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L+D 57

Edição: Março/Abril de 2016

Edição: Março/Abril de 2016

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MUSEU DO AMANHÃ, RIO DE JANEIRO (BRASIL)

E MAIS: RESTAURANTE PERRY & BLACKWELDER’S, DUBAI (EAU)

PLANO DIRETOR DE ILUMINAÇÃO DE ÁVILA (ESPANHA) | LOJA RIACHUELO, FORTALEZA (BRASIL)

1


2 3


4 5


A tribute to light

Elliot Erwitt, 2011

SUMÁRIO

março/abril 2016

edição 57

38 72

14 AGENDA

22 ¿QUÉ PASA?

38 RESIDÊNCIA QUINTA DA BARONEZA

42 RESTAURANTE PERRY & BLACKWELDER

Carlotta de Bevilacqua-Paolo Dell’Elce: Copernico

Artemide Chicago Showroom

223 West Erie Street, 1S

Chicago, IL 60654

artemide.net

46

MUSEU DO AMANHÃ

60

RESTAURANTE KITARO

64

PLANO DIRETOR DE ILUMINAÇÃO DE ÁVILA

72

LOJA RIACHUELO – SHOPPING IGUATEMI FORTALEZA

46

64

78

PRODUTOS

6 7

42


8 9


Romulo Fialdini

Thiago Gaya

publisher

MUSEU DO AMANHÃ

Iluminação: LD Studio

Foto: Andrés Otero

Orlando Marques

editor-chefe

PUBLISHER

Thiago Gaya

EDITORIAL

EDITOR-CHEFE

Orlando Marques

DIRETORA DE ARTE

Thais Moro

Um dos aspectos mais interessantes no dia a dia profissional do arquiteto de iluminação, é

a possibilidade de colaborar simultaneamente com diferentes profissionais de arquitetura, em

projetos com os mais variados estilos, abordagens, tamanhos e ainda provenientes de diversos

lugares do Brasil e do mundo.

Não por acaso, essa rotina diversificada e colaborativa também sempre fez parte do dia a dia

da revista L+D, de seus editores e colaboradores, ao longo dos 11 anos de existência.

Essa similaridade e afinidade foram alguns dos aspectos que me convenceram a aceitar o

convite para assumir por completo a editoria da revista.

E com qualquer mudança se espera, no mínimo, algumas inovações. No caso da L+D, esta

é uma tarefa particularmente difícil, uma vez que o trabalho feito ao longo dessa década por

todos que colaboraram e ainda colaboram com a revista sempre foi de extrema competência,

delicadeza e profissionalismo. Mas, para mostrar serviço e honrar o convite, fiz uma pesquisa

com os colegas de profissão, e, já nesta edição, trazemos algumas novidades.

Com o intuito de diversificar ainda mais o alcance das informações do trabalho do arquiteto de

iluminação e estreitar nossa convivência, estamos criando coeditoriais com alguns dos escritórios

parceiros da Editora Lumière. É o caso da matéria assinada pelo escritório LD Studio sobre o mais

recente trabalho da lighting designer peruana Claudia Paz em Lima.

Outra novidade é a abordagem da descrição das soluções de iluminação dos projetos

apresentados, a partir das legendas das imagens. Os textos continuam a descrever com

precisão o que está por trás da criação dos projetos, desde a sua concepção até a sua

finalização. Já as imagens passam a ter o suporte de legendas com informações mais

detalhadas sobre as soluções do projeto.

Desse modo, nesta edição, apresentamos seis projetos de iluminação, cuja seleção

compreende o vasto espectro de programas e tipologias arquitetônicas a que estamos

acostumados. Na capa, o tão esperado Museu do Amanhã no centro do Rio de Janeiro, com

projeto do time da LD Studio. No interior de São Paulo, uma residência no exclusivo condomínio

Quinta da Baroneza, projeto da Franco Associados. Temos, ainda, o novo conceito e projeto

de iluminação das Lojas Riachuelo; dois restaurantes – um em São Luís, no Maranhão e outro

em Dubai, nos Emirados Árabes – e também o premiado projeto do plano diretor e projeto de

iluminação para a cidade histórica de Ávila, na Espanha.

A diversidade também continua na seção ¿Qué Pasa?. Além dos trabalhos multidisciplinares,

todos sob a ampla temática da luz e iluminação, apresentamos também uma detalhada agenda

com os principais eventos do universo da iluminação ao redor do mundo em 2016.

REPORTAGENS DESTA EDIÇÃO

Carlos Fortes, Débora Torii,

Fernanda Carvalho, Gilberto Franco e Valentina Figuerola

IMPRESSA POR

REVISÃO

Débora Tamayose

ADMINISTRAÇÃO

Richard Schiavo

Telma Luna

CIRCULAÇÃO E MARKETING

Márcio Silva

PUBLICIDADE

Lucimara Ricardi | diretora

Avany Ferreira | contato publicitário

Paula Ribeiro |contato publicitário

Suely Mascaretti | contato publicitário

PARA ANUNCIAR

comercial@editoralumiere.com.br

T 11 2827.0660

PARA ASSINAR

assinaturas@editoralumiere.com.br

T 11 2827.0690

TIRAGEM E CIRCULAÇÃO AUDITADAS POR

Boa leitura!

Orlando Marques

Editor-chefe

PUBLICADA POR

Andrés Otero

Contamos nesta edição

Editora Lumière Ltda.

com a colaboração

Rua Catalunha, 350, 05329-030, São Paulo SP, T 11 2827.0660

do escritório parceiro

www.editoralumiere.com.br

LD Studio, que assina

a matéria sobre o

mais recente trabalho

10 da lighting designer

11

peruana Cláudia Paz


12 13


AGENDA 2016

Após um ano repleto de eventos e atividades, estimulados pela proclamação do Ano Internacional da Luz pela Unesco, 2016

começa com a promessa de ainda mais acontecimentos. Confira a agenda e programe-se para os mais importantes workshops,

feiras, encontros, fóruns e festivais deste ano.

LIGHT + BUILDING 2016

Com 2.500 expositores, e mais de 210 mil visitantes, sendo a

metade vindas de mais de 160 países, a maior feira de iluminação do

mundo continuará a apresentar inovações do universo de projetos

e equipamentos de iluminação, equipamentos e componentes

de LEDs, controles, automação, design, engenharia elétrica e

programas de computadores.

Os principais temas da Light + Building deste ano são eficiência

energética, tecnologias inteligentes, novas tendências no desenho

de luminárias e novas tecnologias e inovações no campo da

tecnologia de iluminação com ênfase no ser humano, suas

necessidades e sua saúde.

Diversos eventos paralelos acontecerão durante a feira.

Destacamos a tão esperada Luminale, com instalações de luz

espalhadas pela cidade de Frankfurt e arredores; a competição Design

Plus Powered by Light + Building, disputa entre os equipamentos

de iluminação apresentados pelos expositores da feira; e também

a nova ala Digital Buildings, sobre tecnologia digital e automação

de edifícios.

Fique atento às contantes atualizações dos eventos anunciadas

no website da feira.

Light + Building 2016

Frankfurt, Alemanha

13 a 18 de março

www.light-building.messefrankfurt.com

©Messe Frankfurt Exhibition GmbH / Petra Welzel

LIGHTFAIR

INTERNATIONAL 2016

Com público recorde de 29.900 participantes em 2015, a

Light Fair deste ano promete superar essa marca.

Além da já expandida feira de fabricantes de equipamentos

de iluminação, a tradicional conferência vai adicionar à sua

programação habitual – suas 82 palestras e mais de 190

horas de conteúdo educacional – visitas guiadas ao projeto de

iluminação da Estação de Bondes de San Diego e também um

fórum com sessões de 60 minutos cada, batizado de IoT Lighting

Forum, no dia 27 de abril. O fórum trará palestras sob os temas

iluminação externa adaptativa, ambientes customizados, smart

lighting e sensores, para as quais os participantes poderão

se registrar por meio de pacotes ou por sessões individuais.

Além disso, com a intenção de expandir os populares cursos

de curta duração, este ano eles estarão distribuídos ao longo de

três dias, sob diversos temas, que vão de luz móvel e cultura

da luz até aplicações de tecnologia LED, iluminação e saúde.

Em adição às 3 horas do workshop em língua espanhola,

este ano a Light Fair, a fim de atrair ainda mais o público sul-

-americano, introduzirá tradução simultânea em espanhol em

8 palestras principais.

Lightfair International 2016

San Diego, EUA

Pré-conferência: 24 e 25 de abril

Feira e Conferência: 26 a 28 de abril

www.lightfair.com

14 15


AGENDA 2016

©HKTDC

GILE – GUANGZHOU INTERNATIONAL

LIGHTING EXHIBITION

HONG KONG INTERNATIONAL

LIGHTING FAIR

Organizada anualmente pelo Conselho de Desenvolvimento

do Comércio de Hong Kong (HKTDC), a 8ª edição de primavera

da Hong Kong International Lighting Fair espera superar o recorde

obtido em sua edição anterior, quando receberam mais de 19 mil

visitantes e aproximadamente 1.250 expositores. Para facilitar a

compreensão do visitante, a feira é dividida em zonas temáticas,

como o espaço dedicado aos LEDs e à iluminação sustentável e

o Hall of Aurora, luxuosa área exclusiva da iluminação de grife.

Além disso, também serão oferecidos seminários e fóruns a

respeito de atualidades ligadas ao mercado de iluminação.

O evento ainda tem uma edição anual de outono, que, em sua

17ª edição, promete a apresentação de produtos para iluminação

publicitária, comercial, residencial e sustentável, além de acessórios,

peças, componentes e soluções inteligentes.

Hong Kong International Lighting Fair

Hong Kong, China

Spring Edition: 6 a 9 de abril

www.hktdc.com/hklightingfairse

Autumn Edition: 27 a 30 de outubro

www.hktdc.com/hklightingfairae

Conhecido como o mais influente e abrangente evento de

iluminação da Ásia, a Guangzhou International Lighting Exhibition

aborda, neste ano, o tema “Thinklight: a new dimension”,

buscando revelar tecnologias de iluminação inovadoras, além

de discutir novas perspectivas de design, mercado e tecnologia.

Organizada pela Messe Frankfurt, responsável também pela

Light + Building, a edição de 2016 espera superar o sucesso da

edição passada, quando contou com quase 2.700 exibidores

de 27 países diferentes, atraindo cerca de 135 mil visitantes, o

que demonstra o marcante crescimento do mercado asiático

de iluminação e LEDs, tanto na região, quanto perante a

comunidade internacional.

GILE – Guangzhou International Lighting Exhibition

9 a 12 de junho

Guangzhou, China

light.messefrankfurt.com.cn

EXPOLUX

Com 27 anos de existência, a Expolux – Feira Internacional da

Indústria da Iluminação – consolidou-se como um dos principais

encontros de iluminação da América Latina. O evento bienal,

que se destina à apresentação de novas tecnologias, produtos,

serviços e tendências do universo da iluminação, é também uma

oportunidade para fazer networking e gerar negócios. Para sua 15ª

edição, além da tradicional exposição – que conta com mais de

400 expositores nacionais e internacionais –, a Expolux apresenta

como novidades palestras e seminários, visando contribuir para

uma melhor qualificação dos profissionais do mercado.

Expolux – 15ª Feira Internacional da Indústria da Iluminação

28 de junho a 2 de julho

São Paulo, Brasil

www.expolux.com.br

16 17


AGENDA 2016

André Hanni

EILD – ENCONTRO IBERO-AMERICANO

DE LIGHTING DESIGN 2016

SEMANA DA LUZ BRASIL 2016

A Semana da Luz 2016 acontece entre os dias 15 e 21 de

agosto e traz na bagagem números expressivos da edição de

2015. Os eventos que compuseram a programação da Semana – o

workshop internacional Luz para a Coexistência, o 6º LEDforum, os

lançamentos dos livros do Estúdio Carlos Fortes e do LD Studio e o

jantar no showroom da E:light – reuniram 530 participantes, de 12

estados brasileiros e de 11 países diferentes. Isso dá uma ideia da

dimensão e da pluralidade que o evento atingiu: a Semana da Luz

é uma oportunidade única no calendário brasileiro de networking,

geração de negócios, qualificação profissional e intercâmbio de

conhecimento, em um ambiente de confraternização e inspiração.

Para este ano, a Semana da Luz apresentará, além dos tão

aguardados 7º LEDforum e do 4º Workshop Internacional de

Luz e Iluminação – realizado em parceria com a AsBAI –, dois

eventos novos cujos detalhes serão apresentados em breve.

A programação completa da Semana da Luz 2016, bem como

o conteúdo do Workshop e a grade de palestras do 7º LEDforum

será divulgada no decorrer de março.

As inscrições para o 7º LEDforum já estão abertas. Nós nos

vemos em agosto!

7º LEDforum

18 e 19 de agosto

4º Workshop Internacional

15 a 17 de agosto

www.ledforum.com.br

Divulgação

Após três edições bem-sucedidas, no Chile, no México e na

Colômbia, o esperado Encontro Ibero-Americano de Lighting

Design 2016, terá como sede a cidade de Ouro Preto, em Minas

Gerais, e será realizada pela Associação Brasileira de Arquitetos de

Iluminação – AsBAI. O evento contará com a participação não só

de designers de iluminação, como também de outros profissionais

interessados em luz e em iluminação arquitetônica, urbanística

e paisagística. A proposta editorial desa edição, que tem como

tema o processo criativo, se constroi a partir de descobertas,

buscas e intervenções e é composta de palestras, laboratórios

e ações em pontos da cidade. Além disso, os participantes do

evento poderão acompanhar e participar da transformação

de duas instalações urbanas colaborativas, que são tema do

Concurso Internacional de Instalações Urbanas e cujos autores

selecionados terão seus trabalhos realizados, em localizações

distintas da cidade, durante os dias do Encontro. O processo de

inscrição e envio de propostas para o concurso está aberto até o

dia 11 de abril, e podem se inscrever artistas, lighting designers,

arquitetos e outros interessados em luz.

A L+D é a mídia oficial do EILD e apresentará ao longo das

suas edições mais detalhes e informações a respeito dele.

EILD – Encontro Ibero-Americano de Lighting

Design 2016, Ouro Preto, Brasil

21 a 24 de setembro

www.eild.org

www.eild-competition.org

18 19


AGENDA 2016

AMSTERDAM LIGHT FESTIVAL

LSW16 – LIGHT SYMPOSIUM

WISMAR 2016

O tradicional fórum realizado durante dois dias, a cada dois

anos, alterna suas edições entre as cidades de Estocolmo, na

Suécia (realizado pelo Lighting Laboratory do Royal Institute of

Technology), e Wismar, na Alemanha (oferecido pela Faculdade

de Arquitetura e Design da University of Technology, Business

and Design), onde acontecerá sua 5ª edição em 2016. O simpósio

oferece discussões a respeito dos efeitos da iluminação natural e

artificial nos seres humanos, física e mentalmente, e é direcionado

a pesquisadores, estudantes e profissionais da área. Neste ano, o

tema do fórum será “The Future of Healthy Light and Lighting in

Daily Life”, sobre o qual serão apresentadas pesquisas, teorias,

tecnologias e exemplos de design e aplicações.

LSW16 – Light Symposium Wismar 2016

12 a 14 de outubro

Wismar, Alemanha

lightsymposium.de

IALD ENLIGHTEN AMERICAS

E EUROPE 2016

Os eventos anuais promovidos pela Associação Internacional

de Lighting Designers – IALD – são compostos de conferências

dirigidas a lighting designers, sejam eles profissionais, recém-

-formados ou estudantes. Os eventos são hoje um dos mais

importantes encontros de formação e networking para

aprimoramento da profissão em todos os seus aspectos. Este

ano, o Enlighten Americas acontecerá em Puerto Vallarta, no

México, e o Enlighten Europe em Praga, na República Tcheca.

IALD Enlighten Americas 2016, Puerto Vallarta, México

13 a 15 de outubro

IALD Enlighten Europe 2016, Praga, República Tcheca

13 a 15 de novembro

www.iald.org/Events/

Todos os anos, durante o inverno, o centro da cidade de

Amsterdã, na Holanda, é transformado em uma verdadeira cidade

das luzes, graças às instalações luminosas realizadas por artistas

contemporâneos locais e internacionais. Funcionando também

como plataforma para a exibição dos trabalhos de jovens artistas,

o festival divide-se em duas rotas principais: a rota de barco,

chamada Water Colors, que oferece uma perspectiva diferente

da cidade a partir de seus famosos canais; ou a rota do percurso

a pé, denominado Illuminade. As inscrições para as instalações

que serão apresentadas na 5ª edição do festival, em novembro,

estão abertas até o dia 11 de março.

Amsterdam Light Festival

Novembro 2016 a janeiro 2017

Amsterdã, Holanda

www.amsterdamlightfestival.com/en

FÊTE DES LUMIÈRES

O tradicional Festival das Luzes de Lyon, na França, volta no

final deste ano com algumas das instalações, que eram parte

da programação do festival de 2015, as quais, em razão dos

atentados ataques terroristas à capital francesa em novembro

do ano passado, foram canceladas e substituídas por um tributo

às vítimas do terrível ataque.

Datado de 1643 em agradecimento à Maria por sua proteção

à cidade durante a peste negra, com uma procissão de velas por

toda a cidade, o festival se transformou num dos maiores eventos

públicos de iluminação do mundo. Com números em ascendência,

o festival chega a reunir 5 milhões de pessoas de todas as partes

do mundo para celebrar a luz na cidade.

Fête des Lumière, Lyon, França

8 a 11 de dezembro

www.fetedeslumieres.lyon.fr

20 21

©Muriel Chaulet


¿QUÉ PASA?

Rafael Leão

ASBAI ANUNCIA SUA

NOVA DIRETORIA

Foi divulgada, no início deste ano, a composição da nova

diretoria da AsBAI (Associação Brasileira de Arquitetos de

Iluminação), que será responsável, nos próximos dois anos, por

dar continuidade às ações desenvolvidas ao longo das gestões

anteriores, conforme afirma sua nova presidente, a lighting

designer Paula Carnelós.

Projetos com a indústria, de atualização e desenvolvimento

profissional e o estreitamento de relações entre a AsBAI e

outras associações e instituições de ensino ligadas ao universo

da iluminação (a exemplo de sua atuação como entidade

consultiva do CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo)

estão também entre as metas desta gestão, visando sempre

atender às demandas dos associados e o fortalecimento da

profissão junto à sociedade.

A nova diretoria é ainda formada por Gilberto Franco (vicepresidente),

Fernanda Carvalho (diretora de relações sociais),

Diana Joels (diretora de relações culturais), Mônica Lobo,

Claudia Torres e Mariana Novaes (membros do conselho fscal)

e Leticia Mariotto (suplente do conselho fiscal). O diretor da

gestão anterior, Rafael Leão, ainda permanece como membro da

diretoria, agora, no cargo de diretor administrativo-financeiro.

Diversas atividades já estão sendo programadas para este

ano, dentre as quais estão a participação da Associação em feiras

e eventos nacionais e internacionais, cursos de desenvolvimento

profissional e a coordenação da 4ª edição do Workshop

Internacional, em parceria com a revista L+D, como parte das

atividades da Semana da Luz, no mês de agosto. A AsBAI ainda

é a encarregada da organização da edição deste ano do EILD

(Encontro Ibero-Americano de Lighting Design), que acontecerá

na cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, no mês de setembro.

Interessados em obter mais informações sobre a

Associação, ou sobre como se associar, podem entrar em

contato pelo asbai@asbai.org ou pelo telefone (11) 2894-1405.

(Por Débora Torii)

GRUPO DE TRABALHO NO CAU-SP SOBRE A

ARQUITETURA DE ILUMINAÇÃO

No inicio deste ano, o Conselho de Arquitetura e

Urbanismo de São Paulo – CAUSP –, criou o primeiro grupo

de trabalho (GT) sobre Arquitetura de Iluminação. A iniciativa

é um reconhecimento da importância da disciplina como

elemento da Arquitetura e Urbanismo. De acordo com o

presidente da entidade, o arquiteto Gilberto Belleza, o objetivo

do grupo é "se debruçar sobre as particularidades e a atuação

dos profissionais da área".

Composto dos arquitetos e urbanistas Gilberto Franco

(coordenador do GT), Esther Stiller, Carlos Augusto

Bertolucci, Claudia Borges Shimabukuro, Daniel de Riggi,

Maiquel Alexandre Alves e Ronaldo Takeshi Suzuki, o GT se

compromete em "trazer assuntos relevantes já discutidos no

âmbito da Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação

(AsBAI), de forma a alinhar as atividades com o trabalho já

realizado , conforme comunicado do CAU-SP." Além disso, o

GT pretende aprofundar a discussão sobre a valorização e o

fortalecimento profissional dos arquitetos de iluminação. (D.T.)

22 23


Asaf Kliger

¿QUÉ PASA?

LUXO ABAIXO DE ZERO

Determinado a tornar os invernos tão populares quanto os

verões na localidade de Jukkasjärvi, no norte da Suécia, e inspirado

pela conhecida tradição japonesa, o empresário sueco Yngve

Bergqvist teve a ideia de promover, no ano de 1989, um workshop

de esculturas de gelo, comandado por dois profissionais do Japão,

e do qual participaram diversos artistas.

A partir dessa iniciativa, surgiu, no ano seguinte, o ICEHOTEL

(Hotel de Gelo), que desde então é construído, todos os anos,

durante os meses de inverno, no pequeno vilarejo localizado

na cidade de Kiruna. Situada 200 quilômetros ao norte do

círculo p olar Ártico, a localidade tem como núcleo o rio Torne,

do qual são recolhidos cerca de 2.500 blocos de gelo, pesando

aproximadamente duas toneladas cada um, para a construção de

cada edição do hotel.

Uma verdadeira obra de arte de neve, gelo e luz, o ICEHOTEL

atrai, todos os anos, aproximadamente 50 mil hóspedes de diversas

partes do mundo, para os quais são oferecidas duas opções de

hospedagem: os gélidos quartos feitos de neve e gelo – cujas

temperaturas chegam a até − 5 °C – ou as cabanas aquecidas.

Cerca de 200 artistas inscrevem, todos os anos, seus

projetos originais para as suítes, os quais são avaliados por um

painel de artistas e experts em arte no gelo, que selecionam

entre 15 e 20 projetos com base em sua originalidade e na

composição final do conjunto. Os autores – geralmente artistas,

arquitetos, designers industriais e gráficos – são convidados

a participar da execução de suas ideias pessoalmente, com a

assessoria de uma equipe de instrutores especializados.

O toque final dos projetos é a iluminação, considerada

essencial na composição do resultado final, já que grande parte

das superfícies da edificação é transparente. Os projetos são

realizados por uma equipe de lighting designers selecionada pelos

organizadores, que trabalha lado a lado com os criadores de cada

suíte, de maneira a garantir que a iluminação interprete e realce

suas criações da melhor forma possível.

Uma das suítes apresentadas nesta edição tem seu conceito

inspirado no filme expressionista alemão O Gabinete do Doutor

Caligari. Intitulada “Cesare’s Wake”, a criação dos artistas gregos

Petros Dermatas e Ellie Souti se apropria da aparência disforme dos

elementos arquitetônicos do filme para a modelagem das janelas e

dos demais ornamentos da suíte. A iluminação com LEDs, tanto em

temperatura de cor 5.000K, quanto na tonalidade azul, potencializa

a aparência fria do dormitório, além de contribuir para a criação de

uma atmosfera intencionalmente soturna, similar à do filme.

O ICEHOTEL funcionará até o dia 15 de abril deste ano. Na

chegada da primavera, todo o gelo da construção se derrete e

retorna, naturalmente, ao rio Torne. (D.T.)

24 25


Masaya Yoshimura

¿QUÉ PASA?

PRETO NO BRANCO

Fundado no ano de 1997 pelo arquiteto canadense Oki

Sato e com sedes em Tóquio, no Japão e em Milão, na Itália; o

estúdio de design nendo foi responsável pelo lançamento de

mais de 100 produtos apenas no ano de 2015. Com produção

bastante diversificada, abrangendo desde o desenvolvimento

de embalagens para cosméticos até o design de luminárias

(como a peça NJP Table, desenvolvida para a marca Louis

Poulsen no ano passado), nendo atua também nos campos da

arquitetura e interiores, design gráfico e desenho de produto,

tendo participado de diversas exposições na Europa e na

Ásia e recebido inúmeros prêmios internacionais de design

ao longo de sua existência.

O ano de 2015 foi especialmente marcado pela exibição

de Colorful Shadows, desenvolvida para o pavilhão Japonês da

última edição da EXPO de Milão, realizada entre os meses de

maio e outubro. Naquela ocasião, foram exibidos 16 objetos,

entre talheres, louças e utensílios de cozinha – em conexão

com o tema da mostra: “Alimentando o Planeta, Energia para

a Vida” –, desenhados pelo estúdio especialmente para o

projeto e produzidos em colaboração com diversos artesãos

e fabricantes locais.

Posteriormente, em dezembro, foi aberta a versão

itinerante da exposição, na galeria de arte Eye of Gyre, em

Tóquio. Em virtude da complexa segmentação dos espaços

da galeria, foi necessário fazer uma adaptação na mesa sobre

a qual os objetos foram dispostos. Ela deixou de ser uma

superfície retangular, transformando-se em um percurso

alongado e sinuoso, com 33 metros de extensão. O tampo

branco, com apenas 200 milímetros de largura e 3 milímetros

de espessura, causa a ilusão de flutuar diante dos olhos dos

visitantes, efeito ressaltado pela iluminação focada apenas

nos objetos, o que gera uma bela e contínua sombra das

curvas do mobiliário no piso.

A intenção, no entanto, permanece a mesma da versão

italiana: demonstrar os meticulosos processos e técnicas

característicos do artesanato japonês, presentes nos

materiais e nos detalhados acabamentos das peças expostas.

Curiosamente, aliás, decidiu-se que todos os itens seriam

exibidos na cor preta, de maneira a chamar mais atenção

para esses detalhes. Toda informação relacionada à cor foi

removida, de forma a estimular o espectador a focar em

outros aspectos, julgados mais essenciais.

Quanto ao título da exibição, nendo justifica: “no ensaio

‘Elogio da Sombra’, do escritor Junichiro Tanizaki, há uma

passagem sobre a ingestão de um yokan (tradicional doce

japonês feito de pasta de feijão azuki) no escuro, de forma a

desenvolver uma paleta mais aguçada”. Colorful Shadows é

uma tentativa de lançar luz sobre os meandros do artesanato

japonês, que muitos ainda consideram estar escondidos do

restante do mundo, no escuro. (D.T.)

26 27


Imagens: Divulgação

8

1

4

6

2

5

7

9

3

¿QUÉ PASA?

29º PRÊMIO DESIGN MCB

Realizada desde 1986 pelo Museu da Casa Brasileira, a

premiação é uma das mais importantes do país, revelando

novos talentos e consagrando profissionais da área do

design em 7 diferentes categorias. A cerimônia de entrega

dos prêmios aconteceu no dia 26 de novembro, com a

abertura da tradicional exposição dedicada aos trabalhos

finalistas e aos vencedores, que ficou em cartaz até o final

de janeiro deste ano.

Os vencedores da categoria Produtos – Iluminação

dessa edição foram:

1º lugar:

- Wing, de Fernando Prado, produzida por Lumini; 4

- Luminária Ísis, de Ricardo Heder, produzida por Reka

Iluminação; 1

Menção Hhonrosa:

- Luminária Ani, de Domingos Pascali e Sarkis

Semerdjian, produzida por Etel; 9

- Plano, por Fernando Prado, produzida por Lumini. 3

Finalistas:

- Pendente/Arandela Thomas, de Ingrid Vieira Peixoto,

produzidos por Interpam Iluminação; 2

- Koni e Jasiri, de Geraldo Fuzaro, produzidas por

Revoluz Iluminação; 8 6

- Ubíquo, de Ricardo Fahl de Oliveira, Letícia Mariotto,

Cláudia Borges Shimabukuro, Rafael Leão Rego

Basso, Luciana Costantin e Paula Carnelós, produzida

por Mega Light; 7

- Luminária Plamp Z, de Luciana Aguiar Borges e

Victor Lopes Mascarenhas, produzida por Bolei

Design. 5 (D.T.)

28 29


Ulysse Lemerise / OSA

¿QUÉ PASA?

IMPULSOS LUMINOSOS

No último inverno, o centro de Montreal, no Canadá, foi

Além das gangorras, fazem parte do escopo do festival

transformado em um verdadeiro playground: 30 gangorras

vídeoprojeções nas fachadas de 9 edifícios do distrito,

luminosas e interativas foram instaladas ao longo da Place des

que nesta edição buscaram apresentar experiências que

Festivals (Praça dos Festivais), como parte da 6ª edição do

remetessem a noções de equilíbrio e desequilíbrio, simetria

festival anual Luminothérapie.

e assimetria, tensão e harmonia. Além das projeções, a cargo

Conhecida como a maior competição de instalações

dos artistas Maotik e Iregular, ambos baseados em Montreal,

públicas e temporárias de arte de Quebec, o Festival

trilhas sonoras também foram desenvolvidas especialmente

Luminothérapie acontece todos os anos no inverno e é uma

para cada um dos vídeos, criadas pelo artista Mitchell Akiyama,

iniciativa da Quartier des Spectacles Partnership, organização

que vive em Toronto.

responsável pelo suporte (financeiro, logístico e técnico)

Impulse é fruto de um consórcio entre os escritórios de

para a realização dos festivais e das atividades ao ar livre

design Lateral Office, de Toronto, e CS Design, com colaboração

que tomam conta do Quartier des Spectacles, uma seção de

de consultores de engenharia do EGP Group, ambos de Montreal

aproximadamente 1 km 2 no centro da cidade, marcada por

e vencedores da competição promovida no ano passado para a

diversas performances e entretenimento ao longo do ano.

eleição da instalação a ser realizada nesta edição.

O diferencial da instalação deste ano, chamada Impulse

E as inscrições para a 7ª edição de Luminothérapie já

(Impulso), é a interatividade: quando em movimento, as

estão abertas, desta vez com uma novidade: os trabalhos

gangorras produzem uma harmoniosa sequência de sons e

luzes de variadas intensidades, graças aos LEDs e aos alto-

-falantes embutidos em cada uma delas, que resultam em

uma composição em constante mutação.

apresentados deverão se basear no tema predefinido “fábulas”.

O objetivo dos organizadores é, a cada ano, promover Montreal

como uma cidade do design, além de estimular a criatividade no

âmbito das instalações urbanas e da arte digital. (D.T.)

LEMCA FIT PARIS

Perfil com LEDs para

sanca ou mobiliário,

permitindo o perfeito

posicionamento a 45º.

MUSEU DO AMANHÃ – CAFÉ

Local: Rio de Janeiro

Projeto de Iluminação: LD Studio

Projeto de Arquitetura: Santiago Calatrava

Foto: Andrés Otero

www.lemca.com.br | led@lemca.com.br

Tel: |11| 2827.0600 | 3719.3555

30 31


¿QUÉ PASA?

Daniel Brito

UM OLHAR SOBRE O DESIGN

BRASILEIRO DE LUMINÁRIAS

Design brasileiro – luminárias

Editora: Olhares

Organização: Estúdio Nada Se Leva e Marcelo Vasconcellos

148 páginas

Edição bilíngue (português/inglês)

Valor: R$ 79,00

Responsável pela edição do livro Design brasileiro de móveis:

cadeiras, poltronas, bancos, a Editora Olhares lançou no último

mês de novembro Design brasileiro – luminárias, obra em que

são apresentadas algumas das mais representativas criações

nacionais de objetos de iluminação.

Organizado pelo Estúdio Nada Se Leva em parceria com

Marcelo Vasconcellos (sócio da Galeria MeMo, do Rio de Janeiro),

o livro reúne 135 luminárias, de variadas vertentes e períodos do

design nacional, dos anos 1950 até 2015.

Em ordem cronológicas, os trabalhos de 100 designers

brasileiros – ou atuantes no mercado nacional –, desde

profissionais já consagrados, como Fabio Alvim, Cláudia Moreira

Salles, Irmãos Campana e Fernando Prado, até jovens revelações,

como Rodrigo Almeida, Dennys Tormen e Pedro Venzon.

O resultado da compilação é um panorama histórico da

evolução do design brasileiro através dos objetos de iluminação.

(D.T.)

IF DESIGN

AWARD 2016

Imagens: Divulgação

Uma das mais prestigiosas premiações do mundo, organizada

anualmente pela organização alemã iF International Forum Design

desde 1953, anunciou os vencedores deste ano em 26 de janeiro.

Essa edição contou com nada menos que 38 projetos brasileiros

premiados nas 7 diferentes categorias. Eles receberam o famoso

selo com a logo da premiação e serão exibidos em uma exposição

em Hamburgo, na Alemanha, além de passar a figurar no popular

iF World Design Guide.

Dentre os projetos de luminárias vencedores na categoria

Produto, foram reconhecidas, assim como no Prêmio MCB, as

luminárias Plano 2 e Wing 1 , de Fernando Prado. Igualmente

produzida pela Lumini, foi premiada a luminária UM, com design

de Guilherme Wentz 3 . Outra luminária vencedora, também

com design brasileiro, foi a Sevan Lamp, do escritório Pascali

Semerdjian Arquitetos 4 . (D.T.)

1

2

3

4

32 33


inscrições abertas

© Elemental e

¿QUÉ PASA?

O PODER DA SÍNTESE

“Se há algum poder na arquitetura, este é o poder da síntese”.

Assim define sua motivação o arquiteto Alejandro Aravena,

recém-agraciado com o Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2016,

conhecido como a maior honraria da arquitetura mundial. Quarto

latino-americano a receber o prêmio (após Luis Barragán, Oscar

Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha), o arquiteto chileno é também

um dos mais jovens premiados – aos 48 anos de idade – e receberá

o prêmio em cerimônia marcada para o dia 4 de abril, na sede das

Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos.

Aravena é diretor, desde 2001, do escritório ELEMENTAL,

baseado em Santiago no Chile, no qual se dedica – com seus

sócios Gonzalo Arteaga, Juan Cerda, Victor Oddó e Diego Torres

– primordialmente a projetos de interesse público e de impacto

social, em especial os voltados a habitação social, espaços

públicos, infraestrutura e transporte. São de sua autoria, por

exemplo, diversos projetos de reconstrução emergencial da

cidade de Constitución, arrasada após o terremoto e o tsunami

que atingiram o Chile em 2010, incluindo um novo plano diretor,

um centro cultural e uma vila habitacional.

Outra marca do escritório de arquitetura é o desenvolvimento

do que chamam de “metade de uma boa

habitação”, em cujo projeto já é previsto espaço para que

os residentes, em um segundo momento, completem suas

residências por si mesmos. A chamada “habitação expansível”

permite que as moradias sejam construídas em terrenos mais

valorizados por um custo menor, por serem inicialmente

menores, provendo aos seus donos mais oportunidades

econômicas e maior satisfação pessoal.

Além do comprometimento com as causas sociais, o

arquiteto chileno também é responsável por diversos outros

projetos de impacto ao redor do mundo, como alguns dos

mais notáveis edifícios da Universidad Católica de Chile, em

Santiago, todos dotados de alta eficiência energética e luz

natural abundante, além de construções nos Estados Unidos,

no México, na Suíça, na Alemanha e na China, entre outros.

Aravena também é o atual diretor da Bienal de Arquitetura de

Veneza de 2016, com abertura marcada para maio deste ano.

O júri do Prêmio Pritzker (composto de 9 membros, de 7

diferentes nacionalidades) o escolheu como receptor do prêmio

deste ano graças ao seu compromisso de longo prazo no

combate à crise mundial de habitação, além do seu exemplo e

da sua generosidade no papel de arquiteto socialmente engajado,

servindo como inspiração através de todas as suas contribuições

para a arquitetura e a humanidade.

Em outras palavras, “os mais simples verbos, [como] dormir,

estudar, comer, encontrar, descansar... estes verbos, no fim das

contas, compõem nossa vida. E estes verbos acontecem em

locais, em substantivos, [como] escritórios, escolas, residências,

parques. Acredito que a arquitetura procura prover a melhor forma

possível para estes substantivos, onde esses verbos acontecem. A

personagem principal é a vida em si e a sua participação na herança

cultural da humanidade”, define Alejandro Aravena. (D.T.)

18 e 19 de agosto de 2016

Tivoli Mofarrej Conference Hotel

São Paulo | Brasil

www.ledforum.com.br

34 35


@silvianeyra

¿QUÉ PASA?

PIXEL FLOW

A instalação Pixel Flow, escultura interativa que pode

ser experimentada em Lima, no Peru, é o resultado de vários

estudos elaborados pela lighting designer peruana Claudia

Paz. A ideia é criar um espaço personalizado, onde o indivíduo

cria sua própria mágica.

A instalação é composta de 10 diferentes cenas, cada uma

com uma forma diferente de interação, que é sempre acionada pela

movimentação corporal dos visitantes. Relacionadas à natureza,

a pinturas ou mesmo voltadas ao público infantil, algumas das

cenas são também acompanhadas por sons, desenvolvidos

especialmente para a instalação, que complementam a experiência.

Responsável pelo design, pelo conceito e pela direção de

arte do projeto, Claudia se destaca em projetos desse tipo.

Ganhou diversos prêmios internacionais e foi citada em outros

tantos pelos projetos BCP Affinity e Light Garden. (Por LD Studio)

36 37


Na página ao lado, os acessos que levam à parte inferior do terreno são iluminados sutilmente através de balizadores em LED

(3W/3.000K). A vista geral da casa permite perceber o ritmo proposto pela arquitetura e como a iluminação reforça essa intenção,

através do destaque dos materiais opacos alternados com os planos transparentes. Acima, a piscina foi iluminada com projetores de

LED subaquáticos (5W e 10W/6.000K) e os bancos que contornam o deck adjacente receberam barras de LED (4W/m/3.000K)

embutido, criando uma luz tênue no piso. Nesta vista podemos ver as áreas de estar espelhada s nos dois pavimentos

RITMO E ESPELHAMENTO

ATRAVÉS DA LUZ

Texto: Fernanda Carvalho | Fotos: Nelson Kon

Cercada por uma natureza exuberante, essa casa de campo

situada em um condomínio de luxo a 90 km de São Paulo

expressa concretamente dois usos distintos: a vida social

e a intimidade da família. O cliente desejava que a a área externa

promovesse uma vida social diurna com muita abertura para a

natureza circundante e, ao mesmo tempo, tivessem espaços em

um ambiente íntimo e acolhedor no período noturno.

Para lidar com esses dois usos antagônicos, os arquitetos

da Reinach Mendonça Arquitetos Associados desenharam

uma casa que espelha os usos diurno e noturno nos dois

pavimentos. No pavimento superior, pelo qual se dá o acesso

principal, a família tem à sua disposição todas as facilidades de

um apartamento: quartos, área de estar íntima, salas de jantar

e estar. No andar de baixo, a sala de almoço fica integrada

com a área da piscina e com uma área de estar com pé-direito

duplo coberta e aberta.

O projeto de iluminação do escritório Franco Associados

buscou interpretar o ritmo da arquitetura através da luz. A

ideia de espelhamento da arquitetura e dos materiais, assim

como a dos cheios e dos vazios, foi incorporada no projeto de

iluminação. Essa abordagem faz com que os dois pavimentos

de usos distintos formem uma unidade visual no período

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Acesso, sob as lajes de concreto,

os pontos se repetem nos dois

pavimentos com luminárias

sobrepostas para lâmpada

halógena dicroica (35W IRC/

facho aberto/3.000K). Nas

salas de jantar e almoço, rasgos

no forro (LED 7W/m 3.000K)

alinhados com bancadas e mesas

criam marcações de teto.

À esquerda, o ambiente de estar

tem luminárias de sobrepor

com lâmpadas halógenas AR

70 (50W/24º/3.000K) na laje

de concreto, com o cuidado de

deixar a área central com pouca

incidência de luz direta. Outro

grupo de luminárias sobrepostas

para lâmpadas dicróicas

(35W IRC/facho aberto/3.000K)

faz um efeito de “muxarabi” no

painel treliçado que fecha esse

ambiente. Ao fundo, podemos

ver o deck iluminado por LEDs

instalados sob os bancos de

madeira

O painel treliçado que faz o fechamento da área social é iluminado por dentro, por meio de luminárias sobrepostas para

lâmpada dicroica (35W IRC/facho aberto/3.000K). Na imagem à esquerda, vemos o acesso da garagem com balizadores

uplight, deixando a laje em balanço livre de luminárias e com efeito de suspensão e leveza

noturno do ponto de vista de quem vê a casa de fora. Por

dentro, a equipe de iluminação teve o cuidado de manter a

unidade do conjunto, “dando, porém, os ajustes necessários

a cada circunstância, de modo a que cada uma possa ocorrer

em sua plenitude”, afirma Gilberto Franco, titular do escritório.

Os materiais adotados no projeto – concreto, madeira e vidro –

se alternam ao longo da fachada, criando um ritmo visual. Algumas

soluções de desenho e modulação de luminárias foram replicadas

nos dois pavimentos, buscando enfatizar a repetição de superfícies

transparentes e opacas proposta pela arquitetura e “realçar o

binômio transparência/opacidade da arquitetura”, completa Franco.

No período noturno os diversos planos de materiais distintos são

realçados pela iluminação.

Na varanda superior, a laje de concreto recebe luminárias de

sobrepor em espaçamento em grupos de duas ou três luminárias,

desenho que se repete na varanda inferior. Para os ambientes

internos, as luminárias são embutidas em forro de gesso, com

distribuição conforme o layout de móveis e, segundo o lighting

designer, “buscam expressar os acontecimentos da casa”.

RESIDÊNCIA NO CONDOMÍNIO QUINTA DA BARONEZA

Itatiba, São Paulo

Projeto de iluminação:

Franco Associados

Projeto de arquitetura:

Reinach Mendonça Arquitetos Associados

Fornecedores:

Lumini, Ecopyre

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PERRY & BLACKWELDER’S

ORIGINAL SMOKEHOUSE

Texto: Carlos Fortes | Fotos: Daniel Cheong

As mesas e as paredes do salão também são iluminadas

pelos projetores fixados no teto. Sobre o balcão, pendentes

temáticos complementam a iluminação e compõem a

decoração do bar. Atrás dos sofás, a iluminação indireta

valoriza o revestimento da parede. Na imagem do meio,

podemos observar a cozinha, integrada ao salão, com a

mesma aparência de cor da luz. A iluminação, com pendentes

sobre o balcão, acompanha o mesmo partido de iluminação

do bar. As mesas altas, feitas de barris, são iluminadas por

arandelas articuladas de iluminação direta.

No pavimento superior, os mesmos projetores do teto foram

equipados com filtros coloridos, nas cores verde, vermelha,

azul e âmbar, muitas vezes usados em camadas duplas para

ajudar a saturar as cores, iluminam os elementos decorativos

pendentes no vazio

Iluminação do ambiente e de destaque por meio de projetores fixados em trilhos eletrificados sob o teto com lâmpadas LED Soraa AR111

ou PAR36 2.700K com facho de 8º, 25º ou 36º. Cada luminária é controlada individualmente por meio de sistema DALI. Projetores

iluminam o mobiliário e os objetos de decoração dispostos nas paredes e nos balcões. Arandelas tipo lanternas foram amassadas e

lixadas pelos próprios lighting designers para parecerem envelhecidas. Foram aplicados spray de silicone em seus visores de vidro

transparentes para parecerem esfumaçados. A fonte luminosa halogena tipo capsula 50W 110V/220V é conectada a um equipamento

auxiliar que permite simular à chama de uma vela ou uma lâmpada de querosene. Sobre o balcão, caixas de madeira suspensas

com iluminação interna e lanternas decorativas compostas com as prateleiras. Essas lanternas fixadas às caixas têm lâmpadas

incandescentes coloridas – vermelhas, verdes, azuis, e LED E27 2.700K. O revestimento do balcão é valorizado pela iluminação rasante

fixada sob ele – fitas de LED 2.700K compõem esse sistema

A

primeira filial da rede de restaurantes especializada em

carnes defumadas no estilo texano, inaugurada nos

Emirados Árabes Unidos, reforça, por meio da arquitetura

e da iluminação, características marcantes da cultura do país de

origem e tenta estabelecer um diálogo com a cultura árabe local

pelas sutilezas da decoração.

O restaurante Perry & Blackwelder´s (P&B) Smokehouse

propõe um estilo casual de jantar, instalado no sofisticado e nada

casual Souk Madinat Jumeirah, em Dubai. Com suas origens

profundamente enraizadas na cultura norte-americana, mais

precisamente no estado do Texas, introduz no Oriente Médio a

técnica de assar as carnes lentamente e a baixa temperatura, o

que confere um paladar defumado a uma carne extremamente

tenra, a ponto de se soltar facilmente dos ossos. Essa técnica

de cozimento, transmitida através de receitas que passam de

geração a geração, traz uma nova experiência aos visitantes e

aos habitantes de Dubai.

O projeto foi contemplado em 2015 com o Prêmio Hospitality

Lighting Project of the Year – Light Middle East Award. Toda a

iluminação do restaurante, incluindo as áreas de público – salão e

terraços – e as cozinhas, foi projetada respeitando a carga máxima

disponível de 9,23KW. O partido adotado foi a integração de

sistemas de LED e lâmpadas incandescentes de baixa potência,

buscando o equilíbrio entre as diferentes fontes. Outro desafio do

projeto foi trabalhar com verbas restritas, dentro de um orçamento

conservador, o que exigiu a implementação de soluções criativas e

de baixo custo. A iluminação ocupa papel fundamental para criar

um espaço envolvente e temático, onde se percebe a rica história

cultural do sudeste norte-americano, destacando a hospitalidade.

O espaço interno é dividido em dois níveis, com um mezanino

que se desenvolve em torno de um vazio central de pé-direito

duplo. Os terraços externos também se dividem em dois níveis. O

sistema principal de iluminação é formado por trilhos e projetores,

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Na imagem acima à esquerda, as

escadas foram iluminadas a partir

dos corrimãos de madeira, fixados

nas paredes laterais. Fitas de LED

iluminam o revestimento das paredes

e os degraus. Uma arandela difusa

marca o início da subida, e projetores

para iluminação direta, fixados no

teto do mezanino, complementam a

iluminação. Na imagem seguinte, vista

do vazio central a partir do mezanino,

com destaque para as cordas e os

arames pendurados iluminados por

projetores LED com filtros coloridos.

À esquerda, um elemento de neon

complementa a iluminação e a

decoração. Na página seguinte, a

baixa intensidade da iluminação

do terraço externo, com arandelas

e luminárias decorativas sobre o

guarda-corpo, além de cordões com

lâmpadas LED 2.700K aparentes,

preserva a vista de Dubai. O desenho

das arandelas e das luminárias

decorativas, em chapa recortada,

estabelecem um diálogo entre as

culturas estadunidense e árabe

numa composição em estilo teatral, os quais iluminam as mesas

e destacam os cartazes e os objetos de decoração que compõem

a ambientação. Todos os projetores são equipados com LEDs em

formato de lâmpadas refletoras e drivers dimerizáveis DALI, que

permitem o controle das intensidades de 10% a 100%. Alguns

projetores recebem ainda filtros coloridos – verdes, vermelhos,

azuis e âmbares. Esses projetores com filtros foram dispostos

em torno do vazio central do mezanino, iluminando conjuntos de

cordas e arames farpados de aparência enferrujada que pendem

do teto, em uma composição bastante expressiva e cenográfica.

Parte do mobiliário é composta de sofás fixos, localizados

junto às paredes. Por trás dos encostos dos assentos, fitas

de LED iluminam as paredes de baixo para cima de maneira

rasante, valorizando os revestimentos de tijolos aparentes e

de madeira. Essa iluminação proporciona aos ambientes luz

indireta e quente, enfatizando a textura e a tonalidade terrosa

dos materiais de acabamento.

As luminárias decorativas – pendentes e arandelas – foram

especialmente desenhadas e produzidas para o restaurante.

Seu aspecto temático e os materiais escolhidos, notadamente

o bronze envelhecido, fazem referência a antigas lanternas

utilizadas em celeiros, reforçando a identidade texana, em

consonância com toda a proposta da arquitetura de interiores,

que cria cenários teatrais. Nas áreas de apoio, as prateleiras e

os balcões foram iluminados com fitas de LED integradas à sua

própria estrutura, iluminando garrafas e outros objetos, além

de complementar a iluminação de serviço nos bares.

Nas áreas externas, os cordões com lâmpadas aparentes têm a

função de expandir o aspecto temático e festivo dos ambientes dos

interiores aos terraços. As pequenas lâmpadas de baixa intensidade

não ofuscam o cenário formado pelo skyline de Dubai. Lanternas

temáticas, em estilo árabe, complementam a iluminação ambiente.

Todos os sistemas descritos combinam várias funções da

iluminação: além do claro partido por uma iluminação teatral,

cuidou-se da iluminação ambiente das mesas e dos balcões;

da iluminação de tarefa nas áreas de serviço, sempre buscando

soluções econômicas do ponto de vista da implantação e do

consumo de energia. O uso de filtros coloridos, assim como

a valorização das texturas e da composição cenográfica do

mobiliário e dos objetos de decoração, foi fundamental na

caracterização dos espaços e na composição de uma forte

identidade para o restaurante.

PERRY & BLACKWELDER’S ORIGINAL SMOKEHOUSE,

Dubai, Emirados Árabes Unidos

Projeto de iluminação:

CD+M Lighting Design Group – Courtney deRoy Mark, Bill Johnson,

Baiju Chaliyil

Projeto de interiores:

The Johnson Studio

Cliente:

Jumeirah Group

Fornecedores:

Birket , LED Inspirations, Lutron, Osram, Rosco , Soraa, Subtle

Essence, Time Square Lighting

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Edifício do Museu do Amanhã, projeto de iluminação do

escritório LD Studio. A iluminação dos planos verticais

internos, assim como a iluminação indireta e difusa do edifício

como um todo, possibilitou acentuar as transparências do

projeto arquiteto espanhol Santiago Calatrava. No topo do

edifício, aberturas luminosas lineares destacam a convexidade

das bossas da cobertura do Museu

A LUZ DO MUSEU

DO AMANHÃ

Texto: Orlando Marques | Fotos: Andrés Otero

De onde viemos? Quem somos? Onde estamos? Para

onde vamos e como queremos ir?

Norteado por essas perguntas desde sempre, nasce

no Rio de Janeiro o Museu do Amanhã com a missão de aguçar

a reflexão sobre o conceito de que escolhas feitas hoje são

responsáveis pela maneira como viveremos o amanhã.

Concebido como um museu de ciência com acervo imaterial,

o Museu do Amanhã tem como objetivo examinar o passado e

apontar possíveis cenários para as próximas cinco décadas, a

partir da investigação de seis tendências: alterações do clima

e da biodiversidade, crescimento da população, aumento da

longevidade, integração e diferenciação de culturas, avanço

da tecnologia e expansão do conhecimento.

O edifício, que é localizado no Píer Mauá, junto à zona portuária

da Baía de Guanabara, faz parte do plano de requalificação

urbana do município do Rio e com o Museu de Arte do Rio

– MAR, vizinho do Museu do Amanhã, compõe alguns dos

equipamentos culturais criados em virtude dos Jogos Olímpicos

que a cidade vai sediar neste ano.

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À esquerda, estrutura

metálica do balanço terra

iluminado de maneira indireta

por meio projetores com

refletores assimétricos para

lâmpadas de vapor metálico

150W e 70W, 3.000K IRC80.

Abaixo à esquerda, teto do foyer

de entrada com superfícies curvas

iluminado de maneira indireta

por meio de luminárias orientáveis

tipo wallwasher para

lâmpadas fluorescentes

tubulares T5 54W 3.000K

IRC80 e reator DALI.

Em seguida, imagem do acesso

ao auditório iluminado por

luminárias com refletor

“Darklight” assimétrico,

embutidas em nichos

integrados à laje, para

lâmpadas vapor metálico

35W 3.000K IRC80.

Na imagem à direita, iluminação

da circulação ao redor do auditório,

iluminada de maneira indireta, por

meio de luminárias integradas em

detalhe na arquitetura

O museu teve projeto do arquiteto espanhol Santiago

Calatrava e projeto de iluminação do escritório carioca LD

Studio, das arquitetas Monica Luz Lobo e Daniele Valle.

Por meio do seu desenho arquitetônico, o edifício procura

explorar a relação entre o a cidade e o ambiente natural. Suas

formas orgânicas, compostas da sobreposição de conjuntos

estruturais constituídos de concreto armado e aço, foram

inspiradas pelas bromélias do Jardim Botânico do Rio de

Janeiro e pela cultura carioca, por meio de sua arquitetura.

Segundo o arquiteto, a ideia é que o edifício pareça etéreo,

quase a flutuar sobre o mar, como um pássaro, um barco ou

uma planta. “Devido à natureza mutante das exposições que

o museu abriga, nós introduzimos uma estrutura arquetípica

no projeto. Esta simplicidade permite a versatilidade funcional

do Museu, capaz de acomodar conferências ou agir como um

espaço de investigação.”

São 5 mil metros quadrados de espaços expositivos

internos, divididos em dois pavimentos. As áreas internas

são constituídas de um grande foyer de entrada, recortado por

acessos ao primeiro pavimento, por meio de amplas escadas

e rampas. No pavimento térreo, encontram-se auditório,

laboratórios, salas de exposição temporárias, café, loja e

ambientes administrativos e técnicos. O pavimento superior

foi destinado inteiramente à exposição permanente do Museu,

ambiente este batizado de nave.

48 49


Acima à esquerda, para iluminação indireta

do teto curvo da circulação do auditório,

nichos em formato de cunhas, embutidos na

parede curva, foram criados com a finalidade de

integrar luminárias tipo wallwasher para lampadas

vapor metálico 35W 3.000K IRC80, com refletor

assimétrico com tecnologia Spherolit e lentes

também wallwasher, As luminárias são fixadas na

base da parte interna da cunha, voltadas para cima.

Nas imagens seguintes, circulações. Com intuito

de enfatizar a linearidade da arquitetura, sistema

linear customizado para iluminação difusa, com

montagem lâmpadas fluorescentes tubulares T5

28W 3.000K IRC80 e difusor de acrílico translúcido

moldado de acordo com inclinação das paredes/

tetos do projeto de arquitetura. O sistemas é fixado

junto às grelhas de ar-condicionado. Nas rampas e

nas escadas, iluminação integrada nos corrimões

com fitas de LED IP67 3.000K 350lm/m linear.

Integradas em nichos na arquitetura e distribuídas

linearmente ao longo das circulações, luminárias

circulares embutidas com refletor assimétrico e

lâmpadas de vapores metálico 150W 3.000K IRC80

para iluminação das circulações (imagem do meio)

e paredes (imagem à direita). Abaixo, iluminação

do auditório por meio de luminárias embutidas

no forro com refletor simétrico na área da plateia

e assimétrico tipo wallwasher na área do palco.

Ambas com tecnologia LED 1.920lm (80lm/W)

3.000K. Nas paredes curvas, por trás do ripado

vertical de madeira e difusor translucido, iluminação

tipo backlight por meio de luminária linear com

facho simétrico fechado com 9º

Inspirado pelos movimentos de uma partitura musical,

alternando entre momentos intensos e suaves, o percurso

narrativo da expografia é dividido em cinco grandes áreas.

O percurso começa pela área “Cosmos” – “De onde

viemos?” –, representado por um grande ovo negro, com

projeção de um filme no seu interior. Em seguida continua

pelo espaço “Terra”– “Quem somos?” –, dividido em três

dimensões: “Matéria”, “Vida” e “Pensamento”, materializados

por três grandes cubos. Segue então pelo “Antropoceno” –

“Onde estamos?“ – por meio imagens em seis grandes totens

de 10 metros de altura. O espaço “Amanhãs” – “Para onde

vamos?“ – se desdobra em uma grande estrutura de origami.

O espaço final do percurso é destinado à área “Nós” – “Como

queremos ir?“ –, materializada em forma de uma oca, onde

é apresentado o único objeto do museu, cercado por numa

experiência de som e luz.

As áreas externas contam com 7,6 mil metros quadrados

de praças ao redor do edifício e são marcadas por dois grandes

balanços de estrutura metálica em suas extremidades, com a

finalidade de acentuar seu comprimento e reforçar sua relação

entre o mar e a cidade.

Jardins projetados pelo Burle Marx Escritório de Paisagismo e

espelhos d’agua abastecidos pelas águas da Baía de Guanabara,

completam o programa do projeto.

Com o intuito de preservar as vistas ao edifício barroco

do Mosteiro São Bento, Patrimônio Cultural da Humanidade

da Unesco, a altura do Museu do Amanhã foi limitada a

apenas 18 metros.

50 51


Na exposição permanente,

iluminação indireta do

percurso da expografia

desde a área “Cosmos” –

imagem à direita nesta página

– por meio de luminárias

orientáveis tipo wallwasher

para lâmpadas fluorescentes

tubulares T5 54W 3.000K

IRC80 e reatores DALI. Para

homogeneizar a base dos

fachos dos projetores nas

superfícies curvas do teto,

foram utilizadas luminárias

com difusor translúcido para

lâmpadas fluorescentes T5

28W 3.000K IRC80 e reatores

DALI. Abaixo, cubo “Matéria”

do segmento “Terra”. No seu

interior, instalação do artista

plástico norte-americano

Daniel Wurtzel, iluminada

por luminária embutida no

forro do cubo para lâmpada

halógena MR16 3.000K

IRC100. A dança do tecido

criado pelo artista representa

os movimentos dos mares,

da terra, do ar e a enorme

velocidade da luz do sol

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Nesta página, na parte interna do cubo “Vida”, ainda no segmento Terra, a iluminação é composta de projeções de vídeo

na parte superior das paredes e iluminação backlight por meio de módulos de LED 63lm 4.000K IRC80 na parte inferior.

No cubo “Pensamento”, painéis iluminados por meio de backlight por projetores de facho simétricos de 14º para LED

4.000K 56lm. Na imagem seguinte à direita, a área do “Antropoceno” da exposição permanente, traz totens gigantes

com painéis de LED multimídia, montados no lado interno dos totens, e iluminação tipo backlight na sua base, em espaço

chamado de caverna

Com conceito simples e funcional, desenho sofisticado e

rigor técnico, o projeto de iluminação procurou evidenciar o

caráter escultórico da arquitetura, iluminando suas superfícies

e seus ambientes homogeneamente, de modo a fornecer níveis

de iluminação confortáveis aos usuários. “Devido às formas

orgânicas do projeto, os planos horizontais e verticais dos tetos e

das paredes do museu muitas vezes se fundem, criando ambientes

únicos e altamente complexos se iluminar uniformemente”,

explica Monica Luz Lobo, diretora criativa da LD Studio.

O projeto combinou três diferentes tipologias de luz: iluminação

indireta, iluminação difusa e iluminação direta uniforme, com a

intenção de explorar a volumetria dos ambientes e as propriedades

dos acabamentos de suas superfícies, nesse caso, favoráveis à difusão

da luz no espaço em razão de suas tonalidades de cores claras.

Para isso, nas áreas de circulação e acessos – os quais constituem

boa parte dos espaços públicos do museu – foram utilizadas

luminárias com facho assimétrico para iluminação indireta das

superfícies curvas do teto e iluminação homogênea do ambiente;

iluminação indireta tipo wallwasher para os planos verticais das

paredes em algumas extensões do edifício e para o piso em

outras. Essa solução visa também enfatizar a compreensão do

edifício por meio das transparências das fachadas.

Com intuito de enfatizar a linearidade do edifício, foram

projetados sistemas lineares customizados, tanto embutidos em

corrimões para a iluminação das escadas e das rampas, quanto

embutidos no forro com difusor translúcido, para iluminação difusa.

Na nave, onde encontra a exposição permanente, a solução

foi utilizar uma combinação de luminárias orientáveis com

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Acima, a área “Amanhãs” da exposição permanente, suporte se desdobra em uma grande estrutura em formato de origami. Além da iluminação

indireta do teto curvo, o espaço é iluminado por módulos de LED fixados atrás de difusores translúcidos nos planos que definem a espessura da

estrutura, voltados para baixo ou para cima. Na página seguinte, “Nós”, a última área do percurso da exposição permanente apresenta uma

experiência sensorial assinada pela arquiteta Mônica Luz Lobo, o designer Muti Randolph e o compositor Lucas Marcier. Mais de mil fontes de

luz pulsam e mudam de cor em tonalidades que lembram o nascer e o pôr do sol, fixados na estrutura de madeira batizada de oca. Foram

utilizadas montagens para 1, 2 ou 3 lâmpadas MR16 LED RGB 151lm 30° com grelha antiofuscamento. Para ocultar as montagens na

estrutura, foi utilizado sistema de pás metálicas que se ajustam de acordo com as geometrias de cada losango da estrutura. No centro da

oca, o único objeto físico da exposição permanente do museu, a Churinga. Pertencente à cultura aborígine australiana, o objeto representa

o conhecimento passado através das gerações. A iluminação procurou destacar as inscrições talhadas na madeira, por meio de luminárias

orientáveis para lâmpadas MR16 LED 26° e grelhas antiofuscamento embutidas na base do suporte

facho simétrico e fonte difusa e luminárias com visor em acrílico

translúcido para iluminação indireta e difusa do teto escultórico.

Todas as luminárias foram equipadas individualmente com sistema

DALI para controle das intensidades de luz ao longo da exposição

permanente. Dessa forma, o projeto assegurou que tanto os

elementos que compõem a museografia quanto o ambiente,

fossem percebidos em equilíbrio, sem que se sobrepusessem.

A pedido do projeto de arquitetura, ficou também estabelecido

que todas as luminárias deveriam parecer integradas à malha

arquitetônica, com o intuito de permitir uma leitura dos espaços

e suas superfícies livres de interferências. Para isso, foram criados

diferentes tipos de nichos, recessos e diversos detalhes de

iluminação integrados à arquitetura, cujas geometrias foram

elaboradas em conjunto com o escritório de Calatrava.

O desafio, no entanto, estaria em estabelecer com precisão

uma distribuição dos pontos de luz a serem embutidos nas

superfícies de concreto, material que constitui boa parte dos planos

das áreas internas do edifício, não permitindo, posteriormente,

qualquer ajuste no projeto luminotécnico.

Nas áreas externas, os marcantes balaços terra – em frente

à Praça Mauá – e mar – em frente à Baía de Guanabara – foram

iluminados com luminárias assimétricas indiretas, para ressaltar

o desenho orgânico da estrutura metálica, e luminárias de facho

assimétrico para baixo, a fim de iluminar o piso de maneira a

acentuar a leveza da arquitetura na sua implantação.

Finalmente, para a iluminação das circulações das áreas

externas de paisagismo, balizadores de pequenas dimensões – de

maneira a não interferir na percepção do edifício e do projeto de

paisagismo – e iluminação linear sob o banco junto ao espelho

d’agua, destacam sutilmente o piso e orientam o percurso.

56 57


Acima, imagem da circulação externa

iluminada de maneira indireta da mesma

forma que na circulação do auditório.

Marcadores embutidos no piso para

LED 130lm 3.000K e visor translúcido

orientam os acessos juntos ao espelho

d’água. Nos espelhos d’água, projetores

subaquáticos para LED 1W 30° 4.000K.

Ao lado, cafeteria com fachada destacada

por meio da montagem de lâmpadas

fluorescentes 28W e 14W 3.000K IRC80

sobre acrílico translúcido, seguindo o

desnível na parede e junto ao caixilho

superior da entrada. Dentro do café,

luminária linear difusa para lâmpadas

fluorescentes embutida no forro. Na parte

superior do painel de madeira, montagem

com perfil metálico e difusor translúcido

para fita de LED 3.000K. Para completar,

luminárias decorativas tipo arandelas para

iluminação direta das mesas. Na página ao

lado, iluminação indireta para a estrutura

do balanço mar e iluminação sob o banco,

seguindo o conceito para destaque da

linearidade do edifício

MUSEU DO AMANHÃ

Rio de Janeiro

Projeto de iluminação:

LD Studio: Monica Luz Lobo e Danielle Valle (Arquitetas Titulares)

e Julien Caquineau (Arquiteto Coordenador), e Marília Saccaro,

Pedro Tessarollo, Daniela Meneghelli (Arquitetos Colaboradores)

Projeto de arquitetura:

Santiago Calatrava

Projeto local de arquitetura:

Ruy Rezende Arquitetura

Concepção museográfica:

Ralph Appelbaum

Projeto de museografia:

Andrés Clerici

Cliente:

Prefeitura do Rio de Janeiro

Realização:

Fundação Roberto Marinho

Fornecedores:

Alper, Andratti, Ares, Bega, Cia da Iluminação, Comlux, Cortelux,

Dimlux, Erco, GE, IGuzzini, Itaim, Light Space, Lemca, Lumini, Luz

Carioca, Osram, Philips, Schréder, Traxon

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Especialmente desenhada para o restaurante, a luminária escultórica que se sobrepõe ao salão principal é formada por poliedros regulares

de tamanhos variados, feitos de metalon industrial. Alguns deles foram integrados com lâmpadas LEDs PAR 30 10.5W 2.700K. Assim

como o teto, as luminárias foram pintadas de preto para tornar o espaço mais intimista. A atmosfera aconchegante é intensificada por

soluções de iluminação indireta por meio de fitas de LED 4W/m 2.700K integradas a detalhes no bar e sushibar

ACOLHIMENTO PELA LUZ

Texto: Valentina Figuerola | Fotos: Jesus Chuseto

A

atmosfera aconchegante que caracteriza o restaurante

Kitaro, situado em um shopping de São Luís, no Maranhão,

é proporcionada pela arquitetura de interiores que prioriza

acabamentos de materiais neutros, como a madeira, a pedra, o aço

o corten e o cimento. O projeto de iluminação, feito pelas lighting

designers Caroline Buhatem e Fabiana Moraes Rêgo, reforça a ideia

de acolhimento ao privilegiar uma luz de tonalidade branco quente

que valoriza a decoração do restaurante especializado nas culinárias

japonesa e contemporânea. A integração da luz com a arquitetura

de interiores é outro aspecto favorecido pela dupla, que optou por

equipamentos dimerizados e controlados por automação para gerar

cenas de iluminação específicas.

O projeto tira partido do pé-direito generoso para criar, no teto, uma

escultórica luminária formada por poliedros regulares de tamanhos

variáveis, alguns deles integrados com lâmpadas LED que permitem

modificar a iluminação do espaço em razão da atmosfera desejada.

Pintado de preto fosco, assim como todo o teto, o elemento de

iluminação atrai a atenção dos clientes. “Quisemos proporcionar

aos frequentadores do restaurante uma experiência única através

da luz”, afirma Caroline.

Com linhas retas e puras, luminárias pendentes interagem de

forma harmônica com a luminária escultural. “Ao emitir uma luz

que é ao mesmo tempo direta, indireta e difusa, o equipamento

atende às eventuais mudanças na distribuição das mesas sem

que a eficiência luminosa fique comprometida”, diz Caroline.

Projetores tipo spots com lâmpadas refletoras embutidos em

rasgos retangulares no forro, complementam a iluminação

proporcionada pelas pendentes.

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Acima, embutidas no forro, luminárias circulares orientáveis e dimerizáveis de LED PAR16, 5W 2.700K, evidenciam a “divisória-

-jardim” que separa os ambientes sem obstruir a visibilidade entre eles. No bar, as fitas de LED 4W/m, 2.700K valorizam o

plano frontal da bancada e as prateleiras com bebidas. Na estante de madeira, o mesmo tipo de solução destaca seus objetos.

Na página ao lado, o projeto de iluminação busca integrar-se ao de arquitetura por meio de soluções como a luminária

escultórica preta e a divisória vazada, feita com colunas estreitas de aço corten em que se destacam pequenas luminárias de

LED 2W 2.700K. Os detalhes luminosos seguem a inclinação da escada que conduz ao salão do segundo pavimento, onde

a maior parte da iluminação é indireta, proporcionada pelos rasgos verticais com lâmpadas de LED 4W, 2.700K e pela fita

de LED integrada à sanca na linha do forro, que destaca o pilar revestido de madeira. As duas estações para teppanyaki são

diretamente iluminadas por projetores com lâmpadas PAR 16 5W 2.700K dimerizáveis

A escultórica luminária que se funde ao teto preto revela a intenção

do projeto de iluminação de se integrar ao de arquitetura. Os delicados

detalhes luminosos integrados às colunas de aço corten, que compõem

a divisória que separa o salão principal da escada que conduz ao

segundo pavimento, também buscam a integração por meio da

iluminação. Em pares, os detalhes seguem a inclinação da escada,

numa clara intenção de interagir com os elementos arquitetônicos

do projeto, sem interferir na permeabilidade visual entre os espaços,

um dos conceitos explorados pelo arquiteto Antônio Macedo ao

desenvolver o projeto de interiores.

Coerente com a proposta arquitetônica, a “divisória-jardim” separa

o buffet de comidas da área de mesas sem obstruir a visibilidade

entre os espaços. O elemento recebe luz de destaque de luminárias

circulares orientáveis e dimerizáveis embutidas no forro. “Assim

como em quase todo o projeto, usamos lâmpadas de LED que não

esquentam. Isso era importante para não prejudicar ou danificar a

vegetação da divisória-jardim”, explica Carolina.

O principal desafio enfrentado pelas lighting designers foi

desenvolver um projeto de iluminação contemporâneo que

usasse a variação de luz para criar atmosferas que impressionam,

com um custo reduzido. Outro objetivo do projeto foi a busca

“sustentabilidade inteligente”, conceito ao qual Caroline se

refere como o “equilíbrio perfeito entre a eficiência energética,

a qualidade luminosa e a conforto”.

No bar, fitas de LED foram utilizadas para destacar o plano

frontal da bancada e as prateleiras com bebidas. O mesmo tipo

de equipamento foi empregado no sushibar, evidenciando as

placas de cimento quadradas que revestem a parede de fundo e

a frente da bancada, sobre a qual ficam pendentes de vidro fumê

preto com lâmpadas de filamento de carbono com visual retrô.

Decorativos e funcionais, os pendentes, quando dimerizados,

emitem uma luz suave e quente, com um tom alaranjado, que

agrada às pessoas sentadas ao balcão. “A luz é uma linguagem

que comunica e transmite emoção. Cria ambientes e sobretudo

interfere no nosso estado de ânimo”, complementa Caroline.

RESTAURANTE KITARO

São Luís, Maranhão

Projeto de iluminação:

Caroline Buhatem Arquitetura, Interiores e Iluminação

Projeto de arquitetura:

Alexandra Barbosa

Projeto de interiores:

Antônio Macêdo

Fornecedores:

Centro Elétrico, Dimlux, Iluminar, Luzzare, Philips

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A NOVA PAISAGEM

NOTURNA DE ÁVILA

Texto: Gilberto Franco | Fotos: Carlos Cazurro

A nova iluminação pública da cidade de Ávila foi dividida em áreas conforme seu significado histórico. Internamente, na área

preservada, LEDs 2.700K

Área intramuros iluminada com arandelas fixadas por braços nas paredes dos edifícios (LED 2.700K), perfeitamente integradas

ao ambiente. Toda a iluminação é voltada ao hemisfério inferior. A luz que emana dos estabelecimentos comerciais será objeto

de regulação futura, de modo a interagir positivamente com a iluminação das ruas. À direita, a iluminação pública, com suas

nuances, submerge o ambiente numa aura de mistério e permite que se vejam as estrelas

Ávila é uma cidade de origem hispano-romana (séc. IV)

com 60 mil habitantes, localizada a aproximadamente

100 km a noroeste de Madri. Teve três períodos

importantes em sua história: o quarto século, do qual pouco

resta; o século XII, com a construção de uma muralha que a

circunda – além de diversas igrejas românicas –; e o século

XVI, quando foram erguidos palácios renascentistas.

Em 1985 foi inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da

Unesco, que a caracterizou, entre outros aspectos, "como

um exemplo de cidade fortificada, de muralha totalmente

preservada, e com uma densidade de monumentos civis e

religiosos de valor extraordinário".

Além do valor individual da muralha e dos monumentos,

reconhece-se também a cidade por seu patrimônio imaterial:

costumes, tradições, valores, aspectos culturais. A filosofia de

conservação deste patrimônio, aliada à necessidade de ordenação

do desenvolvimento, já vinha sendo adotada nas últimas décadas

no âmbito do urbanismo. Fortuitamente, com a busca por maior

eficiência energética, surge a oportunidade de incorporar os

mesmos critérios ao sistema de iluminação da cidade.

Assim, o projeto em curso “A nova paisagem noturna de Ávila”

envolve a renovação de toda a iluminação pública da cidade, intra e

extramuros, abrangendo vias, praças, monumentos, igrejas, além, é

claro, da própria muralha. A iluminação passa a ser entendida como

um elemento de melhoria da vida dos cidadãos, capaz até mesmo de

agregar valor turístico à cidade, movimentando, assim, sua economia.

Dentre os vários desafios e objetivos enfrentados pela equipe

multidisciplinar que desenvolveu o projeto, podemos incluir:

- O entendimento das necessidades de iluminação, presentes

e futuras, dos diferentes grupos – moradores, comerciantes,

hoteleiros, etc.;

- A melhoria da eficiência na instalação existente – o que

incluiu uma grande simplificação e padronização dos

equipamentos e dos acessórios utilizados;

- O aumento do conforto noturno e a restauração da percepção

do céu estrelado;

- O incentivo ao usufruto e à preservação do patrimônio

material e imaterial.

Faz parte também do processo global a permanente obtenção

de recursos financeiros para a execução das ideias, além da

implantação de um eficiente plano de comunicação de modo

a divulgar amplamente as transformações ocorridas.

A equipe percebeu estar diante de uma grande oportunidade.

“A iluminação, atmosferas, cenas da noite na cidade são um

ativo muito poderoso, e pouco explorado até hoje por seus

habitantes, comerciantes ou turistas – o que pode conferir

à cidade uma grande vantagem competitiva sobre outras

vizinhas”, esclarece Rafael Gallego da Aureolighting, autor do

projeto e encarregado de traduzir em luz os insumos inputs

trazidos pela equipe multidisciplinar.

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Durante o dia, uma paisagem

contrastada à moda de De

Chirico. À noite, é o olhar do

lighting designer que define

a cena. Não da forma óbvia,

de iluminar “mais” o que é

mais importante – e sim

dando mais contraste

ao elemento principal,

realçando-lhe partes, e

mudando-lhe a tonalidade.

Na imagem à esquerda, a

iluminação desta fachada

a faz emergir sutilmente da

parede. Ao fundo, mistério.

Na próxima página, área de

expansão iluminada com

fontes LED 4.000K, com a

muralha ao fundo iluminada

com fontes LED 2.700K, cujas

torres têm um leve destaque

em relação ao conjunto

OS QUATRO ÂMBITOS

Durante o processo, e graças às ações coordenadas da

equipe, grupos externos adicionaram-se ao projeto, tais como

empresas de turismo, faculdades locais, fotógrafos, associações

hoteleiras, jornais locais, lighting designers, de modo a gerar o

que denominaram uma “estratégia lumínica” tão completa quanto

possível, recolhendo diferentes necessidades e insumos dos

habitantes. Tal estratégia traduziu-se por fim em um Masterplan

de iluminação dividido em quatro âmbitos de atuação:

1. Funcional: iluminação das vias públicas. Obedeceu a

diferentes critérios, conforme a região da cidade. A região antiga,

intramuros, recebeu iluminação com fonte de luz LED 2.700K.

A primeira expansão da cidade, fora dos limites da muralha,

recebeu iluminação em 4.000K, também de LED. Expansões

contemporâneas receberam vapor de sódio 2.200K. Em todos os

casos, as luminárias não têm emissão luminosa para o hemisfério

superior e possuem um sistema de regulação que permite diminuir

o fluxo luminoso em horários de menor uso ou necessidade. Essa

etapa está 100% concluído.

2. Ornamental: iluminação dos muros, dos monumentos,

das praças e dos jardins. Está prevista a iluminação de mais de

50 monumentos e seus arredores, além da muralha, símbolo da

cidade, com mais de 2.500 m de extensão, 88 torres e 9 portões;

dez desses monumentos, bem como um trecho da muralha, já

haviam sido executados até meados de 2015. Faz parte do plano a

obtenção de recursos permanentes para a realização dos demais.

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Nas páginas anteriores, iluminação “metonímica” dos

monumentos: partes que definem o todo. Na sequência

de imagens à esquerda, monumentos de valor hierárquico

alto recebem iluminação mutável, uma forma de ampliar

sua atratividade. Mas nunca se tem o todo iluminado – os

elementos destacados se intercalam no tempo como notas

numa música

3. Lúdica: iluminação esporádica, usada em datas ou períodos

relevantes como Natal, férias escolares, etc. O Masterplan prevê

a realização de intervenções em diferentes ambientes da cidade,

com caráter de espetáculos de luz e/ou multimídia, como modo

complementar de “alavancar” o interesse pela cidade.

4. Comercial: iluminação proveniente de áreas privadas,

mas que interfere ativamente no espaço público, como vitrines,

luminosos, displays, etc. O Masterplan determina que se possa

ter controle disso através de regulamentação municipal, de

modo que sua interferência seja uma contribuição, e não um

ruído dentro do plano geral.

Fundos da Basílica de San Vicente, junto às muralhas, com suas nuances de luz

OS PRINCÍPIOS DO MASTERPLAN

Gallego, para nortear as ações em cada um desses quatro

âmbitos, definiu os seguintes princípios:

A Beleza – “assim genérica e com maiúscula. Não a beleza

subjetiva de cada um, mas aquela em seu sentido mais clássico:

proporções, hierarquias, ordem...” (palavras do autor);

A Natureza – aqui aludindo à mutabilidade da luz ao longo

do dia, das estações do ano, etc. (inclusindo a visualização das

estrelas);

A Sombra – ou melhor, o contraste, a oposição luz-sombra,

como forma de tornar os ambientes mais atrativos;

O Conforto – “o ofuscamento é uma agressão”, resume Gallego;

A Eficiência – não apenas dos equipamentos, mas do projeto,

colocando a luz apenas onde se necessita dele;

A Visualização – a compreensão de que os monumentos

se veem desde diferentes pontos de vista, e de diferentes

distâncias. Cada monumento deve ocupar um lugar na hierarquia

de importâncias. E isso também se passa com os elementos de

uma fachada ou edificação;

A Originalidade – como elemento agregador de valor.

OS BENEFÍCIOS:

Mas a parte mais entusiasmante do projeto é a constatação

de seus resultados. No âmbito da energia trabalha-se com

economia entre 48% e 77%, o que serve como motor econômico

para os sucessivos investimentos, incluindo os na iluminação

monumental. A presença de um “ambiente noturno” controlado

e de qualidade faz aumentar o número de pernoites turísticos

em hotéis, incrementando a economia local, além de estimular

transmissões televisivas de cerimônias – como procissões

religiosas noturnas, impulsionadas pela qualidade da luz existente.

É notável também o aumento da “autoestima urbana”, se se

quiser chamar assim, o que retroalimenta o processo. A vida ao

entardecer, em longos dias de verão, tornou-se mais agradável

e frugal, bem como nas temporãs noites de inverno.

“El patrimonio no son solo piedras. El patrimonio inmaterial:

costumbres, carácter local, tradiciones, valores, aspectos culturales,

personajes… también han de ser reconocibles en la iluminación. ”

“Cuando cambias la iluminación de la Ciudad, cambias la vida

de sus habitantes” (R. Gallego)

PLANO DIRETOR DE ILUMINAÇÃO DE ÁVILA

Ávila, Espanha

Projeto de iluminação:

Rafael Gallego / AUREOLIGHTING

Execução:

Eulen S.A.

Fornecedores:

Philips, IGuzzini

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OBJETIVIDADE LINEAR

Texto: Débora Torii | Fotos: Demian Golovaty

Na imagem à esquerda, elemento denominado “Greeter”, que saúda os clientes ao entrar na loja. Sobre ele, forro revestido com

material reluzente preto, com diversos pendentes circulares, trazem a ilusão de uma claraboia artificial nele recortada. Ao seu redor,

projetores orientáveis embutidos, com lâmpadas de vapor metálico, fazem a iluminação de destaque, complementados por uma

sanca indireta em todo o perímetro do forro metálico, com lâmpadas fluorescentes tubulares T5. Em seguida, com leitura similar

à do “Greeter”, o forro sobre o balcão denominado “Fashion Hub” – destinado à venda de telefones celulares – também propõe a

ilusão das falsas claraboias. Porém, dessa vez sem destaque no perímetro, o nicho para os pendentes acontece diretamente no forro

de gesso branco. Por último, o sistema linear instalado no forro visa orientar o percurso dos clientes no interior da loja. A modulação

das calhas metálicas, embutidas no forro de gesso foi definida em módulos de 1,25 metros, de forma a possibilitar a utilização tanto

de luminárias difusas com lâmpadas fluorescentes tubulares T5 quanto de trilhos eletrificados com 1 metro de comprimento, que

recebem projetores para lâmpadas vapor metálico com facho de 24°. Toda a iluminação foi mantida em temperatura de cor branco

quente 3.000K, seguindo parâmetro já utilizado anteriormente pela marca, além de visar a minimização de contrastes pela grande

presença de elementos pretos e brancos no forro

Consolidada como uma das maiores redes de varejo de

moda do Brasil, com 285 lojas em diversos estados,

a Riachuelo recentemente deu início a uma grande

reformulação de sua marca, promovendo uma renovação em

sua identidade e sua comunicação visual. Como consequência,

o design do interior das lojas também passou por uma grande

repaginação, o que os levou a contatar, no final do ano de

2014, o escritório paulistano Lit Arquitetura de Iluminação,

das arquitetas Cláudia Borges Shimabukuro e Letícia Mariotto,

com a missão de apresentar um novo conceito para o projeto

de iluminação.

Inicialmente requisitadas para trabalhar em um novo projeto

para a unidade do Shopping Vila Olímpia, em São Paulo, na

qual iniciaram seus estudos, decidiu-se posteriormente que a

loja do Shopping Iguatemi, em Fortaleza, seria o projeto piloto.

Em um processo bastante rico e complexo,em razão da

extensa área da loja – 3.800m 2 apenas de área de salão – e do

enxuto cronograma – a primeira fase da obra seria inaugurada

em março de 2015 –, as lighting designers optaram por uma

abordagem minimalista, conforme descrevem em sua filosofia

de projeto: “consideramos que a nossa disciplina, assim como

qualquer outra, não funciona dissociada, do todo e a ideia é

que a integração entre os projetos permita cada vez menos a

interpretação dos seus elementos de forma isolada”.

Dessa forma, houve intensa cooperação entre as disciplinas

Luminotécnica e Arquitetura, que ficou a cargo do escritório

FAL Design Estratégico, responsável também pelo projeto de

interiores, incluindo o novo mobiliário.

O design bastante sutil, transparente e leve do projeto de

Arquitetura permitiu às lighting designers pudessem criar um

desenho de teto com identidade própria, fator que reconheceram

como uma necessidade, de maneira a impedir que um ambiente

tão extenso se tornasse monótono ou confuso.

Essa cooperação possibilitou ainda que o projeto luminotécnico

incorporasse também ao forro da loja a nova identidade da marca,

elemento que as lighting designers julgaram ser bastante forte,

introduzindo componentes de grande impacto visual, fortemente

integrados à Arquitetura. Apesar disso, uma preocupação de

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Os perímetros das Lojas Riachuelo geralmente apresentam um

desnível em relação ao pé direito geral, sendo cerca de 20cm mais

altos. Tirando partido desse elemento, as arquitetas propuseram que

esse forro elevado fosse todo pintado na cor preta fosca, fazendo com

que desaparecesse em perspectiva e possibilitasse esconder, atrás

da aba de forro mais baixo, toda a linha de luminárias assimétricas

com lâmpadas T5, complementadas por projetores para destaque

dos produtos. Assim, os limites verticais da loja aparecem sempre

iluminados, sem que as fontes luminosas sejam vistas. Na imagem do

meio, vista do caixa ao centro da loja, ponto para o qual todos os eixos

convergem. Para garantir sua visibilidade e criar referências visuais

que setorizem tamanho espaço do salão, o forro de gesso desse local

foi rebaixado e pintado na cor preta fosca. Uma linha contínua de

luminárias difusas, com lâmpadas T5, foi embutida sobre os balcões

e outra, mais espaçada, sobre o local das filas. Em referência ao

“Greeter” da entrada, uma sanca indireta em todo o perímetro do

forro complementa o conceito. Por fim, a marcação diferenciada no

piso do setor de jeans, proposta pela arquitetura, foi replicada no

forro, no qual há um desnível. Foi escolhida uma cor intermediária

entre preto e branco, o cinza, para sua pintura. Luminárias pendentes

lineares difusas, na cor preta, com lâmpadas T5, foram distribuídas

nesse local, em uma conformação bastante gráfica e em altura mais

baixa do que o pé-direito da loja, possibilitando que sejam notadas

de diversos pontos de vista. A iluminação de destaque desse setor é

proveniente dos projetores instalados nas calhas do forro mais baixo,

em todo o seu perímetro

Cláudia e Letícia foi que a iluminação não gerasse ruído visual,

mas sim contribuísse para ressaltar o que realmente deveria

ter destaque, além de ajudar a orientar e organizar visualmente

o espaço, em virtude da diversidade de setores da loja e de

extensa variedade de produtos oferecidos. Uma solicitação

da própria Riachuelo foi que a iluminação potencializasse as

operações da loja pela valorização dos produtos, contribuindo

para a obtenção de uma correta hierarquia visual.

Para a composição do conceito, as lighting designers

definiram ainda algumas outras premissas que viriam a

guiar todo o projeto: como base, uma iluminação uniforme e

permanente de todo o perímetro, de forma a assegurar que essas

superfícies verticais estivessem sempre iluminadas, sem que

fosse necessária a realização de focalização de equipamentos

(tarefa que poderia ser facilmente esquecida em um espaço

tão grande); a adoção de um princípio de modulação dos

equipamentos de iluminação, de maneira a reduzir a variedade

de tipologias dos elementos presentes no forro, de acordo com

sua abordagem minimalista; a simplificação da manutenção,

possibilitada pela utilização de apenas dois tipos de fontes de

luz, sempre com a mesma temperatura de cor e dotados de IRC

elevado. Foi necessário considerar também a solicitação do

cliente de que os níveis de iluminância das novas lojas fossem

incrementados, de forma geral, com relação aos existentes

atualmente nas demais unidades da rede.

Unindo essas premissas ao desejo de criar um desenho

de teto, as lighting designers idealizaram um sistema linear,

composto de calhas metálicas modulares com acabamento

preto fosco – em referência à nova identidade visual da rede

–, embutidas em nichos no forro de gesso, nas quais podem

ser instalados três tipos de equipamentos: trilhos eletrificados

para projetores, luminárias difusas para iluminação geral

e luminárias assimétricas para iluminação das superfícies

verticais no perímetro do salão.

Por se tratar de um sistema customizado, foi necessário que

os equipamentos passassem por uma profunda avaliação técnica,

realizada por meio de cálculos luminotécnicos detalhados. Além

disso, também foram solicitados protótipos, para que pudessem

ter seus desempenhos e os acabamentos testados, avaliados e

aprovados em conjunto com a equipe da Arquitetura e com o

departamento de Arquitetura e Engenharia da própria Riachuelo.

A implantação do novo projeto na loja de Fortaleza ocorreu em três

fases, permitindo que a loja pudesse continuar funcionando durante

toda a obra. Segundo as arquitetas, esse processo funcionou como

um verdadeiro mock up em escala 1 : 1, no qual as soluções definidas

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Como o caixa, outros elementos de

referência presentes na loja são os chamados

Hot Points, localizados em algumas

confluências de percursos do espaço, nos

quais há manequins e produtos expostos.

Caracterizados como pontos focais da loja,

o forro sobre esses elementos é também

rebaixado e pintado na cor preta fosca,

marcado por uma sanca indireta em seu

perímetro. Sob ele, um conjunto de quatro

trilhos eletrificados possibilita a instalação de

projetores com lâmpadas de vapor metálico,

para iluminação de destaque dos produtos.

A seção do Espaço Casa, encontra-se

separada do restante do salão da loja, cuja

entrada é delimitada por um pórtico. Em

razão do pé-direito mais baixo nesse setor

e de maneira a remeter a uma ambientação

decorativa, como a de uma residência, as

lighting designers optaram pela utilização

apenas de equipamentos embutidos no forro

de gesso nesse ambiente, porém seguindo

as mesmas tipologias utilizadas no restante

da loja. Nas vitrines foi mantido o conceito

anterior já implantado, com iluminação da

linear para a superfície vertical ao fundo,

complementada por luminárias orientáveis

embutidas no forro, para iluminação frontal

dos manequins

em projeto puderam ser avaliadas após a conclusão da primeira

etapa, permitindo, assim, que fossem identificadas e providenciadas

as modificações necessárias para a otimização da sua implantação

durante as próximas duas fases.

Além de proporcionar flexibilidade na instalação das

luminárias – que não são do tipo plug and play, mas podem

facilmente ser reposicionadas nas calhas – emeventuais

mudanças de layout, o sistema também foi pensado para

permitir que as inevitáveis evoluções tecnológicas fossem

possíveis sem a necessidade de alterações no conceito ou

no desenho de iluminação já implantados, com tecnologias

convencionais, nas primeiras lojas reformadas.

Conforme previsto – porém de maneira muito mais rápida

do que o imaginado – os projetos para algumas das outras

unidades da rede, desenvolvidos após a finalização da loja

de Fortaleza, já tiveram suas fontes substituídas, quase na

totalidade, por equipamentos com LEDs, e ainda mantendo

íntegro o mesmo conceito de iluminação. Uma prova do sucesso

do partido coerente, objetivo e esquemático desenvolvido

pela Lit.

LOJA RIACHUELO

Shopping Iguatemi Fortaleza

Projeto de iluminação:

Lit Arquitetura de Iluminação

Cláudia Borges Shimabukuro e Letícia Mariotto, arquitetas

titulares. Rosangela Nunes de Matos e Marina Costa de Moura,

colaboradoras

Projeto de arquitetura:

FAL Falzoni Alves Lima Design Estratégico para Varejo

Riachuelo engenharia & arquitetura:

Eduardo Trajano e Euclides Gonçalves

Fornecedores:

Itaim Iluminação

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PRODUTOS

COLEÇÃO DESAPEGO

Produzida pela brasileira Luxion Iluminação, a coleção

Desapego é composta de luminárias modulares, parcialmente

embutidas, que podem ser instaladas tanto no forro quanto

em paredes de gesso acartonado. Desenvolvidas por Roque

Frizzo, as luminárias são confeccionadas em chapa de metal

com pintura acetinada e utilizam fonte direcionável de LED. As

placas de acabamento, fixadas por meio de ímãs, são quadradas

e pintadas na cor branca, podendo ser fornecidas em três

modelos: totalmente plana, curvada na diagonal e curvada

paralelamente. A coleção é composta de peças individuais e

conjuntos de quatro, seis, nove e doze elementos, possibilitando

uma infinidade de composições.

luxion.com.br

SKYLIGHTS

A linha de luminárias produzida pela Vibia se inspira no

clássico elemento da arquitetura para simular a luz do dia através

da iluminação artificial. Os produtos são subdivididos em quatro

coleções, todos utilizando LEDs: Up, desenhada por Ramos &

Bassols, é composta de peças circulares ou retangulares aplicadas,

com altura final de 7 centímetros e iluminação difusa; Link XXL,

criação do designer Ramón Esteve, disponível em quatro opções

com diferentes dimensões e alturas, todas de sobrepor e com

iluminação indireta; Big, criada pelos designers Lievore Altherr

Molina, é apresentada em quatro diferentes diâmetros, todos com

iluminação difusa uniforme, em versões embutidas, aplicadas e

pendentes; e Plus, com desenho de X. Claramunt & M. de Mas,

que conta com um inovador difusor convexo, disponível em

diversos formatos e dimensões, em versões embutidas, semiembutidas

e aplicadas.

vibia.com

No Brasil: Iluminar

iluminar.com.br

HERMÉTICA ECO LED

DO IT

Com versões de piso, mesa, teto e parede, a linha Do it,

produzida pela Lumini, tem como diferencial a possibilidade

de ser montada pelo próprio usuário, conforme a necessidade

do espaço. Com corpo de alumínio pintado nas cores-padrão

Lumini e cúpula de linho branco ou cinza, a criação do designer

Fernando Prado é composta de 12 peças distintas. O fio pode

ser fornecido nas cores vermelha ou prata. Para lâmpada

halógena E27 até 70W.

lumini.com.br

Recentemente lançada pela Sylvania, a

luminária Hermética Eco LED é uma nova opção

para a substituição das herméticas tradicionais.

Com largura bastante reduzida, a luminária é

equipada com módulo de LEDs de 36W, que

emite 2.800 lumens a 6.500K, prometendo

uma economia de energia de até 90% com

relação às tecnologias tradicionais.

sylvania-americas.com/pt

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PARA SABER MAIS

Alejandro Aravena/Elemental

T +56 229637500

www.elementalchile.cl/en

Editora Olhares

T (11) 2924 1744

editoraolhares.com.br

Museu da Casa Brasileira

T (11) 3032 3727

www.mcb.org.br

nendo

T +81 (0) 3 5414 3470

www.nendo.jp

LD Studio

T: +55 21 25072087

www.ldstudio.com.br

Aureo Lighting

T: +34 913 541 64

www.aureolighting.com

Franco Associados

T: +55 11 3064 6861

Carol Buhatem Arquitetura

Interiores Iluminação

T: +55 98 99211 0998

www.carolbuhatem.com

ICEHOTEL

T +46 (0) 980 668 00

www.icehotel.com

PLDC

T +49 5241 30726-0

www.pld-c.com

Claudia Paz

T: +511 992743039

www.claudiapaz.com

Lit Arquitetura de Iluminação

T: +55 11 24764626

www.lit.arq.br

iF World Design Guide

Centro Brasil Design

T (41) 3076 7332

ifworlddesignguide.com

Quartier des Spectacles

Montreal

T +1 (514) 879 0009

www.quartierdesspectacles.com

CD+M Lighting Design Group

T: +971 4 441 6603

www.cdmlight.com

PATROCINADORES

Artemide / Cynthron

T (11) 3846 8100

cynthron.com.br

página 7

Itaim Iluminação

T (11) 4785 1010

itaimiluminacao.com.br

3ª capa

Omega Light

T (11) 5034 1233

omegalight.com.br

páginas 8 e 9

Stillux

T (11) 2898 9921

stillux.com.br

página 17

Aureon

T (11) 3966 6211

aureon.com.br

página 25

Lemca Iluminação

T (11) 2827 0600

lemca.com.br

página 31

Osvaldo Matos

T (11) 3045 3095

osvaldomatos.com.br

4ª capa

Sylvania

T (11) 3133 2430

sylvania-americas.com

página 15

GE - Current

T 0800 333 4448

geiluminacao.com.br

página 23

Light Design + Exporlux

T (81) 3339 1654

lightdesign.com.br

2ª capa

Philips Lighting

T 0800 979 1925

philips.com.br/lighting

página 27

Unitron

T (11) 3931 4744

unitron.com.br

página 33

E:light

T (11) 3062 7525

cynthron.com.br

página 12 e 13

Lutron

sacbrasil@lutron.com

lutron.com/latinamerica

página 21

Schréder

T (19) 3856 9680

schreder.com.br

página 19

Ventana

T (11) 4596 1100

ventanabr.com

página 11

Iluminar

T (31) 3589-1400

iluminar.com.br

páginas 12 e 13

Luxion

T (54) 3021 0007

luxion.com.br

página 4 e 5

Steluti

T (11) 3079 7339

steluti.com.br

página 29

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