estivais

chegam para passar a época de

reprodução!

Podemos começar o percurso

primaveril pelo Vale Glaciar

do Zêzere, um bom local para

procurar o emblemático Melro-

-de-Água. Uma vez que se encontra

na época de reprodução,

é umas das melhores alturas para

o observar, mas com os devidos

cuidados pois também é quando

se encontra mais vulnerável e

pode abandonar o ninho se sentir

demasiada perturbação.

Subimos até ao Covão da Ametade,

uma agradável zona de

lazer onde florecem bonitas

plantas de montanha, como a

Fritilária (Fritillaria caballeroi), o

Jacinto-dos-campos (Hyacinthoides

hispanica) e a Orquídea-Silvestre

(Dactylorhiza maculata).

Vale também a pena fotografar

alguma fauna que aqui ocorre,

com destaque para o Lagarto-

-de-Água, que nesta altura do

ano exibe as suas belas cores

nupciais, e o Rabirruivo-de-Testa-

-Branca, uma colorida ave estival

que todas as primaveras chega

ao Covão da Ametade para aqui

passar os meses mais quentes.

Chasco-cinzento

(Oenanthe oenanthe)

Covão da Ametade

Lago Viriato

Fritilária (Fritillaria caballeroi)


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Libelinha (Sympetrum flaveolum)

Continuamos para os Piornos,

onde podemos deslumbrar o

olhar com a paisagem circundante

repleta de tapetes

floridos que nos envolvem

com um delicioso aroma

floral. Nesta zona ocorrem

várias aves estivais que podemos

observar com facilidade

empoleiradas nas rochas ou

nas urzes: o chasco-cinzento,

a sombria e a toutinegra-tomilheira.

Terminamos o roteiro na

Lagoa Comprida, em cujos

prados húmidos se encontram

dezenas de espécies

de borboletas, libelinhas e

outros invertebrados, muitos

dos quais em Portugal apenas

ocorrem na Serra da Estrela.

Algumas das espécies mais

interessantes a observar aqui

são a libellula quadrimaculata,

a libelloides longicornis e

a borboleta coenonympha

glycerion.

Percurso de Verão

Salgadeiras – Lagoa

Comprida – Vale do Rossim

Embora muitas das charcas

temporárias da zona das

Salgadeiras possam estar sem

água no verão, a humidade

do solo que as turfeiras ajudam

a manter faz com que

a vida aqui prolifere mesmo

nesta altura do ano. As Gencianas-das-Turfeiras

(gentiana

pneumonanthe) e as Campânulas

(campanula herminii)

dão cor aos relvados húmidos

em torno das charcas. Temos

que ter cuidado onde pousamos

o pé, pois vão saltando

um pouco por todo lado as

pequenas relas-comuns, um

anfíbio muito fotogénico e

que proporciona umas belas

macro-fotografias. Sobre as

rochas é frequente verem-se

lagartixas-de-montanha a

aquecerem-se ao sol, uma

espécie endémica desta

serra muito tolerante à aproximação

humana se a fizermos

lenta e calmamente.

Maciço central

Rela Comum (Hyla arborea)

Percurso de Outono

Penhas da Saúde – Covão da Ametade

– Poço do Inferno – Bosque de

Faias da Encosta de S. Lourenço

Para explorar fotograficamente o

outono da Serra da Estrela, podemos

começar na aldeia de montanha

das Penhas de Saúde. Aqui

abundam as tramazeiras que frutificam

no outono atraindo muitas

aves invernantes. Entre as mais ilustres,

podemos encontrar a alimentarem-se

das bagas de tramazeiras

o Melro-de-Colar, o Dom-Fafe e o

Tordo-Zornal.

Melro-das-rochas (Monticola saxatilis)

Melro de Peito Branco

(Turdus torquatus)

Chegando à Lagoa Comprida,

podemos seguir a pé o trilho que

contorna o plano de água e observar

várias espécies de libélulas e

borboletas. Vale também a pena

percorrer com o olhar as zonas

rochosas circundantes e procurar

um vulto empoleirado nas rochas,

pois nesta zona já foi observado o

Melro-das-Rochas, uma bonita ave

estival de plumagem laranja e azul

típica de habitats de montanha e

muito desejada pelos ornitólogos.

Finalizamos o nosso passeio de

verão no Vale do Rossim, pois para

além de possuir uma agradável

praia fluvial onde nos podemos

refrescar depois da nossa sessão

fotográfica, tem uma zona extensa

de floresta de pinheiro-casquinha

que alberga uma diversificada vida

selvagem. Ouvem-se por todo o

lado várias espécies de chapins,

os tentilhões, as felosas-musicais e

a escrevedeira-de-garganta-cinzenta.

E se olharmos atentamente

para os pinheiros e tivermos alguma

sorte, podemos observar esquilos-

-vermelhos que desde há alguns

anos voltaram a repovoar as zonas

florestais da Serra da Estrela.


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Daqui partimos para um dos

mais conhecidos locais da Serra

da Estrela que as cores de

outono tornam ainda mais especial:

o Covão da Ametade,

encabeçado pelo imponente

Cântaro Magro. Para além

dos tons dourados das bétulas

que decoram a paisagem,

podemos perder o nosso olhar

por outros motivos fotográficos

que aqui abundam: os cogumelos

que despontam aqui e

ali, o ainda embrião Rio Zêzere

que atravessa o covão e várias

aves que se vêm alimentar

das sementes das bétulas,

como os lugres e os chapins.

Seguimos em direção a Manteigas,

com as amplas manchas de árvores

de folha caduca que cobrem as suas

encostas, tornando este um dos locais

mais bonitos para fotografar o outono.

Começamos pelo Poço do Inferno,

onde podemos fotografar a sua

cascata com alguns tons de outono

na vegetação circundante e as zonas

de floresta ao longo da estrada de

acesso onde predominam as folhosas

como as faias, os carvalhos e os

castanheiros.

Terminamos o percurso no bosque

de Faias da Encosta de S. Lourenço,

um dos locais mais procurados pelos

fotógrafos para registar imagens

outonais na Serra da Estrela. Para

chegar a este bosque, plantado

pelos serviços florestais de Manteigas

no início do século XX, teremos que

fazer um pequeno percurso a pé de

cerca de 10 min desde o local onde

é possível estacionar. Mas vale muito

a pena, pois quando o outono está

no auge, as faias adquirem os seus

característicos tons avermelhados,

dando uma atmosfera quase mágica

a esta floresta! E dos tapetes de folhas

caídas irrompe uma grande variedade

de cogumelos e fungos muito

fotogénicos.

Poço do Inferno

Covão da Ametade

Bosque de Faias da Encosta de S. Lourenço


Percurso de Inverno

Lagoa do Viriato – Nave de Santo

António – Torre – Salgadeiras

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Com ou sem neve, são muitos os

motivos fotográficos que podemos

explorar nesta altura do ano.

O passeio pode iniciar na Barragem

da Lagoa do Viriato, onde

as baixas temperaturas promovem

a formação de gelo com

configurações por vezes interessantes

para fotografar. Se houver

neve, esta lagoa torna-se ainda

mais fotogénica e no enquadramento

conseguimos incluir o alto

da Torre.

Vamos depois em

direcção à Nave de

Santo António, uma

zona húmida de

cervunal cujas linhas

de água criam formas

interessantes na

paisagem, que pode

ser explorada a pé

descendo a partir da

zona onde é possível

estacionar o carro.

Este local permite

também uma vista

privilegiada sobre o

maciço central da

Serra da Estrela e da

sua silhueta inconfundível.

Escrevedeira-das-neves

(Plectrophenax nivalis)

Daqui iniciamos a subida até à Torre, o ponto mais alto da serra e de Portugal continental. Para

além da neve e das interessantes formas que o gelo aqui pode assumir, especialmente devido ao

forte vento que aqui se sente frequentemente, podemos fotografar alguma vida selvagem tipicamente

alpina, particularmente duas visitantes invernantes que facilmente se observam e fotografam

no topo da Serra da Estrela: a Escrevedeira-das-Neves e a Ferreirinha-Serrana.

Nave de Santo António

Onde ficar

yup

spot

Onde comer

Casa Lagar da Alagoa

Estrada Nacional Nº 232, Km 73

Vale de Amoreira - Manteigas

275 487 024 / 964 414 249

Quinta de Seves

Estrada do Monte Serrano nº13

Ferro-Covilhã

965 848 639 / 275 958 021

Restaurante Valleculla

Largo do Pelourinho

Valhelhas - Manteigas

275 487 123

Encerra à 2ª Feira

Restaurante Medieval

Hotel Serra da Estrela

Penhas da Saúde - Covilhã

275 310 300


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FOTOGRAFIA

fotografias de

Pedro Lopes

(Fotógrafo)

Crónica

de um dia

extraordinário

Um dia de nevão pode ser apenas mais uma desculpa para bons

momentos entre amigos. Através da sua lente, Pedro Lopes coloca o

fator humano em cena, brincando com a cor num soberbo jogo de

contrastes.

Photospedrolopes


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21

Descubra o charme

e a sofisticação da

Quinta de Seves

textos de yupmag | fotografia de yupmag

A

rudeza granítica dos edifícios

quadrangulares, de linhas

simples e geométricas contrasta

com o conforto interior

que apenas se deixa adivinhar pelas

grandes janelas roubadas ao granito

e que contribuem para encher as casas

de luz. É, aliás, o conforto, feito de

espaços amplos e cuidadosamente

decorados, que mais contribui para a

sensação de repouso e tranquilidade

que se vive por toda a casa, convidando

o hóspede a usufruir sem pressas

de todos e cada um dos espaços

interiores.

Na casa principal, a área social

dispõe de vários espaços que tanto

se prestam a momentos de leitura e

lazer com total privacidade como ao

convívio em torno da lareira. Na casa

do lado, as opções de estadia alargam-se,

uma vez que pode optar por

reservar os quartos de forma independente

ou efetuar uma reserva para

todo o edifício, o que a torna ideal

para grupos ou famílias mais numerosas

que pretendam fazer as suas

próprias refeições.

Em plena zona agrícola da Cova da Beira, a

Quinta de Seves é uma propriedade agrícola

que remonta ao século XIX e que conta a

história das grandes propriedades beirãs e

das ilustres famílias terratenentes. Nas mãos

da família Almeida Garrett - a mesma que

tem como ilustre antepassado o genial

autor de “Viagens na Minha Terra” - a

propriedade de 75 hectares transformou-se

numa requintada unidade de turismo, pela

mão do hospitaleiro casal João Batista e Maria

João Almeida Garrett.


23

As janelas dos quartos emolduram a Serra da Estrela, elemento sempre

presente neste hotel de charme, que completa a experiência de estadia por

terras da Beira. De inverno, a montanha nevada confere uma maior sensação

de comodidade a este universo de lazer protegido do exterior pelas grossas

paredes de granito, convidando a saborear um bom vinho ao final do dia, enquanto

as luzes da Covilhã se vão acendendo, como uma iluminação de Natal

que sobe a encosta. Para os mais atrevidos, um recanto do pátio com lareira

de exterior, uma manta sobre as pernas, uma vista ampla sobre a Serra quase

ao alcance da mão e um vinho tinto para aquecer a alma pode tornar-se um

momento inesquecível.

Onde fica

Quinta de Seves - Monte Serrano - Covilhã

capacidade: casa principal (2 duplos e 1 twin);

casa do lado (1 duplo e 3 twin ou T2, T3 e T4)

275 958 021

965 848 639

www.quintadeseves.pt

GPS: 40.2320402 / -7.477006


Sinta a natureza sem abdicar

do conforto

Acolher bem é tão natural como

o ar que por cá se respira

6215-556 Unhais da Serra (Covilhã)

Email: geral@quintadavargem.com

Telefone: 917 265 860

GPS: 40°23'87.1"N 7°61'57.1"W

Website: www.quintadavargem.com

O vinho é aliás, outra das experiências

a não perder na Quinta de

Seves. A família é também produtora

e a marca Almeida Garrett conta

com vinhos feitos a partir de castas

nacionais, mas também com um

sofisticado espumante criado a partir

da casta Chardonnay que a família

trouxe de França para plantio na

Beira Interior.

A Quinta de Seves possui argumentos

mais que suficientes para que planeie

uma estadia de repouso e requinte

e, para tal, nem precisa de sair

deste espaço de turismo rural. Mas se

prefere aproveitar para conhecer a

região, saiba que o isolamento deste

hotel é apenas aparente. A Covilhã

fica apenas a 6 kms - tantos quanto

a autoestrada da Beira Interior - e a

centralidade da Quinta de Seves permite-lhe

construir uma experiência de

visita que poderá incluir um passeio à

Serra da Estrela ou a visita a algumas

das mais reconhecidas aldeias

históricas: Belmonte, Sortelha, Castelo

Novo ou Monsanto estão à distância

de poucos quilómetros. O mais difícil

será escolher…

SABE

Sociedade Agrícola

da Beira, S.A.

ALMEIDA

GARRETT

MOUNTAIN WINES

R. D. Mª Rosália T. Proença, nº16

6200-758 Tortosendo

TLF. 275 951 217

E-MAIL sabesa@sapo.pt


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A Laranjinha

Bons Petiscos

Companhia

textos de yupmag | fotografia de yupmag

&

restaurante

Guardador da memória

O Cão da Serra

textos de yupmag | fotografia de yupmag

Onde fica

Rua 1º Dezembro, 10

Covilhã

Tel. 275 083 586

GPS 40.28067,-7.50482,12

Uma das raças de cão

mais antigas da Península

Ibérica e mais um

dos tesouros desta

região. O “Cão da Serra da Estrela”

acompanha o seu dono, na

guarda dos seus haveres, neste

caso o rebanho de gado ovino e

caprino. Fiel companhia na subida

à serra quando o gado para

aí vai, ou nas longas rotas de

transumância, quando os herbívoros

que estão sob a sua protecção

são obrigados a procurar

pastos em zonas mais temperadas.

Os pastores colocavam-lhes

coleiras de bicos metálicos no

pescoço, para dificultar as dentadas

dos lobos e, apesar de ser

um hábito em desuso devido

ao gradual desaparecimento

do lobo ibérico, tal ainda pode

ser observado ocasionalmente

em alguns exemplares sempe

dóceis e fotogénicos.

No entanto, o aspeto e contacto

dócil destes animais face aos

humanos esconde um bravo

guardião e guia de rebanhos.

As suas caraterísticas como

vigilante dão-lhe uma certa autonomia

de circulação e é ainda

frequente ver estes animais

colocados em posições cimeiras,

como cristas de montanha

ou blocos de rocha, de onde

podem observar o rebanho mas

também as áreas circundantes.

Tais são as capacidades destes

animais que muitas vezes os pastores

confiavam-lhes a guarda

dos rebanhos e eram os cães

que levavam os ovinos para o

pasto e os traziam de volta ao

lugar onde, por vezes, o pastor

passava o dia no convívio com

outros, assim aligeirando o peso

da solidão das serranias.

O centro histórico da Covilhã tem mais

um motivo de interesse. A Taberna A

Laranjinha é um espaço de restauração

recente mas apostou na recriação do

ambiente das tradicionais tascas portuguesas.

Localizada num imóvel de interesse

histórico, nas traseiras do Largo do Pelourinho

e paredes meias com uma antiga

cisterna medieval, n’A Laranjinha respira-se

a tradição dos lugares de convívio à volta de

uns acepipes onde a conversa se estende

preguiçosa ao longo do dia ou da noite.

Os bancos de madeira - que por cá se

chamam mochos - as toalhas de padrões

aos quadrados, a excessiva decoração

onde não faltam pipas de vinho e os

tradicionais quadros de giz a anunciar os

comes e bebes, transportam-nos para um

universo saudosista da portugalidade que

se completa com uma ementa de petiscos

que já raramente se encontra e que

constitui a essência do lugar.

E, porque os bons momentos se fazem de

boa comida, propomos duas opções de refeição.

Pode optar por uma refeição a partir

do menu de pratos e encontrará sugestões

como o Polvo à Laranjinha Com Migas de

Pão Centeio, Coentros e Batata a Murro,

o Bife à Pastor Com Molho à Cervejeiro, a

Costeleta de Borrego ou as Bochechas de

Porco. Uma outra opção de refeição consiste

em escolher a partir de um buffet muito

variado e ir provando os petiscos do dia em

prato pequeno. Garantimos que, qualquer

que seja a sua escolha, ficará satisfeito com

a paleta de sabores regionais que a taberna

oferece. E, por falar em pratos regionais,

não se esqueça de provar o típico Pastel de

Molho da Covilhã ou o Cremoso de Requeijão

Com Doce de Abóbora. Para acompanhar

a refeição, terá uma carta de vinhos

bastante variada, mas aconselhamos uma

aposta na surpreendente seleção de vinhos

regionais da Beira Interior.

A Laranjinha encerra ao domingo e, nos

restantes dias, tem um horário para almoço,

que vai das 12h às 15h e um horário noturno

com abertura às 19h e encerramento à

meia-noite. Para o horário da noite, recomendamos

reserva, uma vez que o espaço

é bastante frequentado, não apenas para

refeições, mas também como local de encontro

entre amigos ao final do dia.


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prints

texto de João Morgado

(escritor)

Covilhã

Coração de lã

Covilhã é uma terra serrana

que respira o ar puro

da montanha e vai beber

em todas as suas fontes.

Domesticou as suas águas para dar

força às fábricas, para lavar as lãs

que tosquiou do gado e os panos

que orgulhosamente teceu. Na cidade,

tocam as sirenes da indústria,

no campo as flautas dos pastores.

A cidade tornou-se fiandeira, alegre

e contente, mas é da Serra da Estrela

que brotou toda a riqueza. Entre

as agruras, ora do sol, ora da neve,

a montanha sempre foi lugar de

gente dura que mostrou o peito à

natureza e não se intimidou. Calcorreou

vales, trepou granito, transpirou,

tremeu de frio, fustigou o corpo

com uma vida agreste, mas sempre

soube tirar da montanha o que de

melhor ela tinha.

A Covilhã é uma filha da Serra da

Estrela. Dela se alimentou, à sombra

dela cresceu e se fez famosa. E a

Serra, num instinto maternal, nunca

lhe faltou com nada. Deu-lhe a essência

da indústria têxtil, a paisagem

de um mundo belo, a neve

como um véu de beleza, o queijo

como um cartão-de-visita. Deu-lhe

tudo.

A Cidade permanece calma no

sopé da montanha. Abre os braços

para o vale, outrora resguardado

para a agricultura e, rasgando o estigma

da interioridade, traça novos

caminhos rumo ao futuro.

Com o tempo, vão ficando abafados

os sons das sirenes. Um povo

operário cresceu para a modernidade

e o som da lançadeira nos

teares já não marca o compasso da

cidade, como se fosse o bater rítmico

de um coração de lã.

A cidade permanece calma no

sopé da montanha. Abre os braços

para o vale e parece querer

um novo caminho. Covilhã, se

hoje é senhora, não renega o seu

passado de pastora, não esquece

que a roca foi a sua vaidade e que

no tear, com orgulho, cruzou os fios

do seu destino.

Aqui se juntam os tempos idos e os

que estão para vir. A vaga memória

de um tempo já vivido, a vaga

penumbra do que falta percorrer.

Arrancadas à terra descobrem-se

as raízes de um passado ancestral,

em que por vezes, nos parece ouvir

a pena do Marquês de Pombal

a riscar planos para o futuro. Nesta

que foi, outrora, a Real Fábrica dos

Panos, se descobrem agora, usos

e costumes de um mester que nos

orgulha, e fica com mais cor o quadro

com que se pinta a história da

nossa gente.

Por aqui se diz que, com os fios do

passado se tece o futuro. E neste

tear do ensino que é a universidade,

se tece a laboriosa teia de preparar

os homens dos tempos que

estão por vir.

Covilhã foi fiandeira. É talvez, hoje

engenheira, mas continua a cheirar a

lã. Soube tecer pano fino, melhorar

a seu destino e, no orgulho da beirã,

transformou-se em terra moderna, o

que foi simples cova da lã.

Podem chamar-lhe Cidade Neve

ou Capital da lã. Mas o seu nome

próprio é Covilhã. Afirma-se no ensino,

na saúde, abre as velas aos novos

ventos. Muda o seu rosto, transforma-se.

Veste novas roupagens e

um perfume de quem se sente jovem

e se prepara para mudar de

vida. Passo a passo, constrói novos

horizontes – que outros nomes estarão

para vir?


Deu-lhe a essência

da indústria

têxtil,

a paisagem

de um mundo

belo, a neve

como um véu

de beleza, o

queijo como

um cartão-de-

-visita.


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A

cidade

roubada

à montanha

Atrás, a ponte pedonal da Carpinteira,

da autoria do arquiteto Carrilho

da Graça

Não é fácil andar a

pé pela Covilhã. O núcleo

urbano mais antigo

estica-se pela encosta acima

numa persistência secular

de conquistar a montanha.

Nos últimos anos, a construção

de pontes pedonais e elevadores

panorâmicos veio facilitar a vida

de quem precisa de se deslocar a

pé e, ao mesmo tempo, criou novos

percursos, ideiais para passear enquanto

o olhar descansa no longe.

textos de yupmag | fotografia de yupmag

Elevador e escadas de Santo André


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Rua e janela na

zona histórica de

Santa Maria

A centenária Fábrica

António Estrela acolhe

hoje o New Hand Lab,

um berço de artistas e

criadores

Arcadas da

Câmara, parte

integrante do conjunto

resultante da renovação

do Largo do Pelourinho com

a estética arquitetónica do Estado Novo

Da antiga muralha pouco resta. O terramoto

de 1755 que destruiu o castelo, devastou

igualmente a cidade.

Fachada de 1920,

do arquiteto Ernesto

Korrodi, com motivos

de Arte Nova.

Podem encontrar-

-se outros exemplos

no Palacete Jardim

ou no Clube União.


35

Jardim Público:

o maior espaço

aberto da encosta

é um dos pontos

de encontro preferidos

na cidade

Varanda panorâmica

sobre o lado norte

da cidade. Deste

ponto vê-se o vale da

Carpinteira, de onde

outrora as fábricas

têxteis produziram

para o mundo inteiro.

Mais à frente, o Bairro

dos Penedos Altos,

um bairro operário

dos anos 40 do século

passado.


37

A nova vida do

textos de yupmag | fotografia de yupmag

Desde há seculos usado pela sua resistência

e versatilidade, o burel é o produto laneiro

mais autêntico da Serra da Estrela. Com o

aparecmiento das fibras sintéticas, o burel

foi caindo no esquecimento, associado que era a

um produto tosco e de uso popular.

Contudo, a sua história recente tem um novo

capítulo feito de inovação e design. O tecido

mais tradicional da Serra da Estrela está de volta,

adaptado às preferências do consumidor moderno,

mas mantendo todas as caraterísticas de produção

artesanal que lhe conferem a autenticidade

de sempre.

Das ruínas dos Lanifícios Império de Manteigas,

pela mão de Isabel Costa, surge em 2010 um interessante

projeto de revitalização do tecido artesanal

serrano feito inteiramente em lã. A Burel Factory

produz em burel peças de vestuário, decoração e

acessórios nascidos da mão de criadores, artistas,

designers e estilistas que lhe conferem um design

atual onde, entre outras surpresas, aparece a utilização

da cor numa matéria prima que tradicionalmente

se restringia às cores naturais da lã.

Caminho semelhante seguiu o criador Miguel Gigante

que, desde 1992, se dedica exclusivamente

a trabalhar este tecido de forma inovadora a partir

do seu Atelier de Burel na Covilhã. O recente

aparecimento do New Hand Lab na centenária

Fábrica António Estrela, na Covilhã, atesta a vitalidade

desta tendência em pequenos pólos criativos

como este interessante projeto de incubação

de jovens designers, estilistas de moda e artesãos.

No coração da cadeia de transformação da lã

encontramos em Manteigas a Ecolã, uma empresa

artesanal em atividade desde o início do século

passado que muito tem contribuido para a preservação

desta herança cultural e que, pela sua

atividade, proporciona a existência de projetos

criativos emergentes como a Estrela Pardo, uma

feliz junção de paixões entre as amigas Laura e

Ana, aquela uma professora que trocou Lisboa

por Unhais da Serra e esta uma designer têxtil, que

se fixou na Covilhã pelo amor que tem à lã. Juntas,

criam peças que são uma fusão entre materiais

típicos da região, como o burel e a madeira de

oliveira. O que torna as criações interessantes é o

cruzamento entre técnicas ancestrais como o crochet,

o bordado e o ponto de cruz, com as novas

tecnologias, como a maquinação de alguns elementos

e a gravação laser.

burel

estrelapardo Artigos na imagem à venda

na Mercearia da Estrela, em

Unhais da Serra e

n’A Tentadora, na Covilhã

Sucumba

a esta

Existe um novo espaço na

Covilhã que anda a dar

que falar. Chama-se A

Tentadora, está localizado

numa das ruas principais da

zona histórica e ocupa uma antiga

mercearia com mais de 80

anos de história. Foi restaurada

com delicadeza pelo casal que

dirige o projeto, um arquiteto

da Covilhã e uma historiadora

da arte e museóloga de Barcelona,

que tentaram preservar

ao máximo os elementos e a

estética originais. Recuperaram

os armários, com as suas portas

envidraçadas, o balcão, com

a grande pedra de mármore e

a faca para cortar o bacalhau,

a máquina registadora… e até

mantiveram o nome e o logótipo

com que a casa inaugurou

em 1935.

tentação

texto e fotografia

yupmag

Trata-se de um projeto em construção,

com três vertentes: um

cowork, uma loja e um espaço

cultural. Começou como espaço

de trabalho e cowork, principalmente

vocacionado para

profissionais das áreas criativas.

Pouco depois, abriu a loja, com

produtos de design de autor,

artesanato e gourmet. Todos

os produtos são de origem portuguesa,

sendo dada sempre

prioridade aos designers e artesãos

da cidade e da região.

A abertura da última componente

do projeto, a sala de

exposições/galeria de arte, está

prometida para breve. Vai ocupar

o antigo armazém da mercearia,

numa porta contígua.

Promete trazer até à cidade

artistas plásticos nacionais e internacionais

que apresentarão

propostas adaptadas ao espaço

e ao entorno, com formatos

artísticos fora do convencional.

Para isto, contam com o compromisso

de artistas que acompanham

há muito tempo e

estão em contacto com diversas

plataformas e associações

com projetos semelhantes, de

diversas regiões da Europa.

Também não querem esquecer

os artistas da região, que

têm desenvolvido um trabalho

sólido mas menos conhecido,

por isso, a programação cultural

quer-se diversificada, com

workshops, palestras, sessões

de cinema, microteatro ou

pequenos concertos.

A Tentadora

R. Alexandre Herculano, 21

6200-042 Covilhã

Telef. 914441723

GPS: 40.2803677, -7.5078478

atentadora


39

FOTOGRAFIA

fotografias de

Pedro Miguel Silva

(Fotógrafo )

Viagem à

Cidade e

às serras

A objetiva de Pedro Miguel Silva fixa, com a mesma mestria, a paisagem

natural ou humanizada, cristalizando temas que são ícones

desta região serrana.

PedroSilvaImages


41


43


47

Percursos

Tudo o que

espera ver

não

num centro

histórico

Tamara Alves (Portugal)

textos de yupmag | fotografia de Pedro Seixo Rodrigues

As ruas e vielas do centro

histórico da Covilhã

ganharam, nos últimos

anos, um novo ponto de

interesse. A iniciativa WOOL – Festival

de Arte Urbana tem vindo a

valorizar áreas da cidade com a

criatividade de conhecidos artistas

urbanos.

Deixe o seu carro junto à capela

do Calvário, já na saída para a

serra e parta à descoberta da verdadeira

identidade desta cidade

que constantemente se reinventa.

Imagine percorrer os recantos

mais pitorescos da cidade enquanto

descobre os espantosos

murais do ARM COLLECTIVE, Tamara

Alves, Mr. Dheo ou Kram.

Desfrute do imprevisto com a já

icónica coruja de Bordalo II, a

obra mais reconhecida internacionalmente.

A escadaria que ladeia

a Câmara Municipal marca

a saída do bairro antigo de Santa

Maria e serve de tela a um mural

onde ADD FUEL compõe um padrão

de azulejos alusivo à indústria

laneira.

Descubra ainda VHILS e a sua singular

técnica de retrato em baixo-relevo,

o mais conceituado artista

urbano da atualidade.

Surpreenda-se em cada recanto.

Samina (Portugal)

Btoy (Espanha)

Descarregue o mapa em:

www.yup.pt/percursos

Mr. Dheo (Portugal)


49

FOTOGRAFIA

fotografias de

Carlos Pimentel

(Fotógrafo )

A profundidade de campo, o jogo

cromático ou a fixação nos reflexos

são constantes na intensa paixão que

é fotografar a Serra da Estrela e que

permitem ao fotógrafo criar

paisagens

irreais

carlospimentelfotografo


O

extremo norte da Cova da

Beira é dominado pela vila de

Belmonte, de onde se destaca,

de imediato, o seu castelo

a coroar a cintura urbana. De origem

remota, as terras de Belmonte mantêm

ainda a marca da presença anterior à

nacionalidade, com o enigmático “Centum

Cellas”, uma milenar construção da

qual ainda hoje pouco se sabe ao certo.

O mesmo se passa com o nome da povoação.

A hipótese óbvia remete para

a beleza do local onde o povoamento

assenta. No entanto, outra hipótese

mais erudita remete para a expressão

latina “Belli”Monte, ou seja, o “monte

das guerras”, numa alusão à presença

romana na área e aos conflitos com as

BELMONTE

Aqui nasceu o

Novo Mundo

textos de yupmag | fotografia de yupmag

tribos lusitanas dos Montes Hermínios. No

século XII, a vila ganha o seu Foral, mas

é com os Descobrimentos que ganha

maior notoriedade. Belmonte é o berço

de Pedro Álvares Cabral, o descobridor

do Brasil e mantém a mais antiga comunidade

judaica da península ibérica.

Hoje é um concelho com um interessante

património histórico, desde o castelo

à Igreja de S. Tiago, geminada com a

Capela dos Cabrais, um conjunto classificado

como monumento nacional e

um centro histórico pequeno mas muito

bem cuidado onde, num pequeno passeio

a pé, podemos visitar nada menos

que 5 museus. Destacamos o Museu

Judaico, o único em Portugal e o Museu

dos Descobrimentos.

A torre “Centum Cellas”, no Colmeal

da Torre, a 3 kms de Belmonte é, talvez,

um dos mais enigmáticos monumentos

do país e tem alimentado diversas teorias

sobre a sua função. Ao certo sabe-

-se que é uma construção do período

de ocupação romana e que remonta

ao século I. Terá sido uma prisão, uma

construção militar, a villa de uma propriedade

agrícola?

57

O Posto de Turismo

funciona dentro do castelo


Residência da família Cabral,

o castelo revela hoje

uma mistura de estilos arquitetónicos,

tendo traços

românicos, góticos,

manuelinos e setecentistas.


61

Comunidade judaica de Belmonte

Uma história

de resistência

textos de yupmag | fotografia de yupmag

O Museu dos Descobrimentos

é um espaço de

visita obrigatória, muito

interativo e que recria

a viagem do filho maior

da terra, Pedro Álvares

Cabral, figura presente

em muitos locais da vila.

É, aliás, impressionante

o número de museus e

espaços museológicos

nesta pequena vila, dos

quais podemos destacar

ainda o Museu Judaico,

do Azeite, o EcoMuseu

do Zêzere e o Panteão

dos Cabrais.

A Sinagoga, apesar de ser

uma construção recente,

fica no casco histórico

da vila, com vistas para a

Cova da Beira

Corria o século XVI quando o rei D. Manuel

ordenou a conversão de todos os judeus

em território nacional ou, em alternativa,

a sua expulsão. Os que ficaram

viram-se obrigados a tornar-se cristãos-novos

e demonstrar publicamente a sua nova fé. No

entanto, algumas comunidades persistiram, de

forma isolada e em segredo, a praticar os

ritos judaicos, muitas vezes com a conivência

da população cristã que, mesmo assim, não

deixou de os apelidar de “marranos”, numa

alusão à proibição judaica do consumo de

carne de porco.

Fosse pelo isolamento, fosse pela força das convições,

a comunidade de judeus em Belmonte

manteve o seu secretismo até ao séc. XX, casando-se

entre si durante séculos e mantendo

intactos os seus rituais judaicos, o que permitiu a

sobrevivência da comunidade e lhe valeu, em

1989, o reconhecimento oficial, após a validação

das práticas religiosas por um tribunal rabínico

de Israel. Em 1996 é inaugurada a Sinagoga

“Beit Eliahu” (Filho de Elias), em 2001 foi criado o

cemitério judaico e em 2005 o único Museu Judaico

do país, como única é também a herança

da presença histórica dos judeus sefarditas.

Vivem-se hoje tempos de maior tolerância religiosa

e, em Belmonte, as comunidades cristã e judaica

convivem lado a lado mantendo, cada uma os

seus preceitos. Sinal desta pacífica convivência interreligiosa

são as celebrações das festas judaicas

como o “Hannukah”, ou “Festa das Luzes”, uma

festa móvel que coincide com a época do

Natal cristão e que tem, em Belmonte, várias

manifestações públicas.

Aproveite ainda para provar produtos Kosher (ou

Kasher), como as duas marcas de vinho produzidas

segundo o ritual judaico pela Adega Coop.

da Covilhã, o azeite da Casa Agrícola Francisco

Esteves, os Queijos Braz ou as compotas da Casa

Prisca de Trancoso.

Onde comer

yup

spot

Restaurante Casa da Esquila

Casteleiro

tel. 271 381 070

GPS: 40.3035945, -7.2386171,17


63

Casa Lagar da Alagoa

Sinta a natureza

no vale glaciar

textos de yupmag | fotografia de yupmag

Há tantas razões

para viver a Serra

da Estrela em estado

puro! Desfrute

da Casa Lagar da

Alagoa, em família

ou com um grupo

de amigos e fique

a conhece-las todas!

Acolhedora

no inverno, mágica

todo o ano!


65

Encostada a um meandro do

leito do Zêzere, a poucos quilómetros

da sua nascente, a

Casa Lagar da Alagoa disfruta

de uma localização privilegiada

no vale glaciar que serpenteia

por entre as encostas íngremes, em

pleno coração do parque natural

da Serra da Estrela.

O conjunto arquitetónico resulta

de um antigo lagar de azeite e

moinho de farinha, cuja construção

remonta ao séc. XVIII, objeto

de uma cuidadosa recuperação

que junta com a mesma mestria o

ferro, o granito e o xisto. O enquadramento

na paisagem envolvente

confere à Casa Lagar da Alagoa a

autenticidade de uma verdadeira

casa beirã, num diálogo perfeito

com a natureza.

Ao cruzar a porta de entrada

entra-se num espaço de conforto

que conserva a memória da identidade

do lagar original. O cuidado

colocado na conservação do

património permite ao hóspede

disfrutar de um local que é simultaneamente

de convívio e museológico,

com áreas resguardadas que

permitem privacidade em espaços

únicos e singulares. A comunicação

entre as casas e os corredores

faz-se por áreas amplas e envidraçadas

que lhe farão sentir o prazer

do ar livre mesmo nos rigores do inverno

serrano.

Ou, se preferir, opte pela intimidade

dos quartos e suites, onde a luz

se impõe em janelas panorâmicas

ideais para se perder em horas de

leitura ou contemplar apenas as

espetaculares vistas e bosques envolventes.

Onde fica

Estrada Nacional Nº 232, Km 73

Vale de Amoreira 6260-403 Manteigas

Telefone(s): +351 275 487 024 +351 964 414 249

capacidade: 9 quartos

GPS: Lat. N40º24’47’’ Long. W7º26’59’’

Toda a casa

se abre ao

exterior como

um solário,

criando uma

atmosfera

protegida do

rigoroso clima

serrano.

Para os que procuram

uma estadia mais ativa, este

pequeno hotel rural, com

os seus 7 quartos e duas suites,

é ideal para uma escapadinha

com um grupo de

amigos. A pouca distância,

o SkiParque, uma estância

com pistas artificiais que

permitem esquiar todo o

ano, oferece atividades de

lazer ideais para a família e

grupos. Ou, se preferir gozar

do contacto com a natureza,

que por estes lados é

avassaladora, perca-se nos

bosques envolventes, nos

trilhos que partem do vale

glaciar para se elevarem

até às cristas que envolvem

o Zêzere. Por aqui passa a

recém criada Grande Rota

do Zêzere (GRZ) bem como

outras pequenas rotas locais.

Aliás, os trilhos pedestres

estão todos muito bem

sinalizados e, exceto com

condições atmosféricas

muito adversas, não constituem

qualquer problema

quanto à orientação nem

necessitam equipamento

especial. Outra opção, que

já carece de orientação

por parte de profissionais

credenciados, é o montanhismo

de escalada, que

se pode fazer alguns quilómetros

mais acima no vale

glaciar, junto ao conhecidísimo

Covão da Ametade.

A localização da Casa

Lagar da Alagoa é, aliás,

bastante entusiasmante,

servindo como ponto de

partida para subir todo o

vale glaciar até à Nave de

Santo António, com paragem

obrigatória no viveiro

de trutas de Manteigas. Ou

bifurcar para o Poço do Inferno

de onde pode usufruir

de paisagens panorâmicas

de cortar a respiração. No

outono, a encosta de São

Lourenço é o local mais

procurado, pelo bosque de

faias que empresta à montanha

a cor do fogo.

Outra proposta de passeio

passa por seguir a EN

232 no sentido ascendente.

Irá levá-lo até às Penhas

Douradas por um percurso

que serpenteia pela encosta

mais íngreme e mais

surpreendente do vale. A

meio do trajeto siga a indicação

do Covão da Ponte

e avance de surpresa em

surpresa.

Ao final do dia, regresse

à Casa Lagar da Alagoa e

ponha a conversa em dia à

volta da lareira. Garantimos

dias inesquecíveis.


67

O festim

dos sabores

A melhor cozinha gourmet

em ambiente rural

restaurante

Que imagem lhe vem à mente

quando qualifica um restaurante

como “gourmet”?

Provavelmente a mesma que

nós temos. Um espaço sofisticado, nos

centros urbanos, com serviço aprimorado

e pratos de aspeto requintado,

que recorrem à utilização de produtos

culinários estrangeiros. Pois bem, a Casa

da Esquila obriga-nos a reformular esse

conceito.

Fomos conhecer o restaurante Casa

da Esquila atraídos pela forma como se

anuncia: um espaço de degustação de

Gourmet Rural, resultado da “conjugação

de técnicas artesanais e atuais que

permitem criar um estilo rústico chique”,

nas palavras do chef Rui Cerveira.

A surpresa seguinte prende-se com a

localização do espaço. Tomemos por

referência a Covilhã. Saindo da cidade

em direção ao Sabugal, encontramos a

Casa da Esquila na aldeia do Casteleiro,

a uma distância de 30 kms. O nome

da localidade talvez seja pouco significativo,

mas ganha interesse se dissermos

que fica muito perto de Sortelha,

uma das mais visitadas aldeias históricas.

E também fica perto da Guarda,

do Sabugal, de Penamacor e apenas a

15 kms de Belmonte, em plena Cova da

Beira. Não nos parece haver melhor localização

para um espaço que se quer

afirmar como diferenciador na culinária

beirã no mundo rural.

Na opinião do chef Rui Cerveira, a

cozinha tradicional não tem que ser

pouco requintada. Aliás, a fidelidade

às raízes beirãs constrói-a com sabores

autênticos que se conseguem utilizando

produtos biológicos e endógenos.

“As terras desta zona são excelentes,

quando não temos um produto basta

arranjar sementes e plantar. Além do

textos de yupmag | fotografia de yupmag

mais, estarmos num concelho

com temperaturas e terroirs

completamente diferentes; em

40 kms temos terras frias e terras

quentes”, salienta o chef.

A localização em meio rural só

contribui para um património

alimentar de elevada qualidade

orgânica, muito do qual de

produção própria.

E, porque de um restaurante se

trata, o que podemos encontrar

à mesa? Nova surpresa.

Para começar, três filosofias

culinárias: “Lavrador”, para os

saudosistas dos sabores da panela

de ferro, do carvão, das

sopas das avós; “Regional”,

com os sabores tradicionais

aliados a um empratamento

mais delicado e “Gourmet”,

um espaço culinário experimental

feito de combinações

improváveis.

Ao fim de semana a escolha

aumenta e o menu do chef

inclui o Folhado de Camarão

com Salada de Citrinos, o

Naco com Póquer de Legumes,

ou o Bacalhau Confitado.

1

3

Mas é ao domingo que a

Esquila apresenta os clássicos

da casa, com destaque para

a afamada Barriga de Leitão e

o Bacalhau à Esquila. Surpreendentes

são também os menus

exclusivos, feitos mediante marcação

prévia, como o Menu

7 Pecados ou as degustações

Kosher, a pensar no público judaico.

De resto, aconselhamos

sempre marcação prévia, seja

qual for o dia, já que isso lhe

permitirá acesso às diferentes

degustações que estarão disponíveis

especialmente para si.

2

1

2

3

Onde fica

Casteleiro - Sabugal

aberto das 11:30h às 22:30h

271 381 070

GPS: 40.3035945, -7.2386171,17

Folhado de Javali

Salada de Favas Frescas

com Tronco de Farinheira

Naco de Vitela

com Salada de Vitelotte


69

Caminhos

de xisto

na Serra do Açor

Percursos

Texto de

Salete Diogo

(Fotografia de Fernando Almeida)

A Rota do Xisto, na Serra do

Açor, é vincada por vistas

desconcertantes. O xisto

domina o percurso e a paisagem,

altiva e vigorosa, é

marcada por vales acentuados,

trilhos, veredas, linhas e

quedas de água. Um passeio

onde é possível conciliar beleza

natural e humanizada,

seja através de arte rupestre,

palheiros, muros, escadas e

canadas em xisto ou cascatas

de água. Uma rota onde

é fácil perceber o ambiente

da vida rural de outrora.

Venha daí connosco.

O destino é Sobral de São Miguel,

no concelho da Covilhã. Uma

aldeia típica de construções em

xisto, mesmo no sopé da Serra do

Açor. Há muito que ouviam dizer

que era o local ideal para passeios

pedestres e, à hora marcada, o

grupo junta-se no Largo do Fundo

do Lugar para dar início à Rota do

Xisto. Um percurso circular, com 8

km de extensão, entre os 550 e os

925 metros de altitude, considerado

difícil, com início e fim na aldeia.

O frio, próprio da época, não

os demoveu. Bem agasalhados,

ora esfregando as mãos umas

nas outras, ora bafejando sobre

elas, atravessam a ponte que

liga a aldeia ao Bairro da Eira e

começam a caminhada.

Logo de início as vistas prometem.

À medida que sobem a encosta e

se afastam da povoação vislumbram,

por entre pinheiros e eucaliptos,

as casas de xisto e telhados

de ardósia, encavalitadas umas

nas outras, sombreadas pela torre

branca da igreja, a marcar o início

do povoado. Mais atrás veem-se

uns sobreiros, alguns dos muitos que

existiam na aldeia e que estiveram

na origem do seu nome. Ao fundo

mostram-se os bairros mais recentes,

com casas pintadas e ruas

alargadas e alcatroadas. A serpentear

o vale ouvem-se as águas da

Ribeira do Porsim, que antigamente

deram vida a muitos moinhos.


71

Em redor da aldeia predominam

o pinheiro-bravo, o castanheiro,

o carvalho, o sobreiro e a azinheira.

À medida que vamos subindo

em altitude a floresta dá lugar à

vegetação rasteira como a urze,

a carqueja, a giesta, a esteva, o

medronheiro e o carrasco.

A subida é acentuada até ao

marco geodésico das Vergadas.

Por caminhos florestais vai ficando

para trás a aldeia e é possível

observar pequenos apontamentos

de arte rupestre, gravados

no xisto, como podomorfos (pés

descalços ou calçados) e trilhos

marcados nas rochas, fazendo

prova de que aquela área era

uma zona de passagem bastante

frequentada por pessoas e

animais.

Atingido o ponto mais alto do

percurso, o grupo ganha fôlego.

Soberbo. Os mais corajosos,

aquecidos pela subida, chegam

de manga arregaçada.

Aqui a Rota do Xisto ‘encontra-

-se’ com a antiga Rota do Sal

e é possível observar as marcas

e os sulcos deixados nas rochas

pelos carros de bois.

A Rota do Xisto tem a marca das Aldeias do Xisto.

Neste ponto, um mar de serras quase toca o céu

prova do movimento de antigamente.

Serviam para guardar os

pastos e abrigar os animais da

noite e do frio.

A partir dali começam a descer

e a ribeira da Cabrieira faz o

compasso. São visíveis as canadas,

onde circulavam as cabradas,

as veredas, as levadas e os

açudes que conduzem a água

aos terrenos ainda cultivados.

Alguém do grupo recorda que

outrora a serra, apesar de longe

da povoação, tinha vida. Ouvia-se

o tilintar dos chocalhos, os

assobios do pastor ou o ladrar

do cão. Hoje as cabradas são

mais reduzidas e os sons humanizados

da altura deram lugar a

sons naturais e reconfortantes:

o cair da água das cascatas, o

chilrear dos pássaros ou o abanar

das giestas.

Mesmo a terminar a rota, e já à

entrada da povoação, podem

observar-se alguns aspetos que

nos permitem conhecer um

pouco o ambiente da vida rural

de antigamente: o tronco do ferrador

(lugar onde eram ferrados

os bois, os burros e os cavalos,

animas muito utilizados para o

transporte e lavra da terra), a

eira comunitária (onde se malhava

o milho e o centeio), um

moinho e a nora de um lagar de

azeite.

Aqui, as Ribeiras da Cabrieira e

do Carvalho juntam-se e formam

a Ribeira do Porsim. Uma

área onde também se pode

observar a zona balnear que, no

verão, faz gosto aos residentes

e visitantes que aproveitam as

águas frescas e limpas para se

refrescarem.

Para terminar o passeio, nada

como desfrutar de uma aguardente

de mel ou de um licor de

medronho no Bar O Ferrolho e

trocar dois dedos de conversa

com o peculiar proprietário – o

Ginjas - , enquanto admira o

casario em xisto, o fontanário e

a ponte do Caratão.

Do grupo fica a promessa de voltar.

Desta vez na primavera, quando a

serra do Açor se renova e ganha

cor, com as flores da urze e das

giestas.

Tipo: Circular Pedestre

Distância: 8 km

Duração Média: 3h 30m

Dificuldade: Difícil

Ponto de partida e de chegada:

Largo do Fundo do Lugar (Sobral

de São Miguel)

GPS 40º 12’38.21’’N/7º44’32.89’’O

Pontos de Interesse:

. Podomorfos - Painéis de Arte

Rupestre

. Marcas de carros de bois (Rota

do Sal)

. Cascata do Vale das Vacas

. Palheiros, muros e escadas em

xisto

. Canada do muro da Ribeira

. Tronco do ferrador, eira e moinhos

. Levadas de água e piscina

fluvial

. Casario tradicional em xisto

. Casa Museu João dos Santos

Estes vestígios são associados à passagem da Estrada

Real entre Coimbra e Covilhã, que em tempos atravessava

a Serra do Açor. Neste ponto, o campo de

visão é alargado e privilegiado. No cimo da Serra do

Açor, esbarramos com as imponentes torres eólicas

e em redor são muitas as serras e montanhas que

compõem o cenário. Ao fundinho, vê-se a majestosa

Serra da Estrela.

É tempo de aconchegar a roupa, beber algo quente

e seguir ‘viagem’. Muito há ainda para ver. Por trilhos

e veredas de mato e erva, a 750 m de altitude, ouve-

-se o som da água. Chegamos a um vale extremamente

acentuado, húmido e sombrio, onde predominam

os líquenes e musgos. É a opulenta Cascata

do Vale das Vacas. Considerada, em 2010, uma das

cinco belezas naturais do concelho da Covilhã, contrasta

com a beleza humanizada e eternizada nos

palheiros, currais, escadas e veredas em xisto. A paisagem

é em socalcos, também de xisto. Muita terra e

pedra para ali foram acartadas para escorar os solos

estreitos e rochosos. O grupo pergunta-se porque é

que os homens para ali foram cultivar se a povoação

ainda estava tão longe. Era ali que os terrenos eram

férteis e a água abundava. Hoje, a grande maior

parte dos terrenos não é cultivada, mas outrora era

ali que grande parte da população praticava uma

agricultura de subsistência (batata, feijão e milho). Os

palheiros ou currais, atualmente abandonados, são

Cascata do

Vale das Vacas

Alto das Feiras. Planalto de castanheiros no meio do pinhal


73

Sobral de S. Miguel:

no coração do xisto

Texto de

Salete Diogo

(Fotografia de Fernando Almeida)

Os sinos tocam a lembrar.

Dali a meia hora

inicia a missa. Pelas

ruas, assomam novos e

velhos em direção à igreja. Todos

se conhecem e surgem os habituais

cumprimentos. É assim ao

domingo em muitas aldeias deste

país e não podia ser diferente em

Sobral de São Miguel. Uma aldeia

do concelho da Covilhã, situada

a cerca de 40 km a sudoeste,

Sobral de São Miguel é uma aldeia escondida entre serras e

vales, no concelho da Covilhã. Uma terra onde beleza natural

e xisto caminham de mãos dadas. O casario é, por excelência,

em xisto e ardósia. Uma aldeia acolhedora, onde pode

apreciar o sossego e a tranquilidade. À procura de boa gente,

bons petiscos e bons passeios, venha perder-se por quelhas

e ruelas, onde cada pedra tem uma história para contar.

numa zona muito montanhosa.

A aldeia remonta ao século XIII. O

primeiro documento que se lhe refere

é um apontamento dos inquiridores

de D. Dinis, datado de 1284.

Foi local de passagem da antiga

rota do sal. Conhecida como coração

do xisto, rural mas hospitaleira,

a aldeia oferece ao visitante

calma e tranquilidade, boas vistas,

melhores passeios e comida de fazer

crescer água na boca.

A torre da Igreja marca o início

do povoado. À sua volta, a aldeia

possui novas construções,

modernas, e amostras de que os

tempos foram melhorando. Mas

é ao redor da Igreja que a frase

atribuída à aldeia - “o coração

do xisto”- ganha sentido. Em anfiteatro,

casas e casebres em xisto,

com telhados de ardósia, ligados

por quelhas e ruelas estreitas, dominam

a paisagem.

Esta é a zona mais antiga da aldeia,

aquela que possibilita um

belo passeio a pé, permitindo ao

visitante desfrutar do sossego e

até imaginar o que teria sido a

vida da maioria das gentes que

ali viveu. Sobreiros centenários

salpicam o cenário. Foram eles

que estiveram na origem do

nome da freguesia que foi crescendo,

encosta acima, ao logo

da ribeira que a atravessa. Mas é

o pinheiro bravo que predomina

na encosta da serra. Três pontes

cruzam a ribeira, onde é possível

admirar pequenas cascatas de

água. Também a Fonte do Caratão

é apreciável. A água, sempre

fresca, permite ao visitante

recuperar o fôlego. Com um

pouco de sorte talvez encontre

algum residente cheio de “estórias”

para contar. Na zona do

Caratão é ainda possível desfrutar

da piscina fluvial, dos açudes,

das pontes, dos moinhos, da eira

e do lagar. Na zona da Rua do

Fundo do Lugar é possível visitar

a Casa Museu João dos Santos.

Elementos que permitem conhecer

as atividades que ocupavam

os habitantes de antigamente,

como a agricultura de subsistência

e a pastorícia. No entanto,

também o trabalho como mineiros

nas Minas da Panasqueira e

produtores de carvão ocupava

muitos residentes.

Atualmente, a atividade económica

local continua a ser dominada

pela agricultura e pastorícia.

No entanto, destacam-se agora

a construção civil e a exploração

de xisto.

Em Sobral de São Miguel exporta-

-se xisto para o mundo, mas também

a gastronomia e o património

cultural são cartão de visita. A

aldeia é rica em petiscos e pratos

tradicionais, e na hora certa, após

uma volta pela aldeia, o visitante

poderá seguir o cheiro que o leve

a algum forno comunitário em

funcionamento. Há vários na localidade,

recuperados, e utilizados

por grande parte da população

Onde ficar

para cozer pão e broa. Mas são

as picas ou guleimas de bacalhau

e cebola ou chouriça que fazem

as delícias dos forasteiros.

Sobral de São Miguel integra a

rede das Aldeias de Xisto desde

2010. E, desde aí, foram distinguidos

e classificados vários pontos

de interesse, dentro e nas imediações

da aldeia, como a Rota do

Xisto pela Serra do Açor.

Esta é uma aldeia, como que perdida

na serra, mas cheia de cantos

e recantos por descobrir. A população

residente está cada vez

mais envelhecida, mas nas folgas,

a aldeia enche-se de gente nova

que teima em não esquecer as

origens e até dinamizar iniciativas

que promovem a terra, as gentes,

os hábitos, costumes e tradições.

Para os que ficam, os sinos são

uma companhia, o lembrete da

reza às almas, o aviso de que alguém

faleceu, a urgência de

acudir a um incêndio ou, tão somente,

a lembrança das horas e

dias que passam.

Gastronomia: Feijão com couves com enchidos e carne de porco salgada; chanfana; cabrito assado no forno;

queijo corno (cabra); brulhões; pica com bacalhau e cebola; pica com chouriço; pão caseiro em forno de

lenha; broa; arroz doce; tigelada; filhós; talassas; aguardentes de mel e medronho, licores, compotas e mel.

Onde comer: Café Restaurante “O Pedro”; Assoc. Solidariedade Social de Sobral de S. Miguel – tlf. 275 663 554

A visitar: Igreja Matriz, Capela de Santa Bárbara, Casa Museu “João dos Santos”, casario tradicional, moinhos,

fornos comunitários, piscina fluvial, pequenas cascatas ao longo da ribeira, lagar de azeite, moinhos de água,

fonte da ponte, tronco do ferrador, eira.

Artesanato: Casinhas de xisto, rocas, rodilhas, abanadores, mantas de trapos, linho, bordados e rendas.

Festas e romarias: Páscoa gastronómica – sábado da Páscoa; Xistrilhos- penúltimo fim de semana de julho;

Santa Bárbara e Nossa Senhora do Bom Parto - 2º domingo de agosto; São Miguel - último fim-de-semana de

Setembro ou 1º fim-de-semana de outubro; Xisfungos – 1º fim de semana de dezembro

Casa da Sobreira

Sobral S. Miguel

Telefone: 968 859 824

yup Quinta da Vargem

spot

Unhais da Serra

Telefone: 917 265 860

GPS: 40°23’87.1”N 7°61’57.1”W


Toda uma região

em sua casa

Levamos a gastronomia da Beira Baixa a todo o mundo

Sharing Portuguese flavours with the world

>Tome nota

O nome diz tudo. A TINTURARIA é uma galeria de exposições

num edifício recuperado. Acolhe exposições temporárias

e vale a visita também pela caldeira industrial

que acolhe. Fica no Rossio do Rato, na Covilhã, junto à

Universidade e encerra à segunda-feira. A entrada é livre.

A extensa história dos lanifícios da Covilhã deu origem

ao MUSEU DOS LANIFÍCIOS. Um dos núcleos fica no

edifício pombalino da Real Fábrica dos Panos, o outro,

na Real Fábrica Veiga, um edifício fabril do século XVIII.

Este núcleo também acolhe exposições temporárias.

Encerra às segundas-feiras e à hora de almoço.

O Achamento do Brasil é o tema do MUSEU DOS

DESCOBRIMENTOS em Belmonte. Um espaço muito

interativo dedicado a ambos os lados do Atlântico.

Encerra às segundas-feiras e à hora de almoço.

75

saboresesaberesdabeirabaixa

entregas

em 24h

O MUSEU JUDAICO de Belmonte é o único do género

no país e regista a história dos judeus sefarditas no nosso

país. Encerra às segundas-feiras e à hora de almoço.

O FADO também tem tradição por cá. O restaurante

Modo Menor, no Rossio do Rato acolhe tertúlias. Mas,

se gosta de fado vadio e boémio, o Cantinho do Artista

será uma experiência marcante. Sugerimos que passe

por lá a horas indecentes.

Na zona do Jardim Público da Covilhã deixe

correr o tempo sentado nas esplanadas

Sugerimos o BIBLIOTECA CAFÉ CONCERTO

com música ao vivo ou o COVILHÃ JARDIM

CAFÉ BAR.

O TEATRO DAS BEIRAS tem o seu auditório

junto ao Jardim Público. Anualmente,

quando chega o outono, o Festival de Teatro

da Covilhã marca presença. No resto

do ano, o Teatro das Beiras apresenta as

suas próprias criações. Basta ficar atento

ao calendário.

Fique ainda atento à programação da

QUARTA PAREDE. Produz e cria espetáculos

de performance e mostra-se no

Festival Y que, anualmente, começa por

volta de outubro. Conte com ele.

+351 962 566 087

+351 925 792 903

saboresdabeirabaixa@gmail.com

R. Cidade do Fundão, Lj 5A

6200-350 Covilhã

A ASTA - ASSOCIAÇÃO DE

TEATRO E OUTRAS ARTES

apresenta, a cada outono, o

seu ContraDança, um festival

internacional de movimento

contemporâneo.

Na primavera traz-nos o Ciclo

de Teatro Universitário

em parceria com o Teatr’UBI

além das suas criações próprias.

Espreite a programação

do TEATRO MUNICIPAL

DA COVILHÃ.


a escapadinha perfeita começa aqui

os melhores refúgios rurais

FOTOGRAFIA

Pela lente dos nossos amigos

77

Já imaginou encontrar no mesmo

sítio, as casas de turismo mais

autênticas, as aldeias mais tranquilas,

envolvidas por paisagens de sonho?

Descubra lugares secretos onde o dia

passa devagar e a rotina não tem lugar.

Crie memórias que perduram.

Isso é o que preparámos para si.

As melhores casas onde o acolhimento

é feito de braços abertos, destinos

singulares planeados para que tire o

máximo proveito do territorio,

experiências temperadas com sabores

fortes e autênticos. Temos tudo aqui.

Tudo no Centro.

esperam por si

Às vezes toda a Beira fica assim, branca de neve. Paulo Urbano registou, deste modo, a beleza do último

nevão no Orvalho, concelho de Oleiros.

O Centro cá dentro

conheça

a nossa

seleção de

segredos

Numa caminhada noturna até à Cabeça do Mouro (Vila do Carvalho), Paulo Espinho conseguiu esta

panorâmica sobre o mar de luzes que é a Cova da Beira.


Próximos números...

1

Na aldeia histórica de Monsanto, a Casa de Campo

Pires Mateus convida à descoberta daquela que já foi

apelidada de “aldeia mais portuguesa”. Encontre vestígios

arqueológicos dos Lusitanos, um castelo que remonta ao

século XII e uma história de resistência aos invasores que se

mantém no folclore da povoação. Tudo isto enquanto se passeia pelas

peculiares ruelas e casas roubadas às fragas da montanha.

Damos conteúdo

à sua ideia

casadecampo.piresmateus.pt

2Bem no centro geográfico do país, a 5 minutos da Sertã, vive-se

no Casal da Cortiçada um ambiente de paz e serenidade

no meio do pinhal. Atravessar o enorme portão de madeira

da propriedade é entrar num mundo de recolhimento e privacidade

que tem tudo para lhe proporcionar o máximo repouso.

Toda a área da propriedade é vedada, tornando-a ideal para usufruir

com crianças em segurança e sem preocupações.

www.casaldacorticada.com

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3

Para breve fica a visita à Casa d’Acha, uma antiga

casa rural objeto de uma interessante recuperação. A opção

pelos materiais de construção originais e a recriação do

ambiente das casas beirãs do século passado, fazem da

estadia uma viagem no tempo. A partir daqui, é só sair à

descoberta de São Miguel D’Acha, em Idanha-a-Nova, com o Geoparque

do Tejo, as Termas de Monfortinho e Monsanto ao alcance

de poucos kilómetros.

www.casadacha.wix.com

4Com a chegada da primavera, a YUPMAG traz-lhe a florida

Serra da Gardunha e a cereja do Fundão. Vale a

pena aguardar pelas sugestões de passeio nas Aldeias de Xisto,

conhecer a aldeia histórica de Castelo Novo e deliciar-se

com as propostas de sabores regionais. Iremos desvendar

surpreendentes casas de turismo rural que têm tudo para satisfazer a

sua necessidade de fuga à rotina. Na edição de abril. Não perde por

esperar!

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