CAMPO EM REVISTA

lindagomes

Revista sobre a produção agropecuária familiar no Território de Identidade Portal do Sertão, na Bahia

ANO 0, Nº 1

A GALINHA DOS SONHOS

CRIAÇÃO CAIPIRA GERA

LUCRO DIRETO AO

PRODUTOR

ASSOCIAÇÃO DÁ

SELO ORGÂNICO

A PEQUENOS

PRODUTORES

JOVENS PROFISSIONAIS DO CAMPO

ENFRENTAM PRECONCEITO NO

MERCADO DE TRABALHO

FAMÍLIAS CONVIVEM COM O

SEMIÁRIDO E BUSCAM

SERTÃO MAIS JUSTO


SUMÁRIO

6 LAVOURA-PECUÁRIA-FLORESTA

Entenda a tecnologia de integração

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FRUTA O ANO INTEIRO

Passo a passo de como montar um pomar

SELO ORGÂNICO

Associação certifica pequeno produtores

EDUCAÇÃO

O campo precisa frequentar a escola

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APOSENTADORIA RURAL

Saiba como garantir o benefício

CRIANDO GALINHAS

Confira a matéria de capa

ALMANAQUE

Confira simpatias, receita e piadas

PEDIDO DE CRÉDITO

Confira a história de duas famílias

JOVEM NO CAMPO

Mercado, educação e perspectivas

ORIENTAÇÃO NO SEMIÁRIDO

Ação comunitária ajuda familias na seca

REVOLUÇÃO

VERDE X AGROECOLOGIA


EDITORIAL

“Por ser de lá,

do sertão, lá do cerrado,

lá do interior do mato,

da caatinga do roçado”

Gilberto Gil

MINHA PAUTA É RURAL

A perpetuação do jornalismo feito para tratar dos assuntos

urbanos e que exclui das suas pautas os interesses

da população rural não será reforçado nesta publicação.

Aqui vamos experimentar caminhar contra o fluxo da

comunicação tradicional e priorizar a notícia que interessa

a comunidade agrária.

Para definir o conteúdo do CAMPO EM REVISTA, me

debrucei sobre pesquisas e conversei com pessoas de

diferentes áreas, o que resultou em conteúdos informativos

que tratam de economia solidária, agroecologia,

direitos, entretenimento, orientação técnica e outros temas

que interessam as famílias do território de identidade

Portal do Sertão, na Bahia.

Linda Gomes, editora-chefe

Produto experimental de conclusão de curso em jornalismo da ufrb

EDITORA-CHEFE

Linda Gomes

Orientação

Prof. Dr. Péricles Diniz

DIAGRAMAÇÃO

Iana Joaquina

FOTO DA CAPA

Rodrigo Wanderley Fiusa

Colaboradores

Edna Matos, Juciara Nogueira e Paulo Oliveira


APRENDA COMO FUNCIONA A TECNOLOGIA

DE INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA-FLORESTA

O QUE É?

A

integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)

é um sistema que concilia diferentes tipos

de produção, em uma mesma área. Nele, ao

mesmo tempo pode-se ter cultivos agrícolas, pastagens

e animais interagindo entre si de maneira

econômica e ecológica.

QUAIS AS VANTAGENS?

Produz forragem de melhor qualidade, aumenta

a produtividade de carne e/ou leite e o ganho

de peso dos animais. Propicia clima mais favorável,

com manutenção da pastagem verde e maior

conforto animal pelo abrigo do sol, ventos e frio.

Melhora a eficiência no uso da mão de obra, reduzindo

custos. Diversifica a renda e amplia a qualidade

de vida da sua família. Além de proporcionar

o aumento da renda com a venda de madeira

ou energia. Contribui para conservação do solo e

da água, diminui a erosão, aumenta a recarga de

aquíferos e o sequestro de caborno.

O plantio em faixas facilita a entrada de máquinas

na área e a maior distância entre elas (menos

árvores por hectare) propicia o consórcio agrícola

por mais tempo, o menor sombreamento da pastagem

e pode produzir madeira com maior valor

agregado.

COMO ADQUIRIR RECURSOS?

Se a família precisar de crédito para impulsionar

a ILPF, algumas instituições financeiras oferecem

auxílio financeiro com baixos juros. O interessado

deve dirigir-se à instiuição financeira credenciada

de sua preferência que informará qual a documentação

necessária, analisará a possibilidade de concessão

do crédito e negociará as garantias. Após a

aprovação pela instituição, a operação será encaminhada

para homologação e posterior liberação

dos recursos pelo BNDES.

Fotos: Embrapa

COMO UTILIZAR?

Para a implantação dos elementos que compõem

a lavoura, a pastagem e as árvores dever ser seguidos

algumas recomendações de cultivo específicas

para cada espécie, como, por exemplo: escolher

bem as variedades, pensando no objetivo

final e realizar a correção do solo. A introdução das

árvores deve ser feita, preferencialmente, durante

a renovação das pastagens, junto com o plantio,

por pelo menos dois anos para que quando os animais

retornem com as árvores já estejam com desenvolvimento

adequado e não sejam danificadas.

Após escolher as espécies deve-se pensar na melhor

forma de plantio, disposição e distância entre

as árvores. Geralmente usa-se: aleatória, em bosquetes

ou em faixas com uma ou mais linhas, para

obter áreas com quebra-ventos, sombreamento,

fixação de nitrogênio, renovação, produção de forragem,

madeira, energia, entre outros.

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APRENDA O PASSO A PASSO PARA

MONTAR UM POMAR E PRODUZA FRUTA O ANO INTEIRO

Você já pensou em ter frutas fresquinhas e livres

de defensivos químicos no quintal de casa

o ano inteiro? Se sim e não sabe como, veja

abaixo o passo a passo que organizamos.

1.MELHORES ESPÉCIES PARA INICIAR

Abacate, Abacaxi, Acerola, Banana, Goiaba, Laranja,

Limão, Manga, Maracujá, Tangerina.

2. ESCOLHA DO LOCAL

A área deve estar livre de tocos, pedras e entulhos.

Prefira terreno profundo e rico em matéria orgânica.

3. PREPARO DO TERRENO

Limpe toda área, fazendo uma capina. O local deve

ser fechado com cerca de arame ou tela. Não há

necessidade de fazer aragem, gradagem nem correção

da acidez do solo.

6.CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS

Faça verificações constantes da presença de formigas,

pulgão, mosca das frutas, abelha-arapuá, podridão

repentina de frutos, brocas, etc. No caso de

encontrá-los, procure orientação técnica e peça recomendações

naturais e caseiras.

7.COLHEITA

A colheita é o momento mais esperado, então tenha

cautela ao recolher os frutos. Use escadas, evite

derrubar no chão e abrigue-os em caixas e sacolas

limpas, caso precise transportar para locais distantes.

Feito isso é só correr para mesa e experimentar

sua fruta livre de agrotóxico produzida de forma

consciente.

4. PLANTIO

Deve ser feito de preferência no período chuvoso

para evitar gasto de água. Uma cova com 30 centímetros

de profundidade tem que ser cavada para

abrigar a muda. Após colocar a árvore cobre-se a

superfície com terra, aperta bem e escora com um

pedaço de madeira, para evitar que o vento derrube.

5.ADUBAÇÃO

Aproveite a disponibilidade de esterco do curral de

gado ou do galinheiro. Mas se com eles puros o desempenho

das mudas for baixo, procure orientação

de um ténico.

Fonte: Emater-MG

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Foto: Pedro Moraes/GOVBA

ASSOCIAÇÃO DÁ SELO DE ORGÂNICO PARA

PEQUENOS PRODUTORES NA BAHIA

Texto: Linda Gomes

As famílias agricultoras de todo território baiano

que produzam no formato convencional, já podem

modificar seus métodos e começar o cultivo

orgânico. Para adquirir orientação técnica, inspeção e

legalização é necessário tornar-se membro da Associação

Certificadora de Áreas de Defesa do Meio Ambiente

e Produtores Orgânicos do Estado da Bahia (Acpo-BA),

e contribuir mensalmente com R$ 30,00 em produtos

da sua plantação.

Durante o processo, a associação passa na casa de

cada família agrícola e as convida para começar a produzir

o orgânico. Dentro de poucas etapas, os mitos

acerca do alto custo para licenciamento e da ineficiência

na produtividade ao usar os manejos agroecológicos,

deixam de assombrar as famílias do campo e se

tornam exemplo de responsabilidade social e alimentar.

O presidente (ACPO-BA), Edilson dos Santos, explica

como mostra ao produtor que o cultivo orgânico é um

manejo que dá certo: “Os técnicos da associação fazem

um desafio para que seja destinada aos cuidados

da entidade uma área com distância de 200 metros de

onde se planta com agrotóxico e duas formas de manejo

são feitas”.

Em uma experiência como essa na cidade de Lençóis,

regão centro sul da Bahia, Edilson explica como convenceu

a família a aceitar a agricultura orgânica:

“O produtor plantou como de costume usando pesticida,

em roças de pimentão e tomate e associação

utilizou as técnicas do orgânico na hora da colheita ele

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tirou 20 caixas de cada, e a entidade conseguiu o dobro”.

Você tem que ser um São Tomé, mostrar a cada

um que dá certo. “O pequeno agricultor não tem informação.

O uso do veneno é o tempo todo passado

para ele como a solução para conseguir competir no

mercado”.

Foto: Pedro Moraes/GOVBA

Foto: Mateus Pereira/SECOM


A consultoria prestada pela associação depois de

garantir que o produto do adjunto já está livre de

defensivos, ajuda cada membro a realizar cadastro

no Programa Nacional de Alimentação Escolar

(PNAE) e no Programa de Aquisição de Alimentos

(PAA), assim boa parte da sua lavoura já possui

destino, diminuindo as chances de encalhar a

produção e ter prejuízo.

É importante alertar àqueles que desejem iniciar

o processo de certificação que após se associar,

ele não terá que imediatamente parar sua

produção e esperar o período de dois anos para

voltar a vender. Após passar pela auditoria, o produtor

fica no sistema de conversão e pode comercializar

direto ao consumidor até que o solo da

sua propriedade seja recuperado e ele receba a

certificação para participar de feiras da economia

solidária, projetos governamentais e importar e

exportar seu produto dentro da legalidade.

DESAFIOS E ENFRENTAMENTO

Atendendo em 27 territórios, a associação vislumbra

conquistar o espaço comercial da alimentação

convencional. Ainda em 2016, 50 lojas intituladas

Quitanda Vida, vão ser inauguradas em diferentes

bairros de Salvador para vender os produtos

com preços abaixo dos da tabela e assim disseminar

a agricultura orgânica para a população.

“Se os governos investissem pesado na agricultura

orgânica, a cada real destinado, economizaria

mil hospitais e medicamentos. Iria ter as

pessoas valorizando a vida, a cultura, a tradição

e o folclore, ideais que fazem parte da cadeia na

agricultura orgânica”, aponta o líder da associação.

Uma das barreiras enfrentadas pela Acpo-BA

é a falta de técnicos agrícolas preparados e suficientes

para atender os 12 mil filiados. Atualmente

o patrimônio da organização é composto

de um caminhão, um trator e uma caminhonete.

Esses bens ainda não são suficientes para que o

projeto auxilie mais famílias do estado a produzir

respeitando os ideais da agroecologia.

Foto: Mateus Pereira/SECOM

Foto: Pedro Moraes/GOVBA

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Foto: Pedro Moraes/GOVBA


ARTIGO

O CAMPO PRECISA FREQUENTAR A ESCOLA

Sobre educação agrícola como fator de desenvolvimento,

temos uma crença empírica, de que a

educação orientada para o meio rural é um instrumento

de modernização do mundo agrário, pois

tem por objetivo explícito e implícito, transmitir à população

rural valores, técnicas de produção, padrões

de comportamento e de consumo.

As escolas do campo conseguem consolidar e fortalecer

os arranjos produtivos locais, valorizando as

potencialidades da região e possibilitando a construção

de um projeto de desenvolvimento onde a Agricultura

Familiar e os povos do campo sejam considerados

com as suas formas de organização, seus

valores e seus saberes.

A formação do Técnico em Agropecuária envolve

conhecimentos que vão além das atividades tradicionais

da agricultura e pecuária. Hoje, procura-se

desenvolver habilidades, em áreas diversas como irrigação,

automação agrícola, topografia, industrialização

de produtos de origem animal e vegetal, gestão

e economia, planejamento, empreendedorismo,

gestão ambiental e agroecologia. Competências que

auxiliam os produtores rurais não só a utilizarem técnicas

modernas na produção, mas também os possibilita

agregar valores aos seus produtos.

Enfim, uma instituição voltada para a educação agropecuária

promove o desenvolvimento econômico,

traz consigo as possibilidades de novas frentes de

trabalho, cuida da formação de técnicos para a área

agrícola e zootécnica, associa teoria e prática, além

de funcionar como canal de visibilidade para a cidade

e região.

Edna Matos

Diretora do Instituto Federal da Bahia

campus Santo Antônio de Jesus

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CAPA

CRIE GALINHAS CAIPIRAS

E VENDA SAÚDE E BEM ESTAR

MANEJO AGROECOLÓGICO GARANTE AVES COM MAIS QUALIDADE

Texto e foto: Linda Gomes

A

avicultura familiar é a cultura animal mais presente

nas propriedades rurais da Bahia. Com

mercado promissor e modesto custo de manejo,

ela pode deixar de ser vista como mera fonte de subsistência

e tornar-se um negócio lucrativo. Como o

manejo tradicionalmente acontece no formato extensivo,

que é quando não há preocupação em garantir

alta produtividade, as famílias pouco se interessam

pelos aspectos reprodutivos, nutricionais e sanitários,

e quando decidem tornar a atividade uma das suas

fontes de renda acabam tendo prejuízos.

Mortalidade das crias, baixo desempenho das aves

e proliferação de doenças em função dos animais estarem

em convivência com outros e expostos a pessoas

dentro do mesmo ambiente, são alguns dos problemas

enfrentados. Mas para que sejam superados,

algumas estratégias devem ser adotadas antes de iniciar

a agroindustrialização.

O médico veterinário Marcelo Plácido, que é especialista

em avicultura, explica a importância de se ter

um plano de negócios bem definido, para não haver

frustração. Ao traçar a estratégia, deve-se levar em

consideração qual será o público consumidor, estudar

e monitorar assuntos que dizem respeito à sanidade,

genética e práticas adequadas.

Como a mão de obra é gerada pela própria família,

ela é razoavelmente barata. A alimentação, que

garante firmeza na carne e melhor pigmentação nos

ovos, recebe sobras de vegetais produzidas na própria

unidade familiar e, com isso, as chances de o

projeto ser próspero é grande, basta ter a orientação

adequada.

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Imagem de capa: pixabay.com


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NA PRÁTICA

O

casal Leonel e Vera Santos, cria aves caipiras

de corte desde 2012 e alcançou uma

vasta clientela em supermercados e restaurantes

de Feira de Santana e Salvador. Conforme

a procura foi aumentando, eles precisaram aumentar

a produção e passaram a ter cerca de mil

frangos, no entanto ainda era pouco para atender

tantos pedidos.

Para não deixar os clientes na mão, a dupla

passou a comprar animais de outras famílias e

colocá-los juntos das que já tinham. A partir daí,

inúmeros problemas se apresentaram à granja da

família, o que culminou na proliferação de doenças

que mataram em massa as aves do casal.

Vera Santos

“Mesmo sabendo que

não podia misturar as crias,

a gente colocou,

por ganância”.

ENFRENTANDO DOENÇAS

Leonel Santos

Leonel confessa que isso fez seu negócio sair da

categoria produtiva e passar a se tornar símbolo

de prejuízo, além de lhe custar impedimento de

um ano sem poder criar, até que todos os problemas

de falta de sanidade fossem eliminados

do local. “Mesmo sabendo que não podia misturar

as crias, a gente colocou, por ganância. O

veterinário nos avisou diversas vezes que não

podia, mas por medo de perder as entregas passamos

por cima da orientação técnica e acabamos

pagando pra ver”, contou.

As doenças que fizeram o casal dar uma pausa

no seu projeto são recorrentes na avicultura

e precisam ser encaradas com responsabilidade

para evitar que criações vizinhas sejam contaminadas.

Pesquisadora em sanidade de aves e professora

do curso de medicina veterinária da Universidade

Federal da Bahia, Lia Fernandes falou das recomendações

necessárias para prevenir o aparecimento

de doenças:

“Verificação da limpeza dos bebedouros, não

deixar a comida que cai no chão ser misturada

com água e evitar uso de medicamentos sem

prescrição médica, são os primeiros passos para

produzir com segurança”.

Sobre vacinação, a pesquisadora alerta sobre

o perigo de expor as crias às medicações inadequadas.

“Os vírus contidos nas vacinas estão com

organismos vivos na sua composição, então se

aves que não tem a doença a qual o medicamento

é indicado receber as doses poderá acarretar em

um animal com alto potencial de infecto e elevar

o desempenho”, contou.

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Lucas cria atualmente 60 galinhas das raças

caipira e índio gigante. Ele nunca procurou assistência

técnica governamental por não saber que

existia o serviço na sua localidade e em tom de

reivindicação, falou do incômodo com as diferenças

nos preços que cada produtor vende e a falta

de união da comunidade criadora para fortalecer

a avicultura familiar.

Lia Fernandes

LIDANDO COM O INESPERADO

O jovem, Lucas Ferreira, de 19 anos, diz que

os desafios de criar galinhas foram muito maiores

do que ele esperava. Com financiamento de R$ 4

mil em mãos oferecido pelo Banco do Nordeste, o

gasto superou o lucro e o garoto, que desejava ter

sua renda de criação, revelou o desejo de por um

fim ao empreeendimento.

“Eu achava que para criar galinhas o custo seria

menor em relação a boi e cabra, pensava que só

era preciso alimentar e fazer limpeza, daí resolvi

investir. Mas quando vi na primeira leva a maioria

delas morrendo antes de chegar na fase adulta,

percebi que o projeto me exigia um conhecimento

mínimo sobre as adversidades que comumente

atingem as pequenas criações”, confessou.

RECEITA DE SUCESSO

Diferente dos casos relatados na reportagem,

uma senhora de 65 anos conhecida como Dona

Mariá Ramos, contou que sempre esteve satisfeita

com sua pequena granja. Com ajuda das filhas

Renilda e Valquíria, A Galinha dos Sonhos é

a marca que ela passa para seus clientes na hora

de vender. Questionada sobre o motivo que a fez

dedicar-se a esta cultura, disse: “Essas galinhas

não me dão trabalho, eu e as meninas só temos

alegria quando olhamos elas crescendo e ficando

pesadas”.

Alimentadas com milho, maniva e cascas de

verduras, as galinhas dos sonhos ficam ora confinadas

no galpão, ora soltas no quintal do sítio da

lavradora.

“Elas são livres, por isso crescem, põem ovos

lindos e são tão procuradas. Se eu as mantivesse

sem o contato com a natureza, talvez não tivesse

o mesmo resultado”.

Mariá contou que deseja ampliar a área e pôr

mais aves no espaço, porém a falta de abatedouros

e do certificado de inspeção deixa a escoação

do produto mais difícil e ela tem medo de não

obter os resultados almejados.

Uma notícia otimista para os pequenos produtores

é a implantação de um abatedouro específico

para frangos dentro da Universidade Federal

do Recôncavo da Bahia, na cidade de Cruz das

Almas. Nele, todos os que produzam em pequena

escala poderão realizar o serviço com garantia sanitária,

estar mais próximos das pesquisas sobre

o tema e finalmente distribuir com segurança e

praticidade para o consumidor final. A UFRB ainda

não divulgou quando iniciará as atividades do

projeto.

Lucas Ferreira

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Mariá Ramos


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CRIAR PARA COMER

Há famílias que mantém a sua criação somente

para consumo próprio, e, esse detalhe não é

nenhum erro, especialistas em alimentação até

defendem essa escolha e chegam a afirmar que

um dos itens de nutrição de qualidade é quando

o consumidor produz sua própria comida, pois

sabe da origem e trajetória de cuidados que o

produto teve.

Na Fazenda Gameleira, zona rural de Conceição

do Jacuípe, Edmilson Batista mantém a tradição

de sua mãe em ter as galinhas para ir a mesa

de casa. Ele nos mostrou que elas ficam soltas

durante a maior parte do dia, se alimentam de

insetos, milho e vegetais e quando chega o final

da tarde, por conta própria, voltam aos poleiros

e se recolhem para dormir.

Os frangos criados por Edmilson ficam prontos

para o abate em 90 dias, mesmo tempo que os

outros produtores de galinhas desta reportagem

levam para por na vitrine.

Na avicultura convencional ou intensiva, os

animais levam menos de 15 dias no ciclo vai da

granja até a geladeira do supermercado.

Edmilson Batista

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ALMANAQUE

FILTRO DE BARRO

Pesquisas norte-americanas apontaram que os

tradicionais filtros de barro com filtragem em

câmara de cerâmica são os mais eficientes na

retenção de cloro, pesticidas, ferro, alumínio e

chumbo. Eles ainda possuem a capacidade de

reter 99% do parasita causador de diarreia.

COISA ENGRACADA

Quem é que manda na terra dos queijos?

_O Rei Queijão!

O que o tomate foi fazer no banco?

- Foi tirar extrato.

Porque as vacas Argentinas olham pro

céu?

- Pra ver se tem Boi nos ares.

O que a caganeira falou para o peido

- Vai na frente buzinando que eu estou sem

freios!

A mãe deu cinco reais para cada uma das

duas filhas irem ao mercado. Que horas

são?

-Dez pras duas

Qual é o animal mais antigo que existe?

-A Zebra. Ela ainda está em preto e branco!

Você sabe por que a vaca dá leite?

- Porque ela não sabe vender!

HUMÚS DE MINHOCA

Para a obtenção do húmus é necessário um

composto que inclui esterco bovino, cascas e

restos de frutas e verduras triturados. Feito isso

as minhocas se multiplicam por três no prazo

de 90 dias e todo o seu excremento poderá ser

utilizado. Pesquisas mostram que a aplicação do

húmus de minhoca no solo aumenta a produção

de grãos em 35 a 50% e de folhagem em até

40%, em comparação a outras culturas sem a

aplicação do húmus.

SIMPATIAS PARA TIRAR VERRUGAS

CASCA DE BANANA

Você só precisa de uma banana para fazer essa

simpatia. Tire a casca dela, e passe no lugar

por três vezes, e em seguida enterre no jardim.

CEBOLA

Esmague um pedaço de cebola, e então pegue

a cebola triturada com a água que sairá, e coloque

sobre local.

Para manter o remédio conservado, coloque um

band-aid. Repita o processo até ela sumir por

completo.

PROVÉRBIO

‘’Quem desdenha dos defeitos alheios

está exibindo os seus’’. Mãe Sttela de

Oxóssi.”

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NOVIDADE

A multinacional Philips lançou um aparelho

que transforma celulares e tablets em equipamentos

de ultrassonografia. Pra usar o PHI-

LIPS LUMIFY, basta baixar o aplicativo Lumify

e você já estará habilitado a fazer diagnósticos

rápidos e poderá prestar cuidados aos

seua animais quando for necessário.

AJUDA DIVINA

ORAÇÃO DO AGRICULTOR

Que de uma forma bem feita,

Eu aumente a produção,

Repartindo a colheita,

Com grande satisfação.

Fazei Deus que o plantio,

Esteja conforme o clima,

Que eu colha no quente ou no frio,

Num nível que me anima.

Cada muda e semente,

Que eu bote embaixo do chão,

No amanhã gere pra gente,

Só boa vegetação.

Monarca da humildade,

Que eu plante com bem querer,

O grão da fertilidade,

Pra no mundo florescer.

DE LAMBER OS BEICOS...

BREDO NO AZEITE DE DENDÊ

Que legumes e verdura,

As frutas e cereais,

Eu produza com fartura,

Dentro dos níveis normais.

Ingredientes:

• 2 maços de bredo (verdura típica da região)

• 250 ml de leite de coco (preferência o caseiro)

• 4 unidades de tomate em cubos

• 1 unidade de cebola média picada

• 2 dentes de alho amassado

• Coentro picado a gosto

• 3 colheres de sopa de azeite de dendê

• 300g de camarão seco

Preparo:

Destaque as folhas do bredo, lave-as e leve

para escaldar para tirar o visgo. Escorra e reserve.

Faça um molho com a cebola e o alho.

Junte os tomates e o coentro e cozinhe até

encorpar. Junte os camarões e o bredo, tempere

com sal e pimenta. Acrescente o leite de

coco e o azeite de dendê. Feito isso, deixe cozinhar

em fogo médio com a panela tampada

por cerca de 20 minutos.

DICA AGROECOLÓGICA

URINA DE VACA COMO FERTILIZANTE

Como preparar:

A urina deve ser recolhida em um balde e

logo após ser envasada em recipiente fechado

por no mínimo três dias antes de usar. Em

recipientes fechados a urina poderá ser armazenada

por até um ano.

Como usar:

Diluir a 1% (um litro de urina em 100 litros

de água), fazer pulverizações semanais em

hortaliças e em frutíferas a cada quinze dias.

Para utilizar no solo, junto ao pé da planta,

diluir a 5% (5 litros de urina em 100 litros de

água).

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DOIS PEDIDOS DE FINANCIAMENTOS

Texto e foto: Linda Gomes

COM CAMINHOS DIFERENTES

ABahia tem o maior número de pequenas propriedades

rurais do País, dizem os dados do

Ministério do Desenvolvimento Agrário. Assim

desde 1996, toda família que tenha 50% da sua renda

originada da atividade rural e mão de obra predominantemente

familiar, tem direito a receber crédito

financeiro e assistência técnica para auxilia-la no desenvolvimento

da produção.

As diferentes linhas de financiamentos, oferecidas

por bancos públicos e privados, em parceria com

o governo federal, pretendem atender cada família

de acordo com suas necessidades para que haja duplicação

de lucro na renda dessas pessoas. Porém,

nem sempre os resultados seguem o esperado e a

temida dívida com o banco se faz presente.

Há cinco anos, o casal Uda Rios Pinto (63) e

José Moreira Pinto (64), proprietário da Fazenda

Água Verde em Pedrão, tornou-se protagonista na

história de frustração com acordos bancários. Com

dificuldades para transformar em lucro, o crédito de

5 mil reais com juros de 1,5% ao ano e prazo de

pagamento de até dois anos adquirido junto ao Banco

do Nordeste pelo Programa Nacional de Apoio a

Agricultura Familiar (PRONAF), a dupla apostou em

dobrar o plantio da mandioca que sempre cultivou e

acabou perdendo a maior parte da lavoura devida a

pouca quantidade de chuvas.

Eles acabaram sendo inscritos no Serviço de Proteção

ao Crédito (SPC).

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Uda Rios Pinto e José Moreira Pinto

“A gente ficou três anos com o nome sujo, sem

conseguir pagar e praticamente não teve lucro”,

contou Seu José. A instabilidade nas condições climáticas

é um problema já previsto na agricultura,

ela juntamente com a falta de orientação técnica e

administrativa foram responsáveis direto em incluir

Uda e José pinto, na lista de devedores do país.

A insegurança dos pequenos produtores em acessar

programas de auxílio é justificada em exemplos

como dessa família.


SABEDORIA POPULAR

Josélia Batista Barbosa (43) e Antônio Barbosa

Pereira (53), são casados e moram na fazenda

Taquari, na cidade de Amélia Rodrigues. Eles receberam

o empréstimo do Agro Amigo, também

pelo Banco do Nordeste e investiram na pecuária,

atividade que, até então, não exerciam. Frutas,

mandioca e seus derivados eram os produtos cultivados

e comercializados anteriormente, na feira

livre, por eles.

Com a falta de ajuda profissional por parte

do programa, embora o regulamento diga que é

um item de direito do beneficiado, eles optaram

por seguir a sabedoria popular como instrumento

de orientação e conseguiram mudar os rumos da

vida no campo.

Para ter sucesso, seu Antônio contou que comprou

gado, cabra e porcos porque é mais fácil de

lidar, diminuindo o risco de acabar inadimplentes

com o banco.

Eles afirmam que com o Pronaf, não existe mais

dificuldade em manter renda fixa e conseguem

poder de compra para equipamentos, implementos

e bens de consumo como carro de passeio e

máquina de lavar.

Josélia Batista Moreira e Antônio Barbosa Pereira

“A gente ficou três anos

com nome sujo, sem

conseguir pagar e

praticamente não teve

lucro.”

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OS DESAFIOS DO JOVEM

PROFISSIONAL NO CAMPO

Texto: Linda Gomes

Três jovens profissionais da área agrícola atuantes

em setores diferentes e com objetivos

em comum revelaram que levar conhecimento

científico para a vida das pessoas nas suas comunidades

é o que os motiva.

Servindo de inspiração para outros em meio a sedução

da vida urbana, Rafaela Maciel, Reinaldo Leite

e Raul Pinhos mostraram seus perfis. Conheça os desafios

de cada um na execução de seus projetos.

RAUL PINHOS, 26 ANOS

Engenheiro Agrônomo

RAFAELA MACIEL, 23 ANOS

ENGENHEIRA AGRÔNOMA

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

“Saí da universidade com muitos propósitos e foi

desanimador encontrar tantas portas fechadas no

mercado de trabalho. Por ser mulher precisei em diversas

situações provar minha equivalência perante

aos colegas homens, principalmente em tarefas de

força, para que me enxergassem como capaz. Ainda

na universidade, conheci realidades e pessoas muito

diferentes e me inseri no projeto de extensão rural

com agricultores familiares.

O campo é, infelizmente, associado ao atraso. Sempre

me preocupo em explorar os motivos dos jovens

rurais não permanecerem na sucessão das atividades

desempenhadas pelos pais, e percebo que sua

perspectiva de melhoria de vida está diretamente relacionada

à saída do campo.

Esse fato me toca e por isso escrevi um plano

de projeto sobre a introdução do empreendedorismo

na Educação do Campo, para apresentar aos jovens

suas inúmeras possibilidades e o potencial que tem

no processo de desenvovimento do campo. Para mim

esse é o caminho mais eficaz e efetivo para mudar

o quadro do êxodo rural jovem e apresentar novas

perspectivas à permanência no campo.”

22

“A minha escolha pela profissão ocorreu pelo fato

de minha origem ser oriunda do campo. Eu já tinha

uma certa afinidade com o campo e me formei para

cuidar dele. Porém a falta de confiança dos empresários

e proprietários rurais nos jovens que querem

trazer melhorias e inovações para o campo desanima

na hora de por em prática os planos.

Atualmente trabalho na área que gosto e diariamente

me deparo com experiências incríveis. Com

pequenos agricultores já pude contribuir com a melhoria

de suas lavouras e criações. Cada sorriso de

agradecimento se transforma na certeza de estar no

caminho certo. Depois da Universidade voltei a morar

na minha cidade natal a fim de ter qualidade de

vida e contribuir para o desenvolvimento da minha

comunidade.

O combate a saída dos jovens para os grandes

centros em busca de crescimento, profissional e financeiro

é uma das questões que me preocupo socialmente,

pois já foi comprovado que esta escolha

pode acabar se tornando uma grande ilusão. Milito

também na difusão da ideia de que as escolas que se

encontram na zona rural devem ser escolas voltadas

para o campo e não escolas padronizadas como as

das cidades. Deve-se educar o jovem do campo para

valorizar o seu espaço e assim poder tirar seu sustento

sem precisar migrar.”


REINALDO LEITE, 25 ANOS

Técnico Agrícola

Foto: Arquivo pessoal

“Como trabalho com extensão rural, o contato com

o produtor rural é direto, assim posso escutar quais

são as necessidades reais. Ouço muito mais do que

falo para conseguir aliar meu conhecimento com o

dele e tornar o serviço mais democrático.

Lembro de um momento maravilhoso no trabalho

dos últimos anos que foi quando pude participar do

cadastramento das comunidades rurais do município

de Governado Mangabeira o qual eu resíduo, na chamada

pública da Bahiater, onde a cidade obteve destaque

com o maior numero de comunidades inscritas

e sendo comtemplada. Isso para mim, profissionalmente

e pessoalmente foi gratificante.

Mesmo demonstrando competência, a pouca idade

ainda é encarado pelos contratantes e pelas pessoas

como algo negativo. Elas resistem em confiar. Um

exemplo que me marcou nesse desafio foi quando

comecei a trabalhar na Secretaria de Desenvolvimento

Rural de Mangabeira recolhendo a documentação

das comunidades para participar do Programa

de Aquisição de Alimentos (PAA) e no Programa Nacional

de Alimentação Escolar (PNAE), onde alguns

agricultores ficaram com receio de me entregar, por

eu ser jovem.

O jovem precisa ser valorizado para que ele se sinta

bem no ambiente em que vive para que não haja

a necessidade de ir embora. E essa é uma bandeira

que pretendo continuar levantando com meu trabalho.

Buscar o melhor para a zona rural, dando visibilidade

para esse povo que sofre tanto com preconceito

e desigualdade. Não seria justo de minha parte

obter conhecimento e não poder transferi-lo para as

pessoas da minha região o qual eu sei que precisam.”

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Foto: Alberto Coutinho/SECOM

ORIENTAÇÃO TÉCNICA E INCLUSIVA

NO SEMIÁRIDO

Texto: Linda Gomes

No território de identidade do Portal do Sertão

uma das entidades que presta serviços de

orientação técnica agrícola e acolhimento social

às famílias do semiárido é o Movimento de Ação

Comunitária (MOC). Prestes há completar cinquenta

anos, o projeto com sede na cidade de Feira de

Santana, incentiva a produção agroecológica, passa

ensinamentos de como as famílias podem se preparar

para os períodos de estiagem e dialoga com cada

grupo nas comunidades.

Seis programas são desempenhados pelo MOC em

busca de um sertão mais justo. Já são mais de 30

mil famílias beneficiadas. Profissionais das áreas de

agronomia, medicina veterinária, jornalismo, pedagogia,

construção civil, assistência social e outras,

formam a equipe de apoio do movimento.

Qualque pessoa que deseja iniciar ou aprender a

gerir melhor sua propriedade rural pode procurar a

entidade ou algum beneficiado próximo a si e solicitar

o atendimento. Por exemplo, se você é mulher, planta

ervas medicinais em casa e gostaria de aprender

como desenvolver remédios caseiros com segurança

a fim de comercializar e aumentar sua própria renda,

pode reunir outras mulheres com os mesmos ou

diferentes objetivos dentro da economia solidária e

chamar o responsável pelo núcleo de gênero da MOC

para traçar as melhores estratégias de qualificação.

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Nesta instituição, cada caso é um caso e por esse

motivo, a vida das pessoas que moram e tiram seu

próprio sustento da atividade no campo é otimizada

com seis programas distintos e articulados que destinam

esforços de acordo com as necessidades de

cada indivíduo ou grupo.

Foto: Divulgação/MOC


PROGRAMA DE GÊNERO

Nessa ação, o objetivo é proporcionar a autonomia

de mulheres que historicamente foram oprimidas

e deixaram de tomar as decisões da sua

vida. Com o trabalho de valorização da autoestima,

cursos de capacitação e demonstrações de

apoio, elas conseguem os mesmos direitos que o

seu companheiro e passam a ter uma vida mais

justa.

Foto: Divulgação/MOC

PROGRAMA DE FORTALECIMENTO DE

EMPREENDIMENTOS ECONÔMICOS

SOLIDÁRIOS

Como o próprio nome já diz, o objetivo é contribuir

para que negócios da economia solidária

oriundos da agropecuária familiar nos municípios

de atuação do MOC sejam consolidados, atuando

na perspectiva de uma economia justa e inclusiva

em redes que organizam os processos de gestão,

produção e comercialização, fortalecendo a agrocomerialização

dos produtos.

Foto: Divulgação/MOC

PROGRAMA ÁGUA, PRODUÇÃO DE

ALIMENTOS E AGROECOLOGIA

Aqui, cisternas com capacidade de armazenar

até 16 mil litros de água para consumo humano

são construídas gratuitamente de forma solidária.

Os beneficiados que podem ser moradores ou escolas

rurais recebem instruções da MOC de como

fazer e de como manter o equipamento em pleno

funcionamento.

Outro importante trabalho que atende a comunidade

do sertão baiano é a disseminação da cultura

do estoque para evitar imprevistos na época

de estiagem. Água, alimento, bancos de sementes

comunitários, são algumas concepções que

dentro de uma perspectiva agroecológica, torna a

convivência com a seca possível e produtiva.

Foto: Divulgação/MOC

PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO

INSTITUCIONAL

Nesta etapa, trabalhadoras e trabalhadores

aprendem a desenvolver planejamentos estratégicos

de negócios, sem abrir mão da sustentabilidade,

política social e gestão financeira. Eles também

aprendem como montar associações mais

fortes.

PROGRAMA DE COMUNICAÇÃO

O mito do convívio com o semiárido inviável é

desconstruído aqui. Um grande esforço para democratizar

a informação e fazer o povo rural receber

conhecimento de maneira mais acessível, incentiva

os a constituir participação como sujeitos.

Assim debatem, opinam, escolhem e impedem

que os de fora determinem quais as diretrizes que

sua região deve seguir.

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO DO CAMPO

CONTEXTUALIZADA

Os jovens e os profissionais da educação são os

principais favorecidos desta ação. Eles aprendem

a contextualizarsua realidade com a de outras

culturas sem deixar que o preconceito os impeça

de expor suas potencialidades. O êxodo rural

de garotas e garotos é uma das estatísticas que

reduziram nos territórios atendidos pela ação comunitária

com o projeto.

Foto: Divulgação/MOC

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Google Imagens

REVOLUÇÃO

VERDE X AGROECOLOGIA

As inovações tecnológicas na agricultura, na década de 1960, possibilitaram o desenvolvimento de

pesquisas em sementes, fertilização do solo, utilização de agrotóxicos e mecanização no campo. Esse

movimento ficou conhecido como Revolução Verde que trazia o discurso humanitário de aumentar a

produção de alimentos para acabar com a fome nos países pobres.

A Revolução Verde proporcionou tecnologias que atingem maior eficiência na produção agrícola, aumentando

significativamente a produção de alimentos. Entretanto, a fome mundial não foi solucionada.

A partir dos anos 1990, a agricultura passa a utilizar-se dos conceitos sociais, econômicos e políticos,

incorporando também a antropologia nas propostas de desenvolvimento rural. Surgia assim, a Agroecologia

que se apresenta como uma alternativa para enfrentar os problemas gerados pelo modelo

de agricultura convencional estabelecido pela Revolução Verde.

A Agroecologia pode ser entendida como o manejo ecológico dos recursos naturais, através de formas

de ação social coletiva, com propostas de desenvolvimento participativo, desde as formas de

produção até a circulação alternativa de seus produtos.

Com informações da Embrapa

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ocampoemrevista

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