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boscodalla

Bike de papelão

Insetos como alimento

Nº 7 - Ano V

www.revistaecologica.com

Esta publicação é impressa em papel 100% reciclado

Chuva de veneno nas

lavouras brasileiras

Art Déco volta à vida


2 REVISTA ECOLÓGICA Nº 7 Ano V www.revistaecologica.com


SUMÁRIO

5

7

5

[NOVIDADE]

Bike de papelão

[GOIÂNIA]

Arte Déco Recuperada

12 18

17

18

[ALIMENTAÇÃO]

Você tem fome de que?

[ALIMENTAÇÃO]

Insetos como alimento

Edição 7 - Ano V

www.revistaecologica.com

Publicação da

QI-Empresarial Soluções

Autossustentáveis Ltda – ME

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8

[SAÚDE]

Cooperação saudável e talento

20

[SIMBIOSE ]

Peixes e tomates crescem juntos

EXPEDIENTE

9

10

11

12

15

16

[PUBLIEDITORIAL ]

Projeto Renascer

[RECORDE]

Guiness colorido

[EXEMPLO]

Homem da floresta

[AGROTÓXICOS]

Chuva de veneno

[ÁLCOOL]

100 novas usinas de álcool

[ENERGIA EÓLICA]

Energia eólica

22

23

24

25

26

[CONTAMINAÇÃO]

Ervas medicinais chinesas

[ENERGIA]

Japoneses criam tecido capaz

de gerar energia a partir do sol

[PESQUISA]

Primatas sociais

[INOVAÇÃO]

Tijolo ecológico

[REFLEXÃO]

Afinal, o que comemos?

EDITOR EXECUTIVO

Bosco Carvalho

JP 2898/GO - MTE/DRT/GO

bosco@revistaecologica.com

JORNALISTAS

Elisângela Vieira

Isadora Picolo

Janaína Gomes

PROJETO GRÁFICO

Carlos Nascimento

DIRETOR DE CRIAÇÃO

Juliano Pimenta Fagundes

Artigos assinados podem divergir da linha editorial

da revista. Todos os direitos reservados. Autorizamos

a publicação de nossos artigos e fotos, com a citação

das fontes. Todos os envolvidos na edição da revista

são profissionais autônomos, sem vínculo empregatício.


[ C A R T A P A R A O L E I T O R ]

A História ensina

Bosco Carvalho

“Quem nunca mudou de opinião ou de atitudes

não pode ser muito inteligente, não tem

capacidade de aprender.” - José Lutzemberger*

Um dos argumentos que as

pessoas conservadoras sempre

usam quando conversam com

aquelas voltadas aos movimentos de

expansão da consciência (o que agrupa

de certa forma os que são rotulados

de ‘ambientalistas’), é de que “Sempre

foi assim.” E cruzam os braços numa

atitude de um certo conformismo, ou

até mesmo de aversão.

Certo dia, conversava com uns

agricultores e eles me diziam, que sem

insumos químicos ou agrotóxicos é

impossível produzir. Perguntei se eles

se lembravam de como era o cultivo

quando seus pais ou avós se dedicavam

à agricultura. Atônitos, me olharam um

pouco desconcertados e disseram que

não sabiam mais. Já fazia tanto tempo...

Efetivamente eles também não sabiam

nada a respeito da relação entre

o fim da 2ª Guerra Mundial e o avanço

da utilização da adubação química e

dos agrotóxicos desde então. Os americanos

do norte produziam enormes

quantidades de produtos químicos, que

servem tanto para produzirem a morte,

quanto de certa forma, para produzirem

vida. Não sabiam que os ‘vencedores’

da guerra mortífera iniciaram uma

outra, desta vez uma comercial, para

despejarem sua produção de químicos

que, se antes juntos eram bombas, agora

separados, ‘insumos’ agrícolas. Ficaram

ainda mais estupefatos, pois não sabiam

que estes dois aspectos de seu negócio

estavam correlacionados. Desconheciam

também o fato de que a absorção dos

compostos químicos pelas raízes das

plantas causa expansão celular, o que

torna as paredes das células vegetais

mais finas pelo excesso e rapidez com

que os líquidos são absorvidos. Como

consequência, as plantas ficam mais

fracas e resistem menos aos ataques de

pragas e doenças. Com frutos, folhas

e sementes cada menos saborosos

e nutritivos.

Com a fragilidade aumentada, necessitam

de “proteção” contra o que poderia

comprometer a produção. E o resultado,

embora aparentemente absurdo, é a

necessidade do uso cada vez maior de

agrotóxicos, cada vez mais complexos e

“eficientes”. O ‘eficientes’ vai entre aspas,

pois na verdade são ineficazes contra

o que causou a possibilidade da planta

adoecer: quanto mais adubos químicos

utilizados, tanto maior será a necessidade

de “remédios” para combater seus efeitos

indesejáveis. Ah, sim: “remédios” aqui

significa de fato veneno. Mais uma das

contradições da agricultura química,

ou industrial, em contraposição com

agricultura ecológica ou orgânica. E

tome (ou coma) veneno!

Menos conscientes e mais desavisados

ainda, foram professores, funcionários e

alunos de uma pequena escola no interior

de Goiás por não saberem como lidar

imediatamente para reduzir os perigos

de contaminação e envenenamento

causados pela dispersão criminosa

de agrotóxicos jogados sobre eles por

um piloto, no mínimo irresponsável,

para não ser chamado de assassino a

longo prazo: um banho imediato e a

substituição das roupas contaminadas

por outras limpas.

Mas o que é que se pode esperar de

uma comunidade, plantada no meio

de uma produção agrícola baseada em

restos de bombas de guerra e venenos

travestidos pelos departamentos de

marketing da indústria química em

“remédios para combater pragas” e

dependente da mesma?

Sim, agora os atingidos pela chuva

de veneno aprenderam (faço votos que

o tenham!) que ao ouvirem um avião

pulverizador de pesticidas se aproximar

da escola ou de suas moradias, devem

procurar abrigo imediato e que devem

ter um plano de emergência, com chuveiros

suficientes e roupas limpas para

o caso de sofrerem outro bombardeio

de tóxicos agrícolas.

Mas, e os agricultores vendidos à

indústria química, será que aprenderam

que deveriam buscar outras formas de

produção de alimentos que envenenasse

menos?

*DREYER, LILIAN. Sinfonia inacabada: A vida de

José Lutzenberger. 1ª Edição. Porto Alegre: Vidicom

Audiovisuais Edições, 2004. 518 p.

4 REVISTA ECOLÓGICA Nº 7 Ano V www.revistaecologica.com


[ N O V I D A D E ]

Eu vou de....

de papelão

Protótipo da engenhoca é eficiente e resistente, ao mesmo tempo em que se

apresenta como alternativa de transporte, promove o reciclagem de papel

A

invenção da roda há muito

facilitou a locomoção do

homem no planeta. Desde

então, a busca por alternativas de

transporte levou este bípede à lua e,

concomitantemente, ao encontro de

um dos maiores problemas da atualidade:

o caos urbano, em decorrência

do adensamento veicular na grande

maioria das cidades contemporâneas.

O petróleo chegou, reinou, moveu o

mundo, e hoje representa a oportunidade

de países emergentes como o Brasil, e

um dos maiores desafios ambientais,

quando a opção por uma matriz

energética que atenda às expectativas

desenvolvimentistas da humanidade

passa a ser questão de sobrevivência.

Considerada a alternativa para o

trânsito nas grandes cidades, a nossa

“magrela” ou “bike”, para os mais íntimos,

se configura como uma opção saudável,

mais que um meio de locomoção, um

modo de vida, para os “ecoconscientes”

(para alguns “ecochatos”).

Para alegria deste crescente público,

o israelense Izhar Gafni apresentou

nos primeiros meses do ano sua ousada

criação. Uma bicicleta de papelão reciclado,

com módicos custos de US$ 9,

que, humildemente, se propõe a atacar

alguns embates da atualidade.

Conseguiu desenvolver uma engenhoca

eficiente e resistente, que, ao mesmo

tempo, se apresenta como alternativa de

transporte e seu alto custo e, de quebra,

contribui para o reaproveitamento (ou

reciclagem) de papel.

O negócio rendeu, e o fruto de seu

empenho e dedicação, virou a Cardboard

Technology, empresa de Gafni, na busca

tornar sua bike ecológica realidade em

larga escala, com produção em massa.

Um produto alternativo requer

forma de financiamento compatível.

No estilo coletivo, o novo cientista quer

arrecadar recursos apoio dos simpatizantes,

chegando a ter recusado, várias

ofertas de investimento. Segundo ele, o

crowdsourcing não compromete seus

valores sociais nas margens de lucro.

“Se produzida em massa, a bike pode

melhorar a vida de comunidades pobres

ao estimular a reciclagem de papelão e

outros itens, como plástico e borracha

utilizados na bicicleta tradicional, e com

isso gerar renda”, acredita.

Quer a sua? As doações podem ser

feitas pelo site Indiegogo. Quem doa, o

valor controverso, de pelo menos US$

290 irá receber uma bicicleta autografada

quando as primeiras entregas ocorrerem,

com previsão de entrega para em

março de 2015. Os ecologistas mais

panfletários questionam o alto preço de

venda, que extrapola o próprio conceito

de sustentabilidade proposto.

Com informações de Exame.com

Capacidade: até 140 quilos

Custo: US$ 9

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[ G O I Â N I A ]

Art Déco recuperada

Elisângela Vieira

Quem passa na Rua 4 esquina

com a 7, região Central de

Goiânia, tem a oportunidade

de se deparar com um edifício que nos

remete aos anos 30. Em estilo Art Déco,

o prédio que abriga uma das lojas da

rede Farmácia Artesanal passou por

reforma que teve o cuidado especial de

preservar cada detalhe da construção

erguida em 1945: marquises centrais

nos dois pavimentos, frisos decorativos

no coroamento da platibanda e balcão,

porta de aço com bandeiras de ferro

fundido e vidros com desenhos geométricos.

Telhas francesas na cobertura

da edícula dão um charme especial ao

prédio de uso misto - comercial no térreo

e residencial no pavimento superior. A

ideia de conduzir a restauração de um

verdadeiro patrimônio dos goianos

surgiu da necessidade de deixar à vista

de quem passa pela tradicional Rua 4

um exemplar do vasto acervo de Art

Déco guardado na Capital.

O estilo artístico inspirou a arquitetura

dos primeiros prédios de Goiânia. O

sobrado que abriga a loja da Farmácia

Artesanal teve sua fachada totalmente

recuperada, por meio do resgate e da

recomposição dos elementos Art Déco

originais, identificados através de uma

minuciosa pesquisa histórica, tendo como

fontes fotos que retratam farmácias da

década de 40 e dos primeiros prédios

construídos na Capital, projetada em

1933 por Atílio Correa Lima.

Teatro Goiânia

6 REVISTA ECOLÓGICA Nº 7 Ano V www.revistaecologica.com


[ G O I Â N I A ]

Que estilo é esse?

A Art Déco é um estilo

decorativo que se firmou entre

1925 e 1939 e influenciou as

artes plásticas, design, cinema e

arquitetura. Foi o resultado de

uma mistura de vários estilos do

início do século XX. Elegante,

funcional e ultramoderno, tem

padrões em linhas retas ou circulares

e formas geométricas.

Foi bastante popular na Europa

durante os anos 1920 e 1930

nos Estados Unidos. No Brasil,

tem em Goiânia um dos seus

mais expressivos acervos arquitetônicos.

Os primeiros prédios,

aqui da Capital, sofreram forte

influência em seu estilo como

o Teatro Goiânia e a antiga

Estação Ferroviária.

Relógio da Av. Goiás

Evandro Tokarski, diretor geral

da Farmácia Artesanal de Goiânia,

frisa que quem caminhava pela

região Central não tinha ideia da

preciosidade escondida de seus

olhos. A fachada do edifício estava

encoberta por uma estrutura

metálica, que camuflava todas as

suas características Art Déco ainda

preservadas. A primeira medida

tomada foi a retirada do painel. O

passo seguinte foi a recuperação

e valorização dos traços do estilo

arquitetônico. Teve-se o cuidado

e a preocupação de se substituir,

também, elementos que não faziam

parte da estrutura original do edifício,

como grades e janelas por esquadrias

fiéis às originais. A proposta de

recuperação arquitetônica incluiu,

ainda, a requalificação da calçada e

a sinalização da fachada. Para isso,

foi escolhido um letreiro de formas

reduzidas para permitir que a beleza

do prédio possa ser apreciada em

sua totalidade, além de contribuir

com a despoluição visual da cidade.

Ele espera que a iniciativa tomada

pela Farmácia Artesanal encoraje

outras empresas a fazerem o mesmo.

Janaina de Castro, arquiteta

responsável pelo projeto, que já

acompanhou outras obras parecidas

desenvolvidas pelo Instituto do Patrimônio

Histórico e Artístico Nacional

(IPHAN), destaca que a iniciativa

teve como grande motivadora a real

existência da preservação histórica

da Capital, que guarda hoje um dos

mais significativos acervos de Art

Déco do Brasil. Além, é claro, do

desejo da Farmácia Artesanal em

disponibilizar esse patrimônio para

a comunidade.

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[ S A Ú D E ]

Foto: Baru, Flavia Valsani

Cooperação saudável,

produtos naturais e talento

Cooperativas do Centro-Oeste mostram os resultados das pesquisas feitas com os insumos regionais

na feira internacional Naturaltech, em projeto do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)

Aumenta no mundo inteiro a

procura por uma vida mais saudável.

No Brasil não é diferente,

é sempre possível encontrar também

vários projetos e eventos relacionados

a esta temática. A Naturaltech 2013 –

9ª Feira Internacional de Alimentação

Saudável, Produtos Naturais e Saúde,

realizada em junho, em São Paulo (SP),

é um deles e por meio do Ministério do

Desenvolvimento Agrário (MDA), abriu

a várias cooperativas do Centro Oeste

a oportunidade de troca experiências

e exposição de seus produtos para um

público interessado do todo o país.

A Naturaltech deste ano foi realizada

em paralelo à Bio Brazil Fair/

BioFach América Latina – 9ª Feira

Internacional de Produtos Orgânicos

e Agroecologia. As cooperativas convidadas

estiveram no espaço Brasil

Orgânico e Sustentável, do Ministério

do Desenvolvimento Agrário (MDA),

como parte da programação do evento,

representadas por 24 empreendimentos

da agricultura familiar.

A Cooperativa Mista de Agricultores

Familiares, Extrativistas, Pescadores,

Vazanteiros e Guias Turísticos do

Cerrado (Coopcerrado), de Goiânia

(GO), expôs e comercializou alimentos

produzidos com um fruto nativo

do Cerrado, o baru: barras de cereais,

castanha torrada, biscoitos e granola,

o que permite ver a variedade de sua

utilização. Gergelim, mel e temperos

completaram a amostra de produtos

industrializados com a marca própria

da cooperativa.

O assessor comercial da Coopcerrado,

Abidoram de Souza Barros, avalia que

a feira é ideal para termos contato com

pessoas que queiram algo diferente. “Os

produtos de baru e a qualidade que

oferecemos são diferenciais; queremos

fazer bons negócios para aumentar a

oferta nos mercados”, completa.

O trabalho com pele e couro dos peixes

pacu e tilápia, da cooperativa dos artesãos

Mulher Peixe, de Coxim (MS) estiveram

também entre as atrações. Cerca de 40

pescadoras e mulheres de pescadores

curtem, tingem e transformam o material

em bolsas, carteiras, colares, pulseiras

e outros acessórios. Apresentadas na

Feira Internacional, partiram diretamente

dos rios do Centro-Oeste para

as mãos dos consumidores.

A cooperativa integra o Projeto

Talentos do Brasil Moda, iniciativa do

governo federal, por meio do MDA,

em parceira com o Sebrae Tocantins, a

cooperação técnica da Agência Alemã

de Cooperação Internacional (GIZ),

a Associação Brasileira da Indústria

Têxtil e Confecção (Abit) e a Agência

Brasileira de Promoção de Exportações

e Investimentos (Apex-Brasil).

As cooperativas presentes compunham

o Brasil Orgânico e Sustentável,

campanha do Ministério da Agricultura

Pecuária e Abastecimento, que tem como

foco fortalecer a agricultura familiar

por meio do incentivo ao consumo

de produtos orgânicos, sustentáveis e

saudáveis. Nove dos participantes também

fazem parte do Projeto Talentos

do Brasil Moda.

Fonte: MDA

8 REVISTA ECOLÓGICA Nº 7 Ano V www.revistaecologica.com


[ P U B L I E D I T O R I A L ]

Agricultura a favor do verde

O Projeto Renascer patrocinado pela Petrobras, através do Programa

Petrobras Ambiental continua a incluir novos agricultores

Sabendo da necessidade de recuperar

e proteger nascentes,

matas ciliares e áreas degradadas,

o Projeto Renascer realizou na

última quarta-feira (14) no salão de

recepção de frutas da Cooperativa de

Agricultura Familiar (Cooperafi) em

Itapuranga (GO), uma reunião com

os interessados em participar de mais

ações voltadas à temática ambiental. A

iniciativa teve como objetivo promover

uma discussão participativa com os

agricultores e direcionar as ações que

ainda serão desenvolvidas, de acordo

com a sua importância em âmbito local

e regional.

A reunião foi Conduzida pelo

Coordenador Geral, Sr. Werciton Faria,

juntamente com a equipe técnica

do Projeto Renascer, contando com

a presença da diretoria da Cooperafi

e produtores rurais do município de

Itapuranga e circunvizinhos e interessados

em participar da iniciativa.

A apresentação do projeto foi realizada

pela equipe técnica. Em seguida os

produtores rurais puderam fazer suas

perguntas e solicitar esclarecimentos

a respeito da metodologia, objetivos e

metas a serem atingidas pelo projeto.

Na ocasião esteve presente a Dra.

Sônia Helena Muniz Lemos Moreira

(Procuradora do Município de Goiânia)

ressaltando a importância do projeto,

não só para os produtores, mas para a

sociedade em geral.

O Projeto Renascer surgiu da necessidade

de superar os desafios de processos

produtivos rurais sem que suas ações

interfiram nos processos ambientais,

ou seja, para que a produção se torne

ecologicamente correta e economicamente

viável aos produtores. Partindo

do princípio de que os produtores rurais

que se interessem em recuperar e preservar

suas nascentes, matas ciliares e

áreas degradadas, o projeto os auxiliará

na execução destes objetivos, para que

futuramente biodiversidade e processo

produtivo caminhem juntos.

O projeto prevê a recuperação de

nascentes, córregos, matas ciliares,

reserva legal e áreas degradas de pequenas

propriedades no município de

Itapuranga (GO) e circunvizinhos, com

a implantação de sistemas agroflorestais

nas propriedades, utilizando espécies

frutíferas e nativas e ainda através

de ações de educação ambiental com

crianças e a capacitação de adultos.

O projeto é executado pela Cooperafi

e teve início em janeiro de 2011. Além

dele, a cooperativa trabalha com objetivo

de melhorar a renda dos agricultores

familiares através da comercialização

de leite, frutas e hortaliças.

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[ R E C O R D E ]

Guiness colorido

Guinness inclui recorde mexicano de reprodução de araras

Pela segunda vez o parque mexicano

Xcaret, localizado em Cancun, ganhou

o prêmio Guinness World Record, pelo

nascimento de 132 araras vermelhas reproduzidas

em cativeiro em 2012, uma margem de 25%

maior do alcançado em 2009, quando ganhou

seu primeiro reconhecimento.

Durante entrevista à imprensa local, o presidente

do Xcaret, Miguel Quintana, explicou

que, há 25 anos nascia um sonho – o de salvar

as araras vermelhas da ameaça de extinção, que é

uma consequência de sua captura e tráfico ilegal,

bem como a degradação do seu habitat natural.

Quintana lembrou ainda que seu trabalho

iniciou com apenas um casal de araras, mas desde

então ele estabeleceu uma meta para atingir o

número de 100 casais reprodutores “e acabamos

de fazê-lo”. Em 1994 nasceram as seis primeiras

araras, e cinco anos depois, após ter aperfeiçoado

a técnica, nasceram 20 aves em um ano.

O presidente da Experience Xcaret também

ressaltou que o programa de reprodução das araras

tem sido um sucesso, tanto que, até os dias de

hoje, cerca de mil espécies ainda vivem no parque.

A quantidade existente das araras vermelhas no

México e na América Central – ao todo somam

400 espécies – incentivou o programa de procriação

para que a espécie volte ao seu habitat natural.

Na última semana, as aves começaram a ser

devolvidas à natureza. Um bando com 20 araras

foram inseridas na selva de Palenque, em Chiapas.

Em três meses os responsáveis pelo trabalho

pretendem libertar mais 28 aves.

Para o próximo ano, Quintana estima dobrar a

reprodução das aves e espera conseguir gerar 500

novas araras. Segundo ele, o esforço não é para

conseguir mais prêmios, e sim para introduzir o

maior número de aves desta espécie na natureza,

“esse é o objetivo do que estamos fazendo”, repovoar

as selvas Mexicanas.

Com informações do site Crónica: bit.ly/Ararasmx

10 REVISTA ECOLÓGICA Nº 7 Ano V www.revistaecologica.com


[ E X E M P L O R A R O ]

Homem da floresta

Indiano plantou sozinho 550 hectares

e quer criar mais uma floresta

Jadav realizando trabalhos na floresta

O

ativista indiano Jadav Payeng

plantou sozinho cerca de

550 hectares de floresta, na

região de Jorhat, a 350 quilômetros

de Guwahati, onde vive. Este feito fez

do indiano um exemplo, provando

que uma pessoa dedicada é capaz de

melhorar o mundo.

Mesmo assim, como se esta boa ação

não fosse o suficiente, Payeng pretende

dedicar seus próximos 30 anos de vida

criando mais uma floresta. Agora sua

meta é plantar mais 526 hectares

de floresta.

“Pode demorar mais 30 anos, mas eu

estou otimista”, disse Payeng em entrevista

à imprensa indiana. “Sinto-me triste

quando vejo as pessoas derrubarem

árvores. Temos de salvar a natureza ou

então vamos todos morrer”, lamenta.

Tudo começou em 1979, quando

ele tinha 16 anos e assistiu à morte

de vários animais desprotegidos pela

falta de floresta na região de Assam,

no norte da Índia. Desde então ele

começou plantar árvores, de modo

que transformou completamente a

paisagem local.

Décadas mais tarde, o ecossistema

criado por Payeng tornou se um

refúgio seguro para uma variedade de

pássaros, veados, rinocerontes, tigres

e elefantes - espécies ameaçadas pela

perda de habitat próprio na região.

O indiano vive na floresta que plantou,

ao lado da esposa e de três filhos,

criando vacas e vendendo o leite na

cidade. “Eu posso viver uma vida muito

humilde, mas sinto-me satisfeito por ter

sido capaz de estimular muitas pessoas

que amam a natureza”. E complementa:

“os meus esforços não foram em vão”.

www.revistaecologica.com Ano V Nº 7 REVISTA ECOLÓGICA 11


[ R E S P O N S A B I L I D A D E ]

Chuva de veneno

Crianças sofrem consequências do descaso e esperam que empresa causadora assuma os danos

A

luz mortiça de uma lamparina a

querosene incide sobre as pétalas

da rosa de plástico, enegrecidas

pela fuligem do fogão a lenha e ressecadas

pelo tempo. Sentados próximo ao fogão,

como ocorre algumas vezes em muitos

assentamentos de pequenos agricultores

que vivem próximos às áreas que cultivam,

estão toda a família e alguns amigos.

A expressão compenetrada de todos

deixa bastante claro que o assunto é sério

e grave. Desta vez não foi nenhuma traquinagem

dos caçulas, ou uma gravidez

prematura de alguma menina que se faz

moça. O tema das conversas é a respeito

do envenenamento de crianças e adultos

por agrotóxicos pulverizados sobre a

Escola Municipal São José do Pontal,

onde a maioria estuda.

Pontal dos Buritis, o assentamento

rural onde moram, fica a cerca de 130

km da sede do município de Rio Verde,

às margens da GO-174. É uma região

de terras férteis e de grande produção de

grãos, cana-de-açúcar, algodão e carne do

Estado de Goiás. As crianças relatam as

consequências de sua exposição ao Engeo

Pleno, agrotóxico despejado sobre

elas por um avião da empresa Aerotex

Aviação Agrícola Ltda., crime ambiental

que virou notícia na televisão comparado,

em gravidade, com o acidente do Césio

137, em Goiânia, como souberam antes

da energia acabar. Logo após os sobrevoos,

relatam, a maioria dos atingidos começou

a demonstrar sintomas de intoxicação.

Dores de cabeça, náusea seguida de

vômitos, irritação cutânea, tontura,

formigamento dos membros, falta de ar

e desmaios causaram uma sensação de

pânico e desespero entre professores,

alunos e funcionários da escola. A situação

era tão grave, que a estrada que dá acesso

à escola, foi fechada pelos Bombeiros,

Samu (Serviço de Atendimento Móvel

de Urgência) e ambulâncias da Secretaria

de Saúde, para que todos pudessem ser

medicados no local. Posteriormente foram

levados aos hospitais de Montividiu (54

km da escola) e Rio Verde e liberados

após a medicação. Alguns deles tiveram

que procurar auxílio médico várias vezes.

12 REVISTA ECOLÓGICA Nº 7 Ano V www.revistaecologica.com


[ R E S P O N S A B I L I D A D E ]

Wendy (11), com seu jeito doce

lembra a personagem da obra Peter

and Wendy, do escritor escocês J. M.

Barries, relata que o avião sobrevoou a

escola várias vezes e ela mesma e colegas

correram atrás dele divertindo-se. Em

algum momento tiveram a impressão

de que o monomotor cairia. O que

parecia uma brincadeira do piloto,

revelou-se uma atrocidade.

O incidente, já caracterizado como

crime ambiental, ocorreu pouco depois

das 9 da manhã, quando 88 alunos, 8

professores e funcionários da escola

municipal que participavam do recreio

foram atingidos pela chuva fina e mal

cheirosa do agrotóxico. O diretor da

escola, Hugo Alves dos Santos foi

atingido pelos respingos do veneno

jogado diretamente sobre ele no estacionamento.

Segundo Hugo, David

Colpo, o piloto preso em flagrante,

mas solto dois dias depois após pagar

fiança, “percebeu sua presença no estacionamento,

ao olhar diretamente para

ele”. As declarações iniciais do piloto

de que não havia visto a escola foram

consideradas mentirosas por Gessi

Cabral Guimarães, bióloga e professora

da escola, que afirmou “Um prédio do

tamanho da escola não pode deixar de

ser visto. Com tantas crianças brincando

no pátio, não tem lógica.” arrematou.

Além do prédio, (a quadra de esportes

fica a 50 metros da escola), as áreas de

terra batida de cor vermelha em volta

da escola a tornam inconfundível, em

contraste com o verde do milharal à

sua volta. De acordo com as normas

de aplicação do veneno, a altura do

voo deve ser de 2 a 4 metros acima

do alvo, o que torna completamente

impossível o piloto não perceber que

sobrevoava a escola.

O veneno

Engeo Pleno, o agrotóxico usado

para pulverizar a lavoura de milho próximo

à escola contém, entre outros, o

Crianças menores de sete anos que foram contaminadas

não se deixam abater pelos problemas de saúde

ingrediente ativo (Tiametoxan), suspeito

de causar o fenômeno do colapso das

colônias de abelhas, já que atua diretamente

sobre o sistema nervoso dos

insetos. As abelhas perdem o sentido de

orientação e não conseguem encontrar

o caminho de volta à colmeia a que

pertencem. A partir de dezembro de

2013, por decisão da Comissão Europeia,

sua utilização será proibida na

Europa, inicialmente por dois anos. No

Brasil, a empresa detentora da patente

e importadora do veneno, qualificado

como ALTAMENTE PERIGOSO

AO MEIO AMBIENTE (Classe I),

a mais elevada, é a Syngenta Proteção

de Cultivos Ltda. Embora a bula fornecida

pela empresa afirme que ratos

e camundongos usados para testes

dérmicos não apresentaram irritação

cutânea durante os teste de laboratório,

algumas crianças chegaram a ter a pele

ferida, tal a reação alérgica ao Engeo

Pleno. Todo e qualquer contato com a

lavoura pulverizada com pesticida só

pode ocorrer, sem equipamentos de

proteção individual (EPI), 24 horas

após sua aplicação, como consta na

bula do veneno.

Profissionais que chegaram ao

assentamento, vindas de várias partes

do País se depararam com a frágil situação

da saúde das crianças e adultos.

Lia Giraldo, médica e pesquisadora e

Karen Friedrich, biomédica, ambas da

Fiocruz, Wanderley Pignati, médico e

pesquisador da Universidade Federal

do MT (UFMT) e funcionários da

Associação Brasileira de Saúde Coletiva

(ABRASCO) são contra o uso

de agrotóxicos a fim da preservação da

vida. A Fio Cruz e a Abrasco lançaram

uma nota de repúdio à pulverização

aérea ressaltando os problemas à saúde

das vítimas.

Foto: Jörg Andres

www.revistaecologica.com Ano V Nº 7 REVISTA ECOLÓGICA 13


[ R E S P O N S A B I L I D A D E ]

O problema persiste

Dados do relatório da Subcomissão

Especial Sobre o Uso de Agrotóxicos

na Câmara Federal, indica que 70%

do produto aplicado por avião não

atinge o alvo, esse conteúdo contamina

o solo, os rios e populações inteiras.

As crianças da Escola de Pontal dos

Buritis ainda sofrem contaminações

indiretamente, pelo fato da escola

estar ilhada na plantação de milho.

“Os alunos dizem que continuam com

dor de cabeça e dor de barriga. Houve

pais que perderam seus serviços porque

tiveram que ficar períodos na cidade

para cuidar das crianças, ou precisaram

ir e vir muitas vezes. Estamos à deriva

do veneno”, afirma incisivo o professor

Hugo, avaliando a situação após

a contaminação.

Segundo o pesquisador Wanderley

Pignati, dez escolas se encontram na

mesma situação, ocasionados pelos

mais variados tipos de agrotóxicos. A

quantidade de surtos por intoxicação é

motivada pelo baixo nível de instrução

dos aplicadores. Os últimos dados

divulgados pelo Instituto Brasileira de

Geografia e Estatística (IBGE) indicam

que 56,3% dos estabelecimentos

agrícolas que utilizam agrotóxicos não

recebem assistência técnica para essa

prática. Nas plantações onde houve

aplicação do produto, 77,6% dos

responsáveis declararam ter ensino

fundamental incompleto e 15,7% não

sabem ler e escrever. Esses trabalhadores

encontram dificuldades para entender

o que está escrito nas embalagens dos

agrotóxicos, fato que potencializa o

risco de intoxicação.

Enquanto não haver mudanças para

instruir trabalhadores rurais e extinguir

a pulverização aérea, as cenas serão as

mesmas: a família reunida próximo ao

fogão, aguardando a energia voltar,

com os semblantes enegrecidos pela

pouca luz da lamparina, ressaltado

nos olhos vazios e sofridos, como de

quem espera uma solução intangível

e precisa utilizar as próprias mãos

para resolver. Ou quando se deitam

para dormir, os sonos são regados de

preocupação com a intoxicação sofrida e

com futuras complicações clínicas, mas

também esperançosos de que a empresa

causadora assuma a responsabilidade

pela fatídica chuva de veneno.

A cena acima é fictícia, pois não

a presenciamos como descrita. Mas

pode ter acontecido...

Crianças brincam no parquinho onde o piloto despejou o agrotóxico

Foto: Jörg Andres

Foto: Jörg Andres

14 REVISTA ECOLÓGICA Nº 7 Ano V www.revistaecologica.com


[ Á L C O O L ]

Haja combustível!

Brasil precisará de 100 novas usinas de etanol até 2020

As descobertas recentes

das reservas de petróleo

em mares brasileiros

ainda não trouxeram projeções

otimistas para sanar a demanda

energética brasileira. Estimativa

da União da Indústria de Cana-

-de-Açúcar (Unica) aponta que

cultura deve seguir avançando

no país para conseguir atender

à demanda por combustíveis

chamados leves, o que inclui,

além da gasolina e o gás natural,

também o álcool.

Segundo suas projeções, nos

próximos oito anos a procura

crescerá 50%, sendo necessárias,

para atender ao aumento

da demanda, pelo menos 100

novas usinas. É o que avalia o

setor sucroalcooleiro, em dado

apresentado pela presidente da

Unica, Elisabeth Farina, durante

a abertura do evento Ethanol

Summit 2013.

Farina acredita que o setor

tem condições de dar conta da

expansão da demanda. “Temos

que dobrar a produção de etanol,

e isso significa investir. A gente

precisara repetir o crescimento

de 2006 a 2009”. De acordo

com a presidenta da Unica, o

carro com motor flex, dez anos

no mercado nacional, é considerado

o maior ativo da indústria

sucroalcooleira. “São 20 milhões

de veículos que não estão usando

a potencialidade, que poderiam

em relação ao etanol hidratado”.

O Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico e Social

(BNDES), mais uma vez, será

o responsável por financiar esta

alavancada da produção alcooleira,

investimento cerca de 6 bilhões

de Reais, com a meta de voltar

aos patamares históricos para

o setor. “Os investimentos, de

2008 a 2012, resultaram em

modernização e expansão de

fábricas e lavouras. O BNDES

desembolsou cerca de R$ 30

bilhões na época; já em 2013,

até abril, cerca uma pouco mais

de R$ 3 bilhões”.

O Plano Decenal de Energia

trará grande oportunidade para

investimentos, é o que revela o

secretário de Petróleo, Gás Natural

e Combustíveis Renováveis, do

Ministério de Minas e Energia,

Marco Antônio Martins Almeida.

“Se nós dobrarmos a capacidade

de produção de etanol no Brasil,

ainda precisaremos colocar um

volume correspondente a 14

bilhões de litros de gasolina em

2020 para completar. E isso pode

ser o álcool”.

A projeção de cenário para os

próximos anos se apresenta como

oportunidade, mas que para ser

aproveitada, dependerá de vários

fatores. Um deles é, de fato, uma

clareza da nossa política de preço

de combustível.”, finalizou Farina.

Com informações da Agência Brasil

www.revistaecologica.com Ano V Nº 7 REVISTA ECOLÓGICA 15


[ E N E R G I A E Ó L I C A ]

Os ventos que nos movem

Energia eólica avança a passos largos no Brasil, mesmo sem subsídios estatais relevantes

Barata, limpa, abundante. Somente estes adjetivos já

seriam suficientes para que a energia eólica recebesse

atenção semelhante a outras fontes renováveis. Mas,

por enquanto, esta alternativa energética ainda é incipiente

no Brasil, onde três quartos da produção de eletricidade são

provenientes de usinas hidrelétricas. Atualmente, a capacidade

de energia eólica no país é de 2,5 gigawatts (GW), mais ou

menos o que apenas um parque eólico produz no Reino Unido.

O empresário Everaldo Feitosa, presidente da empresa

Eólica Tecnologia e vice-presidente da Associação Mundial

de Energia Eólica (WWEA, na sigla em inglês), aponta que

a fonte de energia eólica é mais barata no Brasil. “Também na

comparação mundial, nenhuma outra fonte de energia tem

custos tão baixos como o uso dos ventos brasileiros”.

O físico Heitor Scalambrini, da Universidade Federal de

Pernambuco, acredita que as vantagens do mercado brasileiro

estão nas boas condições climáticas. “O vento no Nordeste

é constante, calmo e tem uma velocidade média ideal para

mover turbinas eólicas”, avalia. Contudo, o potencial ainda

não despertou interesse do governo brasileiro. O único apoio

estatal são empréstimos a juros baixos concedidos pelo BNDES.

O lado negativo também existe. Heitor Scalambrini, da

Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA) e da Articulação

Antinuclear Brasileira (AAB), destaca que muitos parques

eólicos foram construídos fora da lei. A pesquisadora Cecília

de Mello diz que há relatos de dunas e manguezais comprometidos.

“As dunas são filtros de água do mar. Para várias

comunidades pesqueiras, o único acesso à água que elas têm

é a água das dunas”.

Segundo a pesquisadora, a convivência das famílias com a

estrutura também não é pacífica. “Muitas hélices ficam sobre

as casas e as pessoas têm a sensação de viverem debaixo de

um avião que nunca pousa”, completa. Feitosa concorda que

houve “projetos errados”, mas considera que eles não causam

danos, pois estão construídos longe das cidades. Além disso,

as leis brasileiras são muito rigorosas, afirma. Ele acrescenta

que o Brasil está num rumo ascendente e vê o país entre os

cinco maiores produtores de energia eólica do mundo em 2020.

Investidores internacionais e locais estão atentos ao enorme

potencial. Segundo o mais recente relatório da WWEA,

a capacidade instalada no país quase triplicou entre 2010 e

2012, com condições de crescer ainda mais. A meta, segundo

Feitosa, é produzir 1,5 gigawatts. “Vamos levar este projeto

ao governo”, revela, esperando bons ventos.

Com informações da Agência Brasil

16 REVISTA ECOLÓGICA Nº 7 Ano V www.revistaecologica.com


[ A L I M E N T A Ç Ã O ]

Você tem fome de quê?

Alimentos funcionais ajudam a combater a ansiedade

Da pedra lascada à Lua não

foi um pulo, milhares de

anos da chamada evolução

permitiram ao homem avanços nunca

antes imaginados, e com eles, um ritmo

de vida que tem causado danos à saúde

de muitos mortais.

De tão comum, a ansiedade não chega

a ser considerada doença, mas pode ser

um princípio, um desencadeador de

problemas mais graves. Se mal dosada,

pode incomodar em várias situações,

é o que alerta o psicólogo do Hospital

Nossa Senhora das Graças, de Curitiba,

José Roberto Palcoski. “Estar ansioso

antes de algum evento especial ou de

uma entrevista de emprego é normal.

De certa forma a ansiedade é benéfica,

já que ela incentiva a concretização

dos objetivos”.

A grande maioria dos médicos e nutricionistas

defende que a saúde começa

pela boca, ou seja, a alimentação pode

ser determinante para a manutenção da

saúde. É o que defende as professoras e

nutricionistas da Universidade Gama

Filho, Eliana Louzada e Daniela Caetano,

que listaram os alimentos que podem

ajudar a combater a sensação que ataca 10

entre 10 pessoas de todas as idades. Sua

pesquisa aponta que os alimentos ricos

em aminoácidos e vitaminas essenciais

atuam no combate à ansiedade e eleva

dos níveis de serotonina, responsável

pelo bem-estar e relaxamento. Confira

alguns deles:

FRUTAS CÍTRICAS

JABUTICABA

CHOCOLATE

Contém vitamina C, que auxilia a reduzir

a secreção de cortisol, hormônio liberado

pela parte superior da glândula supra-

-renal em reação à ansiedade e ao estresse.

A fruta é rica em carboidratos e vitaminas

do complexo B, que atuam como

antidepressivos.

É rico em flavonoides, antioxidante que

melhoram a produção de serotonina e

contribuem para aplacar a sensação de

ansiedade. Cerca de 30 g de chocolate

por dia, de preferência amargo que é mais

rico em flavonoides, ajudam a diminuir

a angústia.

OVOS, LEITE E

DERIVADOS

MAGROS

CARNES E PEIXES

Excelente fonte de aminoácido, o tripofano, que alivia os principais

sintomas de ansiedade.

São as fontes mais naturais de tripofano, que em parceria com

a vitamina B3 e o magnésio produzem serotonina que também

contribui no processo do sono.

Com informações de Universidade Gama Filho

www.revistaecologica.com Ano V Nº 7 REVISTA ECOLÓGICA 17


[ A L I M E N T A Ç Ã O ]

Vai uma larvinha aí?

Empresa brasileira, especializada na produção de insetos para a alimentação de

animais, entrou com o pedido para obter a licença para garantir o consumo humano

Muito comum em alguns países,

o consumo de insetos

na alimentação humana

tem sido estudado como alternativa

nutricional, sendo até recomendado

pela Organização das Nações Unidas

para Agricultura e Alimentação (FAO,

na sigla em inglês).

O Brasil não foge à regra e, mesmo

com a resistência da maioria, conta com

algumas espécies no cardápio. É o caso

da formiga tanajura (o mais comum

deles), que é um alimento relativamente

tradicional em regiões do interior de

Minas Gerais e do Nordeste. A larva

do besouro Pachymerus nucleorum,

conhecida como “larva do coquinho”,

também é consumida em brincadeiras

na zona rural e em treinamentos de

sobrevivência na selva.

Apesar da recente recomendação do

órgão da ONU, o governo brasileiro ainda

não dá muita importância ao assunto.

No Guia Alimentar para a População

Brasileira, o Ministério da Saúde não

faz nenhuma menção ao consumo de

insetos. A Secretaria de Segurança

Alimentar e Nutricional (Sesan), do

Ministério do Desenvolvimento Social

e Combate à Fome (MDS), por sua vez,

entende que esse hábito alimentar não

faz parte da cultura brasileira e não tem

estudos neste sentido. O Ministério da

Agricultura endossa ao afirmar que não

há registro oficial de estabelecimentos

que produzam insetos para o consumo

humano.

Uma empresa de Minas Gerais, especializada

na produção de insetos para

a alimentação de animais, a Nutrinsecta

assegura que entrou com o pedido para

obter a licença, e que ainda não recebeu

resposta. Com a orientação da FAO, a

empresa espera que o mercado cresça e

se prepara para atender a uma possível

18 REVISTA ECOLÓGICA Nº 7 Ano V www.revistaecologica.com


[ A L I M E N T A Ç Ã O ]

demanda. “Nunca fiz nenhuma gestão para alimentação humana

devido ao preconceito”, é o que revela Luiz Otávio Gonçalves,

presidente do Grupo Vale Verde, ao qual a Nutrinsecta pertence.

“Eu espero fortemente que o governo brasileiro reconheça os

insetos como fonte de alimentos dos brasileiros”, afirma Eraldo

Costa Neto, professor da Universidade Estadual de Feira de

Santana (BA), que pesquisa as relações entre humanos e insetos.

“Infelizmente, o governo ainda vê insetos como pragas”, completou

o especialista, único brasileiro a participar da convenção

da FAO que deu origem ao relatório.

Embora o relatório tenha sugerido os insetos como uma

forma de combate à fome, esse não é o único objetivo da organização.

A ideia, em longo prazo, é criar o hábito e incluí-lo

no cardápio como um todo. “Inseto não é para gente pobre e

desnutrida. Inseto é para ser consumido por todos”, completa

o especialista.

NUTRIENTES

A grande quantidade de proteínas encontrada é o que motivou

a FAO recomendar o consumo de insetos. “As proteínas

são nutrientes necessários ao organismo para o crescimento,

desenvolvimento e reparação dos tecidos corporais. Além de

fazerem parte de diversas estruturas do organismo, compõem

enzimas, hormônios, fazem transporte de nutrientes e compõem

o sistema imunológico”, explicou a nutricionista Lara Natacci,

responsável técnica da Dietnet Assessoria Nutricional, de São Paulo.

Os insetos também são muito ricos em gordura, poli-

-insaturadas (a mesma de peixes e oleoginosas), que não fazem

mal. Minerais – em especial o ferro, essencial para combater a

anemia; sódio, potássio, zinco, fósforo, manganês, magnésio,

cobre e cálcio são outros pontos a favor dos insetos.

TIPOS

Os insetos encontrados em casa não devem ser incluídos na

dieta da noite para o dia. “Não se deve pegar animais porque eles

podem estar contaminados ou ser impróprios para alimentação

humana. Existem milhões de espécies de insetos e muitas delas

não são comestíveis em hipótese nenhuma”, alerta Costa Neto.

Segundo ele, ainda falta muita pesquisa básica para saber

que espécies de insetos estariam aptas para o consumo humano.

“Outro cuidado necessário para quem tiver curiosidade em

consumir os insetos tem que ter é em relação às alergias. Os

crustáceos, como o camarão e a lagosta, pertencem ao mesmo

filo que os insetos, o dos artrópodes. Assim, quem tiver alergia a

um grupo possivelmente também terá reação alérgica ao outro”.

Com informações do G1

www.revistaecologica.com Ano V Nº 7 REVISTA ECOLÓGICA 19


[ OS IRMGBÂ INOISCE O]

S ]

Peixes e tomates

crescem juntos

Cultivo combinado de peixes e tomates reutiliza água em sistema inteligente. Modelo poderia ser usado em países que

sofrem com escassez do recurso e que têm abundância de luz solar

Werner Kloas

A

água tem sido foi alvo de estudo em todo o

mundo, pois sua escassez representa um risco

à manutenção da vida no planeta. As áreas

agrícolas e industriais utilizam grande parte deste

recurso, muitas vezes, inadequadamente, sem critério

de economia e preservação ambiental. No entanto, um

novo método pode garantir a qualidade dos alimentos

a partir do reuso da água.

O biólogo Werner Kloas, do Instituto Leibniz de

Ecologia de Água Doce e Pesca, em Berlim, criou um

sistema de cultivo combinando entre peixes e tomates.

Centenas de peixes da família dos ciclídeos – que inclui

gêneros como a tilápia – são cultivados em tanques

dentro de uma estufa de vidro, no mesmo ambiente

onde inúmeros tomateiros crescem. Suas raízes estão

fixas em uma lã mineral alojada em calhas de plástico

preto. Este tipo de cultivo não é novidade, nem mesmo

a criação de peixes em tanque. O inovador é que a água

onde os peixes nadam é a mesma utilizada na criação

do tomate. A água passa do tanque dos peixes para a

estufa das plantas através de uma válvula de sentido

único. “A irrigação e os nutrientes que as plantas precisam

vêm direto do tanque de peixes”, complementa Kloas.

PURIFICAÇÃO DA ÁGUA

Um dos nutrientes que funcionam como fertilizantes

naturais é a amônia. O composto químico é

liberado pelos peixes na água, no entanto, a substância

é toxica para os seres aquáticos, exigindo que a água

seja trocada rotineiramente. Todavia, essa água funciona

como fertilizante natural para as plantas. Ela é

transferida entre os tanques de peixes para a estufa

de plantas por calhas de plástico branco.

Numa primeira fase, os resíduos dos peixes passam

por uma peneira, depois a água segue para um biofiltro.

O que sai dessa segunda etapa é armazenado em um

tanque preto. Dentro do tanque, é possível avistar

20 REVISTA ECOLÓGICA Nº 7 Ano V www.revistaecologica.com


[ S I M B I O S E ]

partículas de plástico que flutuam na

água. Nelas, um biofilme de bactérias se

forma. “Essas bactérias estão presentes

no ar, são chamadas de nitrosomonas

ou nitrobacter”, explica o Kloas. “Uma

delas transforma amônia em nitrito,

a outra faz do nitrito o nitrato”. Esse

último é um componente essencial

para a produção de fertilizantes. Após

a transformação, a água é levada para a

estufa onde estão os tomates plantados.

A diferença neste sistema é que as

plantas ao absorverem água, liberam

o excesso em forma de vapor de água.

Um mecanismo instalado no telhado

da estufa faz com que o vapor seja

condensado, retornando aos tanques

para nova irrigação das plantas.

ECONOMIA

Com esse sistema de circuito

fechado, não há a necessidade de se

utilizar sempre uma reserva extra de

água. “Só precisamos repor apenas

10% de água doce por dia. Podemos

economizar muita água e, portanto,

gerenciar um sistema sustentável”,

comenta Kloas.

O método pode ser benéfico para

regiões que sofrem com escassez de

água, como uma alternativa para produção

alimentos. Por outro lado, esse

mecanismo consome muita energia. O

ideal para uma produção sustentável e

econômica é o uso da energia solar ou

do calor residual de indústrias para a

produção de energia elétrica.

Em Berlim, na estufa é cultivado

apenas tomate. No entanto, experiências

com outros tipos de alimentos

já estão em andamento e apesar do

método incomum, o sabor original

dos legumes não foi alterado.

Com informações Deutsche Welle

[ C U R I O S I D A D E ]

Abelhas podem encontrar minas

Grupo de cientistas descobre que abelhas treinadas pode ser a nova solução para detectar minas terrestres

Escuta-se um estouro seguido de

uma explosão. Rápido e instantâneo

que impossibilita de fugir. As minas

terrestres são acionadas por uma pressão

no terreno acima delas que pode causar

às vitimas sobreviventes ferimentos

graves e mutilações. Seu potencial altamente

destrutivo resultou na morte

de 18 mil pessoas de acordo com o

The Guardian, entre os anos de 1999 a

2008. Desse total, 71% das vítimas eram

civis e 32% crianças. No entanto, 55.576

pessoas foram supostamente vítimas do

artefato explosivo.

A descoberta dos locais nos quais as

minas terrestres se encontram escondidas

é uma questão de segurança para a população

que reside nesses locais. Alguns

esquadrões antibomba já empregam

animais como ratos e cães para detectar

esses artefatos, no entanto, alguns deles

são altamente sensíveis que podem ser

detonados com o menor dos pesos.

Uma nova alternativa surgiu quando

pesquisadores da Universidade

de Zagreb, na Croácia, descobriram

como treinar abelhas para detectar as

minas escondidas.

NOVA TÉCNICA

De acordo com uma notícia divulgada

pela BBC, os pesquisadores aproveitam

do incrível olfato das abelhas para farejar

as minas terrestres. Elas são treinadas a

partir do cheiro de uma solução de açúcar

ao de TNT, que é o explosivo mais

utilizado na fabricação desses artefatos.

O objetivo é fazê-las associar o odor do

explosivo ao do alimento.

Depois de treinadas, são liberadas

nos campos à procura não mais de

pólen, mas das minas terrestres e como

são pequeninas e muito leves, podem

voar de mina a mina sem provocar suas

detonações. Segundo os cientistas, as

abelhas são capazes de detectar odores

a 4,5 quilômetros de distância.

O estudo está em andamento desde

2007, pois, conforme explicaram os

pesquisadores croatas, treinar uma abelha

é relativamente fácil, mas fazer o mesmo

com uma colônia inteira pode ser um

problema. As primeiras experiências foram

realizadas na Croácia, já que o país tem

minas e outros explosivos enterrados em

sua superfície, uma herança lamentável

das Guerras Balcânicas.

Com informações da BBC Brasil

www.revistaecologica.com Ano V Nº 7 REVISTA ECOLÓGICA 21


[ C O N T A M I N A Ç Ã O ]

Ervas medicinais

chinesas

contaminadas

por agrotóxicos

Greenpeace alerta sobre os impactos devido ao uso extensivo de agrotóxicos

no cultivo de plantas, que podem causar sérios danos à saúde do consumidor

Há milhares de anos, a utilização

de ervas em produtos

da medicina chinesa tem

se perpetuado não só como parte da

cultura, mas também como prática

amplamente empregada no tratamento

e cura de doenças. No entanto, a

adequação do cultivo aos métodos

da indústria agrícola contemporânea,

marcada pela produção em larga escala,

pode ameaçar o potencial de atu ação

destes produtos em benefício à saúde. A

contaminação das plantas pelo uso de

coquetéis tóxicos de pesticidas, nocivos

ao organismo e também ao meio ambiente,

tem sido motivo de preocupação

de representantes do Greenpeace.

Estudo divulgado por esta organização

não governamental de proteção à

natureza apontou concentrações elevadas

de resíduos tóxicos, que superam em

centenas de vezes os padrões de segurança

da União Europeia. A pesquisa

coletou 65 amostras de produtos feitos

com ervas e descobriu 51 diferentes

tipos de resíduos de pesticidas, cuja

exposição é considerada altamente

perigosa à saúde humana, causando

dificuldades de aprendizagem, disfunção

hormonal e anomalias reprodutivas.

Foram detectados resíduos de toxinas

consideradas ilegais na China em

26 amostras.

“Estes resultados expõem as falhas

do atual sistema de agricultura industrial,

que é amplamente dependente

de produtos químicos à custa da saúde

humana e ambiental”, apontou o ativista

de agricultura ecológica do Greenpeace,

Jing Wang. Dentre as ervas coletadas,

como a flor de San Qi apresentavam

níveis altamente tóxicos de pesticidas:

500 vezes acima do limite de segurança.

Os impactos do cultivo das ervas com

pesticidas vão além da questão de saúde

pública. Paralelamente ao relatório, uma

pesquisa divulgada pelo Greenpeace, em

abril deste ano, comprovou a existência

de poluentes, provocados por depósitos

ao ar livre de lixo e lançados por

indústrias de fertilizantes de fosfato,

em comunidades e mananciais vizinhos.

A produção deste tipo de agrotóxico

resulta em um subproduto denominado

fosfogesso, substância que contamina

as águas e traz sérios riscos à se-

22 REVISTA ECOLÓGICA Nº 7 Ano V www.revistaecologica.com


Fosfogesso

[ C O N T A M I N A Ç Ã O ]

gurança alimentar.

Na China, os números relativos a

esta indústria são assustadores: atualmente

maior produtor mundial de

fertilizantes fosfatados, detentor de 40%

da fabricação em todo o planeta, o país

teve um aumento avassalador em sua

produção de 2011 até então, chegando

a dobrar para mais de 20 milhões de

toneladas. Os resultados de tamanha

expansão são ainda piores: a partir desta

quantidade foram acumulados mais de

300 milhões de toneladas de poluentes,

como o fosfogesso, que são absorvidos

pelo solo e pelos recursos hídricos.

IMPACTOS SOBRE A POPULAÇÃO

Graças ao fortalecimento do setor

agrícola chinês aos moldes capitalistas,

a vida de centenas de famílias que habitam

próximo ao lixão aberto está em

risco iminente. A população vizinha,

por falta de iniciativa do governo, tem

se empenhado em remover os resíduos

por conta própria, sujeita a ser contaminada.

Além disso, alguns moradores

optaram por abandonar suas casas.

Foram verificadas, nas amostras

de fosfogesso coletadas, a presença

de flúor em nível acima dos limites, e

ainda metais pesados tóxicos como o

arsênio, cádmio, cromo e mercúrio,

substâncias perigosas.

Com informações do UOL/AFP

Japoneses criam tecido capaz

de gerar energia a partir do Sol

[ E N E R G I A ]

Tecido criado por japoneses carrega celulares através de energia solar

Imagine uma roupa que carrega a

energia de um telefone celular. Imagine

usar esta roupa. Os pesquisadores

japoneses desenvolveram tecidos

capazes de transformar energia solar

em energia elétrica. Os avanços em

estudos de robótica e alta tecnologia

possibilitaram a criação de uma “malha”

de material elástico constituída de fios

de células fotovoltaicas (nano tubos de

carbono) capazes de conduzir energia

elétrica. Esses fios possuem uma

esfera de 1,2 metros fabricados pela

empresa Sphelar-Power, de Kyoto.

A expectativa dos japoneses é

desenvolver um tecido que possibilite

a fabricação de vestimentas eletrogêneas

capazes de carregar um telefone

celular ou criar tapetes energéticos.

Estima-se que, com o apoio do governo

japonês, os primeiros objetos feitos

com a tecnologia sejam apresentados

em 2015.

“Ainda temos algumas dificuldades a

resolver antes de uma comercialização,

como o isolamento dos fios condutores

e a melhoria da durabilidade do produto”,

explicou um dos funcionários

do centro de tecnologia industrial da

prefeitura de Fukui.

Esta não é a primeira vez que se

tenta criar tecido que gere energia

elétrica. Pesquisas parecidas ocorreram

na Universidade da Pensilvânia com

a criação de painéis solares flexíveis e

portáteis, elaborados com fibra ótica

e na Universidade Cornell, em Nova

York, quando uma estudante usou

fios de algodão condutores para criar

uma coleção de roupas.

Com informações do G1

www.revistaecologica.com Ano V Nº 7 REVISTA ECOLÓGICA 23


[ P E S Q U I S A ]

Homem:

um ser social?

Pesquisas comprovam que a

vida coletiva em grandes bandos

proporciona maior desenvolvimento

da inteligência dos lêmures e dos

macacos-de-cheiro

Vivemos em um tempo onde

as redes sociais foram priorizadas

como ferramentas

de aproximação humana, contudo, o

relacionamento pessoal, a convivência

em grupo ainda é um grande exercício.

Mas se entre humanos conviver em

grupo é motivo de competitividade e

até mesmo de intrigas, entre os demais

primatas a situação é diferente.

Não é preciso Twitter, nem Facebook

para eles manterem contato com os

demais membros do seu agrupamento,

pelo contrário: a vida em bando é a

melhor opção para estes animais, que

assim desenvolvem significantemente

sua capacidade cognitiva e inteligência.

É o que apontam dois estudos publicados,

no início do ano, em diferentes

revistas científicas.

Realizados a partir de experimentos

com os macacos-de-cheiro e lêmures,

o estudo aponta que, quando se trata

de sobrevivência e malícia, na regra dos

lêmures, típicos na Ilha de Madagascar,

quanto maior o grupo, mais esperteza

é adquirida. A constatação é baseada

em estudo realizado por pesquisadores

da Universidade de Duke, nos Estados

Unidos, publicado na revista PLOS

One, que relacionou o aumento das

habilidades cognitivas destes animais ao

tamanho de seus círculos de relacionamento.

O resultado revelou que os lêmures

que vivem em grandes grupos têm o

comportamento refletido sobre as ações

dos próprios companheiros de espécie,

tornando-os mais aptos a resolverem um

problema, proporcional à quantidade

de interações com os demais. “Conseguimos

provar que o tamanho do grupo

está relacionado com a capacidade da

espécie de resolver problemas sociais”,

aponta Evan MacLean, pesquisador

que liderou o estudo, comprovando

que grupos maiores tinham inteligência

social favorecida em relação aos demais,

neste contexto.

Tão astutos quanto os lêmures, os

macacos-de-cheiro, da América do Sul,

também provaram ser bastante sociais.

Desta vez, o estudo da Universidade de

St. Andrews, na Escócia, com publicação

no periódico Current Biology, analisou

as interações sociais dos primatas a

partir de dois grupos: um com 22

integrantes e outro com seis. Os machos

dominantes de cada bando foram

treinados para abrirem embalagens de

frutas, baseados em diferentes técnicas.

Durante a observação, foi avaliado o

aprendizado dos outros membros em

contato com seus respectivos líderes.

Os experimentos conseguiram identificar

características bem próximas ao

comportamento humano.

Aqueles mais integrados com o

grupo – ou seja, os mais populares –

foram considerados mais propensos a

adquirirem novos hábitos culturais com

maior agilidade do que os menos que

tinham menos vínculos com os demais.

Andy Whiten, autor da pesquisa, ressaltou

em suas descobertas que “a posição

de um indivíduo dentro do seu grupo

influencia sua aquisição de inovações”,

obtendo resultado semelhante ao do

primeiro estudo.

Com informações do iG

24 REVISTA ECOLÓGICA Nº 7 Ano V www.revistaecologica.com


[ I N O V A Ç Ã O ]

Tijolo ecológico purifica o ar

Capaz de reter a emissão de gás carbônico na atmosfera,

a tecnologia é a única que possui teor zero de carbono

A

indústria da construção tem

investido cada vez mais na

sustentabilidade, consciente

sobre seu papel nos impactos positivos

e negativos no meio ambiente, e mais

especificamente, com relação ao aquecimento

global. Uma das últimas novidades

lançadas no mercado em produtos que

não agridem o meio ambiente é um

tijolo chamado Carbon Buster – ao pé

da letra, destruidor de carbono.

A solução ecológica para os agregados

de construções convencionais foi

resultado de uma pesquisa da University

of Greenwich’s School of Science,

em Londres, que se dedicou a estudar

formas de reutilizar resíduos térmicos

das usinas de energia - entre eles o

carvão – atualmente responsáveis por

causar sérios danos ao meio ambiente.

Itens tradicionais da argamassa (areia,

água e cimento) são as bases da tecnologia,

que combina ainda materiais tratados

e resíduos industriais, representando

50% da composição. A partir da mistura

entre os detritos - como pastilhas de

carbono 8, água e dióxido de carbono,

chegou-se ao primeiro tijolo de alvenaria

do mundo que possui teor negativo

de carbono.

O segredo da inovação está no próprio

carbono 8, que, somado a substâncias

especiais, combinadas com aglutinantes

e enchimentos, tem a capacidade de

reter as concentrações e emissões de gás

carbônico. Diferentemente dos processos

de produção tradicionais, que não só

poluem o meio ambiente, com a emissão

na atmosfera de resíduos resultantes da

queima da lenha, (o que também provoca

o aumento no desmatamento), o tijolo

ainda é capaz de captar mais dióxido

de carbono, que a quantidade emitida

durante a sua fabricação.

Desenvolvido pela britânica Lignacite,

em parceria com a Carbon8

Aggregates, o Carbon Buster traz outro

ponto positivo: alto desempenho e nível

elevado de isolamento acústico, o que

permite a utilização tanto em paredes

internas quanto nas externas. Em um

mundo onde não é possível prever as

consequências da variação climática,

todas as iniciativas de preservação

ambiental são bem-vindas.

Com informações do EcoD

Greenwich’s School of Science

www.revistaecologica.com Ano V Nº 7 REVISTA ECOLÓGICA 25


[ R E F L E X Ã O ]

Afinal, o que comemos?

O reino vegetal alimenta os animais e os seres humanos. De onde vem, afinal, a substância da planta?

Gregor Kux

Nas escolas primárias, os

professores já ensinam

aos alunos sobre alterações

no clima da Terra ocasionadas pelo

aquecimento global. Nos últimos

200 anos, por causa dos processos

industriais, queima de combustível

fóssil, queimadas e desmatamentos,

a atmosfera recebeu uma enorme

quantidade de carbono. Até então

estava armazenada em reservas no

subsolo e nos tecidos das plantas.

Essa elevada liberação de carbono

contribui para as mudanças climáticas.

E mesmo depois de vários anos

de discussão sobre este assunto, a

maioria das pessoas desconhece a

principal composição das plantas.

Por causa do pensamento

mecanicista de René Descartes

adotado pela ciência, a natureza é

vista como se fosse uma máquina

composta meramente por matéria

física. Mas, na verdade, 95% a 98%

da substância orgânica da planta é

composta por ligações carbônicas,

resultantes da fotossíntese. Quando

queimamos madeira, por exemplo,

até 98% do volume se transforma

novo em fumaça, calor e luz. As

cinzas, os 2% restantes, são sais

minerais provenientes da terra.

Os processos de fotossíntese,

condensação e materialização do

ar através do calor e da luz são as

funções principais da folha. Dessa

forma, a matéria orgânica que nos

alimenta é gerada pelo Sol, pela

energia cósmica e pela energia vital

do ambiente. Estas energias são

necessárias para que possamos nos

movimentar, andar, trabalhar e arar

a terra.

Nas medicinas antroposófica

e na tradicional chinesa, o órgão

responsável pela absorção da energia

advinda do alimento é sempre o baço.

Este integra a energia do alimento

ao corpo físico, levando esta energia

para o coração onde o sangue é bombeado.

Lá ela é ligada à energia do

ar, adquirida pelos pulmões, gerando

assim, a predisposição para a consciência.

Para tanto, a energia que nos

alimenta, é o resultado da intenção

do semeador, do calor, da luz do Sol

e, por que não, dos pensamentos

da cozinheira!?

Se a folha da planta capta as

energias do ambiente como um ser

totalmente exposto, aberto e integrado

a ele, a agricultura orgânica

e biodinâmica trabalha com esta

propriedade dos vegetais para desenvolver

as forças vitais, tornando

a planta mais resistente. A vitalidade

desse alimento é reforçada pela mão

do semeador, pelo cultivo biodinâmico

que se perpetua na colheita, seguida

de processamentos cuidadosos com

a: distribuição, comercialização e

também em sua preparação.

Contudo, para fechar o elo entre

a semeadura e o prato do alimento

no dia a dia, é preciso um comércio

especializado em alimentos orgânicos

que perceba a importância de

estudar e desenvolver os processos

da energia adquiridos pelas plantas.

Afinal, é a energia desses alimentos

que impulsiona nossa vida.

26 REVISTA ECOLÓGICA Nº 7 Ano V www.revistaecologica.com


“Meu verso,

água corrente

é semente.”

Realização:

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2 7 JULHO2013

CIDADE DE GOIÁS . BRASIL

DE

A

JULHO

CIDADE DE GOIÁS . BRASIL

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