LIBRAS

oasisdelouvor

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Marlene Cardoso

COLEÇÃO FORMANDO EDUCADORES

EDITORA NUPRE

2010


REDE DE ENSINO FTC

William Oliveira

PRESIDENTE

Reinaldo Borba

VICE‐PRESIDENTE DE INOVAÇÃO E EXPANSÃO

Fernando Castro

VICE‐PRESIDENTE EXECUTIVO

João Jacomel

COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO

Cristiane de Magalhães Porto

EDITORA CHEFE

Francisco França Souza Júnior

CAPA

Mariucha Silveira Ponte

PROJETO GRÁFICO

Marlene Cardoso

AUTORIA

Paula Rios

DIAGRAMAÇÃO

Paula Rios

ILUSTRAÇÕES

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IMAGENS

Hugo Mansur

Márcio Melo

Paula Rios

REVISÃO

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Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/98.

É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorização

prévia, por escrito, da REDE FTC ‐ Faculdade de Tecnologia e Ciências.

www.ftc.br


SUMÁRIO

1 SURDEZ: ASPECTOS BIOLÓGICOS E SOCIAIS ................................................................................ 9

1.1 TEMA 1. SURDEZ E PROCESSOS PSICOSSOCIAIS .......................................................................11

1.1.1 CONTEÚDO 1. VISÃO SOCIOANTROPOLÓGICA DO SURDO NA CONTEMPORANEIDADE11

1.1.2 CONTEÚDO 2. O LUGAR HISTÓRICO E SOCIAL DO SURDO ............................................13

1.1.3 CONTEÚDO 3. PROCESSOS PSICOSSOCIAIS E CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE ...............17

1.1.4 CONTEÚDO 4. LIBRAS E IDENTIDADE SOCIAL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E ASPECTOS

LEGAIS .............................................................................................................................21

MAPA CONCEITUAL ...........................................................................................................................27

ESTUDO DE CASO ..............................................................................................................................28

EXERCÍCIOS PROPOSTOS ...................................................................................................................29

1.2 TEMA 2. SURDEZ E O LUGAR DO SURDO NA SOCIEDADE .........................................................31

1.2.1 CONTEÚDO 1. SURDEZ X DEFICIÊNCIA ...........................................................................31

1.2.2 CONTEÚDO 2. SURDEZ: FATORES DE RISCO, PREVENÇÃO E TRATAMENTOS ................40

1.2.3 CONTEÚDO 3. ASPECTOS PEDAGÓGICOS DA LIBRAS .....................................................57

1.2.4 CONTEÚDO 4. ASPECTOS LEGAIS DA LIBRAS ..................................................................59

MAPA CONCEITUAL ...........................................................................................................................69

ESTUDO DE CASO ..............................................................................................................................70

EXERCÍCIOS PROPOSTOS ...................................................................................................................71

2 SURDEZ E IMPLICAÇÕES À PRÁTICA PEDAGÓGICA .................................................................... 75

2.1 TEMA 3. ENSINO E APRENDIZAGEM A PARTIR DA LIBRAS ........................................................77

2.1.1 CONTEÚDO 1. LINGUAGEM X LÍNGUA ...........................................................................77

2.1.2 CONTEÚDO 2. LIBRAS: A INTERAÇÃO ATRAVÉS DA LÍNGUA DE SINAIS ..........................81

2.1.3 CONTEÚDO 3. SURDEZ, FAMÍLIA E COMUNICAÇÃO: APRENDENDO A LIBRAS ........... 105

2.1.4 CONTEÚDO 4. A PRÁTICA PEDAGÓGICA E O PROCESSO DE APRENDIZAGEM DO

SURDO .......................................................................................................................... 106

MAPA CONCEITUAL ........................................................................................................................ 123

ESTUDO DE CASO ........................................................................................................................... 124

EXERCÍCIOS PROPOSTOS ................................................................................................................ 125

2.2 TEMA 4. CIDADANIA E DIREITOS DA COMUNIDADE SURDA NO BRASIL E NO MUNDO ........ 127

2.2.1 CONTEÚDO 1. EDUCAÇÃO ESPECIAL: ASPECTOS LEGAIS E PEDAGÓGICOS ................. 127

2.2.2 CONTEÚDO 2. REFLEXÕES SOBRE A PRÁXIS PEDAGÓGICA E A MEDIAÇÃO NA

LINGUAGEM ESCRITA .................................................................................................. 137

2.2.3 CONTEÚDO 3. DECLARAÇÃO INTERNACIONAL DE SALAMANCA ................................. 141

2.2.4 CONTEÚDO 4. DERRUBANDO MITOS E CRENÇAS NO TRABALHO COM O SURDO ...... 145

MAPA CONCEITUAL ........................................................................................................................ 149

ESTUDO DE CASO ........................................................................................................................... 150

EXERCÍCIOS PROPOSTOS ................................................................................................................ 151

GLOSSÁRIO ................................................................................................................................. 155

REFERÊNCIAS............................................................................................................................... 157


APRESENTAÇÃO

Neste texto pretendemos refletir sobre a língua Libras, apresentando também a concepção

contemporânea de surdez, bem como implicações pedagógicas do processo educacional

com crianças e jovens surdos.

Além disso, desejamos favorecer uma reflexão crítica sobre as propostas educacionais

ora vigentes no sistema educacional brasileiro, para que, em sua futura prática profissional,

você priorize um fazer pedagógico em prol da inclusão.

Neste sentido, este texto é voltado aos discentes em formação em licenciatura, embora

não sejam aqui esgotados todos os aspectos relativos ao trabalho com pessoas surdas, haja

vista sua abordagem introdutória acerca da temática da surdez, suas origens e implicações

biológicas, educacionais e sociais para o indivíduo surdo, bem como para a comunidade escolar

que o acolhe.

O presente texto tem por foco questões relativas ao processo de surdez em contextos de

aprendizagem e as possibilidades de inclusão de surdos no Brasil, tratando, por isso, de aspectos

do sistema de ensino e suas vicissitudes.

Didaticamente, os conteúdos deste texto estão organizados em dois blocos temáticos e

quatro grandes temas, apresentados em conteúdos específicos, a saber.

O BLOCO TEMÁTICO I – COMUNIDADE SURDA apresenta no Tema 1 os “Aspectos

socioantropológicos” e o Tema 2 versa sobre “Surdez e interação”.

O BLOCO TEMÁTICO II apresenta a temática sobre “A SURDEZ E SUAS

IMPLICAÇÕES”, em dois grandes temas: o Tema 1 aborda os “Aspectos Biológicos’ e no

Tema 2 são apresentados os “Aspectos Pedagógicos”.

Neste sentido, este texto se propõe a apresentar de forma clara e sucinta os conceitos

fundamentais da língua Libras, de modo a favorecer uma maior compreensão por parte de

profissionais da área educacional quanto às possibilidades e limites para um trabalho pedagógico

inclusivo com pessoas surdas.

Diante disso, consideramos ser esta uma ferramenta importante para o trabalho em e-

ducação, sendo um convite a que você aprenda e passe a falar também com as mãos, difundindo,

assim, a cidadania na comunidade surda ao respeitar e valorizar sua cultura.

Bem-vindo ao mundo do silêncio.

Marlene Cardoso


8

MARLENE CARDOSO


1

BLOCO

TEMÁTICO

SURDEZ: ASPECTOS BIOLÓGICOS E

SOCIAIS


SURDEZ: ASPECTOS BIOLÓGICOS E

SOCIAIS

1.1

TEMA 1.

SURDEZ E PROCESSOS PSICOSSOCIAIS

1.1.1

CONTEÚDO 1.

VISÃO SOCIOANTROPOLÓGICA DO SURDO NA CONTEMPORANEIDADE

[...] A história comum dos Surdos é uma história que enfatiza a caridade, o

sacrifício e a dedicação necessários para vencer ‘grandes adversidades’ [...].

(SÁ, apud PERLIN; STROBEL, 2006, p. 5).

“[...] quase metade dos professores eram surdos. Não existiam audiologistas,

terapeutas de reabilitação, ou psicólogos educacionais e, para a maioria, nenhum destes

eram aparentemente necessário. [...] pelo contrário a criança e os adultos surdos eram

descritos em termos culturais: que a escola frequentaram, quem eram os seus parentes e

amigos surdos (caso os houvesse), quem era a sua esposa surda, onde trabalhavam, quais

as equipes desportivas de surdos e organizações de surdos a que pertenciam, qual o serviço

que prestavam à comunidade dos surdos? [...]”

Fonte: LANE apud PERLIN; STROBEL, 2006, p.15.

Até aqui aprendemos sobre como a deficiência auditiva se manifesta diferentemente em

cada indivíduo. Agora podemos caminhar um pouco mais. A partir deste ponto estudaremos

como o indivíduo reage na sociedade com a limitação da surdez.

11

LIBRAS


Ao compreender as características mais marcantes da comunidade dos indivíduos

surdos, você se comunicará mais e melhor em LIBRAS.

Então, vamos avançar e entender os aspectos socioantropológicos da surdez.

Bom estudo!

Conceitos e terminologia básica

Pode parecer uma questão menor nos preocuparmos com a terminologia, mas o modo

como nos referimos a uma pessoa reflete nosso conceito sobre ela, bem como explicita nossos

preconceitos, ignorância e arrogância, que se tornam transparentes nos títulos, rótulos e definições

que atribuímos aos outros. É preciso, então, conhecer o vocabulário de um campo para

incorrer em erros elementares, bem como para não dar continuidade ao preconceito implícito

muitas vezes no discurso leigo ou popular.

Surdo-mudo, deficiente auditivo (DA), pessoa portadora de necessidades especiais, deficiente

da áudio-comunicação, por que existem tantos termos? Poderíamos pensar: ao usarmos

tantas palavras distintas para designarmos uma pessoa que pertence um grupo específico

estamos nos posicionando de forma demasiadamente cuidadosa?

Talvez seja este o momento de refletir se todo este aparato terminológico está camuflando

nosso desconforto por nos mantermos preconceituosos, e que por isso caímos em um exagerado

modismo, muito em voga e reconhecido como uma onda do “politicamente correto”.

Na ânsia de não ofendermos a pessoa surda, ou pertencente a qualquer outra minoria,

acabamos criando um número de designações, que sempre são substituídas por outras, pois

nenhuma preenche satisfatoriamente a definição mais atual sobre o indivíduo surdo.

Contudo, a maioria das pessoas que não tem contato com a área da surdez, pensa que o

termo surdo(a) é uma palavra ofensiva, mas não é. Os próprios surdos esclarecidos querem

ser chamados assim, pois não se refere simplesmente aquelas pessoas com perda de audição,

mas sim a todo um contexto de serem um grupo minoritário com necessidade de comunicação

essencialmente e, por extensão, de língua de sinais.

Os surdos que assumem a identidade surda são representados por discursos que os

vêem capazes como sujeitos culturais, uma formação de identidade que só ocorre entre os

espaços culturais surdos.

12

MARLENE CARDOSO


Quanto mais você ler sobre o assunto melhor.

Aproveite e acesse o próximo link: http://www.mj.gov.br/

1.1.2

CONTEÚDO 2.

O LUGAR HISTÓRICO E SOCIAL DO SURDO

Ao longo da história, e das diversas culturas, os surdos eram pessoas consideradas imprestáveis

e amaldiçoadas, exterminados através de infanticídio "legalizado", bem como eram

ao mesmo tempo vistas como pobres coitados que deveriam ser sempre tutelados, e que não

poderiam jamais ter vida própria por serem incapazes.

A partir do século XVI surgem os primeiros pedagogos para surdos, e a sua educação e

inclusão na sociedade começa a ser repensada de forma séria.

Foi a partir do século XVI, que passou a ser cogitada a possibilidade de educar pessoas

surdas, porém isto somente foi efetivamente realizado no início com indivíduos surdos de

famílias abastadas e herdeiros de fortunas, por sua educação ser uma condição para que pudessem

receber herança.

Com o início do Renascimento e a renovação das ideias a partir da Idade Média e do

isolamento imposto pelo regime feudal, houve formação de Comunidades Surdas e o desenvolvimento

da língua de sinais, já utilização pelos surdos desde a Antiguidade.

Em 1974, na Holanda, aparece no discurso do médico suíço Amman com o postulado

sobre a primazia da oralidade do surdo na atenção pedagógica à surdez. Como ele, vários outros

seguiram a mesma tendência, afirmando ser a oralidade a única via de acesso à razão e ao

pensamento humano.

Assim, no início do século XX, a maior parte das escolas de surdos, em todo o mundo,

abandona o uso da língua de sinais. Reflexo do Congresso de Milão de 1880, quando, a despeito

do que pensavam os surdos (maiores interessados, e que sequer foram consultados), considerou-se

que a melhor forma de educação do surdo, seria aquela que utilizasse unicamente o

oralismo.

Desta forma, é traçado o desenho do oralismo, abordagem cujo discurso propõe a superação

da surdez e a aceitação social do surdo por meio da oralização, o que significou o banimento

da língua de sinais dos modelos educacionais. O ensino da fala passou a ocupar centralidade

máxima, e converteu-se em meio e fim da educação do surdo. A orientação era no

sentido de que:

13

LIBRAS


[...] a vida da criança surda deva ser organizada de tal modo que a fala seja

necessária e interessante para ela, e a língua de sinais sem importância e desnecessária

[...] (VYGOTSKY, 1993, p. 37).

O modelo descrito acima e centrando a educação do surdo na oralidade não surge do

acaso, pois o modelo de referência oralista é o modelo clínico-terapêutico, e não

pedagógica, a surdez é vista como patológica e os surdos tornam-se pacientes, e não

alunos.

Considerava-se que o surdo, para viver em sociedade, deveria conseguir "ouvir" (com o

uso de aparelho e apoiando-se em técnicas de leitura labial) e "falar" (através de exaustivos

exercícios e, em último caso, da comunicação escrita) com o ouvinte, devendo superar a deficiência,

o defeito de nascença, para poder ter o direito de conseguir viver e ser aceito pelo seu

grupo social.

Interessante!

Apesar de inúmeros indivíduos mostrarem a capacidade intelectual e produtiva das pessoas

que tinham alguma deficiência, a sociedade manteve-se alheia e negou durante séculos,

os direitos de igualdade destes grupos.

14

MARLENE CARDOSO


Dois grandes homens contribuíram com sua genialidade e arte para a história da humanidade,

sem que as limitações impostas pela deficiência tomassem o lugar de protagonistas nas

vidas de cada um deles.

Lembramos por isso neste texto o valor de ambos.

LUDWIG VAN BEETHOVEN

FONTE: HTTP://WWW.CM‐LOUSA.PT/IMAGES/AGENDA/154_BILDNIS_LUDWIG_VAN_BEETHOVEN.JPG

Sem sombra de dúvida, Beethoven é um ícone da música erudita ocidental, sendo um

dos compositores mais admirados e influentes.

ANTÔNIO FRANCISCO LISBOA

FONTE: HTTP://WWW.GRUPOESCOLAR.COM/A/B/891FA.JPG

15

LIBRAS


Brasileiro natural de Ouro Preto, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho é um dos

maiores artistas da história do nosso país. Escultor, sua formação é atribuída as suas atividades

com seu pai e com seu tio. Sua educação formal foi apenas até a escola primária.

TETO DA IGREJA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

FONTE: DISPONÍVEL EM: WWW.INFOESCOLA.COM

Pesquise sobre a obra destes dois mestres da arte e busque outros exemplos de pessoas

que superaram a deficiência apesar das barreiras da preconceituosa sociedade ocidental.

O modelo antropológico, por sua vez, rompe com essa forma de pensar e concebe os

surdos como adultos multilinguais e multiculturais, concepção de fundamento e de práxis.

Nesse modelo se insere a educação bilíngue para surdos, que significa, como propõe Skliar

(1998), apoiado nas proposições da UNESCO (1954): “o direito que têm as crianças que utilizam

uma língua diferente da língua oficial de serem educadas na sua língua” (SKLIAR, 1998,

p. 17).

16

MARLENE CARDOSO


FONTE: HTTP://1.BP.BLOGSPOT.COM/_A8FPA0P6NTE/TCLA6NILWCI/AAAAAAAAIX0/QZO7I4PJUGS/S1600/ALFABETO+E+LIBRAS.JPG

A partir da década de 80 começa a ganhar força a filosofia do bilinguismo. Segundo esta

filosofia, o surdo deve adquirir primeiramente, como língua materna, a língua de sinais, considerada

a sua língua natural. Somente como segunda língua deveria ser ensinada a língua

oficial do país, mas preponderantemente na sua forma escrita. O bilinguismo percebe a surdez

como diferença linguística, e não como deficiência a ser normatizada através da reabilitação

(oralismo).

O surdo, progressivamente, vem sendo encarado como alguém com identidade e características

próprias, e em alguns casos, o que é mais importante, distintas das do ouvinte.

1.1.3

CONTEÚDO 3.

PROCESSOS PSICOSSOCIAIS E CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE

O modelo socioantropológico da surdez

Foram duas observações que a partir da década de 60 levaram outros especialistas – como

antropólogo, linguísticas e sociólogos – a interessar-se pelos surdos, e que originaram uma

visão totalmente oposta a clinica, uma perspectiva socioantropológica da surdez.

Por um lado, o fato de que os surdos formam comunidades cujo fator aglutinante é a

língua de sinais, apesar, como se disse da repressão exercida pela sociedade e pela escola. Por

outro lado, a confirmação de que os filhos surdos de pais surdos apresentam melhores níveis

17

LIBRAS


de leitura semelhantes aos do ouvinte, uma identidade equilibrada, e não apresentam os problemas

sociais e afetivos próprios dos filhos surdos de pais ouvintes.

Os surdos formam uma comunidade linguística minoritária caracterizada por compartilhar

uma língua de sinais e valores culturais, hábitos e modos de socialização próprios. A língua

de sinais constitui o elemento identitário dos surdos, e o fato de construir-se em comunidade

significa que compartilham e conhecem os usos e normas de uso da mesma língua, já

que interagem cotidianamente em um processo comunicativo eficaz – e cognitiva por meio do

uso da língua de sinais própria de cada comunidade de surdos.

FONTE: HTTP://ZURETACONCURSOS.FILES.WORDPRESS.COM/2008/07/1BONECOS_UNIAO.JPG

A comunidade surda se origina em uma atitude diferente frente ao déficit, já que não leva

em consideração o grau de perda auditiva de seus membros. A participação na comunidade

surda se define pelo uso comum da língua de sinais, pelos sentimentos de identidade grupal, o

autorreconhecimento e identificação como surdo, o reconhecer-se como diferente, os casamentos

endogâmicos, fatores estes que levam a redefinir a surdez como uma diferença e não

como uma deficiência. Pode-se dizer, portanto, que existe um projeto surdo da surdez.

Observe como é importante o respeito a língua materna dos surdos. Pense nisto...

A língua de sinais anula a deficiência e permite que os surdos consigam, então, uma

comunidade linguística minoritária diferente e não um adesivo na normalidade.

Identidade surda

A identidade do surdo é um tema que vem sendo debatido de forma nova, em termos,

principalmente, de sua inserção no campo dos estudos culturais, ao qual melhor se adapta sob

a perspectiva da representação da diferença.

18

MARLENE CARDOSO


Essa concepção está envolvida com a consideração de assimetrias culturais, tratando-se

de uma identidade cultural, que envolve rituais, linguagem olhares, sinais, representações,

símbolos, modelos convencionais, processo profundamente plurais e culturais.

FONTE:

HTTP://SBYSIQ.BLU.LIVEFILESTORE.COM/Y1P2GRWLUOIQHQPTZELF3MPRVHQM12OZVXZKVNF73KMDXGYQKZNET1WFB6WPQLZ5OJD3S

S9QO_5ONB‐BSDBBXNLQA/FESTA%20DA%20PRIMAVERA%20(203).JPG

No caso dos surdos, vale dizer que a identidade é construída numa forma de representação

naturalmente edificada na comunidade ou nas comunidades surdas essa representação

possui uma narrativa “imaginada”, cujos processos cimentam a unidade de uma comunidade.

Olhando a parceria ou os vínculos entre identidade e currículo, é possível refletir sobre

as relações entre currículo e subjetividade. Em outras palavras devemos refletir que se a base

da cultura surda não estiver presente no currículo, dificilmente o sujeito surdo irá percorrer a

trajetória de sua nova ordem, que será oferecida na pista das representações inerentes às manifestações

culturais.

FONTE: HTTP://1.BP.BLOGSPOT.COM/_VIJGHWJX6YW/TCAC5OIK7NI/AAAAAAAAEVU/WAPLNP0WBZ4/S320/BASQUETECADEIRA1.JPG

19

LIBRAS


Entrar na discussão de currículo e identidade no campo da educação dos surdos significa

apreender uma identidade de resistência que exclui uma máscara social de incapacidade

para aquisição subjetiva do conhecimento, máscara que também é possível identificar na exclusão

imposta a pessoas que apresentam outras deficiências. E entrar na pista da socialização

do conhecimento entre os surdos.

O currículo como centro da identidade

No livro “Documentos de Identidade”, Silva (2002) remete-nos ao significado de currículo

como a “pista decorrida”. Pode se dizer que, aí, o currículo deve conter pistas para nos

tornamos o que somos. Se nos detivermos a considerar currículo apenas como conhecimento,

então esquecemos a relação entre identidade e currículo.

O currículo deve estar inerentemente, centralmente e virtualmente envolvido naquilo

que representa o que somos, naquilo que nos tornamos, na nossa identidade, na nossa subjetividade.

Assim, no caso do surdo, o currículo precisa estar envolvido num processo cultural inerente

ao surdo. Para que a identidade possa vir a ser temos de “adulterar” o currículo com a

representação cultural surda.

O contato do sujeito surdo com as manifestações culturais do surdo é necessário para

construção de sua identidade, caso contrario, sua experiência vai torná-lo um sujeito sem possibilidade

de autoidentificar-se como diferente e como surdo, ou seja, com determinada identidade

cultural. A sua identificação vai ocorrer como sendo um sujeito deficiente. É bem o

caso do oralismo.

Se olharmos para a história, teremos presente o caso de identificação que o oralismo legou

ao surdo como o enfraquecimento da comunidade surda, resultando na perda da autonomia,

na competição de surdos com os ouvintes, no suicídio dos surdos.

Por quê?

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-

32621998000300005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

20

MARLENE CARDOSO


1.1.4

CONTEÚDO 4.

LIBRAS E IDENTIDADE SOCIAL:

ASPECTOS PEDAGÓGICOS E ASPECTOS LEGAIS

FONTE: HTTP://4.BP.BLOGSPOT.COM/_WLCERUQV4BK/SSMDOQ_CX6I/AAAAAAAAAWG/LWZOJRBQMTA/S400/VARIAS‐MAOS.JPG

Acontece que a manifestação da identidade do surdo no currículo oralista é falha e contém

a representação da identidade ouvinte como exclusiva. Uma segregação da identidade

surda, uma segregação da mesma.

Se pensarmos na pluralidade cultural, o currículo multiculturalista faz lembra que a i-

gualdade e oportunidade não podem ser obtida por meio da igualdade de acesso ao currículo

hegemônico existente. É preciso que haja presença da diferença cultural nos currículos, para

garantir ou refletir as formas pelas quais a diferença é produzida em relações sociais de assimetria.

Tanto a língua como a educação está envolvida em processo de transformação de identidades

e subjetividades. Pedagogicamente falando ensinar a cultura do surdo na sala de aula

com surdo é tão importante quanto teorizar sobre ela.

Ensinar cultura do surdo é fazer um discurso e uma prática, é abrir perspectivas para a

formação da subjetividade e contribuir para o encontro de uma linguagem teórica que permita

ao surdo identificar-se. Estas ideias são ratificadas por Sá (2002), quando ela afirma que a

formação das nossas identidades ocorre a partir da fusão dos elementos de todos os sistemas

culturais em que estamos inseridos.

21

LIBRAS


A construção da surdez a partir de diferentes concepções de multiculturalismo

Numa mesma sociedade existem várias culturas imbricadas umas nas outras, gerando a

necessidade de se considerar um “multiculturalismo”, principalmente nas ações educacionais.

No entanto, há várias noções de multiculturalismo. Então, convém destacar a concepção

de multiculturalismo que chamamos para esta reflexão.

Carlos Skliar adverte (com base em Harlan Lane,1990 e Peter McLaren,1997), que a surdez

é construída a partir de concepções diferentes de multiculturalismo.Segundo ele, pode-se

observar a concepção conservadora de multiculturalismo,segundo a qual, na abordagem à

questão da surdez, há uma supremacia do ouvinte sobre os surdos, há um destaque para a

biologização da surdez e dos surdos,há a priorização de todos os julgamentos pela perspectiva

do mais “valoroso” da “mais valia” , há a deslegitimação das línguas estrangeiras e dos dialetos

regionais e étnicos,há a proclamação do monolinguismo, e, se usa o termo “diversidade” para

encobrir uma ideologia de assimilação (1998, p. 1).

Estamos próximo de começar a exercitar as mãos. Mas, antes vamos compreender os

aspectos que permeiam a educação especial dos surdos. Como ensinar e aprender Libras por

que educar um surdo é também entender a cultura surda. Vamos em frente!

Aspectos pedagógicos

Diagnóstico na idade escolar

Qualquer alteração auditiva na infância pode ocasionar sérios prejuízos ao desenvolvimento.

A percepção da linguagem em seu processamento auditivo refere-se a capacidade de

organizar e compreender os estímulos sonoros que recebemos, podendo ser usado para descrever

respostas comportamentais aos estímulos auditivos. Necessita de consciência auditiva,

identificação auditiva, localização auditiva, descriminação auditiva, figura fundo auditiva,

analise auditiva e síntese auditiva.

Muitas vezes são perdidas as riquezas dos detalhes durante uma informação sonora. O

conteúdo emocional também fica prejudicado uma vez que as inflexões da fala em situações

do dia a dia, como expressão de alegria ou de tristeza e desespero, não são percebidos. Na

maioria das vezes, os problemas auditivos passam despercebidos aos pais. E o ambiente escolar

acaba por se configurar em uma das mais importantes oportunidades para que o déficit

auditivo, visual ou cognitivo seja percebido por educadores.

A escola é o lugar em que ocorre uma significativa e efetiva troca de saberes, e permite a

troca de conhecimentos em dois sentidos entre mestre e alunos, bem como dos alunos entre

si. Esta característica de favorecer a troca de conhecimentos e experiências faz da escola um

lugar para elaboração pedagógica.

22

MARLENE CARDOSO


Prevenindo problemas na escola

Você sabia que:

Segundo a Política Nacional de Educação Especial, a Integração é um processo

dinâmico de participação das pessoas num contexto relacional, legitimando sua interação

nos grupos sociais. A normalização é o princípio que representa a base filosóficoideológica

da integração. Não se trata de normalizar as pessoas, mas sim o contexto em

que se desenvolvem. Normalização significa, portanto, oferecer aos educandos com

necessidades especiais modos e condições de vida diária o mais semelhantes possíveis às

formas e condições de vida da sociedade em geral.

A legislação do Brasil (Constituição Federal/88, LDB 9394/96 entre outras) prevê a integração

do educando com necessidades especiais no sistema regular de ensino. Essa integração,

no entanto, deve ser um processo individual, fazendo-se necessário estabelecer, para cada caso,

o momento oportuno para que o estudante comece a frequentar a classe comum, com possibilidade

de êxito e progresso.

A inclusão do aluno surdo em classe comum não acontece como num passe de mágica.

É uma conquista que tem que ser feita com muito estudo, trabalho e dedicação de todas as

pessoas envolvidas no processo: aluno surdo, família, professores, fonoaudiólogos, psicólogos,

assistentes sociais, alunos ouvintes, demais elementos da escola etc.

As crianças que apresentam perda auditiva (leve moderada) têm capacidade para ouvir

o professor, porém não têm consciência de haver perdido parte da mensagem. Quando o professor

menciona alguma atividade realizada anteriormente dirigindo-se a um aluno dizendo

seu nome, observamos que ele se mostra surpreso, pois se o professor não tivesse mencionado

o nome dele isto passaria despercebido, devido a falta de atenção auditiva.

23

LIBRAS


Inicialmente, essa criança pode ser considerada apática e pouco inteligente, mas, da percepção

de linguagem, o que a torna mais participativa na sala de aula.

Nas salas de aula as condições acústicas não costumam ser favoráveis, somam-se os ruídos

interno produzido pela conversação, pelo arrastar de mesas e cadeiras. As crianças que

fazem uso da prótese auditiva têm a ampliação da voz do professor e de todo os outros barulhos.

A percepção da fala não é suficiente clara somando-se os sons competitivos.

Investigue esse site ele trará mais informação para seu aprendizado:

http://www.feneis.com.br/page/index.asp

Interação social: a alavanca do aprendizado

A socialização é fator indispensável ao processo de desenvolvimento do ser humano,

pois é através dela que o indivíduo apropria-se dos comportamentos produzidos pela sociedade

na qual está inserido e, consequentemente, amplia suas possibilidades de interação. Pressupõe

a aquisição de valores, normas, costumes e condutas que a sociedade transmite e exige.

A família representa papel principal e decisivo no processo de socialização, entretanto,

não tem poder absoluto e indefinido sobre a criança. Muitos outros fatores irão influir neste

desenvolvimento.

A partir do momento em que a criança passa a frequentar a escola, esta transforma-se

em mais um importante contexto de socialização que será determinante para o seu desenvolvimento

e curso posterior de sua vida, pois vai interagir com pessoas de diferentes meios familiares,

concepções de vida, graus de conhecimento, etnias, religiões etc.

Aspectos legais

Importante que possamos refletir sobre o impacto de algumas normas do nosso ordenamento

jurídico que trouxeram efetividade de direitos aos surdos no Brasil.

A Lei nº 10.436 de 24 de abril de 2002, foi muito significativa por reconhecer o caráter

de língua da Libras. Esta Lei dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras, além de dar

outras providências.

“O PRESIDENTE DA REPÚBLICA faz saber que o Congresso Nacional decreta e eu

sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira

de Sinais – Libras e outros recursos de expressão a ela associados.

24

MARLENE CARDOSO


Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais – Libras a forma de comunicação

e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura

gramatical própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos

de comunidades de pessoas surdas do Brasil”.

O decreto Nº 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005, regulamenta a Lei no 10.436,

de 24 de abril de 2002, e institui a obrigatoriedade da inclusão da Libras como disciplina

curricular:

CAPÍTULO II – DA INCLUSÃO DA LIBRAS COMO DISCIPLINA

CURRICULAR

Art. 3º A Libras deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos

cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível

médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de instituições de ensino,

públicas e privadas, do sistema federal de ensino e dos sistemas de ensino dos

Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

§ 1º Todos os cursos de licenciatura, nas diferentes áreas do conhecimento, o

curso normal de nível médio, o curso normal superior, o curso de Pedagogia

e o curso de Educação Especial são considerados cursos de formação de professores

e profissionais da educação para o exercício do magistério.

§ 2º A Libras constituir-se-á em disciplina curricular optativa nos demais

cursos de educação superior e na educação profissional, a partir de um ano

da publicação deste Decreto (DECRETO 5626/05).

Além disso, este decreto também dispõe sobre a formação do professor de Libras:

CAPÍTULO III – DA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LIBRAS E DO

INSTRUTOR DE LIBRAS

Art. 4º A formação de docentes para o ensino de Libras nas séries finais do

ensino fundamental, no ensino médio e na educação superior deve ser realizada

em nível superior, em curso de graduação de licenciatura plena em Letras:

Libras ou em Letras: Libras/Língua Portuguesa como segunda língua.

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LIBRAS


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MARLENE CARDOSO


MAPA CONCEITUAL

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LIBRAS


ESTUDO DE CASO

Utilizando o conhecimento que você adquiriu com o estudo dos conteúdos do tema 1,

analise o caso abaixo e responda as questões. Em seguida discuta suas conclusões com seus

colegas no fórum da disciplina.

Caso 1

Bete, uma criança surda, não consegue acompanhar a classe de ouvintes porque não entendem

o que está sendo dito por sua professora, a qual não sabe Libras.

Questões:

1. Considerando as normas previstas na Lei 10.436/2, quais direitos previstos em Lei para

esta aluna o sistema educacional está deixando de garantir?

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

2. O que você pensa a respeito dos direitos dos alunos surdos expressos na Constituição

e nos demais documentos citados?

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

Revisão

Agora é o momento de você exercitar a sistematização dos seus conhecimentos neste

Tema 1. Se tiver dificuldade, volte a estudar o material e discutir com toda a comunidade

do seu curso no fórum da disciplina para esclarecer todos os conceitos e concepções

discutidos até este ponto.

Bom trabalho!

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MARLENE CARDOSO


EXERCÍCIOS PROPOSTOS

Questões do ENADE, adaptadas do ENADE ou similares

QUESTÃO 01

Considerando o que você estudou no tema 1 do nosso material impresso sobre os aspectos

socioantropológicos da surdez, identifique as alternativas falsas e as verdadeiras:

I. Para não ofendermos as pessoas surdas, ou pertencentes a qualquer outra minoria,

devemos ampliar a terminologia usada para nos referirmos a elas;

II. As pessoas que não têm contato com a área da surdez, pensam que a expressão

surdo(a) é uma palavra ofensiva, sem saber que a própria comunidade surda

prefere esta expressão;

III. O termo surdo define não apenas pessoas com perda auditiva, mas remete-nos à

noção de que há um grupo minoritário e essencialmente com necessidade de

comunicação específica, ou seja, de uma língua.

Está correta a alternativa:

a) F – F – V

b) V – F – V

c) V – V – F

d) F – V – V

QUESTÃO 02

Analise a frase abaixo e responda o que é pedido:

Os surdos que assumem a identidade surda são representados por discursos que os vêem

como sujeitos culturais capazes, uma formação de identidade que só ocorre entre os espaços

culturais surdos.

Diante desta afirmativa, é correto dizer:

a) A maioria dos surdos prefere se manter longe da identidade surda, pois tem uma

forte identificação com seus familiares oralistas;

b) A construção de uma identidade do surdo, como um indivíduo capaz, está diretamente

relacionada ao seu convívio com outros indivíduos desta comunidade;

c) A construção da identidade do indivíduo surdo ocorre a partir do momento em

que ele entra na rede regular de ensino, mas se concretiza antes da adolescência;

d) Alguns indivíduos surdos entram uma espécie de crise de identidade quando

começam a conviver com outros indivíduos surdos nas várias esferas sociais.

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LIBRAS


QUESTÃO 03

Tendo por base os aspectos históricos que estudamos nesta disciplina, com relação ao

tratamento dispensado socialmente à pessoas surdas, é possível afirmar:

a) Em diversas culturas, os surdos eram considerados como pessoas imprestáveis e

amaldiçoadas, o que tornava aceitável o infanticídio "legalizado";

b) Ao longo da história, os surdos foram vistos como pessoas independentes e que

não se desenvolviam por terem uma postura preguiçosa;

c) Em determinadas culturas, os surdos eram vistos como pobres coitados dependentes

de tutela, ainda que se acreditasse que poderiam ter vida própria por serem

capazes de trabalhar;

d) Na maioria das culturas, o surdo convivia com seus familiares quando não apresentava

capacidade para o trabalho, ou quando se mostrava inseguro nos espaços

sociais.

QUESTÃO 04

Leia as questões abaixo e identifique a alternativa incorreta:

a) A partir do século XVI surgiram os primeiros profissionais pedagogos para surdos,

o que permitiu que as questões relativas à educação para surdos e sua inclusão

na sociedade fossem tratadas de forma mais séria;

b) De acordo com alguns autores, a possibilidade de educar o surdo começou a ser

cogitada a partir do século XVI, ainda que de forma efetiva para aqueles surdos

de famílias abastadas;

c) A educação dos indivíduos surdos e herdeiros de fortunas, foi um fator que alavancou

os processos educativos deste grupo, haja vista que a educação era uma

condição para que pudesse receber herança;

d) O desenvolvimento da cultura surda se efetivou no século XIX, após o desenvolvimento

da língua de sinais e com o estabelecimento legal das cotas para deficientes.

QUESTÃO 05

De acordo com seus estudos identifique a opção coerente com o que discutimos em nossa

disciplina:

a) Coincide com o Renascimento e a renovação das ideias a formação de Comunidades

Surdas e o desenvolvimento da língua de sinais, já utilizada pelos surdos

desde a Antiguidade;

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MARLENE CARDOSO


) Historicamente, cada grupo social de uma forma própria de lidar com as pessoas

surdas, o que contribuía para o desenvolvimento destes indivíduos;

c) Alguns surdos têm dificuldade para construir uma identidade, precisando conviver

com oralistas e surdos para se posicionar em um dos grupos;

d) Existem vários termos que designam pessoas surdas, mas nenhum preenche satisfatoriamente

a definição contemporânea sobre o surdo.

1.2

TEMA 2.

SURDEZ E O LUGAR DO SURDO NA SOCIEDADE

1.2.1

CONTEÚDO 1.

SURDEZ X DEFICIÊNCIA

Nossa disciplina é sobre a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, língua utilizada pela

comunidade surda e que permite a comunicação com as mãos através de gestos que expressam

tanto as letras do alfabeto, palavras e situações, quanto representam sentimentos e conceitos

abstratos. No entanto, ressaltamos que a LIBRAS não deve ser entendida como uma

transcrição literal das palavras, haja vista sua estrutura, que a caracteriza como uma língua

específica, assim como o inglês, o português, o italiano são línguas que têm uma estrutura.

Neste sentido, a comunicação de uma pessoa surda com as demais através da LIBRAS não se

restringe a fazer uma mímica das letras de cada palavra.

FONTE: DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.UOUWWW.COM/2008/06/CURSO‐DE‐LIBRAS‐LINGUA‐BRASILEIRA‐DE‐SINAIS.HTML

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LIBRAS


Porém, antes de começar a aprender a falar com as mãos, você precisa saber mais sobre

a surdez e o indivíduo surdo. Esse é o diferencial dessa disciplina. Os próximos conteúdos

contribuirão para você se sentir seguro na conversação com o surdo.

Fique atento!

A surdez atinge cada indivíduo de forma diferente e por fatores diversos. Deste modo,

é preciso reconhecer os mecanismos dessa deficiência e de que forma cada indivíduo reage

ao silêncio.

Conceito de surdez

Vamos conhecer e esclarecer os termos que serão usados durante todo o texto,

conceituando, segundo os autores, com respeitabilidade no campo da surdez.

Aspectos Biológicos

IMAGEM DO DNA

FONTE: DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.PIXMAC.COM.BR/PICTURE/DNA+RESUMO/000000167806

32

MARLENE CARDOSO


A surdez é uma deficência que fisicamente não é visível, e atinge uma pequena parte da

anatomia do indivíduo. Porém, traz para o indivíduo surdo consequências sociais,

educacionais e emocionais amplas e intangíveis.

Podemos definir a surdez, também, como a privação auditiva que constitui grave

distúrbio neurológico-sensorial, afetando a capacidade de comunicação vividas, as relações

sociais e a construção do pensamento infantil.

A audição é o sentido responsável por captar as informações sonoras, sejam verbais ou

não. O órgão que realiza esse processo é o ouvido que pode ser dividido em ouvido externo,

médio e interno, sendo este o caminho percorrido pelo som até chegar ao cérebro.

FONTE: DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.IF.UFRJ.BR/TEACHING/FIS2/ONDAS2/OUVIDO/OUVIDO.HTML

O som se espalha pelo ar através de uma vibração, fenômeno que pode ser visualizado

na ilustração abaixo:

IMAGEM DE UMA ONDA SONORA

FONTE: DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.FLICKR.COM/PHOTOS/ROMULODELAZZARI/2533433797/)

Esta vibração é captada pela orelha externa (pavilhão auditivo e canal externo do ouvido)

e é conduzida até a orelha média, onde estão localizadas estruturas responsáveis pela am-

33

LIBRAS


plificação desta vibração. Depois de amplificada a vibração chega à orelha interna, gerando

uma pequena energia elétrica que é transmitida ao cérebro pelo nervo coclear, que é o nervo

da audição, onde será decodificada para gerar a compreensão dos sons. A surdez pode ocorrer

caso haja anomalias em qualquer uma das etapas deste processo de audição.

Muito bem!

Agora que já entendemos o processo de audição, e as várias formas e origens da

surdez, vamos entender o que é e como acontece o diagnóstico auditivo.

Continue empenhado em seu processo de conhecimento!

Conheça o nosso aparelho auditivo

Nosso ouvido é dividido em 3 partes:




Ouvido externo: É formado pelo pavilhão auricular e canal auditivo com a

membrana timpânica no fundo do canal.

Ouvido médio: Estão os três ossículos (martelo, estribo e bigorna) e a abertura

da tuba auditiva.

Ouvido interno: Também chamado de labirinto, é formado pelo aparelho vestibular

(equilíbrio) e cóclea (audição).

Audiometria

FONTE: DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.DIREF.ORG.BR/CONVENIOS/CLINICAS.HTM

O teste mais utilizado para detectar a presença de problemas de audição é a audiometria,

que tem a finalidade de determinar a menor quantidade de energia acústica audível (limiar

auditivo).

34

MARLENE CARDOSO


EXAME AUDIOMÉTRICO

FONTE: HTTP://WWW.SEAMA.EDU.BR/ADMIN/UPLOAD/AUDIOMETRIA.JPG

Os limiares determinados pela audiometria são colocados em um gráfico adotado universalmente

denominado audiograma. Ele expressa as frequências sonoras em HZ variando

de 250 a 8000 Hz. Estas frequências são medidas em decibéis obedecendo a uma escala que

determina o grau da perda auditiva que varia de –10 a 110 dB.

Um ouvido normal possui como limiar auditivo até 25 decibéis ou menos em adultos e

15 decibéis ou menos em crianças.

Se o limiar auditivo obtido encontra-se entre 25 e 40 dB caracteriza-se perda auditiva leve;

entre 40 e 70 dB, perda moderada; entre 70 e 90 dB caracteriza-se perda severa e a partir de

90 dB tem-se uma perda auditiva de grau profundo.

35

LIBRAS


Tipos de Surdez

Sob o aspecto que interfere na aquisição da linguagem e da fala, o déficit auditivo pode

ser definido como perda média em decibéis, com a seguinte classificação: surdez neurossensorial,

surdez leve, surdez severa, surdez profunda.

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MARLENE CARDOSO


Surdez Neurossensorial

Resulta de distúrbios que comprometem a cóclea ou o nervo coclear implante coclear.

CORTE VERTICOTRANSVERSAL DO OUVIDO DIREITO

FONTE: DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.SCIELO.BR/SCIELO.PHP?PID=S0080‐62342007000300020&SCRIPT=SCI_ARTTEXT

Classificação da surdez pela perda auditiva decibéis=db

Leve

Moderada

Severa

Profunda

Perda auditiva entre 20dc e 40db

Perda auditiva entre 40dc e 70db

Perda auditiva entre 70dc e 90db

Acima de 90db

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LIBRAS


Surdez Leve

O indivíduo que apresenta perda auditiva de até quarenta decibéis é diagnosticado como

tendo uma surdez leve. Essa perda impede que o indivíduo perceba igualmente todos os fonemas

da palavra. Além disso, a voz fraca ou distante não é ouvida.

Essa perda auditiva não impede a aquisição normal da linguagem, mas poderá ser a causa

de algum problema articulatório ou dificuldade na leitura e/ou escrita.

Surdez Severa

A pessoa que apresenta surdez severa escuta som forte como: latido do cão, avião, caminhão,

serra elétrica, mas não é capaz de ouvir a voz humana sem o aparelho auditivo.

FONTE: HTTP://TAILINEHIJAZ.WORDPRESS.COM/CATEGORY/MONITORIA‐HPIJ/

FONTE: DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.IMPLANTECOCLEAR.ORG.BR/TEXTOS.ASP?ID=5

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MARLENE CARDOSO


Surdez Profunda

As pessoas com surdez severa escutam apenas sons graves que transmitem vibrações

(helicóptero, avião, trovão), sendo a perda auditiva superior a noventa decibéis. A gravidade

dessa perda é tal que o priva das informações auditivas necessárias para perceber e identificar

a voz humana, impedindo-o de adquirir a linguagem oral.

FONTE: HTTP://WWW.LOUCOSPELOTIMAO.COM/CATEGORY/A‐HISTORIA‐DO‐CORINTHIANS/PAGE/2/

A construção da linguagem oral no individuo com surdez profunda é uma tarefa longa e

bastante complexa, envolvendo aquisições, como:

Tomar conhecimento do mundo sonoro;

Aprender a utilizar todas as vias perceptivas que podem complementar a audição;

Perceber e conversar a necessidade de comunicação e de expressão;

Compreender a linguagem;

Aprender a expressar-se.

Surdez Adquirida

É considerada surdez adquirida quando o comprometimento da audição ocorre por

causas neonatais (durante ou imediatamente após o nascimento) ou durante a primeira

infância.

Uma criança que nasce surda, ou que adquire a surdez nos primeiros meses de vida,

não recebe informações do meio ambiente, através da audição, necessaria ao seu

desenvolvimento cognitivo, emocional e integração social.

39

LIBRAS


EXAME AUDITIVO

FONTE: HTTP://TODAPERFEITA.COM.BR/TESTE‐DA‐ORELHINHA‐ONDE‐FAZER/

“O teste da orelhinha (conhecido cientificamente como Emissões Otoacústicas –

OAEs) é o exame para a identificação precoce de Deficiência Auditiva. Pode ser realizado

no segundo ou terceiro dia de vida, é simples, seguro, indolor, não utiliza medicamentos

no procedimento e dura aproximadamente de 5 a 10 minutos. Deverá ser realizado

durante o sono do bebê, sem incomodá-lo”

Fonte: REIS, 2010, p. 01.

Leia sobre o assunto que estudamos até agora.

Sugestão de site site:

http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?402

1.2.2

CONTEÚDO 2.

SURDEZ: FATORES DE RISCO, PREVENÇÃO E TRATAMENTOS

Nem sempre é possível evitar que alguma doença ou alteração ocorra no indivíduo,

entretanto frequentemente é possível realizar um diagnóstico precoce do problema e adotar

medidas para diminuir suas consequências.

A Organização Mundial de Saúde classifica as Medidas de Prevenção em Primárias,

Secundárias e Terciárias.

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MARLENE CARDOSO


Com relação à área da surdez podemos dizer que a prevenção primária diz respeito à

administração de vacinas e medidas de saneamento básico, que podem evitar que as pessoas se

contaminem ou desenvolvam doenças que causam surdez.

FONTE: DISPONÍVEL EM: WWW.SENADO.GOV.BR/SF/SENADO/PORTALDOSERVIDOR/JORNAL/JORNAL77/SAUDE_VACINA.ASPX

A prevenção secundária está relacionada ao diagnóstico precoce, como por exemplo a

realização da triagem auditiva nas maternidades. Para que este procedimento preventivo

possa se concretizar é imprescindível que a avaliação seja realizada tanto por médico quanto

por fonoaudiólogo.

FONTE: DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.INCLUSIVE.ORG.BR/?P=14499

Os aspectos da prevenção terciária estão relacionados à estimulação precoce

especializada e ao ensino especial.

41

LIBRAS


O conhecimento das causas que podem levar a problemas auditivos favorece o

diagnóstico precoce que propicia um melhor rendimento pedagógico, desde que ocorra uma

intervenção adequada.

Causas da Surdez

A surdez pode ser adquirida de várias maneiras, selecionamos as causas mais comuns

para estudarmos. Algumas formas de adoecimento levam as alterações genéticas nos embriões,

tendo como uma das consequências, a perda auditiva parcial ou total. É importante ressaltar

que as causas de surdez podem estar relacionadas tanto a aspectos genéticos, quanto a

eventos ocorridos nos períodos perinatal e/ou pós-natal, a exemplo da anóxia perinatal e da

anóxia pós-natal. Dentre as causas mais comuns de alteração intrauterina, citamos:

Mutação genética;

Anomalias decorrentes de adoecimento da gestante ou do genitor;

Sífilis;

Rubéola;

Toxoplasmose;

Meningite;

Anoxia;

Desnutrição da gestante.

Anomalias

Anomalias podem ser definidas como sendo uma alteração orgânica. Uma anomalia

pode ocorrer em qualquer idade do indivíduo e levar a sequelas permanentes, a exemplo da

surdez. Além disso, uma anomalia em um indivíduo adulto pode gerar anomalias em sua prole,

como veremos a seguir.

Um exemplo de anomalia que traz sequelas permanentes pode ser visto na mutação genética

que dá origem a Síndrome de Waardenburg, a qual, por sua vez gera outras anomalias

como deformação da face, Albinismo e surdez. A idade paterna avançada parece ser um dos

fatores responsáveis pela mutação genética denominada Síndrome de Waardenburg 1 que

atinge o embrião.

Principais características da Síndrome de Waardenburg:

Deslocamento lateral dos cantos internos dos olhos;

1 A Síndrome de Waardenburg foi descrita pela primeira vez por P. J. Waardenburg em 1951 e entre os principais

sinais clínicos do quadro está a surdez congênita (MARTINS, 2003, p. 117).

42

MARLENE CARDOSO


Hiperplasia da porção medial dos supercílios;

Base nasal proeminente e alargada;

Pigmentação da íris e da pele;

Surdez congênita;

Mecha branca frontal.

Sífilis

A Sífilis é uma doença sexualmente transmissível e que pode levar a sequelas permanentes

no indivíduo e em sua prole, como a surdez e a cegueira.

É uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema Pallidum e adquirida por

contato sexual com pessoa contaminada, por beijo ou por transfusão de sangue.

Quando não tratada, a Sífilis pode progredir, tornando-se crônica e com manifestações

sistemáticas. Manifesta-se em três fases: primária, secundária e terciária. As características

mais marcantes da infecção são apresentadas durante os dois primeiros estágios.

Sintomas:

1º estágio – pequenas vesículas avermelhadas indolores, chamado “cancro”, aparecem

na região próxima aos genitais. As vesículas aparecem 10 dias a 3 meses após o contágio, prolongando

de 1 até 8 semanas.

2º estágio – os sintomas são semelhantes aos de um resfriado, febre, dor de cabeça, corpo

dolorido.

O diagnóstico é feito pelo médico através da avaliação clinica, quanto as formas de contaminação

e por exame de sangue. Tratamento: é feito à base de penicilina oral e injetável.

Diabetes

Diabetes mellitus é um gupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia

(aumento dos níveis de glicose no sangue), resultado de deficiencias na secreção de insulina,

em sua ação ou ambos. Trata-se de uma doença complexa, na qual coexiste um transtorno

global do metabolismo dos carboidratos, lipidios e proteínas. Existe 3 tipos de diabetes:

Mellitus tipo 1, Mellitus tipo 2 e Mellitus gestacional.

Rubéola

A rubéola ou rubéola é uma doença infecciosa causada pelo vírus da rubéola Togavírus.

Transmissão: vias respiratórias. É uma doença geralmente benigna, mas pode causar má formação

no embrião, se a contaminação ocorrer durante a gestação. A rubéola também é res-

43

LIBRAS


ponsável por parto prematuro. Dentre as sequelas da rubéola durante a gravidez vemos a surdez

e algumas formas de má formação.

Sintomas:

O período de incubação do vírus é de 15 dias e os sintomas são parecidos com os da gripe:

dor de cabeça, dor ao engolir, dores musculares, coriza, aparecimento de gânglios (ínguas),

febre, manchas avermelhadas inicialmente no rosto, que depois se espalham por todo o corpo.

Citomegalovírus

É um vírus herpes com predomínio de incidência em regiões carentes, onde é comum a

significativa restrição de recursos econômicos pouco acesso da população à educação, ao esgotamento

sanitário e a condições adequadas de higiene. As formas de transmissão incluem:

relação sexual, agulhas para injeção de drogas, transfusão de sangue.

Um outro conjunto de fatores e situações durante a gestação e o parto pode gerar sequelas

nos bebês, sendo a surdez uma delas.

Anoxia

Anoxia é a diminuição de oxigenação para o feto no momento do parto. Se a anoxia for

prolongada, pode ocorrer uma lesão cerebral ou até matar. Este é um dos riscos ao nascimento

e a principal causa de deficiências mentais em crianças, podendo também causar surdez. Pode

ser causada por uma parada cardíaca do bebê em função de complicações na hora do parto.

44

MARLENE CARDOSO


Prematuridade

O bebê é considerado prematuro se nascer antes das 37 semanas de gestação. A depender

de sua idade, os fatores de riscos para que venha a apresentar problemas de saúde aumentam

ou diminuem, podendo ele necessitar de diversos tipos de cuidados.

A prematuridade aumenta os riscos de a criança ter um prejuízo auditivo ou déficit de

inteligência.

Traumas do parto

Temos um exemplo que é o parto de fórceps, é um parto normal, no qual se utiliza um

instrumento cirúrgico semelhante a uma colher, que é colocado no canal vaginal, ajustando-se

nos lados da cabeça do bebê para ajudar o obstetra a retirá-lo do canal de parto. Este tipo de

ação praticamente não e é mais usada, mas muitas pessoas adultas têm surdez devido a esse

tipo de procedimento.

Drogas ototóxicas

São medicamentos que afetam o ouvido interno e cóclea, os quais são responsáveis pela

audição e equilíbrio. O uso destas substâncias pode gerar uma lesão no ouvido interno e/ou a

cóclea causando perda auditiva irreversível.

Icterícia ou hiperbilirrubina. É causada pela concentração, anormal e alta de bilirrubina

no sangue. Os glóbulos vermelhos velhos, danificados ou anormais são extraídos da circulação

principalmente pelo baço. Durante esse processo, a hemoglobina (proteína dos glóbulos

vermelhos que transporta o oxigênio) transforma-se num pigmento amarelo chamado bilirrubina.

A bilirrubina chega ao fígado através da circulação e ali é quimicamente alterada para

depois ser excretada para o intestino como um componente da bílis.

Na maioria dos recém-nascidos a concentração de bilirrubina no sangue normalmente

aumenta de forma transitória durante os primeiros dias posteriores ao nascimento, motivo

pelo qual a pele está amarelada (icterícia).

Outras causas de perda auditiva

Além dos fatores genéticos que levam a surdez do bebê ainda no útero ou em função do

parto, há algumas formas de adoecimento que em qualquer faixa etária podem levar a um

quadro de surdez.

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LIBRAS


Gestação e deficiência na nutrição materna

Uma alimentação desequilibrada pode causar sérios problemas para a mulher grávida e

consequentemente para o bebê. Uma alimentação equilibrada baseada em frutas, legumes,

hortaliças e pouca carne é o ideal para todas as pessoas, principalmente para as futuras mamães.

COMER MUITO NÃO EQUIVALE A COMER BEM!

Carências nutricionais da mãe significam carências nutricionais também do feto, prejudicando

seu desenvolvimento e aumentando o risco de que ocorram sequelas irreversíveis

para o bebê.

Baixo peso

A criança que nasce com menos de 2500g é considerada com baixo peso, que pode ser

por consequência do nascimento prematuro e da qualidade de crescimento fetal intrauterino.

Encefalite

São inflamações agudas no cérebro, podendo ser causadas por infecção viral ou bacteriana

como meningite bacteriana, ou pode ser uma complicação de outras doenças infecciosas

como raiva (viral) ou sífilis (bacteriana). Acontece em certas infestações parasitas e protozoárias,

como toxoplasmose, malária ou meningoencefalite amoébica primária, e também pode

46

MARLENE CARDOSO


ocorrer encefalites em pessoas com sistema imune comprometido. Essa lesão empurra o

cerebro contra o crânio, podendo conduzir, inclusive, à morte.

Meningite

É uma inflamação das meninges – membranas que recobrem e protegem o cérebro. Ela

pode ser viral, adquirida depois de uma gripe ou doença causada por vírus, ou de origem bacteriana,

normalmente mais branda.

Uma das bactérias é a meningococo que pode ser transmitida pelo ar. Outra forma de

contagio é o contato com a saliva de um doente. A bactéria entra pelo nariz e aloja-se no interior

da garganta. Em seguida vai para corrente sanguínea, percorrendo pelo cérebro ou difusão

pelo corpo, causando uma infecção generalizada.

Sintomas:

Nos neonatos de até um mês – irritabilidade, choro em excesso, febre, sonolência e a

moleira fica estufada, como se houvesse um galo na cabeça da criança. Acima dessa idade – A

criança tem dificuldades de movimentar a cabeça. A partir dos cinco anos – Febre, rigidez da

nuca, dor de cabeça e vômitos em jato.

Traumas no crânio encefálico

O traumatismo craniano é um dos maiores causadores de morte no mundo. A depender

do local onde for a pancada, pode vir causar a surdez.

Sarampo

É uma doença causada pelo vírus do sarampo e sua transmissão é por via respiratória.

Essa doença, em alguns países, ainda é a causa de muitas mortes de crianças, por motivo de

falta de vacinação em massa.

Sintomas:

Febre alta, tosse rouca e persistente, coriza, conjuntivite e fotofobia, manchas branca na

mucosa da boca, depois surgem manchas avermelhadas na pele, inicialmente no rosto e progredindo

em direção aos pés, durante pelo menos três dias, e desaparecendo na mesma ordem

de aparecimento.

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LIBRAS


Caxumba

É uma doença virótica, de transmissão respiratória, causada pelo vírus da caxumba. Os

sintomas geralmente são bem discretos ou ausentes, e, quando ocorrem, os sintomas geralmente

são febre e aumento das glândulas salivares, podendo ocorrer um comprometimento

com o sistema nervoso central, testículos, ovários, pâncreas e a surdez temporária ou permanente.

Outros agentes causadores de perda auditiva

Além das questões vistas até aqui, você deve saber que muitas das condições de vida e

trabalho podem levar o indivíduo a ter uma perda auditiva total ou parcial ao longo da vida.

Neste aspecto ressaltamos a exposição a ruídos fortes como sendo o maior causador de surdez

na atualidade.

Além das sequelas por adoecimento, alguns hábitos pessoais e condições de trabalho

também representam risco para o indivíduo no que diz respeito à sua acuidade auditiva, conforme

podemos ver nas situações descritas abaixo.

Ruídos fortes

O ruído intenso, sons acima de 75 dB, é a causa mais frequente da surdez. A exposição

constante ou a exposição aguda a sons muito intensos, como uma explosão, pode levar o indivíduo

a uma perda auditiva parcial ou total.

FONTE: HTTP://WWW.SRPROPAGANDA.COM.BR/

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MARLENE CARDOSO


Um exemplo de exposição em situação social pode ser visualizado em festas populares,

como o carnaval, em que alguns indivíduos ficam expostos a ruído intenso por várias horas,

ao longo de dias.

FONTE: HTTP://WWW.ESSAEBOA.BLOGGER.COM.BR/2005_01_23_ARCHIVE.HTML

Outras situações da vida cotidiana podem gerar dano no aparelho auditivo: armas de fogo,

motocicletas, maquinas de cortar grama etc., podem causar danos ao ouvido interno causando

a surdez.

Condições inadequadas de trabalho

Além das situações cotidianas de agressão ao ouvido do ser humano, algumas condições

de trabalho são especialmente danosas à saúde auditiva, como podemos verificar nas indústrias,

nos canteiros de obra com suas máquinas e britadeiras e demais máquinas, nos aeroportos,

dentre outros.

FONTE: HTTP://EUTRABALHOSEGURO.BLOGSPOT.COM/2009/11/SESMT‐FORCA‐TAREFA‐NA‐CONSTRUCAO‐CIVIL.HTML

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LIBRAS


O diagnóstico de surdez

Habitualmente, as pessoas que convivem com a criança têm mais capacidade de detectar

se há algo errado do que qualquer teste. Por isso, os pais e professores devem estar atentos a

determinadas ausências de reação por parte da criança quando lhe são apresentados ruídos

altos. Do mesmo modo, os adultos precisam acompanhar o desenvolvimento da fala e buscar

avaliação profissional em caso de atraso.

Diagnóstico precoce

A criança deve ser capaz de prestar atenção, detectar, localizar e discriminar os sons.

Sabemos que a deficiência auditiva pode ocorrer antes (dentro do útero materno), durante ou

depois do nascimento.

Como suspeitar de algum problema auditivo no bebê?

FONTE: HTTP://HIMOTHERS.BLOGSPOT.COM/2009/11/MAMAES‐E‐BEBES.HTML

Ele acorda com barulhos fortes?

Ele se assusta com barulhos repentinos?

Ele percebe quando as portas batem?

Olha quando é chamado?

Escuta a campainha da porta e do telefone?

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MARLENE CARDOSO


Em crianças maiores é possível observar:

Ele olha muito para os lábios de quem fala?

Tem dificuldade para compreender o que é dito?

Pede para repetir ou que se fale mais alto?

Fala muito alto ou excessivamente baixo?

Aumenta o volume da televisão com frequência?

Tem dificuldade com os conteúdos escolares?

FONTE: HTTP://INDIFERENTEE.BLOGSPOT.COM/2010/06/SIMPLESMENTE‐VIVA.HTML

Se a criança não reage aos sons ou apresenta outras dificuldades, uma das possibilidades

a ser verificada é de que ela pode estar com a audição reduzida, neste caso, é possível avaliar a

audição através do exame de audiometria infantil que pode ser feito inclusive em recémnascidos,

como vimos neste texto.

Para fixar o assunto acima...

http://www.senado.gov.br/comunica/agencia/cidadania/surdez/not02.htm

Prevenção

Lei 10.436/2

Art. 4º O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e

do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial,

de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira

de Sinais – Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais –

PCN, conforme legislação vigente.

51

LIBRAS


Parágrafo único. A Língua Brasileira de Sinais – Libras não poderá substituir a modalidade

escrita da língua portuguesa.

Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 24 de abril de 2002; 181º da Independência e 114º da República.

A deficiência auditiva apresenta causas que são classificadas como congênitas ou adquiridas.

As causas congênitas da deficiência auditiva mais comuns são a hereditariedade, as sequelas

devido a viroses e às doenças tóxicas da gestante. A deficiência auditiva é adquirida

quando existe predisposição genética, meningite, ingestão de remédios, viroses etc.

É fundamental um acompanhamento precoce para um desenvolvimento da criança surda,

pois um profissional de qualidade poderá ajudar em uma redução de barreiras tanto na

comunicação do sujeito surdo ou deficiente auditivo como em todo contexto social.

Ideia-Chave

Deficiência auditiva: diminuição da capacidade de percepção normal dos sons.

Possibilidades de Tratamento

COMO PREVINIR A SURDEZ?

Vacinas

Já existem vacinas que as mulheres podem tomar antes de engravidar, como por exemplo:

vacina contra rubéola e após o nascimento a criança deve tomar vacinas contra: sarampo,

caxumba, meningite tipo B e C.

Vacina antirrubéola pode ser dada em mulheres de 15 aos 35 anos e crianças dos 15 meses

aos 15 anos, a rubéola é uma grande vilã, pois é a causadora de vários casos de surdez, na

gravidez a mulher infectada pela rubéola pode vir a conceber um bebê com problemas auditivos.

Vacina antissarampo é indicado para todas as crianças que não tiveram a doença ou para

aquela com dúvidas a respeito. Ela pode ser vacinada após o 9º mês de vida.

Vacina anticaxumba ou papeira deve ser aplicada a partir dos 12 meses de idade.

52

MARLENE CARDOSO


Existe a vacina tríplice viral que é a combinação das vacinas contra sarampo, rubéola e

caxumba que deve ser aplicada a 1ª dose aos 12 meses de idade e a 2ª dose aos 4 ou 5 anos de

idade.

Vacina antimeningite a partir de 2 meses de idade.

Aconselhamento médico e pré-natal

Fazer um bom pré-natal é o melhor caminho para a gestante percorrer durante os 9 meses,

o médico orientará quanto à nutrição e possíveis doenças como: sífilis e a toxoplasmose

que causam a surdez. O médico também pode vir ajudar a prevenir o nascimento prematuro

da criança. Todo o acompanhamento e monitoramento do bebê e da mãe durante o processo

de gestação é de fundamental importância.

Aconselhamento genético

A consanguinidade entre os pais é um fator genético de grande risco para o bebê que irá

nascer. Antes de engravidar, é de fundamental importância que o casal faça uma consulta com

um médico geneticista.

Cuidado ao usar medicamentos

Todo medicamento usado pela gestante ou pelo bebê, seja ela de ingestão a pomada, deve

passar pela autorização prévia do médico e pelo bom censo da leitura da bula do remédio.

O uso de medicamentos ototóxicos é perigoso para o indivíduo de qualquer idade.

Uso da camisinha

A relação sexual fazendo uso da camisinha é o cuidado básico para se evitar doenças sexualmente

transmissíveis (DST), como a Herpes e Sífilis, que causam a surdez e outros males.

Evitar barulhos

Evitar frequentar ambientes barulhentos e o uso de fones de ouvido com o som em volume

alto.

Após os exames e consultas com o otorrinolaringologista será indicado o tratamento

que mais se adequa a cada indivíduo e surdo.

Alguns casos necessitaram de cirurgia, já em outros a utilização do aparelho auditivo

permitirá uma percepção melhor do mundo sonoro. Importante ressaltar que o aparelho não

53

LIBRAS


estituirá a audição, mas poderá dar conhecimento ao indivíduo sobre o ambiente sonoro, o

que é importante para sua segurança.

Prótese auditiva

Definição:

É um aparelho eletrônico de vários tipos, formatos e cores, utilizados por pessoas que

tenham como diagnóstico perda de audição.

Exemplos de aparelhos de amplificação sonora individual (AASI). Usados por trás do

ouvido ou no canal auditivo, podem ajudar nas deficiências moderada e grave.

FONTE: HTTP://WWW.INFONET.COM.BR/SAUDE/LER.ASP?ID=88361&TITULO=SAUDE

História dos Aparelhos Auditivos

54

MARLENE CARDOSO


Os primeiros aparelhos auditivos eram enormes trombetas em forma de chifre com

uma parte larga e aberta em uma extremidade que detectava o som. A trombeta gradualmente

diminuiu e se transformou em um fino tubo que canalizava o som dentro do ouvido.

O desenvolvimento do aparelho auditivo moderno não seria possível se não fosse pela

contribuição de dois dos maiores inventores do final do século XIX e início do século XX.

Alexander Graham Bell amplificou eletronicamente o som em seu telefone usando um

microfone de carbono e uma bateria: um conceito que foi adotado pelos fabricantes de aparelhos

auditivos.

Em 1886, Thomas Edison inventou o transmissor de carbono, que alterava os sons em

sinais elétricos que podiam viajar através de fios e podiam ser convertidos de volta em sons.

Essa tecnologia foi usada nos primeiros aparelhos auditivos.

Na década de 20, tubos a vácuo foram

introduzidos aos aparelhos auditivos, o que tornou a amplificação do som mais

eficiente, mas enormes baterias ainda os tornavam incômodos.

FONTE: DISPONÍVEL EM:

HTTP://WWW.APARELHOSAUDITIVOSBRASIL.COM.BR/APARELHOS‐AUDITIVOS‐HISTORIA.HTM

A Revolução Industrial permitiu a produção em massa de aparelhos auditivos e criou

uma nova classe média que podia pagar pela tecnologia. No século XIX, várias empresas produziram

suas próprias versões de aparelhos auditivos. Em 1898, a Dictograph Company apresentou

o primeiro aparelho auditivo de carbono comercial. Um ano depois, Miller Reese Hutchison,

da empresa Akouphone, no Alabama, patenteou seu primeiro aparelho auditivo

elétrico funcional que usava um transmissor de carbono e bateria. Ele era tão grande que precisava

ficar sobre uma mesa, e era vendido por US$400.

O ano de 1952 anunciou a era dos aparelhos auditivos de transistor. A adição dessas

simples chaves on/off finalmente possibilitou o advento de um aparelho auditivo menor. Os

primeiros aparelhos auditivos com transistor foram projetados para se encaixar nas armações

de óculos. Posteriormente, eles foram adaptados para se encaixar atrás da orelha. O primeiro

55

LIBRAS


aparelho auditivo de transistor a ser lançado no mercado no final de 1952 foi vendido por

aproximadamente US$230.

No século XX, os aparelhos auditivos se tornaram digitais. A qualidade do som melhorou

e se tornou mais ajustável. Também durante esse período, os aparelhos auditivos programáveis

foram introduzidos.

Na virada do século XXI, a tecnologia de computador tornou os aparelhos auditivos

menores e ainda mais precisos, com ajustes para se acomodar a virtualmente todo tipo de ambiente

auditivo.

Contudo o uso do aparelho pode causar desconforto, portanto para uma correta adaptação

é necessário que o surdo se acostume aos sons gradativamente e que sinta prazer ao percebê-los.

Outro tratamento disponível no momento é o implante coclear multicanal que é uma

prótese computadorizada que faz a função das células ciliadas lesadas ou ausentes.

Possui um dispositivo externo que tem como função captar o som, por um microfone

instalado num pequeno aparelho. O receptor libera a energia elétrica adequada para o feixe de

eletrodos inseridos na cóclea. As informações do som elétrico resultantes são enviadas através

do

Possibilitar ao surdo a percepção dos sons ambientes através da utilização de prótese

auditiva e do implante coclear são tratamentos que podem interferir em todo processo da a-

prendizagem repercutindo no desenvolvimento da linguagem e da fala. Contudo, não é o fim

56

MARLENE CARDOSO


em si mesmo. É parte de um processo que evitará distúrbios emocionais, sociais e psicológicos

dos surdos e de seus familiares.

Imagem de Implante coclear 2

http://www.seed.pr.gov.br/portals/portal/institucional/dee/dee_surdez.php

1.2.3

CONTEÚDO 3.

ASPECTOS PEDAGÓGICOS DA LIBRAS

O primeiro passou para entender as questões pedagógicas em relação a surdez e o surdo

é entender a Libras.

são:

Segundo Romeu Kazumi Sassaki (2002), quanto as Línguas de Sinais os termos corretos

Linguagem de sinais?

Linguagem Brasileira de Sinais?

Língua de sinais ou dos sinais?

Língua Brasileira de Sinais?

Língua de Sinais Brasileira?

Libras?

LIBRAS?

Em primeiro lugar, trata-se de uma língua e não de uma linguagem. Assim, ficam

descartados os termos “linguagem de sinais” e “Linguagem Brasileira de Sinais”. De acordo

com Capovilla (apud SASSAKI, 2002, p. 22):

Língua define um povo. Linguagem, um indivíduo. Assim, do mesmo modo

como o povo brasileiro é definido por uma língua ou idioma em comum, o

Português (que o distingue dos povos de todos os países com os quais o nosso

faz fronteira), a comunidade surda brasileira é definida por uma língua

em comum, a Língua de Sinais Brasileira. Assim, em Psicologia e Educação,

quando falamos em desenvolvimento da linguagem (quer oral, escrita ou de

sinais) e em distúrbios da linguagem (e.g., afasias, alexias, agrafias), estamos

nos referindo ao nível do indivíduo.

2

Disponível em: http://www.materdei.com.br/jornal_fev_mar_2006/materia04.jsp

57

LIBRAS


Em segundo lugar, o correto é “língua de sinais” porque se trata de uma língua viva e,

portanto, a quantidade de sinais está em aberto, podendo ser acrescentados novos sinais.

Quando se diz “língua dos sinais”, fica implícito que a quantidade de sinais já está fechada.

Em terceiro lugar, o nome correto é “Língua de Sinais Brasileira” (ou “Língua de sinais

brasileira”), pois Língua Brasileira não existe. O termo “língua de sinais” constitui uma

unidade vocabular, ou seja, funciona como se as três palavras (língua, de e sinais) fossem

uma só. Então, adjetivamos cada “língua de sinais” existente no mundo. Língua de Sinais

Brasileira, Língua de Sinais Americana, Língua de Sinais Mexicana, Língua de Sinais

Francesa etc. Capovilla (apud SASSAKI, 2002, p. 28):

[...] Língua de Sinais é uma unidade, que se refere a uma modalidade linguística

quiroarticulatória-visual e não oroarticulatória-auditiva. Assim, há Língua

de Sinais Brasileira (porque é a Língua de Sinais desenvolvida e empregada

pela comunidade surda brasileira, há Língua de Sinais Americana,

Francesa, Inglesa, e assim por diante. Não existe uma Língua Brasileira (de

sinais ou falada). Sei disso porque quando fazia uso destes termos TODOS os

benditos redatores de revistas e jornais riscavam o Brasileira e trocavam pelo

Portuguesa, produzindo um monstrengo conceitual de proporções e consequências

desastrosas... Além disso, a propósito, se traduzirmos American

Sign Language obteremos Língua de Sinais Americana e não Língua Americana

de Sinais[...].

Em quarto lugar, a sigla correta é “Libras” e não “LIBRAS” (ver explicação no próximo

parágrafo). Quando foi divulgado o uso da sigla “LIBRAS”, explicava-se esta sigla da

seguinte forma: LI de Língua, BRA de Brasileira, e S de Sinais. Com a grafia “Libras”, a

sigla significa: Li de Língua de Sinais, e bras de Brasileira.

De acordo com Fernando Capovilla (2001) adotou a norma do Português, segundo a

qual se uma sigla for pronunciável como se fosse uma palavra (e.g., Fapesp, Feneis) ela deve

ser escrita com apenas a inicial maiúscula; e se ela não for pronunciável como uma palavra,

mas apenas como uma série de letras (e.g., CNPq, BNDES), ela deve ser escrita em maiúsculas.

Por isso, o Dicionário de Libras de Capovilla e Raphael (2001) escreve Libras e Feneis com

apenas as iniciais maiúsculas, como deve ser em bom Português. Libras é um termo consagrado

pela comunidade surda brasileira, e com o qual ela se identifica. Ele é consagrado pela tradição

e é extremamente querido por ela. A manutenção deste termo indica nosso profundo

respeito para com as tradições deste povo a quem desejamos ajudar e promover, tanto por

razões humanitárias quanto de consciência social e cidadania. Finalmente, quando se trata de

publicação menos técnica em Português, recomendo o uso de Libras. Como é um termo curto,

58

MARLENE CARDOSO


prescinde de abreviatura. Além disso, tem forte apelo emocional para os leitores surdos que,

então, saberão que estamos nos referindo à língua deles. E como temos profundo respeito pela

comunidade surda brasileira e pela sua língua, o mínimo que nós, ouvintes, podemos e devemos

fazer é usar o mesmo termo que essa comunidade usa quando se refere à sua língua em

nossa língua, o Português. Além disso, esta é “uma forma de procurar engajar o leitor surdo

em tudo o que se refere à sua língua para que ele possa participar ativamente” (CAPOVILLA

apud SASSAKI, 2002, p. 31).

Sassaki (1997, p. 41) conceitua a inclusão como o “processo pelo qual a sociedade se a-

dapta, para poder incluir, em seus sistemas gerais, pessoas com necessidades especiais”.

A necessidade da sociedade se adaptar para a Inclusão de fato é fundamental para um

desenvolvimento social e cultural da comunidade surda, pois será na interação que acontecerá

o desenvolvimento da Libras e consequentemente a do surdo, seja na leitura, escrita e no contexto

sociocultural.

Em Educação para surdo se devem estabelecer as relações e valores que são integradas

na educação dos ouvintes, valorizando a língua do surdo (Libras) e valorizando em conjunto a

língua e cultura dos ouvintes. Evita desta forma uma pedagogia reabilitadora.

Uma pedagogia interativa leva o surdo a uma dimensão de vida, língua, cultura e autonomia

que favorece sua inclusão com um todo.

1.2.4

CONTEÚDO 4.

ASPECTOS LEGAIS DA LIBRAS

FONTE: HTTP://LIBRASLIVRE.BLOGSPOT.COM/2009_11_01_ARCHIVE.HTML

59

LIBRAS


A legislação brasileira para garantia de direitos às pessoas portadoras de deficiência auditiva

é recente, tendo sido criadas normas e Leis de forma mais intensa a partir da Constituição

de 1988, cuja ênfase na dignidade da pessoa humana um forte compromisso ao ordenamento

jurídico brasileiro para com os direitos fundamentais.

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida no Brasil como a língua oficial da

pessoa surda, após a publicação de duas leis: Lei nº 10.436/2002 e a Lei nº10.098/2002

(AZEREDO, 2006).

No que diz respeito ao direito de acesso de pessoas surdas a Libras em instituições de

Ensino da rede regular, a primeira Lei foi promulgada em Minas Gerais e acabou por servir de

modelo para todo Brasil. Atualmente, quase todos os estados já promulgaram leis estaduais a

respeito do assunto, o que tem conferido às pessoas surdas maior efetividade em sua possibilidade

de exigir direitos, seja em relação a atuação do Estado ou nas relações privadas.

Mas, é preciso ainda uma reflexão quanto ao real impacto desta legislação para melhoria

das condições de vida e desenvolvimento das pessoas surdas. A seguir, faremos uma breve

análise deste cenário.

Estados e municípios com leis promulgadas

Estados com leis aprovadas garantindo a Libras: Acre, Amapá, Alagoas, Ceará, Espírito

Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande de Sul, Rio de Janeiro, Paraná,

Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso de Sul e Rondônia.

Municípios: João Pessoa – Paraíba, Natal – Rio Grande do Norte;

O Estado de Minas Gerais tem o maior número de municípios com lei municipal garantindo

a Libras;

Municípios: Araxá, Belo Horizonte, Governador Valadares, Teófilo Otoni, Juiz de

Fora, Uberlândia, Ituiutaba, Uberaba, Juiz de Fora, Divinópolis, Patos de Minas, Sete

Lagoas, Pouso Alegre.

Dia dos Surdos

Ser Surdo: [...] olhar a identidade surda dentro dos componentes que constituem

as identidades essenciais com as quais se agenciam as dinâmicas de poder.

É uma experiência na convivência do ser na diferença (PERLIN;

MIRANDA 2003, p.217).

60

MARLENE CARDOSO


FONTE: HTTP://JIE.ITAIPU.GOV.BR/PRINT_NODE.PHP?SECAO=TURBINADAS1&NID=7537

Já temos leis estadual e municipal. A data que homenageia os surdos é o dia 26 de setembro,

a qual foi escolhida em homenagem à inauguração da primeira escola de surdos do

país, o INES 3 .

Por isso, todos os anos durante o mês de setembro, a comunidade surda mobiliza-se para

marcar a data e dar visibilidade à luta, necessidades e direitos do indivíduo surdo. Dentre as

atividades realizadas neste mês, vemos a organização de festas, manifestações, passeatas e similares,

chamando a atenção tanto da sociedade de forma ampla, quanto de pessoas surdas

que porventura não estejam mobilizadas politicamente na reivindicação dos seus direitos.

Surdos na universidade

Sabe-se que o número de surdos na universidade ainda é pequeno. As barreiras de comunicação

são consideradas o maior entrave para ampliação deste número. Poucas são as

universidades que possuem intérprete a disposição do aluno ou um núcleo de apoio ao aluno

surdo.

3

Instituto Nacional de Educação de Surdos

61

LIBRAS


Instituições de Ensino Superior onde existem alunos surdos matriculados:

PUC - Belo Horizonte/Minas Gerais

UniBH – Belo Horizonte/Minas Gerais

Faculdade Metropolitana – Belo Horizonte/Minas Gerais

Faculdade Sabará – Sabará/Minas Gerais

UNIVERSO – Belo Horizonte/Minas Gerais

UEMG – Belo Horizonte/Minas Gerais

UNIT – Uberlândia/Minas Gerais

UNIUBE – Uberaba/Minas Gerais

Nas cidades de Governador Valadares, Teófilo Otoni, Juiz de Fora, Poços de Caldas,

Patos de Minas e Brumadinho/Minas Gerais

A Lei 10.436, Nº 10.098 e a Portaria 310

Depois de anos de luta da sociedade civil organizada, finalmente a lei 10.436 de 24 de

abril de 2002 foi sancionada e passou a vigorar em todo país. Um passo importante para o

reconhecimento da língua materna dos surdos possibilitando um avanço significativo no modo

como esses atores sociais seriam tratados em todos os setores da vida: social, educacional,

cuidado com a saúde, ou seja, fazendo uma inclusão verdadeira dessas pessoas na sociedade.

62

MARLENE CARDOSO


A conquista deste direito traz impactos significativos na vida social e política da Nação

brasileira. O provimento das condições básicas e fundamentais de acesso a Libras se faz indispensável.

Requer o seu ensino, a formação de instrutores e intérpretes, a presença de intérpretes

nos locais públicos e a sua inserção nas políticas de saúde, educação, trabalho, esporte e

lazer, turismo e finalmente o uso da Libras pelos meios de comunicação e nas relações cotidianas

entre pessoas surdas e não-surdas.

Outra lei que amplia essa conquista da comunidade surda é a de Nº 10.098 que dispõe

sobre a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência.

Revisão

Agora que você já se apropriou dos conceitos e concepções tratados ao longo dos

conteúdos do nosso Tema 1, sistematize seu conhecimento com as questões abaixo.

Bom trabalho!

Questão 1

Considerando a concepção de que surdez se caracteriza por uma privação auditiva que

constitui grave distúrbio neurológico-sensorial, elabore um texto, com no máximo 15 linhas

para descrever e explicar o processo de surdez.

63

LIBRAS


Questão 2

ADORÁVEL PROFESSOR – Mr. Holland – EUA/1995

Trata-se de um filme que conta como um professor de música que tem um filho surdo

procura se envolver e ampliar vínculos com seu filho apropriando-se da Língua de Sinais.

Esta história ilustra os avanços que uma sociedade pode alcançar quando os indivíduos

se tornam mais conscientes de direitos e deveres. Além disso, pode ser entendida a mensagem

de que há ganhos para todos quando a sociedade inclui efetivamente os surdos e torne habitual

a Língua de Sinais.

Escreva um texto de 15 linhas, relacionando a descrição do filme acima com o papel da

educação e o cenário de exclusão que ainda caracteriza a sociedade e impõe às pessoas com

deficiência uma situação social desfavorável.

Questão 3:

Leia atentamente o fragmento da música “É”, de Gonzaguinha, que apresentamos neste

texto e registre seus comentários sobre as relações que podemos estabelecer entre a temática

apresentada na música e a questão da surdez no sistema educacional brasileiro.

64

MARLENE CARDOSO


Autor: Gonzaguinha

Imagem

Música: É

É! A gente quer valer o nosso amor

A gente quer valer nosso suor

A gente quer valer o nosso humor

A gente quer do bom e do melhor...

A gente quer carinho e atenção

A gente quer calor no coração

A gente quer suar, mas de prazer

A gente quer é ter muita saúde

A gente quer viver a liberdade

A gente quer viver felicidade...

É! A gente não tem cara de panaca

A gente não tem jeito de babaca

A gente não está

Com a bunda exposta na janela

Prá passar a mão nela...

É! A gente quer viver pleno direito

A gente quer viver todo respeito

A gente quer viver uma nação

A gente quer é ser um cidadão

A gente quer viver uma nação...

65

LIBRAS


É! É! É! É! É! É! É!...

É! A gente quer valer o nosso amor

A gente quer valer nosso suor

A gente quer valer o nosso humor

A gente quer do bom e do melhor...

A gente quer carinho e atenção

A gente quer calor no coração

A gente quer suar, mas de prazer

A gente quer é ter muita saúde

A gente quer viver a liberdade

A gente quer viver felicidade...

É! A gente não tem cara de panaca

A gente não tem jeito de babaca

A gente não está

Com a bunda exposta na janela

Prá passar a mão nela...

É!

A gente quer viver pleno direito

A gente quer viver todo respeito

A gente quer viver uma nação

A gente quer é ser um cidadão

A gente quer viver uma nação

A gente quer é ser um cidadão

A gente quer viver uma nação

A gente quer é ser um cidadão

A gente quer viver uma nação.

Questão 4

[...] A construção da linguagem oral do individuo com surdez profunda é uma tarefa

longa e bastante complexa, envolvendo aquisições, como: tomar conhecimento do mundo

sonoro, aprender a utilizar todas as vias perceptivas que podem complementar a audição, per-

66

MARLENE CARDOSO


ceber e conversar a necessidade de comunicação e de expressão, compreender a linguagem e

aprender a expressar-se [...] (p.09 deste impresso).

Considerando as ideias explicitadas neste material, especialmente no parágrafo acima,

registre seu entendimento sobre o papel do professor enquanto medidor para a construção da

linguagem oral de um indivíduo com surdez profunda.

Questão 5

Com base nos estudos que você fez neste tema, cite e explique os principais conceitos relacionados

à surdez e ao processo educacional de pessoas surdas.

Bem, após estudar sobre surdez e ter as primeiras noções sobre a cultura da comunidade

surda, podemos avançar em nosso estudo sobre os aspectos psicossociais que envolvem a comunidade

surda.

Vamos adiante!

67

LIBRAS


68

MARLENE CARDOSO


MAPA CONCEITUAL

69

LIBRAS


ESTUDO DE CASO

Utilizando o conhecimento que você adquiriu com o estudo dos conteúdos do tema 2,

analise o caso abaixo e responda as questões. Em seguida discuta suas conclusões com seus

colegas no fórum da disciplina.

Caso 2

Ana Maria é uma jovem de 25 anos que tem surdez profunda bilateral. Desde os 8 anos

de idade Ana faz uso da Libras (Língua brasileira de sinais). Entretanto, ela ainda se encontra

no Ensino Fundamental, em que não tem auxílio em sala de aula, nem de um professor bilíngue

nem de um intérprete de Libras.

Seus professores e colegas não dominam a Libras, por isso se comunicam minimamente

com Ana geralmente usando gestos e mímicas.

Considerando tudo que vimos em nossa disciplina, responda as questões abaixo e em

seguida discuta com seus colegas no fórum da disciplina.

1. Diante das condições descritas no presente estudo, como a referida aluna com surdez

profunda bilateral, poderia ser incluída de fato na uma sala de aula regular, se não há na escola

um professor bilíngue, nem um intérprete de Libras.

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

2. O que você pensa a respeito dos direitos dos alunos surdos expressos na Constituição

e nos demais documentos citados?

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

Agora, tomando por base sua vivencia em sua comunidade escolar reflita sobre as questões

abaixo:

1. Os surdos da localidade em que você vive estão tendo direito ao acesso a educação especializada

prevista na legislação? Justifique sua resposta.

70

MARLENE CARDOSO


___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

2. Eles são percebidos na comunidade como sujeitos dos seus direitos? Justifique sua

resposta.

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

3. Quais estratégias você sugere para que a inclusão desta aluna seja efetiva, tanto na

comunidade escolar, quanto nos demais grupos sociais em que ela está inserida?

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

Revisão

Agora que você já se apropriou dos conceitos e concepções tratados ao longo dos

conteúdos do nosso Tema 2, sistematize seu conhecimento com as questões abaixo.

Bom trabalho!

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

Questões do ENADE, adaptadas do ENADE ou similares

QUESTÃO 01

A Declaração de Salamanca de 1994 foi um marco importante na conquista da cidadania

para todas as pessoas que têm alguma forma de deficiência. Identifique abaixo os princípios

norteadores desta declaração:

I. O reconhecimento das diferenças e o atendimento às necessidades de cada um;

II. A promoção de aprendizagem e a formação de professores;

71

LIBRAS


III. A instalação de rampas nas calçadas das cidades e de tradutores nos programas

jornalísticos;

IV. O reconhecimento da importância da "escola para todos".

Assinale a alternativa correta:

a) I, II e III

b) II e IV

c) Apenas II

d) I e III

e) I, II, IV

QUESTÃO 02

Neste texto fizemos algumas reflexões sobre a compreensão de teóricos como Piaget e

Vygotsky acerca do ser humano e o impacto das interações para sua inteligência. Analise o

parágrafo a seguir e assinale a alternativa correta.

“Piaget e Vygotsky concordavam que a inteligência humana somente se desenvolve no

indivíduo em função de interações sociais. Isso quer dizer que consideravam o homem geneticamente

social. Podendo, portanto, afirmar que atualmente nenhuma aprendizagem é um ato

isolado, puramente individual” (Tema 4, Conteúdo 1).

Assinale a alternativa que apresenta a interpretação correta sobre as ideias de Piaget e

Vygotsky em relação ao que estamos estudando em neste texto:

a) A comunidade surda aprende de forma mais efetiva sem o uso da Libras, enquanto

língua própria dos surdos;

b) Ao conviver com pessoas surdas os oralistas têm prejuízo em seu aprendizado do

português;

c) A ampliação da interação social entre oralistas e surdos favorece o desenvolvimento

da inteligência e a aprendizagem destes dois grupos;

d) No que diz respeito a aprendizagem dos surdos, a aprendizagem é um ato isolado

já que eles têm uma língua própria, a Libras;

e) Os surdos que não falam Libras têm possibilidade ampliada de falar o português

ou qualquer outro idioma, pois não se prendem a Libras.

QUESTÃO 03

A primeira escola de surdos do Brasil foi o Imperial Instituto de Surdos Mudos. Fundado

em 1857. A criação desta instituição foi iniciativa:

72

MARLENE CARDOSO


a) Do imperador D. Pedro II com apoio de Dom Pedro I

b) Do prof. francês Hernest Huet apoiado por D. Pedro II, imperador;

c) Da imperatriz D. Teresa Cristina com apoio do Imperador D. Pedro II;

d) Do imperador D. Pedro II com apoio do francês Hernest Huet;

e) Do professor Hernest Huet apoiado por D. Pedro I, imperador.

QUESTÃO 04

Tendo por base tudo que você estudou no presente texto, identifique qual das afirmações

abaixo está INCORRETA, considerando especialmente as afirmações de Saussure (1996).

a) A linguagem é formada pela língua e pela fala. A língua é tida como um sistema

de regras abstratas compostas por elementos significativos inter-relacionados;

b) A língua é o aspecto social da linguagem, já que é compartilhada por todos os falantes

de uma comunidade linguística;

c) Na visão de Saussure, a fala é o aspecto individual da linguagem, sendo marcada

por características pessoais que os falantes imprimem na linguagem;

d) O termo fala não se refere ao ato motor de articulação de fonemas, sendo na verdade

a produção do falante na relação com os outros;

e) O termo linguagem se restringe a uma forma de comunicação, e no caso dos

surdos especificamente a linguagem corporal.

QUESTÃO 05

Considerando todos os pressupostos da Declaração de Salamanca e seu significativo papel

para a história da inclusão dos surdos no mundo, cite quais direitos atuais a comunidade

surda alcançou e que podem estar relacionados aos efeitos da Declaração de Salamanca.

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

73

LIBRAS


Refletindo sobre a surdez com o cinema

Sugestão de filmes

Alguns filmes têm retratado de forma muito interessante a realidade das pessoas que

têm surdez, trazendo aspectos diversos da sua realidade, desde as questões pessoais à forma

com que a sociedade ocidental lida com a pessoa surda. Por isso, sugerimos alguns filmes que

podem enriquecer seu conhecimento sobre esta temática.

Para refletir sobre as questões que estudamos sugerimos:

FILME: Ana (Brasil/2004)

Resumo: Este filme retrata a vida da personagem ANA que é surda e mora isolada com

seu irmão e sua mãe, um dia, se aventura fora do mundo familiar.

FILME: Blue Moon (Canadá/1999)

Resumo Este filme retrata a história de uma jovem mãe tem filha surda de 5 anos.

74

MARLENE CARDOSO


2

BLOCO

TEMÁTICO

SURDEZ E IMPLICAÇÕES À PRÁTICA

PEDAGÓGICA

75

LIBRAS


SURDEZ E IMPLICAÇÕES À PRÁTICA

PEDAGÓGICA

2.1

TEMA 3.

ENSINO E APRENDIZAGEM A PARTIR DA LIBRAS

2.1.1

CONTEÚDO 1.

LINGUAGEM X LÍNGUA

Lei 10.436/2

Da Garantia do Direito à Educação das Pessoas Surdas ou Com Deficiência Auditiva

Art. 22. As instituições federais de ensino responsáveis pela educação básica devem garantir

a inclusão de alunos surdos ou com deficiência auditiva, por meio da organização de:

I. Escolas e classes de educação bilíngue, abertas a alunos surdos e ouvintes, com

professores bilíngues, na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental;

II. Escolas bilíngues ou escolas comuns da rede regular de ensino, abertas a alunos

surdos e ouvintes, para os anos finais do ensino fundamental, ensino médio ou

educação profissional, com docentes das diferentes áreas do conhecimento, cientes

da singularidade linguística dos alunos surdos, bem como com a presença de

tradutores e intérpretes de Libras – Língua Portuguesa.

1º São denominadas escolas ou classes de educação bilíngue aquelas em que a Libras e a

modalidade escrita da Língua Portuguesa sejam línguas de instrução utilizadas no desenvolvimento

de todo o processo educativo.

77

LIBRAS


2º Os alunos têm o direito à escolarização em um turno diferenciado ao do atendimento

educacional especializado para o desenvolvimento de complementação curricular, com utilização

de equipamentos e tecnologias de informação.

O citado acima pela Lei se torna efetivo a partir da iniciativa do Público surdo, haja vista

que como nos diz Sacks (1998), para os indivíduos da nossa espécie, ser deficiente no campo

da linguagem é visto como uma situação de calamidade desesperadora, haja vista a linguagem

é a principal via de acesso para ingressar na cultura do grupo em que estamos inseridos, bem

como para que possamos nos inserir plenamente nossa condição de sujeitos sociais, visto que

através da linguagem que nos comunicamos com nossos semelhantes e compartilhamos informações,

saberes e sentimentos.

Sacks (1998) salienta ainda que se o indivíduo está impossibilitado de realizar esta interação

que favorece a inclusão social, aumentam os riscos de ele ser considerado incapaz e,

consequentemente, ser isolado do cotidiano social independente do ser desejo, esforço ou capacidades.

A linguagem é um conjunto complexos de processos – resultado de uma certa atividade

psíquica profundamente determinada pela vida social – que torna possível a aquisição e o emprego

concreto de uma língua qualquer. Ou seja, é um processo simbólico de comunicação,

pensamentos e formulação, que permite ao ser humano comunicar-se consigo mesmo e com

seus semelhantes por meio de estruturas com conteúdo criativo-linguístico.

Já a língua é um sistema gramatical pertencente a um grupo de indivíduos.

Expressão da consciência de uma coletividade, a língua é o meio por onde ela concebe o

mundo que cerca e sobre ele age.

A língua é um fator importante na construção da identidade das pessoas. E para a

criança surda, a aquisição da língua é traumática, logo que, por mais de 120 anos a

comunidade surda teve seu processo de aprendizagem baseado apenas pelo oralismo, segundo

o qual a educação dos surdos reduz-se à língua oral.

As comunidades surdas ao redor do mundo organizaram-se e exigiram uma mudança

de modelo considerando que a língua de sinais tinha papel preponderante em sua educação.

A partir daí, observou-se que para que o indivíduo surdo ampliasse seu potencial de conhecimento,

intelectual, psicossocial e cultural era importante que ele fizesse um duplo esforço:

apropriar-se das duas modalidades de expressão de uma língua, tanto a oralizada (como a

portuguesa) quanto a sinalizada. Logo, para o surdo brasileiro, ele precisava fazer uso do bilinguismo,

aprendizado e uso da Língua Portuguesa e da Língua brasileira de Sinais – LIBRAS.

Estes dois códigos verbais lhe permitirão o acesso ao saber socialmente construído e a

comunicação com o micro e a macro comunidade na qual ele está inserido, construindo um

sistema sígnico tanto maior quanto forem suas modalidades de comunicação.

78

MARLENE CARDOSO


• Há dois tipos de surdos:

O indivíduo parcialmente surdo (surdez leve e moderada);

O indivíduo surdo (surdez severa e profunda).

A surdez profunda apresenta perda auditiva superior a noventa decibéis. A gravidade

dessa perda é tal, que o priva das informações auditivas necessárias para perceber e identificar

a voz humana, impedindo-o de adquirir naturalmente a linguagem oral.

Um bebê que nasce surdo balbucia como um de audição normal, mas suas emissões

começam a desaparecer à medida que não tem acesso à estimulação auditiva externa, fator de

máxima importância para a aquisição da linguagem oral. Assim também, não adquire a fala

como instrumento de comunicação, uma vez que, não a percebendo, não se interessa por ela, e

não tendo "feedback" auditivo, não possui modelo para dirigir suas emissões.

A construção da linguagem oral no aluno com surdez profunda é uma tarefa longa e

bastante complexa, envolvendo aquisições como:

1-Tomar conhecimento do mundo sonoro;

2-Aprender a utilizar todas as vias perceptivas que podem complementar a audição;

3-Perceber e conservar a necessidade de comunicação e de expressão;

4-Compreender a linguagem;

5-Aprender a expressar-se.

Na área da deficiência da audição as alternativas de atendimento estão intimamente relacionadas

às condições individuais do aluno. O grau da perda auditiva e do comprometimento

linguístico, a época em que ocorreu a surdez e a idade em que começou sua Educação Especial

são fatores que irão determinar importantes diferenças em relação ao tipo de atendimento

que deverá ser prescrito para o educando.

Quanto maior for a perda auditiva, maiores serão os problemas linguísticos e maior será

o tempo em que o aluno precisará receber atendimento especializado.

A língua de sinais é a única língua que permite à pessoa surda ascender a todas as características

linguísticas da fala (BOUVET apud GOMES, 2009). A língua de sinais, portanto,

indispensável, para a total apropriação da linguagem pele criança surda.

Somente a língua de sinais permite que sejam restabelecidas, para a criança surda, as

condições naturais de apropriação da linguagem e deve ser a linguagem materna de todos os

indivíduos surdos.

79

LIBRAS


Os recursos de língua de sinais não eliminam a necessidade de se fornecer à criança surda

toda a informação para a comunicação linguística.

Toda criança surda tem necessidade, como qualquer outra criança, de ser conduzida em

suas atividades de elaboração linguística, mesmo que ela se realize através da língua de sinais.

Não é pelo fato de uma criança nascer surda que ela chega ao mundo com uma língua nas

mãos: não é suficiente apenas proibir a comunicação gestual para que a criança surda se aproprie

da língua de sinais.

Desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais

especiais de alunos surdos

Por isso, se a escola optar por uma proposta de educação que valorize a língua de sinais

e o contato com os pares surdos, a identidade da criança será mais fortalecida. É através desses

modelos que se oportunizarão futuras representações sociais e a interiorizarão de significados

da cultura, que serão compartilhados socialmente em todos os momentos de sua vida.

Também, em sala de aula, a interação deverá estar estruturada de modo a estimular o intercâmbio

e a valorização das ideias, o respeito por pontos de vista contraditórios e a valorização

da pluralidade e da diferença.

A aprendizagem escolar será muito mais significativa se pautada em ações de conhecer e

não na mera transmissão onipotente de conhecimentos. Um ambiente desafiador, que estimule

a troca de opiniões e a construção do conhecimento entre os alunos, favorece a função do

professor mediador e o desenvolvimento de objetivos de autoestima positiva, segurança, confiança

e bem-estar pessoal.

FONTE: HTTP://WWW.BRINQUEDOSEDUCATIVOS.NET/BRINQUEDOS‐EDUCATIVOS‐COMO‐ESCOLHER.HTML

A potencialização de atividades, que permitam esse exercício dialógico cotidiano, estabelecerá

o respeito mútuo e o reconhecimento de diferenças individuais. Muitas vezes, aulas

80

MARLENE CARDOSO


tradicionais, frontais, nas quais só o professor demonstra o seu conhecimento e os alunos são

receptores passivos desse saber, tornam difícil a interação, de modo geral, e estigmatizam,

ainda mais, as dificuldades de relacionamento dos alunos surdos por impedir um trabalho

cooperativo com seus colegas, levando-os ao isolamento.

Formas de organização de trabalhos que enfatizem a utilização de recursos comunicativos

visuais, manuais ou simbólicos, a experiência direta, a observação, a exploração e a descoberta,

facilitam um trabalho cooperativo e o contato entre os membros do grupo. Além disso,

é necessário pensar, sempre que possível, nas possibilidades de identificação com outros pares

surdos, o que é facilitado quando há grupos de alunos surdos numa mesma turma. Essa é uma

estratégia facilitadora que nem sempre é levada a cabo, pois a tendência é ‘espalhar’ os alunos

surdos pelas diversas turmas das escolas. Lembrem-se, no caso de alunos surdos, o convívio

com seus pares permite a identificação positiva, a possibilidade de trocas linguísticas, desfazendo-se,

para eles, a sensação de ‘isolamento’ social e cultural.

Outro aspecto a ser lembrado, é que, sempre que possível, deve ser estimulada a presença

de surdos adultos na escola, que auxiliem as crianças na construção de sua identidade, trazendo-lhes

estabilidade afetiva e emocional, favorecendo sua comunicação e participação no

grupo social.

Chegou a hora de se comunicar através das mãos. Vamos começar conhecendo o dicionário

multimídia de LIBRAS. Investigue como ele foi criado, clique no link:

http://www.ines.org.br/ines_livros/35/35_002.HTM

2.1.2

CONTEÚDO 2.

LIBRAS: A INTERAÇÃO ATRAVÉS DA LÍNGUA DE SINAIS

LIBRAS – Linguagem Brasileira de Sinais

GRAFIA CORRETA: Libras. TERMO CORRETO: Língua de Sinais Brasileira. Trata-se

de uma língua e não de uma linguagem. Segundo Capovilla (apud SASSAKI, 2002) Língua

de Sinais Brasileira é preferível à Língua Brasileira de Sinais por várias razões. Língua de

Sinais é uma unidade, que se refere a uma modalidade linguística quiroarticulatória-visual e

neste sentido, há Língua de Sinais Brasileira, pois esta é a língua de sinais desenvolvida e empregada

pela comunidade surda brasileira. Por isso, segundo ainda Capovilla (apud SASSAKI,

2002), não poderíamos falar em uma “língua brasileira” com dois estilos – falada e em sinais,

devemos sim falar que há duas línguas, a língua brasileira e a língua de sinais brasileira.

81

LIBRAS


Língua dos sinais

TERMO CORRETO: língua de sinais. Trata-se de uma língua viva e, por isso, novos sinais

sempre surgirão. A quantidade total de sinais não pode ser definitiva.

Linguagem de sinais

TERMO CORRETO: língua de sinais. A comunicação sinalizada dos e com os surdos

constitui uma língua e não uma linguagem. Já a comunicação por gestos, envolvendo ou não

pessoas surdas, constitui uma linguagem gestual. Uma outra aplicação do conceito de linguagem

se refere ao que as posturas e atitudes humanas comunicam não verbalmente, conhecidas

como a linguagem corporal.

Você sabia que a língua de sinais também tem a modalidade escrita?

Se respondeu: “sim”, você acertou!

A modalidade escrita da língua de sinais se chama:

SIGN WRITING ou ESCRITA DE SINAIS

O Sign Writing é um sistema de escrita com características gráfico esquemáticas,

que permite uma representação de textos de línguas de sinais através de

uma forma intuitiva e de fácil compreensão. O sistema é constituído de um

conjunto de símbolos e um conjunto de regras de escrita, definidos para representar

os diversos aspectos fonético-fonológicos das línguas de sinais.

Desse modo, o Sign Writing apresenta a feição de um sistema de escrita fonética

para línguas de sinais, mas plenamente apto a suportar a delimitação

de um subsistema de escrita de línguas de sinais que tenha características estritamente

fonológicas (COSTA et al, 2004, p. 254).

Este sistema de escrita dos sinais teve sua origem nos Estados Unidos, há cerca de 30

anos por Valerie Sutton, diretora do Deaf Acttion Commitee (DAC 4 ), e aconteceu de forma

peculiar. Valerie buscou criar um sistema que lhe auxiliasse para fazer anotações dos movimentos

de dança, e ao fazer isso acabou por desenvolver a Sign Writing, embora não fosse sua

intenção inicialmente este sistema servia para a comunicação com surdos, sendo por isso incorporada

para processos educacionais de pessoas surdas.

4 Organização sem fins lucrativos.

82

MARLENE CARDOSO


FONTE: HTTP://WWW.MARCIASAMPAIO.COM.BR/FESTIVALDANCA/FOTOS2007.PHP

A escrita Sign Writing pode representar qualquer língua de sinais do mundo sem a influência

da língua falada. Cada país com sua língua de sinais vai adaptá-la para sua própria

ortografia.

Esse sistema tem a possibilidade de representar as línguas de sinais funcionando como

um sistema de escrita alfabética, em que as unidades gráficas fundamentais representam unidades

gestuais fundamentais, suas propriedades e relações.

SIGN WRITING: um sistema de escrita para Língua de Sinais

Utiliza-se neste trabalho a escrita de sinais baseada no sistema Sign Writing criado em

1974 por Valerie Sutton (http: Sign Writing.org). É um sistema de representação gráfica das

línguas de sinais que permitem através de símbolos visuais representar as configurações das

mãos, seus movimentos, as expressões faciais e os deslocamentos corporais.

Para escrever a Sign Writing, é preciso saber uma língua de sinais.

No Brasil algumas escolas já adotaram a escrita de sinais na educação de surdos, os resultados

tem sido surpreendentes inclusive no ensino da língua portuguesa, pois antes de ensinar

o português escrito, os educandos surdos aprenderam a ler, escrever e fazer uma redação

em sua própria língua, a LIBRAS (L1), para em um segundo momento trabalhar com a língua

portuguesa (L2). As outras disciplinas também ganharam mais vida, pois além de conquistar o

direito de ser ensinado em sinais ele também pode escrever e ser avaliado em sinais.

Queremos deixar bem claro que a LIBRAS não vai abolir a língua portuguesa, muito pelo

contrário, vai valorizá-la. Antes a língua portuguesa escrita era vista pela maioria dos surdos

como algo praticamente impossível de se aprender, pois eles não tinham uma referencia

escrita para seguir. Se você, que é ouvinte, for fazer um curso de uma língua estrangeira, durante

todo o seu processo de aprendizagem você terá como referência a sua língua L1 (língua

83

LIBRAS


portuguesa escrita e falada), mesmo que você e o professor durante a aula falem somente a

língua estrangeira, o seu processo cerebral de aprendizagem tomará como base as referências

linguísticas e gramaticais da sua L1 para adquirir a L2 que está sendo ensinada. Com o surdo

não é diferente, perpassa pelo mesmo princípio.

HISTÓRIA DA SIGNWRITING

O trabalho de adaptação do SignWriting a LIBRAS foi a primeira etapa de uma caminhada

que a comunidade surda brasileira, com o apoio de pesquisadores: linguistas e da informática,

deverá empreender para conseguir uma escrita que dê conta de todas as suas necessidades

em sua própria língua.

Em 1998, Sutton criou a lista de discussão do Sign Writing e isso ajudou a divulgar o

Sign Writing, porque ela usou a lista para explicar como usar a Sign Writing. Em 2002, ela

criou o Signbank, que é o software para construção de dicionários. Em 2003, começou o

Signpuddle, que é um sistema para criar dicionários on-line.

Hoje existem quase 30 dicionários sendo feitos no Signpuddle. Existe também o dicionário

da Bélgica, que foi feito separado do Signpuddle.

Desde 1998 começaram ser feitos muitos softwares para SignWriting: o SW – Edit, o

Sign Writing Java, e outros. Há também os sistemas para criar animações de sinais (usando

desenhos em 3D – três dimensões).

Interessante toda essa trajetória da escrita de sinais. No Brasil , em 1996, pesquisadores

da PUCRS fizeram o primeiro contato com Valerie Sutton. Desde então, começou as pesquisas

de adaptação do sistema SignWriting para a escrita da LIBRAS.

Estrutura do SignWriting

O SignWriting é definido por três estruturas básicas: posição de mãos, contato e movimento.

Creio que você esteja curioso (a) para conhecer a escrita da LIBRAS 5 !

Selecionei alguns para você aprender como se escreve, aproveite e treine tentando reproduzir

a escrita.

5

Fonte das imagens da escrita em Libras disponível em: SITE

http://signwriting.org/library/history/hist010.html

84

MARLENE CARDOSO


PARA MEDITAR:

A voz dos surdos são as mãos e os corpos que pensam, sonham e expressam. As

línguas de sinais envolvem movimentos que podem parecer sem sentido para muitos, mais

que significam a possibilidade de organizar as ideias, estruturar o pensamento e manifestar

o significado da vida para os surdos. Pensar sobre a surdez requer conhecer a Língua de

Sinais. Permita-se ouvir essas mãos [...].

Fonte: QUADROS, 1997, p. 33.

85

LIBRAS


O interprete de Língua Brasileira de Sinais/Língua Portuguesa

Existe uma figura que tem um papel muito importante na inclusão social do surdo, você

sabe quem é?

É o interprete, não poderiamos deixar de falar nele quando nos referimos à interação

com os surdos.

Intérprete de LIBRAS

TERMO CORRETO: intérprete da Libras (ou de Libras). Libras é sigla de Língua de Sinais

Brasileira. “Libras é um termo consagrado pela comunidade surda brasileira, e com o qual

ela se identifica. Ele é consagrado pela tradição e é extremamente querido por ela. A manutenção

deste termo indica nosso profundo respeito para com as tradições deste povo a quem desejamos

ajudar e promover, tanto por razões humanitárias quanto de consciência social e cidadania.

Entretanto, no índice linguístico internacional os idiomas naturais de todos os povos

do planeta recebem uma sigla de três letras como, por exemplo, ASL (American Sign Language).

Então, será necessário chegar a uma outra sigla. Tal preocupação ainda não parece ter

chegado na esfera do Brasil”, segundo Capovilla (2001).

O interprete de LIBRAS é o mediador entre a comunidade surda e ouvinte, nos ultimos

anos, a presença do interprete de língua de sinais, tem ganhado espaço nas escolas por causa

da política educacional brasileira, que prevê a inclusão do sujeito surdo nas instituições de

ensino. Além de disso, devido o desconhecimento da maioria da população sobre a LIBRAS,

torna-se necessário que existam interpretes nos mais diversos setores da sociedade, públicos e

privados.

A interpretação entre a língua oral e de sinais é uma atividade bilingue – bicultural. É

também uma atividade desafiadora, devido a grande diferença entre as modalidades das

línguas (oral-auditiva e gestual-visual) que exige do interprete um profundo conhecimento

das culturas surdas e ouvintes para traduzir com o maximo de fidelidade.

Os intérpretes mais experientes usam os sinais com tanta leveza e naturalidade que faz

com que o processo de interpretação pareça algo que qualquer pessoa poderia fazer.

Entretanto, os intérpretes são profissionais altamente treinados, cujo trabalho exige uma

completa atenção e dedicação à tarefa que está sendo exercida.

Para a pessoa não treinada a tradução processa-se de forma simples, é somente

movimentar as mãos e passar para sinais o que a pessoa está falando em português. Na

realidade o processo de interpretação é mais complexa, pois o interprete pensa ao mesmo

tempo em duas línguas, e no caso da LIBRAS e a Língua Portuguesa, suas modalidades são

86

MARLENE CARDOSO


completamente diferentes, por uma ser gestual-visual e a outra ser oral-auditiva, dificultando

mais ainda o processo.

Durante a interpretação, o cérebro processa a informação que está chegando e raciocina

em duas línguas , não importa se a tradução é do Português para LIBRAS ou da LIBRAS para

o Português, o processo é análogo:

O intérprete recebe a mensagem na língua em que a mensagem original está sendo

emitida (Linguagem fonte);

O cérebro analisa e interpreta a mensagem, quanto ao conteúdo e significado nas

culturas das línguas envolvidas;

O intérprete localiza a mensagem e nível de formalidde apropriados na linguagem a

ser interpretada ( público-alvo);

O intérprete produz a mensagem na língua-alvo.

O elemento “desconhecido” é outra questão que os intérpretes têm que lidar em sua

rotina diária de trabalho. Durante uma conversação informal eles ficam à vontade, pois o que

está sendo comunicado é efetivamente dito em suas próprias palavras, sabendo, assim, o que

vão dizer.

Em uma interpretação, os interpretes devem esperar ouvir palavras que são

desconhecidas para ele. Por ser uma atividade extremamente exigente em termos de atenção e

energia, os intérpretes são incentivados a se familiarizar antecipadamente com os assuntos que

irão interpretar ou a se especializar em uma determinada área. Assim, estes profissionais se

tornarão suficientemente competentes para que diminua um pouco a pressão causada pelo

“elemento desconhecido”.

O papel do intérprete

O intérprete está presente para tornar possível a comunicação entre indivíduos que não

compartilham da mesma língua, seja ela de modalidade gestual-visual ou oral-auditiva. Por

ser uma profissão nova, muitas empresas e instituições não compreendem com exatidão o

trabalho do intérprete.

Para você compreender melhor, discutiremos funções que NÃO são do intérprete:

Supervisores: Imparcialidade é algo fundamental, controlar o comportamento das

pessoas surdas em seu local de trabalho foge da função da interpretação.

Editores: Mesmo quando o intérprete sabe que a pessoa está dizendo á inadequado ou

falso, a informação será interpretada exatamente da forma recebida. A fidelidade é um aspecto

imprescindível na interpretação.

87

LIBRAS


Professores: A tarefa de professor e intérprete são bastante diferentes entre si, embora

ambas as profissões trabalhem diretamente com as pessoas surdas em sala de aula. Alguns

professores de surdos trabalham como intérpretes, como uma segunda atividade, mas não é

sua formação como professor de surdos que lhe qualificará para interpretar.

Vale ressaltar que os cursos de formação de intérpretes de LIBRAS não oferecem

treinamento nos métodos educacionais para surdos. Há sim um breve estudo da história da

educação e da surdez, mas apenas em seu contexto cultural.

Cada interpretação é unica, em determinados casos torna-se dificil detectar as

características mais comuns no papel do intérprete. Há alguns anos atrás, os intérpretes e

profissionalismo

FONTE: HTTP://MAREVELOTF.BLOGSPOT.COM/2010/03/O‐FIM‐DO‐ISOLAMENTO‐DOS‐INDIOS‐SURDOS.HTML

Anos depois, ao serem definidos os padrões de imparcialidade, os intérpretes foram

sendo vistos como condutores de informação. A função do interprete consistia em somente

ouvir o português e interpretar em LIBRAS; em seguida observar a LIBRAS e passar para o

Portugês. Entretanto, neste modelo surgiram algumas questões que interrompiam o processo

de comunicação, pois a maioria das pessoas ouvintes não se dão conta de que os valores e

costumes desta cultura são aplicados a todas as situações com que se deparam. Sendo assim, os

intérpretes passaram por uma terceira mudança durante o desenvolvimento da profissão,

quando adotaram o papel de “mediadores transculturais”.

O PERFIL DO INTÉRPRETE PROFISSIONAL

Para o profissional intérprete, é impotante estar atento a alguns requisitos fundamentais

que visam ao estabelecimento de uma relação profissional respeitosa entre o intérprete e o

surdo. Assim, é fundamental ter em mente algumas premissas para o perfil de um intérprete.

88

MARLENE CARDOSO


O intérprete:

Deve ser uma pessoa de confiança na sua interpretação e no sigilo – Fidelidade;

Não deixar que a sua moral e religião interfiram na interpretação;

Em caso de erro na interpretação, é preciso corrigir imediatamente;

Ser bilingue ( Domínio da Língua Portuguesa e da LIBRAS);

Ter histórico profissional de confiabilidade;

Capacidade de admitir suas limitações quando não se sentir capaz;

Equilibrio durante a interpretação;

Formação educacional;

Conhecimentos da ética e da responsabilidade da profissão;

Participante da Comunidade surda, sendo reconhecido por ela;

Ser capaz de trabalhar em equipe e de apoiar os outros intérpretes;

Estudo constante da Língua de Sinais.

Cultura e comunidade surda

O linguísta Stokoe um escocês que vivia e trabalhava nos Estados Unidos. Em 1955, ele

se tornou professor do Departamento de Inglês do Gallaudet College, hoje conhecida como

Gallaudet University. Nessa época, ele não sabia nada de ASL. Ele teve de aprender alguns

sinais, que ele usava ao mesmo tempo em que dava suas aulas em inglês, como a maioria dos

outros professores. Nessa época, nem na Gallaudet havia aulas de ASL (Língua de Sinais Americana)

pelo simples fato de que ninguém, nem mesmo os surdos, consideravam a sinalização

como parte de uma língua autônoma. Stokoe não demorou a perceber que existia uma diferença

entre a sinalização que ocorria quando um surdo se comunicava com outro, e a que ele

usava como acompanhamento de palavras em inglês, durante suas aulas. A partir daí, ele começou

a observar cuidadosamente a sinalização usada pelos surdos e demonstrou que aquela

sinalização era uma língua autônoma, que seguia uma gramática própria. Assim descreveu a

gramática dessa língua, e que deu início a uma revolução nos estudos linguísticos, mostrando

o todo o mundo que as línguas de sinais são línguas naturais. A partir dessa descoberta as comunidades

surdas se fortaleceram na sociedade mais segura para relacionar as diferença entre

cultura e identidade surda.

Foi estabelecido pela linguista surda Carol Padden, a diferença entre comunidade e

cultura:

A comunidade é um sistema social geral, no qual um grupo de pessoas vivem juntas,

compartilham metas comuns e certas responsabilidades umas com as outras, trabalhando

89

LIBRAS


juntos para alcançar seus alvos. Portanto, em uma comunidade surda pode ter também

ouvintes e surdos que não são culturalmente surdos.

Uma cultura é um conjunto de comportamentos aprendidos de um grupo de pessoas

que possuem sua propria língua, valores, regras de comportamento e tradições. Portanto é

mais fechada que a comunidade surda, os membros de uma cultura surda se comportam

como pessoas surdas, usam a língua das pessoas surdas e compartilham entre si das acrenças

das pessoas surdas e com outras pessoas que não são surdas.

Mas não basta ser surdo para fazer parte da comunidade e cultura de surdos. A maioria

dos surdos por ser filhos de pais ouvintes, muitos deles não sabem a LIBRAS e não tem

contato com as associações de surdos, que são as comunidades surdas, podendo se tornar o

que os surdos definem como DA.

Os surdos que estão engajados na causa politica da comunidade de surdos, costumam

fazer distinção entre surdos e DA. O termo deficiente estigmatiza a pessoa pois a mostra pelo

que ela não tem em relação às outras pessoas ditas normais. Por este motivo o termo SURDO

é o mais aceito por sua comunidade.

FONTE: HTTP://ABENFO.REDESINDICAL.COM.BR/TEXTOS.PHP?ID=64

Estima-se que no Brasil existe mais de 5.750.809 pessoas com problemas relacionados à

surdez. Há surdos em todas as regiões do território nacional, e em várias regiões eles têm se

organizado, formando associações em todo o país. Pelo fato de vivermos em um país com um

vasto território, as diversidades entre as comunidades de surdos são grandes em termos de

vestuário, alimenteção, situação socioeconômica e variações linguisticas regionais, assim

como os ouvintes falantes da língua portuguesa.

90

MARLENE CARDOSO


No Brasil o interesse em estudos sobre a cultura surda é muito recente, mas já há

pesquisadores surdos e ouvintes em universidades e associações, que começaram a fazer o

registro , através de filmes, de narrativas de surdos idosos para conhecer sua história,

colhendo informações sobre as gerações de surdos.

• Algumas características da comunidade de surdos:

A maioria dos surdos prefere ter um relacionamento mais íntimo com pessoas

surdas;

Suas piadas envolvem as questões da surdez e o ouvinte que geralmente é o

“portugês” que não percebe bem, ou quer dar uma de esperto e se dá mal;

Seu teatro já começa a abordar as questões de relacionamento, educação e visão de

mundo próprio do universo do surdo;

O surdos tem um modo peculiar de olhar o mundo que o rodeia, em que as pessoas

são expressões faciais e corporais. Como falam com as mãos possuem uma agilidade

e leveza que dificilmente um ouvinte conseguirá alcançar.

• Comunidade Surda no Brasil

A comunidade surda do Brasil possue uma organização hierárquica formada por:

Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS);

Federações Desportivas;

Associações;

Clubes;

Sociedades;

Congregações.

Como toda associação, as associações de surdos das mais diversas regiões se regularizam

por meio de estatutos. Em suas eleições os associados articulam-se formando chapas para

concorrer a uma gestão, geralmente de dois anos, através do voto secreto escolhendo, assim,

seus representantes.

A CBDS, fundada em 1984, promove campeonatos desportivos masculinos e femininos

em diversas modalidades a nível nacional e internacional. Seu principal objetivo é promover o

desenvolvimento desportivo nos surdos.

A FENEIS, é uma entidade não governamental filiada a World Federation of The Deaf e

registrada no Conselho Nacional de Serviço Social/MEC. Foi fundada em 1987, quando os

surdos decidiram assumir a liderança da Federação Nacional de Educação e Integração do

Deficiente Auditivo (FENEIDA), que teve seu surgimento com a união do trabalho de várias

91

LIBRAS


escolas, associações de pais e outras instituições do Rio de Janeiro. Hoje em dia há FENEIS em

vários estados Brasileiros.

O avanço nas pesquisas linguísticas acerca da língua de sinais trouxe como consequência

seu reconhecimento cientifico e social. Com relação ao seu status de língua natural, surge

uma nova figura: o intérprete, o mediador na comunicação entre surdos e ouvintes, nas diferentes

situações de interação social.

Esse profissional tem como função traduzir e interpretar a língua de sinais para a língua

portuguesa e vice-versa em qualquer modalidade em que se apresentar (oral ou escrita).

Entretanto, a passagem de uma a outra (língua de sinais/língua portuguesa), implica

uma série de variáveis que englobam diferenças estruturais, nos planos culturais, ideológico e

linguístico, determinando modos diversos de significação e leitura da realidade.

Deste modo, não basta ao interprete de língua de sinais conhecer apenas a estrutura

gramatical da língua de sinais, mas penetrar nos valores culturais da comunidade surda, seus

costumes e idiossincrasias, a fim de que não esteja apenas garantindo a ”decodificação” de

aspectos estruturais das línguas em questão, mas, sobretudo seu discursivo, a constituição de

sentidos instituída na relação entre os falantes.

O reconhecimento final dos surdos e de sua comunidade linguística só pode assegurarse

a partir do reconhecimento das línguas de sinais dentro de um conceito mais geral de bilinguismo.

O fato de que uma criança surda utilize a LS (Língua de Sinais) como meio de instrução

não significa que perca a capacidade de adquirir uma segunda língua, mas que a introdução

desta segunda língua através da língua natural lhe assegura o domínio de ambas.

O modelo bilíngue propõe, então, dar as mesmas possibilidades psicolinguísticas que

tem a ouvinte.

Educadores ouvintes impuseram a superioridade da língua oral sobre a língua de sinais.

O importante não era a comunicação em si, mas a necessidade de tornar os surdos parecidos

com os ouvintes.

Atualmente, devido à resistência da comunidade surda, o oralismo perde espaço para

outras formas de buscar o fortalecimento da identidade das pessoas surdas. A partir daí, educadores

comprometidos em apoiar o desenvolvimento intelectual, psicossocial e cognitivo dos

surdos, começam a defender a luta para reconhecer a Língua Brasileira de Sinais como sendo a

língua materna do surdo.

Nunca o conhecimento e a aprendizagem foram tão valorizados como atualmente. Esta

é uma clara indicação de que já vivemos na sociedade do conhecimento. E, portanto, os seus

processos de aquisição assumirão papel de destaque, de primeiro plano, exigindo o repensar

dos processos educacionais, em especial daqueles que estão diretamente relacionados à escola.

92

MARLENE CARDOSO


No momento em que a civilização moderna passa por diversas mudanças, no plano econômico,

educacional e social, a escola é uma das instituições que possibilita ao homem do

nosso tempo, interferi nesse processo, agilizando etapas para construir um novo modelo de

desenvolvimento social, no qual a ampla maioria da população tem acesso ao conhecimento,

necessário à sua qualidade de vida e à realização de ideais de ética, solidariedade e humanismo.

A velocidade das mudanças que ocorrem na sociedade, torna impossível pensar que a

escola dará conta de prover todo o conhecimento de que um profissional necessita. A escola

será um – entre muitos outros – dos ambientes e, que será possível adquirir conhecimento.

Para tanto, ela terá que incorporar os mais recentes resultados das pesquisas sobre aprendizagem

e assumir conhecimento, desenvolvendo, assim, competências e habilidades para poder

continuar a aprender ao longo da vida.

Os mais recentes estudos sobre aprendizagem fornecem importantes resultados que podem

ser usados na análise do que acontece com a educação hoje. O trabalho de Piaget mostra

que as pessoas têm uma capacidade de aprender a todo o momento. Aprendemos a andar, a

falar, a ser profissionais, a educar os filhos etc. Aprendemos tudo isso vivendo, fazendo as coisas

e interagindo com as pessoas, não somente sendo ensinados.

Além disso, como mostrou Delval (apud VALENTE, 2000), um estudioso da psicologia

do desenvolvimento e discípulo de Piaget, as pessoas também têm a capacidade de ensinar,

transmitindo cultura e valores que a sociedade tem acumulado Delval (apud VALENTE,

2000). Tal fato acontece desde a primeira interação mãe-filho. Portanto, aprendemos e ensinamos

porque precisamos resolver problemas reais e interagir com as pessoas.

Uma das pautas de discussão da modernidade é o pensar e repensar constantes sobre o

papel do ambiente socioeconômico-cultural em relação ao diferente. A inclusão tem sido um

tema muito debatido. Ela abrange conceitos como respeito mútuo, compreensão, apoio e e-

quidade.

Não é uma tendência, um processo ou um conjunto de procedimentos educacionais

passageiro a serem implementados. Ao contrário, a inclusão é um valor social que se considerado

desejável, torna-se um desafio no sentido de determinar modos de conduzir nosso processo

educacional e profissional para promovê-la.

A pesquisa sobre a educação dos surdos, vem tomando um espaço cada vez maior nas

reflexões teóricas dos que atuam com os mesmos. Encontro-me há anos realizando, com professores

e alunos surdos, tanto na rede particular, quanto na municipal e estadual de ensino da

Bahia, um trabalho de orientação e de sala de aula na qual a ação pedagógica é frequente.

Durante muito tempo houve uma incerteza quanto às propostas de ensino dos deficientes

auditivos, devido à divisão de conceitos na qual, havia uma dicotomia referente ao trabalho

prático e as questões teóricas.

93

LIBRAS


A insatisfação e a inquietação são constantes no que diz respeito às dificuldades dos surdos.

Fora sempre relevante refletir sobre as dificuldades destes em transpor suas ideias e opiniões

para a escrita na língua portuguesa e diminuir o distanciamento da escrita em Libras 6 .

Os anseios dos professores e de outros profissionais em relação à escrita dos surdos demonstra

a necessidade de um aprofundamento para compreender e superar as dificuldades

entre os limites da Libras e do Português.

A utilização da Língua de Sinais é fundamental para entender a escrita do surdo, ausência

de alguns elementos do texto (conectivos, preposição, tempo verbal, concordância verbal e

nominal) e esclarecimento das dúvidas entre professor e aluno. Pesquisadores abordam que o

fracasso destes perpassa pela falta de significados de sua língua (LIBRAS), causando um índice

de analfabetismo muito alto.

A experiência com os surdos impõe a necessidade de compreender o seu mundo subjetivo,

para só então fazer algo por ele e com ele. Qualquer atuação profissional com esses sujeitos

implica em uma disposição, em fazer mudanças; não apenas no próprio enquadre através

de adaptações, como também na visão de mundo daquele que faz esta escolha.

Para o profissional da educação que trabalha com a palavra, com a língua e a comunicação,

estar diante de alguém que não fala, constitui um desafio; trabalhá-lo é crer, acima de

tudo no seu potencial e no do individuo. Já faz parte do senso comum dizer que os professores

estão buscando novos caminhos para trabalhar com essas pessoas que se utiliza de uma outra

língua na sua comunicação, a Libras.

Um novo saber se impôs no cenário profissional. Nessa perspectiva, os desafios que temos

a enfrentar são inúmeros, e toda e qualquer investida no sentido de se ministrar um ensino

de qualidade implicam na adequação de novos conhecimentos oriundos das investigações

atuais em educação e de outras ciências às salas de aula, às intervenções tipicamente escolares,

que têm nos objetivos pedagógicos sua eficácia para o ensino destes.

Portanto devemos enfrentar e analisar essa realidade, reconhecendo que os professores

não possuem apenas saberes, mas também competências profissionais que não se reduzem ao

domínio dos conteúdos a serem ensinados (PERRENOUD, 2000). O professor precisa planejar,

atuar e avaliar suas intervenções para cada contexto singular, o que significa um trabalho

contínuo de estudos e reflexões sobre a sua prática.

Construir uma educação capaz de ligar os conhecimentos às práticas sociais, tornar esses

conhecimentos artefatos para a construção da cidadania, orientada para a autonomia e a

democracia, são aprendizados necessários aos educadores do nosso tempo. Philippe Perrenoud

(2000) refere-se à necessidade da escola como espaço de mobilização de conhecimentos

6

Língua Brasileira de Sinais, segundo a Federação Nacional de Educação de Surdos (FENEIS).

94

MARLENE CARDOSO


para a construção de competências, de indivíduos que saibam agir em uma sociedade mutante

e complexa.

Resumo:

Há três correntes ou propostas educacionais:

Oralista;

Bimodal;

Bilinguista.

Corrente Oralista

Ênfase na língua oral e recuperação da pessoa surda. Visão do surdo como um doente,

alguém a ser “recuperado”.

Corrente Bimodal

Corrente Bilinguista

Lei 10.436/2

3. Para os efeitos desta Norma, devem ser consideradas as seguintes definições:

3.1 Acessibilidade: é a condição para utilização, com segurança e autonomia, dos serviços,

dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa com deficiência

auditiva, visual ou intelectual.

3.2 Legenda Oculta: corresponde à transcrição, em língua portuguesa, dos diálogos, efeitos

sonoros, sons do ambiente e demais informações que não poderiam ser percebidos ou

compreendidos por pessoas com deficiência auditiva.

3.3 Audiodescrição: corresponde a uma locução, em língua portuguesa, sobreposta ao

som original do programa, destinada a descrever imagens, sons, textos e demais informações

que não poderiam ser percebidos ou compreendidos por pessoas com deficiência visual.

3.4 Dublagem: tradução de programa originalmente falado em língua estrangeira, com a

substituição da locução original por falas em língua portuguesa, sincronizadas no tempo, entonação,

movimento dos lábios dos personagens em cena etc. (NBR 15290).

3.5 Campanhas institucionais – campanhas educativas e culturais destinadas à divulgação

dos direitos e deveres do cidadão.

3.6 Informativos de utilidade pública – qualquer informação que tenha a finalidade de

proteger a vida, a saúde, a segurança e a propriedade.

3.7 Janela de Libras: espaço delimitado no vídeo onde as informações são interpretadas

na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).

O exigido pela Lei acima ajudará na formação do sujeito surdo no processo educacional.

95

LIBRAS


Educação bilíngue e a Libras

O bilinguismo na comunidade surda

No momento, essa discussão sobre bilinguismo é ainda um tópico em discussão, mas

pode-se afirmar que aos surdos são indivíduos bi/multilingues e interculturais, uma vez que

eles estão inseridos em um contexto majoritário ouvinte. A situação bilíngue se configura no

uso da língua de sinais (LS) como língua natural e materna (LM) – entende-se aqui LM como

a língua de socialização do meio familiar, (GROSJEAN,1982; ROMAINE,1995) – e na inserção

do mundo ouvinte, no qual tem contato com a cultura e a línguas majoritária – geralmente

via modalidade escrita (GROSJEAN,1996). Além disso, o bilinguismo dos surdos pode

também envolver o uso de outras línguas de sinais e outras línguas orais que não o português.

Todavia, se compararmos à situação de grupos linguísticos de línguas orais, a situação do grupo

minoritário surdo revela-se complexa e emoldurada por aspectos específicos.

Bilinguismo

Todas as pessoas que usam duas línguas ou dialetos sejam na modalidade escrita ou falada

(ou sinalizada) em sua vida cotidiana são consideradas bilíngues, como é o caso dos surdos

que, em sua maioria, usam a LIBRAS, mas escreve na língua portuguesa.

A educação com bilinguismo é a proposta de ensino que busca tornar acessível à criança

surda duas línguas no seu contexto escolar. Os surdos conquistam o direito de serem ensinadas

em sua própria língua, as disciplinas são ministradas em LIBRAS e a língua portuguesa

escrita e/ou falada é ensinada como 2ª língua com uma metodologia apropriada e em momentos

distintos. Percebeu-se que diante deste ambiente de valorização da sua cultura, língua e

identidade possibilitou aos surdos um pleno desenvolvimento e compreensão do conteúdo

escolar e sua postura diante da sociedade.

O bilinguismo pressupõe o ensino de duas línguas para a pessoa surda. A primeira língua

é a Libras (Língua Brasileira de Sinais), que dará a base para a aprendizagem de Língua

Portuguesa, no caso do Brasil, que pode ser na forma escrita ou oral.

Não é um objetivo de uma educação bilíngue, que os alunos mudem a língua de suas relações

sociais. O “objetivo é que os alunos aprendam uma nova língua que possam utilizar no

mundo externo”.

Educação Oralista

Sua proposta fundamenta-se na recuperação do “deficiente auditivo” tendo como parâmetro

a língua oral e a cultura ouvinte enfatizando sempre a oralização em termos terapêuticos,

fazendo utilização de técnicas para o desenvolvimento da percepção e memória visual e

96

MARLENE CARDOSO


programas de exercício para aumentar a habilidade de captação de pistas visuais e auditivas

presentes na comunicação (SPINELLI, 1979).

Em sala de aula, todo o processo educacional era realizado na língua oral, o uso da língua

de sinais era proibido, em alguns lugares mais radicais até amarravam as mãos dos surdos,

batiam em suas mãos, ou eram colocados de castigo se fossem pegos usando sinais. Era uma

relação de colonos e colonizador. Com o passar dos anos os profissionais da área perceberam

que seus alunos não estavam se desenvolvendo como eles objetivavam, principalmente com os

alunos de surdez severa e profunda, essas questões levaram aos educadores a repensar sobre o

método educacional aplicado, levando a educação de surdos a novas mudanças.

Nos dias atuais, o método oralista ainda é utilizado em algumas escolas especiais.

Bimodalismo/Comunicação Total

Na década de 70 surge a proposta educacional que utiliza a língua de sinais como recurso

para o ensino da língua oral, caracteriza-se pelo uso simultâneo de sinais e da fala misturando

os sinais com a estrutura gramatical da língua portuguesa, que passa a ser chamado de

português sinalizado.

A Comunicação Total não é considerada um método de ensino, mas uma filosofia e

maneira de servir ao surdo, auxiliando na comunicação com os ouvintes. Como essa filosofia

preocupa-se com a aceitação da surdez e a quebra do bloqueio da comunicação incentivando

as diversas formas de comunicação (mímicas, linguagem oral ou escrita, língua de sinais, gestos,

desenhos), deu-se, então, início à queda do oralismo.

Surgem surdos líderes, pois com a busca da quebra do bloqueio da comunicação, as informações

começaram a chegar ao surdo, o seu desempenho escolar e profissional melhorou,

as pessoas começaram a se interessar pela língua de sinais, até então conhecida por linguagem

dos sinais.

O interprete de língua de sinais começa a ter espaço, pois os surdos começaram a participar

das reuniões no trabalho, simpósios, congressos juntamente com os ouvintes, tendo assegurado

seu acesso às informações e seu direito de emitir opiniões.

Ênfase na língua de sinais e na cultura surda. Visão do surdo como membro de uma

comunidade minoritária.

Seguidores de Piaget têm ampliado seus estudos, discutindo mais recentemente outras

questões ligadas ao desenvolvimento humano, tais como o desenvolvimento moral, a aquisição

da linguagem escrita, a participação do outro na interação e na construção das estruturas

97

LIBRAS


cognitivas, o papel da arte na estruturação do tempo e do espaço, o papel do esquema familiar

na resolução de problemas, entre outras.

Na teoria construtivista é essencial a interação entre iguais para o desenvolvimento do

educando. Os alunos discutindo com os colegas buscam argumentos convincentes e estabelece

melhores relações entre suas ideias e as dos outros. Muitas vezes compreende mais rápido o

que não entendeu, através da mediação do colega.

Trabalhos realizados em duplas, trios e em pequenos e grandes grupos concorrem pela

circulação de muitas informações necessárias à aprendizagem, mas, o professor será sempre o

maior responsável por esse trabalho de mediação e intervenção pedagógica, incentivando,

provocando e criando as situações de aprendizagem mais adequadas.

Com relação aos conhecimentos trazidos para os nossos dias por meio da pesquisa sócio-histórica

de Vygotsky, podemos afirmar o mesmo, ele acreditava que o comportamento

humano é basicamente fruto das interações sociais. A sua teoria fornece elementos para compreender

a construção do conhecimento, reconhecendo a interferência do sujeito e a dimensão

do social.

Lev Vygotsky

FONTE: HTTP://FACULTY.WEBER.EDU/PSTEWART/6030/6030.HTML

Para Vygotsky, o homem constitui-se como tal através de suas interações, é visto como

alguém que transforma e é transformado nas relações produzidas em uma determinada cultura.

Organismo e meio exercem influência recíproca, o biológico e o social não estão dissociados,

por isso, sua teoria é chamada sociointeracionista.

Um de seus estudos de mais destaque é a Teoria das Zonas de Desenvolvimento que oferece

elementos importantes para a compreensão de como se dá a interação entre ensino, a-

98

MARLENE CARDOSO


prendizagem e desenvolvimento. Segundo Vygotsky, existem dois tipos de desenvolvimento

humano: um que é real, que já aconteceu, e outro que chamou de potencial, ou seja, existe

como possibilidade próxima. Porém, ainda não se completou ou efetivou-se, mas está prestes

a se tornar real. Desta constatação, ele constrói o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal.

Vygotsky (1987) define da seguinte maneira:

“A ZDP é a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costume

determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento

potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou

em colaboração com companheiros mais capazes”.

Fonte: VYGOTSKY apud MOREIRA, 1999, p.116.

A Zona de Desenvolvimento Real é aquilo que a criança manifesta em sua vida cotidiana.

Trata-se daquilo que de fato, ela realiza dentro das coisas previsíveis. Já a Zona de Desenvolvimento

Potencial (ZPD) consiste naquilo que o sujeito pode fazer independente da sua

etnia, região ou da sua cultura. É o previsível, é o esperável da espécie humana. A zona de desenvolvimento

proximal diz respeito àquilo que a pessoa faz hoje com a ajuda de uma outra,

mas que amanha poderá estar fazendo sozinha. É a zona cooperativa do conhecimento.

FONTE: HTTP://WWW.PEDRINHASPAULISTA.SP.GOV.BR/ASSISTENCIASOCIAL%20ADOLECENTE.HTM

É na ZDP que os professores atuam como mediadores, estimuladores, provocadores e

interventores nos organismos que não se desenvolvem plenamente sem o suporte de outros

indivíduos de sua espécie. Para o desempenho desse papel, não precisamos conhecer os passos

já consolidados pelo aluno. Seu nível de desenvolvimento real – os que já iniciaram ou não na

Zona Proximal e que precisam aprender para o desenvolvimento de suas funções psicológicas

– Zona de Desenvolvimento Potencial.

Assim, os docentes estarão sendo os construtores da ponte entre o que o aluno já sabe e

o que ele pode e deve aprender. Nessa perspectiva, o processo ensino-aprendizagem na escola

será construído a partir do nível de desenvolvimento real do educando num determinado

99

LIBRAS


momento, em relação a um dado conteúdo curricular a ser desenvolvido, tendo em vista os

objetivos e metas estabelecidas pela escola e professor para aquele ano escolar e/ou para cada

grupo de crianças, jovens e adultos que são atendidos na sala de apoio.

Albert Einstein

FONTE: HTTP://WWW.BIINTERNATIONAL.COM.BR/ALUNO/RODRIGORAMOS/

Piaget e Vygotsky concordavam que “a inteligência humana somente se desenvolve no

indivíduo em função de interações sociais”. Isso quer dizer que consideravam o homem geneticamente

social. Podendo, portanto, afirmar que atualmente nenhuma aprendizagem é um

ato isolado, puramente individual.

Continuadores dos estudos de Vygotsky sistematizaram, aprofundaram e ampliaram

conhecimentos deste, valorizando o estudo das funções cerebrais, o jogo e a brincadeira, a

100

MARLENE CARDOSO


linguagem, a relação da consciência e socialidade, o autocontrole e a autorregulação no desenvolvimento

da vontade, aspectos ligados ao raciocínio lógico, entre outros.

Como podemos verificar neste pequeno passeio pelos estudos destes dois autores, eles

têm muito a contribuir com as Práxis Pedagógicas da Sala de Apoio a Deficientes Auditivos,

para a compreensão do aprender, e, portanto, tem-se muito que estudar para integrar a atuação

a tais conhecimentos.

A linguagem e escrita dos surdos e suas condições de produção

Ao iniciarmos o desenvolvimento deste tema vamos refletir sobre as palavras de Góes

(1994).

A criança nasce imersa em relação sociais que se dão na linguagem. O mundo

e as possibilidades dessa imersão são cruciais na surdez, considerando-se

que é restrito ou impossível,conforme o caso,o acesso a formas de linguagem

que dependam de recursos da audição. Sobretudo nas situações de surdez

congênita ou precoce em que há problemas de acesso á linguagem falada, a

oportunidade de incorporação de uma língua de sinais mostra-se necessária

para que sejam configuradas condições mais propícia á expansão das relações

interpessoais que conceituem o funcionamento nas esferas cognitivas e

afetivas e fundam a construção da subjetividade. Portanto os problemas tradicionalmente

apontados como característicos da pessoa surda são produzidos

por condições sociais (GÓES, 1994, p. 38).

A linguagem do surdo, isto é, o sistema de comunicação de pessoas que não escutam ou

que não falam, tem uma complexidade gramatical específica e em princípio estão sujeitos a

mudanças linguísticas semelhantes as que ocorrem nas línguas naturais.

Segundo Saussure (1996), considerado o pai da Linguística 7 a linguagem é formada pela

língua e pela fala. A língua é tida como um sistema de regras abstratas compostas por elementos

significativos inter-relacionados. É o aspecto social da linguagem, já que é compartilhada

por todos os falantes de uma comunidade linguística.

De acordo com Saussure (1996), a fala é o aspecto individual da linguagem, são as características

pessoais que os falantes imprimem na linguagem. É importante ter a noção de que o

termo fala não se refere ao ato motor de articulação de fonemas, e sim, à produção do falante

que deve ser analisada na relação com os outros. Portanto o termo linguagem não se restringe

apenas a uma forma de comunicação. É através da linguagem que se constitui o pensamento

7 Teoria da Linguagem que explica os mecanismos dos sistemas sonoros das línguas, bem como, a relação destes

sistemas com os demais componentes da gramática, como: morfologia, sintaxe e semântica.

101

LIBRAS


do indivíduo. Assim, a linguagem está sempre presente no sujeito, mesmo nos momentos em

que este não está se comunicando com outras pessoas.

As crianças quando ingressam na escola trazem uma bagagem de conhecimentos de sua

língua materna, das historias pessoais e vivências diferenciadas, fundamentais para o desenvolvimento

de sua consciência metalinguística 8 . Nesse enfoque, a linguagem compõe o sujeito,

a forma como ele percebe o mundo e a si mesmo. Dentro dessa conceituação, pode-se entender

que os surdos têm uma língua própria devendo ser compartilhada entre as comunidades

linguística: a comunidade surda. Com isto se estabelece a diferença entre ouvir e escutar.

A maior dificuldade pela qual passa o surdo é justamente constituir-se enquanto sujeito,

isto é, possuir uma identidade própria, para daí reconhecer-se como um povo, com uma língua

distinta e cultura própria.

A linguista surda Padden (apud CUNHA, 2007) faz uma diferença entre cultura e comunidade

surda. Para ela, devemos entender como sendo cultura o conjunto de comportamentos

que os indivíduos de um determinado grupo aprendem. Ressalta a autora ainda que as

pessoas de cada grupo possuem sua língua, valores, regras de comportamento e tradições que

são próprias das pessoas do grupo.

Por outro lado, Padden (1989) informa que a comunidade deve ser entendida como

sendo um sistema social geral em que seus indivíduos, além de viverem juntos, dividem metas

comuns e têm responsabilidades umas com as outras.

As comunidades surdas possuem diferenças regionais em relação a hábitos alimentares,

comunicação, situação socioeconômica, entre outras. Estes fatores geram variações linguísticas

regionais. Na cultura dos ouvintes existe a Língua Portuguesa que contribui para o desenvolvimento

da compreensão, da comunicação e pensamento e está constituída de símbolos

essencialmente auditivos.

Observe que os alunos ouvintes adquirem espontaneamente línguas orais, porque a informação

lhes chega pela via auditiva. Por sua vez, para os surdos, as informações chegam pela

via visual.

São, portanto, os signos visuais que comandam a atividade criadora; esta é a singularidade

do surdo. Desta forma, uma identidade surda só pode ser constituída dentro de uma

cultura visual, por isso, a escrita do surdo não se aproxima da escrita do ouvinte. A partir desta

visão é que se defende uma educação bilíngue.

8

Habilidade de pensar e refletir sobre a sua língua.

102

MARLENE CARDOSO


Coerência Comunicativa

É a efetiva comunicação entre professores e alunos. Sendo os discentes usuários de

LIBRAS, isto implica o uso desta Língua pelos docentes, a qual se constitui em um fator decisivo

para transmissão dos conhecimentos. Desta maneira, estabelecer-se-á uma comunicação

total, que provocará uma maior assimilação da Língua Portuguesa por parte dos alunos.

Linguagem e Escrita

O canal de acesso do surdo à realidade e ao conhecimento é o visual. Segundo estudiosos,

a alfabetização dos surdos não precisa passar antes pela oralidade. Eles desenvolvem capacidades

visuais e espaço-temporais na interação com diversos instrumentos, sendo assim a

Libras é preponderante nesse processo.

Logo o aprendizado realizar-se-á, preferivelmente, através de recursos que possibilitem

a exploração e interação com os objetos de conhecimento por meio de seus sentidos sadios,

que segundo Vygotsky devem compensar os que foram perdidos.

Do mesmo jeito que os ouvintes, os surdos se apoiam na Língua de Sinais, que é a sua

“fala”, o que explica a ausência de artigos, preposições etc.

Observe esse exemplo de escrita do surdo:

Aluno surdo escrevendo redação sobre o tema rotina:

G. C. 18a, 1° Ano do Ensino Médio.

TEMA: Rotina 9

Ontem, na manhã, eu acordava às 5:30h ou 5:40h, tomei café com pão, tomei banho,

vestiu roupa, escovei os dentes, espero no ponto de ônibus, chegava o ônibus de

Aeroporto, eu fui para escola, cheguei na escola, mais ou menos às 7:16h ou 7:20h. Na

(escola X), eu estava conversando com meus colegas, começou aula de matemática.

Após terminar matemática, bate o sino, professor Fred anunciou lanche pra os alunos

e até às 10:20 tinha começado aula de matemática novamente.

Até terminar na escola, eu andei de ônibus de Lapa, cheguei na minha casa, eu

almocei, tomei banho, vestiu a roupa, liga a televisão e até às 17:25h lembro ver canal 7,

começou (desenho A) na (emissora Y), também (desenho B).

Às 19:00h, minha mãe chegou minha casa, eu abracei minha mãe, também beijo, D.

tomou banho, vestiu a roupa, tomamos café, comemos pão com queijo e presunto.

9 OBS.: Foram omitidos nomes de programas, emissoras e escola do aluno propositadamente.

103

LIBRAS


Na noite, às 21:00h, D. assistiu a televisão na novela das oito a senhora destino e eu

assisti o mundo perdido na (emissora Z), depois acabar o mundo perdido, eu desliguei a

televisão, eu dormi.

Análise dos Textos

É nítida a transição entre a L1 (Língua de Sinais) e a L2 (Língua Portuguesa). Utilizam

conectivos, preposição, tempo verbal, concordância verbal e nominal, artigo etc. Bem como,

fazem uso da estrutura textual e dominam o vocabulário. Repare na riqueza de detalhes além

da organização do pensamento.

Não tente ler o texto como um ouvinte que apreendeu de forma completa todas as

regras gramaticais desde que nasceu.

A escrita do surdo é semelhante à escrita de estrangeiros aprendendo a língua

portuguesa.

Portanto, olhe para esse texto de forma a ter sempre em mente que se trata de um

aluno que a limitação física da surdez, apesar de dificultar o aprendizado, não impede que

ele possa avançar na compreensão do mundo que o rodeia. Seja generoso.

De acordo com o que vimos até aqui, na Práxis Pedagógica, no tocante a produção escrita

e a mediação na sala de apoio aos deficientes auditivos, verifica-se a importância das condições

de produção textual a partir das especificidades desses sujeitos na apreensão da escrita,

não devendo considerar tais diferenças como “aberrações” ou “erros”.

Diversificar metodologias e estratégias, intercaladas a um acompanhamento

pedagógico especializado, é, sem dúvida, o caminho mais seguro para o sucesso no

decorrer da vida escolar de alunos portadores de deficiência auditiva.

Texto para refletir depois de todo esse conteúdo assimilado

“Por que é tão difícil para a sociedade ouvinte aceitar uma língua de sinais? Será o fato

da língua de sinais ser a ’marca‘ da surdez, já que uma criança surda ’calada’, pode passar

dessapercebida, mas se ’fala‘ em língua de sinais mostra-se ’SURDA‘ e pode despertar

curiosidade, piedade, desrespeito e, por isso, constrangimento a seus pais?

Por que finges que é melhor ter uma criança pouco participativa, sem posicionamento

crítico, devido ao fato de não estar podendo assimilar todas as informações que são

passadas oralmente, quando se poderia ter uma criança que, se comunicando em língua de

sinais, feliz, brincasse, brigasse e se posicionando frente aos desafios do mundo? Por que

104

MARLENE CARDOSO


negar a beleza de ver uma criança surda, nos seus primeiros anos de vida, já se

comunicando em língua de sinais, contando estórias infantis, perguntando esperta e

curiosa sobre as coisas do mundo, interagindo-se e apreendendo tudo de forma natural,

rápida e não traumatizante? Por que é tão diflcil para um ouvinte perceber que uma pessoa

pode ter uma língua que utiliza outro canal para transmissão de suas ideias mais

profundas, sentimentos e leitura do mundo?

2.1.3

CONTEÚDO 3.

SURDEZ, FAMÍLIA E COMUNICAÇÃO:

APRENDENDO A LIBRAS

Temos conhecimento que é do ambiente familiar que vai depender todo o sucesso da

educação de uma criança e isto é válido para toda e qualquer criança, com surdez ou não.

Firmamos também que toda família se prepara para receber seu filho sadio fisicamente e

mentalmente.

Na verdade é que quando isso não vem acontecer a família entra em uma jornada de

culpa e desestruturação em casa.

Após o diagnóstico de que seu filho tem uma perda auditiva ou uma surdez é normal

que passem um momento de tristeza, angústia e perdidos sem saber o que vão fazer dali por

diante,pois o preparo não aconteceu para que esse processo fosse amortizado.

Angústia pelos pais de crianças surdas é logo nos anos iniciais de vida, no processo escolar

e processo clínico e algo a ser descoberto com ajuda de Especialistas. A escola precisa de

uma equipe de profissionais que atuem em conjunto para obter sucesso. As portas quase sempre

são fechadas para essas mães e filhos que buscam esclarecimento e uma inclusão na sociedade.

Embora a Lei seja bastante clara quando colocar a obrigatoriedade destas crianças nas

escolas regulares.

Toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser oferecida a o-

portunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem, toda

criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de a-

prendizagem que são únicas, sistemas educacionais deveriam ser designados

e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar

em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades

(DECLARAÇÃO DE SALAMANCA).

105

LIBRAS


Poucos são os pais que conhecem seus Direitos e as Instituições que podem ajudar a essas

crianças e familiares. Cabe aos governantes divulgarem mais de forma intensa e continua a

importância do diagnóstico precoce e os espaços de acompanhamento.

Os serviços educacionais iniciam-se pela Educação Infantil, no programa de estimulação

precoce e na pré-escola.

2.1.4

CONTEÚDO 4.

A PRÁTICA PEDAGÓGICA E O PROCESSO DE APRENDIZAGEM DO SURDO

O bilinguismo vem seguindo no meio educacional da comunidade de surdos e

especialistas da área como a última palavra em educação. As portas começam a se abrir

para esta nova perspectiva, mas, para muitas pessoas, é como se fosse uma “tábua de

salvação” e não uma opção realmente consciente (FERNANDES, 2006, p. 23).

Aprendendo a Libras

RECURSOS DE ACESSIBILIDADE (Lei 10.436/2)

5.1 A programação veiculada pelas estações transmissoras ou retransmissoras dos serviços

de radiodifusão de sons e imagens deverá conter:

a) Legenda Oculta, em língua portuguesa, devendo ser transmitida pela linha

21 do Intervalo de Apagamento Vertical (VBI);

b) Audiodescrição, em língua portuguesa, devendo ser transmitida pelo Programa Secundário

de Áudio (SAP), sempre que o programa for exclusivamente falado em português;

c) Dublagem, em língua portuguesa, dos programas veiculados em língua estrangeira,

no todo ou em parte, devendo ser transmitida pelo Programa Secundário de Áudio (SAP),

juntamente com a audiodescrição definida na alínea b, de modo a permitir a compreensão dos

diálogos e conteúdos audiovisuais por pessoas com deficiência visual e pessoas que não consigam

ou não tenham fluência para leitura das legendas de tradução.

Ideia-chave:

Libras é uma língua e não a deve ser confundida com a mímica, a Libras está em evolução

principalmente pelas criações que os mais jovens vêm realizando; apesar de surdos e ou-

106

MARLENE CARDOSO


vintes terem línguas diferentes, podem conviver enquanto comunidade una e indivisível. É

uma convivência boa para ambos só será satisfatória se houver um esforço bilateral de se a-

proximarem reciprocamente pelas duas línguas.

A Língua Brasileira de Sinais é um sistema linguístico legítimo e natural, utilizado pela

comunidade surda brasileira, de modalidade gestual-visual e com estrutura gramatical independente

da Língua portuguesa falada no Brasil. A LIBRAS, Língua Brasileira de Sinais, possibilita

o desenvolvimento linguístico, social e intelectual daquele que a utiliza enquanto instrumento

comunicativo, favorecendo seu acesso ao conhecimento cultural-científico, bem

como a integração no grupo social ao qual pertence.

As pessoas surdas consideram que por ser a LIBRAS uma língua própria da comunidade

surda brasileira, deve-se procurar garantir que o ensino desta língua seja realizado, preferencialmente,

por professores/instrutores surdos, viabilizando dessa forma maior riqueza interativa

cultural entre professor/instrutor surdo e alunos. Diante de tal colocação, se faz necessário

capacitar cada vez mais surdos para serem professores e instrutores conforme as exigências

legais e o proposto pelas federações e associações de surdos.

Vamos começar a utilizar a Língua Brasileira de Sinais. É importante para a inclusão do

surdo na escola regular e na sociedade que profissionais que lidam com essas pessoas, devem

aprender a se comunicar através da LIBRAS.

Podemos perceber que um curso de língua de sinais não pode apenas ensinar a falar

com as mãos. Você terá que se apropriar de outros conhecimentos (que apareceu ao longo

deste módulo) para poder utilizar a LIBRAS com um veículo poderoso de aprendizado para o

aluno surdo. Literalmente: mãos à obra.

Os sinais são formados a partir da combinação da forma e do movimento das mãos e do

ponto no corpo ou no espaço onde esses sinais são feitos. Nas línguas de sinais podem ser encontrados

os seguintes parâmetros que formarão os sinais:

107

LIBRAS


1-Configuração das mãos: São formas das mãos que podem ser da datilologia (alfabeto

manual) ou outras formas feitas pela mão predominante (mão direita para os destros ou esquerda

para os canhotos), ou pelas duas mãos.

2-Ponto de articulação: É o lugar onde incide a mão predominante configurada, ou seja,

local onde é feito o sinal, podendo tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço

neutro.

108

MARLENE CARDOSO


3-Movimento: Os sinais podem ter um movimento ou não. Por exemplo, os sinais

DEITAR e EM-PÉ não têm movimento; já os sinais SONHAR e TRABALHAR possuem movimento.

4-Expressão facial e/ou corporal: As expressões faciais/corporais são de fundamental

importância para o entendimento real do sinal, sendo que a entonação em Língua de Sinais é

feita pela expressão facial. Orientação/Direção: Os sinais têm uma direção com relação aos

parâmetros acima. Assim, os verbos IR e VIR se opõem em relação à direcional idade.

Para conversar em Libras não basta apenas conhecer os sinais de forma solta, é necessário

conhecer a sua estrutura gramatical, combinando-os em frases.

Muita atenção!

Aqui, disponibilizamos neste material para você o alfabeto dos sinais. Comece a

exercitar as suas mãos.

Não tenha receio e seja curioso!

Alfabeto da Libras

É importante treinar a digitação do alfabeto LIBRAS para desenvolver habilidade com

as mãos.

Quanto mais você exercitar melhor, por isso convide seus colegas para um bate papo.

Boa conversa!

109

LIBRAS


Agora que você sabe muita coisa sobre a comunidade surda, propomos algumas palavras

abaixo para que você possa praticar certo?

Vamos lá!

Agora para fixar o alfabeto LIBRAS treine falar com as mãos as seguintes palavras:

110

MARLENE CARDOSO


Você que já digitou as palavras acima, agora vamos formar frases:

111

LIBRAS


Lembre-se!

Digitar uma palavra ou frase em LIBRAS, só é utilizado quando aquela palavra não

tem o sinal específico.

Datilologia (alfabeto manual): palavra separada, letra por letra.

Ex: C-E-R-T-O = c-e-r-t-o

Sinal e um gesto feito utilizando as duas mãos simultaneamente ou apenas uma delas.

Ex: O sinal de Certo é:

Fonte: http://www.acessobrasil.org.br/libras/

Vamos aprender agora a diferença entre digitalizar ou utilizar um sinal para uma

mesma palavra ou frase. Fique atento...

Isso aumentará a sua agilidade na conversação.

Observe que a configuração da mão é a mesma para as várias palavras, só difere na posição

da articulação: para o verbo aprender, na testa, no dia da semana sábado, na boca. No caso

da fruta/cor laranja o que vai diferenciar é o contexto da frase.

INSERIR OS SINAIS DE APRENDER, DO DIA DA SEMANA: SÁBADO E DA

FRUTA/COR, LARANJA. COLOCAR ABAIXO DO SINAL O SEU NOME.

Vejamos alguns sinais mais usados. Prepare-se! E lembre-se: quanto mais treinar, mais

rápido o aprendizado. Só depende de você.

112

MARLENE CARDOSO


Vamos começar pelos sinais de saudação. Que tal na próxima aula você entrar na sala e

saudar seus colegas em LIBRAS?

Saudações:

Repare que os sinais de saudação iniciam com a palavra boa ou bom e seguido do período,

tarde, noite ou dia são sinais compostos. Observe:

113

LIBRAS


Os sinais das Cores:

114

MARLENE CARDOSO


Os sinais da família:

Muita atenção com os verbos. A LIBRAS não tem em suas formas verbais a marca de

tempo como o português. Dessa forma, quando o verbo refere-se há um tempo passado, futuro

ou presente, o que vai marcar o tempo da ação ou do evento serão itens lexicais ou sinais

adverbiais como ONTEM, AMANHÃ, HOJE.

Antes de qualquer coisa vamos aprender os sinais de alguns verbos. Os verbos serão a-

presentados no infinitivo. Todas as concordâncias e conjugações são feitas no espaço.

115

LIBRAS


Os sinais que veiculam conceito temporal, em geral, vêm seguidos de uma marca de passado,

futuro ou presente da seguinte forma: movimento para trás, para o passado; movimento

para frente, para o futuro; e movimento no plano do corpo, para presente.

É interessante notar que uma linha do tempo constituída a partir das coordenadas passado

(atrás); presente (no plano do corpo); futuro (na frente) pode ser observada também em

línguas orais como português e o inglês. Além disso, a LIBRAS utilizam as expressões faciais e

corporais para estabelecer tipos de frases. Por isso para perceber se uma frase em LIBRAS está

na forma afirmativa, exclamativa, interrogativa, negativa ou imperativa, precisa-se estar atento

às expressões faciais e corporais, que são feitas simultaneamente com certos sinais ou com

toda a frase.

Ex: você quer?

Sinal você + sinal verbo querer + expressão facial interrogativa (sobrancelhas franzidas

e um ligeiro movimento da cabeça inclinando-se para cima).

Uma das características das línguas de sinais, no mundo todo, é sua iconicidade, isto é,

alguns sinais tendem a reproduzir características parciais ou totais do dado da realidade

representado, o que faz com que as pessoas creiam ser esta uma língua que apenas

reproduz conceitos concretos. Vejam alguns exemplos:

Podemos perceber que temos muitos sinais para aprender. Contudo, é necessário que

tenhamos em mente que gravar os sinais depende muito do contato diário que deveremos ter

com os surdos, ou seja, quanto mais treinar com a comunidade surda mais fácil ficará sua comunicação.

É possível que você já consiga entabular uma conversa com um surdo apesar dos poucos

sinais vistos até agora. Portanto, cuidado. Ainda não poderemos nos aventurar em ser um

intérprete de LIBRAS. Senão, incorreremos no mesmo equívoco que a maioria dos ouvintes

faz ao tentar se comunicar com poucos sinais com o surdo. Normalmente o ouvinte diante de

um surdo fala mais alto, pausadamente, ou usando gestos ou sinais acreditam que conseguirão

dialogar sem maiores problemas.

116

MARLENE CARDOSO


Para ser interprete é preciso conhecer profundamente a LIBRAS e a cultura surda e ser

um mediador da comunicação entre o surdo e o ouvinte. Se tomarmos, por exemplo, a sala de

aula o trabalho do intérprete precisa ser negociado de modo a não gerar conflitos, devendo

ocorrer de forma integrada com o trabalho e o papel do professor. A relação professor – intérprete

não pode resumir-se a um “estar junto numa mesma sala de aula”, precisa ser o resultado

de uma construção conjunta, harmoniosa, visando ao êxito pedagógico da criança surda.

Pode-se dizer ainda que o ato de interpretar corresponde ao processo cognitivo pelo

qual se trocam mensagens de uma língua a outra, sejam elas orais ou sinalizadas.

Que a profissão de intérprete de LIBRAS em alguns estados do Brasil já é reconhecida

e valorizada?

Para entender um pouco sobre este avanço da legislação brasileira, que beneficia a

comunidade surda, leia o decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005, em especial o

Artigo 21, que disponibilizamos para você neste texto:

Art. 21. A partir de um ano da publicação deste Decreto, as instituições federais

de ensino da educação básica e da educação superior devem incluir, em

seus quadros, em todos os níveis, etapas e modalidades, o tradutor e intérprete

de Libras – Língua Portuguesa, para viabilizar o acesso à comunicação,

à informação e à educação de alunos surdos.

1º. O profissional a que se refere o caput atuará:

I - nos processos seletivos para cursos na instituição de ensino;

II - nas salas de aula para viabilizar o acesso dos alunos aos conhecimentos e

conteúdos curriculares, em todas as atividades didático-pedagógicas; e

III - no apoio à acessibilidade aos serviços e às atividades-fim da instituição

de ensino.

2º As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual,

municipal e do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas

neste artigo como meio de assegurar aos alunos surdos ou com deficiência

auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação (SILVA,

2005).

O que é o intérprete de Língua Brasileira de Sinais para pessoas surdas?

O intérprete da Língua Brasileira de Sinais é aquele que tomando a posição do sinalizador

ou do falante, transmite os pensamentos, palavras e emoções do sinalizador/comunicador/falante,

servindo de elo entre duas modalidades de comunicação. Neste

117

LIBRAS


sentido, o intérprete é um sujeito Bilíngue que intermedeia a comunicação entre duas pessoas

que falam apenas uma língua, e no caso em que estamos tratando o intérprete, viabiliza a comunicação

entre um sujeito que se comunica com a Libras e o português, enquanto o outro

domina apenas o português.

A habilidade requerida num profissional intérprete é a competência da Língua Portuguesa

e na Língua Brasileira de Sinais. Esta competência deve ser constantemente reforçada

por meio do contato com a comunidade surda.

Pensou que os sinais já haviam acabado?

Qual nada, continuaremos a conhecer mais sinais!

Estruturação de Sentenças em LIBRAS

Costuma-se pensar que as sentenças da LIBRAS são completamente diferentes do ponto

de vista estrutural daquelas do português. Realmente, no que diz respeito à ordem das palavras

ou constituinte, há diferenças porque o português é uma língua de base sujeito-predicado

enquanto que a LIBRAS é uma língua do tipo tópico-comentário.

Nas sentenças do português, a ordem predominante é: sujeito (S)-verbo(V)-objeto (O),

normalmente chamada de SVO. Assim, as sentenças se estruturam da seguinte maneira:

O leão

matou o urso

S V O

Sujeito

Predicado

Nesta sentença, além da concordância sujeito-predicado que determina quem faz o que

no evento descrito pelo verbo da sentença, a ordem também é significativa porque senão não

saberíamos qual é o sujeito da sentença “o leão matou o urso” porque tanto o constituinte “o

leão” quanto o constituinte “o urso” podem concordar com o verbo.

Entretanto, a primeira sentença poderia ter o seu último constituinte deslocado para a

frente da sentença através de operações como por exemplo a topicalização:

O urso

Tópico

o leão matou

Comentário

Note-se, porém, que nos dois casos houve necessidade de apelo a mecanismos não muito

usado do tipo entoação e uso da preposição “a”. Nestes casos, “o urso” continua sendo o

118

MARLENE CARDOSO


objeto direto de “matar” e “o leão”, o seu sujeito, apesar de termos a topicalização do objeto,

isto é, apesar do objeto direto ser o tópico da sentença e o sujeito e o verbo serem o comentário

do tópico.

A topicalização é relativamente frequente em português, principalmente, na fala coloquial.

Entretanto, em LIBRAS, a frequência é maior, diríamos até que é regra geral.

Animais:

Gênero:

Tempo:

119

LIBRAS


Antônimos:

Frutas:

Outros sinais:

Pesquise:

http://www.acessobrasil.org.br/libras

120

MARLENE CARDOSO


Sugestão de filmes

Mais uma vez trazemos algumas sugestões de filmes para enriquecer o seu estudo sobre

a realidade de pessoas surdas e sua comunicação através da LIBRAS.

FILME: Alpine Fire (Suíça)

Resumo: Este filme conta a história de um menino que fala a língua de sinais e mostra

de forma muito interessante esta forma de comunicação.

FILME: Depois do silêncio (Palavras do silêncio)

Breaking Through – EUA/1996

Resumo: História sobre uma jovem (Laura) surda de 20 anos que aprende língua de sinais,

depois de conhecer uma assistente social.

121

LIBRAS


122

MARLENE CARDOSO


MAPA CONCEITUAL

123

LIBRAS


ESTUDO DE CASO

Utilizando o conhecimento que você adquiriu com o estudo dos conteúdos do tema 3,

analise o caso abaixo e responda as questões. Em seguida discuta suas conclusões com seus

colegas no fórum da disciplina.

Caso 3

Marta, 25 anos, perdeu a audição aos 8 anos devido ao uso de medicamentos ototóxicos.

Desde que a família percebeu a dificuldade auditiva da filha mais velha, encaminharam imediatamente

a um especialista em fonoaudiologia que a acompanha sistematicamente.

Marta usa constantemente o aparelho auditivo, sem o qual ela ouve somente sons fortes

como o barulho do avia e não consegue ouvir a voz das pessoas. Apesar da surdez parcial,

Marta articula corretamente as palavras.

Durante o dia Marta ajuda o pai no mercadinho da família e à noite faz cursinho prévestibular.

Reflita a partir da análise do caso descrito, tendo por base as solicitações feitas abaixo:

Considerando os casos 1 e 2 descritos no módulo, estabeleça uma comparação entre a

qualidade de vida alcançada por Marta (caso 3) e as pessoas descritas nos casos 1 e 2.

Bom trabalho!

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

Revisão

Agora que você já se apropriou dos conceitos e concepções tratados ao longo dos

conteúdos do nosso Tema 3, sistematize seu conhecimento com as questões abaixo.

Bom trabalho!

124

MARLENE CARDOSO


EXERCÍCIOS PROPOSTOS

Questões do ENADE, adaptadas do ENADE ou similares

Leia o texto abaixo e responda as questões 1 e 2

TEXTO ESCRITO POR UM JOVEM SURDO

O menino esperto

Um dia de manhã, uma professora pregava na aula, um menino estava dormindo na

mesa. Bateu o sino, o menino acordava e espanto pelo sino, a professora observado do

menino:

– Ei? Venha cá, meu aluno.

– O que? Já bateu o sino?

– Já, mas quero falar com você.

– Sim, professora?

– Por que você acordou agora?

– Ah...porque... Não sei bem falar.

– Não, não. Você é inteligente e eu não sou boba.

– Tudo bem, eu estava dormindo.

– Ah! Muito bem, meu aluno. Quero anotar em um papel para mostrar sua mãe,

certo?

– Certo!

A professora anotou no papel sobre ‘’ o menino estava dormindo na sala de aula ‘’ para

mostrar a mãe dele. O menino saiu na escola para passear na rua, cantava e olhado no céu,

um gato chamou ‘’Miau!’’, ele ouviu e viu um gato:

– Ah! Um gato! Quero levar para minha casa. Hum...que medo! Se minha mãe viu

meu gato...Ah! vou esconder na minha camisa. Ih! Ih! Ih!

Ele escondeu o gato na camisa, chegado em casa.

– Boa tarde, mamãe!

Oh! Boa tarde, meu filho. Tudo bem? Como estar na sua escola?

– Estou bem, minha- escola está ótima! (ele mostrar o sorriso). Um rabo de gato estava

aparecendo por baixo da camisa do menino e a mãe não viu. No quarto, tirou um gato.

Na noite, ele andou devagar pois a mãe estava dormindo, ele colocou o leite na tigela

do gato e andou de novo devagar e a mãe abriu a porta.

– Filho? Você não está dormindo.

– Ah! Já vou dormir.

– O que é isso? Essa tigela?

– Ah! Quero beber leite. (mostrar o sorriso de novo)

125

LIBRAS


– Oxente! Você bebe o leite na tigela?

– Sim! (sorriso)

– Tá bom! Vou dormir. Boa noite, filho!

– Boa noite, mamãe! (sorriso)

A mãe fechou a porta e o menino diz ‘’Ufa!!!’’.

Aluno: G.C

QUESTÃO 01

Analise o texto acima e descreva as diferenças entre este texto e um texto padrão da língua

portuguesa observadas por você.

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

QUESTÃO 02

Após identificar os pontos de diferenciação entre a forma de um surdo escrever um texto

e o texto de um oralista, reescreva este texto acrescentando os elementos da língua portuguesa.

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

QUESTÃO 03

Qual a diferença estrutural existente entre a Libras e a língua portuguesa? Qual a ordem

predominante no português?

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

126

MARLENE CARDOSO


QUESTÃO 04

Descreva como se caracteriza um intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras), citando

quais as habilidades requeridas neste profissional.

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

QUESTÃO 05

Descreva caracteristicas da comunidade de surdos no Brasil. Em seguida analise quais

fatores podem contribuir para que esta comunidade tenha as características citadas por você.

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

2.2

TEMA 4.

CIDADANIA E DIREITOS DA COMUNIDADE SURDA NO BRASIL

E NO MUNDO

2.2.1

CONTEÚDO 1.

EDUCAÇÃO ESPECIAL: ASPECTOS LEGAIS E PEDAGÓGICOS

A Educação Especial, em sua definição atual, é entendida como uma modalidade que

abrange os diferentes níveis de eduacação escolar, ou seja, educação infantil, educação

fundamental, educação média e educação superior.

127

LIBRAS


Segundo o Ministério Educação, por Educação Especial entende-se um processo

educacional definido em uma proposta pedagógica que assegura recursos e serviços

educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar e, em

alguns casos substituir os serviços educacionais comuns de modo a garantir a educação

escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam

necesidades educativas especiais, em todas as etapas e modalidades da educação básica.

No ano de 1990, aconteceu a Conferência Mundial Sobre Educação Para Todos. A educação

aparece como preocupação mundial. O tema foi motivo de vários estudos e encontros.

Na Espanha, durante a Conferência Mundial de Necessidades Educacionais Especiais, foi a-

provada a Declaração de Salamanca no ano de 1994, cujos princípios norteadores trouxeram

impacto direto para o alcance de direitos por parte das pessoas que têm alguma deficiência, o

que tem repercutido na crescente ampliação dos seus direitos de cidadania e na transformação

da sociedade para um modelo inclusivo e mais equitativo.

Princípios norteadores da Declaração de Salamanca:

O reconhecimento das diferenças;

O atendimento às necessidades de cada um;

128

MARLENE CARDOSO


A promoção de aprendizagem;

O reconhecimento da importância da "escola para todos";

A formação de professores.

Os aspectos políticos – ideológicos que estão embutidos nos princípios desta Declaração,

nos leva a pensar num mundo inclusivo, onde todos têm direito à participação na sociedade,

fazendo valer a democracia de forma cada vez mais ampla.

FONTE: DISPONÍVEL EM: WWW.INFOJOVEM.ORG.BR/

A nova LDB 9.394/96 em seu capítulo V coloca que a educação dos portadores de necessidades

especiais deve se dar de preferência na rede regular de ensino, o que traz uma nova

concepção na forma de entender a educação e integração dessas pessoas.

Por educação inclusiva se entende o processo de inclusão dos portadores de necessidades

especiais ou distúrbios de aprendizagem na rede comum de ensino em todos os seus

graus.

Contribuição da Educação Especial para construir a Educação Inclusiva

Educação especial

No Brasil, o atendimento às pessoas com deficiência teve início na época do Império

com a criação de duas instituições: o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, em 1854, atual

Instituto Benjamin Constant – IBC, e o Instituto dos Surdos Mudos, em 1857, atual Instituto

Nacional da Educação dos Surdos – INES, ambos no Rio de Janeiro.

129

LIBRAS


Instituto Benjamin Constant

Instituto Nacional da Educação dos surdos

No início do século XX é fundado o Instituto Pestalozzi – 1926, instituição especializada

no atendimento às pessoas com deficiência mental; em 1954 é fundada a primeira Associação

de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE e; em 1945, é criado o primeiro atendimento educacional

especializado às pessoas com superdotação na Sociedade Pestalozzi, por Helena Antipoff.

130

MARLENE CARDOSO


HELENA ANTIPOFF

FONTE: HTTP://WWW.CLIOPSYCHE.UERJ.BR/ARQUIVO/ANTIPOFF.HTML

Em 1961, o atendimento educacional às pessoas com deficiência passa ser fundamentado

pelas disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 7.

Até a primeira metade deste século, o panorama educacional foi dominado pelo que poderíamos

chamar de um conceito dualista de educação: o ensino regular e a educação especial.

Sob esta perspectiva as pessoas eram deficientes por questões exclusivamente orgânicas.

A deficiência entendida como sendo produzida por distúrbios do desenvolvimento, o que dificilmente

poderia ser modificado. Esta visão trouxe consigo duas consequências significativas:

1. Necessidade de se detectar a deficiência, identificar o distúrbio;

2. Necessidade de uma atenção educacional, diferente e separada da regular.

Neste sentido, a classificação e a rotulação dos alunos possibilitavam a formação de classes

homogêneas. A capacidade e a possibilidade de êxito, dividia os alunos entre os normais

(que se beneficiavam dos serviços do ensino regular) e outra categoria, a dos deficientes, para

a qual foram criadas as classes e escolas especiais.

Deste modo, gradualmente foi sendo configurado um sistema tangencial de educação, a

especial, em resposta à própria incapacidade do sistema regular de ensino de entender as necessidades

educativas de todos os seus alunos, independente se estas necessidades eram oriundas

de suas características particulares ou do tipo de dificuldades apresentadas.

A partir dos anos 60, período em que podemos situar as origens do movimento de integração

escolar, e especialmente nos últimos anos, cresceu no Brasil, um movimento de enor-

131

LIBRAS


me força que impulsionou uma profunda modificação na concepção da deficiência e da educação

especial.

Educação Inclusiva

Tem como objetivo incluir os portadores de necessidades especiais no contexto do ensino

regular. Esta decisão foi tomada com base na Declaração de Salamanca – Espanha – 1994,

os surdos passaram, então, a frequentar escolas regulares. A proposta de inclusão social é bastante

interessante, mas quando tratamos de uma comunidade com aspectos culturais e linguísticos

diferentes da maioria, faz-se necessário tomar uma série de cuidados, como por e-

xemplo:

Preparar o professor, alunos e funcionários da escola para receber o estudante surdo;

O professor deve aprender a língua do seu aluno para comunicar-se com ele, mesmo

com a presença do interprete em sala de aula;

Ter intérprete de LIBRAS em sala de aula, sem o interprete será impossível o professor

ensinar em duas línguas ao mesmo tempo;

O professor e a equipe pedagógica precisam estudar sobre a cultura do surdo, como é

o seu processo de aquisição de conhecimentos, para, assim, organizar as aulas com

metodologias e avaliações de forma que atinja surdos e ouvintes.

Não é uma tarefa fácil, sabemos disso! Mas é necessário, pois caso contrário não alcançará

o objetivo de incluir e sim excluiremos.

132

MARLENE CARDOSO


Integração

O “princípio da normalização” surgiu nos países escandinavos, com Bank-Mikkelsen

(1969) e Nirje (1969), tendo como pressuposto básico a ideia de que toda pessoa portadora de

deficiência teria o direito inalienável de experienciar um estilo, ou padrão de vida, que seria

comum ou normal em sua cultura.

Isto significaria que a todos os membros de uma sociedade deveriam ser fornecidas o-

portunidades iguais de participar em atividades comuns àquelas partilhadas por grupos de

idades equivalentes.

Braddock (apud ARANHA, 2002) discutiu a questão da “Ideologia da Normalização”

como sendo um conjunto de ideias, as quais refletiriam necessidades sociais e aspirações dos

indivíduos considerados diferentes na sociedade. Nesta, mencionou, também, a existência de

uma condição “normal”, que é representada pela maioria percentual de pessoas em uma curva

da normalidade e uma condição “desviante”, que é representada por baixos percentuais de

pessoas, na mesma curva.

133

LIBRAS


As escolas regulares passaram a ter a tarefa de educar a todos os alunos, apesar das diferenças,

incapacidades, interesses que eles apresentassem. A obrigatoriedade da oferta de educação

para todos levou a uma reavaliação da função e organização das escolas que deveriam

ser mais abrangentes, ou seja, integradora e não excludente.

O desenvolvimento de experiência nas escolas, oportunizou uma avaliação de novas

possibilidades de atendimento ao aluno com necessidades educativas especiais.

Nessa perspectiva, a primeira contribuição da educação especial, no contexto da educação

geral, vem sendo a de impor uma discussão ética a respeito da escola para todos como

uma questão de direitos humanos. Nesse sentido, as escolas vêem provocando paulatinamente

a abertura de duas portas para uma parcela da população que, até então, tinha ficado à margem

da sociedade.

Hoje, a escola tem que acolher a todos os alunos, reconhecendo a diversidade da população,

com a consequente diferenciação na demanda. Reconhecer essa diversidade e buscar

formas de acolhimento requer, por parte da equipe escolar, disponibilidade e informações,

discussões, reflexões e, algumas vezes, ajuda externa.

134

MARLENE CARDOSO


A integração defendida pela equipe da educação especial, vem produzindo efeitos positivos

tanto individuais como sociais. Do ponto de vista individual, otimiza as possibilidades de

desenvolvimento físico, intelectual e social de todos os alunos.

Do ponto de vista social, possibilita a construção de uma sociedade mais humanizada,

ao favorecer a convivência dos alunos sem deficiência com a diversidade, com a diferença,

com as pessoas que sempre ficaram a margem da sociedade.

Essa não tem sido uma tarefa simples, pois envolve lidar com mitos, emoções, motivações,

responsabilidades, compromissos, valores e atitudes do sujeito em relação ao outro.

Nas últimas duas décadas, a tendência educacional foi de fomentar a escola de qualidade

para todos e lutar contra a exclusão escolar de alunos com necessidades especiais, de forma

que todas as crianças possam aprender juntas, independente de suas dificuldades e diferenças.

DANÇA FLAMENCA – ESPANHA

FONTE: HTTP://UNIESPANOLLOMEJOR.BLOGSPOT.COM/2010_04_01_ARCHIVE.HTML

135

LIBRAS


A Declaração

de Salamanca, proclamada na Espanha, em sintonia

com a Declaração

Mundial sobre Educação paraa Todos, conclama a Universalizaç

ção do ensino e advoga a edu-

de suas condições individuais, econômicas ou socioculturais.

cação de qualidade

para os alunos que apresentam dificuldades

de escolarização, decorrentes


Vamos conhecer um

pouco mais esta história

DOM PEDRO II – HERNEST HUET

FONTE: HTTP://WWW.BAILLEMENT.COM/INTERNES/HUET.HTML

Pesquise no site a seguir, pois esta história começou em 26

de setembro de 1857, durante

o Império de D. Pedro II, quando o professor francês Hernest Huet fundou, com o apoio do

imperador, o Imperial Instituto de Surdos Mudos, que depois se tornou Instituto Nacional de

Educação de Surdos:

1ª ESCOLA DE SURDOS DO BRASIL

FONTE: WWW.INES.ORG.BR

136

MARLENE CARDOSO


2.2.2

CONTEÚDO 2.

REFLEXÕES SOBRE A PRÁXIS PEDAGÓGICA E A MEDIAÇÃO NA

LINGUAGEM ESCRITA

“Eu realmente não acredito que consigamos criar vidas artificiais. Mas, depois de

haver atingido a lua e de ter pousado uma ou duas naves em Marte, eu vejo que essa minha

descrença significa muito pouco. Mas os computadores são totalmente diferentes dos

crebros, cuja função não é primariamente a de computar, mas a de guiar e equilibrar um

organismo e ajudá-lo a continuar vivo. É por está razão que o primeiro passo da natureza

em direção a uma mente inteligente foi a criação da vida, e eu acho que se nos pudéssemos

criar artificialmente uma mente inteligente deveríamos seguir o mesmo caminho”

Fonte: Carta de um surdo (p. 261-20).

Foi num congresso em Milão em 1880 que um grupo não muito numeroso de educadores

ouvintes impôs a superioridade da língua oral sobre a língua de sinais. O importante não

era a comunicação em si, mas a necessidade de tornar os surdos parecidos com os ouvintes.

Atualmente, devido à resistência da comunidade surda, o oralismo perde espaço para

outras formas de buscar o fortalecimento da identidade das pessoas surdas. A partir daí, educadores

comprometidos em apoiar o desenvolvimento intelectual, psicossocial e cognitivo dos

surdos, começam a defender a luta para reconhecer a Língua Brasileira de Sinais como sendo a

língua materna do surdo.

Nunca o conhecimento e a aprendizagem foram tão valorizados como atualmente. Esta

é uma clara indicação de que já vivemos na sociedade do conhecimento. E, portanto, os seus

processos de aquisição assumirão papel de destaque, de primeiro plano, exigindo o repensar

dos processos educacionais, em especial daqueles que estão diretamente relacionados à escola.

No momento em que a civilização moderna passa por diversas mudanças, no plano econômico,

educacional e social, a escola é uma das instituições que possibilita ao homem do

nosso tempo, interferi nesse processo, agilizando etapas para construir um novo modelo de

desenvolvimento social, no qual a ampla maioria da população tem acesso ao conhecimento,

necessário à sua qualidade de vida e à realização de ideais de ética, solidariedade e humanismo.

A velocidade das mudanças que ocorrem na sociedade torna impossível pensar se a escola

dará conta de prover todo o conhecimento de que um profissional necessita. A escola será

um – entre muitos outros – dos ambientes e, que será possível adquirir conhecimento. Para

tanto, ela terá que incorporar os mais recentes resultados das pesquisas sobre aprendizagem e

assumir conhecimento, desenvolvendo, assim, competências e habilidades para poder continuar

a aprender ao longo da vida.

137

LIBRAS


Os mais recentes estudos sobre aprendizagem fornecem importantes resultados que podem

ser usados na análise do que acontece com a educação hoje. O trabalho de Piaget mostra

que as pessoas têm uma capacidade de aprender a todo o momento. Aprendemos a andar, a

falar, a ser profissionais, a educar os filhos etc. Aprendemos tudo isso vivendo, fazendo as coisas

e interagindo com as pessoas, não somente sendo ensinados. Além disso, toda pessoa tem

a capacidade de ensinar, transmitir a cultura e valores da coletividade em que está inserido.

Tal fato acontece desde a primeira interação mãe-filho. Portanto, aprendemos e ensinamos

porque precisamos resolver problemas reais e interagir com as pessoas.

Uma das pautas de discussão da modernidade é o pensar e repensar constantes sobre o

papel do ambiente socioeconômico-cultural em relação ao diferente. A inclusão tem sido um

tema muito debatido. Ela abrange conceitos como respeito mútuo, compreensão, apoio e e-

quidade. Não é uma tendência, um processo ou um conjunto de procedimentos educacionais

passageiro a serem implementados. Ao contrário, a inclusão é um valor social que se considerado

desejável, torna-se um desafio no sentido de determinar modos de conduzir nosso processo

educacional e profissional para promovê-la.

A pesquisa sobre a educação dos surdos, vem tomando um espaço cada vez maior nas

reflexões teóricas dos que atuam com os mesmos. Encontro-me há anos realizando, com professores

e alunos surdos, tanto na rede particular, quanto na municipal e estadual de ensino da

Bahia, um trabalho de orientação e de sala de aula na qual a ação pedagógica é frequente.

Durante muito tempo houve uma incerteza quanto às propostas de ensino dos deficientes

auditivos, devido à divisão de conceitos na qual, havia uma dicotomização referente ao

trabalho prático e as questões teóricas. A insatisfação e a inquietação são constantes no que se

diz respeito às dificuldades dos surdos. Fora sempre relevante refletir sobre as dificuldades

destes em transpor suas ideias e opiniões para a escrita na língua portuguesa e diminuir o distanciamento

da escrita em Libras 10 .

O convívio com os anseios dos professores e de outros profissionais em relação à escrita

dos surdos e seus entraves, demonstra a necessidade de um aprofundamento para compreender

e superar as dificuldades entre os limites da Libras e do Português. A utilização da Língua

de Sinais é fundamental para entender a ausência de alguns elementos do texto (conectivos,

preposição, tempo verbal, concordância verbal e nominal) e esclarecimento das dúvidas entre

professor e aluno. Pesquisadores abordam que o fracasso destes perpassa pela falta de significados

de sua língua (Libras), causando um índice de analfabetismo muito alto.

A experiência com os surdos impõe a necessidade de compreender o seu mundo subjetivo,

para só então fazer algo por ele e com ele. Qualquer atuação profissional com esses sujei-

10

Língua Brasileira de Sinais, segundo a Federação Nacional de Educação de Surdos (FENEIS).

138

MARLENE CARDOSO


tos implica em uma disposição, em fazer mudanças; não apenas no próprio enquadre através

de adaptações, como também na visão de mundo daquele que faz esta escolha.

Para o profissional da educação que trabalha com a palavra, com a língua e a comunicação,

estar diante de alguém que não fala, constitui um desafio; trabalhá-lo é crer, acima de

tudo no seu potencial e no do individuo. Já faz parte do senso comum dizer que os professores

estão buscando novos caminhos para trabalhar com essas pessoas que se utiliza de uma outra

língua na sua comunicação, a Língua Brasileira de Sinais.

Um novo saber se impôs no cenário profissional. Nessa perspectiva, os desafios que temos

a enfrentar são inúmeros, e toda e qualquer investida no sentido de se ministrar um ensino

de qualidade implicam na adequação de novos conhecimentos oriundos das investigações

atuais em educação e de outras ciências às salas de aula, às intervenções tipicamente escolares,

que têm nos objetivos pedagógicos sua eficácia para o ensino destes.

Portanto devemos enfrentar e analisar essa realidade, reconhecendo que os professores

não possuem apenas saberes, mas também competências profissionais que não se reduzem ao

domínio dos conteúdos a serem ensinados (Perrenoud, 2000). O professor precisa planejar,

atuar e avaliar suas intervenções para cada contexto singular, o que significa um trabalho contínuo

de estudos e reflexões sobre a sua prática.

Construir uma educação capaz de ligar os conhecimentos às práticas sociais, tornar esses

conhecimentos artefatos para a construção da cidadania, orientada para a autonomia e a

democracia, são aprendizados necessários aos educadores do nosso tempo. Philippe Perrenoud

(2000) refere-se à necessidade da escola como espaço de mobilização de conhecimentos

para a construção de competências, de indivíduos que saibam agir em uma sociedade mutante

e complexa.

Referencial teórico e campo epistemológico

A prática pedagógica, atualmente, sofre influência de alguns estudos e pesquisas sobre o

conhecimento e a linguagem. As contribuições à luz das teorias piagetianas e vygotskyanas,

permitem o repensar educativo.

Jean Piaget e Lev Semenovich Vygotsky foram dois estudiosos que dedicaram suas vidas

profissionais a descoberta de como o ser humano se desenvolve e aprende e, por isso, seus

trabalhos trazem contribuições significativas em relação à compreensão do desenvolvimento

do ser humano e de seus mecanismos de ensino/aprendizagem para a intervenção em casos

que apresentam alterações no processo do aprender.

A teoria do conhecimento construída por Jean Piaget, não teve intenção pedagógica. Porém,

ofereceu aos educadores importantes princípios para orientar sua prática. Ele realizou

estudos com o principal objetivo de conhecer a evolução do conhecimento na espécie huma-

139

LIBRAS


na. Os resultados das pesquisas epistemológicas realizadas por ele, seus colaboradores e sucessores,

auxiliam sobremaneira a compreensão do desenvolvimento humano e da aprendizagem

no que se refere à lógica matemática e suas relações com a linguagem e com a construção da

moral.

LEI Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL DE 2002

Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras providências.

O PRESIDENTEDAREPÚBLICA faz saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono

a seguinte Lei:

Art. 1º É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira

de Sinais – Libras e outros recursos de expressão a ela associados.

Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais – Libras a forma de comunicação

e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura

gramatical própria, constitui um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos

de comunidades de pessoas surdas do Brasil.

Leia com atenção o que a Lei 10.436/2 e note que ela abre caminhos para um ensino e

formação que garantir acessibilidade dos surdos aos meios de comunicação.

Conhecer as Leis, decretos e portarias aqui apresentados é difundir cidadania. Pense

nisso!

• Recursos Utilizados nas Atividades Individuais e Grupais

Trabalhos com modalidades textuais;

A utilização da análise contrastiva na sala de apoio.

• Análise Contrastiva

É uma metodologia, geralmente associada ao ensino de uma segunda língua. Entretanto,

pode-se afirmar que os recursos que são utilizados na sala de apoio se assemelham aos propostos

por essa metodologia. São estabelecidas as similaridades e as diferenças entre a língua-alvo,

a ser aprendida e a língua materna com a finalidade de facilitar a aprendizagem da segunda

língua pelos indivíduos que já possuem uma primeira língua. Esse procedimento de comparar

as duas línguas é aplicado pela linguística contrastiva.

140

MARLENE CARDOSO


Ao compararmos as produções nas duas línguas, tal princípio implicou a aceitação da

escrita como expressão de sua linguagem e tal produção como legitima e, não como aberração

ou, simplesmente, desvio ou erro. Dessa forma os alunos estabelecem as diferenças e especificidades

de Libras e do Português, sendo um recurso importante.

Durante a trajetória dessa pesquisa, evidenciou-se a Práxis Pedagógica, no tocante a

produção escrita e a mediação na sala de apoio aos deficientes auditivos. Pelo que foi relatado,

conclui-se a importância das condições de produção textual a partir das especificidades desses

sujeitos na apreensão da escrita, não devendo considerar tais diferenças como “aberrações” ou

“erros”.

Pôde observar-se ao efetuo deste trabalho, a importância das condições de produção de

texto dos alunos, ligada às condições essenciais, uma vez que são necessárias essas produções

para que haja uma maior comunicação entre os surdos e o mundo em que vivem.

Diversificar metodologias e estratégias, intercaladas a um acompanhamento pedagógico

especializado, é, sem dúvida, o caminho mais seguro para o sucesso no decorrer da vida escolar

de alunos deficientes auditivos e surdos.

2.2.3

CONTEÚDO 3.

DECLARAÇÃO INTERNACIONAL DE SALAMANCA

1 - Acreditamos e Proclamamos que:

Veja alguns fragmentos do documento:

A tendência em política social durante as duas últimas décadas tem sido a de promover

integração e participação e de combater a exclusão Inclusão e participação são essenciais à

dignidade humana e ao desfrutamento e exercício dos direitos humanos. Dentro do campo da

educação, isto se reflete no desenvolvimento de estratégias que procuram promover a genuína

equalização de oportunidades. Experiências em vários países demonstram que a integração de

crianças e jovens com necessidades educacionais especiais é melhor alcançada dentro de escolas

inclusivas, que servem a todas as crianças dentro da comunidade.

Dentro das escolas inclusivas, crianças com necessidades educacionais especiais deveriam

receber qualquer suporte extra requerido para assegurar uma educação efetiva. Educação

inclusiva é o modo mais eficaz para construção de solidariedade entre crianças com necessidades

educacionais especiais e seus colegas. O encaminhamento de crianças a escolas especiais

ou a classes especiais ou a sessões especiais dentro da escola em caráter permanente deveriam

constituir exceções, a ser recomendado somente naqueles casos infrequentes nos quais fique

claramente demonstrado que a educação na classe regular seja incapaz de atender às necessi-

141

LIBRAS


dades educacionais ou sociais da criança ou quando sejam requisitados em nome do bemestar

da criança ou de outras crianças.

Políticas educacionais deveriam levar em total consideração as diferenças e situações individuais.

A importância da linguagem de signos como meio de comunicação entre os surdos,

por exemplo, deveria ser reconhecida e provisão deveria ser feita no sentido de garantir

que todas as pessoas surdas tenham acesso a educação em sua língua nacional de signos. Devido

às necessidades particulares de comunicação dos surdos e das pessoas surdas/cegas, a

educação deles pode ser mais adequadamente provida em escolas especiais ou classes especiais

e unidades em escolas regulares.

Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais

Reafirmando o direito à educação de todos os indivíduos, tal como está inscrito na Declaração

Universal dos Direitos do Homem de 1948, e renovando a garantia dada pela comunidade

mundial na Conferência Mundial sobre a Educação para Todos de 1990 de assegurar

esse direito, independentemente das diferenças individuais.

Relembrando as diversas declarações das Nações Unidas que culminaram, em 1993, nas

Normas das Nações Unidas sobre a Igualdade de Oportunidades para as Pessoas com Deficiência,

as quais exortam os Estados a assegurar que a educação das pessoas com deficiência faça

parte integrante do sistema educativo.

Notando com satisfação o envolvimento crescente dos governos, dos grupos de pressão,

dos grupos comunitários e de pais, e, em particular, das organizações de pessoas com deficiência,

na procura da promoção do acesso à educação para a maioria dos que apresentam necessidades

especiais e que ainda não foram por ela abrangidos; e reconhecendo, como prova desde

envolvimento, a participação ativa dos representantes de alto nível de numerosos governos,

de agências especializadas e de organizações intergovernamentais nesta Conferência Mundial.

Nós, delegados à Conferência Mundial sobre as Necessidades Educativas Especiais, representando

noventa e dois países e vinte cinco organizações internacionais, reunidos aqui em

Salamanca, Espanha, de 7 a 10 de Julho de 1994, reafirmamos, por este meio, o nosso compromisso

em prol da Educação para Todos, reconhecendo a necessidade e a urgência de garantir

a educação para as crianças, jovens e adultos com necessidades educativas especiais no

quadro do sistema regular de educação, e sancionamos, também por este meio, o Enquadramento

da Ação na área das Necessidades Educativas Especiais, de modo a que os governos e as

organizações sejam guiados pelo espírito das suas propostas e recomendações.

142

MARLENE CARDOSO


2 - Acreditamos e proclamamos que:

Cada criança tem o direito fundamental à educação e deve ter a oportunidade de conseguir

e manter um nível aceitável de aprendizagem;

Cada criança tem características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem

que lhe são próprias;

Os sistemas de educação devem ser planeados e os programas educativos implementados

tendo em vista a vasta diversidade destas características e necessidades;

As crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas

regulares, que a elas se devem adequar através duma pedagogia centrada na criança, capaz de

ir ao encontro destas necessidades;

As escolas regulares, seguindo esta orientação inclusiva, constituem os meios capazes

para combater as atitudes discriminatórias, criando comunidades abertas e solidárias, construindo

uma sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos; além disso, proporcionam

uma educação adequada à maioria das crianças e promovem a eficiência, numa ótima relação

custo-qualidade, de todo o sistema educativo.

3 - Apelamos a todos os governos e incitamo-los a:

Conceder a maior prioridade, através das medidas de política e através das medidas orçamentais,

ao desenvolvimento dos respectivos sistemas educativos, de modo a que possam

incluir todas as crianças, independentemente das diferenças ou dificuldades individuais;

Adaptar como matéria de lei ou como política o princípio da educação inclusiva, admitindo

todas as crianças nas escolas regulares, a não ser que haja razões que obriguem a proceder

de outro modo;

Desenvolver projetos demonstrativos e encorajar o intercâmbio com países que têm experiência

de escolas inclusivas;

Estabelecer mecanismos de planejamento, supervisão e avaliação educacional para crianças

e adultos com necessidades educativas especiais, de modo descentralizado e participativo;

Encorajar e facilitar a participação dos pais, comunidades e organizações de pessoas

com deficiência no planejamento e na tomada de decisões sobre os serviços na área das necessidades

educativas especiais;

Investir um maior esforço na identificação e nas estratégias de intervenção precoce, assim

como nos aspectos vocacionais da educação inclusiva;

143

LIBRAS


Garantir que, no contexto duma mudança sistêmica, os programas de formação de professores,

tanto a nível inicial com em serviço, incluam as respostas às necessidades educativas

especiais nas escolas inclusivas.

4. Também apelamos para a comunidade internacional; apelamos em particular:

Aos governos com programas cooperativos internacionais e às agências financiadoras

internacionais, especialmente os patrocinadores da Conferência Mundial de Educação

para Todos, à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a

Cultura (UNESCO), ao fundo das Nações Unidas para a Infância, (UNICEF), ao

Programa de Desenvolvimento da Nações Unidas (PNUD), e ao Banco Mundial;

A que sancionem a perspectiva da escolaridade inclusiva e apoiem o desenvolvimento

da educação de alunos com necessidades especiais, como parte integrante de todos os

programas educativos;

Às Nações Unidas e às suas agências especializadas, em particular à Organização Internacional

do Trabalho (OIT), à Organização Mundial de Saúde (OMS), UNESCO e

UNICEF;

A que fortaleça a sua cooperação técnica, assim como reforcem a cooperação e trabalho,

tendo em vista um apoio mais eficiente às respostas integradas e abertas às necessidades

educativas especiais;

Às organizações não-governamentais envolvidas no planejamento dos países e na organização

dos serviços:

A que fortaleçam a sua colaboração com as entidades oficiais e que intensifiquem o

seu crescente envolvimento no planejamento, implementação e avaliação das respostas

inclusivas às necessidades educativas especiais;

À UNESCO, enquanto agência das Nações Unidas para a Educação;

A que assegure que a educação das pessoas com necessidades educativas especiais faça

parte de cada discussão relacionada com a educação para todos, realizada nos diferentes

fóruns;

A que mobilize o apoio das organizações relacionadas com o ensino, de forma a

promover a formação de professores, tendo em vista as respostas às necessidades e-

ducativas especiais;

A que estimule a comunidade acadêmica a fortalecer a investigação e o trabalho conjunto

e a estabelecer centros regionais de informação e de documentação; igualdade,

a que seja um ponto de encontro destas atividades e um motor de divulgação e do

progresso atingido em cada país, no prosseguimento desta Declaração;

A que mobilize fundos, no âmbito do próximo Plano a Médio Prazo (1996-2000), a-

través da criação dum programa extensivo de apoio à escola inclusiva e de programas

comunitários, os quais permitirão o lançamento de projectos-piloto que demonstrem

e divulguem novas perspectivas e promovam o desenvolvimento de indicadores relativos

às carências no sector das necessidades educativas especiais e aos serviços que a

elas respondem.

144

MARLENE CARDOSO


5 - Finalmente, expressamos o nosso caloroso reconhecimento ao Governo de Espanha

e à UNESCO pela organização desta Conferência e solicitamo-los a que empreendam

da Ação que a acompanha ao conhecimento da comunidade mundial, especialmente a fóruns

tão importantes como a Conferência Mundial para o Desenvolvimento Social (Copenhague,

1995) e a Conferência Mundial das Mulheres (Beijin, 1995).

2.2.4

CONTEÚDO 4.

DERRUBANDO MITOS E CRENÇAS NO TRABALHO COM O SURDO

SUPER INTERESSANTE

O texto a seguir faz parte do trabalho de pesquisa sobre a Língua de Sinais, da linguista

Ronice Muller de Quadros e Karnopp, que aborda os mitos que envolvem a língua de sinais.

Será que você acredita em alguns desses mitos?

MITOS EM RELAÇÃO ÀS LÍNGUAS DE SINAIS

Várias pessoas acreditam em coisas que não necessariamente são verdadeiras. Observamos

nos discursos das pessoas que não conhecem os surdos e as línguas de sinais que há

uma serie de crenças que não correspondem à realidade. As pessoas pensam essas coisas sobre

as línguas de sinais, porque por muitos anos houve ideias a respeito a que foram disseminadas

por questões filosóficas, religiosas, políticas e econômicas. Talvez você mesmo pense que essas

coisas sejam verdadeiras. Não se sinta culpado, pois isso é fruto do desconhecimento. Apesar

do impacto dessas concepções, as pesquisas avançaram muito e nos mostraram que tais concepções

são equivocadas. Estaremos, portanto, apresentando evidências para desmistificar tais

ideias.

MITO 1 – A língua de sinais seria uma mistura de pantomima e gesticulação concreta,

incapaz de expressar conceitos abstratos.

DESMISTIFICAÇÃO: Tal concepção está atrelada à ideia filosófica de que o mundo das

ideias é abstrato e o mundo dos gestos é concreto. O equivoco desta concepção é entender

sinais como gestos, na verdade os sinais são palavras apesar de não serem orais auditivas. Os

sinais são tão arbitrários quanto às palavras. A produção gestual na língua de sinais também

acontece como observado nas línguas faladas. A diferença é que no caso dos sinais, os gestos

também são visuais – espaciais tornando as fronteiras mais difíceis de ser estabelecidas. Os

sinais das línguas de sinais podem expressar quaisquer ideias abstratas. Podemos falar sobre as

emoções, os sentimentos, os conceitos em línguas de sinais, assim como em línguas faladas.

145

LIBRAS


MITO 2 – haveria uma única e universal língua de sinais usada por todas as pessoas

surdas.

DESMISTIFICAÇÃO: Esta ideia está relacionada com o mito anterior. Se as línguas de

sinais são consideradas gestuais, então elas são universais. Isto é uma falácia, pois as várias

línguas de sinais que já foram estudadas são diferentes uma das outras. Assim como as línguas

faladas, temos línguas de sinais que pertencem a troncos diferentes. Temos pelos menos dois

troncos identificados, as línguas de origem francesa e as línguas de origem inglesa. Provavelmente,

a nossa língua de sinais pertence ao tronco das línguas de sinais que se originaram na

língua de sinais francesas.

MITO 3 – Haveria uma falha na organização gramatical da língua de sinais que seria derivada

das línguas de sinais, sendo um pidgin sem estrutura própria, subordinado e inferior às

línguas orais.

DESMISTIFICAÇÃO: Como as línguas de sinais são consideradas gestuais, elas não poderiam

apresentar a mesma complexidade das línguas faladas. Isso também não é verdadeiro,

pois em primeiro lugar as línguas de sinais são línguas de fato. Em segundo lugar as línguas de

sinais independem das línguas faladas. Um exemplo que evidencia isso claramente é que a

língua de sinais portuguesa é de origem inglesa e a língua de sinais brasileira é de origem francesa,

mesmo sendo o português a língua falada nos respectivos países, ou seja, Portugal e Brasil.

Como essas línguas de sinais pertencem a troncos diferentes elas são muito diferentes uma

da outra. É claro que não podemos negar o fato de ambas as línguas estarem em contato principalmente

entre os surdos letrados. O que se observa diante deste contato é que, assim como

observado que entre línguas faladas em contato, existem alguns empréstimos linguísticos. Para,

além disso, as línguas de sinais não têm relação com a língua falada do seu país. Elas são

autônomas e apresentam o mesmo estatuto linguístico identificados nas línguas faladas, ou

seja, dispõem dos mesmos níveis linguísticos e são tão complexas quanto as línguas faladas.

MITO 4 – A língua de sinais seria um sistema de comunicação superficial, com conteúdo

restrito, sendo estética, expressiva e linguisticamente inferior ao sistema de comunicação

oral.

DESMISTIFICAÇÃO: Como as línguas de sinais são tão complexas quanto as línguas

faladas, esta afirmação não procede. Nós já vimos que a língua de sinais pode ser utilizada

para inúmeras funções identificadas na produção das línguas humanas. Você pode usar a língua

de sinais para produzir um poema, uma história, um conto, uma informação, um argumento.

Você pode persuadir, criticar, aconselhar, entre tantas outras possibilidades que se

apresentam ao se dispor de uma língua. Assim, a língua de sinais não é inferior a nenhuma

outra língua, mas sim, tão linguisticamente reconhecida quanto qualquer outra coisa.

MITO 5 – As línguas de sinais derivariam da comunicação gestual espontânea dos ouvintes.

146

MARLENE CARDOSO


DESMISTIFICAÇÃO: A ideia de que as línguas de sinais seja gestual também reaparece

neste mito. As pessoas pensam que as línguas de sinais são de fácil aquisição por estarem diretamente

relacionados ao sistema gestual utilizado por todas as pessoas que falam uma língua.

Como isso não é verdade, as línguas de sinais são tão difíceis de ser adquiridos quanto

quaisquer outras línguas. Precisamos anos de dedicação para aprender a língua de sinais, mas

com base neste mito, as pessoas pensam que sabem a língua de sinais por usarem alguns gestos

e alguns sinais que aprendem nas aulas de línguas de sinais. A comunicação gestual é usada

exclusivamente é extremamente limitada, pois torna inviável a comunicação relacionadas

com questões abstratas. Assim, você vai precisar da língua de sinais para comunicar estas ideias.

É verdade que você pode comunicar algumas coisas utilizando apenas gestos, assim como

você faz quando chega em um país em que é falada uma língua desconhecida por você. Mas,

também é verdade que você estará limitado à identificação direta entre o gesto e sua intenção,

sem poder entrar em níveis de detalhamento necessário para transcorrer sobre um determinado

assunto. Para transcorrer sobre um determinado assunto qualquer, você vai precisar de

uma língua. No caso de comunicação com surdos, você vai precisar da língua de sinais.

MITO 6 – As línguas de sinais por serem organizadas espacialmente, estariam representadas

no hemisfério direito cérebro, uma vez que esse hemisfério é responsável pelo processamento

de informação espacial, enquanto que o esquerdo pela linguagem.

DESMISTIFICAÇÃO: As pesquisas com surdos apresentando lesões em um dos hemisférios

apresentam evidencias de que as línguas de sinais são processadas linguisticamente no

hemisfério esquerdo da mesma forma que as línguas faladas. Existe sim uma diferença que

está relacionada com informações espaciais, pois estas, além de serem processadas no hemisfério

esquerdo com suas informações linguísticas, são também processadas no hemisfério direito.

Quanto às suas informações de ordem puramente espacial. Assim, parece haver um processamento

até mais complexo do que observado em pessoas que usam a língua de sinais. As

investigações concluem que as línguas de sinais é um sistema, que faz parte da linguagem humana,

processado pelo hemisfério esquerdo e no hemisfério direito.

Sugestão de filme

Chegando ao final das nossas reflexões nesta disciplina, sugerimos mais dois filmes para

refletir sobre tudo que estudamos juntos até aqui.

Filme: E Seu Nome é Jonas (USA/1979)

Jonas (And Your Name Is Jonah?)

Resumo: Nesta produção vemos uma história em que é ensinada a língua de sinais para

que uma criança surda possa sair do isolamento.

147

LIBRAS


148

MARLENE CARDOSO


MAPA CONCEITUAL

149

LIBRAS


ESTUDO DE CASO

Utilizando o conhecimento que você adquiriu com o estudo dos conteúdos do tema 4,

analise o caso abaixo e responda as questões. Em seguida discuta suas conclusões com seus

colegas no fórum da disciplina.

Caso 4

Antonio nasceu surdo devido à mãe ter adquirido rubéola durante a gravidez. Hoje aos

27 anos, não articula uma única palavra e ouve somente sons fortes como o barulho do trovão.

A surdez não impede que Antônio seja uma pessoa bastante produtiva, envolvendo-se

em várias atividades. Ele lidera a associação de surdos da sua cidade e trabalha como instrutor

de LIBRAS em uma escola.

Apesar disso, ele tem tido dificuldades para cumprir as exigências da rede regular de ensino

e somente aos 26 anos, após repetir vários anos, conseguiu concluir o ensino médio, o

que exibe para todos com muito orgulho o seu diploma.

Questões:

1. Qual a causa da surdez de Antonio? Explique o período natal que ocorreu.

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

2. Considerando o caso de Marta (caso 3) e o de Antônio (caso 4) identifique a classificação

da surdez de Marta, especificando a média da perda auditiva.

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

Vamos lá!

Agora que você estudou e refletiu sobre a Libras, bem como sobre as questões relativas

ao universo social dos surdos, podemos testar conhecimentos fazendo uma pequena

revisão a partir de algumas questões do ENADE.

Caso tenha dúvidas para responder as questões, busque rever os conteúdos discutidos

ao longo deste texto.

150

MARLENE CARDOSO


EXERCÍCIOS PROPOSTOS

Questões do ENADE, adaptadas do ENADE ou similares

QUESTÃO 01

O interprete de libras é o mediador entre a comunidade surda e ouvinte, nos últimos

anos, a presença do interprete de língua de sinais, tem ganhado espaço. Sobre o interprete é

aponte as alternativas verdadeiras e falsas:

I. Devido ao desconhecimento da maioria da população sobre a Libras, torna-se

necessário que existam intérpretes nos mais diversos setores da sociedade, públicos

e privados.

II. As condições essenciais para atuar como intérprete é ter domínio da Libras (e

também da Língua Portuguesa) e, fundamental, da cultura da comunidade surda

e ouvinte – além de boa audição.

III. O intérprete deve adotar uma maneira de se vestir de acordo com seu gosto, podendo

utilizar de adereços, acessórios sem nenhum problema.

IV. A interpretação entre a língua oral e de sinais é uma atividade bilingue – bicultural.

Assinale as alternativas corretas:

a) I, II, III

b) I, II, IV

c) II, III, IV

d) I, III, IV

QUESTÃO 02

Alguns bebês nascem ouvindo, já outros precisam de sua ajuda para terem esta oportunidade,

ouvir é fundamental para o desenvolvimento da fala e da linguagem. O teste da orelhinha

é um método eficaz e moderno para diagnosticar problemas de surdez em recémnascidos.

Sobre a prevenção da surdez podemos desconsiderar que:

a) Os bebês que nascem com problemas de audição de um ou dois ouvidos, necessitam

receber ajuda nos primeiros anos de vida.

b) O diagnóstico após os seis meses de idade traz prejuízos ao desenvolvimento do

bebê e na relação com o meio à sua volta.

151

LIBRAS


c) O bebê com perda auditiva diagnosticada logo depois que nasce, e realizando o

tratamento até os seis meses de idade apresentam desenvolvimento muito parecido

com o de uma criança que não apresenta este problema.

d) Todo recém-nascido pode apresentar problemas de audição ou adquiri-los nos

primeiros anos de vida. Pode ocorrer mesmo sem casos de surdez na família ou

outros fatores de risco.

QUESTÃO 03

A exclusão existe desde a antiguidade. Há povos que sacrificavam pessoas devido a sua

deficiência. Não somente em Roma, mas também na Grécia antiga, os surdos eram considerados

incapazes de raciocinar e insensíveis (SOUZA, 1998). Com base na afirmativa, sobre o

processo histórico e social do surdo podemos afirmar que:

I. no século XVI para que o surdo pudesse ter acesso a educação era necessário o

domínio da Língua de Sinais.

II. o uso da língua de sinais pelos surdos é um dos elementos que identifica a diferença

e gera atitudes de anormalidade.

III. os surdos eram considerados pessoas imprestáveis e amaldiçoadas e exterminados

através de infanticídio "legalizado".

IV. IV- a partir do Congresso de Milão de 1880 o ensino da fala passa a ocupar centralidade

máxima como meio e fim da educação do surdo.

Assinale as alternativas corretas:

a) I, II, IV

b) I, III, IV

c) I, II, III

d) II, III, IV

QUESTÃO 04

Leia o depoimento a seguir: “[...] o que mais marcou na minha vida na escola foi quando

a professora disse para mim que fazer os sinais é muito feio, que eu era igualzinho a um macaco,

disse que eu sou parecida com o macaco e me obrigava a não fazer os sinais, [...]” (depoimento

de uma surda, 2005).

Essa prática utilizada pela professora descrita acima apresenta características do modelo

educacional:

152

MARLENE CARDOSO


a) Oralista que baseia-se na oralização como o objetivo principal da educação das

crianças surdas.

b) Bilinguista que considera o aprendizado tanto do oralismo como da língua de sinais

como importantes para o crescimento da comunidade surda.

c) Gestualista como filosofia educacional que utiliza na proposta de educação de

surdos todas as formas de comunicação: gestos, mímica, audição e leitura labial.

d) Comunicação Total como abordagem educacional que permite o uso dos sinais

na educação dos surdos.

QUESTÃO 05

A educação para alunos surdos deverá apresentar serviços especializados com propostas

pedagógicas de educação bilíngue que ofereça uma escolarização formal, na Educação Infantil,

Ensino Fundamental e/ou Ensino Médio. Com base nessa afirmativa e em seus conhecimentos

sobre o processo de ensino aprendizagem, analise as afirmações que seguem.

I. A criança surda ao chegar a uma sala de aula regular deverá ter acesso às atividades

lúdicas, tais como jogos e brincadeiras iguais ao demais grupo.

II. O professor ao planejar suas aulas deverá priorizar em sua prática docente atividades

relativas à realidade da sua turma já que em geral os alunos surdos são excluídos

dos trabalhos em grupo e das exposições orais.

III. Os Jogos são recursos irrelevantes para a educação dos alunos surdos. Limitando

seu desenvolvimento cognitivo e linguístico.

IV. Os professores deverão ser capacitados para o atendimento às necessidades educacionais

especiais dos alunos surdos utilizando atividades ilustrativas, com desenhos

e imagens.

Estão de acordo com o processo pedagógico apenas as afirmações:

a) II, III e IV

b) I, III e IV

c) I, II e III

d) I, II e IV

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LIBRAS


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MARLENE CARDOSO


GLOSSÁRIO

AASI – É aparelho de amplificação sonora individual,que aumenta os sons.

ANÁLOGO – Algo que tem analogia ou semelhança com outra coisa.

ANOMALIAS – Qualquer irregularidade ou anormalidade no organismo.

ANÓXIA – Diminuição ou insuficiência de oxigenação do sangue para suprir as exigências

metabólicas de um organismo humano vivo, especialmente no cérebro.

ANOXIA PERINATAL – Mesmo que asfixia perinatal, falta de oxigenação no cérebro do feto

durante o parto.

AUDIOGRAMA – Gráfico demonstrativo do nível mínimo de audição que cada orelha consegue

ouvir em várias frequências. A frequência (tonalidade) é medida em Hertz (Hz). A intensidade

(volume) é medida em decibéis (dB).

AUDIOMETRIA – Exame da audição realizado por meio de instrumentos que permite a avaliação

da capacidade dos sons.

BILINGUE – Pessoa que se comunica em duas línguas.

BILINGUISMO – Vertente de profissionais que considera que o surdo deve adquirir a língua

dos sinais como língua materna, com a qual poderá desenvolver-se e comunicar-se com a comunidade

de surdos, e a língua oficial de seu país como segunda língua.

COMUNICAÇÃO TOTAL – Utilização de todos os recursos linguísticos, orais ou visuais,

simultaneamente, privilegiando a comunicação, e não apenas a língua.

CÓCLEA – Porção do ouvido interno dos mamíferos, popularmente: caracol.

D.A – Deficiente Auditivo.

DACTILOLOGIA – Utilização do alfabeto manual para comunicação com o surdo.

DIAGNÓSTICO – Processo realizado por especialista (médico, psicólogo, fonoaudiólogo etc.)

para conhecer a condição (física, orgânica, psicológica etc.) de um indivíduo. Conclusão de

avaliação diagnóstica de um indivíduo.

EMBRIÃO – É o bebê em seu primeiro estágio de desenvolvimento no ventre da mãe.

FONOAUDIOLOGO – Profissional que trabalha com a articulação da fala, percepção dos

sons.

FOTOFOBIA – Hipersensibilidade à luz.

GENÉTICA – Ramo da biologia que estuda as leis de transmissão de caracteres hereditarios

nos indivíduos.

HIPOACUSIA – Hipoacústico aquele cuja audição, ainda que deficiente, é funcional com ou

sem.

155

LIBRAS


INSULINA – Hormônio segregado pelo pâncreas.

LS – Línguas de Sinais.

L1 – Primeira língua (Materna).

L2 – Segunda língua.

LEITURA LABIAL – É um treino para identificação da palavra falada através da decodificação

dos movimentos orais.

LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais – é um termo usado para a língua de sinais da comunidade

surda brasileira.

LIMIAR AUDITIVO – Padrão de normalidade para os limiares de audiometria.

LÍNGUA – Um sistema gramatical pertencente a um grupo de indivíduos.

LINGUAGEM – Sistema de comunicação natural ou artificial.

LINGUAGEM DOS SIGNOS – Expressão usada para identificar línguas de sinais.

NEONATOS – Recém-nascidos.

NERVO COCLEAR – Nervo internamente ligado a cóclea.

ORALISMO – Método de ensino para surdos que entende como sendo a maneira mais eficaz

de ensinar um indivíduo surdo é através de da língua oral.

OUVINTE – Indivíduo que não pertence à comunidade de surdos.

OXIGENAÇÃO – Aumento de oxigênio.

PERINATAL – Período durante o nascimento.

PÓS–NATAL – Período após o nascimento.

PERÍODO PRÉ-NATAL – Período anterior ao parto, ou seja, durante a gravidez.

SONORO – Conjunto de todos as ondas que compõem os sons audíveis e não audíveis pelo

ser humano.

SURDEZ – Enfraquecimento ou abolição do sentido da audição

SURDO MUDO – Mais antiga e incorreta denominação atribuída ao surdo.

156

MARLENE CARDOSO


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