Boletim_A4_4páginas_ENAE_Asa Zé Nobre
Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!
Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.
Senhor <strong>Zé</strong> <strong>Nobre</strong> nos destacou muita coisa, como ele consegue enriquecer seu solo fazendo o remanejamento com<br />
biofertilizante (que é produzido através do biodigestor que aproveita o esterco do gado para produzir o gás de<br />
cozinha), terra, areia, folhas secas, dependendo da necessidade o faz de seis em seis meses, ele usa galhos secos e<br />
madeira tanto para manter úmidos os pés das frutas e garantir sua proteção.<br />
Além disso, possui animais de pequeno, médio e grande porte na propriedade que no período de estiagem ele<br />
alimentou com o mandacaru que salvou todo seu rebanho, que inclusive fez plantio de mais na sua propriedade como<br />
medida de precaução, aonde Josefina tem um papel importante que devemos também destacar, reutilizar a agua de<br />
seus afazeres de casa, para criação das galinhas, porcos e frutas que possui no fundo de sua casa, onde a mesma tem<br />
uma pequena produção de requeijão com sua filha.<br />
“A nova geração é falha na educação do Campo, a educação não esta entre quatro paredes, mas sim na realidade que<br />
nós vivemos no campo”.<br />
“A falta de água mim impede de inovar, mas assim mesmo continuou tentando, por que pra mim a ASA é a<br />
universidade do sertão aonde posso mostrar e ensinar tudo o que conseguir inventar, por que para eu ser feliz no<br />
sertão nunca será sinônimo de comodismo”.<br />
NOSSA SENHORA DA GLÓRIA<br />
EXPERIÊNCIA DE VIDA NO CHÃO<br />
DA COMUNIDADE AUGUSTINHO<br />
Começa aqui a historia do Senhor <strong>Zé</strong> <strong>Nobre</strong> 72 anos e sua esposa, dona Josefina 69 anos. O casal mora no Povoado<br />
Augustinho, no sítio Santa Barbara, município de Nossa Senhora da Glória – SE.<br />
Terreiro aéreo<br />
Seu Ze <strong>Nobre</strong> e Dona Josefina<br />
Tecnologia Social- Biodigestor<br />
Sou filho da cidade de Carira, morei lá com meus pais em uma propriedade rural ate meus 22 anos que fui trabalhar<br />
numa indústria de tecidos na capital Aracaju, onde permaneci por alguns anos quando sai de lá gerenciei uma loja de<br />
moveis em Itabaiana. “Tive varias profissões, mas nunca perdi o amor pela terra``, tanto que tinha uma pequena<br />
propriedade de três tarefas aonde cultivei hortaliças para revender na feira, porém, água era da DESO (Companhia de<br />
Saneamento Básico do Estado de Sergipe) e não teve como continuar minha plantação devido as contas virem muito<br />
altas.
Nessa trajetória seu <strong>Zé</strong> <strong>Nobre</strong> conheceu dona Josefina , que também nos relata sua historia.<br />
Sou de Carira, filha de trabalhadores rurais, e sempre morei no roçado, sou mulher sofrida, mas sempre<br />
trabalhadora casei mais ou menos 15 anos tive uma vida bastante difícil, pois o homem com quem<br />
morava bebia bastante e não se preocupava se quer com alimento dos oito filhos que tivemos em 24 anos.<br />
Separamo-nos e ele foi embora levando os cinco filhos mais velhos e eu fiquei com tres filhos menores.<br />
Dei muito duro para criar meus filhos, trabalhava no roçado, na enxada, com carro de boi para tirar meu<br />
sustento. Sou uma fazedeira de crochê de mão cheia e minha vida mudou quando conhece <strong>Zé</strong> <strong>Nobre</strong>.<br />
Seu <strong>Zé</strong> <strong>Nobre</strong> e Dona Josefina estão casados há 30 anos. Se conheceram na cidade de Carira, e tiveram um<br />
filho. Lá tentaram viver por certo período. Porem seu <strong>Zé</strong> nunca perdeu o amor pela Terra. Sempre pensou<br />
em voltar para suas origens, tinha o sonho em ser agrônomo, mas infelizmente não deu, mesmo assim sua<br />
inteligência e a vontade de contribuir com o meio ambiente sempre estiveram presentes em seu<br />
pensamento, o que lhe fez retornar a zona rural. Há oito anos moramos nesse terreno, herança do pai de<br />
Josefina.<br />
A área total da propriedade da família é 86 tarefas divididas da seguinte forma: 20 tarefas de plantio de<br />
palma, 15 tarefas ficam exclusivas para área de reserva nativa e o restante utiliza-se para as minhas<br />
plantações de milho, feijão, abóbora, frutas, hortaliças e crio os animais como galinha, gado, ovelha, entre<br />
outros. Antes das épocas mais difíceis, fomos criando nossas estratégias. Antes só tinha o barreiro e de lá<br />
tirava água para os animais e molhar as plantas com um regador manual.<br />
Até que comprei um vaso, furei o fundo e coloquei um jirau,(espécie de grade de varas, sobre peça de<br />
madeira, ferro fixados no chão, que serve de bancada para diversos fins), para ele ficar mais alto e a água<br />
descer por gravidade, fiz uma encanação com PVC e furei os canos amarrei pequenos pedaços de pano<br />
para cada um dos furos para a água só pingar. Como a água era trazida do barreiro que ficava um pouco<br />
distante comprei dois coxos de pneu e fiz outro jirau no paredão do tanque que ficou mais alto<br />
melhorando assim, meu sistema de irrigação.<br />
Em 2012, conquistei a cisterna Calçadão pelo Programa Uma Terra e Duas Águas – P1+2, que ampliou a<br />
minha capacidade de armazenar água. Dai comecei ampliar as minhas ideias de produção e estratégias<br />
de captação e estocagem de água. Com os 200 metros quadrados de captação do calçadão, se a chuva for<br />
pouca não dá pra encher a cisterna. Aí eu percebi que podia aumentar a produção se aumentasse a<br />
capacidade de captação também.<br />
Manejo integrado da caatinga<br />
Primeiro fiz um desenho e vi que daria certo, dei o nome de calçadão elevado. Usei estacas em uma área<br />
de 72 metros quadrados aproximadamente, coberto com lona que coloquei em pratica para captar a<br />
agua, escorrendo a agua pela lona que vai, cai na cisterna calçadão através de canos, este calçadão além de<br />
aumentar a capacidade de captação e também uso como deposito para guardar ferramentas e sementes,<br />
a partir dai ampliei meu sistema de irrigação, de uma maneira que eu posso controlar meus gastos de<br />
agua com economia e sem desperdício nenhum, de maneira ainda que consiga reutilizar a água. Toda<br />
agua armazenada na minha propriedade é controlada, por um sistema de registro aonde consigo irrigar<br />
as minhas plantações.<br />
Nas hortaliças, batatinha, cenoura, alface, coentro, cebolinha, quiabo, e pela minha experiência consegui<br />
percebe que a necessidade diferente de todo seu processo de produção e como também nos pés de frutas<br />
como maracujá, banana, mamão, laranja e acerola que consigo ter uma produção controlada para que não<br />
falte à fruta durante todo o ano, com este sistema consigo armazenar e economizar agua no período de<br />
estiagem que duram aproximadamente oito meses.<br />
Sistema de irrigação por gotejamento<br />
Produzia pouco, mas dava para o consumo de casa e ainda vendia. Ate que um dia, meu amigo, que é<br />
morador de um assentamento aqui vizinho, me convidou para uma reunião da ASA em Monte Alegre de<br />
Sergipe. Embora eu já tivesse uma cisterna de 16 mil litros conquistados a partir dos programas da ASA,<br />
conhecia a articulação muito pouco.<br />
Fui, gostei e continuei participando das outras reuniões. No inicio eu mais escutava e pouco falava, mas<br />
percebi que a ASA é coisa seria. E ai certa vez eu estava cuidando das minhas plantações e recebi a visita<br />
de um técnico da ASA falando que veio conhecer minha experiência. Depois retornou com mais duas<br />
pessoas da ASA, conversaram comigo, fizeram um boletim chamado candeeiro, depois disso, passei a ser<br />
convidado para eventos da ASA e comecei a fazer parte da Comissão da Municipal de Nossa Senhora da<br />
Glória – SE.<br />
Seu <strong>Zé</strong> <strong>Nobre</strong> apreciando o pomar