O mundo segundo Jouralbo

morula


Esse é um livro difícil de classificar. O cartunista Allan Sieber convidou 44 artistas para ilustrarem histórias de seu pai, o desenhista Jouralbo Sieber, de 86 anos. É um livro de memórias? De quadrinhos? Um diário do Jouralbo e sua obsessão pelo número 7?
É tudo isso. Roteirizado por Allan em parceria com Cynthia B, a partir das histórias de Jouralbo, o livro reúne o trabalho de quadrinistas nacionais e internacionais, como Chiquinha, Fábio Zimbres, Rafael Sica, Stêvz, Matthias Lehmann e Fido Nesti. A obra mostra que Jouralbo, autor de Ninguém me convidou, reeditado pela Mórula em 2015, além de talentoso desenhista é grande contador de histórias.

Afinal de contas, que livro é este?

Um livro de memórias?

Um diário de dias múltiplos de sete?

Um superzine que reúne o trabalho

de 44 quadrinistas, dos mais diversos

estilos, focados nas histórias de outro

desenhista, este com 86 anos?

Não é fácil enquadrar ou classificar

o resultado do que começou

nas cartas enviadas por meu pai

e acabou ganhando vida própria.

Sou suspeitíssimo para falar, mas,

para mim, o livro é, acima de tudo,

surpreendente.

Compartilho essa surpresa com

os leitores. Tirem suas próprias

conclusões ao entrar no emaranhado

da cabeça de Jouralbo Sieber. Se todo

homem é uma ilha, a ilha do meu pai

deve ficar em algum oceano que

o homem não descobriu ainda.

[ ALLAN SIEBER ]


Todos os direitos desta edição reservados à MV Serviços e Editora Ltda.

roteiros:

Allan Sieber

Cynthia B

ilustrações internas:

Jouralbo Sieber

tradução do espanhol:

Natalia Exposito

organização:

Fabio Zimbres

correção de letras nas hqs:

Pablo Carranza

edição:

Allan Sieber

revisão:

Mariana Pires Santos

cip-brasil. catalogação na publicação

sindicato nacional dos editores de livros, rj

S573m Sieber, Jouralbo, 1930

O mundo segundo Jouralbo/ Jouralbo Sieber, Allan Sieber,

Cynthia B – 1. ed. – Rio de Janeiro : Mórula, 2016.

276 p. ; 24 cm.

ISBN 978-85-65679-42-8

1. Sieber, Jouralbo (1930) – Narrativas pessoais. 2. Histórias

em quadrinhos. 3.Humorismo brasileiro. I. Sieber, Allan.

II. B., Cynthia. III. Título.

16-33473 CDD: 741.5

CDU: 741.5

R. Teotônio Regadas, 26/904 – Lapa – Rio de Janeiro

www.morula.com.br | contato@morula.com.br


Agradecimentos

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer imensamente a todos os desenhistas

que toparam a missão. Vocês foram sensacionais, amigos. Quase me fizeram

retomar a fé na desacreditada humanidade. Muito obrigado.

Meus mais que lacrimosos agradecimentos a Cynthia B, que desde sempre

acreditou no livro e enxergou nuances nas histórias que eu mesmo jamais

teria enxergado. E, além de tudo, transcreveu a maioria das cartas do meu pai.

Valeu, Cynthia. Se existe um paraíso pós-vida terrestre, tenho certeza que você

tem um camarote lá. Beba umas gins tônicas por mim.

O que seria da minha vida sem meus abnegados editores da Mórula, Vitor,

Marianna e Patrícia? Essas pessoas sofrem pelos livros, são editores old school,

se importam com essa coisa impressa, tão linda e moderna, com capa, orelhas

e um miolo cheio de letras e desenhos, chamada livro. E eles lançam os MEUS

livros. Vejam só que pessoal corajoso.

Na costura final da edição, contei com o olho de lince do meu amigo de longa

data e vítima preferida Fabio Zimbres, que, junto com L. F. Schiavon e MZK, me

ensinou tudo o que sei sobre quadrinhos. Fabio, com sua lendária paciência de

Jó, reorganizou todo o escopo de quadrinhos, ilustrações e textos que compõem

o livro, dando uma direção para todo o material. E além de tudo é um excelente

churrasqueiro. Que homem, esse Fabio Zimbres. Queria ser gay só para casar

com ele e adotarmos um cambojano, que chamaríamos de Garypanterson.

Obrigado, Jorge Furtado, por ter escrito um prefácio tão eloquente. Antes de

o livro sair, meu pai me pedia sempre que eu relesse por telefone suas palavras.

Para ele – e para mim –, foram muito alentadoras.

Por fim, homenagens jamais serão suficientes para expressar minha gratidão

a Marina Barrocas, Pablo Carranza, Daniel Kondo, minha mãe dona Eva Iolanda,

uma força da natureza que criou seis filhos, e minha esposa Claudia Jouvin, que

me acompanhou nos bons e, principalmente, nos maus momentos dos últimos

anos. Haja paciência. Ah, e claro, ao meu filho Max, que me faz correr atrás de

caminhões de lixo e esquecer o quão a vida pode ser ruim. O pai tem um trabalho

esquisito e ganha mal, Max, mas ele se esforça e acorda cedo. Conte com isso.

Allan Sieber


SUMÁRIO

7 PREFÁCIO [ JORGE FURTADO ]

11 APRESENTAÇÃO [allan sieber ]

13 PARA O LEITOR SE SITUAR [ jouralbo sieber ]

16 JULHO DE 2011

17 Alta definição [ Chiquinha ]

21 Um barco na sala

22 A tormenta [ sama ]

28 Fernandes e Ilse

29 A ajuda

31 Ampliações [ daniel og ]

37 Um dia depois do outro [ fido nesti ]

40 AGOSTO DE 2011

42 Um homem comum [ leonardo ]

45 O selvagem da motocicleta

46 Histórias e anedotas Fernandescas [ jouralbo sieber ]

49 SETEMBRO DE 2011

50 Um bom nadador [ cynthia b ]

59 Premonição

60 Casualidade [ pedro franz ]

62 Uma pequena explicação

64 Transmissão direta [ mateus acioli ]

68 Achados e perdidos

69 Perguntas feitas a mim mesmo [ rafael sica ]

72 O nada, o vazio, o espaço [ fabio zimbres ]

76 Parecia que tudo estava certo [ jouralbo sieber ]

79 Tudo é mais simples quando se é uma pessoa só [ guazzelli ]

84 Dois [ rodrigo rosa ]

87 Ondas curtas

88 O fantástico mundo de Jouralbo [ jorge alderete ]

91 DEZEMBRO DE 2011

92 Onde está a Esperança? [ marina barrocas ]


94 JANEIRO A MARÇO DE 2012

96 Meu caro seteário [ Jouralbo sieber ]

99 A pessoa ou o personagem?

100 O mistério do cartazista onipresente [ Stêvz ]

104 Eu avisei [ jouralbo sieber ]

107 MAIO DE 2012

109 O nono [ Matthias Lehmann ]

113 Viajantes do espaço [ Diego Gerlach ]

119 JUNHO DE 2012

120 Tempo e movimento [ jaca ]

127 JULHO DE 2012

131 Artistas [ Wagner Willian ]

134 Um medo [ Jouralbo Sieber ]

138 AGOSTO DE 2012

140 Tangos e tragédias [ Schiavon ]

146 Companheiros

148 O dia em que fiz meu chefe chorar [ Bruno Schier ]

152 SETEMBRO DE 2012

153 No rastro de Delmar [ André Valente ]

158 A noite dos desesperados [ Suryara Bernardi ]

161 O telescópio [ Bernardo França ]

164 Quase espionagem

165 Onde? [ mzk ]

169 NOVEMBRO DE 2012

170 Os setes

171 Superstições [ langer ]

174 Mais ou menos dois dias [ gabriel renner ]

179 Segredos e surpresas

181 A cabeça maldita [ gabriel góes ]


186 DEZEMBRO DE 2012

187 JANEIRO DE 2013

189 Um pequeno desabafo [ rafael rocha ]

192 Os gatos, sempre os gatos

194 Gestos e comportamentos [ Pedro D´Apremont ]

200 MAIO DE 2013

203 A arte a seus pés [ Gabriel Fazzioni ]

206 JUNHO DE 2013

207 A torneira [ caeto ]

212 Caminhos [ eduardo belga ]

216 JULHO DE 2013

217 A fé [ koostella ]

222 AGOSTO DE 2013

223 Através do tempo [ powerpaola ]

228 Dinheiro é dinheiro [ pablo carranza ]

232 SETEMBRO DE 2013

234 A mãe da mãe da mãe [ daniel carvalho ]

236 Quando se é idoso [ rodrigo la hoz ]

239 OUTUBRO/NOVEMBRO DE 2013

241 Como é uma casa de praia [ Romolo D´Hipólito ]

244 O susto [ Fábio Cobiaco ]

250 Houve uma vez dois verões [ santiago ]

252 MAIO DE 2014

254 JUNHO DE 2014

255 JULHO DE 2014

256 Fechamentos [ elenio pico ]

260 SETEMBRO DE 2014

262 OUTUBRO DE 2014

263 Neneco fujão [ jouralbo sieber ]

266 A tia de Elmer [ Allan sieber ]

269 SOBRE OS AUTORES


PREFÁCIO

Bem, para começar com uma frase que ajude a vender o livro, que o

pessoal possa marcar, copiar e colar, acho que este livro é uma extraordinária

criação artística, que ilumina, ensina, diverte, emociona,

tudo que um livro faz de melhor, e encanta os olhos e a alma, como só

o desenho faz. E como se isso não bastasse, é também um romance,

que revela o interior do homem como só os romances fazem. É pouco?

Pois este livro é também um documentário sobre um personagem, sua época,

seu espaço de trabalho, seus amigos, sua fé, seus delírios, sua profissão. Arte,

romance, documentário, este livro reúne um excepcional grupo de talentos,

jovens e nem tão jovens desenhistas brasileiros, para contar as histórias do

incrível Jouralbo, uma prova viva da sabedoria de Jorge Luis Borges quando

afirmou que “ninguém é impossível”.

Noam Chomsky disse que “aprendemos mais sobre a vida e a personalidade

humana nas novelas do que na psicologia científica”, e David Lodge lembra que

isso acontece, em parte, porque “a ciência é um discurso na terceira pessoa. O

pronome da primeira pessoa do singular não se emprega nos textos científicos”.

Pois neste livro, que é romance, arte e não ciência, o eu brilha, é Jouralbo,

o pai do Allan, e mais ninguém, não há outro no mundo. E o que poderia virar

uma viagem em torno do próprio umbigo ganha diversidade, complexidade,

múltiplas visões e leituras, nas mãos de brilhantes desenhistas.

Enfim, este livro é uma mistura de Raymond Carver, Daniel Clowes,

John Fante, fotonovela e curso por correspondência do Instituto Universal

Brasileiro. Não há outro igual, nem parecido, nunca vi.

[ jorge furtado ]

porto alegre | 15 de março de 2016

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APRESENTAÇÃO

Logo após o lançamento do primeiro livro que fiz com Jouralbo, Ninguém me

convidou (2010), ele já falava em uma nova publicação. Uma continuação do

primeiro? Não, o caminho não era por aí, e, por outro lado, ele também não

estava mais disposto a desenhar dezenas de páginas de quadrinhos novamente.

Meu pai aprendeu da pior forma quão ingrata pode ser a função de fazer

quadrinhos. Mas havia ainda outras histórias, teorias, reminiscências, pequenos

acertos de contas a serem feitos. Propus, então, que dessa vez, ao invés de

entrevistá-lo sobre suas histórias, ele as escreveria e me mandaria por cartas. E,

assim, foram chegando cartas, de 2011 a 2015... Muitas cartas.

Fui então fazendo uma seleção das histórias que eu achava mais interessantes

e pedi que ele ilustrasse algumas. Além disso, a partir delas criava roteiros

e pedia a amigos quadrinistas que os desenhassem. A maioria aceitou, para

minha surpresa. Digo “surpresa” não pelo conteúdo das histórias – o valor

delas é inegável –, mas por receber um sim de meus amigos, já que a espécie de

fobia social em que vivo acabou me afastando deles e do mundo. Para a sorte

deles, claro.

Depois de escolher as histórias, contei com a ajuda inestimável de Cynthia

B, amiga e desenhista que prezo muito, apesar de já quase termos nos matado

diversas vezes. Ela foi minha assistente por alguns anos antes de virar uma

estrela dos quadrinhos e me abandonar covardemente. Cynthia, Cynthia...

Mentira, ela nunca me abandonou. Mudou-se para a França e continuamos

trabalhando juntos em diversos projetos, incluindo este livro.

Cynthia decupava em roteiros as histórias que eu escolhia, dava uma organizada

e mandava para os desenhistas. Não alterei muito as ideias originais

dela e, além disso, ela me sugeriu vários desenhistas que eu não conhecia, já

que, como falei, me isolei no meu bunker.

Também não resisti à tentação de pedir que o próprio Jouralbo quadrinizasse

meia dúzia de histórias, o que fez de bom grado, mas deixando claro que

não iria fazer muito mais do que isso. Aprendeu a lição.

Nesse meio-tempo, meu pai, que é ainda mais ansioso que eu, constantemente

me cobrava o livro, fazendo uma nada sutil pressão que foi fundamental

para que pudesse existir a obra que vocês, caros leitores e leitoras, têm em

mãos agora.

11


E, afinal de contas, que livro é este? Um livro de memórias? Um diário de

dias múltiplos de sete? Um superzine que reúne o trabalho de 44 quadrinistas,

dos mais diversos estilos, focados nas histórias de outro desenhista, este com

86 anos? Não é fácil enquadrar ou classificar o resultado do que começou

naquelas cartas e acabou ganhando vida própria.

Sou suspeitíssimo para falar, mas, para mim, o livro é, acima de tudo,

surpreendente.

Compartilho essa surpresa com os leitores. Tirem suas próprias conclusões ao

entrar no emaranhado da cabeça de Jouralbo Sieber. Se todo homem é uma ilha,

a ilha do meu pai deve ficar em algum oceano que o homem não descobriu ainda.

[ Allan Sieber ]

Rio | 04 de abril de 2016

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PARA O LEITOR SE SITUAR

Nos últimos anos, tenho ficado em casa a escrever. Coisa que nunca fiz antes

na vida. Trabalhei em diversas profissões. No princípio era ainda um menino,

menor de idade, e meu primeiro trabalho foi pintar letras em sete placas de

madeira para uma demolidora de prédios. Mas emprego mesmo, o primeiro,

foi em um escritório de representações. Eu era uma pessoa em quem os meus

patrões confiavam, diziam que no futuro eu também seria um sócio deles. Mas

eu sempre pensava no desenho. Quando ficava só na empresa, na ausência dos

patrões, eu fazia desenhos de todos os móveis do escritório. Três meses mais

tarde, conheci um amigo de meu pai que era desenhista e tinha um ateliê de

desenhos. Seu estúdio era na Rua 7 de Setembro. Aprendi a desenhar letras de

diversas fontes para serem aplicadas em placas luminosas colocadas no alto dos

edifícios e hotéis da cidade. Chamavam-se luminosos a gás neon. Aos 16 anos, já

podia trabalhar com carteira de menor e autorização dos pais. Apresentei-me à

sessão de desenho da Livraria do Globo. Falei com o chefe da seção de desenhos,

o Sr. Zeuner. Ele viu meus trabalhos e apreciou principalmente os desenhos

de letras. Trabalhei lá por sete anos. Em seguida fui para a Grant Advertising,

onde permaneci por dois anos. Então entrei para o departamento de arte de

uma gráfica para fazer ilustrações para calendários. Depois disso trabalhei em

várias agências, umas grandes e outras pequenas. Também estudei pintura a

óleo. Realizei uma exposição individual com 35 trabalhos a óleo quando tinha

18 anos, em 1948. Fiz uma meia dúzia de esculturas em madeira. Aprendi a fotografar,

revelar filmes e fazer reproduções. Fiz fotos para agências de publicidade.

Resolvi não ser mais empregado. Procurei uma sala para trabalhar.

E agora, em casa, eu faço alguns trabalhos para meu filho Allan, desenhista

lá no Rio de Janeiro. Fiz para ele sete ilustrações para o livro Vida de Estagiário,

em 2005. Após isso, Allan fez várias visitas aqui no Sul para me entrevistar

sobre como era ser um desenhista dos anos 1940 e 1950 e como era trabalhar

em “propaganda”, palavra não usada na época. Então eu voltava ao meu passado

e contava como eram e trabalhavam os desenhistas naquele tempo. Seus

sonhos, suas fantasias e experiências. Allan ouviu e gravou minhas narrações,

por uns três a quatro anos. Depois fez roteiros em quadrinhos para eu desenhar

minhas próprias histórias. Com esse material, ele lançou, em 2010, o livro

Ninguém me convidou, sobre minha vida profissional e como se trabalhava na

época (e éramos muito felizes). O livro teve uma reedição em 2015.

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Agora, em casa ou na praia, aposentado e idoso, escrevo e desenho de sete

em sete dias. E os relatos que fiz ficarão neste novo livro para que meus filhos e

netos leiam. Mas para finalizar o que comecei a escrever sobre as minhas diversas

habilidades, trabalhos e profissões, na minha vida a mais recente novidade

é essa atividade de narrador e escritor. Talvez um último trabalho, diferente do

que sempre fiz, um trabalho de escritor amador. Mas o amador é mais obstinado

do que profissional. Como no cinema o vilão não é descoberto pela polícia, e sim

por um repórter investigativo. Para mim, o livro é uma viagem em um veículo

especial. É também uma caixa mágica onde as palavras e a maneira de escrever

sobre um assunto ou desejo impossível tornam-se realidade. Você pensa que as

palavras escritas podem se realizar de fato. Os acontecimentos terrenos ficam

registrados no “astral”, como uma duplicata em uma dimensão paralela.

O leitor, embora seja ele homem de cultura, talvez não o ache interessante

porque, para ele, isto que escrevo é mera ficção. Ou palavras impressas em um

papel. Mas talvez alguém em particular colha uma palavra ali e outra acolá e,

juntando essas palavras, descubra “algo especial”. Este livro é para a pessoa

que tem fé em algo como a sua religião, o pensamento positivo, o magnetismo

ou rituais de magia. Porque a coisa mais terrível e fantástica que você pensa ou

possa imaginar, essa coisa existe.

[ jouralbo sieber ]

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JULHO DE 2011

[ 14 DE JULHO DE 2011 ] Depois do livro Ninguém me convidou, sinto um

vazio. Não sei o que é – talvez não esteja satisfeito com meu trabalho, talvez

algumas coisas não tivessem ficado bem claras. Seria a pressa de terminar?

Deveria refazer algumas ilustrações? Alguns personagens ficaram de fora?

Quais personagens ainda vivem e leram o livro?

Sinto um vazio do trabalho, da Esperança (uma gatinha achada na praia do

Pinhal que ficava em cima da mesa de desenho, acompanhando o meu trabalho,

e que desapareceu em abril de 2011). Acho que poderia ter explicado mais os

personagens e seus comportamentos e maneiras. Os desenhistas antigos, suas

extravagâncias e hobbies estranhos. Todos gostavam de fotografar e cada qual

conforme suas posses e salários tinha máquinas simples ou mais aperfeiçoadas.

Outros gostavam de música. Falavam muito em “alta fidelidade” e “estereofônico”.

Os desenhistas tinham em geral bons salários. Alguns guardavam dinheiro

em banco para ter uma segurança, mas a maioria gastava em futilidades.

Sempre procurando a ilusão de uma nova vida e lamentando perdidas

ilusões. Hoje é o dia 14 do mês 7 do ano 11, números muito interessantes.

Daqui a três anos será 14 do 7 de 14...! Será diferente alguma coisa? Estarei

mais em paz comigo mesmo? Terei os mesmos problemas? Eu terei 84 anos...

Parece-me um “fechamento de setes”. E que tudo poderá acontecer.

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CHIQUINHA


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SOBRE OS AUTORES

ALLAN SIEBER [ www.allansieber.com ]

É roteirista, autor de quadrinhos e cartunista. Publica diariamente na Folha

de S. Paulo e é autor de diversos livros, entre eles ‘Perca amigos, pergunte-me

como’ e ‘A vida secreta dos objetos’, ambos pela Mórula.

ANDRÉ VALENTE [ oandrevalente.tumblr.com ]

É ilustrador e quadrinista. Reside em Brasília onde tenta equilibrar trabalho e

três filhos. Publicou o gibi ‘Não fui eu’ de forma independente.

BERNARDO FRANÇA [ bernardofranca.com ]

É ilustrador, diretor de arte e cenarista para animação. Publicou os livros ‘São

Paulo é legal’ e ‘Mulher-de-Sexta’.

BRUNO SCHIER [ brunoschier.tumblr.com ]

É cartunista, ilustrador e tradutor. Publica mensalmente no jornal Rascunho e

já colaborou com diversas publicações independentes.

CAETO [ www.caeto.com.br ]

É artista plástico, ilustrador e quadrinista. Publicou a HQ autobiográfica

‘Memória de elefante’ (Cia. das Letras), a adaptação em quadrinhos ‘A morte de

Ivan Ilitch’, de Tolstói, e está trabalhando em sua segunda HQ autobiográfica:

‘Dez anos para o fim do mundo’.

CHIQUINHA [ chiqsland.uol.com.br ]

Ou Fabiane Langona – é cartunista, ilustradora e autora de quadrinhos. Entre

seus livros publicados está ‘Algumas mulheres do mundo’ (Mórula) e ‘Uma

patada com carinho’ (Leya), ganhador do Prêmio HQ Mix.

CYNTHIA B [ cynthiabonacossa.tumblr.com/ ]

É cartunista, ilustradora, roteirista e tradutora. Foi editora da revista independente

‘Golden Shower’ e já publicou seus quadrinhos em diversos lugares

como a revista Piauí, Folha de S. Paulo e nos sites Marsam e Komikaze.

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DANIEL CARVALHO [ daniel-carvalho.com ]

Trabalhou no Jornal Correio Braziliense como ilustrador e infografista.

Participou de publicações como Calendário Pindura, Jornal Pimba, Revista

Prego, Superinteressante e Mundo Estranho.

DANIEL OG [ danielog.wordpress.com ]

É animador, cartunista e pai da Manuela.

DIEGO GERLACH [ guerlax.tumblr.com ]

É ilustrador e autor de quadrinhos.

EDUARDO BELGA [ eduardobelga.com ]

É quadrinista e gravador, autor dos livros ‘O lobisomen’ e ‘A múmia’. Ganhou

1º lugar na Mostra de Artes de Pinhais.

SAMA [ eduardofilipesama.blogspot.com.br ]

É o ghost artist de Eduardo Filipe. Enquanto Eduardo tem no currículo experiência

em TV, teatro e cinema, Sama, mais subversivo, é criador de HQs,

ilustrações, pinturas e cartoons.

ELENIO PICO [ iedbarcelona.es/profesores-info/visual/elenio-pico ]

Publicou diversos livros com seus textos e ilustrações na Espanha e na

Argentina. Atualmente desenvolve pesquisas nas áreas de ilustração, intervenção

no espaço urbano, animação web e atua como professor no Instituto

Europeu de Design em Barcelona.

FABIO COBIACO

É ilustrador, diretor de arte para animação e como autor de quadrinhos publicou

‘Mayo’ e ‘V.I.S.H.N.U’, pelo qual ganhou o prêmio Jabuti em 2013.

FABIO ZIMBRES [ www.fzimbres.com.br ]

É editor e designer gráfico, organiza exposições, pinta, faz histórias em quadrinhos

e ilustrações. É criador e editor da Edições Tonto. Em 2009 reuniu no

livro ‘Vida boa’ (Zarabatana) suas tiras publicadas na Folha de S. Paulo.

FIDO NESTI [ www.ilustrissimo.blogspot.com ]

É ilustrador e autor de quadrinhos. É colaborador frequente da Folha de S.

Paulo e da revista The New Yorker, entre outras. Nas HQs ilustrou ‘Os Lusíadas

em Quadrinhos’, ‘Loucas de Amor’ e ‘A Máquina de Goldberg’.

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GABRIEL FAZZIONI [ www.gabrielfazzioni.com ]

É animador e ilustrador. Já teve trabalhos publicados pela revista Rojo e atualmente

trabalha com animação para videogame.

GABRIEL GÓES

É ilustrador, quadrinista e artista plástico. Coautor dos projetos ‘SAMBA’,

‘Kowalski’, ‘Capitão América e seus amigos’ e ‘F A B I O’. Adaptou para os quadrinhos

as obras ‘O Beijo no Asfalto’ e ‘O Vestido de Noiva’, de Nelson Rodrigues.

GABRIEL RENNER

É pseudojornalista. Já foi estagiário mecânico, servente de pedreiro e servente

de publicidade. Produz HQs para revistas independentes, tiras para jornais,

capas para livros (como ‘Guidable: a verdadeira história do Ratos de Porão’) e

curtas em animação (como ‘Hotel Farrapos’).

GUAZZELLI

É ilustrador e quadrinista. Recebeu inúmeras premiações no Brasil e participou

de exposições e mostras em 14 países. Seu livro mais recente é ‘Kaput’

(Cia. das Letras), adaptação de Curzio Malaparte.

JACA [ www.tonto.com.br/jaca ]

É ilustrador e contribuiu para publicações como Dumdum, Animal, F., Big Bang

Bang, Tarja Preta, Prego, entre outras. Atualmente também se dedica à pintura.

JORGE ALDERETE [ www.jorgealderete.com ]

É formado em Comunicação Visual pela Facultad de Bellas Artes de la

Universidad Nacional de La Plata. Fundador da Isotonic Records, ilustrou

cerca de 100 capas de discos.

JOURALBO SIEBER

Trabalhou como desenhista e ilustrador de arte na publicidade gaúcha.

Começou a fazer quadrinhos para o livro ‘Ninguém me convidou’, que publicou

junto com Allan Sieber.

KOOSTELLA [ koostella.blogspot.com ]

É quadrinista, ilustrador e cartunista. Já publicou nas revistas Ferro (Argentina)

e Strapazin (Suiça), é autor de diversos livros e fanzines, entre eles ‘Gefangene’

(Zarabatana, Brasil) e ‘Au Revoir’ (Radio as Paper, França). Atualmente vive em

Basel, onde criou sua própria editora, a ‘Crime da Mala Editions’, e o festival de

quadrinhos Comicfest Hirscheneck.

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LEONARDO

É padrinho de Max, que é filho de Allan e neto de Jouralbo. Também é cartunista

e chargista offline.

LUIS SCHIAVON [ schiavox.blogspot.com.br ]

É roteirista, autor de quadrinhos, animador e criador de jogos. Autor de

‘Zâmbala’, ‘Liga da Vesga’, ‘O Invencível Mãos Trocadas’ e ‘GTA SP 2013’.

MARINA BARROCAS [ marinabarrocas.tumblr.com ]

É ilustradora.

MATEUS ACIOLI

É artista visual, cartunista, design gráfico e editor. Publicou ‘Todo mundo é

feliz’ (Balão Editorial).

MATTHIAS LEHMANN [ www.blocmatthias.blogspot.com ]

É ilustrador e quadrinista. Tem oito livros de quadrinhos e desenhos publicados

na França, onde vive. Seu último livro, ‘La Favorite’, também foi publicado

em espanhol, alemão e italiano.

MZK [ mzk68.tumblr.com ]

É autor de quadrinhos, ilustrador e artista visual. Já participou de diversas

exposições individuais e coletivas com seu trabalho e recebeu o Prêmio HQ

Mix em 1993 como desenhista revelação. É autor do livro ‘Banzo e Benito’.

PABLO CARRANZA [ www.pablocarranza.com ]

É quadrinista e ilustrador. Publicou o livro ‘Se a vida fosse como a internet’

(Prêmio HQ Mix de melhor publicação de humor) e atualmente é autor da

revista SMEGMA COMIX.

PEDRO D’APREMONT [ pedrodapremont.tumblr.com ]

É cartunista e ilustrador. Já teve quadrinhos publicados nas revistas Samba, Prego,

AAARG! (França), Vice (EUA) e Marsam (online) e publica a revista Lo-Fi.

PEDRO FRANZ [ www.pedrofranz.com.br ]

É artista visual. Publicou diversos trabalhos, entre eles ‘Incidente em

Tunguska’, ‘Cavalos mortos permanecem no acostamento’ e ‘Promessas de

amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo’.

272


POWERPAOLA [ http://powerpaola.blogspot.com.ar ]

É artista plástica, cartunista e ilustradora. Já realizou exposições em Nova

Iorque, Bogotá, São Paulo, Sidney, Milão, Buenos Aires, Santigo do Chile, Lima

e Paris. Atualmente publica uma tira mensal na revista Arcadia (Colombia) e

desenvolve a animação de seu quadrinho ‘Virus Tropical’.

RAFAEL CAMPOS ROCHA [ deusessagostosa.blogspot.com.br ]

É cartunista da Ilustríssima (Folha de S. Paulo) e autor dos livros ‘Deus, essa

gostosa’ e ‘O golpe de 64’ (em parceria com Oscar Pilagallo), além de participar

de diversas publicações como quadrinista e ilustrador.

RAFAEL SICA [ www.flickr.com/photos/sicarafael ]

É ilustrador e quadrinista. Premiado com o HQ Mix duas vezes (Novo Talento

em 2005 e Web Quadrinhos em 2009). Ilustrou o conto ‘João Sortudo’ para a

coletânea ‘Irmãos Grimm em quadrinhos’ (Desiderata). Entre suas publicações

estão ‘Ordinário’ (Cia. das Letras), ‘Tobogã’ (Narval), ‘Novela’ (BebelBooks) e

‘FIM – Fácil e Ilustrado Manifesto’ (Beleléu).

RODRIGO LA HOZ [ rodrigolahoz.tumblr.com ]

É ilustrador e autor de quadrinhos.

RODRIGO ROSA [ rodrigorosa.com ]

É cartunista, ilustrador e quadrinista. Ilustrou inúmeros livros infantis e juvenis,

além de assinar adaptações de grandes clássicos da literatura brasileira

para os quadrinhos, como ‘Dom Casmurro’, ‘O cortiço’, ‘Grande sertão: veredas’

e ‘Os sertões’.

RÔMOLO D’HIPÓLITO [ www.romolo.com.br ]

É designer gráfico e colabora como ilustrador para editoras, jornais e agências

de publicidade. Teve seus trabalhos reconhecidos e premiados pela Folha de

S. Paulo e pelo Festival Animamundi. Já participou de exposições coletivas no

Brasil e no exterior e é autor do livro ‘Malditos Designers’ (Gato Preto).

SANTIAGO [ www.caminhosdosantiago.com.br ]

É cartunista e autor de quadrinhos. Colaborou com diversas publicações como

O Pasquim, Coojornal, Correio do Povo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo,

Bundas, O Pasquim 21 e Le Monde Diplomatique Brasil. Tem cinco prêmios do

Salão de Humor de Piracicaba e 17 livros publicados.

273


SERGIO LANGER [ www.sergiolanger.com.ar ]

É cartunista, ilustrador e arquiteto. Publica suas histórias na Espanha, França

e Peru, entre outros países. Atualmente colabora com o semanário Barcelona

(de Buenos Aires) e com o Courrier Internationale e integra a equipe da revista

Mongolia, de Madrid.

STÊVZ [ stevz.flavors.me ]

É cartunista, designer gráfico e músico. Publicou os livros ‘Aparecida Blues’,

‘A Importante das Palavras Ordem É’ e editou muitos outros.

SURYARA BERNARDI [ www.suryara.com ]

É ilustradora de livros infantis, tendo colaborado com vários livros publicados

por editoras Brasil afora. Começa a entrar no universo dos quadrinhos com

este livro.

WAGNER WILLIAM [ www.wagnerwillian.com ]

É artista plástico, quadrinista e escritor. Ganhou o segundo lugar do Prêmio

Jabuti de ilustração com o livro ‘Lobisomem Sem Barba’. Mantém o site de entrevistas

‘Flerte da mulher barbada’ e sua obra mais recente é a HQ ‘Bulldogma’.

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1 a edição junho 2016

impressão rotaplan

papel miolo offset 90g/m 2

papel capa supremo 300g/m 2


Allan Sieber

André Valente

Bernardo França

Bruno Schier

Caeto

Chiquinha

Cynthia B

Daniel Carvalho

Daniel OG

Diego Gerlach

Eduardo Belga

Eduardo Sama

Elenio Pico

Fabio Cobiaco

Fabio Zimbres

Fido Nesti

Gabriel Fazzioni

Gabriel Góes

Gabriel Renner

Guazzelli

Jaca

Jorge Alderete

Jouralbo Sieber

Koostella

Leonardo

Marina Barrocas

Mateus Acioli

Matthias Lehmann

MZK

Pablo Carranza

Pedro D’Apremont

Pedro Franz

Powerpaola

Rafael Rocha

Rafael Sica

Rodrigo La Hoz

Rodrigo Rosa

Rômolo D’Hipólito

Santiago

Schiavon

Sergio Langer

Stêvz

Survara Bernardi

Wagner William


ISBN 978856567942-8

9 78 8 5 6 5 6 7 9 4 2 8

Este livro é uma extraordinária criação artística,

que ilumina, ensina, diverte, emociona, tudo que

um livro faz de melhor, e encanta os olhos e a alma,

como só o desenho faz. E como se isso não bastasse,

é também um romance, que revela o interior do

homem como só os romances fazem. É pouco?

E o que poderia virar uma viagem em torno do

próprio umbigo ganha diversidade, complexidade,

múltiplas visões e leituras, nas mãos de brilhantes

desenhistas.

Enfim, este livro é uma mistura de Raymond Carver,

Daniel Clowes, John Fante, fotonovela e curso por

correspondência do Instituto Universal Brasileiro.

Não há outro igual, nem parecido, nunca vi.

[ Jorge Furtado ]

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