Jornal Paraná Junho 2015

LuizaRecco

OPINIÃO

Como um imposto verde acabou virando vermelho

bem sintetiza os equívocos cometidos

na economia no passado recente, o custo alto

que se paga no presente e o enorme desafio de conseguir

retomar o crescimento no futuro.

Política fiscal verde é uma moderna tendência mundial

em resposta às mudanças climáticas. Ela usa a tributação

como meio para punir o que mais polui e

premiar a energia limpa. Ainda que o Brasil tenha

aderido a tais compromissos, adotou neste século

uma política tributária perfeita, mas na direção exatamente

oposta a tais objetivos.

À custa das maiores renúncias tributárias conhecidas,

da desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados

(IPI) à guerra fiscal do ICMS estadual, se reduziu

a carga sobre a venda de automóveis, mas não sobre

os transportes de massa - fora que neles os governos

pouco investiram.

Pior foi com os combustíveis fósseis, que muitos países

passaram a tributar cada vez mais para fins ambientais,

e o Brasil fez o contrário - mesmo tendo o que outros

países não dispunham: o etanol como excelente alternativa

energética.

Já foi confessado que o governo administrou os preços

da gasolina e do diesel para tentar frear a inflação. Fez

isso sem separar dotação no Orçamento para cobrir os

correspondentes subsídios. Estes, na prática, foram

transformados em redução de tributos sobre aqueles

bens e, depois, em prejuízos bilionários e já mensurados

para a Petrobrás, de modo que o governo perdeu receita

e também patrimônio.

A Cide representava 14% do preço

na bomba da gasolina em 2002,

ante os atuais 2,2%, mesmo

depois do reajuste

O verde que virou vermelho

O Brasil adotou neste século uma política tributária perfeita, mas na direção

exatamente oposta aos objetivos da preservação ambiental JOSÉ ROBERTO AFONSO (*)

Esse caminho tortuoso jogou na crise importantes setores

da economia, do agronegócio à construção pesada,

e tornou inglório repetir o ajuste fiscal tanto já feito

no passado, porque nunca foi tão deprimida a arrecadação

proveniente desse setor estratégico.

A contribuição específica (Cide) representava 14% do

preço na bomba da gasolina em 2002, ante os atuais

2,2%, mesmo depois do reajuste do início do ano - se

fosse mantida aquela proporção, a alíquota deveria subir

de R$ 0,10 para R$ 0,62 por litro.

Já o PIS/Cofins, também cobrado como um valor fixo

por litro de combustível vendido, ficou congelado (em

R$ 0,2616) por quase dez anos. Somados esses três

tributos, a Petrobrás deveu R$ 16,2 bilhões em 2014,

ante R$ 29,8 bilhões em 2006. Essa perda de receita

equivale, por exemplo, a um ano do gasto com atenção

básica à saúde no orçamento federal.

Outro valor, equivalente, deve ser perdido com royalties

sobre petróleo, em que o efetivamente arrecadado tem

caído muito mais fortemente que os preços internacionais

e apesar da produção agora em alta. A carga tributária

total da Petrobrás caiu para o piso de 1,71% do

Produto Interno Bruto (PIB) neste primeiro trimestre, 0,6

ponto abaixo do mesmo há quatro anos. Nem é preciso

dizer quanto faz falta tal receita para o ajuste fiscal.

Há, ainda, o efeito colateral do menor uso de etanol.

Já foram fechadas 70 usinas e 30 estão em recuperação

judicial, com perda de 60 mil empregos diretos.

A venda de máquinas para o setor caiu pela metade.

Mesmo assim, estudos projetam que, depois

do carro flex, se reduziu a emissão de gases de

efeito estufa em 250 milhões/t de CO 2 e se evitaram

9 mil internações por problemas respiratórios e cardíacos

decorrentes da poluição.

Para atender às metas mundiais com o meio ambiente,

recuperar a receita, consolidar o ajuste fiscal

e estimular a agroindústria nacional, é preciso recuperar

paulatinamente a antiga proporção de tributos

sobre derivados de petróleo e, depois, passar a reajustar

as suas alíquotas automaticamente com os preços de

revenda.

Também royalties deveriam passar a ser cobrados ou

fiscalizados pela Receita Federal (não é uma taxa para

custeio de agência reguladora) e o cálculo da participação

especial na extração de petróleo deveria ser corrigido

para atender ao princípio legal.

Vermelho, atual cor da moda na economia brasileira,

pode e deve ser trocado pelo verde, a começar no seu

imposto e na política fiscal.

Neste campo dos combustíveis e do meio ambiente há

uma boa oportunidade para avançar rumo ao passado,

que conciliava disciplina e crescimento, mas que foi jogado

fora em troca da inflação, da qual não se escapou,

mas só se adiou para hoje.

(*) José Roberto Afonso é economista, pesquisador

do Ibre/FGV e professor do mestrado do IDP.

Se fosse mantida aquela

proporção, a alíquota deveria

subir de R$ 0,10 para

R$ 0,62 por litro

2 Jornal Paraná - Junho 2015


SAFRA 2015/16

Paraná já colheu 29% do total previsto

Expectativa é de que serão esmagados 43,08 milhões de toneladas de cana e produzidos

3,058 milhões de toneladas de açúcar e 1,526 bilhões de litros de álcool MARLY AIRES

O ano é de El Niño e as

previsões climáticas apontam

para a ocorrência de chuvas

acima da média durante a

safra 2015/16 de cana de

açúcar no Paraná, o que poderia

atrapalhar o andamento

desta. Por enquanto, entretanto,

o ritmo da colheita

continua acelerado, acima do

registrado no ano passado no

mesmo período, avalia o presidente

da Alcopar, Miguel

Tranin.

“As chuvas têm ocorrido

dentro da normalidade para

o período, chegando mesmo

as usinas a registrar um número

maior de dias trabalhados,

beneficiando a colheita

e o desenvolvimento da lavoura”,

afirma.

Até o dia 15 de junho, as 25

usinas paranaenses em funcionamento,

das 30 existentes,

já tinham colhido 29,2%

do total previsto, cerca de

12,561 milhões de toneladas

de cana. No mesmo período

do ano passado, o total esmagado

era de 10,755 milhões

de toneladas, 16,8 % a menos.

A expectativa de moagem

para esta safra no Paraná

é de 43,08 milhões de

toneladas, volume que é semelhante

ao colhido no ano

passado.

O clima menos chuvoso

tem favorecido também a

qualidade da matéria prima

na indústria. A quantidade

de Açúcares Totais Recuperáveis

(ATR) por tonelada

de cana no acumulado da

safra ficou 4,6% acima do

valor observado no mesmo

período de 2014, totalizando

130,07 kg de ATR/t

de cana, contra 124,37 kg

ATR/t. Até o momento, a

previsão é de fechar a safra

com média de 135,10 kg de

ATR/t de cana.

Com o preço do açúcar

ainda não tão remunerativo,

devido aos baixos preços praticados

no mercado internacional,

um percentual menor

de matéria prima tem sido

destinado à produção de

açúcar, comenta Tranin.

Mesmo assim, por conta do

estágio adiantado da safra, o

volume processado já é

23,1% maior do que no

mesmo período do ano anterior,

785,6 mil toneladas

contra 638,3 mil. Esse volume

representa 25,7% do

total esperado para a safra,

O presidente da Alcopar, Miguel Tranin,

ressalta que safra continua mais alcooleira,

por conta das últimas medidas governamentais,

que favoreceram o mercado de etanol,

como o aumento do percentual do biocombustível

misturado à gasolina, de 25% para

27%, e a retomada da cobrança da Cide

(Contribuição de Intervenção no Domínio

Econômico) incidente sobre o combustível

fóssil.

Tranin alerta, entretanto, que, apesar da luta

para o retorno da Cide, as usinas não têm se

beneficiado da medida. “Estamos repassando

para as distribuidoras e postos todo o

esforço para a conquista da Cide. Em função

da necessidade de fazer caixa e da produção

de etanol em ritmo acelerado, a Cide

acabou virando desconto. E o pior é que em

alguns casos, esse não tem sido repassado ao

consumidor. Esperamos que durante a safra

isso deixe de ocorrer, pois estamos vendendo

etanol abaixo do custo de produção”, afirma.

Até a primeira quinzena de junho foram

3,058 milhões de toneladas

de açúcar.

No ano passado, o Paraná

fechou a safra com 43,099

Mais etanol

milhões de toneladas de

cana, que resultou em 2,923

milhões de toneladas de açúcar

e 1,612 bilhão de litros de

etanol total.

produzidos 473.3 milhões de litros de etanol,

21,1% a mais em comparação com a

safra 2014/15, quando tinham sido obtidos

390,8 milhões de litros. Esse volume já representa

31% do total previsto para a safra

2015/16, que é de 1,526 bilhão de litros. Do

total de etanol já produzido, 164 milhões de

litros são de anidro e 309,2 milhões são de

hidratado.

O investimento aquém do necessário na

reforma dos canaviais, devido à crise pela

qual passa o setor sucroenergético brasileiro,

levou a uma menor produtividade das lavouras.

A média obtida tem ficado ao redor

de 70,8 toneladas por hectare, bem menor

quando comparada aos volumes colhidos hà

10 anos, de 83 a 85 toneladas por hectare.

Isso depois de ter chegado a 68 toneladas

por hectare na safra 2012/13, afetada também

por uma estiagem. Para este ano, tem

se apostado em uma recuperação das lavouras,

com possível melhora da média de produtividade

e até da produção, devido às

previsões climáticas favoráveis.

Junho 2015 - Jornal Paraná

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CONSCIENTIZAÇÃO

Santa Terezinha comemora Semana do Meio Ambiente

As unidades produtivas tiveram programação especial visando orientar as

comunidades locais sobre a preservação da natureza DA EQUIPE DE REDAÇÃO

O cuidado com a conservação da

natureza é uma das premissas da

Usina Santa Terezinha, que se destaca

entre as empresas brasileiras e

as indústrias do setor sucroenergético

pelo empenho com a responsabilidade

social e comprometimento

com o desenvolvimento

sustentável.

Como parte desse trabalho, as

unidades produtivas da usina promoveram

durante o mês de junho

uma série de atividades em comemoração

ao Dia Mundial do Meio

Ambiente, celebrado em 5 de

junho com o objetivo de conscientizar

a população mundial sobre

temas ambientais e de preservação.

Na Unidade Ivaté foram promovidas

atividades educativas com a

distribuição de mudas de árvores

nativas, frutíferas e ornamentais

para colaboradores nos períodos de

troca de turno e intervalos. Ainda

em comemoração à data, colaboradores

da unidade visitaram os alunos

do 1º, 2º e 3º ano da Escola

Municipal Professor Walter Bergman,

que receberam informações

sobre preservação ambiental. Também

foram entregues mudas de árvores

nativas e dada toda orientação

necessária para o plantio correto.

Em Tapejara, a ação foi realizada

pelo departamento ambiental juntamente

com os alunos do programa

AAJ (Aprendizagem de

Adolescentes e Jovens). Foram

plantadas mudas de palmeirinhas

no pátio da indústria e na entrada

do Cars (Centro de Armazenamento

de Resíduos Sólidos).

Na Usina Rio Paraná foi firmada

uma parceria com a Prefeitura

Municipal de Eldorado (MS) para

a realização da Campanha para Recolhimento

do Lixo Eletrônico.

Colaboradores voluntários participaram

da distribuição de materiais

informativos e da coleta dos materiais.

A ação atingiu cerca de 2.600

alunos de cinco escolas e recolheu

aproximadamente 1,5 tonelada de

lixo eletrônico.

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Jornal Paraná - Junho 2015


Alto Alegre no

combate ao tabagismo

SAÚDE

Projeto chama atenção de funcionários para os males causados pelo cigarro DA EQUIPE DE REDAÇÃO

Preocupada com a saúde e o bemestar

de seus colaboradores, a Usina

Alto Alegre desenvolve ações e programas

que visam a adoção de hábitos

saudáveis e a prevenção de

doenças. O programa de tratamento

a dependentes químicos com ênfase

no tabagismo é um deles.

Este teve início em 2011 na

SIPAT (Semana Interna de Prevenção

de Acidentes do Trabalho),

tendo como tema “O cuidado de

cada um é a segurança de todos”,

sendo retomado e reforçado nas edições

seguintes.

Com o objetivo de orientar e ajudar

quem tem o hábito de fumar, o

programa chama a atenção para os

males causados pela ingestão de

substâncias prejudiciais à saúde contidas

no cigarro e para a prevenção

de doenças crônicas, como o câncer

de pulmão e outras relacionadas ao

hábito de fumar.

A usina está empenhada na luta

pela redução do número de mortes

causadas pelo tabagismo e oferece

todo o suporte necessário, buscando

o envolvimento de seus funcionários

junto ao programa, já que a resistência

ao tratamento é comum entre os

fumantes.

Vários colaboradores

estão em tratamento

com apoio da usina

Atualmente, a Unidade Floresta,

no distrito de Ameliópolis, em Presidente

Prudente (SP), tem nove

funcionários com o tratamento em

andamento, sendo que cinco estão

no CAPS AD (Centro de Atenção

Psicossocial Álcool de Drogas) na

cidade de Martinópolis (SP), e quatro

na UBS (Unidade Básica de

Saúde) em Caiabu (SP).

Os funcionários interessados em

deixar o hábito de fumar podem entrar

em contato com o departamento

de Serviço Social (RHSS) da

Unidade Floresta para receber mais

informações sobre o programa.

Dentre outros programas, a Usina

Alto Alegre também realiza campanhas

de Prevenção do Câncer do

Colo do Útero com o objetivo de

incentivar a prevenção entre as funcionárias,

fornecendo informações e

realizando exames para detecção

precoce da doença.

Junho 2015 - Jornal Paraná

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PLANO SAFRA

Setor tem R$ 3,5 bi, mas acesso é restrito

Demanda é por ações mais efetivas que gerem soluções, como renegociação de dívidas,

definições de metas no longo prazo e Cide integral DA EQUIPE DE REDAÇÃO

Como parte dos recursos liberados

pelo governo federal

para o Plano Agrícola e Pecuário

2015/16, o setor sucroenergético

poderá acessar

a R$ 2 bilhões que foram liberados

para fazer a estocagem

de etanol e R$ 1,5 bilhão

voltado para o Programa

de Apoio à Renovação e

Implantação de Novos Canaviais,

o Prorenova.

O problema é o alto índice

de endividamento das usinas

brasileiras, que dificultam o

acesso destas aos novos recursos,

afirma o presidente

da Alcopar, Miguel Tranin,

que participou, no início do

junho, da cerimônia de lançamento

do plano, em Brasília

(DF), junto com outras

lideranças do agronegócio e

políticos, dentre eles a presidente

Dilma Rousseff e a

ministra de Agricultura, Pecuária

e Abastecimento,

Kátia Abreu.

Segundo Tranin, poucas

são as usinas que poderão

lançar mão desses recursos.

“O setor demanda ações

mais efetivas que gerem soluções”,

afirma. O presidente

da Alcopar reconhece que

importantes medidas foram

tomadas visando a recuperação

do setor, como a retomada

dos reajustes do preço

da gasolina, o aumento da

adição de etanol ao combustível

fóssil (de 25% para

27%), e a volta da Cide

(Contribuição de Intervenção

no Domínio Econômico),

que ajudaram no balanço

financeiro das usinas

brasileiras.

O presidente da Alcopar

cita que desde 2010, quando

começou a política de controle

de preço da gasolina, o

mercado de etanol não mostrava

tanto fôlego, com o

consumo crescendo 51% no

País em março, sobre o mesmo

mês de 2014. O reforço

nas vendas puxou a produção

e o biocombustível ganhou

espaço na escolha de

processamento nas usinas

em detrimento do açúcar,

chegando 28 bilhões de litros

produzidos no Brasil na

safra 2014/15. Mas a capacidade

das usinas de mexer

no mix de produção é limitada

e a produção de açúcar

continua sendo significativa,

mas com preços baixos no

mercado internacional.

“Essas medidas melhoraram

a competitividade do etanol e

as expectativas, mas ainda são

insuficientes para ajudar o

setor a se reerguer e voltar a

investir”, afirma Tranin. “Precisamos

da negociação de dívidas

vencidas e prorrogação

do vencimento de dívidas nos

próximos três anos, além da

definição clara sobre a participação

do etanol na matriz

energética brasileira”, destaca.

As dívidas das usinas já superam

os R$ 50,5 bilhões.

Outra reivindicação é a

volta integral da Cide incidente

sobre a gasolina,

atualmente de R$ 0,22 por

litro. Em 2012, antes de ser

zerada, a alíquota estava em

R$ 0,28 por litro, valor que

hoje equivaleria a bem mais.

“Também neste início de safra,

por necessidade de caixa,

as usinas acabaram repassando

todo esse valor para

as distribuidoras e postos.

O litro de etanol tem sido

vendido a R$ 1,35 a R$

1,40, que é o custo de produção”,

diz o presidente da

Alcopar.

O reflexo de toda essa situação

pode ser sentido no baixo

índice de renovação dos canaviais,

tendência que vem se

repetindo nos últimos anos

no Paraná e em todo o Brasil.

Neste ano, no Estado, este

deve ficar em 15%, em vez de

no mínimo 20% sobre a área

total, que é o considerado

ideal.

Miguel Tranin com a presidente Dilma Roussef, no evento em Brasília

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Mais recurso, porém, mais caro

São R$ 187,7 bilhões, 20% a mais, mas juros controlados são mais altos e aumento

no volume liberado se deu para financiamentos com juros livres

O aumento de 20% no volume

de recursos para financiar

as operações de custeio,

investimento e a comercialização

da agricultura empresarial,

dentro do Plano Agrícola

e Pecuário 2015/16 foi recebido

de forma positiva por representantes

de entidades

ligadas ao setor agrícola. O

valor anunciado pelo governo

federal no início de junho foi

R$ 187,7 bilhões contra R$

156,1 bilhões na safra passada.

No contraponto, entretanto,

a elevação nos juros

causou reações mais diversas,

que foram da resignação à crítica.

Do volume total, R$ 94,5

bilhões são destinados ao financiamento

de custeio, 7,5%

a mais em comparação com o

período anterior (R$ 87,9 bilhões)

e reflete o crescimento

dos custos de produção. Mas

houve uma queda nos empréstimos

para investimentos,

R$ 33,3 bilhões, 24% a menos

ante os 43,7 bilhões prometidos

no plano 2014/15.

Analistas destacam, entretanto,

que o crédito disponível

no Plano Safra 2015/16 terá

crescimento principalmente

por conta de uma maior disponibilidade

de financiamentos

com juros livres de mercado,

que passaram de 23 bilhões

para 53 bilhões no plano

atual, apontando para um

sensível aumento de custos

dos produtores. Em outras

palavras, os recursos adicionais

virão de linhas em que o

governo não irá oferecer os

subsídios considerados essenciais

por muitos agricultores

para viabilizar a produção de

alimentos e energia no campo.

De acordo com a ministra da

Agricultura, Kátia Abreu, os

juros mais altos acompanharam

a curva acentuada da inflação

do País e os ajustes que

estão sendo implementados

pela equipe econômica. As

taxas de juros para os médios

produtores ficarão em 7,75%

ao ano (para custeio) e 7,5%

ao ano (para investimento).

Mas, no caso dos empréstimos

de custeio para agricultura

empresarial, a taxa

definida do Plano Agrícola

ficou em 8,75% ao ano, enquanto

os demais programas

de investimento terão taxas de

7% a 8,75% ao ano. No plano

anterior, a taxa média de juros

de custeio era de 6,5%, caindo

para até 5,5% em alguns

casos.

Lançamento oficial foi feito no início de junho, com a presença

de políticos e lideranças do agronegócio

Junho 2015 - Jornal Paraná

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LEGISLAÇÃO

Empresas sofrem para

cumprir Lei da Aprendizagem

Problema é maior onde há ambiente de risco, que impede a contratação de menores,

e demanda por mão de obra altamente especializada, como nas usinas DA EQUIPE DE REDAÇÃO

Há décadas, as empresas brasileiras

têm sido uma das

principais formadoras de mão

de obra no País, isso independente

de haver uma legislação

as obrigando a capacitar o trabalhador.

Apesar de todo trabalho

que já é desenvolvido,

com a Lei da Aprendizagem,

que exige a contratação de jovens

aprendizes, além da lei

que determina cotas com percentuais

variados de trabalhadores

com alguma deficiência

no quadro de pessoal das empresas,

criou-se uma situação

complicada.

Em alguns setores, especialmente

para empresas de

maior porte ou as que oferecem

ambientes de trabalho

restritivos, de maior risco ou

altamente especializadas, tornou-se

impraticável cumprir

os índices exigidos pela legislação.

Vários fatores contribuem

para dificultar o cumprimento

dessas metas, expondo

as empresas a risco de

multas e outras sanções.

A cota de aprendizes está fixada entre 5% e 15% dos funcionários

Empresas, sindicatos, associações

e demais representantes

têm buscado discutir

melhorias e encontrar forma

de tornar a lei aplicável fazendo-se

uma série de ajustes

necessários para inserir essas

pessoas no mercado de trabalho

sem expô-las a riscos ou

criar situações insustentáveis.

Editada em 2000, a Lei da

Aprendizagem estabelece

que todas as médias e grandes

empresas devem contratar

jovens com idades de 14 a

24 anos, por meio de um

contrato especial, de até dois

anos. A cota de aprendizes

está fixada entre 5% e 15%,

em relação ao número de

funcionários efetivos, que

ocupem funções que demandem

formação profissional,

definido no Código Brasileiro

de Ocupação.

Este também deve trabalhar

em uma jornada limite de seis

horas diárias e estar obrigatoriamente

fazendo um curso

de capacitação profissional

compatível com a atividade

fim da empresa, que deve ser

oferecida por escolas técnicas,

serviços nacionais de aprendizagem

ou entidades sem

fins lucrativos. Esse percentual

fixo para todo tipo de

empresa, sem avaliar riscos ou

levar em conta a realidade de

cada empresa e as particularidades

de certos segmentos,

criam dificuldades.

Recentemente, a faixa de

idade limite para jovem

aprendiz foi ampliada por lei

de 14/18 anos para 14/24

anos, visando atender aos

casos de empresas em que o

ambiente de trabalho não permite

o emprego de jovens

com menos de 18 anos, como

é o caso do setor sucroenergético.

Mas, a dificuldade de

conseguir pessoas para preencher

a vaga continua porque

acima dessa idade os jovens

não são mais aprendizes, mas

em sua maioria, já estão inseridos

no mercado de trabalho.

Segundo Waldomiro Baddini,

gerente de Recursos Humanos

da Usina Santa Terezinha,

o que tem ocorrido é

que as instituições que promovem

cursos de aprendizagem

tem tido dificuldade de

atrair esses jovens para os cursos

técnicos e que exigem a

idade mínima de 18 anos.

“Isso apesar desses cursos serem

mais interessantes do

ponto de vista de carreira para

o aprendiz e principalmente

para as próprias empresas, que

podem aproveitar, ao fim do

aprendizado, para contratar o

aprendiz em uma função efetiva”,

afirma Baddini.

As empresas ligadas a

agroindústria, como o setor

sucroenergético, têm

uma dificuldade muito

maior que as demais, consideradas

“urbanas”. Além

de empregarem um contingente

grande de mão de

obra, a maior parte das atividades

é rústica ou exige

conhecimentos técnicos

Dificuldade é maior para o setor

específicos, envolvendo a

operação de máquinas e

veículos, o que não permite

a contratação de menores

de 18 anos.

Outro problema enfrentado

pelas usinas é a localização

das empresas, geralmente

na zona rural de

pequenos municípios, onde

dificilmente existem

cursos de aprendizagem.

Também, o que se observa

atualmente é que,

quase a totalidade dos cursos

oferecidos é voltada

para a área administrativa,

pois possibilita as inscrições

de candidatos menores

de 18 anos. Isto tem

causado grande dificuldade

para as empresas absorverem

tantos aprendizes

exclusivamente para

esta área, enquanto os demais

segmentos não são

atendidos.

“Portanto, em que pese os

esforços que as empresas

fazem, a dificuldade no

caso do percentual mínimo

exigido de aprendizes

é de encontrar jovens

para preencher as vagas

disponíveis para as atividades

que são interessantes

para as empresas”, ressalta

Waldomiro Baddini, gerente

de Recursos Humanos

da Usina Santa Terezinha.

8 Jornal Paraná - Junho 2015


Santa Terezinha desenvolve

programas de capacitação

Preocupada em atender à

legislação e diante da falta de

cursos de aprendizagem nas

localidades de suas filiais, a

Usina Santa Terezinha firmou

parcerias com o Senar

(Serviço Nacional de Aprendizagem

Rural) e Senai

(Serviço Nacional de Aprendizagem

Industrial) e há

anos oferta, em todas as suas

unidades, turmas do Programa

de Aprendizagem de

Adolescentes e Jovens na

área agrícola, industrial e administrativa,

ajudando a inseri-los

no mercado de trabalho.

Mas apesar de todo este esforço para manter os cursos e os aprendizes,

isto não tem sido suficiente para atender o que a legislação exige

Nesta parceria com a usina,

as entidades entram com a

remuneração do instrutor e o

material didático, enquanto a

empresa faz a seleção dos estudantes,

assegura toda a estrutura

física para a realização

das aulas e mantém o

vínculo empregatício com os

jovens, explica Waldomiro

Baddini, gerente de Recursos

Humanos.

De 2010 a 2014, a Usina

Santa Terezinha já capacitou

838 aprendizes, sendo que

destes, 516 foram contratados

em diversas funções nas

De 2010 a 2014, já formou 838 jovens, sendo que destes, 516 foram contratados

unidades da empresa, possibilitando

o início da carreira

profissional para estes jovens.

Para isto, a usina investiu na

adequação e construção de

instalações apropriadas para

a realização das aulas teóricas

e práticas.

Mas apesar de todo este esforço

para manter os cursos

e os aprendizes, Baddini

destaca que isto não tem

sido suficiente para atender

o que a legislação exige. Para

o cômputo da cota mínima

exigida pela legislação, são

excluídas poucas funções.

Para Baddini, é necessária

uma adequação da lei para

prever exceções ou ter outras

bases no caso de empresas

que possuem atividades que

são incompatíveis com os

cursos de aprendizagem oferecidos.

“O que deve ser alterada

não é a obrigatoriedade

em contratar aprendizes,

mas sim a forma de

cálculo da cota. Para que

fosse mais coerente, justo e

possível de ser cumprido

pelas empresas, o cálculo da

cota deveria se basear no número

de funcionários existentes

relativos ao curso de

aprendizagem oferecido”.

O gerente de RH exemplifica:

se o curso de aprendizagem

oferecido é de mecânico

de tratores, o cálculo da

cota legal deveria ser com

base na quantidade de funcionários

lotados na área de

manutenção de tratores da

empresa, o mesmo ocorrendo

em relação aos demais

cursos e áreas.

Atualmente o cálculo é

feito pelo total de funcionários

existentes na empresa,

independentemente da atividade

desenvolvida, não sendo

levada em consideração

ainda a existência ou não de

cursos e aprendizes disponíveis

na localidade.

Junho 2015 - Jornal Paraná

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LEGISLAÇÃO

Situação se repete quanto às

cotas de pessoas com deficiência

Não está sendo fácil cumprir as exigências devido a desequilíbrio entre a oferta

e a demanda, falta de qualificação e adequação da norma à realidade

O cumprimento da cota de

contratação de pessoas com

deficiência tem tido a

mesma dificuldade, diz

Waldomiro Baddini, gerente

de Recursos Humanos

da Usina Santa Terezinha.

Apesar de a lei existir há

quase 22 anos, as empresas

do setor privado ainda encontram

sérias dificuldades

quanto à inserção de pessoas

com deficiência.

Situação é agravada no

caso de empresas localizadas

no meio rural, especialmente

do setor sucroenergético,

com funções rústicas,

na maior parte dos casos, ou

que exigem qualificação

profissional específica, a

exemplo dos cortadores de

cana, operadores de colhedora,

motoristas e tratoristas.

A cota legal obedece a uma

tabela cujo percentual exigido

vai aumentando à medida

que a empresa possui

mais trabalhadores. “Não

defendemos que a obrigatoriedade

de contratação de

pessoas com deficiência

deva ser excluída, mas que a

legislação seja adequada

para corrigir uma distorção”,

afirma Baddini.

Segundo Waldomiro Baddini,

gerente de Recursos

Humanos da Usina Santa

Terezinha, é imprescindível

modificar a legislação que

trata sobre o assunto para

que se criem exceções, considerando

as características

de cada atividade. “Há um

desequilíbrio entre a oferta e

Nas agroindústrias, ambiente mais rústico não é adequado

O gerente cita que o percentual

aumenta à medida que a

empresa oferece mais postos

de serviço. Entretanto, acredita

que este deveria ser

único, independentemente da

quantidade de funcionários.

“Se já há dificuldade para

uma empresa que emprega

poucas pessoas cumprir o

percentual mínimo, o que

falar de uma que emprega

mais de mil e o percentual

mínimo exigido passa de 2%

para 5%”, comenta. Este é de

2% para as empresas com 100

a 200 empregados, 3%, de

201 a 500, 4% se tiver de 501

a mil servidores e 5% se o

número for superior.

Outra questão fundamental

diz respeito ao ambiente de

trabalho, o que agrava a situação,

como é o caso da

maioria das usinas instaladas

no Brasil, onde as funções

existentes são rústicas, sem

contar a localização das empresas,

em pequenos municípios.

“Numa propriedade

rural ou numa agroindústria,

nem sempre o ambiente é

adequado para pessoas que

apresentam dificuldades ou

limitações físicas, fato que

colocaria a vida dessas em

risco, assim como de outras

pessoas”, lembra Baddini.

Tem que adaptar a lei

a demanda de portadores de

deficiência, seja pela falta de

qualificação, adequação da

norma à realidade, omissão

de órgãos do governo, dentre

outras dificuldades”, afirma.

Assim sendo, afirma, a

aplicação fria e literal da

norma sem considerar a realidade

das atividades empresariais

e dos ambientes

de trabalho pode representar

injustiça. “Deve-se ter

como objetivo a verdadeira

finalidade da norma, que é

a inclusão das pessoas deficientes

no mercado de trabalho

de forma digna, utilizando-se

do bom senso e

do conceito de justiça”, finaliza

Baddini.

Até o Tribunal Superior

do Trabalho (TST) tem reconhecido

a dificuldade de

cumprimento da lei. Já há

jurisprudência no caso de

empresas que não conseguiram

cumprir a lei, foram

Para a função de motorista,

por exemplo, o Departamento

Nacional de Trânsito

exige plena capacidade de

trabalho além de habilitação

profissional específica, principalmente

para quem trabalha

com veículos especiais,

como no caso do

transporte da cana.

Aliado a tudo isto, o gerente

destaca que há também

a questão de que a

busca de vagas por parte de

candidatos que se enquadram

como deficientes é

muito pequena. E entre os

poucos que aparecem,

grande parte só pode ser

aproveitada na área administrativa,

que representa,

em média, apenas 6% do

total do quadro de colaboradores

de uma usina. Outro

ponto é a falta de qualificação

de boa parte dos

deficientes.

“Não é pressionando, com

discursos ou com multas,

que se resolve a questão. É

preciso ser razoável em relação

à lei, adequando-a para

que possibilite uma maior

flexibilidade conforme a atividade,

encontrando-se saídas

em comum acordo”,

defende Baddini.

multadas por não preencher

as vagas para deficientes

e absolvidas por comprovarem

que fizeram o

possível para cumprir o

percentual de 2% a 5% previsto

no artigo 93 da Lei

8.213/91, sem, entretanto,

surgirem interessados em

ocupar as vagas.

10

Jornal Paraná - Junho 2015


Cogeração pode ajudar a

tirar o setor da crise

ENERGIA

O presidente da Alcopar, Miguel Tranin, falou sobre o assunto durante o

Fórum Nacional de Agronegócios CBN, em Maringá ROGÉRIO RECCO

No último dia 16, ao participar

do Fórum Nacional

de Agronegócios CBN,

promovido em Maringá

pela Rádio CBN, o presidente

da Alcopar, Miguel

Rubens Tranin, disse aos

cerca de 300 participantes,

entre produtores e lideranças,

que o segmento de

bioenergia atravessa a pior e

mais longa crise de sua história.

No entanto, mesmo salientando

que apenas 25 das 30

unidades produtoras do Estado

estão em atividade nesta

safra, e que no restante do

país outras 80 indústrias fecharam

suas portas, acabando

com mais de 100 mil

postos de trabalho, há sinais

de melhora, embora ainda

tímidos.

De acordo com Tranin, a

maior demanda da população

pelo etanol – agora mais

competitivo frente à gasolina

- cria um cenário um

pouco mais favorável para o

setor, apesar de que, por

outro lado, os preços do

açúcar continuam muito

baixos. “O endividamento

“Governo destruiu o segmento”, disse Alexandre Mendonça de Barros no evento

das empresas, como resultado

da crise, é outro entrave

e não estamos conseguindo,

sequer, renovar

aos canaviais no percentual

desejável de 20% ao ano”,

disse.

O presidente destacou que

uma alternativa para as empresas

seria a cogeração de

energia elétrica, sendo que o

setor apresenta potencial

para produzir o equivalente

a 20% da energia gerada

pela usina de Itaipu.

“Em recente reunião com o

governador Beto Richa, expusemos

essa oportunidade”,

informou, lembrando

que um dos desafios do País

tem sido, justamente, acompanhar

a demanda por energia

elétrica, havendo constantes

riscos de apagões. “Se

conseguirmos avançar na

cogeração, fornecendo para

a Copel, será uma grande

conquista”, avaliou.

No mesmo evento, o economista

Alexandre Mendonça

de Barros, que palestrou

sobre o tema “Cenário

e tendências do mercado de

commodities agrícolas”, explicou

que nos últimos anos

o governo federal fez justamente

o contrário em relação

ao governo americano.

Enquanto nos EUA foi

adotada uma política de

produção de um combustível

sustentável a partir do

milho – que hoje absorve

15% de todo o milho produzido

no mundo – para

depender menos dos derivados

do petróleo, o governo

brasileiro abandonou um

programa de etanol que era

considerado referência

mundial.

“Com isso, o governo brasileiro

destruiu o setor”,

pontuou Barros, salientando

que existe agora a possibilidade

de o Brasil venha a exportar

etanol derivado da

cana de açúcar para aquele

país, uma vez que esse combustível

é melhor e mais eficiente

que o deles. Ou seja,

os americanos planejam exportar

o seu etanol e comprar

o similar brasileiro.

Junho 2015 - Jornal Paraná

11


FEIRA

Fenasucro aposta na geração de

energia para alavancar setor

Evento acontece de 25 a 28 de agosto e contará com espaço destinado a expositores

de produtos voltados para a otimização no uso do bagaço da cana DA EQUIPE DE REDAÇÃO

A geração de energia por

meio da queima do bagaço

da cana de açúcar é uma das

principais alternativas para

o retrofit do setor sucroenergético.

De acordo com a

Aneel (Agência Nacional

de Energia Elétrica), o

preço médio de leilão de

energia ofertada por PCH

(Pequenas Centrais Hidrelétricas)

está a R$ 210 por

megawatt/hora, já no mercado

spot (à vista) o preço

da energia de biomassa

atingiu o pico em 2014 de

R$ 822 e hoje está em torno

de R$ 320. A valorização

da bioenergia e a crise

hídrica no país são apenas

dois dos motivos que levaram

as usinas a aumentarem

a cogeração.

Para a 23º Fenasucro &

Agrocana - Feira Internacional

de Tecnologia Sucroenergética

- que vai acontecer

de 25 a 28 de agosto,

nos pavilhões do Centro de

Eventos Zanini, em Sertãozinho

(SP), a energia gerada

a partir do bagaço e da

palha da cana já confirmou

ter capacidade de suprir

parte da demanda de eletricidade

no País e, consequentemente,

consolidar o

setor como a proposta mais

rápida e eficiente na geração

de energia limpa e renovável.

No entanto, as

usinas que já produzem ou

que pretendem entrar nesse

segmento, precisam ganhar

eficiência.

"A feira terá um setor exclusivo

para a energia, onde

vamos apresentar novas tecnologias

voltadas à cogeração.

Os visitantes contarão

com uma plataforma de soluções

e conhecimentos -

desde a elaboração de projetos

(engenharia) até a venda

de produtos", afirma Paulo

Montabone, gerente geral

do evento.

Outro diferencial na edição

2015 serão os eventos de

conteúdo voltados para o

segmento. Este ano, paralelo

à feira ocorrerá a Conferência

de Bioenergia junto com

o V Seminário de Bioeletricidade

Ceise Br e Unica,

chancelado pela Unesco, e a

Rodada de Negócios do Projeto

Brazil Sugarcane Bioenergy.

Integrando o calendário

mundial de eventos de energia

da Reed Exhibitions Alcantara

Machado, a feira

reúne os líderes do mercado

e seus principais compradores

vindos de todo o Brasil e

de mais 50 países. Neste ano,

a expectativa é receber mais

Além de ser o centro para

o encontro dos principais

fornecedores e compradores

do setor, a Fenasucro &

Agrocana oferece aos seus

visitantes acesso a debates

e palestras com os mais

atualizados conteúdos envolvendo

mercado e também

alta tecnologia.

Outro destaque é a Rodada

de Negócios Internacional,

promovida pela

APLA/APEX, que reúne

fornecedores e compradores

de alto potencial do exterior.

Este ano, além da

de 33 mil visitantes/compradores

e chegar a uma geração

de negócios de cerca de R$

2,8 bilhões, concluídos até

seis meses após o evento.

Com foco em negócios, a

Fenasucro & Agrocana estará

dividida em cinco grandes

setores: Agrícola, Fornecedores

Industriais (pequenos,

médios e grandes

rodada internacional, o

evento também oferecerá

uma Rodada de Negócios

Nacional que irá fomentar

o encontro entre os principais

compradores nacionais

e os expositores.

Também foram confirmados

importantes eventos

de conteúdo, reunindo

especialistas que apresentarão

soluções e alternativas

para alavancar a

qualidade e eficiência nas

diferentes etapas do processo

produtivo da cana.

Além de possibilitar mais

fornecedores de equipamentos,

suprimentos e serviços

industriais), Processos Industriais

(vitrine do que há

de mais moderno em tecnologias,

máquinas, equipamentos

e serviços para a

indústria), Transporte e Logística

e Energia.

Mais informações:

www.fenasucro.com.br

Programação paralela

oportunidades de negócios.

Entre estes eventos estão:

Prêmio Master Cana Centro-Sul,

4ª Conferência

Datagro Ceise Br, 3º

Congresso de Automação

e Inovação Sucroenergético,

Seminário Agroindustrial

STAB Fenasucro,

Bioenergy Conference,

Seminário GEGIS,

Workshop Gerhai, Reunião

Lide, Encontro de

Produtores Canaoeste/Orplana

e Seminário de Logística

Esalq/Log/Pecege.

12

Jornal Paraná - Junho 2015


4º Sugar & Ethanol Summit

em Londres será em julho

PALESTRAS

Líderes e especialistas do mais alto nível vão discutir mercados

globais de açúcar e etanol DA EQUIPE DE REDAÇÃO

O setor sucroenergético brasileiro

e seu potencial de mercado serão

discutidos no 4º Sugar & Ethanol

Summit Brazil Day, que acontece

no dia 10 de julho, no Instituto de

Administração (IOD), em Pall

Mall, Londres, na Inglaterra, um

dos principais centros de executivos

na Europa.

Evento é organizado conjuntamente

pela Datagro e pelo Ministério

das Relações Exteriores e

reúne convidados do mais alto nível

para discutir sobre os mercados globais

de açúcar e etanol, com um

foco específico sobre o papel do

Brasil - maior produtor de açúcar

do mundo e o segundo maior produtor

de etanol, e principal exportador

de açúcar e etanol.

Líderes empresariais do mundo e

especialistas no assunto vão participar

da conferência, que se destaca

como uma excelente oportunidade

para se engajar em debates sobre

temas chave da indústria sucroenergética

e para o trabalho em rede

com os líderes do complexo industrial

de açúcar e etanol e agromercados

financeiros.

O objetivo é levar aos representantes

da comunidade financeira, líderes

e investidores de Londres e dos países

da Comunidade Europeia, informações

sobre o potencial do açúcar

e etanol do Brasil, atualmente, o

maior país produtor de açúcar e o segundo

maior em produção de etanol.

Conferência Datagro CeiseBr

Evento técnico oficial de abertura da tradicional feira de tecnologia e

comércio do setor sucroalcooleiro, Fenasucro & Agrocana (25 a 28 de

agosto), a Conferência Datagro CeiseBr acontece no mesmo local, no

Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho (SP), no dia 25 de agosto.

Com a presença de mais de 400 participantes dentre autoridades governamentais,

empresários, especialistas, pesquisadores e representantes

da indústria canavieira, em 2014 o evento superou todas as expectativas

e contou com palestras de alto teor técnico sobre os desafios e perspectivas

do segmento de etanol e açúcar, no Brasil e exterior.

Serão 13 palestrantes distribuídos em cinco painéis em um dia de debates

Com início às 9 e encerramento às

17 horas, evento contará com 13 palestrantes

e cinco painéis. No primeiro

painel, especialistas convidados

além dos presidentes das entidades

representativas do setor discutirão

políticas públicas para o

açúcar e o etanol no Brasil. No segundo

o tema é a força do mercado

de etanol liderando o caminho para

a recuperação, além de falar sobre a

fabricação dos dois produtos no

Nordeste do País.

Sustentabilidade da produção é o

assunto do terceiro painel, abordando

bens de capital, avanços tecnológicos

e a produção brasileira de açúcar e

etanol. Diversificação e produtividade

com foco na biotecnologia e cogeração

de energia serão abordados no

quarto painel e a percepção do

mundo sobre o papel do Brasil em

açúcar e etanol e uma apresentação

sobre o andamento da safra 2015/16

serão objetos do quinto painel.

Mais informações:

www.datagroconferences.com.

br/portugues/index.php

Junho 2015 - Jornal Paraná 13


CAPACITAÇÃO

Cuidado com o solo é tema

do 1º Syntegração 2015

O evento foi realizado dia 28 de maio, em Maringá e contou com palestra

com o professor doutor Ricardo Ralisch, da UEL MARLY AIRES

Cerca de 70% da frota de

veículos com motor Ciclo

Otto serão movidos a etanol

em 2020 e o consumo saltará

de 28,5 bilhões de litros

atualmente, para 65,3 bilhões

de litros em 2020, um

aumento de 130%. E este

pode ser maior se houver

uma mudança na concepção

da taxa de compressão do

motor flex e na sua eficiência,

aumentando a competitividade

do etanol frente à

gasolina, conforme aponta

trabalho desenvolvido pelo

pesquisador da Esalq, Antonio

Sampaio Baptista, em

parceria com a Unica. O relatório

aponta ainda que o

cenário é gigantesco quando

se considera além do etanol

e do açúcar, a produção de

energia elétrica.

Para atender a essa demanda,

o professor doutor

Ricardo Ralisch, da Universidade

Estadual de Londrina

(UEL), diz que o setor

Na correria das operações no dia a dia das

usinas, algum setor sempre sofre as consequências

da dinâmica das operações. “Mais

do que o desempenho da máquina, o que se

tem que avaliar é o efeito sobre o solo, entender

o que acontece, como este funciona, adequando

as operações, visando não prejudicar

o solo”, alerta o professor doutor da UEL, Ricardo

Ralisch.

Ele afirma que o resultado da interação de

uma máquina com o solo nem sempre é o que

se prevê, porque o solo reage de formas diversas

do que se imagina. “Este é complexo

como as pessoas. E da mesma forma que

reagimos de formas diferentes ao mesmo estímulo,

a reação do solo não é da forma como

gostaríamos. Depende do tipo de solo, das

Fertilidade está ligada a desenvolvimento biológico mais rico e com maior diversidade

Solo é um ser vivo

terá que crescer a uma média

de 10% ao ano até 2020.

“Isso é possível, pois já crescemos

no período de 2000 a

2009. Mas, enquanto no período

o aumento foi em cima

de expansão de área,

desta vez terá que ser em

cima de aumento de produtividade”,

afirma, ressaltando

que a qualidade do solo será

fundamental para isso.

suas características e de como está no momento

da operação, o teor de água, a compactação

e outros fatores”, cita, ressaltando a

necessidade de se desenvolver máquinas

pensando neste ser, que é imprevisível.

“Tem que aprender a lidar com o solo como

ser vivo. Aprender a reconhecer sua ‘personalidade’

e que todos não podem ser tratados

da mesma forma”, diz o professor doutor.

Ele reconhece que isso é complexo, mas ressalta

que é possível de ser feito usando as informações

de que se dispõe. “O parâmetro é

o solo natural, da floresta, porque o sistema

de produção tem que entrar em equilíbrio.

Tem que associar esse parâmetro a intensificação

da exploração comercial”, ressalta.

O professor doutor, especialista

em solos, foi o palestrante

do 1º Syntegração

2015, evento realizado pela

Syngenta em parceria com

a Alcopar, dia 28 de maio

em Maringá. Ele abordou

temas como diagnóstico e

manejo da compactação do

solo em áreas canavieiras,

considerando o desempenho

e a qualidade operacional,

a relação solo-máquina

e o efeito das operações

agrícolas na sustentabilidade

do sistema de produção

canavieiro.

Atualmente, a cana de

açúcar ocupa somente 2,2%

da área agropecuária do

Brasil e, ressalta Ralisch,

não deve aumentar muito.

“A produtividade, de cerca

de 80 toneladas por hectare,

é que tem que aumentar. A

principal forma é melhorar

a fertilidade do solo. Outra,

é ampliar a vida útil do canavial”,

destaca.

Ralisch comenta que se

tem o hábito de associar

fertilidade ao uso de adubos

e outros fertilizantes, à disponibilização

de nutrientes

ao solo, mas, ressalta que

isso não é o mais importante.

“A fertilização do solo

está mais associada a

propriedades biológicas, do

que às químicas. Este é o

fator mais importante”, diz.

O professor explica que os

solos tropicais são mais férteis

do que os de clima

temperado porque as condições

tropicais propiciam

um desenvolvimento biológico

mais rico e com maior

diversidade. Por isso a importância

da rotação de culturas

e de manter o solo

estruturado, sem compactação.

14

Jornal Paraná - Junho 2015


Rotação e descompactação é o caminho

Tem que se reconstruir toda a estrutura, e isso maquinário nenhum faz. Solução

está em plantas com raízes fortes, finas, bem distribuídas e em grande volume

O professor doutor da UEL, Ricardo

Ralisch lembra que para ter vida, tem

que ter água, ar e comida, ressaltando

que a matéria orgânica é o que alimenta

a atividade biológica. E quanto

mais diversificadas as plantas no solo,

mais favorável à biodiversidade. É por

isso que Ralisch destaca a importância

de se adotar a rotação de culturas para

aumentar a fertilidade do solo, recomendando

fazer a reforma da cana

com outras culturas. “Isso traz resultados

excelentes”.

Outro ponto fundamental destacado

por Ralisch é que o ar e a água estão

na porosidade do solo. “Sem isso, não

tem atividade biológica nem ar para a

raiz respirar. A maior parte das plantas

depende de ar no solo para a raiz se

desenvolver. Com a compactação, reduz

a porosidade e tudo mais. Temos

apenas a alteração de um componente

do solo, mas que atinge a fertilidade

porque afeta a estrutura do solo”,

alerta.

O professor afirma que em um grama

de solo existem mais de 7 bilhões

de indivíduos trabalhando num sistema

perfeito. Quando um deles é privilegiado,

quebra todo o equilíbrio e se

torna problema. “Não digo que seja

possível evitar a compactação, porque

no momento que se tira a vegetação

natural, começa a ação sobe o solo,

rompe o equilíbrio. Mas é preciso buscar

meios de conviver com ela”.

O caminho é pensar a origem da

compactação e as práticas que dão início

a esta. Para Ralisch há duas formas

de compactação mais importantes. A

que mais se percebe é a compactação

Professor diz que para ter vida, tem que

ter água, ar e comida no ambiente

por pressão do rodado, do peso do

maquinário, diminuindo o espaço entre

as partículas do solo e aumentando

a densidade, ação que é potencializada

quando se entra com os maquinários

logo após a chuva, especialmente em

solos argilosos.

Já a segunda, afirma, é a compactação

por rearranjamento, “que é terrível para

corrigir”, alerta. Ocorre quando se

desagrega os torrões, diminuindo muito

as partículas do solo. Estas vão se acomodar

por entre outras partículas maiores,

reduzindo a porosidade. O processo

natural de compressão e expansão do

solo a partir da seca ou da umidade do

solo ajuda a combater a compactação

por compressão, mas no caso da por

rearranjamento, isso não ocorre.

A solução, aponta o professor, é a reconstrução

da estrutura do solo. “E

isso maquinário nenhum faz. Só a raiz.

Tem que dar tempo para as plantas recuperarem

o solo com raízes fortes,

finas, bem distribuídas e em grande

volume”, orienta. Ele diz que o implemento

rompe a estrutura mas não

descompacta. “Tem que entrar com

uma raiz que recomponha o solo”.

Ralisch cita que a cana de açúcar é

uma das culturas apontadas como excelente

para isso, mas com o cultivo

comercial, mais intenso, onde com

cinco anos já tem que replantar novamente,

isso não é possível porque a

natureza não tem tempo de recuperar

naturalmente. “É por isso que aumentar

a longevidade do canavial vai contribuir

para a fertilidade do solo ao

ajudar na estruturação física e biológica

deste”, diz.

Junho 2015 - Jornal Paraná 15


CAPACITAÇÃO

Sistematizar, mapear

os diversos tipos

de solo, conhecer,

avaliar, entender

o que compacta são as

orientações básicas dadas

pelo professor doutor da

UEL, Ricardo Ralisch para

diminuir os problemas com

compactação. “É preciso

conhecer, ver o que causa,

qual o efeito. Aí, é só fazer

a gestão de máquinas e tráfego

e atentar para a pressão

dos rodados, sabendo

que a pressão interna é a

mesma que a externa e que

quanto mais velocidade,

mais transmite peso para o

solo”.

O professor ressalta que

nem sempre é necessário

usar uma máquina para

corrigir o solo, mas eventualmente

pode ser usada.

“Quem vai dizer é o nível

de compactação e a raiz”.

Durante a primeira edição

do Syntegração 2015, a

Syngenta lançou oficialmente

no Paraná o Ampligo,

o novo aliado para o controle

de broca da cana de açúcar.

Segundo o engenheiro agrônomo

Victor Hugo Silveira,

da área de Desenvolvimento

Técnico de Mercado Cana

de Açúcar da empresa, as

principais características do

produto são rapidez na ação

e o longo residual, fazendo

um controle efetivo da praga

em todas as fases de desenvolvimento

“porque combina

dois modos de ação sendo

duplamente eficaz: choque

mais residual”.

Silveira lembrou que a infestação

de broca da cana

tem aumentado consideravelmente,

se tornando um

Para Ralischi, o penta

(equipamento que tem feito

sucesso entre as usinas),

tem uma proposta interessante,

porque gerencia e organiza

com o tráfego controlado.

A restrição do professor

é quanto ao preparo

do canteiro com rotativa,

problema sério no Mato

Grosso do Sul, São Paulo,

Mato Grosso e vem ganhando

força no Paraná,

“talvez influenciado pela colheita

de cana crua”.

O ciclo da broca da cana

depende da temperatura e

umidade do ambiente, mas

pode ter de quatro a cinco

ciclos durante a safra. O

agrônomo diz que a partir

do momento que se identifica

o problema, o produtor

tem pouco tempo, quatro a

oito dias, para agir e controlar,

antes de a broca entrar na

cana e provocar prejuízos.

“Por isso o controle deve ser

rápido para ter eficiência”.

Cálculos mostram que com

1% de infestação de broca já

há uma redução de 0,8 t/ha

O que fazer

Professor da UEL especialista em solos orienta sobre como diminuir os problemas de compactação

Ralischi alerta que equipamento é agressivo e não

pode ser usado de forma generalizada

que considera agressivo demais.

A rugosidade do solo,

os torrões são importantes,

principalmente para cultivos

como cana.

“O equipamento não pode

ser usado de forma generalizada,

com escarificador,

haste e rotativa na superfície.

Isso desagrega muito as

partículas promovendo um

rearranjamento. Ao acomodar-se,

compacta rápido,

Ampligo no controle da broca

na produtividade de cana e

equivale a perda de 30 kg de

açúcar e 30 litros de etanol.

Num simulação, considerando

a produção de 81

TCH, a perda de 4% da produtividade

por infestação em

cana, etanol e açúcar significa

R$ 616,00 por hectare.

“A maior perda se dá na indústria,

com o prejuízo causado

à qualidade da cana”,

comenta o agrônomo.

Victor Silveira apresentou novo produto que combina

dois modos de ação: choque mais residual

vai selando os poros, especialmente

a argila e a areia

fina. Não é durável”, explica.

Em pouco tempo, a

compactação retorna e com

maior intensidade.

O professor diz que a máquina

rompe o solo, mas se

a usina não coloca outra

planta no sistema, que

aproveite as fissuras para

reequilibrar, acaba desagregando

e levando a compactação,

deslocando esta dos

10 cm de profundidade

para 20 cm, dificultando a

infiltração de água.

Questionando se esse tipo

de preparo seja realmente

adequado, Ralisch diz que é

preciso conhecer bem o

ambiente onde será feito o

trabalho e que o sistema

precisa ser melhor investigado.

“Do ponto de vista

químico, é excelente, mas o

efeito do ponto de vista

biológico e físico do solo é

questionável”, finaliza.

A recomendação é fazer

aplicação de Ampligo quando

há maior infestação. Depois

entrar com um fisiológico

nos períodos de menor

proliferação da população e

fechar com o controle biológico

usando a vespinha cotesia

flavipes, para manutenção.

A Syngenta é líder nacional

no mercado de inseticidas

para controle de pragas da

cana. Há diversos trabalhos

em desenvolvimento e novas

moléculas devem ser lançadas

em breve. A empresa

também trabalha no desenvolvimento

de softwares

com mapas que avaliem a favorabilidade

de determinadas

pragas e doenças, gerando

informações que ajudem

as usinas, dentro do conceito

de soluções integradas da

Syngenta.

16

Jornal Paraná - Junho 2015


Maringá sedia a 11ª Metalmecânica

Em 13 mil metros quadrados serão expostas as últimas novidades em máquinas,

equipamentos e serviços de mais de 150 marcas MARLY AIRES

EVENTOS

Maringá será sede da 11ª

edição da Feira Metalmecânica,

uma feira de negócios

consagrada na região Sul do

Brasil, realizada a cada dois

anos. Com a expectativa de

atrair mais de 15 mil visitantes,

público profissional e qualificado,

será realizada no período

de 29 de julho a 1 de agosto,

no Pavilhão Azul do Parque

Internacional de Exposições

Francisco Feio Ribeiro. De

quarta-feira a sexta-feira, o

horário de funcionamento será

das 15h às 21h e ao sábado,

das 10h às 16h.

Em um espaço de 13 mil

metros quadrados, o evento

vai reunir as últimas novidades

no segmento. Serão quatro

dias onde empresários industriais,

diretores, gerentes, supervisores,

técnicos e visitantes

terão a oportunidade de conhecer

o que há de mais inovador

em máquinas, ferramentas,

equipamentos e serviços

para os setores metal

mecânico, de sucroenergia,

biomassa e biocombustíveis,

usinagem, soldagem, corte e

conformação, manutenção,

automação, softwares de gestão

e engenharia.

Já está confirmada a participação

de 150 marcas, de mais

de 70 expositores e de milhares

de compradores, fortalecendo

e gerando oportunidades

de negócios à indústria regional.

A expectativa é de que

a feira gere de R$ 15 a R$ 20

milhões em negócios durante

e logo após o evento.

Segundo o presidente do

Sindimetal Maringá (Sindicato

das Indústrias Metalúrgicas,

Mecânicas e de Material

Elétrico) e vice-presidente da

Fiep (Federação da Indústria

do Estado do Paraná), Carlos

Walter Martins Pedro, a Metalmecânica

de Maringá é a

principal plataforma comercial,

tecnológica e profissional

da região Noroeste do Estado.

Carlos Walter diz que o setor

metal mecânico, principal destaque

do evento, impulsiona a

economia e incentiva os avanços

tecnológicos, ao passo que

o setor sucroenergético, parceiro

na feira, investe na produtividade

e inovações, gerando

desenvolvimento em toda

a região, aponta.

Em 2013, mais de 10 mil visitantes passaram pela feira

“É uma parceria de suma

importância para alavancar o

desenvolvimento regional e o

trabalho conjunto na feira

potencializa os resultados.

Continuar buscando e desenvolvendo

novas tecnologias

é a saída para gerar negócios

e impulsionar a economia,

encontrando caminhos,

soluções para voltar a

crescer”, afirma o presidente

do Sindimetal.

A feira é promovida pelo

Sindimetal de Maringá, Alcopar,

Senai, Sociedade Rural de

Maringá, Prefeitura Municipal

e Diretriz Feiras e Eventos,

com participação institucional

da Fiep.

Mais informações: eww. feirametalmecanica.com.br

Pesquisa e setor produtivo frente a frente

A rodada de inovação tecnológica em metalmecânica, promovida pelo Sistema Fiep, gerou oportunidades de negócios e tecnologia

Inovação constante é uma

das demandas do setor metalmecânico,

frente à dinâmica

de seus processos. Por

outro lado, há muitas oportunidades

em desenvolvimento

no meio acadêmico,

que conta com recursos humanos

e laboratórios para

atender a estas necessidades.

Fazer a ligação entre os dois,

aproximando as indústrias,

especialmente as sucroenergéticas,

e pesquisadores para

o desenvolvimento de soluções

inovadoras e sustentáveis

no setor produtivo foi a

proposta da primeira Rodada

de Inovação Tecnológica

da Rota Estratégica do

Setor Metalmecânico.

O evento, promovido pelos

Observatórios Sesi, Senai e

IEL, do Sistema Federação

das Indústrias do Paraná

(Fiep), ocorreu no último dia

24 de junho, das 13 às 18

horas, no Instituto Senai de

Tecnologia em Metalmecânica,

em Maringá. A iniciativa

é do Ministério da

Ciência, Tecnologia e Inovação.

Uma rodada semelhante

foi realizado dia 23 de abril

em Curitiba, no Câmpus da

Indústria do Sistema Fiep.

Durante toda a tarde, os

pesquisadores apresentaram

suas ofertas de pesquisa e as

empresas suas demandas,

alavancando oportunidades

de negócios, networking,

inovação e pesquisa nas

áreas de mecânica, metalurgia,

elétrica, eletrônica, sucroalcooleira

e afins, com

diversas parcerias firmadas.

Participaram 13 empresas,

20 pesquisadores e 13 moderadores,

além de instituições

de fomento, ensino e

pesquisa, sindicatos, núcleos

de inovação tecnológica e a

equipe de coordenação.

Dentre os vários temas

abordados nas rodadas estão:

análise experimental de

tensões, desgaste e atrito de

materiais, novos materiais,

software para automação,

robótica industrial/móbil,

Proposta é aproximar os dois lados visando o desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis

instrumentação eletrônica,

sistemas eletrônicos embarcados,

além de fabricação de

máquinas, equipamentos,

dispositivos e circuitos industriais,

o desenvolvimento

de projetos mecânicos, manufatura

de produto ferramental

e instrumentação.

Outros pontos discutidos

foram balanceamento de linhas

de produção e simulação

de processos, sistema de

geração de energia, eficiência

energética, sistemas de

potência, meio ambiente,

saúde e segurança, gestão e

tratamento de resíduos, tratamento

de efluentes e metrologia.

Também falou-se

sobre metalurgia, tecnologia

de usinagem, prototipagem,

tratamento de superfícies,

incluindo plasma, e soluções

para o setor sucroenergético.

Junho 2015 - Jornal Paraná 17


DOIS

PONTOS

Produtividade

A safra 2015/16 de cana

no Centro-Sul, iniciada em

abril, será caracterizada

pela recuperação da produtividade

agrícola que, na

anterior, ficou abaixo da

média histórica devido à

estiagem nas principais

áreas produtoras, segundo

dados da Confederação da

Para isso é preciso melhorar

a eficiência energética,

proibir o uso de carros ou

eletrodomésticos pouco eficientes,

vetar a construção

de novas usinas de carvão e

aumentar o investimento

anual em energias renováveis

de US$ 270 bilhões

Empresas norte-americanas

do setor de combustíveis

estão correndo para

importar etanol do Brasil

Agricultura e Pecuária do

Brasil. Mesmo com a esperada

recuperação e a perspectiva

de melhor remuneração

para o produtor, a

rentabilidade do setor sucroenergético

continuará

ainda abaixo das expectativas

em função dos custos

de produção.

Combustível fóssil

Setor de energia é responsável

por 2/3 das emissões

de gases atuais. O investimento

em energias renováveis

e a eliminação de

subsídios aos combustíveis

fósseis são a chave para reduzir

as emissões de gasesestufa

e limitar a temperatura

global em 2ºC, de

acordo com a Agência Internacional

de Energia. Relatório

visa contribuir para

o debate das Nações Unidas

de acordo para frear o

aquecimento global, que

Eficiência

(2014) para US$ 400 bilhões

em 2030. Também é

preciso eliminar os subsídios

aos combustíveis fósseis, orçados

em US$ 500 bilhões

anuais, destinados, principalmente,

ao Oriente Médio

e Ásia, e avaliar os compromissos

de cada país para

Etanol

pela primeira vez neste ano

depois que reguladores dos

EUA aumentaram as metas

de uso de biocombustíveis

deverá ser assinado no fim

do ano durante a COP 21,

em Paris. A principal meta

é baixar as emissões a partir

de 2020, quando o total de

gases lançados na atmosfera

deverá atingir seu

ápice.

conter a emissão de gases a

cada cinco anos, reduzir as

emissões em escala global

(entre 40% e 70%) e estabelecer

um mecanismo de

contabilidade para monitorar

o progresso dos países no

cumprimento de seus compromissos

energéticos.

avançados, abrindo uma

ampla diferença de preços

no mercado de créditos de

mistura. O prêmio para créditos

RIN, vinculados a

biocombustíveis avançados

- como o etanol brasileiro

de cana - ante RINs de etanol

de milho disparou ao

maior patamar em mais de

dois anos, desde que a

Agência de Proteção Ambiental

dos EUA propôs

metas mais altas que as esperadas

para o uso de combustíveis

produzidos a partir

de óleos vegetais e resíduos

de plantas.

Envelhecimento

O envelhecimento dos

canaviais preocupa. Safra

2015/ 16 será marcada por

um índice 3,1% menor na

renovação dos canaviais em

relação à temporada anterior,

o que pode afetar diretamente

os níveis de

produtividade. O plantio

de 2014, que terá o primeiro

corte, representará

Referência na produção de

energia limpa e renovável, a

biomassa totalizou em abril

12.417 MW de potência

instalada, representando a

terceira fonte mais importante

da matriz elétrica,

atrás apenas da hidroeletricidade

(66,1%) e do Gás

Natural (9,5%). Nesse conjunto,

a biomassa proveniente

da cana de açúcar é o

Biomassa

14,5% da área total disponível

para colheita, diante

dos 17,6% atingidos nas lavouras

do Centro Sul durante

o ciclo de 2014/15.

Estimativas do Centro de

Tecnologia Canavieira

(CTC) indicam queda de

1,7% em produtividade

apenas por conta do envelhecimento.

principal destaque, com o

recorde de 10 mil MW de

capacidade instalada. Considerando

todas as usinas a

biomassa no Sistema Elétrico

Brasileiro, que incluem

a utilização de outros

combustíveis além do bagaço

de cana, a participação

da biomassa na matriz de

capacidade instalada brasileira

em abril foi de 9,1%.

Estrangeiros

Apesar das frustrações, a presença estrangeira no segmento

de etanol e açúcar no Brasil tem crescido de

forma expressiva. Juntas, as 14 principais multinacionais

que investiram em usinas ampliaram a moagem em 60%

nas últimas cinco safras, somando 154 milhões de toneladas

na 2014/15, o equivalente a 24% do total nacional,

que alcançou 643 milhões de toneladas. O maior

dinamismo estrangeiro não está diretamente relacionado

à satisfação com o negócio, já que grande parte

dessas companhias continua tendo prejuízos. A questão

é que, depois que se compra uma usina, é praticamente

obrigatório continuar investindo no ativo para ganhar

escala ou otimizar o uso da capacidade.

18

Jornal Paraná - Junho 2015


Exportações

A Associação das Indústrias

Sucroenergéticas de

Minas Gerais foi a vencedora

da categoria Responsabilidade

Ambiental 2015

no 9º Prêmio da Associação

Brasileira de Engenharia

Automotiva, com um

trabalho sobre o fim da

queima da lavoura e a sustentabilidade

da produção

de cana em Minas Gerais,

Sob a presidência do deputado

federal Evandro

Gussi (PV-SP), foi relançada

a Frente Parlamentar

Mista do Biodiesel. Gussi

terá sob a sua responsabilidade

legislar em favor de

maior participação do biodiesel

na matriz energética

brasileira, de forma a valorizar

esse biocombustível

que contribui para reduzir a

Biodiesel

O peso das exportações de

açúcar nos embarques totais

do Brasil deverá atingir

em 2015 seu mais baixo

patamar desde 2008. O

efeito baixista da alta do

dólar sobre as cotações da

commodity na bolsa de

Nova York é a principal

razão, além dos grandes estoques

mundiais do produto.

Em 2014, os embarques

renderam US$ 9,5

bilhões, queda de 20% em

relação aos US$ 11,8 bilhões

de 2013. Essa queda

de receita seria suficiente

para reduzir em mais de

50% o déficit na balança

comercial brasileira do ano

passado, que totalizou US$

4,4 bilhões. Entre janeiro e

maio de 2015, as vendas de

açúcar ao exterior atingiram

US$ 2,9 bilhões, 9,5%

menos que em igual intervalo

de 2014 e segundo a

consultoria FCStone, a fatia

se tornará ainda menor

até o final do ano.

Cana Ecológica

que já alcançou um índice

de 100% de mecanização

nas áreas com declividade

abaixo de 12%. Isso possibilitou

a redução na emissão

dos gases do efeito

estufa e no uso da água na

indústria, maior proteção

ao solo com a palha que fica

no campo, mão de obra

mais qualificada e o retorno

dos animais ao canavial.

poluição ambiental e para

beneficiar os produtores da

agricultura familiar que

plantam soja, a principal

matéria-prima utilizada na

fabricação de biodiesel.

Estão em análise pelo governo

opções como o B10

(mistura de 10% de biodiesel

ao diesel mineral), o BX

Opcional e o B20 Metropolitano,

usado em ônibus.

A Organização Internacional

do Açúcar projeta um

déficit de 2,3 milhões de toneladas

no mercado global

do produto em 2015/16 ,

encerrando uma série de

cinco anos de excedente. A

média de crescimento na

demanda global de açúcar

deverá ficar em 3,7 milhões

de toneladas e não haverá

aumento considerável no

El Niño

As usinas do Centro Sul

do Brasil possivelmente

não conseguirão moer o

volume projetado de 590

milhões de toneladas da

safra 2015/16, caso o fenômeno

climático El

Niño se desenvolva na intensidade

que está se prevendo,

com um volume

maior de chuvas no Sul

do País e menos precipitação

no Norte. Para a

safra de cana, mais chuva

significa dificuldade de

colheita e menor quantidade

de açúcar nas plantas.

Ainda que as chuvas

possam melhorar a condição

das lavouras em

desenvolvimento, elevando

os volumes para a parte

final do ano, as usinas

talvez não consigam processar

tudo.

Açúcar

nível de produção. O déficit

em 2016/17 poderá ser de 6

milhões de toneladas. Para o

Departamento de Agricultura

dos EUA, a oferta

mundial de açúcar vai se

igualar à demanda, 173,4

milhões de toneladas. O estoque

mundial de açúcar cai

para 40,5 milhões de toneladas,

4 milhões menos do

que o de 2014/15.

Os líderes políticos do G-

7, cúpula dos chefes de Estado

e de governo de EUA,

Canadá, Japão, Alemanha,

França, Reino Unido e Itália,

anunciaram a intenção

de até 2100 banir de seus

países os combustíveis fósseis,

carvão, petróleo e gás,

que são hoje as grandes matrizes

energéticas do mundo.

Petróleo

Gasolina

Subsídios

Brasil, Austrália,

União Europeia, Tailândia

e Colômbia

demonstraram preocupação

na Organização

Mundial do

Comércio diante de

informações que o

governo da Índia aumentou

o subsídio à

exportação de açúcar

bruto do país – o que,

no momento, garante

preços domésticos

20% maiores que a

atual cotação de referência

no mercado

mundial. A Tailândia,

que fez coro contra a

Índia, também foi

questionada sobre

seus próprios programas

de apoio à produção

de açúcar.

A medida é divulgada a seis

meses da 21.ª Conferência

do Clima (COP 21), que

acontecerá em Paris, e deve

resultar em um novo acordo

climático para conter o

aquecimento global. Os objetivos

fixados são de reduzir

as emissões em 40% a 70%

em 2050, com base no total

emitido em 2010.

Vendas de gasolina caíram

3,7% de janeiro a

abril, na comparação com

o mesmo período do ano

passado, segundo a ANP,

devido ao aumento do

preço do combustível,

mais de 9% em 2015. Já

no caso do etanol, na

média do país, o consumo

aumentou 32% até abril e

a produção cresceu 4% em

2014, atingindo 28,6 bilhões

de litros. Expansão

foi ocasionada pelo baixo

preço internacional do

açúcar, liberação de recursos

públicos para o setor, o

aumento do percentual de

anidro na gasolina C, de

25% para 27%, e o retorno

da CIDE sobre a gasolina.

Junho 2015 - Jornal Paraná

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